22 de ago de 2014

O ambíguo estilo de liderança de Marina

Ela
Qual o estilo de Marina?

Neca Setúbal, amiga e conselheira de Marina, falou disso numa entrevista em vídeo ao jornalista Fernando Rodrigues, da Folha.

Neca usou Dilma e Eduardo Campos para definir o jeito de liderar de Marina.

Nem a viva e nem o defunto foram poupados no esforço de Neca em elevar Marina.

Dilma, segundo ela, tem um “estilo masculino”. Campos era “centralizador”.

Marina, disse Neca, trabalha em “equipe”. Está num patamar diferente e superior.

Mesmo?

A biografia de Marina mostra outra coisa. Ela é o que você poderia chamar de criadora de encrencas.

Parece ter, ao contrário do que Neca disse, extrema dificuldade de trabalhar em equipe.

No mesmo dia em que Neca louvava o espírito de time de Marina, o dirigente do PSB Carlos Siqueira, que coordenava a campanha de Campos, dizia o exato oposto.

“Ela nomeou o presidente do comitê financeiro da campanha e não perguntou ao PSB”, disse ele.

“Ela que vá mandar na Rede dela”, acrescentou ele. “Como está numa instituição como hospedeira, tem que respeitar a instituição. No PSB mandamos nós.”

Siqueira está fora da campanha. E a candidatura de Marina só não está em chamas porque as expectativas de voto são efetivamente promissoras.

O cenário mais provável, hoje, é um segundo turno entre Dilma e Marina. Aécio tende a ficar pelo caminho.

O estilo de Marina parece combinar duas coisas contrastantes. O exterior sugere humildade — os traços, as vestes, a voz.

O interior, ao contrário, insinua um caráter com grande dificuldade de trabalhar em equipe — algo que obriga a pessoa a ouvir, com frequência, não.

Pessoas com este perfil costumam, na vida corporativa, sair de empresa para empresa com frequência.

Para elas, para usar a grande expressão de Sartre, “o inferno são os outros”.

No caso de Marina, que optou pela vida pública e não executiva, a consequência tem sido pular de partido para partido.

Do PT para o PV, e deste para a Rede, com a passagem de ocasião pelo PSB, foi um pulo.

Era óbvio, vistas as coisas em retrospectiva, que para Marina se aquietar num partido ele tinha que ser seu.

É mais ou menos, para continuar na comparação corporativa, como o executivo que não gosta de ouvir ordens: ele só vai sossegar quando e se montar sua própria empresa.

Este o sentido histórico da Rede.

Marina jamais vai dizer isso, até para preservar a imagem de extrema humildade, mas está claro que ela poderia repetir o que Luís 14 afirmou em relação ao Estado: “A Rede sou eu”.

Pelas palavras de Siqueira, morto Campos e ungida ela, Marina agiu exatamente assim: como se o PSB fosse ela. Ou dela.

No passado não tão distante assim, os brasileiros tiveram um campeão de votos com características parecidas com Marina, pelo voluntarismo e pela dificuldade em se integrar a um time, ou a um partido.

Era Jânio Quadros.

Jânio foi adotado pela direita da época, alojada na UDN, para chegar ao poder.

Venceu as eleições de 1961, conforme esperado. Antes, já candidato, anunciou que renunciava à candidatura. Depois renunciou à renúncia.

Na presidência, renunciou depois de sete meses.

Cultivava, como Marina, a aura de simplicidade. Comia sanduíches de mortadela e deixava a caspa se mostrar em seus paletós baratos.

Mas, também como ela, não sabia viver em grupo.

Paulo Nogueira
No DCM
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Zero Hora mente, novamente

ZH anunciou que Britto liquidou a dívida em 21.09.1996

A edição da Zero Hora de hoje (22), que traz a manchete de capa "RS no Limite do endividamento" ignorou que há 18 anos o mesmo jornal saudou o Acordo da Dívida (principal causador da crise das finanças do estado hoje), assinado pelo então governador Antônio Britto (seu ex-funcionário), com a manchete "Rio Grande liquida a dívida". Falta de memória ou de compromisso com a verdade?!


Kiko Machado
No Tomando na Cuia
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Quando a dignidade não é notícia

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem alertando sobre o desvio de função de certos setores da mídia brasileira. Para ele, “se transformaram no principal partido de oposição da presidenta”. Ele já observou que a presidenta Dilma Rousseff continuou o trabalho iniciado por ele de mudar o Brasil, mesmo enfrentando as piores dificuldades que um presidente teve nos últimos tempos “e umas das piores campanhas negativas de certa imprensa”.

Nós, do Muda Mais, já falamos mais de uma vez o quanto esta mídia tem feito campanha terrorista e pessimista sobre os rumos do Brasil. E para levantar suas bandeiras, essa mídia se vale de factoides.

O factoide é uma afirmação que tem as características de um fato, mas não é um fato. É uma afirmação que ganha tons de verdade por ser muitas vezes repetida ou por vir de uma fonte supostamente confiável. Nesta quinta-feira (21) o Muda Mais e diversos veículos de comunicação acompanharam a visita da presidenta Dilma Rousseff a obras do sertão nordestino.

Assim como o Muda Mais, o jornal Folha de S. Paulo esteve na casa de Marinalva Gomes Filha. O Muda Mais em busca de notícias, a Folha de S. Paulo, em busca de factoides. Encontramos o que procurávamos: a casa de Marinalva hoje tem fogão ecológico. A Folha também conseguiu o que queria e produziu seu factoide ao transformar em notícia confusa a prótese dentária de Marinalva.

