24 de jul de 2014

PF precisa investigar aeroporto feito por Aécio: 60kg de cocaína foram apreendidos ao lado


Vejam esta reportagem de 22/04/2012 no programa Fantástico:



O Fantástico não mostrou, mas o Quedo (apelido de Tancredo Aladim Rocha Tolentino) que aparece na reportagem é primo do senador Aécio Neves (PSDB) na Cidade de Cláudio (MG), comerciante da cachaçaria Minguote que aparece na tela acima da reportagem. Aécio em entrevistas já se declarou entusiasta destas cachaças produzidas por sua família em Cláudio.

Quedo responde processo acusado de participar na intermediação da venda de habeas corpus para traficantes presos em Divinópolis. Os traficantes faziam parte de uma quadrilha que traficavam de Mato Grosso para Minas, e aguardavam julgamento após terem sido flagrados com cerca de 60 kg de pasta-base de cocaína.

A cocaína havia sido apreendida em um sítio no distrito de Marilândia, a apenas 24 km do Aeroporto de Cláudio, construído por Aécio.

De acordo com seu depoimento na PF mostrado no Fantástico, Quedo intermediou o pagamento de propina de um advogado dos traficantes para o desembargador Hélcio Valentim de Andrade Filho dar habeas corpus, e ganhou comissão para isso. Os traficantes que conseguiram habeas corpus fugiram, não prestaram mais contas à justiça, e podem estar cometendo crimes nas ruas cujas vítimas somos todos nós, cidadãos.

O desembargador, agora afastado, chegou ao cargo no Tribunal de Justiça de Minas Gerais em 2005, portanto nomeado por Aécio, quando era governador.

Não vamos fazer como Joaquim Barbosa e deturpar a teoria do domínio do fato para jogar nas costas de Aécio atos praticados por seu primo e pelo desembargador nomeado por ele. A menos que alguém prove em contrário, Aécio não tem nada a ver com este caso, e cada um responde pelo que fez.

Por ora, Aécio tem que explicar é porque escolheu a cidade de Cláudio para construir um aeroporto sem movimento, a 6 km de sua fazenda, se Divinópolis, cidade bem maior, já tem um aeroporto regional que atende bem a região. A distância entre os dois aeroportos em linha reta é apenas 30km e por estrada asfaltada cerca de 40 minutos. Está claro que não existe justificativa razoável para aplicar R$ 14 milhões (mais o valor ainda em aberto da indenização) do dinheiro público de Minas em um aeroporto que, aparentemente, só interessa ao uso particular do senador e de seus familiares, além da valorização das terras em torno do aeroporto.

Mas este aeroporto desperta outra questão de segurança pública. É uma pista ainda não homologada para uso, que fica sem movimento, boa parte do tempo trancada, sem funcionários, sem vigilância e sem policiamento. No entanto tem balizas e sinalização que permitem até pousos noturnos. Esse tipo de pista pode ser usada para vôos clandestinos de tráfico de drogas, de armas, contrabando, e outras coisas para a região, evitando o policiamento e fiscalização existente no aeroporto de Divinópolis.

A reportagem do Fantástico mostra que existe tráfico de drogas bem ali na região em torno do aeroporto e, não custa lembrar, o helicóptero da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG e aliado de Aécio) quando foi apreendido com quase meia tonelada de cocaína, fez escala para abastecer na região, no aeroporto de Divinópolis.

Sem fazer qualquer ilação além dos fatos conhecidos com a família de Aécio, o que seria leviano sem provas, mas não é só a ANAC e o Ministério Público que precisam investigar a construção e o uso do aeroporto. A Polícia Federal também precisa investigar que tipo de vôos e mercadorias andou passando por ali.

No Amigos do Presidente Lula
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Ariano Suassuna: "queremos a reeleição de Dilma"


O escritor Ariano Suassuna declarou que Eduardo Campos não deveria visar 2014; “Não é o momento pra isso. Não estou falando na política miúda. Nunca me omiti na política, faço política com ‘P’ maiúsculo. Tenho interesse no Brasil. Por enquanto nós estamos querendo a reeleição de Dilma”

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Aécio defendeu Demóstenes Torres, relembre


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A moral do Vermal


O acadêmico Merval Pereira, em sua coluna de hoje, torna-se o terceiro “ex-ministro” do STF a dar parecer pela regularidade da desapropriação por Aécio Neves de um trecho da fazenda de seu tio Múcio Tolentino para a construção de uma pista de pouso a apenas seis quilômetros da fazenda a qual o presidenciável tucano chama de “meu Palácio de Versalhes”.

