7 de set de 2014

Samuel Pinheiro Guimarães: EUA apostam em Marina

Eleição de Marina seria a vitória de um modelo diplomático alinhado aos EUA, similar ao que tivemos nos anos 90, diz embaixador Samuel Pinheiro Guimarães.

“Os estrategistas dos Estados Unidos seguramente estão de acordo com as diretrizes da política externa defendida pela candidata Marina Silva. Se ela for eleita, será a vitória de um modelo diplomático similar ao que tivemos nos anos 90”, declarou à Carta Maior o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário-geral do Itamaraty no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Junto do ex-chanceler Celso Amorim e do assessor Marco Aurélio Garcia, Pinheiro Guimarães integrou a troika responsável por planejar de diplomacia com sotaque nas relações Sul-Sul aplicada entre 2003 e 2010. Premissas que “tiveram continuidade a partir de 2011 durante o mandato da presidenta Dilma Rousseff, que adotou medidas muito corretas sobre o Mercosul e contra a Inteligência norte-americana no escândalo da NSA, e resistiu às pressões para a compra de aviões de guerra norte-americanos”, afirmou Pinheiro Guimarães.

No programa de governo apresentado uma semana atrás por Marina, foram formuladas propostas em alguns casos antagônicas às dos governos de Dilma e Lula, além de formular críticas enredadas ao que define como uma diplomacia “ideologizada” e “partidarizada” durante as três gestões petistas.

Embaixador, estamos diante do risco de serem restaurados princípios diplomáticos que dominaram a segunda metade dos anos 90?

Considero que a candidata Marina Silva encarne a anulação do progresso conquistado nestes 12 anos. Ela e os setores que representa buscam outro modelo de inserção internacional. Um pensamento que se traduz no propósito de enfraquecer o Mercosul com o pretexto de torná-lo aberto ao mundo.

Será o fim de qualquer aspiração de uma diplomacia independente?

Até agora, a única vez que escutei Marina falar de independência foi para mencionar a independência do Banco Central (risos).

Washington aposta em Marina ou Aécio?

Não estou em Washington para dizer o que pensam. Agora, há interesses dos Estados Unidos que foram prejudicados durante os governos de Lula e Dilma, e é claro que o candidato de que mais gostavam era o Aécio.

A Embaixada norte-americana adotou um perfil muito discreto nas eleições, mas isso não deve se confundir com o fato de estarem alheios ao que acontece. Quando o Aécio fica fora do jogo, os Estados Unidos se inclinam para a Marina, por pragmatismo e porque ela representa o oposto ao PT. Além disso, é alguém sem quadros próprios e, segundo dizem, tem bons contatos nos Estados Unidos, e que demonstrou estar aberta para desmontar o Estado, reduzir sua capacidade e autonomia internacional. Interessa aos Estados Unidos que o Mercosul sejam desmontado e que projetos da era tucana sejam retomados, não nos enganemos: nestas eleições, está em jogo a retomada do processo privatizador, parcial ou total, da Petrobras, do Banco do Brasil e do BNDES.

Como a Marina implementaria esse desmantelamento do Mercosul?

Avalio que possa começar com a eliminação da cláusula que obriga os países do Mercosul a negociar conjuntamente acordos de livre comércio com outros blocos. Este ponto, que até agora não conseguiram derrubar, é uma cláusula que vem desde o Tratado de Assunção (assinado em 1991, na formação do Mercosul).

E depois de terminada esta limitação, o que aconteceria?

Uma vez eliminada essa cláusula, o caminho estará aberto para a assinatura de acordos do Brasil com a União Europeia, sem a participação dos outros quatro integrantes do Mercosul. Mas se a cláusula continuar em pé, seria igualmente perigoso um pacto entre todo o Mercosul e a União Europeia. E essa negociação, que já se iniciou mas avança lentamente, provavelmente será acelerada durante o governo de Marina.

Quais consequências um acordo com a UE traria?
Muitas, uma delas é a redução considerável das tarifas [de importações] industriais europeias afetando nossas fábricas. Defendo faz tempo que esta aproximação, que agrada os economistas da Marina, é o passo inicial rumo ao fim do Mercosul.

Vou resumir assim: a assinatura de um acordo entre os dois blocos significará uma extraordinária vantagem para empresas europeias que poderão exportar para cá sem que cobremos taxas, enquanto não haverá grandes benefícios para os exportadores sul-americanos.

E acrescento que se este acordo acontecer, afetará outra instituição fundamental do Mercosul, que é a Tarifa Externa Comum, fixada para terceiros países. Se isto acontece, a união aduaneira é pulverizada, qualidade central do Mercosul. E uma vez que chegarmos à hipotética assinatura do pacto de livre comércio com os europeus, os Estados Unidos reaparecerão.

De que maneira?

Os meios e os grupos de interesses brasileiros que se sentirem representados pela Marina só falam de um acordo com a União Europeia por oportunismo, pela boa imagem dos europeus, que seriam maravilhosos, educados, que nos abririam as portas do primeiro mundo. Uma retórica para ocultar que o acordo será prejudicial para nós. Quem quiser saber o que nos espera com esse acordo que pergunte aos gregos e aos espanhóis como a velha Europa é tratada.

Agora tudo isso nos leva ao começo desta conversa, que são os Estados Unidos. Por quê? Porque uma vez assinado o pacto UE-Mercosul, no outro dia, Washington vai querer igualdade de condições comerciais que europeus conquistaram, exigindo de nós um acordo de livre comércio. Os Estados Unidos nunca se esqueceram do espírito da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).

MAR DEL PLATA, NOVEMBRO DE 2005

No começo da década passada, FHC sancionou Pinheiro Guimarães por ter se oposto publicamente à assinatura da ALCA, que seria enterrada durante a Cúpula das Américas, celebrada em novembro de 2005 no balneário argentino de Mar del Plata, graças a uma frente formada pelos presidentes Lula, Néstor Kirchner, Hugo Chávez e Evo Morales, apoiados por outros líderes sul-americanos diante de um atônito George Walker Bush e de seu aliado, o mexicano Vicente Fox, ex-gerente da Coca Cola com um grande bigode.

A tese da ALCA pode ser recriada com outro nome. É possível que a Marina, FHC e a inteligência neoliberal reciclem o projeto?

Tudo me leva a pensar que o projeto norte-americano de integração hemisférica comercial, de eliminação de barreiras, de sanção de um sistema de leis que privilegiam suas multinacionais etc continua em vigor. É preciso prestar atenção na Aliança do Pacífico (México, Colômbia, Peru e Chile).

Entendo que os Estados Unidos se preparem para retomar essa proposta em caso de a Marina ganhar. Porque suas posições sobre política externa refletem as aspirações se setores empresariais, de banqueiros e grandes meios de comunicação que demonstraram certa saudade da dependência colonial.

Com Marina voltaremos ao passado anterior ao encontro de Mar del Plata?

A candidata parece estar muito aberta a essas ideias. Mas o interessante é que ela não está sozinha.

