28 de ago de 2014

O novo cenário político, com a ascensão de Marina


Algumas considerações sobre o fenômeno Marina Silva.

Fato 1 - Marina cresceu por ela, não por Campos.

Dada a enorme rejeição aos dois favoritos, Dilma Rousseff e Aécio Neves, era previsível um crescimento da chamada terceira via, Eduardo Campos. Cantei essa bola aqui.

Acontece que Marina sempre teve maior presença que Campos e, em todas as pesquisas, muito mais intenções de voto que ele.

Ela disparou por ter se tornado candidata à presidente, não pela comoção em torno da morte de Campos.

Fato 2 - Marina não é um Russomano.

Em toda eleição, em algum momento as ondas da opinião pública contemplam um outsider. Foi assim com Garotinho e Ciro Gomes, para presidente; ou com Celso Russomano para prefeito de São Paulo.

Marina é mais que isso. De um lado por ter plantado em 2010 as sementes do discurso do "novo". Enquanto o cético Serra rezava a Biblia e clamava pelos céus (especialmente pelo inferno contra o aborto), a evangélica Marina discursava sobre o novo. Hoje, ambos colhem o que plantaram. E apenas o plantio de marina floresceu.

Mas, em parte também, por ser politicamente um papel em branco. Ao acenar para os "homens de bem" de todos os partidos — e, com suas alianças iniciais, poder quebrar a resistência dos "homens de bens" — cria uma utopia formidável.

O PSB acredita que, através dela, conquistará o poder. É o chamado auto-engano. Os operadores de mercado tem certeza. Pois não convocaram o mais esperto e deletério dos operadores de mercado: André Lara Rezende? Os cansados da polarização PT x PSDB caem de cabeça.

Eleita, pelo que se conhece de sua personalidade, Marina será ela, apenas ela.

Fato 3 - Marina não é um Lula.

O voluntarismo faz com que parte da opinião pública acredite piamente que essa frente de homens de bem tornará o país governável. Como se, após a posse, não houvesse um Congresso que aprova as leis e uma terrível disputa pela ocupação do espaço político, tanto de partidos políticos como do Judiciário, do Ministério Público, dos grupos de mídia, do mercado, de setores sociais, empresariais.

É esse o pepino que o próximo presidente terá que administrar.

A ideia de que, como a opinião pública desconfiava de Lula em 2002, e ele deu certo, logo Marina dará, esbarra em uma questão fundamental: Marina não é Lula; e a Rede não é o PT.

Havia uma estrutura de comando no PT, a aproximação com as forças econômicas, o apoio dos movimentos sociais. E, acima de tudo, a intuição e o carisma de Lula e, no primeiro tempo, dois operadores de peso atuando de forma sincronizada: José Dirceu e Antonio Pallocci.

Mesmo assim, o primeiro governo Lula deu no que deu.

Imagine-se, agora, esse mar de interesses, de egos, de situações complexas sendo administrado por Marina.

Ontem ela foi certeira ao dizer que o papel do presidente é ser o planejador, o que aponta rumos e não o mero gerente. Faltou dizer que é papel do Estadista a administração de conflitos e das forças políticas. E ela não parece ter nenhuma das características que se exige desse presidente estadista.

Fato 4 - o fim do PSDB.

Seja qual for o resultado final das eleições, o PSDB desaparece definitivamente como força hegemônica da oposição. Paga, agora, a mediocrização a que se entregou desde 2006, quando indiciou Geraldo Alckmin como candidato a presidente; e, principalmente, em 2010, com a inacreditável campanha de José Serra. Morreu ao se afastar da academia, abrir mão de qualquer nova ideia ou conceito em nome de um oportunismo míope, e deixar-se conduzir por economistas de mercado, grupos de mídia e pela extrema-direita.

O partido perderá a presidência, a bandeira de maior partido de oposição, o governo de Minas e restará — se não acontecer nenhuma novidade — o controle de São Paulo por aquele que, provavelmente, é o mais despreparado governador da história do Estado.

Cumpre-se a sina de José Sarney que, em 2009, já prognosticava: o DEM acaba, o PSDB será o novo DEM e a nova oposição sairá das entranhas do governo.

Fato 5 - a nova correlação de forças.

Nem de longe Marina será uma líder de massas, uma representante dos desassistidos. Continuará com prestígio enquanto papel em branco. Quando começarem as definições, perderá parte da aura.

No plano social, seu discurso não avança além da ecologia. No plano econômico e fiscal, seus porta-vozes praticarão o liberalismo à la Eduardo Gianetti. Para ele, todos os desequilíbrios sociais, os abusos de preços, de juros, decorrem da falta de educação do povo brasileiro. Sendo assim, nenhuma política pública é eficaz para coibir abusos de mercado.

A esse liberalismo de proveta some-se o liberalismo ecológico de Marina, suas restrições ao crescimento, à ampliação das hidrelétricas, ao próprio agronegócios.

Na oposição, Marina exerce um papel único, de grilo falante dos abusos ecológicos e do centralismo administrativo. No governo, poderá ser enorme fator de risco.

Sua eleição colocará em risco o estoque de políticas sociais existentes. E, com o liberalismo econômico na Fazenda e no Banco Central, não se espere nenhuma estratégia de desenvolvimento amarrada ou não a políticas sociais.

A imagem do bom selvagem é mais forte do que essas complexidades. O grande desafio será Dilma mostrar que a folha em branco poderá acabar com o avanço do estado de bem estar.

Luís Nassif
No GGN
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Proposta orçamentária estabelece salário mínimo de R$ 788 em 2015

Ministra do Planejamento, Miriam Belchior, entrega PLOA 2015 ao presidente do Senado Federal, Renan Calheiros.
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil.
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, entregou ao Congresso Nacional, nesta quinta-feira (28), o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2015. O documento entregue ao presidente do Senado, Renan Calheiros, prevê em R$ 788,06 o salário mínimo a partir de 1º de janeiro de 2015. O valor, que serve de referência para mais de 48 milhões de pessoas, representa um aumento de 8,84% em relação ao salário atual, de R$ 724.

“É a regra que está estabelecida de valorização do salário mínimo”, lembrou a ministra, assinalando que o presidente do Senado garantiu empenho para aprovação da proposta até o fim do ano. Ela acrescentou que o texto prioriza investimentos em saúde, educação, combate à pobreza e infraestrutura.

A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no País, é de 3% — o que elevaria o total a R$ 5,7 trilhões — e a inflação estimada é de 5%. O Orçamento Geral da União (OGU) é formado pelo orçamento fiscal, da seguridade e pelo orçamento de investimento das empresas estatais federais. De acordo com a Constituição, a proposta deve ser aprovada até 22 de dezembro.

A previsão do orçamento para o superávit primário do setor público consolidado é de R$ 143,3 bilhões, valor que corresponde a 2,5% do PIB. Com os abatimentos, o superávit primário ficaria em R$ 114,7 bilhões, correspondentes a 2% do PIB.

O superávit primário é a poupança feita na administração pública para pagar juros da dívida do governo a seus credores. Na medida em que o País consegue alcançar as metas de superávits primários, ele tem condições de pagar dívidas.

Em abril, o governo havia estimado que o salário mínimo chegaria a R$ 779,79. Na ocasião, foi entregue ao Congresso o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015 (PLN 3/2014), que define as metas e prioridades da administração pública federal e serve de base para a elaboração do Orçamento anual.

