15 de ago de 2014

Quem perde mais – Aécio ou o Não-Voto?

Na última pesquisa Ibope, agora em agosto, Dilma tinha 38% e a soma dos outros candidatos também era 38%. O Não-Voto (eleitores que não têm intenção de votar em qualquer que seja o candidato) tinha, portanto, 24% (no primeiro turno de 2010, o Não-Voto foi 8,64%). No histórico, desde junho, Dilma estava absolutamente estável, enquanto os outros candidatos perdiam 4 pontos para o Não-Voto. Aécio crescia, mas sem conseguir tirar nem de Dilma nem do Não-Voto. Com a saída repentina — e lamentável para política brasileira — de Eduardo Campos, a interrogação é a melhor resposta. Mas não custa imaginar.

Marina certamente será a candidata do PSB. Até aqui, os seus antigos votos, aqueles quase 17,66% dos votos (considerando o total do comparecimento) que ela teve em 2010, estavam indo mais para o Não-Voto do que para Eduardo Campos. Alguns talvez tenham migrado para Everaldo. Outros para Aécio. Com a sua candidatura, ela poderá conquistar alguma coisinha do que seria para Eduardo, outra coisinha do que seria de Everaldo, mais um pouquinho de Aécio e boa parte do Não-Voto. Ainda assim, o segundo turno não estará garantido.

Dilma com certeza crescerá ainda mais no Nordeste e também crescerá naquele Não-Voto que simplesmente estava dando tempo ao tempo para votar sem risco de errar. É bom lembrar que, hoje, Dilma de certa forma está em situação melhor do que no primeiro turno de 2010. As pesquisas indicam que ela tem 50% dos votos válidos, contra 46,91% que teve há quatro anos. Se considerarmos o total do eleitorado que compareceu, no primeiro turno de 2010 ela teve 42,85% e hoje já tem 38% — ou seja, uma diferença bem pequena, facilmente superável com a televisão.

A situação de Aécio é mais complicada. Com a provável subida de Marina, ele poderá perder, como lembra meu amigo Fábio, o chamado voto útil, daquele eleitor que poderia deixar de lado tanto o Eduardo Campos quanto o Não-Voto para tentar eleger Aécio. O item “comoção”, pode até inverter isso, conduzindo o voto útil para Marina. Mas acredito que no final o eleitor vai preferir o certo ao duvidoso, preferindo Dilma a ter que arriscar na inexperiência administrativa de Marina.

No frigir dos ovos, tanto Aécio quanto o Não-Voto é que serão os grandes perdedores.

Hayle Gadelha
No Blog do Gadelha
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O ator sueco e a sonegação da Globo

Stellan
Stellan Skarsgard é um ator sueco.

Aos 63 anos, um dos favoritos do cineasta Lars von Trier, tem uma carreira vitoriosa que lhe trouxe fama e dinheiro. Recentemente, ele concedeu uma entrevista na qual reafirmou seu amor pela Suécia.

“Vivo na Suécia porque o imposto é alto, e assim ninguém passa fome. A saúde é boa e gratuita, assim como as escolas e as universidades”, disse ele. “Você prefere pagar imposto alto?”, lhe perguntaram. “Claro. Se você ganha muito dinheiro, como eu, você tem que pagar taxas maiores. Assim, todo mundo tem a oportunidade de ir para a escola e para a universidade. Todos têm também acesso a uma saúde pública de qualidade.”

Skarsgard nasceu e cresceu numa cultura que valoriza o pagamento de impostos. Por isso a Suécia é tão avançada socialmente. Impostos, como lembrou ele, constroem hospitais, escolas, universidades. Pagam professores e médicos da rede pública, além de tantas outras coisas positivas para qualquer sociedade.

Essa cultura vigora também na Alemanha. Recentemente, o presidente do Bayern foi para a cadeia por sonegar imposto. Quando o caso eclodiu, as autoridades alemãs fizeram questão de puni-lo exemplarmente sob um argumento poderoso: nenhum país funciona quando as pessoas acreditam que podem sonegar impostos impunemente.

Agora, vejamos o Brasil. Há anos, décadas a mídia alimenta uma cultura visceralmente oposta. Imposto, você lê todo dia, é um horror. O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo (o que é mentira). Imposto é uma coisa injusta. Bem, a mensagem é: sonegue, se puder. Parabéns, caso consiga.

Não poderia haver coisa mais danosa para os cidadãos do que esta pregação diuturna da mídia. Você os deforma moralmente. Tira-lhes o senso de solidariedade presente em pessoas como o ator sueco citado neste artigo.

Além de tudo, a cultura da sonegação acaba chancelando os truques praticados pelas grandes companhias de mídia para escapar dos impostos. Considere o caso célebre da sonegação da Globo na compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002.

Nestes dias, vazou toda a documentação relativa ao caso. Uma amostra já tinha vindo à luz — na internet, naturalmente — algum tempo atrás, num furo do site Cafezinho. Só a cultura da sonegação pode explicar o silêncio sinistro que cerca este escândalo fiscal.

Até aqui, a Globo não deu uma única satisfação à sociedade. Não se desculpou, não se justificou. É como se nada houvesse ocorrido. Também a Receita Federal, até aqui, não disse nada. Mais uma vez, é como se nada houvesse ocorrido no âmbito da receita. Nenhuma autoridade econômica, igualmente, se pronunciou. De novo, é como se nada houvesse ocorrido numa área tão vital para a economia como a arrecadação de tributos.

E a mídia?

Bem, a mídia finge que não está acontecendo nada. Contei já: quando o Cafezinho publicou os documentos, falei com o editor executivo da Folha, Sérgio Dávila. Ponderei que era um caso importante, e ele aparentemente concordou porque logo a Folha fez uma reportagem sobre o assunto. Uma e apenas uma. Em seguida, a sonegação da Globo sumiu da Folha para nunca mais retornar.

Se conheço as coisas como funcionam nas redações, um telefonema de um Marinho para um Frias — as famílias são sócias no Valor — pôs fim à cobertura. Volto a Stellan Skarsgard. Em todo país socialmente desenvolvido, pagar impostos é uma coisa sagrada. E sonegá-los é um ato de lesa sociedade, passível de punição exemplar.

O Brasil sofreu uma lavagem cerebral da mídia. Uma das tarefas prementes de uma administração sábia é desfazer essa lavagem. Quando as palavras do ator sueco encontrarem eco no Brasil, seremos uma sociedade desenvolvida.

Paulo Nogueira
No DCM
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Quanto valem estes 20 anos?

CartaCapital faz aniversário depois de duas décadas a nadar contra a corrente diante de caluniadores dados à concorrência desleal

Capas de CartaCapital ao longo desses 20 anos
Esta é a edição do 20º aniversário de CartaCapital. A ocasião oferece óbvios motivos de satisfação a quem a publica e aos seus leitores. Mas a fatalidade interfere com indiferença feroz na vida do País e lança uma sombra de profunda tristeza sobre nossa celebração.

Estamos envolvidos no pesar da nação, golpeada pelo desaparecimento de Eduardo Campos, o jovem líder pernambucano herdeiro de notáveis tradições, candidato à Presidência da República nas próximas eleições, já intérprete de um papel importante e certamente destinado a um futuro decisivo na política brasileira.

Tratava-se de um amigo verdadeiro de CartaCapital, de cujos debates capitais participou mais de uma vez, a última em março passado, ao lado de Paul Krugman e Delfim Netto, entre outros. Saiu-se com brilho. Falava com fluência e clareza, tinha ideias e ideais. Almoçamos lado a lado no intervalo do evento, como se dera, anos atrás, no Recife, no encantador Leite no centro da cidade. Grande e forte, cavalheiro cortês, os olhos o traíam, de certa forma, mostravam energia irresistível, impulso avassalador. Assim dele me lembrarei.

Entristeceu-me, no começo oficial da campanha eleitoral, quando CartaCapital definiu seu apoio à reeleição de Dilma Rousseff, o dissabor que Eduardo fez chegar aos meus ouvidos, na crença de ter sido apontado como candidato da direita. Entendera mal. Entre os motivos de nossa escolha estava a percepção de que ele, a despeito de suas crenças sinceras, acabaria tragado pela virulenta campanha anti-Dilma, anti-Lula, anti-PT, desfechada desde sempre pela mídia nativa, de sorte a trazer para o lado da reação quem se opusesse aos alvos do seu ódio. Não tive a oportunidade, infelizmente, de explicar as nossas razões.

