25 de jul de 2014

Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte deve ser aprovada até o fim do ano

Presidenta Dilma em audiência com dirigentes de clubes brasileiros de futebol.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.
Dirigentes de clubes brasileiros de futebol participaram, nesta sexta-feira (25) no Palácio do Planalto, de reunião com a presidenta Dilma Rousseff para tratar de alterações na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) do Esporte. A proposta, em tramitação no Congresso Nacional, prevê, dentre outros pontos, o refinanciamento das dívidas dos clubes.

Na oportunidade foi criada comissão coordenada pelo Ministério do Esporte, com participação do Ministério da Fazenda, da Advocacia Geral da União, dos clubes e outros segmentos com atuação no setor para consolidar o projeto da LRF.

De acordo com o secretário Nacional de Futebol do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento, será feita uma análise a partir das reuniões realizadas com as partes envolvidas, como a da última segunda-feira (21) com o Bom Senso Futebol Clube. A intenção é que as modificações no projeto sejam encaminhadas ao Congresso e votadas até setembro.

“Nós temos que correr, tem clube que não chega ao final do ano se esse projeto não for aprovado (…) Temos dois desafio: uniformizar esse projeto e o desafio maior é colocar em votação nas poucas datas que temos para até o final do ano essa lei, da forma como se pensam, já esteja aprovada”, explica o secretário.


Para o presidente do São Paulo Futebol Clube, Carlos Miguel Aidar, a lei trará melhoria para a modalidade: “Nós só queremos que nos sejam dados mecanismos para corrigir o passado daqueles que nos antecederam, que erraram na gestão, que endividaram os clubes, deixaram de pagar impostos, deixaram de pagar tributos, deixaram salários atrasados, geraram passivo trabalhista muito grande. O que nós teremos com a aprovação da LRF é a oportunidade de reequacionar tudo isso e começar daqui para frente um marco zero”.

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Vejam a que ponto chegou a ditadura da Globo no futebol


Na noite da última 4ª feira, na partida Corínthians x Bahia, no Itaquerão, boa parte dos torcedores não pode ver o gol de penalti de Renato Augusto, aos 44 m do 2º tempo, completando os 3 a 0 para o timão. É que por imposição da Rede Globo, o jogo só começou às 22 h, depois do término da novela dela no horário nobre e, estes torcedores precisaram ir embora antes do término da partida, para não perder o último trem do metrô que saia à meia noite da estação Corínthians/Itaquera.

Na altura dos 35 minutos do 2º tempo — por volta das 23h40 — estes torcedores começaram a deixar o estádio, com medo de não conseguir entrar no metrô, ou perder o último trem, da meia noite. Quem ficou até o final, já encontrou o metrô fechado e teve de se virar para chegar em casa.

Mas, a Rede Globo, detentora do monopólio dos direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro, continua intocável. Um de seus principais executivos disse à Folha de S.Paulo, numa declaração de sonso, que a emissora desconhece descontentamento dos torcedores com a mudança de horário do início da partida, que antes começava bem mais cedo.

E a emissora nem precisa se preocupar

Na próxima 3ª feira o governador Geraldo Alckmin concede uma audiência ao presidente do Corínthians, Mário Gobbi, que vai lhe pedir que, em dias de jogo, o metrô que chega até Corínthians/Itaquera funcione até 1 hora da manhã. Quer dizer, tentam um atalho, fazendo tudo o que é possível para não mexer com a poderosa Rede — o presidente Mário Gobbi diz ser obrigado a cumprir o contrato que dá a exclusividade de transmissão dos jogos à emissora.

A direção do metrô antecipou à Folha ser contra a extensão, porque ela vai prejudicar o sistema, uma vez que a partir da meia noite, paralisada a circulação, a empresa começa os trabalhos de limpeza e manutenção dos trens e de todo o sistema metroviário.

E assim, vocês tem mais uma demonstração do poder absoluto de nossa mídia, Rede Globo à frente, mas dos meios de comunicação impressos e eletrônicos em geral. Seus proprietários, os barões da mídia, meia dúzia de famílias no Brasil detentora do monopólio da informação continuam a agir e a impor o que querem a seu bel prazer, já que o país não tem nenhuma forma de regulação da imprensa.

Sem regulação da mídia é difícil mudar

Desde o inicio desta semana, temos mais um exemplo clássico disso, com a absolvição da presidenta Dilma Rousseff num processo do Tribunal de contas da União (TCU) que apurava a compra de refinaria pela Petrobras nos Estados Unidos, e com a história do aeroporto que o candidato a presidente dos tucanos, Aécio Neves (PSDB-DEM), construiu por R$ 14 milhões, dinheiro público de Minas, para a família nas terras de um tio-avô em Cláudio (MG). Os jornalões dão páginas e páginas para o noticiário do processo no TCU e escondem o relativo ao aeroporto dos Neves.

Mais uma prova inconteste do dois pesos e duas medidas da mídia. O escândalo tucano, que abriu a semana, vai sumindo, rapida e silenciosamente, dos noticiários. Já a aceitação da denúncia contra os diretores da Petrobras pela compra de Pasadena ocupam páginas inteiras. E pior: as manchetes dos jornais praticamente citam a absolvição da presidenta Dilma. Os poucos que o fazem, querem fazer crer que se tratou de acordo ou ação eleitoreira para absolvê-la.

Até parece que o TCU não é um ninho do oposição ao governo, responsável, inclusive, por paralisações de obras fundamentais para o país, em ações que se revelaram políticas e completamente eleitoreiras ao longo do tempo…. Os jornais de ontem são um exemplo vivo da manipulação e escamoteamento das duas notícias com fins eleitoreiros: davam uma página para o caso do TCU/Petrobras e meia para o aeroporto dos Neves — o 1º com grandes manchetes na 1ª página; o 2º desapareceu das capas da imprensa.

Não esperem editoriais de censura a Aécio por construção de aeroporto

Agora, editoriais condenando o então governador mineiro Aécio Neves pelo que fez? Nem pensar! Afinal, prejudicaria eleitoralmente o candidato deles. Na Rede Globo, nada diferente quando o assunto é este aeroporto do candidato tucano ao Planalto. No Jornal Nacional de 2ª feira (21.07), um dia após a denúncia surgir, 1 minuto e meio destinado à resposta de Aécio, em uma matéria de pouco mais de 3 minutos. E com sugestão de que a máquina pública federal teria sido usada para descobrir o caso.

No Bom Dia Brasil, também da Rede Globo, na 3ª feira, a mesma toada: reportagem seguida da representação de Aécio contra a ANAC e a presidenta Dilma, ocupando quase metade do tempo destinado ao assunto. Evidentemente que defendemos o direito de resposta, mas o problema é que ele inexiste quando é para nós, do PT.

No Blog do Zé

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A Globo e os corintianos que perderam o metrô por causa de uma novela

Pobre torcedor brasileiro. Pobre corintiano. Num campeonato do jeito que é, ainda mais triste na ressaca do pós-Copa, ter de sair 10 minutos antes do final da partida para poder ir para casa é dureza.

Na quarta passada, muitos não viram o terceiro gol do Corinthians, de Renato Augusto, na vitória de 3 a 0 sobre o Bahia.

A partida começou às 22h por causa da novela. O último metrô sai um pouco depois da meia-noite. Quem foi embora antes soube pelo rádio do pênalti, ou ouviu ao longe os gritos no estádio (o que é mais desesperador). Quem esperou teve de se virar. Os que estavam de carro foram para a cama à 1 da manhã.

O horário estapafúrdio das partidas é definido pela CBF e pela Globo, a detentora dos direitos do campeonato.

Um torcedor criou um abaixo assinado online reclamando trens por mais tempo. O presidente do Corinthians, Mario Gobbi, terá uma audiência com Alckmin para insistir nesse ponto.

Ora, Alckmin não deve mudar nada — e estará correto. Não faz sentido o transporte público de uma cidade fazer uma mudança como estas em função de um clube.

A voz sensata, embora sem força, partiu da vice-prefeita Nádia Campeão. Em entrevista à ESPN, ela disse que “é mais razoável antecipar o horário das partidas do que mudar o funcionamento de toda a rede de transporte de massa”. Para Nádia, “o interesse público deve continuar preservado”.

