3 de ago de 2014

Veja inventa "quebra de sigilo" de perguntas que são públicas. Tudo para socorrer Aécio.

Vamos supor que, por um milagre, a oposição da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, conseguisse vencer o rolo compressor da bancada do Aécio em Minas, e implantar a CPI do Aécioporto.

Qualquer deputado que participasse da CPI, seja da situação ou da oposição, poderia ir à público e dizer quais perguntas iria fazer a Aécio e gostaria de obter respostas.

Mesmo sem CPI, os deputados da oposição estadual aos tucanos de Minas e o povo nas redes sociais já fazem essas perguntas publicamente, que Aécio Neves (PSDB) se recusa a responder. Por exemplo:
Se Aécio defende a privatização, porque estatizou um aeroporto privado na fazenda do tio?

Onde está o estudo de viabilidade, de custo benefício, para justificar a construção dos aeroportos de Cláudio e Montezuma com dinheiro público?

Tirando o fato de Aécio ter uma fazenda a 6 km de distância, por que investir no aeroporto de Claúdio se o de Divinópolis, cidade pólo regional, fica ao lado e já atende a região?

Se havia demanda na cidade como inventa Aécio, essa demanda era de quem, além da própria família? E por que a demanda sumiu, a ponto do aeroporto ficar fechado sem ninguém na cidade reclamar?

Por que a licitação do aeroporto não foi anulada, se a diferença de preços entre as propostas das empreiteiras ficou apenas 0,6% de diferença, e muito próximo ao preço máximo?

O helicóptero dos Perrella já pousou no aeroporto? Quantas vezes? Qual a carga declarada?

Por que a chave do aeroporto ficava com o tio?

Se o aeroporto ficava fechado, como Aécio usava? Quem abria o portão para ele? Quem acendia os holofotes do aeroporto para ele pousar a noite?

Quem paga a conta de luz do aeroporto fechado, para Aécio pousar à noite?

Por que o Aeroporto só tem cerca para o povo não entrar pela frente e não tem cerca separando a fazenda do tio?

Qual o valor de mercado da área desapropriada de terras do tio?

Qual investigação o governo mineiro está fazendo em relação aos 60 kg de cocaína apreendidos a 24 km do aeroporto de Cláudio, e cuja fuga do traficante preso contou com a ajuda de um primo de Aécio, segundo processo movido pelo Ministério Público?

Qual a política de segurança do governo de Minas para evitar que o aeroporto fechado seja usado para voos clandestinos do tráfico de drogas?

O Aeroporto de Cláudio já recebeu vôos provenientes da Colômbia? E do Paraguai?
Estas seriam algumas perguntas.

Se os tucanos não bloqueassem a CPI do Aécioporto, não há sigilo nenhum nas perguntas, e Aécio poderia se preparar o quanto quisesse para respondê-las.

Não existe o conceito de perguntas sigilosas em CPI's, ainda mais em sessão aberta transmitida pela TV. E é normal que quem deponha se prepare para responder as questões que sabe que serão perguntadas, até porque estão colocadas na imprensa. É normal até para que o depoente procure nos arquivos as informações necessárias às respostas.

Até deputados de oposição, se quiserem, podem antecipar o que vão perguntar, caso queiram obter respostas de fato, com seriedade.

Se todo mundo que fala em CPI's for responder de improviso coisas como valores contábeis, datas, atas, contratos, não há memória que consiga se lembrar de tudo, e a própria CPI ficará sem respostas para o que deseja saber. Na melhor das hipóteses, o depoente dirá que precisará levantar as informações e depois enviará as respostas à CPI.

Por isso a "reporcagem" da revista Veja desta semana é que é uma fraude, ao querer dizer que perguntas que seriam feitas na CPI da Petrobras foram "vazadas". Isso é ridículo. Não existe "perguntas sigilosas" em CPI para serem vazadas.

Qualquer parlamentar que queira obter de fato respostas detalhadas e esclarecedoras pode antecipar as perguntas, seja ao depoente, seja fazendo as perguntas em público, para buscar as respostas na sessão da CPI. E os depoentes podem perguntar aos deputados o que eles querem saber mais especificamente sobre assuntos complexos, que necessite levantar previamente em documentação. Inclusive algumas questões a serem perguntadas costumam ser óbvias. São as explicações necessárias para esclarecer o que a própria imprensa aponta como denúncias e levanta dúvidas.

Como era previsível, o mais demotucano dos telejornais, o Jornal Nacional da TV Globo, gastou mais de quatro minutos repercutindo essa "reporcagem" no sábado. Desta vez levaram ao ar as declarações de oposicionistas demotucanos. Na quinta-feira, quando Aécio finalmente admitiu ter usado o aeroporto de Cláudio para uso particular, o JN gastou só dois minutos para falar do assunto sob a ótica da nota oficial distribuída pela campanha tucana, e não levou ao ar nenhuma liderança do PT para comentar.



Tudo isso demonstra de forma cristalina o que a TV Globo e a Veja fazem para dar uma ajuda à campanha eleitoral do amigo deles, Aécio Neves.

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Sobre a CPI da Petrobras

A refinaria de Pasadena
Falta sentido à mais recente denúncia sobre a Petrobras.

Não exatamente sobre a Petrobras, aliás. Sobre a CPI que investiga a compra da refinaria em Pasadena.

Segundo a Veja, um vídeo mostraria que os convocados tiveram acesso às perguntas. E teriam se preparado para elas.

A história contada pela Veja tem tons rocambolescos, e adjetivos furiosos. O vídeo, diz a revista, foi gravado por alguém com uma microcâmara escondida numa caneta.

Coisa de Bond. James Bond. Tanto mais que a motivação do autor, sempre segundo a Veja, permanece um mistério.

Bem, ajudar a campanha de Dilma certamente não foi a intenção do dono da caneta espiã.

A fragilidade do alegado escândalo se revela quando você sai da superfície e tenta entender a história.

Você pode perguntar: os convocados a depor tiveram acesso a perguntas de arquiinimigos do PSDB e do DEM?

Não.

Não tiveram.

Numa decisão bizarra para quem defendera a CPI com tanto ardor, tanto o PSDB quanto o DEM decidiram não indicar integrantes para a CPI da Petrobras.

Se tivessem feito, PSDB e DEM teriam absoluto controle sobre as perguntas consideradas cruciais para a compreensão do caso.

Mas abdicaram de participar da CPI, por algum estranho cálculo.

Examinemos agora as questões supostamente antecipadas.

Em qualquer sabatina, você se prepara exaustivamente para responder toda sorte de perguntas.

Isso se chama media training.

Muitas vezes, neste treinamento, há uma figura chamada de “advogado do diabo”. Ele faz a você as perguntas que seu pior inimigo faria.

É uma prática também comum para candidatos quando se preparam para um debate.

Que perguntas sobre o caso Pasadena não teriam sido previstas pelos convocados a depor em sua preparação para o depoimento?

É virtualmente impossível imaginar uma “pergunta surpresa” em situações como aquela.

Não é uma prova de vestibular, em que pode cair uma questão sobre a Revolução Russa ou outra sobre a Revolução Francesa.

