29 de ago de 2014

Janot vai investigar avião de Campos e Marina



É límpida e clara a jurisprudência da Justiça Eleitoral em casos assim e não é preciso mais que a leitura de um dos seus acórdãos para comprovar:

A arrecadação de recursos antes da abertura de conta bancária; a realização de despesas com combustíveis e  lubrificantes sem o correspondente registro de cessão ou locação de veículos; e a ausência de documentos comprobatórios de recursos estimáveis relacionados na  ‘Descrição das Receitas Estimadas’ constituem falhas insanáveis que ensejam a desaprovação das contas. (TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO DISTRITO FEDERAL, RESOLUÇÃO Nº 7289, publicada no Diário da Justiça Eletrônico de  16 de maio de 2011, página 6)

Desaprovação de contas significa impugnação da candidatura ou cassação de quem venha a ser eleito.

Mais: a “explicação” do PSB — sem um mísero papel que a comprove,  choca-se de frente com o estabelecido na Resolução 23.406, do Tribunal Superior Eleitoral, que disciplina os gastos de campanha nas eleições deste ano:

Art. 22. As doações, inclusive pela internet, feitas por pessoas físicas e jurídicas somente poderão ser realizadas mediante:

I — cheques cruzados e nominais, transferência bancária, boleto de cobrança com registro, cartão de crédito ou cartão de débito;

II — depósitos em espécie, devidamente identificados com o CPF ou CNPJ do doador;

III — doação ou cessão temporária de bens e/ou serviços estimáveis em dinheiro.

Art. 23.  Os bens e/ou serviços estimáveis em dinheiro doados por pessoas físicas e jurídicas devem constituir produto de seu próprio serviço, de suas atividades econômicas e, no caso dos bens permanentes, deverão integrar o patrimônio do doador.

Não há recibos, não há termos de cessão, o avião não fazia parte do patrimônio dos tais empresários e suas empresas não atuavam na área de transporte aéreo.

Também não é plausível a história de que as contas seriam apresentadas “no final”.

A resolução do TSE determina que:

Art. 36.  Os candidatos e os diretórios nacional e estaduais dos partidos políticos são obrigados a entregar à Justiça Eleitoral, no período de 28 de julho a 2 de agosto e de 28 de agosto a 2 de setembro, as prestações de contas parciais, com a discriminação dos recursos em dinheiro ou estimáveis em dinheiro para financiamento da campanha eleitoral e dos gastos que realizaram, detalhando doadores e fornecedores, as quais  serão divulgadas pela Justiça Eleitoral na internet nos dias 6 de agosto e 6 de setembro, respectivamente (Lei nº 9.504/97, art. 28, § 4º, e Lei nº 12.527/2011).

§ 1º A ausência de prestação de contas parcial caracteriza grave omissão de informação, que poderá repercutir na regularidade das contas finais.

§ 2º  A prestação de contas parcial que não corresponda à efetiva movimentação de recursos ocorrida até a data da sua entrega, caracteriza infração grave, a ser apurada no momento do julgamento da prestação de contas final.

§ 3º  Após o prazo previsto no caput, será admitida apenas a retificação das contas na forma do disposto no § 2° do art. 50 desta resolução.

E o artigo 50 fixa como condição para retificar, após aqueles prazos, um deles já vencido, que tenha havido modificação por abertura de diligência, ou que tenha havido erro material corrigido antes do parecer de auditoria. E com documentos.

Marina e o PSB sabem que é frágil sua situação e que uma pressão da mídia pode fazer o Ministério Público agir de ofício, pois já houve transcurso do prazo em que a movimentação de recursos em viagens do falecido candidato já deveriam constar das contas.

E não constam.

Ou que qualquer partido político ou candidato pode pedir uma investigação imediata do caso:

Art. 73.  A partir do registro da candidatura até 15 dias contados da diplomação, qualquer partido político ou coligação poderá representar à Justiça Eleitoral relatando fatos e indicando provas, e pedir a abertura de investigação judicial para apurar condutas em desacordo com a legislação relativas à arrecadação e gastos de recursos.

Até agora a mídia tem mantido uma espada sobre a cabeça de Marina Silva, que sabe que pode ser destruída por três dias de manchetes de jornais.

Não o faz porque não crê que Aécio possa escapar de sua já visivel agonia eleitoral.

Por isso, há um clima tenso no ar.

E no ar, pode ocorrer o imponderável.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

5 milhões

Leia Mais ►

Dirceu: “É uma loucura”


Indignado, ex-ministro desmente a interlocutores versão de que não torceria por Dilma e que até acreditaria em vitória de Marina Silva

Os leitores do blog de José Dirceu tem acompanhado as críticas crescentes do ex-ministro a Marina Silva.

Numa postura coerente com aquilo que se espera de um dos principais líderes do PT, empenhado na reeleição de Dilma Rousseff, Dirceu não deixa passar nada. Quando surgiram dados mais recentes sobre os lucros dos bancos privados, o blog Dirceu perguntou o que os candidatos de oposição “têm a dizer sobre isso, especialmente Marina, apoiada pelo Itaú.”

Avaliando a entrevista de Marina ao Jornal Nacional, na qual foi questionada sobre o avião que servia a campanha do PSB, Dirceu observou através do blog: “Marina tenta explicar o inexplicável.”

Estes antecedentes só ampliaram a surpresa de quem leu o blog de Fernando Rodrigues, hoje, onde se fazem afirmações chocantes em torno das opiniões de Dirceu sobre as eleições.

Mencionando “interlocutores” do ex-ministro, o blog diz que Dirceu dá a eleição como caso resolvido — com a vitória de Marina em segundo turno. Mais: afirma que Dirceu estaria dizendo que Dilma, “apenas estaria colhendo o que plantou.” Conforme foi publicado, o ex-ministro guarda uma “mágoa imensa” da presidente, a ponto de dizer que “não está triste por antever a derrota dilmista em outubro.”

