10 de ago de 2014

Deu a louca nos gringos

http://www.maurosantayana.com/2014/08/deu-louca-nos-gringos.html


O BRICS, com sua recente cúpula no Brasil, deve estar realmente deixando os Estados Unidos loucos. A CNN, em matéria recente sobre uma ataque de vespas gigantes na China, que matou 42 pessoas, não teve dúvidas, e, na hora de mostrar a localização do país de Mao Tsé Tung e de Hong Kong, situou a ex-colônia britânica, e atual província chinesa, mais ou menos na altura do Rio de Janeiro.

É certo que China e Brasil estão no mesmo grupo, e são o maior e o quarto maior credores individuais externos dos EUA, mas a cadeia de televisão, tão pródiga em abrigar a nata, ou a espuma, se quiserem, do jornalismo conservador e anticomunista latino-americano, errou pela “pequena” distância, em linha reta, de apenas 16.633 quilômetros.
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Aécio: Funai perderá hegemonia para demarcar terras indígenas

Candidato do PSDB à Presidência, o senador Aécio Neves (MG) disse nesta quarta-feira durante sabatina dos presidenciáveis na Confederação Nacional da Agricultura que a Fundação Nacional do Índio (Funai) perderá a hegemonia para definir a demarcação de terras indígenas, se ganhar as eleições.

O tucano propõe que outras instâncias do governo tenham papel importante na identificação destas áreas. Ele propõe incluir na lei as 19 condicionantes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal em 2005, durante o julgamento que definiu a reserva Raposa Serra do Sol, que garantiu o usufruto das terras pelos indígenas, mas com a possibilidade de exploração dos recursos hídricos e minérios da área pelo governo federal, desde que autorizada pelo Congresso, acesso e instalação incondicional de unidades das Forças Armadas ao local sem consulta à Funai.

A restrição a demarcação e ampliação de terras indígenas e quilombolas é uma das principais exigências do agronegócio.

Felipe Patury
No Época
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Dicionário das redes sociais traduz 114 termos para seis idiomas

A Rede Panlatina de Terminologia e o Centro de Terminologia da Catalunha (Termcat) estão disponibilizando na Internet um dicionário inédito, em seis línguas, com 114 termos relacionados às redes sociais, especialmente o Facebook e o Twitter. O Vocabulari Panllatí de les Xarxes Socials (Vocabulário Panlatino das Redes Sociais) foi criado com a ajuda de linguistas, terminológos e tradutores do Brasil, Canadá, Espanha, Itália, México e Portugal, de 11 universidades.

Cada termo tem sua tradução em seis línguas românicas, sendo elas catalão, espanhol (variantes na Europa e México), francês, galego, italiano e português (variantes na Europa e Brasil), com os indicadores correspondentes do discurso e também em inglês. As definições estão em catalão e apenas algumas em espanhol.

Os termos usados para compor o dicionário online foram retirados do Guia de Usos e Estilo nas Redes Sociais, do Autogoverno da Catalunha. A partir de agora, o dicionário ficará aberto para constantes atualizações e a inserção de novos termos usados no ambiente das redes sociais. No próprio site, o internauta pode sugerir novos termos e a equipe de pesquisadores valida o pedido e realiza a tradução.

O professor Márcio Sales, do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Ceará (UFC), participou da criação do dicionário colaborando com as traduções para a língua portuguesa. Em entrevista à Adital, Sales destaca que o trabalho colaborativo durou cerca de um ano e meio e será útil para vários tipos de público.

"O público-alvo do dicionário são as pessoas que se interessam pelas redes sociais e ele pode ser, especialmente mais interessante, para quem trabalha com tradução, pois podem se valer desse instrumento, já que, muitas vezes, os termos relacionados às redes sociais não são tão claros. Com a popularização da Internet, passou-se a ter contato com uma linguagem nova, assim o dicionário poderá ajudar a elucidar o significado de alguns desses termos”, explica.

O dicionário deve ajudar também no desenvolvimento da língua latina, pois cria opções para termos e expressões estrangeiras, como "timeline”, "selfie” e "profile”, que, rapidamente, são disseminadas mundo a fora, deixando o dicionário dos internautas repletos de estrangeirismos.

O professor ressalta ainda a boa repercussão que a iniciativa vem tendo, com vários acessos e downloads. Para baixar o dicionário, acesse: http://www.termcat.cat/ca/Diccionaris_En_Linia/156/Presentacio

Natasha Pitts
No Adital
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A imparcialidade do Jornal Nacional medida no Manchetômetro

http://www.manchetometro.com.br/analises/jornal-nacional/

Os gráficos que representam a cobertura do Jornal Nacional, tanto a análise de valências como os enquadramentos dos temas economia e política. A base de dados cobre todo o ano de 2014. A metodologia empregada aqui é similar à da análise dos jornais impressos. A diferença reside na adição do fator tempo no cálculo das valências. Isto é, o que temos nas colunas é a agregação do tempo das notícias nas categorias favorável, contrário e neutro. Estes gráficos são atualizados diariamente.

Candidatos

No gráfico abaixo temos o cômputo agregado (total), até o dia de hoje, do tempo das notícias favoráveis, contrárias e neutras no Jornal Nacional, para cada candidato. Este gráfico é atualizado diariamente.


Candidatos: cobertura antes do início do período eleitoral

No gráfico abaixo temos o cômputo do tempo das notícias favoráveis, contrárias e neutras no Jornal Nacional, para cada candidato, no período que vai de 1 de janeiro de 2014 a 5 de julho, um dia antes do começo do período oficial de campanha, como estabelecido pelo TSE.


Candidatos: cobertura depois do início do período eleitoral

No gráfico abaixo temos o cômputo do tempo das notícias favoráveis, contrárias e neutras no Jornal Nacional, para cada candidato, no período que vai de 6 de julho, dia do começo do período oficial de campanha, como estabelecido pelo TSE, até o dia de hoje. Este gráfico é atualizado diariamente.


Candidatos: série temporal

No gráfico abaixo temos o cômputo do tempo das notícias contrárias no Jornal Nacional ao longo do ano de 2014, dividido em meses. Este gráfico é atualizado diariamente.


Partidos

No gráfico abaixo temos o cômputo agregado (total), até o dia de hoje, do tempo das notícias favoráveis, contrárias e neutras no Jornal Nacional, para cada partido. Este gráfico é atualizado diariamente.


Governo Federal

No gráfico abaixo temos o cômputo agregado (total), até o dia de hoje, do tempo das notícias favoráveis, contrárias e neutras no Jornal Nacional, para o Governo Federal. Este gráfico é atualizado diariamente.


