31 de ago de 2014

31 de agosto de 1967 era assassinada Tamara Bunke


Em 31 de agosto de 1967 foi assassinada na Bolívia, a argentina-germânica Tamara Bunke, conhecida como Tânia a Guerrilheira, que pertencia ao grupo de retaguarda que comandava Ernesto Che Guevara.


Tânia (Haydée Tamara Bunke Bider)

"... Atualmente tenho que fazer alguns trabalhos especiais ...(um trabalho de confiança).” Com estas palavras enviadas aos seus pais em 31 de outubro de 1963, Haydée Tamara Bunke Bider anunciava o delicado e intenso trabalho que iniciara em março de 1963, em Havana, a partir do qual materializara seu maior anseio: dedicar-se por inteiro à causa da Revolução Latino-americana.

Surgia Tânia, a lutadora clandestina que impressionava por sua presença, simples, inteligente e tranqüila; a mulher despojada de qualquer vestígio de egoísmo, capaz de renunciar à família, às amizades, ao amor, à maternidade por materializar dia-a-dia as palavras do poeta revolucionário Nicolai Ostrovski, que ela anotara na primeira página de um diário e o preenchia só com seu exemplo.

"Consagrei toda a minha vida e minha grande força à mais nobre tarefa no mundo, à luta pela libertação da Humanidade". Escreveu naquele momento a mulher nascida na Argentina em 19 de novembro de 1937. Talvez no instante em que escrevia reviveu sua curta existência. Os belos dias de sua infância e adolescência passados em Saavedra (Argentina), junto com seu irmão Olaf e seus pais, Erich e Nadia, que vieram para a América do Sul fugindo da perseguição do fascismo.

Com certeza lembrou de sua chegada à República Democrática Alemã (RDA) em 1952, quando pôde ver, aos 14 anos, as ruínas deixadas pela Segunda Guerra Mundial; escutou os relatos de dor e morte sofridos por milhões de pessoas que, como seus pais, tiveram como grande delito ser comunistas ou russos-judeus, como a mãe dela.

Também pensou no sacrifício sem condição alguma para criar uma nova sociedade, na alegria com que cumpria suas tarefas na Juventude Livre Alemã e no Partido Socialista Unificado da Alemanha, em sua felicidade ao conhecer o triunfo revolucionário em Cuba, mas, sobretudo, passou por sua mente o penetrante amor que guardou sempre pela América Latina.

Por isso nada a deteve. Deixou seus estudos de filosofia na Alemanha e transformou-se em tradutora do Ballet Nacional de Cuba, chegando à Ilha em 1961. Trabalhou no Instituto Cubano de Amizade com os Povos, no Ministério da Educação, na Federação de Mulheres Cubanas e como guia de turismo; iniciou a carreira de jornalismo na Universidade de Havana, tornou-se miliciana e diante do busto de José Martí selou seu compromisso de servir à definitiva liberdade da América.

Tânia sentia as dificuldades de sua nova responsabilidade. Em março de 1963 tinha começado a materializar o grande anseio de se dedicar completamente a serviço da Revolução desde a difícil trincheira dos que lutam nas fileiras do inimigo.

Um ano depois, ao concluir em Cuba o rigoroso treinamento operativo para o trabalho de inteligência, o próprio Comandante Guevara lhe explicava em detalhes o trabalho a se realizar na Bolívia.

Em nove de abril de 1964 parte para Europa Ocidental com o nome de Haydée Bider González. Durante algum tempo viaja como Marta Iriarte. Em Berlim Ocidental, a poucos metros da família e sem poder aproximar-se, toma a personalidade de Laura Gutiérrez Bauer, a etnóloga especializada em arqueologia e antropologia, que em cinco de novembro de 1964 chega ao Peru, para seguir até La Paz.

Na capital boliviana circula entre personalidades da cultura e da política, ao ponto de sustentar uma estreita relação com Gonzalo López Munhoz, chefe da Direção Nacional de Informações da Presidência da República, amigo pessoal e de absoluta confiança do presidente general René Barrientos. Assim consegue trabalhar para um semanário dirigido às pessoas de mais alta classe da sociedade boliviana, que lhe dá acesso aos próprios escritórios de informação.

Seu trabalho inteligente e sério a leva a penetrar nas casas das famílias poderosas, dando aula de alemão às crianças; passa a colaborar com o Departamento de Folclore do Ministério da Educação. Estabelece relações com funcionários da embaixada argentina.

Seu matrimônio com Mario Martinez, filho de um importante engenheiro em minas, permite legalizar sua radicação definitiva na Bolívia e desprender-se do assédio masculino que tanto a incomodava. Depois de dois anos de trabalho solitário recebeu seu primeiro contato. Em abril de 1966, Tânia viaja a um país latino-americano para estabelecer contato pessoal com um enviado de Cuba.

Começava o trabalho de preparar a recepção e translado dos combatentes até a zona onde se desenvolveria a luta, cuidando, sobretudo, em evitar sua prisão e com isso, a perca de seu eficiente trabalho de anos. Em sua chegada, Che conversa com ela e lhe dá novas instruções.

Em 20 de dezembro, Che anota em sua agenda a designação de Tânia como parte da rede de apoio urbano e em 31de dezembro daquele ano seria entrevistada com o guerrilheiro em Nacahuasú, onde recebe missões para contatar com revolucionários na Argentina.

Em março de 1967 viaja novamente ao acampamento guerrilheiro para levar Regis Debray, Ciro Bustos y Juan Pablo Chang (El Chino). Sua terceira e última viagem a Nacahuasú propicia alcançar sua maior ambição: somar-se à luta guerrilheira, pois a delação dos desertores Vicente Rocabado e Pastor Barrera tornou impossível sua volta para La Paz.

A partir de 27 de março, Tânia será uma das combatentes que dará múltiplas mostras de valentia, eficiente preparação e alto espírito combativo, tornando-se uma inimiga temida pelo exército. Explica Paco (José Castillo Chávez), único sobrevivente da Retaguarda que pertencia Tânia, que ela se opunha a qualquer privilégio por ser mulher.

Na tarde de 31 de agosto de 1967 é a penúltima a penetrar na rápida corrente do rio Grande. Marcha entre Paco e Joaquín (Juan Vitalio Acuña). A água chega quase aos quadris quando se escutam os primeiros disparos.

Levanta de imediato os braços com a intenção de começar a disparar sua metralhadora, mas uma rajada disparada pelo soldado Vargas alcança o pulmão e seu corpo é arrastado pela correnteza.

O Negro (José Restituto Cabrera Flores), médico peruano a quem Che encarregou o cuidado de Tânia, trata de salvá-la. Nada desesperadamente até que lhe alcança e comprova sua morte.

