4 de ago de 2014

A resposta ao arrocho

Contrapor-se ao discurso padrão de uma época nunca foi tarefa simples. A politização do embate econômico é a pedra de toque desta campanha.

Numa sequência de pronunciamentos encadeados entre a quinta e a sexta feira da semana passada, Lula e Dilma começaram exercitar a politização de um tema divisor da campanha presidencial de 2014.

Está em jogo a apresentação de uma alternativa crível ao arrocho neoliberal, vendido como um misto de panaceia e fatalidade pelo conservadorismo brasileiro.

Contrapor-se ao discurso padrão de uma época nunca foi tarefa simples.

Mais complexa ainda é a sua tradução para uma narrativa popular numa sociedade dominada por um oligopólio midiático de conhecido alinhamento ideológico com as causas dos endinheirados.

A politização do embate econômico é a pedra de toque capaz de romper a falsa aparência de consenso que reveste a defesa do interesse particular como se fosse o de todos os brasileiros.

Foi isso que Dilma e Lula começaram a fazer. É isso que precisa ser aprofundado até a boca da urna de outubro.

Trata-se de romper o jogo de espelhos que hipnotiza a sociedade impedindo-a de enxergar além da muralha que aprisiona seu potencial, sua criatividade e seus recursos.

O Brasil está no meio do caminho de se enxergar com os próprio olhos.

Reconhecida pelo FMI como a nação que mais reduziu o desemprego em pleno colapso mundial — 11 milhões de vagas foram criadas desde 2008, enquanto o mundo fechava mais de 60 milhões de postos de trabalho — o país, todavia, é estigmatizado como a ovelha negra pelo padrão ortodoxo.

Assim tem sido tratado pelos candidatos do peito dos mercados nesta eleição.

Nos salões elegantes o lamento é unânime: ‘o quase pleno emprego vigente na economia impede que os ganhos de produtividade se façam pelo método tradicional’. Qual? A compressão dos holerites, também chamado arrocho, impulsionado pela rotatividade descendente da mão de obra assalariada.

A ‘purga’ trabalhista e social é acenada como elixir paregórico capaz de devolver ‘eficiência’ à indústria, moderação aos preços (pelo garrote sobre a demanda) e equilíbrio fiscal (com a depreciação do salário mínimo e, por tabela, dos benefícios aos aposentados da previdência).

Entre os doutores da ‘racionalidade’, a arrochoterapia é anunciada como um tratamento obrigatório após as eleições, ganhe quem ganhar.

O ‘consenso’ não conta com a anuência da candidata que lidera a disputa, nem do seu principal cabo eleitoral.

No evento na CUT, 6ª feira passada, Dilma flechou: ‘Nosso remédio para os males do Brasil não passa pelo desemprego’.

Falando ao seu lado no dia seguinte, em Montes Claros (MG), no primeiro comício da campanha, Lula reiterou: ‘Dilma sabe que a inflação prejudica exatamente a população que vive de salário. Ela quer provar que é possível controlar a inflação sem ter desemprego e sem ter arrocho salarial (como preconiza o PSDB)’.

A determinação encerra desafios apreciáveis.

Ao resistir à ‘destruição criativa’ promovida pela maior crise do capitalismo desde 1929, o Brasil tornou-se de fato um paradoxo.

Enquanto a participação do trabalho na renda esfarela em boa parte do mundo, aqui ela cresceu desde 2008.

Em boa parte, segundo o Ipea, por conta do ganho real de poder de compra do salário mínimo, que teve um aumento de 70% acima da inflação, desde 2003.

Sob governos do PT , a renda dos 10% mais pobres deu um salto de 91,2%. A parcela endinheirada ficou com um ganho da ordem de 17%.

Estamos falando do fluxo da riqueza, sem mexer ainda nos estoques acumulados.

Uma parte da distribuição promovida desde 2003, porém, tem vazado para os mercados ricos, através das importações baratas que sufocam a manufatura brasileira. Por tabela depreciam os salários ao gerar um número menor de vagas no setor industrial, que paga melhor e irradia produtividade a todo o sistema econômico.

25% do consumo atual de manufaturados no Brasil tem origem em mercadorias importadas.

O déficit comercial específico nessa área foi de US$ 105 bi no ano passado.

A solução conservadora é martelada sem trégua pelo seu aparato emissor.

O Brasil precisaria, segundo essa visão, de um choque de juros e de um aumento do desemprego; mais um arrocho de gastos públicos.

