12 de ago de 2014

Eduardo Campos no jornal nacional




Ficou sem resposta a melhor pergunta feita a Eduardo Campos em sua maratona na Globo

Eduardo Campos teve uma maratona na Globo nestes dias.

Primeiro foi entrevistado no G1, e depois no Jornal Nacional.

Seu aeroporto, ficou claro, é o nepotismo. É ampla a lista de parentes de Campos em cargos públicos em Pernambuco.

Ele manobrou também para que sua mãe fosse eleita para o Tribunal de Contas da União.

Nova política?

Bem, ele disse no Jornal Nacional que não se sente constrangido com a questão do nepotismo.

Nisso, se diferenciou de Aécio, que tergiversou e não respondeu se se sentia constrangido com o aeroporto de Cláudio.

O capítulo de nepotismo na biografia de Campos está devidamente documentado, e provavelmente será lembrado por adversários na campanha eleitoral.

Quer dizer, caso ele alce vôo como candidato, o que é ainda uma incógnita.

Mas, de suas sessões nas Organizações Globo, a melhor pergunta não veio nem de Bonner, nem de Patrícia Poeta e nem de nenhum jornalista do G1.

Veio da voz rouca das ruas.

Um internauta, no G1, fez a pergunta que todo mundo gostaria de fazer para Eduardo Campos.

Ei-la.

Por que Marina não saiu candidata à presidência, já que as chances dela de ir para o segundo turno seriam muito maiores?

Clap, clap, clap para o internauta. De pé.

Se Campos estivesse interessado mesmo em mudar o Brasil, e não em se autopromover, ele teria tido um gesto exemplar de desprendimento e cedido a cabeça da chapa a Marina.

Mas não.

Ele a confinou a um papel subalterno. Vice no Brasil não é nada. Ninguém liga para vice, e isso fica claro quando se observam os esquálidos índices de intenção de voto de Eduardo Campos.

Marina não transferiu nada a Campos até aqui, e as chances de que isso se altere parecem mínimas. A cada momento se cristaliza, mais uma vez, a polarização PT-PSDB, e Campos surge aí como um quase anão.

Eduardo Campos não respondeu à pergunta do internauta arguto.

Esquivou-se no meio de um palavrório pré-fabricado que fugiu da questão.

Como Aécio, Campos lembra Maluf na cara de pau com que finge responder a perguntas incômodas sem entrar no mérito delas.

E ele não respondeu por uma razão.

Seu projeto para o Brasil é, essencialmente, ele mesmo.

Nem menos e não mais que isso.

Paulo Nogueira
No DCM
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“Negros”, “índios” e “coisas desse tipo”

Esse é o candidato de Aecioporto ao Governo de MG, também conhecido como Turista da Veiga


Pimenta da Veiga, candidato do Aécio, classifica “negros” e “índios” como “coisas desse tipo”.

Ouça.


No CAf
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“Saúde” do senador Aécio vai de mal a pior

As médicas cubanas Maribel Morera Saborit e Maribel Hernandez, em Melgaço (PA), município que tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil
Aécio demonstra total desconhecimento sobre saúde pública. Sua visão é precária, preconceituosa e retrocede em 40 anos da luta pela reforma sanitária. Com Aécio, fica fortalecida a indústria da doença.

Aparte ao senador.

O senador Aécio Neves desistiu de se licenciar do Senado. O bloco parlamentar Minas Sem Censura se mantém, portanto, em sua atribuição e prerrogativa institucionais de debater as ações do senador para o Brasil e sua incidência nas Minas Gerais.

No dia 5 de agosto, Aécio falou na sede regional da Associação Médica Brasileira, na capital federal, sobre suas ideias para a saúde. Vale lembrar algumas:

Ele disse que vai criar a “carreira nacional” dos médicos (que é diferente da Carreira de Estado e para todas as profissões); também declarou que não renovará o convênio com a OPAS (Organização Pan-americana da Saúde) e que a presença dos médicos cubanos tem “data de validade”, três anos. Segundo ele, se permanecerem estrangeiros no Brasil, isso seria uma política “lateral”;  disse ainda que os profissionais da área (de saúde) é que serão os responsáveis pela execução das políticas públicas de saúde.  (O que quer dizer isso, mesmo?).

O senador tucano jogou 40 anos de história do movimento da reforma sanitária brasileira no lixo. Um movimento supra e extra partidário, que unificou visões ideológicas distintas, aproximou profissionais de diversas áreas em equipes multidisciplinares, que atraiu usuários para a construção de propostas da “reforma” e foi descartado pelo senador, em face de sua postura oportunista ao tentar agradar médicos de direita.

O movimento pela reforma sanitária no Brasil é referência internacional e tem sido objeto de estudos em todas as universidades e instituições de pesquisa no mundo. O SUS, ainda com lacunas, é resultado desse esforço plurideológico, e é recomendado pela Organização Mundial da Saúde como “modelo” a ser seguido nos países pobres e nos em desenvolvimento, além de ser — setorialmente — exemplar até mesmo nos países mais desenvolvidos.

E o que fez Aécio com seu discurso na AMB:

Retrocedeu aos tempos das divisões entre médicos, de um lado, e outras categorias da saúde, de outro. Perspectivar carreira para profissionais de saúde é coisa necessária e séria. Essa menção à “carreira nacional” de médicos só mostra sua ignorância no assunto; retrocedeu também aos tempos em que a atenção básica era desprezada, em nome da apologia à especialização; insinuou a ampliação de espaço à indústria da doença (laboratórios farmacêuticos e fábricas de equipamentos de exames de imagem etc); e arrumou uma briga preconceituosa e ideológica contra o “Mais Médicos” por causa dos profissionais cubanos aqui presentes.

Centenas de fóruns, pelo país inteiro, com a participação de milhares de profissionais, gestores e usuários, que construíram normas constitucionais, leis, decretos, portarias etc, além de já executarem, na ponta, boa parte das políticas públicas de saúde, foram, solenemente, desprezadas pelo senador tucano. É,  “Saúde” do senador vai de mal a pior. Ele quer o retrocesso! Ele sabe que o que dá lucro é a indústria da doença e não a promoção da saúde.

