16 de ago de 2014

Última pesquisa DatafAlha com Marina Silva — Bye bye Aécio


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Marina vai abandonar Suplicy e apoiar Serra e Alckmin? E os candidatos do agronegócio?

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A mosca azul vai picar Marina? Ela vai romper de vez com a coerência da nova política e apoiar Serra ao Senado e Alckmin ao Governo?

A direita sabia que Dilma Rousseff (PT) ia ganhar no primeiro turno, como o mercado e os editorialistas da grande imprensa já sinalizavam em letras pequenas nas publicações. Agora, eles estão em festa em cima do cadáver insepulto de Eduardo Campos, pois acham que com Marina levarão a eleição para o segundo turno.

O jornal Estado de S. Paulo dá em manchete o que os tucanos tanto querem: Marina candidata a presidente, desde que ela respeite os acordos regionais.

Ou seja, desde que, em São Paulo, apoie os tucanos Serra para o Senado, em vez de Eduardo Suplicy (PT) (a quem já declarou apoio), e Alckmin para governador.

Que no Paraná, ela apoie o desastroso governo de Beto Richa (PSDB). Assim como os candidatos do agronegócio pelo país afora, além de outros acordos fechados por Eduardo Campos que ainda não são públicos.

O Estadão afirma que o PSB pode definhar sem um nome forte, apesar de setores do PSB avaliarem que outro nome do partido  teria algo como 10% e garantiria a sobrevivência e o futuro do partido, já que Marina deve ir para a Rede, tão logo tenha oportunidade, como há tempos anunciou.

A possibilidade da presença de Marina levar a eleição para segundo turno e prejudicar Dilma é um fato já demonstrado pelos números da eleição de 2010, especialmente por diminuir os votos nulos e brancos.

Mas qual será o estrago para os tucanos?

Bem, na hipótese de Marina superar Aécio e ir para o segundo turno, haverá  consequências para as eleições de governadores e deputados, podendo enfraquecer ainda mais o PSDB e enterrar qualquer sonho de futura candidatura de Aécio Neves à presidência em 2018.

Marina já declarou voto no senador Suplicy para não se associar a Serra e ao escândalo do propinoduto paulista.

Assim, se ela não fizer campanha para Alckmin e Serra, ela prejudica o duplo palanque montado por Eduardo Campos em favor dos tucanos. O vice de Alckmin é do PSB.

Com Marina no páreo, a eleição no maior colégio eleitoral pode dar vitória a Dilma no primeiro turno, considerando que em 2010 ela teve 21% dos votos no Estado de São Paulo. Atualmente Aécio tem 20% a menos de votos que Serra e deve desidratar mais ainda, perdendo votos para Marina.

Portanto, Marina cria dificuldades para Alckmin, que pode perder votos no final da campanha e levar a eleição para o segundo turno no Estado.

Lembro ainda que Marina proibiu o uso da sua imagem associada a Serra e Alckmin nos comitês de Eduardo Campos.

Já em Minas Gerais a situação é mais dramática. Aécio pode cair e Dilma até superá-lo, tendo em vista que nas últimas eleições presidenciais ela teve 21% dos votos válidos lá.

Isso gera, como efeito secundário, problemas para a candidatura de Pimenta da Veiga que queria crescer no vácuo de Aécio e terá um teto menor. Ainda pode fazer com que o candidato do PSB cresça e leve a eleição para o segundo turno.

No Rio de Janeiro, a entrada de Marina, onde em 2010 ela teve votos na casa de 30%, vai desidratar ainda mais a candidatura de Aécio no Estado. E pode até ajudar Linderberg, visto a aliança com Romário ao Senado.

Isto sem falar que a entrada de Marina fará com que o PSB perca os palanques de candidatos ligados ao agronegócio e ao PMDB, como Ivo Sartori, no Rio Grande do Sul(RS) e Nelson Trad, no Mato Grosso do Sul(MS). Curiosamente Dilma vem crescendo nesses estados. Ainda em Santa Catarina teria de apoiar Paulo Bornhausen (PSB), filho de Jorge Bornhausen ao Senado.

Marina teve um gesto ético, que a grande mídia não teve. O de esperar o enterro de Eduardo Campos para, aí, tratar da sucessão presidencial. Agora enfrentará um enorme desafio: manter a sua coerência política ou, então, se dobrar às pressões tucanas e do agronegócio. A resposta a esses dilemas só teremos na próxima semana.

Antônio de Souza
No Viomundo
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“Dez razões para não votar em…” — 1



“Dez razões para não votar em…” I — Introdução

Que o nível da campanha eleitoral anda baixíssimo todos já esperávamos. E olha que recém começou. E olha que o horário gratuito na televisão e no rádio sequer começou.

[re]Pensando sobre a minha participação nesse processo — mesmo depois de já ter dado a minha contribuição para a baixaria — decidi que, embora os resultados não sejam passíveis de medição imediata, o investimento deve ser feito na educação política e não no fomento de campanhas meramente acusatórias de cunho pessoal.

A participação política, afinal, não deve se resumir — como sói acontecer — apenas aos tempos de campanha, mais ainda de quatro em quatro anos, que é quando as eleições para presidente e governador acontecem. As demais são ofuscadas, como se não importassem os senadores, deputados federais ou estaduais que escolhemos. O mesmo ocorre quando da eleição para prefeito: pouco nos importamos com os vereadores.

Temos o hábito (sem generalizar no sujeito, claro) de supervalorizar os cargos executivos em detrimento dos legislativos. Esquecemos que do formato da República que adotamos, com três poderes, resulta a sociedade política que somos, com mais mazelas do que virtudes.

Daí deriva, também, que há pouca, ou quase nenhuma, compreensão, por parte da maioria das pessoas, dos processos que modernamente chamamos de governabilidade.

Na realidade, só para resumir, conseguimos jogar o pai da criança — Montesquieu — na lata do lixo da história. Transformamos três poderes em apenas um: o Brasil é um país do Poder Executivo.

O Poder Legislativo não faz leis, faz apenas política partidária com vistas aos cargos executivos. Isso quando não vive de investir-se no papel de polícia do Poder Executivo. Legislativos, país afora, vivem mais de CPI’s do que de fazer leis; vivem mais de negociar apoios do que de fazer leis; vivem mais da sustentabilidade dos seus partidos do que da sustentabilidade da sociedade.

O Poder Judiciário avocou para si, também, o papel de ente político. Junto ao Poder Judiciário, as instituições constitucionalmente chamadas de “funções essenciais”, fazem o mesmo papel ao avocarem o papel de “fomentadores de políticas públicas”. Mais uma vez o foco é o executivo. Se o Poder Executivo não faz, nós, como defensores da sociedade, devemos cobrar que ele faça.

Tenho que este é o ponto focal de tudo: como o Poder Executivo é o poder de um, tudo se resume a atacar um. Ou vários, quando são candidatos.

Prato feito para a baixaria das campanhas. Ou, o que é pior, prato feito para a hipocrisia dos financiamentos de campanha.

E aí entramos no tema do único poder real, que, apesar de ser adjetivado como “econômico”, tem sido o único poder que realmente consegue determinar quem deveria comandar o poder formal no Brasil.

Finalizando, e já deixando o gancho para a sequência da série, a escolha que faremos na próxima eleição resume-se a: a que poder econômico daremos o poder de nos representar?

“Dez razões para não votar em… – II: Aécio Neves

A. Razões econômicas:

01. Aécio Neves e seu partido, o PSDB, representam um segmento da sociedade que defende o neoliberalismo em sua versão mais aguda e nesse modelo, sabemos, tudo é feito pelo mais forte para o mais forte economicamente;

02. A luta entre capital e trabalho segue de vento em popa. O capital não é algo intrinsecamente ruim. Claro que existem economias que prescindem de capital para funcionar, mas dado que é esse o modelo da humanidade e até que possamos aboli-lo, a questão importante é a relação/proporção entre capital e trabalho.

O tema é velho e batido. O fato é que o modelo defendido pelo candidato Aécio Neves é fundamentalmente defensor do capital. Mas não de qualquer capital, apenas do capital que existe para gerar e acumular mais capital a custa da exploração do trabalhador.

