10 de set de 2014

Aliado da família Sarney vai gerir urna eletrônica no Maranhão

A gestão das urnas eletrônicas nos 217 municípios do Maranhão ficará a cargo de uma empresa cujo dono tem vínculos com o marido da governadora Roseana Sarney (PMDB), Jorge Murad. E ainda há indícios de ligação com o próprio candidato a governador do grupo político do ex-presidente José Sarney, o senador Lobão Filho (PMDB).

Vencedora de uma licitação promovida pelo TRE-MA (Tribunal Regional Eleitoral), a Atlântica Serviços Gerais foi contratada em 28 de agosto por R$ 2.999.499 para cuidar de uma série de serviços com as urnas no dia da eleição.

A firma deverá colocar 616 empregados para fazer, entre outras coisas, transporte e armazenamento dos equipamentos, troca de máquinas com defeito, carregamento de softwares e transmissão dos resultados para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Até 2010, parte disso era feito por uma única empresa contratada pelo TSE. Neste ano, o leque de atividades terceirizadas aumentou e a contratação foi descentralizada. Cada um dos 27 TREs faz a sua.

A Atlântica pertence ao empresário Luiz Carlos Cantanhede Fernandes, que tem ligações com membros do clã Sarney, que domina a política local há décadas.

Em 2002, quando Roseana era pré-candidata à Presidência pelo PFL (atual DEM), Cantanhede ficou conhecido quando a Polícia Federal, numa apuração sobre caixa dois, apreendeu R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo na empresa Lunus, de Roseana e Murad.

Ao falar sobre a origem do dinheiro, Murad afirmou que uma parte era de Cantanhede, seu sócio numa pousada.

Já a proximidade com Lobão Filho, primogênito do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), tornou-se pública em 2012, quando um iate naufragou na baía de São Marcos, na costa de São Luís.

Cantanhede era um dos tripulantes. Após o susto, ele deu entrevista à imprensa local. Um dos veículos registrou uma fala do próprio empresário explicando que a lancha era dele e de Lobão Filho "em cotas de 50% cada um".

Em nota, Lobão Filho afirmou que vendeu uma lancha para Cantanhede, mas que eles nunca foram sócios.

Documentação

Na disputa pelo contrato do TRE-MA, a Atlântica apresentou apenas o sexto melhor preço do pregão eletrônico. Três empresas com preços melhores foram desclassificadas por erros na documentação. Outras duas não confirmaram a proposta original.

A suspeição por proximidade com um dos candidatos não é a única dúvida que paira sobre o contrato firmado entre o TRE-MA e a Atlântica.

Na segunda (8), o presidente do PC do B local, Marcio Saraiva Barroso, entrou com uma representação no TSE pedindo cancelamento da licitação por "ilegalidade".

Barroso afirma que a empresa entregou um documento falso no processo licitatório para comprovar seus índices de liquidez e solvência.

O papel anexado como sendo da Atlântica Serviços Gerais é da Atlântica Segurança, uma outra empresa de Cantanhede, com outro CNPJ.

A Atlântica Segurança tem contratos com alguns órgãos do governo Roseana. O mais conhecido é o da terceirização da guarda do complexo penitenciário de Pedrinhas, no interior do Estado, palco de mais de 60 assassinatos de presos em 2013, muitos deles com tortura e decapitação.

Cantanhede não foi encontrado para comentar. O TRE-MA diz que só o timbre do papel anexado estava errado, não o conteúdo.

Ricardo Mendonça
No fAlha
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Aqui tem Tea Party: Associação pede que beneficiários do Bolsa-Família percam direito ao voto


A Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa (ACIPG) publicou uma cartilha defendendo que beneficiários do Bolsa-Família e de outros programas de transferência de renda governamentais tenham seu direito ao voto temporariamente suspenso. O documento foi entregue na semana passada a candidatos da região paranaense dos Campos Gerais.

Presidente da associação, Nilton Fiori afirma que a ideia é garantir a “lisura” das eleições, já que os beneficiários de programas do gênero poderiam ficar vinculados aos governos. A ideia de que os programas de transferência de renda poderiam ser considerados semelhantes a compra de votos já corre na internet há algum tempo. No entanto, a associação é a primeira de que se tem notícia a botar a proposta no papel.

Segundo Fiori, a proposta de incluir a suspensão dos direitos na cartilha foi unânime na diretoria. “Temos consciência de que hoje isso é inconstitucional, mas queríamos levantar o debate”, afirma. O presidente afirma ainda que a proposta foi bem vista pela maioria dos candidatos da região, durante a apresentação realizada na semana passada. De 37 presentes à reunião de lançamento da cartilha, apenas três teriam se pronunciado contra a ideia.

Fiori diz que a ideia não é barrar apenas os beneficiários do Bolsa-Família, mas quem recebe qualquer recurso de programas do gênero, sejam federais, estaduais ou municipais.

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Fernando Rodrigues, o reducionista


Exceto se ocorrer algum "fato extraordinário" — que reduza os demais votos válidos a um número menor do que a diferença entre Dilma e Marina — a eleição presidencial será resolvida no segundo turno.

Portanto, temos pela frente cerca de 45 dias de campanha. Com pelo menos uma diferença importante: no segundo turno, o horário eleitoral gratuito será igual para ambas candidaturas.

Disto decorre o seguinte: até 5 de outubro, é preciso ampliar ao máximo a vantagem de Dilma. E o caminho para fazer isto é, em todos os terrenos, aquele que vem sendo adotado, nos últimos dias, por nossos programas de TV e rádio: politizar e polarizar.

Os resultados positivos disto já estão aparecendo, não apenas no ânimo da militância e nas pesquisas, mas também na reação irada de algumas penas de aluguel. Exemplo disto está no artigo "Desconstruindo Marina", escrito por Fernando Rodrigues e publicado na Folha de S. Paulo de 10 de setembro.

Rodrigues protesta especialmente contra um comercial de 30 segundos da campanha Dilma, onde se diz que Marina defende "entregar o comando do Banco Central aos banqueiros".

Sua crítica vai contra a presidenta Dilma, que segundo ele "parece não se importar" em vestir um figurino de "esquerda de museu".

Transcrevo as palavras do senhor Rodrigues: a propaganda petista lembra o maniqueísmo das passeatas dos anos 70 e 80, quando tudo era "culpa do FMI". Agora, o reducionismo dilmista sugere que é tudo culpa dos bancos.

Não é gozado?

Estamos em setembro de 2014. O mundo ainda está sentindo os efeitos de uma crise cujo epicentro está no sistema financeiro. E este cidadão, supostamente dedicado a informar bem as pessoas, considera que criticar uma proposta que dá mais poderes aos banqueiros seria "maniqueísmo" e "reducionismo".