Sete dias depois encontram seu cadáver nas margens do rio Bravo. Contam que umas religiosas pediram seus restos dar-lhe sepultura cristã. Até o cemitério do Valle Grande, seu corpo foi escoltado por soldados. O próprio presidente Barrientos, que a conheceu em recepções oficiais, chegou até ali, e mesmo sem confessar, admirou a mulher de 29 anos que burlou todos os serviços de inteligência.

O povo boliviano a transformou em lenda e Tânia vive ainda hoje ali onde entregou sua valiosa vida pela libertação latino-americana.

Elsa Blaquier
No MST
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Marina Silva governará com Terra, Água, Fogo, Vento e Coração

No horário eleitoral, a candidática promoverá a união de "Aquarius" com "Let the Sunshine In"
ZEITGEIST - Semeadora da nova política, a candidática Marina Silva apresentou seu plano de governo. "Quando a lua está na sétima casa/ E Júpiter se alinha com Marte/ A paz guiará os planetas/ E o amor conduzirá as estrelas/ Essa é a aurora da Era de Aquário! Eeeera de Aquáááriooooo", cantarolou Marina, enquanto saltava nua em um gramado, acompanhada de Beto Albuquerque e Luiza Erundina, vestida de querubim.

Em seguida, Marina observou que sua equipe congregará Yin e Yang, Tico e Teco e, sem rótulos, governará com os blogueiros do Brasil 247 de braços dados com Reynald Azeverde. "Governarei com apenas cinco ministérios: Terra, Água, Fogo, Vento e Coração", explicou.

Ao explicar a origem do avião que transportava Eduardo Campos, Marina Silva evocou o melhor de Lula e de FHC, numa fusão holística: "Não sabia de nada", disse, em homenagem ao ex-presidente em exercício, e "Voei, mas não trafeguei", arrematou, em homenagem a Fernando Henrique.

No final da tarde, o Google apresentou um novo algoritmo de busca cuja função será encontrar uma proposta concreta de Marina Silva. "Por enquanto, neca de pitibiribas", lamentou Sergey Brin.

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"El plan económico de Marina Silva es puro neoliberalismo"

Nasce o argumento Verde, 
o novíssimo discurso da velha direita
Até no exterior já sabem...

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"O programa de governo de Marina me deixou preocupada", diz Dilma em coletiva


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O Brasil vai repetir esse "novo" de novo?




Direita tenta reeditar 1960 e 1989 em 2014


Lamentavelmente a história se repete — Algumas pessoas ficam cheias de dedos para comentar sobre o processo eleitoral atual. Não é hora para omissões. A história brasileira é que subsidia o conteúdo desse texto.

Em 1960 Jânio Quadros se elegeu presidente da república pelo PTN (com o apoio da UDN). O PTN era um micro partido que nem de longe estava no centro da política nacional, como estavam a própria UDN, o PSD e o PTB.

Em 1989 Fernando Collor de Mello se elegeu presidente da república pelo PRN. O PRN era um micro partido que com muito gosto abraçou as pretensões da "nova política" de Collor, egresso da ARENA, do PDS e do PMDB.

Em 2014 a direita quer repetir o fenômeno com uma candidatura laranja, que usa o PSB como barriga de aluguel e que um dia depois da eleição irá para o micro partido Rede, espécie de PTN ou PRN dos dias de hoje.

Tanto Jânio Quadros quanto Collor se auto definiam como figuras acima dos partidos tradicionais. Criticavam a política em si, os partidos políticos e os próprios políticos.

Se apresentavam como mui dignos representantes da "nova política" que iria sanear e moralizar o Brasil...

É o mesmo discurso falso, cínico e mentiroso da moça lá do Acre.

A Rede, que sequer foi criada ainda, o PTN e o PRN tem em comum o fato de serem legendas pequenas e sem contornos ideológicos e programáticos bem definidos.

Em 1961, sem conseguir uma base de apoio minimamente confiável no Congresso Nacional, Jânio renuncia e mergulha o país numa violenta crise institucional.

O golpe só não vei ali mesmo graças a atuação corajosa e certeira do então governador gaúcho, Leonel Brizola, e da sua Campanha da Legalidade que garantiu a posse constitucional de João Goulart.

Em 1992 Collor sofreu um impeachment, muito mais por ter se isolado no Congresso e por estar num partido pequeno e irrelevante como o PRN.

A história está aí para quem quiser ver e estudar.

Àqueles que negam a política e os partidos políticos, ao contrário do que dizem, deseducam as massas e são os verdadeiros representantes das ideias mais reacionárias que se possa imaginar.

Em outras palavras, são apenas farsantes.

Farsantes com um discurso falsamente moderno que se coloca acima da política, acima dos partidos, acima dos políticos e acima das instituições.

Não existe nada mais conservador e de extrema direita do que esse messianismo que falsamente paira acima de tudo e de todos.

Marina Silva é uma espécie de Jânio Quadros ou de Fernando Collor de Mello. Nada mais do que isto.

Cabe àqueles que tem um mínimo de conhecimento histórico, impedir que o Brasil de 2014 caia novamente numa aventura da extrema direita.

Diogo Costa
No GGN
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É isso que vocês querem para o país?


Acabo de ler o programa econômico de Marina da Silva que, como todos sabem, foi escolhida pela " providência divina". Alguns pontos devem ser esclarecidos para os eleitores mais jovens.

1) Marina pretende dar autonomia para o BC. O que significa isso? Entregar o banco para o mercado financeiro. Não por acaso conta com o apoio de banqueiros em sua campanha.

2) No documento consta que políticas fiscais e monetárias serão instrumentos de controle de inflação de curto prazo. Como podemos ler este ponto? Arrocho salarial e aumento nas taxas de desemprego.

3) O programa ainda menciona a diminuição de normas para o setor produtivo. Os mais açodados podem pensar em menos carga tributária e burocracia para as empresas. Não, trata-se de reduzir encargos trabalhistas com a supressão de direitos que facilitem as demissões. Há muito que a burguesia patrimonialista pede o fim da multa rescisória de 40% a ser paga a todo trabalhador demitido sem justa causa. O capital agradece.

4) Redução das prioridades de investimento da Petrobrás no pré-sal. O que significa? Abrir mão de uma decisão estratégica de obter investimentos para aplicar na Saúde e na Educação. Isso, meus amigos mais jovens, é música para hospitais privados, planos de saúde e conglomerados estrangeiros que atuam na educação. O que o grupo Galileo fez com a Gama Filho e Univercidade , aqui no Rio, é fichinha perto do que está por vir. Era com uma coisa desse tipo que vocês sonhavam quando foram às ruas em junho do ano passado?