Pelas regras atuais estabelecidas pela Lei 12.382/2011, 2015 é o último ano em que será adotada a atual fórmula de correção do salário mínimo, que considera a variação da inflação do ano anterior – medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — e a taxa de crescimento da economia de dois anos antes (Produto Interno Bruto). A regra foi proposta pelo Executivo e aprovada pelo Congresso no início de 2011.

Evolucao_Salario_minimo_2003_2015

No Blog do Planalto
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Charge online - Bessinha - # 2045

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Charge online - Bessinha - # 2044

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Marina Silva no jn



Bem que o Jornal Nacional tentou poupar Marina Silva (PSB), fazendo perguntas mais suaves do que fez aos outros candidatos, e só fez 3 perguntas. Marina fez um excelente treinamento de mídia para responder como bem entende, com um desempenho de fazer inveja às melhores atrizes e aos maiores caras-de-pau da velha política, mas faltou com a verdade nas 3 perguntas.

A verdade foi a primeira vítima na pergunta sobre o avião fantasma

Bonner perguntou sobre o laranjal de empresas usadas para adquirir o jatinho de campanha usado por ela e Eduardo Campos.

Detalhe: a pergunta pegou leve ao não dar nome aos bois. O nome certo para fraudes no financiamento de campanhas eleitorais é caixa dois, lavagem de dinheiro e corrupção.

Marina enrolou, enrolou muito, para empurrar com a barriga as explicações e dizer que "seu compromisso era com a verdade". Mas revi o vídeo várias vezes e não consegui encontrar o menor vestígio da verdade em qualquer trecho da resposta.

Ora Marina disse que o avião estava emprestado, ora disse que o avião estava prestando serviço para seu partido, e as contas seriam pagas e contabilizadas no final da campanha.

Se o avião fosse emprestado, já havia grave irregularidade eleitoral, pois veículos emprestados para campanha exige previamente documento de cessão de uso pelo proprietário com declaração de valor. Sem isso fica voando na situação de caixa dois.

Se o avião fosse contratado como prestação de serviços de táxi-aéreo, outras irregularidades foram cometidas, pois é o caso de táxi pirata: os empresários donos do avião não tem registro para operarem como táxi-aéreo. E o certo é fazer um contrato de prestação de serviço antes de sair voando por aí. Além disso nada foi informado na prestação de contas parcial. Sem isso, o cheiro de caixa dois é forte.

Segunda mentira: Na verdade Marina perdeu seu eleitorado no Acre pela "mudança". Mudou de lado

Patrícia Poeta perguntou porque ela perdeu em casa, no Acre, ficando em terceiro lugar nas eleições de 2010 em seu estado natal onde ela fez carreira política. Perguntou se quem a conhece bem não votava nela?

Aí a mentira foi feia. Marina disse que foi por contrariar interesses locais desde quando acompanhava Chico Mendes. Ora, o grande líder seringueiro morreu em 1988. Depois disso e com a maior visibilidade das causas de Chico Mendes com seu assassinato, é que Marina Silva decolou sua carreira política. Foi depois disso que ela se elegeu senadora duas vezes. Nada explica explica ela perder os votos que tinha antes, a não ser desilusão de quem a conhece com a virada de casaca que ela deu em sua carreira política, pulando o muro de suas origens populares para o lado dos banqueiros e bilionários demotucanos. Deve ser essa a tal "mudança" que ela prega.

Terceira Mentira: Na verdade Marina pratica o que diz condenar

Bonner perguntou se a escolha para vice de um político tradicional e que tinha historicamente posições diferentes das dela, não desmanchava seu discurso de nova política.

Detalhe: Bonner pegou leve ao só citar posições diferentes no caso dos transgênicos e das pesquisas com células tronco embrionárias (Marina foi contra pesquisas que podem salvar vidas de doenças até hoje incuráveis, e até fazer paraplégicos voltarem a andar). As diferenças com seu vice Beto Albuquerque são maiores, pois ele faz parte da bancada da indústria armamentista, da indústria do cigarro, dos agrotóxicos, e outros setores que Marina dizia não aceitar doações de campanha.

Marina deu uma desculpa esfarrapada com sua linguagem empolada, mas que pode ser traduzida naquela frase que todo malandro fala quando é pego em flagrante fazendo coisa que diz ser contra: "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa". Ou seja aliança política dos outros é espúria. Aliança política dela com a "velha política" é "diversidade". É não ser "intransigente".

Linguagem "marinês"

Na entrevista ao Jornal Nacional, apesar de darem mais moleza para ela do que deram aos outros candidatos, Marina Silva se desconstruiu por conta própria.

Só não foi mais perceptível para muitos telespectadores porque ela fala com uma linguagem dissimulada para esconder do eleitor a mensagem codificada que ela passa aos banqueiros e às velhas oligarquias econômicas e políticas do Brasil arcaico.

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Bonner paga o DARF para abafar críticas, mas só mostra certidões


A empresa do apresentador William Bonner finalmente pagou o Darf, depois que noticiamos aqui que tinha contas a acertar com o leão da Receita Federal.

Agora falta a TV Globo mostrar o Darf dela, cobrado pela sonegação de Imposto de Renda na aquisição dos direitos de transmissão da Copa do Mundo da Fifa de 2002.

O apresentador do JN disse em seu twitter que sua dívida original era uma multa de R$ 78,00 que, na opinião dele, era indevida e estava sendo contestada, mas resolveu pagar assim mesmo para encerrar "fofocas". Com juros e correção, segundo ele chegou a R$ 500,00. Mas ele não mostrou nenhum documento em seu twitter que comprove os valores. Só mostrou as certidões e, de fato, no sistema Comprot, de acesso público, não consta mais a cobrança na Dívida ativa.

Bonner reclama que não gosta de pagar o que não deve. Ora, se não devia era só provar e não pagar, penso eu. Se quiser dar satisfação ao público bastava publicar a defesa de seu contador junto ao órgão, caso estivesse com a razão, em vez de pagar e mostrar certidões.

Bonner também nos chamou de robôzinhos da web, porque noticiamos a dívida de sua empresa, e diz que não é candidato a nada, insinuando que deveria estar livre de questionamentos. Nada mais falso.

Primeiro porque qualquer pessoa pública está sujeita a virar notícia, mesmo não sendo candidato.

Assim como a TV Globo é uma empresa privada, mas vira notícia quando aparece em um escândalo de sonegação fiscal bilionário.

Segundo, porque sua coleguinha Judith Brito já assumiu no passado recente que a velha imprensa funciona como um partido de oposição informal, admitindo a existência do PIG (Partido da Imprensa Golpista). Logo também participam da luta política e os editores de telejornais tornam-se agentes políticos de fato.

Zé Augusto
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"Marina representa ambientalismo 'santuarista e de grandes ONGs internacionais'"


Um texto que circula pelas redes sociais desde ontem (27), data da sua publicação, chama a atenção por expor contradições da candidata à presidência, Marina Silva, em relação a sua origem ambientalista no Acre. O texto é assinado pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri (Acre), José Alves e pelo assessor jurídico, Waldemir Soares. Chico Mendes foi um dos fundadores desse sindicato em 1975. Ele foi assassinado em 1988 por fazendeiros contrários a sua luta pelos direitos dos trabalhadores extrativistas da floresta.