Em obediência as regras do regime penitenciário, Dirceu só poderia dar entrevistas se tivesse autorização da Justiça — e não está autorizado a fazê-lo. Mas ele conversou com interlocutores na manhã de hoje, ouvidos pelo blog, a quem fez um desmentido completo.

Disse que a versão publicada é “uma loucura.” Conforme um desses interlocutores, ele chegou a fazer ironias com a versão de que de estaria magoado com Dilma. “Depois de tudo o que eu já passei vou guardar mágoa de alguém?,” perguntou.

Com mais seriedade, Dirceu repetiu mais de uma vez a seu interlocutor que, em se tratando da presidente, “nem haveria motivos para mágoa.” Ele argumentou ainda que Dilma tem lhe oferecido frequentes demonstrações de consideração. Como exemplo, lembrou que fez questão de convidá-lo para a posse no Planalto. “Você sabe o que é isso?”

Falando sobre a definição de que Marina, pela origem social, pode ser chamada de “Lula de saias”, Dirceu argumentou: “Milhares de jornalistas escreveram isso, anos atrás. Mas eu nunca disse nem diria isso hoje. Não tem nada a ver”

Quando lhe pediram para comentar a frase “não está triste por antever a derrota dilmista,” Dirceu mostrou-se indignado, revela seu interlocutor: “Isso seria uma canalhice.”

Leia Mais ►

Turista da Veiga promete obra em SP

Esses aecistas são um prodíjio (é assim mesmo, revisor!)


O Conversa Afiada reproduz post do Poços 10 no Twitter:

Pimenta “desorientado” da Veiga. Depois de confundir regiões e cidades de MG, agora ele promete obra em cidade de SP!

Leia Mais ►

Dez empresas são donas de 73% das sementes de todo o mundo

Podem as grandes multinacionais agroquímicas se converterem nos donos dos alimentos que a Terra produz? Podem essas mesmas empresas transformar a natureza e suas sementes em sua exclusiva propriedade privada?

A resposta provoca espanto: Sim! Por esse motivo, a fonte dos alimentos do planeta em que vivemos está hoje em risco. Dez empresas agroquímicas são donas de 73% das sementes que existem no mercado internacional.

Devido à sua difusão em grande escala, em alguns países já desapareceram 93% das variedades tradicionais de várias sementes.

Somente no México, 1.500 variedades de milho estão em perigo de extinção, em decorrência das práticas comerciais e legais introduzidas pela Monsanto e outras nove empresas agroquímicas no mercado agrário desse país.

É duro acreditar nisso, mas estas empresas estão privatizando as origens da natureza.

A FAO afirma que essas práticas estão prejudicando a agricultura sustentável, destruindo a diversidade biológica e substituindo as variedades nativas por plantas geneticamente modificadas e vulneráveis às doenças.

Um relatório publicado pela revista National Geographic descreve este desastre:

. Em 1903, as principais variedades de milho existentes no mercado alimentar do mundo eram 307; hoje restam apenas 12 variedades.

. As de repolho eram 544; hoje restam apenas 28.

. As de alface eram 497; hoje restam apenas 36.

. As de tomate eram 408; hoje restam apenas 79

. As de beterraba eram 288; hoje restam apenas 17.

. As de rabanete eram 463; hoje restam apenas 27.

. As de pepino eram 285; hoje restam apenas 16.

Este processo de degradação da natureza é simples e ao mesmo tempo perverso. Quando uma destas multinacionais chega a um país, quase sempre amparada por uma cláusula de um tratado de livre comércio, a lógica simples da natureza é substituída por um encadeamento diabólico de procedimentos legais e comerciais, iniciado nos bancos.

A partir do momento em que a empresa agroquímica abre as suas operações comerciais em um país, os bancos se negam a financiar os camponeses que continuarem semeando as variedades tradicionais. Só dão empréstimos aos que aceitarem cultivar variedades transgênicas patenteadas.

Os bancos também não oferecem assistência técnica para quem não utilizar as suas sementes. Quando chega a época de colheita, as redes de supermercados não compram outras que não sejam as variedades de produtos transgênicos certificados com suas patentes. Depois da colheita, os agricultores não podem conservar as suas sementes.

Os contratos os obrigam a destruí-las. Para voltar a semeá-las, deverão comprar novas sementes patenteadas. Do contrário, são denunciados e submetidos a longos e onerosos processos judiciais.

Os resultados deste encadeamento asfixiante são dramáticos. Somente na Índia, milhares de camponeses se suicidaram desde 1990, e o seu número disparou até chegar a 15 mil camponeses por ano, desde 2001, pressionados por dívidas impagáveis e por embargos judiciais.

Para tragédias como estas, é importante incluir as catástrofes ecológicas provocadas pelo uso em grande escada de agrotóxicos altamente nocivos visando a controlar as pragas nos cultivos transgênicos. Um dos agrotóxicos produzidos pela Monsanto está acabando com milhões de abelhas em vários países da Europa.

Em lugar de suspenderem a venda de seus venenos, a empresa está desenvolvendo em seus laboratórios abelhas robóticas para polinizarem as plantas. Se este projeto for levado adiante, os agricultores europeus não só terão que pagar à Monsanto pelas sementes patenteadas e pelos agrotóxicos, também terão que pagar pelas abelhas...

Se o mundo continuar governado por esta lógica abusiva, as grandes multinacionais agroquímicas vão acabar patenteando como propriedade privada até o livro da Gênese, onde a Monsanto será a criadora de toda a “vida” na Terra.

No MST
Leia Mais ►

O Globo diz que versões “não batem”. Não, porque o jato não foi “empréstimo”, foi crime eleitoral


O jornal O Globo publica que as “explicações” de Marina Silva sobre a situação do jato que caiu com Eduardo Campos se contradizem com as dadas pelo PSB, em nota oficial.

