6 de set de 2014

O perigo dos escândalos de última hora


A prudência recomenda cautela contra denúncias divulgadas em véspera de eleição. O risco é óbvio: escândalos de última hora causam sensação na mesma medida em que prejudicam uma apuração serena. Hipóteses que não foram provadas ganham a fisionomia de fatos reais. Suspeitos — ou nem isso — logo são apontados como culpados.

Escândalos dessa natureza são mais difíceis de apurar e, muitas vezes, não há o interesse de esclarecer. O que se quer é o barulho.

É claro que estou falando da delação premiada de Paulo Roberto da Costa, o diretor da Petrobrás que está nos jornais e revistas — em breve estará na TV — fazendo uma delação premiada contra o PT e o governo Dilma.

Não custa lembrar que a suspeita mais consistente, até o momento, aponta para o próprio Paulo Roberto. Ameaçado de cumprir 30 anos de prisão por corrupção, ele tem todo interesse em diminuir a própria acusação em troca de denúncias que possam envolver políticos e autoridades.

Li num jornal que, se fizer o serviço direitinho, Paulo Roberto poderá, dentro de poucos dias!, voltar para casa com um chip no tornozelo.

Outro aspecto é que ninguém sabe o que ele disse — oficialmente. Sabemos de acusações que lhe são atribuídas pelos jornalistas mas não há denúncias entre aspas, assinadas, que poderiam ter um valor maior do que palavras impressas que tanto podem virar coisa séria como apenas embrulhar peixe na feira do dia seguinte.

O fato de que o depoimento de Paulo Roberto foi criptografado e se encontra guardado num computador que não pode ser acessado via internet torna o conteúdo da denúncia — e seu vazamento — ainda mais misterioso.

As informações são verdadeiras? Não se sabe — até porque não tivemos uma investigação com base em provas e outros indícios para atestar sua consistencia, ou não.

As informações estão sendo divulgadas com isenção, ou de forma seletiva, de acordo com a preferência politica de quem publica a história? Também não podemos saber antes de ter acesso ao conteúdo integral dos depoimentos.

O que sabemos é que entre as personalidades acusadas, nenhuma denúncia foi confirmada, por mais vaga que fosse. Os envolvidos desmentiram mas não receberam o devido crédito por suas palavras.

Você não precisa acreditar neles e achar que têm todo interesse em falar mentiras. Mas se é assim, por que acreditar que o delator sempre fala a verdade?

Estamos falando de reportagens que querem construir um pré-julgamento quando faltam quatro semanas até a eleição, o que torna a comparação com o mensalão de 2005, ensaiada por vários veículos, particularmente irônica.

Não custa lembrar que a suposta compra de votos do esquema Delúbio-Marcos Valério nunca foi demonstrada e o desvio de milhões de reais do Banco do Brasil é desmentido por todas as auditorias realizadas na instituição.

Restaram, é claro, as reportagens sobre o assunto e, graças a elas, um dos mais perversos exercícios de criminalização da atividade política.

Por que achar que dessa vez tudo está sendo feito corretamente? Temos uma “nova” midia, para fazer companhia a uma “nova” política?

Impossível saber. A experiência ensina que não se deve julgar aquilo que não se conhece, certo?

Já vimos este filme, que tem sempre o mesmo personagem. Em 1989, a campanha de Collor trouxe Lurian para o horário político, usando um depoimento comprado para acusar Lula.

Em 2006, a denúncia da AP 470 parecia sob encomenda para impedir a reeleição — mas não funcionou. Em 2012, o julgamento deveria atingir os candidatos do PT mas eleições municipais. Também não funcionou. 

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Quem massacrou a pobre torcedora do Grêmio?

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6370

Muitos estão com pena da torcedora do Grêmio que, com suas injúrias raciais, levou à exclusão do Grêmio da Copa do Brasil.

Leio aqui e ali que estão fazendo uma maldade com o Grêmio, que é tudo culpa da mídia, e com a guria.

Ela é bem crescidinha para saber o que estava fazendo.

Quem fez a maldade foi a torcida que ofendeu o goleiro do Santos.

Mas a moça merece atenuantes. Não agiu sozinha.

Se, de fato, como sustentam certos gremistas, o termo macaco não é usado por eles com intenção racista, por que não se apresentam na delegacia e dizem que cantaram  e gritaram também? Por que não lançam a campanha “somos todos Patrícia”?

Ela disse que só foi no embalo. Logo, havia embalo, mais gente estava fazendo o mesmo. Por que não assumem se era apenas um grito inocente no calor do jogo? Por que deixam uma única torcedora afundar sozinha? Por que não se solidarizam?

Por que se escondem? Por que negam? Por que deixaram a moça se ferrar sozinha?

Se o termo macaco não é gritado com conotação racista, por que não é usado para insultar goleiros brancos que fazem cera?

Por que não é gritado para jogadores brancos do Internacional, que adotou um macaquinho como mascote na tentativa de diluir com humor as brincadeiras de teor duvidoso enfrentadas ao longo do tempo e dos jogos?

O mascote do Santos não é macaco. O Inter não estava em campo.

A cena não é inédita. O Grêmio, que não é racista, não tomou providências consistentes antes. Depois do ocorrido, a atual direção foi nota dez. Atuou como deveria. Fez tudo certo. Identificou, suspendeu, entregou imagens. Só que era tarde. Pode ser que o Grêmio seja perdoado em instância superior. Não dizem que o Brasil é o país da impunidade? É o que muitos estão defendendo agora. Se isso acontecer, o racismo sairá mais uma vez vencedor. Apenas mais um capítulo numa longa história de panos quentes. O Grêmio não é o único clube brasileiro a ter torcedores que cometem atos racistas, mas foi o primeiro a ser punido. O importante é que outros venham a ser sancionados também. Tem gente tentando minimizar, relativizar, desculpar.

Aranha e todos os negros que já foram chamados de macacos em estádios de futebol merecem mais do que desculpas estratégicas ou sinceras. Merecem que os agressores recebam algum tipo de punição para que esse tipo de infâmia nunca mais aconteça. A imagem de qualquer clube de futebol é menos importante do que o combate ao racismo e a todo tipo de preconceito.

Essa imagem, de resto, deve ser preservada com atitudes permanentes contra manifestações preconceituosas.

A luta contra o racismo no mundo sempre teve algum fato detonador. Os agressores, enfrentados, sempre reagiram com o mesmo pseudoargumento: se todo mundo faz, por que eu vou pagar? Porque é preciso que se comece a pagar.

Os que sentem pena da moça, execrada enquanto seus cúmplices se escondem, sentem o que por Aranha?

Há quem não sinta assim tanta pena da moça, mas só queira livrar o Grêmio da parada. Os torcedores representam o clube da sua afeição. No caso, não há qualquer manipulação. Não eram infiltrados para prejudicar o Grêmio. Aqueles que persistiram no jogo seguinte passaram recibo. Enquanto muitos se preocupam com a imagem dos clubes, há algo mais importante com o que se preocupar: a imagem dos negros. É abominável que em 2014 grupos organizados chamem negros de macacos.

O resto é enrolation.

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Qual vai ser o impacto das acusações de Costa nas eleições?

Paulo Roberto Costa
Quanto as acusações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa pesarão nas eleições?

Preso por corrupção, Costa acusou um número incerto de políticos — as especulações variam entre 32 e mais de 60 — de serem beneficiários de um esquema de propinas em obras da Petrobras nos tempos em que ele foi diretor de abastecimento.

Ele decidiu fazer a chamada “delação premiada”, para reduzir substancialmente uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão.

Costa é uma amostra do preço das coligações pela governabilidade. Ele foi indicado para o cargo de diretor da Petrobras pelo PP, o partido de Maluf.

Ele já está na capa da Veja, conforme se poderia prever, com estardalhaço.

É provável que jornais e revistas se atirem sobre o caso com fúria, na esperança de minar a candidatura de Dilma.

A apatia da imprensa em escândalos como o do helicóptero dos Perrellas e o do aeroporto de Cláudio, para não falar das propinas do metrô de São Paulo, tende a se substituir por uma entusiasmo frenético na cobertura da delação de Costa.

Cuidados jornalísticos elementares serão ignorados. Já estão sendo, aliás. Em alguns sites, a palavra de Costa é tomada como a última expressão da verdade, muito antes de qualquer investigação.

Torça para não estar na relação, porque você não seria acusado, mas culpado antecipadamente.

Minha convicção é que o impacto das acusações nas eleições será menor, bem menor, do que gostariam os antipetistas.

A indignação, real ou fingida, vai atingir os que chamam os petistas de petralhas. São os eleitores de Aécio, no primeiro turno, e de Marina, no segundo.

Eles votariam em qualquer coisa para tirar o PT do poder. Detestam o lulipetismo, o bolivarianismo, o dilmismo — em suma, qualquer coisa que remeta ao PT.

Eles não precisam das acusações de Paulo Roberto Costa, ou de quem quer que seja, para militar e votar contra os “petralhas”.

Do outro lado, quem está com Dilma dificilmente se movimentará para outro candidato.