Na CPI é um assunto só. E um treinamento competente deixa você preparado para a sabatina.

Um esforço genuíno de investigação jornalística se centraria não nas perguntas, mas nas respostas.

Elas foram inconvincentes? Trouxeram informações erradas? Se sim, quais são as falácias e onde está a verdade?

É um trabalho duro para jornalistas, muito mais árduo que bater bumbo em torno de um vídeo tirado de uma caneta.

Você só entende a opção pelo caminho fácil jornalístico à luz de, simplesmente, tentar gerar um escândalo à beira das eleições.

O objetivo, nestes casos, não é esclarecer o público e sim confundi-lo.

Não tem sido fácil transformar Pasadena num novo Mensalão, ou coisa do gênero.

Empresários e executivos acima de qualquer suspeita como Fábio Barbosa, Jorge Gerdau e Cláudio Haddad faziam parte do Conselho de Administração da Petrobras na época da compra e a chancelaram.

Por que ninguém os entrevista sobre o assunto?

Porque não interessa. Porque não ajudaria naquilo que se deseja: inventar um mar de lama.

Paulo Nogueira
No DCM
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Abril vendeu canal da antiga MTV sem aval público obrigatório

O canal de televisão que transmitia a MTV Brasil (32 UHF em São Paulo) foi vendido pela Editora Abril em dezembro do ano passado sem a devida autorização do Ministério das Comunicações.

Embora o presidente do Grupo Abril, Fábio Barbosa, tenha dito na ocasião que a venda seria feita mediante aprovação prévia da pasta, conforme a lei, o ministério informou no dia 25 de julho que, até então, não havia recebido nenhum pedido de transferência de outorga da Abril Radiodifusão, empresa dona dos direitos do canal.

No balanço da Abril de 2013, porém, consta a venda da licença da Abril Radiodifusão para o Grupo Spring, do empresário José Roberto Maluf (ex-executivo do SBT e da Rede Bandeirantes), por R$ 290 milhões.

O documento diz que parte do montante já havia sido quitado pelo comprador.

Após o primeiro questionamento da reportagem, a Abril informou, por meio de sua assessoria, que o pedido de transferência de outorga estava sendo concluído e seria protocolado "em breve".

Na semana passada, a empresa disse que a solicitação fora protocolada no dia 29 de julho.

Informou ainda que "a responsabilidade pelo canal é exclusivamente da Abril até que o Ministério das Comunicações aprove a transferência".

Milagre

Quem sintoniza o televisor na emissora, porém, não encontra programação da Spring nem da Abril, que ainda ocupou o espaço por um breve período com a sua TV Ideal. Na tela da ex-MTV, quem aparece agora é o apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial.

Entre um e outro culto da Mundial, o canal passou a transmitir também um programa de leilão de gados.

No meio evangélico, o arrendamento de parte do canal pela neopentecostal é visto como uma contraofensiva de Valdemiro, que em 2013 foi desalojado pela Igreja Universal de seu principal púlpito eletrônico, o Canal 21 (UHF), do Grupo Bandeirantes.

Fora do meio religioso, o caso suscita outras dúvidas. Embora não exista uma lei que proíba isso expressamente, o aluguel de nacos da programação para igrejas e empresas de televenda é objeto de questionamentos jurídicos.

Grade

A norma diz apenas que a publicidade na TV não pode exceder 25% da grade. O Ministério Público Federal estuda entrar com uma ação contra a prática de arrendamento de concessões.

A Folha procurou o empresário José Roberto Maluf para comentar. Deixou vários pedidos de entrevista, mas não obteve resposta.

Ricardo Mendonça
No fAlha
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FHC e a arte de se apequenar antes e depois


Perguntam-me dos motivos para a implicância com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

São vários.

O principal é que tinha base de apoio no seu partido, conhecimento, descendia de família de militares que participaram de episódios centrais de formação do país; tinha formação e adesão de parcelas importantes da opinião pública para montar um governo socialdemocrata, que conduzisse reformas mas lançasse as bases de políticas sociais legitimadoras. Tinha tudo, até a assessoria luxuosa da verdadeira estadista que era dona Ruth para lançar as bases do combate à miséria.

Em vez disso, terceirizou a política econômica para os financistas do seu governo, permitiu a manutenção de políticas cambial e monetária ruinosas, mesmo após três graves crises externas. Jamais conseguiu pensar como um verdadeiro estadista. Era deslumbrado com as pompas do poder, mas não com a possibilidade de mudar realidades.

Fora do poder, poderia ter se tornado um desses sábios referenciais dos quais toda Nação necessita, os mais velhos que trabalham para mostrar rumos, para conciliar, para ajudar na construção de consensos.

Pequeno antes, manteve-se pequeno depois.

Seu artigo de hoje, no Estadão (clique aqui), é tão medíocre que merecia ser assinado por Roberto Freire — o único (repito o único!) Senador da República que, em 1999, foi contra o projeto de renda mínima proposto em comum acordo por ACM e Eduardo Suplicy.

É medíocre por ser falsamente esperto, e pela absoluta falta de respeito de FHC pelos fatos e pela sua própria biografia.

Diz o artigo:

“O que fez o PSDB quando as pesquisas eleitorais de 2002 apontavam para a possível vitória do PT?”.

1.     Elevou os juros, mesmo antes das eleições, reduzindo as próprias chances eleitorais.

Coloca como se fosse um ato de desprendimento e não um gesto de desespero, ante os erros colossais cometidos pelo então presidente do Banco Central Armínio Fraga, que jogou a cotação do dólar nas alturas e quase explodiu com a economia brasileira.

Primeiro, Armínio criou o sistema de pagamento eletrônico, que passou a medir de forma muito mais intensa os movimentos de juros intrabanco e as cotações dos títulos do Tesouro. Depois, introduziu o sistema de “marcação a mercado” — pelo qual os fundos tinham que contabilizar diariamente suas cotas pelo valor de negociação dos títulos a cada dia.

Exemplo pequeno:

·       um título vale 100 no momento de resgate; a taxa de juros do mercado está em 10%. Logo o valor presente do título é 90,9. Ou seja, se alguém comprar por 90,9 e levar até o dia do vencimento, receberá os 100.

·       ai a taxa aumenta para 15%.  Imediatamente o valor a mercado do título cairá para 86,8 — para garantir os 15% de juros no vencimento.

Mesmo que os fundos levassem os títulos até o vencimento, para receber os 100, a nova regra obrigava-os a remarcar o valor da cota de acordo com o valor de negociação diária dos títulos.

Finalmente, lançou uma operação desastrosa de vender títulos pré-fixados amarrados a hedge cambial — visando empurrar goela abaixo do mercado os pré-fixados, em uma atitude de um voluntarismo tal que nada fica a dever às medidas de Dilma Rousseff, e muito mais ruinosa.

Os investidores passaram então a comprar o pacote, a ficar com o hedge e a desovar os pré-fixados no mercado. Esses títulos eram uma parcela ínfima do estoque de pré-fixados do mercado. Mas o valor das cotas de todos os papéis dependia das negociações diárias.

