28 de jul de 2014

Conheça o lado social da atuação brasileira nas Forças de Paz no Haiti


A Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) completou dez anos no mês de junho. Com apoio de outros 20 países, o Brasil detém comando da Missão, instituída em 2004 pelo Conselho de Segurança ONU para restabelecer a segurança e a normalidade institucional após sucessivos episódios de violência e turbulência política.

O efetivo total de militares na missão é de 5.773 homens. Além destes, existem cerca de 2,4 mil policiais da ONU (UNPol). O contingente brasileiro, o Brazilian Battalion (Brabat), é o maior, com 1.377 integrantes.

O efetivo militar brasileiro conta ainda com capelães, psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, assessoria jurídica, assessoria de comunicação, dentistas e médicos. Este aparato possibilita à tropa equilíbrio e preparo físico e psicológico para seguir focada na missão.

A presença da Minustah assegurou a realização de eleições presidenciais em 2006 e 2010 com passagem pacífica do poder. A Missão da ONU também atuou no esforço de reconstrução do Haiti após o terremoto devastador de janeiro de 2010. A previsão é que haja eleição ainda em 2014 para senadores, deputados e prefeitos.


Atuação brasileira

A tropa permanece por seis meses no Haiti para dar continuidade ao trabalho de manutenção de um ambiente seguro e estável, apoio às atividades de assistência humanitária e fortalecimento das instituições nacionais haitianas. Mas a ajuda vai além das escoltas e patrulhas.

A participação brasileira, que nestes dez anos de missão soma trabalho de 30.259 militares, é reconhecida pelo povo haitiano e por autoridades internacionais pela desenvoltura com que combinam funções militares com atividades sociais e de cunho humanitário. Os militares também realizam ações de Cooperação Civil-Militar (CIMIC) nas quais atuam em escolas e orfanatos e fazem diversas atividades como procedimentos de higiene bucal, doação de alimentos e brinquedos e oficinas de desenho para milhares de crianças.

A tropa é formada integralmente por voluntários. Esses são preparados no Brasil e passam por avaliações física, médica e psicológica. Recebem também instruções de tiro, utilização de armamento não letal, primeiros socorros, escolta de comboios, segurança e proteção de autoridade, regras de conduta da Minustah, fundamentos das operações de paz da ONU, patrulhamento, operações de busca e apreensão, controle de distúrbios, entre outras. Em 2010, o país passou a contar com o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), no Rio de Janeiro (RJ), voltado à preparação de militares, brasileiros e estrangeiros, que irão compor as missões de paz das Nações Unidas.

O Blog do Planalto conversou com dois voluntários que serviram no Haiti. O 1º sargento Silveira, que atuou lá em 2012, contou sobre sua experiência e destacou seu senso de realização. “Essa experiência que a gente traz vai fazer parte da vida para sempre. É uma experiência que a gente não esquece nunca mais”, disse. Já o coronel Bochi serviu no Haiti antes do terremonto, entre 2008 e 2009, e retornou mais tarde pelo Ministério da Defesa para avaliação e controle de danos pós-terremoto. Ele descreve a presença brasileira desde 2004 e também ressalta o sentimento pessoal. “É uma lição individual que não tem preço. É a missão de nossas vidas”, afirma.

Em coordenação com a ONU e com os países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) que integram a Missão, o Brasil projeta a retirada gradual de suas tropas à medida que o governo haitiano demonstre disposição e capacidade de garantir a segurança do país.

Missões com participação do Brasil

O Brasil participa das missões de paz da ONU desde 1947. O primeiro envio de tropas a um país estrangeiro aconteceu com a participação na Força de Emergência das Nações Unidas do Batalhão Suez, criada para evitar conflitos entre egípcios e israelenses. Foi só recentemente, no entanto, que o Brasil assumiu tarefas de coordenação e comando militar de importantes operações, como no Haiti (2004) e no Líbano (2011), o que trouxe prestígio à política externa do país, aumentando a projeção brasileira no cenário mundial. Atualmente, 1.743 militares brasileiros das três Forças participam de nove missões de paz ao redor do mundo.

Infográfico: Ministério da Defesa - Fonte: Livro Branco de Defesa Nacional

No Blog do Planalto
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Ontem foi domingo e me droguei muito


Ontem foi domingo e me droguei muito. Comecei por volta das 13h e só fui parar depois das 22h. Éramos uns poucos amigos e amigas, casais amigos, e quase todos se drogaram também. Uns mais e outros menos. Petiscamos durante o dia e só no final da festa é que resolvemos comer algo mais consistente. Sorrimos muito e também tivemos momentos de conversa séria. Eu, por exemplo, quando me drogo, tenho momentos de euforia e de silêncio. Passo horas ouvindo as pessoas e outras horas com o olhar perdido. Depois, peço desculpas e retorno à euforia e boas risadas.

Um desses meus amigos gosta muito de misturar e reclama que não está sentindo nada, embora todos os demais percebam seu visível estado de euforia. Outro amigo tem sempre um copo de água ao lado, mas poucas vezes bebe a água. Outro tem o ciclo bem rápido e em poucas horas passa da sobriedade para a euforia, silêncio e sono; depois, quando os demais ainda estão na fase da euforia, ele já está completamente recuperado e começa do zero. Outro não come nada e justifica que se comer não consegue continuar se drogando e sente muito sono. Outro, ao contrário, tem sempre um prato de petiscos ao lado e justifica que não consegue se drogar sem comer. Outro, talvez só eu saiba disso, provoca vômito cada vez que vai ao sanitário para continuar se drogando e parecer sóbrio.

Drogas são drogas e ponto final. Todas elas alteram nossa percepção sensorial e, em consequência, a forma de ver o mundo. Esta relação das drogas com cada pessoa é única. Drogas é uma coisa e o efeito delas é algo absolutamente pessoal. Busca-se, portanto, algo entre a pessoa e a droga. Este algo é único e individual e reflete exatamente a história da pessoa com os efeitos da droga. Então, como cada um tem sua própria história, a relação dessa história com a droga também será uma história própria. Por causa disso, uns usam drogas apenas uma vez e não gostam, outros conseguem usar por muitos anos e não se tornam dependentes e outros não conseguem mais parar de usar depois da primeira experiência, tornando-se um usuário dependente.