Não se vislumbra, na ideologia do candidato e de quem o segue e banca, um mínimo de propostas visando a uma repartição menos prejudicial ao trabalhador.

Pelo contrário, como temos visto pelas propostas anunciadas…

É o modelo do candidato Aécio Neves.

É um modelo que não me serve.

03. Reformas política e tributária. Definitivamente não fazem parte do programa do candidato Aécio Neves. E se fazem, é para piorar o que já é ruim. O PSDB, partido do candidato, tornou-se um dos partidos mais fisiologistas que temos. Logo, a ele e aos seus não interessa uma reforma política que impeça, por exemplo, o financiamento de campanhas feito pelos grandes grupo corporativos.

Apenas esse item já me bastaria para não querer o candidato Aécio Neves — ou o seu partido novamente — no governo.

O financiamento das campanhas políticas é o “câncer dos cânceres” do Brasil. É o mesmo câncer que alimenta a falta de vontade de fazer uma reforma tributária séria, que vá além da batida questão federativa e incida, por exemplo, sobre grandes fortunas e sobre os grandes lucros enviados ao exterior.

E uma reforma tributária que permita desenvolver mecanismos prévios que evitem, na origem, outro dos grandes males do Brasil, senão o segundo maior mal: a sonegação.

A mídia corporativa, aliada do candidato Aécio Neves e dos seus, apregoa a corrupção como o maior mal que temos.

Não é e nunca foi. É o círculo vicioso que se auto alimenta: o governo taxa o consumo; as empresas reclamam do governo, mas faturam o suficiente para sonegar e ainda para alimentar suas campanhas publicitárias e, com isso, pagar fortunas pelo espaço na mídia corporativa. E as empresas vendem e reclamam do governo que taxa… e a mídia corporativa faz notícia contra o governo… ad infinitum numa hipocrisia de dar dó…

E o trabalhador paga a conta. Mas na hora de apontar soluções, de quem é, na visão do sistema, a culpa?

Da previdência, claro! Então vamos propor a reforma da previdência, que é do trabalhador. Na visão do candidato Aécio Neves, e dos seus, a culpa de tudo é da previdência. A culpa é do trabalhador que contribuiu a vida inteira e agora, tornado um diabo aposentado, só pensa em mamar nas tetas do governo.

Na visão dessa gente, trabalhador só poderia parar de render lucros para eles depois de morto. Afinal, capitalistas não se aposentam, vivem de gerir o patrimônio amealhado com a exploração dos trabalhadores ou originado das aplicações no “mercado”… Enfim, eles merecem….

É o modelo do candidato Aécio Neves.

É um modelo que não me serve.

04. Aécio Neves é apoiado pela mídia corporativa. Significa dizer, pela mídia sustentada pela parcela economicamente poderosa, incluído aí, o governo. Isso nos torna reféns de uma propaganda mentirosa e elimina a possibilidade de um consumo consciente, pois somente quem tem poder econômico pode anunciar nos veículos da mídia oligárquica.

Quem são os grandes anunciantes? As indústrias multinacionais — automóveis, bebidas e refrigerantes, farmacêutica, brinquedos… — grandes redes de supermercados — bancados pelas grandes empresas do agronegócio —, grandes redes varejistas – com poucas exceções, a maioria já de capital internacional – e, claro, os governos.

É o círculo vicioso que se auto alimenta: a mídia oligárquica cobra fortunas pelo espaço, as grandes empresas pagam fortunas pelo espaço e a grande massa de pobres, que pode bancar um pouco cada um, paga a brincadeira toda.

Essa é uma das cláusulas de barreira mais eficazes contra os pequenos e a que mais proporciona a manutenção do modelo neoliberal de economia. A riqueza circula entre os mesmos. E para que essa riqueza circule sempre entre os mesmos, quem paga a conta é uma questão de escala: um pobre não pode pagar, mas milhões de pobres pagam.

É o modelo do candidato Aécio Neves.

É um modelo que não me serve.

B. Razões administrativas

05. Choque de gestão. Tenho, já, trinta e cinco anos de vida remunerada como profissional, dezoito deles como administrador nos entes públicos.

Uma das maiores palhaçadas, senão a maior, que vi nessa vida toda é o tal de “choque de gestão”.

Como profissional, simplesmente desconsidero qualquer um que venha me falar que fez ou pretende fazer um “choque de gestão”.

Sem comentários.

É o modelo do candidato Aécio Neves.

É um modelo que não me serve.

06. Quase que um corolário do “choque de gestão”, o tal de “Estado Minimo” é o lema fundamental dessa gente. Chega a ser primária a argumentação favorável a ele, pois se bem recordarmos, o Estado nasceu exatamente para proteger as classes mais abastadas da sanha da realeza. Queriam apenas trocar seis por meia dúzia.

“Mas não contavam com minha astúcia”, diriam os “chapolins colorados” do século XIX. O Estado fugiu ao controle da burguesia e tornou-se social. Começou a regular a existência privada. Pior, passou a regular as relações entre expropriadores e expropriados.

E ninguém gosta de perder posses ou de poder determinar como, quando e de quem expropriar, né? A moderna globalização tratou logo de atualizar a globalização do século das descobertas. Se antes a globalização foi utilizada contra a realeza, hoje é utilizada contra a maioria expropriada.

E vamos vender o patrimônio da maioria.

É o modelo do candidato Aécio Neves.

É um modelo que não me serve.

C. Razões sociais

07. Cresci, até o início da fase adulta, em meio a uma ditadura. Metade da vida adulta (até 2003), vivi em meio a uma auto denominada “social democracia”.

Vivi até os 28 anos sem saber o que era democracia. Depois vivi até os 45 anos sem saber o que era o social. Metade da minha vida, se tiver saúde para chegar aos 90 anos.

Tempo suficiente para reconhecer o rótulo da fajutice defendida pelo candidato Aécio Neves e os seus: social democracia.

Não pretendo esquecer o significado da palavra social quando aplicado na prática. Mas é o que eles querem que esqueçamos.

É o modelo do candidato Aécio Neves.

É um modelo que não me serve.

08. A mídia corporativa vende o que quer. Fato. E vende que consciência da dignidade é rolezinho em shoppings ou pobre andando de avião. Ironiza, quando não sataniza, a ascensão de uma quantidade enorme de pessoas a um patamar que julgavam desnecessário. Ao patamar de cidadãos que exigem seus direitos sociais. Afinal, a condição de excluídos é parte necessária da existência para a doutrina neoliberal. A mídia corporativa, e seus aliados políticos, estereotipa, de forma proposital, para tentar esvaziar o sentido da dignidade que muita gente passou a ter.

Para o candidato Aécio Neves, essas pessoas não têm valor algum. É o seu modelo.

É um modelo que não me serve.

09. Programas sociais são, por definição, anti corporativistas. E tudo que não seja esmola corporativista é, também por definição, assistencialista.

A contrariedade com os programa sociais em desenvolvimento no Brasil — e mais recentemente a hipocrisia de dizer que “defende, mas vai mudar” — é o fecho de uma forma de ver nossa sociedade.

É a abóbada que fecha a catedral neoliberal.

É o modelo do candidato Aécio Neves.

É um modelo que não me serve.

D. Razões pessoais

10. Não se trata de ser ou não verdadeiro tudo o quanto é afirmado sobre Aécio Neves como pessoa. Trata-se de uma questão bem mais prosaica: o conceito de idoneidade moral pressupõe que sobre a pessoa que a possui jamais se avente sequer fofocas. Do cidadão moralmente idôneo mesmo os mais ferrenhos inimigos políticos encontram razões para “criar” fatos ou histórias.

Não me serve. De outros candidatos à presidência sequer há o que falar. Apresentam uma vida pública e pessoal das quais até agora não se levantou um cisco sequer. Ora, se tenho um candidato sobre o qual tudo se conta ou inventa e outros sobre os quais nada há para falar, prefiro qualquer um desses outros, menos Aécio Neves.

É uma questão de coerência e representação: escolho quem me representa por ter uma conduta no mínimo igual a minha. E a minha tem sido, ao menos no aspecto moral, irrepreensível.

É o modelo do candidato Aécio Neves.

