23 de ago de 2014

O braço direito de Marina Silva é símbolo do que há de mais velho na política

Hoje: Feldman e Marina
Se com Eduardo Campos a “nova política” de Marina Silva já era pouco sustentável, em sua carreira solo fica cada vez mais evidente que isso é uma miragem, especialmente com toda as velhas raposas que a cercam e que nos últimos dias se transformaram em seu núcleo duro.

Um dos pivôs — provavelmente o mais importante — do rompimento com o secretário geral do PSB, Carlos Siqueira, é Walter Feldman.

Siqueira e Marina bateram boca na quarta-feira, quando sua candidatura foi oficializada. Marina quis fazer mudanças na campanha e “trazer o Walter” para a coordenação.

Walter acabou com o cargo de coordenador adjunto (Erundina ficou com a posição) mas é conselheiro, braço direito, articulador, amigo, articulador financeiro.

Feldman pode ser tudo, absolutamente tudo, menos novidade, menos inovação. Ao contrário, é um político tradicional, com 30 anos de carreira sem muito brilho. Essa experiência, segundo um pessedebista histórico, lhe permitiu crescer dentro de uma estrutura amadora como a da Rede.

Formado em medicina, Feldman foi do PC do B e passou pelo PMDB antes de fundar o PSDB. Foi deputado estadual em 1998 e entre os anos de 2000 e 2002, presidente da Assembleia Legislativa.

Em 2002, elegeu-se deputado federal e em 2005 assumiu uma secretaria de Coordenação das Subprefeituras. Entre 2007 e 2012, foi secretário de Esportes, Lazer e Recreação do Estado de São Paulo.

Tem uma pendenga antiga com o governador Geraldo Alckmin. Ligado a Serra, liderou em 2008 uma ala tucana que apoiou a reeleição de Kassab (que estava no DEM) para a prefeitura, preterindo Alckmin. Kassab, eu disse.

Em 2009, isolado, anunciou que ia sair do PSDB. Acabou enviado a Londres como titular de uma secretária inventada para ele, a de Grandes Eventos. Passou seis meses lá, segundo ele mesmo para estudar a Olimpíada e ver que lições poderiam ser úteis a São Paulo. Lembrando que os Jogos serão no Rio. Voltou no ano seguinte feliz com Geraldo e com o partido, que estava “oxigenado”. Terminou saindo do PSDB em 2011.

Em três décadas de vida pública, é difícil citar algo com sua assinatura, na cidade ou no estado. No plano das ideias, o panorama fica mais turvo.

Seu nome estava envolvido no escândalo de formação dos carteis para a compra de trens. Foi citado num relatório do ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer.

Antes disso, foi mencionado na Operação Castelo de Areia, uma investigação da Polícia Federal sobre evasão de divisas, lavagem de dinheiro e caixa 2. Documentos listavam doações da construtora Camargo Corrêa a vários políticos. Feldman aparecia com 120 mil dólares recebidos entre 13 de janeiro e 14 de abril de 98. Ele se indignou com a menção.

Marina mesma o defendeu no caso do chamado trensalão. Em 2013, declarou que Feldman não tem medo das acusações. “Ele próprio quer ser investigado”, afirmou.

A jogada ousada de Feldman, de se arriscar aos 60 anos na Rede, acabou tendo uma ajuda do destino — se você quiser chamar assim — quando o avião caiu em Santos.

Agora, merece um pirulito de açaí quem achar que Walter Feldman se aproxima remotamente de algo parecido com a renovação que Marina Silva apregoa ininterruptamente. É, na verdade, um choque de realidade.

Serra e Feldman
Ontem: Serra e Feldman

Kiko Nogueira
No DCM
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Pesquisa enganosa na Saúde


Apresentada com estardalhaço na semana passada, a pesquisa DataFolha sobre a imagem da saúde no Brasil é menos negativa do que gostaria seu patrocinador, o Conselho Federal de Medicina.

São dados que, longe de espelhar um retrato isento, capaz de estimular uma discussão produtiva, servem a propaganda política contra o governo Dilma. Não vieram para esclarecer mas para confundir. Sua finalidade é diminuir o impacto positivo que o programa Mais Médicos tem alcançado na periferia das grandes cidades e no interior remoto do país.

Se você consultar a pesquisa na íntegra (o link está abaixo) e tiver disposição de enxergar dados que muitas vezes ficaram escondidos, poderá comprovar algumas verdades previsíveis.

A primeiro é que a população que frequenta o SUS é mais satisfeita do aquela que só olha de longe para os postos de saúde e ambulatórios do serviço publico. Os usuários que dão nota 10 formam um pequeno número mas chegam ao dobro dos não usuários. Os que dão nota 9 chegam ao triplo.

Os maiores críticos são homens, de classe A e B.

Alguma surpresa?

O esforço para construir uma visão negativa da saúde no Brasil fica definido a partir do conceito de aprovar e reprovar. A nota de reprovação na pesquisa vai de zero a 7 — um número relativamente alto, que joga todos os índices finais para baixo.

Para dar um exemplo: a pesquisa afirma que o ítem “consultas,” no SUS, foram reprovadas por 66% dos entrevistados. A verdade é que 43% deram nota entre 4 e 7 — e são incluídos, de uma só tacada, entre os insatisfeitos. É a turma do “regular”, nem ruim nem bom.

Se esse número fosse considerado positivo, o resultado seria inverso: 76% positivos. E se você considerasse que 4 a 7 é uma nota em dúvida, sem conclusão, o que talvez fosse mais razoável, o resultado seria: 33% positivos contra 23 negativos.

Mesmo assim, alguns dados são espetaculares. Nada menos que 50% dos pacientes deram nota de 8 a 10 para o ítem “cirurgia.” E 45% deram 8 a 10 para “remédios gratuitos.”

