31 de jul de 2014

O que espera o Brasil caso os discípulos de Thatcher dêem as cartas na economia

Dama de Ferro
O terrorismo econômico está aí.

Essencialmente, o que os conservadores estão dizendo é que a política econômica descarrilhou sob Dilma.

Só Aécio salva, é a mensagem.

O que a direita quer para a economia é, numa palavra, a receita thatcheriana.

Os pilares da doutrina consagrada nos anos 1980 por Margaret Thatcher podem ser resumidos assim: privatizar, desregulamentar e reduzir ao máximo as despesas sociais.

A busca, em suma, do Estado mínimo.

É o que o “mercado” quer por razões óbvias: as empresas, nacionais e internacionais, ganham barbaramente com isso.

Como em todo jogo alguém perde, os trabalhadores pagam a conta. A Inglaterra sob Thatcher regressou a níveis de desigualdade próximos do abismo que existia na era vitoriana.

Esqueça, por um momento, questões como ideologia ou mesmo justiça. A questão é: a receita funciona?

Ou sob outro ângulo: se o Brasil adotar os preceitos thatcherianos reivindicados pelos conservadores a economia vai deslanchar?

A resposta, se você olha a história, é: não.

Os mandamentos de Thatcher são bons apenas para o chamado 1%. Para os demais 99%, não.

Para o país como um todo, para a saúde da sociedade, menos ainda. Seguir Thatcher é uma calamidade nacional.

O thatcherismo está na raiz da crise econômica que castiga o mundo desde 2008.

Sob Reagan, os Estados Unidos abraçaram o thatcherismo. O mercado financeiro foi desregulamentado, para dar liberdade aos bancos e assim, alegadamente, promover a economia.

Depois de alguns anos, veio a hecatombe.

Na busca de lucros exorbitantes, os bancos americanos — livres de regulamentação — afrouxaram todos os controles para quem pedia empréstimo para comprar casa.

Até que começou a inadimplência.

Milhares, milhões de tomadores de empréstimo não tinham condições de honras as dívidas.

Os calotes se multiplicaram. Grandes bancos quebraram. E a crise econômica se espalhou rapidamente pelo mundo.

Nunca mais a economia mundial se recuperou. A locomotiva dela, os Estados Unidos, vem se arrastando desde então.

Em breve, graças à estagnação americana, a China deve se converter na maior economia do mundo.

Também a Inglaterra de Thatcher ainda hoje enfrenta as consequências econômicas e sociais da falsa revolução da Dama de Ferro.

A ressaca do thatcherismo tornou Thatcher tão detestada que os ingleses fizeram celebrações em praças públicas quando ela morreu.

Não existe uma única estátua dela na Inglaterra, sequer em sua cidade natal: ela seria derrubada em dias, talvez horas.

É esta mesma receita que os conservadores querem para o Brasil agora.

Suponha que ela seja adotada pela próxima presidência. Rapidamente, os suspeitos de sempre lucrarão — a plutocracia, ou o 1%.

Num país cujo maior desafio é mitigar a desigualdade social, seria uma tragédia.

O país avançou socialmente nos últimos anos. Menos do que poderia e deveria, é verdade. Mas avançou.

O thatcherismo faria o Brasil retroceder várias casas na questão social em pouco tempo.

Num momento de franqueza desconcertante, Aécio prometeu a empresários “medidas impopulares” caso se eleja.

Seu guru econômico, Armínio Fraga, um fundamentalista do thatcherismo, falou que o salário mínimo cresceu muito nos últimos anos.

Avisos do que vem por aí caso o thatcherismo seja posto em ação no Brasil não faltam, portanto.

Os thatcheristas prometem a você o paraíso. Mas entregam o inferno. Paraíso, só para eles mesmos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Assunto encerrado, senador Aécio? Por que não uma CPI?


O bloco Minas Sem Censura aparteia o senador Aécio Neves mais uma vez. Agora, para dizer: não cabe à sua excelência decidir que o assunto do aeroporto clandestino de Cláudio, MG, está encerrado. Aliás, parece que ele começa a entender isso.