Como o sindicato não possui página na internet, o Blog do Esmael entrou em contato por telefone com a entidade e em conversa com o presidente José Alves foi verificada a autenticidade do texto que reproduzimos a seguir:

Diante da declaração da candidata à Presidência da República para as próximas eleições, Marina Silva, onde esta coloca o companheiro Chico Mendes junto a representantes da elite nacional, o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri (Acre), legítimo representante do legado classista do companheiro Chico, vem a público manifestar-se nos seguintes termos:

Primeiramente, o companheiro Chico foi um sindicalista e não ambientalista, isso o coloca num ponto específico da luta de classes que compreendia a união dos Povos Tradicionais (Extrativistas, Indígenas, Ribeirinhos) contra a expansão pecuária e madeireira e a consequente devastação da Floresta. Essa visão distorcida do Chico Mendes Ambientalista foi levada para o Brasil e a outros países como forma de desqualificar e descaracterizar a classe trabalhadora do campo e fortalecer a temática capitalista ambiental que surgia.

Em segundo, os trabalhadores rurais da base territorial do Sindicato de Xapuri (Acre), não concordam com a atual política ambiental em curso no Brasil idealizada pela candidata Marina Silva enquanto Ministra do Meio Ambiente, refém de um modelo santuarista e de grandes Ong’s internacionais. Essa política prejudica a manutenção da cultura tradicional de manejo da floresta e a subsistência, e favorece empresários que, devido ao alto grau de burocratização, conseguem legalmente devastar, enquanto os habitantes das florestas cometem crimes ambientais.

Terceiro, os candidatos que compareceram ao debate estão claramente vinculados com o agronegócio e pouco preocupados com a Reforma Agrária e Conflitos Fundiários que se espalham pelo Brasil, tanto isso é verdade, que o assunto foi tratado de forma superficial. Até o momento, segundo dados da CPT, 23 lideranças camponesas foram assassinadas somente neste ano de 2014. Como também não adentraram na temática do genocídio dos povos indígenas em situação alarmante e de repercussão internacional.

Por fim, os pontos elencados, são os legados do companheiro Chico Mendes: Reforma Agrária que garanta a cultura e produção dos Trabalhadores Tradicionais e a União dos Povos da Floresta.

Xapuri, 27 de agosto de 2014
José Alves – Presidente

Waldemir Soares – Assessor Jurídico
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A fraude da "nova política" de Marina

Por “fraude” em vídeo, PT vai à Justiça Eleitoral e MP


Presidente do PT, Rui Falcão anunciou que partido entrará com representação na Justiça Eleitoral e no Ministério Público contra o vídeo fraudado, possivelmente por marineiros, em que o ex-presidente Lula pede votos para a presidenciável Marina Silva (PSB); na mensagem eletrônica original, porém, o petista apoia a candidata ao Senado por Goiás Marina Sant'Anna, do PT; "O vídeo de hoje, que tem Lula apoiando Marina do PSB, é uma fraude", disse Falcão; questionado se atribuía a prática ao PSB, o dirigente petista respondeu que o caso "precisa ser investigado. Eu não condeno por antecipação"; PT também pediu ao Google para retirar peça do ar; no original, Lula diz: "Eu conheço a Marina há mais de 30 anos. Por isso, tenho certeza de que ela é hoje a candidata mais preparada para ajudar a combater as desigualdades sociais em Goiás"; no editado, o trecho "em Goiás" é cortado; assista o vídeo original e a seguir o vídeo fraudado

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O suicida de pijama

Até os 4 ou 5 anos de idade eu fazia xixi na cama. Eu sei que você poderia muito bem viver sem esta informação, mas eu queria contar a lembrança mais remota que tenho da minha infância. Eu no banheiro, antes de dormir, com meu pai ao meu lado tentando me inspirar a fazer xixi na privada para não fazer depois, na cama.

— Vamos, meu filho.

Eu nada.

— Pelo Brasil!

Nada.

— Pelo doutor Getúlio, meu filho!

Mas o xixi não saía, nem pela pátria nem pelo presidente.

O Getúlio Vargas não tinha nenhum poder sobre a minha diurese, mas mandava em todo o resto, no país. Estávamos em pleno Estado Novo.

Um pouco depois meu pai aceitou um convite para lecionar literatura brasileira na Universidade da Califórnia durante dois anos, em parte para fugir da ditadura de Vargas e seu Departamento de Imprensa e Propaganda, o famigerado DIP.

Nossa volta dos Estados Unidos em 45 coincidiu com o fim do Estado Novo e a queda de Vargas — que, cinco anos depois, voltaria à Presidência, eleito.

A volta de Vargas em 1951 foi um caso raro de ditador que retoma legalmente o poder, de certa forma legitimando retroativamente o seu governo de exceção. Mas o Getúlio foi um caso raro em todos os sentidos.

Surpreendia que tantas contradições coubessem numa figura tão pequena.

Foi um produto da oligarquia rural responsável pela legislação social mais avançada da sua época e líder de um estado filofascista na origem que se aliou rapidamente à guerra ao fascismo.

Nada representa suas contradições, ou a sua esperteza política, melhor do que o que se dizia dele durante seu apogeu, que era o pai dos pobres e a mãe dos ricos.

Também podia agradar à esquerda e à direita ao mesmo tempo.

A campanha para a sua volta do exílio foi feita em cima de uma marchinha nostálgica que pedia para botarem o retrato do baixinho na parede outra vez.

O fim do Estado Novo tinha deixado um branco insuportável nas paredes da nação. Um nicho sem ídolo.

Sempre me intrigou o fato de o Getúlio ter vestido um pijama para se matar. Não era exatamente um traje adequado para deixar a vida e entrar na História tão dramaticamente.

Talvez fosse apenas outra contradição: um símbolo de cálida domesticidade e velhos hábitos prestes a ser furado por uma bala no coração.

Vá entender.

Luíz Fernando Veríssimo
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Foro de Sao Paulo inaugurado oficialmente en La Paz


En sus palabras de apertura el vicepresidente de la nación suramericana, Álvaro García Linera, afirmó que el neoliberalismo "se está botando en el basurero de la historia".

El vicepresidente de Bolivia, Álvaro García Linera, inauguró oficialmente el XX Foro de Sao Paulo este jueves en La Paz. Allí afirmó que hablar actualmente de neoliberalismo en América Latina se asemeja cada vez más a hablar de arcaísmo.

“Hace 15 años el neoliberalismo era la biblia, ahora lo estamos botando hacia el basurero de la historia de donde nunca debió haber salido”, manifestó el vicepresidente.

En su discurso de apertura, recordó que el mundo de ahora es otro, “la historia continúa, la ideología y el falso macro relato del hit de la historia se ha derrumbado ante la emergencia de lucha, proyectos e insurgencia que se han expandido por América”.

García Linera, señaló que el primer logro para profundizar los procesos revolucionarios es la democracia como método revolucionario.

“Antes se había asumido la democracia como una sospechosa etapa previa a la revolución, y nos habíamos preparado para ello, las circunstancias de dictadura habían creado la visualización de esa etapa previa de un proceso llamado Revolución”, dijo Linera.

"La democracia se está convirtiendo en el medio y espacio cultural de la Revolución".

La edición número 20 del Foro de Sao Paulo fue inaugurada oficialmente este jueves en La Paz (Bolivia), luego de tres días de intensos debates sobre la integración regional, la crisis del capitalismo y la situación de la juventud.