Apenas uma leitura hipócrita dos dados apurados impede que se reconheça medidas corretas na melhoria do atendimento. Estou falando da fila de espera, pesadelo de muitas pessoas que procuram o serviço público (e o privado, também, como descobrem titulares de planos de saúde que devem submeter-se a tratamentos mais delicados e caros).

Nada menos que 24% dos entrevistados denunciam espera de até um mês para serem atendidos. E 16% apontam para uma demora superior a 1 anos para receberem o procedimento adequado. São situações graves e lamentáveis — mas, infelizmente, absolutamente previsíveis num país que acumulou um décit de 54 000 médicos ao longo dos anos.

Você pode achar que os médicos ganham sem trabalhar — há casos na TV, todos os dias — que os plantões são feitos para descansar e assim por diante. Mas é preciso admitir que, num país onde o número de médicos é 20% inferior ao da necessidade básica da população, há alguma muito errada, estruturalmente, na lei da oferta e da procura. A fila é expressão disso, vamos combinar.

E é claro que o Mais Médicos, que colocou 14 000 doutores nos pontos remotos do país, contribui para amenizar essa situação.



* * *

Avaliação da Saúde: Esclarecimentos do Ministério da Saúde sobre pesquisa Datafolha

A pesquisa Datafolha, divulgada nesta terça-feira (19/8) pelo Conselho Federal de Medicina, reitera desafios importantes para o sistema de saúde e aponta avanços como acesso superior a 84% na maioria dos tipos de serviços avaliados.

Das pessoas que procuram os postos de saúde, 91,3% conseguiram atendimento, o que demonstra os bons resultados de estratégias como o Mais Médicos.

Dos que utilizaram o SUS, 74% avaliam a qualidade do atendimento com notas superior a 5, sendo que um terço dos entrevistados deram notas entre 8 e 10.

Lamentamos a interpretação tendenciosa e parcial dos dados e o esforço do CFM na tentativa de desconstrução do SUS.

Ministério da Saúde, Conselho Nacional dos Secretários de Saúde e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde
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Requião: é assim que se trata o Bonner


Governador, Requião não anunciou um tusta na Globo


Taca-le pau Requião véio...

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Facebook insere a tag "sátira" em blog de Rodrigo Constantino

Constantino atendeu ao pedido de seu editor e trabalha para deixar sua faceta humorística mais clara
BRAZIL - Ciente do risco de que o blogueiro Rodrigo Constantino seja levado a sério, o Facebook prometeu inserir automaticamente a tag "sátira" a cada vez que um texto de sua autoria for compartilhado. "Os brasileiros não sabem distinguir os blogs de humor dos sites noticiosos. Vamos intervir para acabar com essa zona nebulosa", explicou Mark Zuckerberg, com um sorriso irônico de canto de boca.

"As pessoas não entendem as ironias", lamentou Gregorio Duvivier. "Constantino presta um grande serviço ao escancarar as posições da direita raivosa radical até o ridículo. Trata-se de uma clara sátira aos blogueiros liberais", explicou, diante de um quadro negro.

Em contrapartida, jovens liberais encontraram uma mensagem subliminar no post em que Rodrigo Constantino exigia desculpas de Míriam Leitão. "Em vez do texto, o link exibe agora um triângulo amarelo com um ponto de exclamação ao lado da expressão 'Página não encontrada' escrita em azul. Uma clara alusão às cores do PSDB, que vem sendo censurado diariamente pelos computadores do Planalto", explicou o roqueiro Roger, do Ultraje à Direita.

Animado com a repercussão das novas ferramentas, Zuckerberg também prometeu inserir a tag "extremismo" toda vez que detectar as expressões "petralha", "privataria", "PiG", "PresidANTA", "esquerdopata", "burguesia", "proletariado", "sonhático", "feminazi", "sustentabilidade" e "tucanalha" em algum post. "Há muitos usuários levando a sério essas opiniões", explicou o fundador do Facebook.

No The i-Piauí Herald
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Forte terremoto atinge Chile, a 18 km de Hacienda La Calera

De acordo com dados recebidos da Rede Sismográfica Global (Iris-GSN), um terremoto de 6.6 graus de magnitude foi registrado no Chile, 18 km a oeste-noroeste de Hacienda La Calera, as 19h32, pelo horário brasileiro (23/08/2014). O forte tremor ocorreu a 32 quilômetros de profundidade, abaixo das coordenadas 32.70S e 71.38W, indicadas pelo mapa abaixo. Ainda não há informações sobre vítimas.

Apesar da grande intensidade, sismos que ocorrem nessa profundidade tem a maior parte de sua energia dissipada antes de chegar à superfície. Mesmo assim, quando acontecem no oceano podem provocar a formação e alertas de tsunamis.

Um terremoto de 6.6 graus de magnitude libera a mesma energia que 6 bombas atômicas similares a que destruiu Hiroshima em 1945, ou a explosão de 119145 toneladas de TNT.

Importante: Esta notícia pode sofrer alterações ao longo do dia

No Apolo11
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PiG preocupado com Bláblá. Bobagem…

Os economistas do Itaúuu é que vão governar


O Conversa Afiada reproduz trechos de editorial do Estadão:

A candidata impõe medo



(…)

Com notável sem-cerimônia, de fato, Marina não perdera tempo para colocar os seus principais aliados no controle compartilhado da empreitada – a coordenação e o setor financeiro. Para aplacar a velha guarda, a direção da legenda entregou a coordenação à deputada federal Luiza Erundina, amiga próxima da candidata. Tensões do gênero não são incomuns em comitês eleitorais mesmo quando o candidato não é um adventício na sigla que o sagrou. É provável que o personalismo de Marina – que a sua aureolada imagem pública esconde – dê origem a novos atritos, em prejuízo do engajamento dos antigos eduardistas.

