13 de ago de 2014

A morte de Campos e os urubus em busca de carniça


Ninguém nunca perdeu dinheiro por subestimar a inteligência das pessoas, mas a tragédia com Eduardo Campos trouxe do lixo manifestações que ultrapassam qualquer limite, se limite houvesse.

Na sexta, Dilma sancionou uma lei que protege o sigilo de dados das caixas-pretas de aviões, bem como as informações voluntárias de testemunhas de investigações. A legislação foi proposta pela Aeronáutica em 2007, após a crise aérea desencadeada pelos acidentes da Gol e da Tam.

Confirmada a morte do candidato, a turma que bate em golpe comunista, bolivarianismo e boitatá juntou os pontos e viu uma ligação entre a sanção e a queda da aeronave.

Enquanto a teoria conspiratória vicejava, com o apoio de gente como Lobão, a corja aproveitava para chafurdar no oportunismo.

Um pastor chamado Daniel Vieira, de um certo Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora, ligado a Silas Malafaia, cravou: “Morre Eduardo Campos, candidato a presidente. Hoje são 13 [sic], numero do PT. Deveria ter levado a DILMA!”, escreveu nas redes sociais. Apagou em seguida, com um pedido de desculpas ignóbil.

Mas poucos conseguiram superar Daniela Schwery, eterna “candidata” a qualquer cargo no PSDB em São Paulo (atualmente, a deputada federal). Troleira oficial do partido, uma espécie de Tiririca fascista, sua única bandeira é ser antipetralha, “antiesquerdopata” e quejandos. Entre suas propostas, listadas em seu site oficial, está a de transformar o Instituto Lula em abrigo para mendigos.

Ela habita um terreno pantanoso entre o deboche e a psicopatia. Schwery conseguiu forjar um meme da Dilma Bolada, perfil ligado ao PT (“Pra descer todo santos ajuda”) e então se pôs a despejar uma série de acusações. “PT em festa”; “Celso Daniel eliminado; Toninho do PT eliminado…”.

Nenhuma mísera mensagem de condolência à família, um insight, nada. Apenas ódio, burrice, doença, sociopatia.

Quando não se esperava mais nada, Roger, do Ultraje conseguiu mais uma vez se superar, horas depois de chamar o Marcelo Rubens Paiva de bosta e declarar que o pai do escritor, Rubens Paiva, morreu “defendendo o comunismo” (numa resposta a uma menção que Marcelo lhe fez numa palestra na Flip).

Desta vez, Roger foi profético: “Pronto, vai virar santo. E herói”. Têm sido — continuarão sendo — dias ricos em estupidez, maldade, paranóia e desumanidade.

Kiko Nogueira
No DCM
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Opção por Marina é menos óbvia do que parece


Toda futurologia envolvida na campanha presidencial, colocada de pernas para o ar depois da tragédia no Guarujá, começa com uma pergunta: quem vai assumir o lugar de Eduardo Campos como terceiro nome na sucessão?

A resposta é menos óbvia do que parece. Primeira candidata em função de sua popularidade e do posto de vice, Marina Silva é uma estranha no ninho do PSB, partido que tem a prerrogativa legal de lançar um novo candidato a presidência em dez dias.

Dona de um cesto de intenções de voto quase duas vezes maior que o de Eduardo Campos nas últimas pesquisas em que seu nome foi incluído, Marina acumulou um cotidiano de desavenças e conflitos com diversas fatias do PSB, onde devia sua sobrevivência ao espírito pragmático e a postura tolerante de Eduardo Campos, seu verdadeiro protetor e grande aliado dentro da legenda. Além de chefe do partido e candidato a presidente, Eduardo Campos atuava como o ponto de equilíbrio entre forças antogônicas e divergentes — e ninguém sabe o que irá acontecer depois que esse equilíbrio se rompeu.

A permanência de Marina — declaradamente temporária — no partido que Campos herdou do avô Miguel Arraes e controlava com pulso firme nunca foi um piquenique. Desde os primeiros dias, o conflito maior envolvia a militância de esquerda e a tradição nacionalista do partido, encarnada pelo ex-ministro Roberto Amaral, favorável a pesquisas nucleares que permitem o domínio do ciclo do átomo, em contradição aberta com ambientalistas globalizados que Marina trouxe com a Rede, adversários até de usinas hidroelétricas na Amazonia. Na véspera das convenções, ocorreram conflitos entre Marina e setores que queriam fazer alianças de qualquer maneira com o PSDB, como ocorreu em São Paulo, onde o deputado Márcio França tornou-se vice de Geraldo Alckmin. Numa comparação abusada, mas que faz sentido do ponto de vista das diferenças entre PSB e a Rede, o verdadeiro partido de Marina, seria igual a chamar Michel Temer para ser titular na chapa do PT — caso Dilma Rousseff fosse impedida de disputar a presidência por uma razão qualquer.