Quando os pré-fixados foram desovados no mercado, houve queda de sua cotação e imediatamente todos os fundos que tinham pré-fixado em carteira foram obrigados, pela marcação a mercado, a desvalorizar o valor de sua cota. Da noite para o dia, investidores se deram conta de que havia caído o saldo de suas aplicações nesses fundos.

Foi um pânico generalizado no mercado, que ajudou a fortalecer o falso temor de que, eleito, Lula confiscaria a poupança.

Foi uma barbeiragem tão grande que em muitas cabeças passou a impressão de ter sido intencional, para espalhar o temor nas eleições que se avizinhavam.

As medidas posteriores foram mero paliativo para impedir que a economia explodisse nas mãos de FHC como consequência dessa barbeiragem.

2.     Sustentou mundo afora que não haveria perigo de irresponsabilidade de Lula, pois as leis e cultura haviam mudado.

FHC baseia-se em uma versão falsa de ter conduzido a aproximação de Lula com o governo Bush Jr, versão devidamente desmascarada aqui por pessoas que participaram diretamente das reuniões prévias entre as equipes de Bush e de Lula. O principal homem de FHC em Washington, embaixador Rubens Barbosa, sempre acenou com fantasmas para o Departamento de Estado norte-americano.

3.     Pediu empréstimo ao FMI, com previa anuência dos candidatos.

Mas é óbvio que o FMI só emprestaria com aval do futuro presidente. Não se tratou de concessão, mas de um ato de moratória, quatro anos após o anterior, devido ao fato de adiar a tomada de medidas urgentes para não atrapalhar as eleições — prática que ele aponta em Dilma, em seu artigo.

FHC termina o artigo prevendo tempos duros, de autoritarismo e repressão.

E conclui: “Vejo fantasmas? Pode ser, mas é melhor cuidado do que não lhes dar atenção”.

É por essas e outras que jamais será a figura reverencial que poderia ter sido, depois de deixar o poder.

Comprova o pior receio de Sérgio Motta quando, pouco antes de morrer, mandou um bilhete implorando: “Não se apequene”.

Luís Nassif
No GGN
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Entrevista no Estadão; Aécio cambaleante balança mas não cai e tem gente maldosa acusando-o de estar bêbado

O Estadão publicou o vídeo abaixo com destaque, mas já escondeu no site a pedido da assessoria do candidato tucano. A preocupação do comitê de Aécio é que pessoas mal-intencionadas confundissem o balançar de Aécio pra frente e pra trás e o acusassem de estar bêbado. Os assessores garantem que na ocasião havia uma forte ventania no local. E você pode conferir a veracidade da informação pelo balançar das folhas das árvores que estão atrás do candidato.

Aliás, a fala mole do candidato também tem a ver com o vento. O zunido alto atrapalhou a sua concentração, garantem os assessores.

Nesta história toda, uma coisa é certa, Aécio está com discurso afiadíssimo e na ponta da língua. Balançando ou não ele taca o pau no PT e na Dilma. E continua explicando o caso do aeroporto de Cláudio com a mesma cara de pau de sempre.

Assista ao vídeo e confira o desempenho do candidato:


Renato Rovai

Veja também: O cambaleante candidato Aécio Neves
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1% mais rico de SP abocanha 20% da renda da cidade; há dez anos eram 13%


As pessoas ricas estão cada vez mais ricas em São Paulo. Se o seleto grupo do 1% mais endinheirado da população já embolsava R$ 13 em cada R$ 100 ganhos na cidade em 2000, dez anos depois sua renda deu um salto: passou a abocanhar R$ 20 em cada R$ 100 do montante arrecadado -vindo de salários, aluguéis e investimentos.

Os dados fazem parte de um levantamento inédito da prefeitura que compara os dois últimos Censos do IBGE (2000 e 2010).

No mesmo período, outras camadas da população, como os 50% de menor renda, não experimentaram prosperidade parecida. Embora estejam ganhando mais hoje, a participação deles no "ordenado paulistano" ficou praticamente estagnada, passando de R$ 11,65 para R$ 10,57 em cada R$ 100.

Para fazer parte do 1% mais rico, é preciso ter uma renda individual de ao menos R$ 15 mil. Essa fatia acomoda pouco mais de 100 mil pessoas, entre empresários, altos executivos, profissionais liberais e gestores do próprio patrimônio. A população atual de São Paulo é de 11,8 milhões.

O descolamento do super-ricos e o achatamento da classe média são reflexos de uma São Paulo mudada, que se transformou em metrópole de serviços, importante centro financeiro e sede de grandes multinacionais, pouco parecida com a cidade industrial de algumas décadas atrás.

A mudança no perfil dos empregos, com o surgimento de superexecutivos e novos empresários da indústria criativa, ajuda a explicar as mudanças no topo. Já a perda de postos na indústria, substituída pela multiplicação das ocupações de baixa remuneração em serviços terceirizados, dá uma ideia de qual é a nova situação na base.

Está em curso, também, uma migração seletiva: enquanto profissionais ultraqualificados vêm para São Paulo em busca de melhores remunerações e opções de lazer, pessoas de baixa renda fogem do custo de vida elevado. Essa migração completa o quadro de alterações por que a cidade passou e vem passando, segundo os especialistas ouvidos pela sãopaulo.

Sem indústria, com globalização

O geógrafo Tomás Wissenbach, responsável pelo levantamento desses dados na prefeitura, credita a concentração de renda à modificação operada nos empregos da cidade.

"Desde os anos 1970, São Paulo vem perdendo suas indústrias e com elas os empregos que pagavam bons salários a pessoas com escolaridade média", afirma Wissenbach, que é diretor do Deinfo (departamento de informações), ligado à secretaria de Desenvolvimento Urbano.

Por outro lado, diz Wissenbach, hoje a economia paulistana está concentrada nos setores de serviços, que produzem, em uma ponta, superempregos para executivos e consultores e, na outra, ocupações de baixa remuneração em funções terceirizadas como limpeza e telemarketing.

Nos últimos dez anos, a atenção das multinacionais se voltou para os países em desenvolvimento como o Brasil, e muitas dessas empresas abriram filiais na cidade de São Paulo, afirma Rodrigo Soares, diretor da Hays, uma consultoria especializada em recrutamento de altos executivos.





Como a legislação trabalhista não favorece a vinda de profissionais estrangeiros, os executivos brasileiros acumularam funções e passaram a ganhar bem mais. "Essa versatilidade levou-os a ter uma compensação financeira."

Assim, diretores-presidentes que em 2005 recebiam salários de até R$ 25 mil por mês na cidade de São Paulo, em 2010 poderiam chegar a R$ 70 mil, segundo o Datafolha. Hoje, essas remunerações passam dos R$ 90 mil — sem falar nos bônus e benefícios.

Mas há outros fatores operando o milagre da multiplicação das rendas altíssimas, avalia o professor de economia Otto Nogami, do Insper (instituto de ensino). "Empresas que oferecem novos serviços ligados ao mundo da tecnologia e da comunicação estão crescendo rapidamente."

As novas empresas se expandem, e, junto com elas, a renda de jovens empresários como Guga Guizeline, 32, que organiza eventos para "aproximar marcas de pessoas". Ele faz festas promovendo de "lançamento de prédio até marca de camisinha".

