1 de ago de 2014

O “manchetômetro” e a imprensa partidária


A Folha de S. Paulo acaba de descobrir que o racionamento de água que ocorre em São Paulo é racionamento mesmo, e não efeito colateral de obras de manutenção da rede. Essa constatação faz a manchete do jornal nesta sexta-feira (1/8): “Ação de SP na crise da água equivale a racionamento”.

No texto que se segue, o leitor fica sabendo que o racionamento que sofre na prática há um mês também é racionamento na teoria. O diário paulista só percebeu que o racionamento de fato é também um racionamento em termos técnicos quando alguns bares da Vila Madalena, região da boemia frequentada por jornalistas, tiveram que fechar por falta de água.

A nova interpretação da Folha para a crise de abastecimento chama atenção porque acontece ao mesmo tempo em que o jornal anuncia uma campanha para esclarecer aos leitores seu posicionamento diante de alguns temas tidos como importantes: casamento gay, pena de morte, cotas raciais, política econômica, aborto e legalização de drogas. A direção do jornal quer mostrar que, embora tenha posições claras sobre os assuntos, abre espaço para opiniões divergentes.

Essa mudança responde em parte a especulações feitas por protagonistas das redes sociais sobre a persistência da Folha de S. Paulo em pressionar o senador Aécio Neves (PSDB), candidato a presidente da República, a dar uma explicação para o caso do aeroporto privado feito em Minas Gerais com dinheiro público quando ele era governador do Estado.

Foi a Folha que revelou essa história, obrigando os outros jornais a seguirem a pauta, e o veículo que mais mantém o assunto em evidência. Com a insistência do jornal paulista, Aécio Neves finalmente admitiu que usou o aeroporto “algumas vezes” e, nesta quarta-feira, acusa a Agência Nacional de Aviação Civil de atrasar a homologação do campo de pouso, o que pode ter feito com que ele, “inadvertidamente”, usasse as instalações irregulares.

No mesmo dia, em editorial, a Folha exige mais explicações, acusa o ex-governador de haver privilegiado a cidade onde sua família possui terras, observa que a obra “no mínimo, é conveniente para ele e seus parentes” e conclui que a questão “não está mais que esclarecida”, como quis Aécio.

O Brasil da imprensa vai mal

Alguns leitores escrevem comentários dizendo que o jornal paulista se descola de seus concorrentes, que poupam quanto podem o candidato tucano. No entanto, é mais fácil explicar a aparente guinada da Folha em dois aspectos: o jornal sempre foi muito próximo do ex-governador José Serra, que, embora correligionário, não tem qualquer entusiasmo pela candidatura de Aécio Neves; a Folha, como os outros diários de circulação nacional, segue demonstrando seu partidarismo em favor do PSDB em outros aspectos, principalmente no que se refere aos problemas de São Paulo.

Se não fosse pela simples observação crítica que o leitor mais atento costuma fazer, o partidarismo dos principais diários do País vem sendo registrado por um grupo de pesquisadores da UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Suas análises da valência das informações destacadas pela imprensa mostram uma dicotomia presente nas escolhas editoriais, que reforçam aspectos negativos ou positivos dos acontecimentos conforme os protagonistas.

O Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP) da UERJ demonstra, com seu “manchetômetro” (ver aqui), como os jornais blindaram Fernando Henrique Cardoso e expuseram Lula da Silva no passado recente, como tratam desigualmente o governo federal e o governo paulista, como as notícias sobre Aécio Neves são mais equilibradas do que o material referente à presidente Dilma Rousseff, bombardeada na proporção de 182 informes negativos para apenas 15 positivos, por exemplo, e como esse bombardeio se intensifica no período eleitoral.

Além disso, o noticiário econômico apresenta um resultado consolidado de mais de 90% de notícias negativas, numa linguagem dicotômica e com poucas nuances, “interpretando os fatos e dados econômicos como sinais de uma crise, ou em andamento, ou prestes a acontecer”.

Os gráficos da cobertura agregada dos três jornais, por exemplo, mostram que a economia teve em julho 97,6% de notícias negativas contra apenas 2,4% de notícias positivas.

Se o Brasil fosse o que mostra a imprensa, estaríamos todos mortos de fome.

Essa é uma das evidências de que a imprensa hegemônica rompeu com o jornalismo.

Luciano Martins Costa
No OI
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Manchetômetro" revela bombardeio da mídia contra Dilma


O Manchetômetro é um website de acompanhamento diário da cobertura das eleições 2014 na grande mídia, especificamente nos jornais Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S. Paulo, e no Jornal Nacional, da TV Globo. O Manchetômetro é produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP), grupo de pesquisas com registro no CNPq, sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O Manchetômetro não tem qualquer filiação partidária ou com grupo econômico.

No Gráfico 1 (ao lado) um observamos os dados agregados da pesquisa, que avaliou o período de janeiro a julho de 2014. Entre janeiro e julho de 2014, Dilma Rousseff (PT) foi bombardeada com 182 manchetes negativas nos respectivos jornais, contra 18 manchetes para Aécio Neves (PSDB) e 15 para Eduardo Campos (PSB).

Ou seja, a pesquisa revela que a candidata a reeleição pelo PT ganha de longe com o número de manchetes negativas à sua campanha e ao trabalho realizado pelo seu governo. Situação muito difirente do que ocorre com os seus dois principais oponentes nesta campanha, os candidatos do PSDB e do PSB.

Em seguida, o Grupo separou a cobertura entre antes e depois do inicio da campanha eleitoral, para tornar possível a identificação de mudanças de tendência. Ver Gráfico 2 abaixo.

Também foi apresentado o gráfico da série temporal, que permite observar a evolução das valências positiva e negativa na cobertura jornalística. Ver Gráfico 3 abaixo.

O website do Manchetômetro, ferramenta criada pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP), é um grupo de pesquisas sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Valência contrária dos candidatos no tempo


Para acessar mais dados da pesquisa clique aqui.

Joanne Mota
No Vermelho
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Posicionamentos


Alguns professores universitários (e me refiro a todas as instituições) julgam de bom tom não se posicionar em redes sociais sobre temas políticos.

Alguns, os mais cínicos, quando interpelados sobre o drama palestino, respondem dizendo que vão promover palestras nas universidades e faculdades onde lecionam.

