2 de set de 2014

A “liberdade de expressão” da grande imprensa nas eleições


Folha, Estadão, Uol, Zero Hora, Gazeta do Povo, Google, Ibope e Datafolha uniram-se para lançar um portal que monitora processos judiciais contra publicações da imprensa sobre candidatos às eleições de 2014. A ideia original e, em um primeiro momento, de interesse público busca mostrar a censura judicial praticada por candidatos, de acordo com partidos e regiões brasileiras, tornando-se um censo e mapeamento de postulantes aos cargos representativos que bloqueiam a ampla e livre divulgação das informações que os eleitores têm o direito de saber.

Entretanto, os únicos veículos de comunicação que podem fazer o registro das ações sofridas são os parceiros, acima descritos, ou seja, restrito à grande imprensa. A ideia passa a ser, portanto, fazer um balanço das tentativas de bloqueio de informações da grande mídia.

"Os casos de censura judicial aumentam durante o período de eleições, quando candidatos tentam evitar que portais, redes sociais, blogs e publicações on-line noticiem informações que consideram negativas a suas candidaturas", informa a abertura da nota oficial do projeto "Eleição Transparente", uma contradição ao que de fato ocorre. 

A base de dados é fornecida e atualizada diariamente pelas empresas, que se cadastram e preenchem um formulário com detalhes sobre a notificação judicial. Mas os nomes desses meios de comunicação não são divulgados na plataforma do projeto.

"Quem alimenta a base de dados são representantes legais de empresas que foram intimadas pela Justiça Eleitoral por causa de publicação de informações", é a explicação. "O portal Eleição Transparente é organizado pela Abraji com a ajuda de empresas de mídia e tecnologia que costumam ser alvos de processos de supressão de informações em período eleitoral", diz outra descrição sobre o projeto.

O segundo ponto em observação é que os únicos candidatos a presidência apresentados pela plataforma que entraram com processo contra a divulgação de informações, até o dia de hoje (01), são Luciana Genro (PSOL) e Dilma Rousseff (PT). Aécio Neves, candidato pelo PSDB, que possui, no mínimo, duas ações contra o Google, não consta no monitor. A ausência de um dos processos poderia ser explicada pelo fato de tramitar em segredo de Justiça — informação esta que deveria estar exposta na plataforma.

O Jornal GGN entrou em contato com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a responsável por reunir as empresas e consolidar o projeto, para verificar o motivo. Enviamos o seguinte email a José Roberto de Toledo, jornalista do Estadão e presidente da Abraji:
"Olá, Toledo.

Estava conversando com Laury Bueno, que me tirou algumas dúvidas sobre o projeto 'Eleição Transparente'. Em primeiro lugar, parabéns pela iniciativa.

Mas tive uma dúvida com relação a ações de candidatos que correm em segredo de justiça. Laury me respondeu que esses processos não são inseridos no sistema pelas empresas parceiras.

Entendo o teor do sigilo, mas questionei se omitir essas ações, mesmo que sem apresentar detalhes (apenas divulgando os nomes das partes, por exemplo), não seria ir na contramão do projeto, que busca deixar transparente as tentativas de censura.

Ele me passou o seu contato e agradeceria se pudesse me fornecer um posicionamento.

Obrigada, e aguardo o retorno".
A Abraji não respondeu ao questionamento de se omitir ações em segredo de Justiça, e enviou o seguinte posicionamento:
"Se não acreditássemos que o projeto ajudaria a medir o volume e dar publicidade aos casos, obviamente, não teríamos nos dado ao trabalho de fazê-lo. O site dá o link para o repórter minimamente investido no assunto ler tudo sobre o processo no próprio site da justiça eleitoral: não só ver do que se trata, mas também ter um acompanhamento em tempo real do seu andamento. Tudo a um clique de distância. Se isso é ir na contramão da transparência, eu gostaria de saber o que é a mão.

Atenciosamente

Jose Roberto de Toledo".
Ainda assim, outra ação de Aécio Neves (PSDB) contra o Google e uma contra o Facebook não estão em sigilo e não constam no portal.

A fim de entender a ajuda de "medir o volume e dar publicidade aos casos", o Jornal GGN testou a plataforma e pesquisou as ações sofridas pela empresa Folha da Manhã S/A, do jornal Folha de S. Paulo. O grupo tem 2 processos, um pelo PSB e outro não especificado o partido. Quando clicado, o cargo do candidato também não foi especificado. Quando a ação é acessada, verifica-se que o processo é da coligação Juntos com o Povo, liderada pelo PSDB, com PSD, PSB, PP, SD, PRB, PSC, PTB, PPS, PEN, PMN, PTC, PSDC, PTDOB, PRP. 


Ainda que a ação de Aécio Neves não estivesse em sigilo, seu nome ainda poderia não aparecer na lista de candidatos, por se utilizar da coligação ou nome do partido em ações judiciais, como foi o caso da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 5136 contra a Lei Geral da Copa, sancionada pela presidente Dilma Rousseff. O processo foi protocolado em nome do partido, e não do candidato. 

Mais uma curiosidade sobre a plataforma: os dados são compilados e visualizados por Partido, Cargo, Candidato, Empresa ou por Unidade Federativa. Neste último, logo verifica-se que o balanço é imparcial, uma vez que a maioria das publicações concentram-se na região sul e sudeste.

Como informado por José Roberto de Toledo, o objetivo da publicidade será alcançado. Da liberdade de expressão, não.

Patricia Faermann
No GGN
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Mateus, capítulo 6, versículo 24

O segundo debate público entre candidatos à Presidência da República pela televisão, ocorrido na noite de segunda-feira (1/9), consolida a percepção de analistas da imprensa de que o ex-governador Aécio Neves tem remotas chances de vir a disputar um eventual segundo turno. Mais do que as conjecturas de especialistas que destrincham os detalhes das duas mais recentes pesquisas de intenção de voto, pesa contra o candidato do PSDB uma declaração do coordenador de sua própria campanha, José Agripino Maia (DEM-RN), de que a coligação vai apoiar a ex-ministra Marina Silva (PSB) na disputa direta com a presidente Dilma Rousseff.

Os jornais de terça-feira (2/9) ressaltam a nova polarização da disputa, agora entre Dilma e Marina, e o fato de que Aécio Neves permaneceu quase todo o tempo do debate em segundo plano, disparando críticas contra a presidente e evitando confrontar diretamente a candidata do PSB.

O momento delineado pelo encontro dos presidenciáveis no estúdio do SBT, em São Paulo, é o da consolidação de Marina Silva no primeiro plano do jogo eleitoral, mas a dinâmica dos acontecimentos e a própria natureza da aliança que a suporta tendem a oferecer grandes surpresas. Marina Silva começa a enfrentar os efeitos da contradição que personifica, na qualidade de candidata que se propõe a reformar os costumes políticos mas cujo sucesso depende de certa flexibilidade, para não dizer jogo de cintura, para conservar apoios tanto entre religiosos radicais quanto entre militantes de causas com alto potencial de controvérsia.

Originada no campo avançado da política progressista, aquele que propõe substituir as bandeiras da esquerda clássica pelo ideário da sustentabilidade, ela submeteu sua racionalidade à racionalização da fé religiosa. Como candidata, precisa agora conduzir essa ambiguidade no perigoso jogo do poder político. Para se eleger, a insustentável leveza de Marina precisa de um programa consistente e sólido. Resta saber se conseguirá resistir às tormentas da campanha, tendo que se equilibrar constantemente com cada pé apoiado em uma canoa.

Entre dois senhores

Marina Silva procura se apresentar como uma obra em progresso, aquilo que o compositor celebrizou como uma “metamorfose ambulante”. Mas corre o risco de ser vista mais propriamente como borboleta que regride ao estado de lagarta.

O discurso da sustentabilidade não sobrevive longe do berço da ciência, que lhe deu origem e credibilidade. Ao fazer concessões ao campo oposto, o da religião obscurantista, ela perde o vínculo com a raiz de sua persona política.

Entre sua fé religiosa e a conveniência de apoiar políticas de igualdade entre os gêneros, ou a autonomia da mulher sobre seu próprio corpo, ela tenta convencer o eleitorado evangélico de que segue fiel aos seus dogmas, ao mesmo tempo em que precisa defender propostas que a situem no centro das questões contemporâneas.