No teleSUR
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7 motivos pelos quais Marina Silva não representa a “nova política”

Se a sua intenção este ano é votar em uma "nova forma de fazer política", leia este texto antes de encarar a urna eletrônica

Neca Setúbal, herdeira do Itaú e coordenadora do programa de governo de Marina Silva, a candidata e seu vice, Beto Albuquerque
Léo Cabral
É comum eleitores justificarem o voto em Marina Silva para presidente nas Eleições 2014 afirmando que ela representaria uma “nova forma de fazer política”. Abaixo, sete razões pelas quais essa afirmação não faz sentido:

1. Marina Silva virou candidata fazendo uma aliança de ocasião. Marina abandonou o PT para ser candidata a presidente pelo PV. Desentendeu-se também com o novo partido e saiu para fundar a Rede — e ser novamente candidata a presidente. Não conseguiu apoio suficiente e, no último dia do prazo legal, com a ameaça de ficar de fora da eleição, filiou-se ao PSB. Os dois lados assumem que a aliança é puramente eleitoral e será desfeita assim que a Rede for criada. Ou seja: sua candidatura nasce de uma necessidade clara (ser candidata), sem base alguma em propostas ou ideologia. Velha política em estado puro.

2. A chapa de Marina Silva está coligada com o que de mais atrasado existe na política. Em São Paulo, o PSB apoia a reeleição de Geraldo Alckmin, e é inclusive o partido de seu candidato a vice, Márcio França. No Paraná, apoia o também tucano Beto Richa, famoso por censurar blogs e pesquisas. A estratégia de “preservá-la” de tais palanques nada mais é do que isso, uma estratégia. Seu vice, seu partido, seus apoiadores próximos, seus financiadores e sua equipe estão a serviço de tais candidatos. Seu vice, Beto Albuquerque, aliás, é historicamente ligado ao agronegócio. Tudo normal, necessário até. Mas não é “nova política”.

3. As escolhas econômicas de Marina Silva são ainda mais conservadoras que as de Aécio Neves. A campanha de Marina é a que defende de forma mais contundente a independência do Banco Central. Na prática, isso significa deixar na mão do mercado a função de regular a si próprio. Nesse modelo, a política econômica fica nas mãos dos banqueiros, e não com o governo eleito pela população. Nem Aécio Neves é tão contundente em seu neoliberalismo. Os mentores de sua política econômica (futuros ministros?) são dois nomes ligados a Fernando Henrique: Eduardo Giannetti da Fonseca e André Lara Rezende, ex-presidente do BNDES e um dos líderes da política de privatizações de FHC. Algum problema? Para quem gosta, nenhum. Não é, contudo, “uma nova forma de se fazer política”.

4. O plano de governo de Marina Silva é feito por megaempresários bilionários. Sua coordenadora de programa de governo e principal arrecadadora de fundos é Maria Alice Setúbal, filha de Olavo Setúbal e acionista do Itaú. Outro parceiro antigo é Guilherme Leal. O sócio da Natura foi seu candidato a vice e um grande doador financeiro individual em 2010. A proximidade ainda mais explícita no debate da Band desta terça-feira. Para defendê-los, Marina chegou a comparar Neca, herdeira do maior banco do Brasil, com um lucro líquido de mais de R$ 9,3 bilhões no primeiro semestre, ao líder seringueiro Chico Mendes, que morreu pobre, assassinado com tiros de escopeta nos fundos de sua casa em Xapuri (AC) em dezembro de 1988. Devemos ter ojeriza dos muito ricos? Claro que não. Deixar o programa de governo a cargo de bilionários, contudo, não é exatamente algo inovador.

5. Marina Silva tem posições conservadoras em relação a gays, drogas e aborto. O discurso ensaiado vem se sofisticando, mas é grande a coleção de vídeos e entrevistas da ex-senadora nas quais ela se alinha aos mais fundamentalistas dogmas evangélicos. Devota da Assembleia de Deus, Marina já colocou-se diversas vezes contra o casamento gay, contra o aborto mesmo nos casos definidos por lei, contra a pesquisa com células-tronco e contra qualquer flexibilização na legislação das drogas. Nesses temas, a sua posição é a mais conservadora dentre os três principais postulantes à Presidência.

6. Marina Silva usa o marketing político convencional. Como qualquer candidato convencional, Marina tem uma estrutura robusta e profissionalizada de marketing. É defendida por uma assessoria de imprensa forte, age guiada por pesquisas qualitativas, ouve marqueteiros, publicitários e consultores de imagem. A grande diferença é que Marina usa sua equipe de marketing justamente para passar a imagem de não ter uma equipe de marketing.

7. Marina Silva mente ao negar a política. A cada vez que nega qualquer um dos pontos descritos acima, a candidata falta com a verdade. Ou, de forma mais clara: ela mente. E faz isso diariamente, como boa parte dos políticos dos quais diz ser diferente.

Há algum mal no uso de elementos da política tradicional? Nenhum. Dentro do atual sistema político, é assim que as coisas funcionam. E é bom para a democracia que pessoas com ideias diferentes conversem e cheguem a acordos sobre determinados pontos. Isso só vai mudar com uma reforma política para valer, algo que ainda não se sabe quando, como e se de fato será feita no Brasil.

Aécio tem objetivos claros. Quer resgatar as bandeiras históricas do PSDB, fala em enxugamento do Estado, moralização da máquina pública, melhora da economia e o fim do que considera um assistencialismo com a população mais pobre. Dilma também faz política calcada em propósitos claros: manter e aprofundar o conjunto de medidas do governo petista que estão reduzindo a desigualdade social no País.

Se você, entretanto, não gosta da plataforma de Dilma ou da de Aécio e quer fortalecer “uma nova forma de fazer política”, esqueça Marina e ouça Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) com mais atenção.

De Marina Silva, espere tudo menos a tal “nova forma de fazer política”. Até agora a sua principal e quase que única proposta é negar o que faz diariamente: política.

Lino Bocchini
No CartaCapital
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Na área dos marqueteiros

Os 29% com que Marina ultrapassa
Aécio são aquele montante que ela
já detinha nos primeiros meses do
ano

O melhor das eleições para governos volta a ser a expectativa do sobe e desce nas pesquisas. No demais, a mediocridade continua a mesma, desde que marqueteiros descobriram esse meio de fazer fortuna com truques vulgares para tapear o eleitorado. Os próprios marqueteiros se tornam mais medíocres a cada eleição, ou quanto mais ganham. Com um benefício extra: tanto faz ter êxito ou não, o ganho é o mesmo — sabedoria só desfrutada por poucas atividades.

Pelo visto, nem do debate se pode esperar alguma coisa menos chã. Com a vantagem de iniciar a série, a TV Bandeirantes mostrou que nem ela estava interessada em ser vista. Debate àquela hora da noite, entrando pela madrugada, e com tanta chatice, só mesmo para a disponibilidade de aposentados e sofredores de insônia.

Como consolo, quem aguentou o tédio pôde descobrir, vê-se na internet, a figura interessante do candidato do Partido Verde. Eduardo Jorge já devia ser notado desde lá atrás, como bom deputado federal, se a imprensa brasileira desse aos leitores/eleitores informações panorâmicas do dia a dia na Câmara e no Senado. O que, aliás, é obrigação de uma imprensa crítica ao eleitorado, ao Congresso e à política. Todos três com o seu desempenho condicionado ao volume e à qualidade de informação divulgada: o eleitorado bem informado vota melhor; logo, melhora o padrão do Congresso e da política. É o óbvio inolulante.

O debate de estreia confirmou outra continuidade: ainda é confundido com safári. A intenção dominante entre os candidatos, e em jornalistas cujas perguntas são indisfarçáveis editoriais, não é a de puxar pelas ideias e pelo teste de preparo pessoal, para provocar as comparações. É a de simplesmente derrubar alguém, não importa se à custa de irrelevâncias. Atitudes que dizem mais de quem pergunta que do perguntado e sua resposta.

