14 de ago de 2014

A morte de Eduardo Campos e o tempo de “juntar os melhores”


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"Nós éramos mais do que políticos amigos, nós éramos companheiros", diz Lula sobre Campos


Emocionado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva falou na tarde desta quinta-feira (14) com a imprensa sobre o falecimento de Eduardo Campos. "Nós éramos mais do que políticos amigos, nós éramos companheiros", afirmou ao lembrar que a relação entre os dois "extrapolava a política".

O ex-presidente lembrou de momentos vividos ao lado de Eduardo, com ele como seu ministro e também como governador de Pernambuco. "O que a gente pode fazer pelo Eduardo é ter seu comportamento e sua vida política como exemplo", ressaltou.

Lula explicou que não teve condições de falar ontem sobre o assunto e que foi difícil acreditar no que aconteceu. "O Brasil não merecia isso. O Eduardo Campos era uma figura extremamente promissora (...) Para Pernambuco, para o nordeste e para o Brasil, o Eduardo é uma perda muito grande".

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Um pastor mostra cloaca mental com a morte de Eduardo Campos

Querido amigo empresário Guilherme (e esposa Enfermeira Adrielle)

Disseste-me que és evangélico. Como participas da Ibrapaz e convivemos desde há pouco tempo sinto que és cristão e não apenas ovelhinha conduzida por pastores ignorantes. Sabes que ser cristão é uma coisa que se confirma na prática cotidiana, ser igrejeiro besta, seguidor de pastores fundamentalistas e pobres de consciência é outra coisa bem diferente e trágica.

Pois é, meu amigo, um desses pastores arrancadores de dinheiro e amigo do “demo” mostrou a cara terrível e assustadora que têm certos seguimentos ditos evangélicos no Brasil, muito semelhantes ao sionismo judeu, de forte perfil nazista. Daniel Vieira da Igreja Assembleia de Deus de Imperatriz, no Maranhão e pregador dos Gideões Última Hora é o exibido de cloaca no momento. Sua postura em inúmeras fotos no Facebook, no Twitter e no seu blog é a demonstração de um vaidoso tipo modelo masculina fútil, que se acha o rei da cocada, como os outros de sua laia. Silas Malafaia, de seu mesmo seguimento fundamentalista, apareceu num programa de TV contando que compra seus ternos nos Estados Unidos ao preço 4 mil dólares, usa anel com valor acima disso, hospeda-se com sua família em hotéis 5 estrelas com o dinheiro que diz que é seu e chama de “manés” e falidos aos que o criticam.

Esse Daniel Vieira, “sumidade” que prega em salões e galpões em “conferências” pagas, sempre com muito dinheiro que recebe dos iludidos e manipulados, foi o que se saiu com uma “pérola” postada na sua página no Twitter, segundo noticiou o site evangélico Gospel: “Morre Eduardo Campos, candidato a presidente. Hoje são 13, numero do PT. Deveria ter levado a DILMA!”. Com a repercussão extremamente negativa apagou a indecência que postou e pediu perdão, reconhecendo formalmente que errou.

Aí é que está o furo da bala: esse tipo de gente irresponsável sempre que erra ao pisar, ofender e desrespeitar o próximo pede fingidamente perdão. Passa a vida pedindo perdão e pensa que isso corrige seus repetidos erros e maldades.

Porém, isso que esse irresponsável fundamentalista escreveu na sua página de rede social, não é erro, fruto de um momento de equívoco. Essa é a essência de seu pensamento fundamentalista, odioso, rancoroso, racista, homofóbico e direitista perverso. Tanto que nos seus perfis consta que é “homem apaixonado por Israel”. Sim, Israel sionista, segregacionista, nazista e assassino dos palestinos e colaboracionista do império americano terrorista.

Mais, o bufão Daniel Vieira não é único na demência que demonstra. Hoje assisti um vídeo que viraliza na internet com a pregação de um pastor estadunidense que condena radicalmente comportamentos de pastores evangélicos como esse irresponsável Daniel Vieira e os chama de cafetões espirituais.

Daniel Vieira, o narcisista de poses suspeitas, liga-se com a direita mais vazia e golpista no Brasil e no mundo. O discurso cloacal que profere, nada casual, é o mesmo que os mais rebaixados e torpes reacionários fazem. O site Brasil 247 elabora matéria com manifestações assustadoramente descaradas do direitista e ídolo dos leitores da revista latrina Veja, dos jornais Folha e Estado de São Paulo e da Globo, Olavo de Carvalho, que insinuam no Facebook que a presidente Dilma Rousseff é culpada pela morte do candidato Eduardo Campos (PSB): “O governo torna sigilosas as investigações de acidentes aéreos e poucos dias depois já vem um acidente aéreo politicamente relevante. Ou o acaso está gozando da nossa cara, ou não é acaso”, escreveu o falso filósofo. No mesmo sentido a matéria do site denuncia que a candidata a deputada estadual pelo PSDB paulista, Dany Schwery, publicou imagem de Dilma com a imagem: “Te cuida Aécio; o próximo é você”. O meu amigo blogueiro, pessoa que admiro por sua enorme competência ao escrever, Eduardo Guimarães, testemunhou hoje na sua página no Facebook, a partir da morte do candidato Eduardo Campos, experiência estarrecedora que sua esposa viveu nas redes sociais, no mesmo sentido do dito pastor narcisista e cloacal Daniel Vieira. Posto literalmente o que escreveu desolado o amigo Eduardo Guimarães: “Nunca vou parar de me surpreender com o potencial desolador da ignorância. Minha mulher participava de uma "comunidade" virtual de mães de meninas com síndrome de Rett (doença de Victoria) e essas mulheres começaram a postar sem parar acusações ao PT de ser responsável pela morte de Eduardo Campos por o partido ter o número 13 e o falecimento ter ocorrido num dia 13. Minha mulher protestou contra esse absurdo e recebeu de volta uma saraivada de insultos. Mas o que é mais impressionante é que mães de meninas com doença igual à de minha filha começaram a atacar a menina perguntando se ela também "é petista" e dizendo que até imaginam que "tipo de mãe" minha mulher deve ser, sendo "petista". A que ponto chegamos? Conseguiram envenenar este país ao impensável. Essas mesmas mulheres xingavam Dilma furiosamente e apelando para insultos que são sempre usados contra mulheres usando a própria condição feminina — puta, vaca, vadia, vagabunda, prostituta, sapatão etc. etc. etc. Ver mães de crianças especiais atacando crianças especiais por política, ver mulheres usando o mais vil recurso do machismo contra mulheres, tudo por causa de política, dá vontade de chutar tudo pro alto e fugir pro outro lado do mundo, bem longe dessa loucura que essa direita assassina, que jogou o país em 20 anos de ditadura, trouxe de volta para a nação.”