5) Em vez do fortalecimento do Mercosul, o programa da candidata, que "quer fazer a nova política," prega o fortalecimento das relações bilaterais com os Estados Unidos e União Europeia. Vamos retroceder vinte anos e assistir a um aumento da desnacionalização da economia latino-americana. É isso que vocês querem?

6) Meus amiguinhos, não sei se foi a providência divina quem derrubou o avião em que viajava Eduardo Campos. Mas o que a vice dele, uma candidata que está à direita de Aécio Neves, lhes oferece é o pão que o diabo amassou. Gosto da vida, gosto da juventude, mas, agora, cabe a vocês escolher o que desejam enfiar goela adentro. Não há mais ninguém inocente.

Volto ao jovens.

O Partido Socialista Brasileiro, que sempre teve uma agenda progressista, foi criado em 1947. Ao ceder a pressões para lançar a candidatura de Marina da Silva, acabou. No lugar dele, surgiu um PSB capturado pelo "Rede" da candidata do Criador.

Pois bem, bastaram quatro tuitadas do Pastor Malafaia para o partido retirar de seu programa de governo o casamento civil igualitário. Se em quatro mensagens por twitter houve um retrocesso desse porte, imaginem em quatro anos de um eventual governo do consórcio Itaú-Assembleia de Deus.

Descriminalização do aborto? Esqueçam.

Descriminalização dos usuários de drogas? Nem pensar. No mínimo, procedimentos manicomiais para os dependentes.

Pensem nos direitos conquistados pelas mulheres nos últimos anos sendo submetidos ao crivo de dogmas medievais. Nos homossexuais como anomalias apenas "toleradas", jamais como sujeitos de direitos. Sim, pois vislumbramos uma religião se transformando em política de Estado.

É isso que vocês querem para o país? É isso que vocês querem para suas vidas e a dos filhos que vierem a ter?

Em caso afirmativo, chamem Torquemada e me avisem: não quero ver ninguém ardendo em fogueiras.

Tudo é força mas só Malafaia é poder.

Não acredito que vocês desejem isso. Melhor, não quero acreditar.

Gilson Caroni Filho
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Desafio

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Marina ganha dinheiro com publicidade

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A ganância é o pecado favorito do diabo: Marina e suas palestras

Ela
Marina parece Pepe Mujica, pela aparente simplicidade e despojamento, mas não é.

Isso fica claro com a revelação hoje, pela Folha, de que ela ganhou 1,6 milhão de reais com palestras apenas nos três últimos anos.

Alguém imagina Mujica fazendo isso?

Não há nada de ilegal nisso. Mas as palestras milionárias como as de Marina ficam a um passo do limite da indecência.

Ganhar 30 000, 40 000, 50 000 numa hora para palestras pagas por empresas interessadas em agradar o palestrante?

É uma questão ética de extrema complexidade.

Marina não está inovando nisso. Recentemente, Joaquim Barbosa anunciou que sua próxima atividade serão palestras.

Alguns degraus acima, FHC e Lula, tão diferentes em tantas coisas, se igualaram na celeridade com que, deixada a presidência, começaram a fazer palestras.

FHC e Lula são estrelas do circuito internacional de palestras, que paga supercachês em dólares.

Uma hora pode valer 100 mil dólares ou mais.

É um mercado para ex-presidentes. Nos Estados Unidos, Reagan levou essa atividade aos céus. Clinton e Bush seguiram o mesmo caminho.

Na Inglaterra, Tony Blair fez o mesmo depois que deixou de ser premiê. Com frequência a mídia inglesa publica matérias em que “denuncia” a fortuna levantada por Blair com suas palestras.

Antes de Blair, Thatcher se lançou no circuito, mas não teve muito tempo para ganhar quanto pretendia porque um problema mental logo se manifestou nela quando foi apeada do poder.

FHC aprendeu tanto sobre viajens, quando virou palestrante profissional, que comprou uma vistosa mala vermelha para não se confundir na esteira nos desembarques.

Uma palestra internacional rende, para um ex-presidente, mais que ele ganhou por um ano de trabalho.

Do jeito que as coisas vão, daqui a pouco a presidência vai ser uma escala para o mundo das palestras internacionais.

A ganância, mais que a vaidade, é o pecado favorito do diabo.

Necessidade, a rigor, você não tem ao sair do poder.

Ex-presidentes têm boas pensões.

Nos Estados Unidos, as pensões presidenciais foram estabelecidas na década de 1950 por razões práticas.

O ex-presidente Harry Truman, ao deixar a Casa Branca, não tinha dinheiro. Estava quebrado.

Hoje, ex-presidentes americanos recebem cerca de 200 000 dólares por ano de pensão, fora outros benefícios como um bom sistema de saúde.

A imprensa brasileira jamais fez uma investigação aprofundada sobre o mundo das palestras por uma razão: muitos jornalistas são palestrantes.

Na Globo, colunistas como Merval, Míriam Leitão e Jabor estão entre os palestrantes mais bem pagos do país.

A Folha proíbe seus jornalistas de fazer isso, e está correta, mas a Globo não.

A Globo tira proveito disso para pagar salários baixos. Fica subentendido que a empresa fornece a vitrine de que seus jornalistas precisam para fazer palestras.

Na dramaturgia, há uma situação parecida. Fernanda Montenegro certa vez disse que a Globo pagava pouco para seus atores porque sabia que eles precisavam dela para receber cachês milionários em publicidade.

Marina, repito, não é Mujica.

Mas quem é no Brasil?

Paulo Nogueira
No DCM
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Manchetômetro — Jornal Nacional


Nesta página encontram-se os gráficos que representam a cobertura agregada do Jornal Nacional no que toca os candidatos da corrida presidencial. Primeiro, apresentamos o dado bruto que corresponde ao acumulado da cobertura desde o começo do ano de 2014. Em seguida, separamos a cobertura entre antes e depois do início da campanha eleitoral para tornar possível a identificação de mudanças de tendência. Também exibimos o gráfico da série temporal para todo o ano de 2014 que permite observar a evolução da valência contrária na cobertura jornalística. Os gráficos Cobertura agregada, Cobertura depois do início do período eleitoral e Série temporal são atualizados diariamente.

Cobertura agregada

No gráfico abaixo temos o cômputo agregado (total), até o dia de hoje , do tempo das notícias favoráveis, contrárias e neutras para cada candidato.