Finalmente, necessitaria de uma abertura comercial ampla, com cortes de tarifas, câmbio livre e mobilidade irrestrita para os fluxos de capitais.

O conjunto, assegura-se, permitiria desmantelar a couraça de ‘atraso’ e custo elevado — o ‘populismo lulopetista’ que impede o país de voltar a crescer com eficiência e a competitividade.

Não se explica crescer para quem, nem como a partir daí.

Trata-se, em síntese, de trazer para o país os desdobramentos da crise mundial que o PT tenta evitar desde 2008, e de faze-lo na forma de um grande arrocho em dose única — ‘no primeiro ano; se possível, no primeiro dia’, promete Aécio às plateias empresariais.

As intervenções de Dilma e Lula colocam um pé na porta que ameaça interditar o futuro da população com um longo ferrolho de arrocho e desemprego.

O desafio é convencer o eleitor de que desmontar a tranca não é tarefa exclusiva dos sábios da macroeconomia. O impulso da alavanca depende de um maior discernimento da sociedade, capaz de engajá-la na repactuação das bases do desenvolvimento.

Alimentar essa engrenagem é a tarefa progressista nesta campanha.

A aposta exige forte coordenação do Estado e a ampliação da democracia participativa para funcionar.

Mais que nunca vale o mandamento: política é economia concentrada.

Nas discussões em curso dentro e fora da academia, algumas estacas começam a delinear o caminho ainda a ser debulhado em linguagem popular nos palanques e na televisão; a saber:

1. Evitar a recessão evocada pelo conservadorismo — Preservar o mercado de consumo de massa ampliado desde 2003 é crucial para se ter um trunfo na reordenação do crescimento. Dispor de um mercado interno em expansão é o principal diferencial do Brasil num mundo em crise, capturado pelo binômio da demanda rastejante associada à baixa atividade produtiva. É isso que o conservadorismo quer importar para cá como lacto purga para restaurar o império dos livres mercados sobre os anseios da sociedade.

2. Não errar o diagnóstico da inflação — Arrochar salário e crédito para derrubar a inflação é um erro. A inflação de alimentos, bem como as pressões decorrentes do custo da energia, tem origem na seca, não na exacerbação da demanda. E os indicadores estão em queda.

3. O ajuste cambial possível — O dólar baixo que desequilibra a balança comercial reflete, em primeiro lugar, a fraca recuperação mundial e a inundação de liquidez nos mercados globais, que já ensaia novo ciclo de bolhas. É possível recuperar alguma margem competitiva com uma dose combinada de desvalorização cambial e redução do juro , a partir do próximo ano, quando a inflação climática perder seu ímpeto. Mas as projeções para o comércio mundial são pouco animadoras. As cotações das commodities, sobretudo grãos, segundo a FAO, tendem a recuar ainda mais nos próximos dois anos. Os superávits comerciais elevados da última década que ampliaram a margem de manobra do desenvolvimento brasileiro não devem se repetir. Daí a importância de se preservar o dinamismo interno como condição indispensável para reordenar o crescimento econômico.

4. Em vez de arrocho fiscal, corte de juros — A despesa fiscal que pode ser contida é o gasto com o juro da dívida pública, que devora cerca de 5% do PIB ao ano. As demais despesas são incomprimíveis. Há espaço para cortar juros em linha com um recuo da inflação de alimentos. A relação dívida bruta/PIB permanece estável no Brasil desde 2004, em torno de 57%. Não se justifica que o país tenha uma das três maiores taxas de juros do planeta. Nos países desenvolvidos, a relação dívida/PIB saltou de 80,4% para 108,5% desde 2004. A taxa de juro elevada impede operações de longo prazo: os bancos não emprestam para projetos de investimento de 20 e 30 anos. Criou-se um círculo de ferro: o desestímulo ao investimento produtivo serve, ao mesmo tempo, como incentivo à atividade rentista; que por sua vez deixa o crescimento na dependência exclusiva do consumo. Quebrar esse torniquete requer quebrar o dogma conservador do juro alto.