Portanto, meu querido amigo Guilherme, esses tais Daniel e Malafaia são amancomundados com o que há mais cloacal e podre em nosso País. Ligam-se à direita, ao racismo e ao atraso. Usam o evangelho, a boa fé das pessoas e o nome de Jesus como cortina de fumaça para atividades de ódio, de divisão da família brasileira e da promoção de mentiras, de golpes e de suspeitas absolutamente calculadas sobre pessoas que se dedicam a construir uma sociedade mais justa.

Penso que em breve, com a reforma política que este País precisa fazer, há que, a favor da democracia, nos precavermos com remédios legais e democráticos para impedir esse tipo de lunático de comparecer sozinhos diante de microfones, de câmeras e redes sociais. Suas presenças são nefastas e destrutivas da paz social.

Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz.

Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e republicano, em defesa da democracia.

No Cartas e Reflexões Proféticas
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Como a família de Aécio ficou dona de terras públicas em Minas

Pai do senador registrou em seu nome uma área de 950 hectares pertencente aos mineiros localizada numa das regiões mais pobres do estado. Aécio governador entrou em conflito com Aécio herdeiro

Aécio Neves, senador por Minas Gerais e
candidato tucano à Presidência da República:
multiplicação de patrimônio
Montezuma é um município mineiro no norte de Minas Gerais com um dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado. Deputados, governadores e senadores mineiros poderiam desenvolver boas políticas públicas para elevar o desenvolvimento local, tais como incentivar as pequenas propriedades rurais familiares. No entanto o município é palco de uma triste história do patrimonialismo de oligarquias políticas do Brasil.

Terras rurais em Montezuma que foram registradas pelo estado de Minas como devolutas acabaram indo parar no patrimônio pessoal do senador Aécio Neves (PSDB) após uma disputa judicial por usucapião da empresa agropecuária de seu pai.

O fim desta história aparece com o patrimônio do senador engordando na declaração de bens feita nas eleições de 2014 em relação à de 2010. O segundo maior item de sua variação patrimonial foi no valor de R$ 666.660,00 referente a cotas da empresa Perfil Agropecuária e Florestal Ltda., herdadas de seu pai falecido.

Até aí estaria tudo bem. O problema é quando voltamos ao dia 2 maio de 2000, quando se iniciou uma disputa para apropriar-se de terras públicas, típica do coronelismo patrimonialista praticado nos rincões do Brasil arcaico.

A Perfil Agropecuária e Florestal Ltda. pertencia a Aécio Ferreira da Cunha, pai do senador tucano. A empresa entrou com processo de usucapião para registrar a propriedade de vastos 950 hectares de terras em Montezuma, em 2/5/2000. Já soa injusto a lei permitir que uma empresa de um ex-deputado, que morava desde a década de 1960 no Rio de Janeiro, ser tratada como se fosse de camponeses posseiros que adquirem o direito ao usucapião por trabalharem e viverem na terra. O juizado da comarca de Rio Pardo de Minas julgou a favor da empresa em 2001.

Na hora de a empresa registrar a fazenda no Cartório de Registro de Imóveis competente, a área já estava registrada em nome do Estado de Minas Gerais, como terras devolutas, em cumprimento a outra ordem judicial anterior da Apelação Cível nº 86.106/4.

A partir daí houve longa disputa judicial, com o estado de Minas recorrendo para ter as terras de volta. Desembargadores mineiros votaram a favor da família de Aécio. Recursos chegaram até ao Supremo Tribunal Federal (STF), o último arquivado em 2013, que também foi favorável ao lado do tucano.

É preciso lembrar que em 2000 o atual senador Aécio Neves era deputado federal pela quarta vez e deveria representar mais os interesses públicos dos cidadãos de Minas do que seu próprio interesse privado. De 2003 a 2010 foi governador de Minas. Presenciamos a inusitada situação política de, na prática, o interesse do Aécio herdeiro brigar na justiça com o de Aécio governador. O interesse patrimonial privado do herdeiro falou mais alto do que o interesse público da população que o cargo de governador deveria representar.

Uma gleba de 950 hectares de terras devolutas poderia ser a redenção de famílias camponesas pobres de Montezuma, através da geração de renda pela produção da agricultura familiar, em vez de apenas somar um pouco mais ao já elevado patrimônio da oligarquia política dos Neves da Cunha.

Este caso explica muito das raízes da desigualdade passada de geração para geração e da concentração das riquezas no Brasil nas mãos de poucos. Muitas destas riquezas vindas de um processo de apropriação de patrimônio público por mãos privadas, justamente pelas mãos de quem deveria defender o interesse e o patrimônio público.

Operação Grilo

O caso é outro e não aparece a família de Aécio Neves no meio das acusações, mas sim órgãos do governo tucano de Minas e velhas práticas de outras oligarquias políticas. Em 2011 a Operação Grilo prendeu nove pessoas acusadas de comporem uma organização criminosa para fazer grilagem de terras públicas justamente nesta região norte de Minas Gerais. Toda a cúpula do Instituto de Terras do Estado de Minas Gerais (Iter-MG) foi afastada.