No seu entorno, se expressa esse espírito anterior à reunião de Mar del Plata. Eu me refiro ao professor André Lara Rasende, ao professor Eduardo Giannetti da Fonseca, à senhora Maria Alice Setúbal (Banco Itaú). Além disso, me parece natural que depois do primeiro turno (5 de outubro) se somem outras pessoas com pensamento similar e que hoje estão junto do candidato Aécio. Estou falando o professor Armínio Fraga, do professor Pedro Malán.

DILMA REELEITA

O senhor acredita que, apesar da subida de Dilma, a Marina será a futura presidenta?

Não, pelo contrário, acredito que, apesar de toda esta comoção, a presidenta Dilma será reeleita. Acredito que, ao longo destes dois meses, as ideias da ex-senadora vão ficar em evidência.

Neste caso, quais seriam os objetivos de sua política externa em um segundo mandato?

Em primeiro lugar, deve-se mencionar que sua política externa não teve diferenças coma de Lula, apesar de Dilma não ter o mesmo estilo de fazer política externa. Trabalho para reforçar os BRICS, impulsionou o banco dos BRICS, foi firme a favor da entrada da Venezuela no Mercosul, apesar de os Estados Unidos terem manifestado abertamente seu interesse em substituir o governo venezuelano, postura que encontra eco na grande imprensa brasileira, no FHC e nos dirigentes tucanos

No segundo mandato, a presidenta deveria ter como objetivo reduzir a vulnerabilidade externa do país, a dependência de capitais especulativos para o pagamento da dívida e tudo isto cria um círculo vicioso que aumenta as taxas de juros. É falso, é um mito que as taxas sobem para combater a inflação.

Ou seja, as alianças diplomáticas devem continuar, mas são necessárias mudanças na estratégia econômica internacional?

Sim, e está completo o comentário dizendo que em um segundo governo a presidenta Dilma terá que trabalhar para diversificar nosso comércio exterior, para reduzir nossa vulnerabilidade comercial devido ao crescimento das exportações de produtos primários cujos preços não somos nós quem decidimos. Quando digo diversificar penso em base para reforçar exportações industriais porque o Brasil corre o risco de seguir rumo a uma especialização regressiva na produção agropecuária e mineral, acompanhada de uma contração do setor industrial, aliada a uma atrofia de sua capacidade tecnológica.

Darío Pignotti
No Carta Maior
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Ame-o ou deixe-o: o 7 de setembro me dá uma preguiça

A letra do hino nacional brasileiro não foi eleita uma das mais bonitas do mundo, ao contrário do que afirmam correntes que circulam na rede.

Mas ainda temos tristes índices de iletramento.


Também é mito que a bandeira nacional (cujo verde não tem nada a ver com “nossas matas'') é considerada uma das mais belas.

Mas somos reconhecidos pelas altas taxas de desmatamento.

angeli

O povo brasileiro não é o mais alegre do planeta.

Mas é um dos campeões de desigualdade social e de concentração de renda.

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A democracia racial, apesar de alardeada como exemplo planetário, não existe e, por isso, não nos define.

O que nos explica são séculos de escravismo e suas heranças.

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O Brasil não é o país que tem a mulher mais bonita do mundo. Até porque esse país não existe.

Mas somos um país reconhecidamente machista.

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Nossa comida não foi eleita a mais gostosa.

Mas estamos entre os campeões de uso de agrotóxicos.

monica

Não está escrito em lugar algum que teremos um futuro grandioso pela frente.

Nem que teremos um futuro.

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Em suma, muito cuidado. Datas como esta servem para compartilhar ou empurrar alguns elementos simbólicos que, teoricamente, ajudam a forjar ou fortalecer a noção de “nação'', mostrando que somos iguais (sic) e filhos e filhas da mesma pátria (sic).

Mesmo que, no dia a dia, a maioria seja tratada como um bando de bastardos renegados.

Ser brasileira e brasileiro, na verdade, é a nossa maneira particular de construir e perceber a realidade.

E, aproveitando o 7 de setembro, de que forma estamos fazendo isso? Celebrar as nossas forças armadas (que ainda vivem sob a herança da ditadura, carregadas de pessoas cheias de pó que se mantém feito gárgulas a tudo observar e criticar) e feitos militares bisonhos deveria ser usado como subsídio para debater a nossa construção de realidade? Ou seria o momento de uma boa reflexão, coisa que precisamos cada vez mais nesses dias em que chamamos indígenas de intrusos, camponeses de entraves para o desenvolvimento e imigrantes bolivianos e haitianos de vagabundos?

O melhor de tudo é que, ao levantar indagações sobre quem somos e a quem servimos e conclamar ao espírito crítico, somos acusados de não amar o país, no melhor estilo “Brasil: ame-o ou deixe-o'' dos tempos de chumbo da Gloriosa.


Orgulho de ser brasileiro. Mas nem sempre.

Leonardo Sakamoto
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Marina Silva e a ética do coitadismo

Ela
No pacote de mistificações de Marina Silva, inclui-se o fenômeno do coitadismo. Marina é uma injustiçada eterna.

Quando chamada a responder pelo que disse em 2008 e desdisse em 2014, é perseguição. Quando lhe são cobradas explicações sobre o avião de Campos ou as palestras, estão “fazendo CPIs paralelas, informais”.

Não é fácil ter a vida devassada, é evidente, mas é inevitável para qualquer candidato, especialmente os postulantes à presidência.

Numa entrevista à CBN, Marina reclamou que a questão das palestras era um “factoide” — segundo a Folha, entre março de 2011 e junho de 2014 ela recebeu R$ 1,6 milhão falando para empresas cujos nomes, aliás, não foram revelados.

Não esclareceu. Ao invés disso, seus adversários, por serem “tão grandes e poderosos,  conseguem ocupar todos os espaços para dizer inverdades. Eu não tenho a mesma estrutura que eles têm. A presidente Dilma tem 11 minutos de programa de televisão, o governador Aécio tem quase cinco. Eu tenho apenas dois minutos”.

No Twitter, escreveu o seguinte: “Eu estou me sentindo injustiçada. É uma indústria de boatos e mentiras que estão sendo lançadas na internet, de todas as formas”.

Mais: “Os partidos da polarização, PT e PSDB, não estão acostumados que as eleições sejam um processo político. Estão acostumados com plebiscito”. Lembrando que plebiscitos são, eventualmente, legítimos e Marina os propõe até para escolher entre açúcar e adoçante no café.

Não há novidade na estratégia de vitimização de Marina. Muitos outros já se utilizaram disso.

É uma forma de desqualificar o interlocutor. Dilma e Aécio apanham a torto e a direito. É do jogo. No caso de Marina, não se pode falar de sua de suas contradições, de sua falta de clareza, de seu passado, presente ou futuro — isso é boataria.

A indignação de Eduardo Gianneti e de Demétrio Magnolli com as pessoas que estranham ou se preocupam com o fundamentalismo religioso de MS é sintomática. Por que não se pode discutir isso? É proibido? Quais são os assuntos autorizados pela tropa de choque?