É um modelo que não me serve.

“Dez razões para não votar em… – III: Eduardo Campos

O post estava pronto para publicação hoje à noite. Chego de viagem e vejo a notícia do acidente que matou o candidato Eduardo Campos.

Claro que agora só me resta uma razão para não votar nele.

Das quatro razões da série — econômicas, administrativas, sociais e pessoais — vou manter o que havia escrito sobre as razões pessoais para não votar nele. Aliás, não é novidade alguma, pois já escrevi sobre isso. E é uma interpretação estritamente pessoal.

Precipitação. Desde o início pensei que a candidatura de Eduardo Campos foi um lance de ego. É do conhecimento de todos que Lula tinha grandes projetos para o Eduardo. O próprio Lula investiu na candidatura de Eduardo Campos para o governo de Pernambuco. Lula o tinha como sucessor de Dilma em 2018.

Qualquer um, que observe e analise a realidade política brasileira, sabe que carecemos de “gente nova” com quilate para renovar o próprio PT. Nos partidos de oposição sequer há o que falar.

Eduardo Campos trazia consigo todas as virtudes para a continuação de um governo de esquerda. A formação recebida do avô e toda a trajetória que teve no PSB, partido por natureza, essência e manifestação de esquerda. O avô, recordemos, foi ferrenho opositor do governo tucano de FHC. Eduardo Campos, ministro de Lula, O PSB aliado do governo — e vice-versa — desde Lula.

Eis que surge, na cena nacional, Fernando Haddad. Lula aposta todas as fichas nele para a prefeitura de São Paulo. E ganha.

Junto com o novo filho, nasce o ciúmes do filho mais velho. Os pais não abandonam o filho mais velho pelo nascimento de um novo rebento, mas parece que Freud já explicava o fenômeno lá pelos idos iniciais do século XX: é natural uma fase de sentimento de rejeição por parte do filho mais velho. Os “psi” tratam disso cotidianamente.

(Lembremos: razões pessoais e análise estritamente pessoal.)

A atual novela da Globo, “Império”, anda retratando isso muito bem: o sentimento de rejeição do filho mais velho ao perceber (ou fantasiar, no caso) a preferência do “Comendador” pela filha, que é mais moça, para a sucessão na empresa.

Associe-se, a esse sentimento de “risco de perder o amor do pai”, o fato de que o avô propugnava pelas candidaturas próprias do PSB como forma de fortalecer a imagem do partido não apenas de “base”, mas como sendo capaz de ter forças de comandar “bases”.

Não sei se Eduardo Campos fazia algum tipo de terapia para lidar com esses conflitos, por sinal, comuns a todos os mortais. O fato é que resolveu correr em raia própria.

E como todo primogênito que se sente abandonado pelo pai (mantidas as exceções de praxe), acaba por se associar com “amigos” nem tão amigos assim. Gente que se aproveita da fragilidade do momento de vida das pessoas para tirar proveito próprio.

E essa é outra razão, das pessoais, pela qual não votaria em Eduardo Campos: a associação com Marina.

Marina é, para mim, uma embusteira política (e, sem dúvida, ela virá como candidata aproveitando ao máximo a comoção pela morte do Eduardo Campos). E Eduardo Campos caiu no canto da “sereia”. Houvesse Eduardo Campos seguido seu desejo de correr em raia própria, minhas divergências estariam limitadas a alguns aspectos operacionais de governança. Muitas das quais, não duvido, quiçá até fomentadas pelo Lula, como visionário que é do que deve ser mudado.

A candidatura de Eduardo Campos foi tão prematura quanto a sua morte. Perdemos parte do que poderia ter sido uma boa política futura, nesse Brasil tão carente de um futuro político.

Aprendamos com a morte, quando ela diz: “A vida é trágica, não eu!”

“Dez razões para não votar em… – IV: Lasier Martins (i)


Dez serão poucas, mas vamos tentar ficar em dez…

1. O candidato ao senado pelo Rio Grande do Sul perdeu uma grande oportunidade. Em entrevista para o jornal Sul21 (intitulada “Não devo nada para a RBS e nem para a Caldas Jr.“), bem poderia ter dado mostras de estar preparado para o cargo que pretende. Mas não. Jogou um espaço importante fora.

Não gosto de gente que perde oportunidades.

É um modelo que não me serve.

2. O candidato deixou a RBS, mas a RBS não saiu dele, por mais que tente negar. A entrevista está toda permeada de afirmações típicas de jornalista da mídia oligárquica, tipo “que aproveite melhor os pesados impostos que nós pagamos, os quais são os mais caros do mundo. E temos os juros mais altos do mundo.”

São generalizações que, sabemos, não são verdadeiras. Definitivamente, não temos a maior carga tributária do planeta. Mas o jornalista candidato insiste no discurso.

Da mesma forma que o faz quando diz “O Brasil está crescendo pouco, a inflação está de volta, vivemos uma época de desindustrialização, estamos ameaçados pelo apagão da energia, mesmo que ela seja uma pessoa entendida nisso.”

O que é “crescer pouco”? Será que o parâmetro é 10%? 20%? Quanto devemos crescer para que a oposição se satisfaça? Será que o candidato recorda os índices de crescimento anteriores ao governo do PT? Ou faz questão de apenas lançar bravatas jornalísticas?

A inflação está de volta? De qual inflação o candidato, em mais um pronunciamento jornalístico, está falando? De uma inflação de 6/7% absolutamente estável há tempos?

Apagão, caro candidato? Mais discurso jornalístico. Com essa acabo o item.

Não gosto de gente que perde oportunidades.

É um modelo que não me serve.

3. “Qual é o mal de eu trabalhar numa empresa de comunicação? Qual é a pecha que eu mereço por isso?”

A entrevista demonstra, sobejamente, o mal que há nisso. O candidato tem um discurso único e típico de jornalista da mídia oligárquica.

Demonstrou ser incapaz de reconhecer a realidade e de fugir das bravatas e do generalíssimo “está tudo ruim, nada presta no Brasil”.

Não gosto de gente que perde oportunidades.

É um modelo que não me serve.

4. O candidato opta pelo discurso do “se tem uns poucos ruins, então todos são ruins”. E cita Lula (“Lula, quando foi deputado federal, disse que a Câmara tinha 300 picaretas, ele já sabia.”) para justificar o pensamento.

Se assim fosse, porque não se dedicar aos 213 que não são “picaretas” e apresentar propostas para tornar o Congresso um local com menos picaretas? É o discurso de apontar o que pensar ser ruim, mas ser incapaz de apresentar soluções ou alternativas.

E a crítica é dirigida apenas à Câmara dos Deputados (“O Parlamento, em geral, hoje é caro e improdutivo. A Câmara dos Deputados é um mar de pessoas onde pouca coisa se concretiza, exatamente pela pulverização do Parlamento. No Senado é mais fácil desenvolver um projeto”). O Senado é um mar de rosas produtivas.

Será que ele vai abrir mão das dezenas de servidores (“mar de pessoas”) que terá a sua disposição?

Não gosto de gente que perde oportunidades.

É um modelo que não me serve.

5. As três propostas:

“Tenho no meu santinho três propostas básicas: mais recursos para o Estado (o RS envia para a União cerca de R$ 35 bilhões por ano em impostos federais e recebe de volta apenas R$ 12 bilhões, enquanto a Bahia envia R$15 bi e recebe R$ 25 bi de retorno). Então nós, gaúchos, que estamos hoje no fundo do poço, pagamos a conta de outros. Proponho ainda escola de tempo integral e combate ao desperdício. Os recursos públicos precisam ser investidos com seriedade, planejamento e respeito ao bolso do contribuinte. É papel do senador fiscalizar a aplicação desse dinheiro para que o governo federal possa investir mais naquilo que a população precisa.”

Quero crer, se bem li, que o candidato falou em “propostas” e não em apontamentos do que julga ser um problema. Mas foi isso que ele fez: apontou um problema mas não apresentou proposta alguma.

Como irá resolver? Com fiscalização, como diz no último período?

Todo mundo sabe como funcionam “as coisas” na administração de um país. Parece que menos o candidato, que sonha com “fiscalização”… Que os recursos públicos precisam ser investidos “com seriedade, planejamento e respeito ao bolso do contribuinte” é outra coisa que todo mundo sabe.