Não há nenhuma contradição: tudo, inclusive a escolha das palavras, é tortuosamente construído para não dizer a verdade: o avião foi comprado, através de depósitos fraudulentos, feitos através de empresas fantasmas, por um grupo de empresários encabeçado pelo senhor Apolo Santana Vieira, um homem acusado de contrabando.

Nua e crua é esta a verdade e as tais “explicações” vão ser aqui desmontadas de forma muito clara.

1. O “empréstimo”. 

Em primeiro lugar, você empresta o que é seu. Se não é seu, não pode emprestar. O avião não era dos empresários, para que pudesse ser emprestado. Estava sendo adquirido não para o uso daqueles empresários ou de suas empresas, mas específicamente para Eduardo Campos fazer sua campanha presidencial. Tanto é que foi levado à sua aprovação, num voo de teste, em 8 de maio, de Congonhas a Uberaba.

2- O “empréstimo” ia ser “ressarcido”

Empréstimo não é “ressarcido” nem pago. Se é pago, é aluguel, não empréstimos. O seu senhorio não “empresta” o apartamento onde você mora nem você o “ressarce” todo mês. Ele o aluga e você paga o aluguel.

3-Mas poderia haver “aluguel” do avião a Campos e ao PSB?

Poderia, se a AF Andrade ou a Bandeirantes Companhia de Pneus fossem empresas de táxi aéreo, o que não são, Neste caso estariam exercendo uma atividade ilegal, para a qual não habilitadas. Empresas de táxi aéreo poderiam até doar horas de vôo ao candidato, desde que as declarassem assim, contabilizando pelo valor que têm. Mas uma empresa só pode doar serviço se este for um serviço que presta nas suas própria funções. Se for serviço de outra empresa, estará pagando e, então, não pode fazer, tem de doar o dinheiro ao candidato e ele que pague.

4- Quem pagou três meses de despesas do avião?

Um jato não voa centenas de horas sem custos significativos. São milhares de litros de querosene de aviação, salários, alimentação e diárias de hotel de dois pilotos, hangar, taxas aeroportuárias. Fazer cada uma estas despesas significa assumir o controle operacional do avião e, até agora, ninguem seque dignou-se a perguntar quem os pagou.

Vejam que sequer entrei na questão das irregularidades da compra do avião, feita de maneira ardilosa e ilegal. Essa é a questão de legislação fiscal e penal.

Trato apenas da questão sob o ponto de vista da lei eleitoral, que está sendo esbofeteada publicamente pelo PSB e por sua candidata.

Se o Ministério Público e a Justiça Eleitoral permitirem que isso siga sem uma responsabilização, por medo “do que a mídia dirá”, porque boa parte “marinista”, será melhor revogar toda a legislação que trata de doações e de uso do poder econômico a candidatos. Qualquer um pode dar-lhes o que quiser, como quiser e deixar para passar recibo ou assinar contratos lá no final, muito depois de dados os votos do povo.

Eu não estou sugerindo que a candidatura Marina seja cassada, que isso fique claro. Ela — e já se disse isso aqui — não tinha a obrigação de saber dos detalhes do avião conseguido por Campos e seria natural que aceitasse a sua versão. Marina é, e só depois que encampou esta farsa,cumplice na ocultação de um crime eleitoral.

É isso o que precisa ficar claro: que há um crime eleitoral. E quem o encobre, acoberta e deixa de agir diante dele torna-se cúmplice deste embrulho que a fatalidade expôs ao Brasil.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Artigo de Fernando Rodrigues é uma fraude

Há pouco lemos em um dos mais importantes portais brasileiros, artigo do jornalista Fernando Rodrigues, intitulado “Zé Dirceu sobre Marina Silva: ‘ela é o Lula de saias’”. O artigo é uma invenção ou seu autor foi complacente com fontes mentirosas. Nós, da equipe do blog do ex-ministro José Dirceu, podemos assegurar que ele, desde que iniciou o cumprimento de sua sentença a 15 de novembro pp., não  manteve qualquer contato com a imprensa.

Não deu entrevistas, não prestou declarações, não assina artigos. Não há jornalista que possa nos refutar e dizer o contrário.

Atribuir-lhe o que lhe imputa o artigo não passa, portanto, de manobra para lançar dúvida e confusão na militância petista, numa sordidez inominável por recorrer ao nome de alguém que está impedido de se manifestar. Nós o fazemos pela certeza que temos de sua indignação e porque ele  jamais admitiu que seu nome seja usado indevidamente.

Dirceu, sem mágoa sem rancor

O ex-ministro, podemos garantir, não guarda qualquer mágoa da presidente Dilma Rousseff que, em sua avaliação, sempre se portou à altura de seu cargo, de sua história e de seu caráter. Não poderia, portanto, ter comparado Marina Silva ao ex-presidente Lula, como sugere o título do artigo em causa.

Até porque o ex-ministro mantém-se absolutamente convicto de que as forças populares reúnem todas as condições para vencer mais esta batalha e para reeleger a presidenta Dilma para mais quatro anos de mandato contra as candidaturas sustentadas pelas elites do país. Sua confiança no Partido dos Trabalhadores e em sua militância segue inabalável.

Condenado injustamente, ele não pode se juntar à campanha eleitoral em curso ou travar diretamente o embate contra os que se dedicam a interromper o projeto histórico que ajudou a construir, de um governo democrático e representativo das forças populares.

Ao final, cumpre acrescentar que o ex-ministro, mantém-se onde sempre esteve: nas fileiras da esquerda, dos trabalhadores e do povo, confiante e com a certeza de que o Brasil pode e deve seguir avançando nas mudanças iniciadas em 2003.

No Blog do Zé
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 2046

Leia Mais ►

Filha de Chico Mendes manda recado para Marina Silva


Leia Mais ►

Marina e o mito do cavaleiro solitário


Todo fim de ciclo político abre espaço para os outsiders da política.

