8 de ago de 2014

O legado de Barbosa. 2.600 processos parados!

Viva ao menino pobre que “mudou” o Brasil-il-il!


O Conversa Afiada reproduz texto do site do STF:

Presidência cria força-tarefa para colocar em dia a distribuição de processos no STF

O presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, autorizou a criação de uma força-tarefa para colocar em dia a distribuição dos processos que se acumularam na Corte.

Cerca de 2.600 feitos aguardam distribuição. O mutirão foi implementado pela Secretaria Geral da Presidência e será realizado pela Secretaria Judiciária do STF.

Esse estoque é resultado do elevado recebimento de processos físicos e eletrônicos que chegaram ao STF, e compõem-se principalmente de recursos contra decisões dos tribunais de segunda instância.

De acordo com o ministro Ricardo Lewandowski, a iniciativa permitirá que a distribuição aos relatores seja colocada em dia, atendendo a exigência constitucional da “razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação, nos termos do art. 5º, LXXVIII, da Carta Magna”.

A força-tarefa começou os trabalhos hoje (7) e conta com 50 servidores que trabalharão inclusive aos sábados e domingos, até o final de agosto. Cabe a eles analisar a existência de conformidade, presença de repercussão geral e também dos requisitos formais dos recursos previstos na lei processual, para em seguida proceder à autuação, observando sempre se o processo envolve prevenção (critério que mantém a competência de um ministro em relação a determinado processo pelo de ter tomado conhecimento da causa em primeiro lugar)

Entre os 2.600 processos que Barbosa ignorou se encontra a RE 680967, que vai legitimar a Operação Satiagraha.

Porque, como se sabe, Barbosa falou grosso com o bilionário Genoino e fino com o pobretão do Daniel Dantas.

Clique aqui para ver que Barbosa não deu nenhuma contribuição à moralização do Judiciário.

E aqui para ler sobre o que pode ter sido uma vingança de 'Gilmar Dantas' contra Barbosa e a peleja de Barbosa com um provedor de multi-serviços a Daniel Dantas.

Paulo Henrique Amorim
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A fórmula das demissões na RBS: coragem ou deboche?


Os sindicatos de jornalistas da região Sul do país e a federação nacional da categoria divulgaram nota oficial manifestando indignação com a atitude do grupo RBS que anunciou, segunda-feira, um processo de demissão de 130 trabalhadores, principalmente do segmento de jornais impressos. A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e os Sindicatos dos Jornalistas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, com apoio dos Sindicatos do Paraná e do Norte do Paraná (Londrina) prometeram denunciar internacionalmente a decisão e acionar a Justiça para assegurar os direitos dos trabalhadores.

O Sindicato dos Jornalistas do RS divulgou nota oficial na quarta-feira (6) no Jornal do Comércio e no Correio do Povo repudiando as demissões. A entidade reuniu os jornalistas gaúchos nesta sexta-feira, dia 8, em frente a sede do jornal Zero Hora. "Mostramos para a direção do Grupo RBS e, principalmente, para a sociedade o descaso desta empresa com os profissionais que trabalharam pela construção do seu nome e credibilidade", afirma o sindicato.

A nota conjunta assinada pelas entidades da categoria denuncia ainda a insensibilidade da RBS que anunciou as demissões com uma carta do presidente do grupo que qualifica a decisão como um gesto de "coragem e desapego.

A nota afirma:

" Sob o argumento de preservação do seu projeto empresarial, o Grupo RBS opta, sem qualquer desfaçatez, por desprezar o impacto social de suas iniciativas e mandar centenas de “colaboradores” para o olho da rua. Ao que tudo indica, o Grupo caminha aceleradamente para o sonho que alimenta há tempos: fazer “jornalismo” sem jornalistas e, de quebra, distanciar-se de sua atividade-fim, fechando jornais e ampliando seu "vínculo" com o leitor por meio da venda de vinho e cerveja pela internet".

E prossegue:

"O comunicado do diretor presidente do Grupo RBS aos funcionários soa como um deboche. Ao enfatizar que a RBS não passa por uma crise financeira, ele afirma que as 130 demissões são necessárias para buscar maior produtividade e eficiência, “principalmente na operação de jornais”. Para bom entendedor, significa ampliar o lucro com a redução de pessoal e sobrecarga de trabalho aos que permanecerem no quadro de funcionários".

No RS na Boa
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Após início da campanha e debates, Tarso sobe 4 pontos e Ana Amélia cai mais um


Com as redes sociais a todo vapor, a campanha indo para as ruas e os debates começando a mostrar as propostas para o desenolvimento do Estado, as gaúchas e os gaúchos estão entrando no clima da campanha eleitoral.

Na pesquisa Ibope/RBS, divulgada quinta-feira (7), Tarso Genro (PT) não só subiu quatro pontos e encostou em Ana Amélia Lemos (PP), com 35% contra 36%, mas tem boa avaliação e números positivos também nos outros itens pesquisados. Na espontânea - que registra votos mais consolidados - o petista está na frente, sua rejeição despencou, as pessoas acham que ele vai ganhar, seu governo é aprovado por mais da metade dos entrevistados, 47% confiam no governador, e a soma de ótimo, bom e regular na avaliação do governo aumentou e chega a 74%.



A pesquisa apontou uma situação de empate técnico entre a senadora e o governador. A diferença, que na última pesquisa Ibope, era de seis pontos percentuais, caiu para apenas um ponto, apontando um crescimento da candidatura Tarso e uma nova queda da candidata do PP. A senadora, que agora tem 36¨%, tinha 37% em 19 de julho e 38% em abril. Tarso, que tem 35%, tinha 31% nas duas pesquisas anteriores). Em terceiro, aparece José Ivo Sartori (PMDB), com 5% (tinha 4% na pesquisa anterior) e, em quarto, Vieira da Cunha (PDT), com 4% (tinha 2% na anterior).