Entre suas originais convicções ambientalistas e a suposta necessidade de agradar as forças conservadoras do agronegócio, ela procura preservar o respeito dos adeptos do ideário que a colocou no mundo da política, ao mesmo tempo em que tenta convencer o capital agrário de que pode confiar nela.

A rigor, ela não precisaria fazer tantas concessões. O carisma que cultivou ao longo da carreira a faz maior que o PSB, e ainda maior que a aliança onde apoia sua candidatura. Se vencer frustrando seu eleitorado histórico, submetendo seu programa de governo aos ditames de manipuladores da fé religiosa e aos oportunistas da política que diz combater, estará conduzindo a retrocesso todo o movimento que sustentou sua carreira até aqui. Se mantiver sua fidelidade aos valores que a transformaram em fenômeno político, pode vencer sem ter que entregar sua alma aos demônios do poder.

A imprensa ressalta suas contradições e a pressiona para que assuma uma posição mais conservadora, na qual supostamente receberá mais apoio para a campanha. Para usar a doutrina a que a cidadã Marina Silva se obriga como evangélica, pode-se dizer que a candidata Marina Silva incorre no risco sobre o qual alertava o pregador, segundo o livro de Mateus, capítulo 6, versículo 24:
“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Você não pode servir a Deus e ao dinheiro.”

Luciano Martins Costa
No OI
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Aprenda a falar MariNeca

Quer entender o que MariNeca fala? Simples : basta combinar aleatoriamente as frases das colunas desta tabela...

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Marina no jornal da globo: Bíblia é fonte de inspiração; decisões são racionais



Dilma dá uma banana pra Waack e Urubóloga!

Dilma prefere ir às ruas, com o povo!


Dilma Rousseff avisou que não vai ao “debate” anunciado no Mau Dia Brasil (onde brilha a estrela fulgurante da Urubóloga) e ao jornal a globo, uma espécie de “cadafalso da madrugada”, onde a figura central é o patibular William Traaack, uma revisão de Peter Lorre.

Por quê?

Até onde apurou o ansioso blogueiro é porque não compensa.

A audiência dos dois programas não recomenda.

Especialmente depois da Copa, quando os telejornais (sic) do "Gilberto Freire" com “ï” desabam com o Arrocho — não justifica.

Pra quê?

Muito esforco pra falar com meia dúzia de gatos pingados.

Pra fazer escada para Urubóloga e o patibular?

“Porque eu perguntei isso, eu dissse aquilo, ela me falou…”

Agora só falta a Dilma dizer que não vai ao último debate na Globo no dia em que a Globo quer — no dia em que eles editam o debate Collor e Lula e o “I” ignora o desastre da Gol para levar a eleição de 2006 ao segundo turno.

Dilma vai preferir ir para as ruas com o Lula.

Amanhã, Belo Horizonte.

Ela vai ao evento das “Olimpíadas do Conhecimento” e depois, rua!

Com os mineiros.

Os mineiros, de certo lado.

Podia aproveitar para visitar o túmulo da candidatura do "Turista da Veiga", outra retumbante escolha do Arrocho.

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De bagre a tubarão: a nova Marina

Nesta fase, a candidata do PSB tenta nos convencer de que desapareceram interesses em conflito

Marina Silva construiu sua carreira associada a um discurso ambientalista, de luta contra transgênicos, crítica ao desmatamento, defesa dos pobres e intransigência de "princípios" — embora nunca se soubesse direito quais eram exatamente estes. A seu favor, contou ainda com uma história de vida repleta de sofrimento e superações. Se esta trajetória deixou sequelas em sua saúde, ao mesmo tempo esculpiu uma imagem bem ao gosto de marqueteiros.

Esse capital, que sempre impulsionou a candidata e angariou a simpatia de milhões, agora está sendo jogado no lixo. A nova política, como os fatos têm demonstrado, é o rótulo que batiza não uma mudança de valores, mas a transformação da própria Marina. Um caso pensado de autodesconstrução.

As propostas da personagem repaginada são, no mínimo, desalentadoras. No campo da economia, repete sem nenhuma originalidade o estribilho do tripé estabilidade cambial, controle da inflação e equilíbrio fiscal. Acrescentou a independência do Banco Central, uma cantilena que soa como música entre o pessoal da banca.

As restrições a doadores eleitorais "impuros" também são coisas do passado. Agora, vale tudo, desde que jorre dinheiro na campanha. O combate aos transgênicos encontra-se devidamente engavetado. Quando se trata de costumes, nem se fale. Deu origem até a um fato inédito: uma errata de última hora num programa pronto há meses.

Na esfera da política, uma embromação atrás da outra. "Democracia transversal", "adensamento do programa" e pérolas do gênero por enquanto só produziram uma coalizão capenga, um avião-fantasma e a busca frenética por aliados de qualquer natureza. Nada mais velho e conhecido.

Junto a isso, surge mais um embuste. Vamos governar com os "melhores". Que diabo é isso? Francis Fukuyama, historiador americano, teve seus 15 minutos de fama quando decretou o fim da história. O marco seria a queda do Muro de Berlim. Os acontecimentos de lá para cá trataram de desmenti-lo redondamente. Ou seja, a diferença entre classes sociais, a desigualdade na distribuição da riqueza e o abismo entre ricos e pobres estão aí, vivinhos da silva.

Nesta fase em que passou de bagre a tubarão, Marina tenta nos convencer de que desapareceram interesses em conflito. Chegou ao cúmulo de colocar no mesmo patamar Chico Mendes, o dono da Natura e o pessoal do Itaú, um dos líderes em demissões no setor financeiro. Só faltou incluir fazendeiros que armaram com êxito o assassinato do líder sindical.

Ocorre que o melhor para um banqueiro certamente não será o melhor para um endividado, assim como o certo para um evangélico pode ser errado para um católico ou ateu. A democracia autêntica, até onde se sabe, prevê um jogo político capaz de fazer valer a vontade da maioria — sem nunca impedir a expressão e os direitos das minorias. A visão messiânica, tão ao gosto de Marina, caminha no sentido contrário. Geralmente tem como epílogo a minoria dos "melhores" sufocando a maioria mais humilde.

Retomando algo já escrito outras vezes. O que o brasileiro quer saber é muito simples: o que os candidatos têm a oferecer para ampliar conquistas já obtidas. Haverá mais empregos ou uma onda de demissões? A aposentadoria vai mudar? O preço do pãozinho subirá? E o salário mínimo? Vem aí um tarifaço? A gasolina irá aumentar? Os juros cobrados pelos banqueiros continuarão nas alturas? As grandes fortunas serão taxadas? Quais medidas concretas serão tomadas para resolver questões como essas?

Como hoje é dia de debate presidencial, eis aí uma boa oportunidade para Marina e seus rivais esclarecerem o eleitor.

Ricardo Melo
No fAlha
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Dilma acua Marina na TV

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Empresa de vigilância pagou despesas de avião de campanha do PSB

Donos da firma, da periferia de São Lourenço da Mata (PE), apresentam versões contraditórias sobre o caso

Uso Eleitoral: O jato que servia a Eduardo Campos na campanha à Presidência
Marcelo Carnaval
SÃO LOURENÇO DA MATA (PE), SÃO PAULO e RIO — A empresa que pagou as despesas operacionais do avião usado pelos candidatos do PSB à Presidência, Eduardo Campos e Marina Silva, nos primeiros meses de campanha eleitoral, funciona em uma casa simples na periferia de São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana de Recife. Registrada oficialmente como firma de vigilância, a Lopes & Galvão Ltda. aparece como pagadora de serviços de parqueamento e atendimento para a aeronave PR-AFA, prestados pela Líder Táxi Aéreo. (Veja o infográfico e entenda o caso)


O Globo localizou Genivaldo Galvão Lopes e Luciene Lindalva Lopes, donos da empresa, na casa onde vivem há pelo menos uma década e que funciona como sede da empresa, no bairro Tiúma, antiga vila operária da cidade. Primeiro, os dois negaram ter pagado despesas da aeronave, dando a entender que a firma deles poderia ter sido usada indevidamente.