Cobertura antes do início do período eleitoral

No gráfico abaixo temos o cômputo do tempo das notícias favoráveis, contrárias e neutras a cada candidato no período que vai de 1 de janeiro de 2014 a 5 de julho, um dia antes do começo do período oficial de campanha, como estabelecido pelo TSE.


Cobertura depois do início do período eleitoral

No gráfico abaixo temos o cômputo do tempo das notícias favoráveis, contrárias e neutras para cada candidato no período que vai de 6 de julho, dia do começo do período oficial de campanha, como estabelecido pelo TSE, até o dia de hoje.


Série temporal: valência contrária aos candidatos

No gráfico abaixo temos o cômputo do tempo das notícias contrárias aos candidatos ao longo do ano de 2014, dividido em meses.


Última atualização: 30/08/2014 às 23:13

No Manchetômetro
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Marina está sendo desmascarada na mesma velocidade em que subiu nas pesquisas


Sempre foi contra os transgênicos, porém na entrevista ao Jornal Nacional nacional disse que era a favor, só para agradar o agronegócio. Divulgou seu programa de governo na sexta, falando que apoiava o casamento gay. Bastou o Pastor Silas Malafaia ameaçá-la para que ela mudasse de opinião no sábado. Se diz uma pessoal ligada aos pobres pela sua origem, porém tem como coordenadora da campanha a herdeira do Itaú, Neca Setúbal. Quer entregar uma parte da Caixa e do Banco do Brasil para os bancos privados (ver reportagem abaixo) e apoia o Banco Central independente, o que de fato o entrega para os banqueiros.

Contradições começam a ameaçar a imagem “santificada” que foi construída da candidata.


No DesmascarandoGloboFolha

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Ousar e vencer ou entregar o Brasil aos mercados passivamente?

Ao aluvião de malafaias, rentistas e insatisfeitos bem intencionados não basta contrapor conquistas incorporadas. É preciso sinalizar um símbolo da repactuação.

Silas Malafaia, pastor e radialista evangélico, de larga audiência no Rio de Janeiro, é um símbolo exclamativo daquilo que se convenciona chamar um estereótipo.

Certas características nele são tão acentuadas que mais se assemelha a um personagem de desenho animado.

Mas Malafaia é de verdade.

E personifica um dos mais buliçosos marcadores do extremismo conservador nos ciclos eleitorais brasileiros.

Malafaia é velho conhecido no ramo do palanque de rebanho.

Com a retórica adestrada na radiofonia da fé, o pastor evangélico se notabiliza como uma ferramenta implacável no exorcismo de gays e lésbicas; na condenação do aborto e da educação sexual; na demonização de petistas, esquerdistas e libertários em geral.

Não necessariamente nessa ordem, mas com essa vivacidade. Sempre em nome da pureza da sociedade, dos costumes e do que mais se engata a esse comboio.

Em 2012, já descendo a ladeira do seu moderado escrúpulo, na largada do 2º turno em São Paulo quando foi derrotado por Fernando Haddad, Serra importou o animador cirúrgico para reforçar a musculatura na hora do vale tudo na disputa.

Silas Malafaia desembarcou na cidade festejado então em manchete graúda do caderno de política da 'Folha de SP', em 10/10/2012.

Assim:

"Líder evangélico diz que vai 'arrebentar' candidato petista — Silas Malafaia afirma que Haddad apoia ativistas gay".

Em entrevista ao diário dos Frias, de imoderados pendores tucanos, o bispo disse que Serra agradeceu o apoio recebido no primeiro turno, quando fez um vídeo em que pedia votos ao candidato do PSDB e ligava Haddad ao ‘kit anti-homofobia’.

Carimbado de "kit gay" pelos evangélicos, o material consistia de uma cartilha contra a homofobia encomendada pelo Ministério da Educação em 2011, para ser distribuída nas escolas na gestão Haddad.

A pressão da mídia e evangélicos obrigou o governo a recuar. "O Haddad já está marcado pelos evangélicos como o candidato do 'kit gay'. Não vamos dar moleza a ele", fuzilou Malafaia, após o encontro com Serra.

Arrebentar a tolerância, de um lado, para resgatar o voto da ‘pureza’ de outro; esse, o fundamento regressivo representado pela restauração do filtro religioso na política.

A especialidade de Silas Malafaia está prestes a ser direcionado agora no apoio à candidata do PSB.

O bispo anunciou que apoiará Marina Silva no provável 2º turno das eleições presidenciais deste ano, embora a tenha trocado por Serra, em 2010, quando Marina sugeriu um plebiscito sobre o aborto.

Malafaia é um estereótipo.

Como qualquer marcador, cola onde encontra aderência.

A adesão a Marina foi revelada em blog de uma revista semanal, ela também um marcador sanguíneo dos pecados incluídos na lista de Malafaia.

No 1º escrutínio, ’para marcar posição’, informa a revista, o voto do influente bispo terá outro dono: o pastor e presidenciável Everaldo, do PSC, — como ele e Marina, também da Assembleia de Deus, e cujo bordão eleitoral é ‘vou privatizar tudo’.

Na decisão para valer, Malafaia vai de Marina.

Outro conhecido político e pastor evangélico, o deputado federal Marco Feliciano (PSC), envolvido recentemente em acusações de homofobia e rompido com o governo pela falta de solidariedade dos petistas, anuncia a mesma dobradinha.

Porém, com uma ênfase mais representativa dos dias que correm: ‘no segundo turno, qualquer um, menos o PT’, proclama Feliciano.

O bordão é o mesmo empunhado pelos operadores de outra confissão de fé arrebatada: a do mercado financeiro, que aspira à multiplicação bíblica do pão e do peixe na forma dinheiro.

O vertedouro desse sortido aluvião de intolerância e cobiça é a proposta de higienizar ‘a velha política’, apresentada ora como uma instância devassa de uma sociedade pia; ora como uma interferência suja na pureza lógica do maquinismo rentista.

A purgação desses pecados uiva na fogueira programática mais festejada da praça nesse momento. Das labaredas emana o espírito santo de um Banco Central autônomo ; de um mercado financeiro independente e de um moralismo a salvo dos incréus.

Todos abrigados da ingerência do Estado belzebu e das liberdades democráticas e individuais.

O tucano Aécio Neves, no debate da Bandeirantes, ao criticar Marina Silva, que se autonomeia a semente dessa ‘nova política’ (a limpa), acabou na verdade reiterando a falsa disjuntiva.

Aécio trocou a dualidade higiênica de Malafaia e assemelhados pelo maniqueísmo da 'boa e a má política'.

Boa política para o candidato do PSDB era a política de Tancredo... Naturalmente não a de Vargas, não a de Morales, não a de Chávez, não a de Lula.