Ora, os palestinos precisam de solidariedade e não de palestras que pontuem no Lattes. Estes me lembram personagens da "Vida de Brian", do Monty Python. Outros, quando a questão é eleitoral, temem que os alunos achem que estão fazendo proselitismo.

Isso é de uma babaquice sem tamanho.

Nenhum jovem é idiota a ponto de pensar que somos filhos de chocadeira.

Temos preferências político-partidárias e ideologias definidas.

Onde devemos deixá-las de lado é em sala de aula, trabalhando com honestidade intelectual nas disciplinas que lecionamos. É aí que seremos avaliados como professores.

Não se posicionar como cidadãos em uma rede social não é atitude professoral.

Longe disso.

É dissimulação, é cretinismo.

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Por que a dívida da Globo não é manchete de jornal?

O que descobriríamos se os jornalistas brasileiros fossem atrás das denúncias de sonegação que envolvem grandes grupos de comunicação e que não viram notícia no país?

“Siga o dinheiro”, aconselhava William Mark Felt, o “garganta profunda”, aos jovens jornalistas que, nos anos 70, revelaram todo um esquema de espionagem e corrupção no interior da Casa Branca. O que não descobriríamos então se os jornalistas da mídia brasileira investigassem, por exemplo, a denúncia de que a Globo deve mais de R$ 600 milhões aos cofres públicos porque sonegou o imposto decorrente da compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002?

O caso, que já vinha sendo anunciado há algum tempo, ganhou novo capítulo no último dia 17 de julho, quando 29 páginas do processo na Receita Federal contra a Globo foram divulgados em um blog na internet. A emissora teria usado 10 empresas criadas em paraísos fiscais para esconder a fraude. Com o esquema, o sistema Globo teria incorrido em simulação e evasão fiscal. O imposto sobre importâncias enviadas para o exterior para aquisição de direitos de transmissão no caso da empresa beneficiária estar sediada em paraísos fiscais seria de 25%, se fosse pago.

E se os jornalistas da nossa mídia fossem, por outro exemplo, atrás do papel que a Igreja Universal, milionária e com isenção fiscal por se tratar de uma entidade religiosa, cumpre no financiamento da Record? Uma matéria intitulada “Macedo nega uso do dinheiro da igreja na compra de TV”, publicada na Folha de São Paulo, em setembro de 1998 (quando a emissora não era ainda uma competidora de peso), afirmou que investigações da Receita resultaram em uma multa de R$ 265 milhões ao grupo. A maior parte do pagamento, ou R$ 118 milhões, coube à Record; outros R$ 98 milhões, à própria Igreja Universal, e mais R$ 6 milhões, a Edir Macedo. Esses valores se refeririam a autuações e multas por sonegação fiscal e outras irregularidades.

Além disso, a imprensa já veiculou algumas vezes que a Igreja Universal compraria a faixa da madrugada da TV Record, que tem baixíssima audiência, por um preço muito acima do mercado. Todavia, até onde sabemos, nada foi feito para resolver essa questão.

Em 2010, foi a vez de Sílvio Santos, dono do SBT, se envolver em um escândalo de fraude fiscal, uma dívida de R$ 3,8 bilhões. O evento não se relacionava diretamente com os meios de comunicação, e sim com seu banco, o “Panamericano”. O dono da empresa, porém, empenhou todo o seu patrimônio, inclusive seus canais de TV, como garantia de que a dívida seria sanada.

Quando poucos grupos controlam os meios de comunicação, quando há concentração do poder midiático é fácil criar um bloqueio a informações desfavoráveis aos donos da mídia por meio de uma estratégia “positiva”: preenchendo-se a agenda de temas discutidos pela sociedade com uma série de assuntos que não atinjam os interesses daqueles que controlam os canais de comunicação.

Escândalos de corrupção e desvio de dinheiro público são sempre matérias na nossa imprensa, mas qual a seleção de casos que é feita. O que fica de fora? Quem fica de fora dessas páginas? Se há um grande número e diversidade de atores dirigindo os meios de comunicação, maior a possibilidade de nos relacionarmos com canais suficientemente independentes para nos fornecer informações de interesse público.

Bruno Marinoni, repórter do Observatório do Direito à Comunicação, doutor em Sociologia pela UFPE e integrante do Intervozes.
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Vereador do PMDB de Rio Grande - RS comenta cotas raciais

Wilson B. Duarte da Silva ( Kanelão )
Segundo Vice-Presidente da Câmara Municipal do Rio Grande
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E o Geraldo José...

No LinkedIn existe uma pessoa de nome Geraldo José Rodrigues Alckmin que desde 2004 trabalha para o Banco Santander e hoje é o atual Superintendente Executivo de Seguros, Capitalização e Previdência no Banco Santander Brasil. Veja na primeira foto:

Link para o LinkedIn: http://mx.linkedin.com/pub/geraldo-jose-rodrigues-alckmin/64/63b/418

Existe no Facebook um perfil de nome Geraldo Alckmin Neto. Repare que a foto do perfil no Facebook é idêntica à foto do perfil no LinkedIn. Na segunda foto.

Link para o perfil no Facebook: https://www.facebook.com/geraldo.a.neto?fref=ts

No perfil no Facebook ele diz que é de Pindamonhangaba-SP, curte a página da Sheherazade do SBT e faz parte do grupo de apoio ao Aécio Neves. Na terceira foto.

No Facebook, ele curte os perfis de Geraldo Alckmin, Governador de SP e da esposa, Lú Alckmin. Na quarta e quinta fotos.

Matéria da revista IstoÉ gente de 2001, sobre Lú Alckmin, esposa do Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, diz que um dos filhos se chama Geraldo José Rodrigues Alckmin Neto, tinha 19 anos na época, e é o filho do meio do casal e que era estagiário do Banco Interamerican Express. Na sexta foto Link para a matéria da IstoÉ de 2001: http://www.terra.com.br/istoegente/99/reportagem/lu_alckimin.htm

Será que é filho do Governador de SP, Geraldo Alckmin? Será que ele teve alguma coisa a ver com a tal carta que o Santander enviou para clientes fazendo terrorismo contra Dilma? Só fiz perguntas e apresentei fatos. Não afirmei nada.

/Dica @Politica_Santos @StellaMendonca @anapaulaperciano @Emilsonrwerner @ivan

Foto de Stanley Burburinho.