O Brasil é o único caso, no mundo civilizado ou relativamente civilizado, em que a grade de uma TV determina a agenda do futebol.

Já causa estrago suficiente os clubes serem reféns desses contratos milionários. Se o dinheiro servisse para melhorar o nível do espetáculo, vá lá. Não acontece.

Coisa completamente diferente é um folhetim forçar uma alteração no transporte público de São Paulo.

Há dois anos, Bruce Springsteen se apresentou no Hyde Park, de Londres. No final do show, subiu ao palco Paul McCartney. Por volta das 23h40, depois de “Twist and Shout”, os microfones foram simplesmente desligados. O espetáculo havia ultrapassado o limite da lei do silêncio da região. O guitarrista Steven Van Zandt denunciou o “estado policial” e blablablá. Um abraço. Continua tudo como antes.

Se o metrô sair mais tarde, não estará atendendo aos corintianos, mas à Globo. Não é à toa que a novela se chama “Império”.

Kiko Nogueira
No DCM

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Insano horário do futebol

O que todos temiam, aconteceu enfim.

Torcedores perderam o último trem do Metrô depois do jogo de ontem na Arena Corinthians.

Uma coisa era perder o Metrô no Pacaembu, região central.

Os precavidos [como eu] saíam antes do término do jogo e literalmente corriam até a Estação Paulista.

Outra, em Itaquera.

Ou a GLOBO antecede em meia hora os jogos da quarta à noite, que, se começassem às 21h30, dariam tempo de folga para a evacuação de torcedores, ou a empresa disponibiliza trens para depois da 0h30.

O último trem do Metrô partiu da Estação Itaquera por volta de 0h24.

Sem contar os funcionários que trabalham no jogo e têm que esperar até amanhecer e reabrir o acesso ao transporte público.

O repórter Fabio Hecico conta que, inconformados, torcedores que não conseguiram embarcar reclamaram da TV Globo, detentora dos direitos de transmissão, e do governador Geraldo Alckmin, considerados culpados pelo horário da partida.

Foi o primeiro jogo do novo estádio que começou às 22h.

O trajeto entre o estádio e a estação leva 15 minutos.

É um dilema que se arrasta há anos.

Uma prova já debatida de maus tratos ao torcedor [consumidor].

O ex-prefeito Gilberto Kassab chegou a proibir jogos que terminassem nesse horário.

Em vão.

Faz-se um apelo à emissora e à companhia.

Bom-senso…

Marcelo Rubens Paiva
No Estadão
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Mercadante analisa o derrotismo da mídia e as chances de Dilma


Na campanha de Dilma Rousseff, a argumentação econômico-financeira está sendo elaborada pelo Ministro-Chefe da Casa Civil economista Aloizio Mercadante.

Aqui vai um resumo de uma conversa de mais uma hora com Mercadante.

A cobertura da Copa

Mercadante invoca a cobertura da Copa pelos jornais para reforçar a tese de que parte da responsabilidade pela quebra das expectativas empresariais decorreu de uma cobertura terrorista da imprensa e do fato de esconder os pontos positivos do país e que, nesse período, a economia se robusteceu.

Pede que se compare a cobertura da mídia pré-Copa e os resultados alcançados.

No Palácio do Planalto foi montada uma super-sala de situação, em que todos as pessoas envolvidas com a Copa acompanhavam o que estava sendo feito em tempo real, através de telões, com imagens monitoradas por GPS.

Até hoje não há noção clara sobre o que foi o feito de organizar a Copa.

Foram construídas algumas das maiores obras de mobilidade urbana nas principais capitais, como a Transcarioca, no Rio, ou a BRT no Distrito Federal.

Houve um aumento de 69 milhões de passageiros/ano nos aeroportos. No dia da inauguração, o maior destaque da imprensa foi uma goteira em um deles. No dia da inauguração do Itaquerão, o destaque foi a falta de sabonete em um dos banheiros.

A segurança mobilizou 157 mil homens, responsáveis pela escolta de 54 chefes de estado e personalidade em geral e de todas as seleções. Tudo sem um problema relevante.

Na sala de situação estava a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) monitorando o setor elétrico; a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) monitorando a saúde; a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) monitorando a telefonia; Polícia Federal, Rodoviária, Exército, Aeronáutica, Marinha (patrulhando os estádios em capitais litorâneas) monitorando a segurança. E toda essa gestão sendo feita em tempo real, com imagens em GPS de todas as seleções, imagens aéreas de todas as rotas por onde iria passar.

Todos esses preparativos foram ignorados pela mídia, que criou um clima de terror até começar a Copa. Não reconheceram a competência do Estado brasileiro e projetaram uma imagem falsa de gestão.

É desse paralelo — entre a cobertura da Copa e a cobertura das políticas públicas — que Mercadante se vale para explicar o clima pessimista que se implantou no país.

Da tempestade perfeita à inflação do tomate

Esse mesmo modelo de cobertura distorcida foi aplicada na economia e contribuiu para derrubar o estado de espírito dos empresários.

Nos últimos anos foram criados os seguintes fantasmas:

1. A “tempestade perfeita”.

Imaginou-se um cenário de alta de juros nos Estados Unidos e de queda nos preços internacionais de commodities que levariam inevitavelmente a uma crise cambial brasileira. O país protegeu-se com reservas de US$ 380 bilhões e, agora, com um acordo de contingência reserva no novo banco dos BRICs. Não houve tempestade alguma

2. O descontrole da inflação expresso no terrorismo com a chamada inflação do tomate.

Jornais e TV chegaram a produzir matérias comparando o momento atual com o da hiperinflação. Houve problemas de seca, de quebra de safras, choques de commodities mas a inflação continuou dentro da meta. As prévias deste mês mostram a inflação cedendo.

3. Apagão do setor elétrico com a crise hídrica.

Há uma seca corroendo o semiárido nordestino há dois anos e meio. Em cima disso, levantou-se o fantasma do “apagão”. Não levaram em conta que nos últimos onze anos o país construiu 11 mil km de novas linhas de transmissão e ampliou de 80 gwh para 132 gwh a capacidade de geração. Não houve apagão. As térmicas seguraram e , para tanto, houve um aumento de custos. Como o sistema é regulado, as distribuidoras poderão reajustar suas tarifas nas datas definidas em contrato.

4. A crise hídrica de São Paulo criando um novo cenário de imprevisibilidade.

Segundo Mercadante, ao lado dos fatores midiáticos, há elementos reais explicando a crise.

O maior deles seria a segunda etapa da crise mundial, com o PIB norte-americano refluindo, a Europa e a Rússia patinando e a Argentina enfrentando problemas. No fim do ano passado, o próprio Banco Mundial projetava um crescimento dos países desenvolvidos, que acabou não acontecendo.

A retração do crédito, devido ao enquadramento nos acordos de Basileia.

Essa queda ocorreu em todo mundo, prejudicando o desempenho da economia mundial. E obriga a uma discussão interna: qual deverá ser o ritmo de enquadramento dos bancos brasileiros às regras de Basiléia 2?

O que seria um governo Aécio

Segundo Mercadante, haveria duas diferenças essenciais entre o estilo Dilma e o chamado estilo PSDB de administrar a crise.

A primeira, da maneira como ambas as políticas impactariam a população. No governo Dilma o social é o objetivo estratégico, em um governo tucano, não. “A grande diferença é que viemos para distribuir renda, fazer inclusão social e criar um mercado de consumo de massa”., diz ele.

Diferentemente da Europa, que está desmontando o estado de bem estar social, o Brasil está mantendo o nível de quase pleno emprego, renda, crescimento dos salários, maior distribuição da história do Brasil e pela primeira vez os pobres não pagam o custo da crise.

Muitas das medidas fiscais visaram esse mesmo objetivo, diz ele. A desoneração da folha de pagamento foi para preservar o emprego.

Esse é o verdadeiro debate, diz ele. “Se (equipe de Aécio) querem tratamento de choque, digam o que vão fazer. Vamos fazer o debate verdadeiro”.

A diferença entre o tratamento gradualista — do governo Dilma — e o de choque — do governo FHC — está expressa na própria taxa Selic. No governo Dilma, bateu no teto de 11,5%. Em 2002, fim de governo FHC, estava em 45%.

Em 2002 o desemprego saltou para 11,7% e a informalidade para 51,6%; hoje o desemprego está em 4,9% e a formalização em 67,6%.

