7 de ago de 2014

A Vivo, a Tim e a Gvt

http://www.maurosantayana.com/2014/08/a-vivo-tim-e-gvt.html


Disposta a consolidar, a ferro e fogo, seu controle sobre o mercado brasileiro de telecomunicações, a Telefónica da Espanha, dona da Vivo, volta agora sua cobiça para a GVT.

Segundo anunciado pela imprensa europeia, a empresa ofereceu nesta terça-feira à Vivendi francesa, pouco mais de 20 bilhões de reais pelas operações da GVT no Brasil.

Antes, já tentara tomar, indiretamente, parte do controle da TIM, com a compra de participação acionária em sua matriz. As ligações entre a Telefónica e a Telecom Itália, que estaria também interessada na compra da GVT, são apenas a ponta do iceberg do mercado mundial de telecomunicações: um negócio gigantesco, no qual meia dúzia de sujeitos, donos de meia dúzia de grandes empresas privadas, explora centenas de milhões de consumidores, levando dinheiro, a cada vez que eles usam um telefone fixo, um computador, um celular ou uma televisão.

As únicas nações que escapam disso, dessa verdadeira escravidão digital, são aquelas que mantiveram suas próprias telecoms — grandes companhias de telecomunicações — nas mãos do estado, como fez a China, por exemplo, dona da maior empresa de telecomunicações do mundo, condição da qual o Brasil abdicou ao esquartejar e vender, majoritária e criminosamente a estrangeiros, a área de prestação de serviços da Telebras, no final dos anos 1990.

A Telefónica ganhou, líquidos, no primeiro semestre de 2014, dois bilhões e seiscentos e cinquenta milhões de reais no Brasil, triplicando, entre abril e junho, os lucros do primeiro trimestre, que foram de 660 milhões de reais. Além dos bilhões que envia todos os anos para a Espanha, a empresa, que deve centenas de milhões de reais ao BNDES, ainda cobra “juros” sobre o capital de sua subsidiária brasileira, que pelo que se prevê, chegarão, em 2015, a quase 100 milhões de euros.

É preciso lembrar ao CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica, ao Congresso, à imprensa e à sociedade, que, na área de telecomunicações, o que o Brasil precisa não é de uma situação de virtual cartel, com grandes empresas estrangeiras controlando cada vez mais nosso mercado, mas de novos concorrentes, que possam oferecer serviços melhores e a um custo menor para um público que já paga, por péssimos serviços, segundo organizações internacionais, das maiores tarifas de telefonia celular do mundo.

No Brasil, o que precisávamos, desde o início, era de uma empresa privada 100% nacional que pudesse fazer isso, ou que a TELEBRAS tivesse sido mantida no mercado para fazer frente aos espanhóis, italianos e mexicanos que para aqui vieram na década de noventa.

A compra da GVT pela Telefónica, caso seja concretizada, evidenciará duas coisas: a irresponsável entrega do mercado nacional para uma empresa estrangeira, e a total inexistência, no Brasil, de uma política de defesa da concorrência digna desse nome.
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Alckmin é acusado de farsa por deputado estadual durante formatura de PMs


Policiais são colocados em localização estratégica para emoldurar propaganda eleitoral do governo em detrimento da segurança da população.


No DCM
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Para quem acredita... no Globope


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O conluio de “Veja” e TV Globo para inventar escândalos


Que “Veja” e Tevê Globo,  por força de seu proselitismo de extrema direita, inventem um escândalo relacionado com a CPI da Petrobrás para desacreditar o Governo, nada de novo. Que os dirigentes do Senado e da dita CPI levem isso a sério, ao ponto de determinar investigações, é extremamente grave. Significa que não há um processo preliminar de avaliação de pseudo-denúncias pelo qual alguém que ostente a credencial de Senador da República acabe passando o recibo de ser um simples idiota.

Já fui secretário de CPI da Câmara dos Deputados. Era comum que fizesse uma lista de perguntas sobre questões específicas aos depoentes. Meu interesse, na condição de auxiliar da instituição CPI, era o esclarecimento de fatos e de situações de seu interesse. Jamais passaria pela minha cabeça esconder minhas perguntas. Não estava num programa de pegadinhas na televisão. Meu interesse não era forçar contradições do depoente, mas colocá-lo diante de questionamentos objetivos para trazer a verdade à tona.

Já auxiliei pessoas a prestarem depoimentos em CPI ou a participarem de debates públicos. Meu papel, nesses casos, tem sido o de simular à exaustão respostas a possíveis perguntas ou respostas a diferentes  questionamentos de conhecimento público, incluindo prováveis provocações por interesses escusos. Só um idiota vai para uma inquirição pública ou debate sem alguma forma de preparação. Em geral, nossa memória é fraca. E numa situação em que há algum nível de hostilidade ideológica, todo cuidado é pouco.

O “crime” postulado por “Veja” e catapultado em nível nacional pela Globo, num conluio explícito para desacreditar o Governo, consiste na afirmação de que depoentes vinculados à Petrobrás tiveram acesso a perguntas que seriam feitas na CPI. Ora, ou essas perguntas são objetivas, visando a algum esclarecimento efetivo, ou são pegadinhas, para forçar contradição do depoente. No primeiro caso, a antecipação da pergunta, se houve, não teria qualquer efeito no esclarecimento dos fatos. Contudo, se é uma pegadinha, não tem nenhum efeito objetivo sobre o curso da CPI, exceto, talvez, a humilhação episódica do depoente.

Entretanto, essa não é propriamente a questão, mas seu contexto. O fundamental é que não se pode fazer uma investigação no Senado sobre algo que não existe. Acaso seria crime um depoente ter acesso a perguntas a que seria submetido? Acaso preparar um depoente para responder perguntas na CPI seria crime? Onde está a fraude? Preparar-se adequadamente para uma CPI honra a instituição do Congresso. O depoente poderia simplesmente chegar lá e calar-se. Naturalmente que, para “Veja” e Tevê Globo, o espetacular, para mexer com a emoção do povo, seria que alguém, pego de surpresa, cometesse o percalço de confessar algum crime na CPI a fim de que saísse de lá com algemas. Isso, já se viu, não acontecerá na CPI da Petrobrás simplesmente porque não houve crime. Portanto, é preciso inventar algum na sua periferia.