Mas como pretende fazer isso? Ou ele se esquece — propositadamente — que o partido dele, o PDT, é parte do governo que ele afirma investir sem seriedade, sem planejamento e sem respeito ao bolso do contribuinte?

Nesse aspecto a candidata Ana Amélia Lemos tem sido mais coerente: seu partido é parte do governo federal e ela tem, no Senado, ajudado o governo. E não confunde o RS com a União, da qual faz parte.

O candidato deveria observar melhor a companheira de mídia oligárquica e aprender um pouco com ela como se faz política no Brasil.

O candidato não tem propostas além da única que é ser contra o governo federal…

Não gosto de gente que perde oportunidades.

É um modelo que não me serve.

6. Instado pelo entrevistador (e caso não tivesse sido, a questão das propostas teria passado em brancas nuvens) a apresentar algo de concreto com relação à dívida do Estado, o candidato sai com a “pérola da moda”: “Se não for amigavelmente, vamos para o Supremo requerer auditoria sobre isso.”

Incapazes de agir como Poder que legisla, apela para o Judiciário para que resolva tudo. Se parassem de brincar de fazer CPI’s contra o governo, talvez sobrasse tempo para avaliar as leis que eles mesmos criam.

Demonstração mais que cabal do desconhecimento do papel dos poderes. Só para constar — e sem querer ofender — mas quem faz auditoria é o Tribunal de Contas — que é parte do Poder ao qual ele se candidata — e não o Supremo.

Não gosto de gente que perde oportunidades.

É um modelo que não me serve.

7. O candidato definitivamente não sabe o que é fazer — ou ser — política. Reclama da presidenta: “a presidente da República domina o Congresso com 80% de apoiadores, exerce profunda influência no Judiciário, onde no Supremo e nos demais tribunais superiores o governo nomeia os ministros.”

Alguém, por favor, avisa ao candidato que é assim mesmo que se joga esse jogo? Se a presidenta, como ele diz (o que é uma outra grande mentira dele) domina 80% do Congresso, que tal pensar que isso é mérito dela e que temos 80% que apoiam o que ela faz?

O candidato se contradiz quando afirma isso e quando afirma que está tudo ruim no Brasil. Oitenta por cento dos parlamentares adoram concordar com coisas ruins que são feitas ao Brasil? É isso, candidato?

8. Agressões pessoais. Coisa absolutamente desnecessária para um candidato ao Senado. O candidato apresenta uma proposta para a formação dos tribunais superiores que merece análise. É uma pauta que a nação trouxe para a agenda desde que o STF resolveu virar “midiático”.

Mas o mais interessante, é que o candidato se contradiz novamente. Diz que os ministros devem ser escolhidos por 21 personalidades jurídicas para, logo em seguida, “descascar” um ministro: “Este Toffoli (ministro do Supremo Dias Toffoli) vai ficar 30 e poucos anos como ministro, e nem foi capaz de passar em concursos para juiz de Direito, foi advogado do PT, de José Dirceu. As pessoas que vão para lá têm que ser idôneas, confiáveis.”

Mais uma vez o candidato demonstra total desconhecimento de como as coisa funcionam na escolha de um ministro dos tribunais superiores. Aliás, ignora por completo a Constituição — votada por detentores do cargo a que ele almeja — que determina que tribunais superiores devem ter o “quinto constitucional”.

Portanto, jamais um candidato poderia falar em “nem foi capaz de passar em concursos para juiz de Direito”, pois isso não é condição para ser ministro.

Ofendeu profunda e desnecessariamente um ministro e mostrou o porquê de tê-lo feito: porque teria origem no PT.

E ele, que não pensa ser senador para defender o RS, preocupa-se em mostrar sua única plataforma e que é a mesma plataforma que sempre defendeu como jornalista: ser contra o governo do PT e contra o próprio PT.

Não gosto de gente que perde oportunidades.

É um modelo que não me serve.

9. Gestão. “o mais absurdo defeito da gestão pública brasileira é a Petrobras. Petróleo dá lucro em qualquer parte do mundo, no Brasil a Petrobras é deficitária, é uma caixa-preta, está toda endividada, os diretores ganham fortunas de salários e nós pagamos combustíveis tão caros, além disso demoramos a explorar o pré-sal. Temos que entrar com uma auditoria na Petrobras”.

O jornalista que obedece aos patrões da mídia oligárquica não saiu dele. Não adianta tentar. Afirmação rasa, típica de jornalista e não de um candidato ao Senado da República.

A Petrobrás não está deficitária (a própria mídia que o empregou admite isso), dá lucro, a gasolina é, comparativamente a outros países, nem tão cara assim e se demoramos para explorar o pré-sal foi justamente pelo necessário debate social sobre um tema tão controverso.

E novamente o candidato aparece com uma “auditoria”. Será que ele vai pedir mais essa ao Supremo?

Não gosto de gente que perde oportunidades.

É um modelo que não me serve.

10. Como visto até aqui — e vou ter que continuar com mais 10 razões — o candidato Lasier Martins é um total despreparado para o cargo que pretende. E a décima razão dessa primeira parte é justamente essa: que queira ser senador, é um direito de qualquer cidadão maior de 35 anos.

E, sabiamente, os próprios senadores ajudaram a construir o conceito de que basta a idade — e um mínimo de alfabetização — como condição para o exercício da representação popular…

(segue…)

Luiz Afonso Alencastre Escosteguy
No Escosteguy

Leia também: "Dez razões para não votar em… " — 2: Marina Silva
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Marina Silva é o anti-Brasil

Antes que se comece o papo de sempre, com uma porção de pessoas xingando as outras, defino minha visão pessoal consolidada sobre o objeto.

Marina Silva pode ser excelente pessoa, mas é o anti-Brasil.

Nascida de esquerdismo primitivista e romântico, ostenta uma subcultura enfeitada com palavras difíceis e frases sem sentido.

Odeia o agronegócio. Não no sentido de enfrentar os herdeiros empresariais do velho coronelismo limitando suas ambições políticas, organizar agricultores em cooperativas para exploração de produtos em condições competitivas, ou criar arranjos produtivos que integrem a pequena propriedade em unidades industriais ou núcleos de armazenamento, processamento e comercialização.

É contra o agronegócio em si, contra aquilo que sustenta o comércio externo do país. Extrativista, admite no máximo a agricultura de subsistência. Esse aspecto de seu programa é que o mais agrada aos Estados Unidos, que têm no Brasil sério concorrente real — e principalmente potencial — no mercado de commodities agrícolas.

Esquerdista radical — no que esquerda e direita se abraçam, comovidas, ao som de um bolero — não é conta o capitalismo (tanto que a assessoram alguns de mais destacados intelectuais orgânicos do financismo bancário), mas contra a "sociedade industrial" — isto é, a Embraer, as siderúrgicas, as metalúrgicas...

É dos que odeiam hidrelétricas e acham construí-las na Amazônia um crime contra os "povos da floresta". Como termelétricas poluem e usinas nucleares são perigosas, sugerem iluminar e mover este país de 200 milhões de pessoas com cata-ventos, quando o vento sopra.

Tirando o criacionismo, o horror aos transgênicos (não ao patenteamento de novas espécies obtidas em laboratório, mas à ciência que permite criá-los) e o uso abusivo dos conceitos em Ciências Humanas, nada propõe em áreas do Conhecimento.

Não tem suporte político além do aglomerado que se forma conjunturalmente para colocá-la no governo ou atrapalhar o "inimigo". É contra "tudo que está aí", pela gestão do Estado com a graça de Deus, espada da Justiça, a confiança da Fé, a pureza da Inocência e iluminação da Sabedoria.

Fernando Collor, em 1989, era candidato bem mais consistente.

Muitos dos eleitores de Marina que conheço, principalmente aqui no Sul do país, vêm nos últimos anos buscando na história da família algum avô que lhes possa garantir uma "outra nacionalidade". Pode até ser, então, que tenham oportunidade de usá-la.

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Como Marina muda a disputa


Aos poucos vai ficando mais claro o impacto de Marina nas eleições.

