19 de ago de 2014

Bonner, o entrevistador

Perigo à vista
Bonner, com a série de entrevistas com os candidatos à presidência, talvez não faça ideia do risco que corre.

Sua agressividade deu a elas — às entrevistas — uma dimensão muito acima do que você poderia imaginar em sabatinas na Globo.

Justiça seja feita: a agressividade esteve sempre presente. Não foi seletiva. O que foi diferente foi a reação dos entrevistados.

Aécio, por ser o primeiro da fila, foi claramente surpreendido, e pagou o preço disso com respostas titubeantes e evasivas.

Dilma já sabia o que a esperava, e se preparou para a pancadaria.

Bonner, em suma, virou notícia.

Numa empresa familiar, isto pode ser fatal.

A regra de ouro em empresas familiares é a seguinte: não brilhe mais que seu patrão, ou você está frito.

Em meus dias de editor da Exame, era comum darmos capas com executivos que estavam fazendo grandes transformações em empresas familiares.

Dias, semanas depois, vinha a notícia: o dono demitiu nossa capa.

Ciúme.

Na Globo, isso é ainda mais acentuado.

Não basta à família Marinho ter total controle sobre o que é dito ou não dito no Jornal Nacional.

É preciso que todo mundo saiba disso.

O jornalista Evandro de Andrade, que dirigiu o Globo e o telejornalismo da empresa, sabia perfeitamente disso.

Em sua biografia sobre Roberto Marinho, Bial conta que Evandro conseguiu o cargo de editor do Globo depois de garantir ao patrão que era “papista”.

Isso queria dizer o seguinte: o Papa Roberto mandou, está mandado. Não se discute.

Evandro jamais apareceu, porque o papismo não admite dupla autoridade. Por isso chegou aonde chegou. E por isso só saiu da Globo morto, num caixão.

No Estadão, nos anos 1990, Augusto Nunes desafiou a regra das empresas familiares. Tinha assumido fazia pouco tempo o jornal, e topou ser capa da revista Veja São Paulo. Aparecia como uma espécie de salvador dos Mesquitas. Aquela capa foi seu epitáfio no Estadão. Dias depois, estava fora.

O telejornalismo da Globo nunca teve um âncora exatamente por esse motivo. Um âncora se destaca, ganha notoriedade, autonomia, e pode falar coisas que os Marinhos não querem que sejam ditas.

Bonner é uma extensão modernizada de Cid Moreira. Dá a impressão de ter mais conteúdo, mas no fundo o que faz é ler.

E é assim que ele sempre foi visto, dentro e fora da Globo: um leitor de notícias que escrevem para ele.

Esta série inusual de entrevistas muda a forma como Bonner é visto fora da Globo.

Ele ganhou estatura. Parece ter uma influência que ninguém jamais enxergou nele.

É certo que nenhuma pergunta que ele fez e fará aos candidatos escapou do crivo e da aprovação dos Marinhos, nos bastidores.

Mas isso o mundo exterior ignora. E de repente Bonner parece, para a voz rouca das ruas, ter o tamanho de um Shaquille O´Neal.

Isso atrairá a ele, internamente, doses copiosas de raiva e inveja.

Começa no seu chefe, mas vira um problema mesmo quando chega ao acionista.

O maior risco, para Bonner, será acreditar que pode voar. Não pode. Só poderia se a emissora fosse sua.

Ou se a Globo não fosse, como é, um papado, como entendeu tão bem Evandro de Andrade.

Paulo Nogueira
No DCM
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Horário eleitoral: programa de Aécio pareceu coisa de amador comparado ao de Dilma


O programa eleitoral dos candidatos a presidente da República começou de forma muito surpreendente. O programa de Aécio Neves foi muito ruim. Bem abaixo das expectativas, sendo mais confuso e menos claro que os de Luciana Genro e Pastor Everaldo.

O tucano começou falando sobre Eduardo Campos e disse que a melhor forma de homenageá-lo era colocar em práticas suas ideias. Ou seja, só faltou dizer que a melhor forma de homenageá-lo era votar nele, Aécio. Disse que o Brasil de hoje é um país muito melhor do que o de décadas atrás, mas que essa realidade vem mudando e que as conquistas estão em risco. Que a inflação já está batendo na sua porta e entrando na sua casa. E que os empregos estão começando a desaparecer e o país está perdendo o rumo. Para finalizar, disse que aquilo que depende  dos próprios brasileiros está dando certo, mas o que depende do governo está dando errado.

Ou seja, Aécio vai apostar no discurso da crise. De que o país está no rumo errado e que precisa trocar o comando.

Isso não é exatamente uma novidade. Um candidato de oposição não pode ficar louvando a ação de quem está no cargo. Mas o tom do discurso parece ter passado do ponto. Afinal, a inflação está controlada, por exemplo, e não há uma crise de empregos.

O que mais surpreendeu no programa de Aécio foi a embalagem. As imagens pareciam toscas, quase amadoras. A narrativa também foi bem primária. E a fala do tucano não aparentava nem sinceridade e nem emoção. É muito estranho que isso tenha acontecido, até porque marqueteiros de alto nível trabalham com pesquisas qualitativas. Mas quem assistiu ao primeiro programa de TV de Serra em 2010 também deve se lembrar que ele foi bem fraco. Foi o programa do samba na laje com cenário fake no qual o candidato que era chamado de “Zé”.

o programa de Dilma não superou as expectativas, mas foi ao ponto do que parece ser a fraqueza da candidata, com uma linguagem clean e bem articulada. Começou dizendo que muita coisa aconteceu e que também muito havia acontecido sem que as pessoas tenham notado. Fica claro que durante o programa eleitoral o marketing de Dilma vai tentar mostrar aquilo que não foi bem comunicado durante seu governo. E de forma comparada. Por exemplo, o locutor fez questão de frisar que enquanto 60 milhões de empregos foram destruídos no exterior na maior crise internacional dos últimos tempos, no Brasil foram criados 11,9 milhões de empregos. E que neste período o país também fez um dos maiores conjuntos de obras de infraestrutura do mundo.

A mensagem é que o Brasil se preparou neste seu primeiro mandato para viver um novo ciclo de desenvolvimento. Este parece que vai ser o mote da campanha. E a presidenta será apresentada como “uma mulher que acorda cedo, trabalha muito, gosta de cozinhar, sente saudade da filha e do neto que mora longe. E que compartilha das esperanças do brasileiros”. Ou seja, como uma ser humano que vive os mesmos dilemas de um cidadão comum, mas que é obstinada.