A matéria, além de praticamente criminalizar a cidadã por ter sido beneficiada por programas sociais, deixa claro que a Folha sofre da mesma confusão de muitas pessoas: não entende as diferenças de função dos níveis de governo – municipal, estadual e federal. É comum ver pessoas reclamando da presidenta da República por causa do buraco na rua. O próprio texto da Folha fala que a prótese dentária foi feita em um centro odontológico da prefeitura.

Já cientes dos métodos da mídia tradicional brasileira, analisamos com cautela a matéria da Folha e concluímos que ela deixa mais perguntas do que informações: não é bom agora uma pessoa ser beneficiada com próteses? O voto das pessoas que têm conquistado sua dignidade por meio da inserção em tantos programas sociais vale menos do que outros? A água na região, o acesso à energia elétrica, os fornos, os dentes, tudo isso tem mudado a vida dessas pessoas para melhor. Tem feito com que elas alcancem um patamar de cidadania nunca antes sequer sonhado por elas. A revolução na vida dessas pessoas, isso sim, seria assunto para muitas e muitas páginas de jornal. Mas alguns insistem em preferir os factoides.

No Muda Mais
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Empresa que nega compra do jato acidentado tem outro avião, que Campos também usava. Veja os documentos


A empresa Bandeirantes Companhia de Pneus, uma ex-recauchutadora de Pernambuco — que passou a importar e vender pneus chineses, e divulgou ontem nota negando que tivesse arrendado o avião Cessna PP-AFA usado por Eduardo Campos em sua campanha, e que o matou no acidente da semana passada em Santos – tem outro aparelho, igualmente cedido ao ex-candidato do PSB, de forma irregular.

registroÉ o birreator Learjet 45, arrendado do Bank of Utah Trustee, prefixo PP-ASV, que Campos usava até que um negócio ainda obscuro lhe proporcionou usar o Cessna mais moderno, que acabaria por matá-lo no acidente.

Em maio, o jornal A Tarde, da Bahia, registra o candidato junto ao avião, chegando para uma visita a Feira de Santana.

O registro completo da aeronave, que está ativo e indica que a Bandeirantes ainda o possui, pode ser consultado na Anac, usando este link e a matrícula, sem hifen.

O uso é irregular, porque o avião não estava licenciado para locação e nem aviação é o negócio de uma companhia de venda de pneus. O TSE determina que empresas só podem emprestar produtos ou serviços que estiverem ligados à sua natureza empresarial.

A situação está ficando cada vez mais complicada, pois não há explicação plausível para uma pequena empresa (aliás, uma filial da empresa, que mudou formalmente sua sede para uma sala em João Pessoa, na Paraíba) possuir um aparelho destes e ainda se interessar em comprar outro, ainda mais moderno.

Estão chegando muitos documentos e informações, mas este blog manterá sua política de só divulgar aquilo que estiver fartamente documentado, como os fatos desse post estão, pelo Registro Aeronáutico Brasileiro.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Antes de votar em Marina, você precisa conhecer Neca – e fazer a pergunta de R$ 18 bilhões


Você precisa conhecer Neca. Ela é a coordenadora do programa de governo de Marina Silva, pela Rede Sustentabilidade, ao lado de Mauricio Rands, do PSB. O documento será divulgado na semana que vem, 250 páginas consensadas por Marina e Eduardo Campos. Educadora, com longo histórico de obras sociais, Neca conheceu Marina em 2007. É uma das idealizadoras e principais captadoras de recursos da Rede Sustentabilidade.

Sua importância na campanha e no partido de Marina Silva já seria boa razão para o eleitor conhecê-la melhor. Ainda mais após a morte de Eduardo Campos. Mas há uma razão bem maior. Neca é o apelido que Maria Alice Setúbal carrega da infância. Ela é acionista da holding Itausa. Você pode conferir a participação dela neste documento do Bovespa. Ela tem 1,29% do capital total. Parece pouco, mas o valor de mercado da Itausa no dia de ontem era R$ 61,4 bilhões. A participação de Maria Alice vale algo perto de R$ 792 milhões.

A Itausa controla o banco Itaú Unibanco, o banco de investimentos Itaú BBA, e as empresas Duratex (de painéis de madeira e também metais sanitários, da marca Deca), a Itautec (hardware e software) e a Elekeiroz (gás). Neca herdou sua participação do pai, Olavo Setúbal, empresário e político. Foi prefeito de São Paulo, indicado por Paulo Maluf, e ministro das relações exteriores do governo Sarney. Olavo morreu em 2008. O Itaú doou um milhão de reais para a campanha de Marina Silva em 2010.

Em agosto de 2013 — portanto, no governo Dilma Rousseff — a Receita Federal autuou o Itaú Unibanco. Segundo a Receita, o Itaú deve uma fortuna em impostos. Seriam R$ 18,7 bilhões, relativos à fusão do Itaú com o Unibanco, em 2008. O Itaú deveria ter recolhido R$ 11,8 bilhões em Imposto de Renda e R$ 6,8 bilhões em Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A Receita somou multa e juros.

R$ 18 bilhões é muito dinheiro. É difícil imaginar que a Receita tirou um valor desse tamanho do nada. É difícil imaginar uma empresa pagando uma multa que seja um terço disso. Mas embora o economista-chefe do Itaú esteja hoje no jornal dizendo que o Brasil viveu um primeiro semestre de “estagnação”, o Itaú Unibanco lucrou R$ 4,9 bilhões no segundo trimestre de 2014, uma alta de 36,7%. No primeiro semestre, o lucro líquido atingiu R$ 9,318 bilhões, um aumento de 32,1% em relação ao primeiro semestre de 2013. O Unibanco vai muitíssimo bem. E gera, sim, lucro para pagar os impostos e multa devidos – ainda que em prestações.