Escreve ele em sua coluna, onde antes não havia se dignado a tratar do tema aeroportuário, que ” o pedido de investigação ao Procurador-Geral da República é uma maneira de fazer o caso repercutir nacionalmente, embora pareça apenas uma jogada publicitária, pois o Ministério Público de Minas Gerais já havia investigado o caso à (craseado? ui!) pedido da oposição, e arquivou o processo por não existir (ai!!!) irregularidades na desapropriação do terreno para ampliação do aeroporto que já existia.

Então está tudo certo, “seu” Merval?

Eu ouvi sua defesa do Aécio na CBN. Comovente. Sobretudo sua menção ao estudo técnico que justificaria o aeroporto ali, coisa que ninguém sabe, ninguém viu.


Deve ter escapado ao nosso jurisconsulto que o artigo 37 de Constituição brasileira diz que “a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (…)

Você, como o rábula categorizado que se tentou mostrar ao longo de todo o caso do chamado mensalão, deveria prestar atenção nisso: impessoalidade, moralidade e eficiência são tudo o que não existe nesta obra.

“Ampliação do aeroporto que já existia”, Merval? Ali não tem aeroporto nenhum, nem nunca teve, o que havia era uma pista de terra que agora é de asfalto — irregular, sem homologação, trancada a chave, sob o controle dos “desapropriados” que não serve a ninguém, exceto, talvez, ao candidato que recusou-se a dizer se já a tinha usado e aos aeromodelistas que este blog mostrou aqui, em seus folguedos aéreos.

E essa brincadeira, entre obras e indenizações,  custou mais de R$ 20 milhões, em dinheiro de hoje, ao contribuinte?

Merval, tome umas aulas com Elio Gaspari para ver como é possível ser direitista sem se afundar nessa lama, com o artigo, ontem, onde diz que  ”A explicação de Aécio não decola“!

Ao menos faça aquilo que era gozação nos tempos em que trabalhei aí, como foca, quando se dizia “leia o jornal em que trabalhas!” aos desatentos assim…

Fernando Brito
No Blog do Saraiva
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Maluf detona Aécio: “O aeroporto foi construído para uso particular da família. Não é público”


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Nos porões da web

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Brasil volta a repudiar covardia de Israel, que responde

Brasil reforça crítica a Israel por morte de 700 palestinos em Gaza e retira embaixador do país. Governo israelense responde com duras críticas: "país irrelevante"

brasil israel gaza dilma benjamin palestina
Benjamin Netanyahu e Dilma Rousseff. Brasil e Israel trocam farpas por causa de massacre em Gaza
O governo brasileiro voltou a criticar nesta quarta-feira (23/07) a ofensiva de Israel em Gaza, pediu a implementação de um cessar-fogo e chamou para consultas o embaixador do país em Tel Aviv. Na semana passada, Dilma chamou de “desproporcional” a invasão de Israel a Gaza.

O Ministério das Relações Exteriores, em comunicado, considerou “inaceitável a escalada de violência entre Israel e Palestina” e condenou “energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza”.

Este foi o segundo comunicado oficial do governo sobre o conflito desde que Israel lançou há duas semanas uma ofensiva contra o Hamas em Gaza.

Nos 16 dias que duram as hostilidades, pelo menos 700 palestinos e 35 israelenses perderam a vida e há registros de 4,3 mil feridos.

Israel rebate o Brasil

Após gesto diplomático do governo brasileiro, que convocou ontem seu embaixador em Tel Aviv, Henrique Pinto, para consulta sobre a morte de 700 palestinos, chancelaria de Israel respondeu duramente: “Seu comportamento nesta questão ilustra a razão por que esse gigante econômico e cultural permanece politicamente irrelevante”.

O comentário do governo de Benjamin Netanyahu foi recebido com indignação por autoridades do governo da presidente Dilma Rousseff. O Palácio do Planalto e o Itamaraty avaliaram juntos qual seria a melhor reação para um comentário “tão duro”.

O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, rebateu as declarações do porta-voz da chancelaria de Israel. “Somos um dos 11 países do mundo que têm relações diplomáticas com todos os membros da ONU e temos um histórico de cooperação pela paz e ação pela paz internacional. Se há algum anão diplomático, o Brasil não é um deles”, disse a jornalistas.