Há uma justa desconfiança das intenções por trás de denúncias de corrupção.

Ao longo da história recente, escândalos — muitas vezes simplesmente inventados, e outras tantas brutalmente ampliados — foram a arma da mídia para desestabilizar governos populares.

De Getúlio a Jango, de Lula a Dilma, tem sido sempre a mesma história.

As delações de Costa devem ser apuradas, e os culpados punidos. Ponto.

Mas daí a manipular o público para favorecer os privilegiados de sempre vai uma longa distância.

O povo parece ter percebido isso, nos últimos anos, e eis uma avanço de consciência que deve ser saudado.

Paulo Nogueira
No DCM
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Plano para desistir do Brasil


Não havia muitas esperanças, mas a divulgação do plano de governo da candidatura Marina Silva superou as piores expectativas.

O “plano” não passa de amontoado de clichês conservadores e propostas ortodoxas requentadas, temperado, como convém à suposta terceira via, pelo molho ralo da pseudo “nova política” e por um ambientalismo conservador que mal disfarça a sua incompatibilidade com o desenvolvimento sustentável. Entenda-se “plano”, no caso, como mera licença poética para caracterizar um discurso vago e dúbio, sem métrica, sem rima e sem lógica consistente.

O prato servido tem até uma aparência convidativa, mas é francamente indigesto.

No caso da política externa, o plano é decididamente tóxico para os interesses nacionais. Com certeza, foi preparado pelos mesmos chefs que fizeram o plano rançoso da candidatura Aécio Neves. Pode-se até perguntar se uma pagou direitos autorais à outra.

Em primeiro lugar, o “plano” repete os mesmos clichês neopositivistas sobre o caráter “ideológico” e “partidarizado” da política externa dos governos do PT. Assim, lá pelas tantas nos deparamos com esta pérola: "por lidar com aspirações permanentes do país e implicar compromissos de Estado, a política externa não pode ser refém de facções ou agrupamentos políticos. Surpreende o recurso nos últimos anos a diplomacias paralelas”.

Ora, os compromissos de Estado não caem do céu e as aspirações permanentes do país não surgem de um grupo seleto de metafísicos. Como toda política, as diretrizes e prioridades de uma política externa são definidas em eleições, que escolhem, de forma legítima, os representantes do povo. Isso se chama democracia, a melhor forma de fazer política.

Os conservadores, como os da candidatura Marina, acham que as políticas que resultam de governos de direita são escolhas técnicas, racionais e legítimas, da política econômica à política externa, ao passo que as escolhas feitas pelos governos progressistas ou de esquerda são invariavelmente “ideológicas”, “irracionais”, “partidarizadas” e “ilegítimas”. Isso se chama “pensamento único”, a forma mais autoritária de se fazer política.

No caso da política externa brasileira, a surrada crítica conservadora que a candidatura Marina reproduz como disciplinado psitacídeo, mistura, além dos velhos clichês do pensamento único e do neopositivismo, uma folclórica teoria da conspiração. Haveria uma “diplomacia paralela”, conduzida por uma espécie de Rasputin da política externa, que tira a diplomacia oficial brasileira de seu “leito natural”.

Isso daria um excelente seriado político, como o House of Cards, mas uma péssima tese sobre o que de fato ocorreu com a política externa do Brasil, nos últimos anos.

Nos tempos do PSDB, tínhamos uma política externa que privilegiava as relações com a única superpotência mundial (EUA) e com as potências tradicionais. Dava-se uma grande ênfase ao eixo Norte-Sul da nossa diplomacia e uma baixa ênfase ao eixo Sul-Sul, às parcerias estratégicas com países emergentes e à integração regional. Buscávamos a chamada “autonomia pela integração”, isto é, a inserção apressada e acrítica na “globalização” assimétrica, inclusive com a perspectiva de acordos de livre comércio com as economias mais avançadas.

Coerentemente com o ideário do Consenso de Washington, considerava-se que essas escolhas em política externa, combinadas com as políticas internas que conduziam à abertura da economia e a redução do papel do Estado, levariam o Brasil a um ciclo econômico e político marcado pelo grande crescimento, pela prosperidade e pelo aumento do protagonismo internacional do país.

Não foi isso o que aconteceu. Na realidade, aconteceu o contrário. Acumulamos grandes déficits comerciais, crescimento sistematicamente baixo, aumento da nossa vulnerabilidade externa, permeada por crises periódicas, e redução da nossa participação no comércio mundial e do nosso protagonismo internacional. Gerou-se um círculo vicioso entre as políticas internas que aumentavam nossa dependência econômica, inclusive de capitais especulativos, e a política externa que nos fragilizava política e diplomaticamente. Em outras palavras: a “autonomia pela integração” não produziu nem maior integração, nem maior autonomia. Fracassou.

Os governos do PT implantaram outra política. Passou-se a dar ênfase maior à cooperação Sul-Sul, a integração regional e à diversificação das nossas parcerias com países emergentes, sem abandonar, contudo, as parcerias tradicionais.

Desmontou-se a bomba-relógio da ALCA e de outras iniciativas, com a dos acordos bilaterais de proteção de investimentos, e investiu-se na articulação de interesses dos países em desenvolvimento nos grandes foros globais.

Ao contrário do que se diz, essa política, que pode ser definida como a da “autonomia pela diversificação”, não foi um erro ideológico conduzido por uma diplomacia partidarizada, mas sim um êxito pragmático, legitimamente liderado por dirigentes democraticamente eleitos e por uma fortalecida burocracia diplomática.

Fortalecida por concursos públicos de vulto e por plano de carreira consistente, agregue-se.

Com efeito, os seus resultados são muito melhores, apesar das dificuldades recente ocasionadas pelo acirramento da crise global e a estagnação do comércio mundial que se verifica desde o segundo trimestre de 2011.

No período paleoliberal, acumulou-se um déficit US$ 8, 6 bilhões. Nos governos do PT, acumulou-se um superávit que já chega a US$ 312 bilhões. Esses vultosos superávits foram fundamentais para reverter nossa vulnerabilidade externa e para amealhar cerca de US$ 380 bilhões de reservas internacionais, em contraste com os US$ 38 bilhões que o país tinha ao final de 2002. Pagou-se a dívida externa e nos livramos do FMI. Ao mesmo tempo, fortaleceu-se o Mercosul, ampliou-se a integração regional, com a Unasul e a CELAC, articulou-se o grupo dos BRICS e os interesses dos países em desenvolvimento na OMC. Hoje, o Brasil é um ator internacional de primeira linha, voz ativa que se faz respeitada em todos os foros mundiais.

Assim, o círculo vicioso anterior de aumento da fragilidade econômica e diminuição do protagonismo internacional foi substituído por um círculo virtuoso de fortalecimento econômico-social e incremento da projeção de nossos interesses no exterior.

Mas os planos das candidaturas Marina/Aécio (são intercambiáveis) são voltar ao status quo ante.

Desse modo, investe-se contra o Mercosul, em razão de seu suposto “imobilismo”. Embora o plano da candidatura Marina reconheça que o comércio intrarregional cresceu muito e que tem a vantagem de estar concentrado em produtos industrializados, ele reitera a crítica desinformada que de que o Mercosul, com sua união aduaneira, impede uma maior participação do Brasil nos fluxos internacionais de comércio. Quanto a essa “tese”, basta dar uma simples aferida na comparação do crescimento das nossas exportações, vis a vis o aumento das exportações mundiais. Entre 2003 e 2013, as primeiras cresceram cerca de 300%, ao passo que as segundas limitaram seu aumento a 180%.

Além de errar quanto ao imobilismo, o plano também erra ao atribuí-lo exclusivamente à Argentina, nosso principal parceiro do Mercosul, e ao propor a extinção da negociação em conjunto, já que as regras do bloco assim o permitiriam.

Na realidade, até bem pouco tempo a nossa indústria tinha grandes reservas e cautelas quanto a um acordo de livre comércio com, por exemplo, a União Europeia, dada à assimetria entre a economia do Brasil e a de países como a da Alemanha, por exemplo. Só muito recentemente, os setores mais
internacionalizados dessa indústria se mostraram mais abertos a um acordo desse tipo. Além isso, o nosso agronegócio quer uma abertura bem maior do mercado agrícola europeu, protegido por uma montanha de subsídios e de barreiras tarifárias e não-tarifárias, aos nossos competitivos produtos. Jogar a culpa na Argentina é fácil, mas equivocado.

Não basta querer fazer livre comércio. É necessário que o acordo resultante seja bom para nossos interesses. É preferível não fazer acordo que fazer um acordo ruim.

