11 de ago de 2014

Aécio foi um desastre na entrevista do Jornal Nacional




O candidato Aécio Neves foi o primeiro entrevistado do Jornal Nacional. Por incrível que pareça a entrevista foi séria e teve perguntas na medida da conjuntura. O único erro de Willian Bonner foi fazer questões muito longas. Mas isso não comprometeu. Por ter sido uma entrevista séria, Aécio teve um desempenho ridículo.

O candidato, por exemplo, agradeceu a Willian Bonner pela pergunta sobre o aeroporto de Cláudio, mas se enrolou inteiro e não conseguiu explicar se um aeroporto ao lado de sua fazenda não valorizaria a área.

Disse que o povo da região sabe da importância do, segundo ele, aeródromo, mas não falou porque ele fica fechado com cadeado.

Patrícia Poeta lhe perguntou se ele não questiona a ação dos governos petistas na área social, por que então mudar. E o candidato disse que porque quem havia feito tudo na verdade era o PSDB. Até a apresentadora deu uma risadinha.

Bonner falou que era estranho ele destacar tanto as ações sociais que tinha feito nos seus governos se Minas Gerais era nona colocada no IDH. E Aécio falou que iria fazer um governo ético e sério.

Bonner disse que especialistas atribuem as melhorias na saúde de Minas a investimentos do governo federal e de municípios. Muito mais do que do governo estadual. Aécio disse que esteve recentemente com um especialista da área de saúde que elogiou seu governo na área. Mas não deu nomes

Poeta perguntou sobre Eduardo Azeredo e Aécio disse que ele ainda não havia sido julgado. Como se o PSDB não tivesse transformado Genoíno e Zé Dirceu em bandidos antes mesmo do julgamento.

Talvez Aécio não esperasse uma entrevista com um nível razoável de seriedade. E surpreendido pelas perguntas, teve um desempenho bizarro.

Quanto mais aparece, Aécio demonstra mais fragilidades. É um candidato fraco. Se Eduardo Campos tivesse um pouco mais de força partidária, seria ele o adversário de Dilma. E não o mineiro. Que cada vez mais se mostra um filho de papai, criado na política pelo avô e que mão se furta de dar uma força pro titio utilizando-se de suas atribuições de governador.

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Cidade do aécioporto tinha refino de pó


É preciso investigar melhor isso. Afinal, Claudio fica muito próximo de local onde o helicóptero com meia tonelada de cocaína, pertencente ao senador Perrella, amigo de Aécio, fez uma parada.

E o primo de Aécio Neves, Tancredo Tolentino, foi preso, junto com um desembargador nomeado por Aécio, por vender liminares para tirar traficantes de droga da prisão.

Os parentes de Aécio, segundo a reportagem da Folha, ficavam com a chave do aecioporto.

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Acho inclusive que vale a pena republicar um trecho da reportagem da Folha que trouxe à baila a história do aécioporto:

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Os Tolentino são parentes em primeiro grau de Aécio Neves.

Detalhe da notícia reproduzida abaixo: ninguém foi preso…

* * *

Publicado no G1, em 22/11/2013.

Polícia fecha laboratório de refino de drogas em Cláudio, MG

Cocaína e maconha foram encontradas em casa abandonada.

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Materiais apreendidos no laboratório
(Foto: Polícia Militar / Divulgação)
Ocorrência foi no Distrito de Monsenhor João Alexandre; ninguém foi preso.

Do G1 Centro-Oeste de Minas

Um laboratório de refino de drogas foi desarticulado na noite desta quinta-feira (21) em Cláudio. De acordo com informações da Polícia Militar (PM), após denúncia anônima os militares foram até o local, que funcionava em uma casa abandonada no Distrito de Monsenhor João Alexandre. Lá foram apreendidos três balanças de precisão, embalagens com produtos químicos utilizados para o refino de drogas, 200g de pasta base de cocaína e aproximadamente 500g de maconha prensada.

Não tinha ninguém no local, mas populares contaram à polícia que havia uma movimentação estranha no imóvel, que foi alugado por duas pessoas há poucos dias. Todo material apreendido foi encaminhado para a delegacia. Os suspeitos foram identificados e estão sendo investigados. Segundo a PM, um deles é conhecido no meio polícial pela prática de crimes de tráfico de drogas e assaltos.

Miguel do Rosário
No O Cafezinho
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Queda da inflação desmoraliza os urubólogos


Miriam Leitão e Carlos Aberto Sardenberg não devem estar chateados somente com as alterações nos seus perfis no Wikipédia. Há muito tempo eles garantem na Rede Globo — uma propriedade cruzada que inclui jornal, revista, telejornais e outros veículos — que a inflação no país vai explodir. Juraram que esta hecatombe ocorreria em 2011, em 2012, em 2013 e, com certeza absoluta, em 2014. Nesta sexta-feira (8), porém, o IBGE divulgou a inflação do mês de julho, que atingiu o menor patamar dos últimos quatro anos e não estourou o absurdo teto da meta fixado pelo Banco Central (6,5% ao ano). Depois os dois famosos “analistas do mercado” ainda reclamam de algumas verdades descritas no Wikipédia.

A informação oficial, que desmoraliza novamente os “urubólogos” da mídia rentista, não virou manchete nos jornalões e nem foi destaque nos telejornais. Segundo o IBGE, o IPCA subiu apenas 0,01% em julho, diante de 0,4% em junho. Esta queda não ocorria desde julho de 2010. Entre as causas da redução, estão os preços dos hotéis e das passagens aéreas que despencaram após o término da Copa. Como já era previsto, também houve queda, pelo segundo mês consecutivo, dos preços dos alimentos. Esta notícia positiva, porém, não inibe os “analistas de mercado” — nome fictício dos porta-vozes dos agiotas. Eles seguem exigindo medidas duras contra a inflação, mesmo que isto signifique recessão e desemprego.

Na prática, a oligarquia rentista, com a ajuda da mídia, faz terrorismo para forçar o governo a elevar os juros, cortar os gastos sociais e ampliar a libertinagem financeira. Num primeiro momento, a presidenta Dilma Rousseff até enfrentou esta gritaria dos banqueiros, adotando medidas de ampliação do crédito ao consumo e de restrição à especulação. Durante vários meses, o Banco Central também reduziu a taxa básica de juros, a Selic, que baixou para 7,25% ao ano. Diante do agravamento da crise internacional e da pressão da ditadura financeira, porém, o governo recuou e voltou a elevar os juros — agora em 11%. O resultado foi a redução do consumo, a queda da produção e a diminuição na geração de emprego.