O que se pode dizer disto é o seguinte: ou este cidadão Fernando Rodrigues não entende o que está acontecendo no capitalismo mundial, não acompanhou nem mesmo o noticiário publicado desde 2008 até hoje; ou está devidamente informado, mas por razões políticas e ideológicas, prefere omitir e mentir.

Mas os fatos são cabeçudos e é exatamente por isto que tem eficácia eleitoral mostrar a relação entre a proposta de Marina (independência do Banco Central) e os efeitos que isto teria na vida do povo (menos emprego, menos salário, menos políticas sociais, desenvolvimento, menos soberania, menos democracia).

Fernando Rodrigues acha que fazer isto, contar a verdade para o povo, é "exagero", "cinismo" e "marketing eleitoral". Segundo ele, não são "peças para explicar como seria um segundo governo dilmista. A missão é apenas ganhar a disputa".

Óbvio: para que haja um segundo mandato Dilma, precisamos "ganhar a disputa" contra Maria, Aécio, a direita, o grande capital e o oligopólio da mídia.

E para que tenhamos um segundo mandato melhor do que o primeiro, superior ao primeiro, à esquerda do primeiro, um bom começo é ganhar a disputa eleitoral pela esquerda. Como fizemos no segundo turno de 2006.

Claro que nada disto agrada aos Rodrigues da vida, pois para eles tudo se "reduz" a derrotar o PT. Não importa que para isto tenham que mentir & omitir: noblesse oblige!

Valter Pomar
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Giannetti: "as promessas de Marina são isso, não passam disso, de promessas …"


Essa do economista Eduardo Giannetti da Fonseca no jornal Valor Econômico de hoje é uma pérola! Principal assessor econômico da candidata do PSB ao Planalto, ex-senadora Marina Silva, Giannetti esclarece que as promessas sociais de sua candidata serão cumpridas, sim, mas depende do orçamento…

O esclarecimento do Eduardo Giannetti da Fonseca está no Valor, em entrevista com chamada de capa. Ele diz com todas as letras que os compromissos na área social assumidos pela candidata do PSB serão cumpridos conforme as condições fiscais permitirem.

“É um erro grave – alerta – imaginar que o que está colocado no programa vai se materializar no primeiro orçamento. Não será o caso. É preciso construir condições adequadas para que isso possa acontecer ao longo do mandato”.

Como eles cortarão o orçamento geral da União, aumentarão os juros, a taxa Selic – como resistiriam se seus principais apoios estão entre os banqueiros? – e farão um superávit maior, leia-se no que diz Giannetti: as promessas de Marina são isso, não passam disso, de promessas …

Eduardo, segundo a coluna da Mônica Bergamo hoje, já foi até convidado para ser ministro da Fazenda de Marina. Seria, num governo Marina, o ocupante do posto para o qual Aécio Neves convidou Armínio Fraga. A colunista Mônica Bergamo diz que Eduardo recusa, não quer ser. A ver. Não confundam: Eduardo é o principal assessor econômico de Marina. Quem é a coordenadora geral do programa de governo da candidata é a banqueira Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú.

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DatafAlha: Dilma sobe e já empata com Marina no 2º turno



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A realidade como inimiga da mídia




Nada mais contundente que a realidade para desmascarar operações de imprensa. Os programas de arquivo, uma mania argentina, têm servido nos últimos tempos como uma espécie de manual da verdade: análises políticas e econômicas se tornam previsões furadas, quando confrontadas, tempos depois, com fatos nus e crus.

O caso da batalha argentina com os chamados fundos abutres é exemplar para demonstrá-lo.

O caso:

O processo de reestruturação da dívida argentina, aceito por 92% dos credores, sofreu um duro golpe pela decisão do juiz de Nova Iorque Thomas Griesa de bloquear o pagamento depositado pela Argentina aos credores reestruturados, se o país não atender aos outros 8%, formados por fundos abutres, que pedem o pagamento de 100% da dívida. Por que a Argentina decidiu não acatar a ordem de Griesa? Alejandro Rebossio, do jornal El País, explica: "se pagar o dinheiro reclamado neste processo, os credores da dívida reestruturada, que atualmente equivale a 30 bilhões de euros (90 bilhões de reais), podem pedir o mesmo tratamento, exigir o pagamento de 90 bilhões de euros (270 bilhões de reais) e condenar a Argentina à suspensão do pagamento de todas as suas obrigações. O argumento do Executivo baseia-se na cláusula da dívida reestruturada que determina que aqueles que a aceitaram podem exigir melhorias se os que a recusaram receberem pagamentos maiores. Esta cláusula expira no final de 2014 e, por isso, o Governo está pedindo para congelar a decisão até 2015."

A análise:

A decisão argentina de não pagar gerou uma série de teorias conspirativas e apocalípticas, que hoje, à luz dos fatos não passam apenas de furadas previsões. No dia 29 de julho, dias antes do vencimento do prazo para acatar a ordem judicial norte-americana, a grande mídia argentina repercutiu com destaque um editorial do jornal O Globo que afirmava: Crisitina adota uma tática suicida frente aos holdouts (credores que não aceitaram a reestruturação).

A realidade:

Não houve suicídio, pelo contrário, a firme e corajosa decisão do governo argentino de enfrentar a Justiça dos Estados Unidos evitou o risco de colapso de todo o processo de reestruturação de sua divida, não gerou maiores complicações à economia local e, de lambuja, serviu para chamar a atenção da Organização das Nações Unidas (ONU), que acaba de aprovar um marco legal, impulsionado pela Argentina e o G-77 + China, para regular as reestruturações de dívida, para evitar problemas como o causado pela ordem de Griesa. Ao contrário das previsões da mídia, a realidade dos fatos vem demonstrando que, longe de ser uma tática suicida, a estratégia legítima do governo argentino serviu para evitar a falência do país e ainda dar uma lição ao mundo capitalista para que medidas urgentes sejam tomadas.


No AgentinaETC
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O dia em que Pelé não ajudou presos políticos e se disse contra o comunismo

Presidente da Fifa, Joseph Blatter, cumprimenta Pelé e sua namorada Marcia Cibele Aoki, antes do jogo entre Argentina e Suíça, no Itaquerão
Em 21 de outubro de 1970, Pelé já era admirado internacionalmente como tricampeão mundial. E o general Emílio Garrastazu Médici, presidente do Brasil entre 1969 e 1974, já era temido como comandante do período da ditadura militar que ficaria conhecido como o mais repressivo do regime. Naquela data, oito presos políticos trancafiados em Santos assinaram um dramático apelo por sua liberdade escrito em 60 linhas. Foi caprichosamente feito para ser entregue a Edson Arantes do Nascimento. O grupo solicitava que o Rei do Futebol usasse seu prestígio para pedir que Médici concedesse a eles indulto presidencial a fim de que não precisassem cumprir o restante da pena. Eles tinham sido condenados em 1969.

