19 de jul de 2014

Diputada israelí: Hay que matar a las madres de todos los terroristas palestinos


Ayelet Shaked, miembro del Parlamento israelí, mujer bien conocida en los círculos políticos de su país, abogó en unas polémicas declaraciones por la muerte de las madres de los terroristas palestinos porque -dijo- dan a luz a "pequeñas serpientes".

"Tienen que morir y sus casas deben ser demolidas. Ellos son nuestros enemigos y nuestras manos deberían estar manchadas de su sangre. Esto también se aplica a las madres de los terroristas fallecidos", escribió en su página en Facebook Ayelet Shaked, diputada del partido ultranacionalista Hogar Judío.

Sus declaraciones han desatado una gran polémica en la sociedad, pues muchos las perciben como un llamamiento al genocidio al declarar que todos los palestinos son los enemigos de Israel y deben morir.

"Detrás de cada terrorista hay decenas de hombres y mujeres sin los cuales no podría atentar. Ahora todos son combatientes enemigos, y su sangre caerá sobre sus cabezas. Incluso las madres de los mártires, que los envían al infierno con flores y besos. Nada sería más justo que siguieran sus pasos", publicó la política el pasado 7 de julio.

Referiéndose a las mujeres palestinas Shaked señaló: "Deberían desaparecer junto a sus hogares, donde han criado a estas serpientes. De lo contrario, criarán más pequeñas serpientes".

En respuesta a las declaraciones de Shaked, el primer ministro turco dijo que la política de Israel en Gaza no se difiere de la mentalidad de Hitler. "Una mujer israelí dijo que las madres palestinas también deberían ser asesinados. Y ella es un miembro del parlamento israelí. ¿Cuál es la diferencia entre esta mentalidad y la de Hitler?", se preguntó Erdogan.

No RT
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Justiça torna réus Parreira e ex-auxiliares de Anastasia


A Justiça de Minas Gerais acatou ação e transformou em réu o ex-coordenador técnico da seleção brasileira Carlos Alberto Parreira, além do ex-secretário extraordinário da Copa em Minas Gerais, Sérgio Barroso, e o atual secretário de Turismo e Esportes do Estado, Tiago Lacerda, que sucedeu a Barroso na extinta Secopa.

A ação foi proposta pelo Ministério Público Estadual por causa do contrato firmado entre o governo mineiro, o treinador e a empresa Alfa Consultoria Esportiva, assinado em abril de 2012, durante a gestão do ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) — hoje candidato ao Senado e ex-coordenador do programa de governo do presidenciável tucano, senador Aécio Neves (MG). O objetivo do contrato, de R$ 1,2 milhão, era atrair para o Estado seleções que vieram ao Brasil disputar a Copa do Mundo.

Lacerda é filho do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, do PSB. Apesar de ser do partido de Eduardo Campos, candidato à Presidência, o prefeito é aliado de Aécio.

Pelo acordo, Parreira atuaria como uma espécie de "embaixador" para divulgar o Estado no exterior, além de prestar consultoria a 19 municípios interessados em servir de base para seleções estrangeiras no Mundial. Ele, porém, abandonou a função sete meses depois de assinar o contrato, ao ser chamado pela Confederação Brasileira de Futebol para ser coordenador técnico — cargo do qual foi dispensado após o término da Copa do Mundo no Brasil.

Para os promotores, a contratação de Parreira caracterizou improbidade administrativa porque foi feita sem licitação — a justificativa do governo foi de "notória especialização". Além disso, a ação civil pública aponta irregularidade na rescisão "amigável" do contrato (em novembro de 2012), na qual o Estado pagou R$ 279 mil a Parreira.

Devolução

A Promotoria afirma que o Estado deveria exigir a devolução do dinheiro pago a Parreira, já que ele não cumpriu o contrato, que previa a entrega de dez "produtos", entre os quais relatórios sobre as 19 cidades mineiras e de cinco "tours internacionais" para contatos com confederações de futebol.

Entre as medidas solicitadas à Justiça está o bloqueio de bens dos envolvidos.