Enquadramento da política

No gráfico abaixo temos o cômputo agregado (total), até o dia de hoje, do tempo das notícias positivas, negativas e neutras no Jornal Nacional sobre instituições políticas (partidos, congresso, executivo, etc.), agências, empresas e políticas públicas, e personalidades políticas brasileiras. Este gráfico é atualizado diariamente.


Enquadramento da economia

No gráfico abaixo temos o cômputo agregado (total), até o dia de hoje, do tempo das notícias positivas, negativas e neutras no Jornal Nacional sobre economia. Este gráfico é atualizado diariamente.


Última atualização: 09/08/2014 às 23:00
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Mírian Leitão pode ter sido alvo de acerto interno na Globo


Vamos juntar algumas pecas de quebra-cabeça.

Peça 1 – a denúncia em si.

O Globo transforma em denúncia o uso de um computador da rede wi-fi do Planalto para alterar o perfil de dois jornalistas na Wikipedia.

A rede possui certamente mais de dois milhares de usuários internos do Palácio, incluindo a Sala de Imprensa. É um mero problema corporativo ao qual não está imune nenhuma grande corporação. É essa a razão de, em muitas empresas, o servidor bloquear acesso às redes sociais.

Trata-se, portanto, de uma questão funcional menor que, dentro do padrão atual do jornalismo brasileiro, é tratado como escândalo.

Até aí explica-se: com a falta de filtros jornalísticos até bocejo de padre vira escândalo.

Peça 2 – a divulgação do conteúdo apócrifo no perfil de Mírian Leitão.

Aí o quadro fica um pouco mais complicado.

Qual a razão do jornal dar o destaque que deu às acusações a Mírian — envolvendo, inclusive, episódios menores ocorridos por ocasião da Operação Satiagraha? Não tem lógica. Transformou uma caso restrito de trollagem na Wikipédia, que até então passara despercebido, em tema nacional, expondo sua própria colunista de uma maneira aparentemente incompreensível.

Incompreensível, talvez, para quem não acompanha profissionalmente os meandros do jornalismo.

Peça 3 – o papel de Mírian no sistema Globo. 

Em temas econômicos, Mírian permanece representante do establishment financeiro.

Mas, nos últimos anos, cresceu jornalísticamente, e ganhou luz própria em temas muito além dos financeiros.

A dimensão pública que conquistou deu-lhe uma autonomia relativa de opinião em relação a parte da pauta, assim como para poucos outros jornalistas, como Janio de Freitas.

Abraçou bandeiras legitimadoras indo clara e corajosamente na contramão dos que passaram a definir a linha editorial do grupo, como na questão das políticas de cotas para negros, na denúncia dos crimes da ditadura. Sua posição certamente pesou na mudança da linha editorial do jornal, especialmente em relação aos crimes da ditadura. 

Teve inclusive a coragem de investir contra colunistas agressivos da nova direita.

Talvez por aí se entenda melhor a represália de que foi alvo.

Tempos atrás, a Folha abriu espaço em sua página de opinião para que um neocon agredisse dois repórteres que ousaram criticar o discurso anti-cotas de Demóstenes Torres no STF (Supremo Tribunal Federal). Na sequência, foi a vez de Janio de Freitas sofrer ataques dentro do próprio jornal.

A briga interna de O Globo não chegou a esse ponto. Mas a divulgação desnecessária da trollagem mostra que, por lá, a vingança se come a frio. Não foi represália das Organizações Globo, mas de grupos internos.

Jogou Mírian aos leões da Internet que, por alguns dias, terão carne fresca para se refestelar.

PS - Pessoal, para que não prosperem teorias conspiratórias: o episódio, se ocorreu, foi motivado por disputas internas, não como política da empresa contra sua colunista.

Luís Nassif
No GGN
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Podem rir como o coronel

O Millôr pulverizou a frase feita “Uma imagem vale mil palavras” desafiando: “Diga isso sem palavras”. Mas, em alguns casos, uma imagem, ou uma superimposição de imagens, diz tudo sobre um momento, sem precisar de palavras.

Há dias os jornais publicaram, simultaneamente, duas fotos, uma do Marcelo Rubens Paiva na Flip, interrompendo um depoimento que fazia sobre o desparecimento de seu pai, Rubens Paiva, morto pela ditadura militar, até poder controlar a emoção, outra, a do coronel Wilson Machado, um dos ocupantes do Puma em que explodiu, prematuramente, a bomba destinada a causar pânico e mortes no Riocentro, no 30 de abril de 1981.

O coronel está rindo na foto. Depois de mais de 30 anos desde o seu desaparecimento, a família do Rubens Paiva continua sem saber onde está o seu corpo. Nos 33 anos desde a explosão da bomba no seu colo, o então capitão Wilson Machado teve uma carreira militar normal com promoções sucessivas, chegou a coronel e certamente chegará a general.

A julgar pela sua foto, está em paz com sua vida e sua consciência. Os superiores do coronel, que planejaram e ordenaram o atentado, também não têm com o que se preocupar.

Os responsáveis pelo desaparecimento de Rubens Paiva também não. A própria instituição militar já disse que nada de anormal aconteceu nos seus quartéis durante o chamado “período de exceção”. Todos podem rir como o coronel.

O caso do Picasso

No recém-lançado filme de Jorge Furtado, “O mercado de notícias”, (veja aqui) um semidocumentário sobre a imprensa brasileira, é lembrada a descoberta há alguns anos de um quadro de Picasso numa dependência do INSS, denunciada pela imprensa como um escândalo, prova da ignorância de servidores que não sabiam o tesouro que tinham na parede, e/ou de desperdício indefensável de dinheiro público.

O Picasso do INSS rendeu várias reportagens, e, como se não bastasse a indignação já provocada, o prédio em que estava pegou fogo — ameaçando a preciosa obra! Que, é claro, de preciosa não tinha nada. Era um pôster reproduzindo um retrato de mulher do Picasso como se pode comprar em qualquer loja de museu do mundo, emoldurar e botar na parede gastando muito pouco.

Jorge conta o caso do Picasso autêntico que era cópia como exemplo de um hábito reincidente de certa imprensa de ver ou fabricar escândalos onde não há nenhum — e vá esperar retratação quando a denúncia é desmentida. 