Nos próximos dias, a executiva do PSB, que tem a palavra final na escolha do novo candidato a presidente, irá optar, basicamente, por dois caminhos. Se indicar Marina, fará uma aposta em sua popularidade. É uma solução que agrada a uma boa parte do partido. A razão é simples. Mesmo que não sejam vitoriosos em sua própria campanha, os bons candidatos presidenciais costumam alavancar boas bancadas de deputados estaduais e federais, e mesmo reforçar quem concorre ao senado. Há exceções, contudo. Uma delas foi a própria Marina há quatro anos.

Num caso clínico de sucesso individual, chegou perto de 20% dos votos como candidata presidencial mas não conseguiu acrescentar um único novo parlamentar à bancada do Partido Verde — desempenho que está na origem de boa parte de suas dificuldades para permanecer no PV.

A dificuldade dos adversários internos de Marina é que não se conhece, até agora, um nome alternativo. Eles tem ideias e críticas. Mas não contam com governadores nem senadores de projeção nacional, capazes de se opor à vice que Eduardo Campos escolheu. Poderiam inventar um novo candidato com a propaganda na TV? Difícil, quando se tem pouco mais de um minuto. Na prática, mesmo quem detesta Marina no PSB terá dificuldades de se impor diante de uma concorrente que capaz de representar aquilo que os políticos mais procuram: uma perspectiva de poder — que costuma ser atraente mesmo quando não vem carregada pelas idéias e proposições que agradam a todos.

Para Dilma Rousseff e Aécio Neves, uma troca na terceira candidatura de neste momento da campanha representa desafios importantes mas diferentes.

O temor do PSDB é uma candidatura capaz de atropelar Aécio e jogá-lo para terceiro lugar e fora da campanha no segundo turno, o que seria, para os tucanos, uma derrota pior que todas as outras desde 2002.

Para o PT, a recíproca, no caso, também é verdadeira. Para o QG da campanha petista, o cenário ideal — fora a hipotética vitória em primeiro turno, cada vez menos realista — é enfrentar Aécio Neves numa segunda votação.

Os petistas sempre estiveram convencidos de que, num segundo turno, a maioria dos parlamentares, dirigentes e eleitores do PSB não serão capazes de abandonar a própria história para votar no PSDB, que sempre denunciaram como partido conservador, e farão o caminho de volta para uma aliança com o PT. Era com essa possibilidade que Dilma e Lula sempre trabalharam nos últimos meses. Evitaram atitudes hostis e indelicadas, reservado a artilharia mais pesada para Aécio. Qualquer mudança, neste horizonte, irá atrapalhar os planos do Planalto.

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Veja e Bolsa querem BláBlá

O mercado não tem dó


Assim como o 'Ataulfo', que já cristianizou o Aecioporto, agora essa união triunfal: o detrito de maré baixa e alguns de seus efeitos;

Ouça aqui:


Na Veja:

Bolsa cai com morte de Campos, mas se recupera com possibilidade de Marina assumir

A hipótese da entrada da vice na disputa eleitoral reduziu as incertezas do mercado sobre uma possível vitória de Dilma já no primeiro turno

Após recuar quase 2% na abertura do pregão desta quarta-feira, a BM&FBovespa reduziu perdas e operava em queda de 0,33% às 14h30 (horário de Brasília). Investidores se mostraram apreensivos em meio a rumores — depois confirmados — de que o candidato à presidência Eduardo Campos (PSD-PE) estava na aeronave que caiu durante a manhã em Santos. A possibilidade de sua vice, Marina Silva, também estar a bordo fez com que as perdas se aprofundassem no início do pregão. “A possibilidade de não haver um terceiro candidato fez os investidores se assustarem, acreditando na possível vitória de Dilma logo no primeiro turno. Ao saberem que Marina não estava no voo, o medo se dissipou de certa forma”, afirma o economista André Perfeito, da Gradual Corretora.

Aos 49 anos, Campos morreu no acidente aéreo com outras seis pessoas, incluindo assessores e membros da equipe de filmagem e fotografia do candidato. Sua candidatura propunha um novo caminho de oposição, aliando políticas de cunho social e ortodoxia econômica. Desde abril deste ano, a Bolsa de Valores tem oscilado ao sabor das pesquisas eleitorais. O Ibovespa sobe quando o desempenho da candidata Dilma Rousseff piora nas pesquisas, e cai quando há melhora nos números da petista. A hipótese de não haver um terceiro candidato fez com que o mercado temesse a vitória de Dilma já no primeiro turno, contra o tucano Aécio Neves. Na última pesquisa Ibope, Dilma apresentava 38% de intenções de voto, contra 23% de Aécio e 9% de Campos. “Ainda é muito difícil entender o movimento desta manhã. Mas o mercado não gosta de incerteza. E, se a Marina sair forte, as chances de uma oposição à Dilma são maiores.

