9 de ago de 2014

Discurso de Aécio a favor de estatais não engana; tucanos querem privatizar rápido Gasmig

Deputados federais Margarida Salomão, Padre João e Fernando Ferro (PT-MG)
Parlamentares do Partido dos Trabalhadores pronunciaram-se hoje (8) contra a privatização da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), que o governo tucano de Minas Gerais afirma ser necessária para a construção de um gasoduto que abastecerá a fábrica de amônia da Petrobras, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, prevista para entrar em operação ano que vem. O tema tem sido tratado na Assembleia Legislativa mineira, que tem de alterar a Constituição Estadual para permitir a venda do controle da companhia.

A deputada e vice-líder da Bancada do PT na Câmara, Margarida Salomão (PT-MG), observou que a iniciativa fere os interesses de Minas Gerais e ao mesmo tempo revela que o candidato tucano à presidência da República, senador Aécio Neves, tem mesmo uma prática privatista que contradiz seu discurso de suposta defesa das empresas estatais. “A Gasmig é uma empresa estratégica para Minas Gerais, mas os tucanos querem passá-la para o comando privado, de uma empresa estrangeira”, criticou Margarida.

Ela lembrou que os tucanos tentaram privatizar totalmente a Cemig no passado, no governo Eduardo Azeredo, mas a ação foi anulada depois, quando Itamar Franco assumiu o governo do estado. “A gestão do PSDB em Minas é desastrosa: o aparelho estatal tem sido privatizado e fisiologizado, basta ver a construção de um aeroporto na cidade de Cláudio: usou-se dinheiro público para favorecer a família do senador Aécio”.

Privatismo

O deputado Padre João (PT-MG) lembrou que os tucanos querem a privatização da Gasmig a toque de caixa porque, na “gênese do PSDB, há o gosto pela privatização, como foi na era FHC, quando o patrimônio público foi vendido a preço de banana”.  No caso de Minas, ele lembrou que o foco privatista imprimido por Aécio Neves quando era governador, e depois pelo seu sucessor, o tucano Antonio Anastasia, contaminou toda a administração pública, sem que isso significasse melhoria dos serviços. “Até a Emater, empresa 100 % pública, tem sofrido com essa lógica empresarial, que despreza os interesses da população”.

O parlamentar mineiro observou que o “entreguismo” tucano visa a favorecer a empresa espanhola Gás Natural Fenosa (GNF), que conseguiria eventual financiamento pelo BNDES para a construção do gasoduto, embora a própria Gasmig possa fazer essa operação, preservando o interesse público. “O curioso é que essa operação de privatização ocorra num momento de campanha eleitoral, quando procuram-se recursos privados para o financiamento de campanhas”, comentou Padre João.

O vice-líder da bancada do PT na Câmara, Fernando Ferro (PT-PE), comentou que o caso mostra claramente que Aécio Neves, ao afirmar que não defende a privatização de empresas estatais, “faz um discurso da boca para fora”- já que os seus correligionários em Minas fazem o oposto do que prega.  Ferro lembrou que Aécio está cercado de privatistas que foram denunciados à época do governo FHC (1995-2002) pelas antinacionais privatizações. É o caso de Elena Landau e Pérsio Arida, “sacerdotes neoliberais que seguem um mantra de que é preciso privatizar e entregar todo o patrimônio público ao capital privado, de preferência estrangeiro”.  “O discurso de Aécio Neves não engana ninguém”.

Histórico

No fim de julho, a Cemig adquiriu os 40% das ações da companhia de gás que pertenciam à Petrobras. Com isso, a estatal mineira passou a deter o controle de 99,57% do capital da Gasmig — a Prefeitura de Belo Horizonte possui 0,43% das ações —, mas afirma que não tem recursos para construir, sozinha, o gasoduto, que terá custo entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões. Para viabilizar a obra, a estatal mineira mantém negociações com a espanhola Gás Natural Fenosa (GNF).

Em 2010, para que a Petrobras aprovasse a construção da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados José Alencar (Fafen-JA) em Uberaba, o então governador de Minas e presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que o governo mineiro, por meio da Gasmig, construiria o gasoduto.

Legislação

Hoje, a venda do capital da Gasmig só pode ser feita com a aprovação de três quintos da Assembleia, além de um referendo popular, segundo redação dada ao artigo 14 da Constituição Estadual por projeto aprovado em 2001, na gestão do então governador Itamar Franco (PMDB).  E é justamente este artigo que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 68. “Se quisessem privatizar só a Gasmig, era só tirar a classificação de subsidiária”, avaliou o deputado estadual Rogério Correia (PT) único representante da oposição ao governo que é membro efetivo da comissão especial encarregada de analisar a proposta.

O maior problema, segundo ele, é a redação genérica do texto, que permite a venda de ações de quaisquer empresas públicas ou de economia mista que não sejam controladas pela administração direta.

Tramitando há menos de duas semanas, o projeto defendido pelo governo de Minas Gerais para privatizar a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) sem consulta pública à população do estado foi contestado por diversos deputados e representantes sindicais na audiência pública realizada nesta semana na Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os parlamentares que formam o bloco de oposição pediram a retirada de tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 68/14 e foi instalada uma Comissão Especial que irá analisá-la.

“O que está em jogo aqui é a soberania do povo mineiro”, afirmou o deputado Adelmo Carneiro Leão (PT), muito aplaudido por funcionários da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), detentora de 60% da Gasmig, que lotaram o auditório. Além da Gasmig, a Cemig Telecom, Cemig Distribuição, Cemig Transmissão e Cemig Geração poderão ser privatizadas por decisão do Executivo caso seja aprovado o projeto.

No Viomundo
Leia Mais ►

O governo mineiro e a Globo

 Matéria do Observatório da Imprensa de 06/02/2007 


O site noticioso NovoJornal, — (censurado por Aécio Neves) — de Belo Horizonte, trouxe em 23/1/2007 a seguinte manchete "Governador de Minas, Aécio Neves, paga US$ 269 milhões de dívidas da Rede Globo de Televisão na compra da Light". Será?

Em investigação realizada pelo site, são revelados detalhes de um negócio em que o governo mineiro, com capital da Cemig, criou uma outra empresa, a RME – Rio Minas Energia Participações S/A, a qual comprou a Light "transferindo para os fundos credores da Rede Globo (...) um crédito em ações de US$ 269 milhões, através do pagamento feito a maior que a quantidade de ações adquiridas na Bovespa pela RME – Rio Minas Energia Participações S/A, na operação de compra".

Segundo o site, quando se analisa a compra da Light pela RME com documentos da Secretaria de Acompanhamento Econômico, do Ministério da Fazenda, percebe-se que, apesar de ter pago por 79,57% das ações da Light, a RME só adquiriu 75,40%. Tal operação, de acordo com o site, é utilizada por empresas particulares para esconder ou desviar lucros, tal como quando se compra nota fria. O saldo da operação seria o destinado à amortização da dívida da Globo para com credores estrangeiros.

Toda a negociação, aparentemente, envolveu a posse do ex-presidente da holding do Grupo Globo, Ronnie Vaz Moreira, como presidente da tal RME - Rio Minas Energia Participações S/A e como diretor-financeiro da Light. Em suma, o povo mineiro, sem saber, através de sua companhia elétrica estadual, financiou o salvamento do grupo Globo, para que este agisse em favor do governador mineiro Aécio Neves.