Guga vem de uma família de nível "superbom", como ele diz. Seu pai sempre foi funcionário do setor financeiro, área em que ele próprio tentou a sorte. Há seis anos, porém, depois de trabalhar com marketing e investimentos, começou a fazer eventos corporativos.

Virada demográfica

O urbanista Kazuo Nakano vê mais uma explicação para o aumento da renda dos mais ricos: São Paulo "passa por uma virada demográfica". Pessoas ultraqualificadas estão vindo de outros lugares para cá, enquanto a população mais pobre migra para fora da cidade em direção à região metropolitana, devido ao aluguel e o custo de vida altos.

Nogami, do Insper, faz a mesma análise: no longo prazo, a tendência é que indivíduos de renda maior, como empresários e executivos de alto escalão, procurem locais com melhor infraestrutura, com mais opções de lazer. "São Paulo continua representando o sonho de consumo para essas pessoas, apesar da insegurança".

A questão da desigualdade, gerada por um modelo econômico em que a renda dos mais ricos cresce mais rápido do que a atividade econômica, foi realçada com a publicação, em 2013, de "O Capital no Século 21", do francês Tomas Piketty. O livro, que defende a taxação de grandes riquezas, bateu recorde na lista dos mais vendidos do site Amazon e suscitou um debate acalorado em milhares de artigos de jornais e blogs do mundo todo.

Por aqui, o economista e ex-presidente do Ipea Márcio Pochmann defende a tese de que está em curso uma "polarização da sociedade" brasileira, em que os muito ricos e os muito pobres melhoram de vida, mas a classe média fica olhando a banda passar.

Esse cenário tende a ser mais acentuado em lugares onde a economia se baseia no setor de serviços, especialmente os financeiros, como São Paulo, diz o especialista. Por isso, afirma, apesar de a desigualdade ter se estabilizado na cidade, "existe uma corrosão da renda da classe média, que fica numa camada entre os 40% mais pobres e os 20% mais ricos".

"O que nós vemos em São Paulo é o que vem acontecendo no mundo inteiro capitalista, mais fortemente nos EUA, e em menor grau na Europa", diz o economista José Roberto Mendonça de Barros, que foi secretário de política econômica da Fazenda no governo Fernando Henrique (1995-2002).

Segundo Barros, os muito ricos são compostos por dois grupos. Em um, a receita vem de rendas, como de aluguéis, aplicações financeiras e juros. O outro é formado por quem ocupa papéis estratégicos nas empresas e detém altos salários. "É uma característica do capitalismo contemporâneo, neoliberal: os altos capitalistas rentistas e os altos profissionais."

Por outro lado, as políticas distributivas que vêm sendo aplicadas pelo governo do PT, como os aumentos salariais e bolsas diversas, afetaram negativamente a renda de todos os ricos, menos dos muito ricos, diz Barros.

"Por isso se vê uma radicalização violenta da base social e uma reação das classes altas contra a preferência pelos pobres que o PT adotou."

"Eles [os muito ricos] vivem a cidade, frequentam exposições, concertos e eventos na casa de outros milionários, mas estão cercados de seguranças", diz Stella Susskind, presidente da Shopper Experience, uma consultoria de marketing para marcas de luxo. "Não é por culpa deles. Vivemos uma guerra civil neste país".

Quando o assunto é consumo, Susskind explica o mercado com uma anedota: "Tenho uma cliente que diz: 'com meus amigos milionários, as viagens são voltadas para as compras; com os bilionários, as compras ficam de lado e geralmente vamos de jato particular; com meus amigos biliardários, comprar, só se for obra de arte."

Discretos X Exuberantes

Milionários, bilionários, ou biliardários, não importa. Eles moram e frequentam os mesmos lugares. Restaurantes como Spot e Bilboquet, destinos turísticos como Grécia e Ibiza e os shoppings Cidade Jardim, JK e Iguatemi, todos no sudoeste da cidade, onde ficam bairros como Jardins, Pinheiros, Itaim e Moema.

E como um rico se diferencia de outro rico? Exclusividade é a palavra. "Se uma amiga tem um relógio Breitling, a outra vai querer um diferente, com fundo rosa, por exemplo. Há uma aspiração de demonstrar a personalidade", diz a consultora.

Quando as "fortunas são antigas", no entanto, as pessoas são mais discretas. "A competição é para ver quem tem a obra de tal artista, para mostrar em qual universidade do exterior os filhos vão estudar."

A última tendência em férias de luxo, segundo Stella, é mandar as crianças esquiarem na montanha Snow Mass, em Aspen, nos EUA.

Para os adultos, a pedida deste ano é a Grécia, além de ilhas exclusivas na Flórida, onde há condomínios "caríssimos", e destinos europeus em geral. Para o pessoal da velha guarda, o "objeto de desejo" continua sendo a França, mais especificamente Cote d'Azur e Saint Tropez.

Há também os ricos com estilos mais exuberantes, como o de Val Marchiori, que figurou no reality show "Mulheres Ricas". Um tipo "total emergente, novo rico que se afirma pelo consumo", explica Susskind.

Entre os homens, os sinais de ostentação que dão pinta de riqueza nova podem vir na forma de aceleradas com carrões na porta dos restaurantes da rua Amauri, no Itaim Bibi — ou no uso de camisas polo "com um cavalo enorme" bordado no peito, diz o empresário R., que não quis se identificar.

Mas ostentação pouca é bobagem para os ricos de berço. Quando a coisa fica séria no Instagram, dá-lhe foto de pratos com trufas gigantes (ou lagostas enormes), de preferência em restaurantes como a rede Nobu, conta R. Sem falar nos selfies em academias de ginástica badaladas. "Está rolando uma onda de fitness de uns dois anos para cá que é uma loucura."

O sonho de consumo de R. hoje é uma BMW da série três, mas "o legal mesmo é não gastar com porcaria, para viver bem e com pouca preocupação".

Vanessa Correa
No fAlha
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Israel volta a bombardear escola: dez mortos e 34 feridos


Pelo menos 10 pessoas morreram e 30 ficaram feridas em um ataque aéreo israelense a uma escola da ONU na Faixa de Gaza, neste domingo, disseram testemunhas e equipes médicas, com Israel mantendo a ofensiva contra a região.

O Exército israelense disse que está investigando o ataque, que alcançou a segunda escola em menos de uma semana.

De acordo com testemunhas e médicos, um míssil disparado por um avião atingiu a entrada da escola, na cidade de Rafah.

Palestinos da região, onde as tropas israelenses estão enfrentando milicianos, haviam se abrigado no prédio.

Na quarta-feira, pelo menos 15 palestinos que haviam se refugiado em uma escola da ONU, no campo de refugiados Jabalya, foram mortos em combates, e a ONU disse que parecia que a artilharia israelense atingiu o edifício. Os militares israelenses disseram que homens armados haviam disparado morteiros a partir da escola, e os soldados responderam com tiros.

Mais cedo no domingo, um ataque de Israel deixou pelo menos 30 mortos na Faixa de Gaza, um dia depois de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, prometer manter a pressão contra o Hamas, embora o Exército tenha concluído sua missão principal, que é destruir uma rede de túneis usados para atacar Israel.

