26 de jul de 2014

Onde a objetividade é impossível

Os jornais brasileiros reagem com certo distanciamento ao entrevero verbal que coloca em rota de colisão o Brasil e Israel. A declaração grosseira do porta-voz da chancelaria israelense — de que o Brasil é um “anão diplomático” e um “parceiro diplomático irrelevante” — tem potencial para detonar uma crise de proporções mais graves. E ganha destaque na imprensa, mas deveria ser minimizada pelas evidências de que se trata de uma manobra friamente calculada.

Ao abrir uma controvérsia com base em ironias e incontinência verbal, o governo de Israel apenas aplica uma das técnicas mais conhecidas de gestão de crise em comunicação. Ou alguém acha que, em meio ao sangrento massacre de civis palestinos, entre os quais grande número de crianças e mulheres, faltaria espaço para o uso calculado de táticas diversionistas? Ao fim das contas, os arquivos da História estarão lotados de declarações que serão usadas para, se não justificar, pelo menos explicar certos crimes que a consciência comum se recusa a aceitar.

A chuva de mísseis sobre cidades israelenses tem sido amplamente usada — e agasalhada pela imprensa em geral — como argumento paliativo para a ação militar de Israel. O que o governo brasileiro expressou oficialmente foi a evidência de que, para os israelenses, não basta anular a ofensiva do inimigo, quase inútil diante da eficiência do seu sistema de defesa antiaérea — é preciso retaliar, e com o maior rigor possível, para que a população palestina se convença de que não deve abrigar militantes do Hamas.

Mal comparando, a situação lembra a circunstância em que vivia até muito recentemente a população de certas comunidades do Rio de Janeiro, que tinha suas casas invadidas pela polícia após os confrontos armados com traficantes. Era do senso comum na Polícia Militar — e segue sendo, em determinada medida — que, se os traficantes circulavam tranquilamente pelas vielas com seus fuzis poderosos, era porque os moradores os apoiavam. Então, um ou outro dano colateral, como as vítimas de “balas perdidas”, tem também o objetivo didático de “ensinar” aos favelados que não deveriam tolerar a tirania do narcotráfico.

Uma estratégia de Estado

Os jornalistas sabem que não há hipótese de um debate racional sobre o conflito no território que se espreme entre o Rio Jordão e o Mediterrâneo. Os judeus já estiveram inúmeras vezes na circunstância hoje vivida pelos palestinos, e o holocausto ainda pesa como uma ressaca sobre a cabeça da humanidade. Mas também é verdade que o Estado de Israel, personificado na aliança política entre religiosos radicais e a burocracia militar, se apropria da saga dos judeus para perenizar uma situação insustentável do ponto de vista humanitário.

Para os judeus que ajudam a construir no Ocidente o etos da modernidade, muitos dos quais militando no jornalismo, essa circunstância deve produzir uma enorme dor de cabeça: é difícil renegar o apelo da tradição, impossível aceitar a violência do estado contra seres humanos indefesos.

Israel é um Estado democrático apenas para uma minoria. Nem mesmo os turistas podem gozar de uma liberdade mais ampla como se tem, por exemplo, em Istambul ou em Paris. Há bairros em Jerusalém onde uma mulher ocidental não pode caminhar, mesmo acompanhada por seu marido.

As contradições do sionismo e a influência, sobre a população palestina, de forças radicais do mundo islâmico, tornam a situação insustentável e anulam qualquer esforço pela paz. Por esse motivo, escapa às possibilidades da linguagem jornalística dar conta de interpretar essa realidade, porque mesmo como intenção a objetividade nesse caso é apenas uma ilusão. Resta, então, observar um detalhe irrelevante, como a ironia de um diplomata empenhado em produzir uma manobra diversionista.

Ao declarar que o Brasil é protagonista menor no campo das relações internacionais, o porta-voz da chancelaria israelense estava apenas fazendo uma provocação que sabia eficiente. Essa intenção fica ainda mais clara quando o diplomata se refere à recente derrota da seleção brasileira para a Alemanha, por 7 a 1.

A imprensa devia dar menos importância a essa lorota, e fazer a conta das vítimas: elas não são “na maioria palestinas”, como dizem os jornais. O que está acontecendo na faixa de Gaza é um massacre. Uma chacina deliberada, como tática militar e estratégia de Estado.

Luciano Martins Costa
No OI
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Denúncia de propina vira guerra entre PSB e Folha


Manchete de quarta-feira da Folha de S. Paulo, sobre suposta propina de R$ 6 milhões que seria paga ao Pros para garantir apoio a Paulo Câmara, candidato do PSB escolhido por Eduardo Campos para sucedê-lo, gerou direito de resposta; jornal de Otávio Frias Filho, no entanto, luta para não ter de acatar a determinação judicial do juiz José Ivo de Paula Guimarães; "censura", diz o advogado da Folha, Luis Francisco Carvalho Filho; "O jornal pode divulgar o que bem entender, tem liberdade de expressão. Mas também é legítimo ao candidato pedir direito de resposta", diz o coordenador jurídico da campanha de Câmara, Carlos Neves Filho

A denúncia veiculada pelo jornal Folha de São Paulo de que lideranças do PP e do Pros teriam oferecido dinheiro para que o PROS-PE apoiasse o PSB na disputa pelo Governo de Pernambuco virou uma briga que parece longe de terminar. Após o candidato socialista Paulo Câmara conseguir obter, na última sexta-feira (25), uma liminar determinando que o jornal publique em até 48 horas o direito de resposta e a retirada da matéria com as denúncias do seu site, a Folha de São Paulo anunciou, neste sábado, que irá recorrer da decisão do desembargador José Ivo de Paula Guimarães, do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE).

As denúncias veiculadas pela Folha, na última quarta-feira, foram feitas pelo deputado federal José Augusto Maia (Pros-PE). Segundo o parlamentar, que exerceu o cargo de presidente da legenda em Pernambuco, o líder do PP na Câmara Federal, Eduardo da Fonte, e o presidente nacional do Pros, Eurípedes Júnior, teriam oferecido dinheiro para que o Pros pernambucano apoiasse a postulação de Paulo Câmara cuja coligação conta com 21 partidos — e não a candidatura de Armando Monteiro Neto (PTB).

A denúncia atingiu em cheio a campanha de Câmara que ingressou com uma ação na Justiça pedindo direito de resposta a retirada da matéria do site do jornal. A decisão judicial favorável a Câmara saiu nesta sexta-feira e o jornal entrou com uma medida cautelar junto ao Plenário do TRE-PE para tentar conseguir um efeito suspensivo.

Em sua decisão, o juiz José Ivo de Paula Guimarães, considerou que a publicação divulgou "matéria de conteúdo calunioso, difamatório e injurioso que atinge o representado, apesar de o denunciante ter asseverado não ter provas de suas afirmações" .

"É uma decisão que comete uma grave inversão de valor. A Justiça Eleitoral, em vez de apurar o conteúdo da informação jornalística, que é grave, prefere exercer um ato que equivale a um ato de censura", afirmou o advogado da Folha de São Paulo, Luís Francisco Carvalho Filho. "O candidato nem é acusado de nada na matéria, portanto não há nenhuma referência ofensiva a ele, razão pela qual esse pedido de resposta é absolutamente descabido. O jornal cumpriu o dever de transmitir uma informação de interesse público e a concessão do direito de resposta ao candidato viola a Constituição brasileira”, disse.

"Não entendemos como censura, de forma alguma. O jornal pode divulgar o que bem entender, tem liberdade de expressão. Mas também é legítimo ao candidato fazer esse pedido", disse ao jornal o coordenador jurídico da campanha de Câmara, Carlos Neves Filho.

Confira aqui a matéria da Folha de São Paulo sobre o assunto.

Leia, ainda, a decisão do juiz sobre o caso:

Despacho

Decisão Liminar em 25/07/2014 - RP Nº 115910 Desembargador Eleitoral José Ivo de Paula Guimarães

D E C I S Ã O  L I M I N A R

Trata-se de Representação, com pedido de Providência Liminar, inaldita altera pars, para concessão de Direito de Resposta e retirada da matéria indigitada do sítio eletrônico da Folha de São Paulo, sob pena de multa diária e suspensão do conteúdo do sítio, por 24 horas, com fundamento no 57-I da Lei nº 9.504/97.