Independentemente do caráter de legal ou ilegal, lícita ou ilícita, todas as drogas são drogas e estabelecem as mesmas relações com o usuário, pois não sabem se são permitidas ou não. Assim, o uso do tabaco pode causar um profundo bem estar ao fumante, embora possa causar inúmeros tipos de câncer. Da mesma forma, o álcool pode oferecer alegria e euforia e, ao mesmo tempo, causar uma infinidade de problemas à saúde de quem ingere álcool. Adentrando às drogas consideradas ilícitas, a cocaína pode causar sensação de autoconfiança e poder, mas pode também comprometer a saúde de quem cheira ou injeta. Também a maconha pode relaxar e proporcionar viagens leves e lentas, mas também pode causar mal à saúde de quem fuma. O ponto comum é que todas as drogas podem causar a dependência e se tornar um problema para o usuário, seus familiares e comunidade. No fim, o problema a ser enfrentado e discutido é por que alguns usuários se tornam dependentes e problemáticos e outros não. Sendo assim, como jamais conseguiremos acabar com as substâncias que alteram nossa percepção sensorial, interessa muito mais entender a mente humana, as tragédias pessoais e a desigualdade social do que proibir e criminalizar as drogas.

Pensando assim, fico a me perguntar, qual o fundamento jurídico, legal, histórico, filosófico, moral, religioso ou de qualquer outra natureza para considerar marginais e bandidos pessoas que usam algum tipo de droga? E mais, também me pergunto, por que as drogas fabricadas pela indústria capitalista, a exemplo do tabaco, álcool, ansiolíticos e antidepressivos, são consideradas lícitas e, inexplicavelmente, as drogas que não passam pela indústria capitalista são consideradas ilícitas, a exemplo da maconha e cocaína? Será, por fim, que o detalhe em comum seja exatamente este: a indústria capitalista?

Voltando ao começo, ontem fiz um churrasquinho em casa e convidei os amigos para matar a saudade, jogar conversa fora, comentar os jogos da Copa no Brasil e as consequências na campanha política, lembrar das aventuras passadas, dos tempos difíceis, empanturrar de carnes e, principalmente, tomar muitas cervejas. Abasteci o freezer com algumas caixas de cerveja, preparei costelinhas de porco e carneiro com toque final de alecrim; coração de frango, coxinhas da asa de frango, costela de boi ao forno com papel alumínio, calabresa mista apimentada (uma delícia!) e, como não poderia deixar de ser, saborosas picanhas com dois dedinhos de gordura. Na manhã seguinte, como sou de carne e osso, tinha as mãos trêmulas, boca seca, dificuldade de raciocinar e uma sede insaciável, ou seja, estava de ressaca.

Sei, por fim, que no mesmo domingo milhões de pessoas fizeram a mesma coisa e outros milhões usaram drogas consideradas ilícitas. Muitos, como eu, trabalharam normalmente no dia seguinte e outros, não tenho dúvidas, por conta exatamente de sua relação com as drogas, continuaram usando abusivamente e causando problemas à sua família e comunidade.

No mais, é muito provável que muitos policiais militares, que poderiam estar presentes em algum churrasco e provavelmente também de ressaca, resultado das cervejinhas do domingo, irão prender em flagrante jovens pobres, negros, periféricos e excluídos com pequenas porções de maconha ou crack, conduzindo-os a algum delegado, também de ressaca, que irá indiciá-lo, mais pela cor da pele e condição social, como traficante de drogas. Em seguida, algum representante do Ministério Público, também participante do churrasquinho do domingo, irá representar pela prisão preventiva com fundamento puro e simples na “garantia da ordem pública” e, por fim, seu destino será escrito indelevelmente como acusado por tráfico de drogas quando as mãos trêmulas e boca sedenta de algum juiz de direito lhe decretar a prisão preventiva e lhe esquecer na prisão.

Domingo que vem tem mais churrasco com os amigos, muita cerveja e ressaca na segunda-feira, mas também terá muita galera fumando maconha, cheirando cocaína e fumando pedras de crack. A diferença é que uns, por conta da droga usada, cor da pele e condição social, serão presos e condenados e outros, enquanto cidadãos respeitáveis, tomarão um engov ou epocler e assinarão mandados de prisão.

Gerivaldo Neiva, Juiz de Direito (Ba), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD), membro da Comissão de Direitos Humanos da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e Porta-Voz no Brasil do movimento Law Enforcement Against Prohibition (Leap-Brasil)
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Bossa do Aécio — Samba do Avião


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Dilma no fAlha

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Hilda Furacão é encontrada em Buenos Aires

Ana Paula Arósio no papel de Hilda Furacão - 1998

A musa erótica de Belo Horizonte dos anos 60 e que virou livro, peça de teatro e minissérie, continua vivíssima. Já idosa e longe da realidade, Hilda Furacão foi encontrada em Buenos Aires, na Argentina.


Aos 83 anos, ela relembra seu relacionamento com o marido, o jogador de futebol Paulo Valentim

“A Hilda Furacão, onde ela estiver…”. Essa é a última das muitas dedicatórias que Roberto Drummond (1939-2002) faz no livro Hilda Furacão (1991, Geração Editorial). Pois a verdadeira personagem, viúva do jogador de futebol Paulo Valentim, ídolo do Atlético, Botafogo, Boca Juniors — jogou ainda no Atlante (México) —, batizada Hilda Maia Valentim, está viva, com 83 anos. Solitária, mora em um asilo, o Hogar Guillermo Rawson, no Bairro Barracas, em Buenos Aires. Quem paga as despesas é o município portenho. Não há mais o glamour e o luxo dos tempos dourados na capital argentina, nem resquícios da vida na zona boêmia de Belo Horizonte, que a tornou famosa nos anos 1950. A realidade da mulher, que na obra de ficção de um dos maiores escritores mineiros se chamava Hilda Gualtieri von Echveger, é outra, completamente diferente da personagem da literatura. Ela, aliás, nunca frequentou o Minas Tênis Clube. Nem sequer sabe onde fica. 

Da cama para a cadeira de rodas. Empurrada por enfermeiros, rumo a uma sala-refeitório onde há uma TV. Lá ela passa a manhã e almoça. À tarde, lanche. À noite, jantar. No avançar das horas, a volta para a cama. Na cabeceira, sobre uma espécie de criado-mudo — um pequeno armário do tipo comum a hospitais —, um velho caderno grande, preto, de capa dura. Dentro, recortes da vida passada, do grande amor, o atacante e goleador Paulo Valentim. Vez ou outra, antes de dormir, ela dá uma folheada. Relembra os bons tempos, os momentos românticos. Essa é a rotina diária da octogenária Hilda Furacão ou Hilda Maia Valentim, revelada com exclusividade pelo Estado de Minas.