Sinceramente, desejamos melhoras ao senador.

Minas Sem Censura
No Viomundo
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Governo de Minas quer calar educadores para que não se conheça o que fez contra a educação


Desde 2008, os trabalhadores em educação da rede estadual lutam pelo pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional. Mas, a luta vai além da questão salarial. Em todas as pautas de reivindicações demandas de acesso, permanência e qualidade da educação foram apresentadas ao governo mineiro.

Desde que o modelo do choque de gestão foi feito no Estado, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) acompanhou as políticas públicas da educação (ou a sua ausência), os programas de governo e os indicadores de qualidade. Estudos feitos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), relatórios do Tribunal de Contas do Estado, e mesmo as publicações oficiais do governo denunciam uma realidade diferente das peças publicitárias veiculadas no Estado.

Há anos, o Sindicato denuncia as precárias condições de trabalho do professor e dos educadores em Minas Gerais, a falta de estrutura física das escolas, a falta de vagas na educação básica, a destruição da profissão docente no Estado. Em 2014, o comportamento da entidade não foi diferente. Apresentou a pauta de reivindicações com demandas relacionadas à educação de qualidade, acesso e permanência na escola.

O governo estadual, a exemplo de anos anteriores, ignorou os problemas das escolas estaduais e seus educadores. Também, a exemplo de anos anteriores, o Sind-UTE/MG denunciou os problemas. Mas a denúncia da realidade, que não cita nenhum nome de candidato, incomodou a coligação encabeçada pelo PSDB que, em dois dias, já tentou impedir, por três vezes, a veiculação da campanha de informação da realidade das escolas estaduais.

A tentativa de censurar os trabalhadores em educação demonstra a forma como fomos tratados nos últimos anos: a mordaça como pedagogia do medo enquanto se destrói a escola pública mineira.

Na campanha de informação, conforme divulgamos a seguir, não falamos nenhuma novidade.

Acompanhe o que o governo de Minas fez contra a educação mineira

· Não dá autonomia para os professores avaliarem o processo de aprendizagem dos alunos, impondo a aprovação automática

· Manipula as informações sobre qualidade da educação, divulgando apenas o Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (IDEB). Outros indicadores que apontam os problemas não são repassados à população

· O programa Fica Vivo não diminuiu a violência. A taxa de homicídio em Minas aumentou 80% de 2001 a 2011. Nossos jovens estão morrendo!

· Os programas do Governo são apenas para propaganda, não atingem a maioria dos municípios mineiros. O Poupança Jovem, por exemplo, atende apenas nove municípios

· Faltam 1.010.491 de vagas no Ensino Médio

· Somente 35% das crianças mineiras conseguem vaga na Educação Infantil

· Não tem nenhuma política preventiva sobre violência nas escolas. Professores são agredidos, alunos assassinados e nada é feito

· Não paga o Piso Salarial Profissional Nacional aos profissionais do Magistério, conforme determinado pela Lei Federal 11.738/08 e decisão do Supremo Tribunal Federal (STF)

· Efetivou, sem concurso, mais de 98 mil servidores, colocando estas pessoas numa situação de fragilidade jurídica

· Congelou a carreira de todos os trabalhadores em educação até dezembro de 2015

· Não cumpre acordos que assina

· Acabou com o Fundo de Previdência dos Servidores Estaduais (Funpemg), que já tinha capitalizado mais de R$3 bilhões para aposentadoria dos servidores.

Mas parece que o que incomodou foi a possibilidade da população ser lembrada sobre os problemas da escola, durante o período eleitoral. Qual o medo? Vamos fazer o debate público sobre a realidade da educação mineira? Porque a censura é o instrumento de uma ditadura, não de um Estado democrático.

Quem quer ser gestor tem que aprender a conviver com quem pensa diferente.

Beatriz Cerqueira, presidenta da CUT/MG e coordenadora-geral do Sind-UTE/MG
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ONS alerta: Alckmin pode causar colapso no Rio


Comandado por Hermes Chipp, o Operador Nacional do Sistema Elétrico, um órgão federal, emitiu nesta terça-feira uma dura nota contra a Cesp e o governo de São Paulo; de acordo com o ONS, a decisão da Cesp de reduzir a vazão da usina de Jaguari, no interior do Estado, pode levar ao "colapso no abastecimento de água" de diversos municípios do Rio de Janeiro e de São Paulo; reservatórios Paraíbuna, Santa Branca e Funil podem secar; ONS informou que Cesp está descumprindo ordens e sofrerá multa pesada se persistir; caso é inédito; guerra da água cresce; leia a íntegra da nota

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Aécioporto se esborracha na pista do jn

jn simula imparcialidade e tira o chão do menino do Rio.





Para simular imparcialidade, para se vestir de “republicanismo”, como diz o Aécioporto, o jn fez perguntas óbvias, na cabeça de qualquer repórter medianamente sério, mas, no caso do jn, perguntas implacáveis ao candidato da Big House.

E foi um desastre ferroviário, como diria o Mino Carta, que nunca acessou sua biografia na Wikipédia…

Vamos começar pela “linguagem do corpo”.

Aécioporto trajava aquela barba das 5 horas, que destruiu o Richard Nixon, contra o Kennedy, no primeiro dos debates presidenciais dos Estados Unidos.

Como se sabe, cavalheiros fazem barba duas vezes por dia…

Aécioporto cometeu a indelicadeza de ignorar os entrevistadores e responder direto à câmera — e não para eles.

(Antigamente, na Globo, os entrevistados eram instruídos a olhar para a câmera quando respondiam. Depois, Armando Nogueira se convenceu de que isso era uma grosseria com seus repórteres e suspendeu a recomendação. O espectador percebe que o entrevistado ignora a presença dos entrevistadores e acha isso indelicado.)