Mas o filme de Jorge, com depoimentos de gente como Mino Carta, Bob Fernandes, Janio de Freitas, Cristiana Lôbo, Renata Lo Prete, Fernando Rodrigues, Geneton Moraes Neto, Leandro Fortes, Luis Nassif, Maurício Dias, Paulo Moreira Leite e Raimundo Pereira, acaba sendo um elogio da nossa imprensa. Se mais não fosse, pela qualidade dos depoentes.

Luís Fernando Veríssimo
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Muito choro em torno de nada no ‘escândalo’ Wikipedia

Nesta sexta-feira (8), o jornal O Globo lançou a bomba: “Planalto altera perfil de jornalistas na Wikipédia com críticas e mentiras”.

Segundo o site do jornal, a rede de internet do palácio do planalto foi usada para alterar os artigos da Eikipédia sobre os jornalistas Carlos Alberto Sardenberg e Míriam Leitão, com a intenção de difamá-los.

Míriam Leitão desferiu os primeiros ataques: “Acho que é espantoso que um órgão público, ainda mais o Palácio do Planalto, use recursos e funcionários públicos para fazer esse tipo de ataque a jornalistas, quando deveria estar dedicado às questões de Estado.”.

A intenção da matéria era claramente bater no governo, culpando-o de atacar a imprensa, antes mesmo que houvesse uma melhor apuração da história.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) emitiu rapidamente uma nota condenando a alteração das informações, afirmando ser inaceitável “quando um episódio objetiva atingir profissionais da imprensa, principalmente ao envolver servidores do Estado.”.

Também condenaram a ação a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ).

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), de forma muito exaltada e precipitada, declarou: “A ABI entende que este fato insólito, sem precedentes no regime democrático em voga no país, é inaceitável e compromete o direito à liberdade de expressão. A intervenção direta da Presidência da República nos remete ao período da ditadura, quando expedientes como estes, ao lado de ações violentas, foram usados para perseguir e silenciar jornalistas críticos ao governo”.

O que de fato aconteceu?

Algum dispositivo (computador, celular, tablet ou outro), cujo IP era 200.181.15.10, em maio de 2013, acessou a Wikipédia, que é um site onde qualquer pessoa pode alterar qualquer artigo, e modificou os artigos sobre os jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, inserindo críticas negativas sobre ambos.

O endereço de internet (IP) 200.181.15.10 está registrado como pertencente à rede do Palácio do Planalto.

A acusação de maior destaque, e que mais revoltou Miriam Leitão, foi a de que ela teria feito uma “apaixonada defesa” do banqueiro Daniel Dantas (acusado de uma série de crimes), com base num artigo do jornalista Bob Fernandes publicado em 2008 no site Terra Magazine.

Segundo o que foi informado pelo Planalto, esse endereço IP não pertence a um computador específico. Ele seria um IP fixo, usado por todos os aparelhos que se conectam à rede Wi-Fi do prédio. Assim, qualquer pessoa que usou a rede sem fio do Planalto, desde um funcionário até um visitante com um tablet na mão, pode ter feito a alteração.

Na nota do Planalto, também há a informação de que os registros dos acessos, na época, eram guardados por apenas seis meses, sendo apagados após isso. A alteração ocorreu há mais de um ano.

A jornalista Míriam Leitão declarou que a explicação era pífia e exigiu que o Planalto investigasse o caso.

As explicações do Planalto parecem fazer muito sentido, principalmente ao analisar o relatório fornecido pela Wikipédia. Qualquer um pode ver em detalhes todas as alterações de artigos realizadas por esse IP ao longo dos anos.

A primeira alteração foi no artigo sobre Maçonaria em novembro de 2004.

Em 2005 foram feitas alterações nos artigos sobre Santos Dummont, Antonio Meucci (um suposto inventor do telefone), José Guilherme Merquior (um diplomata brasileiro que morreu em 1991) e outros. Em 2008 foram alterados os artigos “Lista das pessoas mais velhas do mundo”, “Copa Libertadores da América 2008″, “Cavaleiros do apocalipse”, dentre outros.

Nos anos seguintes ocorreram alterações em dezenas de outros artigos que não possuem qualquer relação com política. Isso dá a entender que o IP realmente era do WI-FI do prédio e foi usado por milhares de pessoas para todo tipo de atividade.

Algo impressionante neste caso é a quantidade de matérias geradas pelos sites ligados à Globo, mencionando toda e qualquer mínima novidade a respeito deste tema.

Saiu até uma matéria apenas para dizer que alguém na rede do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) adicionou a palavra “lol” no artigo da Miriam Leitão na Wikipédia nesta sexta, dia 8.

Todo esse espetáculo foi armado pela Globo apenas com o propósito de criar uma imagem negativa do governo, fazendo-o parecer que está atacando a imprensa, como se fazia na ditadura.

Como o governo reage diante disso?

Foi criada uma comissão de investigação formada pela Casa Civil, Ministério da Justiça, Polícia Federal, Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Secretaria-Geral da Presidência da República para apurar o caso.

Tenho a impressão de que o governo Dilma Roussef gosta mesmo de apanhar.

Fabiano Amorim
No DCM
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Fazendo Teoria da Conspiração na Wikipédia

wiki13

Sou inteiramente solidário com Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardemberg, que tiveram seu perfil na enciclopedia Wikipedia alterado a partir de um computador conectato a rede do Palácio do Planalto.

O grave, no episódio, é a geo-política.

É inaceitável que um instrumente que pertence ao patrimonio público seja utilizado em benefício de interesses políticos particulares.

Cabe investigar e apurar as responsabilidades, como o governo já anunciou que irá fazer.

Mas discordo da própria Miriam Leitão quando ela diz:

“É ingenuidade acreditar que uma pessoa isolada, enlouquecida, resolveu, do IP da sede do governo, achincalhar jornalistas.(…) Alguém deu ordem para que isso fosse executado. É uma política. Não é um caso fortuito. E o alvo não sou eu ou o Sardenberg. Este governo desde o princípio não soube lidar com as críticas, não entende e não gosta da imprensa independente. Tentou-se no início do primeiro mandato Lula reprimir os jornalistas através de conselhos e controles. A ideia jamais foi abandonada. Agora querem o “controle social da mídia”, um eufemismo para suprimir a liberdade de imprensa.”

Com isso, tenta-se confundir o Planalto, imóvel frequentado por centenas de funcionários e visitantes, todos os dias, com o “Planalto” como instituição política e comando do governo.

Faltam indícios minimamente consistentes para se sustentar essa teoria da conspiração, o que não ajuda quem quer esclarecer mas serve a quem quer confundir — quando falta um mês e meio para a eleição presidencial.