No Pragmatismo Político

* * *

Apenas 1 país votou contra as investigações do massacre de Israel na Palestina

Com 17 abstenções, 29 votos a favor e apenas 1 voto contrário, ONU aprova investigação sobre ações de Israel na Palestina

Solitários, Estados Unidos votam contra investigação de Israel

Com apenas os Estados Unidos votando de forma contrária, foi aprovada nesta quarta-feira (23), uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU que determina a formação de uma comissão internacional para investigar os ataques israelenses à Palestina. 17 países se abstiveram, entre eles a França, a Alemanha, o Reino Unido e o Japão. Foram 29 votos a favor da resolução, entre eles o do Brasil. A votação demonstrou uma clara divisão geopolítica internacional, já que todos os países da América Latina presentes votaram favoravelmente à resolução, enquanto todos os europeus optaram pela abstenção. Além disso, todos os integrantes dos BRICS optaram pela aprovação.

O texto pede ainda que os palestinos sejam imediatamente colocados sob “proteção internacional”, apela ao “fim imediato dos ataques militares israelenses” e ao “fim dos ataques contra civis”. Iniciada em 8 de julho e seguida por uma intervenção terrestre que começou na última quinta-feira (17), a ação militar já provocou a morte a mais de 670 palestinos, a maioria civil. Do lado israelense foram confirmadas 32 mortes entre os militares e duas de civis.

Confira abaixo como cada país votou:

Votou contra:
Estados Unidos

Votaram a favor:
Argélia
Argentina
Brasil
Chile
China
Congo
Costa Rica
Costa do Marfim
Cuba
Etiópia
Índia
Indonésia
Cazaquistão
Quênia
Kwait
Maldivas
México
Marrocos
Namíbia
Paquistão
Peru
Filipinas
Rússia
Arábia Saudita
Serra Leoa
África do Sul
Emirados Árabes
Venezuela
Vietnam

Se abstiveram:
Áustria
Benin
Botswana
Burkina Faso
República Checa
Estônia
França
Gabão
Alemanha
Irlanda
Itália
Japão
Montenegro
Coreia do Sul
Romênia
Reino Unido
Macedônia
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SP não repassou verba federal para a Santa Casa, diz ministro

Após fechamento de pronto-socorro, Geraldo Alckmin culpou União pela crise financeira

Pronto-socorro da Santa Casa já voltou a funcionar
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, rebateu as críticas feitas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e afirmou que o governo de São Paulo deixou de transferir para Santa Casa de São Paulo R$ 74,7 milhões que haviam sido repassados pela pasta no período entre janeiro de 2013 e maio deste ano.

— Há uma tentativa de partidarizar o problema. Talvez as afirmações do governador sejam uma maneira de transferir para o ministério a responsabilidade sobre a crise.

Chioro afirmou que a diferença entre o que foi repassado pelo governo federal para o Estado e o que o governo paulista efetivamente entregou para a Santa Casa foi identificada a partir de informações prestadas pela própria secretaria de Saúde de São Paulo.

De acordo com Chioro, em 2013, o governo federal destinou para cofres paulistas R$ 291.390.567,11. Desse total, no entanto, teriam sido entregues pelo governo de São Paulo para Santa Casa R$ 237.265.012.

Neste ano, dos R$ 126,3 milhões transferidos pelo ministério, R$ 105,76 milhões chegaram à instituição.

A pasta pediu explicações do governo Estadual no fim da tarde de quarta-feira (23), como explica o ministro.

— Vamos esperar a resposta. Mas definitivamente o problema da instituição não é provocado pelo governo federal.

Chioro informou que soube das dificuldades da Santa Casa na terça, uma hora antes da a instituição interromper o atendimento de emergência.

— Recebi com perplexidade tal informação. Assumi dia 2 de fevereiro, nunca fui procurado para debater sobre a crise.

Ele descartou a possibilidade de a crise ter como ponto de partida a falta de reajuste na tabela SUS para procedimentos.

— A Santa Casa recebe 101% a mais do que essa referência. Há incentivos. Estamos em dia com repasses.

Ele ponderou que os R$ 74,7 milhões seriam suficientes para sanar a dívida.

— Pode ser um problema de gestão da instituição, precisamos aprofundar esse debate. O que não se pode fazer é usar o tema como disputa política.