Há países que têm estratégia diferente. O México, por exemplo. Esse país celebrou mais de 30 acordos de livre comércio, inclusive com os EUA e Canadá (NAFTA) e a União Europeia, com resultados muito ruins. Além do óbvio aumento da dependência do México em relação aos EUA, o livre-cambismo quimérico conduziu também a um crescimento econômico bem mais baixo que o do Brasil e a um aumento da pobreza. Nos primeiros 10 anos deste século, o PIB per capita (PPP) do México cresceu apenas 12%, ao passo que o do Brasil cresceu 28%. Hoje em dia, aquele país tem 51% da sua população abaixo da linha da pobreza, enquanto que o Brasil conseguiu reduzir essa porcentagem para 15,9%.
Portanto, percebe-se que o ativismo comercial ingênuo do México provocou imobilismo econômico e regressão social, ao passo que o suposto imobilismo comercial do Brasil e do Mercosul produziu maior crescimento econômico e substanciais progressos sociais. Quem fez a melhor aposta estratégica? Não adianta nada ingressar “nas cadeias produtivas globais”, como deseja o plano, na condição de maquilador e produtor de insumos básicos para agregação de valor em outros países. Não adianta nada subir no “bonde da História”, como o plano propõe, se o vagão a nós proposto for o da segunda classe.

Quanto à necessidade da negociação conjunta no Mercosul, ela não está simplesmente numa mera resolução do Conselho de Ministros de Relações Exteriores, “passível de pronta revogação”, como diz o plano, mas no artigo 1º do Tratado de Assunção, o qual estipula, entre outras coisas, que Mercado Comum implica “o estabelecimento de uma tarifa externa comum e a adoção de uma política comercial comum em relação a terceiros Estados ou agrupamentos de Estados e a coordenação de posições em foros econômico-comerciais regionais e internacionais”.

Pode-se, é claro, estabelecer diferentes velocidades de desoneração tarifária e tratamento diferenciado na celebração de acordos, como se fez, muitas vezes, na assinatura de acordos intraregionais e nos acordos da OMC, mas não se pode negociar separadamente, como o plano propõe. Isso seria, na prática, o fim da união aduaneira. Seria, na realidade, o fim do Mercosul. No fundo, a proposta é essa mesmo: transformar o Mercosul em mera área de livre comércio. Aécio o disse claramente. A candidatura Marina o afirma nas entrelinhas, como de hábito.
Esse é o “regionalismo aberto” que os conservadores querem. Sonham com acordos de livre comércio com os países que “importam”, os EUA e os países europeus, como forma de retomar o crescimento e ingressar na “globalização”. Essa estratégia não deu certo no passado e não dará certo agora.

Ressalte-se que esses acordos não contêm apenas propostas de desoneração tarifária estrito senso. Na realidade, eles contêm também cláusulas relativas à propriedade intelectual, que podem comprometer nosso desenvolvimento tecnológico, cláusulas relativas à proteção dos investimentos externos, que podem impedir ou dificultar estratégias relativamente autônomas de desenvolvimento, dispositivos para abertura das compras governamentais, instrumento poderoso de dinamização da produção doméstica, e cláusulas relacionadas aos serviços, inclusive aos serviços financeiros, as quais podem contribuir para uma maior desregulamentação desse setor crucial. O plano da candidatura Marina parece desconhecer todas essas questões relevantes.

Mas a coisa não para por aí. Quanto aos BRICS, grupo fundamental para os interesses estratégicos do Brasil, o plano, embora reconheça a sua importância para um mundo multipolar, adverte que “não podemos, todavia, desconsiderar as diferenças nas agendas econômica, política, cultural e ambiental dos Brics, assim como na pauta de direitos humanos e liberdades civis de cada um dos países do bloco”.

Ora, para bom entendedor, meia palavra basta. O que se propõe aqui é um relativo afastamento do Brasil dos BRICS, em razão das “diferenças de agenda”, principalmente no campo ambiental e dos direitos humanos, justamente no momento em que esse grupo se consolida e se apresenta como alternativa aos antigos centros de poder mundiais. Isso é música para os interesses hegemônicos das grandes potências tradicionais.

A candidatura Marina parece querer aderir, assim, à política de indignação seletiva usada pelos EUA e aliados para condenar países que não são considerados “amistosos” e para legitimar a sua dominação geopolítica. O plano deixa isso claro, nas entrelinhas, quando afirma que:

“Se essas preocupações (preocupações quanto aos valores da democracia e dos direitos humanos) devem orientar posicionamento do Brasil diante do que ocorre na Crimeia, na Síria e nos diferentes casos e temas submetidos à atenção do Conselho de Segurança, do Conselho de Direitos Humanos e dos fóruns sociais e ambientais das Nações Unidas, são igualmente relevantes para as relações com nossos vizinhos, até porque refletem uma experiência de amadurecimento democrático pela qual também passou a maior parte dos países latino-americanos.”

Obviamente, a menção à Crimeia e à Síria não é aleatória. O que se propõe é o alinhamento do Brasil aos interesses geopolíticos e geoestratégicos do EUA e aliados, sob a desculpa da defesa dos valores da democracia e dos direitos humanos. Nesse contexto, faz todo sentido a declaração beligerante da candidata sobre o “chavismo que tomou conta do Brasil”. Resta ver que países da América do Sul a política externa da candidatura gostaria de condenar, com base no alinhamento a esses interesses. Venezuela? Bolívia?

Provavelmente, essa seria a base política para o que o plano chama de diálogo maduro, equilibrado e propositivo com Washington, que não dramatize diferenças naturais entre parceiros com interesses econômicos e políticos reconhecidamente amplos.

Diga-se de passagem, os governos do PT, ao contrário do que dizem os críticos desinformados, sempre procuraram manter uma relação desse tipo com os EUA.

Em 2003, o Brasil propôs, justamente para sanar o impasse em torno da Alca ampla e impositiva, uma Alca flexível e à la carte, com cada país e bloco se inserindo nos acordos, conforme as suas possibilidades e potencialidades. Os EUA recusaram, preferindo impor a negociação em bloco para todo o hemisfério e com todas as cláusulas extra-comércio.

Agora, a presidenta Dilma seria recebida em Washington, pela primeira vez na História, com honras de Chefe de Estado, justamente para tentar colocar as relações bilaterais Brasil/EUA num estágio mais propositivo e respeitoso. No entanto, foi surpreendida com o profundo desrespeito da espionagem contra o governo, empresas e cidadãos do país. O texto da candidatura não menciona esses e outros fatos, preferindo construir, nas entrelinhas, o falso discurso de que tais relações não se aprofundam em razão de uma teimosia ideológica do Brasil.

A bem da verdade, o plano, além de não mencionar alguns fatos importantes, distorce outros.

Por exemplo, o plano insinua que, daqui para frente os países emergentes não serão mais o polo dinâmico da geoeconomia mundial, o que aconselharia a mencionada da volta da diplomacia brasileira ao seu “leito natural”.

Pois bem, a OMC não concorda com isso. O último relatório dessa organização sobre comércio mundial, de 2013, contém simulações (precárias, como quaisquer simulações), as quais indicam que as exportações dos países em desenvolvimento tendem a crescer entre duas a três vezes mais que as exportações dos países desenvolvidos até 2030, num cenário “não-protecionista”. A nova etapa da crise mundial, que começa a afetar também os países em desenvolvimento, não parece ter modificado a tendência estrutural de um maior dinamismo dos países emergentes.

Para o Brasil, que tem grandes vantagens comparativas na produção de alimentos, cuja demanda não arrefece; na produção de energias alternativas, um setor que tende a crescer muito; no setor de hidrocarbonetos, cujos preços tendem a permanecer altos, mesmo com o shale oil; em biotecnologia, papel e celulose e vários outros, essa tendência mantém aberta uma “janela de oportunidades” para a promoção do aumento da nossa competitividade no setor industrial e de serviços e para a consolidação de um novo ciclo de crescimento.

Dessa forma, o Brasil poderá continuar a aproveitar as suas grandes vantagens comparativas nessas áreas e persistir, exitosamente, em sua ênfase na integração regional, na cooperação Sul-Sul e nas parcerias estratégicas com outros países emergentes e em desenvolvimento. As grandes tendências geoeconômicas mundiais assim o recomendam.

Por conseguinte, as maiores ameaças à nova e exitosa política externa parecem provir não de mudanças estruturais significativas na geoeconomia e no cenário internacional, como o plano insinua, mas sim da conjuntura política interna, como a apresentada pela candidatura Marina.

O plano de Marina, no campo interno, parece querer desistir da política monetária pública (autonomia do Banco Central), e também dos empregos e salários. Parece também desistir do Pré-Sal e da consequente alavancagem do nosso desenvolvimento, da nossa Educação, e da nossa Saúde. Insinua, nas entrelinhas, um questionamento do desenvolvimento sustentável que parece desistir de um crescimento mais acelerado.

No plano externo, parece querer desistir do Mercosul como mercado comum, dos BRICS e da utilização da política externa como real mecanismo para o nosso desenvolvimento, preferindo repetir a aposta fracassada em apressados acordos de livre comércio com as potências tradicionais. No fundo, é uma desistência da soberania, em nome de um internacionalismo acrítico e de um humanismo planetário.

Assim sendo, trata-se de uma poderosa receita para se desistir do Brasil.