Segundo as investigações, o esquema contava com servidores públicos do Iter/MG, funcionários de cartórios e servidores de prefeituras mineiras, para fraudar a posse de terras devolutas.

O promotor Daniel Castro, de Rio Pardo de Minas, disse na época: "São terras que pertencem ao estado de Minas Gerais e foram parar nas mãos de particulares."

As reproduções abaixo mostram a documentação que legitimou a posse de terras da União para a família Neves

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Helena Sthephanowitz
No Blog do Saraiva
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A música que virou hino de Eduardo Campos na voz de Ariano Suassuna

Frevo de Capiba, escolhido por Ariano Suassuna, embalava as vitórias de Eduardo Campos em Pernambuco. Amigos, os dois morreram no intervalo de três semanas. Assista ao comício final da campanha de 2006, em que cantaram “Madeira que cupim não rói”

Ariano Suassuna e Eduardo Campos. Escritor era entusiasta do político pernambucano
Quem conhecia o ex-governador de Pernambucano Eduardo Campos (PSB) atesta que ele era um homem que não gostava de derrotas. Nas campanhas eleitorais, conquistava e contagiava seus apoiadores com um discurso confiante na vitória. Após sua morte, provocada por um desastre aéreo em Santos (SP), integrantes de sua equipe compartilharam um vídeo do qual se orgulhavam.

Nele, Eduardo Campos aparece ao lado do escritor Ariano Suassuna — considerado pelos amigos o amuleto da sorte do presidenciável e falecido há três semanas — em cima de um trio elétrico na principal avenida de centro do Recife, a Conde da Boa Vista, no comício final de sua campanha de 2006 para governador do estado. Juntos, Ariano e Eduardo cantaram o frevo “Madeira que cupim não rói”, de autoria do compositor Capiba, que terminou por se firmar como o hino das vitórias do PSB em Pernambuco.


No Pragmatismo Político

O depoimento do amigo Ariano Suassuna sobre Eduardo Campos:

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O desafio de Marina

Como dissemos anteriormente, não são poucos os desafios a serem enfrentados pela ex-senadora Marina Silva, que entra daqui a poucos dias na arena para disputar a Presidência da República com a presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição, e com o candidato do arco conservador, senador Aécio Neves (PSDB-MG), da coligação PSDB-DEM.

O primeiro desses desafios a ser considerado é que a candidatura de Eduardo Campos não tinha se consolidado como um projeto político para além da chamada 3ª Via. E, até vista sob esse enfoque, bastante desgastada pelas alianças pragmáticas que o candidato Campos patrocinou de seu PSB à direita e à esquerda com conservadores, coroneis , petistas, peemedebistas e tucanos.

Faltava a ele um programa e um projeto político alternativos aos do PT e do PSDB. E lhe faltava, também, tempo para se tornar conhecido. Daí  sua alegria genuína pós entrevista de 15 minutos no Jornal Nacional da 3ª feira, sua primeira chance real de se expor e ser conhecido e reconhecido pelo grande eleitorado que vê o telejornal de maior audiência do país.

Refletir sem se deixar contaminar pelo antipetismo

Deixando de lado as análises e avaliações contaminadas pelo antipetismo ou pior pela ptfobia, que vocês veem o tempo todo nos jornalões e na mídia conservadora, que  só pensam e visam tirar o PT do governo, temos que avaliar se há uma maioria real no pais disposta a uma 3ª Via. E o principal: ver o que essa 3ª Via, agora liderada por Marina, propõe.

Há que se recordar e refletir, ainda, que num erro primário, raro em Eduardo Campos, ele se aproximou do candidato tucano Aécio Neves e do seu PSDB, apesar da sempre manifesta resistência  de sua companheira Marina Silva. Foi ela quem impediu o pior, que a candidatura presidencial e o PSB virassem um simulacro do tucanato, apesar dela não ter conseguido impedir Eduardo de se associar a Aécio nos dogmas econômicos caros ao mercado e ao PSDB.

A questão, ainda, e a ver nos próximos 53 dias até a eleição, é se o nosso povo quer uma 3ª Via ou se tem consciência que o PT e o PSDB representam projetos políticos e sociais antagônicos e contrários, que representam interesses e classes no mínimo conflitantes. Nesse sentido a candidatura de Marina é natural, e ousamos afirmar, piora a situação de Aécio e não a da presidenta Dilma.

Para se consolidar, Marina precisa superar mesmo dilema de Campos

Agora, para se consolidar a candidatura dela tem que superar o mesmo dilema que vivia a de Eduardo Campos que, aos poucos e dada sua experiência e audácia, tomava consciência dessa carência e do quanto o PSDB e seu candidato estão ligados a interesses que não representam os da maioria da população do país.

Já o quadro partidário está definido e as alianças regionais idem, gostemos ou não. Por outro lado Marina e o PSB não dispõem de outro nome de projeção e liderança nacional — que não o dela — para a disputa presidencial e muito menos de um nome que os leve a correr mais riscos do que já correm nos Estados onde, com exceção de Pernambuco têm poucas chances de vencer.

A questão, então, é saber como o eleitorado reagirá à candidatura de Marina e o que ela proporá ao país que não se contraponha a realidade da disputa já em curso e das alianças que Eduardo Campos e o PSB construíram para o bem e ou para o mal segundo a ótica de Marina. O desafio de Marina é suprir, pelo menos no imaginário popular, a carência de Eduardo e apresentar ao país um projeto político alternativo ao que governa o Brasil há 12 anos.

Mas, ao mesmo tempo, ou ela o enfrenta e supera, ou corre o risco de se torna, mesmo com sua candidatura, uma linha auxiliar para o tucanato em sua tentativa de regredir o país a era Fernandista (FHC), alinhando o poder político e o Estado brasileiro de novo aos interesses do grande capital. Começando pelo rural e o financeiro.