Na simulação de segundo turno entre Ana Amélia e Tarso Genro feita pelo Ibope, o atual governador cresceria apenas 1% do primeiro para o segundo turno, passando de 35% para 36%. Já a candidata do PP segundo o Ibope, passaria de 36% para 45%.

Na pesquisa, os eleitores também responderam sobre a avaliação ao governo Tarso Genro: 32% disseram que ele é "ótimo ou bom"; 42% afirmaram que ele é regular. Somente 21% avaliaram o governo como péssimo ou ruim. Os que não sabem ou não responderam somam 5%.

O Ibope também ouviu a opinião dos eleitores sobre a disputa para o Senado. Os números foram idênticos à pesquisa anterior, apontando uma situação de empate técnico entre Lasier Martins e Olívio Dutra. O ex-apresentador da RBS tem 31% das intenções de voto e Olívio 28%, configurando uma situação de empate técnico. Em terceiro lugar, aparece Beto Albuquerque (PSB), com 10%.

A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O instituto ouviu 812 eleitores em 52 municípios, entre os dias 2 e 5 de agosto.

Foto: Juliano Antunes/Sul21
No RS na Boa
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Por que a mídia não procura o primo de Aécio?

Os primos
Pobre jornalismo. Pobre público. Pobre Brasil.

Soubemos, pela Folha, que Aécio mandou construir um aeroporto num terreno que pertencia a seu tio, na cidade de Cláudio, em Minas.

Soubemos também que, embora pretensamente público, o aeroporto ficava fechado.

Segundo a Folha, a chave está, ou estava até a denúncia, nas mãos de um primo de Aécio, Tancredo Tolentino, o Quêdo.

Se a mídia tivesse qualquer interesse em aprofundar essa história, um passo básico seria mostrar quem é esse primo. E ouvi-lo.

Em circunstâncias normais, isso seria mandatório no bom jornalismo.

Agora: quando o primo em questão tem a história que Tancredo tem, passa a ser um acinte não colocar holofotes nele.

Já que estamos falando de chave, Tancredo é o que popularmente se chama de chave de cadeia.

Dois anos atrás, ele foi um personagem central numa reportagem do Fantástico sobre a venda de sentenças judiciais que beneficiaram traficantes na região onde se localiza o aeroporto de Aécio.

Note: não havia nenhuma menção na reportagem ao fato de que Tancredo é primo de Aécio, como se isso não fosse notícia.

Notícia é realmente subjetivo, neste mundo em que vivemos. Imagine se Tancredo fosse primo de Lula. A cada parágrafo seríamos lembrados do parentesco.

No vídeo do Fantástico (assista abaixo), Tancredo aparece fazendo a ponte entre o advogado dos traficantes presos e o desembargador que os soltou, Hélcio Valentim, amigo seu.

A Polícia Federal cedeu ao Fantástico um vídeo com a confissão, em detalhes, de Tancredo.

Ele cobrou 150 mil reais dos traficantes pela sentença. E repassou 40 mil, um detalhe que não foi explorado pelos repórteres do Fantástico.

Quêdo ficou, portanto, com 110 mil reais. Ficaria com 105 mil, ao que parece. Separou 45 mil para entregar a Valentim, agrupados em maços de 5 mil.

Mas, na hora de dar o dinheiro, ele pegou um maço e guardou para si mesmo. Talvez tenha dito que aquela era sua comissão.

A reportagem do Fantástico diz que Quêdo acabou por ser preso, e depois solto. Estava respondendo ao processo em liberdade quando o programa foi ao ar.

Bizarrice entre as bizarrices, ele tentou, mesmo enroscado com a polícia e com a justiça, se candidatar a prefeito de Cláudio em 2012. Como se fosse um ambientalista, seu partido era o Verde. Foi impugnado com base na Lei da Ficha Limpa.

A venda de sentenças beneficiou três traficantes. Valentim concedeu a eles habeas corpus. Quando o Fantástico foi ao ar, em dezembro de 2013, todos eles estavam foragidos.

Quêdo, fisicamente, não poderia ser mais diferente de seu primo. É obeso, careca e, como mostram suas imagens, evidentemente desleixado.

Um é claramente vaidoso, e o outro é sinônimo de desmazelo.

Ao lado de Aécio, ele poderia passar por seu jardineiro, ou motorista.

Mas, acima de tudo, Quêdo é notícia.

Numa região marcada pelo tráfico, que utilização ele poderia dar a um aeroporto controlado por ele?

Nas especulações que varrem a internet, o helicóptero dos Perrellas é intensamente citado.

Aécio é amigo dos Perrellas. E Quêdo, também é? Ninguém na mídia pareceu interessado em verificar isso, e em eventualmente seguir adiante.

Quêdo é um personagem fascinante. Mas a mídia — incluída a Folha, que trouxe o caso do aeroporto mas parece pouco empenhada em dar seguimento à história — finge que não é.

Pior: finge que ele não existe.

Paulo Nogueira
No DCM

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Direita chorona




Seria um enterro??? Uma manifestação Black Bloc??? NÃO!!!

Isso é a direita choramingando mais uma derrota nas urnas!!!

Em plena segunda década do seculo XXI esses imbecis ainda vivem a guerra fria dos anos 60 do século passado!!!

Um bando de galinha morta!!! Um despacho de macumba arriado na praça em plena luz do dia!!!

É o que dá só ler notícia de uma banda só dessa nossa imprensa golpista sim (porque assim foi criada) porém definitivamente falida, doente e decrépita!!!

É de dar pena dessa gente, "ô mo pai"... que dó!!!

Ênio Barroso Filho
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É muito fácil se tornar conservador e de direita

Aquela máxima de que o radical libertário da juventude se torna o conversador da meia idade e o reacionário ranheta da velhice, não vale para todo mundo. Mas, como quase todas essas percepções que se tornam populares, esta também tem lá seu fundo de verdade. Os ícones do reacionarismo neocom, por exemplo, foram militantes de grupos de esquerda ou rebeldes nos anos 80. Desde o velho Lobo,  passando por Magnoli e Reinaldão. E se poderia ir mais longe, por exemplo, e citar o deputado Roberto Freire (PPS), que em 89, foi candidato pelo PCB e que hoje é contra tudo que signifique algum avanço progressista. Freire, por exemplo, foi uma das vozes mais altas contra a aprovação do Marco Civil da Internet e a favor das teles no Congresso.