(…)

Isso porque ele não será levado a se perguntar que presidente da República poderá ser a candidata que ninguém ousa confrontar. Pelo que se vê, para começar, ela não terá a menor aptidão para constituir um equipe para tocar o dia a dia do governo, sem o que as melhores promessas e os mais avançados programas se desmancham no ar. Além disso, procedem as dúvidas sobre como se haverá no poder uma pessoa que dá motivos para crer que se julga eleita por Deus – o que esteve perto de afirmar depois da tragédia com o voo no qual também ela poderia ter viajado. Cabe indagar ainda como, avessa à “velha política”, enfrentará a servidão de chefiar um governo sem maioria parlamentar. Marina presidente é prenúncio de uma crise depois da outra.
Esses são trechos de ilimitada perplexidade de um editorial do Estadão.

Refletem, antes de mais nada, a viuvez antecipada, com o iminente funeral dos tucanos.

Como se sabe, uma vez por semana o Farol de Alexandria ia beber na fonte de sabedoria do Ruy Mesquita.

Com a Bláblá seria um pouco mais complicado: os interlocutores dela não freqüentam o Estadão.

Mas, isso não é problema.

Se eleita, Bláblá vai governar com os economistas do Itaúúú.

E os tucanos desempregados que se re-empregaram todos lá.

Só falta adicionar o Arminio NauFraga à equipe.

Mas, como disse o prof Gianetti, marinheiro de primeira aurora, ele e o NauFraga pensam igual.

Portanto, o PiG não tem o que temer com a Bláblá.

O camarote reservado do Itaú no Itaquerão cuidará dos secundários detalhes da Administração Pública.

Do resto, cuidarão o Banco Central e a Receita.

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Quem viveu no governo PSDB/FHC não digita 45 nem no micro-ondas

O PSDB quer voltar ao poder com Aécio. Relembre por meio de jornais como foram os 8 anos em que o PSDB governou o Brasil e tire suas conclusões.


1) Desemprego:
O governo do PSDB praticamente dobrou a taxa de desemprego do Brasil em oito anos.  Os juros altos, a política cambial irresponsável e as privatizações foram os principais responsáveis, segundo especialistas.

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No início do governo Lula, em 2003, o desemprego ainda era o maior problema do país. Nos 12 anos dos governos Lula/Dilma, foram gerados 20 milhões de empregos com carteira assinada e a taxa de desemprego caiu pela metade. Hoje felizmente o desemprego deixou de ser um assunto no noticiário.

2) O Endividamento do país
No governo FHC a dívida pública passou de 30% para 61% do PIB, mesmo com a venda de patrimônio público por meio das privatizações, como no caso da Vale. Ou seja, em oito anos  FHC contraiu uma dívida equivalente ao que o Brasil demorou 500 anos para constituir.  No governo petista, a dívida recuou de 61% para o nível atual de 35%.

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3) A consequência do desemprego: Miséria e Fome
Com o desemprego, a fome e a miséria se alastraram por todo o país. Depois que Lula assumiu em 2003 e turbinou o Bolsa Família, essa realidade melhorou bastante. Infelizmente, muitas pessoas até hoje não conseguem entender a importância do programa.

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4) As consequências da explosão da Dívida Pública: Brasil se humilha pedindo empréstimos ao FMI, colapso da Bolsa, volta da Inflação e sucateamento dos serviços públicos
A inflação que no governo Dilma está em 6,5% AO ANO, foi de 5,19% SÓ NO MÊS DE NOVEMBRO de 2002. No último ano de FHC, a inflação medida pelo IBGE foi de 12,51%, o dobro da atual inflação de Dilma. Diga-se de passagem, a inflação média do governo Dilma é a mais baixa se comparada com Sarney, Collor,  FHC (9,15% de média) e Lula (7% de média). Veja mais sobre isso no link: http://blogs.estadao.com.br/radar-economico/2014/01/10/inflacao-media-de-dilma-e-a-mais-baixa-desde-o-plano-real/

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Falam que FHC “construiu a base” para que o Brasil crescesse no governo Lula.  A “base” foi isso aqui? Ele deixou foi a famosa “herança maldita”.

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Você pensa que a saúde de hoje não poderia ser pior? Imagina na época que não existia Farmácia Popular, Samu, Mais Médicos…

É bom lembrar que a dengue estava erradicada no Brasil desde a década de 80, porém por falta de investimentos em prevenção ela voltou no governo do FHC/PSDB.

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5) Corrupção desenfreada e aparelhamento do Estado
O PSDB que hoje faz o discurso “moralista” se envolveu nos maiores escândalos de corrupção da história moderna do país.

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Vamos parar por aqui. Nem vamos falar do racionamento de energia, do escândalo do BNDES, dos escândalos de corrupção nas privatizações, porque este post não teria fim.

E aí Aécio, vamos conversar sobre o que seu partido fez enquanto esteve no poder?

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Por que os jornalistas falam baixo com banqueiros?

Neca
Tivemos, nos últimos dias, diferentes amostras de entrevistas.

Um estilo agressivo foi usado por Bonner no Jornal Nacional. Perguntas incisivas, duras, em certos momentos impiedosas.

Um estilo quase oposto — domesticado, digamos assim — foi usado por Fernando Rodrigues, da Folha, para entrevistar a banqueira Neca Setúbal.

Há uma curiosa inversão de expectativas: a Globo costuma ser boazinha nas entrevistas e a Folha gosta de ser dura, por entender que isso é bom para sua imagem.

Numa demonstração recente disso, o jornalista Fernando Barros e Silva, da escola da Folha e hoje na Piauí, perguntou a Aécio no Roda Viva se ele é usuário de cocaína.

Em favor de Fernando Rodrigues, é preciso reconhecer que poucas coisas são mais complicadas para um jornalista do que lidar com banqueiros.

Os bancos são grandes anunciantes — e muitas vezes também grandes credores — das empresas de jornalismo.

Como diretor de redação da Exame, vivi uma situação exemplar.

O excelente jornalista José Fucs, editor de Finanças da revista, fez uma capa brilhante sobre os irmãos Safras.

O extraordinário talento dos Safras para fazer dinheiro estava lá, no texto de Fucs. Mas também o pavor sôfrego que os Safras inspiravam nos executivos do banco.