Stanley Burburinho
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Protocolado pedido de CPI do Aeroporto na Assembléia de Minas

Deputados querem investigar beneficiamento de particulares em investimentos do governo mineiro na construção e reforma de aeroportos.

Os deputados estaduais Sávio de Souza Cruz, Pompílio Canavez e Rogério Correa protocolaram, na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, um requerimento para a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o possível beneficiamento de particulares em investimentos do governo mineiro na construção e reforma de aeroportos, em especial no caso do aeroporto de Claudio, conforme matéria publicada no dia 20 de julho pela Folha de S.Paulo.

Além dos signatários, os deputados André Quintão e Durbal Ângelo, do PT, já assinaram o requerimento. São necessárias 26 assinaturas no mínimo para a instauração da CPI.

No Carta Maior
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Juiz da “Máfia dos Transplantes” cita intimidações durante julgamento

Juiz Narciso Alvarenga sobre Carlos Mosconi: "[ele] foi ouvido como testemunha de defesa e cai em várias contradições"
Em sua edição 810, CartaCapital veiculou uma reportagem sobre o andamento dos processos relacionados à chamada “Máfia dos Transplantes”. Com base na sentença condenatória contra três médicos — Celso Scafi, Cláudio Fernandes e Sérgio Gaspar —, a reportagem levou a seus leitores os detalhes sobre as irregularidades em processos de transplantes de órgãos realizados na Santa Casa de Poços de Caldas (MG) e expôs as citações ao deputado tucano Carlos Mosconi feitas pelo juiz do caso, Narciso Alvarenga.

Durante a produção do material informativo, CartaCapital entrou em contato com o deputado e ofereceu o espaço necessário para o apontamento de possíveis explicações sobre as citações do juiz. Entretanto, mesmo após a revista considerar os apontamentos feitos em entrevista gravada por telefone com o próprio deputado, Mosconi publicou em seu site uma nota na qual contesta a reportagem, seus dados e promete tomar as “medidas legais cabíveis” contra a revista.

Nesse contexto, a revista faz alguns ponderações sobre a nota de Mosconi e publica a íntegra da entrevista feita com o juiz Narciso Alvarenga, da 1º Vara Criminal de Poços de Caldas.

Sobre a nota:

CartaCapital afirma que todas as informações publicadas constam na sentença do processo nº 0518.13.001.937.6 da Justiça de Minas. Como exposto na reportagem, Mosconi foi citado cerca de 70 vezes na sentença e teve seu nome relacionado aos médicos condenados.

CartaCapital em nenhum momento tentou produzir uma matéria com viés eleitoreiro. Se fosse essa a intenção, teríamos citado o depoimento do pai do menino Paulo Pavesi no qual ele afirma a relação de Mosconi com Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência, e a influência do deputado em todos níveis do governo de Minas Gerais, inclusive nas forças policiais.

— A reportagem em nenhum momento afirmou que Carlos Mosconi é réu. A informação veiculada versa sobre o pedido de investigação elaborado pelo juiz Narciso Alvarenga na supracitada sentença. Para que fique claro, segue a transcrição do pedido:

“1 — Oficie-se à Presidência do TJMG, com cópia da sentença, para que providencie junto à ASSEMBLEIA do Estado de Minas Gerais autorização para investigação das supostas atividades ilícitas do Deputado CARLOS MOSCONI”.

— É mentira a afirmação da nota do deputado sobre ele nunca ter sido citado nas investigações feitas à época dos fatos. Mosconi foi citado na CPI do Tráfico de Órgãos tanto pelo pai de Paulo Pavesi, que afirmou ser Mosconi o chefe da organização criminosa.  Quanto pelo delegado da Polícia Federal Célio Jacinto. Segue trecho da resposta do delegado ao questionamento de um integrante da CPI:

Dep. Neucimar Fraga: “Queria que o senhor apenas confirmasse: é verdade que existe uma carta do DEPUTADO MOSCONI solicitando a ALVARO IANHEZ o fornecimento de um rim para um amigo do Prefeito de Campanha/MG?

Delegado Célio Jacinto: Existe. Foi apreendida uma carta, eu não sei precisar se no escritório do Dr. ALVARO, em sua casa ou na central. (...)

— Por fim, a CartaCapital está sempre aberta para o debate e para propiciar em suas reportagens o devido espaço para o “outro lado” ou informações contestatórias. Sobre a tomada de medidas legais cabíveis citadas pelo deputado, a revista sempre está pronta para enfrentá-las.

Abaixo leia a íntegra da entrevista concedida pelo juiz Narciso Alvarenga à CartaCapital:

O senhor já se pronunciou em duas sentenças sobre que chamam desde 2002 de Máfia dos Transplantes aqui em Poços de Caldas. Pelo que o senhor acompanhou nessas duas sentenças, uma até foi já confirmada pelo Tribunal de Justiça, havia uma Máfia dos Transplantes?

Sim, quem chegou a essa conclusão foi o promotor, o então coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal (Caocrim) em Belo Horizonte, que afirmou em dois dos processos que já não tinha nenhuma dúvida da existência de uma organização criminosa que agia ou age aqui em Poços de Caldas. O verbo é muito importante porque, por exemplo, se essa organização criminosa agiu apenas no ano de 2000 ou 2002, segundo a legislação antiga do Código Penal que trata de bando ou quadrilha, qualquer possível crime estaria prescrito. Mas, se por um acaso tiver ação ainda hoje, e teve morte de testemunha depois, então não estaria prescrito. E já existe um inquérito instaurado a pedido do então coordenador do Caocrim Dr. Joaquim José Miranda Junior que está em tramitação para investigar essa organização criminosa.

Na sentença do caso Pavesi, o senhor cita o deputado estadual Carlos Mosconi e determina algumas providências. Entre elas, um pedido para que se investigue o deputado. Isso é baseado em quê? Quais são as evidências da participação de Mosconi na ‘Máfia dos Transplantes’?

Essa participação foi citada nas duas sentenças, sendo que a do caso 1 [cuja vítima é José Domingos de Carvalho] o Tribunal confirmou a decisão praticamente na íntegra, alterando apenas alguma coisa em relação às penas. E o Tribunal de Justiça de Minas Gerais também confirmou a existência da organização criminosa e do tráfico de órgãos. Essas evidências ficam mais claras e constam nos autos a partir do momento que surgem informações sobre um artigo produzido pelo próprio Carlos Mosconi e demais médicos em que ele fala da organização MG Sul Transplantes, que trata ali naquela oportunidade como um ONG.  Fala dos transplantes realizados e isso já seria um indicativo.