Nesta segunda-feira, por meio de um advogado, Genivaldo mudou a versão e informou que “pode ter realizado pagamentos a pedido de outras pessoas”. No entanto, preferiu não identificá-las, sob a alegação de que o fará apenas quando for “intimado por autoridades competentes para prestar esclarecimentos”.

— A gente não tem nada a ver com isso, somos pessoas decentes — disse Luciene, ainda na tarde de domingo.

— Eu não gosto nem de avião — completou o marido, na ocasião.



Empresa não é cadastrada

Embora registrada oficialmente como empresa de atividades de vigilância e segurança privada, a Lopes & Galvão não é cadastrada na Delegacia de Controle da Segurança Privada, da Polícia Federal, como determina a legislação. O casal afirmou que a empresa atua na terceirização de funcionários de serviços gerais, como copeira, diarista e faxineira, para firmas de Recife. E negou qualquer relação política com políticos ou partidos.

— É uma empresa pequena. Resume-se a uma pessoa só, que sou eu — disse Genivaldo.

Uma de suas filhas, Sylney Lopes, de 29 anos, disse não fazer sentido a empresa do pai bancar despesas operacionais de uma aeronave avaliada em US$ 8,5 milhões (R$ 19 milhões).

— Você acha que, se tivéssemos esse dinheiro todo, eu moraria aqui em Tiúma? Longe de tudo, nessa rua... — afirmou, mencionando o bairro onde mora com a família, na periferia de São Lourenço da Mata.

O Globo teve acesso ao registro do contrato da Lopes & Galvão com a Líder Táxi Aéreo, para a prestação de serviços no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Antes de a empresa assumir o contrato, os serviços eram pagos pela AF Andrade, antiga proprietária da aeronave, com sede em Ribeirão Preto (SP). O gasto mensal com parqueamento e atendimento de um avião como o usado pelos candidatos do PSB gira em torno de R$ 30 mil mensais. Dependendo dos serviços contratados, a despesa no mês pode alcançar R$ 40 mil, segundo empresas do setor.

O avião foi comprado em maio de 2014 pelo empresário João Carlos Lyra, em sociedade com Apolo Santana Vieira e Eduardo Freire Bezerra Leite, também empresários, para ser usado na campanha de Campos e Marina. O próprio candidato testou a aeronave antes de a compra ser oficializada. Parte dos pagamentos para a AF Andrade foi feita por empresas fantasmas e sem lastro financeiro para quitar o negócio, como mostrou o “Jornal Nacional” na última semana.

O uso do mecanismo levou a PF a suspeitar que os empresários podem ter sido usados como laranjas para a compra do Cessna por alguém ligado diretamente ao PSB, a Eduardo Campos ou próximo a ele. O pagamento de despesas operacionais da aeronave por meio de uma empresa pequena e de outro ramo de atuação só reforça a tese da PF.

Oficialmente, a polícia afirma não ter recebido, ainda, pedido formal de investigação do caso, por parte do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele já determinou a abertura de procedimento para apurar possíveis irregularidades na utilização do jato.

Na primeira declaração de gastos da campanha, o PSB não declarou o uso da aeronave. Depois do acidente, o partido alegou que até o fim da campanha pretendia contabilizar as horas de voo e emitir recibo eleitoral de doação recebida dos empresários João Carlos Lyra e Apolo Santana. Os dois teriam doado ao partido na condição de pessoa física.

Nesta segunda-feira, O Globo perguntou ao PSB quem pagou pelas despesas operacionais do avião, se o partido ou os empresários que supostamente o doaram à campanha. Por meio da assessoria, o partido informou que não vai se posicionar sobre o assunto e que todos os esclarecimentos estavam em nota oficial divulgada na última semana. O texto não responde à pergunta.

O advogado indicado por Genivaldo Galvão Lopes para apresentar sua versão para o caso é o criminalista Ademar Rigueira, o mesmo contratado pela viúva de Eduardo Campos, Renata Campos, para acompanhar, em nome da família, as investigações sobre o acidente que matou o ex-governador de Pernambuco e outros seis assessores em 13 de agosto, em Santos (SP).

Até advogado estranha

Perguntado sobre a coincidência, Rigueira afirmou não ser advogado constituído de Genivaldo, e apenas ter sido procurado por ele para obter uma orientação.

— Ele pode ter lido meu nome em jornais, sou um profissional conhecido em Recife — disse o defensor.

Rigueira disse considerar estranho que despesas da aeronave tenham sido pagas por uma empresa do porte da Lopes & Galvão.

— Eles vão ter que explicar. Eu não sei (por que a empresa pagou). Você tem razão em estar questionando isso — afirmou o advogado.

A Força Aérea Brasileira está investigando as causas do acidente. A Polícia Civil de SP e a Polícia Federal também abriram inquérito sobre o desastre. As duas polícias têm como outra tarefa identificar devidamente os verdadeiros donos do jato. A informação é importante para nortear ações e pedidos de indenização de moradores de Santos que tiveram algum tipo de prejuízo com o acidente. Pelo menos 50 pedidos de indenização já foram apresentados à polícia.

Marcela Balbino, Thiago Herdy e Antônio Werneck
No O Globo
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Gigantesca bola de fogo cruza cidades da Região Sudeste do Brasil


Uma gigantesca bola de fogo rasgou o céu de diversas cidades brasileiras na noite de segunda-feira, produzindo um forte clarão observado desde São Paulo até Minas Gerais. De acordo com a BRAMON, este é um dos maiores bólidos já registrados pelas câmeras de vigilância da instituição.


A rocha entrou na atmosfera terrestre por volta das 19h07 BRT e cruzou parte da Região Sudeste do país vinda provavelmente do sul-sudeste no sentido Norte-Noroeste.

Em diversas cidades houve relatos da bola de fogo, inclusive na capital paulista. Testemunhas disseram que durante o tempo de observação a luz o objeto parecia variar do amarelo no início da trajetória ao branco-azulado nos momentos finais. Nenhum relato, no entanto, confirma a ocorrência de algum estrondo sônico.

Segundo a internauta Adnaloy Andrade, de Pouso Alegre, cidade localizada no sul de MG, a bola de fogo era tão grande e brilhante que chegou a pensar que ia cair sobre sua cabeça. Para Adnaloy, foi assustador e lindo ao mesmo tempo.

Monitoramento

De acordo com informações prestadas pela Rede Brasileira de Observação de Meteoros, BRAMON, este é um dos maiores bólidos já registrados pelas câmeras de vigilância da entidade. Segundo a BRAMON, três câmeras registraram o momento da ruptura, duas delas instaladas em Campinas, SP, e outra em Mogi das Cruzes, SP.

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Uma análise inicial feita por Carlos Apodman Bella, ligado à BRAMON, mostra que a altitude final antes da fragmentação ficou abaixo de 38km , considerada bastante baixa para um meteoro.

A triangulação das imagens permitiu aos especialistas da BRAMON traçarem um shape aproximado da orbita do meteoro, revelando que antes de se chocar contra a alta atmosfera da Terra a rocha orbitava para além do planeta Marte, o que significa que pode ser um dos inúmeros fragmentos pertencentes ao Cinturão de Asteroides.

BRAMON

A BRAMON é uma iniciativa do astrônomo amador Eduardo Plácido Santiago, que em outubro de 2013 iniciou o projeto de uma rede de monitoramento de meteoros. Menos de um ano depois, a BRAMON é hoje referência em sua área de atuação.

Com cerca de 16 câmeras ativas, a entidade vem obtendo um ótimo índice de registros de eventos de grande porte como este e a taxa de captura de bólidos tem sido de um por mês, o que supera largamente as expectativas iniciais.

Até final do ano as previsões apontam a implantação de mais 5 câmeras em todo território nacional, realizando uma cobertura sem precedentes dos eventos magníficos que eram subestimados nos céus brasileiros.

Se você tem interesse em participar da BRAMON e também quer montar uma estação de vigilância dos céus, entre em contato com a BRAMON através do email: bramon@bramon.com.br.

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Slogan de Marina copia campanha de Gushiken


Pelo visto, a nova política não foi capaz de criar um novo slogan.

Até hoje não se sabe quem inventou a frase “Não vamos desistir do Brasil.” Ela foi pronunciada por Eduardo Campos em seus comícios e agora foi incorporada à campanha, como o principal slogan da “nova politica” de Marina Silva.
Nova?