Em junho último, por exemplo, o emprego industrial caiu 3,1% na comparação com junho do ano passado — a 33ª queda consecutiva e a retração mais intensa desde novembro de 2009. Segundo o IBGE, também foram verificadas perdas no número de horas pagas e no valor real da folha de pagamento na passagem do primeiro para o segundo trimestre. “No ano, o indicador relativo ao número de horas pagas pela indústria acumula queda de 2,9%. Em 12 meses, a retração é de 2,3%. Comparando o resultado de junho com igual mês de 2013, o IBGE revelou que as taxas foram negativas em todos os 14 locais pesquisados e em 16 dos 18 ramos pesquisados”, descreve o jornal Estadão.

Estes dados preocupantes decorrem, principalmente, do recrudescimento da política monetária ortodoxa de elevação da taxa de juros. Mesmo assim, os agiotas financeiros, a mídia rentista e os neoliberais de plantão — como Aécio Neves, o cambaleante presidenciável tucano — exigem a adoção imediata de “medidas impopulares”. Os mesmos “calunistas” da velha imprensa, que juraram que a inflação iria explodir, voltam à carga para criticar a “estagflação” e para exigir a volta do famoso “tripé neoliberal” — juros altos, superávit primário e libertinagem cambial. Diante deste cenário, parece puro factoide político, com objetivos eleitoreiros, todo o escarcéu sobre as alterações em alguns perfis do Wikipédia.

Altamiro Borges
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A Wikfarsa e a verdadeira ameaça à democracia

O que ameaça a democracia é a capacidade de um veículo de comunicação transformar algo irrelevante em um suposto escândalo nacional.

O episódio da alteração dos perfis de Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na plataforma colaborativa Wikipédia tem tudo para entrar para a história do jornalismo brasileiro como uma das mais grosseiras e levianas tentativas de manipulação da informação e de criação de factóides, com evidente motivação político-eleitoral. Porém, o mais importante no caso é compreendermos que, ao contrário do que sustentam as supostas "vítimas", não é a edição de seus perfis o que ameaça a democracia, mas sim a capacidade de um veículo de comunicação transformar algo irrelevante em "escândalo" nacional.

A repercussão desproporcional do caso em alguns veículos de imprensa só pode ser explicada pelo contexto eleitoral, onde percebe-se, claramente, a dificuldade dos candidatos oposicionistas em viabilizarem-se, apesar de todo esforço empreendido pelos monopólios de comunicação e pelo setor financeiro. Trata-se de uma das mais inusitadas — e surpreendentes — tentativas de desgaste do atual governo já realizadas pelos grandes veículos de mídia. Seria risível, se não fosse preocupante.

Até o mundo mineral sabe que não há qualquer controle sobre as edições realizadas na Wikipédia e que é muito difícil rastrear toda a rede que serve ao Palácio do Planalto, portanto, é muito provável que o "responsável" pela edição dos perfis jamais seja encontrado. Logo, nunca saberemos o que, de fato, ocorreu.

Talvez isso explique a desfaçatez de Míriam Leitão ao afirmar, em artigo publicado em O Globo, que "alguém deu ordem para que isso fosse executado" e que isso faz parte de"uma política". Fazer afirmações dessa natureza é tão leviano quanto afirmar que a própria jornalista teria feito as alterações, apenas para ganhar notoriedade. Simplesmente não há como provar uma coisa nem outra.

Há muitas questões a serem levantadas no episódio. Por hora, pode-se afirmar qualquer coisa e levantar suspeitas sobre qualquer um! E, a propósito, cabe suscitar algumas questões: Por que tendo sido feita há meses, a edição só foi "denunciada" agora? E por que não supor que um jornalista qualquer, em visita ao Palácio, possa ter feito o "serviço"? Além disso, qual "crime" mesmo teria sido cometido? Alteração de uma plataforma aberta virou crime no Brasil? Afirmar que um jornalista "faz previsões desastrosas" é caluniar alguém? E por que O Globo dedica mais espaço a esse tema do que ao Aeroporto construído na Fazenda do Tio de Aécio? São apenas algumas dúvidas bem pertinentes sobre o caso. Poderíamos estender a lista.

Mas o que, realmente preocupa no caso, é a tentativa de transformar um episódio banal em um escândalo com proporções nacionais. Isso sim é uma ameaça à democracia. Pois, se um veículo de comunicação pode pôr em risco a credibilidade de nossas Instituições democráticas apenas por que um de seus funcionários teve seu perfil alterado numa plataforma que busca, exatamente, a interferência e a colaboração de seus usuários, então temos um risco evidente ao processo democrático. Se essa farsa for bem sucedida — e tiver algum tipo de influência sobre as eleições — não haverá mais limites à manipulação da informação no Brasil. É o retorno ao debate editado de 1989. E isso em plena Era da internet!

Não é razoável que pautas verdadeiramente relevantes para o país sejam ofuscadas por uma sórdida tentativa de manipulação e interferência no processo eleitoral de um grupo de mídia privado. Menos, ainda, é razoável que um veículo de comunicação pretenda impor a uma nação de mais de 190 milhões de cidadãos um debate inócuo sobre um "escândalo" que não passa de uma piada de mau gosto.

Por fim, fica a expectativa de que o episódio acabe como apenas mais uma anedota das disputas eleitorais no Brasil, a exemplo da bolinha de papel de José Serra em 2010. Caso contrário, é melhor estar preparado para a emergência de um Poder absoluto no país, sob a tutela dos monopólios da informação. E como qualquer poder absoluto, este também representará uma séria ameaça à democracia.

Vinicius Wu, secretário-geral do governo do Rio Grande do Sul e coordenador do Gabinete Digital.
No Carta Maior
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Os novos guardas da esquina

A interceptação telefônica virou regra, não se cumpre o exigido e o previsto na lei de regência. Tornou-se norma de aplicação automática


"É fácil trocar as palavras, difícil é interpretar os silêncios! É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar" (Fernando Pessoa)

Sou de uma época em que se dizia que deveríamos nos preocupar com o "guarda da esquina". Esse conceito se popularizou com o episódio ocorrido em 1968, quando o então vice-presidente, Pedro Aleixo, ao questionar os termos do AI-5, ponderou ao presidente Costa e Silva: "Presidente, o problema de uma lei assim não é o senhor nem os que com o senhor governam o país. O problema é o guarda da esquina".

Hoje estamos pior do que antes, o guarda da esquina continua a nos preocupar e nós temos a figura execrável do "tira hermeneuta". Tenho alertado que a principal figura do processo penal brasileiro hoje é o que chamo, em homenagem ao grande advogado Luis Guilherme Vieira, de tira hermeneuta. É aquele policial que "analisa" e "interpreta" as escutas telefônicas.

Na luta contra o crime organizado é claro que as interceptações telefônicas são um grande instrumento de investigação, às vezes, essenciais. Mas só às vezes. Daí a excepcionalidade de que se revestem as autorizações judiciais de escuta, apesar da quantidade absurda, ilegal e inconstitucional de grampos que observamos no cotidiano da advocacia.