Há vários motivos que explicam essas guinadas. Uma delas é o oportunismo. As pessoas entram na luta política pela porta que está aberta e em geral ela é a dos partidos mais à esquerda e dos movimentos sociais. E depois vão se tornando conhecidas e sendo seduzidas para fazer seu show em outras bandas. Aparecem os convites mais vantajosos e no primeiro descontentamento com o seu movimento ou partido de origem já pulam do barco atirando contra  o sectarismo e os desvios éticos.

Há também aqueles que se desencantam. Muitos desses chegam à militância quase como torcedores de organizadas de futebol. Não estão dispostos a debater, a ponderar as diferentes opiniões e a aprender. Querem ir pro pau. Acabam se tornando bate-paus das organizações. Vão pra cima de tudo com uma gana imensa. Sem se importar se a violência que utilizam para agredir verbalmente seus adversários não os torna pior do que eles. Esses, quando percebem que nem todos que estão ao seu lado têm a mesma disposição de guerrear naquele nível, se indignam e alegam que não tem estômago, paciência ou qualquer outra coisa para seguir em frente. E se voltam pro seu dia a dia, comentando aquela experiência sempre de forma amarga. O “eu sei como isso funciona, por isso não me iludo” é uma frase clássica. Essas pessoas se acomodam e acabam sendo muito úteis para o conservadorismo se manter.

E há ainda os ingênuos. Eles se comportam de uma maneira simplista, achando que não há motivo algum para que o resto do mundo não faça as coisas do jeito que eles acham que devem ser feitas. Entendem que tudo que defendem é sensacional. E não suportam as contradições, mesmo ainda estando numa fase de definição de suas convicções. E buscam fincar estacas naqueles que consideram adversários de suas teses.

São ingênuos, porque não percebem que são muito úteis para dividir lutas e criar problemas inexistentes nos movimentos que integram. Não fazem as coisas por mal, mas acabam produzindo conflitos desnecessários. Com o tempo, ou essas pessoas mudam sua forma de agir ou se tornam os piores adversários. A ingenuidade vira esperteza, e elas começam a atrair outros com características semelhantes a elas quando eram apenas ingênuas. E fazem daquilo um espaço político de ação. Que é movido à intolerância.

Não existe intolerância de esquerda. A intolerância é a base da sociedade conservadora. E quando alguém que se diz de esquerda, mas tem como base de sua ação a luta por silenciar as vozes que não lhe são agradáveis, essa pessoa já pulou o muro. Ser de esquerda não é só defender justiça social.  É também lutar pelas liberdades e os direitos da forma mais ampla quanto possível. Sem tergiversar. E sem pestanejar. E às vezes muita gente esquece disso, Ou não…

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Uma resposta ao leitor Jorge Portugal sobre os motivos da mídia

Zito
O caríssimo leitor Jorge Portugal me pergunta, nos comentários de outro post: o que a mídia ganha ao fazer campanha contra governos de esquerda e/ou trabalhistas?

Minha resposta: dinheiro, muito dinheiro.

Na verdade, não importa se é PSDB, PT ou DEM.

Em espécie ou em vantagens, como denunciado aqui.

Conto um causo que vivi pessoalmente.

Lá por 1998 ou 1999, trabalhando de repórter na TV Globo do Rio de Janeiro, fui convocado pelo produtor Tim Lopes para fazer uma reportagem. Era para sair no Fantástico. Uma investigação sobre o então prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito dos Santos. Zito era suspeito de mandar matar adversários políticos.

Fomos atrás dos documentos e testemunhas. Entre elas, um casal de professores que havia escapado de uma tentativa de homicídio num Fusca. Para finalizar a reportagem, fiz o impensável: fui ouvir Zito durante uma cerimônia pública, numa praça de Duque de Caxias. Ele respondeu às minhas perguntas com os dentes cerrados. Embarquei na viatura da emissora e saí “voado”.

E olha que o Zito era do PSDB!

A reportagem foi editada. Ficou com cerca de 8 minutos. Um petardo, com vários documentos, entrevistas e as respostas do prefeito.

Passaram-se algumas semanas.

Fui perguntar ao Tim, que trabalhou comigo em várias reportagens, sobre o destino de nosso material.

Ele foi cobrar do diretor do Fantástico. Ouviu que era uma questão de falta de tempo.

Assim foi. Semanas e semanas se passaram, até que esqueci completamente do assunto.

Num domingo, em meu apartamento da Timóteo da Costa, no alto Leblon, abro o jornal O Globo.

Susto!

Uma foto de Roberto Marinho cumprimentando o Zito.

O parque gráfico de O Globo em Duque de Caxias havia sido inaugurado em janeiro de 1999.

Aparentemente, tinha havido uma disputa sobre isenção de impostos.

Aquela foto era sinal de que o “problema” tinha sido resolvido? Não sei.

O que importa é que nossa reportagem nunca foi ao ar!

É assim que funciona a mídia corporativa…

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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A lanterna que ilumina a espuma


A prática e as teorias da comunicação aplicadas ao jornalismo induzem a acreditar que a atividade da imprensa cuida de organizar o processo de avanço da modernidade, pela classificação e valoração dos fatos novos. Assim, somos levados a aceitar que um acontecimento só se transforma em notícia, ou seja, em conteúdo jornalístico, se representar uma novidade, uma ruptura em relação ao que já existe.

Essa acepção vale tanto para uma ocorrência inédita quanto para uma nova interpretação de fatos conhecidos. Portanto, um dos grandes desafios do jornalismo contemporâneo seria a oferta exacerbada de notícias, produzida pela penetração dos meios digitais em todos os cantos do mundo.

