30 de jul de 2014

A consultoria que diz que o Brasil vai acabar

Miranda no centro das atenções
O Brasil vai acabar.

Quem diz isso é o analista de investimentos Felipe Miranda, um dos sócios e fundadores da consultoria de investimentos Empiricus.

Num texto que a própria Empiricus define como “leitura obrigatória”, Miranda vaticina o fim do Brasil.

Para breve.

Isto, é claro, caso Dilma se reeleja. Aí, segundo ele, o caos vai se instalar na economia, e estaremos todos fritos.

Quer dizer: todos menos os sócios da Empiricus. Porque eles estão fazendo do horror econômico uma arma de vendas.

Num anúncio controvertido na internet, eles prometeram aos eventuais clientes a fórmula infalível para “se proteger da Dilma”.

O anúncio foi tirado do ar por ordem do Tribunal Superior Eleitoral, depois de uma reclamação do PT.

O TSE entendeu que aquilo era uma peça eleitoral contra Dilma.

Tenho outra visão. Não é exatamente contra Dilma, mas contra a decência.

Pelo seguinte: eu induzo você a achar que uma bomba atômica está prestes a explodir onde você vive. E ao mesmo tempo ofereço a você abrigo antinuclear.

Sua crendice é meu lucro.

É uma coisa próxima da vigarice. Eu estou engambelando você. Eu estou vendendo o problema e ao mesmo tempo a solução para você.

A Empiricus é pequena, e não tem grandes histórias a contar em sua até aqui breve existência de cinco anos.

Mesmo assim, por causa do anúncio, ela virou notícia.

Pelo menos numa ocasião cometeu um erro monumental de avaliação. No final de 2009, recomendou entusiasmadamente que os investidores comprassem papeis da OGX, de Eike.

“OGX pode dobrar de valor na bolsa, diz Empiricus”: este o título de uma matéria da Exame.

Bem, o final da história todos conhecemos.

Você conhece a alma da Empiricus vendo sua conta no Twitter. Ela tem pouco mais de 5 000 seguidores. E segue apenas vinte pessoas.

Entre elas estão Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Lobão, Roger e Danilo Gentili.

Todos eles saíram a campo para defender a Empiricus do “terror petista” por conta da retirada do anúncio do ar.

Felipe Miranda talvez não seja brilhante em avaliações, ou um exemplo de ética, mas de marketing ele tem boas noções.

Sabe aparecer.

No meio da confusão, ele aproveitou para avisar que está pensando em contratar a analista demitida pelo Santander depois de oferecer, ela também, proteção contra Dilma.

(O Santander errou duas vezes: ao publicar o boletim e depois ao demitir a autora.)

Tenho aqui um pressentimento.

Com a notoriedade adquirida agora graças ao anúncio e ao relatório que enterra o Brasil, Felipe Miranda se credencia a ser mais um colunista da Veja, ou do Globo, ou da Folha, ou do Estadão.

Pressinto que vamos ouvi-lo com frequência na CBN e na Globonews em programas sobre a economia.

Daí, da alavanca esplêndida da mídia, a palestras de 10, 20 ou mesmo 30 000 reais é um pulo.

Com a vantagem que, na mídia, ele pode fazer avaliações como a relativa a Eike sem consequência nenhuma para si próprio.

Basta falar mal do PT. O resto não importa.

Paulo Nogueira
No DCM
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Terrorismo Econômico


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STF vai decidir sobre prisão em regime aberto para Genoino

A Vara de Execuções Penais do Distrito Federal descontou hoje (30) 34 dias da pena do ex-deputado José Genoino, condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, em virtude de cursos de introdução à informática e de direito constitucional, feitos dentro do Presídio da Papuda, no Distrito Federal.

Com a decisão, Genoino já tem direito a cumprir pena em regime aberto desde o dia 20 deste mês. No entanto, a autorização será do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela execução das penas dos condenados.

A data prevista para a concessão do benefício é 24 de agosto, quando ele completa um sexto da pena de quatro anos e oito meses de prisão no regime semiaberto, requisito para a mudança para o aberto. À Justiça do Distrito Federal, os advogados de Genoino alegaram que o cumprimento da pena no atual regime expirou devido aos 34 dias que o condenado tem de crédito, por ter trabalhado dentro do presídio.

Genoino teve prisão decretada no dia 15 de novembro do ano passado e chegou a ser levado para o Presídio da Papuda, no Distrito Federal. Mas, por determinação do presidente do STF, Joaquim Barbosa, ganhou o direito de cumprir prisão domiciliar temporária, uma semana após a decretação da prisão. Em abril, o ex-parlamentar voltou a cumprir pena de quatro anos e oito meses no presídio.

De acordo com o Código Penal, o regime aberto deve ser cumprido em nas chamadas casas do albergado, para onde os presos voltam somente para dormir. Em muitos casos, diante da inexistência do estabelecimento nos sistemas prisionais estaduais, os juízes determinam que o preso fique em casa e cumpra algumas regras, como horário para chegar ao domicílio, não sair da cidade sem autorização da Justiça e manter endereço fixo.

André Richter
No Agência Brasil
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“Helicoca – O Helicóptero de 50 milhões de reais”

Joaquim de Carvalho
Você conhece a história. Em novembro de 2013, 445 quilos de pasta base de cocaína foram apreendidos numa fazenda de Afonso Cláudio, no Espírito Santo.