A vida, bem sabemos, é um átimo imensurável, a não ser, talvez, pelos pés alados de Hermes. Sobra a memória, caminhada para trás nem sempre feliz. Mesmo as boas lembranças carregam a saudade de nós mesmos. E então me vem à mente uma reunião de junho de 1994 na sala de estar da minha casa. Lá estavam Nelson Letaif, George Duque Estrada, Bob Fernandes, Wagner Carelli. Falava-se do projeto de uma revista ainda sem nome. Tomávamos vinho branco.

Vínhamos de experiências comuns em épocas diversas, sedimentadas por Bob, Nelson e Wagner na redação de IstoÉ, da qual havíamos saído em turvas circunstânciais. Outra figura da turma, a minha fiel secretária Mara Lúcia da Silva, para quem telefonei no dia seguinte. “Mantenha-se de prontidão — avisei —, a revista vai sair.” Telefonei também para os eternos amigos fraternos, Luiz Gonzaga Bel­luzzo e Raymundo Faoro para comunicar o que me parecia ser boa-nova. Por mais de duas décadas, contávamos com eles como conselheiros e colaboradores.

Mensal, a publicação, que os recursos não permitiam voos mais amplos. Nascia de uma ideia inicial de Andrea Carta, meu sobrinho, então diretor da Carta Editorial, fundada por meu irmão em agosto de 1976. Andrea imaginava uma revista de Economia e Negócios, disse a ele que esta eu não saberia fazer. Propus uma publicação para fiscalizar o poder onde quer que se manifestasse, na política, na economia e na cultura. Concordou. Muitas mudanças se deram ao longo do caminho, porque a revista ganhou corpo e fôlego. O que nunca mudou foi a linha editorial.

Mensal, de meados de agosto de 1994 a março de 1996. Quinzenal até agosto de 2001. Enfim semanal de uma nova editora batizada Confiança, ousada aventura, estranhamente confiante, conduzida por dois cidadãos desprovidos de qualquer vocação empresarial. Felizmente, contamos com a competência comercial e administrativa da equipe comandada por Manuela Carta e, anos depois, também por Luís Moraes. E, enfim, com a entrada em cena de um novo sócio sabedor das coisas, Eduardo da Rocha Azevedo.

Nem todos os fundadores estão aqui hoje. Outros jornalistas vieram, afinados com o projeto capaz de se opor ao pensamento único para defender o seu, insólito no panorama. Ou, por outra, a denunciar a permanência insuportável, a resistência implacável da casa-grande e da senzala, a precipitar um desequilíbrio social monstruoso. Se houve melhoras com os governos Lula e Dilma, e as houve, não foram suficientes. E, como a mídia nativa se empenha em demonstrar diariamente, a mentalidade dos senhores fica intocada, infensa ao mais tímido exame de consciência.

De todo modo, mantenho viva a convicção de que a atual CartaCapital é a melhor entre as publicações que tive a honra e o prazer de dirigir. Obra coletiva de uma redação impecável, encabeçada pe­­lo redator-chefe Sergio Lirio.

O tempo é invenção do homem, e se sujeita a adquirir dimensões diferentes. Quanto valem 20 anos de vida de uma revista que nada contra a corrente, obviamente incompreendida por muitos leitores dos jornalões e dos semanalões, constantemente alvejada pelos escribas dos donos da casa-grande e hostilizada pelos sabujos que chamam o patrão de colega? Creio que valham mais do que quantos foram vividos por escribas e sabujos, e seus patrões.

Este é um dia feliz. Mas é também muito triste, Eduardo Campos vai fazer falta. Ao acima assinado, por exemplo. E ao Brasil.

Mino Carta
No CartaCapital
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A ofensiva dos abutres e das hienas e o “mundo-cão” da Cantanhede


Que Marina Silva tem o direito de pretender ser a candidata do grupo que apoiava Eduardo Campos, não há nada a discutir.

Quanto ao direito do PSB de avaliar se alguém que entrou no partido como “carona” possa representá-lo, também não há questionamento moral possível.

A democracia se exerce, aliás, através dos partidos.

Mas a mídia brasileira, com seu já agora ostensivo apetite político, tomou a frente do processo e, como um bando de urubus, se arroga dona do corpo morto de Eduardo Campos e chama Marina Silva para ser não uma candidata a Presidente, mas a amazona dos despojos do ex-governador de Pernambuco.

O Globo “acusa” Lula e Dilma de terem telefonado ao presidente em exercício do PSB, Roberto Amaral.

Meu Deus, quem é o dirigente maior dos socialistas, na ausência de Eduardo Campos, a quem, senão a ele, deveriam dirigir, além do pesar à família Campos, as condolências e o diálogo político?

Como uma matilha de lobos, o time de colunistas políticos do jornal é mobilizado para “exigir” Marina, como se fosse papel dos jornais deliberar pelos partidos políticos que, repito, tem o direito e o poder legal de escolherem ou não a ex-senadora como seus representantes eleitorais.

Mas pior, muito pior, é o que faz, de forma indecente e mórbida, a colunista da Folha, Eliane Cantanhêde.

Dá a impressão de que saliva de prazer ao imaginar a mais mórbida exploração eleitoral do cadáver de Eduardo Campos.

“Dilma Rousseff e Aécio Neves, tremei. No rastro da comoção nacional pela morte estúpida de Eduardo Campos, apoios da família dele à sua vice serão avassaladores. O irmão, Antônio, já se manifestou publicamente. E quando a mulher, Renata, ladeada pelos cinco filhos, inclusive o bebê Miguel, lançar Marina? E quando a mãe, Ana Arraes, apadrinhar a candidatura aos prantos?”

Não é um campanha eleitoral o que quer nossa refinada e cheirosa elite.

É um programa destes de “mundo cão” da pior espécie.

Falam tanto em programa, projetos, eficiência, capacidade.

Mas, se lhes servem politicamente, às favas os escrúpulos e viva a manipulação do sentimentalismo, da dor, dos mortos.

Não se disputa a herança política de Eduardo Campos, mas o direito de poder explorar o seu fim trágico, o seu cadáver, numa campanha.

Está em jogo o destino de um país, a escolha de quem irá dirigi-lo nos próximos quatro anos.

Isso, para os cidadãos de bem.

Para outros, não é isso.

Não lhes importa quem vá para lá e que métodos se disponha a usar para isso.

Tudo o que querem é que se derrube um projeto progressista e popular, ainda que à custa de colocar qualquer um lá, com o qual, depois, se verá o que fazer.

E não vacilam, para isso, sequer, em propor a mais vil exploração da dor de uma família, inclusive de suas crianças.

A direita brasileira já teve o seu Corvo, Carlos Lacerda. Conseguiu baixar mais e agora tem abutres e hienas.

É nojento, o que mais dizer disso?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Vídeo de campanha de Eduardo Campos que seria veículado no inicio do horário eleitoral

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Eduardo Campos fez leão sem norte voltar a rugir


Para o ex-governador de Pernambuco, o recifense Eduardo Henrique Accioly Campos, em primeiro lugar nos choca o inesperado da sua morte. Diria mesmo, atento aos limites do gênero do palco, como uma lembrança do que da vida se reflete no teatro, nele nos comove primeiro a tragédia. É a partir desse ponto que esperamos alcançar uma iluminação para estas linhas.

Neto de Miguel Arraes, presidente do PSB, ele era um predestinado — se assim entendemos a tendência dos laços da história e familiares da sua vida. E para esse futuro ele seguia, se tudo fosse apenas fruto da predestinação. Mas os próprios laços anteriores traziam em si uma ordem, como o socialismo do avô, que Eduardo Campos traduzia para feições mais modernas, atualizadas, como pensava. Mais, entre o objetivo e o passado havia um presente, que também é histórico, que Eduardo almejava contornar com uma habilidade rara.

Na tragédia, o herói se move contra o destino, que o personagem não aceita, e daí vem a sua grandeza. Isso, que alcança o sublime no teatro grego, também possui uma versão na história. Mais de uma pessoa já observou que Eduardo Campos morre no mesmo dia 13 de agosto do avô, Miguel Arraes. Mas as semelhanças talvez terminem aí. A começar do próprio momento da sua morte. Com ele não acontecem os obituários prévios, como houve na morte do avô Arraes, depois de uma longa agonia. Em 13 de agosto de 2005, foi aberrante o descompasso na imprensa brasileira entre a grandeza do homem que partia e os necrológios publicados.

