27 de ago de 2014

O debate da Band — completo


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A pesquisa do Ibope diz muito mais coisas que a gente pode imaginar


Analisando a pesquisa do Ibope veiculada nesta terça-feira (26) dá pra tirar boas informações e provar que muita água vai passar por baixo dessa ponte:
  • 55% dos pesquisados acreditam que Dilma será reeleita e apenas 17 % apontam para Marina;
  • 67 % dos pesquisados se dizem satisfeitos com a vida que levam e 9 % estão muito satisfeitos;
  • 27 % dos pesquisados acreditam que a melhor campanha é da presidenta Dilma e apenas 13 % de Marina e 14 % de Aécio;
  • Quando perguntado por qual partido o eleitor tem mais simpatia o PT dá de lavada com 19 % e em segundo lugar o PMDB com 4%.

Confira na íntegra a pesquisa aqui.

No Tomando na Cuia

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Marina no Jornal Nacional


Acabou a folga para Marina.

Esta é a principal conclusão que emerge da entrevista com ela no Jornal Nacional.

Até aqui, ela só bateu nos outros. Quer dizer em Dilma e em Aécio, os representantes da “velha política”. Nem Dilma e nem Aécio, tão entretidos um com o outro, revidaram.

Agora, com seu crescimento vertiginoso nas pesquisas, ela vai começar a apanhar.

A pergunta que só encontrará resposta nas próximas semanas é quanto este novo cenário — em que ela passa a ser o alvo preferencial de Dilma e de Aécio — poderá afetá-la.

Que ela tem pontos vulneráveis ficou claro na entrevista do Jornal Nacional.

Patrícia Poeta lembrou, por exemplo, um ponto que ninguém usou ainda contra ela: a baixa votação de Marina, em 2010, em sua terra natal, o Acre.

Marina ficou em terceiro, atrás de Serra e de Dilma.

Isso pode ser usado da seguinte forma pelos adversários: atenção, quem conhece não gosta.

Em 2010, ela disse, com voz embargada, que o terceiro lugar era “uma tristeza muito grande”. (Seu então companheiro de chapa, o empresário Guilherme Leal, foi breve: “Não tem explicação.”)

Agora, ela tirou da bolsa o velho clichê que diz que santo de casa não faz milagre.

Invoco aqui, mais uma vez, Wellington com sua sentença definitiva: quem acredita que o provérbio explica a surra de Marina entre seus conterrâneos acredita em tudo.

Marina também se enrolou para dizer por que quando os outros se juntam a pessoas diferentes para compor uma chapa é “velha política” e quando ela se junta a alguém como Beto Albuquerque é “nova política”.

Albuquerque é financiado por empresas de transgênicos, armas e bebidas — algo que uma alguém realmente “puro” simplesmente não engoliria.

Marina desconversou. Fez a apologia da “diversidade”, e aproveitou para dizer que trabalhar com pessoas diferentes prova que ela, ao contrário do que se diz, não é “intransigente”.

Marina demonstrou aí a cara de pau cínica não da velha, mas da velhíssima política.

Marina pode ser desconstruída, sem dúvida. Mas vai ser?

A descontrução leva algum tempo. Dificilmente o cenário vai mudar daqui até o primeiro turno.

Isso quer dizer que Dilma e Marina passarão, muito provavelmente, para o segundo turno.

Aí então começará uma nova disputa.

A surpresa já terá passado, a aonda também, as emoções associadas à morte de Campos igualmente. E Marina dificilmente sustentará a imagem virginal.

Muitos dos jovens idealistas que viram nela uma resposta ao mofado mundo político nacional — e eles são a essência do fenômeno Marina — perderão as ilusões diante dos fatos como eles são.

Isso tudo quer dizer o seguinte.

Até há pouco tempo, com Campos na corrida, estava espalhada a sensação de que Dilma já ganhara, ou no primeiro ou no segundo turno.

Agora, com o surgimento estrepitoso de Marina na dispua, para muitos ela já ganhou.

Nem Dilma estava garantida antes, e nem Marina agora.

Terminada a fase de pêsames e de luto, liquidada uma situação que a deixava fora dos ataques de Dilma e de Aécio, começa um novo tempo para Marina, muito mais áspero e volátil.

O jogo está aberto — exceto para Aécio.

Paulo Nogueira
No DCM
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Marina, o xale, o relho e o lombo

Ao contrário do economicismo adotado até aqui, é preciso explicitar a essência do conflito político radicalizado pela elite brasileira no processo eleitoral.

Imagine o seguinte roteiro espetado nas entranhas de uma agremiação política de esquerda:

Um jatinho carregando um candidato a Presidente da República e mais seis pessoas espatifa-se em Santos no dia 13 de agosto.

Todos os seus ocupantes morrem.

A caixa preta do avião está muda.

Uma outra caixa preta, porém, passa a emitir sinais intrigantes no curso das investigações.

A aeronave, descobre a Polícia Federal, não tem dono conhecido. Sua documentação é ilegal.

O partido do candidato morto não contabilizou o seu uso na prestação de contas ao TSE.

AF Andrade — empresa que aparece como última proprietária no registro da Anac, tirou o corpo fora.

Afirma que já havia repassado o avião a outro empresário, que o emprestou para um outro, ligado à campanha do presidenciável morto.

Um labirinto típico das rotas do dinheiro frio desenha-se então nas provas de um suposto leasing do avião, envolvendo pagamentos feitos por laranjas que vão de uma peixaria de Recife a escritórios localizados em lugar nenhum...

Entre as poucas pistas sabe-se que a autorização de uso na campanha teria sido feita pelo empresário João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e o empreendedor Apolo Santana Vieira.

Vieira responde a processo criminal por sonegação fiscal na importação fraudulenta de pneus pelo Porto de Suape, que fica no estado de origem do candidato morto no acidente.