A segunda diferença está no uso das estatais. Os bancos públicos foram essenciais para ajudar o país a superar a crise de 2008, garantindo o crédito à economia.

Já o principal porta-voz econômico de Aécio, Armínio Fraga, defendeu publicamente a privatização do Banco do Brasil e da Petrobras.

Sabendo das limitações de um Ministro em analisar o trabalho de outro, poupo Mercadante de perguntas sobre os erros da gestão Guido Mantega.

Os desafios da economia

Mercadante reconhece a prioridade de aumentar a competitividade. Mas diz que o caminho está aberto.

Nas áreas de educação e inovação aponta para a massificaçãoo do ensino superior e do ensino técnico, os 7,5 milhões de matrículas na Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. Institucional), 1,4 milhão no Prouni (Programa Universidade para Todos), 1,6 milhão no FIES (Financiamento Estudantil), os 85 mil alunos do Ciência Sem Fronteiras.

“Estamos tentando mostrar que é possível compatibilizar responsabilidade fiscal com políticas de renda e inclusão social”, diz ele.

Na infraestrutura, aposta na aceleração dos investimentos a partir de 2015.

O governo brasileiro acaba de receber uma proposta da China, para ima ferrovia ligando o Atlântico ao Pacífico, a Transoceânica, com 5.300 km de extensão, ligando o brasil ao Peru, com túneis de 19 km nos Andes, podendo transportar até 55 milhões de toneladas de grão por ano, reduzindo em 30 dólares por tonelada exportada.

A ferrovia entraria no Peru pelo Acre encontrando a Norte-Sul. O projeto já está em fase de detalhamento.

As eleições e o déficit de informação

Segundo ele, o início do horário gratuito será plenamente favorável a Dilma Rousseff. Os jornais esconderam os principais temas, diz ele. O eleitor não sabe do 1,7 milhão de moradias do Minha Casa Minha Vida.

Chama atenção para dois temas: Pronatec e ENEM. Segundo ele, o ENEM é o segundo tema mais discutido na Internet do país, segundo dados do Google; e o Pronatec é o sétimo. E nenhum dos dois merece acompanhamento da mídia.

Uma evidência disso, segundo ele, estaria no fato de que FHC em 1998 e Lula em 2006 (ambos candidatos à reeleição) chegaram ao início do horário gratuito em posição inferior à da Dilma. O grande salto foi com o início da campanha na televisão aberta.

Nas ultimas eleições Dilma teve 10 minutos diários contra 7 de José Serra e 1,40 da Marina

Agora tem 11,48, Aécio 4,30 e Eduardo 1,50.

Rebate as supostas popularidades de Eduardo Campos em Pernambuco e Aécio em Minas. Em Pernambuco, Armando Monteiro (da oposição) conta com 43% das intenções de voto; e em Minas Gerais Fernando Pimentel lidera em todas as pesquisas.

Luís Nassif
No GGN
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Comitê Nacional demonstra engajamento no combate e na prevenção à tortura

Presidenta Dilma Rousseff em solenidade de posse dos membros do Comitê Nacional de Prevenção a Tortura no Palácio do Planalto.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

A presidenta Dilma Rousseff se emocionou durante cerimônia de posse dos membros do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (CNPCT) nesta sexta-feira (25), no Palácio do Planalto. Dilma falou da importância de se repudiar o torturador e endossou o crime como hediondo.

“(…) A tortura e a morte por tortura é das coisas mais hediondas que a gente pode conceber que se pratique contra um ser humano. E, sobretudo, é importantíssimo a nossa consciência de que uma sociedade que tortura é uma sociedade que se corrói por dentro, que se devora por dentro.”


Dilma também afirmou que o País nunca esteve tão preparado para combater e prevenir a tortura e destacou que a nomeação dos integrantes CNPCT e que o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (SNTPC) fazem parte de processo de mudança da percepção no Brasil quanto ao tema.

“A experiência demonstra que a tortura é como um câncer, ela começa numa célula, mas compromete toda a sociedade. Ela compromete quem tortura, o sistema que tortura, compromete, obviamente, o torturado, porque afeta, talvez, a condição mais humana de todos nós, que é sentir dor, e destrói os laços civilizatórios da sociedade. Por isso, para nós é necessariamente um momento de autoconsciência combater e eliminar a tortura no nosso país”, ressaltou a presidenta.

No Blog do Planalto
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PSDB e Aécio batem em 85% de negativo no Facebook


Acabo de ler um relatório produzido por uma empresa que atua com análise das redes sociais e a crise do Aecioporto está sendo devastadora para o candidato do PSDB.

No dia de ontem, por exemplo, 85% das publicações que se relacionavam aos tucanos no Facebook eram negativas para a legenda. Apenas 8% eram positivas. Esse índice só é comparável ao que aconteceu com o PT no auge da crise do mensalão.

O principal responsável por esse desempenho é o aeroporto de Cláudio (MG). O caso foi tema principal de 48% das postagens na rede que mencionavam o PSDB e mostra o impacto que o episódio teve em parte da opinião pública conectada.

Esse desgaste deve aumentar a rejeição de Aécio Neves e pode aparecer nas próximas pesquisas de opinião. No Twitter, a situação é um pouco melhor, mas também muito ruim: 71% das mensagens são negativas e 36% dos tuítes falam sobre o Aecioporto.

Certamente, a equipe de Aécio tem acesso a esse números e a situação no comitê de campanha deve ser de imensa preocupação.

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Ataque a escola da ONU em Gaza é ‘inaceitável em qualquer circunstância’, diz UNICEF

Agência da ONU alerta que pelo menos 192 crianças foram mortas em Gaza nos últimos 18 dias

Qamar, de 10 anos, na escola da ONU de Hamama, na Cidade de Gaza.
Foto: UNICEF/Sajy Elmughanni

A diretora regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Oriente Médio e Norte da África, Maria Calivis, divulgou nesta sexta-feira (25) em Omã um comunicado sobre o ataque a uma escola da Agência das Nações Unidas de Assistência ao Refugiados da Palestina (UNRWA).

“O ataque de ontem na escola infantil Co-Ed A e B da UNRWA em Beit Hanoun — a terceira escola atingida nesta semana — é a prova de que muito mais precisa ser feito para proteger as crianças inocentes.”

“Usar ou atacar instalações da escola, onde as crianças se refugiaram da violência, é inaceitável em qualquer circunstância”, advertiu.

O UNICEF apelou às partes em conflito a respeitar a integridade das crianças e escolas.

Pelo menos 192 crianças foram mortas em Gaza nos últimos 18 dias. Como o aumento a cada hora do número de mortos e da devastação, o UNICEF reforçou o apelo do secretário-geral para o fim imediato da violência.

No ONUBR
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Pau na moleira


A Folha de S.Paulo iniciou uma fritura interna para se livrar de Reinaldo Azevedo, o exu de extrema-direita que ela importou do terreiro da Veja. Mal vê a hora de se livrar de um estorvo que, pelo perfil antipetista, foi incorporado ao jornal como colunista.

Típico tiro no pé da velha mídia. Junto com ele, Azevedo levou para a Folha todo tipo de demente que o segue na internet, de sequelados do Clube Militar a neonazistas de Higienópolis e do Leblon.

Daí o artigo, também na Folha, de Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, uma porrada muitíssimo bem dada, que fez o Tio Rei, claro, surtar. E, com ele, seus seguidores hidrófobos.

Hoje, como era de se esperar, Azevedo esticou as correntes e arreganhou os dentes.

Veio com uma "Resposta a Guilherme Boulos, o vigarista delirante que, atendendo às ordens de seu partido, quer me eliminar do debate. E, claro, ele avança no antissemitismo também!".

O texto, uma saraivada de impropérios e clichês roubados de velhas cartilhas da Escola Superior de Guerra, serve para corroborar, com imensa precisão, tudo o que Boulos escreveu no artigo sobre a direita delirante do Brasil.