(…)

No CAf
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Humorista faz piada com morte de Eduardo Campos, é criticado e apaga post no Twitter

A morte do político Eduardo Campos, nesta quarta-feira (13), causou comoção entre os famosos. Porém, o humorista Maurício Meirelles, do CQC, fez piada com a situação, mas foi criticado por seguidores.

— O aeroporto era do Aécio? — perguntou Meirelles no Twitter.

Logo depois da postagem, começou a receber várias críticas de seguidores, e acabou apagando a frase. Mesmo com a piada, o humorista lamentou a morte do candidato à Presidência.

— 2014 tem sido o ano mais errado de todos. Que não se confirme isso com Eduardo Campos. Por razões óbvias e pela democracia. A internet é f****: cai um avião faz 12 minutos e já temos 800 TEORIAS DE CONSPIRAÇÃO formuladas e confirmadas. Caraca!! Que bizarro!!!! Mesmo! Bizarro.

Os comentários de desaprovação, muitas vezes, julgavam a piada como desnecessária em um momento de luto.

No R7
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Amor Cristão em sua plenitude...




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Filhos de Eduardo Campos fizeram vídeo de homenagem no domingo


Dia dos Pais, 10 de agosto, foi também o aniversário de 49 anos do político.

'Melhor presente de aniversário', postou o candidato no Youtube.


Os filhos do candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo nesta quarta (13), gravaram um vídeo em homenagem ao pai. O vídeo foi publicado no domingo (10), dia dos pais e aniversário de 49 anos de Campos.

O vídeo foi postado no canal oficial de Eduardo Campos no Youtube, com a seguinte mensagem: "O melhor presente de aniversário que já recebi. Muito obrigado, meus filhos. Amo vocês".

No vídeo, aparecem os filhos José, João, Pedro, Maria Eduarda e o bebê Miguel. Cada um fala um pouco sobre o pai, dizendo o quanto o amam, agradecendo e dando parabéns pela data duplamente especial.
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Brasil está de luto e sentido com a morte de Eduardo Campos, diz presidenta Dilma

“Um homem que poderia galgar os mais altos postos do País”, disse a presidenta Dilma em declaração sobre falecimento do ex-governador Eduardo Campos.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.
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O fotógrafo Alexandre Severo morre em acidente com Eduardo Campos

O pernambucano ficou famoso pelo ensaio À Flor da Pele e atuava como fotógrafo da campanha do presidenciável


Entre as mortes causadas pelo acidente que também causou a morte do candidato à presidência da República Eduardo Campos nesta quarta-feira, está uma triste perda para a fotografia. O pernambucano Alexandre Severo, que ganhou notoriedade em 2009 ao produzir o ensaio À Flor da Pele, também estava a bordo do jato que matou sete pessoas.

As fotos produzidas por Severo acompanharam a matéria de mesmo nome publicada no Jornal do Commercio em 30 e 31 de agosto de 2009. Pelas imagens, Severo ganhou menção honrosa no 31º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

Famoso por ensaio com crianças albinas, fotógrafo Alexandre Severo morre em acidente com Eduardo Campos Alexandre Severo/Divulgação
Alexandre Severo foi premiado pelo ensaio da família negra com filhos albinos em 2009
Nas fotos, Severo retratava o dia a dia de três irmãos albinos nascidos em uma família de negros na periferia de Olinda. O ensaio foi amplamente compartilhado nas redes sociais desde então.

Além disso, o fotógrafo contava publicações na Revista Time, exposições na 5ª Bienal Argentina de Fotografía Documental, no Paraty em Foco, em 2009, no Tate Modern, em Londres.

Alexandre Severo tinha 36 anos e vivia em São Paulo. Atualmente, atuava como fotógrafo da campanha de Eduardo Campos.

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Lula manifesta pesar pela morte de Campos


Como todos os brasileiros, estou profundamente entristecido com a trágica morte de Eduardo Campos. Um grande amigo e companheiro.

Conheci Eduardo através de seu avô, Miguel Arraes, um memorável líder das causas populares de Pernambuco e do Brasil.

