3 de set de 2014

Marina e o criacionismo

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O que explica a obsessão de Malafaia e da direita religiosa com os homossexuais?

Ele
Silas Malafaia declarou seu voto em Marina num eventual segundo turno. Há dias, ele “denunciou” nas redes sociais a abordagem da questão LGBT no programa da candidata do PSB.

Causou rebuliço. Em menos de 24 horas, Marina mudou o texto, alegando “erro da coordenação”, para júbilo do pastor e de suas ovelhas. “Claro que apoio Marina. Depois que o ativismo gay retirou apoio a ela, vou de cabeça”, disse à Folha.

A motivação política de Malafaia está sempre ligada à sua obsessão pelos homossexuais (e, em segundo plano, pelo aborto). É uma briga antiga. Em 2012, apoiou Serra para a prefeitura em São Paulo porque não podia deixar que Haddad, “autor do kit gay”, fosse eleito.

De cada dez frases histéricas, onze falam em homossexualidade, doze são para atacar ativistas LGBT ou algo que o valha. É sua bandeira, sua razão de vida, seu evangelho.

Malafaia, porém, não está sozinho. Esta se tornou uma questão central para evangélicos fundamentalistas no mundo todo. (A própria Marina, assembleísta, fica visivelmente constrangida quando encara o assunto. No Jornal da Globo, depois de muita insistência, declarou que casamento é como está na Constituição, “apenas para pessoas de sexo diferente”.)

De acordo com o professor americano Austin Cline, da Universidade da Pensilvânia, “o ‘pecado’ da homossexualidade é importante porque a direita evangélica precisa de algum grupo para atacar como parte de seu esforço para restaurar sua dominação social, cultural e política”.

A desculpa é a defesa dos “valores da família”, como insistia o saudoso Marco Feliciano. “Não é mais socialmente aceitável atacar judeus, os antigos bodes expiatórios destes cristãos”, diz Cline. “Ateus e humanistas continuam alvos fáceis, mas eles não têm o mesmo impacto emocional dos gays (embora os três possam ser alvejados da mesma maneira que os judeus costumavam ser)”.

Um pastor episcopal chamado Tom Ehrich, escritor, baseado em Nova York, fez uma autocrítica. Afirma que a “agenda política ‘cristã’ tornou-se nada mais do que eleger candidatos que irão lidar corretamente com temas como o aborto e a homossexualidade”.

“Nós falamos que nos importamos com as Escrituras, mas os versos que pegamos da Bíblia sobre, digamos, homossexualidade não significam reverência pelas Escrituras. Prova: nós nos sentimos livres para ignorar o que o resto da Bíblia prega”.

Para ele, “denominações religiosas inteiras reduziram sua mensagem pública a regulamentações sobre sexo. É como se os quatro evangelhos não fossem suficientes. Seria necessário escrever um novo livro para Deus, em que o propósito da humanidade se reduzisse aos genitais e aos gêneros”.

Kiko Nogueira
No DCM

* * *

Desconfie sempre de um homofóbico



Sabem por que muitos homens são homofóbicos e adoram demonstrar isso de maneira histérica para todos? 

Porque das duas uma: ou ADORAM dar o rabicó ou então MORREM de vontade.

Se você duvida, converse então um dia com uma prostituta mulher ou travesti que elas vão dizer pra vocês por qual motivo 90% dos homens as procuram. E que tipos de homens são esses.

Aí, quando chegam em casa, esses "machões" que acabaram de gozar dando o rabicó, começam a destilar aquela homofobia grotesca de sempre, para que ninguém desconfie deles.

Faça o teste. Mas não diga que eu não avisei...




E estou falando dos homens que gostam de ser penetrados por mulheres ou travestis.

Não estou nem falando dos realmente gays, que gostam de homens mesmo, mas são casadinhos e andam de terninho e gravata com a "bíbria" na mão. 

Nesses então, a histeria e o falso moralismo são ainda mais agressivos...


André Lux
No Tudo em Cima
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A turma do medo está do lado de lá


FHC de saias?
Collor de saias?
Jânio de saias?

Cada uma das frases acima vem sendo utilizada, por diferentes interlocutores e as vezes pelos mesmos, para tentar classificar a candidata Marina Silva.

Entendo os motivos de quem faz tais comparações. Mas seria bom refletir um pouco mais, antes de transformar este tipo de frase em base para programas de televisão.

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Quem fala que Marina é um FHC de saias, evidentemente quer apontar as semelhanças entre o programa da candidata e o programa tucano.

Se fosse apenas isto, estaria tudo fácil. Acontece que Marina não é apenas isto, não é apenas Neca Setúbal, Eduardo Gianetti e André Lara Resende.

Marina expressa, também, um setor que esteve conosco contra FHC; e que agora é aliado de FHC contra nós.

No caso da pessoa física Marina Silva, ela converteu-se: começou lutando contra o neoliberalismo, depois passou a fazer concessões ao neoliberalismo, depois passou a enxergar virtudes no neoliberalismo e agora assumiu a defesa explícita de políticas neoliberais.

Acontece que a fase final desta conversão foi feita depois que Marina saiu do governo Lula. Portanto, sua face abertamente neoliberal ainda é desconhecida por uma parte do eleitorado.

Com um agravante: há uma parcela do eleitorado que não viveu o governo FHC. Para esta parcela, a comparação de Marina com FHC tem baixa eficácia eleitoral.

Muito mais eficaz — seja para recuperar o eleitorado que votou em nós e agora pensa em votar em Marina, seja para conquistar eleitores populares que nunca votaram em ninguém e agora pensam em votar nela — é priorizar o debate sobre nossas ações futuras, sobre o programa de Dilma 2015-2018, obrigando Marina a sair da zona de conforto.

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Quem fala que Marina é um Collor de saias, talvez queira destacar certas "afinidades eletivas" entre a candidata e o ex-presidente.

Estas afinidades realmente existem. Assim como existem afinidades semelhantes entre Marina e Jânio.

Nos três casos, um setor da elite apoia candidaturas demagógicas e autoritárias, para ganhar o apoio de setores despolitizados dos trabalhadores e da pequena burguesia contra candidaturas à esquerda no respectivo espectro político.

A demagogia é um recurso indispensável, porque as candidaturas da elite não podem assumir pública e abertamente o que farão, uma vez no governo.