A droga fora transportada num helicóptero da família Perrella, de Minas Gerais. Em menos dois meses, Zezé e Gustavo Perrella — pai e filho amigos e aliados de Aécio Neves — foram isentados de responsabilidade sobre o crime, segundo um delegado da Polícia Federal bastante apressado. Em seis, todas as pessoas autuadas em flagrante foram inocentadas.

O DCM contou as imbricações do escândalo em uma série de reportagens que batizamos de “O Helicóptero de 50 milhões de reais”. As matérias foram financiadas por nossos leitores num esquema de crowdfinding com a plataforma Catarse.

O experiente jornalista Joaquim de Carvalho realizou um trabalho notável. Conversou com juízes, advogados, promotores, políticos etc. Revelou que, na rota do chamado Helicoca (o apelido carinhoso que o processo ganhou na Justiça), houve uma parada num hotel fazendo em Jarinu, interior de São Paulo. Parte da carga pesada teria ficado ali. A polícia não deu prosseguimento à investigação.

Entrevistou o piloto da aeronave, Alexandre José de Oliveira Júnior, que trocou mensagens de celular, no dia da ocorrência, com Gustavo Perrella. Num encontro tenso, Alexandre contou que fora contratado para trazer “eletrônicos e medicamentos veterinários do Paraguai”. Para ele, “era contrabando de mercadorias, não tráfico de drogas”.

Em Minas, JC visitou a fazenda dos Perrellas. Antecipamos, com exclusividade, que o Ministério Público do Estado denunciou o deputado federal Gustavo Perrella por uso indevido de verbas da Assembleia Legislativa.

Lançamos agora o nosso documentário sobre o Helicoca. A direção é de Alice Riff, de “Dr. Melgaço”, o primeiro projeto de crowdfunding do DCM.

O vídeo levanta várias questões sobre a impunidade, sobre a guerra às drogas, sobre as relações promíscuas entre poder, justiça e polícia no país. Um capítulo pode ter chegado ao fim, mas o caso está longe de ser encerrado. Nosso compromisso continua sendo, como sempre, manter você a par de tudo.



No DCM
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O jornalismo busca-pé

Se é possível definir as características da mídia tradicional do Brasil neste período pós-Copa do Mundo, pode-se dizer que o jornalismo se tornou errático, como um desses rojões de festa junina chamados de busca-pé.

Se o observador atento empilhar as primeiras páginas dos principais diários de circulação nacional e analisar as manchetes e os títulos das reportagens principais, vai concluir que a nossa imprensa anda desorientada.

Trata-se, porém, de uma interpretação equivocada: os jornais apenas parecem não ter um rumo, mas há por trás de cada decisão editorial uma lógica e um objetivo claro.

Infelizmente, para os editores, os fatos de cada dia não pedem licença para acontecer. A sensação de inconstância que pode ser produzida pela leitura dos jornais nasce da determinação dos editores de buscar uma finalidade específica em todos os tipos de evento.

Sem mais disfarces, a imprensa hegemônica no Brasil tem se dedicado a instrumentalizar os acontecimentos com o objetivo de promover uma visão específica de mundo, que é explicitada constantemente nos editoriais e nos principais artigos das editorias de opinião.

Para o leitor constatar esse fenômeno, basta começar a leitura pelos textos opinativos, em vez de priorizar as manchetes: ali vai encontrar uma espécie de guia para interpretar praticamente tudo que um jornal considera essencial em cada dia.

Eventualmente, esse modelo de jornalismo pode produzir contradições, mas quem se importa?

Os editores parecem considerar que o mundo é refundado a cada nova edição e, portanto, o que foi dito hoje pode ser reinterpretado de maneira exatamente oposta amanhã, dependendo de quem é beneficiado ou prejudicado pela notícia.

A informação em si deixa de ser importante: o que vale é convencer o leitor de que a interpretação que o jornal dá aos fatos é a única correta.

Obediência aos dogmas

Essa característica é escancarada no noticiário político, onde as preferências dos jornais se manifestam de maneira mais homogênea e mais explícita. Mas também se pode observar como a opinião pré-existente define a visão sobre os fatos da economia, que por sua vez reflete o viés político a priori.

Nesse círculo onde o valor de cada notícia é condicionado por um conjunto de dogmas que não podem ser questionados, não há possibilidade de se produzir uma visão inovadora do contexto social onde os fatos acontecem. Uma interpretação conservadora sempre se impõe sobre qualquer evento.

Mesmo quando os jornais falam, por exemplo, de inovação, o leitor que está familiarizado com esse tema, que acompanha os debates internacionais sobre o assunto, sente imediatamente o cheiro de mofo das coisas velhas.

No noticiário econômico dos jornais chamados genéricos, há um limite claro para a interpretação dos indicadores, de medidas oficiais e decisões de negócios. Os jornais especializados abordam a conjuntura econômica de maneira mais equilibrada e estimulam a reflexão, ao apresentar detalhes dos fatos específicos de cada setor e das empresas mais destacadas.

Os jornais genéricos criam uma conjuntura econômica de conveniência política, a partir de fatos selecionados arbitrariamente, para produzir o cenário que convém ao seu propósito de determinar a opinião dos eleitores.