Nesse processo, a Cemig acabou por constituir sociedade com várias empresas particulares na RME, porém sua participação é de apenas 25%. Ainda de acordo com o site, "a irregularidade na constituição da empresa é tão grande e insanável que a Junta Comercial e a Receita Federal não conseguem explicar como isto ocorreu, prometendo pronunciar-se só depois de uma profunda e detalhada investigação".

Blindagem eficiente

Como os credores da Globo nos EUA já tinham entrado com pedido de falência contra a empresa em Nova York, o pagamento da dívida teve quer ser feito dentro da contabilidade da Globo, o que acabou "deixando rastro".

O site se alonga em detalhes exaustivos da operação e cita, inclusive, dados da Justiça norte-americana, a qual, embora busque explicações da origem do dinheiro da Globo para o pagamento do seu pedido de falência, deixa um vazio justamente ao não explicar qual o mecanismo de entrada desses recursos no caixa da Globo. Não explica o X da questão.

O site dá indícios e mostra evidências fortes que devem ser apuradas pelo poder público e pela mídia. A questão é: qual mídia? Se tal operação de salvamento da Globo através de artimanhas do mercado financeiro foi realmente articulada pelo governo de Minas, por dedução explica-se a eficiente blindagem e o quase apoio institucional que o governador Aécio Neves recebe da Globo.

A Globo, por meio de seus veículos, não noticiaria ou mobilizaria a opinião pública para uma irregularidade cometida para sanear suas dívidas. Ou noticiaria? Aparentemente, também não o fariam o Grupo Abril ou o Grupo Folha, pois, segundo matéria do mesmo site ("Aécio Neves entrega Copasa às multinacionais espanholas OHL, Agbar e Capital Group, para montar campanha à Presidência"), em operação financeira dessa vez envolvendo a Copasa, o governo de Minas acabou cedendo capital da empresa para grupos econômicos com participação nos dois grupos de comunicação.

Cabe, no entanto, aos meios de comunicação não acusados e ao poder público apurarem as denúncias de uso de capital de empresas públicas e estratégicas para o financiamento de articulações e movimentações entre políticos e grupos de comunicação.

Sugiro a este Observatório e aos profissionais de mídia investirem na apuração dessas denúncias. Seria uma nova "Sociedade dos Amigos de Plutão"? Pode ser, mas deve ser investigado para se chegar a essa conclusão. Sendo as operações irregulares ou não, e tendo realmente ocorrido, poderia tratar-se de uma manobra para obter controle sobre o que é publicado nos meios de comunicação de maior alcance no país, sobre controle dos grupos Globo, Folha e Abril. Ao financiar com dinheiro público o saneamento das dívidas do Grupo Globo, Aécio Neves se tornaria parceiro. Sócio. Ao permitir que capital da Copasa se misture com capital de grupos estrangeiros dos quais fazem parte Folha e Abril, novamente Aécio se tornaria parceiro. Sócio. Em suma, se trataria de uso de dinheiro público para fins pessoais.

Projeto de poder

A crise financeira que assolou os veículos de comunicação, associada à atual transformação no mercado de capitais e à entrada no país de novos grupos investidores em telecomunicações e tecnologia, acabou por configurar um cenário em que o grupo com maior poder de barganha, leva. Não se trata de ideologia ou projeto político, mas pura e simples lógica de mercado. Quem paga mais, leva.

Como o atual governo não o fez através de financiamento oficial do BNDES, tão discutido alguns anos atrás, Aécio, segundo o NovoJornal, o teria feito através das ferramentas que tem à mão, dispondo de capital público, pertencente aos cidadãos mineiros, para, assim, aproximar-se daqueles que divulgam idéias e para levar a si próprio e a seu grupo político à presidência da República.

Desde o início de seu primeiro mandato ouve-se falar em cerceamento da imprensa pelo governo de Minas. Em todos os veículos. Mas, se confirmadas as denúncias apresentadas pelo site, a compra da "grande mídia" no país para o benefício, impulso da imagem e conseqüente chegada à presidência de Aécio Neves se mostrará não apenas como censura ou cerceamento de idéias, mas como um profundo e bem arquitetado projeto de chegada ao poder — não só do governador, mas de todo um complexo, poderoso e influente grupo político e econômico. Será?

Daniel Florêncio
No OI
Leia Mais ►

O "escândalo da Wikipédia" e a autofagia da TV Globo

O “escândalo da fraude da Wikipédia” é a confirmação de que nada mais resta para a grande mídia do que a bomba semiótica da não-noticia. Em nova “denúncia” jornalistas Miriam Leitão e Carlos Sardenberg tiveram seus perfis na enciclopédia virtual Wikipédia “fraudados” com a inserção de difamações e críticas. E tudo teria partido do endereço virtual “da presidência”... ou teria sido “do Palácio do Planalto”... ou, então, “de um rede pública de wi fi?”. A ambiguidade dá pernas à não-notícia que revela um insólito desdobramento de um jornalismo cuja fonte primária (a Wikipédia) nega a si própria como fonte confiável de investigação. Abre uma surreal possibilidade de um tipo de jornalismo que se basearia exclusivamente em fontes onde o próprio repórter pode criá-las para turbinar a sua pauta. E de quebra revela o momento autofágico da TV Globo que oferece suas próprias estrelas jornalísticas em sacrifício no seu desespero de ter que lutar em duas frentes simultâneas: a política e a audiência.

Com o “escândalo Wikipédia” e a perspectiva de uma hilária “CPI do wi fi” está se confirmando que na atual batalha semiótica pela opinião pública a única arma que restou para a grande mídia é a da não-notícia — sobre esse conceito clique aqui.

O jornal O Globo deu a manchete (“Planalto altera perfil de jornalistas com críticas e mentiras”) e a TV Globo repercutiu nos seus telejornais durante todo o dia a “notícia” de que os perfis dos jornalistas Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão na enciclopédia virtual foram alterados com o objetivo de criticá-los. E o IP (endereço virtual) de onde partiram as alterações era da rede do Palácio do Planalto.

As supostas “críticas” inseridas no perfil dos jornalistas qualificam as análises e previsões econômicas de Miriam Leitão como “desastrosas” e de ter defendido “apaixonadamente” os ex-banqueiro Daniel Dantas quando foi preso pela Polícia Federal em escândalo de crimes contra o patrimônio público. E o jornalista Sardenberg de ser crítico à política econômico do governo por ter um irmão economista da Febraban que tem interesse em manter os juros altos no Brasil.

Jimmy Walles: Wikipédia não é apropriada
como fonte primária
Três características chamam a atenção nessa segunda detonação seguida de uma bomba semiótica da não-notícia (a anterior foi a tentativa de transformar a existência do media trainning na Petrobrás em escândalo político): a irrelevância, o timming e o tautismo.

Wikipédia é relevante?

Como a própria Wikipédia já admitiu, a enciclopédia não deve ser utilizada como fonte primária de investigação (“Wikipedia Reasearching With Wikipedia”). Jimmy Walles, co-fundador da Wikipedia, afirmou que “enciclopédias de qualquer tipo não são apropriadas como fontes primárias, e não devem ser invocadas como autoridades”.

Pelo seu caráter colaborativo onde qualquer usuário pode alterar o conteúdo dos verbetes, o uso da Wikipédia não é aceito em escolas e universidades. No máximo é utilizada como indicadora para fontes externas. Mas repentinamente para a grande mídia a Wikipédia passou a ter uma surpreendente relevância como documento primário de investigação.