São períodos em que ocorre um aumento da inclusão, da participação popular e os mecanismos políticos tradicionais não mais dão conta da nova demanda. Há o descrédito em relação à política e, no seu rastro, o cavaleiro solitário, cavalgando o discurso moralista e trazendo a esperança  da grande freada de arrumação.

Fazem parte dessa mitologia políticos como Jânio Quadros, Fernando Collor e, agora, Marina Silva.

* * *

Tornam-se fenômenos populares, o canal por onde desaguará a insatisfação popular com o velho modelo.

No poder, isolam-se por falta de estrutura partidária ou mesmo de quadros em qualidade e quantidade suficiente para dar conta do recado de administrar um país complexo como o Brasil.

Com poucos meses de mandato, a população percebe que não ocorrerá o milagre da transformação política brasileira e se desencantará com o salvador. Sem base política, sem o canal direto com o povo, perdem o comando e trazem a crise política. 

* * *

Desde a redemocratização de 1945 o Brasil tornou-se um país difícil de administrar, dada a complexidade de forças e setores envolvidos. Só é administrável através das composições políticas.

Na última década, a complicação ficou maior porque floresceram uma nova sociedade civil, novas classes de incluídos e o fantasma da hiperinflação (e dos pacotes econômicos) não mais funcionava como agente organizador das expectativas e de desarme das resistências.

* * *

O maior momento de Marina foi quando, na OMC (Organização Mundial de Comércio) defendeu o direito do Brasil proibir a importação de pneus. No episódio Cessna descobre-se um sócio oculto do ex-governador Eduardo Campos, que enriqueceu com incentivos fiscais (do estado de Pernambuco) justamente para a importação de pneus.

***

Não apenas isso.

Sua vida profissional indica uma personalidade teimosa e desagregadora.

Começou a vida política com Chico Mendes. Depois, rompeu com ele e aderiu ao PT. Foi parceira de Jorge Vianna, governador do Acre. Rompeu com Jorge, tornou-se Ministra de Lula.

Teve embates com a então Ministra-Chefe da Casa Civil Dilma Rousseff acerca da exploração da energia na Amazonia. Perdia os embates nas reuniões ministeriais, mas criava enormes empecilhos no licenciamento ambiental.

Nas reuniões ministeriais, jamais abria mão de posições. Quando derrotada, se auto-vitimizava e, nos bastidores, jogava contra as decisões com as quais não concordava.

Saiu do governo Lula no dia em que anunciou seus planos para a Amazônia e Lula entregou a gestão para Roberto Mangabeira Unger.

***

Saiu do governo, entrou no PV e promoveu um racha no partido. Tentou montar a Rede, juntou-se com o PSB e criou conflitos de monta com os principais auxiliares de Campos.

A teimosia em geral estava a serviço de ideias e conceitos totalmente anticientíficos.

Combateu as pesquisas em células tronco. Em 2010, em uma famosa entrevista no Colégio Marista, em Brasilia, anunciou que proibiria ensinar Darwin nas escolas, por ser a favor do criacionismo.

Se o país resolver insistir na aposta no personagem salvador, só há uma coisa a dizer: bem feito!

Luís Nassif
No GGN
Ilustração: Pataxó
Leia Mais ►

Marina, mostra a sua cara

Não se espera nem se deseja que Marina Silva desfaça o coque, mas está na hora de ela mostrar a cara.

Na última eleição presidencial, sabia-se que não disputava para vencer. Queria tornar mais conhecida sua bela história de vida e ganhar musculatura para 2014.

Assim, no papel de criança a quem tudo se permite, teve a complacência de intelectuais, artistas, políticos de esquerda.

Parecendo incomodados em confrontar um Chico Mendes de saias compridas, jogaram para baixo do tapete causas que devem, no mínimo, ser debatidas por quem ainda sonha com a chegada do Brasil ao século 21.

Marina é contra o direito das mulheres ao aborto? Ah, tudo bem. Não apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo? Não tem problema. Não quer falar sobre legalização da maconha? Deixa quieta. É contra a pesquisa com células-tronco? O tema é complicado mesmo.

No Rio de Janeiro, sempre seduzido por novidades, ficou com 31,52% dos votos. No país todo, 19,33%, um capital de 19.636.359 votos.

Pela via trágica, ressurgiu candidata há menos de um mês e já se encontra, diz a imprensa, à beira do favoritismo. Portanto, deve ser tratada como gente grande.

Está num partido do qual não gosta e que não gosta dela. Voluntarista, indica que, estando em linha direta com Deus e com os eleitores, poderá esnobar o balcão de negócios que é a política brasileira.

Verde de raiz, tem como vice um militante do agronegócio. De passado inequivocamente democrata, não tolera o contraditório, como mostrou nas respostas impacientes ao "Jornal Nacional". Fala em mudanças, mas não transige em posições que reforçam o pior conservadorismo, aquele que quer controlar a mais privada das esferas, que é o uso do próprio corpo.

Marina e seus eleitores precisam sair das sombras.

Luiz Fernando Vianna
No fAlha
Leia Mais ►

Assim Bláblárina trata a agricultura: a tapa!

Nem saltar do helicóptero ela salta…


E ainda diz que nunca foi contra os transgênicos …

Sugestão de amigo navegante da Confederação Nacional da Agricultura, que só vota na Bláblárina depois que ela disser quem é o dono do jatinho que ela usava:


No Caf
Leia Mais ►

Entrevista Bemvindo Sequeira


Leia Mais ►

A eleição, a TV, o jovem classe C e essa tal de internet

Passados quase 10 dias de programas eleitorais de TV e de rádio pouca coisa mudou no cenário político. As mudanças significativas tiveram mais relação com a entrada de Marina no jogo do que com a força do broadcasting.

Há algum tempo a TV aberta vem perdendo força no cenário comunicacional brasileiro. Audiências como a do Jornal Nacional que antes batiam na casa dos 80%, hoje quando muito chegam a 20%.