Num dos momentos, Dilma diz: “Todo dia você tem que matar um leão e de certa forma subir e descer o Everest”. Por isso ela teria conseguido evitar que a crise internacional entrasse porta adentro da casa dos brasileiros. “Quem é pessimista não resolve, porque não dá o primeiro passo. Pessimista é a pessoa que desiste antes de começar”. Direto no ponto em relação à abordagem do programa de Aécio. Tudo isso num cenário bucólico, falando entre árvores, com som de pássaros ao fundo.

E o programa ainda teve Lula. Que disse que o segundo mandato dele foi bem melhor do que o primeiro. E que tem certeza de que com Dilma vai acontecer o mesmo. Ao final, depois do jingle que tem mensagens bem específicas para quem ainda não acha que a presidenta vá continuar, Lula voltou para falar sobre Eduardo Campos. “Tínhamos um afeto de pai e filho. Sua luta sempre foi e continuará sendo a nossa luta. Nós, nunca, jamais, vamos desistir do Brasil”.

A distância da qualidade do programa de Dilma para o de Aécio foi um oceano. É bem provável que a equipe do tucano melhore aos poucos a qualidade de seus produtos. Mas se depender desse programa de estréia, a petista pode melhorar muito nas próximas pesquisas.




Aécio detona Alckmin no horário eleitoral com lata d'água na cabeça

Aécio critica Alckmin indiretamente, colocando moradora de São Paulo,
vítima do racionamento da SABESP buscando água em um rio.
A coisa está feia no ninho tucano. Até a pontaria do marqueteiro acerta em cheio no alvo errado. Atirou na Dilma e abateu o Alckmin.

No primeiro dia do horário eleitoral, Aécio Neves abriu fogo "amigo" contra seu correligionário e candidato à reeleição para governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Numa propaganda que gastou todos os 4 minutos e meio com um discurso de político profissional, daqueles chatos de doer, aos 2m33s, para desespero de Alckmin, Aécio colocou cenas de uma brasileira com falta de água em casa buscando água com um balde no rio.

Ao fundo a voz soturna do senador tucano narrava "Mas hoje os brasileiros estão sozinhos, tendo que se se virar para resolver os seus problemas", enquanto a brasileira levava a lata d'água na cabeça.

No Amigos do Presidente Lula
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Jornal Nacional: por que nem sempre “encostar na parede” é entrevistar bem

O constrangimento está no ar… Bonner, Patricia e Dilma no Jornal Nacional
Ao contrário das telenovelas, o telejornalismo brasileiro não é exatamente um produto de exportação. O principal telejornal da principal emissora de TV do País tem praticamente o mesmo formato há 45 anos — a única diferença digna de nota, além da natural evolução tecnológica, é que hoje é apresentado por homem & mulher e não por dois homens. O “especial” semanal jornalístico da emissora possui, inclusive, o mesmo apresentador há 42 anos, com breves interrupções. E a “revista” dominical, que existe desde 1973, se firmou como tradição, mas já teve dias melhores.

São programas assumidamente inspirados na TV norte-americana, até mesmo nos nomes: o Good Morning, America é o principal noticioso nas manhãs dos Estados Unidos hoje. Lembra o nome de algum matutino brasileiro? Chacrinha já dizia: “em televisão nada se cria, tudo se copia”. E o pior é que as outras emissoras da TV aberta, em vez de partirem para algo novo, simplesmente copiam a cópia. Ou seja, não existe concorrência.

É um estilo de fazer jornalismo, como todos os demais, que evidencia cansaço. Apesar de ainda ser o telejornal mais visto, a audiência do Jornal Nacional tem caído nos últimos anos e hoje está na casa dos 20 pontos, de acordo com o Ibope. Nos EUA, fonte onde nosso telejornalismo bebe, o noticiário da TV a cabo ganhou proeminência na última década, CNN à frente. Mas o legal é que o telespectador lá na gringa tem a opção de assistir notícias a partir de um canal mais liberal — o MSNBC — ou um conservador — a Fox News. Melhor: segundo um estudo recente, quase 40% dos que assistem a um também assistem ao outro.

Aqui, o coronelismo midiático coloca uma única emissora e seu telejornal como a fonte de informação primordial do País. Assim, a cada quatro anos, os candidatos à presidência da República vão todos parar no Jornal Nacional para responder às perguntas do casal da vez, sob as regras da emissora. Ir ao Jornal Nacional é quase uma forma contemporânea de ir pedir a bença ao coroné. Considera-se “vitorioso” o candidato que se sair bem do tiroteio baseado em “temas polêmicos”.

Para o repórter, a vantagem de se construir uma entrevista “batendo” é que você transmite a ideia de ser um profissional “imparcial”, aplicando ao jornalismo a máxima popular “o pau que bate em Chico, bate em Francisco”. Foi o que aconteceu nas entrevistas de Aécio Neves, Eduardo Campos e agora, com Dilma Rousseff. Nas redes sociais, vários comentaristas e leitores saudaram a “imparcialidade” do Jornal Nacional ao colocar Aécio (apontado pelos críticos à emissora de ser seu favorito) “contra a parede”.

É sempre bom lembrar a ânsia da rede Globo de tentar transmitir aos telespectadores “imparcialidade” em seu jornalismo desde que, em 1989, foi acusada de fazer, em pleno Jornal Nacional, uma edição do último debate entre os presidenciáveis Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva favorável ao primeirode quem também se “desconfiava”, na época, ser o candidato da emissora. Collor ganhou a eleição, a Globo acabou reconhecendo não ter sido uma edição equilibrada e parou de editar debates.

Cada vez que “bate” em um candidato alinhado à sua ideologia, o Jornal Nacional tenta, portanto, bater também no fantasma de 1989. Mas bater não significa necessariamente fazer uma boa entrevista. Em minha opinião, entrevistar bem é arrancar revelações do entrevistado, boas frases e, sobretudo, mostrar se a pessoa de fato tem ou não ideias. Nenhuma das entrevistas feitas pelo Jornal Nacional nesta eleição (falta a de Marina Silva) soube arrancar revelações ou boas frases de ninguém, mas apenas Dilma Rousseff, do PT, deixou de exibir qualquer projeto seu na entrevista.

