5 de ago de 2014

Direito de resposta evitaria crimes da mídia

A exatos dois meses das eleições, a polêmica em torno do direito de resposta já apareceu nas páginas dos grandes jornais — em apenas dois dias, a Folha de S. Paulo publicou três matérias envolvendo o assunto. Apesar de contar com legislação específica para o período eleitoral, o tema segue sem regras definidas para que o benefício seja garantido a todos os cidadãos brasileiros.

Histórias como a do padre paulistano Júlio Lancellotti e a do ex-ministro do Esporte Orlando Silva, que tiveram suas reputações colocadas em xeque mesmo considerados inocentes após os julgamentos de seus respectivos casos, mostram o quão prejudicial pode ser a falta de espaço e voz para que os cidadãos se defendam de ofensas, calúnias e difamações veiculadas na mídia.

Para Lancellotti, pároco da Igreja São Miguel Arcanjo, no tradicional bairro da Mooca, em São Paulo, “com a mesma rapidez que a imprensa constrói e consagra uma história ou um cidadão, ela os destrói”. O seu caso remete ao ano de 2007, quando a polícia civil de São Paulo abriu inquérito a fim de apurar uma denúncia de extorsão feita pelo padre: ele era forçado a pagar enormes quantias em dinheiro a um ex-detento da Fundação Casa sob ameaça de ser denunciado à imprensa por abuso sexual.

Júlio Lancellotti: "Fui apedrejado pela mídia". Foto: Felipe Bianchi
No dia 23 de maio de 2011, Anderson Batista e Conceição Eletério, casal responsável pelo esquema de extorsão, foram condenados pela Justiça a partir de imagens registradas em câmera que flagrou abordagem violenta ao padre. Mas para Lancellotti a repercussão deste fato nos meios de comunicação foi bem mais discreta que o “apedrejamento” promovido contra ele anteriormente, sem que pudesse fazer uso do direito de resposta.

“Quando denunciei o esquema e sofri acusações de pedofilia”, recorda Lancellotti, “a imprensa fez um acampamento em frente à minha casa e instalou um verdadeiro inferno”. Ele descreve os artifícios usados pelas equipes de reportagem, ansiosas por flagrá-lo em situação constrangedora:

“Chegaram a colocar um adesivo em cima da campainha de minha casa, de forma que ela não parasse de tocar e eu tivesse que sair, irritado, para desligá-la”, lembra, acrescentando que “também sacudiam o portão e jogavam restos de lanche”. Mesmo com sua absolvição, Lancellotti, conhecido por ser um histórico defensor dos moradores de rua, salienta que a cicatriz do “linchamento midiático” que sofreu é irreversível.

Em relação ao direito de resposta, ele afirma que, “para não ser injusto”, um ou outro veículo o procurou para escutá-lo, mas até mesmo cartas de personalidades renomadas brasileiras, em sua defesa, foram ignoradas pelos grandes jornais. “Quanto ao direito de resposta propriamente dito, acredito que é uma ilusão. Buscá-lo na Justiça é complicado e, até lá, a grande mídia publica o que ela quer e do jeito que bem entende”, dispara.

O caso do soteropolitano Orlando Silva, por sua vez, ilustra como a ausência do direito de resposta também atinge o mundo da política, no qual “os meios de comunicação guardam interesses próprios, tanto econômicos quanto ideológicos”. Em 19 outubro de 2011, a revista Veja publicou reportagem de capa acusando o então ministro do Esporte de receber propina, em plena garagem do Ministério, em Brasília, referente a um esquema de corrupção envolvendo uma organização não-governamental.

A única fonte da revista era João Ferreira Dias, ex-cabo da Polícia Militar com histórico de denúncias vazias contra figuras públicas, além de envolvimento em diversas ocorrências criminosas — em 2013, inclusive, foi preso por receptação em Samambaia, no Distrito Federal.

Ignorando a “ficha suja” da fonte e sem nenhuma evidência das acusações feitas, os grandes meios de comunicação amplificaram a denúncia da revista Veja, repercutindo ostensivamente o caso. A pressão resultou na derrubada do ministro apenas 11 dias após a reportagem em questão. “Eu passei todos aqueles dias sabendo que não teria saída, já que aquilo havia se tornado um massacre. Então usei esse período para erguer minha voz contra essa operação, denunciado a manipulação grotesca da qual fui vítima”.

Seu gabinete até tentou fazer uso do direito de resposta, mas o benefício depende da interpretação de cada juiz e Orlando Silva não obteve sucesso. “Enviamos textos, respondemos reportagens e pedimos o direito de resposta na Justiça, mas não fomos atendidos”, relata.

Em 11 de junho de 2012, a Comissão de Ética da Presidência da República decidiu arquivar o processo contra ele. O motivo: falta absoluta de provas. Diferentemente da acusação, a absolvição não ganhou manchetes e grandes chamadas de capa — “ela foi praticamente escondida”. “O que mais dói é que até a minha companheira, atriz com passagem por diversas companhias de teatro, foi envolvida em boatos sobre expressão de tráfico de influência praticada por mim, por conta de um patrocínio da Petrobras, que já dura mais de dez anos, à companhia em que atua. Beira a requintes de crueldade”.

Assista ao vídeo com os depoimentos de Júlio Lancellotti e Orlando Silva:


O primeiro caso do período eleitoral e a chiadeira da Folha

Na edição impressa da Folha de S. Paulo do dia 2 de agosto, o jornal publicou texto de autoria do candidato ao governo de Pernambuco, Paulo Câmara, após determinação da Justiça Eleitoral. O direito de resposta foi solicitado por conta de uma reportagem em que o deputado federal José Augusto Maia alegou ter recebido oferta de propina em troca de apoio à coligação que lançaria a candidatura de Câmara. A matéria traz ainda duas outras fontes, mantidas em condição de anonimato, que confirmam a versão de Maia.

Irritada com a concessão da Justiça Eleitoral, a Folha produziu no mesmo dia da publicação do texto uma segunda matéria escutando fontes ligadas, principalmente, aos proprietários de grandes meios de comunicação, como a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Elas criticaram o direito de resposta sob o argumento de que este “cercearia a liberdade de expressão” e de que “a sociedade deixa de ser informada” (pelo motivo de o acusado ter direito à defesa nas mesmas linhas que o atacaram).

Uma terceira reportagem foi publicada no dia seguinte (3 de agosto), em que Celso Schröder, da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), além de um ministro, cuja identidade não foi revelada, defendem a importância de que o direito de resposta tenha regras definidas para que não comprometa a autonomia do jornalismo, mas também não cometa injustiças com quem se sente ofendido ou caluniado. Na legislação eleitoral, porém, essas definições já existem e foram levadas em conta no caso específico da Folha.