Saul Leblon
No Carta Maior
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A volta do parafuso

Os jornais de quarta-feira (27/8) se esbaldam com os números da primeira pesquisa Ibope de intenção de voto feita após a morte do ex-governador Eduardo Campos e sua substituição pela ex-ministra Marina Silva na chapa do PSB. A tendência dos analistas é considerar que esse retrato pode ser alterado nas próximas semanas, em função da propaganda eleitoral na televisão e por conta de um novo posicionamento estratégico dos candidatos Dilma Rousseff, do PT, e Aécio Neves, do PSDB, diante da rápida ascensão da ex-ministra.

A imprensa também dá grande repercussão ao primeiro debate direto entre os candidatos, transmitido na noite de terça (26) pela TV Bandeirantes. As avaliações dos três principais jornais do país são muito parecidas, e mostram como Marina Silva procurou se inserir como uma cunha na disputa polarizada entre o PT e o PSDB, tentando consolidar-se como uma “terceira via”. No entanto, segundo observadores credenciados pela mídia, ela teve dificuldade para explicar como pretende reformar os paradigmas da política com uma base partidária predominantemente conservadora.

Analistas consideraram Dilma Rousseff mais segura que seus contendores, dedicada a ressaltar números positivos de seu governo, apesar de ter se transformado em alvo direto do bombardeio de todos os outros participantes.

Aécio Neves é apresentado como tendo tido um desempenho mediano, ocupado em se mostrar como o principal antagonista da atual presidente, e baseou todos os seu ataques a Dilma Rousseff em temas exaustivamente tratados pelos jornais.

Marina Silva, segundo os analistas, procurou se impor como protagonista importante, mas começou o debate de forma tímida e confusa, ao tentar capitalizar os protestos que ocuparam as ruas das grandes cidades brasileiras no segundo semestre do ano passado. No fim, conseguiu se inserir no centro do debate, mas ainda ficou a dever um esclarecimento definitivo sobre como produziria uma “nova política” tendo como candidato a vice-presidente um parlamentar apoiado por seus velhos desafetos do agronegócio. De qualquer modo, há quem diga que a ex-ministra apertou um parafuso no esquife da candidatura de Aécio Neves.

O peso da mídia

Debates eleitorais pela televisão não têm o objetivo de esclarecer o eleitor. Pelo contrário, quase sempre a intenção é criar confusão com números e usar meias-verdades para constranger o oponente.

No caso em questão, é natural que o nome que aparece na liderança nas pesquisas seja o alvo de todos os debatedores, e foi o que aconteceu. Mas há uma nova dinâmica, mostrada pelo Ibope, o que potencializa mudanças bruscas no cenário eleitoral. Por exemplo, embora a candidata Marina Silva tenha se apresentado como aquela que vai reformar os modos da política, as edições dos jornais de quarta-feira (27) insistem em explorar as suspeitas de uso irregular de recursos por seu partido.

Os três principais diários de circulação nacional destacam investigação da Polícia Federal dando conta de que o avião em que se acidentou o ex-governador Eduardo Campos no dia 13/8 foi comprado com dinheiro de empresas-fantasmas. Esse é o tipo de armadilha que se esconde no caminho da ex-ministra.

Para consolidar o potencial de votos que aparece na pesquisa Ibope, ela terá que manter a mística da heroína que pretende resgatar a moralidade na política, convencer os cidadãos de que não será influenciada pelo dinheiro que financia seu partido e ainda conquistar a confiança dos eleitores de oposição que começam a abandonar o barco de Aécio Neves. Além disso, precisa administrar os conflitos de interesse que a opõem a seu candidato a vice, o deputado gaúcho Beto Albuquerque.

O principal trunfo de Marina Silva ainda é a herança idealista de seus tempos de defensora da floresta, ao lado do seringalista Chico Mendes, que cultivou como militante do Partido dos Trabalhadores. Aécio Neves precisará reinventar sua estratégia, se quiser continuar no jogo. A presidente Dilma Rousseff tem o desafio de estancar a evasão entre os próprios simpatizantes do PT, que sentem saudade da inocência perdida. De qualquer modo, embora tenha caído 4 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, a avaliação positiva de seu governo cresceu 2 pontos, o que mostra espaço para consolidar sua liderança.

Nessa situação volátil, aumenta o valor da propaganda eleitoral — que tem em média quase quatro vezes o pico da audiência alcançada pelo debate na TV Bandeirantes — e cresce a influência da mídia.

Luciano Martins Costa
No OI
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Aécio, o socialista

Ele
Apavorado pelo fantasma de Marina Silva e vendo suas chances de disputa de segundo turno caírem do helicóptero, Aécio Neves agora busca captar votos entre eleitores “indecisos de tendência esquerdista” ou sei lá que espectro o candidato mira.

Crítico feroz do governo Dilma, Aécio apresentou propostas de cunho social.

Prometeu corrigir as aposentadorias, por exemplo. Além do reajuste anual pelos cálculos atuais (variação de inflação e PIB), um adicional que acompanhe a variação dos preços dos medicamentos será considerado. Ele batizou este programa de Digna Idade.

Disse que irá criar também uma Poupança Jovem. Para cada ano que o jovem não abandone a escola nem se envolva com a criminalidade, um valor de 1000 reais é depositado. Ao final dos três anos do ensino médio, e só aí, um total de 3 mil reais poderá ser sacado pelo estudante. A princípio, o programa começará pelo Nordeste.

A Previdência Social já gasta mais do arrecada. Como criar um adicional?

Durante os três anos depositados, os 3 mil reais da Poupança Jovem não serão corrigidos até o saque, serão 3 mil e nada de atualização monetária? É uma poupança ou não? No ensino médio ao qual o jovem será incentivado a permanecer, quais as instruções ou aconselhamentos sobre o que fazer com o valor a ser resgatado?