Pode-se dizer que foi um lance de sorte Hilda ver, de repente, em seu caminho, uma brasileira, a capixaba Marisa Barcellos, de 59 anos, assistente social do Hogar Dr. Guillermo Rawson, que antes trabalhou na rua ajudando os sem-teto. Um dia, Marisa recebeu o relato de que uma mulher estava se recuperando de uma queda, num hospital municipal, sem apoio e sem ter para onde ir. Entrou em ação a assistente social. Foi à paciente e recolheu os documentos que estavam à mão para começar a ajudá-la: uma carteira de identidade requerida em Recife e uma autorização, em espanhol, que lhe permite viver na Argentina. Só.

Hilda e Paulo, nos bons tempos do craque, que jogou no Atlético e Botafogo e foi ídolo no Boca Juniors (Fotos e reproduções: Ivan Drummond/EM/D.A Press)
Hilda e Paulo, nos bons tempos do craque,
que jogou no Atlético e Botafogo e foi ídolo no Boca Juniors
A assistente chegou à história de Hilda e se surpreendeu com o passado da mulher, que foi famosa em Buenos Aires, personagem de reportagens em jornais e revistas. Era tratada como primeira-dama do Boca Juniors, mulher de um dos maiores astros do clube, apontado como um dos principais responsáveis pelos títulos de campeão argentino nos anos de 1962 e 1964. Uma dama que conheceu o luxo vive agora na miséria, de favores. Antes de ser recolhida ao asilo, Hilda morava com a ex-companheira de um dos filhos que teve com Valentim, Ulisses, que morreu no ano passado.

É na sala de TV e refeições que Hilda recebe o Estado de Minas para, em um dos momentos de lucidez, contar que viveu uma vida de luxo, falar de venturas e desventuras. “Com o Paulo, conheci 25 países. Onde o Boca jogava eu estava. Ele era o único que tinha permissão para levar a mulher. Eu ia a todos os lugares. O Jose Armando foi presidente do Boca e gostava muito do Paulinho (Paulo Valentim) e por isso eu era a única a viajar.”

Hilda força a memória e volta aos tempos de adolescência e a Belo Horizonte. Conta que chegou muito nova à capital mineira com o pai, José, a mãe, Joana Silva, e quatro irmãos. Isso, no entanto, não é possível confirmar, pois nesse momento ela parece confusa. Volta a falar da união com Valentim. Vê uma foto dela, tirada logo depois do casamento com o jogador, e diz: “Estava embarazada (grávida)”.

A foto pertencia ao falecido jornalista mineiro Jáder de Oliveira, que chegou a morar em Buenos Aires, vizinho do casal. Foi feita no apartamento onde Hilda e Paulinho moravam. O comentário de Hilda surpreende, pois na época o casal já tinha um filho: Ulisses. Seria, então, o segundo filho. Uma foto confirma que eles tiveram dois e o mais novo teria morrido e foi enterrado na capital argentina. Desde então, ela evita tocar no assunto. Quando percebe que falou o que não pretendia, disfarça.

Na verdade, Hilda criou algumas fantasias que a ajudam a esconder o que considera ruim na vida, como a história do segundo filho. A outra fantasia é para esconder a vida que levava em BH. Os tempos da zona boêmia, do Hotel Maravilhoso, na Rua Guaicurus, não existem na memória dela. “O meu apelido, de Furacão, é antigo, porque eu era brigona. Se mexessem comigo estourava, discutia, queria bater. Sou assim desde pequena.”

De repente, entra na sala de TV e refeitório Jose Francisco Lallane, de 80 anos, um torcedor do Boca, que também vive no Hogar Dr. Guillermo Rawson. Ela está sentada onde gosta: bem perto da telinha. Da porta, avista Hilda e grita: “Tim, Tim, Tim, gol de Valentim”. Esse era o canto da torcida para reverenciar o ídolo dos anos 1960. Jose caminha em direção a Hilda, ainda cantando. Ela sorri. Ele pega a mão dela e a beija. Então, começa a falar de Valentim. “Era um craque. Era demais. Não passava jogo sem fazer gol. Uma vez, o Carrizo, goleiro do River Plate, já havia levado um gol de falta dele. Então, houve uma segunda falta e, antes que ele batesse e fizesse o segundo gol, Carrizo fingiu estar machucado e pediu substituição.” Hilda sorri, está feliz porque falam do marido, um dos orgulhos de sua vida.

Hilda vive a rotina do lar de repouso e tem poucas memórias de BH (Fotos e reproduções: Ivan Drummond/EM/D.A Press)
Hilda vive a rotina do lar de repouso e tem poucas memórias de BH


Ivan Drummond
No Estado de Minas
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A missão melancólica do novo presidente da Abril

Alex
Uma amiga que fez parte, comigo, do Comitê Executivo da Abril me manda uma mensagem.

Ela está feliz, e orgulhosa, com a nomeação do novo presidente da Abril Mídia, Alexandre Caldini. Ele foi seu subordinado por algum tempo. A Abril Mídia é o coração da empresa: reúne as revistas do grupo.

Respondo a ela que também estou feliz por Alex. Alex é um dos casos raros que conheci na carreira de talento aliado a caráter.

É criativo, é fazedor — e é um sujeito bom e generoso, atributos típicos de espíritas como ele.

A Abril não poderia encontrar ninguém melhor que Alex, penso.

Contratei-o não uma, mas duas vezes na Abril. Primeiro, em meus dias de Exame, para comandar uma nova frente comercial que abríramos na revista, os informes publicitários.

Alex teve um desempenho extraordinário.

Depois, quando me tornei diretor superintendente da Abril, chamei-o para ser meu vice.

Outra vez, ele foi brilhante. Criou produtos de alta rentabilidade, como o Cio Meeting, um encontro de executivos de tecnologia promovido pela revista Info.

Não bastasse a competência e o caráter, Alex é um cara divertido. Ele gostava de contar uma história que vivera com o publicitário Nizan Guanaes.

Alex trabalhava numa empresa cuja agência de publicidade era a de Nizan. Era ele o interlocutor de Nizan para ver e aprovar, ou reprovar, as campanhas.

Alex várias vezes rejeitou ideias de Nizan, até que este disse que desistira do cliente — e de Alex.