A autuação da Receita foi confirmada em 30 de janeiro de 2014 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. O Itaú informou que iria recorrer desta decisão junto ao Conselho Administrativo de Recursos fiscais. Na época da autuação, e novamente em janeiro, o Itaú informou que considerava  “remota” a hipótese de ter de pagar os impostos devidos e a multa. Mandei um email hoje para a área de comunicação do Itaú Unibanco perguntando se o banco está questionando legalmente a autuação, e pedindo detalhes da situação. A resposta foi: “Não vamos comentar.”

O programa de governo de Marina Silva, que leva a assinatura de Maria Alice Setúbal, merece uma leitura muito atenta, à luz de sua participação acionária no Itaú. Um ano atrás, em entrevista ao Valor, Neca Setúbal foi perguntada se participaria de um eventual governo de Marina. Sua resposta: “Supondo que Marina ganhe, eu estarei junto, mas não sei como. Talvez eu preferisse não estar em um cargo formal, mas em algo que eu tivesse um pouco mais de flexibilidade.”

Formal ou informal, é muito forte a relação entre Neca e Marina. Uma presidenta não tem poder para simplesmente anular uma autuação da Receita. Mas tem influência. E quem tem influência sobre a presidenta, tem muito poder também. Neca Setúbal já nasceu com muito poder econômico, que continua exercendo. Agora, pode ter muito poder político. É um caso de conflito de interesses? Essa é a pergunta que vale R$ 18,7 bilhões de reais.

André Forastieri

PS do ViomundoÊta Brasil velho de guerra. A candidata do Partido Socialista Brasileiro (PSB) se junta com a banqueira que, em entrevista à Folha, prega autonomia do Banco Central, ou seja, que o Banco Central responda a banqueiros como ela e não à soberania popular, que é a base da ideia socialista. Falta inventar alguma coisa na política brasileira?
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“Dez razões para não votar em… – 4: Dilma Rousseff


Tenho cá minhas razões para não votar na Dilma. Mas como tenho outras milhares para votar, fico tranquilo em apresentar razões pelas quais alguém, pensando séria e honestamente — e não esse papo da mídia oligárquica —, poderia querer não votar nela.

1. Minha esposa gosta da Dilma e diz que até votaria nela. O problema está no “até” e não na Dilma. Até votaria, caso ela não fosse do PT.

Não é por ser casada comigo, o que por si só já demonstra uma excepcional inteligência, mas ela percebe algo que muitos percebem: o PT dá mostras de algo que em mecânica dos materiais chama-se “fadiga”.

Brincadeiras à parte, ou o PT se renova para a sociedade ou a renovação da sociedade acaba com o PT.

É um fenômeno que tem atingido a todos os partidos: fecham-se em copas e não acompanham a renovação da sociedade. Perderam a sensibilidade e o PT segue no mesmo caminho.

A vida real nos mostra um governo que definitivamente mudou esse país, mas está se tornando um governo sem partido e isso não é bom. E não é bom porque quem conquista corações e mentes é a ideologia e não apenas a economia.

As pessoas, uma vez trazidas à cidadania, certamente exigirão mais, como de fato já está acontecendo. e o PT não está acompanhando. E vai levar Dilma junto. Dilma passa a impressão de não ter grandes influências sobre o partido (concordo, em um partido que tem Lula, deve ser realmente muito difícil ter influência…)

2. Dilma não teve coragem de passar para a história como a presidenta que fez a lei de meios. É quase imperdoável, não fora a esperança de que no segundo mandato o faça.

É inaceitável que ainda convivamos com a mídia oligárquica dominando o país e sendo a real oposição. Ou, como eles gostam de pensar, o quarto poder.

Pode até ter sido uma opção estratégica o não enfrentamento da questão, pensando que é melhor para o país gastar as balas na questão social e não em meia dúzia de famílias. Só que é essa mesma meia dúzia a única que tem armas reais para acabar até com a opção social.

Se meu voto dependesse só disso, com certeza ela não levaria.

3. Dilma não teve coragem de bancar a reforma política.

Mandou projeto para o Congresso mas parou por aí. Perde a oportunidade de ser uma líder real na questão.

Talvez — talvez, não, com certeza a reforma mais importante que devemos ter no Brasil desde 1500. E vai passar em brancas nuvens mais uma vez por falta de coragem.

Se meu voto dependesse só disso, com certeza ela não levaria.

4. Dilma não teve coragem de fazer a reforma tributária.

Dilma administrou impostos para favorecer o consumo, o que é uma coisa bem diferente de uma reforma tributária, que passa, inclusive, pela coragem de influenciar o PT para que bancasse no Congresso, com força, legislação prevista sobre o tema na Constituição.

O nível dos impostos no Brasil não é o mais alto do mundo, como insiste em pregar a mídia oligárquica e a direita por ela capitaneada, mas é um dos — senão o maior — elemento contra uma real distribuição da renda.

O sistema tributário brasileiro é tão caótico e injusto, que a maior fuga de dinheiro no Brasil se dá pela sonegação e não pela corrupção. E a questão não é de termos mais fiscalização, mas de termos mais mecanismos que inviabilizem a sonegação, a evasão e outras formas de perder o dinheiro que deveria ser público.

E temos ainda o chamado “pacto federativo” que, sabemos, afunda estados e municípios em dívidas com a união.

É preciso ter coragem para fazer isso.