No R7
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Candidato tucano babaca quer criar “kit macho” e ensinar mulheres a “serem femininas”


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São números ao vento

A grande disparidade entre as tendências captadas pelos mais recentes Datafolha e Ibope, para um eventual segundo turno de candidatos à Presidência, parece um contrassenso sem utilidade alguma para a compreensão da disputa eleitoral. Tanto mais se observada a semelhança dos índices, nas duas pesquisas, das votações nos três principais candidatos se a eleição fosse agora. A disparidade tem, no entanto, um significado útil e pouco presente nas atuais apreciações da disputa.

A campanha eleitoral está apenas nos primeiros passos. Campanha explícita, de ação direta de busca do voto, só Aécio Neves e Eduardo Campos a fazem. Dilma Rousseff ainda está na propaganda enviesada que os atos de governo representam. Entre aqueles dois a diferença também é expressiva, com Aécio em atividade intensa e grande projeção na imprensa, e Eduardo ainda fazendo pouco mais do que marcar presença. Dilma, diferentemente dos dois, está sob ataque constante dos meios de comunicação, por meio do noticiário negativo sobre o seu governo.

A disparidade das pesquisas demonstra que a maioria do eleitorado, e não só os que se reconhecem indecisos, está apenas precariamente definida: capaz de palpitar um nome para agora, mas, se posto o olhar na hora decisiva, sem segurança para mantê-lo. A razão disso: a campanha não entrou no estágio em que a maioria eleitoral presume o que cada candidato representa, e pode indicar a sua escolha com razoável coerência, inclusive entre o primeiro e o segundo turnos.

Por ora, tudo na e sobre a disputa é vaporoso.

A fuga

Sob o título "Tucano diz que petistas estão por trás da denúncia", "O Globo" noticia palavras de Aécio Neves sobre a reportagem da Folha que revelou a escolha de terras da sua família para a construção, durante o seu governo, de um aeródromo. O trecho que interessa no que disse: "A campanha começou como nossos adversários gostam, com mentiras e ataques à honra. Essa é uma praxe do PT".

Esse truque ordinário de atribuir comprometimento do jornalista com o PT sempre responde a uma revelação com duas: o embaraço do personagem para explicar a notícia indesejada, o que é bastante sugestivo, e a índole pessoal com que apela para a difamação. Lucas Ferraz é um dos expoentes na nova geração de repórteres, pela competência com que busca e trabalha a informação, e pela integridade profissional. É uma bobice mentirosa sugerir qualquer ligação da reportagem sobre o aeródromo de Aécio com o PT, ou outro partido ou interesse.

À parte

Verdadeira ou apenas falácia política, a oferta de dinheiro divulgada pelo deputado José Augusto Maia (Pros), para juntar seu partido à coligação do candidato Paulo Câmara ao governo pernambucano, cabe desde logo em uma certeza: a esta altura, corre muito dinheiro fácil por apoios lá ou acolá.

Mas importante, no caso em questão, é que nada existe na história contada por Maia, nem o menor indício, que envolva Eduardo Campos com a alegada transação financeira, suborno ou que nome receba. O fato de que Paulo Câmara seja, por indicação de Eduardo Campos, o candidato do PSB, não o liga necessariamente ao que se passe em torno do seu indicado.

Não há dúvida, porém, de que esse caso requer uma investigação séria, sem excluir o próprio José Augusto Maia. 

Janio de Freitas
No fAlha
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O despreparo de Aécio para lidar com as asperezas da vida

Ninguém disse que ia ser fácil
Criança mimada, quando exposta às asperezas da vida, sofre em dobro.

O mesmo vale para político mimado.

Até há pouco tempo, Aécio viveu no mundo superprotegido de Minas Gerais. Jamais foi exposto pela mídia local, dependente dos anúncios do governo, a embaraços e a enfrentamentos.

Isto o poupou de aborrecimentos, é certo. Mas o deixou absolutamente despreparado para lidar com outras coisas que não sejam tapinhas nas costas de repórteres.

O caso do aeroporto — o primeiro grande teste de Aécio como vidraça — é exemplar.

Ele vem mostrando não ter preparo nenhum para as adversidades jornalísticas. Nas vezes em que se pronunciou sobre o assunto, misturou nervosismo, arrogância e falta completa de convencimento.

Decretou, numa das ocasiões, que estava “tudo explicado”, como se coubesse a ele decidir isso.  A melhor resposta a isso veio do colunista Elio Gaspari: “Explicação de Aécio não decola”.