Marcelo Zero - Sociólogo, especialista em relações internacionais
Demarchi
No GGN
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Advogado do PSB não entrega documentação do jato que matou Eduardo Campos


Administrador financeiro da campanha à Presidência da República de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em 13 de agosto, na cidade de Santos, em São Paulo, o tesoureiro Renato Thièbaut comunicou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o próprio candidato geria pessoalmente as principais doações recebidas. As informações constam na petição encaminhada à Justiça Eleitoral pelo advogado Ricardo Penteado, contratado pelo PSB. A afirmação foi feita para justificar, até o momento, a não inclusão do jato Cessna Citation, usado por Eduardo desde o início da campanha, na segunda prestação de contas encaminhada ao TSE em 2 de setembro.

“O candidato geria algumas tratativas de sua campanha, em especial doações em valores estimáveis, sendo certo que detinha pessoalmente o controle, documentação e informações sobre as mesmas”, alega no documento. O advogado Ricardo Penteado havia informado ao Correio que a aeronave entraria na prestação de contas que o TSE divulga hoje. No entanto, o avião não foi incluído.

A alegação é de que os documentos necessários para apresentação ao TSE não foram recolhidos ainda. “O peticionário (Renato Thièbaut) assumiu a qualidade de administrador financeiro apenas em 1º de agosto, sendo certo que várias movimentações contábeis ocorreram originalmente antes dessa data e não estavam ao alcance do seu conhecimento”, comunica Penteado na petição.

No mesmo documento, o advogado repete que “o uso dessa aeronave persistiria durante bom tempo na campanha, findo o qual seriam apuradas todas as horas utilizadas (que eram registradas pelos pilotos) para efeito da estimativa orçamentária e emissão do recibo eleitoral respectivo”, detalha.

Oficialmente, a aeronave pertencia ao grupo de usineiros AF Andrade, com sede em Ribeirão Preto (SP). Os sócios Alexandre e Fabrício Andrade comunicaram, em depoimento à Polícia Federal, que o jato havia sido comprado pelos empresários pernambucanos João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, Apolo Santana Vieira e Eduardo Ventola. A parte inicial do pagamento foi realizada em 16 depósitos bancários, que totalizaram R$ 1,71 milhão. O valor total era R$ 18,5 milhões. Há duas semanas, o Jornal Nacional mostrou que empresas de fachada realizaram os depósitos.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, uma das empresas que fizeram o pagamento para comprar o Cessna fechou negócios com uma consultoria fantasma que seria controlada pelo doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava-Jato, deflagrada pela Polícia Federal em março deste ano. O PSB alega que nem o partido nem Eduardo Campos tinham conhecimento da relação do doleiro com uma das empresas que depositaram na conta da AF Andrade.

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No Programa da Independência, Dilma diz que Marina ameaça desmontar o Brasil


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¿Sotloff, víctima o socio de terroristas?

Los periódicos israelíes informaron el viernes que el periodista Steven Sotloff, era de origen israelí y luchaba junto a terroristas del grupo takfirí EIIL (Daesh, por sus siglas en árabe). Dichas fuentes declaran que este periodista utilizaba su pasaporte estadounidense solo para entrar y salir de países árabes. Los mismos medios de comunicación dieron a conocer imágenes de esta persona luchando en Siria contra el Gobierno de Damasco e informaron de que las emisiones de su decapitación, son solo falsedades. Una de las razones que confirman la simulación de estas imágenes, son las sombras que debían de concordar, pero en las emisiones se puede observar que el asesino tiene sombra y Steven no. Según muestra un video colgado en Internet, el grupo takfirí Daesh decapitó al periodista estadounidense Steven Sotloff, de 31 años, secuestrado en 2013 en Siria. Tahere Badakhsh, para la voz exterior de la República Islámica de Irán



No Irib
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Noam Chomsky habla sobre la ofensiva israelí contra Gaza y el apoyo estadounidense a la ocupación


Horrible. Sádico. Cruel. Asesino. Así es como Noam Chomsky describe los 29 días de ofensiva israelí sobre Gaza, que mató a casi 1.900 personas y dejó a casi 10.000 personas heridas. Chomsky ha escrito extensamente sobre el conflicto israelí-palestino. Después de la operación israelí de 2008-2009 conocida como «Plomo Fundido», escribió el libro "Gaza en crisis: Reflexiones sobre la guerra de Israel contra los palestinos", en coautoría con el académico israelí Ilan Pappé. Entre sus otros libros sobre el conflicto israelí-palestino, se pueden destacar: "¿Paz en oriente medio? Reflexiones sobre justicia y nacionalidad" y "El triángulo fatal: Estados Unidos, Israel y Palestina". Chomsky es un disidente político, lingüista y escritor de renombre mundial. También es profesor emérito del Instituto Tecnológico de Massachusetts, donde enseña hace más de 50 años.



No Rebelión.org
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As ligações de Paulo Roberto da Costa

Site do PSB revela que Eduardo Campos negociava pessoalmente com empresários contratados por Paulo Roberto Costa para atuar em SUAPE



Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, preso por lavagem de dinheiro na Operação Lava-Jato da Polícia Federal, Paulo Roberto Costa, era presença constante em Pernambuco. Nesse registro, feito pelo Blog de Política do Diário de Pernambuco, de 2010, o governador Eduardo Campos e o então secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Fernando Bezerra Coelho, assinaram, juntamente com Paulo Roberto Costa, contrato a empresa americana Oxbow Carbon Minerals, para a construção de uma calcinadora de coque, a ser produzido na RENEST. A assinatura do contrato foi celebrada pelo Partido do governador de Pernambuco, em seu site, que revelou ter sido Eduardo Campos, em pessoa que, durante viagens a Holanda e aos Estados Unidos costurou os contratos entre a empresa americana e a estatal brasileira, para se tornar fornecedora da Petrobras.

Eis a notícia: Suape atrai mais uma empresa para Pernambuco O Porto de Suape continua a atrair investidores de várias partes do mundo. Nesta segunda-feira (5) foi a vez da empresa americana Oxbow Carbon Minerals LLC assinar dois acordos com a Petrobras para instalação de uma unidade de beneficiamento de coque um subproduto do petróleo que será produzido na Refinaria Abreu e Lima (RAL). O acordo para trazer a Oxbow para Pernambuco começou a ser costurado ainda em 2007, durante visitas do governador e presidente Nacional do PSB, Eduardo Campos, a escritórios da empresa em Miami (EUA) e Roterdã (Hol). Os investimentos para a implantação de uma calcinadora giram em torno de R$ 350 milhões. A unidade irá transformar o coque verde em coque em pó. Apenas São Paulo detém este tipo de serviço em todo o país.O governador Eduardo Campos explicou que a parceria entre a Oxbow e a Petrobras trará mais valor agregado ao coque saído da Refinaria Abreu e Lima. A Oxbow está desenvolvendo as modelagens e as possibilidades do que poderia ser uma planta como a que eles estão pensando em montar.

A expectativa é da geração de 300 empregos diretos, disse Eduardo, após o evento realizado em Suape e que reuniu o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o presidente da RAL, Marcelino Guedes e o presidente da Tecop, subsidiária da Oxbow no Brasil, Jan Ruijsenaars.Do total de petróleo que entra numa refinaria, o coque combustível utilizado também na produção do aço representa entre 5% e 10%. A Oxbow é uma empresa americana com mais de 100 anos de atuação e representada em todos os continentes com 20 escritórios. É a maior distribuidora de coque de petróleo do mundo, com remessas anuais de quase 11 milhões de toneladas. Em Suape, a produção pode chegar a 500 mil toneladas/ano.


Segundo matéria da Revista “Epoca" que chegou às bancas ontem, Costa era considerado uma "herança maldita", pela presidenta Dilma Rousseff, por ser o "homem dos políticos na Petrobras. Ainda segundo a Revista, Dilma não gostava de Costa, mas não conseguia derrubá-lo. De acordo com a reportagem da Revista Época, entre 2001 e 2012, Costa foi o mais influente diretor da Petrobras. Comandava a área de abastecimento e refino da empresa, além das operações de compra e venda de combustíveis e obras em refinarias. Negociava contratos para a construção de novas usinas e para reparos nas antigas."Nunca recusou um pedido político". Afirma a reportagem de Época, segundo a qual, "Para os políticos, a diretoria de Costa na Petrobras era uma Disneylândia, repleta de ricas possibilidades. "Época afirma que Paulo Roberto Costa tinha autorização de Lula para tocar os contratos bilionários de construção - todos com indícios de superfaturamento, segundo o próprio TCU, das refinarias erguidas pela Petrobras. De fato, consultando os contratos da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, sob auditoria do TCU encontramos uma situação escandalosa.Inicialmente orçada para custar R$ 8,5 bilhões, a Refinaria do Nordeste Abreu e Lima – Rnest teve esse valor foi praticamente triplicado, desde que iniciada a obra, em 2007. Estima o próprio governo que o custo final da Rnest poderá chegar a R$ 26,5 bilhões (R$ 4,5 bilhões de 2007 a 2010, R$ 21,1 bilhões de 2011 a 2014 e R$ 941 milhões após o ano de 2014).