Em qualquer rincão deste planeta, e até mesmo fora dele, é possível haver um ser humano ou um instrumento criado pelo homem exercendo esse mister de registrar os acontecimentos e colocá-los imediatamente à disposição de virtualmente toda a humanidade.

Tudo isso já foi dito e repetido e faz parte dos conceitos clássicos que são ensinados nas escolas de comunicação social. O fato novo é que o jornalismo, como prática organizada e submetida a regras específicas, já não dá conta dessa tarefa.

Por outro lado, também a imprensa, instituição tradicionalmente dedicada a operar o jornalismo, vai se tornando incapaz de auscultar uma realidade muitas vezes mais ampla e, dada a diversidade do mundo midiatizado, muitas vezes mais complexa.

Esse é o contexto em que podemos afirmar que a imprensa que nasceu e se consolidou como uma espécie de cartório da modernidade já não atende às necessidades da sociedade contemporânea.

Seja o observador devoto ou iconoclasta em relação à hipótese de estarmos vivendo uma pós-modernidade, não se pode fugir à evidência de que os processos da História se aceleraram de tal forma que se tornou impossível — ou, pelo menos, improdutivo — catalogar os fatos relevantes pelo método de filtragem arbitrária da imprensa tradicional.

Essa é a constatação que precisamos fazer para entender como a imprensa, não apenas aqui no Brasil como em outros países onde sempre foi relevante, vai se encolhendo até se configurar como instrumento de poder de uma fração da sociedade.

Imprensa para poucos

Seja o Estado de S. Paulo ou o New York Times, a Folha de S. Paulo ou o Washington Post, o Globo ou Le Monde, os sistemas que tradicionalmente organizam a realidade a ser percebida pelo ser humano em frações específicas de tempo deixaram de fazer sentido.

Como os fatos estão sempre muito à frente dos sistemas da imprensa, o resultado é que seu produto, o jornalismo, deixou de ser o processo de anunciar a novidade e se transforma rapidamente em mero registro de coisas antigas. Daí a queda no número de leitores.

Como na frase que deu o título à autobiografia do falecido ministro Roberto Campos, a imprensa funciona agora como uma lanterna na popa do barco: só serve para iluminar a espuma que fica para trás.

Num oceano de possibilidades infinitas, a visão conservadora da imprensa genérica serve principalmente à inglória e impossível tarefa de interromper, ou, no mínimo, de desacelerar o ritmo das mudanças. À medida em que se aceleram os processos da modernidade, mais se torna clara essa função de freio social e cultural.

A imprensa é reacionária por natureza, mas até o último quarto do século passado podia encenar o papel de vanguarda da modernidade, contra outras instituições, como a religião, que têm a missão de lutar contra o tempo. Tratava-se de manter sob controle o ímpeto natural de mudança que marca o processo civilizatório.

Nos anos 1980 e 1990, por exemplo, os jornais brasileiros se destacaram por abrigar debates sobre novos comportamentos que vieram com a liberação social que acompanhou o fim da ditadura. A Folha de S. Paulo, por exemplo, construiu aí sua estratégia vitoriosa de aparecer como porta-voz de uma cultura liberal e libertina, contra a sisudez de seus então concorrentes.

O caso Folha é, talvez, o mais típico para ilustrar esse movimento. Depois de alcançar tiragens superiores a um milhão de exemplares em circulação diária, o jornal paulista encolheu para menos de um terço desse total.

O que explicaria essa queda, que retrata a decadência do sistema da imprensa?

Cartas para o editor.

Luciano Martins Costa
No OI
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O tribunal de exceção e suas consequências


O embargo sobre importações de discursos de ódio foi suspenso por ministros do Supremo Tribunal Federal no processamento da Ação Penal 470. Se não forem suspeitamente destruídos, os vídeos das sessões têm registrado ao vivo o que não foi transcrito nos assépticos e desidratados votos por escrito. Nem todos os membros do STF aderiram à liberalidade em favor do mal, mas a instituição ficará marcada pelo período de amnésia do bom senso judicativo e em que prevaleceram a face congestionada e o salivar da exaltação enraivecida. Rituais de degradação, expressamente vedada em tribunais de estado de direito, sucederam-se diariamente, especialmente em relação aos réus ligados ao Partido dos Trabalhadores — Delúbio Soares, José Genuíno e José Dirceu, este acusado de chefiar uma quadrilha depois reconhecida pelo mesmo Tribunal como inexistente.

O empresário Marcus Valério, entre os acusados não políticos, foi retoricamente incendiado como Judas cerca uma centena de vezes. O julgamento da Ação Penal 470 foi o evento que plantou mais dúvidas jurídicas na história recente: da comprovação dos crimes imputados aos procedimentos processuais e destes às penas impostas. Está arquivado em atas e filmes.

Leis e julgamentos são episódios humanos que, ao contrário das causas físicas, não cessam de produzir efeitos, alguns deles irreversíveis, mesmo quando interrompidos em sua operação. Creio ser razoável atribuir a violência proporcionada pelas manifestações de junho de 2013, e a instauração da cultura do terror lecionada em universidades, a parcela não desprezível do paradigma estabelecido pela Ação Penal 470. A essência do exemplo é evidente: quando as instituições existentes não contemplam o que a alguns aparece como apropriada dose de justiça, passam a ser justificáveis todas as arbitrariedades, amparadas em uma ideologia grupal, não pública.

Por certo referências a movimentos de revolta no exterior serviram para colorir de modernidade os quebra-quebras internos. Primeiro foi a evocação da primavera árabe, obviamente equivocada, pois lá se tratava de uma rebelião contra sistemas ditatoriais, alias substituídos por outros do mesmo naipe. Depois, alguns analistas importaram os “precariados” da Espanha, Grécia e Portugal. Todos esses países com enormes índices de desemprego e sem perspectiva de futuro, sobretudo com a difusão de governos de direita ou, no melhor dos mundos, liberais conservadores. Levou algum tempo de quebra-quebras e pancadaria para que se reconhecesse o ululante: o sistema brasileiro não é ditatorial nem a taxa de desemprego preocupa. Ao contrário, faz parte do receituário liberal brasileiro justamente provocar maior taxa de desemprego, o que certamente viria acompanhado de endurecimento do fator repressivo inerente a todo Estado.