“Meu pai morreu cedo”, explicou Nizan. “Estou chegando à idade em que ele morreu. Não quero passar o resto da minha vida enfrentando clientes e pessoas desagradáveis.”

Alex com certeza aprendeu uma lição ali, e a carregou para as novas posições que assumiria na vida.

Volto à amiga que expressou sua alegria com a indicação de Alex para a presidência da Abril.

Repito: compartilho a alegria. Mas sou tomado também por um sentimento de melancolia.

Poucas tarefas são mais amargas que presidir ao desmanche do que foi um império.

E esta é a missão de Alex.

A internet tornou obsoleto o produto que fez a grandeza da Abril, a revista — e não há nada que se possa fazer quanto a isso.

Para a Abril, isso significa virar uma fração do que foi. Revistas vão sendo fechadas, pessoas vão sendo demitidas. As receitas de publicidade caem, e as de circulação também.

O processo de desintegração é doloroso.

Peguei outro dia um exemplar da Veja. O papel era da pior qualidade possível, para economizar custo. Você via, ao ler uma página, sombras da página seguinte, tão fino era o papel.

A terceira capa — uma das áreas nobres da publicidade — não trazia nenhum anúncio real. Era a chamada “mídia interna” — publicidade da própria Abril.

Até algum tempo atrás, era uma situação absolutamente impensável. Em meus tempos de Veja e Exame, frequentemente os diretores de redação tinham que justificar em editoriais, perante os leitores, o copioso volume de páginas publicitárias.

Fiz isso várias vezes na Exame.

Os prognósticos não poderiam ser piores para a mídia tradicional. Recentemente, um estudo mostrou que os maiores anunciantes americanos imaginam que, dentro de cinco anos, 75% de seu orçamento de publicidade estarão na mídia digital.

Tudo isso quer dizer o seguinte: um executivo, por melhor que seja, não tem o poder de evitar a dissolução de uma grande empresa de mídia.

Pode, no máximo, retardar.

É este o caso de Alexandre Caldini e da Abril, e vem daí o sabor melancólico de sua nomeação para presidente da empresa.

Paulo Nogueira
No DCM
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O apagão da Veja

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Aécio Neves, um Cavalo de Tróia pela traição nacional


Desde a definição de sua candidatura à Presidência da República não é possível ouvir Aécio Neves fazer uma proposta concreta útil ao Brasil, à sua soberania e desenvolvimento, menos ainda ao bem-estar do povo e ao progresso social. Nas entrevistas que concede, quase sempre a veículos comprometidos com sua candidatura, Aécio intercala ataques à presidenta Dilma Rousseff com platitudes aparentemente sem maiores consequências.

Aécio parece um pastel de vento, alguém sem conteúdo, mas não é. O PSDB e seus aliados têm um programa para Brasil: a regressão aos tenebrosos tempos de neoliberalismo, a genuflexão às grandes potências, os ataques aos direitos sociais. Menos salário para os trabalhadores, menos investimento na educação e na saúde, menos democracia para os que lutam.

Por trás da candidatura do PSDB estão interesses muitos poderosos, que saíram do centro do poder com a eleição de Lula em 2002, mas que agem nas sombras, diuturnamente, para voltar a colocar o Estado e o governo a seu serviço.

Junto com Aécio viriam o desemprego, as privatizações, o sucateamento das universidades, o descaso com a saúde. Sairiam das sombras as tenebrosas figuras de ternos bem cortados e compromissos bem assumidos com os interesses do imperialismo e da banca internacional.

Esta realidade aparece nas entrelinhas de seus discursos e entrevistas dadas por Aécio e seus assessores. Por trás de palavras como “eficiência”, “choque de gestão”, “austeridade”, pronunciadas pelo senador mineiro ou por seus sequazes, estão a volta aos tempos de Fernando Henrique Cardoso, quando o patrimônio nacional, os direitos sociais, os investimentos em educação e saúde, foram sacrificados em benefício da banca internacional e nacional.

Não é à toa que o Banco Santander, instituição estrangeira que opera em solo nacional em parte graças à privataria levada a cabo pelos tucanos em bancos como o Banespa, mandou um comunicado aos seus clientes mais bem aquinhoados insinuando o voto contra Dilma. E não é preciso haver dúvida: onde ganham os banqueiros perdem a nação, a produção, o consumo, o desenvolvimento nacional.

O povo brasileiro quer mais mudanças e isso é muito positivo. Aécio não é claro sobre o seu programa justamente por isso, para fingir que sua candidatura atende a este apelo. Mas ele é uma volta o passado, não uma estrada em direção a um futuro que aguarda uma nação como o Brasil.

Os brasileiros progressistas, comprometidos com a pátria e com o nosso povo não podem se enganar sobre a envergadura da batalha, considerá-la menor ou já vencida pelo campo democrático e popular. A presidenta Dilma tem uma vantagem importante, mas a máquina de mentiras a serviço dos interesses do imperialismo e da banca é poderosa e trabalha a todo o vapor. Para percebermos isso é só olharmos para o noticiário econômico, que tenta torturar a realidade para dar a impressão de que vivemos uma crise, ou para a manipulação permanente das pesquisas de intenção de votos.

O momento nacional requer uma grande mobilização, que diga a verdade sobre as realizações destes últimos doze anos e denuncie as mentiras dos que estão ávidos por colocar o país de joelhos novamente. Não há erro maior do que subestimar o inimigo. Menos de setenta dias nos separam do primeiro turno das eleições. É preciso foco e concentração, combatividade e decisão.

Aécio não é um pastel de vento, apesar das aparências. Está mais para um Cavalo de Tróia, instrumento de traição à pátria e aos anseios do povo brasileiro.

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Pão Nosso


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Marinho usou conta na Suíça para comprar imóvel


A Promotoria de São Paulo aponta indícios de que o conselheiro do TCE Robson Marinho tenha pago sua residência no Morumbi, em São Paulo, avaliada em R$ 4 milhões com dinheiro depositado em uma conta na Suíça.

Ex-chefe da Casa Civil de Mario Covas (PSDB), ele é acusado de receber US$ 2,7 milhões (o equivalente a R$ 6 milhões) em propina da Alstom, entre 1998 e 2005, em contas de paraísos fiscais. Até aqui, negou a existência delas. "Eu, Robson Marinho, não tenho nenhuma conta na Suíça. A conta atribuída a mim não tem um tostão, um dólar, da Alstom", afirmou, segundo reportagem de Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo.