Criticar Marina é crime. A não ser quando ela, Marina Silva, fala dos demais candidatos. Aí, sim, estamos mais uma vez na presença exuberante da nova política.

Kiko Nogueira
No DCM
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A arca de Marina e o dilúvio antipetista

As eleições deste ano definirão se o PT continuará ou não a ser a viga estruturante do campo progressista a partir de 2015. Dentro ou fora do Planalto.

Lula foi ao ponto. Em encontro com a militância na 6ª feira, em São Paulo, o ex-presidente enfrentou abertamente a perplexidade que toma conta do campo progressista, diante do dilúvio que junta o dinheiro, a intolerância e o golpismo contra Dilma.

A perplexidade é proporcional ao aluvião que a inspira.

Há lugar para todos na arca de Marina. Fosse vivo, almirante Pena Boto, que presidiu a ‘Cruzada Brasileira Anticomunista’ nos anos 50/60, estaria dentro.

Catalisado pelo bordão omnívoro do ‘tudo, menos o PT’ o comboio ganhou agora a ilustrativa adesão do Clube Militar. Seus atributos dispensam apresentações; assinado pelo General Clovis Purper Bandeira, ex-ABIN e ex-aluno da Escola de Guerra dos EUA, o manifesto de apoio confere a Marina, em seus múltiplos significados, o apanágio de ‘fio da esperança’ para derrotar o ‘lulopetismo’.

Nem em 1964 a espinha conservadora reuniu vértebras tão numerosas e de calcificação tão variada contra Jango.

O golpe recorreu aos tanques por carecer de uma liderança carismática.

Agora não precisa.

'Nosso problema não é falta de obras (para mostrar), é falta de política!', advertiu Lula, diante do aluvião que já lambe a cintura do campo progressista.

Depois de criticar a opacidade geral da propaganda do partido, o ex-presidente alvejou o centro do alvo: ‘Ficamos economicistas. Um peão votar em patrão (Skaf)!? Isso era impensável! Temos que demarcar o campo de classe nessa eleição. Nossa propaganda na televisão tem que falar de política; (pelo amor de Deus) reservem pelo menos um segundo para falar de política!’

Não qualquer política.

Lula está falando de economia concentrada.

Concentrada no conflito de interesses decorrente do lugar que os homens e mulheres ocupam na estrutura da sociedade.

Seja dentro de uma fábrica ou em uma mesa de negociação.

Mas também no orçamento do Estado. Na destinação que lhes cabe da riqueza.

Na forma como essa repartição é regulada.

Na fatia apropriada pelos fundos públicos...

É dessa política que carece a propaganda do PT.

Lula fala do que vivenciou.

A experiência sindical ensinou ao torneiro mecânico que a paz social nunca é menos que a repressão dos oprimidos.

A engrenagem das demarcações históricas impregnou seu metabolismo nas assembleias e bastidores das grandes greves operárias dos anos 70 e 80 no ABC.

Por mais que o exercício do poder tenha sugado esse sangue, a memória não se perdeu.

A memória histórica é um pedaço do futuro.

Seu esquecimento não raro reitera o passado.

A memória vivida explica a argúcia de Lula ao atribuir ao PT parte da responsabilidade pela irresistível promessa de Marina.

A promessa de reunir os bons, quem sabe os puros, de qualquer forma os melhores.

Enfim, os homens e mulheres pios de um país desafortunadamente esgotado pela ‘polarização PT-PSDB’, como diz a candidata eólica, cujo programa emula os ventos da conveniência.

Lula sabe: Marina é a rosa dos ventos conservadores.

Fixou-se nela o ponto de coagulação de uma sociedade doutrinada diuturnamente pelo jogral do Brasil aos cacos, para o qual a mídia não se cansou de bombear água do antipetismo na última década.

Até que o dique se rompeu. Na conveniente dissipação das fronteiras políticas vocalizada por Marina Silva.

É sobre elas que Lula fala.

E pede urgência na restauração de um partido capaz de avivar o discernimento da sociedade para o arame farpado submerso nas águas indivisas do ‘tudo, menos o PT’.

A politização que Lula cobra — em contraposição ao economicismo dos que preconizam derivar a sociedade justa da boa gestão macroeconômica, necessária mas insuficiente — não é apenas um recado para esta eleição.

É um imperativo de aggiornamento histórico, do qual o escrutínio de outubro é um capítulo hercúleo e dilacerante, mas que não pode mais ser visto como um ponto de chegada.

Tornou-se um ponto de partida, independente do desfecho.

Em algum momento seria preciso dizer isso.

Lula começou a fazê-lo.

Uma parte do que se pode — e se deve — arguir na candidatura de Marina também se pode — e se deve — incluir na lista dos débitos a serem corajosamente debulhados pelo PT.

Marina aspira passar uma borracha na cisão que ordena o capitalismo brasileiro sem alterar a sua estrutura, mas consagrando-a integralmente às leis da pureza mercadista na economia; e da ‘verdade eleitoral’ das candidaturas avulsas, na política.

É assim que o aluvião conservador pretende erradicar o mal pela raiz: liquefazendo o papel do Estado no desenvolvimento e erradicando os partidos na democracia.

Marina fantasia uma ruptura que reafirma as balizas do regime ‘sujo’ que promete purificar.

Não sabia, mas viajava num jatinho turbinado no caixa dois das propinas mediadas por um ex-diretor da Petrobrás, demitido pela ‘gerentona’ Dilma Rousseff. Assim como se aninha na confortável tutela de uma herdeira do banco Itaú; e aquiesce às bordoadas eletrônicas do impoluto Silas Malafaia; como tampouco estranha a ecumênica adesão dos apetites de um Roberto Freire, Serra, Bornhausen e sucedâneos.

Não importa.

A seita dos bons inscreve-se na constelação das verdades transcendentais. Marina tem seu projeto blindado à crítica nos seus próprios termos e consequências.

A infalibilidade de sua roleta bíblica mimetiza na esfera divina a auto-regulação evocada pelos livres mercados na realidade profana.

Nela se incorporam as duas coisas para formar uma esférica camuflagem do obscurantismo com o rentismo.

Não se escapa desse ardil apenas com a listagem de obras na publicidade eleitoral.

Quando Lula sacode a propaganda do PT pelos ombros e diz que é preciso politizar a disputa, demarcar o campo de classe, é porque sabe que esse é o ponto em torno do qual a natureza omnívora e messiânica da ‘arca dos bons’ se revela.

É a chance de abrir um rombo no casco na arca de Noé da candidata eólica.

Mas encerra também uma advertência ao PT.

Minimizar o campo de classe é desintegrar-se em uma gelatina a partir da qual ‘peão vota em patrão’.

É facultar a Marina terceirizar a moeda, o juro, o câmbio e o salário aos mercados como se fosse uma operação épica de assepsia no intervencionismo sujo, corrupto — petista.