O país perde um homem público de rara e extraordinária qualidade. Tive a alegria de contar com sua inteligência e dedicação nos anos em que foi nosso ministro de Ciência e Tecnologia. Ao longo de toda sua vida, Eduardo lutou para tornar o Brasil um país mais justo e digno.

O carinho, o respeito e a admiração mútua sempre estiveram presentes em nossa convivência.

Nesse momento de dor, eu e Marisa nos solidarizamos com sua mãe, Ana Arraes, sua esposa, Renata, seus filhos e toda a sua família, amigos e companheiros.

Também prestamos solidariedade às famílias dos integrantes da sua equipe e dos tripulantes que falecerem nesse terrível acidente.

São Paulo, 13 de agosto de 2014

Luiz Inácio Lula da Silva
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O proselitismo de Cristóvam Buarque

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Tarso Genro orienta suspensão da campanha em razão da morte de Eduardo Campos


O governador Tarso Genro e candidato à reeleição pela Unidade Popular pelo Rio Grande (PT, PTB, PCdoB, PPL, PTC, PR, PROS) cancelou todas as atividades de campanha previstas até quinta-feira (14) em razão do falecimento do candidato à presidência da República do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos.

Não apenas a agenda dos candidatos da coligação foi suspensa, mas todas as atividades vinculadas à disputa eleitoral. Portanto, as redes sociais também ficarão inativas pelas próximas 24 horas. "Lamentamos o falecimento de Eduardo Campos, que estava dando uma importante contribuição ao debate democrático como jovem liderança que era", declarou o Coordenador-geral da campanha da Unidade Popular pelo Rio Grande, Carlos Pestana.

Tarso Genro cumpria agenda de campanha em Charqueadas quando soube da tragédia. Ao receber a notícia, interrompeu de forma imediata a agenda e se deslocou ao Palácio Piratini, sede do governo na Capital.

A notícia também foi recebida com tristeza pelas militantes que organizavam, durante reunião almoço, o comitê suprapartidário em apoio à reeleição da presidenta de Dilma Rousseff. Como forma de homenagem, as participantes aplaudiram durante um minuto o candidato no restaurante Copacabana em Porto Alegre.
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Nota da Presidenta Dilma Rousseff



O Brasil inteiro está de luto. Perdemos hoje um grande brasileiro, Eduardo Campos. Perdemos um grande companheiro.

Neto de Miguel Arraes, exemplo de democrata para a minha geração, Eduardo foi uma grande liderança política. Desde jovem, lutou o bom combate da política, como deputado federal, ministro e governador  de Pernambuco, por duas vezes.

Tivemos Eduardo e eu uma longa convivência no governo Lula, nas campanhas de 2006, 2010 e durante o meu governo.

Estivemos juntos, pela última vez, no enterro do nosso querido Ariano Suassuna. Conversamos como amigos. Sempre tivemos claro que nossas eventuais divergências políticas sempre seriam menores que o respeito mútuo característico de nossa convivência.

Foi um pai e marido exemplar. Nesse momento de dor profunda, meus sentimentos estão com Renata, companheira de toda uma vida,  e com  os seus amados filhos. Estou tristíssima.

Decretei luto oficial de 3 dias em homenagem à memória de Eduardo Campos. Determinei  a suspensão da minha campanha por 3 dias.  

Está cancelada a entrevista que seria concedida ao Jornal Nacional.

Durante os três primeiros anos do governo Dilma, o PSB, de Campos, foi um dos principais aliados do governo Dilma.
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Nota de pesar sobre o falecimento de Eduardo Campos


O conjunto do Partido dos Trabalhadores manifesta imenso pesar pelo falecimento do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, candidato à Presidência da República pelo PSB, em acidente aéreo ocorrido na manhã desta quarta-feira, 13 de agosto.

Em função deste trágico fato, a direção nacional do Partido dos Trabalhadores decidiu cancelar todas as atividades públicas referentes à campanha eleitoral 2014 nas esferas nacional, estadual e municipal, em manifestação de luto com duração de três dias.

O PT se solidariza com os familiares, amigos e correligionários de Eduardo Campos neste momento de dor diante de tão grande perda.

Brasília, 13 de agosto de 2014

Rui Falcão
Presidente do PT
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O jornalixo de Merval e Sardenberg na CBN


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Eduardo Campos - RIP

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Clésio comprova tratamento desigual no STF


Com a decisão de enviar o senador Clésio Andrade para julgamento pela Justiça comum de Minas Gerais, o mensalão PSDB-MG chega a um de seus momentos mais estranhos e deprimentes. Empresário de ônibus em Minas Gerais, muito rico e muito discreto, Clésio é o inventor de Marcos Valério, pivô dos dois mensalões. Foi ele quem patrocinou a entrada de Valério nas agências de publicidade de Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, que funcionaram como sede e cobertura para o esquema financeiro do PSDB, desde a campanha de 1998, e do PT, no final de 2002.