A mídia desesperou de direcionar as ações trânsfugas e niilistas para objetivos políticos da oposição. Nem o tratamento dos ativistas como desbotar da juventude obteve sucesso. Não são desempregados, não estão lutando contra uma ditadura inexistente, mas precisamente contra as instituições democráticas em funcionamento. E são adultos o suficiente para desdenharem sonhos românticos ao sucumbirem à atração da força bruta pela força bruta. Os depredadores eventualmente aprisionados não são rapazes e moças nos seus primeiros anos de universidade ou operários sacrificados pela acumulação capitalista. São membros bem grandinhos da classe média, empregados e com poder aquisitivo suficiente para passar horas usando equipamento caro para fins de propaganda. Viajando para a promoção de distúrbios fora de casa quando assim planejam.

Ainda está por surgir uma boa hipótese sobre o aparecimento dessas explosões sociais de rápida expansão, recebimento de apoio e posterior transformação em seita fundamentalista. Mas não acredito que a violência impune da Ação Penal 470 seja inocente na inauguração do clima em que parece ser possível a co-existência de um estado selvagem à sombra protetora das instituições democráticas. Está aí a propaganda eleitoral dos conservadores, com sua retórica vulgarmente agressiva e propósitos confusos quanto às políticas sociais em curso e o projeto de construção de uma sociedade economicamente forte. Herdeiros do Supremo Tribunal Federal da exceção e dos depredadores do patrimônio público.

Wanderley Guilherme dos Santos
No SQN
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Aeroportos


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Após fraude da Veja, agora é a vez do Globo


Agora que ficou provado que a fraude da Veja era uma fraude, chegou a vez do Globo apelar à baixaria eleitoral.

O Globo amanheceu com uma matéria bombástica:

ScreenHunter_4484 Aug. 08 10.15


O título faz uma acusação fraudulenta à Presidência da República.

O IP que teria modificado os wikipedias de Miriam Leitão remete à rede da presidência da república, mas pode ter sido usado por milhares de funcionários, servidores ou simplesmente algum prestador de serviço trabalhando no prédio. 

Não há nada que prove que o Planalto alterou o perfil dos jornalistas.

A acusação é leviana e irresponsável.

Qual o interesse da Presidência em alterar o perfil no wikipédia de um zérruela como Sardenberg?

O mesmo IP começou a alterar a wikipedia em 2004, como se pode conferir no link abaixo.


A primeira alteração foi no termo Maçonaria.

O mesmo IP alterou termos como “Cavaleiro do Apocalipse”, “Presença Neerlandesa no Brasil”, “Sporting Club de Braga”, “Liga da Justiça”, “Batman Begins”.

Pretender que o Planalto tenha interesse em alterar esses termos é mais que ridículo, é patético.

O Globo já começou a disparar suas balas de prata.

Miguel do Rosário
No O Cafezinho
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Querem ser putas do Tio Sam? Pois paguem!

Caros amigos,

Fiz uma pausa na minha vida no espaço “de carne e osso”, para comentar a grande novidade do dia:

● — A Rússia está proibindo, por 12 meses, todas as importações de carne de boi, de porco, frutas e legumes, carne de frango, pescado, queijos e laticínios em geral, da União Europeia, dos EUA, da Austrália, do Canadá e do Reino da Noruega, para a Rússia.

● — A Rússia também fechou o espaço aéreo para linhas europeias e norte-americanas que sobrevoem [seu] espaço aéreo para o leste da Ásia, a saber, a Região do Pacífico Asiático, e está considerando mudar os pontos chamados de entrada e saída do espaço aéreo russo, para voos europeus, agendados e charter.

Além disso, a Rússia está preparada para modificar as regras de uso das rotas transiberianas e interromperá conversações com autoridades aéreas dos EUA sobre o uso das rotas transiberianas. Finalmente, a começar nesse inverno, podemos revogar direitos adicionais concedidos por autoridades aéreas russas além de acordos prévios.
EUA e União Europeia vs export/import Rússia
É desenvolvimento interessante e importante, que exige análise muito mais sutil que o cálculo estreito do quanto pode custar aos EUA ou à União Europeia. Em vez de tentar cálculo desse tipo, destacarei os seguintes elementos:

Primeiro, é resposta tipicamente russa. Há uma regra básica que todas as crianças russas aprendem na escola, em brigas de rua, no exército e por toda parte: nunca ameace e nunca prometa; aja. Diferente dos políticos ocidentais que passaram meses ameaçando sanções, os russos limitaram-se a dizer vagamente que se reservavam o direito de responder. Então, BANG! Aí está embargo amplo e de grande alcance, o qual, diferente das sanções ocidentais, terá forte impacto no ocidente, mas ainda maior na própria Rússia (mais sobre isso, adiante).

Essa tática de “palavras zero & só ação” é concebida para maximizar a contenção de atos hostis: uma vez que os russos nunca anunciaram antes o que poderiam fazer como retaliação, só Deus sabe o que podem fazer agora, na sequência! :-)

Segundo, as sanções escolheram a dedo os próprios alvos. Os europeus têm agido como prostitutas sem cérebro nem autorrespeito em todo esse assunto; sempre se opuseram às sanções, desde o primeiro momento, mas não tiveram coragem de fazer-saber ao Tio Sam. Por isso, acabaram tendo de render-se total e vergonhosamente. A mensagem dos russos é simples: “Querem ser putas do Tio Sam? Pois paguem o preço!” Esse embargo ferirá especialmente o sul da Europa (Espanha, França, Itália, Grécia) cuja produção agrícola sofrerá muito. São também os países mais fracos na União Europeia. Ao atingi-los, a Rússia está maximizando a inevitável fricção dentro da União Europeia em torno das sanções contra a Rússia.