Marina é a luva descartável de uma higienização antipopular promovida periodicamente pelas elites locais e estrangeiras na história do país.

Sua arca reúne espécies da cepa de 32, de 54, de 56, de 64, de 69, de 2005... mas ela finge não saber disso.

Denunciá-lo não é a política do medo, mas a da verdade histórica, como afirmou a Presidenta Dilma.

O PT nasceu abrigado na certeza de que o socialismo é a democracia levada às últimas consequências.

Emparedado entre a queda do muro de Berlim, e a hegemonia do neoliberalismo, apegou-se à fresta que hoje se revela uma imensa avenida na crise conjunta da representação política e de estagnação capitalista em todas as latitudes.

A meca de Marina, ao contrário, é levar a financeirização da sociedade às últimas consequências.

A ambientalista direcionou sua trajetória à boca de um funil do qual muitos emergiram do outro lado na forma de um resíduo histórico.

Quer levar o Brasil nessa aventura.

São projetos ontologicamente antagônicos nos seus meios e fins.

Como então as propagandas e práticas eleitorais podem se assemelhar, ‘a ponto de peão votar em patrão’?

A resposta que Lula cobra do PT a menos de 30 dias das urnas não vai apenas definir a vitória ou a derrota em 4 e 26 de outubro.

A resposta cobrada tem um tempo histórico de maturação mais longo e convoca um vigor de engajamento mais denso.

A resposta vai definir se o PT continuará ou não a ser a viga estruturante do campo progressista brasileiro a partir de 2015.

Dentro ou fora do Planalto.

A ver.

Saul Leblon
No Carta Maior
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A segunda morte de Eduardo Campos


Mataram de novo Eduardo Campos.

Meus sinceros sentimentos à viúva, aos filhos, à mãe e a todos os amigos.

Você tem noção do absurdo que é a maneira como a mídia destrói reputações ao examinar o caso específico de Campos no chamado escândalo da Petrobras.

Não existe risco nenhum de alguém dizer, num tribunal: provas, por favor.

Então você — falo aqui das companhias de mídia — tem licença para matar.

Em sociedades mais avançadas, publicar acusações gravíssimas com base em palavras de um delator traz um risco sério para empresas de mídia.

No Brasil, não acontece nada.

Gosto de citar o caso exemplar de Paulo Francis, em que estava envolvida, por coincidência, a Petrobras.

Francis, numa campanha contra a Petrossauro, como a chamava, acusou os diretores da empresa de corruptos.

Os diretores, se o processassem no Brasil, não conseguiriam nada. Seriam acusados de conspirar contra a liberdade de imprensa e continuariam a ser massacrados por Francis.

Acontece que uma das calúnias de Francis foi proferida nos Estados Unidos, no Manhattan Connection.

E então os executivos da Petrobras puderam processá-lo pela justiça americana.

Pediram a ele, nos Estados Unidos, uma só coisa: provas. Ele não tinha nada.

Na iminência de uma multa que o quebraria, ele entrou num processo de turbulência mental do qual resultou um enfarto fatal.

Elio Gaspari disse que Joel Rennó, o então presidente da Petrobras, matou Francis. Na verdade, Francis matou Francis.

São conhecidas as pressões que FHC e Serra, então no poder, fizeram para que os homens da Petrobras desistissem do processo.

No Brasil, a sociedade está à mercê da mídia.

Como a justiça é inoperante, jornais e revistas têm o que um premiê britânico chamou, num confronto com um barão da mídia, de “o atributo das prostitutas” — o poder sem responsabilidade.

Ninguém sabe ainda em que circunstâncias o delator Paulo Roberto Costa falou. O que se tem de concreto é que ele pode incriminar quem quiser, pelo menos neste momento.

Mesmo assim, a imprensa vai divulgando nomes de citados sem a menor cerimônia, como se fosse uma banalidade.

O real objetivo, ninguém se ilude, é eleitoral. Ninguém está interessado em moralizar nada.

Se houvesse um intuito de limpeza ética, o caso do metrô de São Paulo teria sido investigado em profundidade, bem como os 450 quilos de pasta de cocaína encontrados num helicóptero de amigos de Aécio.

A posição absurda desfrutada pela mídia no Brasil foi bem descrita num tuíte do senador Roberto Requião, candidato ao governo do Paraná.

“Até agora o Henrique Alves manteve engavetado meu projeto de direito de resposta. E agora. Deve ter entendido que sua aprovação é importante?”

Henrique Alves é o presidente da Câmara. Como Eduardo Campos, está na lista de Costa.

No Brasil, sequer o direito de resposta vigora.

Ayres de Britto, ao anular a Lei de Imprensa, jogou fora coisas vitais da defesa da sociedade, como o direito de resposta.

Quando aparentemente ele se movimentava para corrigir o erro, foi apanhado por uma denúncia da Folha que envolvia um genro seu.

Parece ter entendido o recado, e não mexeu mais no assunto.

Virou, no Mensalão, amigo da imprensa, e escreveu o prefácio de um livro de Merval sobre o assunto.

Justiça e mídia deveriam se fiscalizar uma à outra, mas no Brasil acabaram se abraçando e se autoprotegendo.

Um dia as fotos em que Merval e Ayres de Britto se abraçam, sorridentes, no lançamento do livro merecerão o devido repúdio da sociedade. “Como pudemos descer a este ponto?”, as pessoas se perguntarão.

É neste cenário que Eduardo Campos é morto pela segunda vez.

Os assassinos de sua reputação agiram sabendo que gozam de total impunidade.

Mais uma vez, minhas condolências à família e aos amigos de Campos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Os cuidados com as jogadas da revista Veja


É sempre útil ter cautela com a embalagem que Veja usa para embrulhar suas “denúncias”.

No final da tarde de sexta-feira, depois da primeira matéria da Agência Estado sobre o suposto depoimento de Paulo Roberto Costa, o comentário geral era que a revista Veja divulgaria todo o depoimento e a lista de políticos citados (que chegava a 62).

A revista estimulou o boato, antecipando para as 18h a divulgação da capa da semana.  Uma capa genérica, sem nomes. O texto anunciava que eles viriam na edição impressa, junto com informações exclusivas sobre o “esquema de corrupção da Petrobras”.

Mais uma vez, Veja vendeu o que não tinha, ou muito mais do que tinha. Quanto a nomes, dois ex-governadores, a governadora Roseana, o ministro Lobão, um ex-ministro do PP, oito parlamentares e o tesoureiro do PT. Os suspeitos de sempre.

A revista não traz as prometidas informações sobre negociatas na Petrobras. O único exemplo mencionado é uma notícia requentada sobre uma operação de debêntures, que supostamente envolveria a Postalis (e que não se realizou porque os supostos autores foram presos).

Sobrou a embalagem. Sobrou? Veja não mostra papel, não mostra vídeo, não mostra um indício sequer de que botou a mão na massa. Tanto quanto o Estado e a Folha, ouviu um relato sobre o depoimento. A revista não cita fontes, reais ou fictícias. Não ousa escrever que “teve acesso ao depoimento”. Sequer recorre ao surrado “uma fonte ligada às investigações”.