Leandro Fortes
No SQN
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Santander fez campanha aberta contra Dilma


Banco do espanhol Emilio Botín, que já foi recebido várias vezes no Palácio do Planalto pela presidente Dilma Rousseff, distribuiu comunicado aos clientes de alta renda informando que sua reeleição seria prejudicial à economia; depois do papelão, o banco pediu desculpas e disse não adotar viés partidário em suas análises; "A instituição pede desculpas aos seus clientes e acrescenta que estão sendo tomadas as providências para assegurar que nenhum comunicado dê margem a interpretações diversas dessa orientação", diz o texto; furo foi obtido pelo jornalista Fernando Rodrigues

O banco Santander cometeu um papelão no País. Distribuiu comunicado aos seus clientes de alta renda, informando que a reeleição da presidente Dilma Rousseff seria prejudicial à economia brasileira. 

De acordo com a análise, obtida pelo jornalista Fernando Rodrigues, Dilma provocaria alta dos juros, do dólar e queda das ações na BM&FBovespa.

Eis a reprodução da carta enviada pelo banco de Emílio Botín, que já foi recebido várias vezes no Palácio do Planalto, aos clientes:


Depois da notícia, o Santander pediu desculpas aos clientes, com a seguinte nota:

“O Santander esclarece que adota critérios exclusivamente técnicos em todas as análises econômicas, que ficam restritas à discussão de variáveis que possam afetar os investimentos dos correntistas, sem qualquer viés político ou partidário. O texto veiculado na coluna ‘Você e Seu Dinheiro’, no extrato mensal enviado aos clientes do segmento Select, pode permitir interpretações que não são aderentes a essa diretriz. A instituição pede desculpas aos seus clientes e acrescenta que estão sendo tomadas as providências para assegurar que nenhum comunicado dê margem a interpretações diversas dessa orientação.”

No 247

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Santander e o terrorismo econômico

O Santander enviou aos clientes de alta renda (acima de R$ 10 mil) uma carta no mínimo curiosa. O texto do Santander (reproduzido no destaque deste post) diz que se Dilma Rousseff voltar a subir nas pesquisas, o câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice Bovespa cairia, revertendo parte de altas recentes, o que levaria à deterioração dos fundamentos macroeconômicos.

Quando encontramos em um texto sobre economia palavras como confiança em baixa / quebra de confiança e pessimismo crescente,  a gente liga a luz amarela e presta ainda mais atenção à mensagem. Porque até hoje a gente ainda não conseguiu descobrir que mercado fica "nervoso" com Dilma Rousseff

Lembramos muito do presidente da Fiesp, Mário Amato, que, em 1989, declarou que se Lula fosse eleito, 800 mil empresários deixariam o Brasil (e pensar que, após Lula eleito, o Brasil criou 3,8 milhões de microempreendedores individuais...).

Pois bem. Procuramos algum critério técnico nas informações enviadas pelo Santander aos clientes e não, não encontramos nenhum. Absolutamente nenhum. Quem aplica o dinheiro em Bolsa sabe que trata-se de investimento de longo prazo. Coisa de cinco, dez anos. E, ao se comparar o índice Bovespa num período de dez anos, vemos que o índice saltou de 17.000 pontos em fevereiro de 2004 para 55.000 pontos em fevereiro deste ano. E, mesmo no momento de maior queda, em 2008, com a crise do Goldman Sachs, o índice se manteve 12.000 pontos acima do que era quatro anos antes. Há outros índices que mostram que a economia vai muito bem, obrigado. Falamos deles aqui.

O mais curioso disso tudo é ver que a sucursal Brasil do banco Santander é a que mais lucra entre todas as outras. Fechou seu último trimestre fiscal aqui no Brasil com lucro de R$ 1,428 bilhão (e a imprensa insiste em apontar algum resultado negativo, que coisa!).

Diante da repercussão negativa da carta aos clientes, o Santander enviou comunicado à imprensa e pediu desculpas pelo mal entendido:
O Santander esclarece que adota critérios exclusivamente técnicos em todas as análises econômicas, que ficam restritas à discussão de variáveis que possam afetar os investimentos dos correntistas, sem qualquer viés político ou partidário. O texto veiculado na coluna ‘Você e Seu Dinheiro’, no extrato mensal enviado aos clientes do segmento Select, pode permitir interpretações que não são aderentes a essa diretriz. A instituição pede desculpas aos seus clientes e acrescenta que estão sendo tomadas as providências para assegurar que nenhum comunicado dê margem a interpretações diversas dessa orientação.
Pois nós esperamos que esses critérios técnicos realmente prevaleçam. Para combater o terrorismo econômico, nada melhor do que fatos e dados

No Muda Mais
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Choque de jeitão, “aecioporto” começa a dar “filhotinhos”


A lambança vem desde 1983, com Tancredo governador. Acompanhe o passo-a-passo de um plano que pode livrar o titio Múcio de uma devolução de dinheiro público desviado para seu terreno particular, pelo cunhado e então governador mineiro.

Resumo:

1) Tancredo acertou com Múcio (prefeito de Cláudio em 1983) gastar, em valores atualizados, 497,5 mil Reais com uma pista de terra na fazenda do então prefeito. Que teria de desapropriar a sua própria fazenda para a obra pública.

2) Múcio se “esqueceu” de desapropriá-la e Tancredo fez a obra sem fiscalizar o processo de desapropriação. O MP abriu ação de improbidade administrativa e exigia o ressarcimento aos cofres público do investimento feito.

3) Décadas depois (2008), o neto de Tancredo, já governador do estado, resolve a querela: desapropriou o terreno que já era objeto de disputa judicial e fez o aeroporto.

4) Num jogo que parece combinado, o tio Múcio (o mesmo de 1983 e proprietário do terreno) entra na justiça, contestando o valor da desapropriação definida pelo estado (um milhão de Reais).

5) Só que a família, diante da primeira querela, usou desde 1983, até 2008 (por 25 anos) a pista de pouso de forma privativa.

6) De 2010 para cá continua a usar, por causa da segunda querela (a do valor da indenização). Ou seja, 31 anos de apropriação e uso familiar de recursos públicos.

7) Tio Múcio tem 88 anos e não é eterno. A trama é visível: os herdeiros, primos de Aécio, manteriam a querela… se nada disso tivesse vindo à tona.

Eis mais um segredo da “Bolsa Família” das elites vindo à tona.

Minas Sem Censura
No Viomundo
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Nova estação eleitoral: candidatos e seus estilos

Provavelmente os que julgam que a democracia representativa é uma fraude descendem em linha direta, antes, como agora, do 1% privilegiado.

Os estilos da nova estação eleitoral estão sendo apresentados em pré-lançamento para apreciação do consumidor especializado — os eleitores. Ao contrário dos preços exorbitantes das marcas em evidência destinadas ao 1% endinheirado, a decisão eleitoral é baratíssima: atenção à propaganda, tempo de transporte à seção onde vota e o esforço de apertar alguns botões. E pensar que quando toda essa história começou só aquele 1% desfilava e escolhia ao mesmo tempo, pois o direito de voto custava uma fortuna. Provavelmente os que julgam que a democracia representativa é uma fraude descendem em linha direta, antes, como agora, do 1% privilegiado. Antes, porque eram os fraudadores, hoje porque, com o voto secreto universal e digitalizado, não podem mais sê-lo. Há razões, portanto, para a variedade de estilos em desfile.

O principal candidato oposicionista, senador Aécio Neves, tem adotado a estratégia juvenil de bater como homem e apanhar como dama. Muito comum na adolescência, as ameaças e declarações truculentas transformam-se em apelo aos irmãos mais velhos quando o caldo engrossa. Ao endossar, em primeira edição, a pornofonia vip contra a Presidenta (“colheu o que semeou”, depois retificado), e apoiar o coro agourento dos conservadores históricos sobre as conseqüências de uma derrota futebolística (“ela vai pagar o preço”), vestiu a carapuça black bloque desafiando a Presidenta com grosseria (“ela não pode andar nas ruas”).

Esse é o lado viril da juventude, logo em debandada quando se descobre (e essa foi só a primeira descoberta de um passado controverso, ainda não muito conhecido) que construiu com dinheiro público em fazenda de um tio e onde costuma pousar com jatinhos de amigos ou parentes, não está claro se de uns, outros, ou de ambos. Foi o que bastou para lamentar-se de perseguição quando seria suficiente mostrar a papelada do aeroporto legalmente exigida. Em habitual movimento de defesa buscou abrigo nas referências a opiniões de ministros do Supremo. Quando em vantagem canta de galo e em condições de igualdade foge da raia.