Se meu voto dependesse só disso, com certeza ela não levaria.

5. Dilma não mudou o perfil de gastos em propaganda do governo.

Isso é grave. Além de alimentar a mídia oligárquica (item 2), é a forma mais abominável de ser contra a democracia. É o fortalecimento da imprensa local que proporciona a multiplicidade de interpretações da realidade vivida pelos cidadãos. Fortalecer e manter a mídia oligárquica nacional em detrimento dos pequenos veículos locais é minar a democracia.

Requer uma coragem que a Dilma não teve.

Se meu voto dependesse só disso, com certeza ela não levaria.

6. Questões ambientais.

É possível, sim, desenvolvimento associado a um modelo de preservação ambiental. Ninguém quer viver nas cavernas, como pretendem alguns outros por aí, mas Dilma ignorou quase que por completo as questões de um projeto consistente na área ambiental.

Ações pontuais não significam ter um projeto ambiental, uma ideologia para a área. O Brasil não foi pensado de forma sistêmica. Parece que só temos dois caminhos: desenvolver ou voltar para as cavernas.

Não houve coragem para enfrentar o “dilema”.

Se meu voto dependesse só disso, com certeza ela não levaria.

7. Educação.

Educação virou sinônimo de orçamento. O grande debate nacional é quanto aplicar na educação. Pré-sal, depois do sal, salário, só falamos de dinheiro quando o assunto é educação. Investimento em universidade, em financiamentos, em programas de acesso.

E que tal uma reforma do ensino que contemple uma mudança no conceito da própria “educação”? Que inverta, realmente, a pirâmide social, passando a educação para o topo da consideração social?

Os educadores, hoje, são classe à míngua não por causa dos péssimos salários que recebem, mas por serem considerados a classe menos importante da nação. Valorizamos outras classes, ditas “mais nobres” em detrimento de quem educa nossos filhos.

A mudança passa até por esse conceito: propaga-se, hoje, que escola ensina e quem educa é a família, os pais. Nada mais errado. Escola, professores, todo mundo tira o seu da reta. Bacana, né?

E o governo o que faz para mudar esse paradigma? Nada! Faltou ao governo apresentar uma revolução na educação.

Se meu voto dependesse só disso, com certeza ela não levaria.

8. Saúde.

Saúde é problema de estados e municípios, subsidiariamente da união, no que diz respeito ao atendimento.

Mas cabe a união a concepção do sistema. E o sistema apresenta falhas que precisam ser corrigidas e não apenas de soluções pontuais como ter mais médicos na ponta, onde antes não existia.

O Mais Médicos é ótimo, mas representa a filosofia do resolver a consequência e não a causa.

Falta um projeto que resolva sistemicamente a questão da saúde.

Se meu voto dependesse só disso, com certeza ela não levaria.

9. O câncer da pós modernidade.

Governabilidade. Tudo é feito em nome dessa doença.

Quando era criança aprendi que o importante era ter princípios e deles jamais abrir mão. A governabilidade jogou por terra todos os princípios. É um câncer. Um câncer da política brasileira que está matando a sociedade.

A política deveria ser exemplo de princípios para os cidadãos. Educar é dar princípios. Fazer política é fazer educação por e para princípios de cidadania.

Quando cedemos ao câncer da governabilidade, matamos os princípios, matamos a educação da cidadania.

Dilma venceu um câncer, mas cedeu a outro.

Se meu voto dependesse só disso, com certeza ela não levaria.

10. Dilma é Lula-dependente. Retornamos ao ponto um.

Dilma perdeu a grande oportunidade de ser além-Dilma. Perdeu a grande oportunidade de criar a nova etapa do PT.

Se meu voto dependesse só disso, com certeza ela não levaria.

Apesar de tudo, ainda é quem pode mudar todas essas razões.

Luiz Afonso Alencastre Escosteguy
No Escosteguy

Leia também:

“Dez razões para não votar em…” — 1

 "Dez razões para não votar em… " — 2: Marina Silva

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É preferível um Aécio na mão que duas Marinas voando


A aposta em Marina Silva é de alto risco por várias razões.

Dilma Rousseff e Aécio Neves representam forças claras e explícitas e são personalidades racionais.

Dilma defende um neo-desenvolvimentismo com uma atuação proativa do Estado e Aécio a volta ao neoliberalismo de Fernando Henrique Cardoso.

Em 2011, o pânico em relação à inflação tirou Dilma do prumo. Mas ela tem ideias claras sobre o país e sobre o que quer: política industrial, investimentos em infraestrutura, aprofundamento do social.

Podem ser apontados inúmeros vícios de gestão, mas também tem feitos consagradores, como a própria política do pré-sal, a construção da indústria naval, o Pronatec, Brasil Sem Miséria e um conjunto de obras — especialmente na área de energia.

Mesmo sua teimosia mais arraigada não chega perto do risco da desestabilização — apesar do terrorismo praticado por parte do mercado.

* * *

Com Aécio, a economia será submetida novamente a uma política de arrocho fiscal. Haverá refluxo na atuação do BNDES, fim das políticas de incentivo fiscal, redução da ênfase nas políticas sociais, interrupção no processo de reaparelhamento técnico do Estado. Se venderá novamente o peixe da “lição de casa” e do pote de ouro no fim do arco-íris.

Assim como FHC, Aécio estará ausente do dia a dia. Mas certamente se cercará de um Ministério de primeira grandeza e há uma lógica econômica por trás de suas propostas.

Até onde pretenderá chegar com o desmonte do Estado social, é uma incógnita. Mas age com racionalidade.