No dia 2 de agosto, Folha publicou direito de resposta. Foto: ReproduçãoNo dia 2 de agosto, Folha publicou direito de resposta.  No dia seguinte, reportagem criticou decisão judicial. Foto: reproduçãoNo dia seguinte, reportagem criticou decisão judicial. 

Constituição e as regras do jogo

O artigo 5º da Constituição Federal assegura “o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem”. A lacuna em relação ao tema foi deixada pelo fim da Lei de Imprensa, criada em plena ditadura militar (1967) e extinta pelo Supremo Tribunal Federal em 2009. Desde então, a Justiça é obrigada a julgar caso a caso os pedidos de direito de resposta, deixando o tema amplamente aberto à interpretação.

O Projeto de Lei (PL 6446/2013) apresentado pelo senador Roberto Requião em 2011 busca preencher esse “vazio legal” em relação ao tema, já tendo passado pelo Senado e tramitando, atualmente, na Câmara dos Deputados. De acordo com a deputada Luciana Santos, relatora do Projeto, há pouca esperança de que ele seja votado no curto espaço de tempo que a Câmara dispõe até as eleições, no dia 5 de outubro, mas é grande a expectativa de que se confirme maioria para aprová-lo. O texto do Projeto de Lei garante ao ofendido o direito de se manifestar na mesma periodicidade, dimensão e intensidade da agressão sofrida — ou seja, de forma proporcional à ofensa.

Na avaliação da deputada, a dificuldade em aprovar leis que envolvam os interesses da imprensa, mesmo quando tratam de direitos democráticos, é que todo debate que se faz sobre mídia no Brasil é boicotado e tachado como tentativa de censura. “Há interesses econômicos, ideológicos e políticos”, argumenta.

A disputa eleitoral, em sua visão, escancara a polarização em relação ao papel que a mídia cumpre. A recifense afirma que “é uma ilusão imaginar que os veículos de comunicação são imparciais, como mostra a história recente do país”. “A informação forma conceitos, reflete comportamentos, influencia a tomada de decisões e é, por isso, que a comunicação deve ser tratada como um direito humano”, opina. “O direito de resposta é mais um dos direitos que devem ser básicos ao cidadão”.

Direitos (de resposta) para todos

Mas e quando o ataque não é contra apenas um indivíduo, atingindo grupos sociais inteiros — negros, indígenas, homossexuais ou até mesmo casos de machismo e discriminação de gênero? Bia Barbosa, do Intervozes — Coletivo Brasil de Comunicação Social, lembra o caso do programa Tardes Quentes, produzido pela RedeTV!.

“Em 2005, já havia, tanto no Ministério Público Federal (MPF) quanto entre organizações que lutam pelos direitos humanos, a ideia de denunciar o programa recheado de pegadinhas preconceituosas apresentado por João Kléber”, conta. “Levamos o caso à Justiça e, até de forma surpreendente, a decisão foi favorável a nós”.

Ela relata que a juíza Rosana Ferri Vidor exigiu direito de resposta imediato para os grupos ofendidos, além de que o programa parasse de produzir conteúdos como os considerados ofensivos. A RedeTV! descumpriu a ordem judicial e, por isso, teve seu sinal cortado, permanecendo fora do ar por 24 horas. Para Barbosa, a desobediência da emissora escancara o cenário dos meios de comunicação no Brasil: “O desrespeito à lei é sistemático, como se fosse opcional e as empresas estivessem acima dela”.

O fato de o canal ter passado um dia inteiro fora do ar virou notícia e, para ter o sinal restabelecido, os proprietários da RedeTV! tiveram que assinar um termo de ajustamento de conduta prevendo a veiculação de 30 programas, a serem indicados por organizações de direitos humanos, em substituição ao Tardes Quentes.

Livro publicado pelo Intervozes aborda o caso do programa 'Direitos de Resposta'. Foto: Reprodução
Livro publicado pelo Intervozes aborda o caso do programa 'Direitos de Resposta'.
“Foram 30 edições do 'Direitos de Resposta', nome que faz trocadilho com a questão do direito de resposta e a luta pelos direitos que consideramos atacados pela emissora”, explica. “O programa reuniu especialistas e representantes de movimentos sociais para discutir um tema a cada edição, sendo que quase toda a equipe, da apresentadora aos roteiristas, era voluntária”.

Além disso, a jornalista também lembra que foi lançado um chamado público informando o caso e fazendo um convite para que os cidadãos enviassem vídeos relacionados aos assuntos debatidos no programa. “Em 15, dias, recebemos mais de 400 colaborações”, lembra. “Usávamos um blog bastante simples para nos comunicarmos, já que as redes sociais ainda não eram tão populares em 2005”.

Na avaliação de Bia Barbosa, os resultados foram extremamente positivos: a audiência média do Direitos de Resposta era equivalente à do programa de João Kléber, chegando até a superá-la. “Outra vitória foi termos mostrado que é possível falar de direitos da população, inclusive do direito de resposta, de forma atrativa ao público”, acrescenta.

Os próximos capítulos

Apesar do PL do Direito de Resposta regulamentar o artigo da Constituição que garante ao ofendido o direito de se defender, há ainda alguns obstáculos a serem superados. De acordo com a deputada Luciana Santos, uma das emendas que serão votadas juntas ao projeto defende interesses de empresas como a Rede Globo, propondo que o direito de resposta seja praticado por um terceiro no caso do rádio e da televisão — ou seja, um jornalista da empresa concederia a resposta publicamente, e não o ofendido.

Já o direito de resposta em nome de grupos sociais, como no caso do programa Direitos de Resposta, que substituiu e igualou a audiência do Tardes Quentes, na RedeTV!, não aparece no Projeto de Lei do senador Roberto Requião. Para Bia Barbosa, porém, a prioridade é que ele seja aprovado de forma a garantir, de uma vez por todas, o direito de resposta. “Depois, sim, devemos aprimorá-lo a fim de ampliar a lei”.

Fruto do esforço de diversas entidades que compõem o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o Projeto de Lei da Mídia Democrática, engloba, entre diversas propostas para a promoção da democracia na comunicação, a questão do Direito de Resposta — incluindo, em sua proposição, o direito de resposta coletivo. O PL é de Iniciativa Popular, ou seja, necessita cerca de 1,3 milhão de assinaturas para ser encaminhado ao Congresso Nacional, e serve como instrumento de pressão por parte das organizações que lutam pela democratização da comunicação no país.