A ideia de uma salubridade externa à história que deve ser tomada como referência limpa e boa na construção da sociedade é um daqueles mantras aos quais se agarram os interesses dominantes de todos os tempos.

Pode assumir a forma de uma religião (leia o indispensável artigo de Katarina Peixoto). Ou a da judicialização da ‘velha e má’ política. Ou ainda encarnar no monopólio de um dispositivo midiático que se avoca a prerrogativa de um Bonaparte, a emitir interditos e sanções em defesa dos interesses que nomeia como ‘a ordem’.

O mercadismo rentista, o fanatismo religioso, assim como o barbosismo togado ou o bonnerismo midiático sempre tiveram dificuldade em se expressar através de um palanque unitário que emprestasse carisma a um credo excludente em seus próprios termos.

Agora parece que não mais, graças à ascensão desse super-bonder chamado 'nova política'.

Trata-se de um retrofit da desgastada terceira via.

Retro, do latim “movimentar-se para trás” e fit do inglês, adaptação, ajuste.

O termo emprestado da arquitetura adequa-se à descrição da candidatura sensação nesse momento que os mais entusiasmados, a partir de dados do Datafolha, enxergam em escalada irreversível rumo a Brasília.

O retrofit é recomendável quando um edifício chega ao fim de sua vida útil, oferecendo-se como opção para corrigir o desgaste e a decadência do longo tempo de uso, todavia sem alterar seus alicerces e estruturas de sustentação.

É mais barato e funcional.

No caso da política, o retrofit consiste em vender como novo a velho ardil conservador que evoca uma ordem natural naquilo que cabe ao conflito democrático resolver: ou seja, as escolhas inerentes à luta pelo desenvolvimento da economia e da sociedade.

Objetivamente, a candidatura Marina Silva é um retrofit do neoliberalismo e da terceira via.

Não qualquer retrofit , mas o estuário do higienismo político diuturnamente inoculado no imaginário brasileiro pelo intercurso de mídia, togas e elites nos últimos anos.

O desafio de vida ou morte do campo progressista nesse momento é restaurar a transparência dos dois campos em confronto na sociedade brasileira, dissimulados sob o xale da ‘nova política’.

O calcanhar de aquiles do retrofit conservador é o antagonismo entre a maquiagem da fachada e de alguns equipamentos e a rigidez dos pilares e colunas estruturais.

Num edifício isso é contornável com algum jogo de decoração.

Numa sociedade pode ser insuportável.

A participação soberana e democrática da população nas decisões sobre o desenvolvimento frequentemente evoca mudanças que colidem com as velhas estruturas que a ‘nova política’ visa preservar.

Marina Silva afirma apoiar o decreto de Dilma, demonizado pela elite que a festeja, da Política Nacional de Participação Social.

Como, porém, se a mesma Marina defende, por exemplo, a independência sagrada do Banco Central em relação à democracia e ao governo?

Como, se terceiriza aos operadores do mercado a hegemonia plena sobre a fixação de um dos principais preços da economia: a taxa de juros? (Leia esclarecedor artigo de Paulo Kliass sobre esse tema).

Marina e seus formuladores defendem a mesma autonomia em relação a outro preço estratégico: o câmbio, que segundo eles, deve flutuar livremente. E abjuram, em relação ao salários (o terceiro preço decisivo no capitalismo) , a política de valorização do salário mínimo adotada pelos governos petistas — da qual Dilma avisa que não abdicará.

É justo perguntar: assim encapsulada a economia nas mãos do mercado, o que sobra então à participação social endossada por Marina Silva?

O Brasil, desde 2003 — com todas as limitações e contradições intrínsecas a um governo de base heterogênea — tem figurado aos olhos do mundo como uma da estacas de resistência à retroescavadeira ortodoxa que demole e tritura direitos sociais e soberania econômica urbi et orbi.

Essa resistência criou um dos maiores mercados de massa do mundo numa demografia de 202 milhões de habitantes.

Não há dúvida de que isso se fez às custas de afrontar a lógica de uma globalização financeira cujo colapso apenas acentuou sua natureza intrinsicamente excludente.

O assoalho macroeconômico brasileiro range e ruge sob o peso da inadequação entre a emergência desse protagonista de massa, que constitui a nova força motriz da economia, e estruturas pensadas para atender a 1/3 da população mais rica.

A solução da ‘nova política’ é reconduzir a agenda do desenvolvimento aos fundamentos estritos de sua autorregulação pelas forças dos mercados globais.

Higienizar ‘a sujeira’ do intervencionismo em todas as frentes.

Com as consequências sociais sabidas. E a dose de repressão necessária que faz do endosso de Marina à participação social pouco mais que um retrofit na palavra simulacro.

Não é uma acusação eleitoreira; é uma operação em marcha promovido por massas de forças ferozes.

Curto e grosso: está em jogo colocar o Estado esfericamente na mira dos jagunços de gravata de seda italiana e Rolex, dos quais Neca do Itaú é só a face elegante, para que façam o serviço sangrento.

Sobrepor o interesse privado aos da sociedade implica capturar o sistema democrático integralmente para o mesmo fim.

É uma operação de potencial lucrativo tão elevado que ao mercado compensa tolerar o xale dissipador de Marina Silva — desde que o bangue-bangue da faxina econômica esteja liberado às mãos e bicos que dão conta do serviço.

Não é só uma sucessão presidencial, portanto.

Estamos diante de um divisor histórico do desenvolvimento brasileiro.

Ao aluvião de malafaias, rentistas e bem intencionados — seduzidos estes pelo glamour da ‘nova política’, não basta contrapor o exaustivo balancete publicitário do que se conquistou nestes últimos 12 anos.

É importante, mas não é suficiente.

É forçoso contrapor à ‘nova política’ aquilo que a desnuda e afronta.

É urgente dizer pelo que se luta e contra quem se trava a batalha dos próximos dias e noites.

Essa é uma batalha entre a democracia social e as forças regressivas do galeão malafaico-rentista.

É preciso escancarar a contradição entre o retrofit messiânico e as estruturas calcificadas que ele maquia.

Contrapor, enfim, ao galope conservador um salto efetivo da democracia participativa em um novo governo Dilma.

Tornar esse salto palpável aos olhos da população requer um símbolo de magnetismo equivalente às tarefas que essa agenda encerra em termos de negociação de pactos, metas, concessões, salvaguardas e organização.

Um novo governo estruturado em torno dessa renegociação do desenvolvimento requer um chefe de Casa Civil dotado ao mesmo tempo de inexcedível sintonia com a Presidenta Dilma, e de incontrastável representatividade popular.