Prometeu ainda, de largada, aumentar em 10% o valor pago pelo Bolsa Família. Pode chegar a mais para beneficiários que cumprirem determinados requisitos, como alunos que se destaquem nos estudos ou adultos que façam cursos de qualificação profissional.

Para o tucano, isso corrigiria uma distorção da gestão atual. “O governo do PT se contenta em administrar a pobreza. Vou trabalhar para superar a pobreza. Se tem um pai de família do interior que fica passivo na praça, tranquilo porque recebe o cartão do Bolsa Família, se ele se qualificar, pode receber durante o tempo da qualificação mais 50%. Vamos ser proativos.”

O Bolsa Família é concedido a famílias com renda per capita inferior a 77 reais mensais e o governo já paga benefícios extras para famílias com gestantes, crianças e adolescentes.

O valor médio pago atualmente é de 169,90 reais por família. Em junho, os benefícios já foram reajustados em 10%.

Aécio não tem novidades nem explica o impacto orçamentário de suas propostas requentadas.

Mauro Donato
No DCM
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Manchetômetro responde a Reinaldo Azevedo

http://www.manchetometro.com.br/artigos/manchetometro-responde-a-reinaldo-azevedo/

Dois dias após o lançamento das análises da cobertura do Jornal Nacional, o MANCHETÔMETRO tornou-se alvo de um artigo de Reinaldo Azevedo, publicado em seu blog no site da revista Veja. O principal objetivo do artigo é achacar o ex-presidente Lula, mas o MANCHETÔMETRO é atacado em dois longos parágrafos. O nível dos argumentos é baixíssimo e a linguagem vulgar. Contudo, podemos usar os equívocos com que o publicista de Dois Córregos brinda seus leitores para esclarecer o público em geral acerca de detalhes importantes da pesquisa do MANCHETÔMETRO.

O trecho começa dizendo que Lula citou um texto de nosso site que acusa o “Jornal Nacional de ser usado como ‘instrumento de oposição ao governo’”. Se o citado jornalista tivesse tido o trabalho mínimo de checar os fatos, veria que não há qualquer texto no MANCHETÔMETRO que contenha essa afirmação. Há, sim, uma página inteira com análises da cobertura do Jornal Nacional, que em breve se tornará um hot site, com a adição de outros gráficos e dados. Está lá para quem quiser ver, com dados atualizados diariamente, o viés claro que esse programa televisivo apresenta em sua cobertura. Vejamos o gráfico dos candidatos.


Somente olhando os números agregados para todo o ano de 2014 já dá para perceber uma grande assimetria de tratamento. Dilma tem uma cobertura muito maior, o que é de se esperar, pois está no cargo. A despeito disso, tem menos notícias favoráveis que Aécio ou Eduardo Campos. Para termos uma ideia mais clara do viés, vamos comparar a proporção entre favoráveis e neutros e contrários e neutros de cada candidato, pois ao fazer assim nos livramos da distorção de comparar candidatos com quantidades de tempo de cobertura diferentes. Tomando a proporção entre tempo de cobertura favorável e neutra, Eduardo Campos sai vencedor, com 26%, Aécio vem em segundo com 18% e Dilma tem parcos 2%, 13 vezes menos que Campos e 9 vezes menos que Aécio. Os números positivos de Campos se devem, em parte, à cobertura jornalística elegíaca que se seguiu a sua morte (ver as páginas do MANCHETÔMETRO sobre a cobertura da sucessão do PSB). Quando tomamos a proporção entre o tempo de cobertura contrária e neutra, a ordem se inverte. Dilma tem 53%, ou seja, mais de uma notícia negativa para duas neutras, enquanto Aécio 13%, praticamente 4 vezes menos que a candidata, e Campos 0%.

Se brevemente checarmos os números atualizados da cobertura dos partidos políticos no ano de 2014, o PT alcança a impressionante marca de 289% de tempo em matérias contrárias em relação ao das neutras: quase 3 vezes mais cobertura negativa do que meramente descritiva. O número do PSDB é bem mais modesto, 91%, isto é, menos que 1 segundo de cobertura negativa para 1 segundo de neutra.

Quando nos debruçamos sobre o noticiário sobre economia e política encontramos também um forte viés negativo 289% e 224% de tempo de cobertura negativa sobre neutra, respectivamente, números comparáveis aos do PT em negatividade.

O colunista dois-correguense chama o trabalho do MANCHETÔMETRO de “suposto estudo” de um instituto de pesquisa da UERJ. Basta uma visita ao nosso site para ver que de “susposto” nosso estudo não tem nada. 13 pessoas se dedicam diariamente a codificar textos e programas e a produzir novas análises sobre a cobertura midiática utilizando um método há muito sacramentado na academia: a análise de valências. Os critérios acadêmicos são claros, um estudo só pode ser descartado pela identificação de falha na sua lógica interna ou por uma metodologia que produz resultados ainda mais acurados. Azevedo, na verdade, não tem uma coisa nem outra, mas só furor vitriólico e uma tribuna.

Continuando na sua sanha de insultos, nos chama de “canalhas intelectuais infiltrados na universidade”. Na verdade, somos todos concursados em nosso grupo de pesquisa, os graduandos passaram no processo de admissão de uma universidade federal das mais concorridas do país, os mestrandos passaram em concurso concorridíssimo do programa mais prestigioso de ciência política do Rio de Janeiro, o do IESP-UERJ — líder nacional na pesquisa e no ensino de pós-graduação –, e os professores tem mestrado e doutorado e foram aprovados em concurso público da UERJ. Nossos currículos são públicos, postados na plataforma Lattes do CNPq para quem quiser ver. Publicamos nossa vasta produção nas revistas mais bem avaliadas do Brasil e no exterior. Já o referido publicista só tem um diploma de graduação de jornalismo, granjeado na Universidade Metodista de São Paulo, e uma tribuna, privada, a soldo do Grupo Abril. Sua única obrigação é agradar a seus patrões.