Aliás, se falassem a verdade e assumissem que seus programas de governo resultam em desemprego e dependência, Aécio e Marina não passariam de 0,1% dos votos.

É por isto que as candidaturas de direita berram tanto sobre outros assuntos: contra os que ofendem a moral e os bons costumes, contra a corrupção, contra os políticos e contra a política, contra o "aparelhamento do Estado" etc.

Isto quando não reclamam dos juros e da inflação causados, em última análise, pelos especuladores que estão por detrás de suas campanhas.

E o autoritarismo? Este constitui, em certa medida, uma decorrência lógica da demagogia: quem constrói seu discurso criticando os políticos e a política em geral, projeta um governo acima do bem e do mal, baseado no poder discricionário individual do ungido.

Claro que cada personagem é autoritário a seu jeito. E isto, como sabemos, contém riscos para a chamada "institucionalidade": Jânio renunciou, Collor foi impedido. Mas ambos foram úteis para derrotar a esquerda e preparar o terreno, no primeiro caso para o golpe militar de 1964, no segundo caso para o neoliberalismo tucano.

Marina é demagógica? Marina é autoritária? Certamente.

Mas a comparação com Jânio e com Collor ajuda a perceber isto? Mais exatamente: a comparação ajuda a esclarecer e libertar as camadas populares que são vítimas desta demagogia?

No horário eleitoral gratuito, não ajuda. Jânio foi eleito presidente em 1960 e prefeito de São Paulo capital em 1985. Morreu há anos. Collor foi eleito presidente em 1989. Hoje é senador e sempre haverá quem lembre que ele faz parte da "base de apoio" do governo.

Mostrar as afinidades de Marina com Jânio & Collor dentro de uma sala de aula, num texto didático ou numa longa conversa, pode resultar. Mas fazer isto num programa de TV, que será assistido brevemente por milhões de pessoas, corre o risco de não ser compreendido ou, pior, virar bumerangue.

Quando falo em bumerangue, não estou me referindo ao fato de Jânio e Collor, demagógicos e autoritários, terem sido eleitos.

Quando falo em bumerangue, também não estou me referindo ao equívoco de achar que a governabilidade depende principal ou exclusivamente do número de parlamentares eleitos pelo "partido presidencial" ou da "base de apoio".

Quando falo em bumerangue, estou me referindo a algo mais simples e simbólico.

Dilma é a candidata da verdade que vai vencer a mentira.

Dilma é a candidata do coração valente, da esperança que novamente vai vencer o medo.

A turma do medo, do atraso, do conservadorismo, está do lado de lá.

Mas a depender de como digamos isto, pode parecer que somos nós que estamos com medo.

Ou, pior ainda, pode parecer que estamos mais preocupados em "alertar" as elites de que elas estão apoiando uma aventureira. Como se as elites deste país não soubessem o que fazem. E como se não estivessem dispostas a pagar qualquer preço e a fazer qualquer coisa para derrotar o PT.

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Por isto: política no comando. Vamos mostrar que Marina é a candidata do capital financeiro e do conservadorismo político.

Vamos apresentar o que eles fizeram, o que nós fizemos e principalmente o que nós vamos fazer. E vamos derrotar a ela e a Aécio, com argumentos compreensíveis e pela esquerda.

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P.S. A quem quer que tenha formulado a frase "sonhar é bom, mas eleição é hora de botar pé no chão e voltar à realidade", eu recomendo 60 dias de reflexão acerca de outra frase, a saber: "é preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias". O autor desta segunda frase (mais exatamente de algo parecido com ela) deu muito, mas muito trabalho para o capitalismo e para a direita no primeiro quartel do século XX. Entre outros motivos porque soube extrair esperança da realidade e com isso transformar a realidade, sem abrir mão da esperança e no rumo da esperança.

Valter Pomar
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Governo Dilma tem aprovação de 73%, indica pesquisa Ibope

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Pesquisas: Quem erra mais, Globope ou DatafAlha?

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Dilma 35 vs 29 Bláblá. “Efeito manada” cessou

Tantas contradições levam à pergunta: o falso moralismo governa um país?


O Tracking DataCaf de hoje mostra uma “estabilização pra cima” — essa o Nando Calvígues da Fel-lha nunca usou — da Presidenta Dilma.

Ela estava com 35 e 32 para a Bláblá.

Mantem os 35 com viés de alta — diriam os economistas de banco…

E a Blablá desce para “a casa dos 20”.

Porque a Blablá perdeu oxigênio no poço de contradições que é, na verdade, um abismo de contradições.

Passado o efeito mais intenso do veloriomício, muita gente começa a se perguntar: mas, esse moralismo difuso, essa “roleta bíblica”, isso governa um país?

Isso pode mobilizar uma classe média que se beneficiou dos governos Lula e Dilma, mas não sabe.

Pensa que foi o Papai do Céu que enviou.

E ela mesma, sozinha, conseguiu.

E tem a juventude enraivecida, também sem parâmetro de comparação.

Para tudo isso coopera o “envenenamento” de que falava o grande presidente João Goulart, durante doze anos ministrado pela Globo e derivados, da Urubóloga àquele que recebeu uma banana de presente — leia a notável análise do Marcos Coimbra.

Porém, o FHC envenenou a Bláblárina irreversivelmente.

Como provocou a morte prematura do seu discípulo, o Arrocho Never.

O queridinho do PSDB, Tasso tenho jatinho porque posso Jereissati não menciona Arrocho nem FHC na campanha para senador no Ceará.

Foge dele como o diabo da cruz.

E ela, a Bláblá se pendura no Tripé da Morte, ou dos idiotas.

A humilhação a que se submeteu por três twitters do Malafaia.

A renúncia e o recuo ao pré-sal.

E o jatinho, que, a cada dia que passa fica mais parecido com uma atividade criminosa de uso de Caixa Dois em campanha eleitoral e diante do qual o PT se odarelou todo.

Tudo conta.

O “efeito manada” se desfaz.

Se desfaz com o “cartesianismo” de que a Dilma foi por ela impiedosamente acusada num debate.

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Por que Dilma fez muito bem em não ir ao Jornal da Globo


Errar uma vez, tudo bem.

Mas duas, uma em cima da outra?