* * *

Já Marina é uma incógnita completa.

Primeiro, pelos grupos que a cercam e que querem um pedaço desse latifúndio. E ela não tem um grupo para chamar de seu, a não ser para o tema restrito do meio ambiente.

Haverá uma disputa dura para saber quem a levará pela mão: economistas de mercado, os grandes empresários paulistas, ambientalistas radicais, os egressos do PSB e — se Marina se consolidar — os trânsfugas do PSDB paulista.

* * *

O segundo dado é o mais confuso: a personalidade de Marina que nunca foi de admitir ser conduzida por ninguém.

Os que conviveram com Marina no governo reforçam algumas características:

Dificuldade em entender economias industriais.

Baixo pique operacional. Praticamente não conseguiu colocar de pé nenhuma de suas propostas à frente do Ministério do Meio Ambiente.

Jogo de cintura nenhum.

Tudo isso seria contornável, não fosse um aspecto de sua personalidade: teimosia e voluntarismo exacerbados. No governo Lula era quase impossível a outros Ministros definir pactos com Marina. Nas vezes em que era derrotada, costumava se auto-vitimizar.

Os empresários paulistas que apoiaram sua candidatura estavam atrás do símbolo político, o Lula de saias, o Avatar dos novos tempos. Vice de Eduardo Campos seria o melhor dos mundos, pois o presidente asseguraria a racionalidade do governo.

Colocaram como seus porta-vozes economistas, importaram o brasilianista André Lara Rezende, que encontrou a melhor síntese para casar o livre mercadismo com as propostas ambientalistas de Marina: o país não pode crescer para não comprometer o equilíbrio do meio ambiente mundial. Quem chegou, chegou, quem não chegou não chega mais.

* * *

Experiências recentes do país indicam que o componente pessoal, a psicologia individual é um ponto relevante na análise de figuras públicas.

Resta saber se o país está disposto a pagar para ver.

Para os mercadistas: aguardem um mês de campanha antes de iniciar a cristianização de Aécio, para poder entender melhor a personalidade de Marina.

É preferível um Aécio na mão que duas Marinas voando.

Luís Nassif
No GGN
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A mediocridade de Alckmin é a chave de seu sucesso

Alckmin representa com perfeição o paulista conservador
Foto: Marcelo Pinheiro
Além da incrível capacidade de se manter invisível em qualquer circunstância que possa comprometê-lo, o governador paulista, Geraldo Alckmin, tem outra "qualidade" que talvez explique o fato de ser tão querido pelos seus concidadãos, que, de acordo com as últimas pesquisas eleitorais, vão reelegê-lo com facilidade: ele é de uma mediocridade inconcebível.

Alckmin é péssimo orador, não tem nenhum carisma pessoal, sua administração parece uma geleia insossa, sob o seu governo o Estado regrediu em quase todas as áreas — segurança pública, saúde, educação, transportes, habitação —, ao ponto de estar à beira de uma tragédia de proporções inimagináveis causada pela falta d'água.

Apesar de tudo, porém, muita gente diz que gosta de Alckmin — ou que não se importa de ele conduzir tão mal os negócios paulistas.

É como se a soma de seus defeitos se transformasse em virtude.

E talvez seja isso mesmo o que ocorra.

Alckmin é tão medíocre que se torna simpático ao eleitor paulista — ele mesmo tanto ou mais medíocre que o chefe do Executivo.

São Paulo é um Estado de população majoritariamente conservadora, que faz questão de se assumir como tal.

Até pouco tempo atrás, Paulo Maluf era o grande ídolo de boa parte dos paulistas, que também adoram José Serra e Gilberto Kassab,entre outros expoentes da desinteligência nacional.

As manifestações de preconceito nas redes sociais por parte dos paulistas contra negros, nordestinos, pobres em geral e petistas — que assumiram o lugar dos comunistas no imaginário dessa gente como representantes do mal absoluto - não param de crescer.

Alckmin se dá muito bem nesse caldeirão de reacionarismo, ignorância e falta de civilidade.

Para o cidadão classe média que se informa pela Globo, Folha, Estadão e Veja, ou seja, tem uma visão inteiramente parcial do mundo, Alckmin é um político perfeitamente digerível, que também, nas poucas vezes em que expõe sua ideologia, se mostra contra os petistas, contra os "bandidos" — geralmente pretos e pobres —, contra a "bagunça" dos sindicalistas e movimentos sociais, inteiramente a favor do status quo, dos valores defendidos com unhas e dentes pela classe média.

Não tem mais água em São Paulo?

Alckmin não tem nada a ver com isso, a culpa é da natureza, e ele até dá desconto na tarifa para quem economizar o líquido...

Foram roubados bilhões de reais do metrô?

Ora, provavelmente isso é uma invenção dos petistas...

A segurança pública piorou?

Bem, isso é porque o governo federal não cuida de proteger as fronteiras e deixa entrar armas e drogas...

A educação e a saúde estão uma porcaria?

Ah, isso é porque o governo federal não faz a sua parte...

E por aí vai.

Diz a sabedoria popular que cada povo tem o governo que merece.

No caso de São Paulo, a afirmação não poderia ser mais verdadeira.

O paulista olha no espelho e ali está Alckmin, com aquela expressão neutra, sem emoção — um chuchu.

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Taxa de desemprego em julho é a menor para o mês desde 2003


Estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feito em quatro regiões metropolitanas mostra que taxa de desemprego ficou estável de junho para julho de 2014. Em Belo Horizonte, a variação foi de 3,9% para 4,1%, enquanto no Rio de Janeiro, de 3,2% para 3,6%. Em Recife, a taxa passou de 6,2% para 6,6% e, em São Paulo, houve queda de 5,1% para 4,9%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Emprego (PME).