Por fim, a águia dipotâmica se arrisca a ir além dos insultos e aponta para uma possível falha no Manchetômetro: “Se fizerem a medição sobre o noticiário a respeito do governador Geraldo Alckmin, por exemplo, é possível que aconteça o mesmo”. Sua linguagem é titubeante. Parece não ter certeza do que está dizendo. Abaixo vemos uma comparação entre o tempo de cobertura dado a Dilma e a Alckmin em 2014, classificado pela valência das matérias:


Novamente, o viés já transparece na comparação visual mais superficial. Indo diretamente às proporções entre contrárias e neutras, Dilma tem 53% enquanto Alckmin somente 7%, e isso em um ano no qual o Estado de São Paulo enfrenta a pior crise de abastecimento de água de sua história.

Em suma, para além dos impropérios, Reinaldo Azevedo enuncia, inseguro, inverdades.

O colunista de Veja e da Folha de S. Paulo escreve mal e pensa pior ainda. É deprimente saber que seu texto mal ajambrado tem acolhida em dois dos mais poderosos meios de comunicação do país. É gente como ele e as empresas que o empregam que fazem do MANCHETÔMETRO um instrumento necessário da cidadania no Brasil de hoje.

João Feres Júnior
Coordenador do LEMEP
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Passando a língua nas normas gramaticais

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6330

Tem um projeto de simplificação da ortografia da língua portuguesa usada no Brasil tramitando no Senado. Eu sou a favor. Por uma simples razão: por que não? Língua é convenção. Não é uma verdade natural. Já escrevemos “paiz”. Há quem fique horrorizado. É só uma questão de hábito. Os argumentos dos que rejeitam essa reforma não são racionais. Não passam de exclamações subjetivas: que horror! Vai ficar muito feio! O que pretendem fazer com nossa língua! Lembra o apego de alguns ao papel. Falam assim: nada pode substituir o papel. Claro que pode. O papel é só um suporte. Não afeta as ideias. A paixão pelo papel é puro hábito geracional. Apareceu um suporte melhor, mais barato e mais eficaz. O papel pode dançar. Sinto muito.

O acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa acabou com o trema. Ninguém morreu. O trema era útil. Eu gostava do trema. Indicava a maneira de pronunciar certas palavras. Por que não mudar outras coisas? Para que ter quatro maneiras de escrever “porque”, “por que”, “porquê” e “por quê”? Qual é mesmo a diferença entre “por que” e “por quê”? Eu sou a favor de escrever “omem”. Sou a favor de que se escreva como se fala. A escrita existe para representar a língua falada. Para que escrever letras que não são pronunciadas? Apenas para manter um rastro da origem da palavra? Para que escrever com “s” algo que soa como “z”? Abaixo “ch”, “ss” e “ç”!

Essas sutilezas só servem para decidir vaga em concurso e como sistema de hierarquia social. Não vejo qualquer problema em escrever “qero” em lugar de “quero”. Tem gente indignada com a galera que escreve “vc” em vez de “você”. Ora, você é o “vc” de vossa mercê. A nova reforma acabaria com o hífen. Beleza. Chega de tracinho para acolherar certas palavras. Nem o Evanildo Bechara, guru dos gramáticos brasileiros, deve conhecer a regra do hífen completa. Exame passaria a ser “ezame”. Faz sentido. A escrita é um registro do falado. Deve comunicar. Asa voltaria a ser “aza”. A sabedoria popular simplifica e dá lógica a essas grafias há muito tempo. Os doutos não gostam disso, pois lhes tira o poder de dizer o que é certo e errado. Os “cultos” detestam isso, pois a língua serve-lhes de distinção.

— Ora, como tudo cança, esta monotonia acabou por exhaurir-me tambem. Quiz variar, e lembrou-me escrever um livro. Jurisprudencia, philosophia e política acudiram-me (…) Póde ser minha senhora. Oxalá tenham razão; mas creia que não fallei senão depois de…

Quem foi o analfabeto que escreveu isso? Machado de Assis no “original” de Dom Casmurro. Esse era o correto da sua época. É correto, em francês, dizer “mais grande” e não pronunciar o “s” do plural (essas casa bonita). Em português, não pode. Tudo convenção, história, invenções humanas ao saber dos tempos e das circunstâncias. A língua passa. Diminuiu-se a população carcerária acabando com certos crimes. Reduz-se o analfabetismo acabando com certas regras.

— Cinismo?

Apenas um roçar de língua nas asperezas do poder simbólico.
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Dilma e Aécio não querem piscar primeiro... Marina avança

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A elite de Marina Silva


Marina Silva, candidata à Presidência pelo PSB, ao ser questionada pelo candidato Levy Fidelix (PRTB) se governará a favor do agronegócio, por manter relações próximas com o empresário Guilherme Leal, candidato a vice em sua chapa no pleito de 2010, e com Neca Setúbal.

— Não tenho preconceito contra a condição social de nenhuma pessoa. Quero combater essa visão de apartar o Brasil, de que temos que combater as elites. O Guilherme faz parte da elite, mas os ianomâmis também. A Neca é parte da elite, mas o Chico Mendes também é parte da elite. Essa visão tacanha de ter que combater a elite deve ser combatida. Eu quero governar unindo o Brasil, e não apartando o Brasil. Pessoas honestas e competentes temos em todos os lugares.

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Marina fala em unidade nacional. Só pode ser comédia

Depois de romper com Lula, com o PT, com o PV, e isolar-se no PSB, Marina Silva é uma salvadora da pátria que quer juntar Neca (Setúbal) e Chico (Mendes). Pode?

Foi possível comprovar no debate da Bandeirantes que Marina Silva escolheu o caminho mais confortável para fazer campanha eleitoral.