Mas há, ao menos, nova pesquisa do Ibope e, nela, nova hierarquia das preferências eleitorais. Em sua primeira participação de candidata à Presidência, Marina Silva reúne 29% de apoios e ultrapassa Aécio Neves, que cai de 23% para 19%, com a liderança de Dilma Rousseff em queda de 38% para 34%. Três motivos para o festival de especulações e de atribuições a alegados "interlocutores".

Mas, sem índice anterior de Marina Silva, não há como fazer afirmação séria sobre o impulso que o eleitorado lhe promete. Cabe notar, isto sim, que, para constatar a falta de transferência de apoios de Marina para Eduardo Campos, com seus 9%, lembrava-se que ela já aparecera com 27% uns cinco meses antes, na hipótese de que se tornasse cabeça de chapa àquela altura.

Os 29% com que Marina ultrapassa Aécio são, portanto, aquele montante que já detinha nos primeiros meses do ano. E montante seu mesmo, isto é, não traz indício de contribuição alguma das emoções com a morte de Eduardo Campos. A grande novidade da pesquisa é, então, a de não trazer novidade.

Ou a de adiá-la, até que se possa verificar o que Marina Silva de fato capta agora, ou não, e se Aécio Neves consegue a reação que anuncia para "quando as emoções da morte de Eduardo decantarem". O mesmo, ou quase, para Dilma Rousseff, sobretudo em relação ao segundo turno perdido para Marina no Ibope. Como se vê, a bola e a incógnita continuam com a candidata do PSB que não é do PSB.

Janio de Freitas
No fAlha
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Fim da Avenida da Ditadura

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6332


A Câmara de Porto Alegre, por iniciativa dos vereadores Pedro Ruas e Fernanda Melchiona (PSOL), aprovou a mudança do nome da Avenida Castelo Branco, principal via de acesso a Porto Alegre, para Avenida da Legalidade e da Democracia.

Foi a segunda tentativa. Na primeira, os conservadores sofismaram bastante e bloquearam a alteração.

Desta vez, não conseguiram impedir que Porto Alegre venha a se livrar de uma aberração.

Avenida Castelo Branco é sinônimo de Avenida da Ditadura.

Por uma incrível coincidência, os defensores da manutenção do nome de Castelo Branco costumam ter saudades do regime militar e das suas façanhas consideradas estupendas e salvacionistas como torturar, matar e impedir eleições.

Agora só falta o prefeito José Fortunati sancionar a lei.

Se não o fizer, rasgará a sua biografia.
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Ciro: Bláblá é picareta !


Ela deseduca, é uma tragédia para o Brasil!


Ciro Gomes - Marina Silva tragédia para o Brasil por Qual_E_News
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Tarso Genro: “a pauta da nação brasileira é feita pela Globo”

Para governador, a RBS quer “ocupar o estado diretamente, e não mais por terceiros” com candidaturas de Ana Amélia e Lasier Martins

"O PT hoje não tem unidades sobre questões fundamentais"
Cláudio Fachel
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), chega ao fim do seu mandato de governador em uma disputa apertada pela reeleição. Empatado tecnicamente com a senadora Ana Amélia (PP-RS), ele diz que espera melhorar nas pesquisas com o início do horário eleitoral.

Em entrevista a CartaCapital, Genro fez críticas ao grupo RBS, emissora gaúcha afiliada da Rede Globo. “Há uma marcada sensação política de que eles querem ocupar o estado diretamente, e não mais por terceiros”, diz o governador, referindo-se a Ana Amélia e Lasier Martins, que é líder na disputa ao Senado. Ambos são ex-jornalistas da emissora. Tarso ainda cobrou uma postura unitária do PT em temas como a reforma política, a taxação de grandes fortunas e a votação de um marco regulatório da mídia.

A entrevista faz parte de uma série com os candidatos do estado. Na terça-feira 26, foi publicada a entrevista com Ana Amélia. Ainda serão publicadas as entrevistas com os dois candidatos mais bem colocados na disputa ao Senado Federal, Olívio Dutra (quinta 27) e Lasier Martins (sexta 28).

Leia, a seguir, trechos da conversa com o candidato:

CartaCapital: Como o senhor avalia os quatro anos em que esteve à frente do Palácio Piratini? E o que pretende fazer caso seja reeleito?

Tarso Genro: Para responder a isso, tenho de dizer o seguinte: o debate aqui no estado é sobre dois modelos de gestão e desenvolvimento completamente diferentes. Minha adversária (Ana Amélia Lemos) defende o enxugamento da máquina pública, redução de gastos públicos e uma visão de organização financeira do Estado muito próxima do Estado mínimo, de um desenvolvimento econômico espontâneo originário nas relações do mercado.

Nós defendemos algo diferente, que o Estado abata parte da dívida e utilize esse novo espaço fiscal para obter novos aportes para investir em infraestrutura, além de guardar os recursos próprios para cuidar da questão salarial e investir em áreas fundamentais como saúde e segurança.

No nosso próximo período, queremos aumentar os gastos em infraestrutura e colocar mais ênfase nos programas sociais. E alavancar a base produtiva local, na agricultura familiar e em pequenas e médias empresas.

O estado estava na UTI, e agora ele está em recuperação. Agora pretendemos aprofundar todos os projetos que estão em andamento.

O Rio Grande do Sul tem, relativamente, a maior dívida do País, que supera 50 bilhões de reais. O governo federal finalmente propôs votar a renegociação da dívida dos estados com a União em novembro deste ano. Esta já era uma questão da eleição passada, um pleito do senhor quando foi eleito. Por que a renegociação demorou tanto?

Eu liderei com outros governadores essa movimentação, e nós tivemos a proposta desse projeto que a presidenta Dilma enviou ao Congresso Nacional. Articulamos a aprovação na Câmara e depois nas comissões do Senado.

Quando o projeto chegou ao plenário do Senado, os efeitos da crise econômica já haviam chegado aqui. E aí a equipe econômica do governo achou que a votação desse projeto poderia rebaixar a nota do Brasil nas agências de risco, e não queriam votá-lo.

Nós organizamos uma pressão para que viesse do governo uma proposta para votar o projeto integralmente em novembro. Aceitei esse acordo, porque eu acredito na palavra da presidenta Dilma.

As consequências desse projeto são extraordinárias. Para você ter uma ideia desse efeito, ele abate 16 bilhões da nossa dívida, nos autoriza a ter um espaço fiscal de 6 bilhões ou 7 bilhões para fazer financiamentos e investimentos em infraestrutura. É uma coisa que há mais de 20 anos tentávamos realizar e não conseguíamos.

O senhor aparece empatado tecnicamente com a candidata Ana Amélia, numericamente atrás dela, na pesquisa Ibope. Na pesquisa do Instituto Methodus, aparece atrás dela. A que o senhor atribui esse resultado nas pesquisas?

Pelo que sabemos, o Instituto Methodus é ligado ao PP aqui no RS. E a metodologia que eles usam é muito prejudicial, semelhante à da Datafolha.

Há pesos diferentes para regiões do estado, que têm maior ou menor volume de voto. E o Ibope considera que a região metropolitana no estado tem 42% dos votos, e isso reporta tradicionalmente todas as pesquisas que deram certo no estado. Os outros institutos, não. Por isso eu acho que temos empate técnico.

Nós tratamos com muita prudência todas essas pesquisas, mas o que nos posiciona positivamente são duas coisas: primeiro, o alto grau de aprovação do governo que nós vamos ter uma grande possibilidade de vitória. E o fato de nós termos um terço da população dizendo que nosso governo é bom e ótimo.