Aécio Neves disse que vai retomar o ritmo de crescimento; promover mais transparência; lutar contra a inflação; enxugar o Estado; ser renovador no campo ético, moral, e ampliar as boas políticas do governo atual. Eduardo Campos, em sua última entrevista, prometeu melhorar a vida do povo; acabar com a violência; fazer o Brasil voltar a crescer; melhorar a mobilidade urbana; construir a escola em tempo integral; dar passe livre para os estudantes no transporte público. Dilma Roussef prometeu que o Brasil continuará a ser um país de classe média. Só.

Por que isso aconteceu? Dilma é prolixa. Verdade. E há uma mútua antipatia entre o PT e a Globo. Isso é inegável e coloca uma “trava” imediata entre entrevistador e entrevistado. Mas houve, sim, uma diferença sutil de tratamento do Jornal Nacional para com Campos e Aécio: com eles, os apresentadores não rebateram as respostas no meio, dando-lhes pelo menos a oportunidade de mostrar algo do que propõem. As perguntas lhes serviram de escada, a famosa “levantada” para o sujeito chutar. Isso pode ser visto aqui, na primeira pergunta feita por William a Aécio Neves. Ou aqui, na primeira pergunta feita a Eduardo Campos por Patricia Poeta. Já na primeira pergunta a Dilma, a palavra “corrupção” foi mencionada SETE vezes — ao todo foram treze (confira aqui). Com Aécio foram três; com Eduardo, nenhuma.

Dilma ficou sob fogo cerrado sem pausa. Absolutamente todas as perguntas vieram de maneira negativa e adjetivada, sem a sobriedade esperada de jornalistas “isentos”. Com Aécio e Eduardo, as perguntas duras serviram para dar ao candidato o direito de se explicar diante de milhões de espectadores, e à Globo, uma chance de se mostrar “imparcial”. Imparcialidade demonstrada, os dois apresentadores impuseram à presidenta-candidata acusações em vez de perguntas: “seu partido teve um grupo de elite de pessoas corruptas”, “corrupção não é o único problema”, “o resultado (da economia) é muito ruim”. Nenhum dos rivais de Dilma, ex-governadores de Estado, foi acusado desse jeito nem rebatido enquanto respondia. Na verdade, Bonner e Patricia “bateram” mesmo foi em Dilma; nos outros dois, foi direito de resposta, “outro lado”.

Dilma, uma técnica, após 4 anos de presidência continua com dificuldade de se expressar de forma fluida, ao contrário de seus oponentes, com longa carreira política. Mas esta técnica de “imparcialidade” usada com petistas no Jornal Nacional não facilita nem para um candidato com maior traquejo. Com Lula foi a mesma coisa em 2006: ele passou a maior parte do tempo contra as cordas, sem chance de transmitir qualquer conceito positivo. Mas, diferentemente de sua sucessora, Lula é um orador experiente e tem timing (assista à primeira entrevista de Lula candidato a reeleição em 2006 aqui). Fora de seu habitat, a dupla de entrevistadores também titubeou, e Dilma pôde emplacar pelo menos algumas defesas incisivas, como quando citou o “engavetador-geral da República” de FHC — mas não projetos.

Se você quer ser “imparcial”, coisa que duvido existir, deve pelo menos se preparar para fazer uma boa entrevista elencando temas polêmicos, claro, mas focados no futuro do País, nas propostas do candidato, e não no passado. Por exemplo: Aécio Neves concorda com seu coordenador econômico Arminio Fraga que o salário mínimo “subiu demais”? Ou seja, pretende acabar com o gatilho do salário mínimo? E Dilma, vai fazer algo a respeito da violência policial, que ela mesma disse considerar um dos mais graves problemas do Brasil hoje? São questões que despertam o interesse de milhões de brasileiros e não foram nem sequer mencionadas na “principal” entrevista do “principal” telejornal da “principal” emissora. Fraco.

Acho que, para começar, 15 minutos é pouco tempo para uma entrevista. Um jornalismo de fato sério, consequente, exigiria no mínimo 30 minutos para cada candidato. Nos Estados Unidos, que nossos telejornais tanto imitam, o programa que faz as mais famosas entrevistas com candidatos à presidência chama-se justamente 60 Minutes. Eu sempre digo que as coisas bacanas dos EUA ninguém copia… Com esse tempo exíguo, só com muito boa vontade dos entrevistadores — o que não houve com Dilma — se consegue transmitir alguma ideia de fato. A presidente é favorita à reeleição, mas se ganhar, o que pretende fazer? No que depender do Jornal Nacional, continuaremos na dúvida.

Cynara Menezes
No Socialista Morena
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Computador do Planalto altera verbete de William Bonner na Wikipédia


NUVEM - O perfil de William Bonner na Wikipédia foi atualizado minutos após a entrevista de Dilma Rousseff no Jornal Nacional. "William Bonner é o tagarela que apresenta o Jornal Nacional. O apresentador não fecha a matraca, é mal educado com os entrevistados, tem caraca no pescoço e fala de boca cheia", diz o início do texto.

Logo após a entrevista, enquanto manejava um laptop, Dilma Rousseff demonstrou espanto ao descobrir que o nome do apresentador era William Bonemer Júnior e que sua data de nascimento era 16 de novembro de 1963. "Você é jornalista, publicitário, apresentador e escritor brasileiro?", perguntou a mandatária, sem dar tempo para a resposta. Investigações deste piauí Herald, ainda não interrompidas por uma fala de Dilma, revelam que a alteração foi feita por um computador ligado ao wi-fi da presidência.

No final da noite, no verbete do Jornal Nacional, aparecia uma frase atribuída a Romário. "Patricia calada é uma Poeta", diz.

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Após entrevista com Dilma, Bonner aparece com 20% das intenções de voto


Segundo assessores do Planalto, Bonner e Dilma combinaram uma partida de Fifa 2014 para decidir, afinal, quem ganhou o debate. A direção do Jornal Nacional já decidiu que, num eventual segundo turno, todas as entrevistas acontecerão dentro de um ringue de boxe.

Outra possibilidade é fazer um Big Brother com os candidatos – o povo votaria pelo telefone para escolher o novo presidente. O BBB Brasília, porém, não terá confessionário porque todo mundo sabe que político nunca confessa.

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Bonner falou 40% do tempo!

E eles chamam isso de “entrevista”!


O Conversa Afiada reproduz artigo devastador de Ricardo Amaral, autor do imperdivel “A Vida quer é Coragem”, sobre Dilma Rousseff:

A mensagem do JN: “eles não gostam dela”

Com manhas de pau-de-arara, Dilma escancarou a parcialidade da Globo e o amadorismo de Bonner

Por Ricardo Amaral

A entrevista com a presidenta Dilma Rousseff expôs, com rara contundência, a parcialidade da Globo na cobertura do governo e do PT. Utilizando manhas de quem passou pelo pau-de-arara, Dilma pôs abaixo a tentativa da Globo de parecer “isenta” nesse capítulo das eleições. Isso não é banal, no momento em que a credibilidade da imprensa hegemônica segue abalada pelo fiasco histórico da “operação Copa”.