Acho que foi mais ou menos esta a lógica que governou Dilma ao recusar participar da entrevista-suplício para a qual fora convidada-intimada pelo Jornal da Globo.

Depois da experiência excruciante da entrevista no Jornal Nacional, seria incrível que Dilma comparecesse ao Jornal da Globo.

Foi um ato de sanidade o WO presidencial.

Ter Dilma seria bom para o JG. Mas e para ela?

William Waack mostrou as perguntas que seriam feitas. A mais branda delas indagava se Dilma achava correto oferecer dentes postiços a uma “cidadã pobre” pouco antes que ela participasse de um programa da campanha.

Num tom acima, Dilma era questionada sobre até quando continuaria a culpar a crise internacional pelos problemas econômicos brasileiros.

Quer dizer: Waack já decretara, com toda a sua genialidade econômica, que a culpa não é da crise internacional.

Na atitude de Dilma, há um gesto tardio, mas ainda assim relevante. Por que os candidatos têm que comparecer aos telejornais da Globo?

Porque a Globo manda no país?

É um comportamento obtuso e inercial. No passado, os Ibopes da Globo eram intimidadores, do ponto de vista dos candidatos.

Mas hoje o quadro é outro.

A internet está matando a audiência da tevê aberta.

O Jornal da Globo tem um Ibope na faixa de 7%, coisa que no passado você associava a emissoras de segunda ou mesmo terceira linha.

O próprio Jornal Nacional faz força, hoje, para se manter na casa dos 20%, uma migalha em relação às taxas de alguns anos atrás.

Dias atrás, soube-se que a Globo teve em agosto o pior Ibope de sua história no horário nobre: 12,5% em média. (Uma hora, e não vai demorar, o desabamento da audiência vai-se refletir fortemente na bilionária receita publicitária da Globo. O milagre da Globo, hoje, é ter a maior publicidade de sua história com a menor audiência. Só que este paradoxo é, simplesmente, insustententável. Quando um grande anunciante acordar, haverá um efeito dominó, semelhante ao que vem acontecendo no universo das revistas.)

Poderia haver uma razão maior para os candidatos se submeterem às entrevistas da Globo: informação para as pessoas sobre planos, visões, etc.

Mas essa informação — na era da internet — está espetacularmente disseminada.

Coisas boas, coisas más, coisas nebulosas: você pode saber tudo sobre qualquer candidato se rodar pela internet.

Com algum cuidado, você pode se informar sem o conhecido viés — já que estamos falando dela — da Globo.

Em suma: Dilma só teria aborrecimento caso fosse ao Jornal da Globo. Perguntas hostis, feitas para matar e não para informar, e se não bastasse isso uma audiência esquálida e composta maciçamente de antipetistas viscerais.

Dilma tinha muitas razões para não ir, e nenhuma para ir.

Sua decisão não poderia ser melhor.

Paulo Nogueira
No DCM

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Os golpes de Estado no programa de Marina Silva

Democracia de 'alta intensidade' sem partidos fortes. Justiça social com Estado mínimo. O programa de Marina é uma bomba institucional.

Por trás do cerco conservador à candidatura Dilma, e da fase alegre dos consensos em torno de Marina Silva — que Malafaia trincou com 4 ‘bordoadas’ de twiter, como ele próprio se jacta — existe uma encruzilhada política.

É ela que está sendo escrutinada nos dias que correm.

O que as urnas de outubro vão decidir é se o passo seguinte do desenvolvimento brasileiro será pautado por um salto revitalizador da democracia ou pela restauração neoliberal.

A identidade programática entre Marina e Aécio nesse aspecto é tal que o tucano já acusa a afilhada de Neca do Itaú de roubo de patente.

A patente de um governo deliberadamente subordinado à supremacia da lógica financeira.

Um governo que se propõe a ser um anexo do Banco Central independente.

E que não oculta a determinação de entregar ao poder financeiro a gestão autônoma da moeda, do juro e, por isso também, do câmbio — e em consequência, do poder real de compra dos salários.

Democracia participativa ou a ditadura da lógica financeira?

Interesse público ou apetites unilaterais?

Um Brasil mais justo ou a desigualdade como motor da economia?

A alavanca da produtividade ou o garrote-vil do arrocho salarial?

A coordenação democrática da economia ou a farra das privatizações?

Repactuar metas, concessões, salvaguardas e prazos com partidos, sindicatos, lideranças e movimentos sociais organizados; ou submetê-las à chibata do poder econômico local e global?

Não existe uma terceira via nessa disjuntiva.

Pode existir nas bibliotecas.

Ou nos devaneios marinados nos salões elegantes, onde o capital financeiro se veste de verde sustentável.

Mas o que distingue um devaneio ou uma biblioteca de um projeto político é justamente a construção das linhas de passagem concretas, aquelas que alteram a correlação de forças, criando um protagonista organizado, fiador de um futuro que não repita o passado.

É isso que desafia a história concreta do Brasil hoje.

A pergunta levada às urnas é como pavimentar um ciclo de crescimento mais justo em meio à desordem sistêmica que o ideário neoliberal abraçado por Marina e Aécio instalou na economia mundial.

O campo progressista diz que isso só acontecerá se as forças descontroladas dos mercados forem submetidas ao imperativo democrático do interesse público.

Trata-se de subtrair espaços à incerteza e à volatilidade da lógica financeira.

A crise de representação intuída pelo descontentamento e a incerteza em relação ao futuro evidencia que nos limites atuais da democracia brasileira isso não ocorrerá.

Mais democracia exige mais organização.

Exige partidos mais fortes.

Movimentos sociais mais articulados.

Instituições adicionais que tornem os governos mais permeáveis.

Exige informação plural.

Exige um Estado com poder de coordenação capaz de mobilizar recursos e políticas que contemplem os anseios e urgências da sociedade no curto, médio e longo prazo.

Exige planejamento público que estabeleça coerência entre o horizonte do investimento pesado e as emergências inadiáveis.

Marina pensa diferente.

Democracia de 'alta intensidade' sem partidos fortes.

Justiça social com Estado mínimo.

O programa de Marina é uma bomba institucional.

O capítulo econômico é um golpe de Estado contra a participação da sociedade.

E esta é golpeada por medidas antagônicas que implodem o sistema representativo, piorando-o.