Nos EUA, isso já aconteceu há algum tempo. Aqui até que demorou.

As manifestações de junho não tiveram nada a ver com a TV. Mas houve gente que fez questão de dar um jeito de dizer que foi a Globo que organizou os protestos. A Globo pegou carona para não ser engolida por eles.

O fenômeno dos rolezinhos nos shoppings também surpreendeu muita gente. Aquela galera nunca tinha aparecido na TV. Mas existia e tinha imenso poder de organização.

Na eleição de 2012, a TV patinou mais ainda foi muito forte. E até por isso a classe política manteve boa parte de sua apostas no broadcasting. O marketing eleitoral idem. E quase todos os candidatos aguardavam o horário eleitoral para ver o que iria acontecer.

Em 2012, o Facebook tinha 40 milhões de páginas e perfis no Brasil. Agora, em 2014, são 90 milhões. O público que está nesta plataforma mais do que dobrou.

Mas isso não explica tudo.

O fenômeno da perda da força da TV na decisão do voto tem muito mais a ver com a mudança do poder de influência da formação de opinião na família.

E também com a mudança no padrão de vida das famílias brasileiras.

Quem manda nas eleições no Brasil a partir de agora é a classe C. Ela representa 55% do eleitorado brasileiro. É ela quem vai decidir o próximo presidente da República e os próximos governadores de Estado.

Antes de Lula, a maior parte do eleitorado era das classes D e E. Um eleitorado muito suscetível ao controle do voto pelas classes A e B. E também muito influenciado pela TV.

Nas classes D e E o poder de influência, em geral, não estava nem dentro da família. Estava do lado de fora, principalmente antes do Bolsa Família.

Era a patroa que pagava menos de um salário mínimo para a empregada mãe solteira, mas que lhe dava umas roupinhas de vez em quando, que lhe aconselhava o voto.

Era o “gato” que levava o boia-fria pra se esfalfar o dia inteiro cortando cana que lhe dizia em quem deveria votar.

Na classe C não é mais assim.

O voto passa a ter uma certa dignidade, mas isso não significa que ele terá um contorno popular ou de esquerda.

Os rolezinhos do funk ostentação são muito significativos deste fenômeno. O jovem Classe C quer ser. Ele não aceita ser tratado como um não-sujeito. E ele também quer ter. Não aceita não participar da sociedade do consumo. E ele quer dizer. Ele tem a auto-estima dos batalhadores e dos vencedores e por isso quer dar opinião.

Na classe A, não é incomum você encontrar um pai doutor, mestre ou muito rico e um jovem com menos estudo e um pouco perdido na vida. Sem saber pra onde ir do ponto de vista profissional e pessoal.

Na classe C, em geral, o jovem tem mais educação que o pai e a mãe e em boa parte das vezes ganha mais que eles. Até por ter mais estudo.

Este jovem em boa medida deve ter sido incluído nesse seu novo patamar por conta de programas do governo Lula e Dilma. Mas ele acha que chegou até onde está muito mais por conta dos seus méritos.

E aí vem a questão principal. Esse jovem vê muito menos TV do que seus pais e do que as gerações anteriores. E ele é o formador de opinião.

Ele passa muito mais tempo na internet vendo vídeos no youtube ou em games ou acessando o Facebook e outras redes.

Esse jovem quando assiste TV é para ver futebol ou uma novela na hora que a família inteira está em casa.

E ele é o mais respeitado da casa. E ele vai ser muito importante para a reflexão familiar e a decisão do voto. Até agora este jovem não está dando a mínima para a propaganda eleitoral.

Ele está noutra. O que não significa que não está nem aí para nada.

Esse jovem não tem a memória do governo FHC, mas ao mesmo tempo ele não é anti-petista. Ele gosta do Lula, mas não paga pau pra ele. Ele não teria grandes dramas em votar na Dilma, mas não sentiu ainda que ela está na pegada com ele.

Na verdade, ele não se sentiu compreendido por quase nenhum candidato e partido.

O universo dele não está nos programas de governo e nem nas propagandas eleitorais. Quando falam dele, só focam em emprego e educação. Coisas que de alguma forma ele vem conquistando. Ele quer se ver mais nas prioridades dos candidatos. Ele quer ser alcançado, mas a partir do seu universo real. Não do ilusionismo. E nem do marquetismo.

Quem entender melhor esse universo vai se dar melhor em 2014. Tanto nas eleições presidenciais quanto na dos estados. Todo mundo de alguma forma concorda que rolou um novo Brasil.

Mas na hora da campanha, os discursos, formatos e o uso dos meios de comunicação é o do Brasil que ficou pra trás.

O jovem classe C é a chave desta eleição. Ele e o seu universo.

Leia Mais ►

Marina e o importador de pneus que bancou o Cessna


O grande momento de Marina Silva, quando Ministra do Meio Ambiente, foi sua ida à OMC (Organização Mundial do Comércio) para defender o direito do Brasil de proibir a importação de pneus usados.

Convenceu a OMC e atuou firmemente para impedir o avanço de uma lei autorizando as importações.

Em seguida, Marina encaminhou ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), um ofício com seis linhas, solicitando divulgação da moção nº 82 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) contrária à importação de pneus.

Com a medida, Marina fechou a fábrica BS Colway, do Paraná, montada para reciclar pneus da Europa. E desempregou mais de mil funcionários

O caso do Cessna

Investigações da Polícia Federal apontam Apolo Santana Vieira, dono da empresa Bandeirantes Companhia de Pneus Ltda, como proprietário do avião Cessna que caiu com o candidato Eduardo Campos a bordo.

A empresa é importadora de pneus através do porto de Suape e responde por sonegação calculada em cerca de R$ 100 milhões.

Começou a operar em 2006, quando o então governador Mendonça Filho assinou um decreto autorizando a empresa a importar até 4 mil pneus para veículos e máquinas industriais, 4 mil unidades para máquinas agrícolas ou florestais e até 5 mil para veículos diversos.