Um funcionário do governo é orientado a falar mal de Miriam Leitão e Sardemberg para suprimir a liberdade de imprensa?

Calma.

A afirmação (“alguém deu ordem”) é tão leviana que chega a lembrar uma observação fabricada contra Sardemberg pelos militantes da Wikipedia.

É aquela no qual se tenta associar sua visão de politica economica ao fato de que um de seus irmãos ocupa um cargo de direção na Bolsa de Valores.

Nós sabemos que a proximidade entre o jornalismo e o mercado financeiro já despertou diversos debates de natureza ética, em especial em Wall Street.

Mas, a menos que se possa demonstrar uma relação de causa e efeito entre os interesses de um irmão e os comentários do outro, uma insinuação dessa natureza é precipitada e maldosa.

Acho que Sardemberg e Miriam dizem e escrevem aquilo que dizem e escrevem porque estão convencidos de que devem dizer o que dizem e escrevem.

Isso não os impede de falar e escrever coisas que julgo erradas e divulgar ideias falsas.

É pertinente lembrar um fato maior. O salto tecnológico da internet abriu imensas possibilidades de emancipação e liberdade para a espécie humana e também criou oportunidades para controles indevidos, repressão e banditismo.

No mesmo instante em que você lê estas linhas, alguém pode estar acionando um esquema para me xingar, mentir e caluniar.

Acontece sempre e todo dia e a Wikipedia, enciclopedia aberta aos internautas, é parte desse mundo. Existem cidadãos que consideram seus comentários em blogues como parte de sua condição de cidadãos do seculo XXI.

Outros são profissionais da calunia, cabos eleitorais eletrônicos.

Como qualquer cidadão vacinado, com título de eleitor em dia, sei que as grandes candidaturas presidenciais — todas — têm esquadrões subterrâneos na internet, que operam em graus variados de clandestinidade.

Só não acredito que atuem com nome e endereço, assinando recibo a cada intervenção indevida.

Num antecedente que guarda alguma semelhança com este caso, anos atrás um funcionário do Planalto que tinha acesso a um twiiter presidencial foi apanhado pelo próprio governo quando divulgou uma ironia contra um adversário.

A mensagem não chegou a permanecer um minuto no ar. Tratada como gesto imperdoável, foi eliminada em seguida. O responsável foi forçado a pedir demissão na hora.

Este episódio mostra que, seja por compreender a necessidade de separar entre interesses públicos e particulares, ou apenas por não desconhecer o risco que o uso sem critério da rede do Planalto pode trazer para o governo, ninguém confunde os computadores do Palácio com as máquinas privadas de um internauta no livre exercício de seus direitos.

Mas é claro que posso estar enganado, o que torna prudente aguardar pela apuração.

Por enquanto, falar que “este governo desde o princípio não soube lidar com as críticas, não entende e não gosta da imprensa independente” é insistir numa tese conveniente para a propaganda da oposição. Falta combinar com os fatos.

Foi o governo Lula que desenvolveu critérios técnicos (a chamada “mídia técnica”) para a distribuição de verbas publicitárias, que antes eram repartidas ao sabor subjetivo da area de comunicação — e todo mundo achava natural até ali, porque eram conversas entre amigos do golfe, dos jantares e da política.

Nem no auge das denúncias da AP 470, que deixaram o governo em carne viva, o Planalto fez movimentos no sentido de retaliar veículos que se jogaram de corpo e alma numa campanha para criminalizar ministros e aliados — atitude olímpica que chegou a gerar um compreensível inconformismo entre o PT e seus amigos. Em vez de “suprimir a liberdade de imprensa”, como diz a teoria da conspiração, o Planalto fez questão de manter contratos e pagamentos.

Quando se perguntou a Joaquim Barbosa por que o mensalão PSDB-MG não era apurado pelo STF com o mesmo empenho — e o mesmo barulho — do que o esquema de Valério e Delúbio, ele apontou para os jornalistas. Disse que não demonstravam o mesmo interesse pelos dois casos. Eu acho que Joaquim errou no argumento.A Justiça não deve e não pode pautar seu trabalho pela cobertura dos jornais.

Mas é claro que relator da AP 470 falava a verdade.

Os grandes jornais nunca demonstraram o mesmo empenho para conhecer o mensalão original.

Pressionaram com denúncias sem fim, no caso do PT. Aliviaram com o silêncio, no caso do PSDB mineiro.

A revelação de que o ex-ministro Pimenta da Veiga, atual candidato ao governo de Minas na chapa tucana, recebeu 300 000 reais do esquema jamais despertou o espírito investigativo de nossos reporteres. Olha só. Era uma soma seis vezes superior aos 50 000 que o ministério público acusou João Paulo Cunha de ter recebido.

Pimenta recebeu esse dinheiro depois da campanha de 2002, quando Aécio Neves ganhou o governo de Minas Gerais e boa parte dos condenados da AP 470, como os publicitários Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, participavam da caravana que carregou sua candidatura.

Uma visão equilibrada das relações entre poderes públicos e a mídia mostra que em Minas Gerais, os jornais e jornalistas têm uma postura conhecida de docilidade absoluta diante do governo. Coisa de ditadura albanesa nos tempos do comunismo.

Você pode acreditar que se trata de um silêncio voluntário, fruto de uma avaliação isenta das realizações de sucessivas administrações estaduais.

Ou não — e você pode imaginar por quê.

Perguntinhas de reporter inocente: por que nossos paladinos da liberdade de imprensa tem verdadeira fixação em apontar para um falso bolivarianismo petista em vez de denunciar o controle da mídia pelo Estado mineiro?

Não sabem o que se passa num Estado habitado por 20 milhões de brasileiros, que abriga o terceiro PIB do país?

Isso não interessa aos eleitores que tomarão o caminho das urnas em outubro?

Esta é a pergunta, jornalistas e não-jornalistas.

Paulo Moreira Leite
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Tucanos descumprem ordem do ONS para elevar vazão de usina e afeta sistema da Light

Empresa foi notificada pela Aneel. É a primeira vez que uma empresa contraria recomendação do operador

O rio Jaguari e seu reservatório: fonte de disputa entre Rio de Janeiro e São Paulo
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) notificou e vai fiscalizar a Companhia de Energia de São Paulo, porque a Cesp vem descumprindo determinação do Operador Nacional do sistema Elétrico (ONS) de elevar a vazão da usina hidrelétrica do rio Jaguari, que faz parte da bacia do rio Paraíba do Sul, o que pode colocar em risco o sistema de geração de energia da Light. O fato é inédito, segundo fontes do setor, pois pela primeira vez na História um agente do mercado descumpre uma recomendação do ONS, responsável pela administração dos reservatórios das hidrelétricas do sistema interligado nacional.