Pelé não atendeu ao pedido, e a carta ainda foi parar nas mãos da polícia da ditadura. Está preservada no Arquivo Público do Estado de São Paulo, que guarda os documentos do Dops e do Deops, duas nomenclaturas da Delegacia (Estadual) de Ordem Política e Social.

O episódio rendeu uma conversa tête-à tête entre policiais que serviam à ditadura e Pelé, conforme mostram arquivos do Deops pesquisados pelo blog, que publica a partir de hoje reportagens baseadas em documentos lá guardados. Relatório arquivado como informação 278/70 registra que Pelé, ao desassociar sua imagem dos presos, afirmou ser contra o comunismo e alheio à convulsão política vivida pelo país naquela época.

“Esclareceu ainda o esportista que, durante jogos que realizou no México, Colômbia e Bogotá foi assediado por comunistas para assinar manifestos contra o nosso governo, com o que não concordou por ser contrário ao comunismo”, diz trecho do informe, datado de 21 de outubro de 1970 e que exibe o visto do Diretor Geral de Polícia do Dops, Orlando Barretti dado no dia seguinte.

O mesmo documento relata que Pelé se colocou à disposição para dar manifestações públicas sobre não estar engajado na luta contra o regime militar, que durou de 1964 a 1985. “[Pelé] asseverou ainda que somente se dedica ao esporte, não cuidando de problemas relacionados com a política e que até poderá fazer pronunciamento nesse sentido”, diz trecho do relato da conversa entre o astro e os policiais. Não há, porém, registro das circunstâncias em que aconteceu o esclarecimento. Relato semelhante sobre a conversa foi enviado ao Serviço de Informação do Dops.

A investigação apontou que Pelé não chegou a ler a carta dos presos. A mensagem teria sido entregue a Júlio Mazzei, que foi preparador físico do Santos. “Tivemos oportunidade de conversar com Pelé a respeito do fato, e ele nos asseverou que nem sequer tomou conhecimento do teor do documento, que nos foi entregue pelo próprio Júlio Mazzei”, diz outra parte do documento disponível no arquivo público.

A decisão de investigar o episódio envolvendo Pelé foi tomada pelo Dops após a imprensa noticiar que ele havia recebido a carta dos presos. Por isso, ele acabou fichado.

Segundo a investigação, às 15h30 do dia 20 de outubro, Pelé foi ao gabinete do diretor geral da delegacia do Derex (a sigla não é explicada no documento) para receber “a placa de automóvel número WA 1040 com a qual foi homenageado”.

Cientes da presença ilustre no gabinete, presos que cumpriam pena no presídio local solicitaram uma conversa com Pelé. A reunião foi negada, mas o diretor do presídio, Roberto Almeida Vinhas, entregou a Mazzei o documento que o Rei assegurou não ter lido.

Levando-se em conta que realmente nunca passou os olhos pela carta, Pelé deixou de conhecer a história de oito homens ligados ao Sindicato de Refinação e Destilação de Petróleo de Cubatão. Na mensagem, eles solicitavam “um pouco de carinho e boa vontade na solução de nosso problema”.

Gelazio Ayres Fernandes, Ubirajara de Araujo Franco, Nelson Azeredo Coutinho, Osvaldo Ayres Fernandes, Adiston Soares Dias, Mauro Cunha, Farid Sfitt e Joseilson A. Silveira assim escreveram para Pelé:

“Pedimos que V.Sa. se empenhe junto ao Exmo. General Emílio Garrastazu Médici, presidente da República do Brasil, na concessão de um indulto para o restante da pena”. Eles argumentavam que foi aberto processo contra o grupo por terem sido eleitos para cargos no sindicato. E se definiam na carta como homens “sem mácula criminal” e que “também vibramos e sofremos com a espetacular vitória do Brasil na última Copa”.

“Este é o nosso pedido angustiante, Edson Arantes do Nascimento, incomparável Pelé. Confiamos no seu alto espírito de humanidade, assim como acreditamos no espírito de justiça do presidente Médici. Por favor, leve a S. Excelência nossas aflições, preocupações e problemas. Deus proteja você e seus familiares”, escreveram os presos para finalizar o documento.

Quarenta e quatro anos após o pedido em vão, um dos signatários da carta, Ubirajara Araújo Franco, escreveu no Portal de Noticias da Federação Nacional dos Petroleiros que foi condenado a quatro anos, em 1969, e que saiu em janeiro de 1971, após cumprir um terço da pena. Ou seja, sem o indulto desejado. O relato, escrito para marcar os 50 anos do golpe de 1964, não cita Pelé.

José Fornos Rodrigues, o Pepito, assessor pessoal de Pelé afirmou ao blog que ele não se lembra do episódio.

Página do Serviço de Informações do DOPS sobre Pelé
Detalhe do relatório sobre Pelé arquivado no DOPS
Documento sigiloso relata compra de ações da Rádio Clube de Santos por Pelé
Relato do DOPS sobre conversa de policiais com Pelé na qual ele teria dito ser contrário ao comunismo
Primeira parte da carta que presos políticos tentaram entregar para Pelé
Segunda parte da carta que presos políticos tentaram entregar para Pelé

No Blog do Perrone
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Quando a propaganda tem razão


Historia da recessão européia mostra que autonomia do Banco Central foi indispensável para uma política contra vontade da maioria da população

A reação negativa diante da propaganda de Dilma que denuncia a independência do Banco Central só se explica pelas razões da pequena política. O anúncio tem razão de ser e estimula um debate indispensável depois que Marina Silva se comprometeu com a medida na campanha.

Vamos deixar o estilo de lado, que talvez seja um tanto sombrio demais. O tom é panfletário? Sem dúvida — mas estamos falando de propaganda, certo? Também podemos dizer, avaliando o roteiro com um tom um pouquinho pedante na voz, que o problema das relações entre os bancos privados, os governos de cada país e a prosperidade das famílias “é mais complexo” do que se vê na tela.

Vamos combinar: quando fica difícil sustentar uma divergência frontal, sempre se pode dizer, a respeito de qualquer coisa, que ela é “mais complexa” do que parece — até um exercício de matemática elementar do ensino fundamental.

