1 de set de 2014

Como identificar um marinista com apenas três perguntas


Pode parecer ser uma tarefa difícil tentar separar marinistas de aecistas. Mas não é, é fácil. E parece difícil porque ambos os grupos escondem suas preferências, contando apenas para os institutos de pesquisa. Raramente você verá alguém dizer, em pequenas rodas, que é marinista ou aecista. E quando pegos em alguma passeata, comício ou qualquer outro tipo de manifestação dos seus candidatos, ficam com cara de quem “foi pego com a boca na botija…”.

Assumir de peito aberto a opção é coisa de esquerdistas, não de direitistas como eles.

Há, porém, algumas classificações que ajudam. Existem marinistas jovens e marinistas nem tão jovens assim. Aecistas jovens, ou nem tão jovens assim são raros. Aecistas têm mais de 40 anos. É gente que tinha mais de 18 anos ao tempo da redemocratização e pode experimentar os governos pós-ditadura ou, mesmo, os da ditadura.

Marinistas não sabem o que é isso. E essa é a primeira pergunta que devemos fazer para identificar um marinista. As variantes gramaticais são inúmeras, mas todas visam a mesma coisa: questionar o conhecimento sobre o passado recente da história dos governos brasileiros.

Pergunte sobre o confisco da poupança no governo Collor; sobre a privatização no governo FHC; ou sobre o que é “overnight”; ou, ainda, se você quiser ser duro, sobre os efeitos da crise do petróleo, em 1973, na economia brasileira.

Marinistas, com essa pergunta, demonstrarão aquilo que os caracteriza: não sabem absolutamente nada do que foi a vida no Brasil.  É possível que um ou outro consiga repetir algo que tenha lido, mas é fácil identificar quem apenas repete o que leu.

Há uma outra classificação: marinistas são, na imensa maioria, evangélicos. Atenção: o uso da expressão “evangélico”, doravante, sempre terá a conotação de um tipo característico de cristão e não um uso que possa caracterizar preconceito.

Evangélicos aprendem a ter uma relação muito direta e forte com o pastor da igreja. A autoridade do pastor não é contestada. Os católicos diziam que o Papa é o representante de Deus na Terra. Estão indo para o brejo, pois os católicos aprenderam, mesmo que a duras penas, que podem contestar o Papa, sem que com isso estejam comprando uma passagem, sem volta, para o inferno.

Para uns e outros, falo das massas e não daquela minoria que pensa.

Pois essa é a segunda pergunta. As variantes gramaticais são inúmeras, mas todas visam a mesma coisa: identificar a incapacidade dos marinistas em formular uma resposta do tipo lógica.

Pergunte, por exemplo, por que razão deveríamos considerar gays como sendo seres socialmente doentes e abomináveis; pergunte, por exemplo, por que devemos deixar que milhões de mulheres morram em abortos clandestinos. Os exemplos são muitos.

Mas a todas as perguntas, invariavelmente, os marinistas demonstrarão outra característica: a dependência do pastor é tão forte, que lhes tira a capacidade de formular pensamentos que não o único: está na Bíblia, ou Jesus quer assim, ou Deus… ou isso é coisa do demônio… É a imposição da religião como forma de enfrentar mundo.

Claro que, deparados com o comando de governos, não saberão fazer diferente. Marinistas são teocratas.

Há uma outra classificação: marinistas são “sustentáveis”.

Pergunte a qualquer um deles o que é sustentabilidade e não hesitarão em mostrar que não sabem absolutamente nada sobre o assunto. Repetirão a exaustão o mantra das “gerações futuras”.

Alguns mais ilustrados poderão argumentar que precisamos desenvolver formas sustentáveis de produzir energia, tipo eólica, solar, das marés. Pergunte se eles sabem como desenvolver um sistema econômico onde a produção dos esquipamentos necessários prescinda do capitalismo. O mais provável é que não tenham a mínima ideia de como podemos produzir pás, coletores ou qualquer outra bugiganga, sem que ela custe.

E em escala global, para substituir os atuais bilhões de MW gerados pela energia hidráulica ou nuclear.

Quiçá não saibam, sequer, que um único gerador eólico é composto por no mínimo 80% de produtos derivados do petróleo. Não sabem que 80% da humanidade vive direta ou indiretamente do petróleo… E pensam que em quatro anos vão mudar 4 milhões de…  criacionismo…

Pergunte: como produzir natureza sem tirar da natureza? Como produzir pás e painéis sem usar petróleo? Como produzir petróleo em um sistema que não seja o capitalista?

Essa é a terceira característica dos marinistas: incapazes de pensar em aprimorar o que temos, querem voltar a um passado onde haviam uns poucos milhares de humanos na face da Terra.

Converse com alguém sobre Política e com apenas essas três perguntas você identificará um marinista: alguém que não experienciou o passado recente do Brasil, alguém que tem apenas a religião e a autoridade do pastor como norte e alguém que vive da ilusão de uma vida no paraíso…

E que encontrou quem lhe traga esse paraíso em apenas quatro anos…

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Ministro proíbe propaganda eleitoral de Marina no site de partido clandestino


O ministro Tarcísio Vieira de Carvalho, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu liminar para proibir propaganda eleitoral de Marina Silva no site da Rede Sustentabilidade (www.redesustentabilidade.org.br). A decisão ocorreu na análise de representação protocolada pela Coligação Com a Força do Povo, que tem a presidente Dilma Rousseff como candidata à reeleição.

Segundo a Coligação Com a Força do Povo, Marina Silva tem divulgado o endereço eletrônico www.marinasilva.org.br como sendo o site de sua campanha, e este apresentaria pelo menos duas irregularidades: ausência de indicação do CNPJ, além da menção à Rede como se fosse uma agremiação partidária regularmente constituída perante a Justiça Eleitoral e como se Marina integrasse o partido. Por isso, alegava suposta violação ao disposto no artigo 38, parágrafo 1º, da Lei nº 9.504/97 (Lei das Eleições), e ao artigo 242 do Código Eleitoral.

A autora da ação também entende por irregular o fato de que nos ícones da Rede, encontrados no início e no final do site oficial de campanha da Coligação Unidos pelo Brasil, há links que redirecionam o  internauta para uma página oficial da REDE, onde pode ser encontrada propaganda eleitoral. Ainda nos autos, a Coligação Com a Força do Povo assevera que a Rede não pode ser considerada uma agremiação partidária, uma vez que o TSE ainda não reconheceu os requisitos necessários para a sua regular constituição, e, assim, “não dispõe de autorização legal para veicular propaganda eleitoral, o que, demais disso, pode induzir o eleitor a erro, ao imaginá-la como verdadeiro partido político e, o que é pior, integrante da coligação da primeira Representada [Marina Silva]”.

Por essas razões, pedia a concessão de liminar para suspender a menção à REDE no site oficial de campanha www.marinasilva.org.br e para que se observasse a obrigação legal de menção ao CNPJ na página destinada à propaganda.

Decisão

Inicialmente, o ministro Tarcísio Vieira de Carvalho observou não haver ofensa à Lei das Eleições, que tem como objeto específico a obrigação de que conste o CNPJ em todo material impresso de campanha. No caso, conforme o ministro, o que se tem como ilegal na representação não é material impresso, mas sim propaganda na internet, “espécie que atrai regulamentação diversa por parte da legislação eleitoral”.

Em seguida, o relator verificou que não são proibidos os links da página da Rede contidos no site de campanha da candidata Marina Silva. “A REDE, como é conhecida a Rede Sustentabilidade, parece ser um projeto em andamento de fundação de partido político, notoriamente liderado por Marina Silva, cujo registro foi negado pelo Tribunal Superior Eleitoral, em outubro de 2013, diante da não comprovação adequada do cumprimento dos requisitos legais”, afirma o ministro.