No Blog do Zé
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Datafolha com Marina infringe legislação eleitoral

Pesquisa registrada às pressas, horas depois de morte de Eduardo, contraria resolução do TSE


A pesquisa Datafolha registrada às pressas ontem (13), horas depois da morte do candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos, infringe a legislação eleitoral.

Com a tragédia que tirou da disputa o ex-governador de Pernambuco e a possibilidade de Marina Silva assumir a “cabeça da chapa” de Campos, o Datafolha correu para registrar um novo levantamento, feito entre hoje e sábado com 2,8 mil entrevistados. A pesquisa foi registrada ontem (13) às 18h01, apenas seis horas depois do acidente que vitimou Eduardo Campos.

Entretanto é irregular, segundo a resolução do Tribunal Superior Eleitoral 23400/2014, a promoção de pesquisa eleitoral nesse momento da campanha que tenha candidatos não registrados oficialmente na Justiça Eleitoral. O artigo 13 da resolução estabelece que os eleitores só podem ser questionados sobre candidatos registrados.

O próprio questionário do Datafolha parece induzir o eleitor a mostrar como a presença de Marina embaralha a sucessão presidencial. Nas perguntas dois a seis, pergunta-se ao eleitor se votaria em Marina no 1º e no 2º turnos, se a conhece e se a rejeita. Apenas após induzir o eleitor a saber que Marina poderá estar entre os candidatos, na pergunta sete é informada a morte de Campos, com a indagação sobre o que o PSB deve agora fazer.

O artigo 15 da resolução informa que a realização de pesquisas não pode induzir o eleitor a erro, e o levantamento do Datafolha pode ter a sua realização impugnada com pedido do Ministério Público Eleitoral.

É enorme a pressão sobre Marina Silva para que dispute a presidência, atendendo a uma demanda não só dos eleitores que a escolheram em 2010, como analistas políticos e simpatizantes da oposição ao governo Dilma, A entrada de Marina na campanha, segundo algumas análises, tende a forçar um segundo turno em uma campanha que tem, neste momento, possibilidade de vitória de Dilma Rousseff ainda na primeira rodada, em outubro.

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Falsa testemunha engana a Globo


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O imponderável assombra a imprensa


A morte trágica do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos interrompe o processo político iniciado com a série de entrevistas de candidatos à Presidência da República no Jornal Nacional da TV Globo. Campos foi surpreendido pela tragédia quando ainda estava celebrando o que considerava um bom desempenho diante da bancada que conta com a maior audiência entre os telejornais. Alguns analistas já ponderavam que esse seria o ponto zero de sua candidatura, empacada em torno de 8% nas pesquisas de intenção de voto.

Curiosamente, a fatalidade pode alavancar para um novo patamar a alternativa representada por Eduardo Campos, se seu partido, o PSB, optar pela solução natural de colocar na cabeça de chapa a ex-ministra Marina Silva.

Marina partiria com um patrimônio de 20%, equivalente ao melhor índice alcançado pelo outro candidato oposicionista, Aécio Neves, do PSDB, com toda a visibilidade e o apoio explícito que lhe dá a imprensa.

Em agosto do ano passado, quando ainda havia a possibilidade de se lançar candidata à Presidência à frente da Rede Sustentabilidade, a ex-ministra chegou a alcançar 26% numa pesquisa Datafolha, conforme lembra a Folha de S.Paulo na edição de quinta-feira (14/8). Mesmo com o naufrágio de seu projeto partidário, e colocada em segundo plano na chapa do PSB, ela aparecia nas sondagens como detentora de um potencial mais promissor do que o de Eduardo Campos.

O horário do acidente, ocorrido na manhã de quarta-feira (13), deu à mídia um longo período para especular sobre as circunstâncias em que se deu a tragédia, e ainda sobrou tempo para avançar em especulações em torno das consequências políticas da morte do ex-governador. Ao longo do dia, informações desencontradas falavam de choque com um helicóptero, versão sustentada pela TV Bandeirantes, e até mesmo de um possível atentado, hipótese anunciada ao vivo por um imaginoso apresentador da TV Record.

Coube à GloboNews a primazia de inserir apostas apressadas sobre o cenário político no clima de comoção, com uma entrevista afoita do senador Christóvam Buarque (PDT-DF), seguida por palpites de comentaristas da emissora. Diante do evento inesperado, os especialistas em generalidades ficaram sem referências.

Pesquisa em clima de velório

Na quinta-feira (14), passado o choque, analistas credenciados junto à mídia tradicional buscam elementos para projetar um novo cenário na disputa eleitoral. A tendência é a de apostar que a provável indicação de Marina Silva para a cabeça de chapa do PSB tiraria votos em igual proporção da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, e do senador Aécio Neves, segundo colocado nas pesquisas. Apenas um entre os principais observadores da política, o colunista Elio Gaspari, sugere a hipótese de uma aliança entre Aécio e Marina Silva.

A maioria dos analistas usa como referência principal os indicadores das pesquisas mais recentes, eventualmente comparando com a eleição de 2010, quando a ex-ministra do Meio Ambiente empolgou uma parte considerável do eleitorado mais jovem. Entrevistado pelo Globo, o analista e porta-voz do Datafolha, Mauro Paulino, anunciou que o instituto já estaria colhendo opiniões sobre a mudança do cenário, mas considerava arriscada qualquer insinuação.

Márcia Cavallari, analista do Ibope, também ouvida pelo jornal carioca, disse que o instituto não vai fazer pesquisa em cima da tragédia e que a próxima sondagem só vai ser realizada em setembro.

Se os pesquisadores consideravam imprevisível o resultado da eleição com a presença de Eduardo Campos, seu desaparecimento pode produzir uma mudança radical na perspectiva do eleitorado, observam os especialistas. No entanto, a leitura das declarações de alguns protagonistas de peso indica que, se lançada candidata, Marina Silva tem grandes chances de personificar com mais densidade o desejo de mudança que aparece, ainda que difuso, mas de forma consistente, em todas as pesquisas feitas a partir de junho do ano passado. Essa perspectiva deslocaria o candidato do PSDB para uma posição marginal, com menos chance de ver crescer seu eleitorado.