Em comparação com julho do ano passado, todas as regiões apresentam queda na taxa de desemprego. Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo tiveram a menor taxa para o mês de julho na série histórica [que começou em março de 2002]. Em 2013, BH o índice era de 4,3%, agora é de 4,1. No Rio de Janeiro, a taxa foi de 4,7% para 3,6%. São Paulo registrou uma queda de 5,8% para 4,9%. Recife foi a única exceção, porque o menor julho para essa região ocorreu em 2011. Mesmo assim, houve uma redução na capital pernambucana de 7,6% para 6,6%.

Já o rendimento médio real do trabalhador cresceu na passagem de junho para julho deste ano, em três das quatro regiões metropolitanas do País pesquisadas pelo IBGE.

A maior alta foi observada em Recife. O rendimento médio real habitual subiu em 1,2% no mês e 5,0% no ano, chegando a R$ 1.513,10. No Rio de Janeiro, o rendimento ficou em R$ 2.285,60, com altas no mês (0,7%) e no ano (8,9%). Em Belo Horizonte, houve leve alta de 0,2% e o valor chegou a R$ 1.898,70. Apenas em São Paulo houve queda do rendimento médio real mensal, de – 0,5%. O valor passou de R$ 2.112,83 em junho para R$ 2.102,70 em julho.

Blog do Planalto
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Chega de intermediárias: Neca Setúbal para presidente


Na década de 1960, quando o embaixador norte-americano Lincoln Gordon dava seguidas e constrangedoras demonstrações de poder junto aos generais que tentavam dar a impressão de mandar no Brasil após o golpe militar, o jornalista Paulo Francis cunhou uma frase que ficou famosa: “chega de intermediários. Lincoln Gordon para presidente.”

Sessenta anos se passaram e o Brasil mudou bastante desde então. Morto em 1997, o próprio Paulo Francis tornou-se um barítono da direita brasileira, servindo de mestre para um conservadorismo que não conseguia renovar-se por si próprio.

O país se democratizou, os brasileiros fizeram uma constituição democrática e, dentro de poucas semanas, irão votar para presidente pela sétima vez consecutiva, em ambiente de paz e plena liberdade de expressão — isso nunca aconteceu na república brasileira, em período algum.

Com um histórico de desigualdade e exclusão, na última década o país conseguiu avanços memoráveis na luta contra a pobreza, por uma melhor distribuição de renda. É inegável.

Mas nem tudo se modificou, como mostra Fernando Rodrigues, na Folha de hoje.

A entrevista de Maria Alice Setúbal, a herdeira do Itaú, que, manda a tradição aristocrática brasileira, prefere ser tratada em público como Neca, apelido familiar, é um assombro.

Educadora, por profissão, Neca é, também, bilionária por herança. É uma conversa sem rodeios nem inibições. Desde a confirmação da candidatura Marina, a herdeira do Itaú foi confirmada como coordenadora do programa de governo. Lembra de Antonio Palocci, que teve um papel essencial na estruturação do governo Lula, depois da vitória de 2002, inclusive com a Carta ao Povo Brasileiro? Seu lugar no organograma era o mesmo. Imagine o poder de Neca.

Maria Alice fala do ponto mais importante: autonomia do Banco Central, medida que, nós sabemos, concentra o ponto fundamental da campanha de 2014 — permitir ao sistema financeiro recuperar o controle absoluto da política econômica, definindo a taxa de juros conforme análises e projeções de instituições privadas que atuam no mercado.

Nós sabemos que, hoje, o governo Dilma procura manter a inflação sob controle e tem obtido vitórias importantes — há quatro meses os preços estão em tendência de queda e as projeções indicam um movimento semelhante no próximo levantamento. Apesar disso, o governo não abre mão de proteger os salários e de tomar toda medida a seu alcance para manter o emprego, em seu mais baixo nível da história. Isso só é possível porque, mesmo sem dar ordens ao Banco Central, a presidência da República tem o poder de indicar e demitir seu presidente.

A autonomia do BC é a senha para se mudar isso. Em vez de deixar a política econômica em mãos de tecnocratas que respondem a uma autoridade eleita, o que se quer é dar independência aos diretores do banco, que passam a ter mandato e assim por diante. Independência de quem? Das autoridades que de uma forma ou outra expressam a soberania popular.

Eduardo Campos já havia se declarado a favor da autonomia do BC, postura que causou espanto nos aliados que recordavam a herança do avô Miguel Arraes. Marina disse na época que não era favorável. Parecia resistir. “Enfim”, concordou, explica Maria Alice, esclarecendo que se quer definir o assunto em lei.

Criado pela ditadura militar, o Banco Central brasileiro guarda uma peculiaridade em comparação com originais estrangeiros. O Federal Reserve Americano, por exemplo, tem o dever de defender a moeda do país — e o emprego dos cidadãos. Essa missão com duas finalidades está lá, em mármore, na porta da instituição. No Brasil, não há referência ao emprego. Outros tempos, outros governos. Entendeu, né?

A coordenadora Maria Alice não é uma eleitora qualquer, cujo voto representará 1/100 milhões na eleição. O Itaú é um gigante com US$ 468 bilhões de ativos em 2013. É um número respeitável por qualquer padrão, inclusive internacional. Numa lista com os 15 maiores bancos dos Estados Unidos, o Itaú fica a frente de nove em ativos. Mas não é só.