É uma mudança enorme por uma razão básica: sai um candidato fraco e entra um candidato forte.

Perde Dilma e perde Aécio.

A questão é: qual o tamanho da perda de cada um?

Comecemos por Aécio. Ele corre o risco de ser reduzido a um inexpressivo segundo plano diante de Dilma e de Marina.

Aécio pode ocupar o espaço que era de Eduardo Campos: um candidato de baixa relevância.

Se nas primeiras pesquisas Marina aparecer na sua frente, Aécio estará enrascado.

A tendência será uma debandada das forças conservadoras em direção de Marina.

Fora isso, é previsível que, pela sua história, Marina seja mais agressiva que Campos nas críticas a Aécio e ao PSDB.

Aécio, até aqui, era o anti-Dilma. Este papel vai caber a Marina, e Aécio tenderá ser um personagem sem sentido no novo enredo.

Marina não é o nome dos sonhos dos conservadores, mas a prioridade um, dois e três deles é tirar o PT do poder.

No passado, Jânio Quadros viveu uma situação parecida. Os conservadores de então, agrupados na UDN, viram em Jânio — que nada tinha a ver com eles — a chance de vencer as eleições de 1961.

Venceram, mas ao preço de uma terrível instabilidade política por conta dos choques de Jânio com as forças que o levaram ao Planalto.

Durou sete meses a aventura, ao fim dos quais Jânio renunciou, o que abriria as portas para o golpe militar de 1964.

Meio século depois, outra vez confrontados com a falta de votos de seus candidatos favoritos, os conservadores podem repetir com Marina o que fizeram com Jânio: depositar as fichas na esperança de controlá-la, em caso de êxito.

Para Dilma as coisas se complicaram também. Não eram pequenas as chances de ela vencer no primeiro turno: Aécio estava estagnado, e assolado pelo aeroporto, e Campos não vingava.

Caso Marina force um segundo turno, Dilma enfrentará uma situação diferente da de 2010.

Ela foi para o segundo turno com o Rei da Rejeição, Serra. Muitos dos 20 milhões de eleitores de Marina optaram rapidamente por Dilma contra Serra.

Na hipótese de Dilma e Marina irem para o segundo turno, os votos de Aécio tenderão a desaguar em Marina.

Entra numa terceira fase a jornada de Dilma rumo à reeleição.

A primeira, em que tudo parecia fácil, terminou nos protestos de junho de 2013.

A segunda foi marcada por asperezas antes imprevistas — mas também por adversários pouco ameaçadores.

A terceira, e mais difícil, é esta.

Marina vai ser um adversário duro. É mulher, tem a aparência de quem é do povo — e reunirá em torno de seu nome todas as forças antipetistas. É algo que nem Aécio e nem Campos poderiam fazer.

Dilma é, ainda, favorita. Mas menos favorita do que já foi.

Paulo Nogueira
No DCM
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O poder dissimulado no luto

O tabuleiro da política brasileira começa a se reorganizar, mesmo antes que sejam compostos os restos mortais do ex-governador Eduardo Campos para a cerimônia fúnebre. Ainda sob o efeito da tragédia e do espanto, as duas forças hegemônicas do sistema partidário fazem os primeiros movimentos para obter o máximo proveito da tragédia, sem que pareçam estar interessadas no espólio do candidato desaparecido. 

O que vai na cabeça dos políticos é parte do mistério insondável que encobre a maior das paixões humanas – o desejo de potência. Portanto, pode-se apenas fazer conjecturas sobre o propósito que se oculta nas declarações e nas iniciativas que vêm a público.

Mais simples é observar como a imprensa, na qualidade de instituição que personifica o desejo de poder de uma classe especial de cidadãos, tenta se manter como protagonista relevante nesse jogo, sem no entanto explicitar seus interesses. 

Para os dois extremos em que se divide a política nacional, a situação é clara: ao Partido dos Trabalhadores e seus aliados interessa que Marina Silva, provável substituta de Eduardo Campos na cabeça de chapa do Partido Socialista Brasileiro, continue sendo Marina Silva, o que equivale a dizer que ela tem potencial para reduzir o número de votos nulos e em branco, principalmente entre os eleitores mais jovens, e canibalizar o patrimônio do senador Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira, mas sem ameaçar as chances de Dilma Rousseff.

Para o PSDB, trata-se de usar Marina Silva para assegurar o segundo turno, com Aécio na disputa.

Dentro desse quadro aparentemente simples, porém, cruzam-se muitos e complexos elementos que os atores tentam administrar com cautela. Um deles é a própria natureza da aliança que aproximou Marina Silva e Eduardo Campos: pode-se dizer que a principal conexão entre eles é que compartilharam uma política de sonho, na hipótese de que se pode jogar sem praticar os vícios que são a própria regra do jogo. Diz o editorial do Estado de S. Paulo a edição de sexta-feira (15/8), sobre Campos, que suas qualidades não foram suficientes para infundir substância à “terceira via”.

O velho coronelismo

Vejamos, então, se é possível uma compreensão do protagonismo da mídia tradicional, como instituição coesa e homogênea que pretende manipular os cordões do poder político.

Já se disse aqui que a imprensa hegemônica do Brasil funciona como o Tea Party nos Estados Unidos, uma espécie de sociedade de forças reacionárias que tenta determinar o rumo da política e da economia, mesmo à revelia da vontade manifestada pela maioria. Diante desse tabuleiro, a imprensa precisa alavancar o potencial de Marina Silva, ao ponto de fazê-la crescer o suficiente para provocar um segundo turno, mas evitando que supere Aécio Neves.

Parte dessa tarefa consiste em acalmar as forças do mercado, evitando que pese sobre ela o temor que cercava a primeira candidatura do petista Lula da Silva, em 2002. Para isso, movimenta-se o economista Eduardo Gianetti da Fonseca, autor da proposta de política econômica da chapa do PSB: ele ganha destaque por afirmar que há “uma forte convergência” entre o projeto feito para Eduardo Campos e a doutrina do PSDB.

O Globo, que não possui a mesma habilidade para dissimular os interesses de seus controladores como o Estado de S.Paulo, veterano de centenárias batalhas políticas, ou a Folha de S.Paulo, com seu ousado pragmatismo, vai direto nas canelas: “PT pressiona para rachar o PSB de Eduardo Campos”, diz a manchete do jornal carioca. O núcleo da notícia é a interpretação do jornal para conversas protocolares da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula da Silva com o dirigente do PSB, Roberto Amaral, que deverá conduzir o processo de substituição do candidato falecido na chapa de seu partido.

O interessante é que todos afirmam que não querem discutir política antes dos funerais, mas não se fala de outra coisa a não ser política. Até mesmo do núcleo familiar do falecido candidato brota material jornalístico apresentando seu filho mais velho, João Campos, como possível herdeiro político da dinastia inaugurada por Miguel Arraes, avô do ex-governador.

A foto do jovem de apenas 20 anos, imagem principal na primeira página do Estado de S. Paulo, também publicada com destaque na Folha e no Globo, é a face nova da velha política: à direita ou à esquerda, representa o poder republicano como herança familiar – o velho e confiável coronelismo.

Luciano Martins Costa
No OI
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Todo poder à mídia?


Já uma vez citei por aqui um velho comercial de biscoitos que perguntava: vende mais porque é mais fresquinho ou é mais fresquinho porque vende mais?

Essa é uma questão clássica em pesquisas eleitorais porque, com o enfraquecimento dos partidos e a interdição do debate político por uma mídia organizada da forma de um partido único (em que os jornais e tevês discordam entre si, na política ou na economia?), conservador e medíocre, não há dúvida de que as pesquisas acabam sendo o principal balizador de boa parte do eleitorado.

Isso é a chave para entendermos o que está acontecendo com a súbita conversão de Marina Silva em grande “favorita” do processo eleitoral em razão da morte trágica de Eduardo Campos.

A mídia sente-se com todo o poder sobre o processo de formação da consciência popular, um poder que, apesar do imenso canhoneio que realiza sobre corações e mentes dos brasileiros, não tem.

A população tem um sentido quase mudo de sobrevivência, que faz com que boa parte dela resista à essa exploração mórbida.