No meu tempo de jornalismo, inaugurei no Brasil o jornalismo investigativo na área econômica denunciando vários escândalos financeiros do período da ditadura, ainda na ditadura. Era um trabalho solitário. Não havia ajuda da Polícia Federal, que na época só se preocupava em prender comunistas; não havia apoio do Ministério Público e da própria Justiça (com raríssimas exceções), serviçais do poder militar;  ou do próprio conjunto da imprensa, que se mantinha omissa com medo do Governo ou do anunciante. Não obstante, com o apoio de meu jornal, pude enfrentar grandes blocos de poder político e econômico pela razão elementar de que tinha uma premissa: na denúncia, é preciso ter um código de ética que leve em conta a solidez das provas, a clareza do crime ou da irregularidade, e a inequívoca identidade dos autores.

O código de “Veja” é diferente. Em vez de provas, basta-lhe uma gravação que algum agente desonesto da Polícia ou um espião privado lhe entreguem comprometendo, num contexto nebuloso, alguma pessoa suspeita de governismo; é totalmente dispensável identificar a ação denunciada como crime ou irregularidade; os autores podem ser difusos, desde que comprometam de alguma forma o Governo. Assim, coma gravação deturpada de um lado e o apoio da Tevê Globo do outro, “Veja” produz um escândalo com som retumbante o suficiente para que o Senado a leve a sério.

Em três livros sobre a patologia dos escândalos da era autoritária — A Chave do Tesouro, Os Mandarins da República e A Dupla Face da Corrupção —, em vez de me limitar à história dos escândalos em si, procurei mostrar a institucionalidade que permitiu sua eclosão. Vou fazer o mesmo, resumidamente, para que se entenda a patologia dos “escândalos” denunciados por Veja. A revolução da informática expulsou os jornais da notícia; como reação, o jornalismo escrito tenta se refugiar na análise. A revista ficou com seu espaço diminuído, porque está distante da notícia (diária) e com pouca eficácia na análise, campo dividido com os jornais. Como consequência, seu campo favorito tornou-se o escândalo. Notem que, de duas em duas semanas,  “Veja” expõe um, às vezes elevando roubo de galinha a categoria de grandes escândalos. Quando nem isso existe, ela inventa. Daí a “fraude” na CPI.

P.S. Para que não me interpretem equivocadamente, devo dizer que não sou governista, não sou do PT nem apoio integralmente a política do PT. Admiro as políticas sociais dos governos Lula e Dilma, mas discordo de sua política macroeconômica, que considero responsáveis pelo mau desempenho da economia brasileira. Não obstante, não saio por aí inventando escândalos para dar suporte a candidatos neoliberais de extrema direita na atual disputa eleitoral.

J. Carlos de Assis - Economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe-UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB, autor de mais de 20 livros sobre economia política brasileira.
No GGN

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Perícia comprova: Veja fraudou fita da CPI


Uma perícia contratada pelo senador Delcídio Amaral (PT/MS) demonstra que a revista Veja editou a fita que motivou a capa da última semana, sobre uma suposta farsa na CPI da Petrobras; "Do arquivo analisado separamos segmentos que demonstram a edição do mesmo, sendo claramente perceptível pelo menos duas interrupções na sequência das falas", diz a análise do IPC, o principal instituto de perícias do Mato Grosso do Sul; "O uso de palavras separadas de sua sequência original pode trazer interpretação destoante do efetivo contexto em que teriam sido empregadas"; ontem, em entrevista, o ministro Ricardo Berzoini defendeu que Veja apresente a íntegra de sua fita gravada com uma caneta espiã; a revista da Marginal Pinheiros aceitará o desafio?



O laudo elaborado pelo Instituto de Perícias Científicas de Mato Grosso do Sul revela que a gravação da conversa entre dois funcionários da Petrobras – José Eduardo Barrocas e Bruno Ferreira – e uma outra pessoa não identificada, divulgada esta semana pela revista Veja, foi editada, o que compromete qualquer avaliação sobre a participação de senadores em uma suposta tentativa de fraudar os trabalhos da CPI da Petrobras, conforme denunciado com alarde pela revista.

O documento, assinado pelo perito Fernando Klein, conclui , com base na análise feita na gravação disponibilizada pela Veja em seu site na Internet, com duração de 2 minutos e 40 segundos, que não há uma sequência lógica que permita vincular o senador Delcídio do Amaral (PT/MS) a eventual orientação repassada aos depoentes da CPI da Petrobras, uma vez que no momento imediatamente anterior à citação do nome "Delcídio" na conversa há uma interrupção de 1 minuto e 14 segundos na gravação, o que comprova a montagem.

O laudo esclarece que o uso de arquivo editado pode trazer interpretações equivocadas em relação ao contexto de todo um diálogo.

"Do arquivo analisado separamos segmentos que demonstram a edição do mesmo, sendo claramente perceptível pelo menos duas interrupções na sequencia das falas, a primeira com 1 minuto e 12 segundos e a outra com 1 minuto e 30 segundos. O uso de palavras separadas de sua sequência original pode trazer interpretação destoante do efetivo contexto em que teriam sido empregadas. Dessa forma, não há credibilidade para a interpretação do conteúdo e da aplicação dos diálogos constantes na gravação de 2 minutos e 40 segundos disponibilizada no sítio eletrônico da revista Veja, dada a evidente edição do mesmo", assegura o perito.

O IPC é o maior e mais conceituado instituto de perícias de Mato Grosso do Sul. Ele é responsável por pelo menos 70 % de todas as investigações periciais requisitadas pela Justiça no estado.

Nesta quarta-feira, em entrevista, o ministro Ricardo Berzoini, das Relações Institucionais, defendeu que Veja apresente a íntegra de sua fita gravada com uma caneta espiã (leia aqui).

Confira, abaixo, a conclusão da perícia: 

Com base nos elementos materiais analisados no presente Parecer Técnico, conclui este Perito Extrajudicial que, mediante análise do arquivo disponibilizado no endereço eletrônico: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/gravacoescomprovam-cpi-da-petrobras-foi-uma-grande-farsa, com duração de 2min 40seg, não há uma sequência lógica para o arquivo que permita qualquer vínculo do CONTRATANTE [senador Delcídio Amaral] a eventual orientação repassada aos depoentes da CPI da Petrobrás, uma vez que no momento imediatamente anterior à citação de DELCÍDIO, há uma interrupção de 1min 14seg no arquivo editado.

No 247
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Barroso autoriza Genoino a cumprir pena em prisão domiciliar

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso autorizou nesta quinta-feira (7) ex-deputado federal José Genoino (PT) a mudar do regime semiaberto para o aberto e cumprir o restante da pena em prisão domiciliar.