De outra parte, nós sempre fomos muito prejudicados pelo sistema de mídia daqui, que tem um predomínio de centro-direita. Ela cobre exclusivamente os problemas, ela não cobre as soluções. Procuramos reverter isso com o horário eleitoral.

O senhor acha que esse tratamento da imprensa acontece independentemente de quem está no governo?

Independente de quem for o governo, mas é muito agravado no nosso, que eles não têm nenhuma simpatia por razões explicáveis.

Isso nos deu uma desvantagem muito grande, porque para mostrarmos o que estávamos fazendo, tínhamos de pagar. E aqui nós não fazemos campanhas tão grandes como se faz em outros estados, porque não é uma tradição (do Rio Grande do Sul).

Além de Ana Amélia, o candidato Lasier Martins, que lidera a disputa ao Senado, também era apresentador da Rede Globo. Qual a particularidade que faz o Rio Grande ter eles dois como líderes nas pesquisas? O senhor vê alguma diferença para outros estados?

O que é diferente é o governo, que os leva a exacerbar determinadas posições. A nossa democracia está em implementação. Os partidos são pouco valorizados e o sistema político é deformado por relações regionais e oligárquicas. Não há um sistema político que dê coesão aos partidos por identidade ideológica e programática. A pauta da nação brasileira é feita pela Globo. E os partidos políticos não desafiam isso, nem o meu consegue.

O PT desistiu do marco regulatório da mídia mais uma vez e o retirou do programa de governo de Dilma à reeleição.

Esse é um exemplo. Não existe uma força partidária interna que compreende esse fenômeno novo: o de que os grandes partidos políticos do conservadorismo hoje não são os partidos tradicionais, são os grupos de mídia.

Ali se condensa um grupo de relações políticas, de pautas, de interesses econômicos, de visão da globalização e de distribuição dos interesses do capital financeiro que fazem a pauta da nação.

Isso se reflete aqui no estado. O grupo midiático mesmo diz "nós defendemos um projeto para o Estado". E o programa deles para o estado está muito mais caracterizado pelo que foi o governo Britto (1995-1998) e o governo Yeda Crusius (2007-2010), que foi um governo falido pelas suas contradições internas, e não pela sua relação com a mídia.

Isso nunca gerou um antagonismo pessoal. Mas há uma marcada sensação política no estado de que agora, com esses dois candidatos, eles querem ocupar o estado diretamente, e não mais por terceiros.

Nos últimos dez anos, o PT não fez as reformas necessárias para mexer nos interesses que o senhor critica. Além do marco regulatório, há diversos exemplos como o projeto que o senhor enviou, no Ministério da Justiça, de reforma política. Após quase 12 anos do partido na Presidência, ainda é possível esperar que o PT faça essas reformas?

O PT não pode ser visto em abstrato fora da crise programática da esquerda mundial. Eu acompanhei tudo isso, tenho 67 anos. Aconteceu uma destruição dos valores mais fortes originários da Revolução Bolchevique, que é um marco extraordinário, e uma desagregação do projeto social democrata. Essa dupla desagregação democrática e social da via socialista impactou todos os partidos de esquerda. E não deixou de impactar o PT.

O PT hoje não tem unidade sobre questões fundamentais, nem sequer relacionadas com a questão social-democrata. Mas eu chamo atenção de que o PT, apesar dessa crise, foi o partido que melhor se saiu. Na Presidência, desenvolveu políticas neossocial-democratas, políticas que mudaram o País nesses dez anos.

Essa mudança importante modificou a estrutura de classes, aquilo que se chama erroneamente de nova classe média e que exige um partido de novo tipo. O PT está tentando acompanhar isso, mas não consegue de maneira integral fazê-lo.

Você pode ver que há pessoas muito distintas no PT. Você tem o Paulo Teixeira e você tem o Cândido Vaccarezza (deputados federais). São pessoas que têm posições distintas sobre a questão de economia no Brasil, rumos do desenvolvimento e formas de relacionamento com as grandes empresas. Isso determina que o PT seja um partido que ainda não superou essa crise de valores da social-democracia e do bolchevismo.

Vai superar ou não? Isso é indeterminado. Esses temas, que são uma coisa de princípio hoje, como a regulamentação das concessões da mídia e a questão do imposto sobre as grandes fortunas, são questões que o partido deveria enfrentar de maneira unitária. Mas não enfrenta em razão das suas limitações.

Então, eu te digo o seguinte: apesar de o PT ser o partido que melhor está transitando nessa crise, esse trânsito ainda não terminou.

Uma das pessoas que não acreditam que o PT poderia fazer essas mudanças é a sua filha, Luciana Genro, hoje candidata à Presidência pelo PSOL. Ela chegou a falar que não votaria no senhor, já que está em outro projeto. Imagino que o senhor não vai votar nela...

Claro que não (risos). Todo mundo sabe que nós temos uma relação de pai e filha, uma relação amorosa. Convivemos todas as semanas, e inclusive ironizamos um com outro a respeito das questões políticas.

A minha filha é uma pessoa muito coerente, eu tenho admiração por ela. Ela entende que o PSOL pode reconstruir um projeto nacional, um projeto de desenvolvimento socialista. Mas eu acho que isso é um profundo equívoco.

Esse não é um equívoco pessoal dela, mas do PSOL. Que todo mundo sabe que é originário de correntes trotkistas, e tem uma avaliação que é economicista e corporativista da luta de classes.

A dificuldade que partidos como o PSOL têm para crescer é entender os momentos de crise como criadores da base de massas para uma transformação social. Isso é um engano, as tensões passam e as massas refluem. Só tem condições de gerar um processo de mudanças, seja qual for, um partido que tem um programa e um convívio com a sua base de massas, que se integre na vida cotidiana e na produção. Esse partido não tem essa projeção.

Por isso, eles apostam em ser centelhas quando existem movimentos sociais. É uma experiência válida, mas isso não deu certo historicamente porque tem um equívoco de fundo. E é por isso que esse partido não cresce. Não é porque eles são radicais, como dizem alguns críticos da direita. Radical é pegar as coisas pela raiz, e acho que isso é precisamente o que eles não fazem. A história está mostrando o que eles estão enganados.

Voltando à questão da imprensa, seu assessor Guilherme Gomes enviou uma mensagem ao diretor de jornalismo da Bandeirantes, depois publicada pela emissora. Pelo WhatsApp, ele dizia que a divulgação da pesquisa Methodus acarretaria “uma nova relação” entre o governo estadual e a emissora. O senhor autorizou aquela atitude?

A mensagem do Guilherme é fruto de uma relação pessoal dele com os dirigentes da Band. Isso é uma coisa normal entre pessoas. O que foi surpreendente, para mim, foi ver que a Band fez uma matéria sobre isso. Você pode ver que ele também publicou uma mensagem da Band fazendo um diálogo a respeito de financiamento. (Nela, o diretor da Band o questionava sobre anúncios na rede).

Da minha lavra não saiu nenhuma orientação para o Guilherme fazer qualquer menção a respeito disso. E nem uma ameaça. Se fosse, seria uma contra-ameaça. Considero isso um incidente menor e não vai mudar minha relação com a Band.

O que o senhor falou com o assessor?

Quando olhei aquela pesquisa, eu falei: essa é uma pesquisa completamente manipulada. Ela está fora da margem de erro de todas as pesquisas. Diz lá para a Band que nós não acreditamos nessa pesquisa. O resto foram incidentes entre duas pessoas que tinham uma relação de confiabilidade e eu espero que possam recuperar.