O STF anunciou o benefício de Clésio Andrade, que coloca seu processo na estaca zero, no mesmo dia em que José Genoíno começou a cumprir parte da pena de quatro anos e oito meses de prisão em regime domiciliar.

Lembra das denúncias de privilégios e regalias que acompanharam os prisioneiros da AP 470? Pois é…

Lembra daqueles homens de toga que iriam mandar os poderosos para a prisão?

Seguindo as pegadas de outro parlamentar do mensalão PSDB-MG, Eduardo Azeredo, Clésio Andrade renunciou ao mandato e conseguiu entrar numa caminhada pela justiça que pode terminar em lugar nenhum. Conforme a acusação que venha a receber — isso ainda não se sabe, dezesseis anos depois da campanha de 1998 — é muito provável que eventuais crimes já tenham sido prescritos.

Genoíno já não era deputado quando foi acusado de envolvimento no esquema financeiro criado por Valério. Também não se encontrava no exercício do mandato quando a AP 470 foi a julgamento. Sem maiores contatos com Valério, Genoíno foi acusado de assinar empréstimos que, conforme a Polícia Federal comprovou, foram usados para resolver problemas de caixa de campanha do partido — e não para atividades clandestinas de compra de apoio político, como se disse no início. Foi preso em regime fechado — embora tivesse direito ao aberto no dia em que chegou a prisão. Cardiopata grave, enfrentou sucessivas juntas médicas, como parte do esforço de Joaquim Barbosa para negar o pedido de prisão domiciliar. Principal trofeu político da AP 470, José Dirceu já tinha sido cassado pelo Congresso quando foi a julgamento. No momento da denúncia, em 2007, ele se encontrava na mesma condição legal de Clésio Andrade, ontem. O mesmo aconteceu com Luiz Gushiken, que deixou o ministério para se defender. Outro condenado e preso, Delúbio Soares, nunca foi deputado. Até queria ser candidato, em 2002, mas atendeu a um pedido do partido.

Quando Márcio Thomaz Bastos, advogado de um dos réus, colocou uma questão de ordem sobre o desmembramento, em 2012, foi vencido por 9 votos a 2. O direito reconhecido a Clésio, ontem, foi negado aos réus da AP 470, há apenas dois anos. Mas já fora assegurado aos réus tucanos, em decisão anterior. Naquele momento, o jogo estava claríssimo, embora nem todos quisessem reconhecer. “Dois pesos, dois mensalões,” escreveu mestre Janio de Freitas.

Creio que dificilmente veremos um momento tão desmoralizante para quem acredita que todos os homens e mulheres têm direito a tratamento igual perante a lei — qualquer que seja o gênero, raça, origem social, religião ou credo político. A decisão — perfeitamente legal — que beneficou Clésio consolida aquilo que sempre se disse mas nem todos queriam acreditar — até porque certas situações são tão difíceis de aceitar como naturais que temos problemas para crer naquilo que nossos olhos enxergam.

O grande mito político usado para justificar o caráter de exceção do julgamento foi a necessidade de dar um exemplo simbólico ao país, mostrando que a lei também alcança os poderosos.

Eu sempre achei que isso era uma bobagem. Sempre escrevi que exemplos e símbolos podem ser muito úteis nas escolas de marketing e divãs de psicanalistas da linha junguiana mas na vida real do Direito e da Política é bom manter o pé no chão e analisar os fatos. Embora envolvessem os mesmos banqueiros, as mesmas agências de publicidade e o mesmo esquema para distribuição de recursos, a Justiça está mostrando ao país que reconhece a existência de réus diferenciados, com direitos diversos e prerrogativas particulares.

Desculpe, dona Cely, a combativa professora de História do Brasil do Ginásio Industrial Guaracy Silveira, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, com quem aprendi a desconfiar das falsas belezas do mundo. Com sua energia e seu humor, a senhora nos ensinou que essa desigualdade ostentada, reconhecida, imutável e humilhante para a democracia, tinha sido abolida na França, em 1789, e em República, em 1889, que eliminou os vestígios da nobreza magricela que gravitava em torno de Pedro II. Como ficamos agora?