Um parecer técnico do MP revela que, no mesmo dia em que transferiu US$ 1,15 milhão da Suiça para o Coutts Bank, o conselheiro fechou a compra do imóvel na capital paulista.

Entre os bens de Marinho também constam uma ilha em Paraty (RJ), uma casa em Ubatuba avaliada em R$ 7 milhões, e outros bens (leia aqui).

No 247
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RBS entra na campanha eleitoral. Panfleto de Paulo Santana dá o tom


O que já era esperado está se confirmando. Com dois de seus principais formadores de opinião concorrendo ao governo do Estado e ao Senado, o grupo midiático direciona suas baterias contra os adversários de seus colunistas candidatos. A tática usada para intervir na campanha também é conhecida. Aparenta uma suposta isenção nos espaços de reportagem e afunda o pé nos seus inúmeros espaços de opinião em jornais, rádios, televisões, sites e redes sociais. Na edição deste domingo do jornal Zero Hora, o colunista Paulo Santana mostra que o nível dessa intervenção será baixíssimo, ofensivo e irresponsável. Irresponsável no sentido literal da palavra, pois faz graves acusações sem apresentar uma única prova e sem dar o direito de voz e de resposta a quem está sendo acusada.

Não se trata de uma coluna propriamente, mas sim de um panfleto que acusa o governo do Estado de “mentir, iludir e falsificar dados para ludibriar a opinião pública”. Além disso, levanta a suspeita de que um “dinheiro bilionário” teria sido “desviado para a construção de estádios para a realização da Copa do Mundo. Acusações gravíssimas, certamente, para as quais o funcionário da RBS que conta com vários canhões midiáticos para divulgar suas posições não apresenta uma prova sequer. Paulo Santana acusa o governo do Estado de “mentir, iludir e falsificar dados” com base apenas em dois comunicados divulgados “numa emissora de rádio” e “na imprensa” por duas entidades: o Simers e o Cremers, cujas posições e intervenções políticas são bem conhecidas e muito questionadas por outras entidades e entes governamentais que trabalham com saúde pública.

Essas entidades e o colunista em questão, obviamente, tem todo o direito de ter e emitir suas opiniões políticas, mas, cabe a elas e a ele, apresentar provas quando acusam alguém de mentir, iludir, falsificar dados e desviar quantias bilionárias de dinheiro. No caso em questão, não são as entidades que fazem essas acusações, mas sim o colunista que usa sua visibilidade e exposição midiática como um escudo protetor de impunidade. E, ao final de seu panfleto, com a sutiliza de um hipopótamo ingressando num batizado, ele dispara: “os eleitores precisam ver quem os está enganando. E votar contra os que os enganam”. Poderia ter dado seguimento à sua total ausência de sutileza e apontado os nomes dos candidatos apoiados pela empresa em que trabalha.

O estilo panfletário de Santana e da RBS vale-se de algumas verdades e de muitas omissões para, usando as palavras do colunista, “ludibriar a opinião pública”. É verdade que há problemas na saúde pública em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e no Brasil. Problemas históricos que tem a ver com o desmantelamento do Estado brasileiro operado durante décadas pela ideologia fundamentalista do Estado Mínimo que a RBS sempre defendeu e segue defendendo. A empresa e seus funcionários escalados para dar opiniões não assumem a responsabilidade pelas posições políticas que defendem. A empresa e os seus candidatos para o governo do Estado e o Senado apoiaram editorialmente, por exemplo, o fim da CPMF (que tirou cerca de R$ 40 bilhões da Saúde), a posição contra o desarmamento no plebiscito nacional, a posição contra o programa Mais Médicos (aliando-se ao corporativismo de algumas entidades médicas), contra a mudança do modelo de pedágios, apenas para citar alguns exemplos.

Se é verdade que seguem existindo problemas na Saúde, também é verdade (e isso é completamente omitido no panfleto em questão) que, pela primeira vez, o Estado do Rio Grande do Sul está cumprindo o que determina a Constituição e investindo 12% da receita na Saúde. Ao todo, entre 2011 e 2014, serão R$ 9,53 bilhões investidos na construção e ampliação de casas de saúde, na atenção básica e em equipamentos. Os avanços na área da saúde pública no Estado foram reconhecidas pela própria candidata Ana Amélia Lemos em um debate de rádio realizado esta semana. É certo que ainda existem muitos problemas e o setor precisa de pesados investimentos. Mas esses pesados investimentos não virão das mãos dos defensores do Estado mínimo, das demissões e arrocho salarial de servidores, da criminalização da política e de tudo que venha do setor público. O panfleto de Paulo Santana é um capítulo emblemático do engajamento ideológico e da irresponsabilidade política desse grupo midiático que se autodesignou porta-voz dos interesses da população do Rio Grande do Sul e omite sistematicamente os reais interesses econômicos com os quais opera. Isso sim é ludibriar a opinião pública.

Marco Weissheimer, jornalista.
No Sul21
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Brasil 2015: a conspiração do bem

Políticas públicas devem necessariamente ser sistêmicas, isto é envolver o maior números de setores e analisar o maior número de desdobramentos, tirando a maior vantagem possível para o país.

No entanto, há um pensamento burocrático invencível dominando as políticas públicas brasileiras, que precisaria ser rompido com práticas inovadoras dentro do conceito de sistema.

Alguns exemplos de desperdício público:

Nas obras rodoviárias do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) desperdiçou-se a ideia de exigir de cada concessionário a implantação de um sistema de fibras óticas, permitindo que a RNP (Rede Nacional de Pesquisas) levasse a banda larga para as cidades cobertas pelas rodovias.

Nas grandes obras energéticas, não se exigiu das multinacionais beneficiadas nenhuma contrapartida de internalização da tecnologia. No máximo, exigências de conteúdo nacional que poderiam ser facilmente atendidas com produtos importados.

Nos financiamentos subsidiados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) nenhuma exigência para os beneficiários aplicarem parte do subsídio recebido em pesquisa e desenvolvimento.

Nas grandes hidrelétricas, nenhuma preocupação com a construção de eclusas para estimular a navegação fluvial.

* * *

Um dos grandes instrumentos a ser explorado é o da "conspiração do bem", sobre o qual andei escrevendo bastante no início dos anos 2.000.