Ainda assim, a verdade é que a independência do Banco Central assegura um poder fora de todo controle democrático, aos bancos e ao sistema financeiro. Você pode ir até a urna e escolher o governo que quiser, com o projeto que achar melhor. Um Banco Central independente pode desfazer tudo isso e seguir o caminho posto. Seus dirigentes têm um mandato por tempo determinado, com a soberania intocável de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Eles não deliberam sobre a Justiça, a culpa, a inocência. Decidem sobre o emprego, o salário, a renda.

Se você examinar a triste situação da Europa nos dias de hoje verá que pertence ao reino das grandes mistificações da política brasileira de 2014 a visão que aponta Marina Silva — a candidata que defende independência do Banco Central — como expressão dos protestos de junho de 2013.

Suas alianças, seus assessores e especialmente a autonomia do BC não tem nada a ver com os protestos, que guardam várias semelhanças com o descontentamento do Velho Mundo, que inclui acampamentos nas grandes capitais, ocupação de edifícios públicos, boicote aos partidos políticos e assim por diante.

São elementos que Marina procura capitalizar com a conversinha de Nova Política mas pouco tem a ver com a realidade de sua campanha.

Gostem ou não os aliados de Marina, a autonomia do Banco Central Europeu foi um instrumento indispensável para que o sistema financeiro saísse preservado da crise de 2008 no Velho Mundo, levando a população a enfrentar uma recessão prolongada, que o mundo não conhecia desde 1929. Centro de gravidade da crise mundial, a União Européia abriga o maior PIB do planeta, o maior mercado consumidor, as sociedades com renda melhor distribuída, e mesmo assim não consegue sair do lugar.

No centro da crise, encontra-se o Banco Central Europeu, que é independente dos eleitores dos países-membros e funciona como um colegiado autônomo. Manda sim mais que os presidentes de cada país, como diz a propaganda de Dilma, e foi assim que o Velho Mundo afundou e permanece prostrado. Se você acha que estou exagerando, consulte os Premios Nobel Joseph Stiglitz e Paul Krugman, que sabem muito mais do que eu.

Instalado na presidência do Banco Central no momento da crise, intocável pela autonomia regulamentar, o francês Jean-Louis Trichet administrou a bancarrota do velho mundo sem peso na consciência. Enquanto milhões de cidadãos, especialmente jovens, iam à rua em protestos contra o desemprego, o corte nos gastos públicos e em investimentos, o BCE permanecia impassível e praticava uma política contrária.

A população gritava por seus direitos. O desemprego dos jovens bateu em 25% e até mais. Os serviços públicos viraram fumaça.

O argumento do BCE, próximo do delírio, é que se deveria tomar cuidado com a alta da inflação, que nunca chegou a 1%.

Impotentes, sem instrumentos para interferir na economia, mesmo que quisessem, os governos europeus foram derrubados pela austeridade de Trichet. Caíram como peças de dominó, na Grécia e na Espanha, em Portugal e na Italia. Seus sucessores pouco puderam fazer, enquanto os eleitores descobriam que haviam votado por uma coisa — mas o BC determinava outra. A política se reduzira a um faz-de-conta incapaz de interferir no núcleo de decisões econômicas, dominado pela troika, constituída pelo BCE, pelo FMI e pela Comissão Europeia.

Aqueles países que foram exemplo de civilização não se levantaram até hoje. A França foi a penúltima a rolar pelo despenhadeiro. Maior potência continental, a Alemanha se encontra agarrada nas bordas.

O destino da crise, no Brasil, foi outro. Nos primeiros meses, o BC até elevou os juros, atendendo a pressão dos mercados — mas seus dirigentes, por vontade ou por conveniência, se uniram ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva no esforço para criar estímulos para garantir a retomada do crescimento, permitindo que as empresas fizessem empréstimos, o consumidor voltasse as compras e os empregos ficassem garantidos. O resto da história nos conhecemos: ainda que seis anos depois a economia esteja caminhando de lado — e é possível apontar varias causas para isso — o desemprego segue baixo e os salários foram preservados.

Dá para entender por que o pessoal quer autonomia do Banco Central também no Brasil, certo?

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Sobre evangélicos e idiotas


Dias atrás o PSB (ou Marina Silva) voltou atrás em sua proposta que criminaliza a homofobia e regulamenta o casamento civil homossexual, após 4 tweets do pastor Silas Malafaia. A própria Dilma se apressou em dizer que iria fazer ser aprovada a (inconstitucional) lei das religiões. O PT voltou atrás no caso do famoso “kit gay” por pressão da bancada evangélica. A própria (católica) rede globo já televisionou festival gospel no intuito de abocanhar parte deste público que gasta um bom dinheiro.

Os evangélicos, faz alguns anos, viraram peças importantes no jogo político nacional. Entretanto, eles têm sido tratados como verdadeiros idiotas.

Já li e ouvi evangélicos reclamando de serem tratados como idiotas. O próprio Malafaia já acusou grupos políticos e midiáticos de fazerem os evangélicos de idiotas — o problema do Malafaia é que ele faz o mesmo com seus fiéis para ter mais poder — dinheiro ele já ganhou muito. Mas ainda assim, sua acusação (demagoga) me parece valida.

É como se todos eles fossem votar em quem os Malafaias, Macedos, Santiagos e etc mandassem. É como se fossem mesmo, um rebanho que vai e volta, ajoelha e diz amém, a todos os comandos pastorais.

Uma coisa é fato: os pastores têm influência nos votos de muitos eleitores, assim como padres que decidem se posicionar durante uma missa, pedindo que as pessoas votem naqueles que prezam pela moral, pelos bons costumes e pelos princípios cristãos. Mas lideres estudantis, trabalhistas também tem influência sobre o voto de outras pessoas. Claro, a religião toca em assuntos mais emocionais como a expectativa de vida, a felicidade, a vida após a morte, a paz interior e a vida em comunhão com a entidade divina eleita, ou seja, é uma via que torna as pessoas mais suscetíveis a serem convencidas.

Mas nem sempre.

Devemos nos perguntar se é algo que atinge a todos os fiéis, ou não apenas uma parte com pouca instrução, informação e senso crítico. Assim como ocorre em qualquer meio, seja evangélico ou seja católico. Nesta confusão, fica parecendo que os católicos são os progressistas e os evangélicos os conservadores, quando ambos, são conservadores nas mesmas questões — aborto e casamento homossexual, por exemplo.

As pessoas não vivem 24/7 enfurnadas num templo, elas trabalham, estudam, tem acesso aos mesmos bens de consumo e serviços que as demais pessoas e vivem os mesmos dilemas e problemas do cotidiano — claro, quanto mais baixa a classe econômica, menos acesso ou nenhum acesso se tem, mas vou focar na classe C para cima. Não faz muito sentido achar que estas pessoas vão tomar posições políticas contra sua consciência só porque um pastor mandou ou porque determinado político disse que vai votar x lei para o povo de deus.