Alega o representante que a empresa representada divulgou no Jornal impresso da Folha de São Paulo, e no sítio eletrônico http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/071489904-deputado-relata-propina-por-apoio-a-candidato-de-camos.shtml, em 23 de julho de 2014, matéria intitulada "Deputado relata propina por apoio a aliado de Campos", com veiculação de informações inverídicas, de cunho calunioso, difamatório e injurioso.

Aduz que a manchete da matéria foi estampada na capa do veículo de comunicação impresso do Jornal Folha de São Paulo, bem como desenvolvida na seção Poder, página A4 (cópia anexa), além de postada no sítio da internet do mesmo jornal.

Determinei a notificação (fls. 21-22) do representado, para se defender, em 24 horas.

Notificado, o representado apresentou, tempestivamente defesa arguindo a improcedência da Representação, uma vez que a empresa FOLHA DA MANHÃ SA não praticou qualquer das condutas previstas no art. 58 da Lei n. 9.504/97 ou da Resolução n. 23.398/2014.

Aduz não ser possível vislumbrar na reportagem qualquer afirmação caluniosa, difamatória, injuriosa ou sabidamente inverídica em relação ao representado.

Argumenta que o jornal apenas reproduziu entrevista concedida pelo Ex-Presidente do Partido PROS, na qual falou sobre suposta oferta de vantagem financeira para seu partido. Sendo esta oferta para que o PROS integrasse a coligação do candidato a Governador Paulo Câmara, escolhido por Eduardo Campos, candidato a presidência.

Afirma que por serem os fatos divulgados na reportagem importantes e graves é que cabia ao jornal levar ao conhecimento da população. Alega tratar-se de matéria de cunho estritamente jornalístico e de interesse público, tendo o representado exercido apenas o direito/dever constitucional de informar.

Argui a ilegitimidade do representante de pedir direito de resposta, visto que o candidato Paulo Câmara não é mencionada na reportagem como envolvido na suposta oferta de dinheiro.

Acrescenta que o jornal já publicou no site da folha (http:www1.folha.uol.com.br/poder/2014/07/1490261-aliado-decampos-diz-que-vai-processar-delator-de-propina-na-eleicao-pe.shtml) praticamente a íntegra do texto que o candidato representante pretende ver publicado no presente pedido de resposta. Tendo publicado na mesma edição e caderno o chamado "outro lado" a matéria intitulada "PSB e políticos citados negam oferta de dinheiro", no Caderno Poder A5.
É o relatório em síntese. Decido.

Com efeito, é possível vislumbrar, em exame perfunctório, a presença dos pressupostos para concessão da providência liminar pleiteada, em especial a fumaça do bom direito, vez que o jornal divulgou matéria de conteúdo calunioso, difamatório e injurioso que atinge o representado, apesar de o denunciante ter asseverado não ter prova de suas afirmações.

A reportagem se baseia em meras alegações e suposições do Deputado José Augusto Maia (PROS) afirmando na matéria divulgada pela Folha "ter recebido e recusado oferta de 'vantagem financeira' de seu partido e do PP para apoiar Paulo Câmara (PSB), candidato do presidenciável Eduardo Campos ao governo de Pernambuco".

Nada obstante o representado alega já ter publicado no site, "praticamente na íntegra, o texto que o candidato pretende ver exposto no presente Pedido de Resposta", todavia a alínea "b", inciso I, do art. 58 da Lei n. 9.504/97 estabelece que uma vez concedido o pedido, a divulgação da resposta dar-se-á no mesmo veículo, espaço, local, página, tamanho, caracteres e outros elementos de realce usados na ofensa.

In caso, a reportagem da FOLHA DE SÃO PAULO objeto da presente demanda, intitulada "Deputado relata propina por apoio a aliado de Campos" foi veiculada também na versão impressa do dito jornal, como matéria de CAPA e na página A4 do Caderno Poder, sendo concedido espaço para o contraditório dos envolvidos na matéria divulgada na página A5, que ocupou 1/4 da folha do referido periódico, sendo dedicadas apenas 7 linhas, de uma das três colunas da reportagem, à resposta do candidato Paulo Câmara, principal prejudicado com a reportagem.

Sendo assim, DEFIRO PARCIALMENTE a media liminar para conceder DIREITO DE RESPOSTA ao representante, de acordo com o texto acostado na inicial (fls. 16), no veículo impresso do JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, em até 48 horas, da forma como estabelece o art. 58, I, "b", da Lei n. 9.504/97, ou seja, na CAPA e no Caderno Poder A4, na mesma proporção e destaques concedidos a matéria considerada ofensiva. Após, remeta-se os autos ao MPE. PRI.

Recife, 25/07/2014.

Des. Eleitoral José Ivo de Paula Guimarães

No 247
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Templo evangélico de R$ 680 mi no Brasil faz Cristo no Rio parecer 'penduricalho'

Fiéis da Igreja Universal observam templo de R$ 680 milhões em São Paulo
Daniel Kfouri/The New York Times
Ele ocupa toda uma quadra desta abundante megacidade: uma versão com 10 mil lugares do Templo de Salomão.

Elevando-se em destaque contra os prédios próximos repletos de pichações, ele acena com paredes monumentais de pedras importadas de Israel e as bandeiras das dezenas de países onde sua proprietária, a Igreja Universal do Reino de Deus, está nutrindo seu império cristão evangélico.

Templo será uma das maiores estruturas religiosas do Brasil, 
fazendo o famoso Cristo Redentor do Rio, que em 
comparação tem a metade do tamanho, parecer um 
penduricalho 
Anderson Chaurais/Abril Comunicações
Um heliponto permitirá a Edir Macedo, o magnata de mídia de 69 anos que fundou a Igreja Universal em uma funerária do Rio de Janeiro, em 1977, vir para os sermões. O vasto complexo de 11 andares conta com outros floreios, como um oásis de oliveiras semelhante ao jardim do Getsêmani, perto de Jerusalém, e mais de 30 colunas se erguendo aos céus.

"A Igreja Universal não poupou gastos", disse Rogério Araújo, o arquiteto do projeto, que deverá ser inaugurado na quinta-feira (31) no bairro do Brás, em São Paulo (SP). Em uma visita ao local, acrescentou, "nós buscamos construir um colosso, algo que faria as pessoas pararem e observar, e foi o que entregamos".

A réplica do Templo de Salomão, que levou quatro anos para ser construída a um custo de cerca de US$ 305 milhões (R$ 680 milhões), mostra o grande crescimento das seitas evangélicas no Brasil. Apesar deste país de 200 milhões de habitantes ainda ter mais católicos romanos do que qualquer outro país, o número de evangélicos no Brasil saltou de 15% da população, em 2000, para 22% em 2010, segundo números do censo.

Grandes igrejas evangélicas, particularmente instituições pentecostais como a Igreja Universal, também estão exercendo maior poder político por todo o Brasil, refletido na considerável bancada evangélica no Congresso e nos esforços de candidatos de todo o espectro político para atrair os eleitores evangélicos na eleição presidencial deste ano.

A presidente esquerdista do Brasil, Dilma Rousseff, deverá estar presente aqui na inauguração do templo, ressaltando o apoio que sua coalizão de governo recebe de um bloco de líderes evangélicos conservadores, incluindo o sobrinho de Macedo, Marcelo Crivella, um pastor da Igreja Universal e cantor gospel que, até recentemente, era ministro da Pesca.

Jato privado e passaporte diplomático

Ninguém mudou tanto a paisagem religiosa do Brasil quanto Macedo. Um televangelista e fundador da Igreja, Macedo agora viaja em jato privado com passaporte diplomático especial (um privilégio também concedido no Brasil às altas autoridades do Vaticano), expondo a teologia da prosperidade e elementos pentecostais como exorcismo e cura pela fé.

Com uma fortuna pessoal estimada em US$ 1,2 bilhão, Macedo saiu da obscuridade por meio de seu controle da Rede Record, uma das maiores redes de televisão do Brasil,  e de sua expansão agressiva da Igreja Universal, durante a qual enfrentou acusações de corrupção, incluindo evasão fiscal e lavagem de dinheiro.