Em 2005, Miguel Arraes de Alencar encerrava sua vida depois de quase dois meses internado em um hospital. Na altura de lúcidos e incansáveis 88 anos de idade, tempo, importância, fatos e história não haviam sido pequenos. Os obituários que passavam diante dos olhos, porém, eram todos redigidos e arquivados como se ele passasse por nós como uma sombra do golpe de 1964, como um sobrevivente que resistisse a nos lembrar aquela infâmia, com uma insistência cujo desagrado era inevitável. E nem precisariam compor uma hagiografia, um perfil de santo, o mais convencional e falso perfil que se faz de alguém que morre.

Com Eduardo Campos, que não teve tempo de tornar pleno o ser da sua vida, os artigos hoje se fazem à quente, e com o sangue da hora. E poderemos ser mais justos, creio. A morte sempre absorve o exagero do instante final contra o que de fato houve no transcorrer de uma vida, por um lado. Por outro, ela nos dá uma dimensão, pela cadeira vazia, do que antes não sabíamos, ainda que houvesse a pessoa diante dos olhos. E neste caso, avulta o político jovem, democrata, inteligente, que se vai na explosão de uma aeronave.

Nele havia uma capacidade de fazer amigos, de fazer críticas políticas que não atingiam o nível pessoal, ou o desrespeito ao adversário. Nisso, ele era um seguro herdeiro do avô Miguel Arraes. Mas era um equilíbrio difícil, já se vê, na medida em que abraçava contrários, ex-adversários, como Jarbas Vasconcelos, e se voltava para um canto distante de quem antes havia abraçado. E devemos pular até a próxima frase. Já se vê também que difícil é o equilíbrio de quem escreve: revelar o verdadeiro que percebemos, ao mesmo tempo que relevamos pontos nevrálgicos, neste momento preciso do desaparecimento trágico, em mais de um sentido, de um grande brasileiro. Então lembremos um governador que marcou época em Pernambuco.

Do seu perfil eleitoral anotamos que entre 2007 e 2011, Pernambuco registrou um crescimento de 14,8% no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – Ideb. O número é mais de duas vezes superior à média nacional de 6,2%. Pernambuco tem hoje a maior rede de Escolas de Referência do Brasil, com, 260 unidades. De acordo com pesquisa do Inep, somente em 2012 mais de 85 mil alunos foram matriculados — o que corresponde a 10 vezes mais que a média nacional de 8.509. Em 2013, foram 163 mil alunos matriculados. A Educação Profissional foi ampliada e atualmente 26 Escolas Técnicas estão em funcionamento no estado. O Programa Ganhe o Mundo levou 2.270 alunos para intercâmbios em países como Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Chile, Argentina e Espanha.

De prêmios recebidos, deveríamos lembrar… não, basta. Nada disso é relevante nesta hora. Dele poderia ser dito o mesmo que em relação a Miguel Arraes, por exemplo. Assim como o avô, ao lado de quem será enterrado, ele gerou também desgostos, inimizades e queixas no interior da própria esquerda brasileira. Mas não é justo lembrar isso agora.

Fiquemos então com o Eduardo Campos antes da tragédia. Fiquemos com o governador de Pernambuco que deu um tempo novo a um Estado que atravessava uma decadência sem fim, a rugir como um leão desdentado. Que em vez de Leão do Norte vinha sendo um leão sem norte. Fiquemos com o Eduardo Campos que poderia ter sido o que Miguel Arraes não foi: o presidente da República em um país mais justo e fraterno. Estamos todos com essa dimensão final. Adeus, Eduardo Campos. Foi bom ser pernambucano no seu tempo de governador. Ali, bem perto do Teatro de Santa Isabel, que não esperava encenar a tragédia desse último 13 de agosto.

Urariano Mota
No Viomundo
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Fricções

O Jorge Luis Borges chamou o espelho de método de reprodução humana anticonvencional. O sexo e o espelho são, os dois, culpados de multiplicar pessoas, e assim contribuir para as misérias do mundo.

Borges escreveu sobre seus pesadelos com espelhos e labirintos e tinha um notório problema edipiano com o pai, além de um notório ascetismo com relação ao sexo.

O pavor de espelhos e o desgosto com sexo e paternidade se acoplam na aversão de Borges ao produto das duas coisas: gente. Mais gente.

Mas enquanto lamentava a proliferação humana de um lado e do outro do espelho, Borges também colaborava para aumentar a demografia imaginária da Terra, inventando pessoas.

Ao contrário dos espelhos, os ficcionistas não copiam gente, criam gente, e lançam irresponsavelmente no mundo.

Como se não bastassem os parentes e os vizinhos e os bilhões de chineses, temos que nos preocupar com a Antígona, o Hamlet, o Raskolnikov, o Swann, centenas de personagens que, só por serem inventados, não ocupam espaço menor em nossas vidas, e nunca vão embora.

A ficção também é um método de reprodução humana, de uma fertilidade espantosa.

Certa vez tive a ideia de imitar o “Ficciones” do Borges e escrever um livro só de histórias eróticas chamado “Fricções". O livro começaria não com uma ficção, o que só agravaria a densidade demográfica de gente inventada, mas com uma reminiscência.

Em 1959 eu estava em Paris (disse ele só para dizer que estava em Paris) e tinha 22 anos. Num café, conheci uma moça húngara. Seu francês era quase nenhum. O meu era de Aliança Francesa, mas eu faltava muito. Conversamos em inglês. E acabamos indo para o seu quarto num prédio sem elevador. Quantos andares eram? Quem estava contando?! Meu único medo era que, na confusão das línguas, tivesse havido algum mal-entendido, e meu último franco tinha ido para pagar o café. Mas não, era sexo de graça mesmo. Só que sexo com uma especificação. Na cama, ela ordenou:

— Hit me!

— What?

— Hit me! Hit me!

Ela queria que eu batesse nela. Em 1956 a União Soviética tinha invadido a Hungria para abafar uma revolta contra a dominação comunista e ocupado o país por um bom tempo. Não fiz como os soviéticos. Bati, mas em retirada. Ainda mais que a húngara era grande.

Luís Fernando Veríssimo
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PSB não pode ser tratado como assunto familiar


Uma tragédia costuma alterar os sentimentos e modificar reações normais da maioria das pessoas. Quando se trata de um episódio como a morte de Eduardo Campos, candidato que mobilizava esperança e simpatia de tantos brasileiros, eleitores e não eleitores, essa situação é ainda mais intensa. A dor pela perda chega a seu ponto máximo, pois fica acima da capacidade de compreensão humana.

Essa situação permite entender a reação de Antônio Campos, irmão do candidato do PSB. Na quinta-feira, 24 horas depois da tragédia, Antonio Campos, divulgou uma carta sobre o futuro do partido na campanha presidencial, onde defendia a escolha de Marina Silva para disputar a presidência.

A notícia de hoje é que Antonio Campos, o Tonca, poderia ocupar a vaga de vice.

Alguns trechos da carta de Antonio:

“A nossa família tem mais de 60 anos de lutas políticas em defesa das causas populares e democráticas do Brasil. O meu avô Miguel Arraes foi preso e exilado, não se curvando à ditadura militar. Eduardo Campos continuou o seu legado com firmeza de propósitos, tendo trazido uma nova era de desenvolvimento para Pernambuco. Desde 2013 vinha fazendo o debate dos problemas e do momento de crise por que passa o Brasil, querendo fazer uma discussão elevada sobre nosso país. Faleceu em plena campanha presidencial, lutando pelos seus ideais e pelo que acreditava.(…)

“O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e de correr o risco para viver os seus sonhos pessoais e coletivos. Ambos faleceram, no dia 13 de agosto, e serão plantados no mesmo túmulo, no Cemitério de Santo Amaro, em Recife, túmulo simples, onde consta uma lápide com a frase do poeta Carlos Drummond: “tenho duas mãos e o sentimento do mundo”. (…)

Falando sobre o momento que o país atravessa, Antonio escreveu que o Brasil “enfrenta uma grave crise, sendo a principal dela a crise de valores.” A carta conclui: “como filiado ao PSB, membro do Diretório Nacional com direito a voto, neto mais velho vivo de Miguel Arraes, presidente do Instituto Miguel Arraes — IMA e único irmão de Eduardo, que sempre o acompanhou em sua trajetória, externo a minha posição pessoal que Marina Silva deve encabeçar a chapa presidencial da coligação Unidos Pelo Brasil, liderada pelo PSB, devendo a coligação, após debate democrático, escolher o seu nome e um vice que una a coligação e some ao debate que o Brasil precisa fazer nesse difícil momento, em busca de dias melhores.”