E como poderia?

Sua melhor alegação é que o aeroporto pertence não a seu tio, mas ao Estado, pois a terra onde ele está foi desapropriada. (Em termos, porque a desapropriação está na justiça, num caso de litígio.)

Mas, se é um aeroporto de interesse público, como justificar que o acesso a ele só se dê se você, autorizado, pega a chave na fazenda?

É um aeroporto para poucos, muito poucos. Sintomaticamente, Aécio não respondeu, numa entrevista, se ele estava entre os poucos. Não disse se usou o aeroporto, o que na prática sabemos o que significa.

Em outro capítulo desastrado de sua louca cavalgada, ele atribuiu o vazamento ao PT. Aos velhos e conhecidos métodos do PT, segundo ele.

Será que ele imagina que, assim, vai transferir o ônus do escândalo para outras mãos que não as suas?

A vida fácil de neto de Tancredo poupou Aécio de dissabores como este com que ele lida agora.

Mas, ao virar personagem nacional, a mamata tinha mesmo que acabar. E o que se vê é uma criança mimada contrariada, pronta a culpar os outros pelas artes que comete.

Não é certa ainda a extensão dos danos do aeroporto para as pretensões presidenciais de Aécio.

Num mundo menos imperfeito, ele retiraria sua candidatura, sob o assédio da mídia e, mais ainda, da opinião pública.

Um homem que repetiu a palavra ética milhões de vezes, sobretudo para acusar seus adversários, não pode tropeçar, ou será visto como detentor de um descaro total.

Mas este aqui é o mundo que temos.

A mídia está fazendo o máximo para preservar Aécio: a mínima cobertura possível, tom quase dócil — o suficiente apenas para não passar vergonha.

Mas não há nada que ninguém possa fazer para poupar Aécio das dores excruciantes que um político mimado sofre ao lidar com dificuldades das quais foi sempre protegido.

Paulo Nogueira
No DCM
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Pista de terra de aeroporto também teve verba pública

Governo de Minas pôs dinheiro em área que pertenceu a tio de Aécio em 1983 e 2009

Construção foi feita na gestão do então governador Aécio Neves, candidato à Presidência da República pelo PSDB

O aeroporto da fazenda que pertenceu ao ex-prefeito Múcio Guimarães Tolentino, tio-avô do senador e presidenciável Aécio Neves, já era alvo do Ministério Público muito antes de o tucano destinar R$ 13,9 milhões do governo mineiro para construir ali uma pista de asfalto. Múcio é réu em ação de reparação de danos ao erário por ter usado verba pública, também do governo mineiro, para abrir uma pista de terra batida no local em 1983.

A partir daquele ano o então governador, Tancredo Neves, avô de Aécio, fez repasses para a prefeitura de Cláudio, então dirigida por Múcio, seu cunhado. O dinheiro, cerca de Cr$ 30 milhões, foi usado na fazenda do próprio Múcio para a construção do aeroporto com pista de terra batida.

Em 2009, quando Aécio era o governador, o Estado de Minas voltou a investir na fazenda. Desapropiou o terreno do aeroporto e injetou R$ 13,9 milhões na construção de uma pista de aslfalto no local. O aeroporto ainda não tem autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para funcionar, mas, segundo relato de um parente de Aécio, o candidato à Presidência pelo PSDB já pouso e decolou dali várias vezes.

Aécio, suas irmãs e sua mãe também têm uma fazenda em Cláudio. Ela fica a cerca de 6 quilômetros do aeroporto. As chaves de acesso à pista ainda estão nas mãos da família de Múcio, que contesta o valor de R$ 1 milhão oferecido pelo Estado de Minas pela desapropriação da área. Aécio nega que tenha havido irregularidades nas obras, mas ainda não esclareceu se utiliza ou não a pista quando vai a Cláudio.

Ação

A ação civil sobre o repasse da verba pública para a construção da pista de terra foi apresentada pelo Ministério Público Estadual em 2001, pedindo o bloqueio de bens de Múcio — inclusive da fazenda do aeroporto —, a quebra de sigilo bancário e a condenação do ex-prefeito por improbidade, além do ressarcimento de danos. Os pedidos foram atendidos, mas, segundo o Tribunal de Justiça de Minas, a maior parte das acusações já prescreveu. A excessão é a reparação de danos ao erário, pena que ainda pode ser imposta a Múcio.