Não é uma 'difamação petista'.

Na verdade, a melhor crítica a essa algaravia de uma candidata eólica, que muda de ideia ao sabor dos ventos da conveniência — e o faz entre uma página e outra de um programa marmorizado de golpes e contragolpes contra si mesmo — foi feita por um sincero simpatizante.

O filósofo Renato Janine Ribeiro, em sua coluna no jornal Valor (01-09), declara-se vivamente entusiasmado com a ‘democracia de alta intensidade’ acenada por Marina Silva, cujos acenos são de fato corretos.

Assim:

É um pouco vago, mas saúdo esse aprofundamento do projeto de democracia participativa de Franco Montoro ou essa retomada da democracia direta do PT em suas primeiras décadas. Uma participação maior do povo é o tema principal”

A simpatia de Janine, todavia — a exemplo da de Malafaia, mas com sinal trocado — dura menos de 15 páginas de um catatau de 241 folhas.

Seu desconcerto, nas suas próprias palavras:

Mas, quando chegamos à página 15, um "box" pretende traduzir este arrazoado — sério, correto, prioritário — em medidas que devam "deflagrar" a reforma política. Contudo, esse minirresumo executivo não bate com a filosofia antes exposta.

Os meios não dialogam com os fins! (...)

O que se propõe de prático e de imediato? Primeiro, a coincidência de todos os mandatos, inclusive municipais, numa única eleição a cada cinco anos, sem reeleição. Já defendi a reeleição e não volto ao tema (...) Ora, se este ano a campanha presidencial nublou a dos governadores, para não falar dos legislativos, como será se renovarmos todos os cargos ao mesmo tempo? E por que eleições mais espaçadas, e não mais frequentes? Tudo isso despolitiza. A escolha será menos meditada do que já é hoje. O que vai contra os ideais do programa. E uma contradição: quer-se preencher os "cargos proporcionais" segundo "a Verdade Eleitoral", definida como a regra de proclamar eleitos os candidatos individualmente mais votados, sem levar em conta o partido ou coalizão a que pertençam. É curioso que isso seja exatamente o "distritão" proposto pelo vice-presidente Michel Temer. Aliás, assim os cargos deixam de ser preenchidos proporcionalmente (...). Mas isso acaba com os partidos.

Na verdade, as candidaturas avulsas, adiante recomendadas, deixam de ser a exceção e se tornam a regra. Todas as candidaturas serão avulsas. Não conheço país no mundo que adote esse critério (...). Há duas más consequências: primeira, cada candidato terá como adversários todos os demais candidatos, não sendo de seu interesse aliar-se ou somar suas forças a ninguém que dispute o mesmo cargo. Segunda, os partidos se liquefazem. Assim o mandato deverá pertencer ao eleito, não ao partido. Daí, a troca de partidos estará na lógica do sistema. Há o risco de que, em vez de criar canais paralelos aos da democracia representativa, esta última fique mais frágil, mais vulnerável ao canto de sereia do Poder Executivo. Isso pode até piorar nossa política! Porque, enfim, o programa tem um descompasso entre a meta nobre da maior participação popular, mas que não se traduz em nada concreto, e as reformas concretas, só que confusas e possivelmente com efeitos indesejados...”

As contradições estruturais no programa de Marina Silva não refletem apenas confusão.

Tampouco 'falhas de editoração', como se alegou em relação ao casamento gay, ao apoio à energia nuclear e, possivelmente, em breve, em relação aos pontos agora denunciados pela honestidade intelectual de um simpatizante, como Renato Janine Ribeiro.

A verdade é que o espaço de coerência entre democracia e mercadismo — que nunca foi amplo — se estreitou ainda mais a partir de 2008, mesmo para a dissimulação de uma terceira via.

Mas também não é confortável para o campo progressista.

Justamente porque avançou muito nos últimos anos, explorando as linhas de menor resistência, mas também indo além delas em algumas áreas, o Brasil talvez esteja muito perto de ter atingido o limite na trajetória de construção a frio de um projeto de desenvolvimento com justiça social.

Não avançará muito mais a partir de agora se menosprezar os interesses catalisados pelas políticas populares dos últimos dez anos.

O baixo incentivo ao engajamento dos grandes contingentes ingressados ao mercado de consumo nas últimos anos revela agora seu calcanhar de Aquiles quando uma parcela dos eleitores entre dois e cinco salários se descola da candidatura Dilma.

Durante muito tempo se considerou que essa era uma 'não-questão'; que tudo se resolveria no piloto automático de uma incorporação ao consumo, com avanços incrementais que se propagariam mecanicamente, das gôndolas das supermercados à correlação de forças na sociedade.

Pode ser meia verdade em céu azul de brigadeiro na economia.

A essa meia verdade, o economista Márcio Pochaman indagava premonitoriamente ainda em 2013:

“Criamos 17 milhões de empregos desde 2003; um milhão de jovens ingressaram na universidade graças ao Prouni e 1,5 milhão de famílias ascenderam ao Minha Casa, Minha Vida. Qual foi o saldo organizativo de tudo isso?”.

Pode-se atualizar a pergunta no tempo que resta para ser respondida:

O que a candidatura progressista propõe como catalisador organizativo para que essa energia social se enxergue parte essencial de um segundo governo Dilma?

A resposta, certamente, passa por evidenciar ao eleitor popular algo de que carece o programa autogolpista de Marina Silva: a coerência entre meios e fins; entre o desenvolvimento que se quer para o Brasil e a democracia necessária para construí-lo.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Roleta Bíblica: O dia em que Marina Silva decidiu que sua biografia deveria ser escrita

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É curioso como muitos governantes tem seus rituais antes de tomar decisões. O presidente José Sarney consultava regularmente um jornalista-astrólogo. O presidente Ronald Reagan, depois da tentativa de assassinato à qual sobreviveu, em Washington, consultava através da primeira dama Nancy Reagan a astróloga Joan Quigley. No caso de George W. Bush, ex-alcoólatra que se tornou evangélico, também buscava inspiração divina antes de decisões importantes, como a da invasão do Iraque, que por baixo custou 200 mil mortes documentadas. Já Barack Obama, também segundo assessores, meditava com textos de São Tomás de Aquino antes de despachar drones para bombardear regiões remotas do Paquistão e Afeganistão, na qual morreram suspeitos de terrorismo mas também muitos civis. No caso do Brasil, mesmo uma decisão aparentemente simples de Marina Silva depende de ouvir Deus, mas através da chamada “roleta bíblica”.