Beto Albuquerque (PSB), antigo aliado do PT no estado, desistiu da  candidatura ao Senado para ser vice de Marina Silva (PSB). Qual a avaliação que o senhor faz dessa chapa na disputa à Presidência?

Eu me recusei a falar sobre isso por causa da postura necrófila que alguns jornais vinham fazendo a respeito da morte do Eduardo Campos, uma pessoa que eu presava e tinha relações de companheirismo político. Agora, esse assunto já foi transformado em questão política.

Primeiro, Marina é uma pessoa que eu admiro e respeito. Mas, do ponto de vista eleitoral, eu não vejo possibilidade de ela crescer a ponto de ameaçar a candidatura da presidenta Dilma.

Eu acho que ela pode ameaçar o Aécio, porque o Aécio é um candidato da espontaneidade. E reproduz aquela visão que é muito rejeitada pelo povo brasileiro, elitista e neoliberal.

Marina aparece já nesse choque emocional como a novidade, e essa novidade sempre tem um impacto positivo. Mas eu acho que isso aí vai para os caminhos normais. Por exemplo, Marina tem uma resistência muito grande em diversos setores do nosso empresariado desenvolvimentista.

Mas Beto Albuquerque, que é ligado ao agronegócio, não ajudaria a minar essa resistência?

Acho que não. Porque Beto é vice, e os grupos sociais, as classes sociais se reportam ao presidente.

José Alencar não fez isso para Lula em 2002?

Alencar foi uma confiabilidade para os empresários em abstrato. Mas tanto Lula quanto ele eram desenvolvimentistas. Marina e Beto têm visões diferentes, até contraditórias.

E a comoção causada pela morte de Eduardo sempre gera unanimidade em torno da pessoa. É natural que gere, porque a morte é um acontecimento tão absoluto, tão dramático, que repara todas as divergências. Então agora parece que ele era unanimidade, mas ele não era. Por isso, o impacto causado na morte dele também vai ser dissolvido ao longo do processo político.

Em segundo lugar, a entrada de Beto para a chapa da Marina resolve um problema do Beto, e não de estado. Ele estava em terceiro lugar, numa situação desconfortável e certamente não se elegeria.

Agora, como quadro político, ele valoriza a chapa da Marina? Me parece que sim. Mas do ponto de vista eleitoral, me parece que não.

Piero Locatelli
No CartaCapital
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Comentário sobre texto de Safatle


Uma das coisas mais interessantes nos textos do Safatle é que eles parecem explicar, parecem ser profundos, mas só parecem.

A questão é: por qual motivo o conservadorismo está presente e crescente em todas as partes (não apenas aqui no Brasil, não apenas na América Latina, mas também nos Estados Unidos, na Europa etc.)?

Responder a isto é fundamental.

Infelizmente, Safatle discorre sobre o tema de maneira "genérica". Releiam o texto, do segundo parágrafo até o fim, e digam se o escrito não continuaria válido e poderia ser dito em 1980, 1990 ou 2000.

O conservadorismo, por óbvio, é uma constante.

Seu crescimento mundial, nos últimos anos, têm causas conhecidas. Vou me focar no caso do Brasil.

A questão, para mim, é saber por qual motivo, de 2003 para cá, mais especialmente de 2006 para cá, mais visivelmente de 2010 para cá, o conservadorismo se tornou não apenas constante, mas crescente.

A resposta, acho eu, está nas classes.

O relativo equilíbrio de forças gerou, entre 2003 e 2014, governos que adotaram políticas melhoristas.

Um dos resultados mais visíveis e comentados destas políticas foi a ampliação da capacidade de consumo de milhões de pessoas, aquilo que nossa presidente insiste em chamar de "ampliação da classe média".

Qual o impacto disto na consciência coletiva de milhões de brasileiros e brasileiras?

Em parte importante daqueles que já tinham capacidade de consumo, houve um comportamento reacionário, reação à perda de status.

Em parte importante dos que ganharam capacidade de consumo, cresceu o individualismo (teologia da prosperidade e coisas do gênero), vinculado ao ganho de status.

A grande burguesia, por sua vez, oscilou.

A grande burguesia não foi afetada em seu status. Por isto, aliás, não é difícil encontrar grandes capitalistas que ironizam o reacionarismo da "classe média tradicional".

A grande burguesia, ao longo de parte dos últimos doze anos, ganhou numa ponta (acréscimo do consumo, investimentos e subsídios estatais vinculados) mais do que perdia noutra (crescimento dos salários e do emprego formal, reduzindo uma das fontes do lucro).

Mas agora, neste ano de Deus de 2014, a equação virou. E a maior parte da grande burguesia está decidida a tirar o PT da presidência da República, para com isso diminuir o "custo Brasil" via aumento do desemprego e redução de salários. Isto está vinculado a motivos nacionais e também internacionais.

Para atingir este objetivo, para tirar o PT da presidência, qual a cunha? Como reduzir e dividir o eleitorado popular que vota no PT, Lula e Dilma?

Falar de política? De programa? De planos concretos de governo? Neste terreno, as direitas enfrentam muita dificuldade.

Por isto, cada vez mais optaram por levar o debate para os "valores", para a disputa ideológica. Onde contam a seu favor com a inércia do conservadorismo, mais o conservadorismo reacionário das "classes médias tradicionais", mais o neoconservadorismo dos setores da classe trabalhadora que ampliaram agora sua capacidade de consumo.

A massa da classe trabalhadora evolui politicamente mais rápido do que ideologicamente.

Por isto, na massa dos eleitores de PT, Lula e Dilma, temos progressismo na política e conservadorismo na cultura. Para a direita, é útil pautar o debate neste terreno, da corrupção, da religião, dos valores, dos direitos das mulheres, dos direitos dos homossexuais etc e tal.

A direita encontra terreno especialmente fértil, já que os governos Lula e Dilma fizeram pouca luta político-cultural, não investiram pesado em comunicação democrática, educação libertadora e cultura popular. Claro que se tivessem feito isto, não mereciam ser chamados de melhoristas.

Acho que é nestes termos concretos que o tema deve ser tratado. A abordagem do Safatle não é erudição, é decorrência da dificuldade de tomar partido nas eleições presidenciais.

Complementando

No comentário que fiz ao texto do Safatle, disse que "de 2003 para cá, mais especialmente de 2006 para cá, mais visivelmente de 2010 para cá, o conservadorismo se tornou não apenas constante, mas crescente".

E apontei que "a grande burguesia, ao longo de parte dos últimos doze anos, ganhou numa ponta (acréscimo do consumo, investimentos e subsídios estatais vinculados) mais do que perdia noutra (crescimento dos salários e do emprego formal, reduzindo uma das fontes do lucro)".

Mas que agora, "neste ano de Deus de 2014, a equação virou. E a maior parte da grande burguesia está decidida a tirar o PT da presidência da República, para com isso diminuir o "custo Brasil" via aumento do desemprego e redução de salários. Isto está vinculado a motivos nacionais e também internacionais".

A "virada" na posição da burguesia tem relação com a redução no crescimento.

Quanto há crescimento, todos podem se beneficiar, ainda que alguns se beneficiem mais do que os outros.