É essa bacia que abastece de água boa parte do estado do Rio, principalmente a região do Sul Fluminense e Volta Redonda, além do complexo de Lajes. Em março, os governos de Rio e São Paulo entraram em conflito exatamente por conta da água do rio Jaguari. O governo de São Paulo levou ao governo federal uma proposta de interligar aquele rio com o Sistema Cantareira, que já opera com volume morto. A ideia era ligar a represa de Atibainha, em Nazaré Paulista (SP), com o Sistema Cantareira, aproveitando essa água para abastecimento hídrico da região metropolitana. A represa Atibainha abastece de água a hidrelétrica do Jaguari, em Igaratá (SP).


Reservatório do Sistema Cantareira
Michel Filho / Agência O Globo

O governo federal ainda não conseguiu identificar se a redução da vazão da Cesp tem ligação com o abastecimento hídrico de São Paulo. Procurada, a Cesp informou que não vai se manifestar sobre o assunto. O governo federal teme que a atitude da Cesp abra um precedente para que outros gestores de usinas hidrelétricas passem a descumprir as determinações do ONS, o que colocaria em risco a gestão do sistema interligado de todo o país, que já vem sofrendo com a falta de chuvas. Segundo uma fonte do governo, a empresa controlada pelo governo de São Paulo será "duramente fiscalizada" por sua atitude em relação ao Jaguari.

— O concessionário de serviço público não pode fazer escolhas e vai ter de arcar com as consequências disso — disse a fonte.

O governo e o ONS vêm adotando um esquema especial de flexibilização dos reservatórios para atender às necessidades de atendimento do sistema interligado, por conta da escassez de chuvas recente. Por esse motivo, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) debateu em junho, por exemplo, “ações adicionais para que possam ser flexibilizadas as vazões mínimas constantes do contrato de concessão para redução adicional das defluências mínimas da usina hidrelétrica de Porto Primavera”, que também é administrada pela Cesp.

O ONS é uma pessoa jurídica privada, a quem o manejo do setor é delegado pela Aneel. Por esse motivo, em caso de descumprimento das determinações do ONS é a Aneel a entidade responsável por notificar e, eventualmente, punir o concessionário.

Procurado para comentar o caso, o governo do Estado do Rio se pronunciou por meio da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que informaram estar acompanhando a situação e que "vão avaliar impactos e medidas administrativas e judiciais cabíveis, caso necessárias".​

Danilo Fariello
No O Globo
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O chão mole de Aécio

Enredado em dissimulações o tucano tem dificuldades e já constrange as audiências, que viam nele um biombo para o retorno dos heróis do mercado.

À  medida em que a campanha  presidencial supera a fase alegre dos consensos, ancorada  em sorrisos e manchetes de credibilidade equivalente, o bicho pega.

As pesquisas de intenção de voto exalam um cheiro de queimado e a fumaça ondula na direção do palanque conservador.

Exceto na hipótese de um novo escândalo inoculado pela mídia, a dúvida confidenciada em fileiras de bicudos e graúdos carrega nervosa pertinência.

De onde, afinal,  Aécio e assemelhados  vão  extrair o fôlego que as pesquisas lhes sonegam,  se meses e  meses de exposição exclusiva e esfericamente favorável  na mídia não foi capaz de lhes proporcionar o estirão previsto na preferência nacional?

A partir do dia 19, a propaganda eleitoral  abre uma trinca nesse monólogo.

Faz mais.

Temas cruciais para o desenvolvimento brasileiro, como a redução da desigualdade, o futuro do salário mínimo,  a desindustrialização, passam a  exigir um posicionamento claro de quem pretende chegar competitivo às urnas de outubro.

Na boca de Aécio Neves  eles queimam como batata quente.

A dificuldade  de discorrer com clareza sobre esses itens revela dois flancos mortais em uma disputa presidencial.

De um lado, a fragilidade de um projeto que não pode se explicar honestamente ao eleitor, sob pena de evidenciar seu conteúdo antissocial .

De outro, o chão mole mais incomodo do palanque conservador: seu próprio candidato. Visto com entusiasmo como um biombo para o regresso dos heróis do mercado a Brasília, o tucano às vezes soa como um piano difícil de escutar e de carregar.

 Enredado na teia da dissimulação Aécio Neves tem dificuldades evidentes com a consistência.

Expor como enxerga e de que modo  pretende equacionar os grandes gargalos brasileiros é uma tarefa acima de suas possibilidades.

Sua incapacidade de discorrer mais que alguns segundos sobre um mesmo assunto, depois de esgotar o estoque de lugares comuns, começa a constranger  as audiências mais receptivas.

Em encontro recente com industriais,  promovido pela CNI, o desconforto  na plateia era mais denso do que a enorme boa vontade com o jovial neto de Tancredo.

Mesmo lendo, ficou flagrante que debulha  uma espiga adversa  quando se trata de discorrer sobre o país, seus flancos e suas possibilidades.

Não é  sua praia. Aécio é mais afeito à ligeireza do que ao manejo das grandes agendas nacionais.

Lula, que hoje tem o Brasil na palma da mão, faiscava em 2002 uma experiência  de vida riquíssima, coisa  que o mineiro tampouco possui.  Da boca do metalúrgico  emergia o arranque sofrido de milhões de personagens e sonhos de um Brasil quase ausente do repertório  dominante.

Do esforço de Aécio se ouve uma versão empobrecida da narrativa gordurosa, monótona e burocrática dos editoriais conservadores.

Dilma não tem a vivência popular de Lula. Mas dispõe de uma densidade técnica e intelectual , ademais do domínio e da experiência no manejo da máquina do Estado, da economia e da infraestrutura nacional, que a singularizam de imediato aos olhos do observador isento.

Mas sofre uma restrição séria do ponto de vista dos donos do país:

‘Dilma? Esta não é para amadores. “Não adianta achar que ela vai querer te ajudar. Ela não ajuda ninguém. Você tem que fazer por onde convencê-la que seu projeto se encaixa nas prioridades do governo. Lula era mais sensível a argumentos como o risco de demissões e o esforço na construção de uma solução de consenso. Dilma só cede à racionalidade econômica e republicana”, reclamavam titãs do mercado no jornal Valor,  na semana passada (01/08/2014)

Aécio é o próprio jogo. Mas o placar não anda com ele. O discurso linear, desprovido de ênfase,  sucedido de  improvisos jejunos, revelam cada vez mais a natureza fraudulenta do produto que a mídia vende como sinônimo de ‘mudança’.