O rapaz gagueja. Imperdoável.

E podia cortar o cabelo, para mostrar, de novo, respeito ao espectador.

Ele não está no Leblon, numa noite de sexta-feira, mas em campanha à Presidência.

Agora, o conteúdo.

Um desastre ainda maior.

O mais grave: não se arrepender, e tentar justificar o aeroporto do Titio, e os pousos para usufruir das delícias de sua Versailles (o que demonstra que ele não faz a menor ideia do que seja kitchnete e banheiro que Luis XIV construiu em seu sítio …)

O resto, como diria seu admirador e chefe de campanha, o Padim Pade Cerra, foi trololó.

Não se aproveitam nem as vírgulas.

Ele não tem o que dizer.

Não oferece uma única razão para se votar nele.

Muito bom foi dizer que a diferença entre o mensalão (que não se provou, até hoje) atribuído ao PT e o mensalão tucano (o pai de todos os mensalões) é que no caso do PT houve condenações.

(Clique aqui para ver a extravagante explicação da Urubóloga sobre o papel “lateral” de Daniel Dantas no mensalão.)

E as “medidas impopulares”, que ele prometeu na casa do João Dória, aquele que apresenta ricos a candidatos e candidatos a ricos?

Ele diz que vai tomar as medidas necessárias.

Que bom!

Imagine se tomasse as “desnecessárias”…

E que haverá “previsibilidade” na fixação de tarifas de energia e gasolina.

Assim como havia no Governo de seu padrinho, o Farol de Alexandria, que suspendeu o aumento da gasolina porque o Cerra mandou.

“Previsibilidade”, “transparência” querem dizer qualquer coisa — mas os ricos entendem: eu vou saber antes!

Especialmente os juros do Banco Central!

No tempo do Armínio NauFraga, ministro da Fazenda do Aécioporto, os banqueiros eram convidados a ir ao Banco Central conversar sobre a próxima taxa de juros — assim eu também quero, não é isso, amigo navegante ?

Até o Globo Overseas, na versão impressa, que é mais realista que o rei (a Globo), se viu constrangido e escondeu, na primeira página, que o seu candidato se esborrachou na pista de Claudio.

Faltam 8 dias para a Globo destruir a Dilma.

Depois, começa o horário eleitoral gratuito que o Ataulfo Merval acha tão desimportante que deveria sugerir ao Aécio abrir mão do seu para não prejudicar a novela das oito.

O Aecioporto vai ter menos votos que o Padim Pade Cerra em 2010.

O Dudu, que será entrevistado” nessa terça-feira, terá menos votos que a Bláblárina.

Os dois serão trucidados por si próprios — nos debates e na campanha.

Porque não tem nada a declarar.

E a Dilma vai ganhar no primeiro turno, como dizem o Datafalha e o Globope: 40, contra 20 e 8.

(Embora o Fernando Brito esteja convencido de que o Dudu terá uns 5, se tanto.)


Aí, o Ataulfo rasga o fardão!

Paulo Henrique Amorim
No CAf
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A manipulação da Globo

Ou como divulgar boas notícias de forma negativa:


 Sobre a criação de empregos 



 Sobre a queda da inflação 



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Chauí critica ensino 'tecnocrático' e responsabiliza governo de SP por crise da USP

Em aula magna para discutir a crise da instituição e a greve de trabalhadores, filósofa afirma que 'universidade voltada ao mercado é dirigida como montadora de automóveis ou rede de supermercados'

Marilena aponta a privatização dos direitos sociais, por FHC,
como principal razão para a crise do ensino público de SP
Daniel Garcia
A filósofa Marilena Chauí afirmou na últma sexta-feira (8), em aula magna sobre a greve de funcionários e professores da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital paulista, que a crise financeira e administrativa da universidade é resultado da "metamorfose da instituição social pública em organização operacional". Na visão de Marilena, este tem sido o principal objetivo do governo do estado, administrado pelo PSDB há 20 anos. A professora criticou os governos tucanos ininterruptos e lembrou que lideranças do partido, originado em uma dissidência do PMDB, já governavam o estado há muito.

“Comecemos com a entrada deles no poder no governo Franco Montoro (PMDB), seguido por Orestes Quércia (PMDB), Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB), Mário Covas (PSDB), José Serra (PSDB) e Chuchu Beleza [Alckmin]. Eles estão aí faz 30 anos! Eu quero alternância de governo! É claro que eu quero, porque, no que diz respeito a nós, vamos ver o que foi que foi feito da educação do estado nestes 30 anos.”

A greve de funcionários e professores da USP já dura 73 dias. No domingo (3), as ocupações realizadas pelo movimento enfrentaram a reintegração de posse de áreas como o restaurante universitário, institutos de ensino e o Centro de Práticas Esportivas (Cepe USP) pela Polícia Militar. O reitor, Marco Antonio Zago, anunciou nesta semana o corte de ponto de trabalhadores grevistas.

Segundo Marilena, a crise na universidade começou a ser gestada ainda nos anos 1970, quando a USP abandonou o modelo de instituição social humanista, inserida no universo político e voltada à comunidade, e passou a assumir uma formação rápida e voltada ao mercado de trabalho. Um boom de parcerias da universidade pública com o mundo empresarial na década de 1980 e a expansão de instituições de ensino privadas consolidaram, nas décadas seguintes, um modelo de administração neoliberal. Nele, a USP tem status de organização administrativa que, com gestão de recursos e índices de produtividade, busca estratégias de desempenho e eficácia e se articula com outras instituições públicas de ensino superior por meio da competição.

"O modelo tecnocrático de gestão voltado à sociedade de mercado dirige a universidade da mesma forma que administra uma montadora de automóveis ou uma rede de supermercados. USP, Volks, Walmart, Vale do Rio Doce são todas administradas da mesma maneira, porque tudo se equivale", explicou a filósofa.