Candidata a reeleição, Dilma Rousseff parece acreditar na excelência do desempenho e na força da verdade. É uma estratégia olímpica cujos resultados só ficarão claros quando começar o horário eleitoral gratuito. Vi alguns filmetes e suponho que aquela narrativa com o entusiasmo burocrático de relatório incomoda até os seus eleitores fiéis, enfadonha depois de um ou dois minutos, quando todas as realizações parecem uma só (que era o quanto bastaria em cada vídeo) e fica patente a ausência de um rosto humano. Nenhum dos engenheiros que planejaram a BR-XXX, nenhum dos trabalhadores que a executaram, nenhum dos empresários por ela beneficiados, nenhum dos moradores dos locais por onde passa. É como a fazenda do tio de Aécio Neves: só tem aeroporto, não aparece ninguém para falar bem do lugar.

Os responsáveis pela campanha governista deixam a impressão de que não distinguem programa de governo de propaganda eleitoral. Formular em campanha o empenho em reforma política e federalista provoca reações contrárias de quem não terá opinião enquanto não souber o que será reformado e como (visto que os conservadores estão loucos por uma reforminha que altere o capítulo sobre direitos sociais da Constituição de 88). Isso é para ser discutido no desempenho do mandato, com o Legislativo, onde estarão representadas todas as correntes da opinião pública, e não baixada como medida provisória, com prazo compulsório de votação (“faça-se uma reforma política”).

Discutir o federalismo brasileiro é matéria urgente, mas não responde, para o eleitor, à acusação direta e concreta de que o governo tem sido mau gestor e corrupto. Parece escapismo, pois não é por aí que a oposição conservadora busca se diferenciar do governo. Até agora, portanto, o estilo da estação, para o governo, é o do discurso da verdade. Claro que alteração nenhuma deve substituir a verdade pela mentira, mas traduzi-la em propaganda para homens e mulheres comuns, isto é, a maioria esmagadora do eleitorado.

A favor do momento diga-se que não deixa de ser um desafogo para os democratas verificarem que a imprensa conservadora tem sido incapaz de modificar a convicção política dos eleitores. As pesquisas, interpretações esdrúxulas à parte, tem revelado cautela e ponderação dos eleitores em sua cuidadosa definição eleitoral. Até aqui, a imprensa conservadora, já impotente para dar um golpe com apoio dos militares, tenta manter seus recursos de chantagem com a tentativa de golpe pela via das estatísticas. Se bem observado, isto é um progresso, resultado de 13 anos de governos trabalhistas.

Wanderley Guilherme dos Santos
No Carta Maior
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ONU cita Bolsa Família como exemplo para o IDH


O Relatório para o Desenvolvimento Humano, da Organização das Nações Unidas, divulgado nesta semana, apresenta os programas Bolsa Família, do Brasil, e Oportunidades, do México, são exemplos de políticas em que todos ganham.

Para a ONU, desde 2008, as iniciativas suavizaram os efeitos negativos da crise internacional sobre o poder de compra dos mais pobres e trouxeram benefícios de longo prazo uma vez que as famílias, para receberem o benefício, precisam manter os filhos na escola.

Segundo o estudo, o Bolsa Família contribuiu com 20% a 25% da redução da desigualdade no país em 2008 e 2009, ao custo de 0,3% do PIB (Produto Interno Bruto).

Outro ponto destacado é o aumento do salário mínimo: “O aumento do salário mínimo foi uma resposta à crise no Brasil e contribuiu para aumentar os salários e a distribuição de renda”.
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O silêncio oportunista

Por que, para a paz mundial, a derrubada do avião malaio é muito menos ameaçadora do que a invasão de Gaza

Não pergunto aos meus botões em que mundo vivemos, temo a resposta. A crise mundial dispensa maiores apresentações. Moral e intelectual antes que econômica, embora esta confirme aquelas precedentes. Por que a humanidade rendeu-se à religião do deus mercado? Por que aceitou passivamente as leis de uma fé que aproveita a poucos e infelicita os demais?

Às vezes me colhe a sinistra sensação de que já começou uma nova, peculiar Idade Média. O mundo, seduzido pelo chamado avanço tecnológico, vítima de uma globalização dos interesses da minoria, distanciados os homens uns dos outros não somente pelo crescente desequilíbrio social, mas também pela versatilidade da mirabolante internet, não se apercebem do eclipse dos valores e dos princípios, e da ausência de poetas e pensadores.

É nesta moldura que se desenrolam os acontecimentos destes dias a agitarem a política internacional, e também se movem minhas dúvidas e perplexidades em relação aos comportamentos dos donos do poder, das chamadas opiniões públicas e dos sistemas midiáticos. No caso, a mídia nativa confirma apenas a sua insignificância, ao imitar simplesmente os exemplos chegados de fora.

Então vejamos. Por que os restos retorcidos do avião malaio derrubado no céu ucraniano ganham a primazia nas primeiras páginas e na fala sincopada dos locutores, no confronto com os mortos e a devastação na Faixa de Gaza? Não proponho um enigma. Trata-se do resultado da demonização de Putin misturada com o longo alcance do lobby judeu. De certa forma, a queda do avião veio a calhar para os senhores do mundo, sem detrimento da brutal gravidade do fato e a desolação causada pela morte de 298 semelhantes. Serviu, porém, para desviar a atenção, até onde foi possível, de algo muito mais grave para a paz global.

É no Oriente Médio que se decide o futuro do planeta, e isso é do entendimento até do mundo mineral. A questão da Ucrânia é complexa e ameaçadora, mas o império soviético, cuja presença estaria habilitada a precipitar severas complicações, ruiu há 25 anos. O Ocidente, ainda sujeito ao império norte-americano, tende a apresentar Putin como uma espécie de herdeiro tanto da URSS quanto do czar. Não é bem assim, está claro. O defeito do líder russo é sua inteligente independência, em que pesem sua prepotência e eventual ferocidade, e sem falar das preocupações geradas por seu envolvimento na criação de uma nova ordem pelos BRICS. Outra a dimensão da questão médio-oriental, para a qual reflui o efeito dos momentos mais tensos das últimas décadas.

Feridas profundas continuam a sangrar em toda a região, marcada pela progressão do fundamentalismo islâmico, por revoluções em pleno curso, pelos erros das políticas ocidentais, que aliás são seculares. E por guerras fracassadas, por revoltas malogradas, por atrocidades sem conta, por desmandos imperdoáveis. Etc. etc. No centro deste arcabouço instável, sempre à beira do desastre fatal, está Israel, Estado poderosíssimo por força própria e de quem o sustenta, a ocupar, desde o pós-Guerra, uma terra antes habitada por outro povo, conquanto também semita, há cerca de 2 mil anos.

Eu, por exemplo, não sou responsável pelo holocausto. Lamento, mesmo porque ceifou a vida de excelentes amigos dos meus pais, mas não me induz ao remorso, e tanto menos até hoje, quando a invasão da Faixa de Gaza pelas formidáveis tropas israelenses evoca a invasão do Corredor Polonês pelo exército de Hitler em 1º de setembro de 1939, estopim da Segunda Guerra Mundial. O Ocidente neoliberal diz que Tel-Aviv tem direito a se defender contra o terrorismo do Hamas. Já o Hamas sustenta estar em luta pelo resgate da terra usurpada.

Por cima das razões de cada um, a disparidade exorbitante entre as forças não pode deixar de influenciar qualquer juízo, para fortalecer a inequívoca percepção de que de um lado morrem soldados e do outro civis, e muitas crianças, em proporções absolutamente incomparáveis. Estamos diante de uma ofensa irreparável aos Direitos Humanos. Que visa Israel? Eliminar 1,8 milhão de palestinos? Dói demais, na circunstância, a falta de reação de uma porção do mundo que se pretende civilizado e democrático e, de verdade, sucumbe à soberania do dinheiro. Avulta, nesta encenação trágica, a ausência de lideranças, a falta daquele gênero de personagens que já ofereceram espaço à política e a praticaram com competência para assumir o controle da situação e ditar as regras.