Posteriormente o deputado Mosconi foi ouvido como testemunha e ele cai em várias contradições. A primeira que eu cito na sentença é que ele fala que ouviu falar dessa MG Sul transplantes, o que já é sugestivo. Depois ele fala que não sabe muita coisa sobre os transplantes sendo que sabe-se que ele foi presidente da FHEMIG [Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais] que exatamente comanda A MG Transplantes, que é a CNCDO [Central de Notificação e Captação de Órgãos]. Além disso, ele participou da formulação da Lei de Transplantes, então ele também tem conhecimento profundo disso. Depois se tem notícia que ele conheceu o doutor Luiz Estevão Ianhez.  [Ele] trabalhou com essa pessoa, estudou com essa pessoa, que vem a ser irmão do Álvaro Ianhez, acusado no processo do júri do caso Pavesi.

[Álvara Ianhez] também era coordenador da MG Sul transplantes e chefe da equipe de transplantes da Santa Casa de Poços de Caldas, sendo que até esse acúmulo de funções, segundo o que foi dito pelos promotores, não era ético. Ele nem era mesmo servidor público para poder ser o coordenador de uma suposta central. Como se trata de um órgão público, teria que ser ocupada por um servidor público. Ele tão era dono de uma clínica particular chamada Nefros e havia ainda uma promiscuidade com uma entidade chamada Pró Rim, que reunia pacientes portadores de deficiência renal crônica. Essa Pró Rim funcionava junto com a Nefros. Quem criou a estatuo da Pró Rim foi o advogado da Santa Casa de Poços de Caldas, o Sérjão, Sérgio Roberto Lopes, que é muito chegado ao Mosconi. [O Sérjão foi vereador aqui em Poços de Caldas e é muito ligado ao Carlos Mosconi. Esse estatuto criado por ele falava praticamente que a Pró Rim gerenciava uma lista própria de receptores de órgãos em Poços de Caldas. Sendo que a lei fala que tem que ser uma lista única, a lista pode ser estadual, nacional. Essa lista era interestadual, tinha pacientes de cidades do vizinho Estado de São Paulo. Tudo isso são sérias irregularidades e ilegalidades. Além de chegar recentemente a notícia de que uma empresa de medicamentos chamada Mantiqueira, supostamente em nome de um filho do deputado Mosconi, praticou irregularidades. Então desconfia-se que essa empresa de medicamentes seja do próprio Mosconi. O filho dele se declara vendedor da empresa. Além disso, essa empresa é fornecedora de materiais da Santa Casa. Isso é noticiado todo dia pela imprensa. Inclusive, no período em que o deputado ficou à frente da Irmandade da Santa Casa, ele conseguiu um empréstimo ou doação do Departamento de Eletricidade de Poços de Caldas para a Santa Casa num valor exorbitante. Ele confirma isso quando foi ouvido por mim no caso 1. Basicamente esse dinheiro foi para pagar materiais e medicamentes, sendo que as auditorias da Santa Casa mostram que não existia o mínimo controle de estoque nem de nada. Não se sabe se [a Santa Casa] recebeu mesmo esses medicamentos. Os valores são altíssimos. E essa Mantiqueira é fornecedora de materiais médicos. Inclusive tem recibo de que forneceu à Santa Casa. Só por isso já mereceria investigação.

Existe mais alguma relação entre o Mosconi e os médicos condenados?

Consta dos autos que o deputado Mosconi, no mínimo, dividiu consultório particular com o médico e também urologista Celso Scafi. O Celso Scafi é cunhado do ex-secretário de Saúde de Poços de Caldas, José Julio Balducci. Ou seja o Celso Scafi é casado com uma irmã do Balducci, que é enfermeira e quem fazia as auditorias do SUS, das AIHs [Autorização de Internação Hospitalar] da Santa Casa. Estava tudo em família.

Então podemos chegar à conclusão de que todos os réus no processo têm algum tipo de relação com o Mosconi?

Sim. O Álvaro Ianhez foi trazido pelo Mosconi, como dito, para Poços de Caldas. O Scafi também veio na mesma época. O Mosconi foi quem fez o primeiro transplante de rim em Poços de Caldas no paciente chamado Lourival da Silva Batista, que vem a ser o quase eterno presidente eterno da Pró Rim. Aliás, esse Lourival foi condenado recentemente por estupro de uma neta. Ele está preso.

A Santa Casa é gerida por uma Irmandade [a Irmandade Santa Casa de Misericórdia Poços de Caldas]. A gente percebe é que essa mesma irmandade estava por trás de tudo isso que se chama de “Máfia dos Transplantes”. É isso?

Tudo isso, a investigação deverá indicar com mais precisão, mas tem essas entidades suspeitas. A própria Irmandade é cheia de suspeitas. O tesoureiro é um bicheiro conhecido da cidade aqui, o Antonio Bento Gonçalves. Ele mexe com máquinas, já foi investigado pela Polícia Federal aqui, tem empresas legais aqui também, é dono de imóveis e vários outras coisas, além de tesoureiro da Santa Casa. O atual vice provedor da Santa Casa é da família Carvalho Dias. Eles têm propriedade rurais no Mato Grosso, localizada próxima à reservas indígenas. Tem problemas lá. Tive notícia que teria problemas com corrupção no Judiciário lá no Mato Grosso. O próprio antigo provedor na época que o administrador foi morto, José Martins de Carvalho, que já restituiu uma quantia de 400 mil reais, à época, para Santa Casa, que teriam sido desviados. Este [atual] provedor Martim Prado da Luz é parente do atual deputado federal Geraldo Thadeu (PSD-MG).

O caso que gerou todas as investigações é a morte do menino Paulo Pavesi, em 2000. Após 14 anos, nota-se que houve uma dificuldade na investigação e, depois, na fase dos processos, quando advogados tentaram postergar o processo de todas as formas. Gostaria que o senhor explicasse se foi complicado chegar a uma sentença? E se sim, por que foi tão complicado?