5. Controle de capitais — As linhas de passagem para um corte sustentado dos juros incluem: a) salvaguarda contra fugas de capitais na forma de uma regra de ingresso que estabeleça uma permanência mínima no país; b) forte incentivo à produtividade industrial para reduzir o peso dos importados no consumo interno. Porém, sem ilusões: o Brasil não será capaz de suplantar a competitividade asiática em boa parte das linhas de consumo já abocanhadas pela oferta oriental; a ênfase das políticas de desenvolvimento industrial deve recair sobre setores nos quais o fôlego manufatureiro ainda resiste. O equilíbrio entre importações e contas externas terá que ser modulado com a maturidade das exportações do pré-sal; o forte incremento na industrialização de commodities e saltos de inserção em cadeias globais nas quais a competitividade brasileira é real — caso da aeronáutica, por exemplo, emas também setor de energia e serviços (grandes obras). Arrochar o mercado interno como forma de equilibrar a balança comercial, ao contrário, sepultaria de vez o atrativo ao investimento representado pela pujança da demanda popular. Sobretudo, porém, não teria nenhum efeito positivo sobre a relação de troca desfavorável, fruto de um horizonte de queda nos preços das commodities. A receita ortodoxa simplesmente engessaria a economia de vez, privando-a de uma das poucas alavancas de comando endógeno que ainda restam ao país.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Veja continua (inacreditavelmente) pautando a mídia

Nos anos 2.000, a Folha cometeu o maior erro estratégico da sua história moderna, indo a reboque da revista Veja. Não apenas ela, mas os demais veículos.

Dias desses cruzei com o diretor de redação de uma grande publicação, ferozmente anti-governo. Sem que o provocasse, comentou comigo que Veja não faz jornalismo.

Ou seja, mesmo na frente-mídia montada em 2005, o jornalismo de Veja é motivo de vergonha, a maneira como ideologizam qualquer besteira, o fato de não ter a menor preocupação em se ater aos fatos.

Ou seja, o padrão Veja ajudou a desmoralizar o jornalismo como um todo, lançou ao descrédito todos os grupos de mídia. É só conferir o desafio gigantesco da Folha para recuperar a imagem perdida, tendo que "explicar" aos leitores qual sua posição e qual a dos colunistas.

Aliás, a posição de um jornal não é o que sai nos editoriais (de baixa leitura) mas na cobertura diária.

A repercussão dada ao factoide da Veja desta semana — tratando como escândalo o suposto conhecimento prévio, pelos convocados da CPI da Petrobras, das perguntas que seriam formuladas, beira o ridículo. Escândalo é continuar se valendo de instrumentos de espionagem, mantendo o padrão que, na Inglaterra, levou jornalistas à prisão, e por aqui continua sendo totalmente tolerado.

Ontem um amigo me ligou dizendo que o Jornal Nacional dedicou quase dez minutos de cobertura. O efeito-manada faz com que Estadão e Folha vão atrás.

Não adianta. Mesmo com o Instituto Millenium, com o fórum da ANJ, com os consultores midiáticos, a mídia padece de uma ausência total de visão estratégica. Não tem o menor cuidado ao se misturar com a lama.

Luís Nassif
No GGN
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Uma das maiores obras do PAC: Ponte Anita Garibaldi em SC impressiona!

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Satélite espião de 2.5 tons deve cair nas próximas semanas

O satélite russo Cosmos 1400 está perdendo altura rapidamente e deverá reentrar na atmosfera terrestre em poucos dias. O objeto pesa mais de 2500 quilos e ao que tudo indica não há mecanismos que possibilitem uma reentrada controlada.


Cosmos 1400 foi lançado em 5 de agosto de 1982 a partir da base russa de Plesetsk e seu objetivo militar era interceptar e analisar as comunicações eletrônicas ocidentais, principalmente dos EUA.

Durante sua missão, permaneceu em orbita circular quase polar a 640 km de altitude e mesmo após encerrar as operações permaneceu nessa orbita por quase 30 anos, mas caindo lentamente em direção à Terra devido ao arrasto na alta atmosfera. Nos últimos anos essa queda se acentuou fortemente e de acordo com cálculos de reentrada feitos pelo Apolo11/Satview não deverá permanecer em orbita por muito mais tempo.

Simulações feitas nos últimos dias mostram que Cosmos 1400 está perdendo entre 7 e 10 km de altura diariamente e se continuar nesse ritmo deverá cair na Terra nas próximas semanas. As primeiras estimativas apontam entre 01 e 14 de setembro como período de reentrada, mas poderá ser antecipado conforme as condições da atividade solar, pois interferem diretamente na densidade das camadas mais elevadas da atmosfera.

Na manhã dessa segunda-feira, a previsão de queda de lixo espacial mostrava que Cosmos 1400 reentraria na atmosfera sobre o sul da China no dia 12 de setembro às 15h29 UTC (12h29 pelo horário de Brasília), mas esses resultados deverão variar bastante nos próximos dias.