Ao tratarmos os evangélicos como um grupo descolado da sociedade — ou pior, inferior — corremos o risco de eles de fato se sentirem marginalizados, e agirem como um grupo (mais ou menos) homogêneo que pode acabar atuando num vetor cada vez mais conservador — no que depender de seus pastores sanguessugas. Os LGBTs parecem ser o grupo preferidos dos ataques, principalmente por parte do Malafaia, no que parece mais uma estratégia de guerra: “vou unir o povo contra este inimigo e depois, já tendo a confiança deles, vamos atrás de mais poder”.

Vemos este tipo de cenário em toda a história, e sabemos que no final alguém sempre se machuca, e muito.

Links

Buzzfeed — Silas Malafaia escreve um tuíte sobre gays a cada dois sobre Deus

Zero Hora — Pressionada por pastor, Marina Silva muda plano de governo

JB — Presidente Dilma derruba ‘kit gay’ do MEC

O Diário — Mega show gospel da Globo foi um completo fiasco


Ricardo Heavyrick
No Bule Voador
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Aloysio VTNC Nunes denuncia sofrimento do povo humilde de Higienópolis sob ditadura de Haddad


No SQN
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Marina você desbotou


Nas últimas horas a 'nova política' de Marina adquiriu o frescor de uma Margareth Thatcher de museu de cera.

O alegre consenso em torno da ‘nova política’ impôs ao próprio governo, e ao PT, a necessidade de explicitar o polo oposto de um braço e ferro que a crise de 2008 já havia revelado em sua natureza inconciliável: quem vai ordenar o passo seguinte do desenvolvimento, a soberania democrática ou despotismo financeiro?

A disjuntiva, agora clara, depois de um hiato de perplexidade com o aluvião conservador, desembarcou nesta 3ª feira na campanha eleitoral de Dilma na televisão.

E o fez da forma como Lula cobrou em encontro com a militância na última 6ª feira: demarcando a natureza de classe da disputa em curso no país (assista aqui).

Ou seja, dando a essa contraposição um simbolismo que expõe causas e consequências com uma clareza poucas vezes presente na narrativa dos embates vividos desde 2003.

Se o governo e o PT são requisitados a dar expressão política literal a um conflito antes tratado de forma difusa, do lado contrário fica cada vez mais difícil levitar na ‘terceira via’, depois de atravessar o Rubicão da parceria carnal com os mercados.

A verdade é que nas últimas horas a ‘nova política’ de Marina Silva adquiriu o frescor de uma Margareth Thatcher de museu de cera.

E esse não é um problema de natureza geriátrica.

Mas de um arrendamento histórico conferido ao capital financeiro em seu programa de governo, que tem no Banco Central independente um pilar de sustentação política e ao mesmo tempo um garrote de credibilidade eleitoral.

A 25 dias da urna o PT aprendeu a girar a rosca.

Fica difícil a Marina despir-se desse marcador ideológico com a mesma frivolidade com que desembarcou os direitos GBLT de sua plataforma, 24 horas após a intervenção tutelar do bispo Silas Malafaia.

Seu bonde eleitoral derreteria em menos tempo ainda se tentasse uma guinada dissimuladora para fora da dominância financeira que encampou.

O sacrossanto “tripé”, do qual Marina se tornou uma defensora ardorosa, enlaça assim o pescoço da nova-cristã ameaçando esganá-la qualquer que seja o seu ponto de fuga.

Uma espécie de enforcador à distância, o tripé consiste de uma coleira dentada que permite ao dinheiro grosso submeter governos, partidos e demais instâncias sociais a um comando de desempenho monitorado por três variáveis.

A saber:

1. regime de metas de inflação, ancorado no chicote dos juros “teatrais”, se necessários, asseverou Marina para delírio do mercado;

2. câmbio livre, leia-se, nenhum aroma de controle de capitais, o que condena o BC ‘independente’ a se tornar uma correia de transmissão da irracionalidade especulativa dos mercados globais para dentro do país;

3. o superávit “cheio” — leia-se arrocho fiscal para garantir os juros dos rentistas.

Marina descobriu que quando abre a boca pautada por essa melodia encanta banqueiros e rentistas em geral.

Os meetings de seus assessores com a turma do mercado frequentemente são interrompidos por aplausos calorosos.

Escavar um fosso entre a representação política da sociedade e o poder efetivo do dinheiro sobre o seu destino é tudo o que esses auditórios almejam.

Se alguém trata isso com leveza, sedução e aroma popular como resistir?

A resistência teria que vir do outro lado da radicalização rentista introduzida por Marina na disputa de 2014.

É o ponto onde estamos.

E essa será a toada da campanha progressista de agora em diante.

Trata-se de espetar em Marina as suas próprias propostas na forma de perguntas emolduradas pela contradição determinante em nosso tempo.

Serve ao Brasil um Presidente da República que terá apenas o orçamento fiscal para governar, já que a moeda, o juro, o câmbio e o poder de compra das famílias serão ordenados pela banca através do BC independente?

Serve ao Brasil um Presidente da República que tem como meta programática desregular o mercado de crédito no país? E desobrigar a banca privada da destinação obrigatória de parte dos depósitos à vista e da poupança ao crédito agrícola e ao financiamento habitacional?

Serve ao país um Presidente da República que se propõe a reforçar a hipertrofia de um poder financeiro, cuja participação na Bolsa brasileira já é o dobro da registrada pelo seu equivalente nos EUA, mas que não financia a produção e menos ainda a infraestrutura?

Serve ao país um Presidente da República que se avoca herdeira dos protestos de 2013 por melhores serviços e maior qualidade de vida, mas que se apoia em uma terceirização do poder de Estado desse calibre?

A resposta da candidata do PSB é flutuar no tempo e no espaço que resta de campanha na tentativa de escapar ao atrito corrosivo que contrapõe os interesses populares aos da hegemonia financeira acolhida em seu projeto para o país.

Ao campo progressista cabe o desafio de maximizar o giro do ponteiro eleitoral.