Ashraf Goma, líder do Fatah e residente de Rafah, disse que o exército israelense estava bombardeando a cidade a partir do ar, terra e mar, e os habitantes não podiam cuidar dos feridos e dos mortos.

“Os corpos dos feridos estão sangrando nas ruas e há corpos nas ruas, sem que ninguém possa resgatá-los.”
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O taxista é reaça? Seja mais que ele

O que fazer quando um taxista começa a defender barbaridades na sua frente? Preso ao banco de trás, você pode pedir para parar e descer. Discutir com ele até o destino final. Ou jogar o mesmo jogo e ver o que acontece.

Resolvi colocar em prática a sugestão de uma amiga:

— Por favor, aeroporto de Congonhas. Pode ir pela Henrique Schaumann.

— É pra já.

[Na telinha de TV do táxi] Dois menores foram apreendidos, na madrugada desta terça-feira, após uma tentativa de roubo frustrada em Moema…

— Olha só… Depois vem o pessoal dos direitos humanos e coloca tudo de volta nas ruas. Esse país não é sério. Dane-se que tem 14, 15, anos, tem que prender mesmo. Se tem idade para cometer crimes, tem idade para ir preso como se fosse de maior.

— (Silêncio meu)

— Tinha que contratar uns policiais fora do serviço para dar uma coça nessa molecada. Assim, aprendiam o que os pais não ensinaram.

— (Silêncio meu)

— Acho que tem que ter pena de morte. Vi na TV que nos Estados Unidos não tem crime porque tem pena de morte. Mata um ou dois desses com injeção e os outros vão pensar duas vezes antes de fazer porcaria.

— Olha eu concordo inteiramente com o que o senhor disse. E acho que tem que impedir essa gente pobre da periferia de ter filho. Esterilizar toda essa mulherada mesmo para que não dê à luz bandidinho de merda. Outra medida importante seria colocar uns portões nas entradas de favelas e bairros pobres e só deixar eles saírem de dia para trabalhar. E se não tiverem trabalho, não saem. Não sabe viver em sociedade, toque de recolher! E quando resolver essa questão, tem que ir para outras, botar as coisas em ordem. Vagabundo que faz barbeiragem no trânsito tem que ir preso, gente que pula a cerca em casa tem que ir preso, bêbado que fica enchendo a cara no bar e não trabalha tem que ir preso, quem sonega imposto tem que morrer! E sem essas coisas de julgamento, não. Faz e pronto, simples assim.

— O senhor é radical. Não sei se concordo com tudo isso não…

— Por que? O senhor defende vagabundo, é isso? Defende vagabundo?

— Não, mas também não é assim.

— Assim como?

— Ah, não acho certo. Tem que ver quem é a pessoa e coisa e tal. Não pode fazer isso, não. Não acho justo.

O motorista não deu um pio até o destino final. Mas, certamente, vai pensar duas vezes da próxima vez.

Recomendo. Por uma vida com menos mimimi.

Leonardo Sakamoto
No Blog do Miro
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Vídeo contra cotas raciais da Folha gera críticas e divide opiniões

Folha utiliza a modelo Carol Prazeres para se posicionar oficialmente contra as cotas raciais. Movimentos negros criticam campanha

folha cotas raciais
“A Folha é contra as cotas raciais”



Na última sexta-feira (1º), a Folha de S. Paulo publicou um vídeo expondo sua opinião sobre o sistema de cotas raciais no Brasil. Intitulado “Sistema de Cotas: o que a Folha pensa”, a peça declara posicionamento contrário à medida usando a modelo Carol Prazeres como interlocutora.

Para Marjorie Chaves, mestra em Estudos Feministas e de Gênero pela Universidade de Brasília (UnB) e doutoranda em Política Social pela mesma instituição, o vídeo foi bem estudado e não possui propósitos democráticos. “Mesmo com o argumento de que publica opiniões contrárias, [a Folha] privilegia as opiniões contra a toda e qualquer política de promoção da igualdade racial. Além disso, não colocou uma mulher negra na campanha à toa, podia ser um homem negro. Mas nós fazemos parte do contingente que mais ingressou em universidades públicas nos últimos anos, a Folha sabe disso. A ideia é a de que recuemos em nossas conquistas. É uma campanha cínica, inescrupulosa”.

Para outras ativistas, a publicação pode ter um lado positivo. “Confesso que não acho ruim a Folha se manifestar contrária às cotas, mesmo tendo o STF entendido que as cotas são legais”, pondera Juliana Coutinho, militante negra dos movimentos negro e feminista. “Enquanto editorial, que seja respeitado o direito de liberdade de expressão. E para a sociedade, especialmente para a militância negra, a vantagem, sinceramente, é o jogo limpo. O pequenino jornal mostra a que veio, jogando fora a máscara de imparcialidade hipócrita usada pra vender periódicos com a etiqueta de grife ‘somos imparciais’”, finaliza.

O vídeo contrário às cotas raciais faz parte de uma série que pretende expor o posicionamento do jornal sobre “temas polêmicos” e já falou a respeito de questões como aborto, drogas e voto obrigatório.

Jarid Arraes
No Pragmatismo Político

Veja também: Vereador do PMDB de Rio Grande - RS comenta cotas raciais
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Edir Macedo e o Templo de Salomão


Eu sou um dos pouquíssimos jornalistas que já tiveram a oportunidade de entrevistar e conhecer pessoalmente o bispo Edir Macedo. Fui recebido por ele quando trabalhava no grupo Exame, anos atrás. Ele havia acabado de comprar a TV Record e, depois de muita insistência, concordou que eu escrevesse um perfil falando dele, de sua igreja e da maneira como a organizava.

Edir chamava a atenção já no aperto de mão. Vítima de uma má-formação, ele possui em ambas as mãos o polegar diminuto e a pele escamosa; a sensação foi de que eu apertava uma rã. Parece apenas um detalhe bizarro, mas a deformidade de Edir tem um papel fundamental em sua história pessoal. Ele se culpava, ou a genes ruins, por ter tido uma filha com lábio leporino. Buscara ajuda na igreja católica, mas não encontrava consolo. Nas reuniões às quais ia, percebeu que mais ajudava as outras pessoas do que era ajudado. E resolver fundar sua própria igreja, primeiro subindo nas favelas do Rio de Janeiro, depois pregando no seu primeiro centro de culto, uma loja aonde antes funcionava uma funerária.

A igreja criada por Edir é um reflexo dele mesmo, uma panaceia que junta retalhos de outras fés. Embora sua base seja o Evangelho e a figura de Jesus, como a maioria das seitas pentecostais, Edir misturou outros elementos, da encenação do candomblé, com o exorcismo de pessoas supostamente tomadas pelo demônio, às raízes judaicas do Velho Testamento. Lá está o templo de Salomão, conhecido como o “rei da sabedoria”, na verdade uma figura controvertida na própria visão bíblica. No Livro de Salomão, a sabedoria terrena na verdade é vista criticamente, como a “vaidade das vaidades”, em oposição à simplicidade da fé.