Felipe Bianchi, para a série especial* do Barão de Itararé

Saiba mais:

— Confira a íntegra do Projeto de Lei do Direito de Resposta

— Conheça o livro A Sociedade ocupa a TV – O Caso Direitos de Resposta e o Controle Público da Mídia , publicado pelo Intervozes, sobre o caso do programa Direitos de Resposta.

*Entre 5 de agosto e 5 de outubro, data marcada para as eleições de 2014, o Barão de Itararé publicará, às terças e quintas-feiras, reportagens especiais abordando temas ligados à comunicação que, geralmente, são excluídos do debate eleitoral. A reprodução é livre, desde que citada a fonte. Saiba mais sobre a iniciativa aqui.
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Aula de Ministro da Justiça é oferecida com 15% de desconto


Ontem, ao mesmo tempo em que a política de segurança do Ministério da Justiça tornava-se o maior alvo das críticas da oposição, o Ministro José Eduardo Cardozo estreava nas redes sociais como garoto-propaganda e coordenador científico de um curso de pós-graduação em Direito Público da Damásio Educacional.

As críticas da oposição concentram-se na inércia do Ministério em tratar da questão indígena, do desaparelhamento da Polícia Federal, da fiscalização da fronteira do país e da falta de implementação da política nacional de segurança pública.

Com exceção de um sofisma do governador paulista Geraldo Alckmin que atribui a invasão da droga à não fiscalização das fronteiras com outros países, quando ele mesmo não consegue fiscalizar sequer as divisas com o centro-oeste as demais críticas são fundamentadas. 

Na verdade, o papel do Ministério da Justiça resume-se a apenas esses pontos, que ele não dá conta, mais a questão dos direitos humanos sobre as quais também têm sido alvo de críticas e  direito do consumidor foi criticado pela falta de atuação no caso TelexFree. Nesses dois temas, conta com a sorte de dispor de dois secretários eficientes. E a função maior, de coordenação política do governo que ele jamais exerceu, nem mesmo na interlocução com o Judiciário.

A assessoria do Ministro informou que, antes de aceitar o curso, o Ministro consultou o Conselho de Ética da Presidência que não viu problemas. Serão aulas de quinze em quinze dias e, segundo José Eduardo, ajudarão a amenizar o stress de sua trabalhosa vida de Ministro.

Objetivo como o Ministro, o curso oferece desconto de 15% mas não informa o valor da mensalidade cheia.

Qualquer contrato do curso com o poder público federal certamente será alvo de denúncias da oposição.



Luís Nassif
No GGN
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Pimenta da Veiga usa música da ditadura militar em novo jingle de campanha

Candidato a governador pelo PSDB em Minas Gerais aproveita canção de comercial de Ernesto Geisel


O candidato a governador de Minas Gerais pelo PSDB, Pimenta da Veiga, acaba de lançar um novo jingle de campanha. A canção é muito parecida, quase idêntica, a uma usada pelo governo do general Ernesto Geisel (1907-1996), nos anos 1970, durante a ditadura militar.

Na música do tucano, a letra diz:

Seguir em frente, mudando Minas com o coração / Vamos juntos, vem com a gente, vem me dê a mão / O tempo passa, e com Minas caminhamos todos juntos, sem parar / Fazer mais, fazer para todos e avançar / Marcas do que se fez, sonhos que vamos ter / Como todo dia nasce novo em cada amanhecer”.

Na década de 1970, quando Ernesto Geisel foi presidente do Brasil, uma mensagem de fim de ano do governo federal usou como fundo musical a canção “Marcas do que se foi”, interpretada pela banda Os Incríveis, cuja letra dizia o seguinte:

Este ano, quero paz no meu coração, / Quem quiser ter um amigo, que me dê a mão… / O tempo passa e com ele caminhamos todos juntos, sem parar / Nossos passos pelo chão vão ficar… / Marcas do que se foi, sonhos que vamos ter / Como todo dia nasce, novo em cada amanhecer…”.

No final da propaganda da ditadura, um locutor finalizava: “A paz se faz com quem ama o mesmo chão”. A última imagem na tela é o logotipo usado pelo governo federal à época.



Pimenta da Veiga é a aposta do PSDB para continuar no poder em Minas Gerais. Ele tem 67 anos e luta para se equilibrar entre a proposta de mudança que o seu partido propõe, no plano nacional, e o discurso da continuidade na disputa mineira.

Muitas vezes, a fala de Pimenta se aproxima à de um político tradicional. Foi quando seu nome foi lançado, no início de 2014, e ele pediu aos militantes numa reunião que erguessem seus braços “numa atitude de súplica”.

Mais recentemente, em julho de 2014, Pimenta lançou seu primeiro jingle de campanha e a música era praticamente idêntica à usada por Antonio Anastasia, tucano que venceu a mesma disputa em 2010.




Fernando Rodrigues
No Uol
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Um sábado para ser esquecido

Passeata de Richa envergonha Aécio


“Aécio, never!, Aécio, never!” . Esses eram os gritos que vinham das janelas dos prédios da Rua XV de Novembro, no Centro de Curitiba , na manhã deste sábado (2). A ‘saudação” era dirigida ao presidenciável tucano, Aécio Neves, que caminhou no calçadão, ao lado do governador Beto Richa. Ao mesmo tempo que que gritavam, as pessoas jogavam aviõezinhos de papel pelas janelas.

Os aviõezinhos eram uma forma bem humorada de crítica ao candidato do PSDB, que mandou construir numa fazenda de um tio, com dinheiro público, uma aeroporto de uso privado. Mas o que chamou mais a atenção mesmo foi o pequeno número de pessoas que participou do ato. Quase todas trazidas em ônibus, que segundo um dos motoristas, foram contratados pela campanha de Beto Richa.

O próprio governador admite que o evento foi um fracasso de público. Segundo ele, cinco mil pessoas acompanharam a caminhada. É muito pouco para a quantidade de ônibus que tumultuou o trânsito na região da Praça Santos Andrade. E, principalmente, em se tratando que duas das maiores estrelas dos tucanos: Aécio e Beto. Para se ter uma ideia da falta de público na manhã deste sábado, é só comparar com um evento realizado na semana pelo candidato do PMDB, Roberto Requião, no Oeste do Estado, que reuniu o dobro de pessoas.

Ou dá para lembrar da eleição de 2010, quando um evento conjunto do então candidato a governador Osmar Dias, com a então candidata a presidente, Dilma Roussef, reuniu ao menos 50 mil pessoas na Boca Maldita. O evento organizado por Beto Richa serviu para mostrar que tanto ele quanto Aécio estão com a bola bem murcha diante da população.