Edir Macedo, 68, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, tem fortuna estimada em US$ 1,1 bilhão e foi um dos que entraram na lista em 2013. Ele é o 41º mais rico no Brasil e o 1268º no mundo, de acordo com o ranking da revista "Forbes"
Macedo ficou preso por 11 dias em 1992, sob acusação de charlatanismo e fraude. Ele rechaçou com sucesso outras investigações criminais, incluindo alegações dos promotores de que ele e outros líderes da Igreja desviaram doações dos fiéis para enriquecerem a si mesmos. No ano passado, ele cultivou uma aparência um tanto de mago, deixando crescer uma longa barba grisalha, além de ocasionalmente vestir o que parece ser um solidéu, semelhante aos usados por muitos judeus praticantes.

A réplica do Templo de Salomão inclui várias menorás dentro da estrutura, onde os sermões serão feitos, além de uma grande menorá perto da entrada, que lembra o existente diante do Knesset, o Legislativo de Israel. A bandeira de Israel também está hasteada nas proximidades, ao lado das da Igreja Universal, Brasil e Estados Unidos, entre dezenas de outros países.

"Há apenas uma fé bíblica; é impossível dissociar o cristianismo de suas raízes judaicas", disse Cássia Duarte, uma porta-voz da Igreja Universal. Ela enfatizou que Macedo foi absolvido de uma série de alegações de corrupção, fortalecendo a "pregação do evangelho" da Igreja.



Os estudiosos dizem que a promoção do simbolismo judaico da Igreja Universal em sua réplica do Templo de Salomão deriva de sua busca por legitimidade histórica, em uma Igreja que tem apenas 37 anos. O Templo de Salomão original teria sido construído na Jerusalém antiga pelo rei Salomão por volta de 1000 a.C. e destruído cerca de quatro séculos depois, em um sítio liderado por um rei babilônio.

"Macedo foi um pioneiro na utilização dos símbolos e rituais ligados ao Velho Testamento e judaísmo como elementos centrais na criação de uma Igreja capaz de conquistar corações e mentes", disse Rodrigo Franklin de Souza, um especialista em história bíblica da Universidade Mackenzie, em São Paulo.
Cristo no Rio tem metade do tamanho

Até o momento, os líderes da comunidade judaica do Brasil adotaram uma postura relaxada diante do novo Templo de Salomão. "Por um lado, há a forma favorável com a qual a cultura e história judaicas são tratadas na estrutura", disse Nilton Bonder, um rabino brasileiro cujos textos com temas espirituais são amplamente publicados. "Por outro lado, há o aspecto bizarro das dimensões do projeto e do marketing agressivo."

O templo será uma das maiores estruturas religiosas do Brasil, fazendo o famoso Cristo Redentor do Rio de Janeiro, que tem apenas a metade do tamanho, parecer um penduricalho em comparação.

"O templo monumental será um símbolo poderoso tanto do Brasil, como epicentro do pentecostalismo global, quanto da Igreja Universal, como principal congregação desafiando a Igreja Católica no Brasil", disse R. Andrew Chesnut, um especialista em religiões latino-americanas da Virginia Commonwealth University.

O projeto já conta com apoio entre alguns fiéis da Igreja Universal. "Eu fico empolgada só de ver o templo em uma foto", disse Mauricea dos Santos Ribeiro, 72 anos, uma bancária aposentada que frequenta uma das igrejas da seita no Rio de Janeiro. Ela disse que um grupo de sua congregação planeja viajar para cá para ver o templo. "Eu estou contando os dias até nossa ida."

Se o novo Templo de Salomão visa atrair nova atenção para a Igreja Universal, a estratégia está funcionando.

Os transeuntes param diante dele dia e noite. Alguns tiram fotos com seus celulares. Muitos olham com espanto, expressando suas reações em uma calçada lotada onde vigias, descritos como "Guardiões do Templo" em seus uniformes, patrulham a entrada.

"O templo é enorme, lindo, mas também ostentoso demais", disse Solange Barbosa de Nascimento, uma costureira de 58 anos, que é fiel de outra Igreja evangélica brasileira chamada Paz e Amor, em uma manhã recente. "Eu me pergunto se não poderiam ter gasto todo esse dinheiro de outra forma, como cuidando dos pobres."

Simon Romero | SP
Tradutor: George El Khouri Andolfato
No New York Times
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O aeroporto de Cláudio, o helicóptero e a rota do tráfico de drogas

No caso do helicóptero dos Perrellas, uma dúvida: 
aeroportos irregulares serviram de parada para abastecimento?
Quando a apreensão de quase meia tonelada de pasta de cocaína transportada num helicóptero dos Perrellas veio à tona, no final de 2013, autoridades estadunidenses pisaram em solo brasileiro para ajudar na apuração da origem e destino da droga. Investigações apontavam que a demanda teria sido negociada com mexicanos, mas saído oficialmente do Paraguai, com forte suspeita de que a Europa era o norte.

Fato é que consta nos depoimentos de Rogério Almeida, piloto preso em flagrante pela Polícia de Espírito Santo com mais comparsas, que a aeronave do então deputado Gustavo Perrella (Solidariedade) viajou de Avaré paulista até o Campo de Marte (A). De lá, para Divinópolis (B), e da cidade mineira para Afonso Cláudio, no Estado vizinho.

Na época, a imprensa levantou dúvidas técnicas sobre o helicóptero.

Modelo R-66, a aeronave só sai do chão suportando o peso máximo de 1.225 quilos. O helicóptero consome 581 quilos desse limite. Com o tanque cheio, iriam mais 224 quilos. Sobrariam 420 para a carga restante, contandos aí os passageiros. Só de cocaína, a polícia informou  ter apreendido 445 quilos.

Com os cálculos feitos levando-se em conta a distância percorrida pelo helicóptero (entre os três pontos, pelo menos 1,17 mil quilômetros, em linha reta) e a autonomia da nave, duas hipóteses foram levantadas: ou o piloto mentiu e a droga foi carregada num local mais próximo da fazenda em Afonso Cláudio, onde pousou o helicóptero, ou menos combustível foi colocado para equilibrar o peso da nave. Consequentemente, mais paradas para abastecimento seriam necessárias.

Nesse último caso, aeroportos não fiscalizados seriam perfeitos. O de Cláudio (C), construído durante a gestão de Aécio Neves (PSDB) enquanto governador de Minas Gerais (2003-2010), até hoje não foi homologado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). O órgão federal garantiu que faltam documentos para concluir esse processo.


A obra é questionada pelo fato de beneficiar, teoricamente, um município de 25 mil habitantes e pouca expressividade econômica. Além disso, Divinópolis, por onde passou o helicóptero dos Perrellas, fica a poucos quilômetros dali, e possui aeroporto bem equipado.

Aécio não comenta se já usou a pista em Cláudio para facilitar o acesso à Fazenda da Mata, que pertence à sua família há décadas, a seis quilômetros do aeroporto denunciado. Há vídeos na internet comprovando que o espaço é utilizado para shows de aeromodelismo. Familiares de Aécio disseram à Folha que pelo menos um avião pousa por semana por ali. A Anac vai investigar.

Na versão de Aécio, o aeroporto de Cláudio integra o Proaero, um programa que em sua raiz visava intervenções em mais de 160 lugares. Seriam construídos aeroportos locais ou regionais, ou melhoradas as condições das pistas existentes.

Denúncias sobre aeroportos construídos ou pistas que receberam investimentos vultosos nos últimos anos pipocam na mídia todos os dias desde que a Folha de S. Paulo revelou, em 20 de julho, que o equipamento em Cláudio foi construído em um terreno que pertence ao tio-avô de Aécio, Múcio Guimarães Tolentino. É a família Tolentino que, segundo o jornal, cuida das chaves do aeroporto enquanto o imbróglio envolvendo a desapropriação do terreno não se resolve na Justiça.

Segundo a assessoria de Aécio, a família Tolentino exige R$ 9 milhões pelo terreno. O Estado depositou em juízo cerca de R$ 1 milhão. Nesta sexta-feira (25), o periódico informa que Múcio Tolentino, ex-prefeito de Cláudio, é alvo de uma ação por improbidade administrativa.

O tio-avô de Aécio construiu uma pista de avião nas proximidades de sua fazenda, na década de 1980, com ajuda do governo estadual. A Folha sugere que a desapropriação da área em Cláudio pode garantir a Múcio o dinheiro necessário para pagar a multa desse processo antigo.