A interceptação virou regra, não se cumpre o exigido e previsto na lei de regência. Ao contrário, tornou-se norma de aplicação automática, ao que parece. Mas o pior é que nem sequer se cumpre o rito legal de ampla defesa para que se possa aferir o que de fato foi objeto de escuta. Não se permite, na maioria das vezes, o acesso pleno às gravações, não se faz a necessária degravação para que possamos sair da armadilha do resumo feito pelos tiras hermeneutas.

Eles escutam as gravações por horas, dias, semanas, meses, anos e, no dia a dia, fazem resumos do que pensam que ouviram e do que julgam ter entendido. Todos estamos sujeitos a essas interpretações. Prisões são pedidas, vidas são violentamente expostas na mídia, ações penais são propostas, enfim, vários institutos incorporados à vida civilizada são desprezados no cotidiano das interceptações telefônicas.

Os princípios da presunção de inocência, da privacidade, do devido processo legal, da ampla defesa são solenemente ignorados.

Poderia mencionar vários exemplos do meu cotidiano na advocacia, mas prefiro escolher um em especial, justamente um caso em que não advogo: o da professora de filosofia Camila Jourdan, que ganhou destaque na mídia após ter sido acusada como suposta líder de uma "quadrilha armada" responsável por ações violentas em protestos, segundo investigação da polícia carioca que, a partir da interpretação de uma escuta telefônica, concluiu que o filósofo russo Mikhail Bakunin, mestre teórico da anarquia, seria um agitador, um subversivo, alguém a ser investigado, segundo compreendeu um tira hermeneuta.

É humilhante ver o estado de ignorância do Estado responsável pela investigação. O tira não tem a obrigação de conhecer Bakunin, mas a estrutura acusatória do Estado tem, sim, a obrigação de fazer esse filtro antes de lançar acusações. Ficamos submetidos ao arbítrio, à ignorância, à má-fé, à violência.

Enfim, dá até para citar Bakunin, é uma anarquia! Mas não nos termos propostos por ele, pois aí já seria querer muito deste Estado autoritário e invasivo.

Só quero lembrar que num país de grampos sem freios e sem medidas, sem controle razoável pelo Judiciário, quando se grampeia alguém, não se escuta só o próprio investigado, mas todos aqueles que conversaram com ele, pessoas quaisquer de casa, do escritório, do celular. E todos, indistintamente, serão objeto da interpretação de um tira hermeneuta.

É claro que esses que nos investigam de forma indevida não têm noção do mal que fazem à democracia. É como dizia Bakunin: "Não há nada tão estúpido quanto a inteligência orgulhosa de si mesmo".

ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, o Kakay, 57, é advogado criminalista 
No fAlha
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A hora do acerto: as doações de campanha


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O 'caneta' Petrobras da Veja


Cobrada por ter editado a fita sobre a suposta farsa na CPI da Petrobras, a revista Veja publicou, neste fim de semana, a íntegra das imagens de uma reunião ocorrida da empresa; ao que tudo indica, o dono da caneta espiã é o advogado Bruno Ferreira; é ele quem, nos momentos mais importantes da gravação, tenta induzir seus superiores a indicar a suposta trama denunciada pela revista; perícia contratada pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS) contestou edição das imagens; em entrevista, o ministro Ricardo Berzoini classificou o escândalo como "cortina de fumaça" para encobrir o que chamou de "aécioporto"; internamente, na Petrobras, o caso foi classificado como "molecagem"

A direção da Petrobras já tem praticamente a convicção formada sobre quem utilizou uma caneta espiã para filmar uma reunião interna da empresa e repassar as imagens, em tom de escândalo, para a revista Veja. Trata-se, ao que tudo indica, do advogado Bruno Ferreira.

As provas foram fornecidas pela própria revista Veja, que, nesta semana, decidiu publicar a íntegra da fita. Veja se viu forçada a publicar as imagens completas depois que uma reportagem do 247 contestou a sua edição parcial. Uma perícia realizada por um dos principais institutos do Mato Grosso do Sul, a pedido do senador Delcídio Amaral (PT-MS), demonstrava inconsistência nos diálogos divulgados pela revista.

Nas imagens, o advogado Bruno Ferreira, em diversas ocasiões, tenta induzir seu superior, o chefe do jurídico da Petrobras, José Eduardo Barrocas, a confirmar algum tipo de armação. É ele, por exemplo, quem tenta, em vários trechos, demonstrar alguma proteção ao ex-diretor Nestor Cerveró.

Assista aqui a íntegra da reunião:



E confira também aqui as imagens antes divulgadas pela revista:



Na edição da semana passada, os trechos em que Bruno Ferreira tenta induzir respostas foram suprimidos, o que parece ter sido uma tentativa da publicação de proteger sua fonte.

Nesta semana, a revista volta a falar em “farsa”, mas a tese não é corroborada pelas imagens, nem pelos áudios. A denúncia, classificada pelo jornalista Janio de Freitas como "escândalo da banalidade", tende a cair no vazio. Segundo o ministro Ricardo Berzoini, foi publicada apenas para criar uma "cortina de fumaça" destinada a encobrir o que chamou de "aécioporto".

Internamente, na Petrobras, o caso foi classificado como "molecagem".

No 247
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Aécio, o “escândalo da Wikipédia” e a “posição independente” da imprensa mineira

Ele não sabia.
O chamado “Escândalo da Wikipédia” provocou a indignação de Aécio Neves, que classificou a coisa toda como demonstração de “autoritarismo do governo federal”.

Aécio foi muito mais rápido em responder sobre os adendos aos verbetes de Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg do que em dar uma satisfação sobre o aeroporto construído no terreno de seu tio em Cláudio — de resto, alvo de operações da PF por ser um pólo de tráfico de drogas, com o envolvimento de seu primo Tancredo Tolentino.

“Eles acham que tudo pode e que são donos da história do país e, agora, da biografia de jornalistas e das pessoas. Eu sou grande vítima desta ação inescrupulosa de setores do governo que buscam alterar a biografia de pessoas que têm posição independente”, afirmou. “Senão está na hora dela [Dilma] mudar slogan de seu governo de um ‘Brasil para todos’ para Brasil de ‘eu não sabia de nada’.”

Seria surpreendente se ele não dissesse algo nesse teor, ok. Mas espera um pouco.

Durante sua gestão, Aécio e sua turma promoveram um arrasa-quarteirão na imprensa mineira. “Posição independente” não é sua especialidade.

Em seu mandato, denúncias foram asfixiadas ou publicadas de maneira tímida, na mais gentil das hipóteses. Não existe crítica na terra de Aécio. Matérias envolvendo amigos e aliados, como os Perrellas, também são apuradas até que um telefonema mande parar. Deu no que deu.

O documentarista Marcelo Baeta reuniu alguns desses casos em “Liberdade, Essa Palavra”, dividido em duas partes no YouTube.