Neste momento, Cosmos 1400 realiza uma orbita quase circular entre 300 km e 298 km de altitude, completando uma volta ao redor da Terra a cada 90.5 minutos.


A orbita do satélite é inclinada em 81.1 graus (quase polar), o que significa que poderá cair em qualquer ponto da Terra, já que não há informações de que o artefato tenha algum tipo de controle de guiagem.

Devido à grande massa envolvida, de 2.5 toneladas, a maior parte do Cosmos 1400 deverá arder em uma grande bola de fogo durante sua passagem pela atmosfera, mas peças maiores e mais pesadas poderão sobreviver ao calor escaldante e chegar até a superfície.

O Apolo11 e Satview.org manterão vigilância constante sobre a reentrada de Cosmos 1400, seja através do rastreio do satélite ou por meio de boletins especiais.

Para rastrear o Cosmos 1400 e conhecer as datas previstas para reentrada, use o SATVIEW.ORG

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A feira livre das celebridades literárias

Talvez não exista melhor síntese para uma sociedade emergente do que a maneira como certos ícones da cultura de entretenimento trafegam pelo campo das artes, assentando-se no gosto e no desejo das classes médias. No Brasil, esse papel já foi cumprido pelos autores de uma música popular criativa, densa e ao mesmo tempo divertida, que representava em larga escala as muitas faces da coletividade.

Mas isso foi há pelo menos quatro décadas. Hoje a música brasileira está dominada pela mediocridade, domesticada aos interesses de duas ou três produtoras, e oferece pouco mais do que versões pioradas do antigo repente nordestino, que, transposto para o ambiente das grandes cidades do Sudeste, agora se chama “rap”. Seus autores são conhecidos como “MCs” e supostamente expressam a saga dos excluídos, com seus correntões de ouro e seus relógios de grife. Suas obras são “improvisos” que podem levar meses para serem compostos, e só ficam prontas quando puderem exibir pelo menos um erro de gramática em cada frase.

No campo das artes plásticas, o Brasil nunca repetiu o fenômeno dos anos 1920 a 1940, e um raro sopro de ar fresco vem da técnica dos murais, com a geração que migrou dos grafites de protesto, que marcaram a deterioração urbana nos anos 1980, para as galerias e os grandes espaços de exibição.

No mais, tudo agora depende do aval do sistema que mensura o potencial de lucros que cada autor pode proporcionar. Convencionou-se que só é arte a arte mediada. Artista que não está na mídia não está no mundo. Portanto, pouco importa a qualidade de sua criação: o que interessa é o talento para se inserir no sistema de divulgação. Daí a estranha coincidência de sobrenomes que fazem a conexão entre o mundo da cultura e outros campos, como o das finanças e da comunicação.

Importa menos a obra do artista do que sua ascendência ou seus vínculos sociais, que podem ser cultivados num jantar ou na cama. É mais valioso um bom assessor de comunicação do que o melhor dos curadores. Aliás, a palavra “curadoria” tem sido usada para dar alguma nobreza aos distribuidores de “jabaculês” que garantem uma boa presença na mídia.

“Tem bibibi no bobobó”

Tudo isso vem a propósito do balanço que os jornais de segunda-feira (4/8) oferecem da Festa Literária Internacional de Paraty, encerrada no domingo. Por conta da homenagem ao humorista Millôr Fernandes, que usou letras, números e traços para fazer literatura, a velha cidade foi invadida por uma gente sem graça que se apropria da literatura para exibir suas caras e bocas.

Herdeiros da dramaturgia cômica nascida no teatro de revista e levada para as produções da TV Globo por Carlos Manga, os comediantes da mídia trataram de avacalhar aquela que era uma festa literária.

A mesma lógica que cria duplas “sertanejas” que nunca pisaram a terra e compositores analfabetos da grande obra musical contemporânea transpôs para o campo da literatura os fazedores de frases sexistas e trocadilhos que repetem os velhos roteiros do tipo “tem bibibi no bobobó”.

Em Paraty, palco onde já desfilaram autores da melhor literatura, o crítico e escritor Silviano Santiago passa despercebido na multidão, que interrompe a passagem para fotografar o humorista da TV ou a atriz que virou escritora.

Abduzida pelo negócio do entretenimento, a literatura se torna refém do riso fácil e da trivialidade, ao ponto de uma das mesas mais comentadas pela imprensa ter sido exatamente... o debate sobre a imprensa.