Esse raciocínio pode ser aplicado, por exemplo, no caso que envolve uma análise divulgada pelo banco Santander, na qual há uma clara interferência no debate eleitoral. Depois da reação do governo federal, o presidente do banco vem repetindo que se tratou de um equívoco, que o banco não pensa daquela maneira e que os responsáveis teriam sido demitidos sumariamente. O presidente do Santander sabe quanto pode perder ao comprometer publicamente a instituição com um dos lados da política, se esse lado for derrotado nas eleições.

Nesta quarta-feira (30/7), os jornais se dão conta da armadilha que criaram para si mesmos. Juntando lé com cré, no ambiente de baixa densidade reflexiva das redações, chega-se à perigosa conclusão de que o episódio pode colocar em dúvida o acerto de futuras análises feitas pelo mercado, que a imprensa costuma acatar como se fossem manifestações dos deuses.

Então, o busca-pé da imprensa ricocheteia e já busca outra direção.

Luciano Martins Costa
No OI
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Aeroportos e colisões tucanas

Na série de escaramuças que marca o jogo pesado entre Aécio e Serra, a reportagem da Folha sobre o aeroporto em Cláudio pode ter sido um ponto fora da curva.

Há exatamente quatro anos, em 29 de julho de 2010, o jornal ‘O Globo’ noticiava a evidência de um racha profundo nas fileiras tucanas, a minar a campanha do então candidato à presidência da República pelo PSDB, José Serra.

Aspas para o Globo de 29-07-2010:

‘O candidato a presid'ente pelo PSDB, José Serra, terá uma estrutura independente em Minas Gerais para impulsionar sua campanha no Estado (...). A estratégia foi montada para fazer frente a algumas dificuldades. A decisão foi tomada após descontentamento com o ritmo da campanha no Estado, onde o ex-governador Aécio Neves, que recusou-se a ocupar a vaga de vice na chapa de Serra, é a principal liderança do PSDB...’

Corta para o coquetel de autógrafos de Serra, no Rio, na semana passada, dia 23 de julho de 2014, no lançamento de seu livro de memórias, "50 anos Esta Noite".

Aécio Neves não compareceu ao evento, onde Serra comentou laconicamente o episódio que há dez dias faz sangrar seu velho rival e agora o candidato do PSDB à presidência.

‘Um programa de construção de aeroportos no interior de repente bate na família. Não quer dizer que houve favorecimento..’ disse olímpico sobre a obra de R$ 14 milhões feita por Aécio na fazenda de um tio, paga com dinheiro público. ‘Eu não tenho parentes no interior. Se tivesse, poderia ter acontecido...’, observou Serra com irônica ambiguidade.

Especulações sobre a origem da denúncia veiculada em 20/07, pela ‘Folha de SP’, de notórias afinidades com o serrismo, ganharam lastro extra a partir do editorial publicado pelo diário da família Frias , no último domingo, 27-07.

O texto com sugestivo título, ‘O pouso do tucano’, desmonta as explicações de Aécio para o escândalo e lança uma comprida sombra sobre o futuro de sua candidatura:

‘Mais econômico, na verdade, teria sido não fazer obra nenhuma. A demanda por voos em Cláudio é pequena, e o aeroporto de Divinópolis fica a 50 km de distância. Ainda que todo o processo tenha sido feito de maneira legal, como sustenta Aécio Neves, restará uma pista de pouso conveniente para o tucano e seus parentes, mas de questionável eficiência administrativa. Não é pouca contradição para um candidato que diz apostar na união da ética com a qualidade na gestão pública’.

Mas o principal subtexto das suspeitas quanto à fonte da denúncia remete ao recheio mineiro da derrota sofrida por Serra nas eleições presidenciais de 2010, quando as urnas sepultaram de vez suas pretensões ao cargo máximo da política brasileira.

Numa disputa marcada logo no início pela colisão frontal com Aécio, que postulava a mesma indicação no PSDB, Serra terminaria abatido fragorosamente pelo ‘poste’, Dilma Rousseff, que teve 56,05% dos votos, contra 43,9% do ‘experimente’ ex-governador de São Paulo.

Um tônico inesperado da derrota foi a desvantagem ampla de Serra nas urnas de Minas Gerais.

No segundo maior colégio eleitoral do país — de onde Aécio conquistou uma vaga no Senado, arregimentando 7,5 milhões de votos — Serra obteve um apoio inferior a sua média nacional ( 41,5%).

O de Dilma, ao contrário, foi sugestivamente superior (58,4%).

Seria um erro atribuir o resultado ao boicote de Aécio, abstraindo assim a tradicional força do PT em Minas Gerais e o prestígio conquistado pelos investimentos do governo Lula (que teve 65% dos votos de Minas em 2006 e 66,5% em 2002) .

A verdade, porém, é que a derrota consagrava um processo de desidratação interna do candidato do PSDB, que remontava à própria dificuldade inicial de preencher a vaga de vice em sua chapa, reservada até o último minuto como um prêmio de consolação que Aécio rechaçou.

A recusa, mineiramente dissimulada na protocolar promessa de ‘não poupar esforços pelo candidato’, era o troco à forma como o ex-governador de São Paulo impusera seu nome ao partido, sem abrir espaço para uma consulta às bases, inédita entre tucanos, reivindicada pelo rival .