Mas quando cresce, mas cresce pouco, a distribuição dos benefícios entre as diversas camadas do empresariado é mais fortemente afetada pela tendência a concentração (o pouco que cresce, corresponde a lucros que se concentram mais do que o normal, motivo pelo qual a pequena burguesia é mais prejudicada que a média, que é mais prejudicada que a grande, que é mais prejudicada que os oligopólios transnacionais, que ganham menos que o capital financeiro).

Sendo assim as coisas, então o topo da pirâmide capitalista deveria estar satisfeito. Mas como sabemos, é o mais insatisfeito. Motivo? Eles buscam resultados no terreno internacional e neste terreno a pressão está terrível.

Logo, por motivos diferentes, o conjunto das frações que compõem a classe capitalista no Brasil quer uma mudança nos fundamentos da política econômica. A saber: querem ampliar o desemprego e reduzir os salários. Este é o ponto de acordo entre todos eles, ainda que possam brigar em torno de outros assuntos.

O "irônico" (entre aspas, pois está mais para trágico) é que os chamados setores médios (assalariados melhor aquinhoados, pequenos proprietários em geral) também está querendo mudança neste terreno. Pois, dada a natureza da política que aplicamos desde 2003, melhoramos a vida dos de baixo sem tocar na vida dos de cima, o que obviamente afeta a vida (e principalmente a percepção que têm da vida) os chamados setores médios.

E o trágico (aí sem aspas) é que as camadas populares, os trabalhadores e trabalhadoras, também estão "moderadamente insatisfeitos", pois já estão sentindo os efeitos da reação dos capitalistas: "greve de investimentos" e "estímulo à inflação". O que reduz a capacidade de consumo e tende a "zerar" (do ponto de vista político) o efeito das políticas distributivas.

Qual seria (e continua sendo) a solução com maior impacto positivo para neutralizar esta equação perversa?

Do ponto de vista dos chamados setores médios, ampliar o alcance e melhorar a qualidade dos serviços públicos, por exemplo de saúde e educação, permitindo aos setores médios reduzir o que gastam para adquirir estes serviços no mercado; alterando sua percepção acerca do Estado; disputando sua visão de felicidade através do mercado; e integrando-os com a classe trabalhadora.

E do ponto de vista do grande capital, a solução está no trato dos oligopólios. que por seu tamanho conseguem impor preços de cartel à toda economia brasileira. O único jeito de fazer isto é recorrendo àquilo que Dilma disse, no debate entre candidatos na TV Bandeirantes, que deveria ser feito com o oligopólio da mídia. A saber: "regular". E regular inclui: não ter monopólio. Não há como dobrar um oligopólio, é preciso quebrar o oligopólio.

No caso do setor financeiro, por exemplo, banco grande tem que ser nacional e público. Bancos médios e pequenos podem ser privados.

Infelizmente, nosso governo é pouco prático nestas questões. E nosso Partido é pouco enfático, digamos assim. Mas como sempre, a burguesia não nos falta e está vindo para cima. Quem não quiser ser atropelado terá que reagir.

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O jornalismo jihadista da Band no debate com os presidenciáveis

E o bolivarianismo é coisa nossa
O trio de jornalistas que entrevistou os presidenciáveis no debate da Band virou notícia, não necessariamente pelos melhores motivos. Bonner e Patrícia Poeta deram o tom dos encontros com os candidatos no JN: agressivos, pretensamente equânimes, falando muito.

Na Band, a fórmula foi aplicada com um resultado piorado e ideologicamente mais contaminado.

Se Fábio Panunzio foi mais contido, Boris Casoy e José Paulo Andrade lançaram mão de todos os clichês reaças para inquirir Dilma e Marina e alertar a população brasileira para o risco que corremos.

Zé Paulo, num terno amarfanhado, repetiu o que sempre fala na rádio Bandeirantes. Levantando a bola para Aécio, para Dilma responder em seguida, tascou:

“O governo federal criou por decreto o Conselho de Participação Social. É uma instância direta vista com apreensão por muitos setores: seria uma ameaça ao Congresso Nacional e consequentemente ao equilíbrio institucional. Seria uma bolivarização do Brasil nos moldes chavistas e agora a própria candidata acaba de lançar a ideia de um plebiscito para fazer a reforma política, o que, me parece, deixa de lado o Congresso Nacional. Como o candidato vê a movimentação dessas peças no tabuleiro político?”

Aécio, claro, aproveitou a chance para elogiar a democracia etc etc. Dilma saiu-se com uma explicação de que, se plebiscitos são bolivarianos, a Califórnia é bolivariana.

Boris perguntou a Eduardo Jorge para Dilma comentar:

“Por considerar um assunto importante e grave, que envolve a liberdade no país, vou voltar à questão do controle social da mídia. O partido da presidente, o PT, insiste num plano de censura à imprensa, que eufemisticamente chama de democratização da mídia. A bem da verdade, a presidente Dilma, a candidata Dilma, não adotou, criou uma barreira, não tem colocado em prática, apesar da insistência do partido, essa ideia. Eu queria perguntar: se eleito, o candidato Eduardo Jorge vai levar esse plano adiante?”

Se o jornalismo existe também para explicar questões complexas, o telespectador se deu mal. Zé Paulo ainda atacaria novamente, dizendo que as manifestações do ano passado pediam reformas no sistema penal e pedindo para Luciana Genro, do PSOL, opinar.

Luciana, educadamente, lembrou Zé Paulo que as pessoas não foram à rua por isso.

Foi um bom resumo da participação de Zé Paulo e de sua incapacidade de enxergar o mundo — ou melhor, a sua tendência a encaixar o mundo em sua visão tacanha. Questões objetivas não houve, e sim embates entre o bem e o mal.

O trio não ajudou a esclarecer nada, não jogou luzes sobre nada, não ajudou a esclarecer nada. Talvez seja absurdo esperar o contrário. A única coisa que ficou ainda mais patente foi o nível do jornalismo jihadista praticado na Band.

Kiko Nogueira
No DCM
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Essa é do Barão... 26


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Marina acaba de se associar a um crime eleitoral


Independente do resultado “marquetológico” da entrevista de Marina Silva ao Jornal Nacional — e eu acho que foi desastroso — há um elemento gravíssimo nas declarações da nova candidata do PSB.

Marina confessou o conhecimento de um crime eleitoral e a participação nos benefícios desta transgressão.

Ela confessou saber que o avião era produto de um “empréstimo de boca” que seria ‘ressarcido” — se é ressarcido, tem preço — ao final da campanha.

Poderia, se fosse o caso, dizer que não sabia dos detalhes da contratação do serviço, feita por Eduardo Campos. Mas está amarrada de tal forma no assunto que teve de se acorrentar à fantasiosa versão do PSB.

Que é uma aberração jurídica e contábil, que não pode prevalecer – e não prevalece – em qualquer controle de contas eleitorais.


O que dirá para um jato de R$ 20 milhões!

Não há um contrato sequer, não há preço estabelecido e, sobretudo, as empresas (ou o laranjal) que tinha o controle do avião não se dedicam à locação de transporte aéreo.

É um escândalo de proporções amazônicas.

Só menor do que o escândalo que é, depois de tantas confissões, o silêncio do Ministério Público.

Todos se lembram da Procuradora Sandra Cureau, que por um nada partia para cima do Presidente Lula e da candidata Dilma Rousseff.

Está mudo, quieto, silente.

Acovardado diante dos novos santos da mídia.

A partir de agora, prevalecendo isso, se podem emprestar prédios, frotas, aviões, até uma nave espacial para Marina ir conversar com Deus.

De boca, sem recibo, sem contrato, sem papel.

Na fé.

Fernando Brito
No Tijolaço
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