Pouca gente e muitos “aviões”

A passagem do presidenciável tucano Aécio Neves por Curitiba foi carregada de simbologismos. Primeiro, participou de uma passeata muito mixuruca na Rua XV, cuja maior parte do público era formada por comissionados do governo Beto Richa. Isso foi uma demonstração inequívoca de falta de apelo popular do candidato. Depois, ele foi “homenageado” por vários aviõezinhos de papel, atirados do alto dos prédios, o que revela que as denúncias da construção de um aeroporto na fazendo no tio “pegaram”.

O grito de ordem mais ouvido na passeata não vinha do pequeno público que, constrangido, carregava faixas dos candidatos do PSDB e, sim, das janelas por onde o cortejo (fúnebre?) passava: “Aécio, never!”, Aécio, never!”….

E quem andou paparicando o mineiro no Paraná foram políticos fisiologistas, que mudam mais de partido do que de roupa. Sinal claro, claríssimo, de que os líderes de verdade não querem nada com nada com o Aécio. Assim, sobrou para as fotos o Paulinho da Força, o Francischini, Álvaro “Cavalaria da PM” Dias. Resultado: Aécio foi embora decepcionado. Esperava mais. Muito mais.

Veja esta foto, que tem como pano de fundo um jatinho particular e tente fazer você uma legenda.

Beto

No Notícias do Paraná
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Direita envergonhada

Em tempos normais, quando o sujeito diz que não existe nem direita, nem esquerda, que tudo isso deixou de fazer sentido depois da queda do muro de Berlim, e que não se prende a rótulos, blábláblá, todos nós sabemos: ele é de direita, mas está com vergonha de dizer.

Em tempos de eleições, é a mesma coisa, mas a pessoa inova.

Quando a gente pergunta em quem ela vai voltar, se sai com essa: "o voto é secreto".

Mas a vergonha continua pública.

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Na RBS, Duda antecipa Aécio, e promove arrocho em benefício dos “colegas”

Duda antecipa Aécio: O arrocho é benéfico para os “colaboradores”
Chamando os funcionários de “colegas”, presidente da RBS anuncia demissões e defende crescimento da empresa

Passando os olhos pela carta enviada pelo Grupo RBS aos jornalistas da empresa, no fim da tarde desta segunda-feira, chama a atenção a intimidade da assinatura do e-mail: Duda. Trata-se de Eduardo Sirotsky Melzer, presidente da empresa, que escreve logo após o anúncio das 130 demissões que o grupo deve fazer esta semana. Ele — o patrão — também chama os funcionários de colegas, prática recorrente da mídia nativa, como seguidamente alerta Mino Carta.

Mas quem pensar que a intimidade do tratamento tenta estabelecer uma certa empatia com os funcionários vai se enganar. A leitura do longo texto revela que o objetivo da empresa é bem outro. E não tem nada a ver com qualidade da informação ou algum resquício de jornalismo. Não se fala em comunicação e conteúdo nem pró-forma.

A carta prega o DESAPEGO de coisas que não fazem a empresa crescer, trata o tema das demissões com frieza, como se fosse uma ação cotidiana qualquer, defende enfaticamente a meritocracia como método, tenta convencer que os cortes são pelo bem dos próprios funcionários e traz como únicas pautas positivas os negócios da empresa.

Não se sabe quais jornalistas serão demitidos, e até quarta todo o grupo vai ter que dormir com a incerteza. Mas o mais dramático é a indiferença do grupo com a situação. Em vez de lidar com as questões pessoais dos profissionais que vão sofrer com o corte e de mostrar alguma sensibilidade e humanismo, o e-mail foca no desempenho da empresa, buscando, em um momento como esse, apenas o engajamento dos jornalistas com a situação do grupo.

Pouco importa que colegas estejam indo pra rua, em um mercado em que não há muitas alternativas viáveis, o importante é que agora todos podem comprar vinhos e cervejas das outras empresas do grupo. Que, aliás, já estão chegando a outros países.

É até difícil escolher quais trechos destacar para comentar essa carta, mas fico com o extremo desrespeito não só ao jornalismo, mas principalmente às pessoas que fazem com que ele aconteça.

Acrescento ainda cinco fatos da trajetória recente da Zero Hora que podem contribuir para a interpretação da carta:

1) Agoniza prejuizo de R$ 60 milhões com o grupo RBS em 2013

2) Perde circulação de 4% no primeiro trimestre de 2014

3) É condenada em R$ 300.000,00 por uso de informação confidencial. A Justiça considerou a prática crime de concorrência desleal

4) É condenada em R$ 300.000,00 por submeter trabalhadores a condições humilhantes

5) Anuncia a demissão de mais de uma centena de trabalhadores na próxima quarta-feira (06/08) e deixa o clima tenso em toda a redação

O e-mail:
Caros colegas,


Escrevo para reforçar a mensagem que compartilhei com vocês nesta segunda-feira, em videoconferência, e para detalhar minha visão em relação ao futuro da nossa empresa, pois quero manter entre nós um ambiente de clareza e transparência.


As transformações radicais e a velocidade impressionante pelas quais a indústria da comunicação tem passado exigem energia e dedicação para entender o momento e também coragem para promover os ajustes que precisam ser feitos para continuarmos crescendo.


Mudar não é opcional. É vital para o nosso projeto empresarial.


O cenário atual apresenta realidades paradoxais. Por um lado, os modelos tradicionais estão altamente desafiados. Por outro, o avanço tecnológico e a forma de consumir mídia nunca geraram tantas oportunidades e tanta abertura para a inovação como nos dias de hoje. Aquelas empresas que têm a coragem de se posicionar no mundo novo sairão fortalecidas.


Nesse sentido, acredito muito na relevância dos nossos produtos, no jornalismo de qualidade, na comunicação e no desejo cada vez maior por conteúdo de entretenimento diferenciado. As necessidades continuarão existindo. O que muda é a forma como serão atendidas. Se queremos continuar crescendo temos de nos reinventar imediatamente, investindo em atividades e negócios que geram resultados positivos e deixando de fazer o que não agrega para nossa empresa e para o mercado.


Quero convidar todos vocês a romper paradigmas, quebrar barreiras e colocar a RBS cada vez mais no grupo das empresas vencedoras, daquelas empresas que constroem oportunidades de mercado para se posicionar e conquistar a liderança.


Teremos uma semana intensa pela frente, pois na quarta-feira faremos cerca de 130 demissões, de um universo de 6 mil pessoas, com o objetivo de buscar produtividade e maior eficiência. São cortes que precisam acontecer, principalmente na operação dos jornais. Não estou de forma alguma insensível ao impacto que demissões geram na vida das pessoas e da própria empresa, porém acredito que tanto os profissionais quanto as empresas precisam repensar o modo como atuam.