Os deputados da oposição querem instalar uma CPI, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, para que algumas respostas sejam dadas:

Comprovado o investimento de dinheiro público (cerca de 500 mil reais, em cifras atualizadas), feitos em 1983, na terra do “tio Múcio Tolentino”, sem, previamente, estatizá-la, o bloco quer saber qual o nível de envolvimento do Ministério Público, da Justiça e do Tribunal de Contas do Estado na apuração da irregularidade?

Quais os critérios econômicos que justificaram a priorização do aeroporto de Cláudio, em detrimento de outros polos mais dinâmicos no estado?

Mesmo que no município de Cláudio houvesse algum critério de demanda econômica, os princípios da impessoalidade e o da moralidade não impediriam que o ex-governador fizesse a desapropriação e a obra na terra do tio, que é próxima — também — ao espólio da avó Risoleta?

Considerando os custos já divulgados pela imprensa, de aeroportos até mais completos, os 13,8 milhões de gastos não se colocam como muito exagerados?

Por 31 anos, desde a pista de pouso feita por Tancredo, até recentemente, esta pista foi de uso privativo da família de Aécio Neves e de amigos. Quantos voos clandestinos foram feitos, de fato, lá?

O estado enviou documentação completa à Anac, visando agilizar a homologação do aeroporto? Se não foi completa, qual foi o motivo?

Sobre o processo de desapropriação: as ações do MP, da Justiça, da ALMG, do TCE, da Advocacia Geral do Estado foram adequadas? Houve alguma perda de prazo? Há algum indicío de prevaricação? Qual o histórico das perícias e avaliações feitas sobre o valor do terreno em foco?

A resposta a essas e outras perguntas podem ser dadas numa Comissão Parlamentar de Inquérito. O senador, que é a favor de CPIs em Brasília, com certeza vai autorizar sua base na ALMG a assinar o requerimento do bloco pela instalação da CPI.

É a CPI que pode encerrar o assunto e não uma ordem do senador Aécio Neves!

Minas Sem Censura
No Viomundo
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O mentalista que enganou a Globo

Imagem SQN
Vejam a incrível notícia, publicada no site G1, dando conta que um mentalista teria feito, no dia da abertura da Copa do Mundo, uma previsão para a final, “registrada em cartório”, cravando a Alemanha campeã e errando o resultado por apenas um gol de diferença.

Antes, o mesmo site havia publicado outra matéria, mencionando que o mentalista teria feito o mesmo em 2006 e acertado o resultado da final, apontando a Itália campeã e o placar de 5 a 3 nos pênaltis, contra a França. A riqueza de detalhes foi tamanha que o mentalista ainda incluiu a expulsão de Zidane na prorrogação, a eliminação do Brasil para a França, por 1 a 0, e até a vitória da Alemanha sobre Portugal por 3 a 1, na disputa pelo terceiro lugar.

Ocorre que as fotos que ilustram as reportagens permitem concluir que o autoproclamado mentalista não “registrou” qualquer previsão, mas apenas reconheceu sua firma em cartas.
Previsão da Copa do Mundo de 2014 foi registrada em cartorio - G1

O Cartório de Notas, portanto, apenas atestou que a assinatura das cartas é mesmo a dele, sem efetuar qualquer registro ou análise do texto. Não há qualquer garantia de que espaços em branco, eventualmente deixados no corpo do texto, por exemplo, não possam ter sido preenchidos APÓS os resultados.

Se o mentalista quiser colocar à prova seus autoproclamados poderes em 2018, deixo aqui a dica: escreva a previsão em uma carta, sem qualquer espaço em branco, e registre-a com antecedência no Cartório de Títulos e Documentos, o que aí sim permitiria comprovar a inexistência de qualquer acréscimo a posteriori.

De qualquer forma, é preciso reconhecer algum poder no mentalista, que, ao enganar o G1, certamente exerceu uma forma de ilusionismo...