A credibilidade do jornalismo da Globo saiu mais uma vez arranhada pelos esgares de William Bonner e Patrícia Poeta. As expressões de contrariedade, os dedos em riste e as interrupções grosseiras falaram mais ao telespectador do que o conteúdo de perguntas e respostas. Por algum tempo, tudo que se disser no JN contra Dilma será recebido com suspeita, porque a mensagem mais forte do programa foi: eles não gostam dela.

Dos 16 minutos cronometrados, Dilma falou 10 minutos e meio; Bonner, 4 e meio, e Patrícia quase 1 minuto. Dá 65% para ela e 35% para eles. Dilma pronunciou 1.383 palavras, contra 980 da dupla (766 só do Bonner), o que dá 60% x 40%. Isso é escore de debate, não de entrevista. A dupla encaixou 26 acusações ao governo e ao PT; algumas, com ponto de exclamação.

Nos quatro blocos temáticos (corrupção, mensalão, saúde e economia) Bonner lançou no ar 13 pontos de interrogação, e Patrícia, dois. A presidenta foi interrompida 19 vezes. Tomou dedo na cara de Bonner e de Patrícia, que reclamou de uma resposta com um soquinho na mesa. Isso não é comportamento de jornalista. Na entrevista com Aécio Neves — que muitos acharam “dura”, embora tenha sido apenas previsível — a dupla fez quatro interrupções e cinco reiterações de perguntas.

Aprendi ainda foca que o segredo de uma entrevista ao vivo é dominar o assunto e buscar a pergunta seguinte na resposta do entrevistado. É uma arte difícil. Patrícia Poeta nunca soube fazer. Bonner acha que sabe — e que sabe muito. Por isso saiu-se ainda pior que a colega. Basta discordar do enunciado para desnorteá-los. Não sabem do que estão falando; seguem o roteiro e fazem cara de argúcia (com Dilma, usavam ponto eletrônico!).

Maus entrevistadores são incapazes de ouvir respostas e dialogar com o argumento do entrevistado. Não é só amadorismo; é presunção. Globais se consideram mais importantes que os candidatos. Acham-se a própria notícia. Diante da contradita, repetem a pergunta até se perderem. No limite, apelam para a fórmula binária: “eu digo isso; sim ou não?” Eduardo Campos saiu-se muito bem dessa briga com bêbados. Aécio tropeçou e caiu.

Para a Globo, pouco importa expor os editores chefe e assistente do JN a mais um vexame profissional. A Globo não quer ouvir respostas; quer repetir (e tentar sancionar) o próprio discurso. Bonner deve ter ensaiado em casa o que considerava seu momento de glória: chamar de corruptos os petistas do mensalão (“Eram corruptos!”), na cara da presidenta da República. Que audácia, hein, patrão…

Na primeira pergunta (69 segundos), a palavra corrupção foi repetida sete vezes; e estamos conversados. Depois de 12 anos (“mais de uma década, candidata!”) há “filas e filas nos hospitais”, cidadãos “muitas vezes são atendidos em macas”, “muitas vezes não conseguem fazer um exame de diagnóstico”. O país tem “inflação alta, indústrias com estoques elevados, ameaça de desemprego ali na frente”.

Repetir os mantras do noticiário negativo — sem de fato abrir a discussão sobre eles — era o primeiro dever de casa. O segundo era desconcertar a entrevistada, e foi aí que a bomba explodiu no colo dos entrevistadores. Dilma não abriu mão de responder as perguntas, retomando o fio da meada a cada interrupção. Advertida, fez-se de sonsa e continuou respondendo o que quis.

O jogo foi chato na maior parte do tempo, mas Dilma não entregou a posse de bola, não cedeu o controle da entrevista. E foram eles, William e Patrícia, que ficaram visivelmente desconcertados, a ponto de perder o respeito pela entrevistada — que o merecia, mesmo que não fosse presidenta da República.

Dilma não disse aos interrogadores o que eles queriam que ela dissesse, exceto ao concordar com Patrícia Poeta que “a saúde no país não é minimamente razoável”. Um pontinho vencido, foi tudo que conseguiram arrancar da interrogada. Por isso, o destaque nos sites da Globo foi o previsível silêncio de Dilma sobre o julgamento do mensalão — outra evidência de que eles consideram suas perguntas mais importantes do que as respostas da presidenta da República.

Qualquer analista dirá que a presidenta desperdiçou a oportunidade de ter sido mais assertiva da propaganda de seu governo. Quinze minutos no JN são uma grande chance de falar para milhões de eleitores, mas Dilma preferiu debater com Patrícia Poeta e William Bonner.

Ela passou informações relevantes: a inflação de julho ficou próxima de zero; o Mais Médicos atende 50 milhões de pessoas; o SAMU atende 149 milhões. Disse que o país enfrenta a crise sem demitir, sem arrochar salários e até diminuindo impostos. Podia ter dito muito mais, mas a disputa foi mais concentrada na forma que no conteúdo. E foi aí que Dilma venceu.

Dilma sorriu na medida certa e manteve-se serena durante todo o programa. Impôs-se um comportamento de presidenta da República, que contrastou, aos olhos dos telespectadores, com a atitude desrespeitosa e antiprofissional dos entrevistadores. Mesmo restrita a um cerimonial televisivo, foi uma sinalização relevante para uma imprensa cada vez mais assanhada no papel de oposição: digam o que quiserem, mas respeitem a presidenta eleita de todos os brasileiros.
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Depois da comoção

Olhar para o lado e já encontrar Marina Silva junto ao seu ombro, como registrado na fotografia estatística do Datafolha, não surpreendeu Aécio Neves por dois motivos. Passadas apenas 48 horas da morte de Eduardo Campos, Aécio Neves mostrava-se convicto de que Marina Silva iria de imediato para uns 20% de apoio eleitoral, com opiniões saidas da quota de indecisos, nulos e em branco. Marina alcançou 21%, ultrapassando em um ponto a estabilidade de Aécio. O que talvez tenha sido, aí sim, uma surpresa para ele. E para ela.