Há 11 anos, a mesma ideia com outras palavras, esteve no centro de uma campanha do governo Lula: “Eu sou brasileiro e não desisto nunca.”

Na frase de 2003, o sujeito é “o brasileiro.” Ele não desiste. Está resolvido.

Na versão de 2014, alguém precisa, apelar para que o povo não desista. A ideia é muito parecida mas aparece uma novidade: é preciso arrumar um lugar para um líder ou melhor, uma candidatura. É quem puxa o coro que vai reafirmar um traço ameaçado do caráter nacional.

Em 2003, a campanha “sou brasileiro e não desisto nunca foi uma ideia de Luiz Gushiken,” o primeiro titular da Secom.

A autoria da frase chegou a ser atribuída aos craques da Copa de 2002, que a teriam para virar o placar de um jogo em que o Brasil ficara em desvantagem. E também a Lula. Na minha lembrança, algo parecido fazia parte dos versos de um musical estrelado por Bibi Ferreira…

Não sou fanático dos direitos autorais da propaganda política. Os grandes textos e expressões deste universo são obras anônimas da luta popular. Não ganharam importância porque foram criadas por um autor supostamente genial, mas porque expressavam a vontade da população em determinado momento.

“Mataram um estudante, podia ser seu filho” ajudou a levantar a classe média contra a ditadura, em 1968.

“Greve geral, derruba o general,” foi uma grande palavra de ordem num 1º de maio da Vila Euclides, dominando pelos metalúrgicos do ABC.

Quando Lindomar Castilho matou Eliane de Grammont, o movimento de mulheres reagiu: “Bolero de machão se canta na prisão.”

A verdade é que há 12 anos, o Brasil vivia num ambiente de pessimismo real.

Não era a euforia do Real. Era o seu fracasso. O país mal havia esquecido a emigração em massa de brasileiros ao exterior. Depois de 1998, o país quebrou e o governo Fernando Henrique Cardoso foi obrigado a bater às portas do FMI para pedir um empréstimo. Mas a credibilidade do governo era tão frágil que foi preciso obter aval dos candidatos de oposição para o dinheiro sair. Havia outro problema, porém. Fazendo corpo mole para liberar os recursos, que dependiam de sua assinatura, o secretário do Tesouro dos EUA, Paul O’Neill, fez chegar aos jornais o receio de que o dinheiro pudesse “acabar numa conta na Suíça.” (Sabe o que se investigava nos EUA, na época? Alston, Siemens e outras e outras empresas envolvidas no pagamento de propinas pelo mundo afora — até no metrô paulista, como fomos informados duas décadas mais tarde.)

Na campanha de 2002, como se fossem potentados coloniais, banqueiros como George Soros davam ultimatos ao país. Os juros chegaram a 24,90% no final daquele ano. Mas a crise era tão grave que depois da posse de Lula foram elevados para 26,27%, numa medida de emergência para conter a herança inflacionária, que enfim foi debelada no final do ano.

Falando no lançamento da campanha de 2003, Lula disse: “Eu acho que tem valores que temos de resgatar: valores religiosos, familiares, do círculo de amizade.” O presidente acrescentou: “tanta gente de fora acredita tanto no brasileiro e nós, às vezes, não acreditamos”.

Em 2014, fala-se em perda de controle da inflação quando ela se encontra em tendência de queda, fechou em torno de zero há quatro meses — e na média de quatro anos, encontra-se num patamar mais baixo do que FHC e mesmo Lula. O crescimento econômico é fraco, mas, mesmo em condições difíceis, tem sido possível evitar o desemprego e o arrocho nos salários.

O slogan da campanha de Marina procura se transformar numa profecia que se auto realiza. É o pessimismo induzido. Busca criar um ambiente de medo, incerteza, dizendo que tem gente capaz de “desistir” — mas ela não vai deixar.
Entendeu?

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Começa a surgir o “voto contra as trevas”


Ao contrário do que se passou em 2010, ao menos aqui no Rio de Janeiro, surge uma reação eleitoral interessante.

Gente que estava resistente a votar em Dilma Rousseff, por decepção ou críticas (algumas muito justificadas) ao PT, está migrando para um “voto útil”.

Contra o que está vendo surgir por detrás da candidatura Marina Silva, mais do que a ela, pessoalmente.

O neoliberalismo selvagem e a teocracia medieval.

Gente que não quer o Itaú no Banco Central nem Silas Malafaia como chefe da Inquisição.

Porque percebem que Marina não tem um partido, nem estruturas políticas, mas patrocinadores que vêem nela um instrumento para a projeção de seus poderes.

Nem mesmo a tal “Terceira Via”, desmoralizada desde que Tony Blair virou coadjuvante de George Bush, é capaz de encobrir que é ela, agora, o cavalo de Tróia que o conservadorismo oferece ao povo brasileiro.

Recheado, claro, de tudo o que ele abomina: a paralisia do país, o autoritarismo e a intolerância.

A campanha, agora, ganha ares de segundo turno, com o fim de Aécio Neves, inapelavelmente devorado pelo apoio e cumplicidade da mídia com Marina Silva.

Cumplicidade que se expressa, de forma mais que evidente, com o encobrimento da origem escusa do avião que mudou radicalmente os rumos da campanha eleitoral.

Mas os fatos reais, estes teimosos, acabam desnudando quais são os verdadeiros  santos do altar de Marina.

Os que ela não chuta, como chutou, ao longo de sua vida, o PT, o PV e, agora, a comunidade LGBT.

Marina Silva é o Tea Party tropical.

Todo o poder para os bancos, os grandes empresários, a mídia.

Governar com os melhores, não é?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Marina vai com deus e promete o impagável

Marina reconhece 'falhas', mas perde apoio gay


SÃO PAULO - Após polêmica com a errata no programa de Marina Silva à presidência referente à causa gay, o coordenador do núcleo LGBT da campanha, Luciano de Freitas, deixou o posto. Freitas, que faz parte da Diretório Nacional do PSB, afirmou que a decisão foi tomada na semana passada.

A saída do dirigente é a terceira baixa da campanha desde que Marina assumiu a cabeça de chapa, há duas semanas.

Freitas foi surpreendido por uma nota retificando o que havia sido prometido no programa oficial em defesa dos direitos de homossexuais. Menos de 24 horas após a divulgação do programa, a campanha alegou “falha processual na editoração do texto” e tirou do documento os pontos mais polêmicos.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, insatisfeito com a divulgação da errata sem consulta prévia, Freitas avisou que se dedicará à campanha de Paulo Câmara (PSB) ao governo de Pernambuco. Porém, Freitas se recusou a comentar a decisão de publicar uma errata do programa de governo.

Freitas questionou a mudança no programa por pressão de setores conservadores; ele já havia feito ressalvas a Marina na reunião da Executiva que selou sua candidatura. Na ocasião, o dirigente disse temer que a ex-ministra não seguisse o programa aprovado por Eduardo Campos, candidato morto no dia 13 de agosto.

Marina reconhece falha em apoio à causa gay

SÃO PAULO - A segunda-feira terminou mais tarde para a presidenciável do PSB, Marina Silva. Após o debate realizado pelo SBT, pelo jornal Folha de S. Paulo, pela rádio Jovem Pan e pelo portal Uol, a candidata concedeu entrevista ao Jornal da Globo.

Logo no início da entrevista, a pessebista foi questionada sobre as alterações no seu programa de governo menos de 24 horas após o lançamento, entre elas um recuo em relação a algumas reivindicações do movimento LGBT, e se esse comportamento correspondia a uma concessão à religião num estado laico.

Marina explicou que houve um erro de processo e que a equipe do programa de governo foi responsável pela correção. "Eu nem interferi nesse processo. Aconteceram duas falhas", explicou a candidata do PSB, citando o trecho do plano que sinalizava que o governo de Marina ampliaria a participação da energia nuclear na matriz energética do Brasil.

A outra falha apontada pela presidenciável foi que "o documento que foi encaminhado como contribuição pelo movimento LGBT, não foi considerado documento da mediação do debate, foi um documento tal qual eles enviaram", reforçando que foi feita uma correção, porque houve uma mediação no debate. "Os direitos civis da comunidade LGBT, o respeito à sua liberdade individual, o combate ao preconceito, isso está muito bem escrito no nosso programa, melhor do que dos outros candidatos", completou.