Como no Distrito Federal não há estabelecimento de regime aberto, a chamada casa de albergado, todos os condenados no regime são autorizados a cumprir punição em casa.

A decisão será enviada à Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal, a quem caberá marcar uma audiência para explicar a Genoino as regras da prisão domiciliar. Isso deve ocorrer nos próximos dias.
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Apelo para Gaza: assista ao vídeo


Números de #Gaza até 6 de agosto, 8h (horário local): 1.843 palestinos mortos, incluindo pelo menos 1.354 civis, dos quais 415 são crianças e 214 são mulheres; 67 israelenses mortos, incluindo 64 soldados, dois civis e um estrangeiro; 373 mil crianças necessitam de apoio psicossocial.

Cerca de 187 mil deslocados estão em abrigos de emergência da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA); 65 mil pessoas deslocadas tiveram suas casas destruídas ou severamente danificadas.

A proposta egípcia por um cessar-fogo de 72 horas, que entrou em vigor no dia 5 de agosto às 8h, está sendo mantida, disse o Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), sem relatos de violações ou vítimas até o horário deste relato.

Equipes de resgate continuam a recuperar corpos dos escombros. As crianças têm suportado o peso da situação de emergência, com 415 assassinadas. Milhares de resíduos explosivos de guerra são uma grande ameaça para crianças, agricultores, pessoas internamente deslocadas que regressam para casa e os trabalhadores humanitários.

O número de deslocados internos em abrigos da UNRWA caiu de um pico de mais de 273 mil em 4 de agosto para 187 mil até a data do relato. Esses números podem subir novamente se forem retomadas as hostilidades. Moradias alternativas serão necessárias para as cerca de 65 mil pessoas cujas casas foram destruídas ou severamente danificadas.

Acompanhe em www.onu.org.br/especial/gaza e apoie o trabalho da UNRWA em www.unrwa.org/donate

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Operação factóide ou como substituir uma pauta real por uma simples bobagem


Criar factóides é uma arte, mas não exatamente nova. Ela pode ser útil a um artista, a um cartola de futebol, a um executivo de empresa, mas costuma ser muito utilizada na política. Principalmente por políticos que estão vivendo momentos complicados e precisam limpar sua barra. Mas para que a operação dê certo é sempre necessário contar com a benevolência e a cumplicidade dos veículos de comunicação.

Odorico Paraguassu foi o personagem rei do factóide na série Sucupira. Ele construi um cemitério numa cidade onde não morria ninguém e ficava o tempo todo arrumando maneiras de inaugurá-lo. Seus discursos eram recheados de adjetivos e o vocabulário era incompreensível para a patuléia.

Na real politik, muitos se especializaram nisso. Jânio, por exemplo, fazia uso do português castíssimo para impressionar. Fi-lo porque qui-lo, virou um memê da época pré-internet. O ex-presidente, um gourmet refinado, saia com um sanduíche de mortadela no bolso e quando os repórteres se aproximavam, sacava-o e esbanjava uma larga mordida. Antes de sair de casa, diziam assessores mais próximos, revolvia os cabelos deixando-os completamente engruvinhados e aplicava um pouco de talco no paletó que usava completamente torto para parecer que tinha caspa. Buscava parecer um homem sem luxos, simples e trabalhador. Não ligava que o achassem um pouco louco. Sabia que isso o tornava mais popular.

Quando prefeito de São Paulo de 85 a 88, Jânio saia multando carros, fazendo incertas em hospitais e escolas e colocava sapatos diferentes de propósito como se fosse por acidente. Aproveitava com essas notícias pré-fabricadas para retirar a reflexão crítica de sua gestão dos destaques. Ao invés de debater a qualidade de sua administração, os repórteres ficavam atrás de suas estrepolias.

César Maia seguiu os passos do paulista e chegou a ser apelidado de o prefeito maluquinho. Entre outras coisas, pedia picolé em açougue e caminhava com jaqueta em pleno verão carioca.

Mas às vezes o político não precisa inventar factóides para se livrar do noticiário negativo. A própria mídia lhe faz o serviço. Exemplo mais recente é o do mídia training para a sessão da CPI da Petrobras. Veja transformou o caso num escândalo, ele foi para  manchete de todos os jornais, deu no JN e está sendo repercutido por inúmeras rádios e mídias regionais. E nada de aeroportos de Aécio. Isso virou bobagem. Interessa investigar as perguntas que estavam no site do Senado, mas que a Veja revelou como se fosse um furo de reportagem.

Não, os nossos veículos de comunicação não perderam o juízo. Eles simplesmente deixaram qualquer vergonha de lado e entraram desbragadamente no jogo político da eleição. E estão operando uma história que não fica de pé, buscando esconder um escândalo cuja investigação ainda precisa avançar muito. Já há indícios claro que os aeroportos de Minas, alguns fechados a cadeado e outros simplesmente inexistentes e cujo investimento do poder público bateu na casa dos milhões, podem fazer parte de uma operação de desvio de recursos públicos, mas também de criação de uma rede de operação para finalidades heterodoxas.

Mas isso não interessa agora. Importa saber é quem treinou os diretores da Petrobras para ir à CPI. Como se até o estafeta do Congresso não soubesse que nem um completo idiota vai a uma audiência de uma CPI sem passar antes por um treinamento.

Veja em si já é um factóide, mas os outros veículos que já perderam muito de sua credibilidade, mas que ainda tentam manter algum nível de respeito junto ao público, poderiam ao menos tentar não engolir detritos que ela lança à sociedade fazendo de conta que é jornalismo. Afinal, engolir e arrotar detritos de maré baixa, como diz um amigo blogueiro, não é exatamente algo saudável.

Renato Rovai
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O ‘aécioporto’ pegou. Pegou?


Até julho, as preocupações de Aécio Neves nas redes sociais circulavam em torno do que falavam sobre sua vida pessoal — a pecha de ser boêmio, de ter tido a habilitação apreendida em uma blitz da Lei Seca no Rio ou do suposto consumo de drogas.

Mas, se soubesse o que viria no mês passado, nem teria se preocupado com essas questões e focaria no tsunami que o esperava.

De acordo com o estudo da empresa de monitoramento AirStrip feito a pedido da Folha, que mostrou Dilma bem mais citada nas redes sociais (reportagem sobre o assunto aqui), nada repercute mais negativamente contra os candidatos ao Planalto que o caso do aeroporto de Cláudio (MG), construído em uma área desapropriada que era de um familiar do tucano.