Citei aqui o recentíssimo exemplo de Pernambuco, onde uma pesquisa Datafolha não registra qualquer efeito da comoção causada pelo acidente sobre o comportamento do eleitorado do Estado, majoritariamente inclinado a despejar seus votos sobre o candidato mais identificado como opositor de Campos.

A última pesquisa de intenção de voto feita pelo Ibope, no final de setembro passado, marcava Dilma com 38% (o mesmo de agora), Marina com 16%, Aécio Neves com 11% e Eduardo Campos com 4%.

Um mês depois, o mesmo Ibope assinalava os seguintes placares: Dilma com 41%, Aécio com 14% e Campos — agora com Marina de vice — com 10%. Se Marina fosse a candidata, em lugar do pernambucano, os números eram Dilma 39%, a ex-senadora com 21% —  teve uma imensa exposição de mídia por sua aliança com o PSB – e apenas 13% para Aécio.

Os números de Dilma, até agora, continuam na mesma faixa, segundo todas as pesquisas.

Não há nenhuma outra razão para que os demais se modifiquem tão substancialmente ao ponto de que este padrão governo x oposição se modifique abruptamente.

Exceto, claro, uma comoção que nem o mais otimista dos marinistas pode pensar que vá ser a mesma quando se passarem dez ou vinte dias.

E que pode, cuidado lá, passar dos limites e criar uma percepção negativa quanto ao uso da tragédia como “programa eleitoral”.

Uma pequena nota, no Painel da Folha, para a qual um leitor me chama a atenção diz muito sobre a pesquisa Datafolha sob cuja sombra os integrantes do PSB irão decidir sua atitude.

“Um banco de investimentos encomendou pesquisa telefônica para medir a intenção de voto em Marina na quarta-feira, dia do acidente. A enquete foi cancelada porque muitos eleitores se recusaram a responder.”

As pessoas têm uma noção de decência que vai além da ideia de nossas elites de que pode “fazer sua cabeça” do jeito que quiser.

O que Marina pode e certamente vai causar é uma modificação na distribuição dos votos de oposição.

Apresentá-la como “fenômeno” post mortem de Campos não é factível sem demolir Aécio Neves.

Uma Marina Silva como candidata da direita é coisa completamente diferente daquela “outsider” que se apresentou em 2010, quando Serra estava firme à sua frente, o que não existe com Aécio.

Até porque as intenções de voto de Dilma são mais sólidas, porque refletiam uma decisão formada e tomada independente de apresentação de nomes.

Dois terços delas aparecem na pesquisa espontânea (25 sobre 38%), enquanto as de Aécio (11 sobre 23) e as que eram dirigidas a Campos (4 sobre 9) não chegavam seque à metade.

A direita brasileira segue — e mais profundamente — fazendo o jogo dos desesperados.

Abraço de afogado é algo que exige prudência e cuidado. É perigosíssimo.

Quem se deixar levar pelo canto da mídia está a um passo de aceitar como real o quadro que tentarão mostrar, dentro de dias, com pesquisas.

Que, mesmo empurrados para cima, ficarão abaixo muito abaixo do que figuram no noticiário ao apresentá-la como quem cavalga a crista da desgraça.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Marina vai semear o pavor nos adversários

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/

Marina Silva vai para o jogo. Eduardo Campos agora é o seu cabo eleitoral. Ela vai a campo empurrada pela emoção, pelo seu lado outsider e por sua característica mais marcante de via alternativa. Vai semear o terror nos adversários.

Lula tem feito de tudo para convencer o PSB a não ter candidato próprio agora que Eduardo se foi.

Já era.

Só a burrice faria o PSB deixar o cavalo passar encilhado.

Aécio Neves sabe que a sua ida ao segundo turno pode ter ido para o espaço.

Os petistas já começam, como sempre que se assustam, a chamar o pai.

O “volta Lula” já ecoa nos bastidores e nas redes sociais.

Pela primeira vez, desde 1999, a parceria PT-PSDB está ameaçada.

Como diriam os franceses, Marina não sente frio nos olhos.

Vai queimar muitas certezas.

O circo vai pegar fogo.
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Vamos supor que eu tenha dúvidas!


E que essas dúvidas digam respeito ao fato de a Rede Globo, oficialmente envolvida no maior escândalo de sonegação que esse país já viu, e a campanha do Criança Esperança.

Digamos que tenha dúvidas inclusive sobre a veracidade da sonegação.

Digamos, também, que eu tenha dúvidas sobre a capacidade de a Rede Globo bancar, sozinha e sem campanha alguma, todos os projetos que diz apoiar.

Digamos, mais uma vez, que eu tenha dúvidas sobre ser necessário a Rede Globo fazer campanhas como o Criança Esperança para ajudar crianças em situação de risco.

Digamos, e apenas digamos, que eu tenha dúvidas sobre a idoneidade de quem aponta o dedo contra a Rede Globo, acusando-a de ser tudo o que dizem sobre ela.

Digamos que eu tenha dúvidas sobre os temas da novela “Império”, que divulga uma família que vende os filhos, a adolescente amante do comendador e um vagabundo michê; que mostra com tranquilidade os valores de uma tia sem moral; que tem como personagem principal um homem inescrupuloso e doente cujo único objetivo é “ser rico” como razão de viver; uma novela, enfim, que mostra que todo mundo deve ter um “preço”, como foi o preço aceito pela “pobrezinha” necessitada de salvar o irmão e de se sentir culpada pelas dores do mundo.

Essa é a Rede Globo. Fatura milhões em propaganda do Criança Esperança e que diz que a arrecadação, dos que pagam, é da Unicef.

Vamos supor que eu tenha dúvidas!

Mas, se você não tem, disque 0300….

Luiz Afonso Alencastre Escosteguy
No Escosteguy
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Troca de bandeiras em Minas

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Charege online - Bessinha - # 2401

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70% de doações para campanha de Alckmin vem de empresas do cartel do Metrô

Ele
Sem qualquer constrangimento, por conta do escândalo político que representa o “trensalão tucano”, o atual governador mostra que a parceria com empresas que são rés em processos na Justiça por casos de corrupção em gestões do PSDB continua

Três empresas, que são acusadas de participar de um cartel, que se favorecia de formação de cartel e de fraudes em licitações do metrô paulista e do Distrito Federal, doaram R$ 4 milhões para a campanha à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Mais grave ainda, uma vez que as investigações indicam que as fraudes ocorreram em governos do PSDB, partido de Alckmin, é que duas das empresas já são rés em processos na Justiça, são elas: Queiróz Galvão, que doou R$ 2 milhões e CR Almeida, que participou com R$ 1 milhão.

As duas empresas teriam participado, de acordo com denúncias feitas pelo Ministério Público, de um esquema para formação de cartel e favorecimento em licitações para a construção da Linha-Lilás do Metrô.

A terceira empresa é a Serveng Civilsan, que é investigada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que contribuiu com R$ 1 milhão para a campanha de Alckmin.

As irregularidades cometidas pela Serveng, e investigadas pelo Cade, datam de 2007, quando o metrô do Distrito Federal promoveu um edital para reforma de linhas férreas.

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PSB sela acordo para lançar Marina no lugar de Campos

Roberto Amaral e Luiza Erundina, do PSB, no prédio onde Marina Silva está hospedada em São Paulo
Zanone Fraissat
O PSB superou as divergências internas e selou acordo para lançar Marina Silva à Presidência da República no lugar de Eduardo Campos. Ela concordou com a inversão da chapa e deverá ser anunciada oficialmente na próxima quarta-feira (20).

O novo presidente do PSB, Roberto Amaral, era visto como último entrave ao acerto. Sob forte pressão de correligionários, ele se convenceu a apoiar Marina, que disputou o Planalto em 2010 pelo PV.

O PSB agora discutirá a indicação do novo vice na chapa presidencial. O deputado gaúcho Beto Albuquerque, hoje candidato ao Senado, é o mais cotado para a vaga.

"A candidatura de Marina contempla nosso projeto. Será uma solução de continuidade. O PSB indicará o novo vice", disse Amaral à Folha.

Depois de uma reunião com Marina, o coordenador da Rede Sustentabilidade, Bazileu Margarido, confirmou à reportagem que ela aceita disputar a Presidência.