Veja blefa, mais uma vez. Mas alguém conversou sexta-feira com a revista e com os portais, e vendeu um prato requentado. E quase simultaneamente, o Valor informava sobre mais um advogado que deixava a defesa de Paulo Roberto. Assim, de repente, sem explicações.

Um advogado à solta, neste momento, é conveniente para ocultar e lançar pistas falsas sobre a fonte do vazamento. Fonte criminosa, posto que a delação corre em sigilo.

A bola está com a direção da PF, com o PGR e com o ministro Teori, que podem dar um basta nesses vazamentos seletivos.

Luís Nassif
No GGN
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Já votou SIM no Plebiscito Popular pela Constituinte? O Lula já



(Informe nome completo e CPF)


É só até hoje, 7 de setembro, a oportunidade de votar SIM no Plebiscito Constituinte para a pressionar pela convocação de uma Assembléia exclusiva para fazer Reforma Política, ou seja, para mudar as regras do jogo no Sistema Político Brasileiro.

Só assim o povo mandará mais, enquanto mandarão menos na política os bancos, empreiteiras, oligarquias do coronelismo, empresas de plano de saúde, pedágios e telefonia, etc.

É também a melhor arma que o povo tem na mão para sanear o ambiente político da corrupção. Não adianta dar uma de indignado com a corrupção e manter um sistema feito sob medida para eleger os piores políticos. Do jeito que é hoje, os políticos honestos são sobreviventes de um sistema feito para levá-los à extinção.

O Plebiscito Popular é supra-partidário e conta com o apoio de diversas entidades da sociedade civil.

Lula já votou a favor.

Dilma escolheu o dia 7 de setembro para votar, e está defendendo a reforma política popular com plebiscito desde o ano passado.

A candidata a presidente Luciana Genro (PSOL) também votou a favor. Eduardo Jorge (PV) também disse que votará Sim.

Agora só falta você. Tem urnas espalhadas em vários pontos do Brasil, mas se você preferir pode votar pela internet.

No Justiceira de Esquerda
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Veja para iniciantes

Dei-me ao trabalho de macular minha manhã de domingo e ler a matéria da Veja sobre a tal delação premiada de Paulo Roberto da Costa, ex-diretor da Petrobras.

Como era de se esperar, o texto não tem nem uma mísera prova e está jogado naquele apagão de fontes que, desde 2003, caracteriza o jornalismo denunciativo de boa parte da mídia nacional.

A matéria elenca números e nomes sem que nenhum documento seja apresentado ao leitor, de forma a dar ao infeliz assinante uma mínima chance de acreditar naquilo que está escrito. Nada. Nem uma fotocópia do cabeçalho do inquérito da Polícia Federal.

O autor do texto, então, deve ter lançado mão de duas opções, ambas temerárias no ofício do jornalismo:

1) Teve a orelha emprenhada por uma fonte da PF — agente ou delegado — e decidiu publicar a matéria mesmo sem ter nenhuma prova de nada. Dada as circunstâncias da Veja e a maneira como seus repórteres ascendem dentro da revista, esse tipo de irresponsabilidade tanto é admirado quanto estimulado;

2) Inventou tudo, baseado em deduções, informações fragmentadas, desejos, ilusões e ordens do patrão.

No texto, uma longa e entediante sucessão de clichês morais, descobre-se lá pelas tantas que os depoimentos estão sendo gravados em vídeo e criptografados, para, assim, se evitar vazamentos.

Logo, é bem capaz que Veja, outra vez, faça esse tipo de denúncia sem que precise — nem se sinta pressionada a — jamais provar o que publicou. Exatamente como o grampo sem áudio entre o ministro Gilmar Mendes e o ex-mosqueteiro da ética Demóstenes Torres.

Novamente, o Frankstein jornalístico montado pela Veja visa, única e exclusivamente, atingir o PT às vésperas das eleições, a tal “bala de prata” que, desde as eleições de 2002, acaba sempre saindo pela culatra da velha e rabugenta mídia brasileira.

O esqueminha de repercussão, aliás, continua o mesmo: sai na Veja, escorre para o Jornal Nacional e segue pela rede de esgoto dos jornalões diretamente para as penas alugadas de uma triste tropa de colunistas.

Embrulhado o pacote, os suspeitos de sempre da oposição se revezam em manifestações indignadas e em pedidos de CPI.

Uma ópera bufa que se repete como um disco arranhado.

Mas é o que restou à combalida Editora Abril, depois que a candidatura de Aécio Neves morreu junto com Eduardo Campos naquele trágico desastre de avião.

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Arrocho processa 66 tuiteiros. Ele gosta mesmo é do Ataulfo

Imagina ele e a irmã com a PF na mão…


A Conceição Oliveira, Maria Frô, teve acesso ao processo que o candidato Arrocho Never move contra tuiteiros.

Imagina ele e a irmãzinha com a Polícia Federal e a Receita na mão…

O Brasil ia virar uma grande Minas Gerais…

O vovô Almeida não ia gostar disso…


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Índice Band mostra estabilidade pela presidência


O Índice Band representa a média ponderada das pesquisas mais recentes, do Datafolha, do Ibope, da CNT/MDA e do instituto Sensus.

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Aécio comemora escândalo da “Veja”: segundo avião a cair sobre a campanha?

“O escândalo da Petrobrás — que nesse momento serve aos interesses de Aécio Neves — mostra a necessidade de uma Reforma Política urgente. PSDB, PT, PSB, PP, PMDB: todos parecem usar meios ilegítimos de financiar suas campanhas. Constituinte Já!
Moralismo seletivo: em 2006, já era assim
Primeiras impressões sobre o escândalo da Petrobrás: é ruim para a base aliada de Dilma (não necessariamente para a presidenta), mas é também desastroso para a imagem de Marina Silva. A ”nova” política é jogada na lama, ao lado de petistas, peemedebistas (e de tucanos e demos; mas estes serão poupados nas manchetes de Veja, Globo etc).

Eduardo Campos — ex-candidato do PSB, apontado como um “santo” da “nova” política — estaria na lista  (aliás, que lista? Não apareceu um documento até agora). Fica claro que se trata de uma operação para trazer Aécio Neves de volta ao jogo da eleição.

Não se conhecem muitos detalhes da denúncia. O que se sabe: Paulo Roberto da Costa (ex-diretor da Petrobras nas gestões Lula e Dilma) teria fornecido — em depoimento “secreto”, que vazou de forma seletiva, e até agora sem provas — detalhes de um esquema criminoso de financiamento político. Delação premiada, arrancada a fórceps. Mais um escândalo de boca de urna.

Atenção: apure os ouvidos e abra bem os olhos, porque nos próximos dias “Veja” e “Globo” tentarão transformar um caso (que se for comprovado é grave, mas que estranhamente “vaza” a 30 dias da eleição) em ferramenta política a favor do PSDB.