O Grupo RBS emprega milhares de pessoas. Não promover mudanças seria uma irresponsabilidade com estes profissionais, um erro com todos vocês, além de um descaso com nossos clientes e com o nosso projeto de futuro, que já está em andamento.


É importante destacar que a RBS não passa por uma crise financeira. Ao contrário. Estamos investindo e redesenhando a nossa operação, buscando velocidade e desprendimento que são vitais para a preservação do nosso projeto empresarial.


Fizemos, nos últimos 12 meses, uma análise muito detalhada de todos os nossos negócios e atividades. Eu me envolvi pessoalmente nesse processo. A partir do que vimos, fizemos investimentos importantes que ajudam a deixar clara a nossa crença no negócio.


Dobramos as equipes dedicadas ao digital, tanto nas redações quanto no Tecnopuc, e triplicamos os investimentos nesta área. Até o fim do ano, só no Tecnopuc, em Porto Alegre, teremos quase 100 profissionais trabalhando exclusivamente na criação de soluções digitais para nossos produtos, em especial para os jornais.


Os 50 anos de Zero Hora marcaram o início de uma grande renovação do jornal, que agora começa a ser replicada em outros veículos. Inovamos na organização do conteúdo e criamos novos espaços para fortalecer o vínculo com o leitor. A partir de amanhã, Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina entram também nessa nova fase.


Na TV, teremos nesse ano as 18 emissoras com equipamentos totalmente renovados e tecnologia de última geração, cobrindo com sinal digital o Rio Grande do Sul e Santa Catarina antes do prazo determinado pelo governo federal.


Em rádio, nosso alcance cresceu com o lançamento da Gaúcha Serra, da Gaúcha Santa Maria e da Gaúcha Zona Sul. O rádio também tem feito um excelente trabalho na internet.


Na e.Bricks, nossa empresa digital criada há três anos em São Paulo, lançamos o Early Stage, um fundo para impulsionar ideias em tecnologia – um negócio contemporâneo que atrai empreendedores em busca de parceria para crescer. O fundo deve chegar ao final do ano com 16 empresas no portfólio.


Também na e.Bricks, ampliamos a operação da Wine, que já é a maior empresa de vinhos online do mundo, tanto que estamos agora preparando sua entrada no mercado internacional. E muitos de vocês que já são sócios da Wine agora poderão também ser da Have a Nice Beer, o maior clube online de cervejas da América Latina, que está vindo para o Grupo.


Gostaria ainda de citar dois exemplos de inovação e empreendedorismo que marcam a nossa gestão. O primeiro é o HypermindR, um centro de pesquisa no Rio de Janeiro, que vai desenvolver softwares para medir hábitos do consumidor. E o segundo diz respeito ao nosso modelo de gestão de pessoas, baseado na meritocracia. As ferramentas que desenvolvemos para dar mais transparência aos planos de carreira tornaram-se benchmark para muitas empresas e agora serão disponibilizadas ao mercado através da Appus, um negócio que nasceu aqui, dentro do RH.


Temos apoio dos acionistas nas nossas decisões e temos também pessoas qualificadas e comprometidas, recursos financeiros, solidez de caixa, coragem, energia e desapego para deixar de fazer coisas que não agregam e investir no que pode nos fazer crescer.


Na próxima sexta-feira, vou apresentar aos líderes da empresa a Carta Diretriz, um documento que reforça na RBS princípios como simplicidade, produtividade e eficiência, qualidade, inovação, crescimento sustentável e meritocracia. Tenho dito que somos uma empresa em beta. Isso significa que nosso processo de transformação será contínuo e permanente.


Como presidente, tenho compromisso com os acionistas, com a história da nossa empresa, com o nosso público e os nossos clientes.


Estou motivado, principalmente, pela grande confiança que tenho no trabalho e no comprometimento de cada um de vocês.


Vamos em frente!


Duda

CR, de Porto Alegre
No Viomundo
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Holocausto palestino en Gaza


De nuevo ruego a Granma no emplear espacio de primera plana para estas lí­neas, relativamente breves, sobre el genocidio que se está cometiendo con los palestinos.

Las escribo con rapidez solo para dejar constancia de lo que se requiere meditar profundamente.

Pienso que una nueva y repugnante forma de fascismo está surgiendo con notable fuerza en este momento de la historia humana, en el que más de siete mil millones de habitantes se esfuerzan por la propia supervivencia.

Ninguna de estas circunstancias tiene que ver con la creación del imperio romano hace alrededor de 2400 años o con el imperio norteamericano que en esta región del mundo, hace apenas 200 años, fue descrito por Simón Bolívar cuando exclamó que: “… Estados Unidos parecen destinados por la Providencia a plagar la América de miserias en nombre de la Libertad”.

Inglaterra fue la primera real potencia colonial que utilizó sus dominios sobre gran parte de África, Medio Oriente, Asia, Australia, Norteamérica, y muchas de las islas antillanas, en la primera mitad del siglo XX.

No hablaré en esta ocasión de las guerras y los crímenes cometidos por el imperio de Estados Unidos a lo largo de más de cien años, sino solo dejar constancia que quiso hacer con Cuba, lo que ha hecho con otros muchos países en el mundo y solo sirvió para probar que “una idea justa desde el fondo de una cueva puede más que un ejército”.

La historia es mucho más complicada que todo lo dicho, pero es así, a grandes rasgos, como la conocieron los habitantes de Palestina y es lógico igualmente que en los medios modernos de comunicación se reflejen las noticias que diariamente llegan, así ha ocurrido con la bochornosa y criminal guerra de la Franja de Gaza, un pedazo de tierra donde vive la población de lo que ha quedado de Palestina independiente, hasta hace apenas medio siglo.


La agencia francesa AFP informó el 2 de agosto: “La guerra entre el movimiento islamista palestino Hamas e Israel ha causado la muerte de cerca de 1.800 palestinos […] la destrucción de miles de viviendas y la ruina de una economía ya de por sí debilitada”, aunque no señale, desde luego, quien inicio la terrible guerra.

Después añade: “… el sábado a me­diodía la ofensiva israelí había matado a 1.712 palestinos y herido a 8.900. Na­ciones Unidas pudo verificar la identidad de 1.117 muertos, en su mayoría civiles […] UNICEF contabilizó al menos 296 menores muertos”.

“Naciones Unidas estimó […] (unas 58.900 personas) sin casa en la Franja de Gaza”.

“Diez de los 32 hospitales cerraron y otros once resultaron afectados”.