"Com o OK do PSB, ela está à disposição para ser a candidata", disse.

Por respeito à memória de Campos, o anúncio oficial da nova chapa só deverá ser feito três dias depois do enterro, programado para o domingo (17), em reunião da executiva nacional do PSB.

A negociação se acelerou após Marina receber apoio público da família do ex-governador de Pernambuco. Segundo aliados, ela se sentiu revigorada ao conversar com a viúva Renata Campos, que a incentivou a concorrer.

Ex-ministro da Ciência e Tecnologia no governo Lula e considerado próximo ao PT, Roberto Amaral visitou Marina na tarde desta sexta (15). Com seu aval, começou a consultar os governadores do PSB sobre a inversão da chapa.

Ele quer dar caráter coletivo à decisão e agora buscará entendimento sobre o vice até a reunião da executiva. "Vou fazer um trabalho de afunilamento. O ideal é chegar com dois nomes. Ou um", disse.

Além de Albuquerque, que se aproximou de Marina desde que ela aderiu à candidatura de Campos, são vistos como alternativas o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), o ex-deputado Maurício Rands (PSB-PE) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), ex-ministro da Integração Nacional no governo Dilma Rousseff.

Marina sinalizou ao PSB que respeitará as duas principais exigências do partido: respeitar os acordos regionais fechados à sua revelia, em Estados como Rio e São Paulo, e incorporar o discurso desenvolvimentista.

A ex-senadora disse a pessoas próximas que pretende conduzir a campanha da mesma forma que Campos a conduziria, atuando como líder de uma coligação, e não apenas da Rede, o futuro partido que ela quer criar.

Embora tenha se recusado a falar publicamente sobre política, em respeito ao luto pelo ex-governador, repetiu a aliados que era preciso manter o projeto da chapa.

Ela disse que o PSB foi generoso ao abrigar a Rede em 2013, quando a Justiça Eleitoral negou registro ao partido, e agora é a hora de retribuir.

No fAlha
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A escolha de Marina e o vale tudo para garantir um 2º turno


Com o anúncio pela cúpula nacional do PSB, de que se reunirá na próxima 4ª feira para decidir sobre o candidato que substituirá o ex-governador Eduardo Campos na disputa pelo Planalto, cresce a pressão, principalmente por parte da mídia para que a candidata a vice, Marina Silva, seja a substituta.

A morte de Campos operou uma radical mudança no quadro da campanha e a imprensa, de repente, nos últimos dois dias, se tornou marineira “desde criancinha”. Por quê? Porque ela não vê alternativa que não acalmar a candidatura de Marina para garantir o 2º turno e impedir que a presidenta Dilma Rousseff ganhe a eleição no 1º.

Assim, salta à vista que o candidato tucano Aécio Neves, abandonado, tende a ser o principal prejudicado pela nova conjuntura. A candidatura de Marina, imposta pela tragédia que tirou a vida de Eduardo Campos, passou a ser exigida pelo mercado desesperado pela restauração liberal que antes buscava, ou encarnava, no presidenciável do PSDB. Até a tragédia de dois dias atrás, Aécio era o delfim do tucanato Fernandista (da era FHC), que ele resgatara em toda linha na figura de seu futuro ministro da Fazenda, Armínio Fraga.

A questão, agora, é saber como reagirá até 4ª feira — e naquele dia — o PSB. Ou pelo menos como irá se comportar seus setores históricos perante a esse aparente inevitável beijo da morte para um partido socialista e de esquerda que um dia fez parte do projeto que levou Lula a presidência. Num partido de esquerda em sua história (e não apenas no nome), apesar de todas concessões e alianças dos últimos anos.

Tragédia de Campos, muda tudo para Aécio

Com a tragédia que vitimou Eduardo Campos, muda tudo daqui para frente para Aécio, para Marina e para o PSB. Não muda tanto para o PT e para sua candidata à reeleição, a presidenta Dilma. Pelo menos nesse primeiro momento, ainda que esta seja uma situação a ser conferida daqui a duas semanas de campanha já com propaganda eleitoral no rádio e na TV.

Muda tanto que, de repente, nos últimos dois dias, a mídia conservadora, a exemplo do mercado, engajou-se na candidatura Marina, mesmo sabendo que ela, num primeiro momento, é um perigo maior para Aécio e para o PSB, já que seu projeto e ideário é retomar seu próprio partido, a REDE Sustentabilidade.

Enfim, raciocinam, a realidade mudou, mas o importante é todos estarem e ficarem juntos no objetivo comum de derrotar o PT e impedir a reeleição da presidenta Dilma. Mais grave será a decisão a ser tomada no 2º turno — se houver — porque ele inevitavelmente dividirá a aliança e o próprio PSB, de forma inexorável.

Ao PSB não será fácil, nem simples, manter a campanha e a aliança sem a liderança e a presença de Eduardo Campos que, como conhecíamos, era líder, dirigente, militante e excelente gestor — características e méritos raros no Brasil.

Único consenso é apoio da mídia à candidata Marina

Assim, no quadro com que caminhamos para o fim de semana e, até a 4ª feira, o único consenso é o apoio unânime da mídia a candidatura Marina. Consenso, principalmente, no despudor e desfaçatez em pressionar esse ou aquele dirigente socialista, taxando-os de apoiadores do PT e de Lula, numa tentativa desesperada de consagrar imediatamente Marina como candidata ao Planalto.

Decidida a escolha de Marina, os problemas para eles, e o desafio para a candidata estarão apenas começando. A candidatura Eduardo, como dissemos na última quinta feira , não tinha se consolidado como um projeto político para além da 3ª via e estava bastante desgastada pelas alianças pragmáticas que fez à direita e à esquerda, com conservadores de todas as gradações, coronéis e caciques políticos, petistas, peemedebistas e tucanos.

Faltava a Eduardo e à sua 3ª via um programa e um projeto político alternativos aos do PT e do PSDB. Faltava-lhe, também, tempo para se tornar conhecido nacionalmente. Daí sua alegria por participar por 15 minutos de entrevista no Jornal Nacional (3ª pp., véspera da tragédia), no que se constituía em sua primeira chance real de se expor, ser conhecido e reconhecido pelo grande eleitorado que vê o telejornal de maior audiência no país.

Deixando de lado as análises e avaliações contaminadas pelo antipetismo, ou pior, pela PTfobia que só pensam e visam tirar o PT do governo, outra questão que se coloca a todos nós, e à Marina em particular, é a avaliação se há uma maioria real no país disposta a uma 3ª via. E o que ela, encabeçada por Marina, propõe.

Eduardo aproximou-se do fanatismo neoliberal de Aécio

Nunca é demais lembrar que num erro primário, raro em Eduardo, do início da campanha. Lá atrás, ele se aproximou de Aécio e do PSDB, de seu ideário e fanatismo neoliberal. Marina é que forçou um afastamento, impedindo o pior — que a candidatura dele e o PSB virassem um simulacro do tucanato. Apesar dela não ter conseguido impedir seu companheiro de se associar a Aécio nos dogmas econômicos caros ao mercado e ao PSDB.

A questão ainda é se nosso povo quer uma 3ª via ou se tem consciência que o PT e o PSDB representam projetos políticos e sociais antagônicos e interesses de classe contrários e, no mínimo, conflitantes. Nesse sentido a candidatura de Marina piora ainda mais a situação de Aécio e não a de Dilma.

Outro problema, mas não um entrave menor: o quadro partidário está definido e as alianças regionais idem, gostemos ou não. Por outro lado, o PSB não tem um nome de projeção e liderança nacional para a disputa e muito menos pode correr mais riscos do que já corre nos Estados onde, com exceção de Pernambuco, tem poucas chances de vencer.

O desafio de Marina

A questão agora é saber como o eleitorado reagirá à candidatura de Marina e o que ela proporá ao país que não se contraponha a realidade da disputa já em curso e das alianças que Eduardo e o PSB construíram para o bem — ou para o mal segundo a ótica de Marina.