Um Tolentino acusado de relações com o tráfico

Múcio não é o único membro da família de Aécio Neves que frequentou as páginas policiais nos últimos anos. O comerciante Tancredo Aladim Rocha Tolentino, primo do candidato a presidente pelo PSDB, foi denunciado em 2012 como membro de uma quadrilha que atuava justamente na cidade de Cláudio vendendo habeas corpus por até R$ 180 mil a traficantes de drogas.

Tancredo Tolentino intermediava o negócio diretamente com Hélcio Valentim de Andrade Filho, então desembargador do Tribunal de Justiça do Estado. Em meados de 2012, quando o caso ganhou parte da mídia, o magistrado não assumiu os crimes. Tancredo Tolentino, por sua vez, reconheceu que “pediu vários favores ao desembargador e ao ter sucesso lhe dava certa quantia em dinheiro, como forma de agradecimento”. — Assista o vídeo abaixo. —

Na época, os jornais passaram a informação de que Tancredo Tolentino era primo distante de Aécio.

Quando estourou o caso do helicóptero do filho de Zezé Perrella, blogueiros estreitamente ligados a José Serra (PSDB) tornaram-se, de repente, especialistas em helicópteros e passaram a divulgar a hipótese de que a carga de cocaína tivesse sido embarcada em Divinópolis, nas imediações de Cláudio. Na época, Serra ainda aspirava a indicação do PSDB para a presidência.

Mais fatos sem explicações

Aécio, enquanto candidato a presidente, deixou a postura ofensiva contra o governo Dilma Rousseff (PT) para se defender dos escândalos que surgem diariamente. Além do aeroporto de Cláudio, o tucano agora é incitado a dar explicações sobre outro aeroporto construído sem critério técnico inteligível, o de Montezuma.

A cidade tem menos habitantes que Cláudio - cerca de 8 mil - e nenhuma expressão econômica que possa justificar o investimento de mais de 200 mil numa pista batida de terra local. A não ser, como sugere reportagem de O Globo também desta sexta-feira, a proximidade com a fazenda do ex-deputado Aécio Cunha, pai de Aécio Neves.

Até agora não há nada que ligue Aécio às estripulias de seu primo ou às aventuras do helicóptero dos Perrellas. Mas a soma de circunstâncias certamente o levará, nos próximos dias, a aprofundar as explicações sobre o aeroporto.

Cíntia Alves
No GGN

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Alinhada ao assassino, Veja condena Itamaraty


Capa da revista semanal que adota posições cada vez mais extremistas aponta "apagão na diplomacia" e "falência moral da política externa de Dilma"; com seu radicalismo, revista da família Civita sai em defesa do carniceiro Benjamin Netanyahu, que foi responsável pela morte de mais de mil pessoas nos últimos vinte dias e capaz de bombardear até um hospital e uma escola das Nações Unidas

Responsável pelo primeiro voto, em 1947, pela criação de Israel, o Brasil sempre foi um aliado da causa judaica. No entanto, a política externa do Itamaraty também sempre foi pautada pela defesa dos direitos humanos. Foi exatamente neste contexto que o chanceler Luiz Alberto Figueiredo divulgou uma nota em que condenava "energicamente" a ação desproporcional de Israel no conflito da Palestina, que, em menos de vinte dias, matou mais de mil pessoas.

Neste período, o governo do chanceler Benjamin Netanyahu assassinou mulheres, crianças e foi capaz até de bombardear um hospital e uma escola da Organização das Nações Unidas, levando o secretário Ban-Ki-Moon a se dizer "estarrecido". De acordo com as Nações Unidas, Netanyahu deve ser investigado por "crimes de guerra" e até mesmo o maior aliado de Israel, o governo dos Estados Unidos, tem se mostrado desconfortável com o banho de sangue. Ontem, o secretário de Estado, John Kerry, pediu uma trégua que impedisse a continuidade da matança.

No entanto, Netanyahu tem, a seu lado, a família Civita, que edita a revista Veja, cuja capa desta semana se dedica a a apontar o que seria o "apagão na diplomacia" e a "falência moral da política externa do governo Dilma". Internamente, a revista aponta o que seriam sinais de "nanismo" do Itamaraty. Um desses, curiosamente, seria até a declaração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, numa reunião do G-20, quando chamou o ex-presidente Lula de "o cara". Ou seja: na lógica de Veja, um elogio de Obama no G-20, organismo que deve muito ao Brasil, diminuiria o País.

Com a capa desta semana, Veja se coloca à extrema direita e se isola até de mesmo seus leitores. Responsável pela formulação da política externa do candidato Aécio Neves (PSDB-MG), o embaixador Rubens Barbosa concordou com a posição adotada pelo Itamaraty. Neste sábado, a jornalista Mônica Bergamo também informa que o presidente da Confederação Israelita Brasileira, Claudio Lottenberg, se disse indignado com a grosseria do porta-voz Yigal Palmor, que chamou o Brasil de "anão diplomático". Em editorial, o jornal Estado de S. Paulo condenou o que chamou de "baixaria israelense".

Veja, assim, se isola, assim como o carniceiro Benjamin Netanyahu. Os dois, na verdade, se merecem.

No 247
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Entrevista exclusiva de Cássio Moreira com Carlos Araújo

Carlos Araújo, em entrevista ao Prof. Cássio Moreira, fala sobre Getúlio Vargas, Trabalhismo e os governos Lula e Dilma



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Tucanos em saia justa em SP

Chuva em parque vazio e protesto contra Alckmin atrapalham agenda de Aécio em SP

Candidatos esperavam gravar imagens com eleitores para usar na propaganda eleitoral

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, passou por uma manhã difícil neste sábado (26). Estava nos planos do Senador uma visita ao Parque da Juventude ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do candidato tucano ao Senado José Serra para realizar uma corpo a corpo com eleitores e gravar imagens para sua propaganda eleitoral.

Entretanto, o mau tempo na capital paulista e o parque vazio atrapalharam tudo. O roteiro incial, que previa conhecer o Memorial Carandiru — o parque fica no local no antigo presídio —, uma passada na ETEC da região e um lenta caminhada pelo parque foram substituídas por uma breve visita à Biblioteca São Paulo e uma corridinha pela chuva até o carro.

Antes, os tucanos tomaram um café para espantar o frio. Quem pagou os R$ 24 pelas oito xícaras consumidas foi Alckmin, que brincou.

— Você vai registrar agora um momento histórico, vou pagar a conta.

Serra foi o primeiro a ir embora, logo após à visita à biblioteca. No caminho até o carro, Aécio e Alckmin passaram por jovens que ainda resistiam à chuva e jogavam futebol nas quadras do parque. Alguns se aproximaram para tirar fotos com os candidatos, mas foram os que ficaram de longe que mais chamaram a atenção.

Enquanto Aécio passava apressado pelos pingos d´água, os jovens começaram a gritar "legaliza! legaliza!". Sem entender, o tuano pediu aos assessores mais próximos que lhe explicassem o que era demandado pelos potenciais eleitores. Quando soube do que se tratava, sorriu e seguiu em frente.

Protesto

Outro momento constrangedor foi quando Amabile Lopes, professora da rede estadual de ensino de São Paulo, se aproximou de Geraldo Alckmin fazendo um agradecimento. O governador virou-se então e estendeu a mão para cumprimentar a professora, que disparou:

— Muito obrigada por ter me demitido na última sexta-feira.

Desconcertado, Alckmin disse que não demite ninguém, que isso é atribuição da Secretaria de Educação e prometeu que iria "verificar o que aconteceu".

Filippo Cecilio
No R7
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Ibope 2014: acho que o Globo quer ajudar os tucanos na decolagem


Compare o Globo com o Globo.

Em 2010, no Ibope de julho, Dilma tinha 39%, Serra 34%, Marina 7% e os outros 1%.

Dilma, portanto, tinha 39 contra 42 da soma dos outros.

Ou seja, não vencia no 1º turno. Mas vencia no 2º turno por 46 a 40 de Serra.

Qual seria a manchete natural?

“Dilma lidera e hoje venceria 2º turno”, certo?

Errado.

Essa manchete voou no tempo e veio pousar na primeira página do Globo de hoje.

Você vai pensar que os números das pesquisas ocuparam os mesmos assentos em 2010 e 2014, mas perdeu o voo mais uma vez.

O Ibope divulgado terça-feira (22) aponta Dilma com 38, Aécio com 22, Campos com 8 e todos os outros com 7.