O aumento de horas-aula, a diminuição do tempo para mestrados e doutorados, a avaliação de estudantes e docentes por meio da quantidade de publicações, colóquios e congressos realizados e a multiplicação de cursos voltados à formação técnica são, para Marilena, evidências de que a formação da universidade é regida por normas alheias ao conhecimento, e que contribuem para a degradação interna e pública da USP.

A professora ainda aponta a privatização de direitos sociais — estabelecidos pela Constituição de 1988 — por governos neoliberais, como o de Fernando Henrique Cardoso (PSDB, 1995-2002), como uma das principais razões para privatização e crise do ensino público. "Os direitos sociais como saúde, educação, liberdade de expressão, religiosa e sexual foram transformados em serviços não exclusivos do Estado, que podem ser vendidos e comprados, pelo ideal neoliberal do Estado mínimo."

As mudanças no sistema de gestão da USP se deram, de fato, em 1996, quando o estado de São Paulo, governado por Mario Covas (PSDB, 1995-2001), adotou a agenda de mudanças no ensino público recomendada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a reestruturação das universidades da América Latina e do Caribe. O tratado federal havia sido assinado em 1994, por Itamar Franco, e passava a tomar corpo pelos governos estaduais. De acordo com Marilena, as normas do BID para financiamento aplicavam ao ensino superior os mesmos critérios utilizados em qualquer outro investimento: custo-benefício, eficácia e produtividade. As universidades privadas são indicadas pelo banco como modelo para as instituições públicas.

"As universidades privadas, além de serem prestadoras de serviços a governos democráticos, são ágeis em termos evolutivos, adaptam-se a ambientes conflitantes e fazem muito do que as universidades públicas paquidérmicas, excessivamente politizadas, nunca fizeram ou nunca conseguem fazer ao longo do tempo. Nós vivemos em um mercado competitivo, é assim que pensam as universidades privadas e, por isso, ganham o seu próprio dinheiro e regem-se de forma autônoma", diz o documento.

O texto do BID é, na visão da filósofa, o que rege, até hoje, a atuação do governo tucano na administração da educação pública do estado de São Paulo. Marilena ainda citou que os termos de gestão operacional estão evidenciados em uma carta da reitoria enviada aos docentes da USP em 21 de julho. Nela, Zago afirma buscar "um novo modelo de gestão compartilhada, de modernização e de priorização da vida acadêmica", além de reforçar que o "comprometimento orçamentário está muito acima dos recursos disponíveis".

"A autonomia universitária que o governo do estado de São Paulo busca nada tem a ver com o sentido sociopolítico de universalização do conhecimento voltado à sociedade. Ela está ligada à gestão de receitas e despesas, metas, indicadores de desempenho e contratos de gestão", reforça a filósofa.

Malú Damázio
No RBA
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Destruir a universidade

A Universidade de São Paulo está em greve desde o fim de maio. Se lembrarmos que no final do ano passado ela também estava em greve, chegaremos a duas longas greves em menos de um ano. Ou seja, vivemos em situação constante de crise.

Além de formar 92 mil alunos, a USP representa 25% de toda a pesquisa produzida pelo Brasil. Como sabemos que não há desenvolvimento sem criatividade e tecnologia, não haverá futuro para o Brasil sem passar pela discussão aprofundada sobre qual o destino de sua principal universidade e centro de pesquisa. No entanto, em pleno ano eleitoral, a última coisa da qual os candidatos a governo do Estado falam é sobre a crise das universidades paulistas.

A USP passa por uma situação bastante conhecida de todo brasileiro: uma instituição administrada de forma opaca que, no momento de modernizar-se, luta com todas suas forças para preservar seus arcaísmos. Agora, há um embate a respeito da natureza deste arcaísmo. Nosso reitor tem usado seu tempo para ir a imprensa e falar de regimes de trabalho arcaicos, profissionais acomodados, máquinas administrativas inchadas, entre outros. Para o cidadão, fica a parecer que a universidade tem atualmente um deficit de R$ 1 bilhão porque ela sustenta uma classe de funcionários semi-ociosa e atrasada.

No entanto, talvez seja mais correto afirmar que estamos em franco declínio porque somos administrados por pessoas que não se responsabilizam pelos seus próprios fracassos. Nossa atual reitoria fez parte da antiga reitoria, a mesma que deixou como legado a conhecida catástrofe orçamentária. Mas, em meio a um processo de construções de prédios sem recursos, abertura de escritórios de representação em Cingapura, Boston, Londres e gasto irresponsável do dinheiro público com projetos agora abandonados, tudo o que nossa burocracia universitária responde atualmente é: "Eu não sabia". Ou seja, ninguém sabia, ninguém viu. Pobre dinheiro público, administrado de tal forma.

Em qualquer lugar do mundo, isso levaria a sociedade a se perguntar sobre se nossa administração universitária é, de fato, adequada para os desafios que o Brasil se deu, se não seria o caso de repensar radicalmente a maneira com que nossas universidades são administradas, modernizá-las ouvindo sua comunidade e reformar nossas instituições. Ou seja, a sociedade poderia conhecer os modelos de administração universitária em outras partes do mundo e se perguntar porque o nosso não é adotado por praticamente ninguém. Mas aqui, por enquanto, só temos silêncio, cortes de pontos de funcionários e um governo do Estado que produziu a crise (pois impôs o reitor responsável por ela) e se finge de morto.

Vladimir Safatle
No SQN
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Médico é flagrado tirando "selfie" enquanto a emergência estava cheia de pacientes

GDF apura caso de médico flagrado tirando 'selfies' durante plantão lotado


A Secretaria de Saúde do Distrito Federal abriu sindicância para apurar o caso de um médico do Hospital Regional de Planaltina flagrado tirando "selfies" (autorretratos) durante o plantão da noite de sábado (2) enquanto pacientes do pronto-socorro aguardavam para serem atendidos. O G1 não conseguiu contato com o médico até a publicação desta reportagem. O médico chegou a acessar a mensagem da reportagem nesta sexta-feira, mas não retornou.