Desde que a Folha divulgou o caso, em meados de julho, já foram mais de 66 mil menções nas redes sociais ao ‘aécioporto’, como o caso foi jocosamente apelidado pelos partidários de Dilma Rousseff. Muito mais que as cerca de 4.000 menções à tentativa de Aécio de retirar do Google notícias sobre sua vida pessoal, alvo de outras 3.500 menções.

É um volume grande até na comparação com temas espinhosos dos concorrentes. Dilma, por exemplo, tem como principal dor de cabeça nas redes sociais a gestão da Petrobras, em especial a queda de seu valor de mercado e os problemas envolvendo a refinaria de Pasadena. Mas as menções desses casos atrelados ao nome de Dilma somam cerca de 16 mil, bem menos que o ‘aécioporto’.

Isso não significa que há poucas menções ao mensalão ou à crise da Petrobras. Só que Dilma é pouco citada junto destes temas. Já o problema do aeroporto cai todo no colo do Aécio.

A despeito da quebra de paradigma inicial que causa estranheza ao eleitor (como um candidato que prega a ética e boa gestão constrói um aeroporto que tem benefícios questionáveis à população, mas inquestionáveis para ele ou sua família?), dois pontos ajudam a explicar como o caso se espalhou nas redes sociais.

O primeiro é que demorou para Aécio começar a dar explicações mais alongadas ao tema. Enquanto ele insistia que não havia nada de errado, o caso se alastrava entre os internautas como rastilho de pólvora.

O segundo é que a campanha petista e os blogueiros que apoiam Dilma perceberam rapidamente o poder destrutivo da denúncia e bombaram o ‘aécioporto’ nas redes sociais — cada desdobramento que há é amplamente divulgado e comentado.

A sorte do tucano é que a campanha eleitoral não começou de fato. Por enquanto, só uma minoria mais engajada e as campanhas se preocupam com o que se diz ou não por aí. Mas o tempo para fazer a poeira baixar está cada vez mais curto — começada a propaganda na TV, qualquer coisa que ainda esteja no ar será (bem) utilizada pelos concorrentes.


Ygor Salles
No fAlha
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Como a presidente das Avós da Praça de Maio encontrou o neto roubado pela ditadura argentina

Ela celebrou cada encontro como se fosse o seu próprio. Se angustiava quando as histórias eram complicadas e alegrava-se quando davam certo. Todos os netos eram um pouco dela. E então, ontem, seu neto foi um pouco de todas.

Estela Barnes de Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio, pôde abraçar Guido, o filho que sua filha Laura teve em junho de 1978, quando estava seqüestrada. “Nós encontramos o seu neto”, disse a juíza Maria Servini de Cubria no tribunal, embora, na verdade, Guido tenha feito o trabalho sozinho, com tenacidade e a ajuda das Avós da Praça de Maio. Porque, no final, Guido também procurou Estela.

Cerca de 15 anos atrás, quando as Avós começaram a entender que os netos que buscavam já não eram crianças, e sim adolescentes ou adultos, expandiram sua estratégia. Não mais tentando espiar a porta das escolas, mas questionando-os. “Você sabe quem você é?”, foi a frase escolhida para esta nova fase. Ela foi escrita em um cartaz pendurado em um show de rock.

Em junho, um jovem enviou um e-mail para as Avós da Praça de Maio. Um par de semanas atrás, bateu na porta da sede da instituição. Ele sabia que quem o criou não eram pais biológicos. Alguém próximo à família lhe confessara. Suspeitava que fosse filho de desaparecidos. Foi encaminhado à Comissão Nacional pelo Direito à Identidade (Conadi), dirigida por Claudia Carlotto.

Suas amostras de sangue foram cruzadas com as do Banco Nacional de Dados Genéticos e os resultados ficaram prontos: seus pais eram Laura Walmir Carlotto e Oscar Montoya. A família Carlotto não tinha certeza de quem era o parceiro de Laura porque a militância clandestina não conhecia seu nome. O aparecimento de Guido, por conseguinte, também resolve esta questão.

Na sede das Avós, Estela se juntou com seus filhos, Kibo e Remo, seus treze netos e dois bisnetos. Começou a chegar sua segunda família: suas companheiras, colegas de trabalho, amigos, netos e irmãos ainda à procura de irmãos. “Ele é um artista, vive na Argentina e disse que se parecia comigo”, falou Estela, entre abraços. Ela estava feliz e surpresa. E grata por Guido estar vivo, porque ele era saudável e porque estava por perto. Em pouco tempo, o lugar estava cheio de jornalistas, fotógrafos e câmeras de TV.

A essa altura já era sabido que Guido havia sido criado em Olavarria e cresceu com o nome de Ignacio Hurban, dados que haviam sido liberados pelo tribunal, mas a família Carlotto tentou preservar sua privacidade para não gerar assédio sobre o jovem e, assim, ele ter tempo para processar a notícia de que sua vida tinha mudado.

“Felizmente eu fiz um exame do coração recentemente. E está tudo bem. Agora eu quero tocá-lo, olhá-lo. Agora eu tenho meus 14 netos e o portarretratos vazio terá sua fotografia. Eu já o vi e ele é lindo. Ele é um bom rapaz”, disse Estela durante a coletiva de imprensa que foi montada na sede das Avós.

“Quero compartilhar essa grande alegria que a vida nos oferece hoje, por encontrar o que buscamos por tantos anos. Que Laura sorria do céu. Porque ela sabia antes de mim: ‘Minha mãe não vai esquecer o que eles fizeram e vai persegui-los’”, disse Estela, lembrando uma frase que sua filha disse a seus assassinos antes de saber que sua mãe se tornaria um marco na luta contra a impunidade, pela memória e pela justiça, não apenas perseguindo os responsáveis​pela morte de sua filha e o roubo de seu neto, mas a todos os que participaram dos crimes de terrorismo de Estado.

A presidente das Avós não quis dar detalhes sobre a família que criou seu neto, “talvez inocentemente”. Disse que sabia quem o havia entregado, mas essa pessoa está morta. “Isto é para aqueles que ainda dizem ‘chega’, aqueles que fingem esquecer como se nada disso tivesse acontecido. Você tem que continuar procurando. O que eu queria era não morrer sem abraça-lo antes, e em breve é o que ocorrerá”, disse ela.

Estela agradeceu a Deus, suas companheiras, seus netos, o povo e a democracia. Afirmou que o aparecimento de seu neto foi um triunfo para todos os argentinos. Antes do fim, saiu para a varanda pequena que dava para a rua Viceroy Cevallos, onde as pessoas que não puderam entrar na Casa das Avós, membros de organizações de direitos humanos, amigos e os moradores do bairro a saudaram.