A inspiração veio do ex-presidente da Xerox, Carlos Salles. Em pleno período de tabelamento de preços, os reajustes deveriam ser autorizados pelo CIP (Conselho Interministerial de Preços). Em uma das idas ao CIP, Salles pediu que fosse incluída uma exigência de contrapartida: uma cláusula de que o reajuste seria concedido se a matriz da Xerox aceitasse construir uma fábrica de impressoras no país.

Foi feito. Ganhou o país, e ganhou a filial brasileira da Xerox.

* * *

É essa a lógica da "conspiração do bem". Quando o executivo da multinacional negocia com o governo brasileiro, ele representa a sua empresa. Quando reúne-se com o board internacional disputando os investimentos globais da companhia, ele representa o Brasil.

Se houvesse inteligência estratégica no governo, antes de qualquer compra pública grande, o representante do governo se reuniria com o presidente da multinacional para articular as exigência a serem solicitadas da matriz. Tudo de comum acordo.

* * *

Em 2003 testei essa possibilidade com o presidente de uma multinacional do setor farmacêutico. Contava-me ele, satisfeito, a grande venda que tinha feito para o Ministério da Saúde. Ao mesmo tempo, tinha acabado de perder para a Coreia uma fábrica de fármacos.

Indaguei o que aconteceria se, antes de fechar a compra de medicamentos, o governo brasileiro colocasse como exigência a matriz instalar no Brasil a tal fábrica. Seria maravilhoso!, disse-me ele. Ganharia duas vezes: fechando a compra com o governo brasileiro; e conseguindo da sua matriz o reforço da filial. O que poderia parecer uma compra comum se transformaria em uma estratégia comercial que contaria pontos para ele.

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Algum tempo atrás, teste semelhante foi feito por um funcionário brasileiro com o presidente de uma multinacional do setor de máquinas e equipamentos que ganhou uma grande encomenda no Proinfo (o programa do BNDES de incentivo à energia alternativa).

O programa exigia conteúdo nacional. O executivo garantiu 100% de conteúdo. Indagado como chegaria a esse total, disse simplesmente que tinha CNPJ nacional, como tal era reconhecido como empresa brasileira e poderia importar o que não tivesse e vender como conteúdo nacional. Ou seja, o conteúdo nacional não tinha importância alguma, ao contrário dos Estados Unidos - onde as companhias precisam apresentar notas fiscais comprovando compras internas para atender a essas exigências.

E se a exigência fosse de internalizar tecnologia? Daria mais trabalho, mas seria um grande ganho para o país e para a filial da multinacional brasileira.

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Até hoje essas possibilidades não foram utilizadas, a não ser em compras de defesa, com as exigências de off-set. É hora de definir uma área estratégica dentro do governo — provavelmente no Ministério de Ciência e Tecnologia ou no CGEE (Centro de Gestão de Estudos Estratégicos) para incorporar, em cada grande obra ou grande compra, o maior número possível de ganhos adicionais.

Luís Nassif
No GGN
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Esquerda e Direita

Não concordo com a afirmação, hoje muito comum, de que não mais existem esquerda e direita. Acho até que quem diz isso normalmente é de direita.

Talvez eu pense assim porque mantenho, ainda hoje, uma visão religiosa do mundo e do homem, visão que, muito moço, alguns mestres me ajudaram a encontrar. Entre eles, talvez os mais importantes tenham sido Dostoiévski e aquela grande mulher que foi santa Teresa de Ávila.

Como consequência, também minha visão política tem substrato religioso. Olhando para o futuro, acredito que enquanto houver um desvalido, enquanto perdurar a injustiça com os infortunados de qualquer natureza, teremos que pensar e repensar a história em termos de esquerda e direita.

Temos também que olhar para trás e constatar que Herodes e Pilatos eram de direita, enquanto o Cristo e são João Batista eram de esquerda. Judas inicialmente era da esquerda. Traiu e passou para o outro lado: o de Barrabás, aquele criminoso que, com apoio da direita e do povo por ela enganado, na primeira grande “assembléia geral” da história moderna, ganhou contra o Cristo uma eleição decisiva.

De esquerda eram também os apóstolos que estabeleceram a primeira comunidade cristã, em bases muito parecidas com as do pré-socialismo organizado em Canudos por Antônio Conselheiro. Para demonstrar isso, basta comparar o texto de são Lucas, nos “Atos dos Apóstolos”, com o de Euclydes da Cunha em “Os Sertões”.

Escreve o primeiro: “Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum. Não havia entre eles necessitado algum. Os que possuíam terras e casas, vendiam-nas, traziam os valores das vendas e os depunham aos pés dos apóstolos. Distribuía-se, então, a cada um, segundo a sua necessidade”.

Afirma o segundo, sobre o pré-socialismo dos seguidores de Antônio Conselheiro: “A propriedade tornou-se-lhes uma forma exagerada do coletivismo tribal dos beduínos: apropriação pessoal apenas de objetos móveis e das casas, comunidade absoluta da terra, das pastagens, dos rebanhos e dos escassos produtos das culturas, cujos donos recebiam exígua quota parte, revertendo o resto para a companhia” (isto é, para a comunidade).

Concluo recordando que, no Brasil atual, outra maneira fácil de manter clara a distinção é a seguinte: quem é de esquerda, luta para manter a soberania nacional e é socialista; quem é de direita, é entreguista e capitalista. Quem, na sua visão do social, coloca a ênfase na justiça, é de esquerda. Quem a coloca na eficácia e no lucro, é de direita.

Ariano Suassuna
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Paulinho: sogra investigada e 20 mil adesivos contra Dilma


A sogra do deputado Paulinho da Força, Francisca Gleivani Gomes Silva, foi indiciada pela Policia Federal sob acusação de atuar em esquema para falsificar assinaturas para a criação do Solidariedade (SDD).

Francisca é mãe de Samantha, apontada como esposa de Paulinho. Ela é acusada de forjar assinaturas de onze pessoas, de um total de 22 contestadas. Outras duas pessoas também foram indiciadas. Para ser registrado no TSE, o SDD teve de validar 500 mil assinaturas.

Estruturado no ano passado, o partido é o nono na bancada da Câmara, com 21 deputados, e declarou apoio ao presidenciável tucano Aécio Neves.

Segundo a coluna Poder Online, Paulinho mandou imprimir cerca de 20 mil adesivos com a mensagem “Fora Dillma – Chega de corrupção”, com os clássicos “LL” do ex-presidente Fernando Collor.