Um exemplo eloquente da prática democrática de Aécio é contado por Marco Nascimento, ex-diretor da Globo em Minas. Marco fala como foi a produção de uma reportagem sobre o tráfico de crack em Lagoinha, bairro de Belo Horizonte.

A matéria foi ao ar no Jornal Nacional. Num primeiro momento, Marco se encontrou com a zelosa Andréa Neves, que se queixou de que aquilo vinha “num mau momento”. De acordo com Marco, ela ligou também para a direção da Globo.

Marco acabou sendo demitido. O mesmo aconteceu com um editor que ousou dar uma nota no “Estado de Minas” sobre uma pesquisa de popularidade em que Aécio aparecia em antepenúltimo lugar entre os governadores.

E, veja, só, com um cronista esportivo que fez uma reportagem “incômoda” sobre Wanderley Luxemburgo no Cruzeiro — presidido por, adivinhe quem, Zezé Perrella. A reportagem foi ao ar no governo Itamar Franco. Zezé, para ser justo, avisou o jornalista que, assim que Aécio assumisse, ele estaria na rua.

Batata. Mas isso não tem nada a ver com autoritarismo, ação inescrupulosa — e ele não sabia de nada, é claro que não.


Kiko Nogueira
No DCM
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Turista da Veiga - Rodomoças, helicópteros e muita falta de noção


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A Wikipédia e as lembranças de Stanislaw Ponte Preta

Cronista, radialista, escritor e compositor de sucesso, Sérgio Porto (1923-1968) escrevia sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta.

Para satirizar declarações, comportamentos e posturas dos políticos, além de notícias publicadas pela imprensa, Porto criou o genial FEBEAPA - Festival de Besteiras que Assola o País.

Se vivo fosse, Stanislaw certamente incluiria as recentes não-notícias eleitoreiras da mídia monopolista no rol das grandes besteiras nacionais.

O caso da alteração dos dados dos jornalistas globais Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardemberg na Wikipédia, então, nem se fala.

Com certeza, ocuparia o topo do ranking das imbecilidades vendidas como escândalos políticos.

Para início de conversa, que relevância tem a Wikipédia? Quem busca nessa "enciclopédia livre e colaborativa" da internet informações para embasar pesquisas e trabalhos sérios não sabe o risco que corre, pois qualquer pessoa pode alterar seus conteúdos, sem nenhum controle ou filtro quanto à veracidade ou valor histórico das postagens. Mas a Wikipédia não esconde isso de ninguém. Ao contrário, deixa claro sua natureza colaborativa e aberta.

Examinemos mais detidamente o caso da alteração das informações sobre a jornalista Míriam Leitão, feita a partir de IPs do Palácio do Planalto, conforme "denúncia" de O Globo. Se a intenção clara não fosse passar para os incautos a impressão absurda de que a presidenta Dilma possa ter alguma coisa a ver com isso, o jornal teria esclarecido que centenas de funcionários trabalham no Palácio do Planalto, que milhares de pessoas o frequentam semanalmente e que o palácio possui rede de internet sem fio, o que permite a qualquer transeunte o acesso à rede mundial de computadores nas suas dependências, o mesmo ocorrendo, é claro, com todos os jornalistas credenciados que fazem a cobertura do palácio.

Outra conta que não fecha: o esperneio global veio com estranhíssimos quinze meses de atraso, já que as referidas alterações foram realizadas em maio de 2013. Será possível que durante todo esse tempo nem O Globo nem Míriam Leitão tenham percebido a inclusão de novos dados na enciclopédia? É evidente que  tinham conhecimento, mas optaram por usá-la como mais uma arma do arsenal estocado para a guerra eleitoral que travam contra a reeleição da presidenta Dilma.

E a reação de Míriam Leitão não poderia ser mais patética e previsível : "Veio ordem de cima". Repetindo seus patrões, ela enxerga o episódio como parte de uma campanha contra a liberdade de imprensa no Brasil. Pausa para a risada, como diz o Paulo Nogueira. No Brasil, nunca se teve tanta liberdade de imprensa como nos dias de hoje. Inclusive para a produção de lixos jornalísticos como O Globo, Folha, Estadão e Veja. O que falta, isto sim, é um novo marco regulatório para a radiodifusão, única maneira de quebrar o atual monopólio midiático, respeitando a pluralidade e a diversidade da sociedade brasileira. Mas é essa outra história.

Penso que as falas do ministro Gilberto Carvalho, da secretaria geral da Presidência da República, classificando como "abominável" a modificação feita a partir de de um IP do Planalto, e da presidenta Dilma, que a considerou "inadmissível", foram exageradas e só contribuem para levar água para o moinho do factóide político criado pelo PIG. Revela também o medo desse governo de enfrentar a velha mídia. Bastaria que as autoridades pautassem seus comentários pela nota oficial do próprio governo, que no tom sóbrio adequado lamentou o epísódio, mas alertou para as dificuldades de se encontrar o autor ou os autores dessas inserções na Wikipédia.

A indignação de Míriam Leitão, de o Globo e de seus irmãos siameses na mídia são absolutamente desproporcionais ao que foi postado na enciclopédia da internet e só reforçam o que é público e notório: a imprensa corporativa brasileira se julga acima do bem e do mal e não aceita ser criticada.

Parece até que a jornalista foi vítima de um ataque à sua honra, ou de crime de injúria, calúnia e difamação. Nada disso. Escreveram apenas que suas previsões sobre economia são desastrosas e que ela é defensora do banqueiro Daniel Dantas. Bem, sobre suas previsões catastróficas para o Brasil, dá para cravar que o índice de acerto da jornalista multimídia é zero. Em relação ao banqueiro, sinceramente não lembro de tê-la ouvido saindo em sua defesa. Mas minha memória também não registra nenhuma crítica sua a Daniel Dantas.

Bepe Damasco
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O mito da inflação


Quando confrontados com a realidade (os preços não estão descontrolados), os conservadores dizem que os índices são manipulados

Sempre que aponto que a hiperinflação nos Estados Unidos prevista pelos suspeitos habituais nos últimos seis anos não se materializou, recebo uma série de comentários do tipo: sim, ocorreu, e simplesmente o governo mente sobre as estatísticas.

Uma resposta: as medições independentes, como o Índice do Bilhão de Preços, não mostram resultados muito diferentes do dado oficial. Mas aí apontam o preço mais alto de qualquer coisa como evidência de que temos muita inflação.

Não que eu pense que esses interlocutores podem ser demovidos, mas é importante perceber que os preços relativos sempre mudam, e que alguns inevitavelmente sobem mais que a média. Se você remontar ao início da Grande Recessão, os preços dos alimentos aumentaram mais que o índice de preços ao consumidor, mas os valores dos carros aumentaram mais lentamente (e as coisas tecnológicas ficaram muito mais baratas, é claro).