A disposição bélica das fileiras serristas de atropelar o adversário mineiro com um misto de fatos consumados e jogo baixo ficaria evidente logo no início de 2009.

Um artigo famoso, publicado em fevereiro daquele ano na página 3 do jornal O Estado de S. Paulo, dava o peso e a medida do fair play que ordenaria o confronto a partir de então.

Assinado pelo editorialista do jornal, Mauro Chaves, reconhecidamente ligado aos tucanos, mas sobretudo a Serra, o texto trazia no título a octanagem do arsenal disponível, caso Aécio insistisse em desafiar a vontade ‘bandeirante’.

“Pó, pará, governador?” , diziam as garrafais, num trocadilho com o suposto uso de droga por parte do político mineiro.

Era o gongo de uma série de rounds subterrâneos.

Eles incluiriam acusações mútuas sobre dossiês mortíferos engatados de um lado e de outro em um embate fraticida que quase paralisaria o PSDB.

Sobre Serra pairavam suspeitas de ter mobilizado ex-delegados da polícia federal para municiar o paiol contra Aécio.

A ira do mineiro envolveria garras não menos afiadas.

Uma delas, Andrea Neves, cabo-de- guerra do irmão para golpes de bastidores e controle da mídia, estaria associada à contratação de repórteres, antes até, em 2008, pelo jornal Estado de Minas, para investigar a vida de Serra e de sua família.

Com resultados suculentos, diga-se.

O livro ‘A privataria Tucana’, de Amaury Ribeiro Jr, seria um subproduto desse mutirão.

O nebuloso episódio de uma reunião ocorrida em junho de 2010, da qual teriam participado Amaury, arapongas e Luiz Lanzetta — membro da pré-campanha de Dilma, atiçaria as evidência de um tiroteio cerrado nos bastidores da campanha tucana.

Denunciado por um alcagueta presente, o encontro teria tratado de informações comprometedoras envolvendo lavagem de dinheiro, paraísos fiscais, Verônica Serra (filha do tucano) e a irmã do banqueiro Daniel Dantas, Verônica Dantas.

Na Polícia Federal, Amaury confirmou que pagou R$ 12 mil a um despachante paulista para obter as informações sobre os tucanos, entre setembro e outubro de 2009. O jornalista não revelou quem o contratara, nem quem financiou a investigação, iniciada como pauta do Estado de Minas.

O fato é que, nesse processo, a candidatura presidencial de Serra desidratava de dentro para fora do partido. Seu caminho para as urnas lembrava um trem fora dos trilhos, com poucas chances de ser devolvido ao leito original.

Em julho de 2010, a percepção de que estaria sendo cristianizado por fileiras amplas do tucanato era muito forte.

O termo ‘cristianização’ colava em sua trajetória como o bolor nos corredores abafados dos hotéis de estação.

A expressão vem do nome do político mineiro, Cristiano Machado que, a exemplo de Serra, havia imposto sua candidatura ao partido (o PSD) nas eleições presidenciais de 1950.

Cristiano foi abandonado pelos companheiros, que acabaram apoiando Getúlio Vargas.

O termo “cristianização” passou a designar o candidato ‘escondido’ pela sigla, que teme o contágio tóxico que sua impopularidade acarreta às demais candidaturas.

Assim foi com Serra.

Em 2010, a três meses das urnas do 1º turno, a maior parte do material de campanha de Aécio Neves, candidato ao Senado por MG, e o de Anastasia, seu candidato ao governo do Estado, omitia a imagem de Serra em santinhos e adesivos.

O alto comando serrista busca desesperadamente formas de fazer com que a campanha demotucana encontrasse motor próprio em MG.

Além de um comitê exclusivo, os serristas tiveram que montar 40 subcomitês distribuídos por todo o estado, na tentativa de algo quixotesca de contornar o boicote silencioso sofrido no segundo maior colégio eleitoral do país, por parte de seu ‘aliado’ e líder local, Aécio Neves.

No melancólico reconhecimento da derrota final para Dilma, em 1º de novembro de 2010, Serra diria que o "povo" não quis que sua eleição fosse "agora" e se despediu do eleitor com um "até logo".

No breve discurso ao lado da família, o tucano agradeceu o empenho do partido, festejou a eleição de Alckmin, porém não citou uma única vez o senador eleito por Minas Gerais, Aécio Neves.

A queda de braço não terminaria ali.

Aécio rapidamente ocuparia o vácuo da derrota pavimentando a sua candidatura dentro de um PSDB de joelhos, com o serrismo acuado.

O mineiro aplastou o desafeto em todas as frentes de comando.

Tomou a presidência do partido em primeiro lugar. E negou a Serra até mesmo a direção do medíocre, mas rico, Instituto Teotônio Vilela, o think tank do PSDB.

Humilhado, Serra engoliu um cargo honorífico no Conselho Político do partido, um enxerto criado pela Executiva Nacional, mas no qual, ainda assim, seria minoritário.

A partir de então, experimentaria a mesma ração de fatos consumados e menosprezo que dispensara ao oponente em 2010.

Braço direito de Aécio Neves no Senado, o impoluto Cassio Cunha Lima, distribuía patadas em seu nome dirigidas diretamente ao estômago de Serra.