Ou seja, Dilma vence no 1º turno de 38 a 37.

Essa poderia ser a manchete natural, mas parece que caiu no vácuo.

O que será que explica essa acrobacia aérea?

Na minha opinião, o Globo ficou com peninha dos tucanos e resolveu dar um empurrãozinho para ver se pega no tranco.

Um pouco de gás, digamos assim.

A oposição precisa acreditar que o seu plano de voo para vencer esta eleição não tem nuvens pesadas pela frente.

Mas está difícil encontrar o tão sonhado céu de brigadeiro.

Talvez seja melhor tratar de pedir logo permissão para aterrissagem no aeroporto de Cláudio, MG... e boa viagem!

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Aécio usou lei delegada para contratar parentes no governo de Minas

Em 2006, o deputado estadual Rogério Correia (PT) apresentou requerimento de informações sobre nepotismo de parentes do então governador Aécio Neves. A lista tinha nove nomes

Aécio desfruta de conforto para pousar
suas aeronaves em Cláudio (MG)
Em janeiro de 2007, Aécio Neves (PSDB), no início do seu segundo mandato para governador de Minas, utilizou-se de sua maioria na Assembleia Legislativa para obter uma carta branca para criar cargos comissionados e nomear pessoas (a chamada lei delegada). Nesse processo, o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG) usou a legislação para nomear Fernando Quinto Rocha Tolentino, primo de Aécio, em Cláudio, local do polêmico aeroporto construído na fazenda que era do tio.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo a respeito do aeroporto de Cláudio, quem atendeu o repórter e estava com as chaves do local chama-se Fernando Tolentino. Mas essa não foi a primeira nomeação deste primo pelo ex-governador tucano.

Em 2006, o deputado estadual Rogério Correia (PT), da oposição ao governo tucano, apresentou um requerimento de informações sobre nepotismo de parentes do então governador Aécio Neves. A lista tinha nove nomes, inclusive Fernando Quinto Rocha Tolentino:

— Oswaldo Borges da Costa Filho (genro do padrasto do governador), presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico e Minas Gerais;

— Fernando Quinto Rocha Tolentino (primo), assessor do diretor-geral do Departamento de Estradas e Rodagem (DER/MG);

— Guilherme Horta (primo), assessor especial do governador;

— Tânia Guimarães Campos (prima), secretária de agenda do governador;

— Frederico Pacheco de Medeiros (primo), secretário-adjunto de estado de governo;

— Andréia Neves da Cunha (irmã), diretora-presidente do Serviço de Assistência Social de Minas Gerais (Servas);

— Ana Guimarães Campos (prima), servidora do Servas;

— Júnia Guimarães Campos (prima), servidora do Servas;

— Tancredo Augusto Tolentino Neves (tio), diretor da área de apoio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

Heliponto na "Versalhes"

Fernando Quinto Rocha Tolentino é dono do heliponto na Fazenda da Mata no município de Cláudio, segundo documento da Agência Nacional de Aviação Civil (abaixo). Essa é a fazenda que Aécio disse em uma entrevista ser "sua Versalhes" (palácio suntuoso do rei Luís XIV, da França), um dos lugares onde gosta de passar suas folgas.

Desta vez, pelo menos, o heliponto está registrado na Anac como privado, diferente do aeroporto na mesma cidade construído com dinheiro público. Tem pavimento com capacidade para receber um helicóptero com peso de cinco toneladas, incluindo a carga. Comporta um aparelho bem maior do que o Robinson R22 da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG) apreendido no Espírito Santo com meia tonelada de cocaína.

Chique essa "Versalhes" do Aécio, não acham? Quando vai de helicóptero desce direto na fazenda da família. Quando vai de jatinho, não precisa nem descer no aeroporto regional de Divinópolis, a menos de 40 minutos de carro. Desce no aeroporto construído a seis quilômetros de distância da fazenda com dinheiro público de Minas.


No Blog da Helena/RBA
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Quando o anão moral Israel atacará o gigante Brasil?

Frank Maia
A reação de Israel à nota diplomática brasileira de condenação dos crimes em andamento em Gaza é consoante ao seu momento de barbárie mais aguda, que faz haver, em suas dirigências civil e militar, cegueira quase que total do que se dá no mundo. Na verdade, sua reação verbal se deu nestes termos porque Israel não pode atacar belicamente o Brasil. Ou seja: atacaram com as palavras com a virulência que se autoimpuseram por não lhes ser possível fazer o que de fato desejavam, qual seja, atacar o Brasil por sua insolente independência, tal qual fazem hoje com Gaza.

Israel, com isso, prova o quanto é um país agressivo, arrogante, que imagina poder resolver as questões que lhe afetam pela imposição, através das armas ou por meio da chantagem imoral à devassidão, de seus pontos de vista unilaterais e ao arrepio de todo o regramento legal internacional, algo que lhe vinha sendo possível desde que passou a existir sob os escombros e cadáveres da Palestina limpada etnicamente. O atual momento, no qual as realidades parecem destoar do que espera a mimada Israel, leva seus dirigentes à insânia e às manifestações tresloucadas, agora dirigidas contra o Brasil, uma nação soberana e com a qual mantém relações diplomáticas e econômicas plenas.

Esta manifestação absolutamente inaceitável é, para muito além de razão de indignação de cada brasileiro, um alerta do que de mais grave há por trás: o quanto Israel representa de perigo para a humanidade, algo já detectado em sondagens de opinião na Europa, nas quais o estado pretendido como judaico é apontado pela maioria dos consultados como o maior perigo à paz mundial. Frente à grosseira manifestação de Israel, repercutida por organizações que se autointitulam representativas das comunidades judaicas, especialmente no Brasil, fica a pergunta: o que este estado fará quando instado pela comunidade internacional, por meio de resoluções cogentes não vetadas pelos EUA, a cumprir com suas obrigações e, ao fim e ao cabo, estar obrigado a reconhecer todos os direitos civis, humanitários e nacionais dos palestinos? Utilizará as armas nucleares que detém sem permitir que sejam inspecionados pela Agência Internacional de Energia Nuclear, e seus arsenais químicos e bacteriológicos, produzidos e armazenados ilegalmente e também não inspecionados, em insana reação armada, com a qual visará intimidar o mundo por meio de ameaça de hecatombe?

Não são poucos os que assim suspeitam, seja pela forma com que nasceu Israel, baseado na expulsão de metade ou mais de toda a população palestina, seja pela forma com que existiu até os dias atuais, sempre optando pela guerra em lugar das soluções negociadas, e destas, quando impostas pelas circunstâncias, tendo desviado o quanto pôde, sempre construindo, de tempos em tempos a seguir, e artificialmente, novas razões de ruptura da calmaria que levaram a novos e sucessivos banhos de sangue nos quais foram afogados os palestinos e os povos vizinhos, destacando-se o libanês.

O mundo precisa estar alerta. A reação despropositada de Israel para com um país que sempre foi, em muitas medidas, seu amigo, nos dá muitas pistas do que de fato está se transformando este estado. O ataque sem precedentes ao Brasil, em linguagem que a diplomacia, em regra, não admite, é equivalente à sua reação às reivindicações palestinas, com a diferença de que contra o povo palestino a reação se dá por meio de armas, sem nenhuma medida de proporcionalidade ou cuidado com as destruições e mortes, olímpicas quando comparadas com qualquer consequência sofrida por Israel. Por enquanto suas reações, ainda que tresloucadas, frente a posturas justas de países como o Brasil, são verbais. No entanto, ela se dará por meio das armas, um dia, contra qualquer país que ouse lhe reprimir frente aos crimes que comete se nada for feito para frear a sanha assassina de Israel, sempre impune graças a um veto na ONU, o dos EUA.

Além do mais, Israel, na condição de anão moral que é, não reúne nenhuma condição que lhe autorize classificar o Brasil como anão político, algo inclusive longe de ser verdadeiro, visto que este vive, atualmente, seu momento de maior protagonismo internacional, qual seja, deixando de ser o anão político e diplomático que já foi, e nem de irrelevante, ao menos na ilógica e pervertida ótica de Israel, país artificial e baseado na limpeza étnica. Inclusive Israel deve ao Brasil, em boa medida, a aprovação da malfadada resolução 181 da ONU, a da partilha da Palestina, da qual resultou a sua auto criação e a varrição étnica dos palestinos, esta a causa direita do que hoje ocorre nesta parte do mundo, nada mais do que o mero efeito da verdadeira causa.