Se você comparar a rentabilidade sobre o patrimônio, o banco da coordenadora da campanha de Marina supera mesmo os maiores bancos da maior economia do planeta. Diz a consultoria Econométrica que em 2013, o Itaú teve um rendimento da ordem de 16,70% sobre o patrimônio, algo perto de US$ 70 bilhões, só no ano.

Só para você ter uma ideia, o US Bancorp, mais lucrativo banco dos Estados Unidos, teve uma rentabilidade de 15,48%. Os maiores bancos dos EUA estão longe de exibir um desempenho comparável ao Itaú, no entanto. O Morgan, com um patrimônio mais de quatro vezes maior do que o Itaú, teve um rendimento 50% menor, em termos relativos. O rendimento do Citi, três vezes maior, teve um rendimento de equivalente a um quatro daquele auferido pelo Itaú, em termos proporcionais.

O Itaú não é o único banco brasileiro nessa posição. Bradesco e Banco do Brasil sobrevivem em ambiente muito parecido. A diferença é que os concorrentes não colocaram uma herdeira no comando de uma campanha presidencial, o que dá um grau de proximidade particularmente perigosa.

O Banco Central que a coordenadora Maria Alice quer autônomo já define, hoje, a taxa básica de juros e isso explica a força do setor financeiro no país. Caso essa situação seja colocada em lei, a situação ficará ainda pior.

Protegidos por uma taxa de juros que já foi muito mais alta no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas segue uma das maiores do mundo, os bancos crescem e engordam recebendo rendimentos pelos títulos do governo. Com os lucros do rentismo, os bancos não tem necessidade de emprestar ao empresário nem ao consumidor, atividade que está na razão de sua existência, no mundo inteiro. A taxa média anual de juros nos empréstimos bancários, em 2013, foi de 27,3% no Brasil. Uma barbaridade. Só em Madagascar (60) e Malawi (46%) esse ganho foi maior. No Canadá ficou em 3%. Na China, em 6%. Na Italia, em 5,1% e na Suíça, 2,6%. Nos Estados Unidos, ficou em 3,2%, ou oito vezes menor do que no Brasil. Na Inglaterra, ficou em 0,50%, mais quarenta vezes menor.

Dá para entender, assim, a desenvoltura de Maria Alice Setúbal.

Pode parecer arrogância, mas não é isso. É pura expressão de uma realidade política profunda. Alguém reclamava na França do Século XVII quando o Rei Sol dizia que “o Estado sou eu?” Era natural, vamos combinar.

Sem demonstrar inibições maiores, a herdeira do Itaú faz críticas diretas ao estilo de Dilma Rousseff. Avançando num argumento que reúne varias camadas de preconceito, nem sempre invisíveis, falou que a presidente exerce uma “liderança masculina.” Vinte e quatro horas depois que a candidatura de Marina provocou a saída de dirigentes históricos do PSB da campanha, ela achou conveniente definir Dilma como “desagregadora”.

Marina trouxe uma representante do 1% do PIB mundial para o comando de sua campanha.

É aquela turma que atua por cima dos estados nacionais e tem ligações frágeis com as respectivas populações porque seu horizonte é o mercado global. Como se aprende com o Premio Nobel Joseph Stiglitz, são esses interesses que impedem uma recuperação firme após a crise de 2009. O povo foi a rua em várias versões de ocupação e nada acontece. O 1% não quer e não deixa.

As grandes instituições financeiras seguem dando as cartas do jogo, mesmo depois de suprimir 60 milhões de empregos e destruir o futuro de várias gerações de trabalhadores.

O que a turma de 1% quer é eliminar o Estado de Bem-Estar Social aonde existe, ou impedir seu crescimento, ande está para ser construído. Isso porque ele funciona como uma garantia contra a reconcentração de renda e preservação dos direitos democráticos, que nem sempre comovem os mercados. Em alguns países do mundo, a força destruidora da crise não fez seu trabalho. Um deles é o Brasil, onde o governo de Luiz Inácio Lula da Silva se recusou a tomar medidas que criariam uma Grécia infeliz e sem futuro na América do Sul. Vem daí a campanha de ódio contra seu governo e contra sua sucessora.

É isso e apenas isso.

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Joice Hasselman — a nova Sheherazade — e Lobão: par perfeito

Joice e Lobão: par perfeito
E quando parecia que não poderia existir nada mais reacionário que Rachel Sheherazade no campo das apresentadoras eis que surge Joice Hasselman.

Tinha que ser na Veja. Na tevê da Veja. TVeja.

A Veja importou Joice do Paraná, onde ela tinha um blogue sobre o qual recaíram copiosas acusações de plágio.

É uma Sheherazade loira. Ou um Jabor de saias. Ou um Augusto Nunes de batom. Ou um Olavo Carvalho de salto alto. Ou um Reinaldo Azevedo com cabelo. Ou um Constantino sem excesso de peso.

Você escolhe.

Ela entrevista suas almas gêmeas. Nesta terça, foi Lobão, com ares de Confúcio míope em seu cavanhaque branco que está quase batendo no peito.

Com pose de gênio, Lobão se declarou, orgulhoso, um “predador”. É o oposto dos “paus molengas”, expressão que ele deu para repetir incessantemente.

Desferiu as habituais pancadas no PT e disse que é um erro a maioria decidir os rumos de um país, porque a maioria é burra.

Teríamos, no mundo de Lobão, uns poucos Lobões decretando o que é bom e o que é ruim para nós.

Essa é a noção dele de uma sociedade saudável.

Joice achou incrível essa colocação de Lobão.