Mais cedo, a presidente das Avós havia deixado claro que a reunião não significava que a descoberta de seu neto iria diminuir seu esforço e dedicação em procurar os 400 jovens desaparecidos, muito pelo contrário: “Os meninos estão mais perto ou mais longe, esperando ser escontrados. A liberdade e o amor os esperam. Eles me perguntam de onde eu tiro a minha  força… dos meus filhos, de Laura”.


No DCM | Página12
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Essa é do Barão... 5


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RBS “desapega” do jornalismo para continuar crescendo

O presidente da RBS, Eduardo Melzer, está certo: mudar não é opcional, é questão de sobrevivência para os grupos empresariais que têm origem nos meios tradicionais de comunicação — rádio, tevê e jornal.

Ante as “transformações radicais” provocadas pela internet, os meios precisam se reinventar, sem dúvida.

As dúvidas começam quando se tenta ver os rumos da mudança, que envolve a maior empresa de comunicação do Sul do país

Em sua carta aos funcionários, Melzer menciona “os ajustes que precisam ser feitos para continuarmos crescendo”. Aí estaria incluida a demissão de 130 funcionários, “principalmente da operação dos jornais”.  Se a maioria forem jornalistas, como se diz, sinaliza uma direção.

Melzer diz, com razão, que “os modelos tradicionais estão altamente desafiados”. Não diz, mas se presume: os jornais impressos, mais que tudo.

Por outro lado, há um “mundo novo” conformado pelo  “avanço tecnológico e a forma de consumir mídia” quenunca geraram tantas oportunidades e tanta abertura para a inovação”.

Como o grupo vai enfrentar a crise anunciada dos jornais? A medida concreta é o corte de custos. O jornal Zero Hora passou por uma reforma radical recentemente, mudou até o nome para ZH. Graficamente, ficou mais limpo, mais simétrico, mas com menos espaço para as notícias (a coluna política foi reduzida em quase um terço).

A prometida qualificação do conteúdo não ocorreu, a não ser pontualmente. O grau de independência aos interesses comerciais e políticos também não aumentou.

Embora proclame diariamente nos editoriais sua disposição para a imparcialidade, o noticiário é usualmente engajado.

A reforma da Zero Hora começa agora a ser replicada em outros jornais do grupo “Nesta quarta-feira, 6, Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina entraram também nessa nova fase”. O grupo tem dez títulos impressos no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O que não é dito: a crise do jornalismo impresso não decorre só da internet.  É mais ampla: é também a crise de um modelo de negócio, em que o jornalismo é sustentado pela publicidade. Desfazer-se do papel, não vai alterar o desgaste desse tipo de jornalismo num universo em que a palavra vai ser: credibilidade. E na televisão, onde a RBS é lider inconteste há décadas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina?  “Teremos nesse ano as 18 emissoras com equipamentos totalmente renovados e tecnologia de última geração, cobrindo com sinal digital o Rio Grande do Sul e Santa Catarina antes do prazo determinado pelo governo federal”. E no rádio, origem do grupo? “Em rádio, nosso alcance cresceu com o lançamento da Gaúcha Serra, da Gaúcha Santa Maria e da Gaúcha Zona Sul. O rádio também tem feito um excelente trabalho na internet”. Melzer faz profissão de fé “no jornalismo de qualidade, na comunicação e no desejo cada vez maior por conteúdo de entretenimento diferenciado”. A decisão, diz ele,  é “investir em atividades e negócios que geram resultados positivos e deixando de fazer o que não agrega para nossa empresa e para o mercado”.

Melzer faz questão de dizer que a RBS “não passa por uma crise financeira”. Os investimentos visam um “redesenho da nossa operação”, buscando “velocidade e despreendimento”, qualidades que nem sempre favorecem o jornalismo de qualidade. Provavelmente favorecem o “conteúdo de entretenimento diferenciado”.

As decisões não são impensadas, obviamente. Há um ano o grupo analisa e propõe caminhos para seus “negócios e atividades”, segundo diz Melzer. “Eu me envolvi pessoalmente nesse processo. A partir do que vimos, fizemos investimentos importantes que ajudam a deixar clara a nossa crença no negócio”.

A opção é explícita: “Dobramos as equipes dedicadas ao digital, tanto nas redações quanto no Tecnopuc, e triplicamos os investimentos nesta área. Até o fim do ano, só no Tecnopuc, em Porto Alegre, teremos quase 100 profissionais trabalhando exclusivamente na criação de soluções digitais para nossos produtos, em especial para os jornais”.

A e.Bricks, lançada em São Paulo há três anos, marcou a aposta da RBS no negócio digital: “Lançamos o Early Stage, um fundo para impulsionar ideias em tecnologia — um negócio contemporâneo que atrai empreendedores em busca de parceria para crescer. O fundo deve chegar ao final do ano com 16 empresas no portfólio”.

Através da e.Bricks, opera a Wine, “que já é a maior empresa de vinhos online do mundo, tanto que estamos agora preparando sua entrada no mercado internacional”.

Muitos funcionários da RBS são sócios da Wine, “agora poderão também ser da Have a Nice Beer, o maior clube online de cervejas da América Latina, que está vindo para o Grupo”.

Segundo Melzer, “dois exemplos de inovação e empreendedorismo que marcam a nossa gestão” são: 1) O HypermindR, um centro de pesquisa no Rio de Janeiro, que vai desenvolver softwares para medir hábitos do consumidor. E o segundo diz respeito ao nosso modelo de gestão de pessoas, baseado na meritocracia. As ferramentas que desenvolvemos para dar mais transparência aos planos de carreira tornaram-se benchmark para muitas empresas e agora serão disponibilizadas ao mercado através da Appus, um negócio que nasceu aqui, dentro do RH”.

Segundo Melzer a situação exige “coragem, energia e desapego para deixar de fazer coisas que não agregam e investir no que pode nos fazer crescer”.

No
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O juiz da ‘esquerda caviar’ só podia mesmo absolver Gentilli

Ele
Se você é de esquerda, está frito caso seja julgado pelo juiz Marcelo Matias Pereira, da 10.a Vara Criminal de São Paulo.

Se você é de direita, está tudo dominado.

Alguém falou em justiça isenta?

Duas sentenças de Pereira mostram quanto a justiça, no Brasil, virou uma coisa de louco.

Na mais recente, ele usou a expressão “esquerda caviar” para negar um pedido de liberdade de dois manifestantes presos.