Antonio arrematou: “Tenho convicção que essa seria a vontade de Eduardo.”

A nota provocou reação imediata de Roberto Amaral, ex-ministro, vice-presidente do partido. (O presidente era Eduardo Campos). Ele defendeu o direito de Antonio manifestar-se, “como qualquer militante”, mas recordou que o partido se encontra de luto.

A resposta de Amaral expressa uma conhecida situação de conflito interno na legenda. Formada por pelo menos dois governadores e uma parcela do Senado, a fatia próxima do PT — liderada por Amaral — trabalha contra a indicação de Marina e por uma aproximação com Dilma, repetindo o movimento do PSB em todas as campanhas presidenciais desde a democratização do país. O argumento envolve a tradição dos socialistas. Sem o candidato que justificava a campanha, caberia retomar as alianças de sua história, em vez de projetar uma candidata que ingressou no partido sem intenção de permanecer por mais tempo do que o necessário para formar a própria legenda.

A outra fatia, que faz oposição aberta a Dilma e trabalha por uma unidade contra seu governo, aposta no lançamento de Marina, convencida de que ela pode garantir a realização do segundo turno. O apoio tucano a Marina é real, mas cauteloso. O receio é que ela seja capaz de ultrapassar Aécio Neves, confirmando aquilo que as pesquisas do início do ano anunciavam, quando Marina sempre foi a mais cotada das possíveis concorrentes da oposição. Se os números mostrarem uma diferença acima da margem de erro estará aberta uma crise no PSDB.

Além da questão eleitoral, contudo, há outro debate aqui. Estamos falando de valores e princípios políticos.

Lembrando a imensa dor da tragédia do Guarujá, cabe registrar que uma candidatura presidencial está longe de ser uma questão de família.

Os laços de sangue, sabemos todos, se mostram muito importantes na hora de enfrentar uma tragédia. O calor dos parentes, com frequência, é um dos poucos elementos que podem servir de consolo.

Seu lugar na vida política é outro, porém. Laços de sangue são ingredientes naturais das monarquias e demais regimes aristocráticos onde a sucessão política se resolve pela genética do trono.

No Brasil, isso não acontece há muito tempo. Ninguém procurou familiares de Luiz Inácio Lula da Silva para saber sobre o futuro do PT no momento em que se descobriu um tumor maligno em sua laringe e ninguém adivinhava suas chances de recuperação.

Ninguém defendeu que a família de Tancredo Neves tivesse prerrogativas especiais depois que uma doença trágica impediu a posse do fundador da Nova República.

Mesmo comandado com mão firme por Eduardo Campos, o PSB jamais ficou exibido como troféu na sala de visitas de sua casa. Era partido político real. Fundado por Antonio Houaiss, um de nossos intelectuais mais relevantes e cultos, o PSB reúne, conforme o último levantamento disponível, um total de seis governadores de Estado, 327 prefeitos, 4 senadores, 32 deputados federais, 71 estaduais, 3484 vereadores.

Toda tentativa de resolver, de cima para baixo, uma disputa que envolve uma máquina política com essa dimensão lembra práticas típicas do coronelismo político, tradição nefasta contrária a toda noção de “nova política” que Eduardo Campos defendeu com muito empenho na campanha presidencial.

Em sua pregação, ele fez da renovação de nosso sistema político uma preocupação permanente. Há três semanas, Eduardo Campos esteve na Confederação Nacional da Industria, para debater 42 propostas dos empresários aos três principais candidatos a presidente. Claro que falou de economia. Mas falou demoradamente sobre a necessidade de renovar o nosso sistema político — colocando este ponto como o dado essencial para as principais mudanças que a maioria da população deseja. Sorteado para fazer uma pergunta ao candidato na entrevista coletiva realizada logo após, perguntei como o candidato do PSB pretendia encaminhar as transformações do sistema política.

Eduardo Campos não entrou em proposições específicas. Estava convencido de que elas serão debatidas e definidas com o tempo. Falou do desencanto de grande parte da população com a política. Chegou a mostrar-se esperançoso com a notícia de que pelo menos 100 dos atuais 513 deputados desistiram de concorrer ao pleito de outro. Por outro lado, mostrou-se descrente da proposta de uma Constituinte exclusiva, lembrando que fora descartada em debates anteriores.

De certa forma, nem seria preciso apontar muitos detalhes. Os princípios que devem guiar uma reforma política são conhecidos por todos e costumam ser repetidos por adolescentes estão desiludidos com a política antes de votar pela primeira vez.

Um deles envolve a separação entre o que é público e o que é privado.

Outro, a denúncia do patrimonialismo, que permite a apropriação privada de bens públicos.

Cabe, ainda, recordar o personalismo, que consiste em dar prioridade aos indivíduos e seus laços pessoais, em lugar de projetos políticos e programas de governo, debatidos e escolhidos

Quarenta e oito horas depois da morte de Eduardo Campos, é impossível avaliar todos os desdobramento da tragédia.

Mas é curioso encarar um risco real.

A campanha de 2014, iniciada sob o signo da renovação, corre o risco de ficar velha antes de começar.

Paulo  Moreira Leite
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Você contrataria Suzane von Richthofen?

Ela
Acusada e condenada por tramar o assassinato de seus pais, Suzane von Richthofen irá cumprir em regime semiaberto o restante de sua pena. Assim, poderá trabalhar durante o dia e retornar para dormir na prisão.

Suzane, uma filha da classe média alta da zona sul de São Paulo, fará a função de secretária no escritório de advocacia de Dernivaldo Barmi, amigo da família Richthofen, e que também a defende no processo.

Em sua maioria, as reações à notícia têm sido de reprovação. Ela e os irmãos Cravinhos confessaram ter planejado e matado o casal Manfred e Marisia von Richthofen, que reprovava o namoro da filha. Suzane é vista até hoje como um monstro. Muitos desejam que ela permaneça encarcerada.

Não sou seu advogado, não a defendo, não ignoro a complexidade de sua personalidade nem a gravidade de seus crimes (ela, seu namorado e o cunhado foram condenados por homicídio triplamente qualificado: motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas). Mas vamos lá: Suzane cumpriu o que lhe coube? Então por que a gritaria? Por que não poderia sair?

Recusar a liberdade de um condenado após seu período judicial de aprisionamento, equivale a pedir prisão perpétua, algo que não temos no país.

Se a lei lhe permite esse benefício após cumprimento de um sexto da pena, Suzane von Richthofen nada tem com isso. Se as cadeias brasileiras não cumprem seu papel de reabilitação e ressocialização, Suzane von Richthofen nada tem com isso. Ela está pagando ainda por seus crimes e tem direitos que precisam ser respeitados. Se são os direitos que agridem às pessoas contrárias a libertação, é isso que deve ser discutido.

O caso de Suzane é chocante, com um fundo de psicopatia, por isso não causa surpresa que sua essência provoque preocupação na sociedade e espera-se que esse processo de reintegração e ressocialização esteja sendo bem conduzido e acompanhado de perto. Por psiquiatras inclusive.

Mas cadeias foram feitas para reformar e corrigir pessoas. Se não estão fazendo isso, devemos cobrar do estado a providência e não optarmos por deixar seres humanos eternamente apodrecendo e morrendo ali. A pena de morte não é aplicada aqui desde 1889. Durante o regime militar foi decretada para determinados crimes (mas nunca “oficialmente” executada) e depois abolida ampla e definitivamente na Constituição de 1988.

Suzane von Richthofen tinha 18 anos quando foi condenada. Já está com 30, é uma adulta que passou os últimos doze anos presa. Foram 12 anos no sistema prisional brasileiro. Sistema esse que tem um presídio como o de Pedrinhas no Maranhão, em que morrer decapitado é um risco semanal. Ou os de segurança máxima que não passam de filiais administrativas do tráfico de drogas.

Sistema em que delegacias misturam adolescentes com criminosos perigosos e em que instituições para menores infratores são vigiadas por violentos e sádicos agentes de segurança. Certeza de que permanecer mais tempo nesses ambientes traz algum progresso?

Será que Suzane ou qualquer outro egresso do sistema prisional não merece uma chance? Afinal, se a sociedade recusa a reinserção desses cidadãos, está dizendo uma coisa e praticando outra. É cinismo.