O ministro citou que, após o indeferimento do registro pelo TSE, o movimento anunciou nos meios de comunicação que continuaria buscando o registro da agremiação, mesmo sem poder disputar as eleições de 2014. “Mesmo sem ser um partido político registrado na Justiça Eleitoral, a REDE, no que constitui capital político importante, notoriamente vinculado à candidatura de Marina Silva, não está proibida de atrair simpatizantes e de envidar esforços no sentido de, futuramente, obter o almejado registro na Justiça Eleitoral. E tudo isso pode ser impulsionado e otimizado pelos links, legitimamente”, ressaltou, ao considerar que não existe impedimento à manutenção de links na página da candidata Marina Silva, direcionando o internauta ao site em referência”.

Quanto à veiculação de propaganda partidária na própria página da Rede, o ministro  entendeu não ser possível. Conforme ele, o partido existe como pessoa jurídica de direito privado, mas não pode participar do processo eleitoral até que registre seu estatuto no TSE. Com base no artigo 57-C, parágrafo 1º, da Lei das Eleições, o relator destacou que “na internet, é vedada, ainda que gratuitamente, a veiculação de propaganda em sítios de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos, sujeitando-se o responsável pela divulgação da propaganda e, quando comprovado seu prévio conhecimento, o beneficiário, à multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil, nos termos do parágrafo 2º, do mesmo dispositivo”.

EC/GA

Processo relacionado: RP 114160
No TSE
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Marina não leu a versão final do seu programa de governo?

O pastor precisou apenas de quatro tweets
pra mudar o programa de governo de Marina
Desde os tempos de faculdade de jornalismo, lá na segunda parte dos anos 80, que misturo a atividade de repórter com a de editor. Antes nos boletins do curso e do Centro Acadêmico, depois em diferentes experiências por veículos da mídia tradicional, movimentos sociais até criar, em 2001, a Fórum. Neste período também participei da edição de mais de uma centena de livros e de certamente mais de algumas centenas de produtos customizados. Em geral, como editor. Algumas vezes exercendo diversas funções: repórter, redator, editor, preparador de textos e até revisor.

E nesse processo erra-se e acerta-se como em qualquer outra atividade. Monteiro Lobato dizia que os erros são coisas do saci. O personagem os esconderia durante todo o processo de produção e eles só apareciam com a obra pronta. O erro também é parte integrante desses processos produtivos.

Mas há muitos tipos de erros. Os inadmissíveis, os bizarros, os bestas, os comuns e os que a gente inventa para fazer de conta que errou. Quando na verdade fez uma baita de uma barbeiragem consciente. Ou quando, principalmente, o cliente para quem você está fazendo o produto cometeu um imenso erro e para não ficar chato para ele você assume a culpa.

Faz parte da atividade às vezes aliviar para o cliente. Afinal, um erro de revisão ou de editoração (como os leigos acreditam poder acontecer às pencas) sempre sai mais barato do que um erro conceitual ou político.

Depois do texto que publicamos no blogue ontem de um dos membros do comitê LGBT de Marina  nega que tenha havido erro de revisão no texto que foi retirado pela candidata após o pito público que  levou do líder da sua congregação, o pastor Malafaia, talvez essa postagem fosse desnecessária. Mas como parece que a candidata não pretende fazer uma mea-culpa, vale a pena insistir na questão. Inclusive, porque ela não diz respeito apenas a uma mudança de posição temática.

Um programa de governo de um candidato a presidente da República não é um boletim qualquer. Antes de ir para a gráfica ou ser publicado em um site, ele precisa ser lido e relido não só por um editor, como por uma quantidade grande de pessoas que tem expertise no tema. Precisa ser remendado quantas vezes for necessário e antes da versão final onde só se corrigem os erros de gramática e estilo, a candidata e os seus principais assessores precisam lê-lo e relê-lo.

Em casos como esse de um programa presidencial, se o serviço é feito por uma empresa com algum nível de seriedade, esses assessores e o candidato assinariam a prova final que estaria sendo liberada para a gráfica ou para o site. Para que tivessem a responsabilidade final do trabalho. Ainda depois disso os editores e o principal revisor do produto (em geral, há mais do que um em casos como este) fariam uma leitura da prova para verificar se o tal saci não operou neste processo de fechamento. O que, às vezes, acontece.

A pergunta que fica é, Marina não leu a versão final do seu plano de governo que continha um programa avançado para o segmento LGBT e que falava de incentivar a energia nuclear? Os coordenadores do programa, Neca Setubal e Maurício Rands, pessoas que são bastante preparadas para a função, também não leram o programa? Nenhum assessor político experiente leu antes da versão final ser apresentada para o país? É isso mesmo que a campanha de Marina quer fazer crer aos incautos?

Se for isso, chegamos a um ponto tão ruim quanto o de mudar o programa para se submeter a ordem do Pastor Malafaia emitida em quatro twets. Uma campanha à presidência da República que não tem um maluco no comitê para ler a versão final do programa de governo exatamente no ponto sensível da candidatura exacerba no amadorismo.

A desculpa esfarrapada acionada pela campanha para fazer de conta que Malafaia não exerce forte influência em Marina é tão ruim quanto o que deve ser o verdadeiro motivo da errata. O amadorismo que explode até na forma de se caracterizar o recuo assusta tanto quanto à submissão a um Malafaia da vida. Erros como este num texto enviado a uma Conferência da ONU poderiam transformar o Brasil num país mais desmoralizado do que aquele que nosso chefe da diplomacia tirava os sapatos para entrar nos EUA.

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Marina sai menor de debate dominado por juros; Aécio em saia justa




O fato de que os juros bancários e o papel dos banqueiros na economia brasileira dominaram boa parte das falas dos sete candidatos no debate do SBT fez com que a candidata socialista, Marina Silva (PSB), saísse dele menor.

O assunto foi tratado, direta ou indiretamente, pelos candidatos Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL), Levy Fidelix (PRTB) e Dilma Rousseff (PT).

Marina, que sempre surfou em sua origem humilde, desta vez teve o nome e o projeto político associados a juros e banqueiros.

Fidelix chegou a nomear duas pessoas próximas a Marina — o empresário Guilherme Leal, da Natura, e a educadora Maria Alice Setubal, a Neca, acionista do banco Itaú — como devedores de impostos à União.

Embora não o tenha feito de forma didática, Dilma criticou a proposta de Marina de dar autonomia ao Banco Central. No governo Dilma a decisão do Banco Central de aumentar ou não os juros é tomada depois de consultas ao mercado. Num eventual governo Marina, o BC teria autonomia para fazê-lo independentemente da população ou de seus representantes eleitos.

Eduardo Jorge teve a melhor apresentação individual no debate, considerando a coerência e a ênfase com que defendeu pontos polêmicos. Por exemplo, creditou a falta de apoio popular a duas de suas propostas — descriminalização das drogas e direito à interrupção da gravidez — à falta de coragem dos políticos de debater o assunto com a população. Deu ênfase ao domínio dos dez maiores bancos sobre a economia brasileira e prometeu reduzir os juros. Na mesma linha, Luciana Genro enfatizou acreditar que Dilma, Marina e Aécio são irmãos siameses, ou seja, representam todos interesses de banqueiros.

O maior confronto se deu entre as candidatas que lideram as pesquisas, com Marina afirmando que Dilma fracassou na economia e esta sugerindo que Marina usa “frases de efeito e frases genéricas”, típicas de campanha eleitoral, mas não sabe governar.

Diferentemente do que aconteceu no debate da Band, no debate do SBT os jornalistas se destacaram por perguntas apropriadas, duras e pertinentes, com destaque para Fernando Rodrigues, Fernando Canzian e Kennedy Alencar.

Alencar, que sugeriu ao candidato do PRTB que ele liderava uma legenda de aluguel, foi chamado por Levy Fidelix de “língua de aluguel” e “língua de trapo”.