A nossa máxima indignação aos insultos israelenses se dá, inclusive e especialmente, porque o anão diplomático, e que prefere recorrer às armas contra população indefesa, e irrelevante por nada acrescentar o atual momento histórico, inclusive para o Brasil altivo de hoje, é Israel. Relevantes, para o Brasil, são as nações que respeitam os direitos humanos e o direito internacional, jamais o contrário. Israel, pela sua atitude frente ao Brasil, deu mais provas de sua inaptidão para a diplomacia e de sua já manifesta e perceptível irrelevância para o concerto das nações, já por demais demonstrada, em sucessivas ocasiões na ONU, organismo no qual este estado facínora só conta com seu próprio voto, o dos EUA, este com poder de veto, garantidor da sua olímpica impunidade, e de no máximo mais três a cinco outros votos, não raro de micro estados insulares cujas atividades são “bancárias” e sem fiscalizações, ou seja, que lavam dinheiro oriundo de toda a criminalidade global.

O Brasil, ao contrário do que diz Israel, é um gigante em muitos sentidos, dos quais vale destacar, como marca verdadeira de sua já visível condição de potência a: econômica (está entre as seis maiores economias do mundo, a julgar como aceitáveis os atuais anacrônicos parâmetros de medição das riquezas produzidas a cada ano), alimentar, hídrica (hidráulica para a energia e água potável indispensável à vida), biogenética, ambiental, científica, territorial, energética (inclusive e muito fortemente em termos nucleares, com um dos processamentos mais modernos de urânio, em planta industrial nacional, bem como gasífera e petrolífera quase inigualável, para não falar das capacidades e tecnologias em energias renováveis a partir da biomassa), marítima (pela extensão continental de sua costa oceânica e pelo complexo sistema de embarcações e submarinos que vem desenvolvendo para sua defesa, especialmente, neste momento, defesa das riquezas do pré-sal), política e diplomática (lidera o Mercosul e a Unasul e é um dos países integrantes dos chamados BRICs, cuja união e últimas resolução estão a impor um novo mundo multipolar, que desafia o atual, unipolar e no qual se sustentam regimes párias, como o israelense) e, por fim, ainda que haja quem disto não goste, militar, especialmente agora que o Brasil resolveu construir um exército à altura de sua importância estratégica, engajado na defesa nacional frente aos perigos provocados pelos inimigos notórios deste novo mundo que busca nossa nação arquitetar, juntamente com outras grandes nações desejosas deste mesmo novo alvorecer global.

As circunstâncias acima elencadas são aquelas em regra perceptíveis para a definição de uma potência, ainda que apenas nascente fosse. Entretanto, há outros fatores menos conhecidos e presentes no Brasil de hoje. Destacam-se dois, ao menos: o combate à miséria e o combate ao racismo. Como o Brasil vem promovendo estas duas agendas internamente com indubitável sucesso, não há dúvidas de que nosso país cria novos paradigmas que servem de exemplos para outros países, o que implica dizer, em grossas palavras, que esta nova potência da solidariedade está, com seu exemplo, mexendo num mundo em que poucas nações se servem justamente da miséria e do racismo para pilhar nações e continentes inteiros, algo que se dá por meio de intrincados mecanismos econômicos, financeiros, políticos e diplomáticos, universo no qual se inserem as malfadadas patentes de alimentos e medicamentos (pequeno exemplo, pois há muito mais) e militares, estes últimos somente possíveis porque o mundo após a chamada 2ª guerra mundial foi arquitetado para obedecer ao que ditado por organismos multilaterais absolutamente hegemonizados pelas potências vencedoras deste conflito armado, no qual, portanto, são possíveis estas guerras desde que deles sejam beneficiárias as mesmas nações que o construíram. E o Brasil não tem se limitado a dar o exemplo. Nestes dois particulares (combates à miséria e ao racismo), o Brasil tem exportado suas experiências, mais fortemente para o continente africano e para outras nações sul americanas, mas já ensaiando leva-las para mais longe.

Assim colocada as coisas, não há como restarem dúvidas quanto ao estado que detém a condição de anão, não apenas, no caso, político, mas também moral. Este é olimpicamente Israel, hoje um estado pária, cujos dirigentes, civis e militares, têm seus movimentos limitados a pouquíssimos países devido ao temor de prisão para responderem por seus inauditos crimes de lesa humanidade, mais notoriamente promovidos contra os palestinos, mas não só, posto que já é de conhecimento da humanidade sua implicação em crimes de escala planetária, sendo pequeno exemplo sua atuação ativa em quase todos os golpes militares havidos nas Américas do Sul e central, regimes golpistas aos quais emprestou treinamento em torturas e assassinatos. E, de outro lado, não há nenhuma dúvida quanto ao colossal Brasil como o gigante que é em nossos dias, inclusive como a primeira nação que se faz potência sem ser imperialista, o que coloca, em igual tempo, os anões políticos e diplomáticos nas prateleiras das irrelevâncias históricas que, no caso de Israel, conta com a agravante de ser um anão moral, pois nenhuma outra nação no mundo se serve de aberto regime de apartheid e da limpeza étnica para existir, desde o nascedouro até nossos dias.

E se nada disto nos convencesse, restaria a questão: se o Brasil fosse, de fato, um anão político e uma nação irrelevante, ladrariam tão ferozmente os dirigentes sionistas de Israel e alguns de seus lacaios, dentre eles alguns veículos de comunicação, verdadeiras agências de propaganda que se dão ao luxo de ter redações para se afirmarem jornais, revistas ou telejornais? Invertam-se as polaridades e teremos conhecido o verdadeiro anão, moral, ético, político e diplomático, e este não é o Brasil.

Ualid Rabah
Diretor de Relações Institucionais da
FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil

No Oriente Mídia
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O papel-higiênico do jornal

O Globo associa deputados do Psol e PC do B a atos violentos praticados por manifestantes e não ouve o chamado 'outro lado". Jean Wyllys (Psol-RJ) responde


Eu tenho amigos trabalhando em O Globo. Estes sabem que os respeito e sabem que sei distingui-los do jornal em que ralam. Em outras palavras, eles sabem que eu sei separá-los do desejo editorial da empresa e dos interesses de seus patrões (trabalhei anos num jornal de direita e me lembro do quanto nos constrangia as imposições dos donos dos jornais e seus títeres na redação). Logo, meus amigos que trabalham em O Globo não tomarão este comentário como algo pessoal.

Embora o conteúdo de nossa reclamação ao CNJ (em razão da violação dos direitos dos manifestantes a um julgamento justo e a ampla defesa no tempo das garantias jurídicas perpetrada pelo governo do Rio de Janeiro com apoio de um juiz e de um promotor) seja evidente; embora o conteúdo da reclamação, por si só, deixe claro, para qualquer pessoa minimamente inteligente, que nossa intenção não é defender violência nem depredações praticadas por manifestantes, mas, sim, defender os princípios do Estado Democrático de Direito; e embora nós tenhamos publicado em El País e em nossas redes sociais já que O Globo não abriu qualquer espaço para nos ouvir — uma nota esclarecendo DIDATICAMENTE (como se explica a uma pessoa com problemas de cognição) qual o objetivo de nossa reclamação, o editorial de hoje de O Globo volta a fazer as ilações desonestas que as "reportagens" do Fantástico e dos telejornais da TV Globo já haviam feito, no sentido de nos associar (nós os parlamentares do PSOL mais a deputada federal Jandira Feghali) a atos violentos praticados por manifestantes.

Há duas hipóteses para essa atitude de O Globo. A primeira é a de que o editor (aquele que dá a linha "editorial" à cobertura e assina o texto do editorial propriamente dito) é uma pessoa que sofre de problemas cognitivos e, por isso, não consegue ler e entender mais que fachada de loja. Esta hipótese, eu descarto. A segunda hipótese é a de que O Globo está dando seqüência ao que sabe fazer bem quando quer: tentar destruir reputações de pessoas que contrariam seus interesses, intoxicando seus leitores com deturpações e ilações canhestras e desonestas intelectualmente.