Mas a convicção tranquilizadora de Aécio ia mais longe. A seu ver, desde então, o impulso emocional do apoio a Marina Silva não tem vida longa: ao entrar setembro, estará em declínio, a caminho da verdade eleitoral. Uma contradição ficou clara, porém. O candidato prevê o refluxo de Marina, o que devolveria o segundo lugar na disputa, mas à sua volta era diferente. O vice da chapa e o coordenador da campanha, Aloysio Nunes Ferreira e Agripino Maia, entre outros, já transpareciam a sensação negativa de que a disputa com Dilma Rousseff caberá a Marina, e não a Aécio Neves: não escondiam a estratégia já fixada de não se confrontar com Marina, para não dificultar o eventual apoio do PSDB e do DEM à candidata do PSB no segundo turno.

Ora, em termos eleitorais, Marina é a adversária a ser batida por Aécio, porque será o obstáculo capaz de impedi-lo de chegar ao possível turno final. Em termos meramente políticos, PSDB e DEM querem, acima de tudo, a derrota do PT, mas esse lucro implica um risco perverso. Ambos em longo processo de desgaste, embora de intesidades muito diferentes, com a vitória simultânea do PSB e da Rede terão mais dois adversários fortes, com muitas posições extremadas na oposição aos (neo)liberais. E com ambos o PT, apesar de batido, poderá conviver na composição de uma frente nova. E poderosa.

Há, contudo, um elemento de fato favorável a Aécio Neves no crescimento de Marina. O manancial dos indecisos, nulos e brancos, está mais do que provado, não lhe é receptivo. Não se impressiona com a sua campanha baseada na tática de "desconstruir" Dilma Rousseff. Por mais que Aécio tente disfarçá-los, a moçada sente o cheiro de temperos conservadores. Se não pretende conformar-se com o terceiro e inútil lugar, Aécio Neves terá de melhorar e clarear o seu programa para captar o necessário com que se manter na disputa. Tornar-se um pouco mais próximo, por exemplo, das ideias políticas e administrativas sustentadas pelo candidato Tancredo Neves em 84/85, ao qual está em indisfarçável oposição.

À margem da substituição de Eduardo Campos e seus efeitos diretos na disputa eleitoral, o Datafolha capta neste momento da sucessão um elemento a ser pensado e pesado. Os seis pontos ganhos pelo governo Dilma no conceito ótimo/bom, confirmados por cinco de elevação até em São Paulo, tendem a produzir uma tradução eleitoral. Ainda mais se considerado que a medição foi posterior à morte de Eduardo Campos. E se assim foi, com toda a carga de noticiário e comentarismo obcecadamente oposicionista, é presumível que os baloanços do governo, no horário eleitoral, tornem a tarefa de Marina e de Aécio mais difícil do que a morte de Eduardo Campos fez supor a tantos.

Janio de Freitas
No fAlha
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Artista realizó autorretratos que muestran la progresión de su Alzheimer

1967
William Utermohlen fue un artista estadunidense que trabajó la mayor parte de su vida en Inglaterra, donde hizo autorretratos. La enfermedad de Alzheimer que le diagnosticaron en 1995 sólo fue un alimento más para documentar su mundo y del que su memoria era apenas una parte muy pequeña que cada vez iba disminuyendo.

Utermohlen pintó una serie final de autorretratos durante los siguientes cinco años para seguir paso a paso la imagen cada vez más dudosa de su rostro, al que su memoria iba dando los retoques de otros rasgos y otros gestos; en suma, de una persona que poco a poco dejó de ser Utermohlen. Estos retratos fueron exhibidos en numerosas clínicas para pacientes con Alzheimer, además de que Utermohlen fue un hábil comentador de las relaciones entre enfermedad y arte.

Según el doctor Bruce Miller, neurólogo de la Universidad de California, “el Alzheimer afecta el lóbulo parietal derecho en particular, el cual es importante para visualizar algo internamente y luego ponerlo en el lienzo.” Es por ello que en las pinturas de Utermohlen, mientras la enfermedad avanza, “el arte se vueve más abstracto, las imágenes son borrosas y vagas, más surrealistas. A veces utiliza algo de hermoso, sutil color.”

Se tratan de autorretratos de un fantasma que una vez se llamó William Utermohlen, y que como los niños que se pierden en el bosque, al perderse en su enfermedad va dejando pequeñas migas de sentido, pequeños rastros de sí mismo para reconstruir la memoria de su propio rostro a partir de ellos; es notable ver que, conforme el tiempo y la enfermedad avanzan, el modelo de los autorretratos se va borrando y va apareciendo un rostro fantasmal que podría ser anónimo: rostro sin rasgos, que ha ovidado que alguna vez tuvo ojos.

Patricia, su viuda, describe el trabajo de su marido como “un esfuerzo por explicar su ser alterado, sus miedos y su tristeza”.

Después de todo, el Alzheimer es una enfermedad progresiva que no sólo afecta a quien la padece, sino a la familia o allegados a la persona, en su conjunto. Estos retratos, de alguna forma, son también un mapa para que quienes están cerca del enfermo puedan participar de su experiencia de disolución.

La serie culminó a finales de la década de 2000, cuando William Utermohlen dejó de existir pues dejó paulatinamente de pintar. Tal vez la crueldad de esta enfermedad consista también en que la persona que antes se llamaba William Utermohlen fuera llevado a una institución para pacientes con Alzheimer, donde murió muchos años después.

1996

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1996 3

1997

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1999

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2000

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No CubaDebate
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As traições de Marina. Bem que avisei!

Marina: olhei em seus olhos e segurei em suas mãos. Dener Giovanini
Em 2003, ainda no começo do governo do presidente Lula eu, que ainda não era jornalista, dei uma entrevista para o Estadão na qual afirmava categoricamente: “não confio na Marina Silva nem para cuidar do meu jardim”, clique aqui para conferir. Confirmei minhas palavras no discurso que proferi na ONU ao receber de Kofi Annan o prêmio das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Os petistas se arrepiaram, reclamaram e me criticaram. Não deu outra: se arrependeram. Em 2010, quando o Partido Verde aceitou a bancar a candidatura de Marina para presidência da República, novamente eu avisei em diversas oportunidades, que eles estavam dando um tiro no próprio pé. Fui criticado e esculhambado por algumas lideranças do PV. Não deu outra: eles também se arrependeram.