Se você passar as ideias de Marina numa máquina de fazer suco, irá sobrar um ponto: a pregação da unidade. Marina diz que o Brasil está cansado da polarização. Diz que o tempo de conflito entre PT e PSDB acabou. Afirma que é preciso unir os bons, os capazes, os honestos, que estão em toda parte, em todos os partidos. Diz que o país está cansado de criticar uma “elite” onde se encontram Neca Setúbal e Chico Mendes, e também lideranças indígenas e grandes empresários. Olha que bonito. Não há poder econômico, nem desigualdade, nem classe dominante. Não há, é claro, um sistema financeiro de um país que, tendo a sétima economia do mundo, possui bancos cujo rendimento encontra-se entre os primeiros do planeta.

É bom imaginar que o mundo é assim. Relaxa, conforta. Permite interromper o debate e tirar férias. Pena que seja uma utopia de conveniência.

Mais. É uma fantasia que não cabe na biografia de Marina Silva. Pelo contrário.

Poucas vezes se viu uma história de divisão e desagregação como método de ação política.

Veja só. Ela rompeu com o governo Lula, onde fora instalada no Ministério depois da campanha — de oposição — contra o governo Fernando Henrique Cardoso. Saiu do PT e foi para o PV. Saiu do PV e foi para a Rede. Incapaz de unificar os militantes e ativistas que queriam transformar a Rede num partido, bateu às portas do PSB depois de denunciar a decisão do TSE. Criou casos, brigas e divergências desde o primeiro dia. Brigada à esquerda e à direita do partido, era protegida por Eduardo Campos, a quem interessava contar com seu Ibope para evitar um desempenho pequeno demais no primeiro turno. Marina estava isolada dentro do PSB, afastada dos principais dirigentes, quando, por “força divina”, como ela diz, ocorreu a tragédia que permitiu que se tornasse candidata a presidente. Seguiu brigando: logo de cara o secretário-geral, homem de confiança de Miguel Arraes, patrono histórico do PSB, foi embora da campanha, dizendo que não iria submeter-se “àquela senhora.” Outras brigas ocorreram. Outras foram suspensas porque, pela legislação eleitoral, já venceu o prazo para candidatos a deputado, senador e governador trocarem de partido.

O discurso da unidade pode ser real. Depois da posse de Lula, o país buscou e construiu uma unidade política real, que nunca esteve isenta de conflitos, mas se destinava a atender a uma necessidade histórica reconhecida: ampliar os direitos da maioria, diminuir a desigualdade, desenvolver o mercado interno e definir um papel altivo do país no mundo. Melhorias que estão aí, à vista de todos.

Mas a “unidade” pode ser um recurso retórico para apagar as diferenças — reais e importantes — entre os candidatos a presidente. Permite fugir do debate real, desfavorável quando travado com lucidez e racionalidade. Ajuda a fingir que todos são equivalentes em virtudes e defeitos, e podem ser colocados no mesmo nível. Elimina-se a história, num esforço para apagar a memória.

Marina precisa minimizar os bons dados do emprego, do consumo, do salário mínimo, preparando o terreno para revogar essas mudanças.

Este comportamento ajuda a criar a ilusão de que todos — banqueiros e seringueiros para começar — têm as mesmas ambições e mesmos projetos. A mágica fica aqui: basta que surja uma liderança providencial — olha a força divina, de novo — para convencer todos a dar-se as mãos em nome do bem, sob liderança de Marina Silva. Não há projeto, não há o que fazer. Tudo pode ser o seu avesso, ao sabor das conveniências.

A sugestão é que só faltava aparecer alguém com tanta capacidade permitir que isso ocorra em 2014. Felizmente, essa personagem apareceu. Sou totalmente favorável a liberdade de religião mas temo que, em breve, alguém possa sugerir que oremos olhando para agradecer.

Essa linha de argumentos é uma tentativa de eliminar as conquistas e vitórias importantes dos últimos anos, passar uma borracha nos avanços obtidos e preparar a revanche dos derrotados de 2002.

Por isso Marina fala de uma unidade que esconde dados reais. Os economistas de seu círculo são tão conservadores que já reclamaram dessa “extravagância” brasileira que é comer um bife por dia, como já fez Eduardo Gianetti da Fonseca. Dizem que a humanidade andou consumindo demais e que o regime de contemplação típico da religião budista pode ser uma condição para o progresso, como já disse André Lara Rezende, que, coerentemente, já escreveu que a posição do país na divisão de riqueza mundial não lhe permite ambicionar um crescimento econômico em taxas mais do que medíocres. Todos celebram o governo de FHC como patrono da moeda sem lembrar que em seus dois mandatos a inflação subiu mais do que nos anos Lula e também nos anos Dilma. Todos lamentam o Brasil de 2009 — justamente o momento em que Lula reagiu a crise mundial e impediu que o país afundasse como a Grécia, a Espanha, a Irlanda, quem sabe a França. Balanço para 2014: defender a independência do Banco Central em cima desses selvagens, entendeu?

O esclarecimento das opiniões e o conflito de ideias são elementos indispensáveis da democracia, como ensinou Hanna Arendt, autora essencial para se entender que as ditaduras e governos autoritários nascem pela negação da existência de classes sociais e interesses divergentes.

Foi este o aprendizado que, numa longa caminhada iniciada no ABC de Luiz Inácio Lula da Silva, nos estudantes que enfrentaram a ditadura, nos trabalhadores rurais do Acre de Wilson Pinheiro e Chico Mendes, foi possível construir uma aliança política nacional capaz de abrir brechas num sistema de poder eternizado pela força bruta dos cassetetes e por vários salvadores da pátria.

Este é o debate.

Paulo Moreira Leite
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As hienas exultam


Como já foi dito noutro lugar, para a oposição de direita, a morte de Eduardo Campos foi uma grande oportunidade.

Com a morte de Eduardo Campos e a escolha de Marina, a direita percebeu a possibilidade de resolver uma contradição expressa nas pesquisas até 13 de agosto: por um lado, um eleitorado desejoso de mudanças; por outro lado, a vitória de Dilma no primeiro turno.