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Modelo anacrônico

As pesquisas dominadas por poucos, os debates engessados e o programa gratuito mal formatado são um desserviço à democracia

Confinados no fim da noite e engessados por regras esdrúxulas,
os debates entre candidatos na tevê têm qualidade baixa
Paulo Pinto
Agora que estamos em clima de disputa eleitoral efetiva, o atraso institucional brasileiro em termos de comunicação política fica evidente. Enquanto caminhávamos para a repetição do confronto entre o PT e o PSDB, o problema era menos premente. A eleição transcorria sem despertar emoções na vasta maioria do eleitorado. Salvo os radicais dos dois lados, eram poucos os apaixonados.

Depois de o acaso (ou a “Providência Divina”, como gosta de dizer Marina Silva) tirar a vida de Eduardo Campos, o ambiente esquentou. Quem acompanha o movimento nas redes sociais constata um crescimento de quase 400% nas menções aos candidatos: Dilma Rousseff saltou de 75 mil postagens ao dia, em média, para 250 mil. Eduardo Campos/Marina, de 7 mil para 150 mil. Aécio Neves de 35 mil para 60 mil.

Desde o acidente, o interesse do eleitorado aumentou. A curiosidade dos eleitores a respeito dos resultados das pesquisas ficou maior. Há mais disposição de assistir aos debates na televisão. Apesar de ainda ser cedo para afirmar, há sinais de que neste ano a audiência dos programas no horário gratuito será elevada.

Isso torna óbvio o nosso atraso. No caso das pesquisas, por que não copiar as democracias maduras? Por que insistir em um padrão de debates televisados antigo e superado? Por que preservar uma velha legislação sobre a propaganda eleitoral na televisão e no rádio?

Nos países adiantados, o acesso às boas pesquisas eleitorais deixou há muito de ser, como aqui, privilégio de poucos. Lá, os interessados não são mantidos na ignorância, limitados a tentar adivinhar como estariam as intenções de voto a cada dia. Os repórteres não dão “furos” com os “vazamentos” de “pesquisas internas”. Não há lugar para as especulações dos espertos nas bolsas de valores, em razão do próximo levantamento.

No Brasil, o cidadão conhece fundamentalmente aquilo que um único grande contratador quer que ele saiba. É a Rede Globo, que diz como e quando (e por meio de que instituto) os eleitores serão informados a respeito das intenções de voto em âmbito nacional. Fora O Globo, jornal do grupo, seus outros “parceiros” na imprensa diária (Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo) só sobrevivem neste mercado porque ela consente (mesmo se defendem, provincianamente, como no caso da Folha, institutos próprios).

Além do problema inerente a toda situação de monopólio, há outro, decorrente do modo como atua a Rede Globo, de insistir em submeter as eleições ao modelo de espetacularização que é sua marca registrada. Como faz com tudo, inventa a “pesquisa espetacular”, anunciada e divulgada, com seu costumeiro estardalhaço, como se fosse a verdade revelada.

Já passa da hora de termos mais pesquisas disponíveis para todos, feitas por diferentes entidades, de institutos privados a centros acadêmicos. E de acontecer no Brasil o que é trivial no resto do mundo: pesquisas atualizadas e divulgadas diariamente, que permitem a qualquer interessado conhecer o que os poderosos sabem. Com elas, acaba a “pesquisa espetacular”, desaparecem as especulações e se democratiza a informação.

É também muito ruim o atual padrão de debates entre candidatos na tevê. Confinados ao fim da noite, engessados por regras esdrúxulas, congestionados por candidaturas inexpressivas, são repetidos em cada emissora, pois todas exigem o “seu”. São tantos que nenhum se torna relevante. Até a antevéspera da eleição, quando a Rede Globo faz seu “debate espetacular” (antecedido pela pantomima das “entrevistas espetaculares” com os candidatos).

Nada mais deseducativo que encorajar a decisão tardia, sugerindo ao eleitor retardar a escolha para o último dia. E nada mais autoritário do que constranger os candidatos a comparecer ao “debate da Globo”, sob pena de retaliações no jornalismo da rede na reta final da eleição.

E o horário eleitoral? Alguém considera uma boa a fórmula de os candidatos a presidente se apresentarem colados aos aspirantes a deputado? Isso aumenta ou diminui a audiência dos programas? A exposição de centenas de nomes, que eram e continuam a ser praticamente desconhecidos, amontoados em alguns segundos de visibilidade, facilita ou dificulta a opção pelas candidaturas que deveriam de fato estar na televisão?

Uma eleição como deverá ser a de outubro mereceria condições de comunicação menos despropositadas. Que seja a última tão anacrônica.

Marcos Coimbra
No Carta Capital
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A nova velha política de Marina Silva

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/

Aécio Neves já era.

Dilma Rousseff tenta continuar sendo.

Marina Silva já vê como a que será. Para isso, como Lula em 2002, começa a entregar os anéis e os dedos. Ninguém chega ao topo sem descer ao térreo. Algo se precisa renegar para conquistar os votos dos que não vão às urnas de mãos vazias.

Pouco se tinha visto ecologista defender energia nuclear.

A nova política tem novidades esquisitas e recuos tradicionais.

O PT diz que Marina lembra Collor e Jânio Quadros e que falta experiência para Marina.

Marina, claro, ironizou: tem gente que chegou à presidência ser ter passado antes por qualquer eleição.

O PT, contudo, escolheu a sua nova estratégia: esquecer Aécio, que quanto mais encolhe mais beneficia Marina, e voltar suas baterias contra a nova favorita da corrida eleitoral, a ex-senadora convertida em salvação da lavoura nacional.

Depois dos cavaleiros solitários contra a corrupção, a Amazonas intrépida contra a velha politicagem.

Convence?

Os antipetistas não querem ser convencidos. Desejam apenas que alguém ganhe do PT.

Ainda bem que o PMDB, magnânimo, está disposto a adaptar-se para dar sustentação à Marina no parlamento.