Foi complicado desde a minha chegada aqui em Poços de Caldas, em agosto de 2011, porque com o passar do tempo fui observando alguns fatos estranhos. Um promotor de Justiça, o Renato Gozzoli, que pediu a impronúncia dos reús no caso do júri e depois foi colocado como testemunha de defesa de outros médicos. Uma promiscuidade muito grande. Um relacionamento desse advogado de defesa Abritta nesse caso dos médicos. Também um dos advogados de defesa antigo Luiz Fernando Quinteiro, que foi presidente da OAB, até mencionado na reportagem de 2002 da revista CartaCapital, depois representou contra mim. A defensora pública geral [do Estado de Minas Gerais, Andréa Abritta Garzon Tonet, nomeada pelo [candidato à Presidência pelo PSDB] Aécio Neves, era do escritório Abritta, que defendia alguns dos médicos. Ela também representou contra mim. Atualmente nesse caso 5, que ainda está em julgamento, não posso entrar em maiores detalhes, mas o advogado Fabio Camargo de Souza [que defende o médico Jeferson André Saheki Skulshi] é o atual presidente da OAB hoje. O genro dele era o juiz da 2ª Vara Cível, tinha alguns processos que tramitavam nessa vara, e parece que tinha algum tipo de interesse nesse processo. Promotores que se deram por suspeitos e aí tem que vir promotor de Belo Horizonte. Tudo isso ajuda a dificultar.

O senhor credita essa dificuldade à influência política do grupo de Carlos Mosconi?

Essa influência política fica bem clara em relação à Polícia Civil e foi afirmada pelo antigo delegado geral, que foi chefe do departamento de Polícia Civil aqui de Poços de Caldas. Ele declarou isso em uma audiência e tem ofícios, documentos escritos, que ele indica essa influência do deputado Mosconi. Indica o telefone celular, mostra quantas vezes recebeu ligações numa comunicação que esse policial fez, quando estava na ativa, para o superintendente de Polícia Civil. Isso denota a influência [política]. Além disso, o quê se vê pela imprensa de modo geral são fotografia na nomeação de novos delegados, o que demonstra essa relação estreita. Além disso, quando uma delegada regional pediu uma investigação na Santa Casa de Poços de Caldas, pouco depois ela foi afastada. E depois foi indicado para cá um delegado da cidade de Andradas, cidade do Mosconi, o que não deixa de ser uma coincidência bem estranha.

Os advogados de defesa entraram com representações contra o senhor. Acha que a intenção é tirar o senhor do caso?

Já tentaram por várias vezes com várias alegações. Além das representações da corregedoria, que visam tirar a tranquilidade do juiz, tirar o foco dele porque a gente perde tempo informando, o que eu até considero normal nesses casos, se vê que muitas vezes abusaram de procedimentos pouco éticos, com abuso de direitos. Por ocasião do caso 1 tentaram de tudo: a exceção de suspeição foi afastada pelo Tribunal de Justiça. Eles alegaram que eu dava muita entrevista, usava a expressão “Máfia dos Transplantes”, sendo que essa expressão já era bastante usada. Estão tentando suspeição, sendo que não procede porque não sou Poços de Caldas, não conhecia ninguém nessa região, então não tenho interesse nenhum. Não conheço ninguém. Se tiver que absolver, vou absolver. Se tiver que condenar, vou condenar. Nunca me manifesto em casos pendentes, ou então em tese.

Esse caso é envolto em várias situações suspeitas. A própria morte do diretor da Santa Casa, o Carlos Marcondes, é investigada por poder ser um assassinato e não um suicídio. O senhor tem medo? Já recebeu ameaças?

A questão de ameaça. Estou sob supervisão do Centro de Segurança do Tribunal. Então, por orientação, eu não entro exatamente nesse fato. O que posso dizer é o seguinte. Já mudei de número de celular. Não ando mais de celular. Ficam ligando vários números, eu atendo e a pessoa desliga. Não vou achar que seja coincidência. Já apareceram pessoas estranhas na porta do prédio onde resido, na porta da escola da minha filha, de 4 anos. Minha esposa praticamente já foi seguida. Ela foi abordada, pessoas falando coisas estranhas. Um colega magistrado aqui me fez um alerta pra eu e minha família ficarmos ligados com ligação dessas pessoas daqui com pessoas bem perigosas de Pernambuco. Pessoas que mexem com tráfico de substâncias sintéticas. Pessoas desses grupos, inclusive políticos, que ficam em casas de lazer nas praias de Porto de Galinhas. Me deu uns nomes que eu já passei para os órgãos competentes investigarem. Então a gente tem essa atenção, não ficamos muito descuidados. Isso não vai me impedir de fazer meu trabalho de maneira nenhuma. Até sugeriram mandar minha esposa para algum lugar. Mas por enquanto vamos ficar por aqui mesmo. Eu não me preocupo só com a minha pessoa. Me preocupo com meus filhos, que moram por aí. Quando  apareceu aquela testemunha que viu a morte do Carlão, ele contou que colocavam um papel debaixo da porta dele. Colocaram um papel debaixo da minha. Era uma propaganda, mas não tem como ter acesso ao meu andar. Os fatos que tive conhecimento eu relatei, e não é à toa que há mais de um ou dois anos eu estou sob proteção policial. De repente o tribunal sabe mais coisas até do que eu sobre isso. O que eu tiver que fazer, vou fazer.

Renan Truffi
No CartaCapital
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Em novo vídeo, índios isolados no Acre cantam e imitam pássaros


O Blog da Amazônia obteve com exclusividade um novo vídeo, gravado no final da tarde do dia 29 de junho de 2014, quando um povo indígena isolado estabeleceu o primeiro contato com indígenas da etnia ashaninka e servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), na Aldeia Simpatia da Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Rio Envira, no Estado do Acre, na região de fronteira do Brasil com o Peru.

Tão impactante quanto o primeiro, publicado na terça-feira (29) e que obteve mais de 900 mil visualizações em dois dias, este novo vídeo mostra a alegria e a coragem de três jovens índios que até então viviam em isolamanento. Após o primeiro contato, eles se ausentaram e depois reapareceram na praia do Rio Envira, causando alvoroço aos ashaninka e à equipe da Funai.

Preocupados com a possibilidade de que os isolados saqueassem mais uma vez as casas da Aldeia Simpatia, funcionários da Funai e os ashaninka chegaram a implorar, em vão, para que o trio indígena fosse embora.

Os índios isolados que estabeleceram contato pertencem a um subgrupo do tronco linguístico Pano. O primeiro contato foi dificultado pelo fato de que não conseguiram se comunicar com os ashaninka e com os servidores da Funai.