Claro que não faltou a mão amiga do oligopólio da mídia, que manipulou eleitoralmente a cobertura do desastre aéreo e do velório de Eduardo Campos.

As pesquisas publicadas no dia 26 de agosto deixaram exultantes as hienas.

Segundo tais pesquisas, Marina teria ultrapassado Aécio Neves e inclusive venceria Dilma no segundo turno.

Desde 2012 já estava claro, para quem analisasse com seriedade (ou seja, observando as classes sociais) o quadro político-eleitoral do Brasil, que as eleições de 2014 tendiam a ser disputadas no segundo turno (como 2002, 2006 e 2010); que este segundo turno seria mais "fácil" caso disputado contra o PSDB; e que seria mais "difícil" caso disputado por uma candidatura de "terceira via".

Vale dizer: "terceira via" entre muitas aspas. Pois não se deve confundir a polarização entre PT e PSDB, com a polarização entre projetos de país e blocos de classe.

Como está mais do que claro, Marina Silva é porta-voz de um projeto de país equivalente ao de Aécio Neves. Neste sentido, que é o que de fato interessa, ela não é terceira via.

Marina Silva converteu-se ao neoliberalismo (apoio ao "tripé" e à independência do Banco Central) e converteu-se à política externa subalterna (vide a crítica que fez ao "chavismo do PT").

Aliás, quem prestar atenção às críticas que ela faz ao agronegócio, perceberá que sua ênfase hoje está em pedir "aumento da produtividade". Uma linguagem verde dólar.

Fosse apenas pelo conteúdo programático, Marina seria tão "fácil" de enfrentar quanto o PSDB.

Acontece que sua candidatura não expressa, como Aécio, os setores que fizeram oposição desde 2003. A candidatura Marina foi produto de setores que em algum momento fizeram parte ou apoiaram os governos Lula e Dilma.

Esta origem permite enganar os setores do eleitorado que não apoiam os tucanos, mas são críticos ao petismo. Que antigos militantes de esquerda, como o presidente do PSB Roberto Amaral, se prestem de escada para isto não muda a natureza dos fatos.

Além disso, Marina disputa com vantagem o eleitorado evangélico e, num aparente paradoxo, também o eleitorado crítico à política tradicional. O aparente paradoxo deve-se ao fato de que a crítica à "política tradicional", hoje e sempre, não vem apenas da esquerda.

Em resumo, as pesquisas divulgadas dia 26 de agosto apenas confirmam o que já se sabia possível e, também, confirmam o êxito da operação político-midiática iniciada dia 13 de agosto.

Portanto, se nada mudar, se o plano da oposição de direita tiver êxito, vai ter segundo turno e será contra Marina.

O que seria o cenário eleitoralmente mais "difícil" para o PT, Lula e Dilma. E um desastre imenso para o PSDB aecista, que terá que fazer um grande esforço para desconstruir Marina.

O cenário eleitoral tornou-se, portanto, mais difícil do que aquele habitado por "anões" e por "vitórias no primeiro turno".

Mais difícil, mas nada surpreendente. Aliás, em 2006 e em 2010 também houve quem acreditasse que a eleição presidencial seria decidida no primeiro turno. Nos dois casos, a ficha destes crédulos só caiu durante a apuração. Desta vez, portanto, estamos com sorte: a ficha está caindo várias semanas antes.

Frente a possibilidade de segundo turno e frente a possibilidade de um segundo turno contra Marina, a solução é mais programa, mais disputa política, mais polarização, mais mobilização de nossa base social.

Um pequeno exemplo disto: a presidenta Dilma foi a única que, no debate realizado na TV Bandeirantes dia 26 de agosto, fez referência ao cenário internacional, à crise e aos Brics. Este é um bom caminho: politizar, ou seja, mostrar os grandes conflitos do nosso tempo e apontar por onde passa a defesa dos interesses da classe trabalhadora.

É preciso falar do passado e do presente, mas colocá-los em função do futuro. Deixar claro que mudanças vamos fazer, no segundo mandato. Falar do passado contra Aécio é muito importante, falar do passado contra Marina é arma secundária.

A ênfase no futuro, embora tenha sido oficialmente aceita, ainda não se traduziu adequadamente nas diretrizes programáticas, nos materiais de campanha, nem mesmo nos principais pronunciamentos da presidenta Dilma Rousseff.

Por isto, insistimos:

* no papel positivo e indispensável dos movimentos e das lutas sociais, para nossas vitórias eleitorais e principalmente para o êxito dos nossos governos;

* é preciso encampar urgente e efetivamente a “pauta da classe trabalhadora”, tal como apresentada pela CUT, inclusive o fim do favor previdenciário e a jornada de 40 horas;

* coerente com o que pensa e reafirmou no debate realizado na TV Bandeirantes dia 26 de agosto, a presidenta Dilma Rousseff deve convidar a população a votar no Plebiscito Popular. Aliás, a este respeito, é incrível que Dilma tenha sido a única a corajosamente defender o plebiscito como um dos instrumentos para a reforma;

* é preciso tomar medidas imediatas no sentido da democratização da comunicação e dar destaque a isto no programa de governo 2015-2018. Falar de "regulação econômica" não basta, nem impede os ataques da direita;

* é preciso abandonar o discurso equivocado que insiste em chamar de "classe média" os setores da classe trabalhadora que, graças às nossas políticas, ampliaram sua capacidade de consumo;

* é preciso enfatizar a defesa das reformas estruturais. Temas como a reforma política e a tributária devem ser ainda mais destacados.

Por fim: não devemos cair na esparrela de tentar carimbar a Marina como uma "incógnita" ou como "inexperiente".

Ela não é incógnita. Ela é, hoje, uma forte alternativa para o grande capital, especialmente financeiro.