Claro que não vou defender aqui ninguém, de partido nenhum, que tenha recebido propina. Nem quem se alie a doleiro e a esquemas criminosos — ainda que o faça em nome da “luta política”. Nada disso. Mas tenho o dever de lembrar: a “Veja” nunca fez (e jamais fará) capa a mostrar os esquemas de financiamento de campanha do PSDB (ainda mais a 30 dias da eleição): a Alstom, os trens em São Paulo, o Robson Marinho, os tucanos de Aécio (parceiros antigos do Mensalão do PSDB — que segue impune em Minas). Nada disso surge nas capas de revista ou nas manchetes do JN da Globo.

As listas da “Veja” (se é que são verdadeiras) indicam um (entre dezenas) de esquemas privados de financiamento de campanha. Por “coincidência”, a maior parte dos parlamentares e governadores citados agora pertence à base aliada do governo. Mas se recorremos à própria Veja, descobrimos que “Fornecedores da Petrobras sob suspeita financiaram campanha de 121 parlamentares em atividade”: nessa lista aqui há também tucanos, demos, gente do PPS e até o vice de Marina, Beto Albuquerque.

Na prática, o escândalo de boca de urna da “Veja” pode ser um segundo avião a desabar sobre a campanha presidencial.

Agora se entende porque Aécio vinha chamando Marina de “PT2″ nos últimos dias. E porque mervais e outros quetais pediam que “ainda” não se abandonasse Aécio (afinal, Marina “poderia ter problemas logo adiante”). Sabiam que a cavalaria Abril/Globo viria para salvar o exército tucano em frangalhos.

Aécio estava emparedado pela polarização Dilma/Marina, desde a queda do avião de Eduardo Campos. Começava a se consolidar um debate sobre dois projetos para o Brasil: PT/Lula/Dilma x Marina/PSB/Rede (com nacos do tucanato migrando para essa segunda turma). Nesse momento, a heróica e destemida “Veja” aparece para colocar Aécio de novo no páreo. E tenta trazer de volta a pauta da escandalização (sem provas, por enquanto).

De novo, repito: isso não quer dizer que as gravíssimas denúncias não devam ser investigadas. Mas é evidente que, como acontece desde 2006, a “Veja” vai jogar em tabelinha com a “Globo”. Aguardem 10 minutos diários de “repercussão” do caso no JN: hoje, segunda, terça… e até o dia 5.

A Dilma agora vai-se arrepender de ter ido preparar omeletes com Ana Maria Braga. Ah, a falta de apetite petista para o confronto. Ah, que saudades de Brizola…

Em 2006, eu trabalhava na Globo (era repórter especial), e vi de perto o moralismo seletivo praticado pela emissora. Ao lado de outros colegas jornalistas, me insurgi internamente quando a Globo (a duas semanas do primeiro turno) botou todo seu peso na investigação dos “aloprados petistas” (claro, deviam ser investigados), mas recusou-se a investigar as denúncias contra Serra contidas no dossiê de um lobista chamado Vedoim.

Quando saí da emissora, poucos meses depois, publiquei uma carta em que contava detalhes do episódio. E questionava a direção de Jornalismo, sob comando de Ali Kamel.

A CartaCapital também publicou uma capa mostrando como a Globo manipulou o noticiário às vésperas do primeiro turno em 2006Vale a pena ler – aqui.

Em 2014, mais uma vez, a turma do moralismo seletivo não está preocupada com o Brasil. O moralismo de ocasião é só uma ferramenta daqueles setores desesperados com uma eleição que transformava PSDB/Globo/Veja em coadjuvantes absolutos.

Mas o escândalo mostra também a necessidade de uma Reforma Política urgente. PSDB, PT, PSB, PMDB: todos (ou pelo menos partes importantes dos principais partidos) parecem usar meios ilegítimos de financiar suas candidaturas. Muitas vezes, o poder econômico banca as campanhas e se transforma em dono dos mandatos.

Mais um argumento para se defender a necessidade de uma Reforma Politica para proibir doações privadas em campanhas. 

Constituinte já!

É preciso proibir as doações de empresas a campanhas (como pede a OAB, em ação bloqueada no STF, por um pedido de vistas de Gilmar Mendes — sempre ele).

Abaixo o moralismo seletivo de Veja/Globo e dos tucanos!

Investiguemos todos os escândalos, inclusive os que atingem amigos da velha mídia: Serra/PSDB de São Paulo, Aécio/PSDB de Minas (o aeroporto de Cláudio é fichinha perto do que há por lá), Marina/PSB/Rede.

E que o PT explique como quer “reformar” o Brasil pedindo dinheiro (legal ou ilegalmente) de gente que quer qualquer coisa, menos reformas no Brasil…

Rodrigo Vianna
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Charge online - Bessinha - # 2047

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Bandido é quem faz delação premiada, não santo

Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, fez uma delação premiada. Ou seja, ele foi pego cometendo uma série de crimes e aconselhado por advogados especializados neste tipo de acordo a revelar detalhes de uma história que pode livrá-lo da cadeia. A previsão é que seria condenado por até 50 anos.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras fez os depoimentos na Custódia da Polícia Federal em Curitiba. A PF filmou as sessões de depoimentos a procuradores da República. Os depoimentos foram posteriormente criptografados e enviados ao Procurador Geral da República. Mas hoje, mesmo com todo o cuidado, teria havido vazamento de alguns dos nomes citados.

Chega a ser leviano que esses nomes sejam revelados sem que haja nem sequer uma única fonte ou sequer um pedaço de papel com um texto escrito a lápis para sustentar a denúncia.

Essa é a primeira questão. Veículos de comunicação não deveriam sair acusando pessoas sem que elas tenham como se defender, porque não conhecem a acusação, e sem que haja uma evidência clara de que o que estão publicando não é só alga baseado no ouvir dizer.

Depois, quem faz delação premida é bandido. E como bons bandidos, delatores têm uma estratégia para tentar sair do enrosco em que se meteram.

Ou seja, é evidente que a narrativa que Paulo Roberto Costa vai sustentar irá misturar histórias reais com algumas falsas. Até porque se na primeira fase do depoimento ele não vier a conseguir o perdão que almeja, terá mais o que falar para buscar um prêmio maior.

Há também o fato de que o delator tem suspeitos de o terem acusado e tem inimigos políticos. E esses ele vai dar um jeito de culpabilizar na sua narrativa. Mesmo que sejam absolutamente inocentes.

Em várias outras delações isso ocorreu. Não há porque não ocorra nessa.

Cabe ao jornalista responsável e ao juiz correto esperar que a investigação aconteça de forma ampla para que os acusados não sejam condenados por antecipação.

Isso não significa que tudo que Costa falou deve ser ignorado.  A corrupção no Brasil é sistêmica e precisa ser combatida quase como uma epidemia. Mas não é diferente da de outros países e nem é maior no setor público do que no privado. São as empresas que costumam incentivar a corrupção como forma para garantir contratos de forma mais fácil.