Uma paciente que levou a mãe doente para a unidade disse que, cansada de esperar, foi procurar o médico de plantão e viu, por uma vidraça, o profissional sentado em uma sala tirando autorretratos.

"Eu fui ao hospital com minha mãe, que estava com pressão arterial muito alta. Quando nos aproximamos, ele saiu do consultório e foi para a sala da recepção. Como ela passava muito mal, eu fui atrás dele e vi que ele estava tirando fotos tranquilamente enquanto nós aguardávamos na fila", disse a jovem, que não quis se identificar.

Indignada, ela resolveu procurar a chefia do hospital, que disse que não tinha autoridade para obrigar o médico a atender. Meia hora depois, a mãe foi atendida. "Ele nem olhou o raio X direito. No sábado retrasado fui com minha mãe e o médico disse que ela estava com pneumonia. Levamos o papel do médico, mas em nenhum momento ele olhou. Ele simplesmente disse que ela não estava com pneumonia e mandou suspender o remédio.".


No Jornalismo Alternativo
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Até Skaf zoa de Alckmin

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Retrato do futebol brasileiro


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A morte de Robin Williams e o mistério da imensa tristeza dos grandes comediantes


A morte de Robin Williams aos 63 anos num aparente suicídio em sua casa na Califórnia levanta um velho mistério: por que comediantes são, em geral — em geral — tão tristes?

Williams, um tipo versátil, capaz de improvisar em velocidade notável (Jim Carrey deve muito a ele), lidava com a depressão há décadas.

Em 2006, deu entrada num rehab para se tratar da dependência de álcool. Dois anos depois, sua mulher Marsha Garces, mãe de dois de seus filhos (são três ao todo), pediu o divórcio. Em 2009, foi parar no hospital com dores no peito, onde se submeteu a uma cirurgia de emergência.

No mês passado, em sua batalha pela sobriedade, voltou a frequentar uma clínica. Falava abertamente de seu antigo vício em cocaína. O auge foi no início da carreira, quando fazia uma sitcom chamada “Mork & Mindy”.

Ele dizia que o pó era um jeito de “se esconder” e que o ajudava a desacelerar, ao contrário do efeito para as outras pessoas. Em 1982, após a morte do colega John Belushi por overdose, ficou limpo por algum tempo. O fato de a primeira mulher estar grávida ajudou.

Nunca parou totalmente de se intoxicar. Teve uma recaída forte na bebida quando perdeu o amigo Christopher Reeve. “Você se sente com medo. E você acha que isso vai resolver. E não resolve”, disse para o Guardian. Medo de quê? “De tudo. É geral. Medo e ansiedade”.

“Na primeira semana [bebendo] você mente para si mesmo e diz que para quando quiser e seu corpo responde falando ‘não, pare mais tarde’. E então se passam três anos, e finalmente você para”.

O humorista inglês Kenneth Williams comparava seu ofício ao de um toureiro. “É terrível. Você conta uma piada — e ela não gera uma boa reação. Você conta outra — a mesma coisa. Se a seguinte não dá certo, você entra em pânico. A comédia é um mundo maravilho, mas muito perigoso. Pode destruir sua alma”.

Williams se matou com uma superdose de barbitúricos aos 62 anos. A última anotação de seu diário dizia o seguinte: “Oh, qual o sentido disso tudo?” (“Oh, what’s the bloody point?”)

A lista de grandes humoristas neuróticos é longa e vai de Groucho Marx a Woody Allen, passando pelo citado Belushi. O gênio Peter Sellers — um sujeito violento e imprevisível — disse, certa vez, que era inútil pedir-lhe que interpretasse o papel dele mesmo. “Eu não saberia o que fazer. Eu não sei quem ou o que eu sou. Eu não sou o Peter Sellers real. Eu sou apenas o boneco de plástico”.

Robin Williams estourou como o DJ de “Bom Dia Vietnã”, num desempenho incrível num filme idem. Vestiu-se de mulher em “Uma Babá Quase Perfeita”. Saía-se bem nos dramas. Foi indicado ao Oscar como o professor libertário de “Sociedade dos Poetas Mortos” (responsável pela proliferação mundial de tatuagens com o maldito dístico Carpe Diem).

Ganhou finalmente o Oscar de coadjuvante por “Gênio Indomável”, em que interpreta o terapeuta de Matt Damon. Esteve surpreendente como o assassino de “Insônia” e como o maluco que cuida de uma loja de revelação de fotos em “Retratos de Uma Obsessão”.

Emprestou a voz para algumas animações. Nos últimos anos, fez um punhado de coisas absolutamente esquecíveis. Mas, ei, o homem tinha crédito. A sequencia em que ele imita enlouquecido a coreografia de várias artistas em “Gaiola das Loucas” — “Martha Graham, Martha Graham” — é sozinha um atestado de seu talento gigantesco.

Ele contava uma piada. Um cara vai ao médico. Confessa que está deprimido, se sente sozinho e não consegue parar de chorar.

“Sabe a melhor coisa que você pode fazer?”, começa o médico. “Vá ao circo e veja o grande palhaço. Ele fará você rir e você vai se sentir melhor”.

“Mas, doutor”, diz o paciente. “Eu sou o palhaço”.


Kiko Nogueira
No DCM
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Justiça de SP decide afastar Robson Marinho do TCE

Ele
Suspeito de receber propina da Alstom deixará cargo após 6 anos de investigação

Para juíza, indícios não permitem que ex-secretário de governo do PSDB continue na função de conselheiro

Após seis anos de investigação, a Justiça determinou o afastamento de Robson Marinho do cargo de conselheiro do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) em razão da suspeita de que ele tenha recebido propina da multinacional francesa Alstom.

A juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi, da 13ª Vara da Fazenda Pública da capital, concedeu medida liminar para tirar imediatamente Marinho do posto após o Ministério Público apontar que ele ajudou a Alstom a conseguir um contrato sem licitação com estatais do setor de energia de São Paulo em 1998, no governo de Mário Covas (PSDB).