Fernando Rodrigues encaixou um direto no rosto do pastor Everaldo (PSC), ao revelar que o candidato já foi acusado de agressão por uma mulher com a qual se relacionou. Ao informar que foi absolvido, o defensor dos “valores da família” acabou admitindo que seu primeiro casamento não deu certo, que tinha mesmo namorado a acusadora mas que agora, sim, estava casado de maneira estável. Fernando Rodrigues, de forma sagaz, escolheu Aécio Neves para comentar o assunto — o jornalista Juca Kfouri, do UOL, informou em seu blog que o tucano teria cometido, em 2009, uma “covardia” com uma “acompanhante” num evento no Rio. Foi a saia justa da noite. Aécio mudou de assunto.

A frase de efeito que marcou o debate partiu de Luciana Genro, que perguntou a Marina: “Tu és mesmo a segunda via do PSDB?”. Luciana também questionou o fato de Marina ter mudado seu programa de governo, no trecho que defendia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, por pressão do pastor Silas Malafaia, ao que a socialista disse que tinha sido um erro “da equipe” responsável pelo processo.

Aécio Neves aproveitou sua fala final, quando já não havia direito de resposta, para alfinetar Marina Silva e dizer que ele, sim, é uma alternativa segura de mudança.

No conjunto da obra, é opinião deste blog que Marina Silva saiu menor que entrou no debate, por dois motivos: entrou no rol dos que defendem os banqueiros e sofreu acusações de que muda de posição de acordo com o vento.

Além disso, perdeu o debate com Dilma quando ambas trataram do pré-sal, especialmente quando a presidente informou que em breve o Brasil será o segundo maior produtor mundial de energia eólica.

Tanto a presidente Dilma quanto Aécio Neves sairam maiores, com o tucano se apresentando melhor que Dilma no geral, embora tenha perdido para a presidente o confronto específico que ambos travaram — sobre investimentos federais em transporte público.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo

Audiência do “Debate SBT” foi baixa

De acordo com números prévios do Ibope para a Grande São Paulo, o SBT registrou uma média de quatro pontos. (O normal da emissora o horário é 50% mais alto). Dessa forma, a rede de Silvio Santos obtém o terceiro lugar entre as TVs abertas.

O debate começou com baixos índices. Mas, ao longo da exibição a atração elevou os números e fechou com média de 5.0 pontos com 6.9 de pico e 9.5% de participação, superando assim o primeiro debate das eleições 2014, realizado pela Band, que fechou com 2 pontos. Ainda no horário, a Globo liderou com 14.8 contra 8.2 da Record e 3.1 da Bandeirantes.
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Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva CHEGOU A HORA: VOTE!


Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva

CHEGOU A HORA: VOTE!

O voto online do Plebiscito Constituinte já está disponível: 



PS: Lembrem-se que cada pessoa só pode votar uma vez (na Urna ou OnLine)!
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Apenas 32 cidades têm IDH municipal muito baixo; em 2000 eram 2328


No OESP
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Quem é a burra?

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Por que a direita teme que Marina seja um novo Jânio


A direita teme Marina.

Entre os candidatos fortes, os conservadores ficam, é claro, com Aécio.

Mas entre Marina e Dilma a opção tende a ser por Dilma. Por uma razão básica: eles conhecem Dilma. Sabem o que ela pode fazer e o que não pode fazer. Ela é previsível.

Marina, não.

A direita teme o que ela possa fazer uma vez no Planalto.

E se ela, por exemplo, decide cortar drasticamente as verbas publicitárias do governo federal?

Isso significaria um alto risco para os 600 milhões de reais que, todos os anos, a Globo recebe em verbas publicitárias governamentais.

Num momento em que a internet assola as grandes companhias de mídia, fechar a milionária torneira publicitária de Brasília — ou mesmo reduzir o jorro — seria uma pancada fortíssima. Talvez letal.

Dilma não fará isso. Marina pode fazer. Quer dizer, pelo menos na fantasia paranóica conservadora.

Não à toa, nos últimos dias, a mídia começou a publicar seu medo de Marina.

“Marina presidente é prenúncio de uma crise depois da outra”, disse o Estadão num editorial.

O Globo comparou-a a Jânio Quadros. Jânio, um campeão de votos como Marina, era ele, ele e mais ele. Não se submetia à disciplina de partido nenhum.

A direita, reunida na UDN, que jamais ganhara uma eleição presidencial, achou que o tinha conquistado na sucessão de JK. Apoiou-o e venceu com ele.

Pouco depois, Jânio já estava condecorando Guevara e se indispondo com os cardeais da direita, a começar pelo mais poderoso deles, Carlos Lacerda.

Num episódio de extrema simbologia, Lacerda, então governador do Rio, foi a Brasília para se encontrar com Jânio.

Uma das questões que Lacerda queria discutir era a situação financeira de seu jornal, Tribuna da Imprensa, dirigido pelo filho Sérgio. O jornal estava à beira da quebra, e Lacerda queria uma ajuda do governo.

Lacerda imaginava ficar hospedado no Palácio da Alvorada, com a devida deferência. Deixou lá sua mala, ao chegar a Brasília, e saiu para um compromisso.

Ao voltar, o mordomo do Alvorada o esperava na guarita, com a mala na mão. Foi uma bofetada moral em Lacerda, que jamais perdoaria Jânio.

Este era Jânio, inadministrável.

Os conservadores temem que a história se repita com Marina.

Ao contrário do que muitos possam imaginar, num segundo turno entra Dilma e Marina, a direita torcerá muito provavelmente por Dilma.

É uma boa notícia para Dilma — com a ressalva de que a direita tem dinheiro, mas não tem voto.

Paulo Nogueira
No DCM
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Wanderley Guilherme: “Proposta de Marina é autofágica, inviável”


Para mestre da Ciência Política, cada proposta da candidata do PSB serve para um país diferente. "Como é possível desprezar o Pré-Sal?"'

Há meio século que o professor Wanderley Guilherme dos Santos tornou-se uma das grandes referências para o debate político brasileiro. Wanderley era um estudante de 27 anos quando escreveu “Quem dará o golpe no Brasil,” texto que antecipou, em 1962, os desdobramento do conflito que levaria ao golpe de 1964. Em 1998, publicou “Décadas de Espanto e uma Apologia Democrática,” livro um essencial para o entendimento da Era Vargas e dos anos FHC — ali explica que a luta permanente contra a CLT, a Consolidação das Leis Trabalhistas, é a única causa que unificou o conservadorismo brasileiro depois do Estado Novo. Aos 79 anos, professor aposentado de Teoria Política na UFRJ, ele deu a seguinte entrevista ao Brasil 247:

— Em função das pesquisas, muita gente diz que Aécio é carta fora do baralho. O senhor concorda?

— Se as eleições estiverem desproporcional e irreversivelmente contaminadas pela emoção, o resultado torna-se racionalmente imprevisível. Admitindo uma linha de racionalidade, e assistindo aos programas televisivos e entrevistas, observo que, para um eleitor anti-governo, ou anti-petista, de um modo geral, o candidato mais consistente, cujos planos são realizáveis, é Aecio Neves. Os preços sociais, de identidade nacional e de comprometimento de futuro são também relativamente previsíveis e cabe ao eleitor decidir que composto de bens e males ele prefere.

— E a campanha de Marina Silva?

— É diferente no caso da candidata Marina Silva que propaga a tese de que os problemas do país decorrem da competição entre o PT e o PSDB, cuja superação pela vitória de uma terceira sigla teria potencial para, por sí só, encaminhar de forma benéfica todas as soluções que a competição tradicional impede. Esse equívoco de diagnóstico (se é que a candidata e seus assessores acreditam de verdade nele) permite tratar os problemas de forma fatiada como se a política adotada em um setor não repercutisse em outras áreas relevantes. São propostas, cada uma, para um país diferente.