Em outubro do ano passado, enquanto Serra se comportava como se ainda pudesse pleitear a candidatura tucana ao Planalto — ou mudaria para o PPS, sugeriam seus ventríloquos na mídia — Cunha lima desembarcou em São Paulo.

O emissário de Aécio conversou com FHC , Geraldo Alckmin e outros graúdos bicos curtos e longos.

Não procurou Serra. E ainda disparou um recado recebido com espanto pelas viúvas do ex-governador na mídia:

‘Não vamos mais repercutir o que Serra diz. A imprensa que faça isso. Deixa ele falar, nós vamos ignorar’ (revista Veja; 25/10/2013).

Serra ouviu e registrou em sua volumosa agenda mental encapada com o ditado: ‘a vingança é um prato que se come frio’.

Dois meses depois, 48 horas antes de Aécio lançar sua bisonha ‘cartilha’, na qual não mencionaria uma única vez o pré-sal nos 12 pontos que comporiam suas propostas de governo, Serra retirou o prato da geladeira.

E disparou um artigo na ‘Folha de SP’, em 15/12/2013.

O tema: o consumo de drogas.

O primeiro parágrafo: ‘ O debate sobre o consumo de cocaína no Brasil pode e deve ser uma pauta em 2014’.

Desde então, aconselhados por Fernando Henrique e o pelotão dos ‘interesses maiores’, os desafetos baixaram os punhais. Uma trégua acomodatícia foi costurada pelos seguidores dos dois lados com a linha grossa da conveniência.

Aécio trouxe o braço direito de Serra, Aloysio Nunes, para ocupar a vaga de vice em sua chapa. Serra recolheu-se à disputa por uma cadeira no Senado, com a promessa de um ministério, se Aécio for eleito.

As farpas refluíram; parecia que o PSDB cicatrizaria as profundas fendas internas.

Até que no 17 de julho agora, uma quinta-feira, surgiu a notícia da defecção de um serrista graúdo afastado de um cargo de confiança na campanha de Aécio.

Xico Graziano, conhecido pela mão pesada com que exerce a fidelidade aos próprios interesses, foi defenestrado do pomposo cargo de ‘chefe da estratégia de redes’ da candidatura Aécio.

Nos bastidores afirma-se que Xico Graziano perdeu o posto por uma questão prosaica: incompetência.

Seu projeto de site de campanha teria sido avaliado como um fiasco pela cúpula da candidatura.

Depois se soube que um outro site já estaria pronto e seria lançado em seguida.

Quem supervisionou o trabalho paralelo e empurrou Xico para a ladeira da campanha foi a irmã do mineiro, Andrea Neves.

Três dias depois do episódio, no domingo, a ‘Folha’ estamparia a denúncia do aeroporto construído por Aécio na fazenda do ‘tio Múcio’, com gastos de R$ 14 milhões do tesouro de Minas Gerais.

Na série de escaramuças desse histórico pode ser um ponto fora da curva.

Uma desprezível coincidência.

A ver.

Saul Leblon
No Carta Maior
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No CAf
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Globo constrói novo alvo: a "Dilma bolivariana"


O jornal O Globo, da família Marinho, inicia, nesta quarta-feira, a construção de um novo personagem: a Dilma Rouseff bolivariana, que adotaria métodos chavistas de confronto e intimidação na sua relação com o setor privado.

Na manchete do jornal, informa-se, a partir de depoimentos de fontes anônimas (em off, no jargão jornalístico), que os bancos farão análises mais conservadoras sobre a economia brasileira, temendo represálias do governo federal.

É mais uma fraude jornalística. Os bancos continuarão fazendo as mesmas análises de antes. Uns vão acertar suas previsões, favorecendo seus clientes, outros errarão feito, atingindo sua própria credibilidade.

Já houve exemplos no Brasil, por exemplo, de bancos como o Credit Suisse que previram queda de 5% do PIB em anos de estabilidade econômica. Nos tempos atuais, as análises de Ilan Goldfajn, economista do Itaú Unibanco, são ainda mais ácidas do que as do Santander, e nada indica que isso mudará ou que o governo federal pretenda fazer qualquer coisa a respeito.

Qual foi, então, o erro do Santander? Basicamente, a distribuição aos clientes pessoas físicas, nos seus extratos, de uma análise pessoal de uma analista. Análise esta que, como disse o presidente mundial do banco, Emilio Botín, não refletia a posição da instituição e, portanto, não poderia ser enviada aos clientes, que, por acaso, são também eleitores e votarão nas eleições de outubro. Dizer a um poupador que a reeleição de Dilma poderia afetar suas economia é algo, segundo Botín, que fere as regras de conduta do próprio banco.

O dono do Santander foi ainda mais claro quando disse que ela foi demitida "porque fez coisa errada". Ou seja, a única represália do caso partiu do próprio comando do Santander, que, antes mesmo da demissão, estampou um gigantesco pedido de desculpas aos clientes (e não ao governo), na home page de seu site.

No entanto, o jornal O Globo constrói a tese de que uma Dilma chavista estaria emergindo, disposta a enfrentar e a confrontar o setor privado. Na mesma reportagem, o jornal também a compara à presidente argentina Cristina Kirchner, que censuraria a divulgação de dados de inflação.

Não foi por acaso. A imagem de um setor privado amedrontado e apavorado diante de um governo intimidador é o novo mito a ser criado até as eleições de outubro.