A Folha de S. Paulo observa que a festa literária deste ano teve “menos ficção e mais realidade”. Se fosse possível revisar a frase, mais correto seria dizer que, em vez da ficção, apresentou-se ao público a versão da realidade criada pela imprensa.

Assim, na falta das boas letras, oferece-se a contribuição subliterária do psicanalista de atacado, que distribui conselhos a granel pela mídia, a coleção de frases machistas do jornalista que se apresenta como “especialista em mulheres”, o olhar sagaz da atriz que descobre em algum lugar de seu organismo a veia literária capaz de lhe dar o conveniente verniz de cultura.

A feira livre das celebridades é o velório da literatura.

Luciano Martins Costa
No OI
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Veja tenta esconder aecioporto


Que a Veja se tornou um fenômeno antes psiquiátrico do que propriamente midiático, disso já sabíamos.

No entanto, ela se supera a cada dia.

Do psiquiátrico ela tem migrado para o escatológico.

O novo “escândalo” fabricado por ela revela o desespero de varrer o aecioporto para debaixo do tapete.

Do que se trata o escândalo?

Um vídeo com parlamentares aliados passando instruções ou apenas conversando com figuras aliadas, num preparativo para uma CPI.

CPI é um evento político. Tem situação e oposição.

A situação defende os aliados do governo.

A oposição ataca os aliados do governo.

Escândalo seria se flagrássemos Alvaro Dias tentando ajudar Graça Foster. Aí sim, todos ficariam espantados!

Tentar criar uma CPI da CPI corresponde ao apogeu do ridículo. É como ver um tucano devorando a própria cauda.

Ora, se a oposição tem espaço garantido na CPI, mesmo minoritário, então ela que faça as perguntas que quiser fazer.

Como fizeram, aliás.

A oposição fez perguntas incômodas a Graça Foster, a Sergio Gabrielli, a Nestor Cerveró.

Eles já foram diversas vezes ao Congresso. Porque há uma redundância. Há duas CPIs, sobre o mesmo tema, acontecendo ao mesmo tempo.

Cada vez que Graça Foster vai a CPI, para repetir a mesma coisa, ela deixa de trabalhar, e isso atrapalha a Petrobrás.

Petrobrás cuja produção tem batido recorde e cujas ações se valorizaram mais de 70% nos últimos meses.

Foster, Gabrielli, Cerveró, estiveram várias vezes no Congresso, em CPIs.

Os tucanos é que nunca dão as caras em CPIs que os investigam.

Como eles são blindados e protegidos pela mídia, quase não há CPI investigando tucano.

E quando há, a mídia faz de tudo para abafá-la, até porque, sempre que se investiga tucano, a mídia entra na história. Como réu.

Foi o caso da CPI do Cachoeira. Mais um pouco, e se tornaria uma CPI da mídia, porque o Brasil estava descobrindo as relações íntimas entre a bandidagem e o jornalismo.

É hora de chamar Aécio Neves numa CPI para explicar porque construiu aeroporto na terra de seu tio, e porque este foi o aeroporto mais caro do Brasil.

É hora de chamar os chefões da Globo para explicar a sonegação de R$ 615 milhões, feita através de uma “intrincada engenharia financeira para ludibriar a Receita”, segundo as palavras do auditor fiscal responsável pelo processo.

A Petrobrás é importante demais para ser alvo de abutres que sempre quiseram destruí-la.

A Petrobrás é uma empresa mista regulada, supervisionada, monitorada, por diversos órgãos, nacionais e internacionais.

Se existe uma coisa a ser investigada na CPI da Petrobrás é o afundamento da plataforma P-36.

Era a maior plataforma do mundo. O prejuízo foi incalculável.

Morreu gente.

Enquanto Gabrielli e Graça Foster compraram refinarias, construíram outras, e apostaram no crescimento da produção de petróleo bruto de um lado e refinado de outro, os tucanos venderam metade da Petrobrás para fundos abutres da Bolsa de Nova York.

Não descobriram petróleo. Não fizeram nem compraram refinarias.

Apenas privatizaram, sucatearam e afundaram a maior plataforma do mundo.

Hoje uma boa parte do lucro da Petrobrás vai para bilionários estrangeiros.

Esses mesmos bilionários fazem pressão, através da mídia, para que a Petrobrás dê lucro rápido e fácil, para eles gastarem em festinhas, iates e… jatinhos.