— Por exemplo…

— Como é possível menosprezar a economia política do pré-sal, manter os empregos em toda a cadeia produtiva ativada pela Petrobrás e investir fortemente na educação e na saúde? Da hegemonia da economia do etanol? Da energia eólica e solar? Em que década do século XXI? Como reduzir o gigantesco esforço que vem sendo realizado para garantir à sociedade uma infraestrutura material moderna e, ao mesmo tempo, dar à agricultura, em particular à agricultura familiar, estradas, ferrovias, silos e crédito suficientes para estimular uma exportação competitiva e comida barata no bolsa amilia? Como obrigar o sistema de governo (caixas e bancos de governos estaduais) a competir com os juros de mercado do sistema financeiro privado e manter o programa minha casa, minha vida? Como preparar o Brasil para a complexa competição derivada da revolução tecnológica em curso (de onde as prioridades do investimento em universidades, em pesquisa tecnológica e programas como o Pronatec)?

— O senhor está falando de uma cascata de ideias improvisadas…

— Não se trata apenas de que as ofertas compõem um programa obscurantista, creacionista, mas de que a proposta, tudo somado, é auto-fágica, inviável. Por isso não creio que as propostas da Rede, em sua versão PSB, sejam sérias. E por isso acredito que se o fator emocional retomar seu nível tradicional e relativo em competições políticas, o candidato Aecio Neves se afirmará como o representante consistente da facção conservadora e não seria uma carta fora do baralho. Mas alguns eventos não repetitiveis (o acidente com Eduardo Campos) e o oportunismo seletivo da mídia podem dificultar a competição em seus níveis históricos de emoção e racionalidade.

— O senhor vê algum erro na campanha de Dilma Rousseff?

— Faltam à campanha de Dilma, a meu ver, tradução de obras em realidades humanas e didática eleitora. Exemplos. Eu começaria mostrando o valor do bolsa família e de onde ele vem: tudo tem início na agricultura, que precisa de crédito, garantia e investimento. Passa pelo transporte em rodovias, ferrovias, portos, silos e energia para chegar aos brasileiros sob forma de bens de consumo, que só podem ser consumidos porque os salários tem sido defendidos no poder de compra. É por isso, e várias outras coisas, que o governo está fazendo isto, aquilo e aquilo outro. Outro exemplo: de onde vem o luz para todos? Dos investimentos em energia, do petróleo para alimentar o transporte, das redes de distribuição e é isso que o governo vem fazendo assim e assado. Ir do Pronatec para trás até o problema da inovação tecnológica. No programa Minha casa, minha vida, mostrar a viagem de indústrias, créditos, estradas, fábricas de cimento, siderurgia, tudo sintetizado em uma chave. Em suma é necessário revelar o emprego, o salário e o tipo e tamanho das ações do governo para que esses bens mais visíveis estejam presentes.

— Em geral, o senhor vê muito ilusionismo nas campanhas pela TV?

— Programas que proponham mudanças em um setor sem dizer o que vai acontecer nos outros e no fim da cadeia produtiva e nas condições de bem estar da população são programas enganadores ou de quem não conhece os problemas que um governo tem presente em sua agenda diária. Acho até, que a Dilma começa o dia tomando conhecimento de todos os problemas que exigem tratamento, de onde não poder deixar de conhece-los e reconhece-los, e que, aliás, são em número e de complexidade bem maiores do que os que cabe em discursos, mas não na vida. É didaticamente importante mostrar o tempo de maturação das políticas: sabendo que há um problema de cabeamento ou de transporte, do estudo e formulação de política ao investimento e deste à finalização da obra existe um tempo físico que não se submete a voluntarismos políticos. Tuneis urbanos levam tempo para serem construídos, usinas de energia precisam anos, hospitais necessitam de engenharia, pessoal humano e instrumentos tecnológicos. Não existe varinha mágica que realize tudo isso porque queremos o bem para todos no prazo curto. Especialmente porque esses problemas foram negligenciados no passado é que custam muito tempo e recursos para soluciona-los no presente.

— O senhor lembra de outro pleito onde a mídia teve um comportamento tão parcial?

— O jornalismo político brasileiro se aproveita exaustivamente das condições institucionais vigentes. Umas são de extrema relevância para a democracia – a liberdade de opinião e de expressar preferência política, por exemplo – outras deixam os cidadãos desarmados face a crimes catalogados nos códigos mas de julgamento e reparação ineficazes. Esse é um dado a ser levado em conta nos cálculos eleitorais, não para formar hipóteses sobre o que aconteceria caso o mundo fosse diferente. Não se dispôs a alterar as regras antes. Agora é contar com elas.

— O senhor foi um dos primeiros a denunciar o julgamento da AP 470 como um tribunal de exceção. Considera que o julgamento está tendo um peso na eleição?

— Penso que a Ação Penal 470 tem influído no processo eleitoral mais pela difusão da cultura do medo do que pela pedagogia cívica. Pelas pesquisas verifica-se, em todo o país, que o eleitor continua a votar conforme sua preferência, independente das ameaças de juízes e tribunais, inclusive em candidatos sub-judice. Mas as campanhas têm sido medíocres, enfatizando aspectos não muito centrais em projetos de governo (no caso de candidaturas a executivos) ou em legislações específicas (caso dos candidatos a postos legislativos). Deu-se o efeito de criminalização ou, quando em mal menor, a suspeição da atividade política, com os candidatos buscando persuadir a população do que não são ou seriam mais gastadores, predadores, etc. Isso em geral, sem prejuízo das exceções e das candidaturas da carochinha que prometem de tudo porque, no fundo, sabem que não ganharão nada.

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O pacote reacionário de Marina


Nada é mais antigo e reacionário nessa campanha eleitoral do que as propostas de Marina Silva, do PSB, para “uma nova política”. São seis pontos apresentados no primeiro capítulo do programa de governo divulgado sexta-feira. Cinco deles formam um conjunto de retrocessos democráticos e casuísmos. A agenda da direita está toda lá, do voto distrital ao financiamento privado de campanhas. O sexto ponto, em contradição, copia propostas do PT.

Marina “inova” a agenda da direita com a proposta de só realizar eleições a cada cinco anos, para todos os cargos de uma vez. Nem a ditadura militar calou a voz das urnas por períodos tão longos.  É uma ideia típica de quem tem um conceito “gerencial” do Estado e do processo democrático. É como dizer: “Não perturbem o país com eleições de dois em dois anos; isso atrapalha o governo dos bons e dos eficientes”.

As propostas reacionárias da “nova politica” vêm embrulhadas num texto de chavões “modernos”: “Estado e Democracia de Alta Intensidade”. Democracia não combina com adjetivos. Houve um tempo em que o Brasil era uma “democracia relativa”, e não passava de uma ditadura. Democracia é algo substantivo; ou se pratica ou não se pratica. No Brasil, custou vidas, lágrimas e luta. Não é pra brincar.

Assim como o título, o texto é vazado em embromation castiço. Aqui vão as seis propostas da candidata, traduzidas para o mundo real:

Proposta 1: “Unificação do calendário geral das eleições, o fim da reeleição e a adoção dos mandatos de 5 anos”.

Tradução: Fazer menos eleições (e não perturbar o governo dos bons)

Durante 5 anos o eleitorado simplesmente não se pronuncia sobre nada. E de uma só vez troca o executivo em todos os níveis (pois não há reeleição), ao mesmo tempo em que elege vereador, deputado estadual, deputado federal e senador.  Nem na ditadura o Brasil passou cinco anos seguidos sem ter eleições em algum nível; sem ouvir a voz das urnas.

A fórmula Marina implica necessariamente em alguma prorrogação de mandatos (dos atuais prefeitos e vereadores, ou dos parlamentares governadores e presidente eleitos este ano). Só a ditadura fez isso, ao prorrogar por dois anos os mandatos de prefeitos e vereadores, quando adiou as eleições municipais de 1980.

O fim da reeleição é hoje uma bandeira do PSDB, que a implantou corrompendo o Congresso em 1997. O argumento para extingui-la é que o governante cuidaria apenas da administração, sem desvirtuá-la com o propósito de buscar a reeleição. E o que o impediria de “desvirtuá-la” para eleger o sucessor?  Marketagem reversa de tucano. Demagogia de sonhático.

Proposta 2: “Fortalecimento dos mecanismos de transparência nas doações para campanhas eleitorais”.