E o que dizer do Shadowstats, site que pretende fornecer medições reais de variáveis econômicas e afirma que a inflação é muito maior do que o governo admite? A assinatura custa 175 dólares, o mesmo preço de oito anos atrás.

James Pethokoukis, comentarista e blogueiro do Instituto Americano de Empresas, e Ramesh Ponnuru, colunista da Bloomberg, estão frustrados. Eles têm tentado converter os republicanos ao monetarismo de mercado, mas os intelectuais favoritos da direita continuam a recorrer a excentricidades sobre teorias conspiratórias da inflação. Três anos atrás, foi o professor de Harvard Niall Ferguson na Newsweek, ao citar o Shadowstats, uma fonte fraudulenta. Ferguson foi amplamente ridicularizado por conservadores moderados assim como por liberais... Mas lá vem Amity Shlaes, da National Review, com o mesmo argumento e baseado na mesma fonte.

A resposta é que a paranoia da inflação não é uma simples falta de compreensão que pode ser corrigida ao se indicarem as evidências. Está profundamente inserida na psique conservadora moderna. Segundo essa visão de mundo, a ação do governo deve, por definição, ter efeitos desastrosos. E qualquer coisa que os monetaristas do mercado tentem dizer, seus camaradas políticos continuarão a misturar política monetária com estímulo fiscal e o Obamacare. Então são sempre os anos 1970, se não Weimar, e, se os números disserem outra coisa, devem estar manipulados.

Assim, o monetarismo de mercado não vai a lugar nenhum, politicamente. Ele esteve conspicuamente ausente do livro de supostas novas ideias de Eric Cantor. E o próprio Cantor foi derrubado do Congresso por um randita (seguidor de Ayn Rand) baseado na fé (o que não faz sentido, mas o sentido também tem um conhecido viés liberal). Desculpem, rapazes, mas vocês não têm casa.

A boa notícia sobre a Lei de Acesso à Saúde não deveria ser considerada discutível. As inscrições realmente estão acima da meta. Diversas pesquisas independentes mostram queda acentuada da população não segurada, o aumento dos custos dos tratamentos de saúde realmente desacelerou drasticamente, seja qual for a razão, e os novos segurados estão em geral satisfeitos com sua cobertura.

Se você quiser insistir que haverá grandes problemas futuros, está bem (por favor, explique), mas os fatos até agora são bastante bons.

Entretanto, o que vejo — e o que se vê quando se sugere que as coisas vão bem — é uma enxurrada não só de desacordo, mas de fúria. As pessoas ficam rubras de raiva, praticamente a ponto de incoerência, diante da sugestão de que Obama não é um desastre.

O que é isso? Em parte pode ser a “síndrome de perturbação de Obama”. Fiquei chocado com a correspondência que recebi depois de minha última coluna no The New York Times, na qual leitores me acusaram de fazer propaganda para o presidente Obama e me recusar a admitir que ele é um desastre, quando a coluna apenas citou o cara. O Obamacare foi um rótulo colocado na Lei de Acesso à Saúde por seus adversários, para amarrar o presidente ao desastre que viria. Agora eles estão decepcionados porque ele e sua reputação estão se saindo bem.

Em parte pode ser o ódio geral por qualquer tipo de programa que ajude os menos afortunados, especialmente se eles forem... você sabe, não brancos.

E em parte, desconfio, por existir agora um elemento de vergonha. Se a coisa

realmente funciona, todo mundo que gritou que seria um desastre acaba por parecer muito idiota.

Às vezes a aparência não engana.

Paul Krugman
No CartaCapital
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Justiça à la carte

O episódio da soltura de dois indivíduos em São Paulo, até então comparados a perigosos terroristas, é um daqueles vexames difíceis de apagar.

Laudos mostraram que os supostos artefatos explosivos eram incapazes de acender uma fogueira de São João. Ainda assim, os acusados passaram 45 dias no xadrez satanizados de todos os modos possíveis.

Nada a favor de autointitulados "black blocs" e congêneres. Sua atuação, tenho certeza, só favorece adversários de manifestações e reivindicações legítimas. Fornecem munição a quem está sempre pronto a identificar democracia com baderna, demandas sociais com anarquia e os humildes com preguiçosos.

A extração social da liderança do pessoal encapuzado elimina dúvidas. Geralmente provém da classe média e se alimenta de um "sincretismo ideológico" que nada tem a ver com a história de lutas contra a exploração do homem pelo homem.

Numa abordagem complacente, são, na verdade, expressões de desespero sem rumo. Uma análise mais detalhada evidencia interesses unindo provocadores infiltrados e uma moçada da alta roda. Representantes desta última, aliás, chegaram a aparecer em listas de colaboradores da tal Sininho. De repente, sumiram do noticiário.

No saldo geral desta turma, fica apenas a oportunidade que dão aos liberticidas de recorrerem a expedientes autoritários. Inquéritos baseados em depoimentos solitários, provas fraudadas e declarações espantosas como as do governador paulista, Geraldo Alckmin: "Por que a polícia plantaria provas contra alguém? Imagine".

Que o digam os milhares de sem mídia da periferia presos com base em depoimentos de um único policial — isto para não citar os mortos nas mesmas condições.

Para comprovar que a Justiça tem razões que só o dinheiro explica, na mesma semana o Ministério Público denunciou um grupo de fiscais e familiares pela fraude de impostos na Prefeitura de São Paulo.

Foram precisos quinze meses — na verdade, bem mais, porque a quadrilha age há muito mais tempo no submundo da burocracia municipal. Bem, antes tarde do que nunca. Mas algo chama a atenção nisso. A promotoria concluiu que empresas que irrigaram a propinoduto foram "vítimas" do bando.

Como assim? O sujeito te pede um por fora, você paga e tudo bem. Pergunta: por que não denunciou o esquema? Não estamos falando da gente pobre obrigada a pagar milicianos cariocas para escapar do cemitério. Nada disso.

No caso de São Paulo, são grandes — e põe grande nisso — conglomerados que ficaram de bico calado. Em vez de reclamar da tramoia, preferiram o caminho mais fácil e rentável. Viraram cúmplices da roubalheira, mas nos autos aparecem como... vítimas. Dá para acreditar?

Petrobras e inflação

Fomos informados nos jornais de sábado (9/8) que a inflação de julho foi zero, menor índice em quatro anos. Quer dizer, soube disso o público que não leu só as manchetes dos principais jornais. Estas preferiram destacar a investida de Obama no Iraque e a queda no lucro da Petrobras. Atenção: lucro menor, não prejuízo. Dá para entender como isto pode ser mais importante que a notícia sobre os preços, que afeta 100% da população?

Cenas de Campanha

O horário gratuito vai começar daqui a pouco, mas antes disso já temos cenas inusitadas. Aécio Neves abraçando operários, Eduardo Campos desmentindo aumento da gasolina defendido abertamente por sua equipe de campanha e até Dilma fazendo reverência a Deus. Pelo jeito assunto não vai faltar.