O governo mineiro, por meio de sua assessoria, informou que não havia sido notificado sobre a ação. Parreira não foi localizado. Na Alfa Consultoria ninguém atendeu ontem o telefone.
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Deus e a Copa

Caros atletas da seleção brasileira, aqui quem fala é Deus. Em primeiro lugar, gostaria de pedir que parassem de me mencionar nas entrevistas. Não tive nada a ver com a derrota de vocês.

Não sei se vocês repararam, mas a seleção alemã fez sete gols — e não dedicou nenhum deles a mim. Era de se esperar. Nunca frequentei um treino. Eu não tive nada a ver com aquilo. Os caras estão treinando há 10 anos. Não mereço crédito — e nem estou interessado nisso.

Esse negócio de agradecer a mim pega supermal pro meu lado. As pessoas veem as cagadas que estão acontecendo pelo mundo e acham que eu estava num jogo de futebol ao invés de estar resolvendo cagadas. No jogo contra a Croácia, soube que o juiz marcou um pênalti inexistente e vocês agradeceram a mim. Pessoal, eu tenho mais o que fazer do que ficar subornando juiz. Meu nome é Deus, não é Eurico Miranda.

Nunca uma seleção brasileira foi tão temente a mim. E nunca uma seleção tomou um sacode tão grande. Perceberam o quão pouco eu me importo com a Copa do Mundo?

Pra vocês terem uma ideia, no momento estou num planeta paradisíaco, torrando royalties. Não adianta me chamar que eu não volto. Mesmo que eu me importasse com futebol: vocês acham que eu ia ajudar um time só porque acredita mais em mim? Vocês acham que eu ia prejudicar outro time só porque o pessoal não acredita tanto em mim? Vocês acham mesmo que eu sou carente nesse nível?

Fiz mil anos de análise, pessoal. Vocês não vão me comprar com um pouco de afeto e 10% do salário. A propósito: esse povo pra quem vocês doam o dízimo não está me repassando o valor. Ninguém até hoje sequer me pediu minha conta pessoal.

Se eu fosse vocês, não me preocuparia tanto com essa goleada. Me preocuparia com outros sacodes: no prêmio Nobel, a Alemanha está ganhando de vocês de 102 a zero (tampouco tive nada a ver com isso).

Também não me preocuparia tanto em não transar antes do casamento, David Luiz. Não quer transar, não transa. Mas não diga que sou eu que não quero que você transe. Eu quero mais é que todo o mundo transe, com quem quiser, da maneira que quiser, na posição que bem entender. Transa pra mim.

Despeço-me com uma dica: eu não valho nada, mas o diabo vale muito menos. Não adianta apelar pra Deus enquanto o demônio for presidente da CBF. Vocês têm José Maria Marin, Marco Polo Del Nero, Aldo Rebelo e acham que a culpa é minha?

Gregorio Duvivier, ator e escritor. Também é um dos criadores do portal de humor Porta dos Fundos.
No fAlha
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Fux mata no peito e centra para a filha marcar gol


O Ministro Luiz Fux protagonizou o mais vergonhoso episódio da história recente da Justiça brasileira. Com seu "mato no peito" desnudou o jogo de interesses e de lisonja que cerca as nomeações para tribunais superiores.

Na nomeação, o que pesou foi a lisonja, a trapaça,  os acordos com aliados influentes, de políticos federais e estaduais a nacionais a grandes escritórios de advocacia.

Sua nomeação — fundamentalmente política — alijou do cargo outro candidato que poderia ter sido Ministro por mérito. Adiou a indicação de Teori Zvaski e Luiz Roberto Barroso, impediu a nomeação de Lúcia Valle ou César Asfora, de outros candidatos que construíram sua reputação manifestando respeito permanente pelo poder judiciário e batalhando apenas pelo reconhecimento de seus pares.

Fux passou a encarnar o fura-fila, a malandragem explícita dos carreiristas. Passou a perna não apenas nem Lula e Dirceu — ao prometer "matar no peito" — mas a outros candidatos ao cargo que se mantiveram dignos e distantes da politicagem rasteira.

Agora, a indicação de sua filha Mariana Fux para uma das vagas do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro será o coroamento definitivo da pior politicagem, a exposição completa da pequenez dos conchavos de quem não respeita nem o país e muito menos o Poder Judiciário. E exposição da própria incapacidade do Judiciário, através de seus porta-vozes, de reagir contra a desmoralização do poder.