Era um dos piores lugares para você trabalhar. Executivos graduados e muito bem pagos se comportavam como meninos atemorizados diante dos patrões.

No dia do fechamento da revista, Roberto Civita ligou para a redação, o que era raríssimo. Queria saber se estávamos dando uma capa sobre os Safras.

Sim, estávamos. Pediu para ler, coisa ainda mais rara. Disse que logo devolveria a matéria.

Bem, jamais ela foi devolvida.

Tivemos que improvisar outra capa. Soube depois que um dos irmãos Safras telefonara para Roberto pedindo sua intervenção.

O Safra era um dos maiores credores da Abril, num momento particularmente complicado para a empresa na questão das dívidas.

É a vida como ela é nas redações.

Todo jornalista experiente sabe disso.

Fernando Rodrigues enquadra-se nesta categoria. Ele em certos momentos parecia quase um contínuo do Itaú, numa posição subserviente.

E Neca, inteiramente à vontade, parecia saber do poder que banqueiros têm sobre os jornalistas.

Como é um bom jornalista, Rodrigues perguntou se não haveria conflito de interesses na relação de Neca com Marina no caso de vitória desta.

Isto porque a Receita Federal cobra do Itaú quase 19 bilhões de reais por conta de dinheiro supostamente não recolhido na fusão com o Itaú.

Neca deixou escapar, automaticamente, uma careta de desagrado.

Depois, disse que não, que não havia conflito, já que ela não ocupa posição executiva no banco. Conflito, acrescentou ela, houve no passado quando seu pai, Olavo Setúbal, pertencia ao Conselho Monetário Nacional, que determinava as taxas de juros. (Naqueles dias, Roberto Marinho indicava a presidentes que iam beijar suas mãos em busca de apoio o ministro das Comunicações, que deveria arbitrar o mercado das emissoras.)

O assunto morreu ali.

Em outras circunstâncias, Fernando Rodrigues poderia ter dito: “Reparei que a senhora não gostou da menção aos quase 19 bilhões. Por quê?”

Mas não.

Era mais prudente parar por ali, Rodrigues sabia.

E então voltamos a Bonner.

Se um dia ele entrevistar Neca Setúbal, tenha certeza de uma coisa: seu tom vai ser muito diferente do que adotou nas sabatinas com os candidatos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Lara Resende vem para ser operador de Neca e Marina


Desembarca neste domingo, em São Paulo, o economista André Lara Resende, que chega com uma missão: a de se incorporar ao time de Marina Silva, na disputa presidencial de 2014.

A informação foi antecipada pela colunista Sonia Racy, do Estado de S. Paulo.

Ex-presidente do BNDES no governo FHC, Lara Resende foi demitido quando eclodiu o escândalo dos grampos da telefonia. Numa das ligações, ele falava com Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações, em "usar a bomba atômica", referindo-se ao próprio FHC.

Lara Resende foi também sócio de Mendonça de Barros no banco Matrix, que fez fortuna com a valorização da moeda brasileira, ocorrida logo após a implantação do Plano Real, do qual ele próprio, Lara Resende, foi um dos formuladores. Em razão disso, Lara Resende chegou a ser questionado sobre o uso de informação privilegiada. No Roda Viva, ele respondeu que tinha "formação privilegiada" – e não informação privilegiada (relembre aqui).

Com o dinheiro ganho no Matrix, Lara Resende se tornou multimilionário, passou a se dedicar a uma de suas paixões, correndo de Porsche, e virou também gestor da fortuna de Athina Onassis, herdeira do bilionário grego Aristóteles Onassis.

Escreveu artigos esparsos sobre economia brasileira e será agora um dos líderes do time de Marina Silva. Ontem, em entrevista à Folha de S. Paulo, a banqueira Neca Setúbal, herdeira do Itaú, antecipou que Marina teria rapidamente "operadores de mercado" a seu lado.

O principal desses operadores tem nome e sobrenome: André Lara Resende.
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A entrevista de Neca Setúbal


Quer saber como seria um possível governo Marina Silva? Assista esta entrevista...

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Dez razões porque o PSDB não deve voltar à presidência

O anti-petismo tem alcançado as raias da histeria coletiva nesses últimos meses. Os xingamentos a Dilma na abertura da copa por parte de grupos sociais privilegiados que jamais votaram no PT e o descontentamento com os gastos escorchantes na construção dos estádios para a copa arranhou ainda mais a imagem de Dilma e do PT, apenas alguns meses depois de vários figurões do partido terem sido presos por causa do mensalão. Entre denúncias e ânimos inflamados quem tem se beneficiado de tudo isso sem precisar dizer uma só palavra é Aécio Neves e o PSDB. Diante dos acontecimentos recentes, o PT poderia até perder a eleição em um segundo turno, mas para si mesmo, e não porque seus adversários apresentem qualquer proposta razoável de governabilidade; e não poderiam, porque eles não têm. Por este motivo, vale a pena elencar algumas razões pelas quais o PSDB não deve voltar à presidência:

1. A sigla PSDB quer dizer Partido da Social Democracia Brasileira. Só que de social democrata o partido não possui absolutamente nada. Historicamente, a social democracia está ligada a movimentos políticos de esquerda e embora seus programas tenham sofrido alterações dependendo da época e do lugar, após a Segunda Guerra, passou a identificar-se com projetos de redistribuição de riqueza através de programas sociais e investimentos governamentais em grandes empresas. Com o advento do neoliberalismo na década de 1980 essa doutrina entrou em crise e cedeu lugar à redução do papel do Estado em políticas sociais e à privatização de empresas. Isso beneficiou grandemente os conglomerados internacionais e a retirada do Estado da vida social ampliou os bolsões de pobreza, o desemprego e reduziu o poder aquisitivo dos trabalhadores, especialmente nos países não desenvolvidos. Quando o PSDB chegou ao poder em 1994, no auge da crença internacional de que as ideologias de esquerda estavam falidas, essa era a cartilha a ser seguida. E foi.