Segundo ele, os adesivos têm feito mais sucesso por São Paulo do que os dele próprio. “Os meus ninguém pede, mas os dela todo mundo quer. O pessoal vê no carro e me para no trânsito. Por isso mandei fazer um monte”, diz o deputado federal e líder da Força Sindical.

No 247
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Israel é aberração; os judeus, não


Na região, é preferível lutar pela utopia de um Estado único do que ver o flagelo permanente sem esperança

Inexiste solução para a crise do Oriente Médio que não inclua o fim do Estado de Israel. A afirmação é comprovada pela própria história. Desde que foi criado, Israel tem sido protagonista de algumas das maiores atrocidades de que se tem notícia. Não por acaso. Ele está lá para isso.

Israel foi concebido no rearranjo entre as grandes potências que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. É uma obra artificial, construída desde o início com mortes, expulsões, humilhações e convulsões. Os palestinos desalojados e tratados como cidadãos de segunda classe nunca deixaram de lutar contra a opressão. Batalha inglória. Tratou-se sempre, como atualmente, de um combate contra interesses muito maiores do que a extensão geográfica da região faz supor.

Sem o apoio político e material americano, Israel não duraria duas semanas. Só isso explica os anos e anos de conflitos anunciados e não resolvidos. Para a Casa Branca e seus aliados, a existência de Israel como um gendarme armado até os dentes é peça fundamental no jogo político de uma região estratégica e rica em recursos naturais, mas difícil de manter sob controle sem a manu militari de um regimento em prontidão indefinida.

Os habitantes de Gaza, por exemplo, vivem em condições semelhantes às de um depósito de corpos. Faltam medicamentos essenciais, o consumo de água é limitado a 80 litros por pessoa/dia (o padrão da OMS é de no mínimo 100 litros/dia). Energia elétrica? No máximo 12 horas a cada 24 horas. A ONU, central da hipocrisia diplomática internacional, limita-se a condenações protocolares. Detalhe: sempre com o voto contrário dos Estados Unidos, como agora. Vamos falar sério: a favor de quem trabalha um organismo que vê um conflito deste tamanho durar quase 70 anos e não consegue adotar nenhuma resolução efetiva?

Não custa lembrar: neste período, o capital financeiro, tendo Washington à frente e aliados stalinistas como suporte, pintou e bordou no desrespeito a convenções internacionais. Conflito do Vietnã, invasão do Panamá, República Dominicana, esmagamento da Primavera de Praga, guerra do Afeganistão, Operação Condor — exemplos não faltam. Vale lembrar a invasão do Iraque como atestado de óbito, entre tantos outros, deste parlatório internacional sediado em Nova York. EUA e Grã-Bretanha providenciaram um pretexto jamais provado ""a proliferação de armas químicas — para deixar o país numa situação ainda mais conturbada do que no tempo da ditadura sanguinária de Saddam Hussein.

O cenário é pessimista? Óbvio que sim. A sucessão de conflitos no Oriente Médio só tende a dificultar uma saída pacífica, mantidas as regras do sistema vigente. A cada novo cadáver, cresce o ódio na região. A saída civilizada seria a construção de um Estado único onde árabes e judeus convivam em harmonia. Utopia? Sim. Mas é preferível apostar nela, lutar por ela, do que assistir ao flagelo permanente sem esperança.

A ética quadrúpede

Da janela de meu apartamento (alugado), na fronteira de um shopping de São Paulo, Higienópolis, vejo famílias dormindo nas esquinas "protegidas" por caixas de papelão e páginas de jornal. É pleno inverno. Eis que, na manhã seguinte, ao ler as notícias do dia, sou informado de que um decorador badalado demitiu sua empregada. "Mandei embora a funcionária que colocou uma manta de cashmere na máquina". De quem era a manta? De uma cadela chamada China. A descrição do drama vale por um roteiro: "Aconteceu um desastre. A empregada colocou a manta Louis Vuitton na máquina de lavar. Virou um capacho". Salve-se quem puder.

Ricardo Melo
No fAlha
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A tragédia palestina e a vitória dos “Anões Diplomáticos” sobre os israelenses na ONU

http://www.maurosantayana.com/2014/07/a-tragedia-palestina-e-vitoria-dos.html


O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, deve estar achando o máximo ter sido repentinamente elevado, pela rançosa e entreguista direita latino-americana — como o Sr. Andrés Oppenheimer — à condição de “superstar”, depois de ter chamado o Brasil de “anão diplomático” e de ter nos lembrado, com a autoridade moral de um lagarto, que “desproporcional é perder de 7 x 1”, referindo-se à Copa do Mundo, e não, matar e ferir mais de 3.000 pessoas e desalojar quase 200.000, para “vingar” um número de vítimas civis que não chegam a cinco.

Com acesso a drones e a sofisticados satélites de vigilância norte-americanos, e a compra de espiões em território “controlado” pelo Hamas — traidores e mercenários existem em todos os lugares - Israel poderia, se quisesse, capturar ou eliminar, com facilidade, em poucos meses, os responsáveis pelo lançamento de foguetes contra seu território, assim como alega contar com eficaz escudo que o protege da maioria deles.

O governo de Telaviv — e o Mossad — não o faz porque não quer. Prefere transformar sua resposta em expedições punitivas não contra os responsáveis pelos projéteis, mas contra todo o povo palestino, matando e mutilando — como fizeram os nazistas com os próprios judeus na Segunda Guerra Mundial- milhares de pessoas, apenas pelo fato de serem palestinos.

Essa atitude, no entanto, não impediria que surgissem novos militantes dispostos a encarar a morte, para continuar afirmando — pelo único meio que bélico lhes restou — que a resistência palestina continua viva.

Do meu ponto de vista, nesse contexto de cruel surrealismo e interminável violência do confronto, para chamar a atenção do mundo, os palestinos, principalmente os que não estão ligados a grupos de inspiração islâmica, deveriam não comprar mais pólvora, mas tecido.

Milhares e milhares de metros de pano listrado, como aqueles que eram fabricados por ordem do Konzentrationslager Inspetorate, e das SS, na Alemanha Nazista, para vestir entre outros, os prisioneiros judeus dos campos de extermínio.

Os milhões de palestinos que vivem na Cisjordânia e na Faixa de Gaza poderiam — como fez Ghandi na Índia — adotar a não violência, raspar as suas cabeças, as de suas mulheres e filhos, como raspadas foram as cabeças dos milhões de judeus que pereceram na Segunda Guerra Mundial, tatuar em seus braços, com números e caracteres hebraicos, a sua condição de prisioneiros do Estado de Israel, costurar, no peito de seus uniformes, o triângulo vermelho e as três faixas da bandeira palestina, para ser bombardeados ou morrer envoltos na mesma indumentária das milhões de vítimas que pereceram em lugares como Auschwitz, Treblinka e Birkenau.