Segundo o Ministério Público, a obra foi feita sem licitação, por meio do convênio 971/83, firmado entre Tancredo e Múcio. Conforme a promotoria, o "dinheiro estadual para construção do Campo de Aviação veio pela ordem da autoridade de Tancredo de Almeida Neves, governador do Estado neste período", e o convênio, assim como o depósito e a execução da obra, foram feitos "sem participação ou fiscalização da Câmara de Cláudio".

A ação relata que vereadores do município tentaram buscar a documentação relativa ao caso e constataram que os recursos foram pagos à Construtora Brasil S/A, mas não houve prestação de contas dos juros da conta, que não aparecem nos extratos de pagamentos e duplicatas relativos ao convênio.

Acordo verbal

O Ministério Público relatou ainda que, ao prestar depoimento sobre o caso, Múcio disse que tinha um "acordo verbal" com Tancredo para que a área do aeroporto fosse posteriormente desapropriada. "Apurou-se, assim, pelas versões de Múcio Guimarães Tolentino, que o campo de aviação foi usado pelo finado Tancredo de Almeida Neves, junto com sua comitiva, e que várias outras pessoas e políticos usaram o campo de aviação", diz trecho da ação civil.

O processo mostra também que veradores de Cláudio tentaram "negociar amigavelmente" com Múcio para que ele passasse o aeroporto para o município, mas o ex-prefeito se negou.

Múcio não foi localizado para comentar o caso.

Em sua página no Facebook, Aécio negou que a ação contra o tio-avô interfira no processo de desapropriação iniciado em por seu governo em 2008. "Uma coisa não tem nada a ver com a outra. A ação civil pública solicita a devolução dos recursos públicos investidos na pista de terra no município. É um processo diferente, que se arrasta já há 13 anos e pode durar ainda muitos mais", escreveu o candidato à Presidência.

Em nota, o governo mineiro disse que, no pedido de desapropriação da área, foi citada a existência da ação contra Múcio. "O imóvel será registrado em nome do Estado, independentemente do andamento da ação".

Marcelo Portela
No Estadão comatoso
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Lei deu nome de tio de Aécio para aeroporto em MG

Aeroporto construído pelo então governador de Minas, Aécio Neves, em Cláudio (MG) Alexandre
Rezende/Folhapress
O aeroporto da cidade mineira de Cláudio, construído pelo governo de Minas num terreno de um parente do senador Aécio Neves (PSDB) desapropriado pelo Estado, ainda não foi inaugurado nem está liberado para operar, mas já teve batismo oficial.

Uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em 2009, determina que o local seja denominado "Aeroporto Deputado Oswaldo Tolentino", nome de um tio-avô de Aécio.

Na semana passada, quando a reportagem da Folha esteve no aeroporto de Cláudio, a 150 km de Belo Horizonte, não havia placa ou indicação que revelasse seu nome.

Já falecido, Oswaldo era irmão de Múcio Tolentino, 88, outro tio-avô do presidenciável e dono do terreno onde o governo de Minas construiu o aeródromo. A obra custou R$ 14 milhões e foi feita quando Aécio era o governador.

A área foi desapropriada, mas o tio de Aécio contesta o valor proposto pelo governo para a indenização. O Estado obteve a posse do terreno, mas não o registro, que ainda está em nome de Múcio.

Conforme a Folha mostrou no domingo (20), o aeroporto era controlado na prática por familiares de Aécio, que guardavam as chaves do portão e autorizavam pousos e decolagens. Segundo um primo do presidenciável, a pista recebe voos semanalmente e é usada pelo próprio Aécio sempre que ele visita a Fazenda da Mata, refúgio familiar que fica a 6 km do local.

Aécio divulgou nota afirmando que a construção seguiu critérios técnicos e que seus familiares não foram beneficiados com a obra. Ele nega qualquer irregularidade.

A lei 18.386, que batizou o aeroporto, foi apresentada na Assembleia pelo agora deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG), aliado de primeira hora do senador tucano.

No projeto de lei, ele justificou a decisão de batizar o aeroporto com o nome do parente do então governador de Minas: "[Presta] justa homenagem ao ex-deputado Oswaldo Tolentino, um dos filhos mais ilustres do município, que foi o primeiro claudiense a nele pousar com seu próprio avião, de nome Aeronca, em meados de 1953".