Mauro Donato
No DCM
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JBS é condenada por servir carne com larvas para empregados

A JBS, considerada a maior empresa de processamento de carne do mundo, foi condenada em segunda instância pelo Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, no Mato Grosso, em dois processos diferentes abertos pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) com base em infrações sistemáticas de leis trabalhistas.

As sentenças determinam o pagamento R$ 2,3 milhões em danos morais coletivos por violações que vão desde o desrespeito a jornadas de trabalho e práticas que configuram assédio, até situações que podem afetar a saúde dos trabalhadores. Entre os problemas estão o fato de a empresa servir alimentos contaminados aos empregados, incluindo carne com larvas de moscas varejeiras, e o vazamento de gás amônia na unidade industrial de Juruena (MT). 

A Repórter Brasil entrou em contato com a empresa para obter um posicionamento. Por meio da assessoria de imprensa, a JBS afirmou que não concorda e pretende recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho para tentar reverter a decisão. Até a publicação desta reportagem, a JBS não comentou as acusações.

Para o procurador Sandro Sardá, responsável pelo Projeto de Atuação em Frigoríficos do MPT, as condenações refletem o descaso da empresa em relação aos trabalhadores. “A JBS adota uma conduta deliberada em não proteger a saúde dos seus empregados mesmo diante dos graves agentes de risco presentes no processo produtivo em frigoríficos”, afirma. “É uma conduta absolutamente incompatível com o ordenamento jurídico constitucional e com o porte da JBS, que é a maior processadora de proteína animal do mundo. A empresa pratica dumping social e somente procede a adequação das condições de trabalho mediante condenações judiciais”, ressalta.

Carne com larvas

A contaminação da carne servida aos empregados dentro da unidade industrial é destacada na sentença do relator do processo, o desembargador Osmair Couto, que diz que os descumprimentos da legislação ficaram “cabalmente comprovados” e cita trecho de carta enviada pelo Serviço de Inspeção Federal ao gerente industrial da JBS em Juruena para “melhor elucidar a gravidade dos fatos”. Diz o documento: “Os funcionários que foram jantar encontraram larvas de varejeira na carne. Alguns desistiram de comer e outros comeram por não ter opção”.

O desembargador cita ainda a decisão em primeira instância da juíza Mônica do Rêgo Barros Cardoso, da Vara do Trabalho de Juína (MT), que aponta que “a presença de insetos, principalmente moscas, encontradas no refeitório e na cozinha, é fato que ficou incontroverso nos autos, inclusive quanto ao lixão próximo ao frigorífico, o que evidentemente propicia seu aparecimento”. A fábrica foi fiscalizada em 2012 e entre as provas reunidas pelo procurador Thiago Gurjão Alves Ribeiro no processo está uma amostra de carne com larvas.

O professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) Marcos Rogério André, pós-doutor em Medicina Veterinária e especialista em Parasitologia, explica que a presença de larvas na carne representa um grave risco de contaminação.

“Do ponto de vista de saúde pública isso é muito grave. Tem certas espécies de moscas que depositam ovos e dos ovos saem as larvas, e tem as que depositam as larvas diretamente. Seja como for, se tem larva, é porque a mosca sentou na carne. E se ela sentou, pode ter deixado inúmeros agentes patogênicos”, explica, listando Áscaris lumbricóides (lombriga), bacilos de cólera, vírus da poliomelite e salmonela como exemplos de contaminantes que os empregados podem ter ingerido.

“A mosca tem avidez por excrementos e matéria morta. Uma mosca que senta em uma quantidade grande de fezes vai carregar nas patas todos os patógenos que estão lá. Além disso, dependendo da espécie, muitas delas têm aparelho bucal lambedor. Ou seja, elas vão nas fezes, sugam como se fosse um aspirador o que está lá e, quando chegam na carne, regurgitam tudo. Todos os patógenos que estavam nas fezes passam para o alimento”, explica, ressaltando que os que ingeriram os alimentos contaminados podem desenvolver doenças graves.

Vazamento de gás amônia

Além de servir carne com larvas a seus empregados, a JBS também é acusada de colocar a saúde dos trabalhadores em risco por não tomar medidas básicas de monitoramento e segurança em relação ao reservatório para refrigeração por gás amônia.

Na outra sentença proferida em segunda instância condenando a empresa, o juiz Juliano Girardello destaca que “fiscais detectaram um forte cheiro deste produto químico na sala de máquinas”, que “não há previsão do risco e nem exames médicos para monitoramento das vias respiratórias dos trabalhadores do setor e demais agravos à saúde” e que “não há como determinar como e quando poderiam acontecer tragédias (explosões, incêndios, vazamentos de amônia etc.) e acidentes de trabalho com resultado de morte ou invalidez permanente”.

Com base nessa e em outras infrações graves, que incluem o registro de jornadas superiores a 20 horas, o Tribunal Regional do Trabalho confirmou a condenação em primeira instância também proferida pela juíza Mônica do Rêgo Barros, desta vez com base nas acusações feitas pelo procurador José Pedro dos Reis. Além das duas condenações, a empresa enfrenta mais uma ação decorrente de mais problemas constatados na mesma unidade. O processo tramita com o número 0000395-59.2012.5.23.0081 e, segundo o TRT, deve entrar em pauta em setembro (consulte o andamento na página do tribunal).

Quem comanda a JBS?

Com acionistas como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o banco público Caixa Econômica Federal, a JBS teve receita bruta de R$ 78 bilhões em 2012 (consulte o perfil da empresa e saiba mais sobre a estrutura de controle da empresa na plataforma Eles Mandam).

Bem conectada, a empresa é uma das mais influentes do país e investe pesado em campanhas de políticos. Levantamento feito pelo jornal O Globo revela que, no primeiro mês da campanha eleitoral de 2014, a JBS figurou como a principal doadora de dois candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB).

Só no Mato Grosso a JBS possui 10,5 mil empregados, de acordo com o MPT. O número equivale a um terço de todos os trabalhadores do setor de frigoríficos, que somam 32 mil no Estado. Ainda segundo o MPT, a empresa tem quase 19 mil reclamações trabalhistas em tramitação na Justiça do Mato Grosso.

Não é a primeira vez que a empresa é denunciada em função das condições de trabalho em suas unidades de produção. Problemas foram detalhados na reportagem especial Moendo Gente e no documentário “Carne, Osso”, que conquistou o prêmio Vladimir Herzog em 2013 na categoria Documentário de TV. As investigações jornalísticas indicando a gravidade da situação subsidiaram novas regras para o setor através de norma regulamentadora publicada pelo Ministério do Trabalho em abril de 2013.

Daniel Santini e Stefano Wrobleski
Do Repórter Brasil
No MST
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Entenda o que significa luto oficial

Bandeira Nacional a meio mastro, conforme decreto de luto oficial.
Foto: RafaB
Após morte do ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência, Eduardo Campos, em trágico acidente de avião na quarta-feira (13), a presidenta Dilma Rousseff decretou luto oficial de três dias. A decisão confere respeito ao envolvido e ao sentimento do País. Entretanto, muitas dúvidas existem a respeito dos procedimentos no período.

O luto oficial é a forma do Brasil demonstrar sentimento de pesar ou dor pela morte de alguém. Em regra, o Presidente da República é quem decreta o período para todo o território nacional, o governador e o prefeito municipal, para suas respectivas unidades federativas. O luto nacional acontecerá sempre que o Presidente da República decretar e no Dia de Finados (2 de novembro). O decreto do luto oficial não altera funcionamento de escolas ou de atividades públicas.

Duração

O período normal para luto nacional é de três dias, podendo, excepcionalmente, ser estendido por até sete dias, quando a pessoa que morreu prestou relevantes serviços ao País. No caso de falecimento do Presidente da República, o luto será de oito dias.

Atividades

Durante a fase é obrigatório o hasteamento da Bandeira Nacional a meio mastro, em todas as repartições públicas, nos estabelecimentos de ensino e sindicatos.

Em caso de desfile ou marcha, ata-se laço de crepe na ponta da lança. As demais bandeiras, bandeiras insígnias, estandartes e símbolos permanecem também a meio mastro. As bandas de música permanecem em silêncio, exceto o tarol e o bombo que marcam a cadencia. O corneteiro realiza todos os toques previstos inclusive a marcha batida.