Assumindo o governo, Eduardo Campos tirou os limites de importação permitindo a notável expansão da companhia. E o avião transportou a comitiva de Campos, incluindo Marina, até o dia da queda.

Protegida do então governador do Paraná Roberto Requião, a BS Colway importava pneus seminovos da Europa e Estados Unidos. Alegava que, por ter uma armação superior aos pneus fabricados no país, o pneu remodelado teria condições de competir com os novos. Era mais barato e, segundo a empresa, durava o dobro do tempo dos pneus nacionais. Também tinha garantia de fábrica maior.

Na época, repórteres que visitaram a fábrica em Piraquara na grande Curitiba, diziam-se impressionados com as máquinas e a tecnologia empregada.

Os funcionários eram treinados com cursos até no exterior. Recebiam participação no lucro da empresa e tinham direito a moradia num bairro arborizado construído especialmente para as eles.

Há uma lei que obriga as fabricantes de pneus a darem uma destinação para os pneus usados. A lei é desrepeitada por todas as marcas. O próprio Ibama, na gestão Marina, aplicou multas pesadas às multinacionais de pneus instaladas no país, por desrespeito à lei.

A empresa tinha um acordo com o governo do Paraná, para retirar do mercado todos os pneus usados misturando a borracha com o asfalto utilizado nas estradas e ruas do estado.

Detinha na época 3% do mercado brasileiro de pneus do país, mas já incomodava as grandes multinacionais.  

Com o fechamento da BS Colway os trabalhadores perderam seus empregos.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

O segredo de Marina


Desde os governos de Getúlio Vargas, que formataram a vida pública brasileira, as lutas políticas se vêm travando entre postulações ideológicas que conflitam em duas vertentes:

• o nacionalismo (entendido como afirmação do país, território e Estado, não de etnias) oposto ao liberalismo modernizador ou entreguismo (objetivamente, a submissão à esfera de poderdos Estados Unidos);

• a produção de conhecimento próprio da realidade nacional, oposto à importação acrítica da reflexão estrangeira (americana, europeia — dominantemente francesa) fundada em outras experiências nacionais.

A primeira dessas contradições é bem conhecida: opôs Getúlio (e os trabalhadores organizados, a instituição acadêmica da época, parte das forças armadas — essencialmente o exército —, produtores rurais voltados dominantemente para o mercado interno) à UDN (a maior parte da elite jurídica e tecnológica, setores bancários, exportadores e importadores).

Da vitória da corrente entreguista em 1964 — que não durou muito: a lógica do pensamento militar logo geraria o retorno a soluções nacionais em áreas sensíveis, como a informática, a energia nuclear e a indústria de defesa — resultaram o aguçamento dos conflitos internos no país e enorme desgaste político das forças armadas, antes (no tenentismo, na FEB) tidas como vanguarda modernizadora.

O instrumento para cooptação dos militares foi a aceitação de um único rótulo para todo pensamento político que não convergisse com os interesses multinacionais — o “comunismo”, então, como, hoje, o “islamismo” ou o “terrorismo.” Ora, os partidos comunistas no Brasil sempre foram essencialmente organizações de classe média, tocadas por militares, principalmente na década de 1930, e por intelectuais (dos melhores do país), no pós-guerra. Tratou-se de ocultar a natureza nacional específica do trabalhismo de Vargas e seu antagonismo histórico às tentativas de organização das classes trabalhadoras pelos comunistas.

O entreguismo triunfou ao destruir o que restava da imprensa que poderia contrariá-lo: a Rádio Nacional, poderosa estrutura de Estado resistente ao engajamento político, foi anulada na década de 1950, e a mídia perdeu, em poucos anos, núcleos de inteligência consolidados ao longo de décadas, em torno de veículos como o Correio da Manhã, o Diário de Notícias ou o Jornal do Brasil.

O discurso único, propagado por poucas empresas integradas ao setor bancário e coordenadas no plano continental, sobrepôs-se à diversidade da produção cultural antes característica do país, tanto em termos regionais quanto de classes sociais, e manteve aceso o espírito do liberalismo, que teria seus anos de glória nas negociatas da privatização, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

A reação inevitável sobreveio com a eleição de Lula e seu governo, que recuperou em pouco tempo os ideais de Vargas. Foi um processo sofrido (os governos militares toleravam, até certo o ponto, o PT como alternativa “moderna” ao getulismo e ao comunismo; essa imagem foi ainda dominante na campanha eleitoral de 1979, que contrapôs Lula a Brizola) e incompleto (há núcleos de resistência, aqui e ali), mas dele resultou mudanças sociais importantes e a afirmação da eficácia de soluções econômicas não liberais na linha do pensamento keynesiano.

Diante dos resultados alcançados, resta ao conglomerado neoliberal — ou entreguista — denunciar a corrupção (que é estrutural e, no plano do governo, pode apenas ser combatida) e prenunciar tragédias futuras.

No entanto, há novo espaço a ser ocupado. A invasão cultural que o Brasil sofreu nas últimas décadas trouxe não só avanços nas ciências da natureza, na tecnologia agrícola e na medicina, mas também promoveu transformação radical no pensamento dominante em ciências humanas e sociais, com ampla repercussão no discurso dos meios de comunicação e no comportamento de grupos intermediários nos centros urbanos.

Na Antropologia, na Sociologia e nas Ciências Econômicas, o que se defendia era a administração e a superação paulatina das contradições; agora, o que se busca é expô-las e aguçá-las.

Na sociedade real, isso deságua em conflitos que tendem a submergir a política. Num país em que a maioria das famílias é multirracial, o realce dado aos conflitos étnicos fere relações consolidadas, com grande custo emocional; quando a tolerância sempre se antecipou à lei, em questões como a homossexualidade, a sexualidade adolescente, o adultério etc., a exposição agressiva desses comportamentos motiva o questionamento de valores e desperta reações muito variadas. Disso tiram proveito as novas religiões pentecostais que se implantaram no Brasil ocupando o vazio deixado pelo recuo institucional de igreja católica sob o reinado de Vojtila e Ratzinger.