Com propostas que articulem a verdadeira nova política para um novo ciclo de desenvolvimento em meio à desordem neoliberal: aquela ancorada na repactuação do futuro com ampla participação democrática da sociedade.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Dilma tem oito pontos de vantagem no primeiro turno e empata com Marina no segundo

Pesquisa mostra petista com 36% dos votos, contra 28% de Marina e 15% de Aécio Neves (PSDB)

Dilma e Marina estão em empate técnico no segundo turno
A nova pesquisa Vox Populi/CartaCapital mostra uma vantagem de oito pontos percentuais da candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) sobre a adversária Marina Silva (PSB) no primeiro turno e um cenário de empate técnico no segundo. Na intenção de voto estimulada, Dilma aparece com 36%. Marina tem 28% e Aécio Neves, 15%. Este foi o primeiro levantamento da série após a morte de Eduardo Campos e a escolha de Marina Silva para substituí-lo, portanto não há base de comparação. Os demais candidatos somam 2%. Brancos e nulos seriam 7%. Outros 13% não souberam indicar um candidato ou não quiseram responder.

O Vox fez duas simulações de segundo turno. Marina Silva obteria 42% dos votos, contra 41% de Dilma Rousseff. Brancos e nulos somariam 10%, enquanto 7% estariam indecisos. Entre Dilma e Aécio, a petista venceria por 44% a 36%, com 12% de brancos e nulos e 8% de indecisos.

Apesar de Marina ainda estar numericamente à frente no segundo turno, 49% do eleitorado aposta na vitória de Dilma Rousseff. Para 31%, a ambientalista será a nova presidenta. Apenas 8% ainda acreditam nas possibilidades de Aécio Neves.

Uma maior parcela de eleitores, 45%, afirmou não votar de jeito nenhum no tucano. O índice de Dilma é de 42% e o de Marina, 40%.

O levantamento, com duas mil entrevistas em 147 cidades, foi realizado entre a segunda-feira 8 e a terça 9. Mostra, portanto, que o mais recente escândalo na praça, o vazamento de trechos da delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto da Costa, ainda não surtiu efeitos eleitorais. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais e o número de registro na Justiça Eleitoral é BR- 00588/2014.

Mais detalhes sobre a pesquisa na edição 817 de CartaCapital, que chega às bancas na sexta-feira 12.

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Robôs do Aécio pegos na “boca da botija” . E o sujeito ainda quer processar militantes do PT

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Aécio paga R$ 2,5 milhões por atividades de militância


Foi destaque no Estadão desta terça (9) que o comitê financeiro da campanha presidencial de Aécio Neves (PSDB) despendeu, em agosto, cerca de R$ 2,5 milhões à uma empresa de eventos especializada em "atividades de militância e mobilização de rua”. De acordo com a reportagem, a Entreter Festas e Eventos, sediada no Rio de Janeiro, forneceu a Aécio 1.112 cabos eleitorais. Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) não registraram o mesmo tipo de serviço em suas prestações de contas.

Segundo especialistas ouvidos pelo periódico, contratar cabos eleitorais não é ilegal, desde que o candidato informe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha de Aécio disse ao Estadão que as despesas com a Entreter são de serviços de “adesivação de veículos” e o custo total engloba gasto com gasolina, transporte e outros itens, e “não são apenas salários”.

Em queda nas pesquisas de intenção de voto desde que Marina entrou na disputa, Aécio tem utilizado cabos militantes profissionais para engrossar suas atividades de rua e, ao mesmo tempo, garantir boas imagens para o horário eleitoral gratuito e para os telejornais, informa o Estadão.

Na semana passada, o comitê da dobradinha entre Pimenta da Veiga, candidato do PSDB ao governo de Minas, promoveu cortes de despesas em sua equipe de “cabos eleitorais”. Pelos menos 200 funcionários designados para atividades de rua foram dispensados.

Ainda de acordo com o Estadão, Aécio declarou ter gasto R$ 6.805.902,35 com “serviços prestados por terceiros”, nos últimos dois meses. "Esse foi o segundo principal foco de despesas, só perdendo para a produção do programa de TV, que consumiu R$ 6.984.497,52. Outros R$ 69.176 foram gastos com publicidade e telemarketing", informou o jornal.

No GGN
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Por que Aécio vai mal em Minas? Porque os mineiros não conheciam Aécio

Em Minas
Em terceiro lugar nas pesquisas para presidente, Aécio Neves está amargando um resultado frustrante em seu berço político.

De acordo com o último Datafolha, ele aparece, em Minas Gerais, com 22% das intenções de voto, atrás de Marina Silva (27%) e de Dilma Rousseff (com 35%, em primeiro lugar).

Pimenta da Veiga, do PSDB, está oito pontos atrás do petista Fernando Pimentel. A crise fez com que a irmã de Aécio, Andrea, se transferisse para MG em busca de tentar estancar a sangria. De acordo com a Folha, o dirigente da Força Sindical, João Inocentini, um apoio importante, já teria entregado os pontos, afirmando que “a vaca foi para o brejo”.

O PSDB manda no estado desde 2003. Aécio foi governador por oito anos. Elegeu o sucessor, Anastasia. No final de seu segundo mandato, pelos números do Vox Populi, alcançou 92% de aprovação.

O que aconteceu?

Bem, além do fenômeno Marina e do fato de que suas propostas não encantam ninguém, aconteceu que Minas não é o Brasil. A nacionalização de Aécio levou na enchente sua força regional.

O jeito Aécio de lidar com a imprensa não é exportável para o resto do país. A ação que ele move contra o Twitter para abrir os dados de 66 contas — entre elas, a do DCM — é emblemática. Se antes ele falava no “submundo da internet”, hoje se refere a uma “rede orquestrada”.

A pressão sempre funcionou muito bem em MG, onde ele resolvia as coisas com um telefonema.

Para ficar num exemplo recente: as poucas matérias do maior jornal local, O Estado de Minas, sobre o aeroporto na fazenda de seu tio serviram para abrir-lhe espaço para dar explicações. O assunto foi, até o limite, escondido na mídia “oficial”.

Como resultado, imediatamente após o escândalo, 64% dos mineiros nunca tinham ouvido falar da obra, segundo o Datafolha. Apenas 12% se declararam informados. Com a internet, ficou impossível camuflar o tema.

Aécio sempre contou com essa blindagem (vale a pena ver o documentário “Liberdade, Essa Palavra”). Donde seu espanto e conseguinte agressividade diante de jornalistas que lhe fazem perguntas incômodas, como no Roda Viva — em que insinuou que o diretor da Piauí, que abordou a questão das drogas, “já tinha candidato” — ou no Jornal Nacional.

Ele está sendo obrigado a responder por coisas sobre as quais nunca teve que dar satisfação. Aos poucos, a cortina de fumaça vai se dissipando — inclusive, obviamente, em Minas Gerais.

Os mineiros estão, finalmente, conhecendo melhor o homem. E não estão gostando do que vêem.