Eles levaram um furo para a TVeja. Capilé, segundo Lobão, tem grandes chances de ser o ministro da Cultura num governo Marina.

Em torno desse delírio ministerial, Lobão e Joice falaram por longos minutos. Lobão, a pedido dela, explicou detalhadamente o que significa ter Capilé no Ministério da Cultura.

Como disse Wellington, quem acredita em Capilé ministro — em qualquer governo — acredita em tudo.

Lobão diz que Marina é na verdade do PT, e então a solução é votar em Aécio, o esquerdista Aécio. E depois torcer para que surja um partido de direita porque o PSDB, segundo ele, é de esquerda.

Lobão parece lobotomizado. É como se as ideias ultradireitistas de Olavo de Carvalho tivessem tomado seu cérebro e o impedissem de raciocinar. O fundamentalismo de OC é particularmente perigoso para analfabetos políticos como Lobão, pois lhes dá a ilusão de haver encontrado a solução resumida para todos os problemas da humanidade.

E em sua louca cavalgada Lobão já não se dá conta das incoerências que profere.

Fala nas liberdades individuais, mas é contra o aborto e contra o casamento gay. No fundo, é uma versão rock’n’roll do Pastor Everaldo.

Compôs, com Joice Hasselman, um par perfeito na TVeja. Para ficar melhor, só faltou no final um letreiro dizendo que foram felizes para sempre.

Para quem sente saudade de Rachel Sheherazade — não esta condenada a ler notícias no teleprompter, mas aquela que vociferava contra qualquer coisa vinculada à esquerda — Joice é a solução.

Para os demais, ela é uma prova a mais de que a direita no Brasil é uma piada.

Paulo Nogueira
No DCM
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Execução de jornalista americano: encenação holliwoodiana



Um vídeo divulgado esta terça-feira na Internet, onde se vê um jornalista freelancer norte-americano a ser decapitado, está a chocar a América e o mundo.

A execução foi reivindicada pelo Estado Islâmico (ex-Estado Islâmico do Iraque e do Levante) e registada em vídeo.

Na gravação, James Foley faz uma curta declaração, na qual condena as acções dos Estados Unidos no Iraque e acusa o Governo de Washington de ser o responsável pela sua morte.

O vídeo, com elevada qualidade de imagem e som, apresenta um jihadista todo vestido de preto, e James Foley vestido cor de laranja vivo (curiosamente as cores dos detidos em Guantanamo) com o deserto em fundo. Mais parece um filme ao estilo de "Lawrence da Arábia", e de facto poderá sê-lo.

Vário pormenores não batem certo:

— Pelos plano apresentados, existem duas câmaras a filmar a cena, o que não deixa de ser curioso.

— As imagens são bem enquadradas, filmadas em HD, com cores e luzes perfeitas.

— O som é perfeito e claro, de alta-fidelidade.

— O jornalista tem, inesperadamente, colocado um microfone de lapela.

— O jornalista que sabe que irá ser executado fala com uma voz calma e clara (como se recitá-se um texto decorado) de cabeça levantada, o que não é habitual neste tipo de situação.

— O executante exibe um punhal que para decapitação não passa de uma faca de cozinha, decapitar alguém necessita de um sabre ou catana, dado a dificuldade em quebrar as vértebras cervicais.

— Esse punhal possui um cordão, que pode ser colocado em volta do punho, que no momento da execução não existe.

— As execuções habitualmente são feitas no local de detenção e não no meio do deserto.

— O executante tem curiosamente um sotaque britânico.

— Habitualmente, os executantes são mais do que um.

— Habitualmente, o executado (neste contexto) é colocado no chão, dado que com este pequeno punhal é muito difícil decapitar alguém de pé ou ajoelhado.

— Ao cortar o pescoço a uma pessoa pelo o lado da frente, imediatamente começa a jorrar sangue pelas lesões das carótidas.

— Os vários vídeos de decapitações praticados pelos jihadistas apresentam o vídeo sem cortes, neste, quando começa a decapitação existe uns segundos de interrupção (a negro, sem imagens). Se o objectivo dos jihadistas era de chocar, porquê interromper as imagens? Não querem ferir a susceptibilidade das pessoas mais sensíveis?

— Depois da decapitação, existe uma pequena poça de sangue junto do pescoço (demasiada pequena) no entanto a cabeça está ensanguentada e não existe qualquer rasto de sangue na túnica do executado.

Octopus
No Redecastorphoto
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Essa é do Barão... 20


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O que passa batido, para quem foi adestrado a somente ler manchetes!


Notícia recente no “O Globo” tem por machete: “Mensagem no WhatsApp abre crise entre Tarso e grupo de comunicação“.

O texto mostra claramente o que acontece, só que é necessária a leitura completa e não apenas a manchete:

Faz mais de um mês que passei os números que mostram redução da mídia do governo na Band… Faríamos uma reunião para checar isso e ver correções e nada… Acho que teremos quatro anos duros de relacionamento”, escreveu o diretor”. 

A mensagem, recebida pelo assessor de imprensa do governador Tarso Genro, foi enviada pelo diretor geral do grupo Band no Rio Grande do Sul, Leonardo Meneghetti.

Coincidentemente, poucos dias após a Band divulga pesquisa apontando Tarso muito abaixo da concorrente Ana Amélia.

Traduzindo: ou me dá dinheiro, ou faço campanha contra ti nos meus veículos.

Essa é a forma de jogar da mídia oligárquica: suja!

O que me espanta (não deveria, eu sei) é que governos em todo o Brasil se submetem a esse tipo de pressão.

Luiz Afonso Alencastre Escosteguy
No Escosteguy
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