Pressionada sobre sua posição em relação ao casamento gay, Marina voltou a dizer que respeita a liberdade das pessoas, independente da condição social, de raça ou de orientação sexual. Ela acrescentou que o seu programa de governo defende a união civil entre pessoas do mesmo sexo, mas não o casamento.

Bíblia: fonte de inspiração

Indagada sobre as especulações de que recorreria à Bíblia em momentos cruciais e se isso poderia intervir em suas decisões como governante, Marina explicou que todos agem com a avaliação realista dos fatos, mas defendeu que todos têm uma subjetividade.

"Uma pessoa que crê, obviamente que tem na Bíblia uma referência, assim como tem na referência a arte, a literatura", disse a ex-senadora, acrescentando que as pessoas estão tentando atribuir à ela uma imagem de fundamentalista.

"A Bíblia é uma fonte de inspiração pra qualquer pessoa que é cristã ou que é um judeu, mas existem outras fontes de inspiração, às quais eu já me referi. As decisões são tomadas com base racional pra todas as pessoas", afirmou a candidata do PSB.

Crise política

Questionada sobre a crise da democracia representativa citada em seu programa de governo, a presidenciável sinalizou que tem criticado a crise política e que as pessoas não deveriam fazer vistas grossas para o que está acontecendo. "A gente precisa aprofundar a nossa democracia. É preciso ampliar a participação das pessoas, ao mesmo tempo melhorar a qualidade da representação e das nossas instituições", relatou a pessebista.

Durante a entrevista, Marina disse ainda que pretende aperfeiçoar a democracia, democratizá-la, combinando a participação correta e legítima dos cidadãos assegurada pela Constituição. "Nós somos eleitos para representar, não é para substituir o representado", resumiu.

Economia em 2015

No segundo bloco de perguntas, a pessebista foi questionada sobre como conduziria a economia brasileira no ano que vem, caso sua vitória fosse confirmada nas urnas. Marina foi contundente ao dizer que é preciso recuperar o tripé da política macroeconômica do país.

"A presidente Dilma ganhou o governo dizendo que ia fazer a baixa dos juros, que iria reduzir a inflação e que iria fazer o nosso país crescer. O nosso país não está crescendo, a inflação está aumentando e os juros estão subindo. É fundamental que o país tenha estabilidade econômica para que a gente não perda as conquistas que já alcançamos, inclusive as conquistas sociais, e que a gente possa aumentar o investimento. E, para aumentar investimento, é fundamental que se readquira confiança", explicou.

A candidata do PSB ao Planalto reiterou o compromisso de não aumentar os impostos e que pretende dar eficiência ao gasto público. "Tem muitos desperdícios, inclusive o desperdício da corrupção, e quando o país volta a crescer, a gente vai conseguindo o espaço fiscal para poder fazer os investimentos sociais", disse Marina.

Pré-sal é uma das prioridades

A ambientalista explicou ainda que assim como educação e saúde, o pré-Sal também é uma de suas prioridades e reforçou quer dar um passo à frente em sua gestão. "Vamos investir em energia limpa com o uso da biomassa, o uso do vento, o uso do sol", pontuou a pessebista. "O petróleo é uma necessidade do planeta. Ainda não se conseguiu a fonte de geração de energia que vai substituir esse combustível fóssil", complementou.

Além disso, Marina foi questionada sobre quando aumentaria o preço da gasolina para salvar o etanol, do qual é uma entusiasta declarada. A candidata do PSB não poupou críticas ao governo em sua resposta. "Essa política desastrosa do governo, que está subsidiando gasolina, inclusive fazendo a importação desse combustível com um preço elevado, acabou destruindo a indústria do etanol", defendeu a presidenciável. "Espero que os preços administrados pelo governo possam ser corrigidos pelo próprio governo e criarmos os mecanismos", acrescentou.

Obras de mobilidade de Marina custariam R$ 300 bi


Se as promessas da candidata Marina Silva para mobilidade saíssem hoje do papel, elas custariam aos cofres públicos R$ 300 bilhões. É a estimativa feita por especialistas sobre o projeto de criar mil quilômetros de vias de Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs), com corredores de ônibus integrados (BRTs) e outros 1.350 km de metrôs e trens semiurbanos. Ainda segundo o estudo do escritório Jaime Lerner Arquitetos Associados, as obras durariam de dois anos e meio (BRT) a nove anos (metrô).

A título de comparação, de 2013 para cá, o investimento em mobilidade urbana subiu de R$ 8,1 bilhões para algo próximo de R$ 12,4 bilhões este ano.

Durante o debate do SBT nesta segunda-feira, Marina foi confrontada pela presidente Dilma Rousseff: “De onde virá o dinheiro?”. O gasto das promessas da ex-senadora foi estimado pelo governo em R$ 140 bilhões. Dilma afirmou que o montante equivale a quase todo o gasto em saúde e educação.

Marina afirmou que os recursos virão do combate ao desperdício de gastos públicos e ao aumento da eficiência tributária.

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O discreto charme da burguesia “socialista” que ascende ao poder


Revista Época 1. Terríveis dúvidas sobre o rumo ideológico do PT, como se eles, sim, fossem de esquerda; a educadora — e, assim, “só de passagem”, acionista do Banco Itaú, aquele, dos lucros bilionários — se educou nas Ciências Sociais da USP!

Estadão: 2. A educadora tem outra fonte de renda, ainda que indireta, com o marido de sobrenome quatrocentão (não foi possível checar se também é socialista). Assim o jornal descreveu:

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Trata-se da Fazenda Capoava, onde dentre outras escolhas você pode se sentir, em meio a uma decoração charmosa, um verdadeiro escravo:

Captura de Tela 2014-09-01 às 15.55.41

O hóspede pode escolher entre a senzala padrão e a senzala loft que, presumimos, deve ser algo com um toque novaiorquino, que ninguém é de ferro.

Ah, sim, para os que se interessaram — quem foi diz que é muito bonito e vale a pena —, o valor para um casal passar o fim de semana na Senzala Loft é de R$ 2.754,00.

Por telefone, checamos: não há desconto para socialistas.

No Viomundo
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Campanhas contra

As quedas de Dilma Rousseff e Aécio Neves têm várias causas, não só o alto ponto de partida de Marina Silva. Ainda que com pesos diferentes, um dos principais fatores daquelas quedas é o mesmo em uma em outra: as duas campanhas parecem um desperdício de possibilidades que se volta contra cada um dos candidatos.

O caso de Dilma, nesse sentido, tem maiores consequências negativas para a candidatura. Por maior que seja o esforço de negá-lo, o governo tem muito o que mostrar em resultados importantes do seu trabalho. Grande parte pouco conhecida e mal conhecida, ou desconhecida mesmo. Apesar dos gastos em publicidade. Comunicar-se com a opinião pública, necessidade essencial de qualquer governo em nosso tempo, revelou-se a mais ampla incapacidade do governo Dilma. E aparentemente nem ao menos percebida pelos interessados ao longo dos seus três anos e tanto.

Em termos pessoais, é notório que o problema começa na própria Dilma. Mas para isso, que não é incomum, existem os ministros bem-falantes, os assessores, os marqueteiros, o treinamento. Se, no economismo obsessivo dos meios de comunicação brasileiros, ao menos Guido Mantega fosse melhor do que Dilma, mesmo que não chegasse à conversa de camelô de Antonio Palocci, o governo conseguiria neutralizar a fabricação do pessimismo. Feita contra Dilma e o governo, mas, como bala perdida, com prejuízos sobretudo para o país.

O horário eleitoral seria a segunda oportunidade da neutralização. Mas a grande vantagem de Dilma, em tempo disponível, desperdiça-se em uma confusão de cenas e intervenções inócuas, longa e cansativa falta de objetividade entremeada, não mais do que isso, de inserções da candidata. A anticomunicação. Ao custo de milhões. Se, mesmo sem grandes bossas, os programas de rádio e TV se limitassem a expor, com alguma inteligência e clareza, o que Dilma acha que tem a mostrar do seu governo, e que valeria a pena prosseguir, o objetivo didaticamente eleitoral seria muito mais alcançável. Mas a campanha parece contra a candidata: não atrai, desinteressa.