Como “dar pernas” à não-notícia?

Estamos na típica situação jornalística em que se tenta “dar pernas” para a notícia que, em si, não possui relevância. A melhor forma de dar algum gás à não-notícia é por meio da retórica da ambiguidade.

A matéria do jornal O Globo ora fala que o IP era da “Presidência da República”, ora do “Palácio do Planalto”, ou também de “computadores do Palácio” e “IP da Presidência” para no final diluir tudo no “endereço geral do servidor da rede sem fio do Palácio do Planalto”. Naturalmente o teaser é dado pela manchete e primeiro parágrafo que tentam aproximar ao máximo o fato (irrelevante em si mesmo) da figura da presidente da República. Se o leitor persistir a leitura até o final da matéria, perceberá a diluição do próprio impacto noticioso.

Qual a matéria-prima dessa suposta notícia? De um lado a própria enciclopédia virtual que é até cautelosa consigo mesma e do outro uma rede wi fi pública. Com isso se projeta a possibilidade de que se alguém alterar o perfil do governador Geraldo Alckimin em rede wi fi pública instalada pela prefeitura de São Paulo, o gabinete do prefeito seria responsabilizado... A matéria abre uma surreal possibilidade de um tipo de jornalismo que se basearia exclusivamente em fontes primárias de investigação onde o próprio repórter pode criar para turbinar a sua pauta.

O timming do escândalo

Outra coisa que chama a atenção é o timming da detonação dessa bomba semiótica. Supostamente o “fato” teria ocorrido nos dias 10 e 13 de maio (de 2013, acrescento - CTL) e somente agora é “revelado”. Desde então, os perfis da Wikipédia encontravam-se alterados, sem haver qualquer tipo de escandalização — o que demonstra a “relevância” da enciclopédia virtual. Nesse momento, outras bombas semióticas estavam em andamento na Operação Anti-Copa (manifestações de rua, Black blocs etc.). A não-notícia foi guardada no paiol de armas semióticas da grande mídia, aguardando o momento propício para a detonação, que acabou sendo na sequência da suposta fraude da CPI da Petrobrás.

Enquanto havia manifestações anti-Copa
as não-notícias não eram necessárias
E para turbinar a não-notícia dos “perfis fraudados” da Wikipédia (como pode haver “fraude” se a enciclopédia é colaborativa?), a manjada estratégia da chamada agenda setting que até aqui o Governo federal mantêm-se inacreditavelmente refém: a não-notícia é repercutida pela imprensa ao “noticiar” que políticos de oposição pedem que a Procuradoria Geral da República apure a “denúncia”; ou divulgando a “preocupação” de órgãos como Associação  Brasileira de Imprensa, Associação Nacional de Jornais e Federação Nacional dos Jornalistas.

O que exige uma resposta institucional da Secretaria de Comunicação do Governo, dando legitimidade e combustível à não-notícia da “fraude da Wikipédia”.

Estrelas do jornalismo global
entregues ao sacrifício?

Um escândalo tautista

Outra característica dessa não-notícia é que ela revela não só o desespero da grande mídia em ter que continuamente rebocar um oposição política inepta como também o próprio tautismo da Organizações Globo. Por tautismo nos referíamos em postagem anterior a um momento de crise que a Globo enfrenta revelada por uma combinação de tautologia com autismo, por meio do conteúdo da sua programação cada vez mais autorreferencial e metalinguístico — sobre isso, clique aqui.

Quando a emissora oferece as própria estrelas do seu jornalismo como supostas vítimas no script de uma não-notícia (repare na matéria do Jornal Nacional como o depoimento de Miriam Leitão foi feito com a câmera pegando-a de cima para baixo para reforçar a ideia de vitimização e fragilidade) (assista abaixo), é que estamos diante de uma situação análoga ao caso de um indivíduo que, sob condições extremas de fome ou de alteração do metabolismo basal, o corpo começa a entrar em processo catabólico (processo de degradação onde o corpo começa a consumir seu próprio tecido muscular).

Essa autofagia da TV Globo pode ser percebida nessas seguintes características que tornam a não-notícia da “fraude da Wikipédia” num exemplar caso de tautismo global:

(a) ao colocar seus próprios jornalistas como vítimas de uma armação cibernética, a Globo insere essa não-notícia na sua tradicional linha editorial de criminalização da Internet. Em geral nos seus telejornais a Internet é pautada em seus aspectos negativos e difamatórios (crimes, vício, fraude etc.). Afinal, a mídia digital é o grande vilão da crise de audiência da TV aberta e concorrente direto da mídia tradicional.

(b) A insólita edição do Jornal Nacional do dia 08/08 onde um repórter entrevista outro jornalista da própria emissora, acaba revelando uma situação comum na cobertura de eventos extensivos como Copa do Mundo e Olimpíadas: na falta de assunto, jornalistas entrevistam-se entre si. No atual cenário eleitoral com uma frágil oposição política, a grande mídia começa a consumir a si mesma ao oferecer seus próprios integrantes como matéria-prima das bombas semióticas.

(c) Essa não-notícia revela também ser nostálgica: reviver os antigos fantasmas da censura, do controle da Imprensa por governos autoritários e toda a mitologia da extinta Guerra Fria — as supostas ditaduras comunistas como a cubana onde não haveria liberdade de imprensa e os jornalistas críticos seriam cruelmente perseguidos.

(d) O episódio guarda uma impagável ironia com a jornalista Miriam Leitão. No meio jornalístico ela é conhecida como “urubóloga” por suas apocalípticas previsões para o País que nunca acontecem e pela forma como gagueja e engole seco quando é obrigada a dar notícias econômicas positivas nos telejornais da TV Globo (assista abaixo). A “fraude” do verbete “Miriam Leitão” revela essa fina ironia autorrealizadora: numa suprema metalinguagem, a emissora brinca com a própria notoriedade pública da sua jornalista.

Wilson Roberto Vieira Ferreira
No Cinegnose



Leia Mais ►

A mídia como ela é


Um funcionário da Dersa, espécie de Paulo Preto do governo Mário Covas, perdeu a vida. Dinheiro vivo não faltava em sua casa. Descendia do célebre Barão Vermelho, aviador alemão que atuou na I Guerra Mundial. Tinha inclusive o mesmo nome: Manfred Albert Freiherr Von Richthofen. Ele e a mulher, a psiquiatra Marísia Von Richthofen foram assassinados na noite de 31 de outubro de 2002, a mando da própria filha, Suzane, o "anjo mau".

Causa mortis, dinheiro. O pai teria depositado uma fortuna num banco suíço em nome de Suzane e os dois teriam tido uma desavença. A moça convenceu o namorado e o irmão dele, os irmãos Cravinhos, de que poriam a mão em muito dinheiro, com seus pais mortos. Os rapazes mataram o casal a golpes de ferro.

O Fantástico, da Rede Globo, depois que a Justiça, em fevereiro de 2011, considerou Suzane "indigna" de receber a herança dos pais, dedicou sua principal reportagem ao tamanho daquela herança: R$ 11 milhões.

Mas não falou em Dersa nem questionou o fato de um engenheiro contratado por uma estatal amealhar tal fortuna.

Leia Mais ►

O Mercado de Notícias - Ato - I

 Publicado em 13/04/2014 


Primeiro ato da peça "O Mercado de Notícias", produzida e encenada especialmente para a gravação do documentário homônimo, dirigido por Jorge Furtado.