A reportagem contou com a colaboração dos indígenas Júlio e Durines, ambos da etnia jamináwa, que traduziram o que os três isoladosdizem durante quase 20 minutos de vídeo.

Os isolados não gostaram quando se aproximaram e foram recebidos por alguém da equipe que portava espingarda e estava empenhado em evitar novos saques. Um deles alertou:

— Se vocês nos maltratarem, nós vamos botar feitiço em vocês.

Os isolados pediram que os brancos da equipe se ausentassem, pois queriam ficar a sós com os indígenas ashaninka da Aldeia Simpatia.


A certa altura, quando alguém da equipe da Funai imita barulho de arma de fogo e tenta tranquilizá-los de que não vão usar espingardas contra eles, um isolado avisa que são acostumados a guerrear contra os brancos. E explica:

— Nós estamos aqui porque outros povos costumam matar a gente na floresta. É por isso que nós estamos aqui. Os outros não se dão bem com a gente. As pessoas falam bem de vocês. É por isso que nós estamos aqui. O meu pai está lá, mas eu estou aqui. Nós somos acostumados a brigar com outros povos. Vocês podem matar um de nós, mas vocês também vão morrer. Como é a vida lá? Como é a vida de vocês? Não estamos com raiva.

Os isolados sugerem a troca de arco e flecha por espingardas, dizem que as flechas dos ashaninka são mais bonitas do que as flechas deles, mas fazem questão de deixar claro que não estão em guerra:

— Eu sou homem e por isso estou aqui, para nos entendermos. Eu vim até aqui pra visitar o lugar de vocês.

O índio isolado mais jovem, aparentemente o mais destemido e brincalhão, entoa um canto. Ele não esconde o sorriso quando a canção diz:

— Nós estamos aqui e não estamos com medo de vocês. Não somos crianças pra ter medo de vocês. Vocês não são nossas mulheres pra gente ter medo de vocês.

O dia finda, a noite chega, e o ambiente se torna ainda mais pacífico quando os isolados começam a imitar com perfeição canto de pássaros da floresta.

No Blog do Altino Machado
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Jornalismo de “nota oficial” da Globo tenta limpar a barra de Aécio, cada vez mais Collor


A “reportagem” do Jornal Nacional desta quinta-feira (31) onde Aécio Neves admite o uso do aeroporto de Cláudio deveria ser copiada e distribuída nas escolas de jornalismo.



Porque é uma aula de como não deve (ou deveria) ser o jornalismo.

O texto é uma colagem de notas oficiais e declarações em clima de campanha do candidato tucano.

Não há uma gota sequer de reportagem ou investigação.

Vale o que foi escrito e o que foi dito pelo candidato.

Cláudio, que não chega a 30 mil habitantes, vira “um grande centro industrial”, nas palavras incontestáveis do candidato tucano.

Não há uma indagação sequer sobre o que justifica o asfaltamento de uma pista de aviação em Montezuma, uma vila  que não tem oito mil e nem coisa alguma, exceto a fazenda que a empresa da família Neves tomou ao Estado num usucapião pra lá de estranho.
Mas convenhamos, as faltar a pista  de Montezuma, por R$ 300 mil, foi uma bagatela ões, fora a desapropriação perto dos R$ 14 milhões gastos para asfaltar a pista aberta por vovô Tancredo nas terras do contraparente, irmão de Dona Risoleta.

Ninguém se interessa em perguntar porque uma obra custou 40 vezes mais do que outra, bastante semelhante.

Quem sabe pudessem perguntar ao piloto do “avião da eleição” que o JN põe no ar para mostrar as mazelas do Brasil – que começaram neste governo, é claro – se é normal pousar em aeroportos irregulares.

Ou se ele se comunicava com a “torre” de Cláudio.

— Manda chamar o tio!

— Fala, sô

— Fasta os boi,  que nós tá ino…

— Já mandei tirá, minino.

— Os garoto dos aeromodelo num tão por lá, não?

— Craro qui não, avisei qui quem ia brincá hoje era ocê…

Nenhum repórter foi olhar o processo para saber, afinal, em quanto ficou a bufunfa do tio na desapropriação.

A culpa é da Anac, que não homologou um aeroporto particular que não apresentou os documentos. E outro, o de Montezuma, que nem pediu para ser homologado.

Carece não, é só pro menino usar.

Inútil, porém, a pasteurização jornalistica do assunto.

O povo, que é muito menos bobo do que a Globo pensa, não compra bonde faz tempo.

A expressão de Aecio, olhos esbugalhados, palavras despejadas, trai mais a verdade que a tolice do que é dito.

É o “não me deixem só”.

Não adianta remendo.

Era melhor fazer com o gato, que enterra.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O poder das manchetes – ou “Dilmaligna aposenta Barbosinha”

Já conversamos aqui sobre o poder das manchetes e como elas podem influenciar os ânimos de uma nação. Hoje novamente falaremos dessas crianças sapecas do jornalismo, que muitas vezes desvirtuam a notícia e pregam uma peça no leitores mais desatentos.

As manchetes de alguns grandes veículos de comunicação amanheceram hoje cheias de malícia. A Folha não pensou duas vezes antes de disparar essa na cara da sociedade:


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O Terra seguiu a mesma linha e apresentou essa manchete:



A verdade é que Dilma apenas atendeu a uma solicitação feita por Barbosa em maio, quando o ministro decidiu se aposentar alegando problemas de saúde. Ou seja, uma simples concessão de aposentadoria de um ministro do STF - que deve ser necessariamente anunciada em decreto publicado no Diário Oficial - se transformou em uma ação totalitária da presidente. Apesar da notícia esclarecer, o recado das manchetes é claro: Dilma não concedeu aposentadoria, mas a decretou.

A repercussão das manchetes nas redes sociais não poderia ser diferente. Foi mais ou menos assim que a notícia foi entendida no Twitter:


No Facebook, a repercussão da manchete foi parecida. Todos se mostraram bastante revoltados com o autoritarismo de Dilma:


E você, querido leitor? Qual sua opinião? Acredita que as manchetes atingiram o efeito desejado?

No Jornalismo Wando
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Será que existe conexão entre helicoca e aécioporto?