Essa referência existe; já funciona de fato como líder político do campo progressista; deveria ser oficializado desde já na nova estrutura de um segundo governo Dilma.

Seu nome é Lula.

Saul Leblon
No Carta Maior
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O fracasso de Marina no desmatamento

Dados comparativos questionam discurso de candidata no terreno ambiental

Confesso que não gostei quando Marina Silva insinuou que o Brasil não precisa de “gerentes” mas “estrategistas.” É óbvio que ela queria se colocar na posição de “estrategista”, supostamente mais elevada e relevante, colocando Dilma Rousseff na condição de “gerente.”

Achei esnobismo. Falta de humildade. O motivo você pode ver na comparação que mostra os números consolidados do desmatamento no Brasil. Olha o desempenho da “estrategista.”

Olhando ano a ano, você vai perceber o tempo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o tempo que Marina passou no Ministério do Meio Ambiente (2003-2007), o período de seu substituto Carlos Minc (2009-2010) e os anos de Izabela Teixeira, já no governo Dilma (1011-2013).

Os dados consolidados são estes.

A estrategista do meio ambiente Marina administrou, em média, 18 000 quilômetros quadrados de desmatamento. Com Carlos Minc, a média caiu para menos da metade: 7000. Com Izabela, encontra-se em 5560, menos de um terço do desempenho de Marina.

Sabe aquela conversa de que o adversário não “está preparado” para governar o país? Pensa “pequeno?” Olha “baixo”? Pois é.

Marina tenta alvejar Dilma com o mesmo preconceito que já foi jogado contra Lula — e também era usado contra ela, no tempo em que não recebia R$ 50 000 mensais por palestras, não era amiga de Neca Setúbal nem fazia “nova política” a bordo de jatinho sem dono conhecido nem prestação de contas.

Vamos combinar: você pode lembrar que Marina Silva criou inúmeros obstáculos à construção das usinas de Santo Antonio, Jirau e Belo Monte — e hoje adora dizer que precisamos de mais energia. Chegou a alegar — erradamente — que as obras poderiam ameaçar uma espécie de bagre do rio Madeira. Também pode lembrar que ela combateu a soja transgênica.

É claro que, para criar a fantasia da “nova política”, Marina precisa passar uma borracha no passado e tenta inventar uma novíssima candidata — que é a favor de energia elétrica e disse no Jornal Nacional que “nunca” foi contra transgênicos.

A menos que em sua fase “novíssima” ela decida revelar que “nunca” foi contra desmatamentos, este é um bom termômetro de avaliação, vamos combinar. Mesmo em seu terreno ela demonstrou mais blá-blá-blá do que competência.

Que falta faz um gerente, não?

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Marina, muito além do jardim

Marina e a tragédia de Collor que se repete como farsa


Aqueles de minha geração que viram “Muito além do jardim”, com o inigualável Peter Sellers, não terão se surpreendido com o fenômeno Marina Silva das últimas semanas. A média da opinião pública está sempre preparada para ouvir e aplaudir o que ela própria pensa. Um fenômeno político capaz de dizer que “vai governar com os melhores”, e não com os partidos, é capaz de declarar solenemente que primeiro vem a primavera, depois o verão, depois o outono e, finalmente, o inverno. Do que resultam longos, longos aplausos!

Esse fenômeno burlesco não teria existido caso uma classe dominante essencialmente estúpida não se mobilizasse junto com a grande mídia para tentar liquidar o governo do PT, mesmo diante do fato óbvio de que Dilma é a última das petistas dos governos PT. É que a classe dominante, ela mesma influenciada pela mídia, não consegue explicar a si mesma a raiva que tem de Dilma. Foi largamente beneficiada por investimentos, desonerações fiscais, PPPs, terceirizações, tripés macroeconômicos, tudo ao gosto tucano e sob a cartilha neoliberal.

Por que a elite dominante ficou contra Dilma? Sim, isso só se explica pela influência raivosa do partido midiático, verbalizada por ventríloquos como Jabor. Aparentemente as verbas publicitárias para o sistema Globo, embora ainda continuem gordas, minguaram nos governos de Lula e de Dilma. Além disso, vigia à distância, embora infelizmente repudiada no curto prazo, a ameaça de um certo estatuto regulatório para a mídia, na tentativa de controlar os monopólios no setor, inclusive na feitura gráfica de material educacional. Isso levanta a indignação do sistema Globo e da Abril, e o medo do segundo mandato de Dilma, que poderia ficar mais solta em relação à rede de dominação do poder econômico.

Os mais especulativos entre os nossos cidadãos podem coçar a barba e se lembrar da advertência de Platão. Quando falava nos riscos da democracia, o velho pensador sabia do que estava falando. O risco da democracia é a anarquia. A monarquia absoluta e aquilo que conhecemos hoje como ditaduras correm o risco da corrupção e da degeneração. Daí, o governo dos sábios. É o que Marina tenta encarnar com seu governo dos “melhores”. Se ganhar, veremos sua experimentação. Platão, que tentou o governo dos sábios em Siracusa, saiu de lá escorchado a pontapés. Veremos o que acontecerá com Marina!

Em “Muito além do jardim” um jardineiro idiota, apropriado pela força midiática, prepara-se para concorrer à Presidência da República embalado involuntariamente pelos poderosos que sabiam poder manipulá-lo por trás da cena. Não se sabe o fim da história, porque as deliberações “políticas” acabam no momento do enterro do presidente. No nosso caso, parece que o jogo que começou num enterro ainda está em curso. As elites dominantes que tiraram o gênio da garrafa se assustaram com o resultado. O objetivo era bombar Aécio, não uma militante ambientalista que acredita que o problema do Brasil é ter acelerado a exploração do pré-sal, estar integrado no Mercosul e que quer uma revisão e uma moratória no licenciamento ambiental.

É rigorosamente impossível saber como terminará esse processo que oscila entre a tragédia e a pantomima. Temos a experiência de Collor, uma promessa “política” traduzida na forma de um discurso de lugar comum e banalidades prosaicas, com frases de efeito, sem conteúdo, que ganhou o gosto do povo. Conhecemos o resultado, mas temos visto também que isso não basta para evitar um novo experimento extravagante. Marx escreveu que a história muitas vezes acontece como tragédia, e se repete como farsa. Tivemos, com Collor, uma tragédia. Veremos o que acontecerá em frente, se a ameaça Marina se concretizar.