Jatinhos que pousam em aeroportos particulares construídos, no caso de Minas Gerais, com dinheiro público.

Brasil quer saber como afundou a P-36

Miguel do Rosário
No O Cafezinho
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Essa é do Barão... 1


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Aécio, exemplo de cidadania

O "compromisso do homem público" e o "homem sem compromisso com o público"


Do Estreladasilva ‏@Estreladasilva2
No Blog do Mário
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As “previsões” do mercado

As análises eleitorais do setor financeiro são hoje pouco mais que exercícios do wishful thinking, quando não armações para lucrar

Uma das peculiaridades do momento atual é a intensa e despropositada divulgação das especulações do mercado financeiro a respeito da eleição presidencial. Quase todo dia, a mídia oposicionista faz circular prognósticos eleitorais de bancos e consultorias. E trata-os como se merecessem crédito especial. Talvez considere que nessas empresas existam especialistas notáveis da vida política brasileira, cujas opiniões e pontos de vista precisariam ser conhecidos por todos.

Sem subestimar a competência dos profissionais do mercado financeiro, é fantasia imaginar que possuam grande habilidade analítica em assuntos políticos e eleitorais. Ao contrário, a regra é que estejam improvisados circunstancialmente no papel de “analistas políticos”, o que deixarão de ser tão logo passe a eleição. Em três meses, lá estarão de volta aos afazeres que conhecem, na interpretação de cenários do agronegócio no Piauí, da indústria de calçados ou do comércio de bebidas.

Os bancos, as consultorias econômicas e outras instituições financeiras, nacionais ou não, claro está, têm o direito de elaborar análises da situação política brasileira. E não é de hoje que monitoram os processos eleitorais, para avaliar o impacto dos resultados em seus negócios. Desde a eleição de 1994, muitos dos mais importantes tornaram-se clientes de institutos de pesquisa, às vezes por meio da contratação de pesquisas próprias, às vezes na busca de assessoramento técnico.

Duas coisas são diferentes neste ano. De um lado, há uma proliferação de atores menores, pequenas empresas que buscam espaço no campo das “previsões eleitorais”, algumas no esforço de vender um know-how que não possuem. Quem dispuser de dinheiro para jogar fora que as compre.

De outro, e mais importante, temos atualmente, na imensa maioria dessas “análises”, um extraordinário predomínio do desejado em relação ao observado. Nas “previsões eleitorais” disponíveis, o que encontramos é o retrato do que seus autores gostariam de ver, não do que é mais provável.

Isso fica claro no uso seletivo das pesquisas e na relutância em aceitar o que elas mostram de fato. É o inverso do que o mercado fez em eleições passadas, quando recebia os números com a cautela devida, mas não brigava com eles.

Hoje, a regra passou a ser não acreditar no que as pesquisas dizem e procurar pretensos significados “ocultos”, escondidos nas entrelinhas.

A larga vantagem de Dilma Rousseff, que tem, sozinha, mais intenções de voto do que a soma dos adversários? O fato de ela ter o dobro do segundo colocado e quase cinco vezes o obtido pelo terceiro? A constatação de que os “outros candidatos” sempre terminam com desempenho modestíssimo na urna e são irrelevantes para propiciar o segundo turno? A dianteira da presidenta ante todos em um possível segundo turno? Não dizem nada para quem gasta tempo a perscrutar tabulações e cruzamentos de dados à cata de algum sinal negativo para a presidenta.

E nossa história eleitoral, que indica que quem mais cresce quando começa a propaganda eleitoral na tevê e no rádio são os candidatos à reeleição? E a experiência internacional, que mostra que o “tempo de antena” é um fator decisivo nas eleições modernas? Nada, tudo seria irrelevante, pois viveríamos agora em um hipotético mundo pós-televisivo, no qual o eleitorado conheceria e selecionaria os candidatos por meio das redes sociais.

Engraçado: nas pesquisas esses analistas enxergam apenas o que lhes interessa: a “vontade de mudança”, a “rejeição a Dilma”, o “desgaste do PT”. Para isso serviriam, mas, para qualquer outra coisa, poderiam ser desconsideradas.

As “análises eleitorais” do mercado são hoje pouco mais que exercícios de wishful thinking (quando não são armações para lucrar à custa dos incautos). Os responsáveis por elas fazem “previsões” com base nos desejos de um determinado resultado. Preferem a derrota de Dilma e a anunciam ao mundo.