No 247
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Política externa e os “anões” da Globo


A famiglia Marinho sempre manteve relações de subserviência diante dos EUA. O livro “A história secreta da Rede Globo”, um clássico do falecido jornalista Daniel Heiz, já provou que a associação ilegal com multinacional estadunidense Time-Life, que originou a tevê do grupo, foi decisiva para a construção do império global - além, óbvio, do escancarado apoio da ditadura militar. Até hoje circulam boatos de que certos “calunistas” da corporação midiática fornecem informações e análises para agentes da diplomacia ianque - alguns até já foram rotulados de espiões da CIA. Com este triste histórico de servilismo, não surpreende o editorial publicado nesta terça-feira (29) pelo O Globo.

Pela enésima vez, o diário ataca o Itamaraty e defende os interesses dos EUA. Desta vez, para proteger seu satélite no Oriente Médio — Israel. Na visão colonizada do jornal, “a política externa é uma das que mais foram alteradas desde que o PT chegou ao Planalto, em janeiro de 2003. Ficou visível que o Itamaraty como instituição deixou de ter peso nas decisões, ao mesmo tempo em que uma visão de mundo condicionada por um nacionalismo de esquerda, antiamericanista, passou a ser preponderante”. Esta orientação “antiamericanista”, segundo o diário, seria a causa do novo “surto de esquerdização da diplomacia”, e visaria unir os petistas “às vésperas da mais árdua batalha eleitoral que o partido enfrentará”.

“O último sintoma do surto foi a decisão do governo Dilma de convocar o embaixador em Tel Aviv, Henrique Sardinha, ‘para consultas’, devido ao ‘uso desproporcional da força’ por parte de Israel. Havia formas menos estridentes de comunicar o justificável mal-estar com as mortes de civis em Gaza — mas também sem deixar de registrar a contrariedade com os constantes ataques de foguetes feitos pelo Hamas contra cidades israelenses”. O Globo até critica a resposta “desequilibrada” do porta-voz israelense, que chamou o Brasil de “anão diplomático”. Mas o seu alvo principal é a política externa brasileira e, para isto, o jornal até tenta criar cizânia no interior do governo federal.

“O ministro Luiz Alberto Figueiredo, embaixador de carreira, respondeu dentro dos códigos da atividade, enquanto Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidência, militante petista, uma espécie de ministro das Relações Exteriores ‘do B’, manteve o nível do porta-voz israelense, classificando-o de ‘sub do sub do sub do sub do sub’ — copiando o ex-presidente Lula na resposta a um comentário de autoridade americana de que não gostou... O conceito é simples: faz-se tudo aquilo que contraria a política externa americana. Parece birra, mas há quem considere eficaz para conseguir votos”. Haja subserviência e viralatismo diante do Império!

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A impaciência imperial de Aécio


Às favas os escrúpulos com a história do aeroporto de Cláudio. O avô de Aécio, Tancredo Neves, construiu uma pista de pouso de terra em Cláudio (MG), nos domínios da família de sua mulher, Risoleta. (Preço: R$ 500 mil em dinheiro de hoje, da Bolsa da Viúva.) Mais de 20 anos depois, seu neto Aécio desapropriou a área e fez uma nova pista no melhor padrão da modernidade. (Preço: R$ 13,9 milhões, novamente da Viúva.) A pista fica a 6 km da fazenda da Mata, onde ele costuma repousar.

Diante da denúncia, o candidato justificou-se dizendo que as terras não eram de sua família. Claro, o novo aeroporto só poderia ser construído se elas pertencessem ao Estado. Em seguida, o tucanato disse que isso era coisa de petista, vazamento. Falso. Toda a documentação do caso é pública. Era um competente serviço do repórter Lucas Ferraz. Noutra linha, Aécio informou que o aeroporto, localizado a 32 km em linha reta de outro já equipado, fazia parte do programa de modernização dos transportes de sua gestão. Tudo bem, mas, em todo o Estado, só concluiu dois, o de Cláudio e o da Zona da Mata.

Desde que o caso foi revelado, no dia 20, Aécio Neves repete: "Está tudo esclarecido". Chega a incomodar-se com perguntas: "De novo?" Às favas os escrúpulos com a história do aeroporto de Cláudio. Aécio poderá impedir que o PT se mantenha no poder por 16 anos, e isso basta.

Se Aécio Neves fosse um senador ou apenas ex-governador de Minas, o assunto poderia ir para o gavetão de casos pendentes, onde estão outras questões. Por exemplo: a refinaria de Pasadena, as traficâncias do doleiro Youssef, os guardanapos de Sérgio Cabral e o cartel da Alstom. Coisa de petistas, peemedebistas e tucanos. A diferença está no fato de que ele é candidato a presidente da República. A sua atitude em relação ao episódio instrui o julgamento que se faz de sua postulação, refletindo-se sobre o que faria se episódios semelhantes acontecessem quando ele estivesse no Planalto. "De novo?" e "está tudo esclarecido" são impaciências imperiais.

A pista de Cláudio incomoda, mas deriva de uma visão patrimonialista do poder. A impaciência imperial é bem outra coisa. Reflete, a um só tempo, a ideia de que, seja o que for que se discute, daqui a um mês o assunto estará esquecido, ou ainda que manda quem pode e obedece quem tem juízo, inclusive parando de perguntar o que não deve. Trata-se de um erro crasso de conduta política, até mesmo de marquetagem.