Thibau acertou previsão da Copa do Mundo de 2006 - G1




Renato Pacca, advogado e professor no Rio de Janeiro
No OI
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No Brasil da direita, a culpa é da vítima


Aécio Neves diz que o Aeroporto de Cláudio só é usado por ele porque a ANAC não o homologou, mesmo que isso tenha ocorrido por falta de documentos e porque a pista fica sob o controle de sua família.

Reinaldo Azevedo escreve que o racionamento de água em São Paulo vai ocorrer por causa de Alexandre Padilha e do Ministério Público Federal, embora quem o diga necessário sejam os especialistas da Unicamp.

O Santander lucra aqui R$ 1,2 bilhão (líquidos, já sem os impostos que quase não pagam) em seis meses, quase 30% do que ganha em todo o mundo, mas se acha no direito de dizer que o Brasil vai de mal a pior.

Só de abril a junho, o Santander no Brasil teve lucro líquido de R$ 527,5 milhões no segundo trimestre, alta de 5,35% em relação ao mesmo período do ano passado.

A coisa anda “tão ruim” para os bancos que o Bradesco divulgou hoje um lucro líquido de R$ 3,8 bilhões no 2° trimestre, quase 30% maior que o do ano passado. E sem emprestar mais, o que deveria ser a origem dos lucros de um banco.

A Argentina vinha pagando religiosamente sua dívida, mas um juiz de bairro decide que os que especularam com seus títulos, os fundos abutres, devem ter prioridade para receber o fruto de sua esperteza. E, em lugar de uma indignação contra isso, dizem que Cristina Kirchner “dá o calote” nos credores.

As empresas se queixam da demanda fraca mas contabilizam lucros recordes “vendendo menos”.

Estão todos “indignados”, os pobres coitados.

E nada disso é polemizado, porque são verdades absolutas, imperiais.

Reproduzo aí em cima um trecho da homepage do Valor Econômico.

Nunca se viu um caos econômico tão lucrativo assim.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Soluções para a falta de água em São Paulo




Falta água para os paulistas porque faltou humildade e sinceridade ao atual governo de São Paulo para ouvir a oposição como alguém que deseja o melhor para o seu Estado. Infelizmente, sempre que fiz críticas e apresentei alternativas, elas foram classificadas de eleitoreiras. Mas, se a metrópole de São Paulo está numa região de baixa disponibilidade hídrica e o governo do PSDB tem feito o que é preciso para garantir água, por que tanta torneira seca, virulência nas palavras e sofismas no raciocínio?

Falta água porque há dez anos o atual governador assinou um compromisso de, em 30 meses, executar um plano de obras. Mas nenhuma foi executada no prazo e com a dimensão planejada pela Sabesp.

O PT sabe quais são as soluções, das mais urgentes até as mais estruturantes. Desde 2011, a Sabesp poderia ter ampliado a capacidade dos mananciais do Alto Tietê se tivesse concluído o enchimento da represa de Taiaçupeba — que hoje opera com cerca de um terço de seu volume útil — ao valor de R$ 35 milhões. O volume armazenado desde então garantiria o abastecimento de 3 milhões de pessoas durante um ano.

No final de 2013, o governo poderia ter iniciado a construção de um sistema de bombeamento e da adutora para ligar o Rio Grande, na represa Billings, com a represa de Taiaçupeba. Essa solução teria um custo bem menor do que tirar água do Paraíba do Sul. E não colocaria em risco a ampliação de investimentos e empregos no Vale do Paraíba.

Sobre as obras estruturantes, é preciso fazer os reservatórios de Pedreira e Duas Pontes, no sistema PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí). Existem estudos desde 2007, mas só em fevereiro foi assinado um decreto de utilidade pública para futura desapropriação da área dos reservatórios. Já o Sistema Produtor São Lourenço arrastou-se por seis anos. Não fosse a lentidão, já deveria estar abastecendo a região metropolitana com o correspondente a 15% do volume de água do Cantareira. Isso agora só vai acontecer em 2018.