Tradução: Financiamento privado de campanhas (inclusive por empresas)

O documento original da campanha (as “Diretrizes” do PSB) dizia que tais mecanismos seriam necessários para “baratear as campanhas”. A expressão grosseira saiu do texto, mas o caráter da proposta não mudou: Marina é contra o financiamento público de campanhas, uma proposta do PT, e a favor das doações de empresas.

O financiamento público de campanha é a proposta mais radical e eficaz para reduzir a influência do poder econômico no processo eleitoral. Marina rejeita doações da indústria bélica e de bebidas, mas não vê problema em ser financiada por um grande banco e por uma indústria de cosméticos com interesses diretos na administração federal.

Em abril deste ano, seis ministros do STF (a maioria) votaram favoravelmente à proibição de doações de empresas. Mesmo com o placar definido, o julgamento foi suspenso por um pedido de vistas de Gilmar Mendes, ministro indicado pelo PSDB, partido que é contra a proibição e contra o financiamento público. O vice de Marina, Beto Albuquerque, também se manifestou em abril contra a proibição.

Ao longo da última década, o TSE vem apertando os mecanismos de controle das campanhas, com as prestações de contas antecipadas e registro on-line de doações. São esses mecanismos que ameaçam o registro da candidatura do PSB, por não ter declarado à Justiça Eleitoral o uso (Por empréstimo? Doação irregular? Aluguel no fiado?) do avião que caiu em Santos. Antes de propor “mais transparência” seria melhor esclarecer esse caso.

Proposta 3: “Novos critérios na ordem dos eleitos para cargos proporcionais, buscando aproximação da “Verdade Eleitoral”, conceito segundo o qual os candidatos mais votados são os eleitos”.

TraduçãoAdotar o Voto Distrital Puro (e despolitizar o Legislativo)

“Verdade Eleitoral” é o nome falso para voto distrital puro, que o programa de Marina não tem coragem de mencionar.

O voto distrital é o único sistema que permite a eleição do candidato mais votado, sem levar em conta a votação de seu partido ou coligação. É o modelo do “ganhador leva tudo”, típico da cultura política dos EUA e matriz de seu Congresso paroquial e reacionário, com representantes altamente vulneráveis ao poder econômico.

É uma proposta francamente despolitizadora, defendida no Brasil pelo PSDB e pela direita.  Um retrocesso que rebaixa a disputa politica geral ao nível das questões locais.

O programa da candidata sequer  apresenta o argumento (legítimo) dos que defendem o voto distrital:  este modelo  supostamente aproxima representantes de representados, o que não ocorreria com o voto proporcional, adotado no Brasil..

Proposta 4: “Inscrição de candidaturas avulsas aos cargos proporcionais, mediante requisitos a definir”.

Tradução: Enfraquecer os partidos (e fortalecer candidatos antipolíticos).

Na versão original do programa, as “Diretrizes” do PSB, não estava limitada às eleições proporcionais. Houve um recuo aí. O argumento a favor da candidatura avulsa é “quebrar o monopólio dos partidos na representação política”.

Idealmente, permite a eleição  de candidatos apoiados por movimentos e setores sociais. Na prática, favorece candidatos com alta exposição pública, grande poder econômico, ou  representantes de “causas”, que hoje se elegem dentro da estrutura partidária. A diferença é que seus votos não contribuiriam mais para a formação do quociente eleitoral dos partidos, não somariam para eleger candidatos menos votados. 

A candidatura avulsa existe na maioria dos países, normalmente limitada ao Legislativo. Não é uma ideia antidemocrática em si, mas é uma resposta enganosa e despolitizada à questão da representatividade do Legislativo.

Proposta 5: “Redefinir o tempo de propaganda eleitoral com base em novos critérios, visando a melhorar a representatividade da sociedade brasileira nos parlamentos”.

Tradução: Tratar igualmente os desiguais (e valorizar o mercado de TV).
O critério hoje é: parte do tempo de propaganda eleitoral é distribuída igualmente entre os partidos com funcionamento na Câmara. Ao tempo mínimo de cada um acrescenta-se um tempo proporcional ao tamanho das bancadas e coligações.

Pode-se rediscutir a proporção entre o tempo mínimo e o tempo  proporcional ao tamanho das bancadas, mas não há critério mais democrático do que o vigente.

Mudar o critério só pode levar a dois caminhos:

1)    Distribuir todo o tempo de acordo com o tamanho das bancadas.

2)    Distribuir o tempo em fatias iguais, desde o PPL até o PMDB.

Ambos são menos democráticos que o critério atual, e nenhum deles nos levaria a “melhorar a representatividade da sociedade brasileira nos parlamentos”.

É  lícito supor que Marina se incline pelo segundo caminho.  Nesse caso, estaria igualando os desiguais, desrespeitando a representatividade conquistada por cada partido nas urnas.  O PT, que é o alvo implícito da proposta, já foi um partido pequeno, com pouco tempo de TV, da mesma forma que DEM e PSDB foram grandes um dia. Quem definiu o tamanho das bancadas atuais foi o eleitor.

Na prática, a proposta beneficiaria as pequenas legendas, tanto as ideológicas quanto as legendas de aluguel, que teriam seu capital muito valorizado.

Em Português dos tempos da luta contra a ditadura:  é um casuísmo.

Proposta 6: “Permitir a convocação de plebiscitos e referendos pelo povo e facilitar a iniciativa popular de leis, mediante a redução de assinaturas necessárias e da possibilidade de registro das assinaturas eletrônicas.”

Tradução: Enfeitar o pacote conservador (com propostas copiadas do PT)

Plebiscitos e referendos são instrumentos históricos da democracia, previstos na Constituição, porém raramente praticados no Brasil. Hoje, quem tem poder convocá-los é o Congresso. A ideia de convocá-los por iniciativa popular consta do programa do PT desde os tempos em que Marina era filiada ao partido. O PT também propõe incentivar a proposição de leis por iniciativa popular.

Na campanha de 2010, Marina Silva recorreu ao plebiscito para se livrar de questões embaraçosas, como a descriminalização do aborto. Cuidado: plebiscito não é Doril, que se toma pra qualquer dor-de-cabeça. É para decidir sobre grandes questões nacionais, e não para lavar as mãos do governante que não tem coragem de assumir suas posições.

Ricardo Amaral
No GGN
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FHC, Gilmar Mendes e a tentativa de salvar Arruda






Nunca antes na história deste País um caso de corrupção foi tão fartamente documentado e provado como o contra José Roberto Arruda, o que o enquadra na Lei da Ficha Limpa.












Mendes: o TSE é um tribunal nazista. Pausa para as risadas
O ministro Gilmar Mendes é coerente até nas suas incoerências. Nunca fez questão de esconder sua atuação partidária e a partir dela adapta suas posições jurídicas e morais. Às vésperas do julgamento do chamado “mensalão do PT”, Mendes denunciou o que seria uma tentativa de o ex-presidente Lula interferir no processo. Segundo o ministro, Lula, em uma reunião no escritório de Nelson Jobim em Brasília, perguntou sobre o caso. Mendes interpretou a abordagem como uma ação para constrangê-lo.

O que foi descrito como um crime de Lula virou uma atitude normal, republicana até, de Fernando Henrique Cardoso, responsável pela nomeação de Mendes ao Supremo Tribunal Federal (STF). FHC procurou o ministro para assuntar sobre o julgamento de José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não só: de acordo com o próprio Arruda, o ex-presidente tucano tentava impedir que o TSE mantivesse a decisão de negar o registro de sua candidatura. Nada demais, concluiu o magistrado.

No julgamento do “mensalão” do PT, Mendes manifestou uma indignação patriótica, embora a falta de provas tenha levado a Corte Suprema a recorrer à tese do domínio do fato para condenar o ex-ministro José Dirceu. E transformado os pagamentos comprovados de serviços da Visanet, uma empresa privada, em prova de desvio de dinheiro público. O ministro vociferou contra a corrupção e os corruptos. E negou excessos do tribunal apontados por inúmeros advogados e juristas.