Uma moça de 32 anos, sem experiência jurídica, sem nenhuma obra relevante, candidata-se a um cargo vitalício em um Tribunal superior unicamente devido à capacidade de articulação política de seu pai. A OAB-Rio de Janeiro a coloca no topo da lista dos candidatos ao quinto constitucional.

Qual a contrapartida dessa manobra? A quem a OAB Rio serve, quando comete esse desatino?

Luís Nassif
No GGN
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Paulo André, do Bom Senso F.C.

Paulo André
Atualmente na China, o zagueiro Paulo André Cren Benini é um dos idealizadores do Bom Senso F.C., movimento que cobra melhorias no futebol brasileiro. Com o fim da Copa do Mundo do Brasil e a humilhação que a seleção sofreu contra a Alemanha, ganhou fôlego a urgência de mudanças em entidades como a CBF.

Paulo André joga no time chinês Shanghaï Shenhua, mas já passou pela equipe francesa Le Mans, além de Guarani, Atlético Paranaense e Corinthians. Ao DCM, o atleta falou sobre as mudanças necessárias no futebol, a humilhação na Copa e política.

O que você achou do desempenho da seleção na Copa do Mundo?

Não acho que a seleção fracassou tanto. As pessoas perderam a razão e se deixam levar pela emoção e pelo placar de 7 a 1. Minha visão não mudou por causa da Copa e nem minha críticas. O Brasil, fazendo tudo errado, chegou à semifinal. Algumas informações: 70% dos atletas profissionais ficam desempregados seis meses por ano, clubes grandes acumulam dívidas, dirigentes nunca são punidos, clubes pequenos estão jogados às traças, jogadores entram na justiça do trabalho e podem esperar por até 10 anos pra receber os atrasados, a formação e a capacitação de profissionais é empírica e insuficiente e a média de público nos estádios tem a décima oitava posição no ranking mundial, atrás até de Estados Unidos e Austrália. Se não estamos no fundo do poço, estamos bem próximos dele. E a solução dada pelos dirigentes do futebol brasileiro é trocar a comissão técnica, o coordenador, o médico e o assessor de imprensa da seleção. Tem que ter muita cara de pau, não? Imagine se trilharmos o caminho correto? Seremos imbatíveis.

Os jogadores têm alguma culpa no estado das coisas no futebol? 

Todos nós temos culpa. Os jogadores de futebol refletem a própria sociedade brasileira. Estudaram nas mesmas escolas públicas, tiveram as mesmas poucas oportunidades, não sabem ou não conseguem se posicionar politicamente, têm medo de retaliação e acabam por virar massa de manobra. O mesmo ocorre com o povo.

Quais são as propostas do Bom Senso F.C. para mudar a gestão da CBF, que tem dirigentes há 40 anos no poder?

O primeiro passo é propor a reforma política. É preciso oxigenar a estrutura de poder. Quem está no poder há décadas já provou que não tem capacidade de conduzir o futebol brasileiro com a excelência que o cargo exige. A CBF, numa tática de guerra conhecida como “teoria da intimidação”, controla seus 47 membros, sendo 20 clubes da série A e 27 federações estaduais. Esse jogo político emperra as medidas técnicas necessárias para o desenvolvimento do esporte no país. É preciso democratizar a CBF já.

Democratizar a CBF?

A CBF se ampara no artigo 217 da Constituição, inciso I que define que as entidades que administram o esporte no país tem autonomia financeira e estatutária. Esse artigo não permite nenhum tipo de intervenção ou regulação do governo. Ao mesmo tempo, a CBF se utiliza de um bem público que é a seleção brasileira e arrecada mais de R$ 400 milhões por ano. A oportunidade do Congresso Nacional e da presidente está na necessidade de que os grandes clubes de futebol, quebrados, têm pela aprovação da LRFE (Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte). O projeto propõe, entre outras coisas, o parcelamento da divida fiscal dos clubes, mas oculta a isenção da responsabilidade civil e penal dos dirigentes que cometeram irregularidades no período. Exigir dos clubes, em troca pelo parcelamento da dívida fiscal, a democratização da CBF, sem se excluir, é claro, a responsabilidade civil e penal, que venha a ser apurada, dos dirigentes seria um golaço. É para isso que o Bom Senso F.C. está trabalhando atualmente.