“Este enclave palestino de 362 Km² no dispone tampoco de las infraestructuras necesarias para los 1,8 millones de habitantes, sobre todo en términos de distribución de electricidad y de agua.

“Según el FMI, la tasa de desempleo sobrepasa el 40% en la Franja de Gaza, territorio sometido desde 2006 a un bloqueo israelí. En 2000, el desempleo afectaba al 20% y a un 30% en 2011. Más del 70% de la población depende de la ayuda humanitaria en tiempos normales, según Gisha”.

El gobierno de Israel declara una tregua humanitaria en Gaza a las 07:00 GMT de este lunes, sin embargo, a las pocas horas rompió la tregua al atacar una casa en la que 30 personas en su mayoría, mujeres y niños, fueron heridos y entre ellos una niña de ocho años que murió.

En la madrugada de ese mismo día, 10 palestinos murieron como consecuencia de los ataques israelitas en toda la Franja y ya ascendió a casi 2000 el número de palestinos asesinados.

A tal punto llegó la matanza, que “el ministro de Asuntos Exteriores de Fran­cia, Laurent Fabius, ha anunciado este lunes que el derecho de Israel a la seguridad no justifica la ‘masacre de civiles’ que está perpetrando”.

El genocidio de los nazis contra los judíos cosechó el odio de todos los pueblos de la tierra. ¿Por qué cree el gobierno de ese país que el mundo será insensible a este macabro genocidio que hoy se está cometiendo contra el pueblo palestino? ¿Acaso se espera que ignore cuánto hay de complicidad por parte del imperio norteamericano en esta desvergonzada masacre?

La especie humana vive una etapa sin precedente en la historia. Un choque de aviones militares o naves de guerras que se vigilan estrechamente u otros hechos similares, pueden desatar una contienda con el empleo de las sofisticadas armas modernas que se convertiría en la última aventura del conocido Homo sapiens.


Hay hechos que reflejan la incapacidad casi total de Estados Unidos para enfrentar los problemas actuales del mundo. Puede afirmarse que no hay gobierno en ese país, ni el Senado, ni el Congreso, la CIA o el Pentágono quienes determinarán el desenlace final. Es triste realmente que ello ocurra cuando los peligros son mayores, pero también las posibilidades de seguir adelante.

Cuando la Gran Guerra Patria los ciudadanos rusos defendieron su país como espartanos; subestimarlos fue el peor error de los Estados Unidos y Europa. Sus aliados más cercanos, los chinos, que como los rusos obtuvieron su victoria a partir de los mismos principios, constituyen hoy la fuerza económica más dinámica de la tierra. Los países quieren yuanes y no dólares para adquirir bienes y tecnologías e incrementar su comercio.

Nuevas e imprescindibles fuerzas han surgido. Brasil, Rusia, India, China y Sudáfrica, cuyos vínculos con América Latina, la mayoría de los países del Caribe y África, que luchan por el desarrollo, constituyen la fuerza que en nuestra época están dispuestos a colaborar con el resto de los países del mundo sin excluir a Estados Unidos, Europa, Japón.

Culpar a la Federación Rusa de la destrucción en pleno vuelo del avión de Malasia es de un simplismo anonadante. Ni Vladímir Putin, ni Serguéi Lavrov, ministro de Relaciones Exteriores de Rusia, ni los demás dirigentes de ese Gobierno harían jamás semejante disparate.

Veintiseis millones de rusos murieron en la defensa de la Patria contra el nazismo. Los combatientes chinos, hombres y mujeres, hijos de un pueblo de milenaria cultura, son personas de inteligencia privilegiada y espíritu de lucha invencible, y Xi Jinping es uno de los líderes revolucionarios más firme y capaz que he conocido en mi vida.




Fidel Castro Ruz
Agosto 4 de 2014
10 y 45 p.m.
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A “farsa da CPI”: por que oposição foge das perguntas?


Um detalhe que me intriga nesta denúncia sobre a "farsa da CPI" feita pela revista "Veja", segundo a qual perguntas e respostas teriam sido combinadas entre parlamentares governistas e funcionários da Petrobras interrogados na Comissão Mista, e logo transformada no novo escândalo da campanha eleitoral: por que, então, deputados e senadores da oposição, que tanto batalharam para investigar a maior empresa do país, não levantaram as questões que julgam necessárias?

Se a base aliada promoveu um jogo de cartas marcadas, como sempre acontece em qualquer CPI do mundo onde o governo tem maioria no Congresso, admitindo-se que sejam verdadeiras todas as revelações feitas pela revista oposicionista, bastaria que os parlamentares liderados pelo PSDB e DEM comparecessem às sessões para provar que os diretores da Petrobras estavam mentindo, apresentando provas de que eles sabiam estar causando grandes prejuízos à empresa no episódio da compra da Refinaria de Pasadena, e apontando os responsáveis.

Ninguém poderia imaginar que eles também aliviassem a barra dos depoentes e, assim, o país ficaria sabendo o que realmente aconteceu. Por que eles fugiram das perguntas e deixaram o palco livre para os governistas montarem a "farsa da CPI"? Agora, não adianta alegar que os governistas estavam em ampla maioria nas comissões criadas na Câmara e no Senado. Isto eles já sabiam bem antes da instalação da CPI mista. E ninguém poderia impedir que fizessem suas perguntas.

Em primeiro lugar, respondo, porque uns e outros estavam mais preocupados com a Copa no Brasil; depois, criaram um "recesso branco" para cuidar das suas campanhas, do qual ainda não voltaram, e provavelmente não o farão antes das eleições, não dando quórum para que a Comissão Mista pudesse se reunir. O fato é que estes parlamentares e candidatos da oposição, que agora aparecem injuriados sapateando na mídia, ameaçando ir à Justiça, demonstraram este tempo todo foi muita vagabundagem e pouco interesse em se preparar para os interrogatórios, como muito bem constata Jânio de Freitas, em sua coluna na "Folha" desta terça-feira, sob o título "O banal faz escândalo".

"Este e os demais capítulos do caso Petrobras, à margem da importância que possam ter ou não, ficam na mastigação de chicletes por estarem nas mãos da oposição mais preguiçosa de quantas se viu por aqui. As lideranças do PSDB e do DEM ficam à espera do que a imprensa publique, para então quatro ou cinco oposicionistas palavrosos saírem com suas declarações de sempre e com os processos judiciais imaginados pelo deputado-promotor Carlos Sampaio [um dos coordenadores da campanha do presidenciável tucano Aécio Neves, acrescento]".