O que seria do Brasil sem tamanha abnegação?
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Espiões na Mídia

A tendência crescente da CIA e outras agências de inteligência estadunidenses para ignorar as proibições anteriores contra o uso de jornalistas como agentes, põe em perigo qualquer repórter legítimo no mundo.

A CIA tem um passado turbulento no uso de jornalistas como agentes de inteligência. A prática era comum nos anos 60 e início dos anos 70, mas foi proibida pelos presidentes Gerald Ford e Jimmy Carter. No entanto, quando o presidente Ronald Reagan ajudou a reviver a Guerra Fria, a CIA começou novamente a usar jornalistas como agentes de inteligência. A prática comprometeu muitos jornalistas, especialmente aqueles tomados como reféns por grupos guerrilheiros durante a guerra civil libanesa. Não há nada que sugira que qualquer presidente desde Reagan tenha suspendido essa prática de usar jornalistas como agentes.

Agentes de inteligência que operam sob a cobertura jornalística podem assumir diferentes formas: Jornalistas trabalhando abertamente para as operações de mídia hoje oficialmente vinculado a operações da CIA. Incluem Radio Free Europe / Radio Free Liberdade, Radio Free Asia, Alhurra, Radio Sawa, Rádio e TV Martí, e em certa medida, a Voz da América. Jornalistas que trabalham para empresas de notícias credenciadas que, secretamente, concordam em trabalhar para a inteligência EUA.

Soube-se que esses jornalistas que trabalham para o jornal The Washington Post, International Herald Tribune, e ex-empregador do presidente Barack Obama, International Business Corporation of the City of New York, editores do boletim de notícias políticas e executivos de negócios. O diretor da CIA, Richard Helms já havia trabalhado como repórter para a United Press International.

Jornalistas que trabalham para publicações ligadas às frentes da CIA ou fachadas da CIA, incluindo Kyiv Post, Cambodia Daily, Burma Daily, Kabul Weekly, e Lidove Noviny Praga. Jornalistas independentes que acompanham forças militares e paramilitares dos EUA e trabalham para uma ou mais operações de mídia que têm perfis muito baixos.

Sabe-se de jornalistas que trabalham para operações de mídia financiados pelo Board Broadcasting Governors dos EUA abandonam as organizações de mídia legítimas, onde já estabeleceram fortes contatos jornalísticos e de alto nível para se juntar as operações do governo como Radio Free Europe e os outros para realizar tarefas de inteligência americana.

Uma das fontes favoritas da CIA para os seus jornalistas-agentes durante a guerra foi o Tribune International Herald Tribune, ex-Paris Herald Tribune, com sede em Paris. O jornal terminou sendo propriedade conjunta pelo The Washington Post e o New York Times. O editor-chefe do Herald Tribune News Service, Nathan Kingsley, deixou a sede do jornal em Paris, para ser chefe do serviço de notícias da Radio Free Europe, em Munique. Kingsley que substituiu Gene Mater tornou-se porta-voz de relações públicas do Free Europe Commitee Europa, em Nova York. Radio Free Europe e Free Europe Commitee estavam ambos conectados com a CIA.

O editor do International Herald Tribune John Hay Whitney, ex-embaixador dos EUA na Grã-Bretanha, esteve envolvido no estabelecimento de uma operação midiática da CIA chamada Kern Casa Enterprises, uma empresa de propriedade da CIA registrada em Delaware. A filial britânica da Kern House, que está localizado em Kern House, em Londres, publicou um serviço de notícias da CIA chamado Features Fórum Mundial (FWF), que, por sua vez, estava vinculada a outra fachada da CIA, o Congresso para Liberdade Cultural (CCF em Inglês), em Paris. O CCF publicava em nome da CIA, dois jornais: Encounter e Information Bulletin. O FWF vendia seu material noticioso para 50 jornais em todo o mundo, incluindo 30 nos EUA. O FWF, que foi criado em 1965 e supervisionado por Kermit Roosevelt, o arquiteto da CIA na queda do governo democrático do Irã em 1953, também publicava Conflict Studies, uma revista acadêmica que foi uma das primeiras a exagerar na "ameaça" do terrorismo global no início dos anos 70.  O FWF poderia apresentar qualquer um dos seus agentes como jornalista e enviá-los para cumprir sua missão. Um desses agentes-jornalistas foi designado para a estação da CIA em Bangkok.

Durante anos, a CIA operou o Rome Daily American na Itália. O editor do jornal em idioma inglês era um antigo repórter da Associated Press. O jornal era impresso pela mesma imprensa que imprimia o pequeno jornal italiano que representa os pontos de vista do Partido Social Democrata italiano. The Daily American fechou em 1986.

Outro jornal operado pela CIA foi o South Pacific Mail, que foi baseado em Santiago do Chile e era operado pelo agente da CIA David Atlee Phillips. O jornal de língua inglesa era distribuído no Chile e em várias nações e territórios do Pacífico Sul, Nova Zelândia e as ilhas Samoa Novas Hébridas e Tonga. Phillips, que mais tarde foi identificado como um facilitador chave do assassinato do presidente John F. Kennedy em Dallas, disse que ele e cerca de 200 outros jornalistas com quem ele estava familiarizado firmaram  com entusiasmo acordos secretos com a CIA ao ser recrutados como agentes. Entre os que assinaram acordos semelhantes estava Arthur Hays Sulzberger, editor do The New York Times.

A Operação Mockingbird foi uma operação da CIA para influenciar a cobertura de organizações estabelecidas de mídia davam a notícias e eventos. Incluído nas operações de influência da CIA na mídia estavam Time Magazine, Christian Science Monitor, Newsweek, The Washington Post, The New York Herald-Tribune, Saturday Evening Post, The Miami Herald, The Star Washington, e Copley News Service.

Goodrich Austin era um jornalista freelancer que escrevia para jornais favoritos da CIA, o Paris Herald Tribune, CBS News e The Christian Science Monitor. O Christian Science Monitor tornou-se ao longo dos últimos seis anos, um ardente defensor da administração Obama e da política externa intervencionista "Responsabilidade de Proteger" (R2P) da CIA. Mesmo depois que Goodrich foi identificado como agente da CIA continuou a trabalhar como jornalista em Estocolmo, Amsterdam, Bangkok, e Berlim Ocidental.