J. Carlos de Assis - Economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB, autor de mais de 20 livros sobre Economia Política Brasileira.
No GGN

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Um em dois

O catatau dado como programa de governo de Marina Silva e do PSB, mas que contraria tudo o que PSB defendeu até hoje, leva a uma originalidade mais do que eleitoral: na disputa pela Presidência, ou há duas Marinas Silvas ou há dois Aécios Neves. As propostas definidoras dos respectivos governos não têm diferença, dando aos dois uma só identidade. O que exigiu dos dois candidatos iguais movimentos: contra as posições refletidas nas críticas anteriores de Marina e contra a representação do avô Tancredo Neves invocada por Aécio.

Ao justificar sua proposta para a Petrobras, assunto da moda, diz Marina: "Temos que sair da Idade do Petróleo. Não é por faltar petróleo, é porque já estamos encontrando outras fontes de energia". Por isso, o programa de Marina informa que, se eleita, ela fará reduzir a exploração de petróleo do pré-sal.

Reduzir o pré-sal e atingir a Petrobras no coração são a mesma coisa. Sustar o retorno do investimento astronômico feito no pré-sal já seria destrutivo. Há mais, porém. Concessões e contratos impedem a interferência na produção das empresas estrangeiras no pré-sal. Logo, a tal redução recairia toda na Petrobras, com efeito devastador sobre ela e em benefício para as estrangeiras.

Marina Silva demonstra ignorar o que é a Idade do Petróleo, que lhe parece restringir-se à energia. Hoje o petróleo está, e estará cada vez mais, por muito tempo, na liderança das matérias-primas mais usadas no mundo. Os seus derivados estão na indústria dos plásticos que nos inundam a vida, na produção química que vai das tintas aos alimentos (pelos fertilizantes), na indústria farmacêutica e na de cosméticos, na pavimentação, nos tecidos, enfim, parte do homem atual é de petróleo. Apesar de Marina da Silva. Cuja proposta para o petróleo significaria, em última instância, a carência e importação do que o Brasil possui.

A Petrobras é o tema predileto de Aécio Neves nos últimos meses. Não em ataque a possíveis atos e autores de corrupção na empresa, mas à empresa, sem diferenciação. Que seja por distraída simplificação, vá lá. Mas, além do que está implícito na candidatura pelo PSDB, Aécio Neves tem como ideólogo, já anunciado para principal figura do eventual ministerial, Armínio Fraga — consagrado como especialista em aplicações financeiras, privatista absoluto e presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique, ou seja, quando da pretensão de privatizar a Petrobras.

A propósito, no debate pela TV Bandeirantes, Dilma Rousseff citou a tentativa de mudança do nome Petrobras para Petrobrax, no governo Fernando Henrique, e atribuiu-a à conveniência de pronúncia no exterior. Assim foi, de fato, a ridícula explicação dada por Philipe Reichstuhl, então presidente da empresa. Mas quem pronuncia o S até no nome do país, com States, não teme o S de Petrobras. A mudança era uma providência preparatória. Destinava-se a retirar antes de tudo, por seu potencial gerador de reações à desnacionalização, a carga sentimental ou cívica assinalada no sufixo "bras".

Ainda a propósito de Petrobras, e oportuno também pelo agosto de Getúlio, no vol. "Agosto - 1954" da trilogia "A Era Vargas", em edição agora enriquecida pelo jornalista José Augusto Ribeiro, está um episódio tão singelo quanto sugestivo. Incomodado com o uso feroz da TV Tupi por Carlos Lacerda, o general Mozart Dornelles, da Casa Civil da Presidência, foi conversar a respeito com Assis Chateaubriand, dono da emissora. Resposta ouvida pelo general (pai do hoje senador e candidato a vice no Rio, Francisco Dornelles): se Getúlio desistisse da Petrobras, em criação na época, o uso das tevês passaria de Lacerda para quem o presidente indicasse. De lá para cá, os diálogos em torno da Petrobras mudaram; sua finalidade, nem tanto.

De volta aos projetos de governo, Marina e Aécio desejam uma posição brasileira que, por si só, expressa toda uma política exterior. Pretendem o esvaziamento do empenho na consolidação do Mercosul, passando à prática de acordos bilaterais. Como os Estados Unidos há anos pressionam para que seja a política geral da América do Sul e, em especial, a do Brasil.

Em política interna, tudo se define, igualmente para ambos, em dois segmentos que condicionam toda a administração federal e seus efeitos na sociedade. Um, é o Banco Central dito independente; outro, é a prioridade absoluta à inflação mínima (com essa intenção, mas sem o êxito desejado, Armínio Fraga chegou a elevar os juros a 45% em 1999) e contenção de gastos para obter o chamado superavit primário elevado. É prioridade já conhecida no Brasil.

Pelo visto, Marina e Aécio disputam para ver quem dos dois, se eleito, fará o que o derrotado deseja.

Janio de Freitas
No fAlha
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Nova Política: candidato ao governo do Paraná de Marina Silva já foi preso e responde a 30 inquéritos

Tulio Bandeira (PTC) participou na sexta-feira em São Paulo do lançamento do Plano de Governo da Coligação Unidos pelo Brasil da candidata à presidência Marina Silva (PSB)
O advogado Tulio Bandeira (PTC), candidato ao Governo do Paraná, participou na na sexta-feira (29), em São Paulo, do lançamento do Plano de Governo da Coligação Unidos pelo Brasil, da candidata à presidência da República, a ex-senadora Marina Silva (PSB, ex-PT, ex-PV, futura Rede Sustentabilidade).

Tulio Bandeira anunciou apoio a Marina Silva no Paraná, mesmo seu partido estando coligado nacionalmente à candidatura de Aécio Neves (PSDB), uma vez que ele era amigo do falecido Eduardo Campos. Tulio conversou com o deputado Beto Albuquerque, candidato à vice de Marina Silva, com a coordenadora nacional da campanha da Marina, Luiza Erundina e com o presidente nacional do PSB, Roberto Amaral.

Marina Silva assim tem um palanque no Paraná, já que se negou em apoiar o governador Beto Richa (PSDB), considerado o pior governador do estado de todos os tempos.

Mas Tulio vem sendo considerado pela imprensa e nas redes sociais como candidato laranja de Beto Richa, já que não critica o governador e vem atacando os principais adversários de Beto, os senadores Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT), que unidos são favoritos para derrotar Richa no segundo turno.
Tulio era amigo de Eduardo Campos (PSB)
Tulio era amigo de Eduardo Campos (PSB)
No debate de quinta-feira (28) realizado em Curitiba rentre os candidatos ao Governo do Paraná, promovido pela Band, a candidata Gleisi Hoffmann (PT) acusou o candidato e advogado Tulio Bandeira (PTC) de  que ele “tem 30 inquéritos policiais nas costas e chegou a ser preso sob suspeita de estelionato” e que ele “não tem moral para chegar aqui e cobrar posicionamento. Nunca respondemos por formação de quadrilha, nem fomos presos por isso”.