Sem importar-se em ser um teólogo capaz de fazer sentido, Edir é na realidade um motivador de pessoas – aí reside seu talento. Essa virtude lhe permitiu não só conquistar acólitos como também ser um extraordinário formador de quadros capazes de ampliar seu raio de ação. É impressionante sua capacidade de produzir “bispos” e pastores fiéis ao seu discurso, gestual e ideias. Graças ao seu trabalho de RH, Edir fez a Universal prosperar rapidamente no Brasil e mundo afora.

É também um pastor com tino de empresário. Para mim, reclamou que a igreja era vista pela imprensa ingenuamente como uma exploradora do povo mais pobre. Para começar, dizia que não era o miserável que sustentava a Universal. Na verdade ele enxergara um mercado: o trabalhador que tinha emprego e renda, mas nenhuma perspectiva de subir na vida, por falta de oportunidade. Seu discurso sempre foi de que esse trabalhador pode conseguir mais, se tiver fé; ele tem dinheiro para pagar o dízimo, e a fé que o inspira é uma “fé de resultados” capaz de levá-lo a uma vida melhor.

A ideia de que ganhamos um lugar no Paraíso além da vida, pregada pela Igreja Católica, nunca foi suficiente para Edir. Ele sempre acreditou que a igreja tem de dar respostas para o ser humano ainda em vida. Sua igreja é pragmática e não há dúvida de que ajuda muita gente. Edir é polêmico porque é impossível medir a relação entre o benefício que sua igreja traz aos seus acólitos e o quanto do dinheiro arrecadado vai em benefício pessoal de seus bispos e pastores. Edir não vê nisso conflito de interesses, porque nunca pregou o discurso da vida ascética nem defendeu qualquer espécie de voto de pobreza.

Edir já foi preso por falsa ideologia, mas não apenas foi solto como o juiz que mandou prendê-lo (por sinal com um nome bíblico, Abrão), acabou sendo afastado para um forum na periferia de São Paulo - foi para a geladeira. O que era uma suposta defesa do público empreendida pelo justiceiro togado acabou virando, aos olhos do Judiciário, uma inútil perseguição. Não se pode subestimar as pessoas que seguem a Universal, que têm o direito de escolher, apoiar, pagar e professar a fé que quiserem, por mais descabida que possa parecer. E assim Edir vai conseguindo edificar o seu império, do qual o Tempo de Salomão, construção de proporções bíblicas numa das zonas mais abandonadas do centro de São Paulo, é apenas o mais novo, extravagante e significativo símbolo.

Thales Guaracy
No DCM
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Fotos dos destroços do MH17 revelam que foi bombardeado por “caças”

Um cockpit rendilhado por balas
O piloto alemão de longo curso Peter Haisenko afirma, com base numa observação detalhada de fotos disponíveis dos destroços do avião da Malaysian Airlines acidentado na Ucrânia, que o aparelho foi abatido pelos caças SU 25 que várias fontes detectaram nas imediações do aparelho antes de este ter desaparecido dos radares.

As fotos examinadas pelo piloto revelam perfurações no cockpit provocadas por balas de calibre de 30 milímetros, que são utilizadas pelos caças SU 25 como os que foram identificados nas imediações do voo MH17.

“Os factos falam alto e claro, bem para lá de qualquer tentativa de especulação”, escreve Peter Haisenko, num artigo divulgado pelo site Global Research. “O cockpit exibe sinais de bombardeamento. Podem ver-se os orifícios de entrada e saída das balas. Os rebordos de uma série de orifícios estão dobrados para dentro. Estes são os orifícios pequenos, redondos e limpos, mostrando o pontos de entrada dos mais que prováveis projécteis de calibre de 30 milímetros”, acrescenta o piloto alemão.

“Além disso”, sublinha ainda o comandante Peter Haisenko, “é visível que os orifícios de saída na camada exterior da estrutura de alumínio duplamente reforçada são triturados e dobrados, naturalmente para fora!”

Nos destroços do cockpit, o piloto alemão encontra também sinais de que os disparos das metralhadoras foram completados com o recurso a bombas incendiárias anti-tanque disparadas por canhões GSh-302 , que também equipam o arsenal disponível nos SU 25, “e que foram idealizadas para destruir os tanques mais modernos”.

Segundo a tese do piloto alemão, o avião não foi abatido por um míssil Buk, porque o resto dos destroços do avião desmente essa possibilidade. O derrube do aparelho resultou do bombardeamento do cockpit, que provocou uma pressurização limite no interior da cabine. O aparelho “inchou como um balão” e explodiu internamente, razão pela qual os destroços da fuselagem do avião não revelam sinais de ter sido atingido do exterior.

Peter Haisenko recorda que a presença de caças nas imediações do avião malaio foi detectada pelos radares russos e revelada logo na hora da tragédia através das comunicações Twitter do controlador espanhol “Carlos” da torre de controlo de Kiev. Todos os testemunhos sobre o assunto são concordantes na informação de que o avião comercial desapareceu dos radares alguns segundos depois de os caças ucranianos se terem afastado.

Nos Estados Unidos, afirma Peter Haisenko, diz-se que a queda do avião se deve a um “potencial erro trágico/acidente”. A propósito, o piloto alemão interroga-se se o “erro trágico” não terá sido a confusão feita pela aviação ucraniana entre o avião malaio e o do presidente russo, que voaria nas imediações (regresso de Putin da América Latina), tendo ambos os aparelhos cores muito semelhantes. Esta possibilidade, normalmente não abordada, foi evocada no dia do acidente pela agência russa ITAR, mas sem seguimento.

O piloto alemão levanta também a possibilidade, revelada há horas por JSF, de a queda de Arseny Iatseniuk, primeiro ministro da Ucrânia, estar associada ao “erro trágico” e à tentativa para assassinar o presidente da Rússia.

Estas considerações “são especulações”, admite Peter Haisenko. Mas há circunstâncias factuais que não deixam dúvidas: “o bombardeamento do cockpit do Air Malaysia MH017 não é, com toda a certeza, uma especulação”; e as fotografias do Google em que o piloto alemão baseou a sua análise desapareceram entretanto da internet.

Vídeo da BBC deletado

"A nova possível narrativa combina perfeitamente com o que disseram testemunhas oculares em matéria da BBC (vídeo − legendado em inglês − abaixo) agora famosa por ter sido “desaparecida” da página da BBC. Resumo da ópera: o caso MH17 tem tudo para ter sido operação de “falsa bandeira”, desgraçadamente planejada pelos EUA e desgraçadamente executada por Kiev. Não se consegue nem imaginar as repercussões geopolíticas tectônicas se, por acaso, todo o “plano” for exposto em todos os verdadeiros pormenores".
Pepe Escobar



José Goulão, Urszula Borecki, Kiev, www.globalresearch.ca
No Folha Diferenciada
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Aeroporto de Montezuma: Era para beneficiar balneário abandonado


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A pista, abandonada

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O balneário, abandonado

Foto publicada pela Folha Regional, que traz notícias de Taiobeiras, Salinas, São João do Paraíso, Rio Pardo de Minas e outras cidades da região Alto Rio Pardo

Governo de MG reformou pista de aeroporto em cidade com agropecuária do pai de Aécio

Obra em Montezuma foi realizada na gestão de tucano

POR CHICO DE GOIS
25/07/2014 6:00 / ATUALIZADO 31/07/2014 11:01


BRASÍLIA — Quando o candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, era governador de Minas Gerais, o Executivo estadual autorizou a contratação de uma empresa para fazer obra de pavimentação, sinalização e conservação do aeroporto de Montezuma, norte do estado, onde o pai dele, o ex-deputado federal Aécio Cunha, fundou uma agropecuária. Cunha morreu em outubro de 2010; Aécio e as irmãs herdaram a empresa. A tomada de preços teve como vencedora a Construtora Pavisan Ltda., por R$ 268.460,65. O extrato do contrato foi publicado no Diário Oficial de Minas em 5 de abril de 2008, quando Aécio era governador.