Ela não é inexperiente. Ela se preparou habilmente para ser instrumento da direita neste momento, contra o PT. Aliás, seu giro à direita não começou em 2010, começou quando era senadora e ministra.

Por decorrência, devemos recusar o raciocínio extremamente perigoso dos que acreditam que o grande capital vai recusar a "imprevisibilidade" de Marina.

Quem acredita nesta fantasia, vai acabar caindo na armadilha de tentar derrotar Marina com argumentos de "direita". Entre outros, o de que nós seríamos mais "confiáveis", capazes por exemplo de fazer um ajuste fiscal em 2015 e coisas do gênero.

Adotar esta linha seria o caminho certo para uma tripla derrota: eleitoral, política e ideológica.

O caminho para nossa vitória, contra Aécio & Marina, é outro: mobilização, militância, política, programa de esquerda, apontando para um segundo mandato superior, ou seja, que amplie a democracia, o bem-estar, a soberania, a integração e o desenvolvimento, em benefício da ampla maioria da população brasileira, que é trabalhadora.

Agindo assim, derrotaremos mais uma vez o "espírito animal" das hienas.

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Pesquisa MDA: Dilma tem 34%, Marina 28% e Aécio, 16%


A presidente Dilma Rousseff (PT) lidera a corrida presidencial, com 34,2% das intenções de voto, aponta pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) na manhã desta quarta-feira 27, realizada pelo instituto MDA.

A ex-senadora Marina Silva, candidata pelo PSB, alcançou 28,2% da preferência do eleitorado e assumiu a segunda posição no lugar de Aécio Neves, do PSDB, com 12 pontos de vantagem. O senador tucano registrou 16% das intenções de voto. Pastor Everaldo, do PSC, marcou 1,3%.

Numa simulação de segundo turno entre Dilma e Marina, a ex-senadora seria eleita com 43,7% dos votos, contra 37,8% de Dilma. Já entre a petista e o tucano Aécio Neves, a presidente seria eleita com 43% dos votos, dez à frente de Aécio, que teria 33,3%.

Na pesquisa de abril, ainda com Eduardo Campos na disputa, Dilma registrou 37% das intenções de voto, contra 21,6% do tucano Aécio Neves e 11,8% do então candidato do PSB. O levantamento divulgado hoje foi o primeiro do instituto após a morte do ex-governador de Pernambuco e com Marina Silva à frente da candidatura do PSB.

Foram entrevistadas 2.002 pessoas em 137 municípios de 24 estados das cinco regiões, entre os dias 21 e 24 de agosto. A MDA fez a pesquisa com o nome de Marina Silva entre as opções de voto um dia depois da oficialização da candidatura da ex-senadora à presidência pelo PSB.

No 247
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Programa Dilma/PT no horário eleitoral


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10 coisas sobre o debate da Band

Marina, Dilma e Aécio
Dez coisas sobre o debate da Band:

1) Dilma apanhou de todos os lados. Bateu em Aécio e poupou Marina, que não a poupou.

De uma maneira geral, se defendeu bem, o que mostra que se preparou para a pancadaria generalizada.

2) Aécio foi Aécio e mais três: os jornalistas da Band, José Paulo de Andrade, Boris Casoy e Fabio Panuzio.

As perguntas deles continham invariavelmente críticas a Dilma e oportunidades para Aécio vender seu peixe. Foram torcedores muito mais que jornalistas.

3) Aécio escolheu por onde vai tentar brecar Marina: dizendo que ela é uma “aventura”, um “improviso”.

A verdadeira mudança, segundo ele, é ele mesmo.

4) Aécio vê um Armínio Fraga que só ele vê. Nas  suas considerações finais, Aécio anunciou Fraga como ministro da Economia com o ar triunfal de um técnico que estaria comunicando a aquisição de Messi.

5) Marina mostrou quanto respeita Neca. Os óculos vermelhos com os quais se apresentou no debate chamaram a atenção de todos.

Neca não parece ter apreciado muito. Da plateia, acenou para que Marina os tirasse, e foi obedecida.

6) Marina, como se diz no futebol, está de salto alto, mascarada, por conta das pesquisas.

Parecia pairar acima do bem e do mal, ou pelo menos acima de Dilma e Aécio, ao renegar a polarização PT X PSDB.

7) O Pastor Everaldo não tem noção das coisas. Numa pergunta sobre o futuro da energia, parecia aquele aluno que ao ver uma questão numa prova percebe que não estudou nada. Respondeu com seu repetido bordão sobre o Estado Mínimo, que lhe valeu o apelido de Pastor Neoliberal entre os internautas.

8) Eduardo Jorge, do PV, foi o Rei da Zoeira, com seu vozeirão, seu traje de cantor sertanejo e suas críticas “a tudo isso que está aí”.

“Aquele tio que fuma maconha e pede dinheiro emprestado pra tua avó”, na definição de um internauta no Twitter.

9) Levy Fidelix frustrou os internautas ao deixar de falar no mítico “aerotrem”.

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Comparado ao baixinho da Kaiser e ao Senhor Spacely, parecia, como o Pastor Everaldo, perdido no tempo e no espaço.

10) Luciana Genro pode se tornar um bom quadro da esquerda, se for mais pragmática. Sublinhou a semelhança entre o programa econômico de Aécio e de Marina, falou na necessidade de taxar as grandes fortunas e, em seu melhor momento, notou que o jornalista José Paulo de Andrade não entendeu nada dos protestos de junho passado.

Paulo Nogueira
No DCM
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Essa é do Barão... 25


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Debate fura bolha da Bláblá

Blablozeiras revelam contradição e superficialidade


O debate da Band é quase inútil.

Enche o palco de sub-candidatos que, em 100% dos casos, só servem para bater na Dilma.

Não somam nada.

Só esquentam o forno contra a Presidenta e levantam a bola para os da Oposição.

Serve para simular imparcialidade. Mas, não engana ninguém.

Mesmo assim, teve uma grande virtude.