Ainda é preciso fazer os reservatórios de Piraí e Campo Limpo e o Sistema Adutor PCJ. No total, são obras que custariam o equivalente a três anos de lucros da Sabesp — não foi, portanto, por falta de dinheiro que não saíram do papel.

Vale lembrar que quatro anos atrás, o PT já registrava em seu programa de governo que o fornecimento de água potável era inadequado para 600 mil pessoas na região metropolitana da capital. Eu, que era o ministro de Lula responsável por receber projetos de governadores e prefeitos, defendi reduzir a dependência do Cantareira.

Mas, no lugar de explicar sua inépcia, o PSDB tenta confundir os argumentos. Eu nunca disse que a região da Grande São Paulo é abundante em recursos hídricos, como já alegaram de forma distorcida. Tampouco afirmei que a água que hoje enche a represa Billings resolveria o problema da falta de água no Cantareira. O que sempre defendi é que para chegar à torneira das pessoas é preciso planejamento, investimento e obras.

Fazer as obras que o governo não fez, reduzir as perdas de água da Sabesp, investir em soluções inovadoras e na preservação dos mananciais, com compensações para os municípios que cuidam de áreas de proteção — essas são as soluções que o PT defende em relação à água de São Paulo. Lamentavelmente, o PSDB chama a isso de oportunismo.

Alexandre Padilha
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Aterrissagem forçada


Quando Aécio começou a fugir das perguntas dos jornalistas sobre o tema, ficou claro para todo mundo que, obviamente, ele estava ganhando tempo: não havia, porém, mais nenhuma dúvida de que ele usufruía do aeroporto que construiu nas terras do tio, em Cláudio.

Nas últimas semana, a equipe de marqueteiros teve que fazer malabarismos mis para tentar desvincular o tucano do escândalo, mas tudo foi em vão.

Prisioneiro do ‪#‎AécioPorto‬, o candidato do PSDB foi obrigado a escrever um artigo pífio e confuso na Folha de S.Paulo no qual, finalmente, admite o que todo mundo já sabia: no aeroporto do titio, ele sempre foi freguês.

Entre os argumentos usados no texto, um demonstra bem o nível de desespero que permeou o sincericídio ao qual Aécio foi obrigado a recorrer para não ser taxado de mentiroso no horário eleitoral:

“Cometi o erro de ver a obra com os olhos da comunidade local (sic) e não da forma como a sociedade a veria à distância (sic)”.

A "comunidade local" precisa pedir as chaves de um aeroporto público a Múcio Tolentino, tio de Aécio, se quiser usá-lo.

A "sociedade" somos nós, que, mesmo à distância, sabemos exatamente o que houve em Cláudio.

Cabe saber, agora, como é que esses voos eram feitos. Porque, se não houve aviso às autoridades aeronáuticas sobre os planos de voos, eles eram clandestinos.

Até lá, a candidatura de Aécio continuará em pane.

E poderá se espatifar, muito em breve, num morro da Mantiqueira.

Leandro Fortes
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Ele tem a chave...


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13 denúncias falsas de uma só testemunha

Sempre desconfie quando a denúncia tiver apenas uma testemunha. Confira 13 casos famosos que ganharam manchetes e holofotes, mas que nada foi comprovado


Vamos combinar o seguinte: denúncia baseada em uma testemunha oral, sem o reforço de provas, é farsa, até prova em contrário. Repito: é farsa, até prova em contrário utilizada usualmente pela imprensa, redes sociais e agora entrando na seara do Judiciário. Quem pratica farsa é farsante. E o ônus de provar que não é farsante é de quem recorre a esse tipo de denúncia.

Analisem-se alguns casos recentes:

1. As denúncias de propina no BNDES formuladas por um estelionatário recém-saído da prisão — condição escondida para valorizar ainda mais a farsa.

2. O Ministro Joaquim Barbosa — do Supremo Tribunal Federal(!) — invoca uma testemunha anônima para acusar o advogado que o afrontou no plenário de estar bêbado e ameaçar sua vida.