Kiko Nogueira
No DCM
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Ana Amélia elogia a gestão de Yeda como governadora (vídeo). Quer voltar atrás?Vota nela!


Para quem conhece e tem memória, o vídeo não diz novidades. Mas para resgatar a memória de uns e chamar outros a razão, reproduzo abaixo um vídeo que diz tudo sobre a Ana Amélia. No vídeo Ana Amélia elogia a “gestão qualificadíssima” de Yeda na frente do Governo do Estado. Se tu ainda estas pensando em quem votar, abre os olhos vivente. O passado da desgraça do Rio Grande, sem investimentos, sem empregos e com serviços públicos desgastados esta querendo voltar. Se a Ana Amélia se eleger, a conta ficará tão ou mais amarga que no Governo Yeda. O problema é quem paga a conta são todos os gaúchos, inclusive os que estão pensando em votar na Ana Amélia. Acorda vivente.


Luis Müller
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Dilma na TV


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Marina diz que vai criar 'comitê de busca' de homens de bem


A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, afirmou nesta terça-feira (9) em Belo Horizonte, durante evento de campanha em Belo Horizonte, que vai criar "comitê de busca" em seu governo, caso ganhe as eleições, para encontrar profissionais aptos e honestos para ocupar cargos no governo.

A socialista ainda disse que pretende arregimentar os melhores quadros do PT e do PSDB para participarem de seu governo caso seja eleita.

"Vamos criar um comitê de busca de quadros, de homens de bens. Teremos quadros competentes, honestos e independentes no nosso governo e não apenas apaniguados de partidos", afirmou a candidata.

Segundo Marina, ela pretende "garantir a governabilidade com uma base de homens de bem e não na distribuição de pedaços do Estado para os partidos". "Dentro da gestão pública, vamos priorizar os quadros de carreira nas estatais e nas agências de governo", disse.

"Vamos governar com os nomes que estão no banco de reservas do PT e do PSDB. Os homens e mulheres de bem virão para nosso governo".

Marina ainda rebateu as críticas dos concorrentes Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) em relação ao programa de governo do PSB e afirmou que a presidente e o senador ainda não apresentaram seus planos.

"Eles sabem detalhes, a página, o parágrafo de nosso plano de governo. Mas até hoje eles não apresentaram os seus", afirmou.
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Clube Militar nega apoio a Marina; candidato da entidade é Aécio

Em nota, entidade diz que texto sobre o fim da "corruptocracia" do "lulopetismo" era uma tentativa de aparecer na mídia

O Clube Militar, associação de militares das Forças Armadas, divulgou uma nota oficial negando apoio à candidatura de Marina Silva (PSB) à Presidência da República. Segundo a entidade, o candidato escolhido por seus integrantes é Aécio Neves (PSDB), apontado como "o menos pior" entre os postulantes ao cargo.

Na semana passada, o Clube Militar divulgou um texto de seu editor de Opinião, o general Clovis Purper Bandeira, no qual ele afirmava que a candidatura de Marina parecia impulsionada pela "esperança de algo novo e diferente, que rompa com a tradição negativa representada pelos atuais homens públicos". Intitulado "Um fio de esperança", o texto afirmava que "as mudanças podem ser para melhor ou para pior, desde que interrompam a malfadada corruptocracia instalada no poder pelo lulopetismo".

No comunicado mais recente, assinado pelo general Gilberto Rodrigues Pimentel, presidente do Clube Militar, há a informação de que o texto do general Bandeira não era um apoio a Marina, mas sim "a esperança do fim da era Lula/PT que tantos males já causou ao País" e também uma tentativa de a entidade aparecer na mídia, algo que "não se consegue sem um mínimo de polêmica".

De acordo com o Clube Militar, seria uma "total incoerência" o apoio a Marina. O candidato dos militares é Aécio Neves, considerado o "menor pior", apesar de ter desmarcado a apresentação que faria à entidade.

Abaixo, a íntegra da nota do Clube Militar:

Após ter recebido inúmeros comentários sobre o texto produzido pelo Gen Bandeira, sob o título de “Fio de Esperança”, divulgado como o pensamento do Clube Militar, cabe esclarecer que não estamos apoiando a candidata Marina.

O título, “Fio de Esperança”, foi sugerido, por mim, bem como a oportunidade da divulgação do polêmico texto e suas linhas gerais.

Deve ser visto como a esperança do fim da era Lula/PT que tantos males já causou ao País.

Tudo isso coerente com o que escrevi durante a minha campanha: “Nem interessa tanto se para A, B ou C, o importante é mudar já”.

O candidato que consideramos “menos pior” é o Aécio, terá nosso voto (meu) e foi o único convidado por nós, presidentes dos Clubes Militares, para apresentar sua proposta de governo. Estava tudo acertado com seus coordenadores de campanha (Otávio Leite e Marcio Fortes). Infelizmente o candidato desistiu, depois da tragédia aérea. A mudança radical do cenário político, em seu desfavor, parece tê-lo obrigado a rever seus compromissos. Avaliou que sua agenda não devia mais nos incluir. Pena também é que seus correligionários já dão sinais de aceitarem a derrota.

Observe que o texto do Gen Bandeira, que discutimos bastante, não tem uma só palavra de elogio à Marina, muito pelo contrário. Seria total incoerência apoiá-la. Moveu-me, na oportunidade, o desejo de recolocar o Clube na mídia, no debate, do que tanto nos ressentimos, mas não se consegue isso sem um mínimo de polêmica. Assim funcionam as coisas.

O título foi, sim, provocativo. Espero que entendam.

General Pimentel – presidente do Clube Militar
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Globo parte para o tudo ou nada contra Dilma


Novamente a Globo utiliza da dobradinha com a Veja para enganar a população. O esquema na véspera de eleições é sempre o mesmo:

1) Veja divulga várias matérias falsas ou distorcidas contra o PT.

2) Como a Veja só alcança um numero limitado de pessoas, a Globo se encarrega de levar as denúncias para a população em geral, mostrando como se já fosse tudo comprovado.

Nas eleições de 2006, tivemos o “escândalo” do dossiê contra José Serra (não comprovado), em 2010 foi o caso Erenice (não comprovado), em 2012 foram as infinitas capas sobre o mensalão (esse sim o único que teve uma condenação). Em 2014 é a vez do caso requentado da Petrobras.