Ora, não estamos esquecidos da pesada e assustadora campanha difamatória empreendida por O Globo contra Marcelo Freixo, buscando associá-lo, de maneira desonesta e forçosa, baseada em disse-me-disse, à morte do cinegrafista Santiago Andrade. Dessa campanha difamatória, que só encontrou paralelo na edição fraudulenta do debate entre Collor e Lula feita pelo Jornal Nacional em 1989, com o intuito de derrubar o candidato petista, dessa campanha, O Globo saiu desmoralizado pela hastag #LigacaoComFreixo.

E não estamos esquecidos do tratamento que O Globo (e os telejornais da TV Globo) deram às manifestações populares de junho do ano passado - criminalizando-as e justificando a desmedida violência da polícia contra elas - antes de tentar tirar proveito político das mesmas contra o governo Dilma.

Há outros exemplos do comportamento anti-ético por parte de O Globo e dos telejornais da Globo, principalmente em ano eleitoral.

Logo, o editorial de O Globo de hoje cumpre seu gasto papel de difamar quem contraria seus interesses, ao, mais uma vez, deturpar o propósito de nossa reclamação ao CNJ e ignorar que o ministro do STF Marco Aurélio de Mello pensa da mesma forma que nós:

"Não devemos esquecer que a prisão preventiva é sempre uma exceção e não uma regra. Não consigo vislumbrar nessas manifestações, criminosos, pessoas perigosas. Há uma crítica ao que se fez que é primeiro prender para ver o que tem errado. Sem considerar o princípio da culpabilidade. Não vejo porque uma ordem de prisão nesse momento antes de instaurar inquérito. Para mim é extravagante."

O Globo também ignorou a nota de respeitados juristas do país, em que estes se posicionam contra a violação do Estado de Direito que as prisões dos manifestantes no Rio de Janeiro — sem o devido processo legal, sem o direito a defesa, sem que provas sejam apresentadas contra os acusados e com abuso de prisões preventivas e temporárias - representam.

Eu construí, nesses quatro anos, um mandato comprometido com a defesa e promoção dos Direitos Humanos e das liberdades individuais. Um mandato respeitado e elogiado inclusive internacionalmente. Conquistei essa posição com trabalho, transparência e coerência, enfrentando, desde o primeiro ano, os ataques e difamações vindos dos fascistas e fundamentalistas religiosos. Sou honesto material e intelectualmente. Esforço-me por resgatar, principalmente junto às novas gerações, o apreço pela política e pelo parlamento.

E aí, vem o jornal O Globo e tenta, ao seu bel-prazer e por entender que minha atuação, nesse caso (atuação coerente com minha atuação em outros casos de violação de Direitos Humanos), contraria os seus interesses, destruir minha reputação, associando-me a uma violência que repudio.

O Globo passa sua vida enchendo suas páginas com reclamações sobre a falta de qualidade dos políticos que representam o povo brasileiro, mas, não pensa duas vezes em tentar destruir alguém que tem as qualidades que ele tanto reivindica.

E são curioso os critérios jornalísticos de O Globo (e dos telejornais da Globo), que ignoram solenemente a tortura e o assassinato de um menor por agentes da polícia do Rio, bem como o "grampo" ilegal da polícia em telefones de advogados, para dar prioridade a manifestantes acusados de crimes que ainda não cometeram. Se este é o "papel de um jornal", só pode ser o papel higiênico.

Jean Wyllys
No CartaCapital
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Por que só cobram Dunga por sonegação? E a sonegação da Globo?

Só ele?
Eu só queria entender o seguinte: por que a Receita Federal cobrar de Dunga 900 mil reais é notícia e a Receita Federal cobrar da Globo quase mil vezes mais não é.

Nenhuma sociedade pode florescer à base de sonegação. Fato. Mas por que os holofotes estão em Dunga e esquecem a Globo?

Foi a Folha que trouxe a informação de que Dunga está sendo cobrado.

A mesma Folha, depois de dar constrangidamente uma nota sobre a sonegação da Globo, simplesmente silenciou sobre o assunto, como se ele não existisse.

Mas existe.

Repito: nenhuma sociedade funciona quando se espraia o vício da sonegação.

Recentemente, a Alemanha enfrentou um drama. O presidente do Bayern, Uli Hoeness, um cidadão exemplar, referência de conduta para todos os alemães, foi flagrado num caso de sonegação.

A Alemanha ficou chocada.

O governo se pronunciou: a Alemanha não poderia funcionar com aquele tipo de comportamento.

O dinheiro do imposto constrói escolas, paga professores, faz hospitais etc etc.

Hoeness foi rapidamente julgado e condenado a cinco anos de prisão. Ele poderia apelar para tentar reduzir a pena.

Mas, depois de uma conversa com a filha, decidiu não recorrer. Era uma forma de se redimir, ou ao menos buscar a redenção.

Clap, clap, clap.

Para Hoeness, pelo gesto grandioso depois da pequenez da sonegação. E para a Alemanha, pela cultura de retidão nos compromissos dos indivíduos perante a coletividade.

O que dói, no Brasil, é a diferença de tratamento.

Dunga prevarica e é manchete. A Globo prevarica em dose mil vezes maior e só é cobrada na internet.

Quando casos similares forem tratados de maneira igual, o Brasil será uma sociedade avançada.

Por enquanto, infelizmente, como no grande livro de Orwell, alguns brasileiros são mais iguais que os outros — bem mais iguais.

Paulo Nogueira
No DCM
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Sindicato denunciará Santander Brasil na Espanha por 'gestão temerária'

Banco enviou carta a clientes condicionando ganhos em investimentos a queda de Dilma em pesquisas. Para entidade, gesto é parte de um conjunto de medidas que comprometem desempenho da instituição

Zabalza, presidente do banco espanhol, dirigiu Divisão
América da instituição antes de assumir comando no país
O Sindicato dos Bancários de São Paulo fará reclamação formal ao presidente mundial do banco Santander, Emilio Botín, contra a gestão do presidente da instituição espanhola no Brasil, Jésus Zabalza. De acordo com a diretora-executiva da entidade Rita Berlofa, a “atuação alarmista” do banco em pleno ambiente eleitoral brasileiro não é um caso isolado, mas parte de um conjunto de práticas que permite classificar a gestão do Santander no país de “temerária”.

A dirigente refere-se ao comunicado enviado pelo banco a clientes de renda alta, em que afirma haver “pessimismo e falta de confiança crescente”, mas que se a presidenta Dilma Rousseff “se estabilizar ou voltar a subir nas pesquisas, um cenário de reversão pode surgir... revertendo parte das altas (financeiras) recentes (obtidas por investidores)”.

Rita considera o gesto do banco “irresponsável” para com a economia brasileira. “Uma instituição desse porte não pode, ainda que tenha preferência eleitoral, praticar especulação, agredir a imagem do país e pôr em dúvida a nossa estabilidade. Vivemos situação de crescimento tímido por conta de um cenário mundial complicado, mas sustentável, com inflação controlada, juros estáveis e crescimento de empregos e renda”, diz. “Um grande banco que está aqui há 14 anos, ao apostar contra o país onde obtém um quarto de seu lucro mundial revela-se, ele sim, um perigo para seus acionistas”, critica a sindicalista, que pondera, no entanto, não se surpreender.

Segundo a dirigente, a chegada de Zabalza ao comando do banco no Brasil, em maio do ano passado, foi cercada de incertezas. “Desde lá, vem fazendo política esquisita de redução de despesas, incluindo desde o corte de gastos com água e cafezinho, passando por redução de pessoal de limpeza até o corte de trabalhadores responsáveis por atendimento e negócios, piorando drasticamente o ambiente interno de pressões e condições de trabalho e repercutindo de maneira visível na qualidade de atendimento. Simplesmente falta gente em todas as áreas”, enumera.

A determinação na “austeridade”, segundo Rita, culminou com a redução de 4.800 postos de trabalho e no fechamento de 150 agências no ano passado. “Em contrapartida, aumentou a bonificação de altos executivos em mais de 38%.”

Em junho, o Santander liderou o ranking das instituições financeiras com maior número de reclamações em levantamento do Banco Central. Foi o quinto mês em 2014, dos seis mensurados, em que a marca esteve no topo das queixa dos usuários.