O desafio de Marina é suprir, pelo menos no imaginário popular, a carência de Eduardo e trazer um projeto político alternativo ao que governa o país há 12 anos. Para ela, não há outra alternativa, é trazer — e trazer. Sob o risco de se tornar uma linha auxiliar para o tucanato em sua tentativa de regredir o país a era Fernandista alinhando o poder político e o Estado brasileiro de novo aos interesses do grande capital começando pelo rural e financeiro.

No Blog do Zé
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Marina com prazo de validade


Marina e PSB um casamento com data para o fim

É impressionante as contradições que representa a candidatura de Marina Silva pelo PSB.

Seu discurso veio com duas bandeiras principais: renovação na política e causa ambiental.

Ao entrar para vice na chapa do PSB quebrou esses princípios.

A aliança do PSB com o PSDB de S. Paulo e de Minas Gerais está longe de qualquer renovação política e causa ambiental.

Marina avisou que caminharia com o PSB até formar seu próprio partido: outra contradição.

E agora, como fica PSB e Marina?

Quem confia em quem?

Por princípio dois arranjos antagônicos e modos opostos de ver o mundo.

Um casamento que já tem data marcada para acabar.

Mas toda essa irresponsabilidade política pouco importa, pois quem vai sofrer é o povo, caso se concretize.

O PIG (partido da imprensa golpista) representa a graúna do Henfil: vibra com essas maldades.

Antonio Negrão de Sá

* * *

O estilo desagregador, prepotente e arrogante de Marina Silva, que deixou um rastro de intrigas, desconfianças e desarmonia em suas passagens pelo PT e pelo Partido Verde, já tinha data para voltar a mostrar suas garras: em nota oficial publicada no dia 26 de junho, a Rede Sustentabilidade (o grupo que segue Marina) deixou clara as suas intenções:
4. A filiação transitória democrática permite que, tão logo a Rede obtenha seu registro na Justiça Eleitoral, o que deve ocorrer nos próximos meses, seus militantes formalmente vinculados ao PSB poderão se transferir para a legenda de origem sem o risco de qualquer tipo de sanção partidária.


5. Portanto, os militantes da Rede têm data para deixar o PSB, conforme o compromisso firmado entre os partidos no final do ano passado.


Para ler a Nota da Rede na integra, clique aqui.
É óbvio que ninguém, até então, poderia imaginar a reviravolta que aconteceria no quadro sucessório presidencial com a tragédia que se abateu sobre a candidatura de Eduardo Campos. A morte do então candidato do PSB derrubou o tabuleiro do xadrez político no chão. O jogo vai recomeçar do zero a partir de agora.

Marina Silva e sua “Rede” talvez tenha sido a pior jogada de Campos em toda a sua carreira política. Ele acreditou que Marina daria um grande impulso à sua candidatura, o que de fato não ocorreu. Talvez Eduardo, assim como tantas outras pessoas do mundo político, enxergasse nos quase 20 milhões de votos que Marina Silva obteve nas últimas eleições presidenciais um sólido patrimônio político. Foi um grande erro.

O patrimônio político de Marina Silva era tão sólido como fumaça. Seus 20 milhões de votos não lhe credenciaram sequer para construir seu próprio partido. Ela não conseguiu o número de assinaturas necessárias para obter o registro da Rede junto ao Tribunal Superior Eleitoral e, tão pouco, conseguiu impulsionar o nome de Eduardo Campos para chegar pelo menos aos dois dígitos de intenção de voto para a eleição de outubro.

Não bastasse tamanha desilusão, Marina Silva e sua Rede tiraram de Eduardo Campos apoios importantes, especialmente em colégios eleitorais fundamentais, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. A intransigência e a incapacidade de articulação de Marina Silva subtraíram de Eduardo palanques e alianças que poderiam ajudá-lo a tentar chegar ao segundo turno. Obviamente ninguém do PSB admitirá publicamente esse equívoco que foi a escolha da Marina como vice. Mesmo no Partido Verde, onde ela deixou um rastro de intrigas e desarmonia, quase levando o partido a desintegração absoluta, ninguém fala publicamente sobre isso.

Marina Silva quer um partido pra chamar de seu. Para mandar e impor seu messianismo “sonhático”. E o bote está se armando sobre o PSB.

Caso o partido de Eduardo Campos decida pela substituição do nome dele pelo de Marina estará apenas repetindo os erros do PT e do PV. Entregar o comando do partido a uma candidata desagregadora e com um histórico tsunâmico será o caminho mais curto para enterrar a história do PSB. Os sonháticos de Marina farão cair sobre os dirigentes do Partido Socialista Brasileiro a escuridão dos pesadelos de uma noite sem fim.

Dener Giovanini
No Justiceira de Esquerda
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Quem é o homem que enganou a imprensa em Santos


Um homem conseguiu roubar a cena e espalhar alguns boatos durante a cobertura do acidente com o candidato à presidência Eduardo Campos. Vestindo um macacão azul semelhante a um uniforme de socorrista, identificado como estivador, ele afirmou em entrevista ao repórter José Roberto Burnier, da TV Globo, que havia ajudado no resgate das vítimas, tendo visto, inclusive, o corpo de Campos.

“Vi vários corpos espalhados. Inclusive, um dos corpos era realmente o do candidato Eduardo Campos. Eu cheguei a ver, eu abri olho dele verde, azul, eu não acreditei, fique estarrecido”, disse ele, abalado.

Deu o mesmo depoimento à repórter Eleonora Paschoal, da Band: “Eu vi o corpo do candidato Eduardo Campos e é uma cena que eu jamais vou esquecer em toda a minha vida”.

Pouco tempo depois, chegaram informações oficiais de que os corpos estavam dilacerados e só poderiam ser identificados por meio de exame da arcada dentária e DNA. Também não houve a explosão no ar que ele vira.

É compreensível que os repórteres tenham caído na história por causa da agitação comum em um cenário de acidente daquelas proporções e da pressa em dar informações. Agora, o que levaria alguém a protagonizar uma história de ficção como essa? Seria até compreensível se ele inventasse um resgate heroico para se autopromover, mas qual vantagem teria em dizer ter visto cadáveres?

Há a vontade de ficar famoso, claro. Mas outra hipótese é a chamada mitomania. A psiquiatra Mara Maranhão,  da Unifesp e do Hospital Albert Einstein, explica do que se trata:

“Na maior parte das vezes, o comportamento da mitomania (mentira patológica) não traz benefícios objetivos para a pessoa (como acontece na simulação ou em pessoas com traços de personalidade antissocial). Além disso, as mentiras não são contadas com a intenção de assumir um papel de doente ou obter atenção dos profissionais de saúde (como no transtorno de Munchausen). No caso dos mitômanos, o comportamento de contar falsas histórias decorre mais de motivos internos, psicológicos (baixa autoestima, por exemplo), do que de motivações externas (ganhar algo ou evitar uma punição, por exemplo).”

O homem que enganou meio mundo se chama Donizete Machado Junior, é ex-boxeador profissional, atualmente estivador e seu apelido é Maguila. Vive em São Vicente. Não é estreante na mídia. Em abril deste ano, foi notícia com grande repercussão.

Após ser demitido da maior empresa portuária de Santos, a Santos Brasil, ele convocou a imprensa, por orientação do Sindicato dos Estivadores, para declarar que fora vítima de homofobia. Donizete teria tentado colocar seu companheiro como beneficiário do plano de saúde da firma.

“Ele estava ainda no período de experiência. Foi dispensado por outros motivos”, disse um representante da Santos Brasil, que não quis se identificar, ao DCM. “Estamos esperando a notificação judicial até hoje. Nunca chegou”.

Depois de um sumiço, Donizete reapareceu ontem na página “Vivendo em Santos” do Facebook, que dá notícias da cidade. Escreveu o seguinte:

“Bom dia. Meu nome é Donizete Junior. Estou nessa conta de um amigo porque a minha foi bloqueada. Acontece que eu sou do caso da queda do avião em Santos, que deu entrevista no calor da emoção sem pensar nas consequências. Errei, sim, nas sem pensar nas consequências das minhas burras palavras. Estou sendo ameaçado e já até sofri agressões de minha família também. A culpa foi totalmente minha, com minha boca e compulsão inconsequente”.

Marcos Sacramento
No DCM
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Essa é do Barão... 14


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