Uma pessoa pode querer votar em Aécio porque não engole as explicações do comissariado para o mensalão, as petrorroubalheiras e o aparelhamento do Estado pelos petistas. Prefere Aécio porque tem uma esperança. Esse eleitor pode ter seguido a vida de Lula indo do pau de arara ao fusca e dele aos aviões de carreira. Sofre ao vê-lo nos jatinhos de empreiteiras. A esperança era de vidro e se quebrou.

Agora, ele tem outra: Aécio. Se o aeroporto em Cláudio é tudo o que se pode dizer contra seu candidato, ele ainda acredita que seja a melhor aposta. Há sempre um momento em que pode ser preferível mandar às favas alguns escrúpulos, mas, quando um candidato à Presidência da República veste o manto da impaciência imperial, a vítima de sua atitude é a esperança dos outros.

Elio Gaspari
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Campanha tucana admite "uso legal" de aeroporto


A campanha do presidenciável tucano Aécio Neves admitiu que ele usou o aeroporto de Cláudio, no interior de Minas Gerais, em ‘operação ocasional’ e de ‘maneira legal’.

O senador mineiro tem sido questionado sobre o caso desde que a ‘Folha de S. Paulo’ o acusou de gastar quase R$ 14 milhões para construir a pista dentro de um terreno desapropriado de seu tio-avô, durante a sua segunda gestão como governador do Estado.

Até então, Aécio dizia que o caso era “irrelevante”, mas não respondeu se usa ou não a pista. O local ainda não foi homologado pela Agência Nacional de Aviação (Anac) para receber pousos e decolagens.

"Foi feita uma acusação leviana de uma obra pública em um local privado. São milhares de licitações e me acusam de beneficiar um parente. Isso é do jogo político, não vou ficar estendendo essa pauta."

Segundo reportagem de Pedro Venceslau, a pedido do vice de Aécio, senador Aloysio Nunes, o PSDB elaborou o documento “Voos ocasionais para a pista de Claudio/MG; Aspectos da legalidade”, para tratar do caso. Cita uma norma da Anac que permitiria “operação ocasional” de helicópteros em aeroportos não homologados, mas não diz que tipo de aeronave o tucano usou em suas viagens.

“Os voos realizados pelo presidenciável Aécio Neves para a pista de Cláudio/MG foram feitos totalmente em conformidade com a legislação vigente. Trata-se de operações denominadas operação ocasional”, diz trecho do texto.

Por sua vez, a Anac contesta versão dizendo que “trecho do regulamento só é válido para operações realizadas exclusivamente por helicópteros (aeronaves de asa rotativa), e em helipontos ainda não homologados”. Aeroportos não homologados só podem ser utilizados para casos de “emergência em voo para evitar incidente/acidente”.

No 247
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A manipulação mundial do PIG

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O  INIMIGO NÚMERO 1 DO OCIDENTE PÁRIA
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PAREM PUTIN AGORA!
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No Redecastorphoto
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A última bala

O cinema norte-americano popularizou a idéia da última chance de sobrevivência. Em seus filmes de ação, o herói tem uma só oportunidade de abater o seu inimigo, que dependendo da época histórica, pode ser um índio, um alemão, um japonês, um comunista ou um terrorista árabe. É o último tiro que, se acertar no alvo, significa a sua sobrevivência. Se errar, o inimigo vence. No cinema, o herói de Hollywood sempre acerta.

A oposição de direita no Brasil tem também a sua última bala no cilindro do revólver e o alvo é o governo de Dilma. Se errar, nunca mais terá outra chance. O atirador que já se chamou “Bob” Serra, depois “John” Alckmim e agora é “Frank” Neves, sabe que seu último tiro será em outubro e por isso vem se preparando com afinco para este combate.

Diferente dos filmes americanos, a linguagem de combate é apenas uma analogia. Na realidade deveria ser uma batalha de idéias, uma disputa entre projetos de governo. Mas não é. Nesses campos, os adversários do PT não têm nada para apresentar. Então, eles apelam para o terrorismo ideológico. Ninguém esqueceu até hoje o discurso do presidente da FIESP, Mario Amato, em 1989, de que oitocentos mil empresários brasileiros iriam embora do Brasil no dia seguinte à vitória do PT.

Lula não ganhou aquela eleição, mas ganhou a seguinte e nenhum empresário foi embora do Brasil. Pelo contrário, ficaram aqui ganhando muito dinheiro, porque as políticas sociais do PT criaram uma nova classe de consumidores, que encheram os supermercados e provocaram filas nos aeroportos.

Como não têm outros argumentos, agora eles apelam para uma crise que estaria batendo às portas do País, com o esgotamento do modelo de investimentos no consumo, que só será resolvida com a volta dos neoliberais do PSDB. Parece impossível que alguém possa querer de volta este período de tantas dificuldades para a maioria do povo brasileiro, mas uma cerrada campanha na grande mídia, quer transformar as dificuldades de momento na antevéspera de uma grande crise muito próxima.

É novamente o discurso terrorista que vimos há poucos meses, quando as mesmas fontes asseguravam que a Copa do Mundo no Brasil seria o caos, com nada funcionando e o Brasil servindo de motivo de chacota para o mundo inteiro. A Copa, porém, foi um sucesso e turistas do mundo inteiro saudaram o País como um lugar seguro e organizado.