Mostrou a impostura que cerca a candidatura da Bláblarina.

(Clique aqui para ver que até jornal nacional detonou o jatinho sem dono)

Na primeira intervencao dela — agora, no lugar do xale, ela veste uns óculos de moldura vermelho-horror — levou uma aula da Dilma sobre o que foi feito na Educação, com os 75% do pré-sal, os Mais Médicos, os 143 bilhões em metros, BRTs e VLTs.

A Blablá não domina os números. E não teve capacidade para revidar.

Quando Aécioporto lhe perguntou sobre a coerência de uma “nova política” que espinafra o Ackmin e apoia o Cerra, ela naufragou.

Um nanico lhe perguntou sobre o apoio de Neca Setúbal, dona do Itaú, e de Guiherme Leal, dono da Natura e seu candidato a vice em 2010.

Blablá soltou máxima blablozeira: o problema não é ter elite, mas ter pouca elite! Precisamos de elite!

Na verdade, a Dilma deveria ceder metade de seu tempo na tevê para deixar a Blablárina falar, ao vivo, e se enterrar pelas próprias blablozeiras.

Em tempo: e aquele “repórter” da Band que teve um ataque de Bonner e tratou os candidatos de “você” ?

Paulo Henrique Amorim

No CAf
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Papéis de candidatos à presidência se invertem na bolsa de promessas

No PSDB de Aécio, discurso de austeridade dá lugar a um aumento de bolsas e aposentadoria; no PSB de Marina, movimento é o contrário

Faltando 40 dias para o primeiro turno da eleição presidencial, os dois principais candidatos da oposição, Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), inverteram os papéis e passaram a defender propostas adaptadas às suas circunstâncias políticas. Enquanto o tucano deixa de lado o discurso do rigor fiscal e promete a ampliação de programas de transferência de renda, a ex-ministra do Meio Ambiente concentra sua agenda na economia e envia sinais ao mercado financeiro, agronegócios e empresários.

O então candidato do PSB, Eduardo Campos, com 9% das intenções de voto, que morreu num acidente aéreo no dia 13 de agosto, apostava em promessas como o passe livre estudantil, escolas em tempo integral para todos alunos da rede pública, fim do fator previdenciário e aumento dos gastos com saúde.

Ungida substituta do ex-governador na chapa pessebista, Marina inverteu o discurso. Deu uma pausa nas promessas dispendiosas e passou a refazer o movimento de aproximação com o mercado que seu antecessor já havia feito no primeiro semestre. Suas falas mais recentes enfatizam a defesa do tripé formado por superávit fiscal, meta de inflação e câmbio flutuante. No primeiro ato de campanha, no Recife, no sábado, ela destacou a necessidade de combate à inflação.

Por outro lado, a campanha do PSB pôs em campo assessores econômicos da candidata para dar entrevistas procurando mostrar que ela vai tocar a economia de forma conservadora. Falaram recentemente Neca Setúbal e o Eduardo Giannetti.

Outra questão importante no atual repertório de Marina é o “respeito às instituições”. Em nota divulgada no domingo, a candidata diz que a Coligação Unidos pelo Brasil vai respeitar as “instituições que sustentam o Estado de Direito”.

O objetivo, segundo ela, é evitar “qualquer interpretação errônea sobre o compromisso com os marcos constitucionais que regem as relações da sociedade com o Estado brasileiro”.


Outra característica importante de Campos era sua abertura para alianças com outros partidos, repetindo o que havia feito em seu governo em Pernambuco. Marina, nessa época, mantinha um discurso duro em relação a alianças partidárias. Com a saída de Campos de cena e o crescimento de Marina nas pesquisas, o discurso da campanha está mudando. Ela já faz acenos para setores do PT e do PSDB para indicar que conseguirá governar caso seja eleita.

Promessas

Após a morte de Campos e do luto que paralisou a campanha, Aécio voltou à cena com um figurino bem diferente do adotado no primeiro semestre, quando apresentava-se como o candidato da austeridade.

Enquanto o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que coordena o programa do tucano na área econômica, dava entrevistas dizendo que o gasto público deveria ser limitado por lei, Aécio citava uma máxima de seu avô, Tancredo Neves: “É proibido gastar”. “Se precisar passar quatro anos devendo popularidade para fazer o que precisa ser feito, vou fazer. Que venha outro depois para colher os louros”, disse em abril.

Em eventos com empresários, o candidato chegou a defender a flexibilização das leis trabalhistas em alguns setores da economia, como o turismo.

Na retomada da campanha, porém, o tucano passou a fazer promessas que elevariam o gasto público, mas sem explicar de onde viriam os recursos. Em visita a um abrigo de idosos no domingo, Aécio prometeu que, se eleito, ampliará os benefícios pagos aos aposentados, complementando a renda destes com valor adicional para a compra de medicamentos. A proposta faz parte de um programa chamado Digna Idade. Os detalhes do programa, segundo o presidenciável, ainda serão definidos por sua equipe econômica. Ao ser questionado de onde viriam os recursos, Aécio partiu para o ataque ao governo da presidente Dilma Rousseff.

Em passagem por Salvador no sábado, o tucano reuniu as grandes lideranças do partido na região e aliados de outras siglas para anunciar a grande “vitrine” de sua candidatura na região: o programa “Nordeste Forte”. Entre outras promessas, o projeto prevê elevar a renda per capita, Ideb e IDH da região semiárida da região Nordeste em dez anos. E ainda “garantir”, em quatro anos, que a renda per capita mínima das famílias nordestinas seja de US$ 1,25 por dia. Na prática, a promessa significa um complemento aos rendimentos dos nordestinos beneficiários do Bolsa Família.

Para agradar aos sindicalistas que o apoiam, o tucano mandou sua equipe produzir materiais específicos de campanha para os “trabalhadores” onde garante a “manutenção das leis trabalhistas”.

No Estadão
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