Quando Eduardo Campos oficializou a candidatura de Marina Silva como vice em sua chapa eu não perdi a oportunidade. Novamente afirmei em entrevistas e artigos que o PSB iria se arrepender. E, mais uma vez, não deu outra: Marina, além de não transferir votos, ainda criou uma série de dificuldades políticas para Eduardo, levando seu nome a patinar entre 10% do eleitorado. Não fosse sua trágica morte, ele sairia da eleição muito menor que entrou. E grande parte da culpa teria o sobrenome Silva.

Seria eu um implicante sem razão contra Marina Silva ou será que Deus me concedeu o dom da adivinhação? Nem uma coisa, nem outra. Sou apenas um pragmático, que não dá asas a paixões avassaladoras de momento e nem me deixo levar pelas emoções de ocasião. E assim penso que deva ser cada brasileiro que tenha consciência sobre a sua responsabilidade de decidir o destino do país.

Marina Silva foi ministra de Lula por oito anos e “abandonou” o governo quando percebeu que seu ego se apequenava diante do crescimento da influência da então também ministra Dilma Rousseff. O Planalto estava pequeno demais para as duas. Também deixou o Partido Verde ao perceber que a legenda não se dobraria tão fácil a sua sede de poder. Eduardo Campos sentiu o amargo sabor de Marina ao ver alianças importantes escorrerem por entre seus dedos. Marina atrapalhou, e muito, sua candidatura. Isso é um fato que nem o mais bobo líder do PSB pode negar.

Marina está fadada a trair

O grande ego é o pai da traição. Quem se sente um predestinado e prioriza o culto a personalidade tem medo da discordância, da crítica. É esse medo que gera uma neutralidade perigosa e falsa. E a neutralidade é a mãe da traição. Seres humanos com grandes egos quase sempre se posicionam entre o conforto de “lavar as mãos” e o silêncio covarde de suas convicções.

Marina Silva é assim. Simples assim.

Nas últimas Eleições presidenciais Marina ficou NEUTRA. Alguém se lembra?

Ao contrário do que desejavam seus milhões de eleitores — que ansiavam por uma indicação, uma orientação ou um caminho — Marina calou-se. Não apoiou Dilma e nem Serra. Com medo de decidir, declarou-se neutra. E ajudou a eleger Dilma.

Claro, não se espera de um político uma sinceridade absoluta, mas pelo menos transparência em algumas das suas convicções básicas. Isso Marina não faz. E quem não o faz assume o destino da traição. Vejamos:

a) Se eleita, Marina Silva irá mudar o atual Código Florestal?
SIM (trairá o agronegócio)

NÃO (trairá os ambientalistas)
b) Se eleita, Marina Silva irá abandonar os investimentos no Pré-sal e passará a investir em fontes alternativas para a matriz energética?
SIM (trairá a Petrobrás e seus parceiros)

NÃO (trairá os ambientalistas)
c) Se eleita, Marina Silva irá interromper a construção de Belo Monte?
SIM (trairá os empresários)

NÃO (trairá os ambientalistas)
d) Se eleita, Marina Silva irá apoiar o casamento gay?
SIM (trairá os evangélicos)

NÃO (trairá os movimentos sociais)
e) Se eleita, Marina Silva será contra a pesquisa de células tronco?
SIM (trairá os pesquisadores e a academia)

NÃO (trairá os evangélicos)
f) Se não for ao segundo turno, Marina repetirá sua posição de 2010?
SIM (trairá a oposição)

NÃO (trairá a si mesma)
Essas são apenas algumas perguntas que Marina Silva não responderá. Ou o fará por meio de respostas dúbias e escamoteadoras, bem ao seu estilo. No final, ninguém saberá realmente o que ela pensa. Sob pressão, ela jogará a responsabilidade para a plateia e sacará de seu xale sagrado a carta mágica: FAREMOS UM PLEBISCITO! Esse é o estilo Marina de ser. E esse é o tipo de comando que pode levar o Brasil ao encontro de um cenário de incertezas e retrocessos. O que ela fala — ou melhor — o que ela não fala hoje, será cobrado no Congresso Nacional caso venha a se eleger. Como Marina negociará com a bancada ruralista? Com a bancada religiosa?

Você, caro leitor, vai arriscar?

Eu não. Se não me bastassem os fatos, tive a oportunidade de olhar profundamente os olhos de Marina e de segurar em suas mãos. E não gostei do que vi. E não tenho medo de críticas. E tenho orgulho das minhas convicções.

Dener Giovanini
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O programa de estreia da Dilma no horário eleitoral


Veja agora o programa de estreia da Dilma no horário eleitoral. Para o Brasil continuar mudando para melhor. #MaisMudançasMaisFuturo

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Verdades e mentiras no debate eleitoral


A entrevista da presidente Dilma Rousseff ao Jornal Nacional, da TV Globo, na sequência das apresentações de candidatos ao Planalto, ocorrida na noite de segunda-feira (18/8), deve ser contada como um ponto favorável ao seu propósito da reeleição.

Talvez intimidados pelo fato de terem que confrontar a presidente no Palácio do Planalto, e não na bancada onde pontificam diariamente, os jornalistas William Bonner e Patrícia Poeta tiveram um desempenho menos assertivo do que haviam apresentado nas sabatinas anteriores, quando pressionaram os candidatos Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB. A série, que foi interrompida na quarta-feira passada (13/8) com a morte de Campos, vinha sendo considerada pela imprensa como um ponto de inflexão, ou, pelo menos, um ponto crítico no trajeto das candidaturas.

No primeiro programa, os dois apresentadores colocaram contra a parede o ex-governador Aécio Neves, questionando o aspecto ético envolvido no uso privado de um aeroporto construído com dinheiro público quando ele governava Minas Gerais. Na segunda entrevista, foi a vez de Eduardo Campos se submeter ao quase interrogatório, mas se saiu melhor que seu antecessor, mesmo tendo que se explicar sobre a nomeação de sua mãe para um cargo vitalício no Tribunal de Contas da União.

O trágico desaparecimento de Campos, no acidente de avião que ocorreu na manhã seguinte, quebrou o efeito comparativo que se poderia fazer entre os três candidatos diante dos dois jornalistas.

Bonner e Patrícia Poeta não aliviaram também para a candidata à reeleição, mas perderam o comando do tempo diante da serenidade com que ela enfrentou as duas primeiras questões. A presidente Dilma Rousseff usou a seu favor o prazo rígido determinado para cada entrevista, e impediu que os entrevistadores ficassem com a última palavra.

Um balanço da série pode indicar que ela se saiu melhor que seu oponente mais próximo, o candidato do PSDB, mas a nova configuração da disputa, com a entrada da ex-ministra Marina Silva no lugar de Eduardo Campos, cria um contexto que precisa ser analisado com cautela.