Contamos com uma galeria de figuras medíocres, quando não parvas, incapazes de enfrentar a turva realidade para impor um rumo. E isso tudo nesta hora que denigre o gênero humano e denuncia a chegada da nova Idade Média. Louvo a iniciativa da chancelaria brasileira: chama às falas o embaixador israelense e de volta ao País o embaixador brasileiro em Tel-Aviv. Mas o Brasil pode e deve muito mais. Por exemplo, convocar a ONU, como sempre inerte, a condenar o massacre e mostrar às lenientes democracias ocidentais o caminho da razão.

Mino Carta
No CartaCapital
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De cegos e de anões

http://www.maurosantayana.com/2014/07/de-cegos-e-de-anoes.html

 

Se não me engano, creio que foi em uma aldeia da Galícia que escutei, na década de 70, de camponês de baixíssima estatura, a história do cego e do anão que foram lançados, por um rei, dentro de um labirinto escuro e pejado de monstros. Apavorado, o cego, que não podia avançar sem a ajuda do outro, prometia-lhe sorte e fortuna, caso ficasse com ele, e, desesperado, começou a cantar árias para distraí-lo.

O anão, ao ver que o barulho feito pelo cego iria atrair inevitavelmente as criaturas, e que o cego, ao cantar cada vez mais alto, se negava a ouvi-lo, escalou, com ajuda das mãos pequenas e das fortes pernas, uma parede, e, caminhando por cima dos muros, chegou, com a ajuda da luz da Lua, ao limite do labirinto, de onde saltou para densa floresta, enquanto o cego, ao sentir que ele havia partido, o amaldiçoava em altos brados, sendo, por isso, rapidamente localizado e devorado pelos monstros que espreitavam do escuro.

Ao final do relato, na taverna galega, meu interlocutor virou-se para mim, tomou um gole de vinho e, depois de limpar a boca com o braço do casaco, pontificou, sorrindo, referindo-se à sua altura: como ve usted, compañero... con el perdón de Dios y de los ciegos, aun prefiro, mil veces, ser enano...

Lembrei-me do episódio — e da história — ao ler sobre a convocação do embaixador brasileiro em Telaviv para consultas, devido ao massacre em Gaza, e da resposta do governo israelense, qualificando o Brasil como irrelevante, do ponto de vista geopolítico, e acusando o nosso país de ser um “anão diplomático".

Chamar o Brasil de anão diplomático, no momento em que nosso país acaba de receber a imensa maioria dos chefes de Estado da América Latina, e os líderes de três das maiores potências espaciais e atômicas do planeta, além do presidente do país mais avançado da África, país com o qual Israel cooperava intimamente na época do Apartheid, mostra o grau de cegueira e de ignorância a que chegou Telaviv.

O governo israelense não consegue mais enxergar além do próprio umbigo, que confunde com o microcosmo geopolítico que o cerca, impelido e dirigido pelo papel executado, como obediente cão de caça dos EUA no Oriente Médio.

O que o impede de reconhecer a importância geopolítica brasileira, como fizeram milhões de pessoas, em todo o mundo, nos últimos dias, no contexto da criação do Banco do Brics e do Fundo de reservas do grupo, como primeiras instituições a se colocarem como alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, é a mesma cegueira que não lhe permite ver o labirinto de morte e destruição em que se meteu Israel, no Oriente Médio, nas últimas décadas.

Se quisessem sair do labirinto, os sionistas aprenderiam com o Brasil, país que tem profundos laços com os países árabes e uma das maiores colônias hebraicas do mundo, como se constrói a paz na diversidade, e o valor da busca pacífica da prosperidade na superação dos desafios, e da adversidade.

O Brasil coordena, na América do Sul e na América Latina, numerosas instituições multilaterais. E coopera com os estados vizinhos — com os quais não tem conflitos políticos ou territoriais — em áreas como a infraestrutura, a saúde, o combate à pobreza.

No máximo, em nossa condição de “anões irrelevantes”, o que poderíamos aprender com o governo israelense, no campo da diplomacia, é como nos isolarmos de todos os povos da nossa região e engordar, cegos pela raiva e pelo preconceito, o ódio visceral de nossos vizinhos — destruindo e ocupando suas casas, bombardeando e ferindo seus pais e avós, matando e mutilando as suas mães e esposas, explodindo a cabeça de seus filhos.

Antes de criticar a diplomacia brasileira, o porta-voz da Chancelaria israelense, Yigal Palmor, deveria ler os livros de história para constatar que, se o Brasil fosse um país irrelevante, do ponto de vista diplomático, sua nação não existiria, já que o Brasil não apenas apoiou e coordenou como também presidiu, nas Nações Unidas, com Osvaldo Aranha, a criação do Estado de Israel.

Talvez, assim, ele também descobrisse por quais razões o país que disse ser irrelevante foi o único da América Latina a enviar milhares de soldados à Europa para combater os genocidas nazistas; comanda órgãos como a OMC e a FAO; bloqueou, com os BRICS, a intervenção da Europa e dos Estados Unidos na Síria, defendida por Israel, condenou, com eles, a destruição do Iraque e da Líbia; obteve o primeiro compromisso sério do Irã, na questão nuclear; abre, todos os anos, com o discurso de seu máximo representante, a Assembleia Geral da Nações Unidas; e porque — como lembrou o ministro Luiz Alberto Figueiredo, em sua réplica — somos uma das únicas 11 nações do mundo que possuem relações diplomáticas, sem exceção — e sem problemas — com todos os membros da ONU.
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O complexo de vira-lata do jn

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O que está em jogo na Faixa de Gaza

Em artigo exclusivo a Opera Mundi, Marco Aurélio Garcia defende condenação de ofensiva israelense por parte do governo brasileiro

Dezenas de palestinos morreram apenas com os ataques de Israel desta quinta-feira (24/07)
Esta nota estará seguramente desatualizada quando for publicada. Mais de setecentos palestinos — grande parte dos quais mulheres, crianças e anciãos — foram mortos nos bombardeios das Forças Armadas israelenses na Faixa de Gaza desde que, há duas semanas, iniciou-se uma nova etapa deste absurdo conflito que se arrasta há décadas. A invasão do território palestino provocou também mais de 30 mortos entre os soldados de Israel.

O governo brasileiro reagiu em dois momentos à crise. Na sua nota de 17 de julho “condena o lançamento de foguetes e morteiros de Gaza contra Israel” e, ao mesmo tempo, deplora “o uso desproporcional da força” por parte de Israel.

Em comunicado de 23 de julho e tendo em vista a intensificação do massacre de civis, o Itamaraty considerou “inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina” e, uma vez mais, condenou o “uso desproporcional da força” na Faixa de Gaza. Na esteira dessa percepção, o Brasil votou a favor da resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU (somente os Estados Unidos estiveram contra) que condena as “graves e sistemáticas violações dos Direitos Humanos e Direitos Fundamentais oriundas das operações militares israelenses contra o território Palestino ocupado” e convocou seu embaixador em Tel Aviv para consultas.

A chancelaria de Israel afirmou que o Brasil “está escolhendo ser parte do problema em vez de integrar a solução” e, ao mesmo tempo, qualificou nosso país como “anão” ou “politicamente irrelevante”.

É evidente que o governo brasileiro não busca a “relevância” que a chancelaria israelense tem ganhado nos últimos anos. Menos ainda a “relevância” militar que está sendo exibida vis-à-vis populações indefesas.

Não é muito difícil entender, igualmente, que está cada dia mais complicado ser “parte da solução” neste trágico contencioso. Foi o que rapidamente entenderam o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, depois de suas passagens por Tel Aviv, quando tentaram sem êxito pôr o fim às hostilidades.

Como temos posições claras sobre a situação do Oriente Médio — reconhecimento do direito de Israel e Palestina a viverem em paz e segurança — temos sido igualmente claros na condenação de toda ação terrorista, parta ela de grupos fundamentalistas ou de organizações estatais.

Estive, mais de uma vez, em Israel e na Palestina. Observei a implantação de colônias israelenses em Jerusalém Oriental, condenadas mundialmente, até por aliados incondicionais do governo de Tel Aviv. Vi a situação de virtual apartheid em que vivem grandes contingentes de palestinos. Constatei também que são muitos os israelenses que almejam uma paz duradoura fundada na existência de dois Estados viáveis, soberanos e seguros.

É amplamente conhecida a posição que o Brasil teve no momento da fundação do Estado de Israel. Não pode haver nenhuma dúvida sobre a perenidade desse compromisso.