3. A polícia e o juiz carioca incriminam os manifestantes baseados no depoimento de uma única testemunha.


5. O Ministério Público Estadual de São Paulo acusa o ex-prefeito Gilberto Kassab. Não apenas a prova era uma testemunha em off como a própria entrevista foi em off.


7. O Ministério Público do Distrito Federal se vale de uma única testemunha anônima para afirmar que José Dirceu estaria falando pelo telefone com pessoas do Palácio do Planalto.

8. As denúncias do lobista contra Erenice Guerra, acusando-a de exigir dinheiro para a campanha de Dilma e narrando uma história sem pé nem cabeça sobre um jantar para o qual ele precisou até abrir mão de caneta, para evitar gravações. A justificativa para a falta de provas era mais ridícula que o fato em si.

9. A história do envelope com US$ 200 mil no Palácio do Planalto em reportagem da Veja.


11. A armação do grampo sem áudio da conversa entre o Ministro Gilmar Mendes e o ex-senador Demóstenes Torres (mais aqui).

12. A armação do suposto grampo no STF — a instituição máxima do direito prestando-se a uma farsa.

13. O corregedor do CNJ (Conselho Nacional da Justiça) invoca uma testemunha anônima para armar contra seu adversário no Superior Tribunal de Justiça, acusando-o de comprar passagens de primeira classe para familiares.

É importante notar que os jornais — que deveriam ser os filtros para os abusos das redes sociais — praticam o mesmo tipo de expediente. Aliás, praticavam antes mesmo da chegada das redes sociais. E o próprio CNJ permitiu que seu corregedor se valesse dessas práticas infames.

Uma boa receita para analisar esses factoides é simples: esse tipo de denúncia é farsa. Quem recorre a esse tipo de denúncia é farsante. Até prova em contrário.

Luís Nassif
No Pragmatismo Político
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Dilma e o Santander


 

Diz a sabedoria popular que frango que acompanha pato acaba morrendo afogado. Sempre estranhamos, ao longo dos últimos governos, a excessiva atenção reservada, pela classe política brasileira, para o que existe de pior no empresariado ibérico, em especial o oriundo da Espanha a partir dos anos 90.

Criou-se em nosso país, com a entrada de Madrid no Euro, a ilusão de que a Espanha, que passou a maior parte do século XX mergulhada em uma ditadura medieval e agrária, tivesse sido — pela simples troca da peseta por uma moeda mais valorizada — subitamente alçada ao desenvolvimento.

Nos séculos XIX e XX, em processo que vinha se consolidando desde a derrocada de sua Invencível Armada, Madrid viveu à sombra da Inglaterra e dos EUA, que se apossaram do que restou de seu império, na Guerra Hispano-Americana de 1898.

De Cervantes a Picasso, a Espanha deu grande contribuição ao mundo. Mas nunca foi o paradigma de empreendedorismo e de pujança com que aportou por aqui à época do PROER e das grandes privatizações.

Desde 2008, pelo menos, sabe-se que a “fortaleza” ibérica estava baseada em bilhões de euros em ajuda dos fundos da Comunidade Europeia e em centenas de bilhões de euros em dívidas, que deixaram em seu rastro um desemprego de quase 30%, e milhares de famílias despejadas e de aposentados prejudicados pelos bancos.

Quando se fala no IDH espanhol, é preciso lembrar que, por trás dele, está uma das maiores dívidas per capita do mundo. E que, se não fosse o hábito de exportar seus problemas e seus desempregados para países como o nosso, a cada duas gerações, os espanhóis não teriam o padrão de vida que tiveram até alguns anos atrás.

Na época em que, na América Latina, havia maioria de governos neoliberais, os “empresários” espanhóis eram recebidos, por aqui, como nababos.

E, o que é pior, continuaram a ter direito aos mesmos rapapés, depois da crise, quando suas ”grandes” empresas, altamente endividadas, começaram a depender, como de água para um peixe no deserto, dos altíssimos lucros auferidos em território brasileiro.