Veja e seus derivados midiáticos estão tentando transformar a eleição que se avizinha em mais uma disputa moral. Podem até conseguir. Mas seria um retrocesso imenso. Há programas de governos bastante diferentes em discussão e isso deveria ser o centro da definição do voto.

Com todos os erros cometidos pelos governos do PT  nos últimos 12 anos, os órgãos de investigação ampliaram em muito sua autonomia para investigar e combater a corrupção. Isso é o que importa. Fazer com que essa investigação se realize e leve à cadeia os culpados. E que ela não termine como a do helicóptero da família Perrela, cujo pó foi literalmente jogado para baixo do tapete. E cujos envolvidos estão soltinhos da Silva.

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A hipocrisia das denúncias políticas e a blindagem dos grandes grupos


Algumas considerações sobre a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Costa traz indícios daquele que provavelmente é o mais amplo caso de corrupção política sistêmica do país. A desenvoltura com que atuou na Petrobras comprova que dispunha de uma carta em branco. Há pelo menos seis anos rumores sobre sua atuação corriam mercado. É evidente tratar-se de uma peça da real politik de governo.

A data escolhida para a divulgação — 7 de setembro, aliás mesma data da eclosão do escândalo Erenice — e as informações divulgadas até agora sugerem muito mais uma chantagem, com elementos políticos, do que elementos concretos para condenar os acusados: políticos e empresas. Uma denúncia exige dados concretos, datas, documentos, comprovação de pagamentos. Costa traz relatos. É como se avisasse: se me deixarem na mão apresento as provas. Ou então é possível que Veja tenha feito um cozidão atribuindo-o a Costa.

A denuncia significará um corte no atual modo de fazer política? Evidente que não, porque dificilmente os subornadores serão punidos. E porque uma apuração ampla dos desvios políticos não poupará nenhum partido.

Além disso, até hoje nenhuma investigação envolvendo grandes grupos prosperou na Justiça. 

O "mensalão" só foi adiante depois que o Procurador Geral da República inicial, Antonio Fernando de Souza, o sucessor Roberto Gurgel e o relator Joaquim Barbosa tiraram o Opportunity da jogada

A Satiagraha parou assim como a operação da Polícia Federal que levantou subornos da Camargo Correia — apanhando com a boca na botija o então chefe da Casa Civil do governo Alckmin Arnaldo Madeira (que a campanha de Aécio cometeu a imprudência de colocar na coordenação paulista). Nos dois casos, alegou-se escutas ilegais, álibis formais para justificar a blindagem desses grupos. 

O próprio episódio do buraco do Metrô resultou em um acordo nebuloso entre o governo José Serra, o Ministério Público Estadual e as empresas, pelo qual as diretorias foram poupadas e as empresas tiveram a liberdade de indicar um funcionário para o cadafalso.

Em ambos os casos, os grupos de mídia não manifestaram indignação. O que comprova que denúncias e indignação são armas políticas ou de chantagem, não instrumentos de melhoria institucional.

Não há velha e nova política.

Há a mesma política velha atingindo todos os grupos. O envolvimento direto do ex-governador Eduardo Campos com o esquema Costa tira a aura de pureza da candidatura Marina. Não fosse o envolvimento direto de grandes grupos econômicos blindados na Justiça, o episódio Paulo Roberto Costa seria mais agudo que o "mensalão".

O PSDB tem os escândalos do Metrô.

Mais uma vez, o episódio será utilizado como elemento político de lado a lado. Mas a mãe de todos os crimes — o financiamento privado de campanha — continuará graças a atuação do ínclito Ministro Gilmar Mendes.

Luís Nassif
No GGN
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Ex-diretor refuta ilações sobre Petrobras e revela contrato com Organizações Globo

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto da Costa, refutou, na CPI do Senado que investiga supostas irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, ilações que tentam comprometer a Petrobras. Ele revelou também que sua empresa mantém negócios com as Organizações Globo. Paulo Roberto lembrou que passou mais de 50 dias preso e massacrado por setores da mídia, como a Globo, com quem mantém contrato.

A revelação pelo foi um dos pontos marcantes da CPI, nesta terça-feira (10). Em seu relato, o ex-diretor confirmou que é o dono da empresa de consultoria Costa Global e que entre os seus contratados estão as Organizações Globo. “Para conhecimento de vocês, eu tenho um contrato assinado para vender uma ilha das Organizações Globo”, revelou.

De acordo com o ex-diretor, a ilha situa-se na rodovia Niterói-Manilha. Ele frisou que o contrato firmado com as organizações da família Marinho era para que a Costa Global procurasse um leasing imobiliário para vender a área. Segundo ele, o objetivo do negócio era dar apoio para a operação offshore que atuaria para empresas que trabalhavam com a Petrobras, com a Shell, e com outras empresas que têm atividades de produção na Bacia de Campos. “Até para as Organizações Globo estamos prestando serviço”, reafirmou Paulo Roberto.

O ex-dirigente disse ainda que constituiu a Costa Global em 2012, após sua saída da estatal. Ele contou que a sua filha, Arianna Azevedo Costa Bachmann é sua sócia e que a empresa possui 81 contratos firmados.

No decorrer de sua exposição, Paulo Roberto da Costa repudiou com veemência as “inveracidades” das acusações do Ministério Público contra a Petrobras e criticou o foco dado pela imprensa brasileira à questão.

“A Petrobras é uma empresa totalmente séria. Pode-se fazer auditoria por 50 anos dentro da Petrobras que não vão achar nada ilegal porque não há nada ilegal na Petrobras. Estão colocando a Petrobras na condição de uma empresa frágil”, afirmou. Ele observou que os controles dentro da estatal são enormes.

Abreu e Lima — Ele refutou as denúncias de suposto superfaturamento nos contratos da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. “Não é real. É uma ilação. Portanto, repudio veementemente essa suposição. Não existe organização criminosa. Não sei por que inventaram essa história. É uma história fora da realidade”, lamentou.

Operação Lava Jato — Paulo Roberto da Costa foi preso em março na Operação Lava Jato, desencadeada pela Polícia Federal. A Operação da PF investigou esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em seu depoimento ele foi enfático em afirmar que não existe lavagem de dinheiro da Petrobras com o doleiro Alberto Youssef, também preso pela PF.

“Não sei de onde tiraram essa história. A Polícia Federal, o MP deveriam aprofundar essa análise da Petrobras, que vão chegar à conclusão de que a Petrobras não é o que estão falando. A Petrobras é uma empresa que orgulha o povo brasileiro”, afirmou.

Pasadena — Sobre a aquisição da refinaria de Pasadena, Paulo Roberto voltou a dizer o que os seus antecessores afirmaram em depoimentos na CPI. “Naquele momento era um bom negócio. Ninguém coloca petróleo cru na indústria, no carro ou no avião. Ter refinaria é algo importante e estratégico”, reafirmou.