Velório

Durante o velório ou parte dele e no deslocamento, o caixão poderá ser coberto com a Bandeira Nacional. Não serão admitidas outras bandeiras, do Estado, Município, da entidade a que pertencia o falecido ou de seu clube de preferência. Caso sejam colocadas outras bandeiras, retira-se a Bandeira Nacional.

Antes do sepultamento, deverá a Bandeira nacional ser dobrada e entregue à família do falecido. No funeral, também é comum o governo federal colocar todos os recursos materiais à disposição das famílias dos envolvidos.

Especificidades para chefes de estado

Caso a morte seja de um presidente do Brasil, o velório será no salão de honra do Palácio do Planalto e as homenagens prestadas no funeral são de acordo com o cerimonial militar. As medidas vão desde a forma de posicionamento da bandeira até a quantidade de tiros de canhão.

No Portal Brasil
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Quem está pior, a economia ou o jornalismo?

Quem acompanha a situação da economia pelos jornais vê um país.

Quem acompanha a opinião pública vê outro. Um dos lados pode estar errado.


Não é improvável um espectador do telejornal noturno ter o sono perturbado com vozes soturnas de apresentadores e analistas. Pelo que se vê e se ouve, não se sabe o que aquele apresentador sério quer dizer com “boa noite”. Afinal, a economia do Brasil pode estar à beira da bancarrota. Tampouco se perdoa o “bom dia” do apresentador da manhã, pois os jornais do dia também trarão o apocalipse. Não é para menos.

A preocupação com a economia move o dia a dia das pessoas, inclusive as que dormem mais cedo que os jornais noturnos. Ninguém passa um único e escasso dia sem fazer contas. Foi entendendo a importância dessa ciência, nem sempre exata, que o estrategista James Carville, do Partido Democrata, eternizou a frase “é a economia, estúpido!” Era 1992, e com esse aprendizado Bill Clinton superaria o favoritismo do republicano George Bush, o pai, demonstrando sintonia com as angústias cotidianas dos norte-americanos nesse quesito. Eis o segredo do homem que faria história no Salão Oval da Casa Branca pelos próximos oito anos: saber o que, com quem e por que estava falando.

O noticiário econômico cumpre vários objetivos. Um deles, saciar os humores do mercado financeiro, servir de ponte para suscitar apostas nos cassinos da especulação, detectar (ou criar) o clima do ambiente eleitoral, entre outros, inclusive informar de vez em quando. Porém, pelo que algumas pesquisas têm demonstrado, a opinião pública talvez não veja a economia do Brasil como a veem os especialistas.

Pesquisas do Datafolha apuram o índice de confiança do brasileiro em relação ao país. Numa escala de 0 a 200, um levantamento feito no início de julho revelou que a expectativa da situação econômica pessoal é de 160 pontos, sendo um dos “aspectos para os quais os brasileiros demonstram um sentimento positivo acima da média”, no relato do instituto. Já a expectativa da situação econômica do país­ registrou 102 pontos em julho, alta de 6 pontos na comparação com maio. Os eleitores brasileiros também foram consultados sobre a situação econômica pessoal e 48% esperam que ela vá melhorar nos próximos meses. Outros 38% acreditam que ficará como está. E apenas 12%, que vai piorar. Pela pesquisa, pode-se constatar que há um grande descompasso entre o sentimento positivo do brasileiro com relação à economia e o cenário catastrófico divulgado pela mídia tradicional.

O jornal ou o caixa

O comerciante Mário Paixão da Silva, de 46 anos, tem uma pequena loja de roupas no centro do Recife (PE) há mais de 20 anos. E diz que basta conferir as vendas para saber se a economia está bem ou não. “Você acha que vou acreditar no jornal ou no meu caixa?”, brinca, ainda comemorando as vendas que fez durante a Copa do Mundo. “A gente precisa ser criativo e se reinventar a cada dia. Durante a Copa, por exemplo, troquei as tradicionais roupas da vitrine por camisas da seleção ou por peças que privilegiassem o verde e o amarelo. Vendi muito, não posso reclamar. E, nos últimos meses, minhas vendas estão no mesmo patamar dos anos anteriores”, diz.

Mesma opinião tem a auxiliar de serviços gerais Vilma Silva de Lima, de 57 anos. O noticiário econômico não é algo que a perturbe, ou atraia. Moradora de um bairro pobre de Camaragibe, região metropolitana do Recife, Vilma diz que as principais preocupações são com a saúde pública e a segurança. “Aliás, nas próximas eleições, vou prestar atenção no que os candidatos vão dizer sobre esses problemas”, afirma.

Com a aproximação do pleito, a mídia tradicional começa a definir candidatos que querem ajudar ou atrapalhar. E, diferentemente de quase um quarto do eleitorado, parece não estar indecisa, analisa o jornalista e sociólogo Venício Artur de Lima, professor titular de Ciência Política e Comunicação da Universidade de Brasília (UnB). Ele analisa o comportamento midiático em eleições há três décadas e tem vários livros sobre o tema.

Lima avalia que a profusão de informações parciais para privilegiar uns e prejudicar outros dá o tom. “Seguem a mesma conduta das eleições passadas, talvez de forma ainda mais exacerbada.”

O pesquisador pondera, porém, que o Brasil mudou e o eleitor está mais capacitado e dispõe de meios diversos de informação para decidir o voto. “Tenho uma visão diferente da que tinha quando comecei a estudar eleições, nos anos 80. As pessoas buscam muito mais informação fora do esquema da grande mídia. É claro que a TV aberta continua sendo a principal fonte de informação, mas as fontes alternativas têm peso muito grande desde 2006”, avalia. Isso não significa, observa Lima, que a mídia convencional não seja importante para influenciar comportamentos em longo prazo. “A percepção das pessoas sobre corrupção e a estigmatização dos partidos ainda é influenciada pela mídia, mas no comportamento eleitoral em si, o peso do que é publicado nos principais jornais, na TV e no rádio diminuiu, graças a meios que antes não existiam”, comenta.

Pessimismo militante

Usar o jornalismo econômico para fazer política no Brasil é uma estratégia que tem sido bastante criticada por Luis Nassif, jornalista econômico com 45 anos de experiência e organizador do portal GGN. Para ele, há muitas críticas à condução da política econômica do governo federal e vulnerabilidades que precisam ser enfrentadas – especialmente o desequilíbrio nas contas externas do país. “Mas nada que, nem de longe, se pareça com o quadro pintado nos grandes veículos. Aumentos de meio ponto percentual ao ano nos índices inflacionários são tratados como prenúncio de hiperinflação; acomodamento das vendas do varejo, em níveis elevados, como prenúncio de recessão”, comenta.

O que ele chama de “pessimismo militante” compromete a crítica necessária sobre os pontos efetivamente vulneráveis da política econômica e do processo de desenvolvimento do Brasil. “Há uma guerra política inaugurada em 2005, que sacrifica a notícia no altar das disputas partidárias. É evidente que há muito a melhorar no ambiente e na política econômica, mas quem está em crise exposta, hoje em dia, é certo tipo de jornalismo que acabou subordinando os fatos a disputas menores.”

O fotógrafo Alexandre Lombardi, de 38 anos, não gosta de generalizar uma má conduta da mídia. Ele não duvida que todo veículo favoreça um lado e prejudique outro. Lê os jornais tradicionais, procura na internet por blogs, fóruns de discussão e mídias sociais com pensamentos diferentes, mas desconfia à esquerda e à direita, e procura consistência:

“Gosto da pluralidade de pensamentos”, conta Alexandre, que mora em Sorocaba, interior paulista. “A internet deixou tudo muito fácil. É possível comparar versões. Analiso, converso com os amigos e formo a minha própria opinião. Não tiro conclusões baseadas em uma única fonte”, explica. Ele ainda não definiu candidatos para a próxima eleição, mas levará em conta as­ propostas, inclusive para a economia.

Transmitir confiança, credibilidade e consistência, com propostas claras, será o melhor meio de ganhar o voto do eleitor em outubro. Quem afirma é o publicitário Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto Data Popular – empresa de pesquisa especializada no conhecimento das classes C e D, onde se concentra a maioria dos brasileiros. “O que vai decidir o voto é a capacidade das candidaturas de entender os problemas reais que o eleitor enfrenta e de oferecer perspectivas de futuro”, observa.