"O Mercado de Notícias" (The Staple of News) é uma das obras do dramaturgo inglês Ben Jonson (1572 - 1637). Escrito em 1625 e inédito no Brasil, o texto da peça foi traduzido para o português por Jorge Furtado e Liziane Kugland.

O surgimento do jornalismo, no século 17, é apresentado pelo humor da peça “O Mercado de Notícias”, escrita pelo dramaturgo inglês Ben Jonson em 1625. Trechos da comédia de Jonson, montada e encenada para a produção do filme, revelam sua espantosa visão crítica, capaz de perceber na imprensa de notícias, recém-nascida, uma invenção de grande poder e grandes riscos.



Os atores do filme "O Mercado de Notícias" — documentário sobre mídia e democracia — falam de seus personagens e também de sua relação com as notícias.

"O Mercado de Notícias" tem direção de Jorge Furtado e produção da Casa de Cinema de Porto Alegre.

Direção de making of: Márcio Schoenardie
Câmera: Giordano Gio
Edição: Texas Wondracek

Leia Mais ►

O caso do sumiço do diário de bordo do Helicoca, o helicóptero dos Perrellas

O diário de bordo sumiu
O piloto do helicóptero apreendido com 445 quilos de pasta base de cocaína quer falar com a Justiça. Mas até agora não encontrou nenhuma autoridade disposta a lhe dar o benefício da delação premiada em troca de suas informações.

Rogério Almeida Antunes trabalhou para o senador Zezé Perrella e o deputado estadual Gustavo Perrella durante cerca de um ano.

Recebia salário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde ocupava um cargo de confiança por indicação formal do deputado Alencar da Silveira, conhecido em Minas por divulgar no rádio o resultado do jogo do bicho.

A indicação era do deputado Alencar, mas o cargo era da cota política de outro deputado, Gustavo Perrella, aliado de Alencar.

O salário pago pela Assembleia representava 20% do que efetivamente Rogério recebia.

A diferença, de cerca de 8 mil reais, era paga por fora, em cheques ou depósito bancários, feitos por ordem dos Perrella.

Rogério nunca foi empregado da Limeira Agropecuária, empresa de Perrella em nome da qual está registrado o helicóptero.

Oficialmente, o trabalho de Rogério era transportar o deputado e o senador para eventos políticos.

Mas, segundo depoimento de Rogério prestado ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais, o helicóptero foi usado também para passeios do senador e do deputado em Vitória, no Espírito Santo, e na cidade do Rio de Janeiro.

Também serviu para levar celebridades para festas na fazenda da família. Uma das passageiras foi a atriz Deborah Secco, então casada com Roger, do Cruzeiro, cujo presidente era Zezé.

A despesa com combustível do helicóptero era reembolsada pela Assembleia Legislativa. Em um ano, os reembolsos somaram cerca de R$ 15 mil.

Como a lei proíbe reembolsos para despesas que não sejam efetivamente relacionadas ao mandato de deputado, Gustavo foi denunciado por improbidade administrativa e, se condenado, pode ser cassado.

Mas o que Rogério contou ao promotor Eduardo Nepomuceno, do Ministério Público do Estado de Minas, seria uma pequena parte de tudo o que sabe.

“O Rogério esteve aqui com o advogado dele e deu a entender que sabe muito mais, mas ele quer o benefício da delação premiada. Mas essa negociação só pode ser feita no processo por tráfico, lá no Espírito Santo. Aqui ele foi ouvido como testemunha”, conta Eduardo Nepomuceno.

O advogado de Rogério, Paulo Henrique da Rocha Júnior, já tinha tentado na Justiça Federal do Espírito Santo iniciar uma negociação para obter esse benefício, em que o acusado colabora com a investigação, fornecendo informações importantes para o processo, em troca da redução da pena.

O juiz do caso, Marcus Vinícius de Oliveira Costa, me contou que o advogado dele fez, de fato, essa “sondagem”.

O juiz indicou o Ministério Público Federal para seguir nas tratativas, já que a delação premiada, em tese, deve ter a anuência de promotores e procuradores, pois a eles cabe o papel de fazer a denúncia.

No Ministério Público, a negociação não avançou, entre outras razões porque o procurador que estava à frente do caso se afastou do processo por considerar que o inquérito estava “contaminado” por provas ilícitas — grampos telefônicos realizados em São Paulo não relacionados no processo.

No dia em que Rogério prestaria depoimento à justiça, o juiz decidiu colocar todos réus em liberdade, e estuda a possibilidade de anular o processo, pela utilização de prova ilícita. Não tomou o depoimento de Rogério, e a delação premiada, por enquanto, não é cogitada.

A delação premiada também foi objeto de discussão em outra instituição, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

O piloto Rogério estava preso, e o pai dele, Osmar Antunes, esteve com dois deputados estaduais.

Foi o pai do piloto quem tomou a iniciativa de procurar o deputado Paulo Guedes, através de uma antiga vizinha, do município de Brasília de Minas, onde Osmar morou antes de se mudar para Campinas, no estado de São Paulo.

Rogério Almeida Antunes, um dos pilotos
Rogério Almeida Antunes, um dos pilotos
Essa vizinha conhecia uma assessora do deputado Paulo Guedes, e a conversa, então, foi marcada, com Osmar Antunes, o advogado dele, uma assessora do deputado Guedes e outro deputado do PT, Rogério Correia.

“O pai do piloto me procurou, e dizia que o caso do helicóptero tinha implicações políticas e que seu filho tinha sido usado. Ele insinuava que a chave de tudo era o hotel fazenda em São Paulo. Queria falar mais, mas o advogado dele não permitia. Queriam os benefícios da delação premiada. Ficou acertado que voltaríamos a conversar. Mas, nesse meio de tempo, ele foi solto, e não fui mais procurado”, conta Paulo Guedes.

Eu localizei o pai de Rogério, Osmar, na região de Campinas, onde ele tem uma propriedade rural. Osmar dizia estar num trator quando atendeu à minha chamada, pelo celular: ”O Perrella disse que meu filho roubou o helicóptero. Roubou por quê? O Perrella sabia que ele estava usando o helicóptero”, afirmou. “Ele não precisa roubar helicóptero. Graças a Deus, eu posso comprar um helicóptero e mandar para o Perrella.

Osmar confirma que procurou os deputados que fazem oposição a Aécio. Sua preocupação é limpar a imagem do filho, embora admita que ele errou.

O inquérito da Polícia Federal informa que, a caminho de Afonso Cláudio, no Espírito Santo, o helicóptero dos Perrellas fez uma parada em Sabarazinho, a 15 quilômetros de Cláudio, o berço de um ramo da família do ex-governador Aécio Neves.

Também informa que o dono da fazenda onde teria ocorrido o pouso chamou a Polícia Militar e entregou os galões de querosene vazios encontrados no local.

Segundo a Polícia Federal, o pouso é confirmado pelo piloto Rogério.

No entanto, em entrevista ao DCM, o segundo piloto da aeronave, Alexandre José de Oliveira Júnior, deu outra versão. Segundo ele, o pouso aconteceu em Divinópolis, a 60 quilômetros dali, onde houve reabastecimento do helicóptero.

Se o helicóptero parou na fazenda em Sabarazinho para reabastecer, por que pararia de novo 60 quilômetros depois, para fazer a mesma coisa?

A pergunta sugere que, se houve os dois pousos, um deles não foi para reabastecimento.

É uma pergunta para a Polícia Federal responder, mas o inquérito terminou, e não está em andamento outra investigação sobre o caso.