2. Como consequência disso, a desigualdade e a concentração de renda caíram mais no primeiro mandato do governo Lula do que em oito anos de governo FHC. Em 2007, uma pesquisa da FGV mostrou que somente no primeiro governo Lula, a taxa de miséria caiu quase 8,5 por cento, mais do que o dobro do que ocorreu nos dois mandatos de FHC, que ficou em 3,1% [1].

3. O PSDB é o partido do grande empresariado e dos arrochos salariais. As políticas econômicas do governo FHC estabilizaram a economia, mas em detrimento do poder aquisitivo dos trabalhadores. Com FHC, a inflação era de 9,2% ao ano, com Lula e Dilma, é de 5,9% [2]. Não por acaso, em 1996 a Folha noticiou que o governo FHC foi considerado péssimo por 25% da população [3]. Curiosamente, até os mais ricos demonstraram insatisfação com essa política desastrosa do ex-presidente, segundo a mesma matéria.

4. O PSDB é o partido das filas de desempregados. De acordo com o IBGE, o índice de desemprego mais do que dobrou durante os dois mandatos de FHC como presidente: de 4,5 milhões no final de 1994, foi para 11,5 milhões no final de 2000 [4]. Quem não se lembra que quase diariamente os jornais noticiavam filas quilométricas de desempregados nas grandes capitais do país apinhando quarteirões, se submetendo a mal-estares resultantes do calor e de muitas horas de espera, além de inúmeras humilhações para conseguir uma vaga de emprego? Já o governo petista bateu recordes de redução do desemprego. Segundo edição de maio da revista Exame, no último mês de abril o desemprego recuou quase cinco por cento e em março o índice de desempregados chegava a 1,1 milhão de pessoas [5].

5. Para quem acredita que a corrupção somente passou a existir nos últimos doze anos no Brasil, vai aí uma informação bombástica: O governo FHC foi marcado por casos de corrupção não menos escandalosos. Um deles foi a extinção da Comissão Especial de Investigação (CEI), logo após assumir o poder em 1995, órgão criado durante o governo Itamar Franco para investigar denúncias de corrupção no governo federal. De acordo com a Carta Maior, “foi a primeira experiência de controle social, externo, da corrupção, em contraposição ao controle corporativo. Era independente e com amplos poderes para ajudar a sanear a administração Pública Federal. Instalada em 4 de fevereiro de 1994, tinha poderes para determinar suspensão de procedimentos ou execução de condutas suspeitas, recomendar investigações, auditorias e sindicâncias e propor ao presidente da República providências, inclusive legislativas, para coibir fatos e ocorrências contrárias ao interesse público [6]“. Além disso, os desvios de verbas na SUDAM e na SUDENE (extintas somente quase no final de seu mandato, em 2001) somaram quase R$ 4 bilhões [7], além da existência de caixa dois para reeleição e denúncias de compra de votos de parlamentares para aprovação da emenda da reeleição.

6. O PSDB é o partido dos apagões e do racionamento de energia. Basta ver o que o governo Alckimin faz agora em São Paulo, sobretaxando consumidores e impondo racionamentos para termos uma ideia do que virá, ou melhor, do que voltará, se Aécio Neves se tornar presidente: em 2001 uma crise energética fez o governo pressionar a sociedade a reduzir em vinte por cento o consumo de energia [8] e apagões passaram a se tornar constantes no país. Já o governo petista contornou esse problema, evitou novos racionamentos e apagões e durante a gestão Dilma foi construída a hidrelétrica de Estreito, no Maranhão, com capacidade para abastecimento de quatro milhões de pessoas [9].

7. O PSDB é o partido do sucateamento das universidades públicas. Durante o governo FHC, o ensino superior privado foi beneficiado em detrimento do público. Além disso, historicamente o acesso à universidade sempre foi prerrogativa das elites brancas, acostumada a ver o pobre na favela, limpando para-brisas de carros em avenidas nas grandes cidades ou em longínquas escolas públicas de baixa qualidade. Contra esse apartheid social, o governo Lula, além de ter ampliado e fortalecido as universidades federais, também criou mecanismos para ampliar o acesso da população de baixa renda, como o Sisu e o sistema de cotas sociais e raciais. E para os que dizem que a informação de que no governo Lula aumentaram as matrículas nas universidades federais é uma farsa, remeto o leitor a esse importante texto do reitor da Universidade Federal da Bahia: educação superior em Lula x FHC.

8. O PSDB é o partido do encolhimento dos direitos trabalhistas. No final de seu segundo mandato, FHC propôs um projeto de alteração da CLT, como a flexibilização de direitos trabalhistas como o 13º salário, licença maternidade, FGTS, entre outros, além de uma reforma sindical e uma proposta de tratamento diferenciado a pequenas empresas [10]. Já o governo petista, além de não ter subtraído direitos aos trabalhadores, ainda os estendeu a categorias historicamente marginalizadas, como as empregadas domésticas, que passam a ser assistidas pela legislação trabalhista.

9. O PSDB é o partido da repressão aos movimentos sociais. Quem não se lembra do massacre de Eldorado de Carajás, no sul do Pará, ocorrido em 1996? Por outro lado, as políticas de reforma agrária de FHC determinavam o não assentamento de famílias que participavam de ocupação de terra [11] e quando concorreu à presidência em 2002, José Serra prometia em seus programas eleitorais que não permitiria invasões de terras durante seu governo. Que métodos ele usaria pra isso é algo que jamais esclareceu. Felizmente, Serra foi derrotado naquele ano. Em doze anos, o governo petista caracterizou-se por um profícuo diálogo com movimentos sociais e pela ampliação de políticas afirmativas a minorias sociais.