E Arruda? Nunca antes na história deste País um caso de corrupção foi tão fartamente documentado e provado. Vídeos mostram o ex-governador feliz ao receber volumosos maços de notas. Em outras cenas, secretários de governo e deputados aliados empurram pacotes de dinheiro para o interior de bolsas, meias e cuecas. Arruda viu-se obrigado a renunciar e acabou condenado por improbidade administrativa, o que o enquadra na Lei da Ficha Limpa.

Por essa razão, o Tribunal Regional Eleitoral impugnou a candidatura. O TSE manteve a decisão por 6 votos a 1. Quem divergiu? Mendes. Apesar de todas as provas contra Arruda, o ministro considerou o desfecho típico de um “tribunal nazista” (ele adora frases de efeito).

O norte jurídico de Mendes: aos amigos, tudo...
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As contradições e mentiras de Marina Silva

Marina e energia nuclear

Em um dos tópicos de seu programa de governo, a candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, defende o uso da energia nuclear da seguinte forma:

"Aperfeiçoar e aumentar a escala dos atuais programas de promoção de energias fotovoltaica e eólica, utilização do hidrogênio em células combustíveis e energia nuclear, fundamentais para que o país se torne um ator relevante nesses setores, que serão vitais para a sociedade do futuro"




Em 1º de junho de 2012, no seminário "Energia Limpa: Oportunidades e Desafios no Brasil", promovido pela Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), a candidata afirmou, no entanto, que a energia nuclear:

“Não é uma energia segura, não se sabe o que fazer com os resíduos, e vai ficar, não como um legado, mas como um castigo para as futuras gerações”.

A citação pode ser conferida tanto no site da Agencia Brasil quanto no do jornal "O Dia".

O que a campanha diz:

Às 21h23 da sexta-feira, 29 de agosto, a assessoria de imprensa da candidata enviou uma nota informando que "lamentavelmente, por erro de revisão, na página 144, do Programa de Governo da Coligação Unidos pelo Brasil (a que ilustra este post), o programa de energia nuclear foi citado como um dos que merecem atenção para aperfeiçoamento e aumento de sua presença na matriz energética do país". De acordo com a assessoria, o foco do plano de governo deveria ter sido "fontes renováveis e sustentáveis".

"Preto no Branco" ressalta que:

A nota da campanha revelou a existência de uma falha no programa de governo apresentado por Marina Silva no que diz respeito à energia nuclear, mas infelizmente não indicou a posição da candidata e de sua coligação em relação ao assunto energia nuclear.

Marina e ONU

O site de campanha da candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, informa que:

"Desde março de 2011, a ex-senadora é a única representante da América Latina no Millennium Development Goals (MDG) Advocacy Group"




Segundo o site da Millenium Developmente Goals (MDG) Advocavy Group, que monitora a busca pelas Metas do Milênio, a candidata não é a única representante da América Latina.

O ex-ministro da Saúde do México Julio Frenk também é uma das "eminências" que atuam na organização.


No O Globo
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Artistas rejeitam Israel na Bienal

Um manifesto assinado por 55 artistas foi divulgado nesta quinta-feira (28) exigindo que a fundação responsável pela 31ª Bienal de São Paulo recuse o apoio e devolva o dinheiro doado pelo governo de Israel ao evento. “Enquanto o povo de Gaza retorna aos escombros de suas casas destruídas pelo Exército israelense, nós achamos inaceitável receber o apoio de Israel... Ao aceitar esse financiamento nosso trabalho artístico mostrado na exposição está sendo usado para limpar as continuadas agressões conduzidas por Israel e suas violações da lei internacional e de direitos humanos. Recusamos a tentativa de Israel de normalizar sua presença no contexto deste importante evento cultural”, afirma o texto.

O documento foi assinado por 55 dos 86 artistas participantes da mostra, entre eles israelenses, palestinos e libaneses. Entre os signatários estão artistas influentes, como o libanês Walid Raad, que liderou boicote à filial do museu Guggenheim em Abu Dhabi, e a israelense Yael Bartana, que já foi à Bienal de Veneza. Um dos curadores da mostra, Charles Esche, até manifestou apoio à reivindicação. “Em princípio, nós apoiamos os artistas", afirmou. Já o presidente da Fundação Bienal, Luis Terepins, garantiu à Folha que “não existe a possibilidade de devolver o dinheiro – cerca de R$ 90 mil de um orçamento total de R$ 24 milhões – a Israel. ‘Nós somos uma instituição plural, não tomamos partido’, diz Terepins”.

O cônsul de Israel em São Paulo, Yoel Barnea, também foi procurado pelo jornal e disse que estava ciente do manifesto. “A arte é uma linguagem que aproxima os povos. Mas a atitude destes artistas não é construtiva para a paz no Oriente Médio”, afirmou. No maior cinismo, ele também alegou que “se os artistas têm críticas ao Estado de Israel, nós também temos críticas às ações terroristas dos palestinos”. A Folha, porém, não ouviu os representantes da comunidade árabe no Brasil e nem as centenas de entidades da sociedade civil que denunciam o genocídio em Gaza. A 31ª Bienal de São Paulo começa nesta semana e ainda não se sabe se vários artistas boicotarão o evento bancado pelos terroristas de Israel.

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Tem roqueiro que envelhece e respeita o que defendeu. Tem Roger e Paulo Ricardo que nunca foram roqueiros

Roger Waters, el exintegrante de Pink Floyd, dijo todo lo que piensa de los israelíes


En medio de la farándula silenciada por intereses monetarios, Waters afirma que la ocupación, la limpieza étnica y el sistemático apartheid racista llevado a cabo por el régimen israelí es inaceptable

Los bombardeos entre Israel y Palestina han tenido una intensa actividad en los últimos días con el ataque por parte de Israel al territorio de la franja de Gaza, el cual ha despertado rechazo ante la comunidad musical de todo el mundo.

Roger Waters, quien se ha distinguido por ser un fuerte defensor contra las políticas judías en los territorios ocupados de Gaza y Cisjordania, comentó en una entrevista con la revista "Counterpunch" el año pasado, que la ocupación, la limpieza étnica y el sistemático apartheid racista llevado a cabo por el régimen israelí es inaceptable.

El músico que participa en la campaña internacional de boicot, desinversión y sanciones contra la colonización, el apartheid y la ocupación israelí (BDS), se manifestó en contra de los actos de violencia en la Franja de Gaza. En propias palabras del músico, mucha gente hizo la “vista gorda” ante la opresión de los judíos desde 1933 hasta 1946 y esta vez el escenario no es nuevo, excepto que ahora son los palestinos a los que matan.

Declaraciones como esta no son nuevas, pues vienen junto a cartas que Waters ha enviado a la comunidad musical solicitando que cancelen sus conciertos en el país de Medio Oriente, obteniendo una respuesta positiva, como la de Stevie Wonder que canceló su presentación en la cena de gala de las Fuerzas Armadas israelíes en el 2012 o la de Neil Young que canceló su concierto que se llevaría a cabo en Tel Aviv el próximo 17 de julio debido a una carta en la que Waters lo comparaba con sus héroes de la música como John Lennon, quien demostró amor y compasión al mundo con sus letras, cosa que según el bajista, Israel no hace.

La respuesta de la comunidad judía llegó a través del rabino Shmuley Boteach, un popular líder de Nueva York, que en 2013 en una columna del "New York Observer", afirmó que los nazis eran un régimen genocida que asesinó a seis millones de seres humanos, y que si tiene la audacia de comparar a los judíos con los monstruos que los asesinaron, demuestra no tener decencia, corazón, ni alma.
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Tá pensando em votar em Marina?

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Marina não manda na própria sombra


Pataxó
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Essa é do Barão... 30


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O fôlego de Marina Silva - presidência é destino ou só mais um caso de overshoot?