Em setembro de 2009, um ano antes da conclusão da pista, o então governador Aécio Neves promulgou a lei, batizando o aeroporto de Cláudio com o nome de seu tio Oswaldo Tolentino.

No fAlha
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IDH do Brasil cresce e supera média da AL; país é o 79º em ranking mundial

O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil subiu uma posição e superou a média da América Latina e Caribe. Com isso, o país ocupa o 79º lugar no ranking mundial com 187 países. O índice brasileiro é 0,744 — a média da região é de 0,74 e a média mundial ficou em 0,702.

Os dados foram divulgados em relatório do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) nesta quinta-feira (24) com base em números referentes ao ano de 2013. A escala do IDH vai de 0 a 1 — quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho do país.

Neste ano, houve mudança de metodologia e o Pnud atualizou todos os dados da série histórica, desde 1980. Com base na nova forma de calcular o índice, o IDH do Brasil referente ao ano de 2012 ficou em 0,742, que o colocou em 80º no ranking mundial.

Com o índice divulgado hoje, o Brasil está no grupo de países com desenvolvimento humano alto — existem ainda faixas para "muito alto", "médio" e "baixo" — e ocupa a segunda posição na lista dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Com índice de 0,778, a Rússia ocupa a 54ª posição no ranking e, no grupo, a Índia tem o menor IDH, com 0,586, e está no 135º lugar.

Para se ter uma ideia, o IDH mais alto é o da Noruega (0,944) pelo quinto ano consecutivo, e o pior desempenho de desenvolvimento humano é do Níger (0,337). Dois países apresentam o mesmo IDH que o Brasil: Geórgia (país que fica entre a Europa e a Ásia) e por Granada (América Central).

Conforme o documento do Pnud, a expectativa de vida dos brasileiros é de 73,9 anos; a média de escolaridade entre os adultos é de 7,2 anos; a expectativa de tempo de estudo é 15,2 anos; e a renda nacional per capita anual é de US$ 14.275 (cerca de R$ 31.697 com o câmbio atual).


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Ariano Suassuna, A Pedra do Reino do Brasil

Com a simplicidade dos sábios cochilou no chão do aeroporto de Brasília.
Em todo Reino há muitos heróis, e muitos vilões. Há muitos nobres, mas um só Rei.

No Reino do Brasil o Rei era Suassuna, verdadeira pedra, marco das cultura brasileira.

Rocha firme que durante décadas primou pela defesa das nossas raízes populares.

Rachel de Queiroz  assim se referiu ao romance de sua autoria "A Pedra do Reino", mas que bem serve a Ariano: "lembrança, tradição e vivência na integração do popular ao erudito, com toque pessoal de originalidade e improvisação".

Diz da "Pedra" o escritor Maximiano Campos:  "nossa epopéia áspera, sertaneja e mestiça, criada por um escritor nordestino. Uma projeção profética e simbólica do futuro no tempo do agora, a expectativa messiânica da redenção aos pobres".

Ambas definições do romance aplicam-se à personalidade de Ariano Suassuna. O Mestre que agora nos deixa.

Quem nunca assistiu, leu ou ouviu falar da obra de Ariano Suassuna  não nasceu ainda para o Brasil.

Chicó e João Grilo são plenos de brasilidade com seu humor latino, humor dos cordéis de bufoneria.

Que tristeza a morte de Suassuna. Cada brasileiro neste momento é um orfão cultural.

Foste a Pedra Filosofal do povo brasileiro pois contigo — através da tua alquimia, — o simples, o humilde tornou-se ouro, e fez-te imortal.

A lucidez social de Ariano, sua linguagem , suas propostas culturais, suas posíções políticas, sua humanidade, seu bom humor, sua irreverência... (ainda outro dia deitou-se no chão do aeroporto agardando o voo) explicitam de forma clara a nossa brasilidade.

Paraibano — muitos o pensam pernambucano — propôs e criou o Movimento Armorial, uma forma de trazer para o erudito a cultura popular brasileira.

A Pátria somos todos nós, mas há homens e mulheres que pelo seu exemplo de vida nos chamam ao respeito pela formação da nossa nacionalidade.

Que zelam para que esta seja sempre uma Nação cada vez maior, mais forte, mais culta, mais respeitável, mais criativa e libertária.

Obrigado,  Ariano Suassuna.

Zelaremos pela tua memória como zelaste pela nossa cultura popular e nacional.