Terceiro, não é só que as empresas de aviação da União Europeia sofrerão com custos mais altos e tempos de voo mais longos nas importantíssimas rotas da Europa à Ásia: as empresas de aviação asiáticas nada sofrerão, o que assegura às segundas dupla vantagem competitiva. Que tal esse arranjo, para castigar um dos lados e recompensar o outro? A União Europeia criou problemas para uma empresa aérea russa (Dobrolet), por causa de seus voos para a Crimeia, e por isso toda a comunidade das empresas aéreas da União Europeia pagará o preço de tremenda desvantagem em relação às suas contrapartes asiáticas.

Vai desfazer nossa amizade no Facebook?
Quarto, a Rússia usou essas sanções para fazer uma coisa vital para a economia russa. Explico-me: depois do colapso da URSS, a agricultura russa permaneceu em completo desarranjo, e Yeltsin só fez piorar tudo. Os agricultores russos simplesmente não podiam competir contra avançadas empresas de agroindústria, que se beneficiam de grande economia de escala, de pesquisa química e biológica de alta (e caríssima) tecnologia, que controlam toda a cadeia de produção (quase sempre coligadas em imensas empresas holdings) e têm alta capacidade para marketing e qualidade. O setor agrícola russo precisava muito, precisava desesperadamente, de barreiras e tarifas que o protejam contra as gigantes capitalistas ocidentais; mas, em vez disso, a Rússia só fez ordenar-se voluntariamente pelos padrões da OMC; até se tornou membro. Agora, a Rússia está usando esse embargo total para dar à agricultura russa um tempo crucialmente necessário para investir e alcançar fatia muito maior do mercado russo.

Não esqueçam que os produtos russos são LIVRES DE ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS; [20/5/2014, “Rússia prendeu o demônio Monsanto de volta na garrafa”, F. William Engdahl, Global Research, Canadá (em inglês)] que usam muito menos conservantes, antibióticos, corantes, intensificadores de sabor e pesticidas. E, dado que são produção local, não exigem que se usem técnicas desse tipo de refrigeração/preservação que, como todos sabem, fazem todos os produtos ficar com gosto de caixa de papelão. Em outras palavras, os produtos agrícolas russos têm muito melhor sabor e qualidade – o que, como se sabe, não basta para fazer um campeão de mercado. Esse embargo servirá como impulso poderoso para investir, desenvolver, e alcançar melhores fatias de mercado.

Quinto, há 100 países que não votaram com os EUA na questão da Crimeia. Os russos já anunciaram que esses são os países com os quais a Rússia comerciará para obter produtos que não se possam produzir indigenamente. Boa recompensa a quem se levanta contra o Tio Sam.

Sexto, é pouquinho, mas é doce: vocês perceberam que as sanções da União Europeia foram impostas só por três meses e “para posterior revisão”? Ao impor embargo por 12 meses, a Rússia também envia mensagem bem clara: “E agora?! Quem vocês acham que se beneficiará da confusão que vocês armaram?”.

Sétimo, é absolutamente errado calcular que o país X da UE exportava Y milhões de dólares à Rússia, e daí concluir que o embargo russo custará Y milhões de dólares ao país X da UE. Por que está errado? Porque a não venda desse produto criará um excedente que afetará adversamente a demanda ou, se a produção cair, afetará os custos de produção (economias de escala). Na direção inversa, para um hipotético país não-UE Z, um contrato com a Rússia pode significar dinheiro suficiente para investir, modernizar-se e tornar-se mais competitivo, não só na Rússia, mas nos mercados mundiais, inclusive na UE.

Sanções!
Oitavo, os países bálticos desempenharam papel particularmente daninho em todo o caso da Ucrânia, e agora algumas de suas indústrias mais lucrativas (por exemplo, de pescado), que eram 90% dependentes da Rússia, terão de fechar. Aqueles países já estão em terrível confusão, mas agora a coisa piorará muito. Mais uma vez, a mensagem bem simples: “Querem ser putas do Tio Sam? Pois paguem!”

Nono, e esse é tópico realmente importante: o que está acontecendo é que a Rússia vai gradualmente se separando das economias ocidentais. O ocidente rompeu alguns laços financeiros, militares e aeroespaciais; a Rússia rompeu os laços monetários, agrícolas e industriais. Não esqueçam nem por um instante que o mercado EUA/UE é mercado em processo de naufrágio, afetado por profundos problemas sistêmicos e questões sociais gigantescas. Em certo sentido, a comparação perfeita ainda é o Titanic, com a orquestra tocando enquanto o navio afundava. A Rússia é como um passageiro que, naquele momento, recebeu a notícia de que as autoridades do Titanic não o consideravam bem-vindo a bordo e o desembarcariam no próximo porto. Quer dizer... Mas... Que diabo de ameaça é essa?!

Décimo e último, mas de modo algum menos importante, essa guerra comercial, combinada à russofobia histérica do ocidente, está oferecendo a Putin a melhor campanha de Relações Públicas com que o Kremlin poderia sonhar. A propaganda na Rússia só tem de dizer à população a mais absoluta verdade:

Os russos fizemos tudo certo; fizemos tudo conforme o manual deles; fizemos todo o possível para desescalar essa crise; e, em troca, a única coisa que pedimos foi que, por favor, façam parar o genocídio do nosso povo na Novorrússia... E o que fez o Ocidente? Como respondeu? Com uma campanha insana de ódio, com sanções contra nós e com apoio total aos nazistas genocidas em Kiev.
Relógio - por Josetxo Ezcurra
Além disso, como quem acompanha atenta e cuidadosamente a imprensa-empresa russa, posso dizer a vocês que o que está acontecendo hoje parece muito com coisa já conhecida. Parafraseando Clausewitz, pode-se dizer que o que estamos vendo hoje é “uma continuação da IIª Guerra Mundial, mas por outros meios”. Em outras palavras, uma luta a ser combatida até o fim, entre dois regimes, duas civilizações que não podem conviver no mesmo planeta e que estão atadas uma à outra, em luta de vida e morte. Nessas circunstâncias, o apoio do povo russo ao presidente Putin só fará aumentar ainda mais.