Marinho é o acusado mais graduado no caso Alstom. Ele foi um dos fundadores do PSDB e foi o principal secretário de Covas de janeiro de 1995 a abril de 1997, ao ocupar a chefia da Casa Civil. Ele deixou o governo para assumir o cargo no TCE.

A defesa de Marinho apresentou manifestação na qual rebate as acusações da Promotoria, mas a magistrada considerou que os argumentos não derrubam as provas vindas da Suíça e da França sobre as movimentações do conselheiro no exterior.

Provas suíças

A Suíça, que investigou a Alstom porque um banco daquele país foi usado para a distribuição do suborno, bloqueou uma conta atribuída a Marinho naquele país. Em julho de 2013, o saldo dela era de US$ 3 milhões (R$ 6,7 milhões, atualmente).

O conselheiro sempre negou ter conta na Suíça e refuta acusação de que tenha beneficiado a Alstom.

A Folha revelou no último dia 16 que Marinho usou empresas em dois paraísos fiscais para tentar ocultar que era o dono dessa conta.

Os suíços enviaram até o cartão com a assinatura de Marinho no dia da abertura da conta, em 10 de março de 1998. A mulher de Marinho também assina o cartão.

Para a juíza, os indícios contra o conselheiro não permitem que ele continue no cargo, cuja função é zelar pelas contas públicas.

Cabe recurso contra a liminar ao Tribunal de Justiça.

Uma das principais provas apresentadas pelo Ministério Público no caso é uma comunicação interna da Alstom obtida por autoridades francesas e suíças e enviada à Promotoria por meio de cooperação jurídica internacional.

O manuscrito com data de outubro de 1997 trata da negociação de um contrato com as estatais Eletropaulo e EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia).

A explicação sobre um dos valores diz o seguinte: "Trata-se da remuneração para o poder político existente. Ela está sendo negociada via um ex-secretário do governador (R.M.)". A partir de depoimentos de ex-diretores da Alstom, a promotoria diz que "R.M." é Robson Marinho.

Segundo papel encontrado por autoridades estrangeiras, a propina serviria para cobrir "as finanças do partido", "o Tribunal de Contas" e "a Secretaria de Energia".

O contrato mencionado na nota foi fechado seis meses depois, em abril de 1998, sem licitação, por R$ 281 milhões, em valores atualizados.

Em janeiro deste ano, a Folha revelou um depoimento de um ex-diretor do grupo Alstom à Justiça da Suíça, no qual ele admitiu que a multinacional pagou propinas a agentes públicos brasileiros.

A soma dos subornos corresponde a 15% do valor do contrato, segundo o executivo, o que equivale a R$ 27,15 milhões, em valor corrente.

Flávio Ferreira | Mario Cesar Carvalho
No fAlha
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Eleitor formaliza denúncia contra o noticiário desequilibrado do Jornal Nacional


Ilmo(a) Sr.(a),
Sua manifestação foi cadastrada com sucesso!
Numero da manifestação: 62413
Data da manifestação: 10/08/2014

Descrição:

Douto Ministério Público Federal,

A Rede Globo de Televisão no ano de de 2014, ano de eleições gerais, conforme pesquisa do Manchetômetro, que é um website de acompanhamento diário da cobertura das eleições de 2014 na grande mídia, especificamente nos jornais Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S. Paulo, e no Jornal Nacional, da TV Globo e produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP), grupo de pesquisas com registro no CNPq, sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), instituição sem qualquer filiação partidária ou com grupo econômico, vem produzindo de forma sistemática noticiário amplamente desfavorável, tendencioso eleitoralmente, partidário e desequilibrado em desfavor do Partido dos Trabalhadores e da candidata à reeleição à Presidência da República Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores em seu jornal diário televisivo denominado Jornal Nacional, de grande alcance por todo o país e capaz de influenciar eleitoralmente a opinião de parcelas majoritárias dos brasileiros, em todos os rincões do país, um função de sua audiência.

Como o espectro eletromagnético de transmissão televisiva pela CF/88 é de propriedade da União, quero dizer público, podendo ser concedido pela União à iniciativa privada, como é o caso da Rede Globo de Televisão, a sua regulação, mesmo sob concessão, deve seguir os parâmetros legais vigentes para todo serviço público sob concessão ou não, quais sejam, o da supremacia do interesse público, da transparência, do controle e como as agências reguladoras que deveriam exercer a fiscalização, controle e, sobretudo, o poder regulador incidente sobre serviços delegados a terceiros não têm se mostrado competentes para coibir o uso evidentemente partidário do Jornal Nacional da Rede Globo, cuja evidência se encontra na pesquisa supra mencionada que vem sendo realizada pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP), grupo de pesquisas com registro no CNPq, sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), venho em nome da minha prerrogativa sagrada pela CF/88 (Direito de petição), como cidadão solicitar que o MPF atue neste caso, salvo melhor juízo, de flagrante violação da legislação das concessões públicas no espectro eletromagnético que pertence à totalidade dos cidadãos, sendo portanto Rés Publica e não domínio privado, procedimento que adotado pela Rede Globo de Televisão no seu Jornal Nacional, pode influenciar a opinião e a consciência do eleitor brasileiro em um ano de intensa disputa eleitoral e democrática. Não é possível que tamanha disparidade na orientação dos noticiários possa ser entendida como algo normal, haja vista a pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e ainda mais em um ano eleitoral.

Também venho por intermédio desta petição ao Douto MPF solicitar a notificação do MPE (Ministério Público Eleitoral) em âmbito federal, bem como à ANATEL e ao Ministério das Comunicações.

Certo de que as providências legais ao caso relatado serão tomadas sem demora, tendo em vista a celeridade do processo eleitoral, instruo a presente manifestação com o link do site Manchetômetro, que tem causado alvoroço nas redes sociais e já é de domínio e conhecimento de centenas de milhares de brasileiros eleitores.