No local, havia uma pista de cascalho, construída na gestão de Newton Cardoso (PMDB). Ele também tem negócios no município. As obras no aeroporto fazem parte do mesmo programa que permitiu a construção de uma pista num imóvel que foi desapropriado do tio-avô de Aécio, em Cláudio.

A assessoria de imprensa de Aécio remeteu ao governo de Minas a explicação sobre a reforma da pista e disse que o tucano não foi responsável pela construção do aeroporto. O governo de Minas informou que o aeroporto foi construído há 30 anos e, nos últimos 12, passou por melhorias. A última custou R$ 309 mil para “melhorias na pista de pouso existente”. O governo sustenta ainda que Montezuma “está situada em uma das regiões mais pobres do estado e tem como principal eixo estratégico para o seu desenvolvimento a atividade turística a ser desenvolvida a partir do balneário de água quente” (grifo do Viomundo).

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Da Folha Regional

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PS do Viomundo: Com quem as construtoras Pavisan e JRN contribuiram nas campanhas eleitorais mais recentes? Uma vez que o dinheiro foi oriundo, nos dois casos — aeroporto e balneário — do governo de Minas Gerais, não houve coordenação do investimento para o aeroporto eventualmente beneficiar o balnerário? Quantos aviões pousaram em Montezuma trazendo turistas? Que tipo de avião poderia pousar em Montezuma trazendo turistas? Jatinhos? Qual é a linha aérea regional que faria a ligação até Montezuma na expectativa de levar apenas turistas para uma cidade de 8 mil habitantes? Isso lá é “choque de gestão”?
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Para além das bombas

Assim como a mortandade humana e a destruição material da faixa de Gaza trazem à lembrança o encoberto projeto de construção de um Grande Israel, este plano estratégico de expansionismo conduz à lembrança de uma proposta que, também recebida com inquietação na Europa há uns 30 anos, foi então posta pela ultradireita em Israel sob bem cuidado silêncio. Sem que por isso se deva supô-la desativada.

A dedução de que jamais haverá paz entre Israel e os palestinos não é nova, apenas volta a recrudescer.

Entre as várias ocasiões semelhantes à atual, surgiu do lado israelense a tese de que a solução não poderia vir de dois Estados, Israel e Palestina, mas de outra forma institucional de separação: o deslocamento de toda a população palestina para os vizinhos Jordânia e Egito.

Ambos países árabes, o primeiro já com grandes acampamentos de palestinos expulsos de sua terra; o segundo, ex-controlador da faixa de Gaza, que Israel tomou na Guerra dos Seis Dias.

Nenhuma das partes diretamente envolvidas aceitou a ideia israelense, que foi incapaz, também, de encontrar apoio na Europa, na ONU e em proporção razoável nos Estados Unidos. Abstraídos os motivos mais gritantes da recusa -os ônus para os palestinos, a Jordânia, o Egito e para o financiamento-, o que restaria da tese era algo que o debate evitou considerar, apesar de óbvio: os territórios da Cisjordânia e da faixa de Gaza estariam livres para a anexação pelo Estado de Israel para dar início ao Grande Israel (se grandeza já satisfatória ou não, é indagação em aberto).

A faixa de Gaza é devastada, reconstrói-se em parte, é devastada outra vez, reconstrói-se de novo, volta a ser devastada, e assim vive e morre. Um processo que não cansa os vitoriosos. E aos massacrados? E aos que a tudo testemunham, com algum enjoo, desde suas superioridades europeias e da sua culpa americana de alimentadores dos massacres com suas armas, seus lucros e sua hipocrisia?

O que os governos da ultradireita fazem passar-se entre Israel e Palestina não é o massacre pelo massacre.

Mais erro

Aécio Neves reconheceu o primeiro erro com um autoelogio: "Cometi o erro de ver a obra [a construção do aeródromo em Cláudio] com os olhos da comunidade local e não da forma como a sociedade a veria".

Depois, Aécio Neves reconheceu o segundo erro, como se nada significasse: "Pousei lá umas quatro vezes, errei porque não sabia da falta da homologação".

Mas há o terceiro erro, este com uma adulteração: "Errei, mas é preciso que a Anac trabalhe. A pista está há três anos sem homologação". Ou seja, o governo federal é o culpado, por inépcia da Agência Nacional de Aviação Civil. Aécio Neves não teve coragem de dizer que a homologação está pendente de militares, do comando da Aeronáutica, como informado pela Anac.

Nem tudo

A primeira expectativa da disputa pela Presidência está desfeita: o Ibope consolidou a evidência, antes apontada pelo Datafolha, de que a adesão de Marina Silva não carreou o apoio eleitoral automático previsto por Eduardo Campos. Exceto em Pernambuco, onde, aliás, o ex-governador perde para Dilma Rousseff, em todos os maiores eleitorados o apoio eleitoral a Eduardo é ao trabalho de campanha já feito, e nada mais.

É preciso considerar, porém, que Marina Silva ainda está pouco atuante em áreas onde tem bom potencial, como o Sudeste. Quanto a Dilma e Aécio, também em São Paulo os seus 35% e 15% aguardam as contribuições de Lula, quando entre na campanha paulista, e de Geraldo Alckmin, quando acelere a sua levando o senador mineiro a tiracolo.

E, o mais importante, falta pouco para o horário de TV começar a estabelecer muitas verdades eleitorais. Embora não todas.

Janio de Freitas
No fAlha
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Propaganda de Alckmin no Facebook foi paga por tesoureiro tucano

Os pagamentos para promover a página no Facebook do candidato à reeleição ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), estão registrados em nome de Felipe Sigollo, tesoureiro do Diretório Estadual do partido no Estado.

Em resposta enviada ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) neste sábado (2), a rede social informou que os pagamentos feitos em benefício de Alckmin foram registrados por um cartão de crédito pessoal de Sigollo e somam US$ 7.604,88.

Agora, os advogados do candidato Paulo Skaf (PMDB), responsável pela ação, têm 24 horas para se manifestar sobre a informação, de acordo com despacho da juíza auxiliar de propaganda do tribunal, Claudia Lúcia Fonseca Fanucchi.

Eles devem incluir o nome do tesoureiro na ação, para que ele se manifeste formalmente, uma vez que a Lei Eleitoral proíbe qualquer tipo de propaganda paga na internet.