Até quanto o sucesso de Marina Silva na pesquisa DataFolha de 30 de agosto de 2014 é uma salada mista que reúne entre seus ingredientes um enorme senso de oportunidade para aproveitar comoções midiáticas, destruição de expectativas racionais e overshoot?

Hoje, Marina Silva é a nova presidente da República. No 2º turno, derrota Dilma por 10 pontos de diferença. Só que, no 1º turno, ambas empatam em 34% dos votos. Ora, o Governo Dilma já tem um percentual de aprovação de 35% de ótimo e bom. Regridiria? Nem quem considera Dilma ótima vota em Dilma? Faz sentido?


Duas definições.

Overshoot – é um resultado fora do padrão. Em teoria de controle, overshoot ocorre quando um sinal ou função excede sua meta. Ou segundo Katsuhiko Ogata, "o valor máximo do pico da curva de resposta medido a partir da resposta desejada do sistema".

Expectativas racionais - é um conceito econômico formulado pela primeira vez por John Muth em 1961 e que se popularizou após a publicação de artigo assinado por Robert Lucas e Leonard Rapping em 1969 sobre salário real, emprego e inflação. Baseia se na hipótese de que os agentes econômicos utilizam toda a informação disponível sobre o atual comportamento e as previsões para o futuro da economia. Com base na experiência e nessas informações, os agentes antecipam de forma racional as atitudes e políticas futuras do governo, reagindo no presente em consonância com as expectativas formadas e anulando em algum grau a efetividade dessas políticas.

Governo Dilma - quando o ótimo não é suficiente.

O gráfico abaixo representa a avaliação do Governo Dilma.


Por algumas razões, esse gráfico sempre me incomodou.

A primeira delas é notar o grau de impacto que um fenômeno ainda pouco compreendido como as Manifestações de Junho de 2013 teve na percepção dos brasileiros em relação ao governo federal. Desde lá, há um novo patamar de aprovação que representa uma ruptura.

A segunda é a sua estabilidade a partir de então. Há um ano que nenhum fato da vida nacional, para o bem ou para o mal, o altera significativamente. Por ele, algo em torno de 75% da população apoia o Governo Dilma. Destes, 35% consideram o governo ótimo ou bom. Os demais o consideram regular.

Esse gráfico sempre foi incoerente com um outro. O das intenções de voto do 2º turno destas eleições 2014.

A experiência diz que o povo não troca governos que ele avalia como aceitáveis. O povo não pode correr riscos, sua sobrevivência depende da estabilidade. São as tais expectativas racionais. Assim, só crises levam-no à mudança de governantes.

Dilma on my mind.

Some-se a isso a presença de Dilma no imaginário do eleitor. Traduzido no seu índice de intenção de votos espontânea, ou seja, votação já consolidada. Dilma está na média de 22 pontos percentuais. Patamar nunca alcançado por seus adversários, nem na pesquisa estimulada, mesmo na primeira pesquisa com Marina Silva substituindo Eduardo Campos, recém e tragicamente falecido.


Isso era coerente com a intenção de votos de Dilma no primeiro turno, quando não seria de se estranhar nem mesmo já sua eleição.


O antipetismo como candidato

Ocorre que, na hipótese de um segundo turno, o cenário se alterava.


Tanto Aécio quanto Eduardo Campos eram caudatários dos votos antipetistas.

Reparemos, no entanto, os votos não eram deles, eram do “antipetismo”. Como antipetismo não é candidato, qualquer um que se apresentasse no segundo turno como adversário do PT somava esses votos aos que já trazia do 1º turno.

Desejo de mudança, rejeição ou destruição das expectativas racionais?

O que provocaria tal voto antipetista?

Uma forte rejeição a Dilma ou um enorme desejo de mudança é a explicação corrente.

Desejo de mudança ou niilismo instrumentalizado?

Comecemos com o propalado desejo de mudança.  Se ele existe, é anterior ao Governo Dilma, vem mesmo desde o Governo Lula, que teria feito sua sucessora em um desses momentos de ufanismo que compensam nosso atávico niilismo. Pelo menos é o que nos mostra a Folha de 30 de agosto de 2014.


A pesquisa do IBOPE de junho de 2014 é mais detalhada. O brasileiro, realmente, parece ser um insatisfeito, mesmo nos momentos de maior aprovação de Dilma – 92%. 


E, a partir de determinados momentos, junho de 2013 e janeiro de 2014, mesmo onde o governo tem sucessos reconhecidos.


Pergunte a alguém assim, se ele deseja mudanças.


Por que passei a odiar Dilma?

Agora, a rejeição a Dilma é um caso que ainda precisa ser explicado. Vemos que até abril de 2014 não há diferença entre as rejeições de Dilma e de seus adversários. São literalmente iguais. Algo acontece a partir de abril e há um descolamento contínuo e crescente da rejeição do eleitorado à Dilma em relação a qualquer outro adversário.


O que teria ocorrido a partir de abril?

A explicação talvez venha da destruição das expectativas racionais da população. Mas não de algo objetivo que provocasse uma queda na qualidade de vida do brasileiro, como foi o fim do governo FHC, com o país parado, endividado, sem investimento ou obras, com desemprego, salários comprimidos e inflação em alta. Não, no caso de Dilma parece haver algo subjetivo, que não guarda relação com o real.

Mas o quê?

O “manchetômetro” e a destruição das expectativas racionais.

A resposta veio da UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro e seu “Manchetômetro”.


Submetidas a tal nível de “valências negativas”, não há expectativa racional que resista.

Essa é a origem do voto antipetista.

Dilma X Dilma, ou a eleição de um só candidato.

Ocorre que Aécio só os herdava in extremis. No primeiro turno, o voto antipetista não tinha dono.

Isso, o voto antipetista sem dono, fica muito mais evidente quando se analisa o gráfico comparativo da intenção de votos “brancos, nulos e não sabe” do primeiro turno. Dilma oscila, mas nenhum outro candidato herda os votos que ela perde.

Assim, o nível de indefinidos é proporcional apenas ao nível momentâneo de aceitação de Dilma. Como se Dilma disputasse contra ela mesma.


Marina Silva, como luvas para as mãos dos indecisos.

Quando surge Marina, esse voto é dela.

A pesquisa DataFolha de 18 de agosto de 2014, logo após a morte de Eduardo Campos, é coerente com esse cenário.

Repare-se que Aécio e Dilma não alteram sua intenção de votos, Marina é a resposta aos indecisos.


Coerentemente, Dilma e Marina empatavam no segundo turno, dentro da margem de erro, em 45 pontos percentuais para ambas.


O fôlego de Marina Silva - presidência é destino ou só mais um caso de overshoot?

A grande imprensa trabalhou fortemente por um segundo turno, apenas inverteu-se inicialmente o beneficiário dos seus esforços. Marina ligeiramente à frente de Aécio – um empate técnico. Nada que não pudesse ser corrigido no decorrer da campanha, garantindo Aécio no segundo turno.

Pela lógica, já que nenhum fato novo surgiu, desde então, e dado o curto tempo decorrido, o cenário descrito acima deveria ser mantido.

Porém, na pesquisa DataFolha de 30 de agosto de 2014, confirmando a do IBOPE de dias antes, Marina aparece com 34% das intenções de voto já no 1º turno. Conquistou 13 pontos percentuais em 12 dias e empatou com Dilma. Aécio está fora do jogo.


E aqui não há “manchetômetro” que explique.

Que Aécio caia cinco pontos percentuais poderia ser até explicado pelo voto útil, seus eleitores querem mais derrotar Dilma que eleger Aécio. Seria assim?

Agora, que todos os candidatos tenham simultaneamente caído de uma pesquisa para outra ao mesmo tempo em que o índice de indecisos caia também e todos esses votos migrantes tenham somente Marina como endereço só tem uma explicação – overshoot.

Até porque, com 34% dos votos, Dilma teria uma porcentagem menor do que os 35% daqueles que consideram seu governo ótimo e bom. Eis o gráfico do início do texto me incomodando outra vez. Não faz sentido.