Vamos pensar numa cena típica da campanha presidencial de 2014, a entrevista de Aécio Neves no Jornal Nacional, anteontem. Depois de lembrar as críticas do PSDB ao PT em função da AP 470, a apresentadora Patrícia Poeta, do Jornal Nacional, pediu explicações a Aécio Neves, candidato tucano, sobre o mensalão do PSDB-MG. Aécio respondeu:

— Eu acho que a diferença é enorme. Porque no caso do PT houve uma condenação pela mais alta corte brasileira. Estão presos líderes do partido, tesoureiros do partido, pessoas que tinham postos de destaque na administração federal, por denúncia de corrupção. Eu nunca torci para ninguém ser preso. Sendo aliado ou adversário. Apenas torcia sempre e esperava que a Justiça se manifestasse. Em relação ao PSDB ou aqueles sem partido, se tiverem denúncias que sejam consistentes, têm que ser investigadas e têm que responder por elas.

É isso. O STF garantiu, ao PSDB, o benefício da dúvida — pois é disso que está falando Aécio. Parece que a justiça se fez.

Até o candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais, Pimenta da Veiga, entrou na lista dos beneficiarios de Valério. Recebeu quatro cheques no início de 2003, totalizando R$ 300 000. Está lá, contabilizado, nas contas bancárias apuradas pela Polícia Federal. Mas, como Pimenta — como Clésio, como Azeredo — não foi julgado, Aécio tem todo direito de dizer que se aguarde pela manifestação da Justiça.

Em 2004, integrantes do Ministério Público de Minas Gerais, entregaram a Claudio Fonteles, então procurador geral da República, uma denúncia pioneira sobre o mensalão PSDB-MG. Naquele momento, Roberto Jefferson nem havia dado sua entrevista usando a palavra “mensalão.”

O procurador examinou o caso, concluiu que havia indícios consistentes e apresentou denúncia ao Supremo. O ministro Antonio Carlos Ayres Britto acabou escolhido para examinar a denúncia, que tinha caráter cível, e não penal. O caso não teve uma conclusão até a aposentadoria de Britto, em 2012.

Durante o julgamento da AP 470, Ayres Britto, que ocupava a presidência do STF, enviou uma advertência ao ministro Ricardo Lewandovski, revisor da denúncia de Joaquim Barbosa. Britto estava com pressa e deixou claro que estava preocupado com a demora nos trabalhos de Lewandovski. Num dado pouco comum, a atitude de Britto chegou aos jornais.

Em seu trabalho como presidente do STF, Britto fez críticas públicas ao Partido dos Trabalhadores, chegando a dizer pela TV que o mensalão eram uma forma de “golpe, um golpe raso,” para o PT perpetuar-se no poder.

Em 2014, fora do tribunal, Ayres Britto fez um serviço de advogado para o candidato Aécio Neves. Confeccionou um parecer sobre a pista do aeroporto de Claudio, assegurando que nada havia de errado, juridicamente, naquela obra com recursos públicos, de R$ 14 milhões, na fazenda de um tio avo do candidato. Pelo parecer, Ayres Britto recebeu R$ 56 000.

Na última decisão relevante antes do julgamento da AP 470, o relator Joaquim Barbosa enfrentou um debate com o decano Celso de Mello. Este não se conformava com a negativa do relator em abrir, para o plenário, as provas e documentos reunidos num inquérito a parte, 2474, que teriam muito a dizer sobre o caso. Nada feito. Por decisão de Joaquim, o 2474 permaneceu em segredo.

Nas últimas semanas, o círculo de políticos que cerca Aécio Neves tem espalhado que, em caso de vitória nas urnas, Joaquim Barbosa pode ser convidado para ministro da Justiça em seu governo.

O tempo… ah, o tempo.

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Band punida por precarizar trabalho

Os programas sensacionalistas da TV Bandeirantes possivelmente não farão nenhum alarde com esta importante notícia. O Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT-PR) finalmente venceu a ação contra a Band do Estado em decorrência da precarização do trabalho de seus funcionários — a chamada "pejotização'. Ela foi condenada por contratar jornalistas como pessoas jurídicas (PJ). Já os repórteres cinematográficos eram contratados como "operadores de câmera". A mutreta patronal reduzia os salários dos profissionais e permitia burlar os direitos previstos na legislação trabalhista.

Pela sentença do MTB, divulgada nesta terça-feira, a Band deverá pagar R$ 300 mil em indenização por danos morais. O valor será destinado ao Fundo do Ministério Público do Trabalho. Para o órgão, a emissora utilizava "mão-de-obra de forma fraudulenta, mediante a contratação de jornalista como pessoa jurídica e os coibindo de questionarem essa situação perante o Sindicato de classe e o MPT, sob pena de demissão". O MTB ainda determinou a imediata "regularização dos contratos trabalhistas da emissora com seus funcionários. Caso a mesma prática volte a ocorrer, a Band receberá multa diária de R$ 10 mil por cada nova "fraude" ou por novos "assédios morais".