Em outras palavras: em movimento que os judocas conhecem bem, Putin usou a fúria da campanha ocidental anti-Rússia e anti-Putin, mas contra o ocidente e a favor da Rússia e de Putin: a Rússia beneficiar-se-á de tudo isso, economicamente e politicamente. Longe de ser ameaçada por algum tipo de “Maidan nacionalista” no próximo inverno, o regime de Putin será fortalecido pelo modo como gerenciou a crise (os índices de aprovação popular de Putin estão ainda mais altos que antes).

Sim, claro, os EUA já mostraram que têm vasto conjunto de capacidades para ferir a Rússia, sobretudo mediante um sistema de cortes e tribunais de justiça (nos EUA e na UE) que é tão subserviente ao estado profundo dos EUA, quanto as cortes e os tribunais da Coreia do Norte são subservientes ao “Amado Líder” deles, em Piongueangue. E a perda total do mercado ucraniano (de importações e de exportações) também ferirá a Rússia. Temporariamente. No longo prazo, toda essa situação é imensamente proveitosa para a Rússia.

Entrementes, Maidan está novamente em fogo, Andriy Parubiy renunciou, e os Ukies não param de bombardear hospitais e igrejas na Novorrússia. Sem novidades, pois.
Liberdade de movimento na União Europeia
Quanto à Europa, amanheceu furiosamente bombardeada e em choque. Francamente, nessa manhã, minha feia capacidade para sentir prazer ante a desgraça de alguns parece não ter limites. Que aquelas arrogantes não entidades do tipo de Van Rompuy, Catherine Ashton, Angela Merkel ou José Manuel Barroso se afoguem na tempestade de merda que a estupidez deles, a falta de vergonha, de coragem, de espinha dorsal dessa gente, criou.

Nos EUA, Jen Psaki parece viver sob a impressão de que a região de Astrakhan mudou-se durante a noite para a fronteira da Ucrânia, enquanto o Ministério de Defesa da Rússia anuncia que:

(...) abrirá contas especiais nas redes sociais e redes abertas de distribuição de vídeos e filmes, para conseguir fazer chegar ao Departamento de Estado dos EUA e ao Pentágono informação prestável, não errada, sobre as ações do exército russo.

Será que, tudo isso posto, os líderes da UE conseguirão entender que puseram seu dinheiro no cavalo errado?

The Saker

PS: Tenho de sair novamente. Estarei de volta no sábado à tarde.

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Noblat: "Deste jeito, Dilma poderá ganhar no 1º turno"


A um ano da eleição presidencial de 2002, em conversa com um grupo de empresários paulistas, José Dirceu, coordenador da quarta campanha consecutiva de Lula a presidente da República, comentou:

— A eleição está liquidada. Lula ganhará – só não sabemos ainda se no primeiro ou segundo turno. Começamos a discussão interna sobre com quem governaremos.

O comentário de Dirceu foi mais ou menos repetido na semana passada por um estrelado membro da campanha de Dilma Rousseff à reeleição. Faltou apenas dizer que a candidata já se preocupa com quem governará.

Faz sentido?

Faz, sim. A não ser que ocorra um poderoso imprevisto. Do tipo: a filha de Dilma guarda a chave do aeroporto de Porto Alegre.

O caso do aeroporto mineiro de Cláudio, construído em terras da família de Aécio Neves, atrapalhou o desempenho do candidato do PSDB a presidente durante o mês de julho. Até hoje ele ainda se explica por que como governador de Minas Gerais gastou R$ 13 milhões para asfaltar a pista do aeroporto.

Descobriu-se que ele investiu dinheiro público em outro aeroporto — o de Montezuma, a pequena distância de uma fazenda sua.

Eduardo Campos, candidato do PSB à vaga de Dilma, atravessou julho desnorteado a prometer o que poderá ou não fazer caso se eleja. Enfrenta o dilema hamletiano de ser ou de não ser uma pálida sombra do que foi Marina Silva na eleição de 2010.

Dilma chegou ao início de agosto próxima do confortável teto de 45% das intenções de voto. Voltou à situação de quem poderá liquidar a eleição no primeiro turno. Ou de passar para o segundo precisando de poucos votos a mais para se reeleger.

Agosto marca o inicio do período de 45 dias de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Devido ao grande número de partidos que a apoiam, Dilma contará com mais do dobro do tempo de propaganda de Aécio e com o mais do triplo do tempo de propaganda de Eduardo. É uma vantagem e tanto.

A eleição presidencial deste ano é candidata à passar à História como aquela onde faltou uma oposição capaz de corresponder ao majoritário desejo de mudança dos brasileiros.

Se não tem tu, vai tu mesmo, Dilma.

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Dilma lidera pesquisa em Santa Catarina

Pataxó

Faltando menos de dois meses para as eleições, mais da metade dos eleitores catarinenses estão pouco (31%) ou nada (21,1%) interessados no assunto. É o que mostra a pesquisa contratada pelo pool de comunicação formado pela Associação dos Diários do Interior (ADI-SC), Grupo RIC Record e jornal Notícias do Dia, realizada pelo Instituto Mapa. Esse cenário deve mudar a partir de 19 de agosto, quando começa o horário eleitoral de rádio e TV, o que habitualmente provoca o debate político na sociedade.

Estão sendo divulgados os resultados das pesquisas de intenção de voto, espontâneas e estimuladas (por cartão, resposta única), para governo do Estado, Senado e Presidência da República.

A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais. O período de coleta de dados foi de 30 de julho a 3 de agosto de 2014, tendo como amostra 1.204 entrevistas, aplicadas em 58 municípios de todas as regiões do Estado. Registro no TRE nº SC-00013/2014; Registro TSE nº BR-00294/2014. O valor da pesquisa é de R$ 40.000,00.