Para acabar com qualquer dúvida sobre os pousos ou sobre quem viajou no helicóptero dos Perrella, bastaria consultar o diário de bordo da aeronave.

E, segundo os pilotos, o diário de bordo estava no helicóptero quando houve o flagrante dos 445 quilos de pasta base de cocaína em Afonso Cláudio.

Mas no laudo da apreensão, feito pela Polícia Federal, não aparece o diário de bordo. Nas quase 1 200 páginas do processo, também não existe nenhuma referência a esse item obrigatório da aeronave. Até o manual do fabricante é citado do laudo de apreensão. Mas não o diário de bordo.

No inquérito civil sobre o uso de verba pública da Assembleia Legislativa para pagar o combustível do helicóptero, o promotor mineiro Eduardo Nepomuceno queria saber quem viajou no helicóptero, e onde ele parou. Mandou um ofício a seu colega do Ministério Público Federal, em Vitória, pedindo cópia do diário de bordo.

Na resposta ao promotor mineiro, o procurador disse que não tinha visto nenhum diário de bordo no inquérito da Polícia Federal, mas assegurou que mandaria um ofício à Justiça Federal, perguntando sobre sua existência.

Também tive acesso ao inquérito e ao processo no Espírito Santo. Lá, não está o diário de bordo.

Como também não existe no processo nenhum ofício do procurador perguntando sobre o diário de bordo.

“Meu cliente [o piloto Rogério] garante que o helicóptero tinha o diário de bordo. Se sumiu, é um fato muito grave”, disse o advogado Paulo Henrique.

Joaquim de Carvalho
No DCM
Leia Mais ►

Presidente do Atlético-MG diz que Globo é culpada pelo fracasso do Campeonato Brasileiro

Alexandre Kalil acredita que clubes fora do eixo Rio-São Paulo são tratados como lixo

Kalil aponta que Atlético-MG foi 
o campeão de audiência em 2013
O baixo nível técnico do Campeonato Brasileiro tem um culpado: a TV Globo. O presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, questionou nesta sexta-feira (8) a fórmula usada pela dona dos direitos de transmissão da competição de pagamento por cotas de transmissão. Para o cartola, a emissora está fragilizada com os recordes negativos de audiência e contribuiu para a falência do futebol brasileiro.

A Globo convidou diversos clubes para reuniões sobre o futuro do futebol nacional. Antes mesmo do encontro, o presidente disse ao UOL que apenas Corinthians e Flamengo, donos das maiores cotas de TV, estão sendo beneficiados. Segundo ele, as demais praças esportivas são “tratadas como lixo”.

— A única coisa que eu espero que seja discutida é a "espanholização" do futebol brasileiro, porque eles só querem passar jogos de Flamengo, Corinthians, Corinthians e Flamengo. Só que a maior audiência da Globo no ano passado foi o Atlético-MG na Libertadores, e nós precisamos entender que acabou essa história de que Corinthians e Flamengo dão audiência. Dão p... nenhuma! Quem dá Ibope é quem está na frente e quem disputa títulos. Você acha que alguém vai ver jogos do Flamengo com o time caindo? Você acha que o Flamengo no meio da tabela dá mais resultado para a TV do que o Internacional tentando ser campeão, por exemplo? A Globo deve ter visto isso. Ela se f... quando deu 52% da renda para cinco times. Acabou com a praça da Bahia, vai acabar com a praça de Belo Horizonte e vai detonar todas as outras. A Globo está fragilizada porque a audiência está indo para o c..., e é só isso.

De acordo com o levantamento da consultoria esportiva BDO, o Flamengo e Corinthians recebem R$ 110,9 milhões e R$ 102,5 milhões pelas cotas de TV. Eles são seguidos por Palmeiras (R$ 76,3 mi), São Paulo (R$ 72,3 mi) e Atlético-MG (R$ 71,3 mi).

Desde o fracasso do Clube dos 13 em 2011, as equipes passaram a negociar individualmente os contratos de direitos de transmissão. O faturamento de todos cresceu com o novo modelo, mas a concentração de receita também. Com isso, Kalil aponta para uma “espanholização do futebol brasileiro”. Na Espanha, Barcelona e Real Madrid há tempos disputam o título da competição.

No último domingo (3), Corinthians e Flamengo registraram as piores marcas de audiência. O fraco empate sem gols entre Coritiba e Corinthians registrou 13 pontos para a emissora no Ibope — cada ponto equivale cerca de 62 mil domicílios sintonizados em São Paulo. No mesmo dia, a partida entre Flamengo e Chapecoense somou apenas 17 pontos, cerca de 38 mil domicílios no Rio de Janeiro.

— Eu disse e repito que quem tem poder para arrumar o futebol brasileiro é a Rede Globo de Televisão. A mesa que nós tínhamos para debater isso foi implodida por alguns clubes que ajudaram a dar fim ao Clube dos 13. Aliás, o Botafogo foi um dos principais artistas da explosão. Olha o que deu. Agora a Globo tem de promover uma mesa para os clubes aceitarem isso. O Bahia não pode disputar mais, o América-MG não consegue subir para a Série A. A praça da Bahia é importante, e Minas Gerais é a segunda economia do país, mas é tratada como lixo e hoje tem o campeão brasileiro e o campeão da Libertadores. Hoje, no momento em que eu falo com você, o Atlético-MG ainda é o campeão da Libertadores, e o Cruzeiro ainda é o campeão brasileiro.

No R7
Leia Mais ►

O barulho em torno de um Jesus Cristo beberrão, maconheiro, falastrão e negro

Milagre
Jesus era gordo, falava gírias, abusava de palavrões, gostava de vinho vagabundo e fumava maconha.

Ah, sim, e era negro.

“Black Jesus” estreou nos EUA causando barulho. No primeiro episódio, o messias transforma água em conhaque para alegrar a turma que o adotou.

Organizações religiosas já pedem o cancelamento da série. Abaixos assinados pipocam. Os produtores responderam protocolarmente: “Não é nossa intenção ofender qualquer raça ou grupo religioso”.

Todas as entidades reclamam do modo como Cristo é retratado: um beberrão que fuma erva e utiliza o nome de seu pai em vão. Blasfêmia pura. Passeatas foram organizadas e há movimentos organizados de boicote.

Na série, não fica claro que se o protagonista é, de fato, Jesus ou acha que é Jesus. Ele vive num bairro barra pesada em Compton, na Califórnia, e se junta a um bando de desgarrados que passam a segui-lo.

Qualquer coincidência com a Bíblia é mera semelhança. Na Última Ceia, seguindo a tradição judaica, todos foram obrigados a tomar quatro cálices de vinho. No evangelho de Lucas, os fariseus condenam JC e a seus colegas por beber e comer com “coletores de impostos e pecadores”.

No de Mateus, lê-se que ele era acusado de ser “um bêbado e um glutão”. Sua entourage incluía, além dos apóstolos, mulheres como Maria Madalena, Joana e Susana.

“Black Jesus” é uma bomba porque mexe com racismo e religião. Para fanáticos, é fundamental acreditar que a perfeição de Jesus é inapelavelmente divina. E que, se ele era também um homem, era branco.

Há alguns meses uma jornalista da Fox, Megyn Kelly, se sentiu ultrajada com um artigo no site da Slate em que a autora contava como a representação de Papai Noel com um velhinho branco a confundiu na juventude.