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Pesquisas estaduais dão Dilma 52,4% e Aécio 29,7%

Pesquisômetro estadual: Dilma 52,4% e Aécio 29,7% dos votos válidos
Diversos institutos têm feito pesquisas para governador, senador e presidente da República. Elas já abrangem 24 estados. Ainda não há disponíveis apenas para Amapá, Roraima e Tocantins.

As pesquisas estaduais têm amostra maior de entrevistados e podem ser mais realistas que as nacionais.

Por isso, decidimos compilar os votos válidos (excluídos indecisos, brancos e nulos) de várias pesquisas estaduais para presidente da República. Consideramos as pesquisas mais recentes do Ibope para Alagoas, Bahia , Ceará, Goiás, Mato grosso do sul, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Rondônia, Rio Grande do sul, Santa Catarina e São Paulo. Datatempo: Minas Gerais.Veritá: Distrito Federal e Paraná. Alvo: Pará. Souza Lopes: Paraíba. Voz Populi: Acre e Sergipe. Gerp: Rio de Janeiro. Mauricio de Nassau: Pernambuco. Jales: Piauí. Action: Amazonas

Dilma tem 52,45%, Aécio 29,7% e Eduardo Campos 10,7%. Deste modo, por margem estreita, a eleição seria decida no primeiro turno.

A presidenta Dilma tem maior potencial de voto nas regiões Norte e Nordeste, como vem ocorrendo nas últimas eleições. Este percentual é menor nas regiões Centro-oeste e Sudeste, mas com percentual que a fazem altos.

A tabela abaixo mostra a distribuição por votos válidos nas diversas regiões brasileiras.

Região Dilma Aécio Eduardo PrEveraldo Outros
N 59,73% 25,25% 11,71% 2,29% 1,02%
NE 65,56% 14,27% 15,47% 3,04% 1,64%
CO 42,69% 35,81% 9,95% 5,93% 5,62%
SE 45,43% 37,97% 7,88% 3,28% 5,45%
S 50,04% 31,35% 9,34% 3,28% 4,36%
Brasil 52,45% 29,73% 10,70% 3,32% 3,81%

No momento, de acordo com as pesquisas divulgadas, Aécio venceria em apenas três estados da federação: Minas Gerais, Espirito Santo e Distrito Federal.

No Nordeste, Dilma teria quase 11,5 milhões de votos a mais que Aécio e no Norte mais de 1,8 milhões. Na região Sul, a diferença seria de quase 2 milhões, no Centro-Oeste, de 390 mil votos. Já na região Sudeste, Dilma teria 2,6 milhões de votos a mais.

Observamos algumas alterações importantes, como a ampla frente de Dilma no maior estado da região Sul, Rio Grande do Sul, por mais de 1,4 milhões de votos.

Ainda de acordo com o cenários dos institutos de pesquisas, Dilma ganharia hoje em seis estados que perdeu para Serra em 2010: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Santa Catarina,Paraná, Rondônia  e Acre.

Em São Paulo, a presidente Dilma tem 30% e Aécio 25%, mas transformados em votos válidos, como aparece no dia da eleição, seriam 43% a 38%, devido à exclusão dos votos nulos e brancos. Este fato fez bater o desespero na campanha de Aécio e levá-la a fazer campanha para as pessoas votarem e, na sua lógica, garantir o segundo turno.

No Sul, destaca-se a ampla frente de Dilma no Rio Grande do Sul, por mais de 1,4 milhões de votos.

No Sudeste, Dilma perde por 68 mil votos no Espírito Santo e por 900 mil em Minas Gerais, mas ganha por aproximadamente 1,3 milhões em São Paulo e por 2,3 milhões de votos no Rio de Janeiro. Provavelmente, no Sudeste as diferenças serão pequenas para um ou outro candidato.

Veja a votação por votos válidos nos diversos estados da federação, antes do inicio do horário eleitoral:

UF Dilma Aécio Eduardo PrEveraldo Outros
AC 58,23% 21,52% 15,19% 3,80% 1,27%
AL 66,67% 10,26% 15,38% 3,85% 3,85%
AM 67,90% 16,05% 8,64% 6,17% 1,23%
BA 63,16% 19,74% 10,53% 3,95% 2,63%
CE 76,39% 11,11% 8,33% 4,17% 0,00%
DF 38,71% 48,39% 4,84% 4,84% 3,23%
ES 33,90% 38,98% 15,25% 5,08% 6,78%
GO 40,28% 33,33% 12,50% 6,94% 6,94%
MA 67,86% 17,86% 10,71% 2,38% 1,19%
MG 40,72% 49,64% 6,02% 2,41% 1,20%
MS 48,05% 32,47% 7,79% 5,19% 6,49%
MT 45,95% 33,78% 10,81% 5,41% 4,05%
PA 58,57% 28,57% 12,86% 0,00% 0,00%
PB 62,34% 16,88% 16,88% 1,30% 2,60%
PE 53,33% 5,33% 40,00% 1,33% 0,00%
PI 72,73% 14,77% 7,95% 2,27% 2,27%
PR 44,66% 38,62% 10,17% 3,10% 3,45%
RJ 61,76% 26,47% 7,35% 1,47% 2,94%
RN 69,86% 13,70% 10,96% 4,11% 1,37%
RS 54,32% 29,63% 8,64% 2,47% 4,94%
RO 48,75% 31,25% 11,25% 3,75% 5,00%
SC 48,44% 34,37% 12,50% 4,69% 0,00%
SE 63,75% 17,50% 10,00% 3,75% 5,00%
SP 42,86% 35,71% 8,57% 4,29% 8,57%

Estes dados mostram que a candidatura de Dilma pode ganhar no primeiro turno, visto que hoje há indicação de quase dois pontos e meio acima dos 50%.

Outra questão relevante é o fato de Dilma ter mais da metade do tempo de TV, o que pode ser fundamental para manter a dianteira e até ampliá-la.

Nesta semana, Datafolha e Ibope farão várias pesquisas nos Estados e este quadro poderá ter algumas alterações. Mas somente no início de setembro começaremos a ver os efeitos da propaganda veiculada em televisão e rádio.

Emílio Rodriguez Lopez
No Viomundo
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Alteração de perfil: Lula, Dilma, Petrobrás

Vamos falar de bullying ideológico? Não faltam clássicos do jornalismo meliante a incriminar Lula, sangrar o PT, indispor Dilma e a falir a Petrobrás.

Alteração de perfil: Picasso, Lula, Dilma e Petrobrás

Não se sabe ainda se foi um surto de megalomania ou de desespero.

Quem sabe as duas coisas juntas.

O fato é que jornalistas do maior oligopólio de comunicação do país, cujos perfis foram alterados na Wikipédia com uso do sinal de Wi-Fi do Planalto, declararam-se vítimas de uma política oficial de bullying ideológico.

Promovida pelo ‘governo do PT’.

Claro.

Não importa que a trama careça de lógica. Manchetes faiscantes selaram o enredo.

É preciso paciência. Vamos lá.

Personagens autoexplicativos, que vivem de reafirmar o que são, cujas assinaturas se confundem com um timbre do que representam, demandariam alguma conceituação adicional?

E do governo?

De um governo que investe a maior verba publicitária destinada à tevê justamente no grupo ao qual os dois ofendidos pertencem?

E o faz a contrapelo de uma audiência crepuscular dos beneficiados — atacaria assim?

Pela... Wikipédia?

De dentro do Planalto?

Carta Maior nasceu e se propõe a ser um espaço de reflexão da esquerda que não renuncia à interdependência entre socialismo e democracia.

Sua isenção consiste em produzir jornalismo — com modestíssimos recursos — a partir desse mirante histórico.

A opção não dispensa, ao contrário, pressupõe um ambiente de pluralidade informativa para afrontar o denso nevoeiro da crise civilizatória do nosso tempo, da qual o vale tudo do capitalismo é uma síntese robusta.

Os dias que correm demonstram: isso não é retórica.

Os referidos donos dos ‘perfis alterados’, no entanto, habitam um universo de comunicação isento de dúvidas. E avesso ao contraditório.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Essa é do Barão... 11


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Tribunal do DF cassa candidaturas de José Roberto Arruda e Jaqueline Roriz

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE) cassou nesta terça-feira (12), por 5 votos a 2, a candidatura de José Roberto Arruda (PR) ao governo do DF. O tribunal decidiu que ele está impedido de concorrer ao cargo porque foi condenado por improbidade administrativa por órgão colegiado, por participação no suposto esquema de corrupção conhecido por mensalão do DEM. Cabe recurso.

A defesa alega que o registro junto TRE foi feito em 5 de julho, antes da condenação pelo Tribunal de Justiça, ocorrida em 9 de julho. O advogado da coligação, José Eduardo Alckmin, disse que vai recorrer. Ele afirmou que a campanha continua normalmente.

O TRE também julgou procedente a impugnação de candidatura da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN), que tenta a reeleição. Segundo o tribunal, a condenação dela por improbidade administrativa por órgão colegiado, por participação no suposto esquema de corrupção conhecido por mensalão do DEM, é critério para impedir a candidatura. Cabe recurso.
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