10. O PT se manteve esses doze anos no poder porque conseguiu aglutinar interesses diversos, do empresariado e do povo. O PT se mostrou o único partido que se aproxima de uma social-democracia ao ampliar as políticas sociais e a renda média dos trabalhadores para reduzir o abismo social que historicamente caracterizava o fosso intransponível entre nossas elites e as camadas mais pobres da sociedade:  Em 2004, Tarso Genro observou o seguinte: “Ao potencializar este programa [o bolsa família], o governo Lula permitiu em quase dois anos, a distribuição média, de R$ 75,00, por família, atingindo cerca de 6 milhões e quinhentos mil lares, enquanto no governo FHC, a soma dos programas incorporados pelo Bolsa Família (Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Cartão Alimentação e Auxílio Gás), distribuiu em seus últimos dois anos a média por família de R$27,00, atendendo a cerca de 5 milhões e setecentos mil lares [12]“. A ampliação das políticas de redistribuição direta de renda como o bolsa família foram importantes tanto para empresários como para consumidores, porque aqueceu a economia, facilitou a abertura de pequenas empresas, ampliando o número de empreendedores e de empregos diretos. Geralmente os que julgam os programas sociais como “esmola” ou “ação eleitoreira” ignoram sua importância e seu alcance: para termos uma ideia, a extrema pobreza, que era de 12% em 2003, caiu para 4,8% em 2008, o que implica melhorias substanciais na qualidade de vida dessa parcela da população [13] e teve impacto importante na redução da mortalidade infantil [14]. Além disso, muitos beneficiados abandonaram voluntariamente a bolsa após melhorarem de vida [15]. O governo tucano focou no empresariado, manteve as políticas sociais num nível modesto e, como já foi observado, não conseguiu reduzir de forma significativa as elevadas taxas de desemprego e extrema pobreza no país.

Conclusão: Em geral, os peessedebistas  não gostam de comparações com o governo Lula ou Dilma. O fato é que qualquer comparação evidencia o quanto essas duas últimas gestões foram mais eficientes em termos de política social. Não há dúvida de que agora as pessoas vivem melhor do que há quinze ou vinte anos atrás. Hoje, o PT sofre muitas críticas não pelo que fez, mas pelo que deixou de fazer. Ainda precisamos de uma reforma política, tributária e  de melhorias na infraestrutura do país (esse pacote de investimentos tão prometido antes da copa e não cumprido). É a precariedade de nossa infraestrutura, somada aos elevados impostos que pagamos que ainda entravam o crescimento do país. Mas se isso não tem acontecido com o PT, tampouco acontecerá sem ele. O PAC foi lançado pra isso, mas a corrupção dos gestores impede que seja cumprido com êxito. Quanto às melhorias em saúde e educação, vivemos em uma República federativa e os investimentos nessas áreas são de responsabilidade de Estados e municípios, que recebem as verbas para isso. O PT pode ter cometido muitos erros no poder, mas acertou mais do que errou e a popularidade Lula ao deixar o poder em 2010 prova isso. Hoje não temos mais filas de desemprego e reduzimos bastante a miséria. Reeleger o PSDB é correr o risco de um retrocesso.

Notas
















No Bertone Souza
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Choque de gestão: Mulheres de Montezuma, cidade do aeroporto abandonado, viajam de 60 a 100 km para dar à luz

Na Serra do Cafundó — ouvir trovão de lá, e retrovão, o senhor tapa os ouvidos, pode ser até que chore, de medo mau em ilusão, como quando foi menino. O senhor vê vaca parindo em tempestade. De em de, sempre, Urucúia acima, o Urucúia — tão as brabas vai… Tanta serra, esconde a lua. A serra ali corre torta. A serra faz ponta. (…) Hem? O senhor? Olhe: o rio Carinhanha é preto, o Paracatú moreno; meu, em belo, é o Urucúia — paz das águas… É vida! 
de Guimarães Rosa, em Grande Sertão Veredas
Dá até para imaginar Guimarães Rosa, nos anos 40, viajando por esta região do Brasil, fronteira de Minas Gerais com a Bahia, em busca de inspiração para sua obra-prima.

Hoje a tradição dos vaqueiros resiste, mas o cenário humano passou por grandes transformações.

Montezuma fica a leste do rio Urucuia, que Rosa tornou famoso, e do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, nomeado em homenagem ao autor. É a região do Alto Rio Pardo. Uma simpática cidade de cerca de 8 mil habitantes, que depende especialmente de atividades agrícolas e dos empregos públicos da Prefeitura local.

Em 1991, 64,7% dos moradores do município viviam na extrema pobreza. Em 2010, eram apenas 9,15%.

Aposentadorias rurais, Bolsa Família, investimentos federais e estaduais contribuiram muito para esta mudança.

Apesar disso, a melhoria foi relativa: hoje, só 26,75% dos moradores de mais de 18 anos de idade completaram o ensino fundamental.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio de Minas Gerais é de 0,731; o de Montezuma, 0,587.

O IDH de Montezuma ocupa a posição 804 dentre os 853 municípios mineiros.

Cópia de boi

Na região, agora entrecortada por estradas, muitas delas asfaltadas, ainda é comum ver as juntas de boi fazendo o trabalho pesado de carregar tambores de água ou material de construção.

Só uma coisa realmente distingue Montezuma de outras pequenas cidades pelas quais passamos nesta região de Minas Gerais.

Assim que você ultrapassa o portal amarelo, que convida os visitantes a tomar banho nas águas quentes da cidade, há do lado esquerdo uma imensa pista asfaltada, de cerca de 1.300 metros, com as laterais hoje tomadas pelo mato.

É o aeroporto da cidade!

A pista nunca foi certificada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que diz não ter em seus registros pedido de homologação.

Como mostramos anteriormente, hoje o aeroporto de Montezuma é utilizado pelos moradores da cidade para fazer caminhadas, de manhãzinha ou ao entardecer. Eles trataram de remover pedaços de concreto da cerca para garantir acesso ao asfalto. Crianças brincam no entorno. No passado, a prefeitura local chegou a organizar grupos de idosos que se reuniam periodicamente no local para atividades variadas.