Temos reiterado que a irresolução da crise palestina alimenta a instabilidade no Oriente Médio e leva água ao moinho do fundamentalismo, ameaçando a paz mundial. Não se trata, assim, de um conflito regional, mas de uma crise de alcance global.

Marco Aurélio Garcia
Agência Brasil
É preocupante que os acontecimentos atuais na Palestina sirvam de estímulo para intoleráveis manifestações antissemitas, como têm ocorrido em algumas partes, felizmente não aqui no Brasil.

A criação do Estado de Israel, nos anos quarenta, após a tragédia do Holocausto, foi uma ação afirmativa da comunidade internacional para reparar minimamente o horror provocado pelo nazi-fascismo contra judeus, ciganos, homossexuais, comunistas e socialdemocratas. Mas o fantasma do ressurgimento ou da persistência do antissemitismo não pode ser um álibi que justifique o massacre atual na Faixa de Gaza.

O Brasil e o mundo têm uma dívida enorme para com as comunidades judaicas que iluminaram as artes, a ciência e a política e fazem parte da construção da Nação brasileira. Foi esse sentimento que Lula expressou em seu discurso, anos atrás, na Knesset, quando evocou, por exemplo, o papel de um Carlos e de um Moacir Scliar ou de uma Clarice Lispector para a cultura brasileira. A lista é interminável e a ela se juntam lutadores sociais como Jacob Gorender, Salomão Malina, Chael Charles Schraier, Iara Iavelberg, Ana Rosa Kucinski e tantos outros.

Nunca os esqueceremos.

Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais
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Reinaldo Azevedo e a direita delirante


A direita brasileira já foi melhor. Teve nomes como Roberto Campos e José Guilherme Merquior entre seus quadros, formulando sobre teoria econômica e política internacional. Naquele tempo, a direita recorria a argumentos, além do porrete. Hoje restou apenas o porrete, aplicado a esmo sem maiores requintes de análise.

Impressiona o baixo nível intelectual dos representantes da direita no debate público nacional. Não elaboram, não buscam teoria nem referências. Não fazem qualquer esforço para interpretar seriamente a realidade. Apenas atiram chavões, destilando preconceitos de senso comum e ódio de classe.

Reinaldo Azevedo é hoje o maior representante dessa turma. Com 150 mil acessos diários em seu blog mostra que há um nicho de mercado para suas estripulias. Ao lado dele tem gente como Rodrigo Constantino, aquele que se orgulha das viagens a Miami e se despontou como legítimo defensor dos sacoleiros da Barra da Tijuca.

Antes os intelectuais de direita iam fazer estudos em Paris. Agora vão comprar roupas em Miami. Sinal dos tempos e das mentes.

Dispostos a tudo para fazer barulho no debate público, mas sem substância em suas análises, aproximam-se frequentemente de um discurso delirante.

Reinaldo Azevedo jura que o governo petista quer construir o comunismo no Brasil. E vejam, ele não está falando do Lula de 1989, mas do governo do PT de 2003 a 2014. Sim, o mesmo que garantiu lucros recordes aos bancos e empreiteiras na última década. Que manteve as bases da política econômica conservadora e que nem sequer ensaiou alguma das reformas populares historicamente defendidas pela esquerda. Neste governo que, com muito esforço, pode ser apresentado como reformista, ele enxerga secretas intenções socializantes. Certamente com o apoio da Odebrecht e de Katia Abreu. Só no delírio...

Para ele, João Goulart é que era golpista em 64. Os black blocs são amigos do ministro Gilberto Carvalho. E as pessoas só são favoráveis às faixas exclusivas de ônibus por medo de serem acusadas de elitistas. Ah sim, sem esquecer que a mídia brasileira — a começar pelas Organizações Globo — é controlada sistematicamente pela esquerda.

Ele baba, ele xinga. Ofende os fatos e fantasia perigos. Lembra, embora com menos poesia, dom Quixote atacando os moinhos de vento.

A pérola mais recente é escabrosa: Israel seria vítima do marketing internacional do Hamas. No momento em que o mundo vê a olhos nus centenas de palestinos serem massacrados na Faixa de Gaza, ele denuncia uma conspiração internacional de mídia contra o Estado de Israel. Encontrou eco no também direitista delirante Luis Felipe Pondé, em artigo nesta Folha.

Teoria da conspiração vá lá, até pode ter seu charme; mas, como dizia Napoleão, entre o sublime e o ridículo há apenas um passo. Reinaldo Azevedo e seus sequazes já atravessaram faz tempo esta fronteira.

De fato, os textos que têm se prestado a publicar acerca do genocídio na Palestina já superaram o ridículo. Chegaram ao cinismo. Dizer que as crianças mortas na Faixa de Gaza são marketing é uma afronta do mesmo nível da deputada sionista que defendeu o extermínio em série das mulheres palestinas para impedir a procriação. É apologia covarde ao genocídio e ao terrorismo de Estado.

A direita se diferencia da esquerda, dentre outras coisas, pela análise dos fatos. Mas não por criar fatos ou ignorá-los. Ao menos quando tratamos de uma direita séria.

No caso de Reinaldo Azevedo e dos seus, estamos num outro campo. Não é apenas a direita. É uma direita delirante. A psiquiatria clínica é clara: negação dos dados da experiência, somada a uma reconstrução da realdade pela fantasia chama-se delírio. Aqui há ainda o agravante da fixação em temas recorrentes. PT, movimentos populares e mais uns dois ou três.

Um delírio em si é inofensivo. O problema é quando começa a juntar adeptos, movidos por ódio, preconceitos e mentiras. É assim que nascem os movimentos fascistas. Quem defende extermínio higienista em Gaza também deve defendê-lo no Complexo do Alemão ou em Paraisópolis.

Reinaldo Azevedo certamente ainda não representa um risco político real, mas o crescimento de seus seguidores é um sintoma preocupante da intolerância e desapego aos fatos que ameaçam o debate público no Brasil.

Guilherme Boulos
No SQN
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Aécio censura web. Imagina isso na presidência...


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Candidatura Aécio claudicou: o dia em que o tucano gaguejou no JN


A candidatura de Aécio claudicou. Tive essa nítida sensação na noite da última segunda-feira, 21.07, quando vi, na TV, o candidato gaguejar feio no Jornal Nacional no instante em que era indagado, em meio a um evento de campanha, cercado por correligionários, sobre o caso do "aeroporto" construído em terras desapropriadas de um seu tio-avô, no tempo que ainda era governador de Minas.

Foi constrangedor. Embaraçoso. Vergonhoso. Apesar de estar ali cercado por correligionários, alguns destes por sinal velhas raposas da política mineira, Aécio parecia um infante abandonado. O sorriso amarelou, o rosto empalideceu, os gestos eram como os de um afogado. A sombra do seu avô, já falecido, não poderia lhe acolher naquele momento de apuro. FHC também não estava ali, para lhe dizer o que falar ou como proceder — tampouco o “amigo” José Serra.

Repito, para aqueles que ainda não atentaram para a gravidade do episódio: Aécio Neves, candidato à Presidência pelo PSDB, gaguejou, em close up, em rede nacional, no horário nobre da TV, diante de milhões de telespectadores!

E por que teria gaguejado o candidato Aécio? Porque a denúncia era verdadeira e ele se sentiu impactado, embaraçado, quando colocado contra a parede? Ou apenas porque é ainda um candidato “verde”, sem o couro curtido ou o dorso felpudo das velhas raposas? Por que gaguejou Aécio Neves? Engasgado pela culpa?

O fato é que Aécio demonstrou, indubitavelmente, incapacidade de assimilar, impávido, com galhardia, o primeiro golpe que levou — isso, note bem, no primeiro round de uma disputa para a Presidência que anuncia-se longa e renhida.

Sempre achei Aécio um candidato fraco, inepto. E apesar de ser essa apenas uma opinião, pessoal e intransferível, talvez eu já não esteja tão sozinho assim com relação a essa minha primeira avaliação. Muito provavelmente, alguns tucanos já devem estar se questionando a essa altura, em suas reflexões mais íntimas, se escolheram de fato o homem certo para disputar a Presidência da República contra o PT.