Para Meirelles, será, antes de tudo, uma eleição sobre o futuro e não de legado. “Os eleitores estão mais preocupados em saber o que vai levar o Brasil adiante e não o que trouxe o país até aqui. Isso ­coloca a discussão em outro patamar. Os candidatos devem fazer uma campanha muito mais propositiva em vez de ficar falando do passado”, explica. A queda na credibilidade da mídia, as novas tecnologias da informação e a recente ascensão social no Brasil criaram um novo formador de opinião que terá peso nestas eleições. Trata-se do jovem da classe C. “Esses jovens estudaram mais que os pais, estão mais conectados, contribuem mais com a renda familiar do que o jovem da elite. Ele é provedor de conteúdo em casa e sua opinião vai ajudar a definir o voto da família”, afirma Meirelles.

Fábio Jammal Makhul
No RBA
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Vazou tudo! Sonegação da Globo está na web!


A trágica morte de Eduardo Campos fez passar despercebido o vazamento da íntegra do processo de sonegação da Rede Globo.

Os documentos chegaram simultaneamente a diversos blogs e sites no mundo inteiro, e estão disponíveis nos seguintes links:




São centenas páginas, que agora devem ser analisadas pela inteligência coletiva das redes sociais.

Há páginas com transferências ilegais de valores da Globo e suas laranjas para o exterior, o que pode se configurar crime financeiro, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

É uma mina de ouro!

E agora não tem nada a ver com o Cafezinho. O vazamento veio do exterior, por fonte não-identificada, e só não explodiu por causa da comoção nacional causada pela morte de um candidato a presidente da república.

Neste momento, em que a Globo se arrepia toda com a possibilidade de realizar uma grande manipulação emocional da população, com a morte de Eduardo Campos, seria interessante mostrar ao povo brasileiro que a emissora não tem condição moral de ser “árbitro” de nenhuma disputa eleitoral.

É preciso aproveitar o momento para se iniciar uma grande campanha contra a sonegação de impostos.

A democracia brasileira precisa, sim, de um choque moral. Isso implica em rever alguns valores. Para nossa elite, não há interesse em patrocinar campanhas contra a sonegação, porque ela é a que mais sonega no mundo inteiro.

Para se ter uma ideia, em novembro do ano passado, o Valor deu uma notícia que nenhum grande jornal mais popular repercutiu.

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A Rússia só está em primeiro lugar em percentual do PIB, e mesmo assim, em “empate técnico” com o Brasil. A sonegação russa corresponde a 14,2% do PIB; a nossa, a 13,4%.

Mas a sonegação brasileira, em valores, é bem maior: US$ 280 bilhões. Em reais, portanto, a sonegação brasileira, em 2011, foi de R$ 636 bilhões! Em 2011, imagina em 2014!

A sonegação russa, em valores, está estimada em US$ 211 bilhões/ ano.

O único país cuja sonegação supera o Brasil em valores são os EUA. A sonegação nos EUA totaliza US$ 337 bilhões, mas isso correspondeu a um percentual de apenas 2,3% de seu PIB.

Agregando percentual de PIB e valor, portanto, pode-se afirmar que a sonegação brasileira é a maior do mundo!

Uma empresa que ganha dinheiro como concessão pública de TV deveria ser um exemplo, um modelo! E fazer campanha contra a sonegação!

É claro que o Brasil precisa passar por uma reforma tributária!

Os auditores fiscais estimam que, se a sonegação fosse reduzida, a carga tributária poderia ser brutalmente diminuída no país.

A campanha contra a sonegação deveria ser incorporada a todas as campanhas contra a corrupção, até porque envolve valores muito maiores, e as duas, sonegação e corrupção, estão ligadas organicamente. O dinheiro sonegado é o mesmo usado para corromper.

No O Cafezinho
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Greenpeace comete crime eleitoral em SP

ONG colou cartazes com montagem sobre anúncios em pontos de ônibus.

Intervenção ironiza e diz que extensão do Metrô dobrará ainda em 2014.

Cartaz foi colocado em 100 pontos de ônibus de São Paulo

Na madrugada de quarta-feira (13), o Greenpeace Brasil colou cartazes com uma falsa propaganda política sobre anúncios publicitários em 100 pontos de ônibus de São Paulo. A intervenção continha uma fotomontagem de Geraldo Alckmin (PSDB), atual governador do estado, ao lado da presidente Dilma Rousseff (PT).

A união dos políticos de partidos historicamente rivais pode ser vista nas regiões da Vila Madalena, na Zona Oeste, Avenida Paulista, Vila Mariana, na Zona Sul e em outros pontos da cidade.

A intervenção foi destaque na imprensa e provocou reações tanto do PT quanto do PSDB. Os cartazes estampavam os dizeres: “A espera acabou. Até o final de 2014 a extensão do metrô de São Paulo vai dobrar”.

A ONG afirma que o planejamento inicial da atividade previa a revelação de seus objetivos e autoria no final da quarta-feira (13). Diante da comoção nacional e em respeito ao falecimento do candidato Eduardo Campos e equipe, o Greenpeace decidiu postergar a assinatura do protesto para esta quinta (14).

Em nota, o Greenpeace revela que a provocação teve o objetivo de pressionar os candidatos a “assumir verdadeiro compromisso com a melhoria do transporte público e com a mobilidade urbana para além de promessas eleitoreiras.”

A concessionária Otima, responsável pelo mobiliário urbano na cidade e manutenção dos abrigos de ônibus pelos próximos 25 anos, disse que "foi surpreendida com a violação" de seus paineis publicitários.

A empresa afirma que tomou as medidas cabíveis: acionou a Justiça Eleitoral e registrou boletim de ocorrência 15ª Delegacia de Polícia (Itaim Bibi) para apuração de responsabilidades. A empresa afirma que os cartazes foram retirados rapidamente, ainda na manhã desta quarta (13).
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Sobre Eduardo Campos

Não tenho dúvidas que, nos últimos tempos, o ex-governador pernambucano, movido pelas ambições eleitorais da velha política, passou a se compor com o campo conservador. Aproximou-se de Aécio Neves e tentava construir uma frente comum para desgastar o PT e o governo Dilma.

A terceira via de Eduardo Campos, a bem da verdade, era tão verdadeira quanto uma nota de três reais. Na prática, sua aliança com Marina representava um segundo projeto dentro do bloco de partidos e classes que sustenta a candidatura do PSDB, alinhavado pelos mesmos interesses do capital rentista.

Mas havia uma diferença relevante: a trajetória histórica. O líder socialista fora, ao lado de seu avô Miguel Arraes, peça decisiva para a composição do núcleo duro da coalizão que se formara ainda em 1989 e acabaria por levar Lula à Presidência. Seu ninho era o acordo estratégico entre PT, PCdoB e PSB.

Poderia ter esperado mais um ou dois mandatos presidenciais, jovem que era, e não seria pouca a chance de que viesse a ser o nome da esquerda unida para contendas futuras. Açodado, e pressionado por um partido sem identidade nacional, virou presa da mosca azul do antipetismo.

Não foi apenas sua, no entanto, a responsabilidade pela ruptura do PSB com o partido de Lula e Dilma. A verdade é que o PT optou por renunciar à construção de uma aliança estratégica de esquerda, ao redor da qual se aglutinariam correntes de centro e até de direita, mas subordinadas à hegemonia e ao programa progressistas.

Questões da governabilidade empurraram os petistas para a predominância de uma frente tática, tendo no PMDB seu principal parceiro. Não foram poucas as forças e lideranças tradicionais do campo popular a se afastarem do governo por conta dessa estrutura de alianças.

Eduardo Campos talvez tivesse, nessa lógica, bons motivos para brigar com o PT, mas o fez pelas piores razões. A falta de organicidade de seu partido, em vários estados mera legenda para grupos conservadores, pavimentou o caminho mais fácil, comum a quase todos que romperam com o projeto petista desde 2003: a zona de conforto dos dissidentes costuma ser alguma trincheira ao lado da direita oligárquica, mesmo quando permanecem em seu próprio quadrado.

Ainda assim, sua morte merece o pranto e o respeito de todos os homens e mulheres de esquerda. Não por seu presente, tão contraditório com seu passado, mas por sua história e a de sua família.

Breno Altman
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Fidel Intercionalista

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Lançamento do site Brasil da Mudança: discurso de Lula



No lançamento do site O Brasil da Mudança, projeto do Instituto Lula encabeçado pelo ex-ministro Franklin Martins, o ex-presidente Lula falou da importância de ter um lugar que condensa as informações sobre os feitos desse governo popular nos últimos 12 anos para que a sociedade tenha instrumentos para fazer a disputa com a imprensa que, segundo ele, “Muitas vezes, não comunica. E, quando comunica, faz o inverso da verdade”.