Benildes Rodrigues
No PT na Câmara
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As hipóteses estão abertas

Ainda que não tenha havido menção direta a Guido Mantega, com a referência de Dilma Rousseff apenas a "novas equipes" de governo se reeleita, a situação do ministro da Fazenda tornou-se pior do que embaraçosa. A sua autoridade formal continua a mesma, mas estão gravemente atingidas as suas condições políticas, funcionais, e talvez psicológicas, para o comando e para lidar com as forças da economia. Mantega está como ministro efetivo-interino.

Se as duas referências de Dilma Rousseff a uma nova formação governamental quiseram emitir sinais ao poder financeiro, cujas adesões a Marina Silva são indisfarçáveis, haveria maneiras de fazê-lo sem prejudicar o próprio governo. E, ainda, porque mudança de equipe, por si só, nada significa de positivo ou negativo para os que a desejam.

A quase queima do seu ministério por Dilma colaborou para o diagnóstico de Marina Silva de que seus adversários "estão em quase desespero". Caso estejam, estão também precipitados. Com duas evidências disso.

Marina ainda está levada pelos ventos. Não precisa falar, e pouco ou nada fala. Ninguém sabe o que de fato pensa e pretende: o que seriam as primeiras indicações, liberadas como seu programa, é um conjunto de retalhos colhidos aqui e ali, várias acusados de plágio e contradição, sem costura e, portanto, sem formar um todo nítido e coerente. Não se expor assim é uma conduta produtiva. Aproveita os ventos favoráveis sem se submeter a riscos que ninguém está forçando. Mas se será suficiente até o fim, nada até agora sugeriu ou negou. Hipóteses em aberto, pois.

Quando, no início da semana, foi interpretado que Marina parara de subir, mantendo no novo Datafolha os mesmos 34% do anterior, seria preciso considerar o fato incomum de que, entre as duas pesquisas, o intervalo foi de apenas dois dias. A sondagem anterior deu-se nos dias 28 e 29 de agosto; a segunda, foi de 1 a 3 de setembro, feita com essa sobreposição por inexplicada encomenda da Rede Globo (como publicado pelo Datafolha). Sem fato relevante, o breve intervalo foi insuficiente para apresentar mudança, servindo sobretudo como um aval do Datafolha anterior, com Marina na mesma e o 1% favorável a Dilma, e contrário a Aécio, perdendo-se na margem de erro.

Tanto é perceptível, entre apoiadores de Aécio, a maior simpatia por Marina do que por Dilma, quanto se nota o aumento de ressalvas a Marina, quase sempre por falta de confiança. E os dois movimentos tendem a influir na definição de indecisos e na eventual transferência de votos.

Há estimativas, mas nem segurança mínima sobre o teto ou o potencial de crescimento de Marina. É possível que as novas pesquisas comecem a indicá-los. Assim como as últimas permitiam constatar que Marina não retirara voto de Dilma, o que é sugestivo. Com a queda de Aécio, que até em Minas o levou ao terceiro lugar, degradante para um ex-governador tão recente, não se está mais às cegas na disputa. Mas o resultado da eleição continua em aberto.

Janio de Freitas
No fAlha
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Vai embarcar nessa canoa furada?


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Santa Marina


Pataxó
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Delação premiada seria para alavancar Aécio e reverter tiro no pé de inflar Marina?


Tudo indica que a delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, é uma operação casada que envolve setores da Polícia Federal, que vazaram as informações, os tucanos e a velha mídia.

Para entender o está acontecendo neste momento é preciso voltar um pouco no tempo.

Com o intuito de detonar a reeleição de Dilma Rousseff, a candidata do PT à Presidência da República, a mídia insuflou exaustivamente a candidatura de Marina Silva, do PSB.

Só que o movimento midiático pró-Marina acabou sendo um tiro no pé da própria mídia. É que fragilizou demais o seu candidato preferencial, Aécio Neves, e o próprio PSDB. Está trazendo danos sérios às campanhas tucanas não apenas em Minas Gerais — lá Aécio está em terceiro lugar – mas também no Brasil. As bancadas do PSDB nas assembleias estaduais e na Câmara dos Deputados correm o risco de minguar muito, transformando a sigla num partido nanico.

Associa-se a isso o fato de Marina apresentar baixa possibilidade de sustentabilidade política e se negar a fazer acordos políticos.

O movimento da mídia está transparente no discurso de Aécio, que fala em PT 1 e PT 2, que seria a candidatura Marina.

A denúncia da Operação Lava Jato atinge o governo, fato, aliás, já sabido. Mas a novidade é que o pai da “nova política” aparece citado: Eduardo Campos.

As relações de Campos com Paulo Roberto Costa são antigas.


Isso é importante porque ajuda a jogar luz na história do avião de Campos.

Reportagem da Folha de S. Paulo dessa sexta-feira mostra que empresas que pagaram o avião do falecido governador de Pernambuco tiveram relação com o esquema do doleiro Alberto Youssef.

Diante dessas revelações, fica no ar que Aécio já sabe que poderá surgir o pedido de cassação da candidatura de Marina a qualquer momento antes das eleições.

Além disso, soma-se a preocupação do governador Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à  reeleição, de evitar um segundo turno, especialmente devido ao crescimento natural das candidaturas de  Alexandre Padilha (PT) e Paulo Skaf (PMDB).

Alckmin e a grande imprensa perceberam que o discurso do “vamos mudar tudo” pode ter impacto nas campanhas estaduais e fazer com que o PSDB paulista e o mineiro também sejam varridos nesse movimento.

Esse conjunto de fatores ajuda a compreender por que o tradicional denuncismo da mídia há 15 dias, uma semana antes da eleição, foi antecipado.  Até porque sem fato novo a candidatura de Aécio definhava a olhos vistos. Havia o recado  de que se esse cenário não mudasse 15 dias antes da eleição a candidatura tucana poderia virar pó.

Pior ainda para a direita que com a força de Dilma e do PT ainda preservada, conseguindo eleger bancadas de peso, associada ao possível enfraquecimento tucano, levaria Marina a negociar com o PT para ter governabilidade

Aparentemente, a mídia, ao constatar o tiro que desferir no seu próprio pé, começa a tentar fazer o caminho de volta.

Dessa maneira, o alvo agora também é Marina. Teremos um final de campanha arrepiante.

PS: Curiosamente, a mídia não publicou até o momento a relação completa dos parlamentares delatados talvez para preservar alguns aliados seus.

Lembro aqui as relações entre Luiz Argolo, do partido Solidariedade, que aparecia em negociações com o ex-delegado e deputado federal Fernando  Francischini, também do Solidariedade (ex-PSDB). Franchiscini, além de ser um dos canais de vazamento da Operação Lava Jato da Polícia Federal, é citado nela. Argolo, por sua vez, é acusado de ser sócio do doleiro Alberto Yousseff. Ou seja, Francischini, o acusador-mor, pode estar envolvido em todo este esquema.

Antônio de Souza
No Viomundo
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Essa é do Barão... 37


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