Com o vide de marina Silva, Beto Albuquerque
Com o vice de Marina Silva, Beto Albuquerque
O candidato confessou que já foi preso e emitiu uma nota de defesa e vídeo no Youtube:

“Ontem, durante o Debate na Band, a candidata do PT me acusou de responder a 30 processos. Gostaria de esclarecer, como tenho feito sempre que questionado sobre esse assunto.

Em 2007, uma operação policial me envolveu em 32 diferentes inquéritos, com diferentes tipos de acusação contra clientes que eu atendia como advogado criminal, na tentativa de me apontar como líder. Destes, foram originados dois processos judiciais.

Tomando como supostas provas, reuniram gravações de consultas que dava por telefone e até mesmo uma agenda que reunia os telefones de meus clientes. Numa perseguição política, o então Secretário de Segurança Luiz Fernando Delazari deu publicidade aos fatos. Os processos se arrastam há oito anos por absoluta falta de provas”.

Veja aqui o vídeo com a defesa de Túlio Bandeira:

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Tulio Bandeira com Paulo Bornhausen (PSB-SC),
filho de Jorge Bornhausen, que apoiou a ditadura.
 Todos apoiam Marina Silva

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Educação no Brasil

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A candidata dos quatro tuítes


Conflitos banais da campanha confirmam a imensa fragilidade política de Marina Silva para falar de gays, juros, salário mínimo...

Denunciado por Jean Willys, o recuo dos quatro tuites na definição do preconceito contra homossexuais no plano do racismo foi a mais recente demonstração de um traço político marcante de Marina Silva: a imensa fragilidade política para defender seus pontos de vista e enfrentar contradições e conflitos. Quando isso acontece, ela prefere fingir que tudo não passou de um mal entendido.

Não vamos nos enganar: a defesa resoluta dos direitos dos homossexuais pode implicar na retirada do apoio do tristemente famoso deputado e pastor Feliciano, dono de uma retórica escandalosa que em 2013 provocou repúdio de vários setores da juventude e da consciência democrática do país — mas foi confortado por Marina, que na época enxergou “preconceito” nas críticas ao parlamentar.

Não foi o primeiro caso e é parte do personagem “Marina Silva” que se apresenta na campanha. A aura de predestinada pressupõe uma concorrente acima dos homens e das mulheres, das classes e dos interesses. Atuando num plano superior, Marina não erra.

Até hoje os colegas de governo Lula não conseguem conter o riso quando recordam o depoimento de Marina Silva no Jornal Nacional. Questionada pela nomeação de um candidato a vice presidente que fez campanha aberta pela liberação dos transgênicos, Marina reescreveu a própria história. Disse que nunca foi contra os transgênicos. Apenas gostaria de um sistema que permitisse o convívio da soja transgênica com a soja natural.

“Ela simplesmente ameaçou pedir demissão do cargo,” recorda um ministro que seguiu o debate de perto. Um alto funcionário do ministério do Meio Ambiente recorda que aliados de Marina chegaram a homenagear a ministra com flores — uma forma de marcar publicamente seu descontentamento.

A Medida Provisória que liberava os transgênicos não proibia a soja natural — apenas autorizava o plantio e comercialização da versão modificada genéticamente. Com sua declaração, a candidata perdeu uma excelente oportunidade para reconhecer perante os brasileiros a quem pede seu voto que errou ao combater os transgênicos — ou que foi incoerente ao aceitar um vice que nunca escondeu que fazia campanha por eles e até recebeu apoio financeiro do setor interessado. Preferiu investir em seu personagem. Mas não foi só. A mesma MP, que tratava de biossegurança de forma geral, foi alvo de Marina por outra razão: autorizava pesquisas com células-tronco, que ela condenava. A ironia, no caso, é que as pesquisas tinham apoio do Ministério de Ciência e Tecnologia, cujo titular era Eduardo Campos, titular da chapa presidencial do PSB até a tragédia do Cessna.

O Valor Econômico de hoje registra que o mercado financeiro está abandonando Aécio Neves para apoiar Marina e explica: “o sonho de dez entre dez integrantes do mercado financeiro é ver a derrota da candidata do PT.”

Num esforço para não decepcionar nenhum dos dez entre dez, o programa de Marina Silva não faz menção a uma das grandes conquistas dos trabalhadores no governo Lula-Dilma — a legislação que garante reajustes automáticos do salário mínimo, sem necessidade de se promover conchavos anuais no Congresso nas semanas anteriores ao 1º de maio. Com isso, deixa a porta aberta para que.

Outra ponto do programa vem dos bancos privados mas este já foi atendido e, a julgar pela desenvoltura da coordenadora do programa de governo Neca Setubal, herdeira do Itaú, não deve cair nem com um milhão de tuites.

O programa de governo defende a ampliação da participação dos bancos privados no mercado de crédito, diminuindo a participação dos estatais. É coerente com a ideologia privatizante de Marina. Também é prejudicial do ponto de vista do consumidor.

Os bancos privados perderam terreno no mercado de crédito, depois da crise de 2008, porque se recusaram a competir pelos clientes. Mantiveram seus juros nas alturas, mesmo depois que o Banco Central trouxe a taxa Selic para índices compatíveis com aquele momento econômico. O Banco do Brasil e a Caixa só cresceram, a partir de então, porque resgataram clientes que o setor privado decidira abandonar, ameaçando quebrar empresas pela falta de capital de giro e empréstimos que costumavam ser renovados automaticamente.

Atendendo a determinação de Lula — uma imperdoável intervenção aparelhista do Estado petista, certo? — os bancos privados se afastaram da política de mercado para atender ao interesse público.

Essa é a questão. Quando fala em ampliar o espaço dos privados, o programa de governo esconde principal. O mercado de crédito funciona — ou deveria funcionar — sob regime de livre concorrência, onde cada um explora a fatia do mercado que conquistou. Nessa situação, a única forma de mudar a posição de uns e outros é obrigar os bancos que cobram menos a elevar seus juros, permitindo que as instituições que tem taxas maiores ganhem novos clientes.

Em qualquer caso, é uma medida que, elevando o custo do dinheiro, contribui para esfriar ainda a economia, estimulando uma recessão de verdade. Para beneficiar bancos privados, prejudica-se o consumidor e o empresário.

Alguma surpresa? Nenhuma.

Proprietária de uma retórica de palavras fortes, Marina é fraca de conteúdo — situação típica de discursos estruturados mas vazios.

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