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Aécio, o primo, o aeroporto e o desembargador que recebia propina para liberar traficantes

Aécio e o primo Tancredo, o Quêdo
Em 2010, o jornalista Bruno Procópio, que se define também poeta e cronista, publicou em seu blog Prosa com Cultura um texto em que revela: a família Tolentino Neves, “famosa pelo legado político de homens como ex-presidente da República Tancredo de Almeida Neves e o governador mineiro Aécio Neves, também fez sua história no universo da cachaça.”

Bruno, o Dindi, jovem de pele morena, barba rala, cavanhaque de poucos e longos fios, conta que seu Múcio Tolentino, irmão de Risoleta Neves, mulher de Tancredo, começou a produzir em 1960 a cachaça Mathuzalem 960.

Durante 25 anos, os amigos se reuniam na fazenda da família, no município de Cláudio, para tomar da pura. Segundo a crônica do Dindi, Tancredo Neves era um dos mais assíduos na confraria.

Depois da morte de Tancredo, seu Múcio parou de fabricar a “960” e praticamente fechou o alambique.

Em 2002, um dos filhos de Múcio, homem que herdou do tio o nome, Tancredo, decidiu retomar a produção da cachaça, mas mudou o nome da bebida.

A cachaça passou a se chamar Mingote, homenagem ao bisavô Domingos da Silva Guimarães, o seu Mingote, que em 1823 comprou terra na região, para produzir rapadura, açúcar mascavo e cachaça, e dar início a uma prole numerosa, da qual descendem dona Risoleta, o neto dela, Aécio Neves, seu Múcio e o filho dele Tancredo Tolentino, também conhecido como Quedo.

A exemplo da “960”, a Mingote também fez fama, principalmente depois que a revista Época publicou, em maio de 2007, “os brasileiros famosos, bem-sucedidos em seus respectivos ramos profissionais, que têm como atividade paralela a produção de cachaça”, e citava Aécio Neves.

Segundo a reportagem, o então governador de Minas era o fabricante da Mingote, descrita como uma cachaça envelhecida durante dois anos em tonel de amburana, no município de Cláudio.

A julgar como verídica a informação de Época, Aécio era sócio do primo Tancredo Tolentino, o Quêdo.

Esse era um tempo em que Aécio era apresentado como o autor do “choque de gestão”, e Tancredo Tolentino era um comerciante de Cláudio.

Cinco anos depois, em 2012, o repórter Valmir Salaro, do Fantástico, foi a Cláudio para fazer uma reportagem sobre um esquema de venda de habeas corpus para libertar traficantes.

O repórter contou que, em julho de 2010, numa cidade vizinha, Marilândia, a polícia apreendeu 60 quilos de pasta base de cocaína, parte deles encontrada numa camionete.

A polícia prendeu o motorista Jesus Jerônimo da Silva, e outro traficante, Brás Correia de Souza.

Eles permaneceram alguns meses presos no município de Divinópolis, na mesma região, e foram libertados por decisão do desembargador Hélcio Valentim de Andrade Filho.

Valmir Salaro foi até a cachaçaria Mingote e gravou uma passagem em frente à sede da empresa, em que revelou que a sentença para libertar os traficantes foi negociada ali dentro, entre o desembargador Valentim e Tancredo Tolentino, o Quedo.

A reportagem do Fantástico tem mais de 11 minutos (assista abaixo) e, em nenhum momento, o nome de Aécio Neves foi citado — nem para dizer que Tancredo Tolentino é primo dele ou para lembrar que a Mingote apareceu na Época como a cachaça fabricada pelo bem sucedido Aécio.

Não era difícil fazer essa associação. Bastava entrar no site da Mingote e clicar em “notícias”. A página abre com uma foto de Aécio e um link para a reportagem da revista Época, em que o ex-governador é apresentado como o fabricante da cachaça.

Hélcio Valentim foi nomeado por Aécio Neves quando governador.

Valentim se formou em direito no ano de 1988 pela Universidade Federal de Minas Gerais. Advogou até 1990, quando entrou no Ministério Público. Em 1996, se tornou procurador e, em 2005, integrou a lista tríplice de indicados para compor o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, na cota do Ministério Público, o chamado quinto constitucional.

A prerrogativa de nomeação para o Tribunal pertence ao governador e o costume é escolher o primeiro da lista. Mas, nessa nomeação, em março de 2005, Aécio nomeou o segundo, Valentim.

Além de nomear o desembargador que, mais tarde, negociaria com o primo a libertação de traficantes, Aécio é autor de outra medida que beneficia Tancredo Tolentino.

A fazenda do pai dele tinha uma pista de terra para pousos e decolagens de avião, obra que o avô de Aécio, Tancredo, havia mandado fazer quando era governador — fazenda em que ele tomava cachaça, como revelou o cronista e poeta Dindi.

Quando chegou sua vez de governar Minas, Aécio mandou pavimentar a obra, ao custo de quase 14 milhões de reais. O outro Tancredo da família, o primo de Aécio (e sócio na Mingote?), é quem toca as coisas por lá, e tem as chaves do aeroporto, até hoje sem homologação da ANAC e, portanto, proibido para o público em geral.

Essas conexões do município de Cláudio acabaram despertando a desconfiança de que a pista pavimentada serviu para pouso de reabastecimento do helicóptero do senador Zezé Perrella, quando trazia 445 quilos de pasta base de cocaína do Paraguai, em novembro do ano passado.

Afinal, Perrella é amigo de Aécio, e Aécio é primo do Tancredo Tolentino, o homem que tem a chave do aeroporto e foi flagrado negociando a libertação de traficantes, num caso em que a semelhança com a apreensão de cocaína no Espírito Santo é espantosa.

Procurei os dois pilotos do helicóptero. Um deles, que eu entrevistei há dois meses e meio, mandou dizer que não fala mais comigo. O outro, o piloto Rogério Almeida Antunes, ex-funcionário de Perrella, disse, por intermédio de seu advogado, que “não, não pousou lá”. Passou perto, mas não parou na pista.

Essa história fica para daqui a pouco.

Joaquim de Carvalho
No DCM

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Essa é do Barão... 6


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