A morte de Eduardo Campos rompe uma situação nova que se desenhava com a série de entrevistas ao telejornal da Rede Globo, e que poderia se consolidar com a sequência de sabatinas e debates programados pela mídia.

O forte apelo emocional da tragédia será explorado com cautela pelos contendores, porque o ex-governador de Pernambuco, embora na oposição, tinha fortes vínculos com o partido que controla o Planalto. Vivo, ele era um coadjuvante de peso; morto, se transforma no grande cabo eleitoral.

Luciano Martins Costa
No OI
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Datafolha faz pesquisa num momento de comoção


A direita oficial representada na candidatura de Aécio Neves á presidência da República pode até interromper por três dias sua campanha devido ao luto oficial com a trágica morte de Eduardo Campos. Mas a direita real, representada pela grande mídia monopolista, continua sua campanha 24h. Hipócritas e sem o mínimo pudor com a dor alheia de milhões de pessoas exploram a comoção e realizam uma pesquisa de intenção de voto nessa quinta-feira, dia 14 (datafolha). É notório que essa direita sempre quis a Marina para usar como escada e levar a eleição para o segundo turno com Aécio para derrotar o PT. Adivinhe, nesse melancólico momento, o que essa pesquisa vai apontar?

Antonio Negrão de Sá
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PSB não tem saída a não ser lançar a presidente a candidata a vice

Com o país ainda em estado de choque em decorrência da morte do candidato Eduardo Campos (PSB), maior tragédia registrada numa campanha eleitoral e na história de uma eleição nacional, o mundo político de luto ainda se refaz, mas é uma questão de dias — daqui 9 dias no máximo,  que é o que determina a legislação eleitoral — e o PSB deverá lançar a candidatura da ex-senadora Marina  Silva à Presidência da República.

No novo quadro político, mudado de forma radical com a tragédia que levou um dos mais promissores políticos da nova geração, o PSB não tem outra alternativa a não ser transformar Marina em candidata ao Planalto. Ela é a substituta natural. Não foi candidata a presidenta quando fechou a parceria com o PSB dia 4 de outubro do ano passado porque a vaga já estava ocupada por Eduardo Campos, mas torna-se candidata agora pela fatalidade.

Apesar do recall de votos com que aparece em todas as pesquisas em que entrou o nome dela, resultado dos 20 milhões de votos que obteve como candidata ao Planalto em 2010, Marina não tem, no entanto, um caminho róseo, uma estrada fácil a percorrer pela frente como candidata.

Incógnita é como Marina vai superar resistências

Ela enfrenta — sempre enfrentou — resistências no PSB, que  a aceitou lá, mas a encarava, como diziam expoentes do partido ontem, apenas como parceira de um “casamento de conveniência”. E enfrenta resistência, também, de todo o vasto leque conservador brasileiro, dos ruralistas, do agronegócio, do mercado, de tudo o que está à direita. Não bastasse isso, terá de administrar resistência de grande parte da esquerda, também, que a vê como pouco pragmática e muito fundamentalista. Como ela vai enfrentar e superar isso tudo é a pergunta.

Além do mais, encontra um quadro fechado de alianças, coligações no Brasil inteiro, Estado a Estado, patrocinado por Eduardo Campos e  ao qual ela foi contra — a começar por São Paulo, o Estado que decide a eleição e no qual o PSB está coligado (como sempre e há 20 anos) com os tucanos.

Dá até o candidato a vice-governador na chapa da tentativa de reeleição de Geraldo Alckmin, o deputado Márcio França (PSB-SP). Sem contar Pernambuco, único Estado até agora onde o PSB tem chances reais de vencer o pleito, e embora tenha candidato próprio a governador, está coligado também com o PSDB. E por ai vai, Estado por Estado…

Quadro eleitoral Estado a Estado não é do gosto da candidata

Ela vai querer ou vai conseguir desmontar tudo isso a 53 dias da eleição? Tem até a questão da legislação. Já estão fechados os prazos de registro de candidaturas, salvo essa exceção em que ela entra, decorrência da morte do candidato a presidente.

A candidatura Marina, no entanto, mesmo com todas essas incógnitas é uma questão de tempo, ou melhor, de dias. Outra opção o PSB não tem. Há a possibilidade, ainda em aberto, de uma adesão do pessoal do PSB e orfão da candidatura Campos à reeleição da presidenta Dilma Rousseff, ou ao candidato tucano, Aécio Neves.

Mas aí, acaba a chamada 3ª via. E o PSB nem tem jeito de resistir muito a Marina e rejeitá-la como candidata a presidente, porque se não, é como pergunta o articulista Elio Gaspari, qual o sentido de tê-la aceitado lá, e de vice? Eles tem 10 dias para registrar o novo candidato(a).

Pesquisas podem ser decisivas na definição da candidatura

É preciso lembrar, também, que nessa definição da candidatura substituta à de Eduardo Campos terá imenso peso  a pesquisa Datafolha (e outras que surgirem essa semana) que o Instituto Datafolha registrou na justiça eleitoral e que já começa a fazer hoje e amanhã até a noite. O jornal anuncia que a pesquisa já será feita com Marina como candidata (e sem ela candidata).

E candidato a vice-presidente? De expressão? Eles não tem. Não nos quadros do PSB, da Rede Sustentabilidade e dos partidos aliados (eles tem poucos). Anunciam-se as primeiras mudanças nas estratégias de campanha dos outros dois adversários, Aécio e Dilma. Os tucanos são os mais preocupados.

Uma superexposição de Marina, agora, em função da candidatura a presidente e na esteira da tragédia da morte de Eduardo Campos pode derrubar facilmente o senador Aécio Neves do 2º lugar na disputa. E aí, se ele não correr e não conseguir se recuperar, alijá-lo de vez do 2º turno. O que o anima é que no trio de principais aspirantes ao Planalto ele é, agora, mais do que nunca,  o candidato dos conservadores. A ver, então, o que a direita fará para não perder com ele.