Ricardo Melo
No fAlha
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Brasileiro registra espetacular imagem da Galáxia de Andrômeda

A Galáxia de Andrômeda é a rainha das galáxias no céu. Nenhuma outra galáxia aparece de forma tão espetacular como ela. Andrômeda pode ser vista até mesmo a olho nu, mas para registrar uma imagem tão espetacular assim precisa entender muito de astrofotografia!


A foto que ilustra esse artigo não foi feita pelo telescópio Hubble ou por grandes observatórios. Também não foi feita por estrangeiros com equipamentos dignos de filmes de ficção científica. Foi registrada por um brasileiro, Rodrigo Andolfato, durante um encontro de astrônomos amadores.

Andolfato é um astrofotógrafo bastante conhecido entre os amantes da astronomia e dedica boa parte do seu tempo para registrar as belezas de céu noturno.

Recentemente, durante o VII Encontro Brasileiro de Astrofotografia, realizado na Chapada dos Veadeiros, Andolfato fez diversos retratos do firmamento, incluindo essa maravilhosa imagem da Galáxia de Andrômeda, ou M31, localizada a mais de 2.5 milhões de anos-luz de distância.


Para registrar Andrômeda em todo o seu esplendor, Andolfato fez 40 imagens com 2 minutos de exposição e utilizou uma teleobjetiva de 200 mm acoplada a uma câmera especial para astrofotografia. Em seguida, "empilhou" os 40 frames em um software adequado.

Empilhar fotogramas é uma técnica usada em astronomia para somar imagens feitas separadamente com o objetivo de extrair detalhes impossíveis de serem registrados em uma única foto.
Rodrigo Andolfato

O resultado, como se pode ver, foi simplesmente impressionante. À altura de uma galáxia com mais de 1 trilhão de estrelas!

Supernova

Em 20 de agosto de 1885, Andrômeda foi palco da primeira supernova já registrada em qualquer galáxia além da Via Láctea. Na ocasião uma estrela explodiu no bojo central de M31 e seu brilho e pode ser visto por vários observadores astronômicos, fracamente visível a olho nu.

Os cálculos mostram que ocorre uma supernova por século na galáxia de Andrômeda. Dessa forma não deveremos esperar muito tempo para que aconteça novamente. Quando acontecer, diversos astrofotógrafos deverão registrar o evento e se depender de Andolfato, Andrômeda já estará na mira!

No Apolo11
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O verdadeiro problema do verbete de Míriam Leitão na Wikipédia


O caso Wikipedia me fez ler, por curiosidade, o verbete sobre Míriam Leitão.

Logo vi o seguinte: só a própria Míriam poderia tê-lo escrito. Ou sua mãe, tamanha a profusão de elogios e a ausência de qualquer crítica.

Em verbetes sérios da Wikipédia, sempre existe o contraponto, a área de críticas. No caso de Míriam, não há nada.

E convenhamos: se tem admiradores, Míriam Leitão é, também, uma das pessoas mais suscetíveis de reparos no jornalismo brasileiro.

Ela ficou associada ao catastrofismo econômico para uma enorme parte do público que consome notícias.

Mas isso está ausente no seu verbete na Wikipédia.

Isso quer dizer o seguinte: quem alterou o texto prestou, de alguma forma, um serviço à verdade.

Temos lá que Míriam é o “jornalista mais completo” do país.

Minha mãe talvez dissesse o mesmo de mim.

Temos lá, também, que Míriam antecipou a crise econômica mundial. Quer dizer: se o mundo a tivesse ouvido, a economia mundial hoje seria uma festa.

Bem, isso nem minha mãe escreveria, em seu entusiasmado apreço por mim.

Você também encontra, ali, a informação de que ela é a o terceiro jornalista mais premiado do Brasil, atrás de, bem, isso não está dito.

Até Carlos Alberto Sardenberg, também ele “vítima” nas alterações, comparece. “Ela jamais se contentou com explicações oficiais”, afirma Sardenberg sobre Míriam Leitão.

Uma alma um pouco mais rigorosa poderia afirmar que somente as explicações dos Marinhos, ao longo dos anos, foram inteiramente satisfatórias para ela.

Os holofotes sobre o Wikipédia de Míriam Leitão mostram, acima de tudo, quanto é precária a parte brasileira da grande enciplopédia virtual.

A Wikipédia em inglês é muito superior. Traz, invariavelmente, o outro lado dos personagens, os pontos altos e, igualmente, os pontos baixos.

Ao tomar a defesa enérgica da colega, Merval deu uma aula magna aos editores da Wikipedia.

Pausa para rir.

Afirmou que eles deveriam zelar pelos verbetes. No Planeta Merval, pelo visto, isto não acontece. Qualquer pessoa entra na Wikipédia e faz uma festa.

Assim como Míriam Leitão poderia ter evitado a crise mundial caso fosse ouvida, Merval pode agora salvar a credibilidade da Wikipédia, se for lido e acatado.

Merval errou: a real lição é que, para preservar a credibilidade, a Wikipédia no Brasil não pode se deixar penetrar por textos chapa branca.

Em favor de Merval, seu verbete é simples e conciso. Tem menos da metade do espaço do de Míriam.

Não tem o lado crítico, é certo: Merval é um dos jornalistas mais detestados pela esquerda brasileira.

Mas também não tem as autolantejoulas de Míriam.

Não foi sua mãe que escreveu, com certeza.

Paulo Nogueira
No DCM
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Video: Como reconhecer uma fotomontagem


O site e-farsas, que há vários anos desvenda farsas divulgadas na internet, produziu um vídeo com uma série de dicas ensinando como reconhecer uma fotomontagem.


Achei as dicas bem interessantes, pois podem ajudar a reconhecer vários tipos de montagens com fotos. 

A dica da busca reversa de imagens é muito importante principalmente para identificar a origem de algumas fotos. Hoje, por exemplo, divulgam muitas fotos que dizem ser do conflito na Palestina, mas que na verdade são da Líbia, da Síria, do Iraque ou de outros locais. Está havendo um grande massacre na Palestina, mas nem todas as fotos divulgadas nas redes sociais são de lá realmente.

Eu resolvi fazer um teste com uma foto, para identificar a origem da mesma. Imaginando que alguém postou a mesma no facebook e afirmou ser de mortos palestinos, eu poderia ir na busca reversa do google e descobrir sua origem.


Abaixo estão alguns dos resultados da minha busca. Rapidamente vi que a foto na verdade foi tirada na Síria e várias notícias relacionadas à foto são mostradas. 