Sempre nos surpreendeu — e sobre isso escrevemos antes – o número de vezes em que o Senhor Emilio Botín — investigado, no passado, em seu país e execrado por boa parte da população espanhola — foi recebido em Palácio pela Presidente Dilma.

Nunca é conveniente que um presidente da República receba pessoalmente homens de negócio, e muito menos se forem estrangeiros. Para isso existem os ministros, como o da Indústria e Comércio ou o da Fazenda, por exemplo.

Se tivesse evitado os sorrisos e as fotografias que propiciou ao dono do Santander, por tantas vezes, com certeza a Presidente Dilma estaria se sentindo, agora, menos constrangida — depois da carta desse banco a “investidores”, desancando a orientação e as expectativas econômicas de seu governo.
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Fim da era JB: não há mal que dure para sempre


Acabou. Joaquim Barbosa não é mais presidente do Supremo Tribunal Federal. Sua aposentadoria precoce foi publicada nesta quinta-feira, 31 de julho de 2014, no Diário Oficial da União.

É uma data histórica porque chega ao fim dos períodos mais vergonhosos da história do Poder Judiciário no Brasil. À frente do STF, Barbosa agrediu colegas, jornalistas, entidades de magistrados, expulsou um advogado do plenário com a ajuda de seguranças e violentou, sobretudo, direitos e garantias individuais assegurados pela Constituição Federal.

Como relator da Ação Penal 470, transformou-se em figura midiática, "o menino pobre que mudou o Brasil" (em Veja), ou o "brasileiro que faz diferença" (no Globo), para cumprir o papel que a ele foi designado, alinhado com a agenda política dos meios de comunicação que garantiram seu breve estrelato.

No poder, a despeito da fama de justiceiro, usufruiu de todas as benesses do cargo, algumas permitidas, outras, nem tanto. Reformou o banheiro de sua residência por R$ 90 mil, viajou a Paris e visitou uma loja da Prada usando diárias que depois se viu forçado a devolver e registrou um imóvel em Miami em nome de uma empresa offshore que tinha como endereço seu apartamento funcional em Brasília.

Aposentado, Barbosa poderá se dedicar à vida de subcelebridade, seja nos bares da vida, no Rio de Janeiro, ou em Miami. A carreira política, que ele chegou a cogitar, a bem do Brasil, foi abortada. Caso tivesse se lançado candidato, jogaria por terra a "credibilidade" do julgamento da Ação Penal 470, a única causa a que se dedicou verdadeiramente na suprema corte.

Com sua saída, comprova-se, mais uma vez, a força de um ditado popular. Não há mal que dure para sempre.

E com a chegada de Ricardo Lewandowski ao comando do Poder Judiciário o Supremo Tribunal Federal poderá, enfim, restaurar a sua própria dignidade.

No 247
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Satãnder sentiu o golpe

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Espaço vital e mortal

Destruir por bombardeio a única usina de energia elétrica em Gaza não é procurar e destruir túneis dos combatentes palestinos. É o modo escolhido de causar o dano mais geral à população civil e às instalações essenciais que são os hospitais e postos de socorro ao que reste de vida nas vítimas das bombas, do canhoneio naval e dos tiros de tanques. Crime de guerra, pela Convenção de Genebra, e crime contra a humanidade, pelos princípios da ONU e pelas leis internacionais.

Os túneis como motivo dos ataques são apenas uma mentira a mais. O sistema de informação e vigilância de Israel não seria enganado, enquanto o Hamas construiria rede subterrânea tão extensa e sofisticada quanto diz o governo israelense. Mentira como a velha alegação de que os hospitais, escolas, mesquitas e moradias destruídos serviam de depósitos de armas e munição do Hamas. Se fossem, o ataque a tanto material explosivo teria levado toda Gaza pelos ares há muito tempo. Em vez disso, ruínas e crateras documentadas são compatíveis com o efeito normal dos bombardeios, sem a expansão de paióis explodidos.