A plutocracia não desistirá. As doações jorram.

Não espanta.

Assim ocorreu também na promoção de outro simulacro, em 1989, fruto da mesma determinação  omnívora:  ‘tudo , menos o PT’.

Nesta 5ª feira, Aécio  foi levado pelo impoluto Paulinho ‘Boca’, da Força, para conhecer a classe operária, na zona norte de São Paulo.

O candidato aproveitou o pano de fundo e sapecou uma do estoque de bolso:  ‘País vive hoje a maior crise de desindustrialização da sua história’.

Teve o azar de ser cobrado  em seguida sobre um tema pedestre: sua política de reajuste para o salário mínimo.

A batata quente fumegou na boca.

‘Vou assumir o governo e, de posse de todas as informações que eu tiver, vou valorizar o trabalhador brasileiro’, arriscou franzindo o cenho como se suplicasse : ‘Emplacou?’ .

Quase na mesma hora, um de seus formuladores, o economista Monsueto Almeida, um centurião da guerra contra o gasto público, dizia  à Reuters, por escrito: ‘Se for eleito, o governo Neves terá como objetivo acabar com o populismo monetário (...) e voltar a uma taxa livre de câmbio flutuante’.

O que  exatamente significa  adotar o câmbio livre num  mundo imerso em um dilúvio de liquidez?

Depois de quase sete anos de colapso da ordem neoliberal, os fundos  internacionais de investimento e de pensão tem 31% mais dinheiro do que o saldo anterior à crise; uma bolada equivalente a 75% do PIB mundial.

As opções de investimento em contrapartida evoluíram na direção inversa.

Há mais de um ano, o governo brasileiro intervém no câmbio.

É um pouco como enxugar gelo. Mas é indispensável para impedir que o ingresso de capitais  especulativos (atraídos pelas maiores taxas de juros do planeta — concessão de Dilma ao mercado aecista) deprimam o valor do dólar.

Caso contrário,  as importações matariam de vez a indústria local.

Aí vem o assessor de Aécio. E anuncia o programa do PSDB para a área cambial: a ‘livre flutuação da paridade’, um fermento  à desindustrialização .

De novo, o candidato não consegue ou não pode falar sobre o que  pretende  com o Brasil.

Para um conservadorismo hesitante diante da fraqueza de seu pupilo resta a esperança de torna-lo um adereço ornamental.

‘Aécio delega’, retrucam muxoxos sob um piano que começa a pesar  justamente  na escalada de uma eleição que entra na etapa da conquista  da credibilidade.

É fato: delegar, o mineiro  delega. É uma questão de sobrevivência. O problema agora  é  esconder do eleitor os portadores dessa delegação.

Em caso de vitória, um coringa de estimação dos mercados assumiria as rédeas da economia com carta branca para agir, confidenciam bicudos do PSDB.

Armínio Fraga seria o presidente da república do dinheiro. Aécio o seu suporte legal.

O que Armínio fez ao assumir o BC, em março de 1999, que o credenciou aos olhos da plutocracia para ser esse Napoleão dos bastidores, a mão invisível dos mercados tropicais?

Vale recordar.

Fernando Henrique acabara de ser reeleito para um segundo mandato e decretara uma maxidesvalorização de 30%, em 19 de janeiro de 1999.

O Real fazia água.

Uma semana depois da máxi que esfarelou o engodo da moeda forte, a fuga de capitais havia reduzido as reservas brasileiras a US$ 30 bilhões, o equivalente às da Argentina hoje, denegrida como nação irresponsável pelo colunismo conservador e por fundos abutres.

As  expectativas de inflação oscilavam de  20% a 50% ao ano — maior que a da Argentina.

A avalanche inflacionária, cambial e fiscal derrubaria dois presidentes do BC antes de Armínio chegar ao posto, em março.

O que fez então?

Sancionou as fronteiras delimitadas pelo dinheiro no campo de guerra.

A taxa de juro foi fixada em singelos  45% ao ano — hoje está em 11% e é, como de fato é, apontada como asfixiante.

Com Armínio, o BC adotou o regime de metas de inflação:  a escalada dos juros  tornou-se a resposta à indisciplina dos preços.

Mais que isso.

Armínio deu assim aos detentores da riqueza, que acabavam de perder a ilusória âncora da paridade cambial, um potente escudo de juros para defender  o valor real de seu pecúlio.

Liberou o campo desse modo para  a maxidesvalorização fazer o serviço que lhe cabia: escalpelar o poder de compra dos assalariados,  sem aviltar a riqueza  dos rentistas.

Foi assim que se consolidou a transferência da âncora do plano Real, do câmbio, para o juro.

De forma mais simples: Armínio foi o fiador do pacto histórico e carnal entre o PSDB e o rentismo.

E assim  Armínio se consagrou como  escudeiro do mercado.

O que se espera dele agora é que repita o desempenho se Aécio chegar ao Planalto.

Não necessariamente nessa ordem dos fatores. Mas com poderes até maiores que os da experiência anterior. Poderes de um presidente da república do dinheiro, repita-se.

Ao tarifaço no lombo dos assalariados,  preconizado  como o start do processo por  formuladores tucanos,  seguir-se-á  uma robusta talagada de  juros para  salvaguardar — como antes —  os endinheirados do rebote da inflação.

Uma volta extra no torniquete  fiscal  — "um superávit de uns 3% do PIB" —  daria à turma do mercado a certeza de que o Estado faria o arrocho necessário  para pagar  o serviço  da dívida.

O dólar flutuante de que fala Monsueto daria o arremate à obra.

Dólar barato mais abertura ampla às importações = nocaute nas taxas de inflação.

É o que se promete nos salões elegantes onde a conversa é desabrida, quase eufórica.

A que preço sairia o pacote?

Ao preço, entre outros, de uma contração do parque manufatureiro, capaz de deixar saudade ‘na maior desindustrialização da história’ denunciada hoje por Aécio.

O  saldo restante seria quitado na forma de desemprego e  depreciação salarial, reduzindo de fato o demonizado  ‘custo Brasil’.

Por isso Aécio não pode adiantar a sua fórmula de correção do salário mínimo, nem a da correção da tabela do Bolsa Família e outras miudezas sociais.