Oportunismo e hipocrisia

Nas edições de terça-feira (19/8), os três jornais de circulação nacional ainda estudam os números da pesquisa de intenção de voto feita pelo Instituto Datafolha logo após a morte do candidato do PSB. Embora os analistas da imprensa afirmem que a ascensão de Marina Silva, que aparece com mais eleitores do que Aécio Neves, determina com mais certeza a necessidade de um segundo turno, alguns elementos importantes podem estar dizendo o contrário.

Como se sabe, previsões sobre resultados eleitorais só têm algum valor se forem contextualizadas em relação a outros fatores de decisão relevantes no período das consultas. Esse fatores podem ser circunstanciais, como o estado de comoção que se seguiu à morte trágica de Eduardo Campos; conjunturais, como uma crise ou uma percepção de desconforto na economia; ou estruturais, como a persistência de dificuldades crônicas que causam mal-estar a um grande número de cidadãos.

Tais elementos não são necessariamente captados em coletas de intenção de voto, mas podem ter grande influência nas respostas. Além disso, impõem uma leitura cuidadosa dos indicadores obtidos. Por exemplo, quando se escrutina os índices de aprovação de um governo, é preciso levar em conta o contexto comunicacional que o envolve: se esse governo é constantemente bombardeado por críticas da mídia, parte das respostas com valores como “regular” ou “médio” devem ser tomadas como avaliações positivas. Portanto, o índice de aprovação do atual governo é bem maior do que os 38% de “ótimo/bom” apresentado pelo Datafolha.

O quadro político que se iniciou com as primeiras entrevistas de candidatos ao telejornal de maior audiência — e foi impactado pela morte de Eduardo Campos — se consolida num contexto em que a aprovação do governo de Dilma Rousseff se apresenta em recuperação. Nesse cenário, o ingresso de Marina Silva na linha de frente da disputa pode exercer um impacto menor do que fazem crer os analistas da imprensa. Ela terá pouco tempo para fazer o eleitor entender sua proposta de mudança nos paradigmas da política. Além disso, o interesse da imprensa na ex-ministra é apenas oportunismo hipócrita: em conversas privadas, ela é motivo de chacotas preconceituosas por parte de editores e colunistas de jornais.

Luciano Martins Costa
No OI
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A hipocrisia de Faustão ao falar do Criança Esperança

Ele
Faustão é um fanfarrão. Com todo o respeito.

No último domingo, ele fez a propaganda de uma das ações mais cínicas da Globo, o Criança Esperança, o triunfo do filantropismo farisaico e oportunista.

Já escrevi uma vez e repito: muito melhor que fazer coisas como o Criança Esperança é a Globo, simplesmente, pagar os impostos que sonega.

Faustão promoveu o Criança Esperança com argumentos tão nocivos quanto o próprio programa.

“Você que paga imposto e sabe onde esse dinheiro vai parar, aqui é diferente”, disse ele. “É tudo transparente.”

Ele estava afirmando que político é tudo ladrão, ou pelo menos os deste governo.

É uma pregação que faz um enorme mal ao Brasil. Gera descrédito no país e golpeia a auto-estima dos brasileiros.

Em sua falação desenfreada, Fausto Silva mostrou — ou fingiu — ignorar os bilionários pecados de sua empresa no capítulo do pagamento dos impostos devidos.

Ou foi má fé cínica ou miopia córnea, para usar a célebre expressão de Eça.

O mais patético é que Fausto Silva, como um pastor evangélico, se dirige aos brasileiros mais simples e mais vulneráveis à manipulação que lhes tira dinheiro do bolso.

O Criança Esperança é uma beleza — para a Globo. Ela se faz de generosa, não paga cachê aos artistas que participam e ainda arrecada dinheiro com a publicidade que vende no programa.

A beneficência é apenas dos telespectadores que doam seus parcos recursos.

O Brasil será um país melhor quando a Globo simplesmente pagar os impostos que deveria pagar.

O resto, a começar pelo Criança Esperança, é blablablá hipócrita.

Paulo Nogueira
No DCM
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Estreia de Dilma no horário eleitoral gratuito #DilmaNoRádio


Confira a íntegra do primeiro programa eleitoral da campanha de reeleição de Dilma Rousseff no rádio:


No MudaMais
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Jornal Neandertal, porta-voz da Rede SoneGlobo


No SQN
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Dilma tem mais a ganhar no horário político


O início da propaganda política, hoje, abre uma etapa decisiva da campanha eleitoral de 2014.

A importância do horário político não deriva do excesso de magia da publicidade mas das carências e omissões do jornalismo brasileiro.

Minha opinião é que o horário político irá permitir a Dilma Rousseff ampliar suas intenções de voto. As últimas pesquisas já mostraram que a presidente está em recuperação junto ao eleitorado. Conforme o DataFolha, ela cresceu 6 pontos na avaliação positiva — e diminuiu 6 pontos na negativa. Estes novos números não apareceram nas intenções de voto, o que é estranho mas pode ser compreensível. O mesmo eleitor que passou a reconhecer méritos no seu governo ainda quer mais um tempo para traduzir essa opinião em intenção de voto. Resta ver como essa melhora de avaliação será traduzida nos próximos levantamentos.

Outro aspecto envolve uma espécie de compensação. Não se trata, apenas, de um maior tempo na TV, o que só costuma ajudar quem tem o que mostrar.

Tratados de forma benigna — para falar o mínimo — pela maioria dos meios de comunicação, a maioria dos candidatos de oposição não deve esperar maiores benefícios a sua imagem em função da propaganda. Há uma certa continuidade entre os dois discursos, mesmo lembrando que são linguagens diferentes. No caso de Dilma, a candidata pode se beneficiar do efeito surpresa, de uma certa novidade. Seu governo não é uma sucessão de maravilhas e pode ser criticado por falhas e defeitos. Mas é, com toda certeza, muito melhor do que o retrato produzido pelos meios de comunicação até aqui.

Não vamos nos iludir. Vivemos num país onde a sociedade não tem direito aos serviços de um jornalismo plural e equilibrado, capaz de respeitar os fatos e retratar a realidade do país de forma isenta. O Brasil está entre as dez maiores economias do mundo, conheceu progressos sociais aplaudidos em toda parte mas tenta-se manter sua população no cativeiro da informação dirigida, da opinião sob encomenda, do pensamento único e da análise unilateral.