Sobre o Jornal Nacional no Manchetômetro:
http://www.manchetometro.com.br/analises/jornal-nacional/

São Paulo, 10 de agosto de 2014.

Osvaldo Ferreira

Solicitação:


Que o MPF apure mediante as provas juntadas, desvio de função da Rede Globo de Televisão, como concessionária do espectro eletromagnético nas transmissões televisivas em desfavor de um partido político, “in casu” o PT, Partido dos Trabalhadores, justamente em um ano eleitoral.


Demais informações serão encaminhadas para seu endereço de e-mail.


Para consultar o andamento da manifestação, favor acessar a página eletrônica do MPF, opção Ouvidoria do MPF, consultar andamento, e inserir o número da manifestaçãoo e de seu documento (CPF ou CNPJ).

Atenciosamente,
Ouvidoria do MPF – Sistema Cidadão

Ministério Público Federal
Obs.: Não responda a este e-mail. Mensagens encaminhadas/respondidas para o endereço eletrônico do remetente serão desconsideradas.
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A tecnologia a serviço da ignorância

Dois temas que, esta semana, acrescentaram ainda mais dúvidas sobre a nossa cada vez maior dependência da tecnologia da comunicação. É a chamada "faca de dois legumes": quanto mais uso internet e telefones espertos para "facilitar" a minha vida, mais alienado posso me tornar, mais me afasto da realidade, mais imbecil posso ficar? Parece que sim.

Veja dois exemplos recentes:

1 - menino de 11 anos ultrapassa a barreira de segurança do zoo e vai brincar junto à jaula do tigre, fazer carinho na fera. O pai, uma anta que deveria estar ele sim numa jaula, vê, mas nada faz. E as pessoas que a tudo assistem e que poderiam fazer alguma coisa, fazem sim: filmam a cena com seus celulares.

Ou seja, o ser humano moderno tende a enxergar a realidade apenas como uma possibilidade de compartilhamento virtual; a realidade só existe para que eu possa existir nas redes sociais, é isto.

Salvar o menino não resultaria em nenhum "curtir" ou compartilhamento, não vou perder tempo com isto!

Mas o filminho do menino brincando com o tigre e sendo atacado pela fera na rede, ah, isto sim aumenta meu número de seguidores...

Na internet as cenas são realmente impressionantes e mereceram milhares de "likes".

Já na vida real, o menino teve seu braço amputado...

2 - Um disputado restaurante de Nova York constatou que as reclamações de seus clientes aumentaram muito nos últimos tempos. A frequência continuava boa, a comida aparentemente ainda agradava, mas muita gente passou a reclamar do atendimento, do tempo de espera, da qualidade do serviço.

Os donos do restaurante recorreram a uma consultoria para resolver o problema. Como o estabelecimento possui diversas câmeras de vigilância interna, a consultoria resolveu pegar um filme de anos atrás e comparar um atual para ver se encontrava alguma coisa errada. E encontrou.

No vídeo antigo, as pessoas chegavam, eram recebidas pelo recepcionista, encaminhados para a área de espera (quando era o caso), recebiam drinques, minutos depois eram chamados à mesa, faziam seus pedidos, comiam, pediam a conta, pagavam e iam embora. Tempo médio de permanência no local: 1h.

No vídeo recente, a maior parte dos clientes já chegava ao restaurante com o celular em punho. Antes mesmo de falar com o recepcionista, digitavam, tiravam fotos, postavam nas redes sociais sua localização e coisas do gênero.

Quando eram chamados à mesa, alguns ainda permaneciam no mesmo local, porque estavam muito ocupados digitando seus posts. Já sentados, em vez de olhar o cardápio e escolher, mais posts, mais fotos, mais tec-tec-tec, os quais continuavam enquanto os pratos não chegavam.

Quando a comida estava à mesa, antes de desfrutar de suas qualidades gastronômicas reais, de degustar seus ingredientes, aproveitar o bom da vida, mais fotos dos pratos, dos próprios e os dos companheiros, fotos dos amigos com os pratos, pedidos aos garçons para tirar fotos deles, dos amigos e dos pratos, e por aí vai.

Ao longo da refeição, esta era interrompida a todo instante para que o cliente pudesse, claro, postar mais uma coisa ou outra, quem sabe uma avaliação online e em tempo real das qualidade do bife que estava comendo.

Ao fim do regabofe, antes de pedir sobremesa, café ou conta, mais posts, mais fotos, mais cliques.

Conta finalmente paga, mais uns posts antes de levantar e ceder o lugar para quem estava esperando (ou postando fotos...) na entrada do restaurante.

Conclusão: desde o surgimento dos smart (!) phones, o tempo de permanência médio no restaurante praticamente dobrou, passou de 1h para 1h55.

Ou seja, os responsáveis pela "piora" do atendimento eram na verdade os próprios clientes, que em vez de apenas desfrutar uma boa refeição, viajavam na realidade paralela para a qual a tecnologia frequentemente nos arrasta.

Talvez os clientes nem lembrem do que comeram. Mas tudo bem, não é mesmo?, afinal está tudo postado, à espera de um "like"...

Luis Caversan
No SQN
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Desculpas de Israel ridicularizam vira-latas brasileiros


Depois que o próprio Reuven Riulin, o novo presidente de Israel, telefonou para Dilma Rousseff para pedir desculpas, não custa recordar a reação dos adversários do governo brasileiro, que há duas semanas se alinharam com o porta-voz da chancelaria israelense que definiu o Brasil como “anão diplomático.”

Em poucas horas o Brasil foi inundado por vídeos, artigos e comentários de ar grave, palavras duras e retórica pedante, de grande utilidade para encobrir uma postura típica de vira-latas.

Falou-se que era uma definição com “incrível precisão” de nossa diplomacia. Mesmo quem admitiu que a postura do governo brasileiro diante dos ataques do Exército Israelense a Gaza podia estar certa, justificou o “anão diplomático” porque o Itamaraty carece “de credibilidade mesmo quando faz declarações corretas.”