Das causas para o aumento desproporcional do custo da Rnest, já se sabe, com certeza matemática, que pelo menos R$ 1.544.443.935,85 são fruto de superfaturamento nos contratos celebrados pela Petrobrás com as empreiteiras responsáveis pela construção da Refinaria.

Isso mesmo! O TCU, por meio de Auditoria realizada já agora, em 2012, confirmou levantamentos anteriores que davam conta de sobrepreço nos contratos celebrados entre a Petrobrás e as empresas Norberto Odebrecht, Camargo Correia, Queiroz Galvão, OAS, IESA,CNEC e CONDUTO, referentes às obras da Refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, Pernambuco. Como os pagamentos já foram realizados, o que inicialmente se caracterizou como sobrepreço passou a ser definido como verdadeiro superfaturamento, com grave potencial de causar danos ao Erário, conforme conclusão do próprio TCU (2):

Contrato 0800.0033808.07.2, 9/8/2007, Projeto e execução de terraplenagem e serviços complementares de drenagens, arruamento e pavimentação, Consórcio Refinaria Abreu e Lima (Norberto Odebrecht/Galvão/ Camargo Correia/Queiroz Galvão).SUPERFATURAMENTO: R$ 96.346.106,94;

Contrato 0800.0053456.09-2, 28/1/2010, Serviços e fornecimentos necessários à implantação das Unidades de Destilação Atmosférica - UDA (U-11 e U-12), da Refinaria Abreu e Lima S.A - RNEST, compreendendo os serviços de construção civil, montagem eletromecânica, fornecimento de materiais, fornecimento parcial de equipamentos, preservação, condicionamento, testes, pré-operação, partida, assistência técnica à operação, assistência técnica e treinamentos na Refinaria Abreu e Lima S.A - RNEST, Consórcio Rnest-Conest (Empresas Odebrecht e O.A.S.).SUPERFATURAMENTO: R$ 133.082.906,66;

Contrato 0800.0053457.09.2, 5/2/2010, Unidades de Coqueamento Retardado (U-21 e U-22) suas subestações e Casas de Controle, suas Seções de Tratamento Cáustico Regenerativo (U-26 e U-27), incluindo fornecimento de materiais, fornecimento parcial de equipamentos, construção civil, montagem eletromecânica, preservação, condicionamento, testes, pré-operação, partida, assistência à operação, assistência técnica e treinamentos na Refinaria do Nordeste Abreu e Lima - RNEST, (Consórcio Camargo Corrêa – Cnec)SUPERFATURAMENTO: R$ 522.638.923,70;

Contrato 0800.0055148.09-2, 9/2/2010, Unidades de Hidrotratamento de Diesel (U-31 e U-32), de Hidrotratamento de Nafta (U-33 e U-34) e de Geração de Hidrogênio UGH (U-35 e U-36), incluindo fornecimento de materiais, fornecimento parcial de equipamentos, construção civil, montagem eletromecânica, preservação, condicionamento, testes, pré-operação, partida, assistência à operação, assistência técnica e treinamentos na Refinaria do Nordeste Abreu e Lima S.A - RNEST, Consórcio Rnest-Conest (Empresas Odebrecht e O.A.S.).SUPERFATURAMENTO: R$ 351.443.396,04;

Contrato 0800.0057000.10-2, 16/4/2010, Serviços e fornecimentos necessários à implantação das tubovias de interligações da RNEST compreendendo os serviços de análise de consistência do projeto básico, projeto de detalhamento, fornecimento de materiais, fornecimento parcial de equipamentos, construção civil, montagem eletromecânica, preservação, casa de bombas, condicionamento, testes, pré-operação, partida, assistência à operação, assistência técnica e treinamentos na Refinaria do Nordeste Abreu e Lima - RNEST, Consórcio  C II - Ipojuca Interligações (Constituído Pela Empresas Queiroz Galvão e Iesa).SUPERFATURAMENTO: R$ 316.951.565,62;

Contrato 0800.0055153.09.2, 4/1/2010, (DUTOS) Serviços e fornecimentos necessários à implantação dos dutos de recebimento e expedição de produtos da RNEST, compreendendo análise de consistência do projeto básico, projeto de detalhamento, fornecimento de materiais, fornecimento de equipamentos, construção civil, instalações elétricas, montagem eletromecânica, preservação, condicionamento, testes, apoio à pré-operação e operação assistida, na Refinaria do Nordeste - Abreu e Lima - RNEST, no município de Ipojuca/PE., Conduto - Companhia Nacional de DutosSUPERFATURAMENTO: R$ 123.981.036,29.

   

Ainda segundo a reportagem da Época, Dilma, que não gostava de Costa, tentava derrubá-lo a todo custo, mas os políticos a quem ele prestava favores a impediam. Só conseguiu apeá-lo do cargo em 2012, para desespero geral da base aliada. Será por isso que Eduardo Campos tem atacado Dilma com tanta fúria com acusações de que ela está desfazendo tudo que Lula fez?

Mas o desespero em políticos de todas as colorações partidárias mesmo bateu foi com a prisão do ex-diretor, durante a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, no último dia 21, por suspeita de envolvimento em operações de lavagem de dinheiro que movimentaram R$ 10 bilhões.

Na casa de Paulo Roberto Costa, os agentes apreenderam R$ 700 mil em dinheiro e US$ 200 mil e ainda encontraram uma Land Rover, que ele recebeu de presente do doleiro Alberto Youssef, também pela mesma, como chefe do esquema.

A PF afirma que Paulo Roberto foi preso porque em grampos foi flagrado tentando destruir provas. Paulo Roberto também é investigado por envolvido no escandaloso caso da compra da Refinaria americana, em Pasadena.

Durante a Operação Lava-Jato, foram apreendidas 36 "pen drives", um disco rígido e vários documentos na casa de Costa, cujo conteúdo promete ser explosivo, já que Costa foi preso tentando destruí-lo. Entre os documentos apreendidos com o doleiro Yousseff, considerado um dos operadores do esquema de propinas do ex-diretor da Petrobras, está uma planilha onde eram contabilizava os pagamentos de "comissões" envolvendo obras da Petrobras. Nessa planilha está registrado um cliente sob a sigla CNCC, contabilizando pagamentos de R$7,9 milhões. Segundo a Polícia revelou à Veja, em matéria publicada ontem, a sigla seria uma referência à Construtora Camargo Correia, uma das responsáveis pelas obras atrasadas e superfaturadas de Abreu e Lima:

    

http://noeliabritoblog.blogspot.com.br/2014/03/site-do-psb-revela-que-ed...

Antonio Ateu
No GGN
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“Visão” de sigla levou Marina a amenizar doença, diz biógrafa de candidata

Casa em que Marina Silva morou em Rio Branco, hoje com propaganda de candidato petista a deputado estadual na porta
Reconheço meu fascínio pessoal pela história de Marina Silva, uma verdadeira sobrevivente, saúde sempre muito frágil, alfabetizada aos 16 anos de idade pelo Mobral, estudante e professora de História, que quase se tornou freira antes de entrar no Partido Revolucionário Comunista — abrigando-se no PT. Militante fundadora da CUT no Acre, tornou-se a mais jovem senadora do Brasil. Depois, migrou para o PV e agora está no PSB. Do catolicismo flertou com o ateísmo para, mais tarde, tornar-se evangélica. Parece, mesmo, predestinada, da mesma forma que Lula.

Já disse que, dadas outras condições políticas, poderia até votar nela — por exemplo, contra Aécio Neves. Porém, isso se tornou uma impossibilidade diante do programa neoliberal do PSB, que entre outras medidas prevê autonomia do Banco Central. Em minha modesta opinião, isso representa a importação do arrocho e da perda de direitos vivida hoje pelos europeus e uma entrega de soberania mais profunda inclusive que o leilão de Libra patrocinado pela petista Dilma Rousseff.

Fernando Henrique Cardoso tinha uma sólida base de industriais paulistas quando governou, Lula se propôs a fazer a conciliação de classes e se rendeu ao agronegócio — embora com concessões à agricultura familiar —, mas tinha sólida base no operariado paulista e em movimentos sociais quando se elegeu, além do apoio da igreja católica.

O apoio de Marina se concentra em ONGs ambientalistas — e não são todas, já que ela foi abandonada por muitos ‘verdes’ —  e numa Rede que não conseguiu se organizar como partido. Como a própria indústria brasileira tem tido participação proporcional decrescente no PIB, presumo que ela e o PSB tenham decidido fazer do mercado financeiro sua base principal de sustentação.

Há toda uma filosofia por trás do discurso de Marina, que não pode ser analisado superficialmente, mas com certeza inclui como um de seus paradigmas a busca do consenso como forma de superar a luta de classes. Isso reflete exatamente a trajetória de Marina, tanto política quanto religiosa. A candidata obviamente abandonou o marxismo do PRC e parece abraçar uma espécie de “comunitarismo” muito parecido com aquele que Barack Obama abraçava antes de se tornar presidente dos Estados Unidos.

Questões religiosas são de foro íntimo, mas Marina não teve dificuldade ao discutir sua conversão mais recente com a biógrafa Marília de Camargo Cesar. Com a saúde frágil, depois de retornar dos Estados Unidos indisposta a fazer tratamento com uma droga ainda experimental, ela teve contato com um pastor que fez a ela uma espécie de “revelação telefônica”.