Dilma pode colaborar com essa mudança? 

Dilma tem uma única oportunidade de devolver a CBF, e todas as entidades que regem o esporte no país, ao povo brasileiro. Não devemos aprovar a LRFE do jeito que está. O projeto é frágil ao tentar garantir que os clubes estejam realmente em dia com suas obrigações fiscais e, principalmente, trabalhistas. Essa debilidade justifica o desespero dos dirigentes e a pressão da “bancada da bola” para sua rápida aprovação. Uma vez garantido o parcelamento, clubes e CBF voltarão a se blindar e não mais discutirão as mudanças estruturais do esporte. É preciso aproveitar a oportunidade e exigir dos clubes, em contrapartida pelo parcelamento da dívida, a regulação e a democratização do estatuto da CBF, limitando o mandato dos dirigentes a quatro anos com apenas uma recondução, dando voz e direito de voto aos atletas, treinadores, árbitros e todos os demais clubes filiados à entidade. O Congresso Nacional e a Dilma têm amplas condições de democratizar a autoritária e arcaica estrutura do esporte brasileiro.

Que papel deve ter o estado ou o governo na gestão do futebol brasileiro? 

Intervir para democratizar as estruturas de poder, regulando as entidades que administram a CBF, como os Teixeiras, Marins e Del Neros. Governo deve coubir a criação de novos impérios maléficos para o desenvolvimento do esporte brasileiro.

E o que você acha da corrupção no nível internacional, em entidades como a Fifa? 

É preciso lutar contra isso. Mas teremos muito trabalho com a CBF e com a Comembol antes de chegarmos a FIFA (risos).

O que você achou das Jornadas de Junho e dos protestos anti-Copa? 

Achei incrível e participei. E espero que voltem com mais frequência. O país precisa disso. Boa parte dos nossos políticos se esquecem de seu papel e de quem eles deveriam representar de fato. Uma reforma política se faz necessária para melhorar o modelo de representatividade. Apenas 8% dos nossos deputados foram escolhidos de forma direta. Isso é algo que não entra na minha cabeça.

A reforma que vocês propõem no Bom Senso F.C. inclui a Globo? 

Se não temos direito nem de votar e opinar dentro da CBF, imagine dentro da Globo. A Globo é uma empresa que visa o lucro. Ela controla os clubes por causa dos empréstimos e adiantamentos do contrato dos direitos de transmissão. Ela sabe jogar o jogo e está no direito dela de buscar o lucro. E a CBF, que deveria zelar e proteger o nosso futebol, é conivente. Para não ficarem expostos, fingem que o problema não é com eles. Para que os clubes fiquem menos dependentes da emissora, é preciso fechar a torneira, parar de gastar de forma insana, colocar as contas em dia e depois negociar o próximo contrato de TV em melhores condições, abrindo a concorrência. Por isso o Bom Senso luta por um Jogo Limpo Financeiro dentro do futebol, não esse de mentirinha que querem aprovar no Congresso. Sou um sonhador, não me julgue por isso.

Quais são os bons exemplos internacionais de boa administração do futebol? 

Existe na Alemanha, na Inglaterra e na própria França. As Confederações cuidam da Seleção e se preocupam com o futebol nacional, fomentando seu desenvolvimento em todas as dimensões: educação, formação e alto rendimento. Além de investir na responsabilidade social da prática esportiva, como lazer e saúde. Elas são responsáveis por capacitar treinadores, gestores, criar licenças e cursos para profissionalizar cada um dos segmentos citados acima e regulamentar todas as questões que envolvem o esporte no país. Enquanto isso, a Liga, a associação dos clubes, comanda o futebol profissional e seus campeonatos, visando o espetáculo e o lucro. Não é tão difícil de copiar, não é?