Marina Silva teve até aqui tudo ao seu favor, a comoção com a morte de Eduardo Campo e o talento de se passar por sua “viúva” angariando simpatias comovidas e protegendo-a de críticas. Um grande índice de eleitores indecisos, formados pelo intenso bombardeio ao Governo Dilma, e à procura de um candidato que simbolizasse uma mudança real. A “Nova Política”, um conjunto de propostas vagas, mas adaptáveis aos melhores sonhos de cada um agregando mesmo eleitores opostos entre si.

Em uma situação como essa, o overshoot poderia realmente ocorrer. Porém, é um estado momentâneo, novas expectativa racionais começam a se formar a partir da campanha eleitoral. Compromissos terão de ser estabelecidos.

Collor conseguiu empinar um slogan até à vitória, mas o Brasil era outro. Até a eleição em primeiro turno falta mais de um mês, até a data do segundo turno, quase dois meses.  A “marinomania” durará tanto?

Aos poucos, vozes fortes começam a criticar Marina mais abertamente. E vozes do simbolismo da filha de Chico Mendes. A divulgação de seu programa de governo escancarou o neoliberalismo nele contido e a sua retratação na causa homossexual mostra um conservadorismo incompatível com apoiadores mais progressistas. Parecer que tem donos, nas figuras de Neca Setubal e Silas Malafaia, tampouco a credencia como líder da “nova política”.

Qual o fôlego de Marina Silva?

Marina é um caso de overshoot ou, como nos ensinou Tancredo Neves, presidência é destino?

Sérgio Saraiva
No GGN
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A política maquiada de Marina

Parte dos eleitores de Marina precisa ser informada de que a pessoa em quem pretendem votar não existe mais. A Marina de hoje não é mais a mesma de tempos atrás


Quem marinou?

Dois grupos de eleitores pretendem votar em Marina Silva.

O primeiro grupo acha que ela é uma novidade, alguém completamente diferente e que tem condições pessoais de fazer um bom governo.

Outro grupo quer principalmente tirar o PT do governo, seja lá com quem for, seja lá a que preço. Eram Aécio; agora, são mais Marina.

O primeiro grupo reunia quem votava em Eduardo Campos e um contingente dos que se inclinavam a votar branco ou nulo.

O segundo tem eleitores que abandonaram Aécio porque se sentem mais confortáveis com Marina nesse verdadeiro arrastão anti-Dilma.

O arrastão é enaltecido e financiado principalmente por aqueles que tiveram interesses contrariados e pretendem recuperar seus ganhos no próximo quadriênio:

- Os bancos, que viram a taxa de juros ser reduzida. Eles não se conformam que, mesmo com juros estratoféricos, o país tenha passado a gastar mais em educação, saúde e assistência do que com bancos;

- As empresas de energia, cujo faturamento despencou, e os grandes financiadores da área de energia, como o Banco Santander;

- Os grandes acionionistas da Petrobrás e usineiros, que sonham em ver a gasolina sendo vendida a R$5,00 nas bombas dos postos de combustíveis.

Por isso, quando Dilma sobe, as bolsas caem.

Também é preciso registrar que há um setor mesquinho e volumoso de eleitores que se vê ameaçado por pobres e negros, os quais disputam uma vaga na universidade e no mercado de trabalho com um pouco mais de igualdade de condições.

É principalmente por tais fatores que o número de brancos e nulos caiu, que Aécio despencou e que Marina subiu nas intenções de voto.

A "nova" Marina e a Marina que não existe mais

Uma parte dos eleitores de Marina precisa ser informada de que a pessoa em quem eles pretendem votar não existe mais.

A Marina de hoje não é mais a mesma de tempos atrás.

Não é mais a Maria Osmarina - nome verdadeiro e não estilizado da atual Marina.

Não é mais a defensora de seringueiros e de todos os povos da floresta.

Não é mais a militante partidária que não titubeava em se dizer de esquerda.

É outra pessoa.

A declaração da candidata, que comparou o rico dono de uma empresa de cosméticos, a Natura, a Chico Mendes, indignou a todos os que conheceram o sindicalista assassinado em 1988.

O fato rendeu uma nota de repúdio do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri, no Acre.

Para Marina, o dono da Natura seria tão elite quanto um Chico Mendes. Isso mostrou o quanto ela perdeu a noção de muitas das coisas que aprendeu no passado e que deixou por lá mesmo, no passado.

A biografia da candidata agora tem uma página completamente virada em sua trajetória.

Qual o preço que Marina tem se mostrado disposta a pagar para conseguir ser eleita?

Marina promete o que não pode cumprir

Marina não tem programa. Tem uma carta de intenções que não responde a uma questão elementar: como pretende aprovar suas intenções no Congresso, tendo em vista que muitas de suas propostas dependem não da caneta do presidente da República, mas de apoio parlamentar?

A única chance de Marina cumprir o prometido será, em 2015, fundar seu partido e abrir a temporada para o maior troca-troca partidário da história do país, maior até do que o patrocinado por Collor com seu PRN, em 1990.

Marina teria inclusive que esvaziar seu atual partido, o PSB. Ou poderá fazer um trato bastante matreiro: deixaria a Rede como um partido médio, fechado em sua elite, isolado por um cordão sanitário, e faria do PSB a vala comum de todos os oportunistas que quiserem fazer parte do novo governo.

O critério para integrar um eventual governo Marina, repetido pela própria candidata, é ser moderno, competente e "do bem" (por alguma razão, Marina se esquiva de dizer a palavra "honesto").

Provavelmente, seu critério para alguém ser considerado "do bem" seja apenas a Lei da Ficha Limpa. Por esse critério, o governo Dilma também só tem gente do bem.

Se for pelo critério mais abstrato de honestidade, Marina já não ficaria tão tranquila para por sua mão no fogo, como ficou claro com o episódio das denúncias sobre o jatinho usado por ela e Eduardo Campos.

Pelo critério "do bem", Marina pode conseguir não só maioria no Congresso. Pode até sonhar com a unanimidade. Nesta eleição, nenhum ficha suja pode ser eleito, se assim tiver sido declarado pelos tribunais eleitorais.

Teremos, em 2015, 513 deputados e 81 senadores "do bem".

Desses, claro, nem todos serão tão "modernos e competentes". O problema é que os maiores oportunistas são justamente os mais modernos e competentes em fazer o que fazem.

De novo, Marina estaria bem servida de um time de crápulas, todos "do bem", pelos seus critérios genéricos.

De uma forma ou de outra, Marina está prometendo o que não pode cumprir. Ou não fará maioria e não conseguirá governar, ou governará fazendo de tudo, menos a tão propalada "nova política".

Grupo de Marina nada tem de horizontal, de democrático e de transparente

Marina não tem um partido, tem uma "rede". Essa rede nada tem de horizontal, de democrático e de transparente.

É uma associação de peixes graúdos, patrocinadores empresariais da candidata.

Seus seguidores mais sonháticos são os que acham que, futuramente, terão o mesmo espaço e voz que a herdeira do Itaú, o dono da Natura, os representantes da Taurus, os usineiros de Pernambuco, os amigos de Pérsio Arida na Bovespa.

Uma das consequências de Marina não ter um partido e não seguir um modelo partidário é que ela não tem correligionários, nem instâncias, nem grupos que possam rivalizar entre si e expor suas mazelas, como acontece em qualquer partido, por pior que seja.

O que unifica a Rede é que todos os seus integrantes são seguidores de sua grande líder, mentora e guia espiritual.

Desde quando isso é democrático? Desde quando isso é "moderno"?

Marina Silva subiu nas intenções de voto tal qual um balão inflado - grande por por fora, vazio por dentro.

Levada às alturas, é motivo de grande atenção.

O problema é que todo balão, um dia, tem que descer sobre a cabeça dos que hoje se encantam com seu voo.

Aí começa o grande incêndio de algo que enganou a todos com um brilho frágil de papel.

Antonio Lassance, cientista político.
No Carta Maior
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