Restaria apenas uma incógnita  colateral:  quanto sobraria do país fora do ralo? Deixados  à própria sorte, como advogam os ‘matadores’ à la Armínio, os ‘ajustes de mercado’ empurram  a economia para operar  à beira do sumidouro.

Ou seja, em condições de baixa demanda efetiva e elevado nível de desemprego.

Sem prejuízo da carteira rentista.

A ração dos  juros fica assegurada pela dinâmica de um  endividamento público emparedado entre despesas fixas e receita fiscal corroída pela recessão.

O conjunto reúne os ingredientes típicos da receita que levou o mundo ao desastre neoliberal de 2008.

A saber: empobrecimento das famílias assalariadas, desigualdade crescente, decadência industrial, elevado desemprego e a cereja do bolo: déficit  fiscal, de um lado, e derrocada dos serviços e investimentos públicos, de outro.

Maiores informações, consultar as contas nacionais da Espanha, Grécia, Portugal e assemelhados. Todos submetidos à mesma terapia acalentada aqui pela turma empenhada no desmonte da incipiente democracia social brasileira.

A ideia que desse necrológio possa brotar uma pujante base exportadora equivale a acreditar que a Faixa de Gaza hoje  está mais apta a crescer e a prosperar  do que antes  dos 28 dias de bombardeios de Israel.

Esse é o angu de caroço temperado nos bastidores da candidatura  tucana, que  Aécio Neves protagoniza mas não consegue, nem pode, verbalizar de forma palatável

A campanha, porém, ingressa numa fase em que o tucano será instado, cada vez mais, a esclarecer suas propostas para  o presente e o futuro brasileiro.

É a hora em que as batatas queimam na boca do conservadorismo.

Pior que isso.

A hora em que o próprio Aécio se torna uma delas.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Saída para os túneis

A moderação nas exibições, impressas e de TV, do estado em que está Gaza é bastante perceptível: pouco numerosas em um caso, ligeiras no outro, ângulos quase sempre sem dramaticidade gritante. Não só aqui.

Realismo contido, para indignação limitada. Ainda assim, jamais se terá imaginado, por exemplo, a exibição no "Globo" das fotos que têm sobressaído até na primeira página. Nem ler os artigos críticos à ferocidade israelense e as correspondências jornalísticas de crua veracidade.

O comedimento não esconde, não pode esconder. Uns em seguida a outros, são quarteirões inteiros de apartamentos que aparecem destruídos, restos de ruas encobertos pelas ruínas de moradias que só em muitos anos serão substituídas, para os de melhor sorte. A vida civil e pacífica reduzida a morte, sofrimento e escombros.

Eram túneis que Israel estava destruindo? Foram túneis que voltou a destruir já aos primeiros minutos do fim da trégua, com registro imediato de mais mortes de crianças e civis nos bombardeios a mais prédios e mais quarteirões? Túneis em apartamentos, tão originais os palestinos.

Os alemães inventaram o ataque a uma rádio sua, próxima da fronteira, para iniciar a invasão da Áustria. Os americanos inventaram o ataque a um pequeno navio de sua Marinha, e logo iniciaram o já planejado bombardeio aos reservatórios de petróleo do Vietnã do Norte. Os israelenses não precisaram inventar a existência de túneis palestinos.

Os improvisados na fronteira de Gaza e Egito existem há anos, para burlar com alimentos, remédios e utilidades o bloqueio de Gaza pelos israelenses, que periodicamente levam comandos por mar para obstruir essas perfurações da miséria. Na atual destruição de Gaza, Binyamin Netanyahu invocou outros túneis.

Estes, como os descrevem os israelenses, são túneis construídos com requintes de infraestrutura, para a passagem segura de terroristas palestinos. Mas não negam a definição, com uma boca em cada extremo — Gaza e Israel. E aí é que o motivo invocado pelos agressores israelenses se distancia da esperada luz do fim dos túneis. E vai ao encontro daqueles tenebrosos americanos e alemães.

Se os túneis têm bocas em Israel ou nas proximidades, obstrui-las era todo o necessário para tornar impossível o seu uso pelos terroristas. Ou aguardar o aparecimento deles, como nos desenhos animados. Não há no mundo zona com mais vigilância: os israelenses vigiam cada centímetro das terras fronteiriças e da sua versão do Muro de Berlim, inexistindo a possibilidade de bocas de túneis não perceptíveis por tantos olhos e câmeras.

Túneis para Israel? Nenhum bombardeio israelense seria necessário, nenhum assassinato bélico de crianças, massacre de civis, destruição de hospitais e escolas, mesquitas e igrejas, bairros inteiros. Mas o governo de Israel quis fazê-los. O governo de Israel continua a fazê-los. Indiferente ao que parece ser o começo do cansaço com o que Israel prefere fazer.

Indispensável

De computador usado no Palácio do Palácio partiram as modificações nas biografias dos jornalistas Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia, conforme noticiou Paulo Celso Pereira no "Globo". O mais importante nesse fato não é o teor das alterações, feitas em maio do ano passado, para desqualificar os dois por seu oposicionismo, aliás, nunca insultuoso. Ambos já deram as suas respostas. O mais grave é o desvio de conduta e de objetivo partido de dentro da Presidência da República.

Escrevo com antecedência que deixa tempo para providências do governo não consideráveis aqui. Vale, porém, para o caso presente e para o futuro a observação de que o governo tem o dever, por exigência do Estado de Direito, de buscar a identificação da responsabilidade pelo desvio e dar-lhe as consequências cabíveis.

A impossibilidade técnica já mencionada deve ser vista, no máximo, como dificuldade. Mesmo porque a identificação agora impossível sugeriria a liberdade para atos até perigosos, originados de instalações da própria Presidência, e resguardados no anonimato e na impunidade. 

Janio de Freitas
No fAlha
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O escândalo da Wikipédia parece uma piada mal contada

O mundo midiático do factóide no Brasil é algo mais fantástico do que o gênero literário. Cortázar, Borges e Garcia Marques ficariam de queixos caídos se aportassem por aqui e abrissem os jornais e revistas. Ou se tivessem contato com o noticiário de TVs e rádios.

A wikipédia é uma enciclopédia colaborativa. Uma das criações mais interessantes da era da internet, principalmente porque não é uma corporação que busca vampirizar o meio. Não é um Facebook e nem um Google. Não é uma Microsoft e nem uma Apple. É uma Fundação que organiza um projeto colaborativo e que precisa que as pessoas participem para existir.