Tome-se como exemplo a edição do dia 29 de Zero Hora. Lá está no seu editorial uma prova de como a mídia trata o Governo. Apesar de afirmar que os resultados da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, de junho, confirmam a manutenção da taxa de emprego, o editorial especula sobre uma possível perda de qualidade do emprego e no maior tempo de desocupação, tudo isso para justificar a proposição da velha fórmula que os patrões adoram: os custos de contratação de mão de obra estão muito altos.

Trocando em miúdos, isso significa pura e simplesmente arrocho salarial. Os ganhos dos trabalhadores em salários e direitos sociais oneram a produção na visão dos empresários e seus porta-vozes na mídia. Então, só a volta de um governo do PSDB pode resolver esta questão.

Por isso, os grandes empresários e a mídia estão tão engajados na campanha eleitoral, disparando suas balas contra os governos do PT, como nos velhos filmes americanos. O Banco Santander deixou de lado qualquer veleidade de neutralidade e afirmou em nota aos clientes mais ricos, que a reeleição de Dilma seria um risco para eles.

Nas eleições regionais, a pretensa imparcialidade da RBS foi engolida pela necessidade de eleger seus representantes para o Senado e Governo do Estado. Na edição do mesmo dia, a cobertura dos debates na AGERT entre os candidatos ao Piratini prima pela parcialidade assumida em Zero Hora. Quem lê a matéria fica com a impressão que o candidato Tarso Genro só teve que se defender das críticas dos seus adversários, não tendo nada de positivo para apresentar.

O jornal dá espaços generosos para as críticas de Ana Amélia, Sartori e Vieira da Cunha e poucas linhas para as respostas de Tarso e nada para as suas realizações. Vieira da Cunha, aliás, parece gozar de muitas simpatias de Zero Hora. Na mesma edição, ele aparece em destaque na crônica política de Rosane Oliveira, repetindo suas críticas ao Governo Estadual, com direito a uma foto de quatro colunas.

Vieira da Cunha, para quem não se lembra mais, apesar de pertencer ao PDT, partido tradicionalmente aliado ao PT, comandou aquela famosa CPI, feita para desestabilizar o governo de Olívio Dutra e que, na época, mereceu ampla cobertura dos veículos da RBS.

Enquanto isso…

O massacre dos palestinos em Gaza, apesar de continuar cada vez mais acirrado, perdeu espaço nos veículos da nossa mídia. É melhor especular sobre o novo técnico do Grêmio do que tratar de assunto tão constrangedor para quem sempre defendeu as ações do governo de Israel.

Uma exceção foi o comentário de Ricardo Melo, jornalista da Folha e do UOL, cuja radical avaliação do conflito no Oriente Médio mereceu críticas e aplausos dos leitores na edição seguinte da Folha. Não foi para menos, porque poucos jornalistas se atreveriam a escrever o que ele escreveu no seu blog, sob o titulo de Israel é aberração; os judeus, não.

Inexiste solução para a crise do Oriente Médio que não inclua o fim do Estado de Israel. A afirmação é comprovada pela própria história. Desde que foi criado, Israel tem sido protagonista de algumas das maiores atrocidades de que se têm notícia. Não por acaso. Ele está lá para isso.

Israel foi concebido no rearranjo entre as grandes potências que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. É uma obra artificial, construída desde o início com mortes, expulsões, humilhações e convulsões. Os palestinos desalojados e tratados como cidadãos de segunda classe nunca deixaram de lutar contra a opressão. Batalha inglória. Tratou-se sempre, como atualmente, de um combate contra interesses muito maiores do que a extensão geográfica da região faz supor.

Sem o apoio político e material americano, Israel não duraria duas semanas. Só isso explica os anos e anos de conflitos anunciados e não resolvidos. Para a Casa Branca e seus aliados, a existência de Israel como um gendarme armado até os dentes é peça fundamental no jogo político de uma região estratégica e rica em recursos naturais, mas difícil de manter sob controle sem a manu militari de um regimento em prontidão indefinida.

A saída civilizada seria a construção de um Estado único, onde árabes e judeus convivam em harmonia. Utopia? Sim. Mas é preferível apostar nela, lutar por ela, do que assistir ao flagelo permanente sem esperança.”

Outro jornalista bem conhecido, Vladimir Saflate, no mesmo jornal, citou um artigo intitulado “Podemos viver juntos” do músico Daniel Barenboin, pianista e maestro, judeu argentino e cidadão palestino e israelense, de que nunca haverá solução militar para o conflito Israel-Palestina.

Para Barenboim: “Não faz sentido que Israel se recuse a negociar com o Hamas ou que se recuse a reconhecer o governo de unidade: não, Israel deve escutar os palestinos que estão dispostos a falar a uma só voz.

Marino Boeira, Formado em História pela UFRGS. Jornalista e publicitário. Ex-professor de disciplinas da área de Comunicação na PUCRS e Unisinos. Publicou três livros de ficção: De Quatro, com outros três autores, Raul, Crime na Madrugada e Tudo que você NÃO deve fazer para ganhar dinheiro na propaganda. É um dos participantes dos livros de memória: Nós e a Legalidade, Salimen, uma história escrita em cores e Porto Alegre é assim.
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