Pedro Zambarda de Araujo
No DCM
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Conversor de TV digital vai levar Internet para o Bolsa Família

André Barbosa Filho, superintendente de Suporte da
TV pública EBC
André Barbosa, superintendente de Suporte da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), afirma que conversor que será distribuído para inscritos no Bolsa Família criará a possibilidade de levar a banda larga para pessoas carentes, usando a penetração da TV. Para ele, todos podem ganhar com isso. Basta estabelecer modelos de negócios compatíveis com a renda dessas famílias. A “caixinha” não é só para TV, é uma “caixinha” integradora, midiacenter. E o Ministério das Comunicações e a Anatel encontraram uma boa solução ao indicar um conversor semelhante para ser distribuído com as famílias de baixa renda, de uma caixinha que possa permitir, no futuro, do Plano Nacional de Banda Larga [PNBL] com o plano de migração da TV digital. “E, com isso, a gente vai avançando para que esse público enorme, que ainda não tem a possibilidade de receber fibra [óptica], uma internet fixa, usar o canal retorno por 3G ou 4G para ter acesso à web. Ao mesmo tempo, usar novo modelo de negócio – acho que isso é importantíssimo e foi a Oi a primeira a ver isso – como uma nova fonte de renda para as operadoras, assim como para a radiodifusão”, assinala.

O Ministério das Comunicações estabeleceu que o conversor de TV digital, que será distribuído para as pessoas inscritas no Bolsa Família, terá o Ginga e permitirá acesso a outros serviços via banda larga móvel, nos moldes do que a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) vem testando. Isso é viável?

André Barbosa – A base de tudo isso está no desenvolvimento do Ginga completo, o Ginga full, porque o que foi proposto inicialmente, pela norma da ABNT não levou em conta a totalidade do middleware. A indústria fatiou e colocou o Ginga 1.0 por interesse dela. Como é uma plataforma que trabalha tanto por IP como por processo, se privilegiou a TV conectada, com o apoio do Fórum Brasileiro da TV Digital, que deveria trabalhar para trazer os benefícios da interatividade e da conectividade. Agora, depois de certo tempo, conseguimos comprovar a possibilidade de uso, privilegiando os serviços públicos, daquilo que se chama de Ginga C ou 3.0. Ele  tem alguns protocolos que permitem a interatividade, vídeos dinâmicos e uma série de leituras de mídias previstas para utilizarem a linguagem IP convergida com a DTS, que é a linguagem de televisão.

Isso no mundo nunca foi desenvolvido, não que os países como Itália, que chegou bastante longe, a França e até a Alemanha, não tivessem capacidade, não é isso que estou dizendo. O que eu digo é que esses países não tiveram interesse por causa de outros serviços que consideram prioritários, como a banda larga. Isso também está sendo discutido no mundo, porque o broadcasting está sendo visto de outra maneira hoje, não só como aquela televisão linear como acontece hoje, mas usado para outras formas de plataformas digitais que estão se construindo modelos no mundo, por broadcasting.

De qualquer maneira, para o panorama brasileiro faltava desenvolver um teste de conceito e a gente fez isto com o Brasil 4D. Depois de testar em 50 casas esse conversor em Samambaia, no DF, vamos agora para 350 casas na Ceilândia. E mais, a gente está fechando com a Codab [Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal] um acordo para licitar 30 mil unidades com “caixinhas” do Brasil 4D para serviços públicos.

Qual é a configuração desse conversor ou “caixinha”?

Barbosa – O perfil técnico dessa “caixinha” prevê um hardware com duas portas USB, uma interna para colocar o modem 4G ou 3G, e uma externa para fazer conexão com IP, seja WiFi, seja com banda larga fixa, TV conectada ou qualquer outro instrumento IP e com cachê de memória suficiente para reduzir a latência, possibilidade de colocar memória flash de 512 K e cartão de memória de até 16 Giga, para caber mais aplicativos. Nós já estamos trabalhando na correção pelo ar dos dados e também de vídeos. Ou seja, você carrega os vídeos de madrugada e os vídeos anteriores vão para nuvem e terá um aplicativo para abrir essa nuvem. E os novos estarão embarcados no carrossel e disponíveis no memory card, com todos os aplicativos embarcados. Isso leva o conversor a ter similitude com smartphones, PCs e outros equipamentos de informática que tenham essas mesmas característica.