E conclui Jânio de Freitas, um dos meus mestres no jornalismo: "Não pesquisam nada, não estudam nada, apenas ciscam pedaços de publicações para fazer escândalo. Com tantos meses de falatório sobre Petrobras e seus dirigentes, o que saiu de seguro (e não é muito) a respeito foi só por denúncias à imprensa. Mas a Petrobras sangra, enquanto serve de pasto eleitoral".

Tudo, na verdade, está virando "pasto eleitoral", ou alguém acredita que a verdadeira preocupação do PSDB e do DEM é zelar pela boa administração da Petrobras, que esteve sob o comando deles por oito anos?

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O banal faz escândalo

Os oposicionistas não pesquisam
nada, só ciscam pedaços de
publicações para fazer escândalo

Perguntas de aliados do depoente, em CPI, jamais, em qualquer tempo e em qualquer país, fugiram a este princípio: destinam-se a ajudar o depoente. Nem teria sentido que fosse o contrário entre aliados. Tal princípio explica, por exemplo, o motivo das lutas pela composição das CPIs sérias, o que não é o caso das duas simultâneas a pretexto da Petrobras — dose dupla cujo despropósito denuncia a sua finalidade de apenas ajudar eleitoralmente a oposição.

De aliado para aliado, nem o improviso em indagações surpreende o indagado. Mesmo que sugerido por uma situação de momento, segue as instruções já dadas pela liderança ou as combinações na bancada. Mais ainda, as perguntas e respostas previamente ajustadas, entre inquiridor e depoente, sempre foram e serão condutas lógicas e, pode-se supor, as mais frequentes entre correligionários nas CPIs. Assim como fazem todos os advogados ao preparar seus clientes para depoimentos policiais e judiciais.

O escarcéu em torno do jogo de parceiros, entre inquiridores governistas e depoentes da Petrobras, é o escândalo da banalidade. Bem conhecida de jornalistas, que provavelmente vão explicar qual é a fraude existente, e a que tanto se referem, na colaboração de condutas sempre vista por eles nas CPIs. A explicação é conveniente por ser bem possível que a fraude não esteja na conduta de integrantes da CPI, mas em outras.

Este e os demais capítulos do caso Petrobras, à margem da importância que possam ter ou não, ficam na mastigação de chicletes por estarem nas mãos da oposição mais preguiçosa de quantas se viu por aqui. As lideranças do PSDB e do DEM ficam à espera do que a imprensa publique, para então quatro ou cinco oposicionistas palavrosos saírem com suas declarações de sempre e com os processos judiciais imaginados pelo deputado-promotor Carlos Sampaio. Não pesquisam nada, não estudam nada, apenas ciscam pedaços de publicações para fazer escândalo. Com tantos meses de falatório sobre Petrobras e seus dirigentes, o que saiu de seguro (e não é muito) a respeito foi só por denúncias à imprensa. Mas a Petrobras sangra, enquanto serve de pasto eleitoral.

Palavras

O bombardeio à terceira escola da ONU em Gaza, igualando o "ataque humanitário" lançado sobre hospitais, foi recebido pelo governo americano e pelo secretário-geral da própria ONU com rigor: "Bombardeio vergonhoso"/"É um ultraje moral e um ato criminoso". E depois, nada? Para dizer isso não é preciso ter o controle de tantos poderes.

Se é para ficar em palavras, eis um acréscimo feito agora ao vocabulário do jornalismo: os milicianos palestinos apanhados pelos israelenses são ditos "presos"; o tenente israelense apanhado pelos palestinos é "sequestrado".

Pax Americana

Por falar em paz, agora mesmo faz cinquentenário um momento muito didático. Em 2 de agosto de 1964, a Marinha dos Estados Unidos informou que o seu contratorpedeiro Maddox foi atacado no golfo de Tonquim por lanchas-torpedeiras do Vietnã do Norte.

Em 48 horas, o governo americano comunicou ao mundo que apurara o ocorrido e, em razão dele, deixou de apenas apoiar as forças militares do Vietnã do Sul e passou à ação própria e direta, com o envio imediato de tropas e o início de bombardeios.

Só já no século 21, há meia dúzia de anos, um tenente do Maddox confirmou a reiterada afirmação do Vietnã do Norte de que o "incidente de Tonquim" nunca existiu. Outros oficiais decidiram acompanhar o ex-tenente na explicação de que rompiam a ordem de sigilo militar, com que o governo dos Estados Unidos revestia a sanha de "levar a democracia ao Vietnã". Como dizia o slogan depois aplicado ao petrolífero Iraque e a tantos mais. 

Janio de Freitas
No fAlha
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A Verdade sobre o #RacionamentoSP

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Alckmin, o Fantástico, a falta d’água e a arte de tratar o paulista como idiota

Ele
Geraldo Alckmin voltou a dizer, numa sabatina do Estadão, que São Paulo não precisa de racionamento de água. Não seria “tecnicamente adequado”.

Segundo ele, há uma exploração política do tema. Seu governo teria feito investimentos vultosos nessa área.

A balela é derrubada pelos fatos. Já existe racionamento, de maneira mais ou menos escamoteada, em diversos bairros da capital. Santana, Vila Mariana, Vila Madalena, Lapa, Butantã, Casa Verde, Perus, Itaquera, Cidade Líder convivem com corte à noite.

No interior, a situação é mais dramática. Em Itu, por exemplo, o fornecimento ocorre apenas entre as 18h e as 4h. Em Holambra, toda uma economia voltada para o cultivo de flores está comprometida.

As causas, do ponto de vista ambiental, têm sido discutidas no DCM por nosso colaborador Edson Domingues numa série de posts. Edson apontou  as fragilidades do Sistema Cantareira e a inação da Sabesp.

O uso político da crise é feito por Alckmin e não pela oposição. A razão para não falar em racionar e não dar respostas decentes é eleitoreira. Em janeiro, quando foi revelado que o Palácio dos Bandeirantes consumiu 22% a mais do que em dezembro, ele atribuiu o gasto ao calor excessivo. Mais tarde, revelou ao mundo que tem adotado práticas revolucionárias no banho e na hora de escovar os dentes (ele desliga a torneira).

Ora é o verão mais quente das últimas décadas, ora é o “fato climático atípico”. É uma manobra covarde. Em 2001, São Paulo passou por um racionamento. O que se apreendeu da experiência? O que ele pode contar sobre isso?

Digamos que ele encampe a tese de que a questão é a seca recorde. Ou o aquecimento global. Se assim for, ele precisa avisar a população de que algo precisa ser feito. 

A título de ilustração: a Califórnia passa por uma seca histórica. O Projeto Hídrico Estadual, responsável pela distribuição, avisou que terá de fechar as torneiras pela primeira vez em 54 anos. Empresas e casas têm uma meta a cumprir. Gado morre nos pastos e há níveis de poluição alarmantes em algumas cidades.