Depois de defender Santa Claus, ela cravou que “Jesus era branco, também. Ele era uma figura histórica, isso é um fato verificável”.

Na verdade, há uma corrente de historiadores que acredita que, como JC era um judeu do Oriente Médio de 2 mil anos atrás, ele tinha, provavelmente, compleição escura.

Em 2001, a BBC produziu o documentário “Filho de Deus”, baseado na descoberta, na Palestina, de um crânio do século I. “As representações artísticas ao longo dos séculos têm uma variação total de Jesus e nenhuma é acurada”, disse Mark Goodacre, estudioso do Novo Testamento. “Na linguagem contemporânea, é mais seguro falar de Jesus como um ‘homem de cor’, o que significa cor de ‘azeitona’”.

As primeiras pinturas retratando judeus, que datam do século III, mostram pessoas de pele escura. Com o passar do tempo, surgiu a imagem de JC como um homo europeus. Leonardo da Vinci, Michelangelo e outros consagraram aquela figura atlética, sensual e ariana. Ganharia até olhos azuis. Faz diferença?

Não que o “Black Jesus” seja biblicamente acurado ou tenha qualquer pretensão nesse sentido. Não é e não tem. Só deixa claro que para lidar com a estupidez nem fazendo milagre.



Kiko Nogueira
No DCM

Lembra desse Jesus Negão?

Leia Mais ►

É Dia dos Pais e domingo terá a maior Super Lua do ano!


Assistir à Lua cheia nascer é sempre um espetáculo fabuloso, mas nesse domingo o evento será diferente. A Lua nascerá gigantesca e alaranjada e também parecerá muito brilhante que a de costume. Domingo é Dia dos Pais e para brindar teremos a maior Lua cheia do ano!


Batizada popularmente como Superlua Cheia, o fenômeno acontece devido a uma coincidência que acontece sempre que a Lua entra na fase cheia no mesmo dia em que atinge o perigeu, a menor distância da Terra. Cientificamente o fenômeno é chamado de Lua do Perigeu.

Como Acontece a Super Lua

A Lua dá uma volta aparente na Terra a cada 29,5 dias e se tudo fosse perfeito, a superlua nunca existiria. É que a orbita da Lua ao redor do nosso planeta não é um círculo perfeito, mas uma elipse, uma círculo achatado.

Essa irregularidade do shape tem dois pontos principais, chamados perigeu e apogeu lunar. Durante o apogeu, o ponto mais distante da orbita, a distância média da Terra à Lua é de 405,696 km, enquanto no perigeu, o ponto mais próximo, essa distância cai para 363,104 km.

Além disso, as anomalias gravitacionais envolvidas fazem com essas distâncias médias variem um pouco, produzindo perigeus e apogeus diferentes ao longo do ano, alguns deles bastante perceptíveis visualmente.

É exatamente isso o que vai acontecer neste domingo, quando teremos o menor perigeu lunar do ano. Exatamente às 14h44 BRT (Hora de Brasília) a distância Lua-Terra será de apenas 356,896 km.

No entanto, essa aproximação por si só não produz uma Super Lua. Para isso é preciso que ela também esteja começando a fase cheia, que por uma coincidência terá início minutos depois do perigeu, às 15h09 BRT. Juntos, farão a Lua parecer 35% mais brilhante e aparentar um diâmetro 14% maior que o de costume. Em outras palavras, teremos uma Super Lua Cheia!

orbita da Lua


Além do aumento do brilho e do diâmetro aparente do disco lunar, as superluas também causam efeitos físicos aqui na Terra, uma vez que a maior aproximação produz marés mais fortes que as habituais, mas nada que fuja dos padrões já conhecidos

Vendo a Super Lua

Apesar de o ápice da Super Lua ocorrer na tarde de domingo, ela não poderá ser vista neste momento já que ainda não estará no céu.

Em boa parte do Brasil o astro nasce próximo às 17h30, praticamente ao mesmo tempo em que o Sol está se pondo no lado oeste. Isso faz com que o nascer da Super Lua ganhe uma coloração especialmente alaranjada, obtida devido à refração dos raios de Sol na atmosfera.

É isso aí. Nada como uma Super Lua para comemorar um Super Dia dos Pais. Bons céus!

Nota: O Apolo11 deverá transmitir o evento ao vivo, direto de São Paulo, a partir das 18h30. Se o tempo colaborar!
Leia Mais ►

Como uma boa notícia como a da inflação se transforma em duas más notícias


A taxa de inflação de julho foi a menor nos últimos quatro anos.

Esta é, claramente, uma boa notícia para o Brasil. Você diariamente lê e ouve informações apocalípticas sobre a inflação.

E os brasileiros sabem o que inflação significa. Nos dias de Sarney — e de Mailson, hoje transformado em professor de economia em colunas e artigos na mídia — a inflação chegou a 80%.

Ao mês.

De novo: aquela é uma boa notícia.

Como você faz para lidar com ela, se você gostaria secretamente que a taxa disparasse para usar isso contra Dilma?

Um giro breve pela imprensa me mostrou, ou me confirmou, que há dois caminhos.

O mais simples é ignorar, e torcer para que o leitor não perceba e não se sinta prejudicado pela desinformação.

Foi o que a Veja fez em seu site.

O segundo é embrulhar a boa notícia cuidadosamente em duas más notícias.

Foi o que o Jornal da Globo fez.

Ali está dito, logo na primeira linha, que o que fez a inflação baixar foram os juros altos e a baixa taxa de crescimento.

Dois fatos negativos — juros altos e crescimento baixo — obliteram a informação positiva.

Isso quer dizer que você fica sem possibilidade de ser elogiado no campo da inflação.

Se ela sobe, você é o responsável. Dilma e equipe, quero dizer.

Se ela desce, você não tem mérito nenhum. É culpado, na verdade, pelas coisas ruins associadas à boa notícia. No caso, os juros altos e o baixo crescimento.

E note: controlar a inflação sempre se fez exatamente assim. Você eleva os juros, e isso diminui o consumo porque o crédito fica mais caro.

Menos consumo significa menos inflação. E menos crescimento, também.

Quando, num momento de desconcertante franqueza, Aécio prometeu a empresários “medidas impopulares”, estava se referindo exatamente a isso.

Foi aplaudido pela plateia.

E na hipótese de fazer isso como presidente, caso se eleja, em algum momento aparecerá a notícia de uma baixa taxa de inflação.

A Veja não a omitirá. O Jornal da Globo não fará ressalvas.

Essa a diferença.

O público das grandes empresas de jornalismo é constantemente manipulado.

A sorte, para a sociedade, é que a internet oferece hoje um contraponto.

Ou seríamos todos, ou quase todos, manipulados.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Os signos representados pelo corpo feminino nu


O fotografo polonês Arkadiusz Branicki decidiu retratar os signos do zodíaco usando corpos femininos de várias mulheres completamente nuas.

Cada uma representou seu próprio signo, os penteados de cabelos e posições são tão certeiros que algumas nem é preciso usar a legenda para saber qual é.


Áries


Touro


Gêmeos


Câncer


Leão


Virgem


Libra


Escorpião



Sagitário


Capricórnio


Aquário


Peixes

No Folha Diferenciada
Leia Mais ►

Leitor da Veja descobrindo que a revista é formada por uma quadrilha de picaretas...

Leia Mais ►

A relação natural dos tucanos com o povo

Leia Mais ►

Calma, Miriam. Sua biografia já está escrita

Planalto não tem como identificar quem usou seu IP


Na busca desesperada do 3º turno, a Globo News passou o dia inteiro com a “denúncia” de um factóide.