A “caixinha” não é só para TV, é uma “caixinha” integradora, midiacenter. E o Ministério das Comunicações e a Anatel encontraram uma boa solução ao indicar um conversor semelhante para ser distribuído com as famílias de baixa renda, de uma caixinha que possa permitir, no futuro, do Plano Nacional de Banda Larga [PNBL] com o plano de migração da TV digital. E, com isso, a gente vai avançando para que esse público enorme, que ainda não tem a possibilidade de receber fibra [óptica], uma internet fixa, usar o canal retorno por 3G ou 4G para ter acesso à web. Ao mesmo tempo, usar novo modelo de negócio – acho que isso é importantíssimo e foi a Oi a primeira a ver isso – como uma nova fonte de renda para as operadoras, assim como para a radiodifusão.

Isso coloca a TV aberta em um mundo digital com modelo de negócio convergente. Até agora no mundo não tinha sido feito isso, porque todo mundo optou por se fazer isso por meio de IP. Foi o Brasil, junto com esse grupo todo, EBC, Harris, D-Link, Totvs, MecTronica, Spinner, Ebcom, Intacto, Oi e Ei-TV!, universidades e tantos outros que participaram desse projeto, que iniciaram esse movimento.

As especificações do conversor do MiniCom são iguais a da “caixinha” do projeto Brasil 4D?

Barbosa - Faltou uma coisinha, mas foi por esquecimento. Faltou a porta HDMI. Não existe conversor hoje sem essa entrada porque sem ela perde a alta definição da TV aberta, que só teria conexão por vídeo componente ou vídeo composto, que garante uma definição de apenas 420 linhas, uma resolução muito parecida com a da TV analógica. Com o HDMI a TV aberta terá qualidade superior do que a TV a cabo.

Mas o Ministério das Comunicações e a Anatel já afirmaram que quem vai definir as especificações do conversor será o grupo do grupo técnico responsável pela migração e que a porta HDMI será incorporada.

A “caixinha” do projeto Brasil 4D foi especificada pela EBC?

Barbosa – Foi, a pedido nosso. Na verdade, ela nasceu lá atrás de uma proposta do Banco do Brasil, que desenvolveu com a Totvs e com outras empresas uma especificação para criar extratos e saldos bancários pela televisão, que inclusive vamos usar a partir deste mês no Brasil 4D. E o banco negociou com a chinesa D-Link a possibilidade de fazer 10 mil caixinhas. Mas o BB recuou por falta de regulação e ficaram com essas unidades sem uso. Então, eu negociei com eles para fazer os testes de interatividade. Para isso, melhoramos os equipamentos, botamos aplicativos. Ou seja, fizemos todo um trabalho de firmware e de estabelecimento de regras e padrões para fazer os testes em João Pessoa.

Os testes também previam a distribuição de antenas externas junto com as “caixinhas”?

Barbosa – Sim e isso é importante. Antena interna não funciona nesse momento. Não é que antena interna não funcione para TV digital, mas é um risco muito grande por causa dos filtros para evitar interferências. No caso dos receptores do MiniCom, elas devem sair já com os filtros, conforme o ministro Paulo Bernardo adiantou, para evitar interferências dentro de casa. Mas não adianta querer botar antena interna, tem que ser antena externa, para evitar o risco severo de interferências entre os serviços. Se a gente fizer em escala, vai ficar muito barato. Hoje, uma antena externa estaria custando por volta de R$ 80 a R$ 90, mas teríamos condições de fazer isso com o custo mais baixo para atender 1 milhão de “caixinhas”. A perspectiva, e isso ainda não tem confirmação, a potencialidade de conversores é de chegar a 17 milhões, de acordo com as inscrições atuais no Programa do Bolsa Família. Mas na cotação inicial para a fabricação de 1 milhão de “caixinhas” com antena externa ficaria entre R$ 60 e R$ 120 o kit.

Paralelamente, a Anatel ficou de conversar sobre conexão com as operadoras, seja por meio de uma política de contrapartida ou de política pública, para que o chip de dados, que já existe no mercado, possa ter um preço acessível pago pelo próprio consumidor. Ele usa um pacote de dados que ele não paga, mas se ultrapassasse a franquia, teria condições de arcar com o valor reduzido. Isso é uma coisa que precisa ser estudada, para garantir que esse mídia center possa ser mais um canal de inclusão digital, que congrega a banda larga e a TV digital. Como a gente sempre previu, esses meios são suplementares e não excludentes, podem conviver perfeitamente e podem ser motivos de interesses econômicos das corporações.