Uma demonstração da política R2P foi o treinamento e armamento pela CIA dos rebeldes islâmicos sírios que sequestraram o repórter fotográfico estadunidense  James Foley em 2012. O ISIS (EI), grupo que seqüestrou Foley, cuja experiência jornalística incluia seu envio com unidades militares do EUA no Afeganistão e no Iraque e aos rebeldes apoiados pela CIA na Líbia e na Síria; finalmente o executaram numa terrível decapitação registrada em vídeo. Mas ainda há dúvidas sobre se o uso contínuo de jornalistas como agentes e o uso de jornalistas insurgentes treinados pela CIA, corre o risco de que os jornalistas sejam confundidos com agentes da CIA, especialmente em zonas de guerra.

Stuart Loory, que trabalhou como correspondente em Moscou do New York Herald-Tribune, nos anos 60, antes de trabalhar no Los Angeles Times e CNN,  disse que o uso de jornalistas como espiões pela Cia questiona o status de cada jornalista. Ele disse: "Se até mesmo um americano no exterior com um cartão de imprensa é um informante pago pela CIA, então todos os americanos com essas credenciais são suspeitos." Loory sublinhou que "os jornalistas devem estar dispostos a se concentrar em si mesmo a visão que tão implacavelmente  concentram nos outros."

No entanto, a cautela insistentemente recomendada por Loory caiu em ouvidos surdos em alguns casos. Em 2012, o repórter do New York Times Mark Mazzetti, enviou uma cópia antecipada de um artigo escrito por sua colega, a colunista Maureen Dowd, a um porta-voz da CIA Marie Harf. O artigo de Dowd, se referia a um vazamento da CIA para Hollywood que tinha a ver com a produção de um filme chamado Zero Dark Thirty (A noite mais escura). Desde então Harf foi promovida a vice-secretária de imprensa do Departamento de Estado, que, sem dúvida, continua a agir por seus ex-colegas da CIA na identificação de jornalistas dispostos, especialmente correspondentes estrangeiros, ansiosos para colaborar com a CIA.

Enquanto uma série de publicações impressas fechavam suas portas, os meios noticiosos baseados na web se multiplicaram. O  Global Post, com sede em Boston, pode enviar o jornalista independente Foley em caras tarefas na Líbia e na Síria. Um site de notícias na web baseada em assinantes, que tinha apenas 400 assinantes, não somente é capaz de enviar alguém como Foley para cobrir guerras, mas se permite manter uma equipe de 65 correspondentes internacionais em cidades de alto custo que varia de Moscou e Jerusalém para Tóquio e Nairobi. Você tem que fazer algumas perguntas desconfortáveis. Por exemplo, de onde Global Post recebe realmente financiamento? E por que considera vantajosa incorporar seus jornalistas independentes com unidades militares dos EUA e grupos islâmicos insurgentes e financiado pela CIA? Considerando os últimos 65 anos em que a CIA usou jornalistas como agentes, as respostas a estas questões são ainda mais evidentes.

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Wayne Madsen, jornalista investigativo baseado em Washington DC, com distribuição nacional. Ele é editor e publisher da Wayne Madsen Report.
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Em busca da razão no debate político

Faltam 32 dias para o primeiro turno. Até lá, estão marcados mais dois debates. Na Record, 28 de setembro. Na Globo, 3 de outubro.

A movimentação de uma parte de aliados de Aécio Neves a favor da desistência da candidatura própria e do voto útil em Marina Silva apenas confirma aquilo que os leitores deste espaço sempre souberam.

As candidaturas do PSDB e do PSB jamais possuíram diferenças fundamentais de programa nem de visão de mundo.

A ideia, através do sacrifício de Aécio, é garantir a derrota de Dilma Rousseff de qualquer maneira, impedir que o eleitor tenha condições de realizar uma reflexão madura sobre as propostas da campanha e realizar uma escolha a partir de informações consistentes e análises racionais.

Do ponto de vista de Aécio e do PSDB, a dúvida é o preço a pagar. Ao curvar-se para a caravana de Marina passar, o PSDB estará fazendo um movimento de autodestruição de sua representação polítíca, processo que, pela dimensão do partido, irá comprometer o futuro de uma bancada com 12 senadores e 53 deputados federais, 8 governadores e 700 prefeitos, além de contaminar os fundamentos do regime democrático.

Em 1960, uma atitude semelhante por parte da UDN levou à adesão a Jânio Quadros e preparou o terreno para o golpe de 1964. Em 1989, a mesma atitude levou a posse de Fernando Collor, ao impeachment e a uma crise política que atravessou uma decada. Nos dois casos, o debate envolvia uma escolha principal, um debate periódico entre as elites brasileiras, o mesmo que se coloca agora.

A pergunta era e é: para derrotar um adversário que não se consegue vencer nas urnas — os herdeiros de JK-Jango, em 1960, Lula-Brizola, em 1989 — é razoável optar pela aventura de alto risco, pelo caminho irresponsável?

Vamos combinar que a eleição de 2014 apresenta uma peculiaridade. No início de agosto, quando a campanha se desenvolvia sob condições que se poderia chamar de normais, a candidatura de Aécio encontrava-se em 20%. Eduardo Campos não subia além de 10%. Os números apontavam para uma provável vitória de Dilma, autorizando especulações em torno de uma eventual vitória em 1º turno. A oposição estava desenganada. Salvou-se por um triz, num acidente, extrapolítico e extraeleitoral: a queda do Cessna.

A entrada de Marina Silva mudou a eleição, sabemos todos. Criou um ambiente de avessos ideológicos semelhantes àqueles que permitiram, em 1989, na vitória de Collor, a “falsificação da ira,” como definiu na época o professor Francisco de Oliveira. O mesmo ocorreu em 1960, quando até uma fatia do PCB rompeu com as candidaturas progressistas para aderir a Jânio, o candidato que comia sanduiche de mortadela em comícios para fingir que era pobre. Em 1985, na primeira eleição direta para prefeitos de capital, fez-se uma aposta semelhante. A avenida Paulista, Higienópolis e os Jardins se uniram contra Fernando Henrique e contra Eduardo Suplicy — não havia eleição em dois turnos na época — para ressuscitar Jânio. Após desinfetar a cadeira no dia da vitória, tomou posse usando barba de Abraham Lincoln — era a farsa da farsa, agora como comédia.