Com isso, Pereira traiu não apenas seu conservadorismo tonitruante. Traiu também que é leitor e discípulo do colunista Rodrigo Constantino, autor de um livro chamado exatamente Esquerda Caviar.

É como se Rodrigo Constantino julgasse os manifestantes presos. Pior ainda: é como se Olavo de Carvalho decidisse a sorte dos jovens presos.

Não faltou apenas isenção ao juiz. Faltou também pudor. Ele não se deu ao trabalho sequer de disfarçar as motivações ideológicas por trás de seu despacho.

A primeira sentença bizarra de Pereira veio a público poucos meses atrás.

Ele conseguiu inocentar Danilo Gentilli da acusação de racismo depois que este ofereceu bananas – repito: bananas – a um internauta negro com o qual se desentendera.

Naqueles dias, o mundo se indignara com o gesto de um torcedor espanhol que jogou uma banana na direção do brasileiro Daniel Alves.

Mas as bananas de Gentilli foram consideradas inofensivas pelo juiz.

A condescendência do magistrado estimulou admiradores de Gentilli a massacrar o internauta negro com insultos raciais tão logo a sentença se tornou conhecida.

Por mais que o palavrório de Pereira buscasse confusamente argumentos, o fato é que Gentilli foi absolvido porque é de direita.

Um irmão ideológico, portanto, do juiz.

Do jeito que as coisas andam, você não vai ser condenado ou inocentado pela justiça por causa de provas, evidências e coisas do gênero.

O que vai decidir sua sorte é a ideologia de quem vai julgar você.

Paulo Nogueira
No DCM
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A direita está certa: devemos imitar os EUA. E legalizar maconha, casamento gay e aborto

Marcha pró-aborto nos EUA. O aborto é legalizado no país desde 1973. 
Foto: Peter Keegan
Os reacionários brasileiros adoram os Estados Unidos. Costumam passar, inclusive, as férias em Miami — o que corrobora seu profundo mau gosto, já que o país é imenso e tem dezenas de outras cidades mais interessantes. Para a direita tupiniquim, os EUA são a Terra Prometida, onde jorra leite e mel. A economia deles é fantástica, a educação, a saúde, o cinema… Eles admiram até a junkie food, aquela comida péssima que fez os índices de obesidade irem à estratosfera por lá. Enfim, se dependesse dos reaças, o Brasil imitaria o Tio Sam em tudo. Tudo mesmo? Será?

Claro que não! Existem conquistas dos norte-americanos que a direita brasileira faz tudo para esconder de você. Quando se trata destes assuntos, eles preferem mirar o Irã, o Afeganistão ou qualquer nação islâmica radical onde as mulheres andam de burca e onde tudo é proibido em nome de Deus. A Terra Prometida dos reaças, na verdade, é um mix de Estados Unidos por fora e país fundamentalista por dentro. Uma miragem para enganar trouxa.

Imagine se a reaçada brasileira, que adora macaquear os EUA, iria querer que nós imitássemos, por exemplo, a lei de aborto norte-americana. A obscura direita nativa, que em toda eleição tenta criar celeuma em torno do aborto, prefere ocultar do povo que, na terra de George Bush e Barack Obama, pode-se interromper a gravidez legalmente em absolutamente TODOS os 50 Estados desde 1973. A interrupção pode ser feita até a 22ª semana de gestação e, em 17 Estados, o atendimento ao aborto é realizado pelo serviço público de saúde. Nos demais, em clínicas particulares.

O aborto, além de ser um direito e uma escolha da mulher, é uma questão de saúde pública. Centenas de mulheres morrem anualmente por causa de abortos mal-sucedidos no Brasil, porque, é claro, eles continuam a ocorrer mesmo proibidos por lei. E o número de abortos com a legalização, ao contrário do que a direita costuma dizer, vem caindo a cada ano nos EUA. Segundo um estudo divulgado em março deste ano, o total de abortos praticados nos EUA caiu para o mesmo patamar de antes da decisão da Suprema Corte, em 1973 (leia aqui).

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Outra coisa que nós poderíamos imitar dos gringos: 23 Estados e o Distrito de Colúmbia, onde está situada a capital, Washington, já aprovaram leis descriminalizando o porte de pequenas quantidades de maconha; 22 Estados permitem o seu uso medicinal; e dois deles, Colorado e Washington, legalizaram a maconha inclusive para o uso recreativo.

Um dos argumentos patéticos da direita burra (ups, pleonasmo) contra a legalização da maconha — e contra até se discutir abertamente este tema — é que existem “assuntos mais importantes” para se tratar. Nada mais falso. A proibição da maconha sustenta o tráfico de drogas e aumenta a criminalidade. Quer assunto mais urgente do que reduzir a violência? Só para se ter uma ideia, em Denver, no Colorado, os crimes caíram em 10,6% apenas cinco meses após a legalização da maconha no Estado.


A legalização da maconha nos EUA também está quebrando o narcotráfico no país vizinho, o México. Outro aspecto importantíssimo: com a legalização, as cadeias dos EUA, as mais populosas do mundo, não vão lotar de meninos negros levados em cana apenas porque fumavam um baseado, como ocorre hoje. O próprio presidente Barack Obama denunciou: “Garotos de classe média não são presos por fumar maconha. Garotos pobres são. E há mais garotos afro-americanos e latinos entre os pobres e com menos condições de se defender para evitar penas duras”. A criminalização da juventude pobre e negra por causa da maconha também ocorre no Brasil. Mas a direita não está nem aí.

Um terceiro item para imitarmos dos norte-americanos: o casamento gay. O governo federal, 21 Estados e o Distrito de Colúmbia reconheceram legalmente a validade dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Em junho deste ano, o presidente Barack Obama estendeu todos os benefícios federais do matrimônio tradicional aos casais gays. Isso inclui as leis de imigração: estrangeiros casados com gays norte-americanos passaram a ter o direito de permanecer no país, como acontece com os heterossexuais.

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Obama e Michelle recepcionam o casal gay Jim Darby e Patrick Bova durante a recepção do Orgulho LGBT na Casa Branca, em junho. 
Foto: Pete Souza
O mais interessante é que Obama nem sempre pensou assim. Seu pensamento sobre o casamento gay evoluiu a partir de 2012, quando declarou publicamente: “Em certo momento eu concluí que para mim é importante ir em frente e afirmar que casais do mesmo sexo devem ter o direito de se casar legalmente”. Em junho, durante uma recepção para gays e lésbicas na Casa Branca, Obama disse: “Se nós somos de fato criados iguais, então a maneira que amamos outra pessoa também deve ser igual”.