O governador Jerry Brown não mentiu, não atribuiu nada a Odin ou contou que lava as mãos uma vez por semana com suco de laranja Maguary. Num encontro sobre desenvolvimento sustentável, fez um apelo: “Peço a todos os californianos, agências hídricas municipais e qualquer um que utilize água para fazer todo o possível para conservá-la”.

Alckmin faz o que faz porque conta, ainda, com a enorme complacência e ajuda dos suspeitos de sempre. No domingo, o Fantástico fez uma reportagem sobre a falta de água no estado. Mencionou a recomendação do MP Federal para começar de imediato um racionamento.

O nome de Alckmin simplesmente não é citado. Em compensação, ficou registrado que Guarulhos é administrada pelo PT, Saltinho, pelo PDT, e Itu pelo PSD.

No final, ao falar da “região abastecida pelo sistema Cantareira, que inclui a cidade de São Paulo”, é lida uma nota da Sabesp, garantindo “o abastecimento de toda região até março de 2015” graças ao apoio da população e a uma “série de medidas adotadas pela companhia”.

Se Alckmin cresceu de algum maneira nessa crise, foi num outro setor: no talento de tratar o eleitor como um idiota, chova ou faça sol.



Kiko Nogueira
No DCM
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É possível acreditar no Ibope?

Relembrando como o Ibope fazia pesquisa em 2012


Ibope frauda formulário e pesquisador é preso na Paraíba

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Essa é do Barão... 3


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Exclusivo: Os melhores momentos da entrevista do cambaleante candidato

Preste muita atenção ao que Aécio falou na entrevista ao G1...

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Aecioporto de Cláudio pode ter servido ao tráfico de drogas


O primo Tancredo Tolentino (Quêdo) administrava o aeroporto. (Ele tem a chave. Ele tem a chave.) Ele foi denunciado pelo MP como integrante de quadrilha que facilitava habeas corpus a traficantes

O aeroporto do município de Cláudio (MG) vinha sendo administrado, entre outros, pelo empresário Tancredo Aladim Rocha Tolentino, um dos presos numa operação da Polícia Federal (PF) realizada em 2012, sob a suspeita de integrar uma quadrilha especializada na compra e venda de sentenças em Minas Gerais. Um dos objetivos da quadrilha era obter a libertação de traficantes de drogas.

Tancredo Tolentino ou Quêdo, como o empresário é conhecido na região de Cláudio, é um dos filhos de Múcio Guimarães Tolentino, tio-avô do senador Aécio Neves (PSDB), o dono das terras desapropriadas pelo governo de Minas Gerais, nas quais foi construído o aeroporto da cidade mineira. A obra foi concluída no último ano da administração Aécio (2010) e custou aos cofres do Estado a bagatela de R$ 14 milhões (valor de 2010).

Além de todo o debate já gerado do ponto de vista da ética da gestão pública, pelo fato de o aeroporto ter beneficiado a família do então governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e de nele ter sido investido tanto dinheiro público, a ligação de Quêdo com o aeródromo chamou a atenção da polícia.

Passou-se a suspeitar que a pista de Cláudio tenha sido usada também como rota do tráfico de drogas. Reforça a tese policial o fato de que o helicóptero da Limeira Agropecuária, empresa que pertence aos filhos do senador Zezé Perrella (PDT), e que foi apreendido também pela PF transportando 445 quilos de cocaína pousou na região de Cláudio para abastecer antes de seguir para o Espirito Santo.

A quadrilha na qual Quêdo estaria envolvido contava também com os serviços de um desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Hélcio Valentim de Andrade Filho, da 7ª Vara Criminal (afastado pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ), e um total de 13 investigados. O caso está na Justiça.

Helcio Zolini
No R7
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Quanto mais Aécio fala no aeroporto, menos explica

Aécio no G1
O momento mais engraçado da sabatina de Aécio no G1 veio da imagem de um internauta escolhido para fazer uma pergunta.

A pergunta foi gravada num vídeo.

Sem a menor cerimônia, como se estivesse numa roda na praia, o internauta fez sua pergunta sem camisa.

O descamisado queria saber se os impostos para games iriam diminuir.

Não que os entrevistadores devessem estar de paletó e gravata. Eu mesmo sempre me vesti casualmente.

Mas sem camisa?

Pausa para rir.

Outro instante divertido foi quando Aécio deu um furo. Anunciou, orgulhoso, a criação de um Ministério da Infraestrutura, na hipótese de vencer a eleição.

Minutos depois, o entusiasmo de Aécio com seu novo ministério diminuiu consideravelmente. É que alguém lembrou que Collor criou o mesmo Ministério das Minas e Energia.

Justo ele, Collor?

Nova pausa para rir.

Mas o que a sabatina do G1 mostrou de mais valioso foi quanto é complicado para Aécio o caso do aeroporto, por mais que a mídia o poupe.

Quando lhe perguntaram por que demorara dez dias para admitir que usara o aeroporto, ele simplesmente não encontrou resposta.

Enrolou.

Disse que esperara ficar claro que o terreno do aeroporto fora desapropriado e já não pertencia a seu tio-avô.

O moderador do G1, Tonico Ferreira, lembrou que isso foi esclarecido logo nos primeiros dias.

Mas essa informação não deteve Aécio. Ele atropelou Ferreira e insistiu com sua justificativa, aspas.

Aécio foi além de não responder por que demorou dez dias. Ele tentou, também, mudar o foco do problema do uso da pista.

Ele está fingindo que a questão é que ele utilizou um aeroporto não homologado pela Anac.

Seria uma falha burocrática, e não uma falha moral.

Então ele aproveita para jogar a culpa na própria Anac — e portanto no governo — por não ter homologado a pista rapidamente.

Não é verdade.

O problema é o uso em si, com ou sem homologação. Porque fica a suspeita — para usar uma palavra branda, quase generosa — de que o aeroporto foi feito, ou refeito, para utilização pessoal de Aécio, já que ele tem uma propriedade ali por perto e sua viagem fica bem mais cômoda.

Neste caso, você tem uma despesa pública — 14 milhões de reais — para fins privados.

O aeroporto de Claudio é um drama para Aécio porque mina o discurso moralista que está na base de seus ataques a Dilma e ao PT.

Poucas coisas são mais patéticas que um moralista pego em flagrante. O povo perdoa o pecador, mas implica com o cínico.

Até aqui, como ficou patente na entrevista do G1, Aécio não achou uma explicação que se sustentasse de pé — provavelmente porque não existem mesmo palavras que justifiquem o injustificável.



Paulo Nogueira
No DCM
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