Aécio Neves dedicou sua campanha ao desnecessário: "desconstruir" Dilma. Isto a imprensa, a TV e o rádio já faziam por ele, desde muito antes de iniciar-se a campanha, e com muito mais eficácia. Aécio só falava contra Dilma, contra a Petrobras, contra o governo. Foi mandado para o subsolo com tanta facilidade porque não houve um motivo seu para preservar fidelidades. O grosso dos apoios que tinha, é o que se vê, eram recusas aos outros concorrentes.

Não há mais dúvida de que o programa governamental de Aécio, de fato, não é coisa que se diga ao eleitorado. É para conversa de salão, reuniões na Fiesp e na federação dos bancos. Nada pensado de interessante para dizer ao eleitorado, Aécio tornou-se o vazio eleitoral, feito pela própria campanha.

Com Marina Silva foi mais fácil: para estar em cima, não precisou fazer campanha, não precisou dizer o que pensa. Mas como, para seguir no alto, precisa fazer campanha, começou a dizer o que não pensa.

Bye-Bye

De Armínio Fraga, guru econômico de Aécio Neves, na Folha: "Não vamos arrochar salário nem assassinar velhinhas".

Reparei que, na salvaguarda, ele não incluiu os velhinhos.

Janio de Freitas
No fAlha
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Coordenador do núcleo LGBT da campanha de Marina Silva deixa o cargo após publicação de ‘errata’


Saída acontece após publicação de errata sobre trecho do programa de governo de Marina Silva

O coordenador do núcleo LGBT da campanha presidencial do PSB, Luciano de Freitas, deixou o posto, depois da decisão da candidatura de rever pontos do programa de governo voltados aos direitos dos gays. Freitas, que faz parte do Diretório Nacional do PSB, afirmou que a decisão já havia sido tomada na semana passada.

Eu já estava decidido a sair porque estava sem tempo e depois desses contratempos todos — disse.

O coordenador do núcleo LGBT, que é de Pernambuco, justificou que pretende se dedicar à campanha do candidato do PSB ao governo do estado, Paulo Câmara, e da candidata a deputada estadual Laura Gomes.

Freitas se recusou a comentar a decisão da campanha de publicar uma errata do programa de governo retirando o trecho do documento que defendia a aprovação de lei que criminaliza a homofobia e a proposta de colocar na constituição o direito ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Prefiro não falar — disse.

Ele foi o coordenador da equipe redigiu esse trecho do programa de governo e fazia parte do núcleo LGBT desde o início da campanha, quando o candidato do partido era Eduardo Campos.

O que redigimos foi exatamente o que saiu. Esperávamos que tivesse cortes. Ficamos surpresos com o que foi publicado.

O coordenador geral da campanha de Marina, Walter Feldman, disse não ter conhecimento da saída de Freitas, mas considerou natural um eventual abandono do posto.

Não pedimos a ninguém para sair. Houve várias manifestações em relação a mudanças do nosso plano de governo. Elas são democráticas, ninguém é obrigado a apoiar, ninguém é obrigado a ficar. Aquilo que foi reformado expressa exatamente a opinião da candidata e dos coordenadores do programa de governo — afirmou Feldman.
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Marina Silva Errata

Nota de esclarecimento – Errata sobre o Programa de Governo da Coligação Unidos pelo Brasil

Lamentavelmente, por erro de revisão, na página 144, do Programa de Governo da Coligação Unidos pelo Brasil, o programa de energia nuclear foi citado como um dos que merecem atenção para aperfeiçoamento e aumento de sua presença na matriz energética do país.

Os princípios que vão regular a expansão da produção de energia para o desenvolvimento sustentável do país no governo Marina Silva — Beto Albuquerque são os que estão listados na pág. 65, em especial o item 3 — “realinhamento da política energética para focar nas fontes renováveis e sustentáveis, tanto no setor elétrico como na política de combustíveis, com especial ênfase nas fontes renováveis modernas (solar, eólica, de biomassa, geotermal, das marés, dos biocombustíveis de segunda geração)”.
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Triunfarán las ideas justas o triunfará el desastre

El líder cubano señala al señador John McCain como una figura de relación cercana con el gobierno de Israel (Archivo)En la antigua Rusia estalló una revolución que conmovió al mundo.

Se esperaba, que la primera gran revolución socialista tendría lugar en los países más industrializados de Europa, como Inglaterra, Francia, Alemania y el Imperio Austrohúngaro. Ésta, sin embargo, tuvo lugar en Rusia, cuyo territorio se extendía por Asia, desde el norte de Europa hasta el Sur de Alaska, que había sido también territorio zarista, vendido por unos dólares al país que sería posteriormente el más interesado en atacar y destruir la revolución y al país que la engendró.

La mayor proeza del nuevo Estado fue crear una Unión capaz de agrupar sus recursos y compartir su tecnología con gran número de naciones débiles y menos desarrolladas, víctimas inevitables de la explotación colonial. ¿Sería o no conveniente en el mundo actual una verdadera sociedad de naciones que respetara los derechos, creencias, cultura, tecnologías y recursos de lugares asequibles del planeta que a tantos seres humanos les gusta visitar y conocer?¿Y no sería mucho más justo que todas las personas que hoy, en fracciones de segundo se comunican de un extremo a otro del planeta, vean en los demás un amigo o un hermano y no un enemigo dispuesto a exterminarlo con los medios que ha sido capaz de crear el conocimiento humano?

Por creer que los seres humanos podrían ser capaces de albergar tales objetivos, pienso que no hay derecho alguno a destruir ciudades, asesinar niños, pulverizar viviendas, a sembrar terror, hambre y muerte en todas partes. ¿En qué rincón del mundo se podrían justificar tales hechos? Si se recuerda que al final de la masacre de la última contienda mundial el mundo se ilusionó con la creación de las Naciones Unidas, es porque gran parte de la humanidad la imaginó con tales perspectivas, aunque no estuviesen cabalmente definidos sus objetivos. Un colosal engaño es lo que se percibe hoy cuando surgen problemas que insinúan el posible estallido de una guerra con el empleo de armas que podrían poner fin a la existencia humana.

Existen sujetos inescrupulosos, al parecer no pocos, que consideran un mérito su disposición a morir, pero sobre todo a matar para defender privilegios bochornosos.

Muchas personas se asombran al escuchar las declaraciones de algunos voceros europeos de la OTAN cuando se expresan con el estilo y el rostro de las SS nazis. En ocasiones hasta se visten con trajes oscuros en pleno verano.

Nosotros tenemos un adversario bastante poderoso como lo es nuestro vecino más próximo: Estados Unidos. Le advertimos que resistiríamos el bloqueo, aunque eso podía implicar un costo muy elevado para nuestro país. No hay peor precio que capitular frente al enemigo que sin razón ni derecho te agrede. Era el sentimiento de un pueblo pequeño y aislado. El resto de los gobiernos de este hemisferio, con raras excepciones, se habían sumado al poderoso e influyente imperio. No se trataba por nuestra parte de una actitud personal, era el sentimiento de una pequeña nación que desde inicios de siglo era una propiedad no solo política, sino también económica de Estados Unidos. España nos había cedido a ese país después de haber sufrido casi cinco siglos de coloniaje y de un incalculable número de muertos y pérdidas materiales en la lucha por la independencia.

El imperio se reservó el derecho de intervenir militarmente en Cuba en virtud de una pérfida enmienda constitucional que impuso a un Congreso impotente e incapaz de resistir. Aparte de ser los dueños de casi todo en Cuba: abundantes tierras, los mayores centrales azucareros, las minas, los bancos y hasta la prerrogativa de imprimir nuestro dinero, nos prohibía producir granos alimenticios suficientes para alimentar la población.

Cuando la URSS se desintegró y desapareció también el Campo Socialista, seguimos resistiendo, y juntos, el Estado y el pueblo revolucionarios, proseguimos nuestra marcha independiente.