Como uma cidade de população tão diminuta, onde ninguém é dono de avião, ganhou obra tão portentosa?

Quando Aécio Neves era governador de Minas Gerais, Montezuma foi incluída no ProAero, um plano para estimular a aviação regional. A ideia era garantir, até 2011, 69 aeroportos mineiros funcionando 24 horas por dia. Pelo menos em Montezuma, uma impossibilidade: o aeroporto não dispõe de sinalização noturna ou de qualquer outra infraestrutura, a não ser um pequeno galpão cujos vidros estão todos quebrados.

Cerca de 300 mil reais teriam sido investidos aqui, um dado espantoso. É que um aeroporto quase do mesmo tamanho do de Montezuma, em Cláudio, custou ao estado de Minas cerca de R$ 14 milhões.

Em março de 2008, o Departamento de Estradas de Rodagem mineiro adiantou-se e escolheu uma empreiteira para pavimentar a pista de terra de Montezuma. Contratou a Pavisan, por 268.460,65 reais. Segundo um ex-executivo da empresa, que lá trabalhava à época, a obra foi um mau negócio. O valor seria irrisório e não cobriria os custos. Ele não vê razão econômica para o estado investir no local, pois perto de Montezuma há cidades maiores que poderiam ter sido contempladas com um aeroporto. Qual seria a justificativa? A proximidade com as terras da família de Aécio? Facilitar o contato aéreo entre pai e filho? E se o negócio era ruim, por que a empreiteira topou? A Pavisan fechou vários contratos com o governo mineiro durante a administração de Aécio. O dono da construtora, Jamil Habib Cury, ocupou cargo público na gestão do tucano. Foi diretor do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais. Estava no posto quando a Pavisan foi escolhida para a pavimentação em Montezuma. Consta ainda na lista de doadores das duas campanhas vitoriosas de Aécio ao comando do estado, em 2002 e 2006. Na última, doou 51 mil reais.
O que há em comum entre Cláudio e Montezuma é que nos dois municípios existem terras da família do hoje candidato ao Planalto pelo PSDB, Aécio Neves.

Da avó Risoleta em Cláudio e do pai de Aécio, o ex-deputado Aécio Ferreira da Cunha, em Montezuma.

Aqui nos despedimos de Guimarães Rosa e ingressamos no mundo fantástico de  Gabriel Garcia Márquez.

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A 60 km de Montezuma há uma cidade três vezes maior, Rio Pardo de Minas cujo “aeroporto” (à esquerda) ainda é uma pista de terra. O mesmo vale para Taiobeiras (foto do avião de pequeno porte pousando), também de 30 mil habitantes, que dista pouco mais de 100 quilômetros.

A única construção equivalente à de Montezuma na região, em termos aeroviários, fica em Janaúba, a 150 quilômetros. Janaúba, no entanto, tem 70 mil habitantes e é tida como porta de entrada das atrações turísticas da Serra Geral de Minas, que inclui de cachoeiras ao Pico da Formosa.

Ou seja, o aeroporto de Montezuma é algo realmente extraordinário para a região!

Cópia de aeroescuro

Em nossa passagem por lá, moradores citaram o pouso de um avião trazendo o cantor Amado Batista, que estava a caminho de fazer um show na Bahia, como o mais recente guardado na memória local.

Vários atribuíram a existência da pista à extensão natural do poder da família Neves. O pai de Aécio, dono das terras da família em Montezuma, foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 1955. Deixou de herança para os filhos Aécio e Andrea a Perfil Agropecuária e Florestal, de pouco mais de 900 hectares, onde há criação de gado e plantio de eucalipto. Fica na estrada que liga a cidade a Mortugaba, na Bahia.

A existência do aeroporto abandonado, um dos maiores investimentos estaduais já feitos na cidade, para os moradores de Montezuma não é algo extraordinário. É da política.

Hoje o governo de Minas reforma uma Unidade Básica de Saúde bem diante da pista, ao custo de R$ 163 mil reais, metade do que enterrou no aeroporto abandonado.

Bem pertinho dali, uma placa do governo federal anuncia investimento de R$ 5 milhões em saneamento básico.

Cópia de hospital

O único lamento que ouvimos relacionado à falta de prioridade nos gastos públicos diz respeito ao hospital de Montezuma, visto acima.

Hoje os montesumenses raramente nascem na cidade.

A Fundação Hospitalar Nossa Senhora de Santana, onde eram feitos os partos, passou a funcionar apenas como uma espécie de posto de saúde.

Faz o atendimento de casos básicos.

Para consultar algum especialista, é preciso sair da cidade. Janaúba, a 150 quilômetros, é um dos destinos.

Diante da Fundação, uma das mães presentes contou ter tido a filha ali mesmo, às pressas, por falta de tempo para viajar. Por sorte, foi parto natural e hoje a filha parece ser uma menina saudável.

Uma frase resume a situação: “Montezuma é a cidade que tem aeroporto mas não tem maternidade”.

Aqui ingressamos, finalmente, em Macondo: as grávidas de Montezuma, as vezes às pressas, chacoalham até Rio Pardo de Minas (60 km) ou Taiobeiras (100 km) na hora de dar à luz. Não podem, obviamente, fazê-lo de avião.

Na última reportagem desta série, vamos mostrar como o fechamento do balneário de águas quentes destruiu uma atividade promissora da cidade.


Luís Carlos Azenha
No Viomundo
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WandNews


E é com muita alegria que anuncio a chegada de mais uma edição da WandNews, a coluninha que traz as principais bobagens que rolaram no Brasil e no mundo.

Hoje temos a alucinante viagem de Crivella, o beijo no coração cheio de tolerância dos jogadores do Guarani, as fofurices do candidato Pezão e um Wando Responde pra confundir comentarista de portal.