Portanto, faço aqui um reconhecimento: a direita está certa! Vamos copiar os Estados Unidos já. Eles são realmente um modelo para nós.

Cynara Menezes
No Socialista Morena
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Ayres Brito ganhou R$ 56 mil por parecer sobre Cláudio


Opinião legal do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto atestou a legalidade dos procedimentos para a construção do aeródromo de Cláudio (MG); documento, com apenas uma folha, foi contratado pelo PSDB para rebater as acusações dirigidas contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que autorizou a obra quando foi governador de Minas Gerais; além de Ayres Britto, outro ex-ministro do STF, Carlos Mário Veloso, também produziu parecer sobre o caso, que se tornou um dos temas mais discutidos na campanha eleitoral até agora

Custou R$ 56 mil o parecer, de apenas uma folha, produzido por Carlos Ayres Britto, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, que atesta a legalidade da construção do aeródromo de Cláudio (MG). A informação é da coluna Painel, de Bernardo Mello Franco. Eis a nota:
Conta salgada

Aécio pagou R$ 56 mil ao escritório de advocacia de Carlos Ayres Britto. O ex-ministro do STF assinou parecer dizendo não ver "nada de juridicamente inválido" na obra do aeródromo de Cláudio (MG).
O documento do ex-ministro do STF sobre a obra do aeroporto de Cláudio (MG) foi usado por Aécio para rebater denúncias feitas pela ‘Folha de S. Paulo’. O jornal o acusa de ter misturado interesses públicos e privados na construção da pista durante seu segundo mandato como governador de Minas Gerais. 

Em suas breves ponderações, Ayres Britto citou documentos a respeito da desapropriação, "para fins de utilidade pública", da fazenda que recebeu, em seguida, a pista do aeroporto de Cláudio. "Nada de juridicamente inválido", registrou o ex-ministro. Na defesa do caso, o PSDB também contratou outro parecer, de Carlos Mário Veloso, que também foi ministro do STF.

Leia, abaixo, o parecer de Ayres Britto:



No 247
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Urubóloga fica sem fala

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Se é crime, são dois

Os parlamentares do PSDB querem explorar a denúncia de uma banalidade que também é praticada por eles

Com os amigos que tem no PSDB, Geraldo Alckmin deve ao menos proteger as costas. Enquanto se ocupa de sua promissora campanha eleitoral, os parlamentares do PSDB que passam por Brasília qualificam como crime, e querem submetida a processos, "a armação" de parlamentares governistas e funcionários que prepararam depoentes da Petrobras para inquirições no Congresso. Bem, isso é o que senadores e deputados do PSDB aparentam à primeira vista.

Os adversários de Geraldo Alckmin jamais o identificaram com crime de qualquer espécie. Não é assim, porém, a conduta dos seus companheiros. Se atos de determinadas pessoas são criminosos, outras que os cometam, idênticos, incidem também em atos criminosos. Eis, então, o que há apenas 62 dias era publicado no "Painel" da Folha:

"Preocupado com a CPI mista que investigará o cartel do metrô, o governo de São Paulo começou a treinar os parlamentares do PSDB escalados para defendê-lo. Nesta quarta (4), foram ao Congresso Marcio Aith, subsecretário de Comunicação, e Roberto Pfeiffer, representante da Corregedoria do Estado" [a nota continuava].

Exatamente as providências de que os deputados e senadores ligados ao governo federal estão acusados, a propósito das CPIs sobre as suspeitas de corrupção levantadas contra a administração passada da Petrobras.

Pode-se admitir que Geraldo Alckmin não soubesse das providências de sua assessoria. O senador Aloysio Nunes Ferreira não admite. Disse ele, responsabilizando Dilma Rousseff pelo apontado acerto entre inquiridores governistas e depoentes da Petrobras: "Seria impossível que ela não soubesse que estava se armando este crime contra uma instituição da República" [o Congresso e sua CPI]. Se é "crime" e o governante dele tem conhecimento inevitável, Alckmin e Dilma estão igualados pelo candidato a vice-presidente na chapa de Aécio Neves, tanto no conhecimento como no crime.

O "Painel" informava ainda: "A ordem é reduzir os danos à campanha de Geraldo Alckmin à reeleição. O presidente do PSDB paulista, Duarte Nogueira, defendeu atenção redobrada à CPI: Sabemos que o PT tentará usá-la para atacar nosso governo'. O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), também foi à reunião. Os tucanos lamentam não poder contar com o deputado Carlos Sampaio (SP) na defesa do governo paulista. Ele já estava escalado para fustigar o Planalto na CPMI da Petrobras".

Por incompetência açodada ou descuido preguiçoso, para não falar em omissão hipócrita, os parlamentares do PSDB decidiram explorar eleitoralmente a denúncia sensacionalista de uma banalidade, no entanto, também por eles praticada. Com igualdade até no objetivo eleitoral que atribuem aos governistas: "A ordem é reduzir os danos à campanha" de Alckmin.

Em obediência ao seu zelo pela ética parlamentar, Renan Calheiros, presidente do Congresso, decidiu que uma comissão investigue a denúncia de "armação" na CPI da Petrobras. Mas, até por experiência própria, ou a das suas vaquinhas coadjuvantes em certo inquérito do Senado, Renan Calheiros sabe que os partidos se representam nas CPIs para a defesa combinada de seus correligionários e ataque combinado aos adversários. Farsa, como sabe a imprensa, é fingir que as CPIs não são assim. 

Janio de Freitas
No fAlha
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Tucanos pedem comprovante de virgindade às mulheres em concurso de SP


Seleção pública da Secretaria estadual de Educação para o cargo de Agente de Organização Escolar exige exame ginecológico que comprove a não "ruptura himenal"; para as mulheres que possuem "vida sexual iniciada", pedido é para que se apresente exames ginecológicos intrusos; exigências são uma "violação" da dignidade da mulher, diz Maria Izabel Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp)

Um concurso da Secretaria de Estado de São Paulo exige às candidatas aprovadas exame ginecológico que comprove a não "ruptura himenal", ou seja, um comprovante de virgindade. Para as mulheres com "vida sexual iniciada", a exigência é de que se apresente exames ginecológicos intrusos.

A informação consta de comunicado emitido pela Coordenadoria de Gestão de Recursos Humanos da SEE e pelo Departamento de Perícias Médicas do Estado (DPME), informa reportagem publicada pelo portal Último Segundo, do iG. A matéria traz o relato de uma futura funcionária do Estado que precisou passar pelo primeiro procedimento.