André Salles, o pastor, passou a descrever “as características físicas de um homem que ele percebia como uma ameaça para a senadora. Ao escutar as feições descritas, ela reconheceu a pessoa em questão”. Pelo menos publicamente, Marina nunca identificou esta pessoa.

“Aquilo para mim foi impactante. E a partir daí passei a nutrir um sentimento de gratidão a Deus por ter usado aquele homem [o desafeto] para que eu me aproximasse de Deus”, conta Marina. Seria Lula, da qual foi ministra mas com o qual ficou ressentida pela forma como deixou o governo do PT?

Depois da revelação veio o que Marina chama de “visão”. Durante um culto, surgiu na mente da agora candidata do Partido Socialista uma sigla: DMSA.

Conta Marina:
“Foi como um relâmpago que apareceu na minha mente. DMSA.  Mas não entendi o que significava. Nunca tinha tido uma experiência como aquela. Quando cheguei em casa, eu me lembrei: é o remédio!”.
DMSA era a droga que médicos norte-americanos, durante uma visita da senadora aos Estados Unidos, haviam recomendado para o tratamento da contaminação por metais pesados, da qual Marina foi vítima por conta de uma overdose de medicamentos contra a leishmaniose. Como se tratava de uma droga experimental, Marina de início rejeitou a oferta. Temia piorar ainda mais o estado do fígado já baleado.

Porém, diante da “visão”, Marina tratou imediatamente de providenciar a importação do DMSA para o Brasil. Depois de tomar o remédio, numa série de injeções em Brasília, diz ter melhorado consideravelmente da fraqueza e dos desmaios, embora ainda sofra de uma série de alergias e enfrente restrições alimentares.

Neste contexto, fica muito mais fácil entender que Marina só tenha decidido autorizar que sua biografia fosse escrita depois de uma “roleta bíblica”, ou seja, de interpretar uma frase escolhida numa página da Bíblia, aleatoriamente. Ela leu a frase e entendeu como “sim”.

Desde adolescente, desde quando pretendia ser freira na igreja católica, a candidata do PSB exibe um pragmatismo temperado por fé de grande intensidade. Inicialmente, católica. Mais tarde, evangélica.

Concordo que o Brasil é um país de muitos preconceitos, inclusive contra os evangélicos. Eu me sentiria desconfortável se Marina decidisse atender a ordens de um bispo ou pastor, a partir de preceitos religiosos. Ordens que influenciassem políticas públicas voltadas para milhões de brasileiros, muitos dos quais se declaram agnósticos/ateus.


Se de fato o fez, teremos entrado num campo muito complicado, num campo em que revelações e visões de foro íntimo se transformam numa ameaça ao Estado laico.

Marina diz apoiar o ensino religioso optativo em escolas públicas, ao que muitos pais respondem: mas eu vou financiar, com meus tributos, um ensino que borra as fronteiras entre Estado e Igreja?

No campo religioso, há controvérsias sobre se Marina representa ameaça ao Estado laico. Ouvido por Conceição Lemes, o teólogo Leonardo Boff criticou a candidata. Justamente ele, muito elogiado na biografia. O livro revela a grande influência exercida em Marina, ainda jovem, por Clodovis Boff, irmão de Leonardo, que ministrou à então militante do PRC/PT um curso sobre a Teologia da Libertação.

Não concordo com a política econômica exposta no programa do PSB e duvido que, eleita, Marina consiga viabilizar um governo exclusivamente de “bons”, sem alianças, a não ser que algum milagre converta os “300 picaretas do Congresso” — aos quais se referia Lula em pessoas voltadas a atender prioritariamente os interesses da população. Na verdade, a prioridade de muitos dos eleitos é pagar os favores recebidos de financiadores de campanha, garantir a reeleição e, em alguns casos, simplesmente enriquecer.

Acho muito mais fácil enfrentar o problema da corrupção no Brasil com ações institucionais — por exemplo, a Constituinte exclusiva e o financiamento público de campanhas — do que com um repentino toque divino no coração de eleitores e eleitos. Corrupção se enfrenta com inteligência, não com fé.

Talvez o meu temor neste campo tenha nascido por ter testemunhado, quando ainda era correspondente nos Estados Unidos, o presidente George W. Bush promovendo orações dentro da Casa Branca ou em eventos públicos. Não era Bush comparecendo aos cultos como qualquer outro fiel. Era como se, em contato com Deus, tivesse recebido a bênção divina para suas ações políticas. Uma delas, a invasão do Iraque, causou a morte de ao menos 200 mil pessoas, o deslocamento de milhões de outras e uma guerra fratricida que ainda hoje perdura. É isso o que o Deus de Bush queria?

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Manchete capciosa


Quando a notícia é ruim para o Governo (de São Paulo), a fAlha diz só… governo. Se fosse Federal, diria Federal ou então Governo Dilma. Mas como é de parceiros da fAlha, é só governo, que pode ser qualquer governo. Por que não há manchetes escandalosas pelo fato de os paulistas estarem cometendo necrofilia hídrica? Consumir volume morto é saudável?

Os alunos da periferia de São Paulo, ao contrário dos bairros nobres, já levaram para a sala de aula os reflexos do choque de gestão do PSDB. Geraldo Alckmin pode engar muitos muito tempo mas não poderá enganar todo o tempo todo. As crianças já estão dando lição aos que não querem ver.

Governo tem gasto extra para bombear água do Cantareira

Sem conexão com rede elétrica local, sistema emergencial funciona a diesel desde maio

De São Paulo

O bombeamento do "volume morto" do sistema Cantareira, cujas obras consumiram cerca de R$ 80 milhões, tem representado um custo extra para os cofres públicos e para o meio ambiente.

Inaugurado há quase quatro meses, o equipamento, que capta a água reservada abaixo das comportas das represas, até hoje não foi conectado à rede elétrica e está funcionando à base de diesel.

A Sabesp, empresa de saneamento do Estado, estima gastar em média R$ 30 mil por dia para poder ligar as bombas. Como elas operam desde 15 de maio, os gastos da estatal com o combustível já chegam a R$ 3,4 milhões.

O diesel é uma das fontes energéticas mais poluentes, pois libera gases tóxicos e causadores de efeito estufa ao ser queimado.

A Sabesp afirma que teve de utilizar o combustível, pois não havia energia elétrica na região das represas, próximo ao município de Piracaia (a 88 km de SP). Inicialmente, a companhia afirmou que a estimativa é que a energia elétrica, sob a responsabilidade da concessionária local, chegaria ainda em setembro.

A versão da estatal foi contestada pela Elektro, empresa de energia na região, que afirma que a rede está disponível desde 11 de julho.

"A Sabesp já recebeu uma conta de energia e logo receberá a segunda, que comprovam que o serviço foi feito", disse a companhia.

Procurada, a Sabesp voltou atrás e admitiu que "a instalação da rede de energia ocorreu em 11 de julho".

Disse, porém, que só depois pôde "realizar procedimento licitatório" para conectar a rede às bombas, o que deve ocorrer neste mês.

A estatal ainda diz que a despesa com eletricidade deve cair para cerca de R$ 25 mil por dia e que as obras foram feitas seguindo as normas ambientais.

Segundo o professor de gestão ambiental da USP Sergio Almeida Pacca, a geração de energia a diesel custa dez vezes mais do que a feita por hidrelétricas, que não poluem a atmosfera e são a principal fonte do sistema elétrico nacional. "Além disso, a combustão [do diesel] emite outros poluentes que causam efeitos locais e danos à saúde humana", diz o professor. A Sabesp afirma que o uso do óleo não afeta os mananciais.

‘Volume Morto’

Medida emergencial, o "volume morto" está sendo utilizado para garantir o abastecimento da Grande São Paulo devido à crise que afeta o sistema Cantareira.

Fonte de água para 9 milhões de pessoas na região metropolitana, o sistema chegou a 8,2% de sua capacidade de armazenamento antes do uso da reserva.

Depois, passou a 26,7%, nível que vem caindo rapidamente desde então. Ontem (5/9), tinha somente 10,5% da água que é capaz de guardar.

No Ficha Corrida
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Doleiro detona Bláblá

“Nova política” tinha Caixa 2 ou eram 3?


Empresa que pagou jatinho que levava Eduardo Campos teria recebido R$ 100 mil de doleiro

A empresa Câmara & Vasconcelos, que teria pago R$ 159,9 mil para custear parte da compra do jatinho de campanha do PSB que caiu matando o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e outras seis pessoas, teria recebido R$ 100 mil reais da MO Consultoria; uma empresa que a Polícia Federal (PF) considera de fachada e que é controlada pelo doleiro Alberto Youssef, que foi preso durante a Operação Lava Jato.