É para esse espaço — menos de intolerância, mais de perplexidade — que converge parte do pensamento oposicionista, em sua falta de perspectivas no quadro da política tradicional.

Eis aí o cacife político de Marina Silva.

Nilson Lage, Jornalista, professor de Jornalismo aposentado da UFF, UFRJ, UFSC, autor, entre outros, do livro “Ideologia e Técnica da Notícia”, pioneiro nos estudos de Comunicação no Brasil
Leia Mais ►

Torcedora do Grêmio xinga goleiro Aranha, do Santos, de “macaco”

Patrícia Moreira

Leia Mais ►

Essa é do Barão... 27


Leia mais clicando aqui.
Leia Mais ►

Ângela, filha de Chico Mendes: Marina é “enorme ponto de interrogação”

Ângela Mendes (ambientalista), no Facebook, sugerido por Luís Carlos da Silva
Ok… alguns amigos me pediram uma posição sobre a candidatura da Marina e a menção que ela fez ao meu pai como sendo ele da “elite”.

Vamos lá: eu respeito e admiro muito a Marina pela sua trajetória de vida, pelo esforço pessoal com que venceu todas as dificuldades impostas a ela, como o analfabetismo, doenças e toda espécie de discriminação; até pelo modo com que consegue envolver a todos com seu discurso ecologicamente correto e bem acabado.

Mas, pra mim isso não basta pra governar um Brasil como o de hoje; tenho muitas dúvidas, e de todos os tipos. Marina pra mim ainda é um enorme ponto de interrogação. Pra começar: desistiu do PT (segundo ela, utopia do passado) quando poderia ter resistido como fazem hoje tantos PTistas históricos mesmo não tendo o mesmo espaço que a “elite” que tenta dominar o partido; não resistiu à pressão enquanto ministra; quem me garante que vai resistir às pressões ainda mais fortes se eleita presidente?

Com tantas concessões feitas pela cúpula do PSB (aliás, todas as concessões possíveis) penso eu: o que será que tramam as cabeças pensantes desse partido caso consigam eleger Marina? Terá ela realmente liberdade pra governar? Não sei… como será esse mandato em “rede”, apenas com os melhores? Quem são esses “melhores”; e quais os critérios serão utilizados pra escolha desses “melhores”? Minhas dúvidas são pra Marina; mas minhas esperanças são pra companheira Dilma. Que ela consiga, se eleita, continuar melhorando o Brasil, com uma política que tem, de fato, problemas, mas que não admite dúvidas.

Ah, quanto ao fato do Chico ser da “elite”, considero que foi apenas uma infeliz comparação, nem precisa de todo esse mimimi.

Leia Mais ►

Eleição: devagar com o andor


Em 30 de julho de 2002 o então candidato Ciro Gomes (PPS) alcançou, segundo o Datafolha, 28% de intenção de voto estimulada, contra 33% de Lula (PT). Antes, em fevereiro, segundo o mesmo instituto, Roseana Sarney (PFL) havia alcançado 24% contra 27% de Lula. A história registrou que foram ao 2º turno daquela eleição Lula (46,4%) e Serra (23,1%). Ganhou Lula no 2º turno, com 61,2% contra Serra (PSDB) 38,7%.

Esse extrato da história eleitoral brasileira recente serve para registrar a ocorrência de um espasmo político circunstancial, havido naquele momento e que destoava do confronto eleitoral que a sociedade brasileira já vivenciava (1994/1998) e que posteriormente ficaria ainda mais forte. Ou seja: o Brasil estava polarizado entre duas forças políticas, PT e PSDB e ficaria, assim, por mais três eleições.

Evidente que vivemos em um momento diferente. Aliás, muito diferente. Na bancada do primeiro debate presidencial de 2014, na TV Bandeirantes, em 26.08, o PT esteve representado pela presidenta Dilma. Outros três candidatos saíram da costela petista: Marina, Eduardo Jorge e Luciana Genro. É uma amostra da importante contribuição política que o PT deu ao Brasil. Aécio Neves, representou o PSDB, enquanto Pastor Everaldo e Levy Fidelix fizeram o papel de coadjuvantes.

A marca específica do momento atual estaria localizada na ascensão e afirmação de uma terceira via política e eleitoral, representada por Marina, sua Rede Sustentabilidade e o PSB, partido onde está filiada apenas para disputar as eleições. Anabolizada pela trágica morte de Eduardo Campos, Marina entra na disputa já ocupando o segundo lugar nas intenções de voto e deslocando o PSDB e seu candidato Aécio Neves para o terceiro lugar.

Como ainda estamos há trinta e sete dias do primeiro turno, um olhar mais detalhado na história dessa e de outras eleições presidenciais no Brasil mostra que devemos ter cautela para afirmar categoricamente que a disputa eleitoral, nesta primeira fase, já estaria resolvida com a definição de um segundo turno entre Dilma e Marina Silva. Esta cautela passou a ser mais exigida depois de assistirmos ao primeiro debate, com o enfrentamento direto entre os candidatos.

Como o debate começou mais de 22h e terminou depois da uma da manhã é evidente que foram poucos os brasileiros que assistiram ao confronto, ainda mais por ser na Bandeirantes, que já tem normalmente uma audiência baixa. Os que resistiram até o fim, apesar das regras que engessaram o debate de ideias e propostas, puderam retirar importantes conclusões políticas.

Dilma é de fato a mais preparada. Mostra profundo conhecimento da administração do governo federal, apresentando e defendendo bem as muitas e importantes obras e programas, apresenta também as melhores propostas para avançar as mudanças no Brasil. Com uma postura sempre séria é incisiva, firme e clara nas suas respostas, aparentando algumas vezes irritação com críticas levianas levantadas, sobretudo, por Aécio Neves.