No Jornalismo Alternativo
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A conexão Behtlem

TV Globo exibe contratos do "pai dos taxistas" na Câmara, beneficiando empresa que doou para a campanha do ex-genro





Como todo mundo esperava, já começam a aparecer as jogadas de Jorge Felipe na Câmara em conexão com seu ex-genro Rodrigo Behtlem, cujas maracutaias só apareceram por que a ex-mulher, filha do dito cujo, jogou no ventilador revelou parte do que sabia por que se achava sacaneada.

Parte, sim. Ela só queria dar um susto. Além disso, ela sabia de muito pouco. Behtlem era mesmo da pá virada, como estão descobrindo agora. E não agia sozinho, como se sabe a boca pequena. É possível que o ex-sogro saiba muito mais, ou melhor suspeita-se de que Jorge Felipe não ficava atrás nessas jogadas que todo mundo conhece, mas muitos vereadores calam por conveniência.

No RJ-TV das 7 da noite desta quinta-feira, o "pai dos taxistas" aparece muito mal na fita. Entre outras pérolas, assinou contrato com uma empresa de limpeza para operar a TV Câmara. E pagou mais de R$ 4 milhões para desratizar o prédio do legislativo. Esse dinheiro é quanto custa a construção de uma escola para 400 alunos.

Na volta do recesso, Jorge Felipe estava tão nervoso que pediu licença de três dias, que poderá prorrogar, a menos que seja melhor ficar ligado para que não vazem informações comprometedoras.

De qualquer forma, a boataria corre solta. Dizem que Behtlem ameaçou delatar outros possíveis envolvidos em mutretas na administração de Eduardo Paes, entre eles o pai daquela que arruinou sua vida política e o transformou no mais abandonado cachorro morto da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Quando a Tv Globo exibiu a reportagem sobre as generosidades de Jorge Felipe, alguns vereadores se tomaram de pânico, imaginando que aí vem chumbo grosso.

Uma coisa parece inevitável: Jorge Felipe saiu fora do páreo para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas, que ele considerava uma barbada até a filha implodir seu ex-genro.

Esperemos os próximos capítulos. Essa novela vai dar samba.

Os apoios sumiram e Behtlem caiu em desgraça. E o parceiro, como fica?


Veja a gravação de Pezão de apoio a Behtlem. Lá estavam também Felipe e Ferraz. É mole ou quer mais?


No Blog do Porfírio
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Outro apagão do Felipão


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A operação Wikipédia — Testando hipóteses

Serra e Afif
Se analisarmos o histórico das intervenções na Wikipédia feitas a partir do IP do Palácio do Planalto, constataremos facilmente que as acusações da Globo e de seus jornalistas foram irresponsáveis e levianas.

Mais da metade das alterações não tem conotação política ou administrativa, deixando bem claro que o uso da internet no Palácio era feito com desenvoltura, por parte de visitantes e servidores.

Possivelmente até mesmo turistas que passeiam ali por perto tinham acesso à rede, seja por conhecerem alguém ali dentro do Palácio, seja porque perguntaram a alguém que sabia a senha de acesso, já que esta era fornecida generosamente a qualquer um que a pedisse.

Essa história me intriga. Em outros posts, já mostrei que todas as grandes redes públicas, no Brasil, tem seus IPs usados por centenas ou milhares de pessoas, e são inúmeras as intervenções na Wikipédia partindo dessas redes.

Difamaram até mesmo o Raul Seixas a partir da internet do governo de São Paulo!

Se a alteração no verbete de Miriam Leitão partiu de um servidor público, está claro que se trata de um imbecil, ao não considerar que, se o Wikipédia guarda os Ips dos usuários que acessam o site, a ação teria consequências políticas.

Por outro lado, e se foi uma armação?

Não podemos descartar essa hipótese, até porque alguns fatores despertam suspeitas. Por exemplo, por que Miriam e Sardenberg protestaram só agora por algo que aconteceu em maio de 2013? Estariam esperando o momento certo?

Estariam esperando o processo eleitoral?

As informações sobre cada usuário do Planalto ficam guardadas até seis meses. Se a denúncia tivesse sido feita dentro desse prazo, portanto, o governo poderia identificar facilmente quem fez a alteração nos verbetes.

Eu tenho analisado com afinco o histórico de intervenções feitas a partir do famigerado IP 200.181.15.10, tentando encontrar alguma pista que me ajude a descobrir quem mexeu nos verbetes da nossa querida Miriam.

Partilho com vocês o que descobri até o momento. Por sugestão de um internauta, atentei para algumas coincidências.

Os verbetes de Miriam Leitão e Sardenberg foram alterados nos dias 10 de maio, depois no dia 13 e 14. No dia 14 de maio, outro verbete foi alterado por diversas vezes: “Ourinhos”, referente a uma cidade do interior de São Paulo. Para ser exato, o verbete Ourinhos foi alterado 25 vezes pelo IP do Planalto. É o verbete da Wikipédia que mais recebeu atenção dos usuários do referido IP.

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Não é estranho usar tanto a rede do Planalto para alterar o verbete de um município do interior de São Paulo?

As alterações são sempre no sentido de criticar a atual administração. Não é implausível acreditar que o usuário é de Ourinhos e faz à oposição da prefeitura.

Alguns meses depois, o verbete de Claury Santos Alves da Silva também é alterado, duas vezes, usando-se o IP do Planalto.

‎Claury é um dos políticos mais ilustres de Ourinhos. Eleito em 1982, foi um dos vereadores mais votados da história do município. Reelegeu-se para um novo mandato em 1988. Em seguida, foi prefeito de Ourinhos entre 1993 e 1996. Elegeu-se deputado estadual em 1998. Seu partido era, e continua sendo, o PTB. Mas aliou-se a José Serra, do PSDB, quando este se candidatou ao governo de São Paulo em 2006.

A partir de 2008, Claury exerce a função de secretário de esportes e turismo do estado de São Paulo, no governo José Serra.

Em 2012, Claury tenta novamente ser prefeito de Ourinho, mas não se elege.

Durante a gestão Serra no Palácio dos Bandeirantes, Claury tinha como colegas Aloysio Nunes Ferreira Filho, então secretário-Chefe da Casa Civil e Guilherme Afif Domingos, secretário do Emprego e Relações do Trabalho.

Outro colega de Claury era Nelson de Almeida Prado Hervey Costa, adjunto na Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, ainda no governo Serra.

A partir daqui, o papel de Nelson de Almeida ganha importância em nossa história. Em 2010, ele se torna Presidente do Conselho de Administração da Imprensa Oficial do Estado S.A. – IMESP, e secretário do Governo Municipal, na gestão Kassab.

Pulemos para 2013.

No dia 6 de maio de 2013, a presidenta Dilma anuncia a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa (SMPE), e nomeia como titular da pasta ninguém menos que Guilherme Afif Domingos, atual vice-governador de São Paulo na gestão Alckmin e ex-secretário do Emprego e do Trabalho na gestão anterior, exercida por Serra.