Um contêiner de chorumes foi despejado na porta da minha casa de última hora, atrasando a publicação da nossa WandNews. Com tantos bons exemplares, a seleção do choruminho perfeito levou horas. Eu poderia falar da "design" de interiores que usou o Facebook pra denunciar que hoje em dia "até empregadas dosméticas têm direitos, enquanto muitos formados não têm nada".


A vida realmente não está fácil pra ninguém, tanto que esse chorumito foi leve perto da vaquinha que a Ku Klux Klan organizou para levantar fundos para o policial americano que matou um inocente negro nos EUA. Eu também poderia voltar a falar sobre nossa candidata e amiga tucana, a Dani Schwery, que iniciou uma discussão pornográfica com Renato Rovai no Twitter.


Mas, o grande destaque, sem dúvida nenhuma, foi a performance do bispo Marcelo Crivella no debate da Band.




Quando perguntado sobre o que pensa a respeito da legalização da maconha, o ex-Ministro da Pesca não teve dúvidas ao mandar esse chorumito de trivela:
“Os países que adotaram isso retrocederam. Na Holanda, por exemplo, teve empresas que foram fechadas porque seus funcionários estavam usando drogas. Como a Fokker, por exemplo...
Nesse momento, a platéia ensaia uma gargalhada e o mediador do debate pede: "por favor, senhores, silêncio". O candidato prossegue:
....e os aviões começaram a ter problemas. Inclusive no Brasil.
O público não se aguenta e cai na risada de vez, forçando o mediador a "renovar o apelo" pelo silêncio. Mais adiante, Crivella finaliza:
"os países que adotaram (a legalização) voltaram atrás, esses são os números que a gente vê nas estatísticas".
Na verdade, a Fokker jamais foi fechada porque seus funcionários fumavam maconha, mas por problemas financeiros resultantes de sucessivas más gestões. A Holanda, por exemplo, não voltou atrás da legalização e hoje ostenta o menor número de mortes relacionadas às drogas de toda a Europa.

No dia seguinte, com a polêmica instaurada e a cabeça mais fria, Crivella não retificou seu depoimento, pelo contrário, o confirmou com toda a convicção do mundo:
"Algumas companhias começaram a ter problemas em seus aviões, e os funcionários usavam drogas durante o serviço. A montagem depende de pequenas peças. E caiu no mercado a notícia de que havia viciados em drogas montando aviões, e acabou tudo, a empresa quebrou”
Essa informação alucinante não encontra base nenhuma realidade. Se isso tivesse um pingo de fundamento, várias empresas brasileiras já teriam quebrado por causa da legalização da cachaça no país.



O beijo no coração de hoje vai para o time do Guarani, que está há 4 jogos sem vencer e em péssima fase na série C do campeonato brasileiro. Preocupados com a situação dramática do time, jogadores evangélicos e católicos chegaram a uma conclusão semi-ecumênica: a fonte de todos os problemas é o mascote do time, o índio caboclo que estampa a camisa e decora o vestiário.
(Foto: André Regi Esmeriz)

Sim, demonizaram o mascote do clube bugrino porque ele seria uma figura ligada às religiões afro-brasileiras e isso estaria incomodando jogadores e comissão técnica. O negócio começou quando o técnico Evaristo Piza levou um grupo de amigos pastores pra conversar com os jogadores. Papo vai, papo vem e o índio virou o principal responsável pelo mau desempenho do time. É como se o porco fosse exorcizado pelo time do Palmeiras.
Foram essas as santas palavras do treinador:
"Para uns, incomoda. Para outros, não. O evangélico não acredita na imagem, é insignificante. O católico já acha que é um símbolo do candomblé. O que nos foi passado é que é um símbolo do Guarani. O pedido dos jogadores foi para tirar. Eles iam se sentir mais confortáveis para atuar. Isso foi atendido. Estamos fazendo de tudo para que os jogadores fiquem confortáveis"
Usando da velha e surrada tática neopentecostal de associar religiões afro-brasileiras ao diabo, o elenco bugrino ultrapassou todos os limites do bom senso e pediu a retirada de um símbolo histórico do clube.

O Guarani também é tradicionalmente conhecido pelos torcedores e imprensa como o "Bugre", termo usado para se referir aos índios que não foram evangelizados. Pra aumentar ainda mais a ironia da situação, o símbolo polêmico é considerado pela torcida como um amuleto. Ele foi pintado na calçada da entrada do clube em 1977, abrindo os caminhos para o momento mais glorioso da história do Guarani: o ano de 78, quando foram campeões brasileiros.

O primeiro jogo do Guarani sem o índio caboclo na camisa foi contra o Madureira, e o resultado foi de 0 x 0, mantendo a sequência de jogos sem vitória. Apesar da intervenção religiosa, o Bugre continua em má fase. Tá na hora de chamar o papa ou, quem sabe, mandar os jogos dentro do Templo de Salomão.



Mais um candidato a governador carioca marca presença na nossa coluninha semanal. O candidato do PMDB à reeleição, o Pezão, resolveu inovar em sua campanha.

Com as redes sociais, as campanhas políticas estão tendo que se adaptar às novas linguagens, numa tentativa de se aproximar dos mais jovens.  Mas quase nunca dá certo. É um grande festival de artes gráficas de gosto duvidoso, peças de humor sem graça e clips quase-divertidos.

Mas a campanha do Pezão surpreendeu a todos ao divulgar em seu Facebook esse quizz sensacional:



Que tiozão bacana que é o Pezão. Uma cara do bem, que come seu lanchinho da tarde, gosta de um docinho e deve ser o rei da criançada.

Mas a internet não perdoou tamanha fofurice e, logo em seguida, um tumblr foi criado sugerindo novas ideias para a campanha do Pezão:





É, Pezão, a rapadura é doce, mas não é mole, não!



No post "As aventuras da Turma da Mônica contra o fim da publicidade infantil", em que escrevo sobre a resolução da CONANDA que proíbe publicidade infantil direcionada para crianças, o amigo internauta disparou contra mais essa ação do "governo comunista petralha":



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