No deseo, sin embargo, dramatizar esta modesta historia. Prefiero más bien recalcar que la política del imperio es tan dramáticamente ridícula que no tardará mucho en pasar al basurero de la historia. El imperio de Adolfo Hitler, inspirado en la codicia, pasó a la historia sin más gloria que el aliento aportado a los gobiernos burgueses y agresivos de la OTAN, que los convierte en el hazmerreír de Europa y el mundo, con su euro, que al igual que el dólar, no tardará en convertirse en papel mojado, llamado a depender del yuan y también de los rublos, ante la pujante economía china estrechamente unida al enorme potencial económico y técnico de Rusia.

Algo que se ha convertido en un símbolo de la política imperial es el cinismo.

Como se conoce, John McCain fue el candidato republicano a las elecciones de 2008. El personaje salió a la luz pública cuando en su condición de piloto fue derribado mientras su avión bombardeaba la populosa ciudad de Hanói. Un cohete vietnamita lo alcanzó en plena faena y nave y piloto cayeron en un lago ubicado en las inmediaciones de la capital, colindante con la ciudad.

Un antiguo soldado vietnamita ya retirado, que se ganaba la vida trabajando en las proximidades, al ver caer el avión y un piloto herido que trataba de salvarse se movió para auxiliarlo; mientras el viejo soldado prestaba esa ayuda, un grupo de la población de Hanói, que sufría los ataques de la aviación, corría para ajustar cuentas con aquel asesino. El mismo soldado persuadió a los vecinos que no lo hicieran, pues era ya un prisionero y su vida debía respetarse. Las propias autoridades yankis se comunicaron con el Gobierno rogando que no se actuara contra ese piloto.

Aparte de las normas del Gobierno vietnamita de respeto a los prisioneros, el piloto era hijo de un Almirante de la Armada de Estados Unidos que había desempeñado un papel destacado en la Segunda Guerra Mundial y estaba todavía ocupando un importante cargo.

Los vietnamitas habían capturado un pez gordo en aquel bombardeo y como es lógico, pensando en las conversaciones inevitables de paz que debían poner fin a la guerra injusta que le habían impuesto desarrollaron la amistad con él, que estaba muy feliz de sacar todo el provecho posible de aquella aventura. Esto, desde luego, no me lo contó ningún vietnamita, ni yo lo habría preguntado nunca. Lo he leído y se ajusta completamente a determinados detalles que conocí más tarde. También leí un día que Mister McCain había escrito que siendo prisionero en Vietnam, mientras era torturado, escuchó voces en español asesorando a los torturadores qué de­bían hacer y cómo hacerlo. Eran voces de cubanos, según McCain. Cuba nunca tuvo asesores en Vietnam. Sus militares conocen sobradamente cómo hacer su guerra.

El General Giap fue uno de los jefes más brillantes de nuestra época, que en Dien Bien Phu fue capaz de ubicar los cañones por selvas intrincadas y abruptas, algo que los militares yankis y europeos consideraban imposible. Con esos cañones disparaban desde un punto tan próximo que era imposible neutralizarlos sin que las bombas nucleares afectaran también a los invasores. Los demás pasos pertinentes, todos difíciles y complejos, fueron empleados para imponer a las cercadas fuerzas europeas una bochornosa rendición.

El zorro McCain sacó todo el provecho posible de las derrotas militares de los invasores yankis y europeos. Nixon no pudo persuadir a su consejero de Seguridad Nacional Henry Kissinger, de que aceptara la idea sugerida por el  propio Presidente cuando en momentos de relajamiento le decía ¿Por qué no le lanzamos una de esas bombitas Henry? La verdadera bombita llegó cuando los hombres del Presidente trataron de espiar a sus adversarios del partido opuesto ¡Eso sí que no podía tolerarse!

A pesar de eso lo más cínico del Sr. McCain ha sido su actuación en el Cercano Oriente. El senador McCain es el aliado más incondicional de Israel en las marañas del Mossad, algo que ni los peores adversarios habrían sido capaces de imaginar. McCain participó junto a ese servicio en la creación del Estado Islámico que se apoderó de una parte considerable y vital de Irak, así como según se afirma, de un tercio del territorio de Siria. Tal Estado cuenta ya con ingresos multimillonarios, y amenaza a Arabia Saudita y otros Estados de esa compleja región que suministra la parte más importante del combustible mundial.

¿No sería preferible, luchar por producir más alimentos y productos industriales, construir hospitales y escuelas para los miles de millones de seres humanos que los necesitan desesperadamente, promover el arte y la cultura, luchar contra enfermedades masivas que llevan a la muerte a más de la mitad de los enfermos, a trabajadores de la salud o tecnólogos que según se vislumbra, podrían finalmente eliminar enfermedades como el cáncer, el ébola, el paludismo, el dengue, la chikungunya, la diabetes y otras que afectan las funciones vitales de los seres humanos?

Si hoy resulta posible prolongar la vida, la salud y el tiempo útil de las personas, si es perfectamente posible planificar el desarrollo de la población en virtud de la productividad creciente, la cultura y desarrollo de los valores humanos ¿Qué esperan para hacerlo?

Triunfarán las ideas justas o triunfará el desastre.

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Marina Silva e a superioridade do faz de conta no debate do SBT

Ela
Um problema dos debates no SBT é que você fica sempre esperando que, a qualquer momento, Silvio Santos vá sair da coxia gritando “quem quer dinheiro, oeeee??”

Silvio não apareceu, mas Suplicy passou o tempo antes do programa jogando conversa fora com os jornalistas. Me contou que pretende organizar uma maratona com os demais candidatos ao Senado e garantiu que está fazendo 4 mil metros em 40 minutos. Eu acredito. Atrasado, Serra chegou só no segundo bloco.

O DCM acompanhou o encontro no SBT. O clima tenso entre os “três irmãos siameses”, segundo o achado de Luciana Genro, era patente. Dilma já partiu para o ataque a Marina de cara; Aécio, num erro estratégico que não vem de hoje, foi para cima de Dilma e não de Marina, que lhe rouba votos num ritmo malufista. Marina bateu em ambos, mas paira acima deles.

Como nas outras ocasiões, os nomes sem chance proporcionam os melhores momentos. Eduardo Jorge em sua utopia hippie e falta de noção, Luciana Genro em modo irônico, o semi picareta Levy “Ponto Fora da Curva” Fidelix. E o Pastor Everaldo ainda sem fazer sentido.

A participação dos jornalistas foi decisiva. Se no debate da Band os caquéticos Boris Casoy e José Paulo de Andrade transportaram os telespectadores para a Guerra Fria, no SBT as perguntas foram incisivas e atuais. Levy nunca mais olhará Kennedy Alencar da mesma maneira.

Na falta da Hebe, que deus a tenha, o que fica do debate é que o Brasil parece ter ganhado desde já sua imperatriz, sua santa padroeira, seu farol, sua fada madrinha, sua redentora. Se Marina Silva sempre teve uma postura professoral, na tarde do dia primeiro de setembro ela caprichou.

Compreensivelmente, elegeu Dilma seu alvo preferencial. Insistiu ao menos duas vezes na tese de que Dilma não admite as próprias falhas. “A candidata não consegue fazer uma coisa que é essencial para quem pretende fazer um segundo mandato, que é reconhecer os erros. Porque se não reconhece os erros, não tem com repará-los”, ensinou, magnânima.

Fez questão de se alinhar a FHC e Lula, como se fizesse parte de outra linhagem, bem diferente da daqueles manés ao seu lado. O lugar de Dilma era, na verdade, seu por direito divino. Sua “nova política” é a dos “bons”. Ela tem a receita para salvar o país, especialmente da usurpadora de vermelho.

Acima do bem e do mal, Marina dá aulas para Dilma e Aécio. Não há, na verdade, nada que lhe permita posar de grande realizadora. É preciso lembrar que Marina ficou em terceiro lugar em seu estado de origem, o Acre, em 2010. Por quê? De acordo com a própria, “é difícil ser profeta em sua própria terra”.

Em matéria de não assumir equívocos, a inefável Marina não tem qualquer razão para se colocar num pedestal tão inatingível. Ela afirma que a mudança no programa de governo com relação ao casamento gay — que não resistiu a quatro tuítes cafajestes de Silas Malafaia — se deve a um erro da “coordenação”.