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As desculpas israelenses

http://www.maurosantayana.com/2014/08/as-desculpas-israelenses.html


O Palácio do Planalto informou, ontem, em nota, que o Presidente eleito de Israel, Reuven Rivlin, telefonou para a Presidente Dilma Roussef, e pediu desculpas pelas declarações de Yigal Palmor, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel. Esse funcionário classificou, em entrevista ao Jornal “The Jersusalem Post”, nosso país como um “anão diplomático”, após a retirada do embaixador brasileiro em Israel, para consultas, em consequencia da “desproporcionalidade” da resposta militar israelense, em seus ataques contra a população palestina da Faixa de Gaza.

Em sua entrevista, Yigal Palmor respondeu também à posição brasileira, com ironia, afirmando que “desproporcional é perder de 7 x 1”, lembrando o placar da derrota do Brasil para a Alemanha, na Copa do Mundo.

Depois do incidente diplomático com o Brasil, Israel perdeu, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, por 29 votos a um — só os EUA ficaram ao lado do governo sionista — em votação que aprovou resolução recomendando a investigação de sua atuação em Gaza.

Além disso, o Brasil conseguiu, na Cúpula do Mercosul de Caracas, o mais amplo apoio à sua posição com relação a Gaza, e mais três países, Chile, Peru e Equador, tomaram decisão semelhante à sua, chamando também seus embaixadores nomeados para Telaviv para consulta.

No contato com o presidente israelense, o governo brasileiro reafirmou os laços que unem brasileiros e israelenses, há muitos anos, mas Dilma Roussef reafirmou, também, que o Brasil continua achando desproporcional a força utilizada por Israel, no contexto da intervenção em Gaza, e que continuará lutando pelo direito de palestinos e israelenses à paz, à vida e à dignidade.

Como brasleiros, recebemos e agradecemos as desculpas do novo Presidente israelense, Reuven Rivlin.

Ficaríamos, alguns de nós, no entanto, mais satisfeitos, se seu país dirigisse também seu arrependimento — ao menos in memoriam — às centenas de palestinos, inclusive mais de 400 crianças, que já não se encontram entre nós, e que morreram pelas suas armas, entre os escombros de Gaza nas últimas semanas.

Para nós, a morte de um cidadão israelense, atingido por um foguete do Hamas, é tão grave como a morte de um cidadão palestino, atingido por uma bomba da aviação israelita, ou pelas balas de um soldado de Israel.

Só não nos peçam para acreditar, ou aceitar, que a morte de 3 civis israelenses é tão grave como a de quase 2.000 cidadãos palestinos e a destruição de milhares de casas, escolas, ruas, hospitais, que deixou dezenas de milhares de feridos e de refugiados sem um lugar para se abrigar.
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Charge online - Bessinha - # 2040

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É fácil entender porque conservadores preferem Marina


A falta de cerimonia exibida por tantos colunistas conservadores para emplacar Marina Silva de qualquer maneira como candidata presidencial do PSB, menos de 24 horas depois da morte de Eduardo Campos, é um sintoma de vários elementos da campanha de 2014.

O maior é o receio de que Aécio Neves já tenha chegado a seu limite eleitoral — muito longe daquilo que seria necessário para dar a seus aliados esperanças reais de vencer o pleito — e é preciso encontrar um atalho para tentar derrotar Dilma. Desse ponto de vista, a oportunidade-Marina veio a calhar.

Ao contrário de Aécio Neves, herdeiro identificado com o mais tradicional conservadorismo brasileiro, onde até a denúncia de caráter moral se compromete com a descoberta da pista de aeroporto de R$ 14 milhões na fazenda do tio-avô, Marina consegue apresentar-se como candidata do “novo.”

Uma década de esforço permanente para criminalizar a política a pretexto de combater a corrução não poderia deixar de produzir resultados. O mais visível deles, na campanha de 2014, é Marina.

Foi adotada por eleitores, especialmente jovens, sem partido político, para quem todo político é ladrão e só pensa em se arrumar. Basta reparar quais foram partidos que Marina frequentou e quais aliados cultivou ao longo de sua já longa existência política para ponderar o que há de verdade e de mentira nessa visão — mas este é assunto para um longo debate politico, destinado a proteger e recuperar nossos valores democráticos.

Basta registrar que sua assessoria é formada por economistas que transformaram a austeridade e o baixo crescimento num horizonte de busca permanente, usando o argumento ecológico como instrumento para impedir o crescimento econômico. Veja só. Ao contrário de conservadores tradicionais, partidários de políticas de austeridade por um período determinado, para derrubar a inflação, por exemplo, eles defendem o baixo crescimento como um valor em si. Sei que é meio difícil de acreditar, num país que tem tanto emprego para criar, tanta infraestrutura para desenvolver, tanta carência para sanar. Mas é verdade.

Referindo-se a preservação ambiental, o mais conhecido deles, Eduardo Gianetti da Fonseca, já foi capaz de dizer que é preciso combater o consumo excessivo… de carne e leite. Juro. Para ele, como ninguém respeita os padrões ambientais, é preciso encarecer o preço dessas proteínas para que o consumo seja reduzido. Está lá, no livro “O que os economistas pensam sobre sustentabilidade,” página 72 e seguintes:

“Comer um bife é uma extravagância do ponto de vista ambiental. O preço da carne vai ter de ser muito caro, o leite terá de ficar mais caro. Tudo o que tem impacto ambiental vai ter de embutir o custo real e não apenas monetário. Essa é a mudança decisiva.”

Aderindo a palavra de ordem do candidato vizinho de palanque, que falou em medidas impopulares, Gianetti admite na mesma entrevista: “O caminho que estou propondo é sofrido.”

Seu parceiro ideológico, André Lara Rezende, advoga ideias curiosas, próprias de quem admite uma postura de subordinação entre nações. Para ele “a questão Estado-Nação ficou ultrapassada.”