A seleção pública pretende fazer contratação para o cargo de Agente de Organização Escolar da SEE-SP. O concurso foi aberto em 2012. Na opinião da presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, as exigências são uma "violação" da dignidade da mulher.

"Atestado de virgindade? Por favor! Estamos em pleno século XXI. Querem evitar candidatas doentes? A verdade é que elas entram com saúde e é a falta de condições da rede que as deixam doentes", disse Maria Izabel, que também é vice-presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão consultivo do Ministério da Educação (MEC).
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Em Minas Gerais: “Foram 3 bilhões e 500 milhões desviados da saúde em seis anos”


Josely Pontes Ramos é promotora de saúde do Ministério Público e, em 2010, ficou conhecida nacionalmente por entrar com ação civil para investigar os gastos com saúde durante o mandato do ex-governador Aécio Neves. O foco de investigação eram R$ 3,5 bilhões repassados à Copasa entre 2003 e 2008. Em meio à procura de provas, a promotora descobriu que a Companhia não recebia o dinheiro. 

A promotora, assim como os críticos ao governo de Aécio Neves, concorda que existe uma interpretação ambígua em relação à verba. O dinheiro pode ter tido uma destinação ilegal, classificada como corrupção. Ou pode nunca ter existido. Ambas as hipóteses são amostras de uma fraude contábil, acusação que pode levar Aécio Neves a perder seus direitos políticos. O procurador-geral de Justiça recentemente extinguiu o processo, mas a promotora afirma que vai lutar para que a ação seja julgada. “Foram 3 bilhões e 500 milhões desviados da saúde em seis anos. Nós estamos falando de 12 anos da mesma prática em Minas Gerais”, afirma, reforçando que a prática se mantém no governo Anastasia.

Promotora, como você decidiu entrar com ação para investigar as despesas de saúde do governo Aécio Neves?

Chegaram na promotoria, inicialmente, os pareceres do Tribunal de Contas a respeito da saúde, com a notícia de que o estado enviava recursos para a Copasa, em um volume muito grande. Isso já vinha acontecendo desde 2003. Então, busquei as Leis Orçamentárias de 2003 a 2008 e no recurso da saúde apareceu a Copasa realmente abocanhando quase a metade, e às vezes a metade, do dinheiro da saúde. Então, eu notifiquei o presidente da Copasa para vir à promotoria e ele não veio. Notifiquei a contadora-geral do Estado, porque é ela que lança os valores mencionados ali [na prestação de contas]. A contadora-geral também não veio. Eu não tinha dúvida em nenhum momento que o dinheiro saía do fundo estadual de saúde e ia para a Copasa. O que era feito dele lá? Era o que eu não sabia. 

Como você chegou até a investigação do governo estadual?

Eu fiquei diante de um impasse porque, para o Tribunal de Contas, o recurso saía do Estado e ia para a Copasa. Mas nos balanços da Companhia e nos relatórios de auditoria independente não apareciam esses valores. Em agosto de 2010, recebi as contestações do Estado e da Copasa dizendo que nunca o estado transferiu recurso para a empresa. Aquilo era investimento que a Copasa fez, com capital próprio, no saneamento básico, que foram lançados no orçamento e na prestação de contas do Estado, o que não pode ser feito. A contabilidade pública tem lei, a Lei 4320/64. Lá se diz o que pode constar e não pode constar. Eles feriram a regra da prestação de contas e da Lei Orçamentária. Com base nisso, eu fiz a ação de improbidade contra o Aécio Neves e a Maria da Conceição, em dezembro de 2010.

O procurador-geral da justiça alega que você, como promotora, não podia abrir ação contra um governador e, por isso, quer extinguir a ação contra Aécio Neves e Maria da Conceição. Qual a sua opinião?

Eu jamais investiguei sequer o secretário estadual de saúde. Quando o procurador-geral e a própria defesa [de Aécio Neves e da contadora-geral do Estado] falam que o governador foi investigado e o Tribunal de Justiça acata, isso sequer tem correlação com a norma constitucional. Por quê? Quem ordena o fundo estadual de saúde é o secretário de saúde. Não é o governador o coordenador da despesa. Em outras políticas e outras áreas, é o governador que define, com o secretário de fazenda, por exemplo, o que vai ser gasto. Na área da saúde, não. Em embargos de declaração de um advogado constituído pelo Aécio, ele conseguiu reverter a situação, dizendo que eu o havia investigado porque [a ação] chamava a “Prestação de contas” do governador de 2003 a 2008. Se pelo nome da investigação se define o que tem ali dentro, eu poderia muito bem ter colocado “Carnaval 2002”, não é? Mas não apontaram como eu investiguei, de que maneira, onde e quando. Apenas falaram que eu o investiguei apontando o nome da investigação. A minha indignação é que, apenas com a ação muito avançada, levanta-se essa outra hipótese e o procurador-geral de justiça fala que não houve dano ao patrimônio público. 

Qual futuro pretende dar a essa ação civil?

Eu estou ali, lutando para que ela não se extinga. Foram 3 bilhões e 500 milhões desviados da saúde em seis anos. Nós estamos falando de 12 anos da mesma prática em Minas Gerais. No governo Anastasia isso não mudou. Também ele [procurador-geral de Justiça] poderia investigar, agora com essa fraude devidamente confessada no processo. O governo não poderia ter lançado o orçamento da Copasa dentro do orçamento público. Senão fica fácil, pega os tributos e faz investimentos em empresas que não são da administração pública direta. Se chegar a ação aqui para me intimar, vou recorrer ao Tribunal de Justiça, e depois ao STJ e STF.

Quais os problemas que a extinção do processo pode trazer para Minas Gerais?

Primeiro, quem me garante que esse dinheiro não foi [para a Copasa]? Porque fica fácil agora a Copasa falar “Eu nunca recebi recurso” e o Estado dizer “Eu nunca mandei”. Basta eles falarem que eu me convenço? Isso precisa ser esclarecido. Tenho uma ação igual contra o governo Itamar, de R$1 bilhão que ele desviou. Não deu o menor trabalho pra investigar, porque ele não maquiou o orçamento. Já a ação foi extinta agora por conta do governo Aécio. Então, o que vai ser? Se o gestor resolve não cumprir o mínimo para a política pública não vai acontecer nada? Ele não provocou o dano de apropriação do recurso, mas e a saúde, vai ficar sem finanças? Isso eu gostaria de perguntar para o procurador-geral de Justiça. Está autorizado, então?

Rafaella Dotta
No Brasil de Fato
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