Lembram o que alguns “analistas” brilhantes da mídia oposicionista ofereceram aos diplomatas norte-americanos na última eleição e o WikiLeaks revelou: um monte de interpretações equivocadas e previsões furadas. No fundo, são muito semelhantes aos comentaristas e colunistas da mesma mídia hoje em dia. Apenas torcedores. Nada mais.

Marcos Coimbra
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Os abutres nossos de cada dia

Costume nas campanhas políticas, a saraivada de denúncias contra candidatos e seus aliados, verdadeiros ou supostos, só tende a aumentar.

Seu peso na mídia não pode ser desprezado, assim como é um erro primário amplificar o impacto que exercem sobre os cidadãos comuns — os eleitores.

A insistência do PT em exorcizar uma analista de banco que fez projeções sobre o cenário econômico associado às eleições é uma tolice completa. Qual o susto? A banca faz isso desde sempre, ou pelo menos desde que o mercado financeiro começou a subjugar países inteiros a seus desígnios.

Só para ficar em eventos recentes, foi um movimento escancarado em 2008 e muito parecido com o que acontece hoje na Argentina.

Um juiz de Nova York, sozinho, coloca em xeque a nação sob comando de Cristina Kirchner ao decidir a favor dos chamados "fundos abutres". Detalhe: tudo dentro da lei vigente.

Ou seja, o problema não é o juiz, mas a lei. Então mude-se a lei. Ah, não, isso é muito radical, clamarão as almas habituadas a povoar muros. Convoca-se então a turma do deixa-disso para elaborar uma solução palatável — de preferência preservando quem em mais e cortando nova fatia dos que têm menos.

Quando ataca projeções de uma economista que nada faz mais do que o seu trabalho, o PT cai na mesma armadilha. Dispara contra a árvore e esconde a floresta. Beira o ridículo. Pense bem: qualquer cliente que vai a um guichê discutir investimentos está interessado no cenário futuro.

Cada gerente vai defender a ladainha do dono. Cabe ao interlocutor acreditar ou não. Só não vale ser otário a ponto de imaginar que instituições financeiras viraram entidades filantrópicas.

Se o PT ou qualquer outro partido quiser ser entendido pelo povo quando fala do mercado financeiro, o discurso é completamente outro.

Falemos dos juros escorchantes cobrados nos empréstimos, das taxas indecentes que vigoram nos cartões de crédito, das tarifas que sobem ao bel-prazer de cada instituição.

Situações bizarras se repetem a cada minuto. Quando um cliente quer quitar uma dívida com desconto, é orientado a deixar de pagar algumas parcelas do empréstimo contraído. Só então o banco vai se convencer de que é melhor receber alguma coisa do que nada e oferece um abatimento decente.

Não adianta dizer que você quer liquidar o papagaio antes para se livrar dos encargos. Tudo isso em se sabendo que, na verdade, o banco já ganhou muito dinheiro em cima de você, o eventual calote está devidamente "precificado" e os lucros do pessoal do 1% encontram-se devidamente protegidos. Alguma proposta a respeito de problemas como estes?

São questões assim que incomodam quem trabalha e vive do salário. Pouco adianta entrar em guerra de estatísticas sobre o passado. Os números não mentem; os homens, sim. E há números para todos os gostos e partidos. O que o povo quer saber é o que se projeta para o futuro.

A oposição sinaliza que a batata vai assar para pôr a casa em ordem do jeito deles, conhecido de todos. Já os governistas mantêm em segredo qual caminho pretendem trilhar. Vão aprofundar as medidas de corte social ou irão tentar indefinidamente, sem chance de sucesso, conciliar iniquidades e ganhos exorbitantes com a melhoria das condições de vida do povo? Pelo jeito, vamos ter que esperar o horário eleitoral.

Oriente Médio

Sem nenhuma pretensão de evitar ou esgotar um debate velho de décadas, recomendo aos interessados no assunto um vídeo à disposição na internet. Assista aqui.

Trata-se do depoimento do filho de um general israelense. Obviamente, cabe a cada um concordar ou discordar. Mas conhecer não faz mal a ninguém.

Ricardo Melo
No fAlha
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Caetano Veloso desdiz...

Caetano vota em Dilma?
É o confusionismo calculado

“Não tenho rejeição íntima (sic) aos neolibelês”.


Foi o respeitado crítico Roberto Schwarz quem desmontou a “desfaçatez camaleônica” de Caetano Veloso:


Schwarz também descreve em Caetano “a autoindulgência desmedida, o confusionismo calculado”.