Integrante da Comissão de Empresa dos empregados do Santander, Rita revela que a conduta do banco no Brasil tem sido objeto de preocupação nos países em que a instituição atua no continente. E que Jesús Zabalza é conhecido de representantes sindicais de Argentina, Chile, México, Peru, Porto Rico e do Uruguai, países componentes da Divisão América do banco, da qual o executivo foi diretor-geral antes de assumir a presidência da unidade brasileira. “Tenho participado de muitas reuniões com sindicalistas desses países e todos demonstram preocupação com eventuais impactos da política de Zabalza nas relações de trabalho e no próprio desempenho global do Santander. Vamos encaminhar formalmente um documento ao presidente mundial do banco, Emilio Botín, expressando nossas preocupações.”

A repercussão na imprensa e nas redes sociais levou o banco a soltar comunicado em sua página na internet. “O Santander vem a público esclarecer que o texto enviado a um segmento de clientes, que representa apenas 0,18% de nossa base (…) não reflete de forma alguma o posicionamento da instituição”, diz a nota.

Para a diretora do sindicato, o desmentido oficial do banco dificilmente irá minimizar o que pode ser um “tiro no pé” do ponto de vista dos supostos objetivos políticos da carta enviada aos correntistas: “As pessoas mais críticas poderão interpretar que, se um banco como esse é contra a presidenta Dilma, é ele, e não ela, o problema do Brasil”, ironiza.

reproduções

Paulo Donizetti de Souza
No RBA

* * *

Santander lidera o ranking de instituição bancária mais reclamada pelo Banco Central

Na lista do BC com as principais reclamações figuram 35 queixas diferentes. Em junho, último mês divulgado pela instituição, débitos não autorizados ocupavam a primeira posição entre os problemas enfrentados pelo consumidor e o Santander era a instituição mais reclamada nesse quesito — ocupando a liderança em 2014 (Maio, Março, Fevereiro e Janeiro) consecutivo como banco mais reclamado pelo órgão regulador. Quando o tema era cobrança irregular — serviço não contratado, o nome no topo do ranking era Banco do Brasil.

Números do BC / Mês Junho 2014

Qualquer pessoa pode procurar o Banco Central para denunciar e reclamar as práticas ilegais dos bancos, consórcios e cooperativas, clique aqui.
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Turista da Veiga visita Cláudio-MG e o Aeroporto do amigo Aécio

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"A gente somos irrelevantes"

Qualquer pessoa medianamente informada sobre a formação econômica, política e cultural do Brasil deve estar se perguntando nos dias que correm qual o sentido das candidaturas de Aécio Neves e Eduardo Campos à presidência da nação.

Afinal já lá se vão mais de quinhentos anos que as caravelas cabralinas aqui chegaram e o país ainda mantém certo ranço colonialista em muitas cabeças, algumas até vivendo de sesmarias. Ambos, Aécio e Campos, são dignos representantes do secular coronelismo e de uma elite que ajudou nesses cinco séculos a colocar o Brasil no rol dos países politicamente irrelevantes, como afirmou o “relevante” e “civilizado” governo israelense.

Entre nós brasileiros a formação de um quadro político se assemelha por vezes à de outras profissões que não requerem especialização ou conhecimentos mais verticalizados de determinados fundamentos e por isso qualquer um de nós pode chegar a ser um político profissional. Ao contrário, por exemplo, de um médico cirurgião que leva anos para aprender a usar um bisturi como deve ser.

Eduardo Campos, não se sabe bem o porquê, resolveu se meter numa eleição que — o mínimo que se pode dizer — é que ainda não era chegada a sua hora e vez. Mal comparando, lembra alguns dos personagens de Shakespeare que misturam inveja, ambição, traição e outras “virtudes” e assim, sem mais nem menos, consideram que estão preparados para o que der e vier. Não sabe de nada, o inocente.

Fica evidente, contudo, que o jovem de olhos azuis, de sua ancestral herança holandesa, deve ter intuído que poderia ser útil para tirar votos da presidente Dilma no nordeste e colocou-se como alternativa à oposição para daqui quatro anos, aliando-se oportunísticamente a uma inexplicável candidata que teve também inexplicáveis 20 milhões de votos nas eleições de 2010.

Já o neto de Tancredo Neves, não passa disso mesmo: continua a ser o neto de Tancredo Neves e ficamos nós sem saber o que é que isso significa no fritar dos ovos...

Como muitos desses ativistas contemporâneos das ruas brasileiras, Aécio e Campos são “contra tudo isso que está aí” e deitam falação a desmerecer os programas sociais do governo Dilma, muitos deles iniciados no governo Lula. E nesse ponto poderemos perguntar a eles: muito bem, o que é que os senhores propõem, então, para melhorar?

Após alguns intermináveis minutos de silêncio, a resposta é: NADA! Nada, nenhuma ideia que se aproveite, nenhum programa econômico ou mesmo social dos quais possamos entender os fundamentos e sua relação com o progresso do país, ao contrário da estratégia de transformação seguida nos últimos doze anos.

O mundo pode estar à beira de uma crise de resultados catastróficos. A frase, recheada de algum lugar comum, revela por um lado o cinismo do já antigo complexo industrial militar e do lobby judaico/americano que o defende com unhas, dentes e armas atômicas. E por outro lado amplia a insensibilidade de muitos países no mundo que se tornam indiferentes ao que se passa a sua volta.

O carcomido neoliberalismo econômico e seus relutantes defensores aqui e ali embasam, paradoxalmente, no Brasil, a falta de ideias e de programas dos que defendem uma mudança radical numa estratégia de governo que vem colocando o país em lugar de destaque no mundo e, convenhamos, até aqui nunca dantes conseguido.

Colocar entraves a essa estratégia é o pífio objetivo da atual oposição brasileira, conservadora, atrasada em suas ideias (quando as tem), atrelada a uma imprensa que se coloca perversamente na trilha impatriótica e obtusa do “quanto pior melhor”.

O Brasil, em outubro próximo, não pode dar um salto no escuro. Não pode ficar refém daqueles que interna e externamente consideram que “a gente somos irrelevantes”. Porque esses, já perderam a vergonha na cara e o rumo da História.

Izaías Almada
No Blog do Miro
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Apertem os cintos! O piloto Aécio sumiu!

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Outro aeroporto de Aécio?

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Vasculhando a internet, encontramos uma matéria sobre um "suposto" aeroporto fantasma que recebeu uma verba para reforma de 5 milhões do Governo do Estado de MG. O único problema é que o aeroporto não existe

Nem só do aeroporto de R$ 14 milhões da cidade de Cláudio pode se alimentar a mídia, mas também do inexistente aeroporto da terra de Drummond. Panfleto eleitoral de 2010, distribuído pela campanha de Aécio ao Senado e de Anastasia ao governo mineiro, informou sobre R$ 5 milhões liberados pelo governo Aécio para melhorias nas operações do aeroporto de Itabira. Só que, acredite ou não o leitor, no município não existe aeroporto, nem mesmo um simples 'campo de aviação', como se dizia noutras eras. Uma das imagens acima, constante do panfleto, mostra um avião pousado no que seria o tal aeródromo, inexistente, repita-se, colada pelo blog a um trecho de mensagem dirigida ao povo itabirano.

Como a pista é fantasma, ou tão real quanto elefantes alados, e o panfleto indica que foram gastos R$ 5 milhões na reforma, cabe perguntar onde está o dinheiro. Ou onde coube tanto dinheiro assim. E a pergunta fica endereçada também ao ex-prefeito da cidade. Matéria sobre o caso foi publicada em 2011 pelo blog.

Na época o município era governado pelo alcaide João Izael Querino Coelho, hoje candidato a deputado estadual pelo PSL. Entre mais maracutais cometidas, seu governo adquiriu um único computador por meros R$ 223.792,10, que se tornou conhecido como 'o computador da NASA'. Após matéria documentada feita pelo jornal Mosaico sobre a aquisição, João Izael processou o jornal, sem apresentar um único documento para contestar, e pediu R$ 300 mil de indenização, além de censura. Liminar publicada no Diário do Judiciário mineiro proibiu o Mosaico de publicar charges ou fotos do governo itabirano, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. (Leia sobre o caso aqui).

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Poema dos Aécioportos


Era uma pista muito engraçada

Não tinha dono, não tinha nada

Os aviões chegavam não

Só o dele, o do patrão

Não se podia pousar ali

porque a chave era do tio

Que rima horrível essa do tio

Mas o horror não é a rima

É a puta que os pariu!

No O Ornitorrinco
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