Empenhados abertamente em impedir uma quarta vitória consecutiva do bloco Lula-Dilma, que realizou pequenas, quem sabe ínfimas, mas necessárias mudanças numa estrutura de quase cinco séculos, nossos jornais, revistas e emissoras de TV inverteram a fórmula consagrada no lançamento do Plano Real por um ministro do PSDB. Mostram o que é ruim e escondem o que é bom.

Foi possível assistir a uma amostra da postura padrão de nossas emissoras na entrevista de Dilma Rousseff ontem, ao Jornal Nacional. Num esforço para prestar contas a 55,7 milhões de brasileiros que lhe deram seu voto há quatro anos — desculpe, mas não acho que uma presidente é igual a garota propaganda de marca de sabonete — Dilma ouviu questões quilométricas e foi recriminada porque não dava respostas curtas. Várias vezes teve a palavra cortada pelos entrevistadores, a tal ponto que foi obrigada a continuar uma resposta na pergunta seguinte. Chegou a ser advertida de que deveria guardar tempo porque os jornalistas queriam mudar de assunto antes do programa acabar.

Os brasileiros chegam a campanha presidencial depois de passar os últimos meses sendo ameaçados por uma hiperinflação que deveria vir e não veio, por uma Copa que não deveria ser mas foi, por um desemprego que iria explodir mas permanece entre os menores do mundo. A população não sabe o que aconteceu com o programa Mais Médicos. Não foi informada sobre o avanço de obras de infra estrutura de valor histórico, a começar pela transposição do São Francisco, a Transnordestina.

Ouve falar que é preciso investir em educação mas não teve direito a saber o que é Pronatec nem tem um balanço do ProUni.

O jornalismo em vigor na maioria das emissoras brasileiras mudou o caráter do horário político. Ele oferece, hoje, informações sobre seu país que o noticiário padrão só apresenta de forma distorcida ou simplesmente omite.

É ali que se pode encontrar o contraponto ao pensamento único.

Tenho certeza de que muitos eleitores serão surpreendidos com novidades que irão aparecer durante a propaganda política. Irão descobrir um país que desconheciam.

Muitas pessoas acham o horário político uma chatice insuportável — eu concordo muitas vezes — mas convém lembrar: é só ali que candidatos a governar o país têm direito a palavra sem restrições de qualquer natureza. Seu limite é o tempo, que varia conforme a representatividade eleitoral de cada um, o que é um critério bastante razoável, vamos combinar.

Também é ali que o eleitor exerce direitos que deveriam ser elementares numa escolha democrática: ouvir os candidatos, conhecer suas realizações e propostas, comparar. É, a rigor, uma liberdade com poucos paralelos no mundo, onde a propaganda política deve ser paga, e cada minuto precisa ser comprado como qualquer anuncio comercial — o que assegura ao poder econômico privado um papel determinante sobre o debate político, os rumos da democracia e do futuro dos cidadãos e suas famílias.

Conquista do país após a democratização, a propaganda política é alvo permanente de ataques das próprias emissoras, o que chega a ser espantoso. Elas não têm prejuízo, recebendo uma espécie de indenização pelo dinheiro que, em teoria, iriam de receber caso pudessem explorar aquele horário com propaganda.

Titulares de uma concessão pública, há emissoras que empatam seus ganhos e perdas durante a campanha. Algumas até recebem, como indenização, mais do que teriam direito no mercado — pois jamais seriam capazes de faturar o prejuízo declarado.

Mas não se conformam, o que só revela a dificuldade de conviver num ambiente no qual a população tem o direito de ouvir, sem intermediários, a voz daqueles que são representantes dos poderes soberanos da nação.

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Uma explicação para a postura imperial de William Bonner diante de candidatos


Trata-se de um simulacro de jornalismo, que nem original é. Nos Estados Unidos, muitos âncoras se promoveram com agressividade em suposta defesa do “interesse público”. Eu friso o “suposta”. Lembro-me de um, da CNN, que fez fama atacando a invasão do país por imigrantes ilegais. Hoje muitos âncoras do jornalismo policial fazem o mesmo estilo, como se representassem a sociedade contra o crime.

William Bonner está assumindo o papel de garoto-propaganda da criminalização da política. Ao criminalizar a política, fazendo dela algo sujo e com o qual não devemos lidar, ganham as grandes corporações midiáticas. Quanto mais fracas forem as instituições, mais fortes ficam as empresas jornalísticas para extrair concessões de todo tipo — do Executivo, do Legislativo, do Judiciário.

A postura supostamente independente de Bonner, igualmente agressivo com todos os candidatos, faz parecer que as Organizações Globo pairam sobre a política, que nunca apoiaram a ditadura militar, nem tentaram “ganhar” eleições no grito. Que os irmãos Marinho não fazem politica diuturnamente, com lobistas em Brasília. Que os irmãos Marinho não tem lado, não fazem escolhas e nem defendem com unhas e dentes, se preciso atropelando as leis, os seus interesses. Como em “multa de 600 milhões de reais” por sonegar impostos na compra dos direitos de televisão das Copas de 2002 e 2006.

A agressividade de Bonner também ajuda a mascarar onde se dá a verdadeira manipulação da emissora, nos dias de hoje: na pauta e no direcionamento dos recursos de investigação de que a Globo dispõe. Exemplo: hoje mesmo, no Bom Dia Brasil, uma dona-de-casa do interior de São Paulo explicava como está fazendo para economizar água.

A emissora não teve a curiosidade de explicar que a seca que afeta milhões no Estado não é apenas um problema climático, resulta também de falta de investimentos do governo de Geraldo Alckmin, que beneficiou acionistas da Sabesp quando deveria ter investido o dinheiro no aumento da capacidade de captação de água. Uma pauta complicada, não é mesmo?

A não ser que eu esteja enganado, a Globo não deslocou um repórter sequer para visitar o aeroporto de Montezuma, que Aécio Neves mandou reformar quando governador de Minas Gerais perto das terras de sua própria família. Vai ver que faltou dinheiro.

Tanto Alckmin quanto Aécio são tucanos. Na entrevista com Dilma, Bonner listou uma série de escândalos. Não falou, obviamente, de escândalos relacionados à iniciativa privada, nem em outras esferas de governo. Dilma poderia muito bem tê-lo lembrado disso, deixando claro que a corrupção é uma praga generalizada, inclusive na esfera privada, envolvendo entre outras coisas sonegação gigantesca de impostos. Mas aí já seria coisa para o Leonel Brizola.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo

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Essa é do Barão... 17


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