Se a democracia se exerce através de partidos, e não a partir de indivíduos providenciais, não custa lembrar o retrospecto preocupante de Marina Silva. Entre 2008 e 2014 ela esteve filiada a quatro partidos, incluindo a Rede, que não conseguiu legalizar. Um recorde de instabilidade. Sobreviveu recebendo o equivalente a R$ 50 000 por palestras para clientes cujo nome não revela por exigência de seus clientes — numa subordinação estranha para quem frequenta círculos tão apegados à cultura anglo-saxã, na qual um comportamento desse tipo pode impedir a nomeação até de uma secretaria de Estado, quanto mais comprometer uma candidatura presidencial.

Personalidades que nunca foram testadas nas urnas pontificam sobre economia, sobre os rumos do país, sobre a ideologia de Luiz Inácio Lula da Sivla — e, claro, sobre a autonomia do Banco Central.

O alvo do esfacelamento democrático, da representação organizada de interesses, é questionar a soberania do país e é por isso que ela ataca a Petrobrás, o Pré-Sal e todo esforço para proteger o potencial energia do Brasil. Também questiona o programa de usinas nucleares, presente no cotidiano de todo país que não quer perder contato com seu futuro. O argumento ecológico tem um horizonte que vai muito além de questões relativas ao meio ambiente. É a porta aberta para uma política de subordinação externa, como se vê neste estranho mundo do século XXI, com países em ruína, estados em destruição. “A questão do Estado-Nação ficou ultrapassada,” argumenta André Lara Rezende, um dos gurus de Marina.

Dá para entender por que se deve discutir o que move a campanha de Marina Silva, certo?

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O que saber antes de votar em Dilma

Vamos falar de corrupção ? Que tal tratar do jatinho sem dono?

6 Coisas Que Você Precisa Saber Antes De Sair Votando No PT

1. A corrupção e o PT

A corrupção e o PT

2. O aparelhamento do Estado pelo PT

O aparelhamento do Estado pelo PT

3. O absurdo que o PT fez com a economia do país

O absurdo que o PT fez com a economia do país

4. Os planos do PT para se perpetuar no poder

Os planos do PT para se perpetuar no poder

5. O assistencialismo do PT

O assistencialismo do PT

6. A censura e o PT



Do Seja Dita a Verdade
No CAf
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Debate Uol e SBT: Dilma surpreende, Marina se enrola e Aécio vira nanico


Dilma foi a sorteada para ser a primeira a fazer as perguntas nos dois blocos entre candidatos. Em ambos, escolheu Marina Silva. A estratégia de Dilma foi a de explorar as contradições e inconsistências da candidata do PSB e do seu programa de governo. Na primeira pergunta, Dilma levantou uma série de propostas de Marina e apresentou o quanto isso custaria, perguntando de onde ela tiraria o dinheiro já que não pretende continuar o Pré-Sal. Marina se atrapalhou na resposta e disse que cortaria os gastos públicos para poder fazer o que promete. Mas não explicou como seriam esses cortes e nem onde seriam realizados.

Na segunda oportunidade que pôde fazer pergunta, Dilma também foi de Marina. E foi direto ao ponto do Pré-Sal. Disse que das 242 páginas do seu programa, Marina havia dedicado apenas uma linha a essa questão. Marina de novo não deu uma resposta direta. Tergiversou como pôde, mas depois disse que irá continuar a exploração, mas também olhando para o futuro e para outras fontes energéticas. Dilma lhe disse que aquilo que ela menosprezava valia 1 trilhão de reais. E Marina de novo não foi direta na resposta.

Aécio ficou boa parte do tempo olhando as duas debaterem. E também observando Eduardo Jorge e Levy Fidelix, cada um ao seu jeito, darem seus shows. Quando tinha a palavra, Aécio tocava de lado e de forma burocrática. Como se já houvesse desistido da candidatura e cumprisse apenas um papel ao qual não podia mais recusar.

Mesmo quando teve a chance de confrontar Dilma Roussef, saiu-se mal. Tomou duas coelhadas da candidata do PT, que partiu para cima no seu jeito Mônica de ser.  Dilma disse que Aécio devia ter memória fraca por não se lembrar dos investimentos do governo federal em Minas Gerais.

Outro momento interessante foi quando Luciana Genro perguntou a Marina se ela era a segunda via do PSDB. Marina quando confrontada faz caretas e começa a resposta irritada. Não foi diferente dessa vez. Ao invés de ser direta e dizer que não, voltou no tempo e começou a elogiar os governos anteriores, tentando dizer que não era radical como a candidata do PSOL, algo absolutamente desnecessário. Na réplica, Luciana deu lhe um truco. A psolista afirmou que não dava para conciliar o tempo todo e que Marina não iria governar para o povo, porque fazia acordo com banqueiros, usineiros e se submetia às pressões do Malafaia. E aí, Marina mordeu a isca e voltou a culpar o revisor pelo volta atrás nas questões LGBT.

Marina não foi bem neste debate. Teve um desempenho bem inferior ao anterior. Inclusive porque seus adversários começaram não só a explorar suas contradições, como também a chamar a atenção para o fato de que ela não responde nada de forma objetiva. Entenderam que o jeito Marina de discursar pode ser bom para um debate ou dois. Mas que se bem explorado pode se tornar uma arma contra a candidata.

Por outro lado, Dilma saiu um pouco da camisa de força do marketing e foi mais Dilma. Isso fez com que melhorasse sua performance. E mesmo dando suas costumeiras gaguejadas, teve o melhor desempenho entre os três principais candidatos. Até porque, Aécio virou um engravatadinho sem graça no meio da disputa franca das candidatas mulheres.

Aliás, não se pode negar isso nem a Marina nem a Dilma. Ambas não estão fugindo do confronto direto. E isso tem deixado os debates dessa eleição presidencial muito mais interessantes.

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Debate Uol e SBT — íntegra


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Essa é do Barão... 32


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Dilma 35 vs 32 Bláblá

Bláblá estanca nas contradições


Tracking do DataCaf:
Dilma 35

Bláblá 32

Arrocho 15
Amanhã, Globope tentará desmentir o DataCaf.

Não se deixe impressionar: ela não passa de um FHC de saias.

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