Alguém entrou na biografia da Miriam leitão no Wikipédia para dizer que ela defendeu o imaculado banqueiro Daniel Dantas.

Primeiro problema: como demonstra nota oficial abaixo, lamentavelmente, não há como identificar o autor da intervenção.

Pode até ter sido um dos coleguinhas do Globo, já que há muitos que a tem em altissíma conta.

Segundo problema: leva a biografia do Wikiédia a sério quem quiser. Porque aquilo ali é uma bagunça sem qualquer compromisso com a verdade dos fatos.

Terceiro problema: se a Miriam jamais defendeu o imaculado será uma exceção no PiG. Porque, como se sabe, no PiG ele é imaculado. No Supremo também.

Quanto a intervenção na biografia de outro “analista econômico” da Globonews é irrelevante ele ser irmão de um economista dos banqueiros.

O citado analista seria um incorrígível 'neolibelista' mesmo que fosse irmão de Leon Trótsky.

Quanto aos pontos cardeais da biografia da romancista Miriam Leitão já estão esculpidos em pedra — fora do Wikipédia.

A seguir, a esclarecedora nota do Palácio do Planalto:
“É lamentável que o endereço IP do Palácio do Planalto tenha sido usado para modificar os perfis do Wikipédia dos jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg.

A liberdade de expressão na internet é um direito de todos. Mas é absolutamente condenável a utilização de equipamentos públicos com o intuito de atacar a imagem de qualquer cidadão.

Após consulta à Secretaria de Administração da Presidência, constatou-se que é tecnicamente impossível identificar os responsáveis pelas modificações nos perfis dos jornalistas. Isso porque os conteúdos da rede de internet de computadores do Palácio do Planalto, até julho deste ano, eram arquivados por no máximo seis meses. As alterações nos perfis dos jornalistas, citadas pela reportagem de O Globo, foram feitas em maio de 2013. Diante disso, não é possível identificar as máquinas utilizadas para estas alterações.

Informamos que, desde julho deste ano, um novo software foi instalado e triplicou a memória do servidor do Palácio do Planalto, o que permite arquivar por mais tempo todas as operações dos mais de 3,7 mil computadores vinculados à Presidência.

Outro dado técnico que dificulta a identificação de quem fez as modificações na Wikipédia é o fato de elas terem sido realizadas por um número de rede de internet do Palácio que também funciona para a rede wifi. Ou seja, qualquer pessoa, mesmo que estivesse em visita ao Palácio do Planalto, poderia, em tese, ter realizado as alterações.

Ressaltamos que este governo sempre se pautou por uma relação respeitosa com a imprensa. A liberdade de imprensa é um dos pilares da nossa democracia.”

Paulo Henrique Amorim
No CAf
Leia Mais ►

Amanhã, quando sair de casa, repense o que você pensa sobre drogas

A contradição vista do alto: bairro do Nordeste de Amaralina, Parque da Cidade e orla de Salvador (Ba)
(foto encontrada na internet, desculpe o autor pela falta do crédito)
Amanhã, quando sair de casa, observe quantas drogarias existem em seu bairro e fique a pensar que se tratam de empresas privadas, que garantem emprego a várias pessoas e recolhe m vultosos impostos ao estado. Verá, por exemplo, a Drogaria São Paulo, Santa Teresa, Santa Marta, Santana, Carrefour, Popular, Do povo, Menor Preço, Mais Barata, Droga Life, Drogas Mall, Extra, Gbarbosa, Bom Preço e tantos outros nomes.

Lembre-se, em seguida, que os produtos vendidos neste tipo de comércio são cercados de cuidados, inclusive com faixa em cores distintas (livra-me dos tais tarja preta!) para indicar o grau de periculosidade e, mais ainda, alguns desses produtos só podem ser vendidos com a comprovação de terem sido indicados por um profissional da medicina. Por fim, não custa lembrar, que cada caixa desses produtos contém uma “bula” com tantas informações em letras microscópicas que você não consegue ler. Aliás, quando consegue ler a parte que indica os efeitos colaterais e contra indicações, você não se sente mais assim tão seguro em usar aquela droga.

Mais adiante, você não pode esquecer-se disso, pense que os produtos vendidos naquele comércio, se usados com abuso ou sem orientação médica, podem causar dependência química, doenças, morte ou deixar sequelas terríveis no usuário.

No dia seguinte, quando sair de casa, enquanto estiver parado com seu carro atrás de um caminhão distribuidor de cerveja, observe quantos botecos, bares e depósitos de bebidas existem em seu bairro e fique a pensar que se tratam também de pequenas empresas privadas, que garante emprego a várias pessoas e recolhe também vultosos impostos.

Lembre-se, em seguida, que naqueles estabelecimentos se comercializa diversos produtos à base de álcool e com várias graduações: cerveja, uísque, vodca, vinho, cachaça...

Mais adiante, você também não pode esquecer-se disso, pense que os produtos vendidos naquele comércio, se usados com abuso, podem causar dependência química, vários tipos de câncer e morte do usuário. Além disso, lembre-se sempre, mesmo que não seja o caso de sua família, que o dependente de álcool causa um grande desconforto para os amigos, familiares, comunidade e saúde pública.

Para que você sinta a força apelativa desse comércio, pense em todas as noites, depois de um dia extenuante de trabalho, ao lado da esposa ou dos filhos, diante da televisão, ao assistir um comercial fantástico de bebidas alcóolicas, cheio de vida e alegria, em quantas vezes você não teve vontade de ceder à tentação e “tomar uma” ainda no meio da semana. Tipo: “deu duro, tome um, dreher”!

Terminada a árdua semana de trabalho, passeando no shopping com a família no domingo, chama-lhe atenção o requinte da tabacaria que exala um aroma gostoso de café misturado com fumos aromáticos. Ninguém usa tabaco naquele ambiente, mas o olhar e expressão das pessoas que compram charutos, tabaco selecionado e com diversas misturas, é de puro êxtase. Em casa, loucos que estão para chegar, viverão momentos de muito prazer. A fumaça do charuto cubano, depois de navegar pelos pulmões, vai formar imagens psicodélicas no vazio e suas lembranças navegarão naquelas formas que mudam ao sabor do menor movimento. O fumante viverá momentos que nenhuma outra substância ou experiência poderia lhe proporcionar e de nada adiantará o aviso na embalagem de que o tabaco poderá causar problemas à sua saúde.

Passeando ainda no shopping, você apenas vai lamentar que os “viciados” em tabaco são uns inconsequentes, pois todos sabem que o tabaco pode lhe causar diversos tipos de câncer, levando embora boa parte do orçamento do Ministério da Saúde, mas mesmo assim continuam fumando e se matando. E o que é pior: matando a si e aos que sofrem passivamente as consequências do tabaco.

Depois de tudo isso, melhor tomar um chopp para distrair e petiscar aquelas coisinhas que engordam e causam mal à saúde, mas que são irresistíveis. Assim, enquanto você saboreia aquele chopp de 500 ml, com colarinho médio e bem gelado, abre o jornal e, confortado e se sentindo mais seguro, lê a notícia de que a polícia matou, em heroico confronto, dois perigosos traficantes de maconha em um bairro da periferia de sua cidade. Tinham 17 e 18 anos de idade, negros, pobres, periféricos, sem profissão e estudaram até a terceira série do ensino fundamental.