O objetivo não são os túneis. Nem o foram os lançadores de foguetes do Hamas, como alegado ao início do atual ataque. O objetivo que pode explicar tamanho massacre é outro. Tem nome, já foi assunto de interesse da imprensa na Europa há uns 30 anos, mas veio a ficar cercado por um silêncio raras vezes transposto. O mesmo silêncio útil, e em grande parte pelas mesmas razões, adotado no último dia 24, quinta-feira.

Uma posse presidencial não é fato que passe sem se fazer notar. Tanto mais se quem deixa o posto é o último estadista de Israel, que se despede da vida pública aos 90 anos, e Nobel da Paz há exatos 20 anos. Foi diante de poucos convidados, no entanto, que Shimon Peres entregou a Presidência a Reuven Rivlin, que fez carreira como advogado de árabes moradores no território israelense. Sem que a atividade profissional tenha qualquer significado político.

O novo presidente de Israel não é apenas de ultradireita, integrante do mesmo Likud do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. Ex-oficial de informação do Exército, Reuven Rivlin defende e incentiva a multiplicação de bairros ("assentamentos") israelenses em terras da Cisjordânia. Combate a hipótese do Estado Palestino previsto no ato de criação de Israel pela ONU. Em último caso, diz, seria admissível conceder aos árabes da Cisjordânia a cidadania de israelenses.

Reuven Rivlin é entusiasta e propagador do plano Grande Israel, hoje raramente citado, ao menos de público. Projeto que se origina (ou termina) em ideia semelhante à do "espaço vital" que figurou nas causas da Segunda Guerra Mundial. Nele se vê a explicação para os continuados "assentamentos", apesar da condenação da ONU e do poder conflituoso que têm, além de serem obstáculo central nos arremedos de diálogo de paz entre Israel e Cisjordânia.

Com o cadastro de Reuven Rivlin, o realce à sua posse tenderia a agravar a imagem de Israel propagada por sua ferocidade bélica. Mas a importância da ligação ostensiva do novo presidente com o plano Grande Israel não é só um prenúncio de sua ação futura. É componente lógico de um plano de ação que está muito acima dos túneis. E é levado pelas bombas à terra necessária à grandeza sonhada.

Janio de Freitas
No fAlha
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Lista do governo de Minas omite pista na fazenda de ‘tio Múcio’


Mesmo pistas não-homologadas pela Anac estão em relação de órgão, mas esse não é o caso de Cláudio.

Na entrevista que deu nesta quarta-feira (30) a jornalistas, em que reconheceu “possíveis irregularidades” no aeroporto construído na fazenda do tio-avô Múcio Guimarães Tolentino, em Cláudio (MG), o candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, ressaltou a necessidade de homologação da pista junto à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e disse que o procedimento pode não ter sido corretamente verificado.

Algumas das pistas no estado não estão homologadas, mas isso não impede que o cidadão interessado em conhecer a malha aeroportuária, saiba onde ficam.

Entretanto esse não é o caso de Cláudio: lista disponibilizada na internet pelo DER (Departamento de Estradas de Rodagem) – sim, no celebrado governo de Minas Gerais e seus choques de gestão, o Departamento de Estradas trata de aeródromos – omite a existência do aeroporto na área desapropriada da fazenda de ‘Tio Múcio’. Mesmo outras pistas que ainda não tiveram homologação da Anac figuram na lista do governo mineiro, incluindo outro aeroporto controverso, construído em Montezuma, pequena cidade no norte do estado, onde Aécio e a irmã, Andrea Neves, possuem uma fazenda, a Perfil Agropecuária e Florestal Ltda.

Vale lembrar que o aeroporto de Cláudio, na região centro-oeste do Estado teve obras em 2010. Passados quatro anos, o governo mineiro – ao menos no Departamento de Estradas de Rodagem – sugere que a pista construída na fazenda de um parente do ex-governador do Estado não existe.

Trecho de lista no Departamento de Estradas de Rodagem de Minas – ‘Cláudio não existe?’

No Entre Fatos
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