De quem na coordenação? Essa pessoa, ou essas pessoas, foram demitidas? Ninguém sabe. O programa foi divulgado sem a sua aprovação, portanto? Você, certamente, não leu porque não é obrigado. Mas esta não deveria ser a obrigação dela?

Os dois principais contendores de MS levam uma enorme desvantagem, que é a de terem governado. Lidaram — com maior ou menor êxito em diversas áreas — com questões da vida real nos últimos anos. Marina pertence ao mundo das possibilidades e explora essa condição com arrogância e irresponsabilidade.

É um adversário difícil porque combatê-la significa lutar contra o que ela simboliza. Qual a obra de MS? Passou pelo PT — saiu. Passou pelo PV — saiu (com uma cláusula que a desobrigava de encampar bandeiras que se contrapunham a suas crenças religiosas). Tentou fundar a Rede — não conseguiu. Está de passagem pelo PSB.

Está acima de todos. A virtuosa Marina não é apenas uma política melhor. É uma pessoa moralmente mais equipada, honesta, transparente e muito mais íntegra. Apenas pertence ao mundo da fantasia, mais ou menos como o Silvio Santos.

Kiko Nogueira
No DCM
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O risco-Marina não é econômico. É político.


O PT seria espancado se pregasse o cesarismo anunciado por Beto Albuquerque

Embora não tenha sido bem clara sobre a natureza de suas preocupações com propostas do programa de governo de Marina Silva, a presidente Dilma indicou que seus temores são relacionados com a economia: a instabilidade, a desindustrialização, a quebra da matriz energética e derivados.

Relativamente à economia, Marina já ajoelhou e beijou a cruz para o mercado. Vem dizendo o que o setor financeiro, a indústria e até o agronegócio querem ouvir, contrariando o próprio discurso recente. Já se comprometeu com o tripé câmbio livre-metas de nflação-superavit, prometeu o BC independente. O risco maior do governo de uma candidata que na prática não tem partido político, está alojada em uma sigla de baixa densidade e expressão e vem se revelando avessa às coalizões, num presidencialismo que não pode prescindir delas, é fundamentalmente político.

Como destaca o Brasil247, o vice de Marina, deputado Beto Albuquerque, fez ontem as declarações mais graves de toda a campanha eleitoral. Se Lula, Dilma ou qualquer candidato petista pregasse algo parecido com o que disse o vice de Marina Silva, Beto Albuquerque, estariam sendo espancados verbalmente e chamados de “populistas”, “chavistas”, “bolivarianistas” e outros “istas” que podem ser resumidos pela categoria “cesarista”: governante que, como os césares de Roma, dispensa a mediação dos partidos e das instituições e procura se entender diretamente com o povo.

Se a “nova política” que Marina e PSB pregam descambar para a “anti-política” anunciada ontem por Beto, estamos feitos: “Depois de eleger Marina, temos de ir para as ruas e dar a ela a cobertura para que possa exigir do Congresso as mudanças necessárias ao país”, disse o companheiro de chapa. Todos os governantes que tentaram peitar o Congresso, desde a monarquia parlamentar de Dom Pedro, deram-se mal. Exceto os ditadores: Vargas no Estado Novo e os militares no pós-64. Washington Luís foi varrido pela Revolução de 30, Jânio renunciou e não voltou, Collor levou o impeachment. Jango, sem maioria parlamentar, foi “tolerado” até o momento em que, no comício da Central, em 13 de março, apelou ao povo para que o ajudasse a aprovar as reformas pressionando o Congresso. Veio o golpe.

A coalizão que apoia Marina, composta basicamente por PSB e PPS, hoje tem 30 deputados: 24 do PSB e seis do PPS. Se as duas bancadas dobrarem de tamanho no pleito do dia 5, pela força do efeito-Marina, serão 60. Ah, “mas eu vou governar com os melhores de cada partido”, tem dito ela, falando especificamente em “melhores do PT e do PSDB”. Indivíduos não formam coalizões nem garantem maiorias. Para chegar aos 257 deputados na Câmara, sem o quê ninguém governa, ela teria que recorrer ao que chama de velha política: fazer alianças, compartilhar o poder, ceder cargos e negociar as políticas a serem votadas. Estará Marina disposta a isso? Beto informa que preferem apelar às ruas para dobrar o Congresso.

O PSDB bem sabe o que significa a falta de estrutura e base política para governar. Mesmo sabendo que ganharia a eleição de 1994 com a força do Real, Fernando Henrique tratou de firmar aliança com o PFL. Estava certo, o PFL foi importante para a sua governabilidade. Agora, boa parte dos tucanos “marinam” discretamente acreditando que o governa lhes cairia no colo. Ainda assim, o PSDB hoje é um partido de 44 deputados. Se dobrar a bancada, uma coligação PSB-PPS-PSDB ainda estará longe da maioria. Os outros teriam que ser coagidos pelas ruas.

Afora o Congresso, a estabilidade política exige capacidade de negociar também com os diferentes segmentos da sociedade civil: empresários, sindicatos, corporações etc. Marina tem dito que quer “ouvir”. Sua mecenas Neca Setúbal diz que ela difere de Dilma porque ouve. Ouvir é uma coisa, negociar e conciliar é outra. Na hora dos confrontos de força e interesse, ela cederá ou chamará o povo?

“Perco o pescoço mas não perco o juízo”, disse Marina quando trombou definitivamente com o Governo Lula, recusando-se a flexibilizar posições do Ministério do Meio Ambiente em relação às licenças para acelerar as obras de construção das hidrelétricas da Amazônia, fundamentais para aumentar a oferta de energia.

Se na Presidência ela repetir e praticar este bordão, estará mesmo arriscando o pescoço. Mas não será só o dela. Será o nosso, o da democracia que os brasileiros vêm construindo, com todos os vícios e virtudes de nosso sistema político, que precisa mesmo de reformas, mas dentro da normalidade institucional, pela via da negociação. Um presidente que sai forte das ruas deve aproveitar o momento em que transpira força e legitimidade para conduzi-la. Fernando Henrique, Lula e Dilma perderam o “timing”, a lua de mel passou, não deram prioridade à reforma política. Depois já era tarde. Mas o que Beto Albuquerque anuncia é outra coisa. É o cesarismo, com qualquer nome contemporâneo que se queira lhe dar.

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Índice Band

Antonio Lavareda, contratado pelo PSB é o criador do Índice Band

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A falta de nexo na estratégia de Aécio de preservar Marina e atacar Dilma

O debate do SBT
As coisas estão complicadas para Aécio desde que o nome de Marina emergiu na corrida pela presidência.

Mas ele parece estar tornando-as ainda mais complicadas.

Marina vem roubando votos dele em doses brutais. Mas sua estratégia, como se viu no debate de hoje no SBT, é atacar Dilma com os velhos argumentos de sempre.

Marina tirou dele a condição de Anti-PT. E mesmo assim ele a preserva, como se tomado por um impulso irresistível contra o PT.

Uma única vez, no debate, ele criticou Marina. Foi em suas considerações finais, nas quais apontou “contradições” no programa dela.

Detalhe: ele teve várias oportunidades de citar as supostas contradições. Não fez isso em nenhuma ocasião.

Para Marina, é a situação ideal.

O candidato que poderia teoricamente ameaçar sua posição de “novidade”, ou de representante das mudanças”, abdica de combatê-la.

Dilma claramente reagiu às novas circunstâncias. Passou a alvejar Marina. É o melhor movimento que poderia fazer. Aliás, o único.

Mas Aécio parece estar com a cabeça presa ao quadro anterior, em que o terceiro candidato era Eduardo Campos.

A atitude de Aécio só faz sentido se ele imaginar que Dilma pode ficar tão fraca que não passaria para o segundo turno.

É uma hipótese que, aparentemente, não faz sentido.

O PT tem uma base ampla o suficiente para conduzir Dilma pelo menos ao segundo turno.

E as pesquisas mostram que o candidato que realmente minguou, com a ascensão de Marina, foi Aécio.

Numa pesquisa nos primórdios da campanha, ele chegou a figurar com 24%. Nas últimas, já com Marina, ele escorregou para 15%, e com tendência de queda.

Parece, a esta altura, que não estão faltando apenas votos para Aécio.

Pode estar faltando também sagacidade.

Paulo Nogueira
No DCM
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