Caetano vai deixar de ser 'colonista' de O Globo.

Cedeu o lugar a Fernando Gabeira, que tem tudo de confuso e mais ainda de calculado.

A propósito desse momento histórico – Caetano deixa, provisoriamente, as páginas de O Globo, porque, como diz, tem mais o que fazer – o Globo lhe oferece duas páginas para explicar … tudo!

(Imagine se o 'Ataulfo Merval' tomasse a mesma decisão – o Globo lhe dedicaria a edição inteira, até o Horóscopo.)

A entrevista copiosa é um templo ao que Millôr Fernandes chamava de “ah, essa falsa cultura!”.

(Este ano, a Flip, que o PiG transformou no McDonald’s da Literatura, presta homenagem a Millôr.)

Imagine, amigo navegante, que Caetano diz que leu até “mais da metade” o livro do Piketty, “O Capital no Século XXI”, porque “me interessa a questão da concentração da renda”!

Formidável!

Que coração, que generosidade!

Na mesma linha do “confusionismo calculado”, ele diz: “não tenho rejeição íntima (sic) aos economistas liberais que os cercam (Aécio e Eduardo)”.

Ainda sobre a falsa cultura, um exemplo interessante é a observação “comprei ‘O Banquete’ de Platão: queria reler (sic) na versão da Universidade do Pará”.

Os teóricos neo-com americanos, invasores do Iraque, descendentes diretos de Platão, provavelmente não conhecem a “versão da Universidade do Pará” - mas ele…

E, por falar em “confusionismo calculado”, ele adora “a clareza” dos textos de Mangabeira Unger.

É provavelmente o único.

A entrevista resulta numa atualização, tipo “Vaca Profana”, de suas mais profundas e recentes meditações.

Onde não poderiam faltar considerações de superior “clareza” sobre a eleição presidencial.

Ele gosta de Eduardo, “que conheci desde criança” (sic) e gosta também de Aécio – e seus neo-libelês.

Mas, como teme que os dois detonem o Bolsa Família, o que “pode dividir o Brasil ao meio”, “ainda não sei em quem votar, mas poderia (sic) votar em Dilma só por isso”.

Como se sabe, em 2006, Caetano votou em Lula no primeiro turno e em Alckmin no segundo.

“Auto-indulgência desmedida” ou “confusionismo calculado”?

Ou, apenas, um camaleão?

Em tempo: Caetano parece ter uma fixação (ele relê Freud, segundo a entrevista) em Mino Carta e na Carta Capital. Diz que a Carta Capital é “a Veja do Lula”. O que seria tão impreciso quanto dizer que o Caetano é o Ney Matogrosso do Scala.

Em tempo2: Caetano diz que respeita e até admira “o marxismo de um (sic) Roberto Schwarz”. “Camaleão” é pouco, Roberto!

Paulo Henrique Amorim
No CAf
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É preciso quebrar a narrativa sionista sobre o conflito genocida no Oriente Médio


Veja o documentário "O filho do general", de 28 minutos, aqui, na íntegra.


Existe uma tendência muito forte entre a intelectualidade ocidental a negar validade a qualquer narrativa que provenha dos palestinos. Quase nenhuma credibilidade é atribuída a um relato se sua fonte for exclusivamente de origem palestina. É devido a este tipo de preconceitos que este vídeo de Miko Peled adquire maior significância.

Miko Peled é um judeu israelense, nascido e criado em Jerusalém, cujo pai era um jovem oficial do exército em 1948 e um importante general da IDF em 1967. Ou seja, Miko Peled nasceu e cresceu em uma família e em um ambiente de profundas raízes sionistas. Não obstante isso, as contradições da vida e seu sentimento humanista foram abrindo-lhe os olhos para a realidade que o circundava. É esta realidade o que ele trata de transmitir em seu livro "O filho do general" (The general's son) e no relato do presente vídeo.

O que Miko Peled conta é de grande importância para todos, especialmente para aqueles que se identificam com o sionismo e com as posturas do Estado de Israel. Os fatos por ele relatados não são novidades para quem acompanha com certa proximidade o que vem sucedendo na Palestina nas últimas décadas. No entanto, em razão de suas origens nacional, cultural e étnica, as palavras expressadas em seu livro e neste documentário talvez sejam capazes de levar à reflexão a algumas pessoas que, até agora, aceitaram e assimilaram a narrativa sionista sobre o conflito na Palestina.

No Diário Gauche
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