O telefonema de Riulin mostra com precisão realmente incrível o ridículo dessa reação. Para azar de quem levou o “anão diplomático” a sério, a atitude do presidente de Israel deixa claro que era uma definição menor, de um funcionário sem qualificação para emitir conceitos em nome do governo, alguma coisa que se poderia chamar de “gafe” — o que torna ainda mais curioso que tenha sido aceita e divulgada com tanta facilidade.

Riulin deixou claro pelo gesto que o Brasil está longe de desempenhar um papel desprezível na diplomacia do século XXI, para infelicidade daqueles que enxergam o mundo pelo olhar da inferioridade e da submissão.

Mais realistas do que o Rei a quem pretendem servir — estou falando da direita republicana dos EUA, que sustenta Israel de qualquer maneira —, procurando qualquer pretexto para bater no governo Dilma, eles se alinharam com Yigal Palmor, que fala em nome do chanceler Avigdor Lieberman, a mais acabada expressão do fascismo na política israelense.

Principal adversário de toda iniciativa de paz, Lieberman defende a manutenção e ampliação de assentamentos em territórios palestinos. Sustenta uma política de discriminação em relação a população árabe que reside em Israel. Chegou a apresentar um projeto pelo qual ela só teria direito a voto, por exemplo, se fizesse um “juramento de lealdade” ao estado judeu.

Foi desse mundo obscuro, vergonhoso e inaceitável, sem o menor compromisso com a democracia nem com a soberania dos povos, que veio o termo “anão”.

Não é surpreendente que ele tenha sido abraçado por aliados da oposição, capazes de afagar até adversários externos que — mesmo se estivessem corretos em seu ponto de vista — não tinham o direito de faltar com consideração por autoridades legitimamente autorizadas a falar em nome do povo brasileiro. O desrespeito e a agressividade são chocantes, mas não chegam a ser novidade neste repertório.

Fazem parte da tentativa de desmoralizar adversários que não se consegue derrotar democraticamente. Tenta-se corroer sua legitimidade ao partilhar um tratamento grosseiro, chulo, que, a seus olhos, tem mais valor porque vem do estrangeiro.

Convém não esquecer que, há quatro anos, esse mesmo pessoal alinhou-se aos mesmos senhores externos condenar Luiz Inácio Lula da Silva em sua tentativa de construir um acordo de paz com o Irã de Mahmoud Ahmadinejad.

A viagem de Lula havia sido autorizada e até certo ponto estimulada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que enfrenta tensões com a atual política de Israel, tão radical e extrema que pode tornar-se prejudicial aos interesses norte-americanos.

Mesmo assim, os vira-latas não perdoaram.

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Bomba! O áudio da Urubóloga sobre Dantas

Urubologa sobre Dantas: ele foi “um financiador lateral” do mensalão


Lateral?, Míriam?

Lateral ou meio-campista, ou artilheiro?

Clique aqui para ler “será que ela defendeu o Dantas?”

Sergio Figueiredo foi o amigo navegante que nos enviou essa preciosidade sobre tema que abala as estruturas da Civilização Ocidental: a violação na Wikepédia das “biografias” da Urubóloga e do 'Ataulfo Merval', aquele analista político da Embaixada Americana:


No Conversa Afiada
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Essa é do Barão... 10


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Aécio não explicou o inexplicável no Jornal Nacional


O aeroporto de Cláudio é um inferno na vida de Aécio.

Foi o que se viu hoje, mais uma vez, na entrevista que ele concedeu ao Jornal Nacional.

Aécio não tem explicação porque ela, simplesmente, não existe. O aeroporto foi um uso abjeto de dinheiro público para benefícios privados da família.

Ele se agarra desesperadamente à desculpa de que seu erro foi ter usado um aeroporto não homologado pela ANAC, a agência que regula a vida área nacional.

E aproveita para dizer que a ANAC foi incompetente ao demorar para a homologação porque está “aparelhada” pelo PT.

Não, não e ainda não.

O problema não é burocrático, e sim ético e moral. Aécio usou o aeroporto de Cláudio porque facilita substancialmente suas viagens para seu “Palácio de Versalhes”. É como ele se refere à sua fazenda em Cláudio, a 6 km do aeroporto.

Não é só isso. Existe também o ponto da valorização das terras da região por conta do aeroporto.

Isso beneficia Aécio diretamente, e a sua família.

Ele invoca em sua defesa a desapropriação litigiosa de parte da fazenda do tio para a construção do aeroporto.

O tio quer mais na justiça do que Minas deseja pagar. Na fala treinada de Aécio, o tio aparece quase como uma vítima.

Mas um momento. E a valorização do restante da fazenda?

Bonner perguntou isso, no melhor momento da entrevista do Jornal Nacional.

Aécio tergiversou. Respondeu com a metragem da fazenda: 30 alqueires. Ora, 30 alqueires podem valer x ou, alguns x, caso um benefício como um aeroporto irrompa na região.

Aécio também sofreu para responder a uma pergunta de Patrícia Poeta sobre o desenvolvimento social de Minas.

O IDH de Minas é o pior do Sudeste. Era o oitavo do Brasil, e agora é o nono.

E então, onde os avanços sociais tão trombeteados?

Nova tergiversação.

Aécio falou, como sempre tem falado, no suposto avanço em educação.

Agora que os brasileiros vão conhecendo-o melhor, vai ficando clara a semelhança entre ele e Maluf na compulsão cínica em responder a perguntas de uma forma peculiar em que você vai falando coisas que nada têm a ver com a questão.

Aécio tem agradecido aos entrevistadores quando indagam sobre o aeroporto. Fez isso na sabatina do G1 e voltou a fazer no Jornal Nacional.

Mas é um agradecimento tão fajuto quanto suas explicações para a aberração que é o aeroporto de Cláudio.

Paulo Nogueira
No DCM
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