Entre um gole de chopp e outro, ao refletir minimamente sobre a história dos traficantes perigosos mortos pela polícia e dos prósperos comerciantes de drogas lícitas, talvez você consiga se perguntar por que uns se tornaram homens honestos e outros se tornaram usuários de maconha e depois começaram a vender pequenas quantidades para manter a dependência ou para sobreviverem. Entre um gole e outro, poderá pensar nas oportunidades oferecidas ou na falta delas para uns e para outros; nas tragédias pessoais e familiares para uns e para outros, ou seja, da própria vida que levaram ou que lhes foi oferecida.

Entre um petisco e outro, talvez você consiga pensar agora que as drogas lícitas distribuídas por comerciantes honestos passaram apenas pelo crivo do imposto exagerado e que a maconha que vendiam os perigosos traficantes (??) subiu ao morro com a conveniência ($$) da banda podre da própria polícia e que seria distribuída para jovens do asfalto, que estacionariam carros de luxo em locais previamente ajustados e que fumariam a maconha na balada do final da semana com outros amigos. Assim, talvez agora você entenda que da mesma forma que usuários de outras drogas consideradas lícitas, uns desses rapazes continuariam usando apenas em baladas e outros, por conta de sua própria história pessoal, continuariam usando diariamente e poderão vir a causar problemas à sua família e seus amigos.

Ao pedir o segundo chopp, talvez agora você consiga entender que as drogas vendidas na drogaria da esquina; que as bebidas vendidas no depósito de bebida e que o tabaco vendido na tabacaria ali bem perto, são todas drogas que se forem usadas sem prescrição médica ou sem moderação, sem dúvidas, levam à morte do usuário e causam graves problemas às suas famílias e à saúde pública. Por fim, chegará à conclusão de que a maconha e outras drogas consideradas ilícitas também podem causar dependência e problemas à saúde do usuário, mas você continuará sem entender (será?) por que a polícia, nesta guerra absurda, prende ou mata e o sistema de justiça criminal condena apenas a juventude pobre que vende maconha, cujo uso causa bem menos problemas do que o álcool e o tabaco, conforme constatado por pesquisas científicas.

Ao levantar a tulipa do último chopp para o gole final, penso que você ainda estará em condições de questionar por que o fabricante dos produtos da drogaria, do depósito de bebidas e da tabacaria são apenas industriais ou comerciantes que empregam e recolhem impostos, mas o jovem que distribui maconha para ganhar uns trocados ou manter sua dependência é um bandido perigoso.

Se dois chopps e alguns petiscos, no espaço confortável e seguro do shopping, ainda não foram suficientes para descortinar a fumaça que lhe embaça a visão sobre o assunto “maconha” e suas opiniões continuam inabaláveis como tabus eternos, amanhã continue observando, enquanto enfrenta o trânsito louco de sua cidade, as drogarias, depósitos de bebidas e tabacarias e refletindo sobre as consequências do uso normal ou abusivo dessas drogas e ouvindo notícias no rádio do seu carro, com o ar condicionado no máximo e película protetora em 75%, de que a polícia, em heroico confronto, teria matado mais dois perigosos traficantes de maconha. Ao final de sua viagem, entenda, por fim, que não são as drogas ilícitas a causa da violência que lhe assusta em seu trajeto de casa para o trabalho, mas permita-lhe entender que a violência que lhe apavora é apenas a consequência da realidade cruel do lado de fora do seu carro, da desigualdade social e da pobreza, assim como o uso de drogas, lícitas ou ilícitas, é apenas a consequência da história pessoal de cada um.

Gerivaldo Neiva, Juiz de Direito (Ba), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD), membro da Comissão de Direitos Humanos da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e Porta-Voz no Brasil do movimento Law Enforcement Against Prohibition (Leap-Brasil)
No Gerivaldo Neiva, Juiz de Direito
Leia Mais ►

Essa é do Barão... 7


Leia mais clicando aqui.
Leia Mais ►

Bolinha de Papel: a nova tentativa da Globo armações...

O caso ocorreu um ano e meio atrás, e só agora a Globo revolveu divulgar? Será que guardaram a "denúncia" pra mostrar na época da eleição?


No Grupo Beatrice
Leia Mais ►

Inflação cai pelo 4º mês consecutivo. E agora?


Há quatro meses, quem ousasse dizer que a inflação apresentava uma tendencia de queda seria submetido a um corredor polonês pelos críticos do governo. Se fosse economista, seria definido como aparelhado pelo PT. Jornalista, seria chamado de chapa branca. Pois a inflação está em queda desde então e, em julho, atingiu a marca anual de 6,50%, contra 6,52% no mês.

Milagre? Nem um pouco. A queda da inflação era previsível como a chegada do dia depois da noite. Os preços, no Brasil, sempre sobem mais no primeiro semestre do que no segundo. Lição de curso básico de economia para principiantes.

Bastava querer fazer boa economia — em vez de má psicologia, aumentando a carga sobre o governo em ano eleitoral.

Olha que coisa difícil. No começo do ano, as passagens de avião estavam em alta, bem como as diárias de hotel e transportes, de forma geral.

Era o efeito Copa.

A partir de julho, depois da Copa, era óbvio que a força que jogava os preços para cima diminuiu e até acabou. O item transportes, por exemplo, teve queda de 0,018%.

Os alimentos ficaram parados, e até tiveram uma queda de ver no microscópio: 0,04% negativos. Uma decepção para quem torcia para que a inflação do tomate durasse o ano inteiro, prejudicando o bolso dos mais pobres e diminuindo o apoio ao governo.

Teria sido prudente fazer a lição de casa: apesar de todos os contratempos, o ano 2014 seria e foi um ano de safra recorde. Não foi um presente do céu, mas um planejamento que funcionou.

Se a energia elétrica não tivesse subido 0,12%, julho teria registrado uma deflação de 0,10.

Daria para imaginar o que vemos hoje? Claro. Bastava encarar a realidade econômica como ela é — e não como se gostaria que fosse.

Interessada em criar um apocalipse econômico na véspera da eleição, a oposição e seus aliados colocaram o governo contra a parede. Exigiam alta da gasolina, de impacto direto nos preços, ao mesmo tempo em que denunciavam qualquer arranhão acima da meta.

Clamavam por juros altos, que implicam na transferência de bilhões de reais dos cofres públicos para o setor privado mas, ao mesmo tempo, denunciavam a falta de controle nos gastos oficiais.

É correto reconhecer que essa pressão teve algum efeito.

A inflação não subiu, mas o consumo se retraiu e o crescimento foi afetado. Os juros para o consumidor e para o empresário atingiram um patamar sem qualquer relação com o nível do PROCOM, mas apenas com possibilidade dos bancos retornarem com gosto à ciranda financeira, onde o ganho é alto e o risco é zero. O consumo foi dificultado pela alta do dinheiro.

Para os próximos meses, o governo deve reforçar a oferta de crédito nos bancos públicos, como uma tentativa de vitaminar o crescimento.

Pode-se prever a melodia do coral dos amigos do mercado contra a presença do estado na economia.

Com os números do IBGE, a oposição brasileira acumula uma terceira profecia fracassada no ano eleitoral de 2014. A primeira foi o apagão e a segunda, a Copa que não iria ocorrer.

A terceira era o risco de uma hiperinflação provocada pela alta descontrolada dos gastos do governo. A realidade está aí.

Para a população uma alegria. Para a oposição, um vexame.

Leia Mais ►