Recordo-me do dia em Jimmy Wales, o criador do Wikipedia veio ao Brasil para lançar o Wikimedia. Fui um dos convidados para bater um papo com ele no evento de lançamento, realizado no Centro Cultural. Antes ele havia ido ao Roda Viva e lá tinha sido questionado por um dos entrevistadores sobre um erro no seu perfil em língua portuguesa.

O atento entrevistador achou que tinha armado uma cilada para Wales. Se até o perfil do criador da enciclopédia tinha um erro era porque ela não valia de nada. Certo? Não, errado. Wales só disse o seguinte ao intrépido repórter. Se estava errado, não estará mais depois de você ter alertado para isso. Neste momento alguém já deve estar corrigindo-o.

Na Wikipédia é assim. Se alguém escreve uma baboseira, alguém está sempre a postos para buscar corrigir o erro. Ele não fica esperando o próximo ano ou a próxima edição do produto.

Nestes dias de “escândalos” sobre perfis na wikipédia, tem gente que ataca o governo dizendo é um crime alguém a partir do Palácio do Planalto mexer num perfil de jornalista. Coisa mais boba impossível. Jornalistas podem ser queridos ou não, como todos os seres humanos. Se um direitopata fosse escrever o verbete da Fórum, provavelmente ele seria muito pior do que é. Mas certamente apareceria alguém para melhorá-lo.

E foi deste jeito, sendo atualizada por milhões de pessoas pelo mundo, utilizando-se da inteligência colaborativa, distribuída e conectada digitalmente que a wikipédia derrotou, por exemplo, a Enciclopédia Britânica.

Por isso é também bastante incômodo ver gente no afã de defender o governo dizendo que a wikipédia é uma porcaria e que não deveria ser levada em consideração. Ou que é “fonte não relevante”. Fonte não relevante são os jornais brasileiros. Fonte não relevante é a Veja e a TV Globo. E não é incomum ver pessoas da academia usando esses veículos como fontes em artigos. E não é incomum ver políticos e jornalistas citando esses veículos como se fossem de fato sérios.

Bobagem pura

A wikipédia tem um papel muito relevante e democratizante. Ela permite que muitos que não teriam acesso a certas informações cheguem a ela, como também populariza a verbetização. Ou alguém acha que Mirian Leitão e Sardenberg seriam verbetes da Barsa ou da Enciclopédia Britânica?

Isso tudo não significa que seja moralmente defensável que alguém usando computador de governos, seja ele qual for, fique mexendo em perfil de adversários ou aliados. Mas certamente não é só gente do Palácio do Planalto que  faz este tipo de coisa. Em muitos outros governos e de outras esferas certamente sempre haverá um bobão pra querer ser mais realista que o rei. Pra fazer papel de estafeta do chefe e ficar misturando seu posicionamento como servidor público e cidadão.

Mas isso deveria fazer a apresentadora do Jornal Nacional ficar com cara de velório e o apresentador realizar a locução como se tivesse narrando a tragédia do World Trade Center? Óbvio que não. Aí que entra o show de factóides. Veja, por exemplo, fez recentemente quatro páginas falando de quadrilha digital e colocou duas imagens do site da Fórum para ilustrar o caso. É um absurdo evidente, mas esse editor não fez cara de choro e nem saiu por aí se dizendo vítima de um conluio. Há Justiça pra resolver o caso. E acho que Miriam Leitão e Sardenberg deveriam ir pelo mesmo caminho. E parar com o chororô.

Mas eles têm outros objetivos. Querem misturar isso com regulamentação da comunicação no Brasil para fazer agrado ao patrão. Como se não houvesse nada mais ditatorial do que o poder das Organizações Globo no Brasil. E mesmo assim há quem chame aquilo de jornalismo independente.

Que jornalismo independente é esse que se tornou o que é na ditadura militar escondendo torturas e assassinatos? Que jornalismo independente é esse que manipulou debates em eleições presidenciais? Que jornalismo independente é esse que não deu um pio nem para abrir o debate sobre as privatizações no país? Que jornalismo independente é esse que não abre espaço para o contraditório em uma série de questões de interesse público?

Enfim, não temos que nos preocupar com o helicóptero com quase 500 quilos de cocaína da família Perrella, não temos que nos preocupar com os aeroportos do Aécio, não temos que nos preocupar com a falta de água em São Paulo e nem com a corrupção no metrô, que levou um grão-tucano a ser afastado do Tribunal de Contas. Nada disso merece destaque no noticiário. O que importa é falar de dois verbetes na wikipédia. Então tá.

Renato Rovai
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Na Globo, Luís Fernando Silva Pinto torna-se a voz do Apocalipse

O correspondente anda trabalhando muito nas últimas semanas, os olhos se arregalando em êxtase jornalístico, a voz com aspereza de tragédia à medida que crianças são trucidadas em Gaza

O correspondente da Globo desafia o furacão Katrina
Seus coleguinhas do já falecido Jornal da Tarde espantaram-se com sua esperteza de olhos bem abertos e uma curiosidade farejadora de notícias que acabou por lhe tributar — e não por uma eventual semelhança fisionômica — o apelido que lembrava um roedor. Era um garoto, ao desembarcar naquela redação encharcada de veneno. Sobreviveu magistralmente.

Luís Fernando Silva Pinto acabou na tevê, correspondente em Washington da Rede Globo. Na cobertura daqueles trevosos anos Reagan, apurou o estilo esbugalhado mas caracteristicamente acrítico de jornalistas que exercem seu ofício à sombra do poder — no caso, à sombra da Casa Branca. Correspondentes costumam se comportar como se fossem membros do gabinete presidencial e, como tal, acabam se transformando em porta-vozes dos porta-vozes. Repetem o que o poder quer que eles digam. Haja vista a balela das armas de destruição em massa do Saddam Hussein.

Mais complicada é ainda a vida de Silva Pinto, já que presta serviço a uma emissora chapa-branca — em relação ao Império do Norte. Chegou a desistir, mas a queda das Torres Gêmeas levaram a Globo a readmitir às pressas o ofegante correspondente.

Ele anda trabalhando muito, nas últimas semanas, os olhos se arregalando em êxtase jornalístico, a voz com aspereza de tragédia à medida que crianças são trucidadas em Gaza (o correspondente da Globo culpa, naturalmente, o Hamas) e aviões caem do céu misteriosamente. Se o Apocalipse vier a precisar de um locutor experimentado, basta convocar o Silva Pinto.

Nirlando Beirão
No CartaCapital
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Essa é do Barão... 8


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