O que aconteceu de fato nos bastidores da Veja e da Globo:

1) O primeiro passo foi não informar para a população que Paulo Roberto Costa, ex-diretor que está preso desde março, é funcionário de carreira da Petrobras desde 1978. É essencial saber que Paulo Roberto se tornou diretor da empresa ainda no governo FHC. Ele foi diretor da Petrobras Gás S.A. – GASPETRO, de maio de 1997 a dezembro de 2000. De janeiro de 2001 a abril de 2003, esteve como responsável pela Gerência Geral de Logística da Unidade de Negócios Gás Natural da Petrobras. Isso tudo é importante, porque mostra que não foi o governo do PT que levou essa pessoa para a empresa, além de revelar que existe uma alta probabilidade de que ele cometia seus desvios desde os tempos de FHC.

2) A Veja precisava de uma denúncia contra o PT urgente, para tentar prejudicá-lo na eleição. Como o depoimento de Paulo Roberto está criptografado e guardado a sete chaves em um computador na Polícia Federal, o jeito foi inventar . A revista não mostrou uma mísera prova de que teve acesso ao depoimento. Nem uma foto do cabeçalho do inquérito, nada. Hoje já se desconfia que a Veja se baseou em rumores ou mesmo inventou o inteiro conteúdo da delação. Isso é perfeitamente possível, uma vez que um colunista da revista chamado Lauro Jardim já tentou várias vezes “chutar” o resultado antecipado de pesquisas eleitorais, dizendo que teve acesso antecipado ao conteúdo das pesquisas, porém quando os resultados foram de fato divulgados não tinham nada a ver com o “chute”. Por essa razão, o governo já pediu para que os dados da delação de Paulo Roberto sejam divulgados para todos, uma vez que há a expectativa de que ele tenha citado nomes ligados ao PSDB, até porque, como dissemos anteriormente, ele já era diretor da Petrobras no governo de FHC.

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Giannetti, Maria Antonieta na campanha de Marina


Ao sugerir a liberação de preços represados, assessor do PSB segue fórmula da Rainha da França que mandou o povo trocar pão por brioches

Devemos a Luís Nassif uma boa análise das ideias econômicas de Eduardo Giannetti, principal assessor econômico de Marina Silva.

Cabe fazer uma análise da visão política por trás do pensamento econômico, também. As ideias de Giannetti são aristocráticas e antiquadas, traduzindo uma visão de mundo própria de Maria Antonieta, a Rainha da França que no século XVIII recomendou ao povo faminto que procurasse brioches — já que lhe faltava pão — e acabou perdendo a cabeça na guilhotina.

Garoto mimado do Estado mínimo brasileiro, pioneiro do neo-conservadorismo tropical, com muita audiência em jornais onde defende propostas que nunca tiveram voto em urna, o pensamento de Giannetti sofre de uma alienação social em grau absurdo. Não aceita a noção de que nos dias de hoje a economia de um país não pode funcionar sem respeitar os interesses da maioria, sem garantir a negociação entre classes sociais, base do regime político que permitiu ao capitalismo conviver com a democracia e o progresso dos humildes.

Economia, neste pensamento, é um exercício com ratos de laboratório. Não é uma obra de homens e mulheres com sua consciência e seus interesses, direitos adquiridos e projetos para o futuro, para suas famílias e seu país.

A última ideia de Gianetti para a economia, em caso de vitória de Marina Silva, é promover um tarifaço — a medida é tratada por um eufemismo, “choque tarifário” — para liberar preços represados pela política de Dilma Rousseff-Guido Mantega. São preços administrados, que estão no coração da economia.

Como nós sabemos, o governo busca conter a inflação sem tungar o bolso dos mais pobres, mantendo o desemprego baixo e a distribuição de renda, mesmo em condições especialmente difíceis.

Nem o governo discute a necessidade de, aos poucos, cuidadosamente, reajustar preços e tarifas. O que se quer é evitar medidas em que só a parte mais fraca seja prejudicada, sem nenhuma recompensa em troca.

Mas estamos falando de outra coisa. A receita de Maria de Antonieta. Quando as medidas econômicas se transformam em crise política. Há antecedentes.

O mais conhecido governante da América do Sul a mandar o povo trocar pão por brioches foi o presidente da Venezuela Carlos Andrés Perez.

Disputando a sucessão de um governo que possuía uma certa preocupação social, Perez fez um teatrinho previsível. Apresentou-se se como candidato progressista. Prometeu fazer um governo capaz de defender a maioria e até condenou ideias conservadoras, próprias do ideário de Margareth Tatcher que seduziu tantos economistas jovens daquele tempo, no Chile, no Brasil e em outros países.

Fazia o jogo do bonzinho, você entende. Após a contagem dos votos, em fevereiro de 1989 Perez tomou posse e traiu seus compromissos.

Apoiado pelo FMI, liberou o preço da gasolina — referência para tudo o que se consome e se produz no país — que subiu mais de 100%. A passagem de ônibus subiu 30%. Revoltada, a população enfrentou a polícia, invadiu edifícios públicos, revirou automóveis e incendiou ônibus, num episódio que se repetiu nas principais cidades do país mas levou o nome da capital, seu ponto de origem: Caracazo.

Perez manteve-se no posto graças a um massacre que a população chora até hoje, e que deixou 2 000 mortos, segundo a maioria das estimativas. Mas seu governo acabou ali, sobrevivendo como um fantasma que perdeu o caminho do próprio túmulo até se extinguir no pleito seguinte. Antes de Perez deixar o cargo, porém, o coronel Hugo Chávez, então um ilustre desconhecido, foi aclamado como herói ao tentar derrubar o governo num golpe de Estado. Chávez foi preso e condenado mas, ao sair da prisão, ganhou a presidência pelo voto direito e tornou-se o político mais popular da história venezuela. Você entende por que.

Num lance de suprema humilhação, anos depois um agente da CIA divulgou que Andrés Perez estava na lista de agentes remunerados do serviço secreto americano. Ninguém ficou surpreso.

O monólogo impopular de Giannetti não começou no tarifaço de 2014. Incluiu outra bandeira cara a Marina Silva, o ambientalismo. Quando o jornalista Ricardo Arnt perguntou a Giannetti como imaginava que seria possível garantir a preservação ambiental, a resposta veio sem rodeios: sacrificar o consumo da população. Está lá, na páginas 72 do livro de Arnt, “O que Os Economistas pensam sobre a Sustentabilidade”. No esforço para diminuir a poluição ambiental produzida pelos puns do gado na Amazônia, Giannetti sugere uma mudança na alimentação do brasileiro: “Comer bife é uma extravagância do ponto de vista ambiental. O preço da carne vai ter de ser muito caro, o leite terá de ficar mais caro. Tudo que tem impacto ambiental vai ter de embutir o custo real e não apenas o monetário. Essa é a mudança decisiva.”

Acho que nem Maria Antonieta diria uma coisa dessas, não é mesmo?

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Essa é do Barão... 35


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