Depois de apontar para um futuro onde uma catástrofe ecológica capaz de reduzir a humanidade para 500 milhões de pessoas (hoje somos sete bilhões) já se tornou “irreversível” e “tangível”, Lara Rezende advoga o baixo crescimento, também, mas adverte: “crescimento material com Ecologia é difícil.”

É certo que uma candidata com essas ideias teria uma vida difícil no PSB, partido nascido à sombra de Miguel Arraes, o líder popular que resistiu a ditadura de forma exemplar, chegando a ser preso em Fernando de Noronha para não entregar o cargo que os generais de 64 pretendiam lhe tomar. Imagine esses cidadãos no comando da política econômica um partido que pede votos em sindicatos de trabalhadores e que, em 2014, conseguiu apoio de lideranças operárias de tradição, como Ubiraci Dantas de Oliveira, o veterano Bira, metalúrgico de São Paulo, que já era possível encontrar em comícios do 1º de maio no final dos anos 1970, e que hoje é dirigente da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil).

Ninguém deve ignorar que Marina e Eduardo Campos fizeram um casamento de conveniências quando a presidente da ex-Rede ficou sem partido. Campos lhe abriu uma legenda, na esperança de receber uma necessária transferência de votos. Marina conquistou um palanque, indispensável para quem corria o risco de ficar calada em 2014. Mostrando uma grande capacidade política para agregar apoios e somar contrários, Eduardo Campos transformou-se no grande ponto de equilíbrio político dentro do PSB. Era o protetor de Marina, o que pedia tolerância para suas opiniões e divergências. Querer usar a tragédia do Guarujá para alterar a natureza desse acordo é cometer uma violência. Numa comparação abusada, mas que faz sentido do ponto de vista das diferenças entre PSB e a Rede, o verdadeiro partido de Marina, seria igual a chamar Michel Temer para ser titular na chapa do PT — caso Dilma Rousseff fosse impedida de disputar a presidência por uma razão qualquer.

Um elemento a favor da escolha de Marina não chega a ser especialmente “novo,” como gostam de enxergar seus aliados. Espera-se que, com sua popularidade, ela ajude o partido a engordar a bancada de parlamentares, estaduais e federais. Isso costuma acontecer, mas nem sempre. Em 2010, num caso clínico de sucesso individual, Marina chegou perto de 20% dos votos como candidata presidencial mas não conseguiu acrescentar um único novo parlamentar à bancada do Partido Verde — desempenho que está na origem de boa parte de suas dificuldades para permanecer no PV.

Ainda assim, a popularidade de Marina provoca justo temor no PSDB, pois pode transformar-se numa candidatura capaz de atropelar Aécio e jogá-lo para terceiro lugar e fora da campanha no segundo turno, o que seria, para os tucanos, uma derrota pior que todas as outras desde 2002.

Para o PT, a recíproca, no caso, também é verdadeira. Para o QG da campanha petista, o cenário ideal — fora a hipotética vitória em primeiro turno, cada vez menos realista — é enfrentar Aécio Neves numa segunda votação.

Os petistas sempre estiveram convencidos de que, num segundo turno, a maioria dos parlamentares, dirigentes e eleitores do PSB não serão capazes de abandonar a própria história para votar no PSDB, que sempre denunciaram como partido conservador, e farão o caminho de volta para uma aliança com o PT. Era com essa possibilidade que Dilma e Lula sempre trabalharam nos últimos meses. Evitaram atitudes hostis e indelicadas, reservado a artilharia mais pesada para Aécio. Qualquer mudança, neste horizonte, irá atrapalhar os planos de Dilma.

E é por isso que nossos conservadores já apostam em Marina.

Paulo Moreira Leite
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Tarso dá apoio aos demitidos da RBS

Ironia da história. O Grupo RBS, proprietário do jornal “Zero Hora” e de várias emissoras de tevê e rádio, é a principal força opositora ao governo de Tarso Genro (PT-RS). Desde o início do seu mandato, em janeiro de 2010, os veículos deste império midiático regional não dão um minuto de trégua ao governador gaúcho. Na semana passada, o empresário-carrasco Eduardo Sirotsky Melzer demitiu sumariamente 130 “colegas” da RBS e ainda enviou uma cartinha pedindo “desapego” às vítimas. Já nesta segunda-feira (12), o governador Tarso Genro manifestou o seu apoio aos desempregados e ofereceu acesso aos programas do governo de incentivo à qualificação e à recolocação do mercado de trabalho.

O anúncio foi feito durante reunião do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul com as secretarias de Trabalho e Desenvolvimento e da Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa do governo gaúcho. Segundo a entidade classista, a proposta visa apresentar condições para que os demitidos da RBS possam se readequar às vagas disponíveis no Estado. Para os jornalistas com formação específica, as secretarias estudam a possibilidade de ofertar cursos de qualificação gratuitos. Todos os interessados poderão acessar o Programa Gaúcho de Microcrédito, que disponibiliza recursos para investimento em atividade produtiva com baixa taxa de juros.

Enquanto o governador Tarso Genro confirma sua postura republicana, de respeito aos trabalhadores, o Grupo RBS segue com a sua truculência Na última sexta-feira (8), o Sindicato dos Jornalistas promoveu um protesto em frente à sede do jornal Zero Hora, em Porto Alegre. O objetivo era denunciar à sociedade as demissões e exigir a abertura de negociações. Mas a empresa simplesmente barrou o acesso dos dirigentes sindicais às redações. Segundo o site da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o executivo da empresa, Ary dos Santos, não permitiu o ingresso de Celso Schröder, presidente da entidade, e de outros sindicalistas, com a desculpa de que eles prejudicariam o andamento do trabalho.