A imprensa recebe a notícia com perplexidade, sobretudo porque Afif não renunciou ao cargo de vice-governador. Ele continua até hoje acumulando os dois cargos.

A SMPE, apesar de ter status de Ministério, e funcionar num edifício externo, no Setor de Rádio e TV Sul, 701, quadra 03, bloco M, 6° andar, é vinculada à Presidência da República, o que confere a seus funcionários livre acesso ao Palácio do Planalto.

O secretário executivo de Afif na SMPE é Nelson de Almeida Prado Hervey Costa, que desfiliou-se do PSDB em 20 de maio de 2013, ou seja, alguns dias depois de iniciar seus trabalhos em Brasília.

Nelson era filiado ao PSDB desde 1995, e sempre trabalhou em cargos de confiança do partido, sobretudo junto à Serra.

Em virtude de uma ligação tão orgânica com o PSDB, sua desfiliação não me parece sincera, mas apenas uma maneira de evitar atritos junto ao novo patrão, o governo do PT.

Ou um disfarce.

As alterações na Wikipédia de Miriam Leitão, assim como na de Ourinhos e Claury, começaram a ser feitas apenas alguns dias após a entrada em operação da SMPE, e da chegada desse bando de raposas serristas ao galinheiro petista.

Ou seja, temos que lidar com essa hipótese, de que um ou mais tucanos infiltrados dentro do governo tenha participado de uma operação de sabotagem política.

A “bolinha de papel”, aquela farsa protagonizada por Serra em 2010, agora pode estar voltando a acontecer, e operada pelo mesmo Serra, através de ex-companheiros de governo, tucanos fieis que, por um desses acasos da vida, hoje tem acesso privilegiado ao Palácio do Planalto.

Estas são apenas especulações. Tocqueville ensinava que o tempo eleitoral é sempre um momento de profunda crise política. E durante as crises é preciso pensar em tudo. Todas as conspirações ganham força e consistência quando o jogo de poder se intensifica.

Em vista dessas circunstâncias, diria Ali Kamel, não custa nada “testar hipóteses”.

Miguel do Rosário
No O Cafezinho
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“Mercado de Notícias” é bom de ver e de pensar


Se você já percebeu que há alguma coisa errada no jornalismo brasileiro, recomendo entrar no primeiro cinema que aparecer à sua frente para assistir “Mercado de Notícias,” de Jorge Furtado.

Com a segurança de quem entra num debate complicado, Jorge Furtado evita a simplificação e o pedantismo. O roteiro pede ajuda a uma peça de 1625 de Ben Jonhson, para discutir a origem do jornalismo nas sociedades modernas. E vai ao fundo da questão ao retratar a construção da notícia como mercadoria – esse ente intercambiável, que se reproduz, se compra e se vende.

Estamos falando, basicamente, de dinheiro e propriedade. O protagonista da peça é um herdeiro jovem e rico, que não sabe direito o que fazer com a própria fortuna, até que é convencido por amigos a abrir um jornal – e é assim, com ambição de lucro e certa futilidade, que o filme começa, há quase quatro seculos atrás.

Mas “Mercado de Notícias” combina ficção dramática e documentário. Jorge Furtado ouviu o depoimento de 13 jornalistas brasileiros, que surgem na tela em aparições que nada têm de decorativas. Ajudam a debater valores, controles ideológicos e vexames recentes dos meios de comunicação, que permitem lembrar a dificuldade de se praticar, em casa, as lições e recomendações que são ponto de honra dos manuais de redação.

O filme nada contra a correnteza das banalidades convencionais para discutir o ponto político essencial: por que o jornalismo deixou de mostrar o país e o mundo em que vivemos?

A resposta não é fácil mas está lá, na tela.

(Ao lado de Janio de Freitas, Raimundo Rodrigues Pereiras, Mino Carta, Bob Fernandes, fui um dos 13 jornalistas entrevistados para o filme. Você pode ver, abaixo, a íntegra de meu depoimento:


Paulo Moreira Leite

Leia também: O Mercado de Notícias - Ato - I
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Essa é do Barão... 9


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Dilma e os evangélicos

Dilma com evangélicos
“Feliz é a nação cujo Deus é o senhor.”

Este salmo de David foi repetido duas vezes por Dilma numa cerimônia evangélica esta semana.

Mais uma cerimônia, aliás, depois da inauguração do Templo de Salvador.

Agora foi no Congresso Nacional de Mulheres das Assembleias de Deus Ministério de Madureira, em São Paulo.

Entendo que a frase fica melhor assim: “Feliz é a nação cujo Deus é o povo.”

Mas sigamos.

É o pragmatismo em ação. Deus é invocado, e pastores incensados, em nome dos votos.

Todos os candidatos agem assim.

Quanto há de fé e quanto há de cálculo, quanto há de sinceridade e quanto há de hipocrisia, só Deus sabe.

“Todos os dirigentes dependem do voto do povo e da graça de Deus, e eu também”, acrescentou Dilma.

Graça de Deus?

Deus ingressou espetacularmente na política moderna com o então jovem FHC quando este se candidatou a prefeito de São Paulo, em meados dos anos 1980.

Num debate na televisão, Boris Casoy perguntou a FHC se ele acreditava em Deus.

Numa reação bizarra, FHC disse a Boris que eles tinham combinado antes que aquela pergunta não seria feita.

FHC perdeu a eleição para Jânio. Para muitos, a resposta evasiva sobre sua fé foi um fator vital na derrota.

De lá para cá, nenhum candidato a cargos importantes no país hesitou em declarar sua fé em Deus.

Nos últimos anos, o crescimento dos evangélicos tornou mais complicado esse assunto.

O problema da busca do apoio dos evangélicos não está em Deus, mas em coisas muito mais terrenas.

Você é obrigado, para merecer os votos evangélicos, a adotar em seu programa de candidato um tom francamente conservador em muitos temas sociais.

Você se torna refém do atraso e do imobilismo.

Exemplo: legalizar o aborto, nem pensar. E então ficamos na seguinte situação: para as mulheres privilegiadas, o aborto é proibido de mentirinha.

Para as demais mulheres, não.

Uma mulher de classe média, ou alta, que engravide sem querer vai a uma clínica de alto nível e faz o aborto em condições seguras e confortáveis.

Uma mulher humilde não pode arcar com a despesa de clínicas particulares. Os métodos de aborto são precários. Os riscos, enormes.

A mesma situação — uma gravidez indesejada — significa uma coisa para uma mulher com recursos. E outra coisa para uma mulher sem recursos.

É mais uma situação iníqua que se perpetua.

Num mundo menos imperfeito, Deus estaria distante das eleições, das campanhas e da política.

Quando religião e política se misturam, perdem ambas. E perde a sociedade.

Feliz a nação cujo Deus é o povo.

Paulo Nogueira
No DCM
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