As informações são do jornal Folha de S. Paulo que cruzou a lista de fornecedores da Lava Jato com a das empresas que teriam custeado o jatinho, segundo a AF Andrade; que aparece junto à Agência Nacional de Avião Civil (Anac) como dona do avião, mas que afirma ter vendido a aeronave para os empresários pernambucanos João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, Apolo Santana Vieira e Eduardo Ventola. Os dois documentos estão em posse da PF.

Ao todo, a AF Andrade diz ter recebido R$ 1,71 milhão pelo pagamento do avião, em 16 depósitos. A suspeita da polícia é que esse dinheiro seja proveniente de caixa dois.

Reportagem do Jornal Nacional mostrou que a Câmara & Vasconcelos tem como sede uma sala vazia em Nazaré da Mata. O dono é Paulo César de Barros Morato, que afirmou ao jornal paulista desconhecer tanto Youssef, quanto a MO Consultoria. Ele confirmou o empréstimo a João Carlos Lyra para o pagamento do jatinho.

A Folha de S. Paulo também procurou o PSB, que disse não saber da relação entre Youssef e a Câmara & Vasconcelos. O partido tem dito que não tem responsabilidade sobre o processo de compra do avião.


Da Folha, em abril:

Irmão de dirigente do PSB pediu dinheiro a doleiro, diz polícia

Mensagens indicam repasses a parente do ex-ministro Fernando Bezerra, aliado de Eduardo Campos em PE

Depósitos de Alberto Youssef alimentaram as contas do filho e da mulher do ex-presidente da Codevasf

Ex-presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e irmão do ex-ministro Fernando Bezerra, Clementino de Souza Coelho foi flagrado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, pedindo dinheiro para o doleiro Alberto Youssef.

Clementino presidiu por um ano a Codevasf, uma empresa pública vinculada ao Ministério da Integração Nacional, comandado por Fernando Bezerra de 2011 a 2013. Bezerra, que escolheu o irmão para o cargo, chefiou o ministério por indicação do PSB e é homem de confiança do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, pré-candidato do PSB ao Planalto.

A PF interceptou trocas de e-mails de Clementino com o doleiro, preso desde março.

A polícia encontrou nas mensagens comprovantes de depósito em valores fracionados para “João”, além de pedidos de dinheiro para “Maria” e “Fábio”.

Números indicados por Youssef nas mensagens como os dos CPFs dos favorecidos correspondem aos documentos de João Clementino de Souza Coelho e Maria Cristina Navarro de Brito, respectivamente, filho e mulher de Clementino de Souza Coelho.

“Fábio” é descrito pela PF como Fábio Leivas, que a polícia não diz quem é. A Folha não conseguiu identificá-lo.

Em um dos e-mails, de 30 de janeiro deste ano, Clementino enviou a Youssef, a quem chama de primo”, dados de uma conta bancária com os dizeres: “assim sendo fica: Fabio 30, Maria aprx 35, joao 60″. A expressão “aprx” significa “aproximadamente”.

No dia seguinte, o ex-presidente da Codevasf cobrou por e-mail: por favor, assegure que as entregas serão feitas hoje ainda os 3 endereços fornecidos, sendo JOAO 60, FABIO 30 E MARIA OS 35…”.

No dia 4 de fevereiro, Youssef enviou os dados bancários de João Clementino e Maria para um contato que a PF suspeita auxiliar o doleiro no possível “cometimento do crime de evasão de divisas”.

O contato do doleiro escreveu “60.000,00” embaixo do nome de João e “35.289,00” embaixo de “Maria”. A PF apreendeu ainda comprovantes de depósitos em nome de João Clementino, em valores diversos, segundo o relatório: “R$ 500, R$ 10.000, R$ 9.900″.

A Folha tentou falar ontem diversas vezes com Clementino e Maria Cristina. Deixou recados com uma funcionária do casal, mas não obteve resposta. A Folha não conseguiu localizar João Clementino.

Procurado pela Folha, o ex-ministro Fernando Bezerra disse desconhecer o assunto e prometeu entrar em contato com o irmão para que ele desse mais esclarecimentos, mas não pôde localizá-lo.

Bezerra deixou o governo em 2013, após Eduardo Campos romper com o PT para se lançar candidato ao Planalto. Segundo Bezerra, Clementino não é filiado ao PSB.

Em janeiro de 2012, Clementino teve de deixar a presidência da Codevasf, após acusações de que Bezerra teria ignorado o decreto antinepotismo ao manter o irmão na estatal durante um ano. Ele foi nomeado após Bezerra tomar posse no Ministério da Integração Nacional.

A Codevasf possui um orçamento bilionário para investir em obras como a perfuração de poços para o combate à seca no Nordeste.

No CAf
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O “contexto do futebol”: a banalização do mal


Segundo o advogado, o xingamento de Patrícia ocorre dentro do “contexto do futebol”. “Macaco, no contexto dentro do jogo, não se tornou racista. Isso se torna um xingamento dentro do futebol. Uma das expressões dentro do futebol. As próprias mães dos árbitros são xingadas historicamente dentro do futebol”, disse.” Palavras do advogado de Patrícia Moreira, a torcedora que xingou o goleiro Aranha de macaco (247).

Que advogados façam de tudo para livrar seus clientes é o esperado. Como também é o esperado que Ministério Público e Poder Judiciário não permitam que “teses estapafúrdias” tenham guarida e se tornem jurisprudência.

Se xingar a mãe do juiz é considerado algo “normal e aceitável”, devemos passar a considerar que xingar jogadores negros de “macaco” também o seja. Essa é a tese da defesa de Patrícia Moreira, a moça que causou a expulsão do Grêmio da Copa do Brasil.

Não existe racismo, não existe agressão, não existem comportamentos inaceitáveis dentro dos estádios. Podemos aceitar, doravante, que até brigas de torcidas — como a última ocorrida no estádio do Atlético PR em 2013, onde torcedores, já caídos e impossibilitados de se defenderem, tiveram suas cabeças covardemente chutadas — sejam consideradas normais, tudo dentro do “contexto do futebol”.

Justifica-se, assim, com o “contexto do futebol”, a irracionalidade como forma de comportamento.

Banaliza-se o mal. As pessoas agem não por ato de consciência, mas movidas por instintos naturais que afloram quando estão dentro dos estádios de futebol. Aliás, convenientemente chamados de Arenas.

Admitimos, vencendo a tese, que somos feitos de duas naturezas: uma fora e outra dentro dos estádios. Admitimos, vencendo a tese, que perdemos totalmente o que caracteriza a sociedade composta por humanos: o limite.

O que nos diferencia dos demais animais é justamente a capacidade de estabelecer limites aos comportamentos; de estabelecer regras que devem ser seguidas por todos os membros da espécie.

Pessoas que perdem a capacidade de julgar que seus comportamentos ferem essas regras, ou que pensam que isso faz parte do “contexto”, igualam-se a Adolf Eichmann. Hoje justificam xingamentos contra negros; amanhã estarão justificando massacres. E não apenas contra negros, mas contra todos que julguem não merecerem a dignidade da pureza de serem brancos, heteros e cristãos, como os pertencentes a classe superior de humanos.

A prova maior da banalização do mal não é o xingamento, mas o aparecimento de quem o justifique, mesmo que sendo advogado.

Se o Grêmio foi exemplarmente punido, que o seja também Patrícia Moreira. Caso contrário, estaremos dando um passo largo em direção à barbárie…


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Lula lembra que peão não vota em patrão


O debate político entre petistas começou depois do almoço, durante uma reunião fechada do Diretório Nacional, convocada em regime de urgência, “pelo telefone, numa madrugada de sábado, o que eu nunca vi em nossa história,” conforme um dirigente. A portas fechadas, um senador chegou a definir a situação como muito grave, dizendo que Dilma Rousseff deveria repetir a estratégia de 2002, quando Lula abriu uma porta de diálogo contra seus adversários com a Carta ao Povo Brasileiro — e fazer uma nova versão deste documento, doze anos mais tarde. A sugestão recebeu apoios esparsos. Com diferenças nas palavras, mas não no sentido geral, a maioria dos presentes defendeu uma campanha de tom classista, “nós contra eles.”

Mais tarde, no discurso, Lula chegou a lembrar a expressão “peão não vota em patrão.” Colocando o PT no centro da campanha presidencial, ele reforçou uma ideia essencial não apenas para o confronto de ideias com Marina Silva, mas também para a luta pelos votos até outubro — o papel do partido político na defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores. No mesmo tom, o prefeito Fernando Haddad, um dos oradores que usaram a palavra antes de Lula, fez uma referência que o plenário aplaudiu e entendeu, lembrou que o PT aceita discutir com banqueiros mas eles “não vão redigir nosso programa de governo.” Outro orador, Wagner Freitas, presidente da CUT, disse que “o maior patrimônio que a classe trabalhadora construiu no Brasil é o Partido dos Trabalhadores.”