Lula citou o “Manchetômetro”, resultado de uma pesquisa encabeçada por estudantes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), que mostra que o Jornal Nacional, principal noticiário do país, concedeu 1 hora e 22 minutos do seu tempo a notícias desfavoráveis a Dilma em 2014 contra apenas 3 minutos de notícias favoráveis. Em contrapartida, o candidato de oposição ao governo, teve 7 minutos e 42 segundos de noticiário positivo e 5 minutos de negativo. “Eu pensei que (a imprensa) tinha mudado, pensei que eu era o entrave, hoje eu vejo que eles me tratavam bem em face do que fazem com a nossa presidenta”, declarou.

Lula disse que colocar os mais pobres sob os olhares atentos do governo é o grande desafio de qualquer governante: “Se um general, diplomata ou ministro ficar um mês sem receber salário, não acontece nada. Se uma criança ficar 3 dias sem um copo de leite ou uma sopinha, ela pode morrer de fome. Os governos precisam compreender que colocar os pobres no orçamento é uma das tarefas mais revolucionárias que alguém pode fazer no governo”.

Para ele, O Brasil da Mudança é importante porque quando as pessoas ficam sabendo dos resultados das políticas sociais implementadas nos últimos anos, elas podem pensar no futuro “se alguém quiser falar de futuro, que fale. Porque o futuro começou no governo da presidenta Dilma e nesses 12 anos de governo democrático e popular”, finalizou.
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Incêndio em galpão da prefeitura de Cláudio-MG

Chamas atingiram arquivos, computadores, materiais de escritório e tecidos.

Incêndio foi controlado antes da chegada de bombeiros; ninguém se feriu.

Um incêndio foi registrado em um lote vago na noite de segunda-feira (11) e atingiu um galpão da Prefeitura de Cláudio, que fica ao lado. De acordo com o Corpo de Bombeiros, as chamas ficaram confinadas em um cômodo de aproximadamente 9 m² no segundo andar.

As chamas destruíram uma sala onde ficavam arquivos, computadores, materiais de escritório e tecidos. Apesar disso, ninguém ficou ferido.

Segundo a corporação, o fogo foi controlado antes da chegada dos bombeiros com a ajuda de um caminhão-pipa da Prefeitura e moradores vizinhos ao prédio. Ainda de acordo com os bombeiros, foi realizado o rescaldo no local e não foram registrados danos na estrutura da edificação.

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Essa é do Barão... 13


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Tragédia e desespero

O declínio de Aécio e a morte trágica de Campos abriu para o mercado aquilo que seus operadores classificam como uma janela de oportunidade.

A tragédia que tirou a vida de Eduardo Campos explodiu na política brasileira em vários sentidos. Mas também em nossa cabeça ao pulsar zonas involuntariamente congeladas onde hiberna a pedagogia que existe na dor.

O imponderável da história cobra penitência do menosprezo nessas horas.

Dimensão desdenhada pela atribulação e/ou a soberba, as rupturas pessoais ou coletivas imprimem transparência curta, mas vertiginosa, à impostura das miudezas que se avocam em pétreas balizas do presente e do futuro, até emergir o rosto da catástrofe.

A finitude humana precisa ser abstraída para permitir sentido à existência social, retruca o instinto de sobrevivência. Nesse desvão o capitalismo naturaliza e arrancha as leis de mercado nas formas de viver e de produzir, anestesiando a alma e o cotidiano da sociedade.

Permuta-se angústia existencial por compulsão comercial.

Consumir para existir.

E vice-versa.

A circularidade é autossustentável.

Não é a consciência que determina a vida; a vida determina a consciência. E nela o limite do cartão de crédito é mais sagrado que o tesouro fátuo da existência.

Diante da natureza humana intrinsecamente cultural o capitalismo não se contenta com menos do que ser a respiração dessa segunda pele.

Libertá-la da servidão seria o papel da política, entendida como ponto de fusão entre a filosofia e a economia, entre a luta pela sobrevivência e a realização do potencial humano.

Para ser ruptura sem ser tragédia a política deve escancarar nas mercadorias que nos cercam as relações econômicas que nos aprisionam.

Nessa condição se torna a consciência histórica da existência social para identificar na ‘forma fantasmagórica de uma relação entre coisas’ aquilo que, na verdade, é uma relação social determinada entre os homens.

Ou seja, os produtos do engenho humano não tem ‘vontade própria’, os mercados não são racionais e os seres humanos não são objetos a serem explorados uns pelos outros.

Romper o lacre do fetiche que nos circunda e subjula: essa é a emancipação que se espera da política.

O impacto desse 13 de agosto na política brasileira ajuda a enxergar, nas breves horas que correm, o abastardamento dessa dimensão libertadora que ela deveria ter.

Em primeiro lugar, avulta a sofreguidão dos que buscam uma tapagem.

Qual? Qualquer uma desde que conjure o risco, por modesto que seja, de um passo miúdo em direção oposta à hegemonia ‘da coisa’ humanizada sobre os ‘sujeitos’ coisificados .

O mercado desabou quando soaram as primeiras informações sobre o desastre aéreo ocorrido manhã de 4ª feira em Santos.

Não porque o ex-governador Eduardo Campos estivesse entre os mortos. Mercados não choram.

Mas pelo temor de que Marina Silva não se incluísse mais entre os vivos.

Subiu, em seguida, quando se confirmou que a ex-ministra teria viajado em outro avião, de carreira.

Não porque o mercado alimente em relação a ela simpatias ideológicas ou empatias pessoais. O valor da natureza para o mercado é aquele atingido pelas commodities em Chicago.

Na nervosa preocupação manifestada com a sorte de Marina pulsava na verdade a grande confissão escancarada pela tragédia desta 4ª feira: ninguém acredita mais em Aécio no mercado.

Comprado inicialmente como o engate capaz de reconduzir os centuriões do dinheiro ao comando do Estado, o tucano depreciou-se como um avião em pane na calculadora de seus fiadores.

Desde que derrapou no aeroporto do tio Múcio, em Cláudio (MG), e não mais se levantou, deixou evidente sua limitação política, moral e intelectual para levar a bom termo o roteiro contratado.

No rescaldo da tragédia de 4ª feira, o conservadorismo em peso intima Marina a se oferecer como escada para levar o projeto neoliberal ao segundo turno contra Dilma.

Colunistas do dispositivo conservador evocam os astros na tentativa de sensibilizar o messianismo: ‘Presidência é destino’, sentenciam sacudindo com as mãos os ombros magros de Marina.

Dela não se espera nada, exceto isso: ser o suporte capaz de comboiar os centuriões do mercado que patinavam no chão mole escavado por um Aécio.

Essa a dimensão de sua sobrevivência que preocupava os mercados num primeiro momento.

No mesmo dia em que um vento traiçoeiro selava a carreira política de Eduardo Campos, um fórum em São Paulo reunia a fina flor dos interesses que agora assediam Marina Silva a ‘cumprir o seu destino’.

Organizado por uma revista de economia, no Hotel Unique, na capital paulista, o evento que previa a participação de Campos, teve como debatedores, entre outros, José Berenguer, presidente Banco JP Morgan; Paulo Leme, presidente do Conselho de Administração do Banco Goldman Sachs e Armínio Fraga, representante de Aécio Neves.

O consenso das intervenções condensa a única plataforma que de fato interessa do ponto de vista do conservadorismo.

Aquela que restaura a supremacia dos mercados sobre os tímidos passos dados nos últimos anos em direção a uma democracia social que coordene os rumos da economia e o destino da sociedade.

A saber: tarifaço nos serviços sem compensação salarial; câmbio livre e arrocho fiscal; alta de juros para devolver a inflação à meta e elevar o superávit primário.

Uma agenda à procura de um portador eleitoralmente capaz de levá-la ao segundo turno da disputa presidencial de outubro.

O declínio de Aécio e a morte trágica de Eduardo Campos abriu para o mercado aquilo que seus operadores costumam classificar como ‘uma janela de oportunidade’.

A janela é Marina.

A oportunidade é fazer dela o cavalo de Tróia da restauração neoliberal no Brasil

Falta combinar com a ex-senadora que um dia foi parceira de Chico Mendes, fundadora do PT e referência da esquerda na luta ambiental.

Façam suas apostas, a roleta vai girar. E tem muito dinheiro em jogo nessa rodada.

Saul Leblon
No Carta Maior
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