“O argumento de que iríamos atrapalhar o dia de fechamento dos jornais de sábado e domingo não se justifica. Eles não queriam nossa presença dentro da redação. Nosso entendimento é de que o maior dano foi provocado pela empresa, que anunciou a demissão na segunda e os colegas ficaram dois dias sob a tensão da perda do emprego. O abalo emocional foi responsabilidade da empresa. O sindicato não é prejudicial a ninguém", protestou o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, Milton Simas. “Esta postura da RBS configura prática antissindical que vai ser denunciada internacionalmente”, reagiu Celso Schröder.

Altamiro Borges
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Em busca do sonho

Eduardo Campos não era um político para agora. Entrou na disputa pela Presidência como um ressurgimento do Nordeste na política alta, e sairia como a promessa antecipada para a sucessão presidencial de 2018. Assim o seu presente se projetava condicionado, por um lado, pelas suas dificuldades financeiras e políticas para a disputa atual, e, por outro, pela apresentação que faria de si ao país, no horário eleitoral, carregando em sedutoras ideais reformistas.

Daí uma comparação interessante com Aécio Neves. Netos, ambos, de políticos notáveis; ambos ex-governadores, lançados no plano mais alto da geração que entra no jogo político nacional, Eduardo Campos e Aécio Neves ofereceram a impressão de futuros postos. O primeiro, como detentor da avidez política de quem irá em frente sempre e cada vez mais, não importando nem rebordosas como sua esmagadora derrota na disputa pela prefeitura de Recife. Aécio Neves, embora profissional da política, passando mais a imagem de diletante, com outras atrações satisfatórias na vida.

Ninguém duvidaria de que Eduardo Campos, se derrotado agora, estaria na disputa da sucessão presidencial seguinte. É muito duvidoso que alguém imagine igual disposição de Aécio Neves, aquele que se mostrou tão desinteressado de lutar com José Serra pela candidatura presidencial que, na última eleição, os chefões do partido lhe punham nas mãos.

Componentes da mesma diferença, já os modos de exercer os mandatos de governadores os mostraram divergentes. Para a condução do governo mineiro de Aécio Neves, Andréa Neves, a irmã, e Antonio Anastasia foram muito importantes, ela aplicando a sua vocação política, ele na parte administrativa. Eduardo Campos, à parte o acerto ou não das suas orientações e providências, mostrou um gosto ilimitado por estar ele próprio com os cordéis do governo, e movê-los sem dia e sem hora.

Eduardo Campos fez uma passagem discreta, delicada mesmo, do apoio a Dilma Rousseff para a oposição. Mas sua candidatura implicou, forçosamente, mais do que esta oposição concentrada. Era uma ruptura com Lula e com as concepções expressas nos três mandatos petistas. As quais Eduardo Campos apoiou por dez anos e meio. Desde que em 2003 integrou o primeiro governo Lula, como ministro da Ciência e Tecnologia que saiu bastante bem, até meados do ano passado, quando consolidou a decisão de candidatar-se à Presidência.

O direito da sua candidatura era inquestionável. Mas, para justificá-la, Eduardo Campos recorreu, sem necessidade, ora a tergiversações, ora ao argumento de que Dilma Rousseff não corrigira as falhas do governo Lula, o que levara ao seu afastamento. Falhas que nunca apontou nos oito anos do governo Lula, ao qual integrou e depois apoiou sem restrições. Insuficiência de Dilma Rousseff a que não se referiu, nem importaram, nos dois anos e meio em que foram aliados. Por mais que o argumento pudesse ser sustentado, e Eduardo Campos não cuidou de explicá-lo, as aparências do carreirismo político prevaleceram. Quando bastaria, no entanto, até com proveito extra, apenas dizer-se portador de um projeto próprio de governo e de país. A melhor justificativa para um candidato — e, ainda que compreensivelmente incompleta, Eduardo Campos a tinha.

Janio de Freitas
No fAlha
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A Educação de Aécio


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Essa é do Barão... 12


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A abjeta pesquisa Datafolha sobre o espólio de Eduardo Campos. A Folha é um lixo moral.


O acidente que vitimou Eduardo Campos ocorreu por volta de dez horas. Sua morte foi, infelizmente, confirmada por volta do meio-dia.

Pouco depois, a alta direção do Datafolha, numa atitude abjeta e desprovida de qualquer valor moral e humano preparava, com esmero, as perguntas para registrar uma pesquisa, às pressas, para ver com quem ficaria o espólio eleitoral do morto, para ser colocada nas ruas amanhã.

Li sobre a pesquisa no blog da Maria Frô e fui conferir. O documento está lá, registrado no TSE, com suas perguntas cheias de morbidez.

Total abjeção moral e um estupidez científica, porque é óbvio que, no dia seguinte a uma tragédia que repercutiu todo o dia nos meios de comunicação, praticamente sem intervalos, nenhum resultado retrataria o cenário real, que os dias se encarregarão de trazer à normalidade, serenadas as compreensíveis e humanas comoções.

Humanas, claro, para quem é capaz de as ter, o que não parece ser o caso do board do Datafolha e da própria Folha, contratante da pesquisa por R$ 226 mil.

O objetivo deste gesto imundo, desqualificado do ponto de vista ético e do ponto de vista estatístico, é um só: tirar “cascas” da tragédia humana para mudar um processo eleitoral que as próprias pesquisas indicam como estável e relativamente sólido.

Paro, como prometi antes, por aqui com as considerações políticas.

Fico no desrespeito aos sentimentos da família, dos amigos e da sociedade brasileira, que se comoveu com a morte acidental de um homem em plena campanha presidencial.

Não esperaram sequer ser recuperado e sepultado o corpo do candidato morto.

A atitude do Datafolha, como a dos colunistas que imploram por uma candidatura Marina montada sobre a desgraça, é uma desonra para qualquer pessoa.

Não que Marina não possa ser candidata. Mas porque em tudo na vida há ritos e processos dignos para algo acontecer.

Ou não, como nos mostra a pesquisa-abutre do Datafolha.

É gente com este caráter que não admite contestação às “verdades” que diz.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Marina Silva fala sobre morte de Eduardo Campos


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