A denúncia é grave e pode estar a nos gritar que Aécio, apesar de “verde”, digamos assim, age como se para lá de “maduro” estivesse — “maduro”, no sentido corrompido do termo, ao governar com práticas e modos anacrônicos, dos velhos coronéis. Pois, ao que indica a denúncia, se confirmada/comprovada, Aécio cometeu o velho pecado do patrimonialismo, do clientelismo. O de se utilizar da máquina e dos recursos públicos para fins privados.

O governo de Minas Gerais teria desapropriado parte de uma fazenda pertencente a um parente do então governador para ali fazer um simulacro de aeroporto — está mais para uma pista de pouso — e assim facilitar-lhe a vida e os negócios, seus e de seus parentes.

O candidato pode estar demonstrando nesse episódio, sejamos honestos, ser um político ainda sem o estofo necessário para disputar uma eleição para a Presidência, mas... Foi o escolhido pelo PSDB. E, como diziam os antigos: quem pariu Mateus que o embale.

No que interessa à sociedade, ao espírito republicano e à legalidade dos fatos, a questão será avaliada pelo Ministério Público que deverá investigar e decidir se o Aécio governador, ao desapropriar terras no pequeno município de Cláudio para a construção de um “aeroporto”, estava pensando e agindo de acordo com os interesses de Minas — ou dos seus próprios e da sua família. E, mais ainda, por fim, se os recursos dispendidos pelo Estado foram bem utilizados a serviço da coisa pública.

Lula Miranda
No 247
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Aécio reformou pista de aeroporto no norte do estado


Obra em Montezuma foi realizada na gestão de Aécio; pai de presidenciável tinha negócio na cidade

Quando o candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, era governador de Minas Gerais, o Executivo estadual autorizou a contratação de uma empresa para fazer obra de pavimentação, sinalização e conservação do aeroporto de Montezuma, norte do estado, onde o pai dele, o ex-deputado federal Aécio Cunha, fundou uma agropecuária. Cunha morreu em outubro de 2010; Aécio e as irmãs herdaram a empresa. A tomada de preços teve como vencedora a Construtora Pavisan Ltda., por R$ 268.460,65. O extrato do contrato foi publicado no Diário Oficial de Minas em 5 de abril de 2008, quando Aécio era governador.

No local, havia uma pista de cascalho, construída na gestão de Newton Cardoso (PMDB). Ele também tem negócios no município. As obras no aeroporto fazem parte do mesmo programa que permitiu a construção de uma pista num imóvel que foi desapropriado do tio-avô de Aécio, em Cláudio.

A assessoria de imprensa de Aécio remeteu ao governo de Minas a explicação sobre a reforma da pista e disse que o tucano não foi responsável pela construção do aeroporto. O governo de Minas informou que o aeroporto foi construído há 30 anos e, nos últimos 12, passou por melhorias. A última custou R$ 309 mil para “melhorias na pista de pouso existente”. O governo sustenta ainda que Montezuma “está situada em uma das regiões mais pobres do estado e tem como principal eixo estratégico para o seu desenvolvimento a atividade turística a ser desenvolvida a partir do balneário de água quente”.



Chico de Gois
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Aeroporto pode ajudar tio de Aécio em ação na Justiça


Pagamento de desapropriação é vinculado a quitação de pendência antiga

Fazendeiro é réu em ação por ter construído pista de pouso em sua fazenda nos anos 80 com recursos públicos

Ao escolher uma propriedade de parentes para construir o aeroporto de Cláudio (MG) no fim do seu mandato como governador de Minas Gerais, o senador Aécio Neves (PSDB) abriu caminho para que seu tio-avô resolva uma pendência judicial que se arrasta há mais de uma década.

Dono do terreno desapropriado para a construção do aeródromo, o fazendeiro Múcio Tolentino, 88, é réu numa ação movida pelo Ministério Público estadual para obrigá-lo a devolver aos cofres públicos o dinheiro gasto pelo Estado na construção de uma pista de pouso existente no local antes de o aeroporto ser feito pelo governo de Minas.

Para garantir o ressarcimento dos cofres públicos em caso de condenação, a Justiça mandou bloquear a área em 2001, o que impede Múcio de vendê-la. Com a desapropriação, feita sete anos depois, ele ganhou o direito de receber do Estado pelo menos R$ 1 milhão de indenização pela área.

Dependendo do desfecho da ação movida pelo Ministério Público, que ainda não foi julgada, esse valor poderá ajudá-lo a pagar pelo menos parte de sua dívida com a Justiça.

O aeroporto de Cláudio foi construído dentro de um programa lançado pelo governo com a justificativa de estimular o desenvolvimento do interior mineiro. Aécio e o governo dizem que escolheram a área de Múcio para o aeródromo por ser a opção mais econômica para o Estado.

Desde o domingo (20), quando a Folha revelou que o governo Aécio construíra o aeroporto no local, o candidato do PSDB à Presidência afirma que seus parentes não se beneficiaram com a obra, argumentando que o tio contesta o valor da indenização.

Mesmo assim, uma análise dos dois processos judiciais que envolvem o terreno deixa claro que os parentes de Aécio poderão ser beneficiados diretamente pela obra, mesmo que as ações demorem décadas para chegar a um desfecho na Justiça.

A origem do imbróglio é a pista de pouso, de terra batida, construída em 1983. A obra foi executada pelo município de Cláudio, quando Múcio era o prefeito, numa parceria com o Estado, à época governado por seu cunhado, Tancredo Neves (1910-85).

Em valores atualizados, a obra financiada com verba do Estado e do município custou R$ 497,5 mil. Como a área era privada, a prefeitura de Cláudio (comandada por Múcio) deveria ter desapropriado o terreno (do próprio Múcio).

O Ministério Público diz que, ao não fazer isso, o tio de Aécio se apropriou indevidamente de um bem público, a pista de pouso, que na prática se tornou local de uso exclusivo da família por 25 anos.

Em 2008, quando decidiu fazer o aeroporto, o governo de Minas alegou urgência na desapropriação e pediu o desbloqueio do terreno, autorizado pela Justiça. Em seguida, fez um depósito judicial de R$ 1 milhão para garantir o pagamento da indenização.

A Justiça determinou que o valor só será pago ao tio de Aécio depois que houver um desfecho na ação de improbidade movida contra ele. Como a ação de desapropriação não terminou, o fazendeiro pode receber ainda mais pelo terreno. Ele pede R$ 9 milhões.

Procurada pela Folha, a assessoria da campanha de Aécio afirmou que o candidato não se manifestaria sobre o assunto e que o governo de Minas prestaria eventuais esclarecimentos. A Secretaria de Comunicação de Minas afirmou que a escolha da área onde o aeroporto de Cláudio foi construído não levou em consideração a situação de Múcio. O advogado do fazendeiro não quis comentar o caso.

No fAlha

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Terreno do tio de Aécio pode custar mais R$ 3,5 milhões aos mineiros. É oficial.

indeniza

O leitor Hélio me manda o link — e coloco à disposição de todos, sobretudo da galharda imprensa brasileira — da Lei de Diretrizes Orçamentárias de Minas Gerais, onde, em seu anexo II, se prevê a perda da ação em que o tio de Aécio Neves se irresigna com o valor da indenização de R$ 1 milhão paga para a pavimentação do aeroporto que já havia sido feito, com verba pública, em seu terreno.

Lá, prevê-se a possibilidade de que Minas venha a ter de pagar R$ 3.464.629,60 ao tio de Aécio.

É mais cara das indenizações por desapropriação que Minas tem em litígio judicial, passível de perda.

Não é possível precisar se este valor está estimado além do R$ 1 milhão inicial, mas é provável, porque se trata, na tabela, do valor a pagar e aquele milhão já foi pago.

Com o valor corrigido da obra (R$13,4 milhões, em dezembro de 2008), o total de gastos com o “aecioporto” vai passar, e muito, dos R$ 20 milhões de reais.

Com metade do valor dá para pegar todos os 27 mil habitantes de Cláudio e trazer de avião para um passeio no Rio de Janeiro, com uma promoção que vi agora para agosto, R$ 260, ida e volta, e ainda pagar hotel.

Assim, podiam visitar o Aécio, já que ele não está podendo mais pousar por lá.

Isso porque era, segundo o tucano, “a opção mais barata”.

Imaginem a mais cara.

Ô trem bão, sô!

Fernando Brito
No Tijolaço
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