Situação da fazenda de Aécio em relação ao Aeroporto de Cláudio
Quando a Folha no domingo denunciou que o então governador de Minas Gerais e atual candidato à presidência pelo PSDB Aécio Neves teria usado dinheiro público para fazer um aeroporto em terras do tio todo mundo ficou mais surpreso com a fonte da informação que com a própria. Por que a Folha teria despertado um assunto que poderia trazer prejuízos políticos ao candidato que aparentemente apóia?

Algumas pessoas na mídia alternativa suspeitaram de ser uma jogada para ganhar credibilidade e depois despejar alguma denúncia contra Dilma que, ao contrário da feita contra Aécio fadada a sumir da mídia em poucos dias, como aconteceu, repercutiria até o dia das eleições por todos os meios de comunicação sincronizados a favor de Aécio.

Vista da Fazenda da Mata - Google Earth
O aeroporto de Cláudio (MG) logo foi apelidado de "Aécioporto" e despejou-se boa quantidade de tinta e pixels primeiramente na indecência da obra pública em terra privada. Eis que Aécio aparece na forma de notícia ameaçando a presidente Dilma por perseguição ao saber que a ANAC entraria no caso para saber quem tem usado o aeroporto, que está em situação irregular, pois não tem o competente registro. Essa atitude intimidatória a partir de um risco de aeronaves serem multadas por usarem uma pista que depois vídeos mostraram que é usada até para aeromodelismo, pois fica fechada e as chaves em poder dos parentes de Aécio pareceu desproporcional.

Em seguida foi divulgado que o próprio Aécio seria beneficiário da obra, pois é herdeiro da Fazenda da Mata, que fica a 6 km do aeródromo. Declarou a uma revista que a fazenda seria seu refúgio para lazer com a família, seu "Palácio de Versalhes". Também surgiu a denúncia do aeroporto de Montezuma também ser irregular e a pequena cidade ter uma empresa de Aécio como principal motivação também para uso privado de aeroporto público também irregular perante a ANAC.

ANAC - renovação licença heliponto
Toda a mídia girou em torno dos aeroportos. Eu mesmo procurei saber mais informações e achei bases de dados interessantes, como o PROAERO, projeto do governo estadual para construir e reformar muitos aeroportos até 2011, entre eles o de Cláudio e Montezuma. Desses, segundo a Folha noticiou hoje, apenas dois foram feitos: o de Cláudio e um outro. No site do DER-MG não encontrei o aeroporto de Cláudio, mas pude ver que constava uma boa quantidade de aeródromos sem autorização da ANAC. Também achei um arquivo chamado ROTAERO, da Aeronáutica, que contém dados sobre aeródromos e helipontos. Procurando o de Cláudio localizei no município apenas dois helipontos, um deles na Fazenda da Mata. Pesquisando sobre ele achei o registro na ANAC e está legalizado.

Aécio, a princípio, não precisaria de avião para ir à sua fazenda, podendo usar um helicóptero. A cidade de Cláudio, a princípio, também não precisaria de aeroporto, pois Divinópolis tem um bem equipado a 42 km de distância. Não conheço a região e quando vi que Divinópolis era perto veio à memória que o tal helicóptero dos Perrela flagrado com cocaína no Espírito Santo abasteceu por lá antes de seguir para seu destino final. Na época se falou muito em possível conexão com a empresa dos Perrela que fica em Pará de Minas, à qual pertencia o helicóptero, mais ao norte de Divinópolis. Como o processo foi todo anulado  por causa de um grampo telefônico ilegal e todo mundo foi solto, ficando quase 500 kg de cocaína sem dono, sem culpado e sem tráfico, o assunto morreu. Não se falou mais nisso.

Por curiosidade peguei matérias antigas sobre o caso Helicoca. Numa delas, de Reinaldo Azevedo, da VEJA, levanta a suspeita, diante das características do helicóptero, da droga não ter vindo do Paraguai, mas de ter sido carregada na região de Divinópolis. Diz a matéria "A estranha história do helicóptero dos Perrella lotado de cocaina não fecha quer na narrativa quer na matemática":

..."O helicóptero da Família Perrella é um Robinson 66 (R-66). Não que eu esteja a fim de comprar um, mas fiz a lição de casa para vocês. É dos mais baratinhos. Por US$ 970 mil, vocês podem comprar um. Quem entende da área diz ser uma aeronave ideal para transportar pequenas cargas. Entendo.


Mapa do Jornal Nacional - VEJA - Rota do helicóptero do pó
Em seu depoimento, o piloto afirmou que o aparelho já saiu de Avaré, em São Paulo, carregando a droga. Fez uma viagem relativamente curta até o Campo de Marte. Dali seguiu para Divinópolis, em Minas, região onde fica a sede da empresa dos Perrella. Da cidade mineira, rumou para a fazenda no Espírito Santo, onde foi surpreendido pela Polícia Federal. Vejam o mapinha (do Jornal Nacional).

O peso máximo para um R-66 sair do chão é 1.225 quilos — ocorre que só a aeronave pesa 581 quilos. Sobram 644. Desse total, devem-se descontar 224 kg do combustível. Sobraram 420. Notem: só a carga de cocaína (445 kg) já ultrapassou esse limite. Há ainda os dois pilotos — calculemos 140 quilos. A conta não fecha. Restaria uma possibilidade: o helicóptero não estar com a carga completa de combustível. Quanto teria de ser? Vamos pensar:
peso da aeronave – 581 kg
peso dos pilotos – 140 kg
peso da cocaína – 445 kg
soma – 1.166

Sobraram apenas 59 quilos para o combustível. Com 224 kg, segundo pesquisei, a autonomia do R-66 é de três horas, voando a 220 km/h. Assim, pode-se percorrer, chegando ao limite da pane seca (os prudentes não ousam tanto) 666 km. Huuummm… Regra de três: se, com 225 kg de combustível, pode-se voar 660 km, com 59 kg, voa-se, no máximo, 173,8 km.

Pois é… Vejam lá a rota do helicóptero. Entre Avaré e o Campo de Marte (também fui pesquisar), em linha reta, já são 265,8 km. Entre o Campo de Marte e Divinópolis, há 513 km — chega-se bem perto da autonomia do aparelho se tivesse saído com o tanque cheio. De Divinópolis até a fazenda no Espírito Santo, sempre em linha resta, há 393 km. Nada nessa conta fecha.

A minha hipótese é que o piloto pode não estar contando toda a verdade. O mais provável é que esse aparelho tenha sido abastecido em vários pontos ao longo da trajetória. E intuo que a droga entrou no helicóptero foi em Divinópolis mesmo, não em Avaré."