Quem sabe, assim, eles poderiam assumir sua real condição de prisioneiros, que vivem cercados dentro de campos e de guetos, por tropas de um governo que não é o seu, e que, em última instância, controla totalmente o seu destino.

Quem sabe, despindo-se de suas vestimentas árabes, das barbas e bigodes de seus homens, dos véus e longos cabelos de suas mulheres, despersonalizando-se, como os nazistas faziam com seus prisioneiros, anulando os últimos resquícios de sua individualidade, os palestinos não poderiam se aproximar mais dos judeus, mostrando-lhes, aos que estão do outro lado do muro e aos povos do resto do mundo — com imagens semelhantes às do holocausto — que pertencem à mesma humanidade, que são, da mesma forma, tão vulneráveis à doença, aos cassetetes, às balas, ao desespero, à tristeza e à fome, quanto aqueles que agora os estão bombardeando.

As razões da repentina e grosseira resposta israelense contra o Brasil — que ressaltou, desde o início, o direito de Israel a defender-se — devem ser buscadas não no “nanismo” diplomático brasileiro, mas no do próprio governo sionista.

É óbvio, como disse Yigal Palmor, que no esporte bretão 7 a 1 é um número desproporcional e acachapante.

Já no seu campo de trabalho — a diplomacia — como mostrou o resultado da votação do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que aprovou, há três dias, a investigação das ações israelenses em Gaza, os “anões” diplomáticos — entre eles o Brasil, que também votou contra a posição israelense — ganharam por 29 a 1, com maioria de países do BRICS e latino-americanos. Só houve um voto a favor de Telaviv, justamente o dos EUA.

Concluindo, se Palmor — que parece falar em nome do governo israelense, já que até agora sequer foi admoestado — quiser exemplo matemático ainda mais contundente, bastaria lembrar-lhe que, no covarde “esporte” de matar seres humanos indefesos — entre eles velhos, mulheres e crianças — disputado pelo Hamas e a direita sionista israelense, seu governo está ganhando de goleada, desde o início da crise, pelo brutal — e desproporcional placar — de quase 300 vítimas palestinas para cada civil israelense.
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Heliponto na fazenda onde Aécio passa fins de semana é registrado em nome de filho de ‘tio Múcio’


Quando governador, tucano construiu aeroporto com R$ 14 milhões do estado em terras do tio

Depois que surgiu a denúncia na Folha de S.Paulo, no último dia 20, de que, então governador do estado, Aécio Neves mandara construir um aeroporto em área que pertenceu à fazenda Santa Isabel, do tio-avô Múcio Guimarães Tolentino, em Cláudio (MG), o candidato do PSDB apressou-se em divulgar notas à imprensa e nas redes sociais apontando a legalidade do investimento, de R$ 14 milhões, realizado em 2010. Seja um aeroporto ou pista de pouso — já que não possui registro junto à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e seria, portanto, irregular -, o aeródromo chamou atenção para as relações do tucano com a cidade na região central do estado, onde sua família possui outra propriedade rural, a fazenda da Mata, parte do espólio da avó, Risoleta Neves, viúva do ex-presidente Tancredo Neves (1910-1985).

Em meio ao ‘claudiogate’, Aécio também apressou-se em dizer que não é sua a fazenda da Mata, embora nas redes sociais, até o ano passado, antes de esquentar a pré-campanha eleitoral, postava com frequência fotos por lá em finais de semana. Imagens de cavalgadas, fogueira com lua cheia e até menção ao “cavalo Ofegante” e a um fusca azul 1964, indicando o quanto tem relações com o local.

Aécio na fazenda da Mata (Foto: Instagram/AecioNevesoficial)
Aécio na fazenda da Mata
Foto: Instagram/AecioNevesoficial
Na defesa do investimento do estado na fazenda de tio Múcio, Aécio também classificou o dono da área em processo de desapropriação como “antigo proprietário”. Recorrendo a fatos pela metade, buscava afastar-se de acusações de favorecimento a parentes.

De forma diferente do complicado aérodromo na fazenda Santa Isabel, do tio Múcio — que também já teve flagrada exploração de mão de obra análoga à escravidão (clique e leia) —, a fazenda da Mata possui um heliponto legal, registrado junto à Anac, procedimento obrigatório para operações de vôo. Entretanto, o heliponto está registrado junto ao órgão de aviação civil em nome de Fernando Quinto Tolentino, filho de Múcio.
CÓDIGO OACI NOME MUNICÍPIO PROPRIETÁRIO MAPA
SJCT Fazenda da Mata Cláudio Fernando Quinto Rocha Tolentino LINK
(Registro de propriedade do heliponto da fazenda da Mata, em relatório disponível no site da ANAC)

Quando Aécio era governador, em 2007, Fernando foi nomeado para cargo público no estado mineiro, segundo a Rede Brasil Atual. O primo foi nomeado assessor do diretor geral do Departamento de Estradas de Minas Gerais, por meio de lei delegada, procedimento que permitu a criação de cargos comissionados sem aprovação da Assembleia Legislativa.

Fernando Rocha Quinto Tolentino e o pai, Múcio, são sócios com Tancredo Rocha Tolentino, o “Kedo” (responsável pela cachaça Mingote — que tem parte de sua produção envelhecida na fazenda da Mata, segundo o fabricante indica em seu site, e conta com uma versão em homenagem a Aécio, a cachaça Governador) da rádio Independência, em Cláudio. Kedo já foi acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha em uma operação da Polícia Federal que desbaratou uma quadrilha de venda de decisões judiciais.

No ultimo final de semana, Aécio Neves disse novamente à imprensa que “está tudo explicado” no caso do aeroporto de Cláudio (e, intui-se, vale o mesmo para qualquer desdobramento de suas relações com Múcio e os demais Tolentinos). Questionado se já havia utilizado a pista “pública” cuja chave tinha como responsável tio Múcio e outros parentes, o tucano demonstrou irritação e mudou de assunto, contando com o apoio de jornalista da própria “Folha de S.Paulo”, que emendou uma pergunta sobre a crise no Oriente Médio e a reação do governo Dilma.

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