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Os pareceres de Aécio são a emenda má no soneto ruim. O fato é que lhe serraram as asas


É pior a emenda que o soneto, dizia minha velha avó.

Os pareceres dos ex-ministros Carlos Velloso e Ayres Brito, do Supremo Tribunal Federal, chovem no molhado.

Tratam de, como dizem os advogados, “lana caprina”: coisas desimportantes

É evidente que não é irregular fazer uma obra em terreno com a imissão de posse. Do contrário, uma ponte, um viaduto, uma avenida teriam de esperar até as calendas para serem feitos, pois a Justiça brasileira é o que é.

E nem mesmo que parentes ou até o próprio governador do Estado possam ter terras desapropriadas por interesse social.

Absurdo seria o contrário, porque, então, ser mandatário ou parente de mandatário significaria ter direitos acima dos que têm o cidadão comum, pois seus imóveis ficariam “blindados” contra desapropriações.

E isso, ao menos na lei, é impensável.

O problema da obra do aeroporto — além do superfaturamento, que já evidenciamos aqui e não apetece a imprensa — é de natureza administrativa e ética.

O problema, não, os problemas.

O primeiro deles é a prioridade da obra: um aeroporto para um município que não chega a 30 mil habitantes e a 36 km em linha reta de outro já existente e de ótima capacidade, inclusive para operações noturnas, em Divinópolis. Onde, aliás, reabasteceu-se 0 malsinado helicóptero Perrella.

Mas Cláudio, sendo um pequeno município que tem a singular característica de sediar, a apenas seis quilômetros da pista de pouco, a fazenda de Aécio, o Governador que determinou a obra.

O segundo problema é o custo da desapropriação. Qual foi a base, o valor venal do imóvel, como corriqueiro, ou seu valor de mercado e, neste caso, qual é?

O senhor Aécio Neves diz que a opção, que implicou oferecer um milhão de reais a seu tio-avô, era “a mais barata”.

Se o “titio” tivesse aceito um valor simbólico — mil reais, digamos — nada haveria a questionar.

Mas  o Estado lhe ofereceu um milhão de reais e ele, ainda assim, não aceitou.

Nos autos do processo, certamente, deve haver sua pretensão: dois, três, quem sabe dez milhões?

Se a Justiça arbitrar R$ 2 milhões, ainda será o “mais barato”. Ou três?

O terceiro problema é o ético.

Se o titio, sem se comover com o pedido do sobrinho e com o desenvolvimento econômico do município — razão que alega Aécio para a urgência da obra — não concordou com uma desapropriação simbólica, porque é que não se procurou alternativas para, já que se pagava a mercado (será?) e caro, fazê-lo a quem não poderia ser acusado de favorecimento?

Do outro lado da estrada havia um terreno igualmente plano, desimpedido e até maior.

O quarto problema é também de natureza ética. E vergonhoso.

Como é que se deram pareceres um mês antes do assunto vir à tona e seis anos depois da decisão ser tomada?

Não foram, ao menos pelo que indica a data aposta ao parecer de Velloso, feitos para dirimir dúvida sobre realizar ou não o investimento público ou, muito menos, para responder ao clamor público.

Não creio que um ex-ministro do Supremo, para contratar-se a um serviço de emissão de parecer, fosse capaz de fraudar a data. É provável, mesmo, que se trate de um erro material, ao escrever junho no lugar de julho.

Isso, porém, elide o mais importante da interpretação do episódio.

É que Aécio, fragilizado moralmente, correu a cobrir-se de pareceres que afirmam o óbvio, para ocultar o ignóbil.

Porque não há parecer que esconda o fato de que a obra não era essencial senão para seu conforto, tanto que “funciona” há quatro anos como pista privada, trancada a chave, salvo nos momentos em que serve de área de lazer a aeromodelistas.

Assim como não se poderá ocultar o preço astronômico de uma simples faixa de asfalto e um alambrado e menos ainda se explicará o asfaltamento de uma pista capaz de receber jatos no Norte de Minas, em Montezuma, um município pobre, paupérrimo, com sete mil e pico de moradores.

Onde, aliás, está outra propriedade do senador, esta vinda de “usucapião” de terras devolutas do Estado que governava.

Aécio Neves não entendeu que o Brasil é uma república, não uma sesmaria.

Serraram-lhe as asas, e ele está apavorado.

Fernando Brito
No Tijolaço
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