Trajetória provável do helicóptero dos Perrela entre Sâo Paulo e Afonso Cláudio (ES) via Divinópolis
Olhando o mapinha citado por Reinaldo Azevedo notei que o caminho entre o Campo de Marte e Divinópolis passava quase por cima da cidade de Cláudio. Até aí, nada de mais. Estranho é que a rota para Afonso Cláudio (ES) poderia ter sido reta, se a missão fosse apenas entregar a droga, mas a curva sofreu uma inflexão onde o atrator fez o helicóptero passar na região de Divinópolis.

Eis que pesquisando mais descobri a matéria da Revista Fórum de título "'Tenho medo de morrer' diz piloto do helicóptero dos Perrela" que fala de contradições do depoimento do piloto com os dados apresentados pelo GPS do helicóptero dos Perrela onde se diz:

" ... O trajeto relatado por Alexandre tem algumas diferenças em relação ao definido no inquérito da PF feito com base nos registros do GPS. Por esses registros, o helicóptero teria parado em Santa Cruz do Rio Pardo, a 60 quilômetros de Avaré, no aeroporto de Jundiaí e em Sabarazinho, no interior de Minas.

“Não paramos nestes lugares”, afirma Alexandre. Eu estive na zona rural de Santa Cruz do Rio Pardo, onde, em outros tempos, foi encontrada droga jogada do alto do avião. No ponto informado pelo GPS há um pasto, com muitos vizinhos. Ninguém nunca viu ou ouviu helicóptero por ali. “Às vezes, o helicóptero faz um 360 no ar, num movimento de espera. O GPS indica um ponto parado, mas não houve pouso. Ficamos no ar. É uma manobra para esperar o mau tempo passar”, diz o piloto. “Acho que foi isso que aconteceu” "...

Recorri novamente ao Google para ver onde fica Sabarazinho, em Minas Gerais. É uma pequena localidade próxima à rodovia MG-260, a mesma que passa 16 km mais a leste pelo Aeroporto de Cláudio.

O que esse aeroporto tem a ver com o helicóptero dos Perrela? Nada, mas a descoberta do Aécioporto em Cláudio próximo à rota entre São Paulo e Divinópolis pode ensejar curiosidades e teorias fantasiosas.

Fernando Branquinho
No FórumZN
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An american dream...

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No caso Cláudio, o piloto mentiu




Tucano passou 11 dias mentindo e tenta encerrar caso com desculpa esfarrapada

No artigo que publicou na Folha de S. Paulo, o candidato tucano Aécio Neves procura reduzir o escândalo do aeroporto de Cláudio a um “equívoco”: ter utilizado uma pista de pouso sem saber se ela estava homologada pela ANAC. Gasta o tempo do leitor tentando explicar a disputa judicial pelo valor da desapropriação das terras do tio, como se isso fosse o mais relevante num caso de patrimonialismo escancarado. De quebra, confessa que, “por escrúpulo”, negou à população da paupérrima Montezuma o direito a uma estrada asfaltada, mas distraidamente deixou asfaltar uma pista de pouso que serve a ele e ao latifúndio de sua família no município. É comovente, mas voa longe da verdade.

Levando em conta a entrevista do candidato ao Jornal Nacional, as duas notas de sua assessoria e o artigo na Folha, o foco desse caso continua sendo: Aécio Mente.

1) Ele disse que era uma pista de terra que foi reformada. Falso. É só ver o edital para construção econferir a transformação da área pelo Google Earth. Foi feita uma pista novinha, de 14 milhões, sem aproveitar necas da velha.

2) Ele disse que seu governo fez mais de 30 aeroportos no interior. Falso. Ele fez dois: o da Zona da Mata e o de Cláudio. E 8 reformas, de 14 anunciadas.

3) Ele disse que Cláudio é um pólo com mais de 300 indústrias, produzindo para exportar. Falso. Claudio tem hoje  63 fundições de ferro e alumínio. É responsável por 0,002% das exportações do país.

4) Ele disse que a obra foi decidida por critérios técnicos. Quais, numa cidade de 28 mil habitantes, localizada a menos de 70 quilômetros de dois aeroportos regionais?

5) Ele disse que o aeroporto não beneficia a família. Falso, por óbvio. O que é melhor: ter uma fazenda perto ou distante da rodovia? Perto ou distante de um aeroporto? Com um aeroporto dentro (a cerca só isola o aeroporto da rodovia, não da fazenda), melhor ainda, não é? O valor da desapropriação é troco perto da valorização das terras.

6) Ele levou onze dias para admitir o que todos desconfiavam: usou, sim, a pista. O nome mais suave para esse comportamento é dissimulação.

Aproveito para comentar uma pergunta que ronda a cabeça de muita gente:

Por que a Folha publicou a matéria do  Aecioporto?

1) Porque a imprensa brasileira vive sua maior crise de credibilidade desde o êxito da Copa. Atolou-se na pauta da oposição e precisa mostrar alguma independência ao público lesado. O custo-benefício da operação favorece o jornal, que não vai trocar de candidato.

2) Porque a FSP sempre agiu assim: eventualmente bate em um aliado, mas não abre mão de cobrir o PT de forma sistematicamente crítica. Essa é a diferença de tratamento, disfarçada por matérias pontuais para sustentar suposta “isenção”.

3) Porque precisa dizer ao seu  candidato (a quem considera o futuro presidente) que a FSP não é o Estado de Minas: “Tu és nosso, mas não somos tua”. É um chega pra lá preventivo em dona Andréa Neves. Só quem pode mandar na Folha é o Serra, que por sinal também deve ter sido surpreendido, pois a  pauta veio de Minas.

4) Porque pretendeu fazer uma operação cirúrgica sobre um tema explosivo. Deu manchete no impresso, mas escondeu o caso na home do UOL, que é a verdadeira metralhadora da casa. Manteve o assunto em pauta, mas não foi a Montezuma. O editorial ambivalente de domingo é apenas isso: um editorial ambivalente.

O PT pode esperar por pancadaria brava daqui em diante, mas ficou no direito de reivindicar isonomia: o espaço que a FSP e o Jornal Nacional deram para Aécio Neves se defender é maior do que tudo que já se deu aos petistas acusados de qualquer coisa nos últimos tempos.

Ricardo Batista Amaral
No GGN
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