Aécio, uma mistura do Conselheiro Acácio com Pedro Bó, roda em torno de platitudes, aparentando ser um candidato genérico e vazio. Orienta apenas para o ataque ao PT e ao governo federal, sem conseguir apresentar propostas consistentes para melhorar o país. Como Aécio dependia deste primeiro debate para se afirmar frente a ameaça real de ficar fora do segundo turno, se deu mal com um desempenho fraco, marcado por uma postura rancorosa, estudada e maquinada para se impor pela arrogância.

Marina se saiu bem, até porque já tinha experiência deste tipo de debate nas eleições de 2010. Sabe falar olhando para a câmera e as mudanças em seu rosto apontam as variações de tonalidade e ênfase no que diz, ao contrário de Aécio que mantêm a fisionomia congelada, não importando o que esteja falando. Apesar desta postura televisiva favorável, Marina apresenta também uma postura de fragilidade ideológica, muita aparência e pouca consistência em suas análises políticas e propostas.

Sem responsabilidade, Marina aparenta ser corajosa, quando na prática está apenas flertando com o incerto e o perigo de uma postura política oca de conteúdo. Acena dar a condução econômica para o PSDB, numa tentativa de acalmar o mercado, em particular o agronegócio, e por outro lado, a parte social para o PT, na lógica de tentar conquistar eleitores simpatizantes do partido. Com isso, promete fazer uma catação (mistura heterogênea de sólidos) para administrar, o que pode gerar um desgoverno monstruoso e sem rumo, que acabará por devorar o que a população mais pobre conquistou em 12 anos de governos petistas. Enquanto a elite rica e endinheirada estará protegida pelo Itaú, que não terá mais intermediário e conduzirá diretamente o Banco Central.

Neste contexto, devemos esperar as próximas semanas para ver se Marina conseguirá manter-se em segundo lugar e consolidar uma terceira via eleitoral, rompendo a polarização entre PT e PSDB que marca a política brasileira nos últimos 20 anos. É um tempo necessário também para observar se suas intenções de voto estão apenas momentaneamente anabolizadas pela morte de Eduardo Campos ou se aquele trágico evento a catapultou em definitivo para a condição de protagonista da disputa presidencial.

Será um tempo necessário também para a consolidação da influência dos programas e comerciais de TV e rádio nas intenções de voto dos eleitores. Novos debates, sabatinas, entrevistas e eventos de campanha, onde veremos se Marina está mesmo preparada para encarnar a figura de uma nova liderança política, capaz de se afirmar como uma real alternativa de poder, apesar das gritantes contradições e divisões internas entre o PSB e sua Rede Sustentabilidade.

Os próximos dias, portanto, serão de muitas emoções, articulações e ações políticas, que poderão confluir para quatro possíveis cenários. Um deles apenas com a definição no primeiro turno e os outros três prevendo a realização do segundo turno, que agora é mais do que uma forte tendência.

Segundo turno entre Dilma e Marina

Com a exibição do horário eleitoral, a tendência é ocorrer uma melhora na avaliação do governo, o que naturalmente pode levar a uma melhora no desempenho eleitoral de Dilma. Nesse cenário, Dilma poderá chegar e até superar os 40% de intenção de voto, ficando, talvez, um pouco abaixo do desempenho petista nas últimas três eleições presidenciais, em primeiro turno, (46, 48, 46% em 2002, 2006 e 2010 respectivamente). Neste cenário, Dilma iria para o 2º turno em 1º lugar.

Segundo turno entre Marina e Dilma

Neste cenário, que é uma variação do primeiro, temos a inversão nas colocações do primeiro turno, com a candidatura de Marina incorporando definitivamente quem quer qualquer mudança (pouca, média ou muita mudança), avançando sobre uma parte do eleitorado tradicional da oposição (PSDB) e sobre os ainda indecisos e ultrapassando Dilma, indo para o 2º turno, contra o PT, em 1º lugar.

Segundo turno entre Dilma e Aécio

Neste cenário, Dilma fica em torno de 40%, Marina recuaria para a casa dos 20% e Aécio recuperaria o eleitorado que perdeu com a entrada de Marina na disputa, retomando o segundo lugar com algo acima de 20% dos votos. Para ocorrer este segundo turno entre Dilma e Aécio, será necessário que o candidato tucano, contando com a ajuda de setores da grande mídia, consiga desconstruir parte do discurso e propostas de Marina. Não bastará à candidatura de Aécio ficar batendo em Dilma, no PT e no Governo. Se desconhecer Marina e mantiver o ataque focado em Dilma, a candidata do PSB pode crescer e fortalecer o segundo cenário descrito. O PSDB sabe disso e não foi à toa que a primeira pergunta que Aécio fez no debate foi dirigida a Marina, questionando sua coerência política.

Vitória de Dilma no primeiro turno

Neste cenário, uma parte do eleitorado que estaria pensando em votar na oposição, vendo a desidratação eleitoral de Aécio e diante da insegurança política e econômica representada pelas contradições da candidatura de Marina, com medo do desarranjo institucional que pode vir, opta por votar no projeto atual de desenvolvimento do país, capitaneado pelo PT, já conhecido e mais seguro para o Brasil seguir melhorando.

Nesta hipótese, a candidatura de Dilma seria beneficiada por um voto útil enrustido, que viria de setores da elite econômica e da oposição em geral, que tem criticas a sua conduta, mas temem, sobretudo, as incertezas que Marina Silva representa para a economia e para e estabilidade política. Este movimento atrairia um percentual de eleitores suficiente para dar a vitória no 1º turno a Dilma, impedindo o 2º turno entre ela e Marina, que seria uma derrota humilhante para Aécio e seu PSDB.

No CAf
Leia Mais ►