Além de ocupar o cargo de tesoureiro tucano em São Paulo, Sigollo é diretor da estatal estadual CPOS (Companhia Paulista de Obras e Serviços) e secretário-executivo do Conselho de Patrimônio Imobiliário do Estado.

A Folha tentou contato no celular de Sigollo, mas ele não atendeu.

A campanha de Alckmin afirmou que o pagamento ocorreu em período pré-eleitoral, quando a candidatura à reeleição ainda não estava estabelecida. Disse, ainda, que o Facebook não exige autorização do titular da conta para que sejam comprados links patrocinados.

No fAlha
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O encontro de dois escândalos


Uma distância de apenas 14 quilômetros separa os dois escândalos recentes da política nacional que envolvem dois senadores por Minas Gerais, o ex-presidente do Cruzeiro, Zezé Perrela (PDT) e o candidato a presidente Aécio Neves (PSDB).

A pista de pouso e decolagem construída durante o governo de Aécio Neves em Cláudio, no Centro-Oeste mineiro, em um terreno que pertenceu a fazenda do tio avô do candidato tucano fica distante 14 quilômetros de Sabarazinho, um povoado de Itapecerica, também no Centro-Oeste Mineiro, onde o helicóptero da empresa Limeira Agropecuária, da família do senador Zezé Perrela, fez uma parada para reabastecimento carregado com 445kg de pasta base de cocaína, em novembro do ano passado.

A parada em um ponto de Sabarazinho aconteceu três horas e meia antes da apreensão da aeronave por policiais militares e federais em um sítio em Afonso Cláudio, no Espírito Santo. O valor da carga é estimada em R$ 10 milhões, podendo multiplicar por dez com o refino. Segundo o inquérito da PF, o carregamento foi feito em Pedro Juan Cabalero, no Paraguai, e tinha como possível destino Amsterdam, na Holanda, o que configura tráfico internacional.

No dia 20 do mês passado, reportagem do jornalista Lucas Ferraz, da “Folha de S.Paulo”, revelou que Aécio Neves construiu a pista na fazenda que pertenceu a seu tio-avô, além de ficar próxima a uma propriedade da família do candidato.

Na última semana, Aécio Neves admitiu que já usou a pista, mesmo o espaço ainda não tendo sido homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil.

O investimento do governo mineiro para a construção da pista foi de R$ 14 milhões. Cláudio tem 25 mil habitantes e está distante 50 quilômetros de Divinópolis, onde já existia uma pista de pouso e decolagem.

O cruzamento dos dois escândalos — do helicóptero e da pista — é comprovado pelos documentos considerados sigilosos do inquérito da Polícia Federal (PF), que este repórter teve acesso.

A PF constatou, com base no rastreamento do GPS do helicóptero e nas anotações do plano de vôo dos pilotos, ambos apreendidos e examinados pela perícia técnica, que o helicóptero carregado com quase meia tonelada de pasta base de cocaína parou em um ponto próximo ao povoado de Sabarazinho.

Segundo o inquérito da PF, no dia 24 de novembro de 2013, às 14h17, aproximadamente três horas e meia antes do helicóptero ser apreendido pela polícia no município de Afonso Cláudio, no Espírito Santo, a aeronave ficou parada por trinta minutos numa fazenda do povoado, onde duas pessoas aguardavam o pouso com galões de combustível.

A localidade fica a 14 quilômetros da pista de Cláudio e também das fazendas da família Tolentino, onde nasceu Risoleta Neves, esposa de Tancredo Neves e avó de Aécio Neves.

O município de Cláudio chega, inclusive, a ser citado no inquérito na análise das mensagens telefônicas dos pilotos, que foram captadas pelas Estações de Rádio Base (ERB), que são os equipamentos que fazem a conexão entre os telefones celulares e a companhia telefônica.

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Mapa mostra distância entre a pista de pouso e o local em que o helicóptero parou para reabastecimento

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Detalhe do inquérito da PF, com o local de parada do helicóptero em Sabarazinho

Suspeita que não foi desvendada

O helicóptero foi apreendido no dia 24 de novembro. Três dias depois, 27 de novembro, após a apreensão ganhar destaque na mídia, o proprietário da terra fez uma denúncia para a Polícia Militar de Divinópolis. Segundo a PM, tal denúncia foi feita de maneira “anônima”. O proprietário afirma que avistou um helicóptero sobrevoando a região em baixa altitude e depois encontrou em suas terras 13 galões, de 20 litros cada, com substância semelhante a querosene.

Como o Boletim foi realizado após a apreensão do helicóptero, o delegado da Polícia Federal em Divinópolis, Leonardo Baeta Damasceno, afirma no inquérito não descartar o envolvimento de pessoas da região e recomenda como imprescindível uma diligência sigilosa no local, para saber quem são o dono do terreno e as pessoas que tem livre acesso ao local.

Porém, ainda de acordo com o inquérito que esse repórter teve acesso a diligência não foi realizada. Em outra página do inquérito, o proprietário é inocentado sem explicação convincente, dessa vez por documento assinado pelo agente da PF, Rafael Rodrigo Pacheco Salaroli, que afirma: “A total isenção da propriedade e de seu proprietário na empreitada criminosa, restando, portanto, a terceiros sem ligação com o local, a atuação delituosa de reabastecimento da aeronave”.

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Trecho do inquérito descartando a investigação no local do abastecimento em Sabarazinho

Parente é serpente

Tancredo Aladim Rocha Tolentino é primo de Aécio Neves e filho de Múcio Guimarães Tolentino, o tio-avô do candidato tucano que teve a terra desapropriada para a construção da pista em Cláudio. Quêdo, como é conhecido, é o responsável, segundo o jornal Folha de São Paulo, por controlar a chave do aeroporto público de Cláudio, que fica distante seis quilômetros da fazenda frequentada por Aécio Neves.

Em 2012, Quêdo tentou se candidatar a prefeito de Cláudio, mas foi impedido pela lei da Ficha Limpa devido a pendências judiciais. Meses antes, Quêdo foi preso na operação “Jus Postulandi”, da Polícia Federal, por participar de uma quadrilha especializada na venda de habeas corpus para traficantes de drogas.

Quêdo, segundo a denúncia, fazia a intermediação do negócio. Ele recebia a quantia, que variava entre R$ 120 mil e R$ 240 mil dos traficantes, ficava com uma parte do dinheiro e repassava o restante ao desembargador Hélcio Valentim, que determinava a expedição de alvará de soltura dos presos.

Em três casos descritos na denúncia realizada pelo subprocurador-geral da República Eitel Santiago, as liminares foram negociadas para favorecer presos por tráfico de drogas. Um dos beneficiários foi preso em flagrante, em julho de 2010, num sítio do distrito de Marilândia, também pertencente a Itapecerica, com cerca de 60 quilos de pasta-base de cocaína.

O processo será julgado no STJ e Quêdo responderá por formação de quadrilha e três vezes por corrupção, duas delas “ativa qualificada”.

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Trechos da denúncia do procurador Etiel Santiago, que acusa o primo de Aécio Neves de participar de uma quadrilha de venda de habeas corpus para traficantes de drogas


Leonardo Dupin, jornalista e doutorando em Ciências Sociais na Unicamp.
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