Um dos capítulos importantes da campanha de 2014 começou a ser escrito no final da tarde de sexta-feira passada, durante o discurso de mais de uma hora de Luiz Inácio Lula da Silva para o núcleo principal de dirigentes — quadros partidários e sindicalistas — do condomínio PT-CUT. Lula falou para homens e mulheres que desempenham um papel chave na condução de um partido que passou o primeiro semestre administrando o que parecia ser uma vitória assegurada pela ausência de adversários competitivos para derrotar Dilma Rousseff — até que, após a morte de Eduardo Campos e a ascensão de Marina Silva, pela primeira vez desde 2002 o PT viu-se ameaçado de uma derrota presidencial que pode implicar na revogação de boa parte das conquistas de seu governo ao longo de doze anos.

No auditório Elis Regina, um dos maiores do Parque Anhembi, que estava cheio mas não a ponto de ficar abafado e irrespirável, Lula reuniu ministros — Ricardo Berzoini, Marta Suplicy, Eleonora Menecucci —, prefeitos — entre eles Luiz Marinho, Fernando Haddad — para um pronunciamento de dimensão histórica, de acordo, na verdade, com o momento da campanha e do partido.

Em conversas reconfortadas, durante o encontro, muitos dirigentes falavam da recuperação de Dilma em pesquisas recentes. Divertiam-se com o colapso de Aécio Neves e festejavam as dificuldades exibidas por Marina para explicar as contradições e obscuridades de sua campanha, fosse a criminalização da homofobia, fosse o papel escancarado de Neca Setubal na confecção do programa de governo, fosse o pouco caso atribuído ao Pré-Sal.

Com a autoridade de quem dirige o partido na condição de professor, que explica, demonstra o que pensa e rebate argumentos sem nunca ser obrigado a assumir um confronto visível contra quem quer que seja, Lula lembrou o tamanho da tarefa que os presentes terão pela frente. Falou da campanha de 2014 como “uma das piores eleições desde que o PT nasceu.” Lembrou 1982, quando ele próprio acabou em quarto lugar na disputa pelo governo do Estado de São Paulo, atrás até mesmo de Jânio Quadros, posição que lhe permitiu fazer uma ironia consigo mesmo, ao admitir que ficara muito chateado porque tinha ficado “atrás do Jânio.”

Lula localizou o centro das dificuldades da campanha de 2014 em São Paulo, onde Alexandre Padilha exibe um desempenho mais do que sofrível na disputa pelo governo e Dilma se mantém numa distância considerável não só de Marina mas de seu próprio desempenho em eleições anteriores. “Não há explicação para Dilma estar perdendo a eleição neste Estado,” disse, antecipando que, após algumas viagens já marcadas nos próximos dias, pretende fazer campanha em São Paulo pela maior parte do tempo.

Lula lembrou que ele próprio ganhou a eleição em São Paulo no segundo turno de 2002. Numa referência que pode ser vista como uma contestação aos petistas que falam de “ódio” e “conservadorismo” do eleitorado paulista para explicar qualquer dificuldade para o crescimento no Estado, recordou que o PT governa grande parte dos municípios da Grande São Paulo, onde mora metade da população do Estado; também se referiu ao grandes cidades do interior, como Campinas, Ribeirão Preto, onde o partido já obteve várias vitórias importantes; também falou da capital, cuja prefeitura o partido conquistou três vezes desde o reestabelecimento de eleições diretas para prefeitos de capital. (Lula não disse mas foram oito eleições entre 1988 e 2012, o que não pode ser considerado um desempenho ruim numa terra de competição entre tucanos, malufistas e petistas).

Num argumento que espelha a visão de que a campanha na TV assumiu um ar excessivamente grandioso, capaz de passar a ideia de um governo que tem inúmeras realizações, mas não deve ser apresentado como bonito demais, “o que até ofende o sujeito que está bem informado”, conforme argumenta um ministro presente ao Anhembi, Lula tocou no nervo quando fez um apelo: “Vamos falar de política.” A questão real encontra-se aí.

Lula lembrou uma campanha de Paulo Maluf em 1992, no final da gestão de Luiza Erundina, onde um jingle de Duda Mendonça rimava a nome de Eduardo Suplicy com a frase “eu não quero mais o PT mandando aqui.”

Ele disse que o PT tem-se comportado como um partido que foge dos problemas, evita discussões difíceis, esconde-se de eleitores, deixando claro que assim fica complicado ganhar votos. “Temos motivo, temos legado, temos história” para sentir orgulho, disse. Para resumir o que disse, deu o exemplo hipotético de um petista que fez campanha para eleger o prefeito de sua cidade mas, quando o preço da passagem de ônibus sofre um aumento, ele tira a estrela da lapela em vez de discutir e explicar os problemas.

Numa observação que envolve o esvaziamento da vida interna do partido, falou de militantes desarmados para o debate político, sem argumentos para a “conversa de bar”, que é aquela discussão típica da reta final de toda campanha em que cidadãos de opinião diferente se encontram para falar de política em casa, no ponto de ônibus, no trabalho — mas um deles não tem informações nem explicações para rebater as teses adversárias. Teve um bom momento quando lembrou uma tese comum na conversa dos adversários quando disputam votos em São Paulo. Eles acusam o governo do PT favorecer os estados do Nordeste em prejuízo do desenvolvimento de São Paulo. Lula lembrou que os números de investimentos do governo Dilma (e de seu governo) desmentem essa tese. Explicou que os petistas são favoráveis ao desenvolvimento de São Paulo e devem deixar isso claro para os eleitores. Só não concordam com a visão de que São Paulo deve ser um “império” dentro do Brasil.

Num tom comovido na voz rouca, Lula disse que era preciso falar para aqueles “milhões que nunca apertaram a mão da gente mas acreditam que somos o partido deles.” Num argumento que demonstra a preocupação de evitar que Marina Silva consiga imunizar-se para o debate político caso seja colocada em posição de vítima, favorecendo uma identificação de caráter emocional com o eleitor, Lula disse que era preciso debater seu programa e suas propostas: “não sei se Marina leu seu programa de governo. Porque se leu, não aprendeu nada nas discussões do nosso governo.”

Num argumento que demonstra a preocupação de evitar que Marina Silva consiga imunizar-se para o debate político caso seja colocada em posição de vítima, favorecendo uma identificação de caráter emocional com o eleitor, Lula disse que era preciso debater seu programa e suas propostas: “não sei se Marina leu seu programa de governo. Porque se leu, não aprendeu nada nas discussões do nosso governo.” 

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Delação em véspera de eleição tem mau cheiro. Parece desespero.

Segundo o que já foi divulgado pela revista Veja — porque será que 11 entre 10 policiais federais e promotores preferem a Veja para vazar informações sigilosas? — a lista de nomes apresentada pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, atingiria meio mundo, ou pouco mais, da política.

Do falecido Eduardo Campos a deputados de partidos do governo e de outros,  integrantes de coligações anti-Dilma, passando pelos presidentes da Câmara e do Senado, a lista de Costa tem um imenso potencial explosivo.

Por isso mesmo, deve ser encarada com muita cautela.

A começar pelo fato de que é algo que parte de um homem em situação de desespero, apanhado em um monte de negócios irregulares aqui e lá fora, que estava ameaçado de 30 anos de prisão e ao qual se acena com uma, na prática, absolvição.

É o que narra o Estadão:

“Calcula-se que Costa poderia pegar pena superior a 50 anos de cadeia se respondesse a todos os processos derivados da Lava Jato — já é réu em duas ações penais, uma sobre lavagem de dinheiro desviado da Petrobras, outra sobre ocultação e destruição de documentos e é investigado em vários outros inquéritos. 

Angustiado com a possibilidade de não sair tão cedo da prisão, ele decidiu delatar como operava a rede de malfeitos na Petrobras. O acordo prevê que, em troca de suas revelações, Costa deverá sofrer uma pena tão reduzida, que se aproxima do perdão judicial”. 

Agora, antes que esse acordo fosse homologado no Supremo, vaza o sigilo e, claro, mesmo que haja pouca consistência nas suas declarações, cria-se um clima político para que elas sejam aceitas como verdade absoluta.

Isso a um mês das eleições.

Uns dizem que a lista de Costa contém 39 nomes, outros dizem 42 e a “nominata” da Veja elenca, segundo divulgado no blog de Ricardo Noblat elenca 12. 

Seja qual for o tamanho e sejam quais forem os integrantes, não basta a delação de um homem acuado, é preciso que haja elementos e fatos para sustentá-la.

Que empresas financiam campanhas eleitorais, todos sabem e, infelizmente, é essa a regra num modelo político de financiamento privado de eleições. Só no financiamento exclusivamente público, proposto por este governo e repelido, de forma quase unânime, pelos políticos e pela mídia, candidatos não dependem de empresários.

O que se tem de verificar, portanto, são quais destes favores empresariais foram clandestinos e, pior, quais deles foram destinados a enriquecer pessoalmente seus beneficiários.

Tudo isso cheira mal e já vinha cheirando, desde que Luís Nassif nos chamou a atenção sobre um “abraço de afogado” de Aécio Neves.

E não é apenas o cheiro dos negócios sujos de Costa, aliás afastado do cargo, contra a vontade dos políticos,  pela mulher a quem se procura atingir: Dilma Rousseff.

Verdade, no Brasil, é algo que quando aparece, é só pela metade.

Fernando Brito
No Tijolaço
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