Outras coisas virão, como o incentivo de desenvolvimento de projetos convergentes e desenvolvimento de ideias para a TV digital, com recursos públicos, na área de antenas inteligentes, diminuição de latência e outras questões fundamentais, como a interatividade síncrona, ou seja, dentro do programa.

Quem vai produzir esses conversores em um tempo curto?

Barbosa – Para produção do hardware, tem várias empresas interessadas. Recentemente, a Anatel reuniu uma sete empresas, nacionais e estrangeiras, para conversar. Mas existem muito mais empresas que podem fazer isso. A questão é saber sobre a implantação do protocolo 3.0 do Ginga e saber se essa implantação será pública, aberta. O pedido da EBC é que seja feito assim. A implementação pública de referência para o uso da interatividade e canal de retorno, como a PUC fez com a versão 1.0, para não ficar na mão de desenvolvimento proprietário. A TV digital sempre foi software livre, código aberto e não pode ser diferente agora quando estamos falando de baixa renda na TV digital.

Esse processo pode levar a um ganho significativo ao PNBL?

Barbosa – Acho que sim. A televisão está em 98% dos lares e poderemos chegar, como pretende o MiniCom, a 93% em 2019 e isso significa que essas pessoas passam a ter a possibilidade de receber as informações digitais, transmitidas por broadcasting ou por IP, não importa. Vamos criar um atalho para a oferta de banda larga. E as operadoras não vão deixar de ganhar dinheiro. Ao contrário, com o modelo novo de canal de retorno, pode se ampliar para outras ofertas de pacotes. Precisamos da cooperação da iniciativa privada para isso.

E os testes da EBC, como andam?

Barbosa - Na verdade, nós temos novidades que serão implantadas agora, como um game de trabalho, desenvolvida pela Feevale, única universidade que tem mestrado em games no Brasil. Mas para isso temos que modificar o firmware, avaliar a capacidade de memória, enfim, tudo isso estamos aprendendo. Também serão implantados extratos e saldos bancários. Para avançar para outros serviços bancários, como a movimentação de contas, precisamos fazer um padrão de autenticação bancária. Isso nós estamos negociando com a Febraban, com as empresas, o governo, para reduzir riscos no canal de retorno.

Então todos os serviços em teste poderão migrar para essa “caixinha” da Anatel?

Barbosa – Ela pode ser mais do que ela é, desde que seja escalável. Mas, na verdade, ela inicia com uma configuração básica, que permite ter uma conexão com a banda larga 4G ou 3G e a serviços públicos. Mas a conexão pode ser gratuita ou paga. São várias possibilidades que a Entidade Administradora da migração vai decidir. Uma das questões fundamentais é testar a interatividade no VHF alto até 2016, quando começa efetivamente o desligamento do sinal analógico, para saber se funciona igual ao UHF. Acreditamos e todos os engenheiros têm sido unânimes de que não haverá problemas. Mas temos que fazer os testes. Outro ponto significativo é trabalhar na multiprogramação. Há poucos conversores no mercado com essa possibilidade e há televisores que também não pegam, porque atualmente é opcional. Muitos radiodifusores não querem, mas para os canais públicos é vital. Sem apelo público, isso dificilmente ocorrerá.

A Anatel acenou com a possibilidade de destinar nova faixa para a evolução da TV digital. Essa é uma reivindicação também das TVs públicas?

Barbosa – É sim. A Anatel já estudando seriamente isso, os radiodifusores ficaram contentes com isso. Assim com o percentual mínimo de 93% de cobertura da TV digital para o desligamento. As coisas estão começando a clarear. Essa “caixinha” é a demonstração física de que a radiodifusão e a banda larga podem caminhar paralelamente, mas de forma convergente.

No tele síntese
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O momento em que o avião da Malaysia é abatido em pleno vôo

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O que a venda da Forbes diz sobre a mídia — a de fora e a do Brasil

Steve Forbes
O caso Forbes — a venda da revista para um grupo de capital chinês — é um marco sob vários aspectos.

O principal deles é o que todos sabemos: a Forbes, uma das marcas mais reluzentes da mídia tradicional, não resistiu à internet.

Como tantas outras marcas da Era do Papel, foi diminuindo, diminuindo, diminuindo até virar nada, ou quase nada.

Ninguém mais lê revistas.

Em seus dias de glória, a Forbes era leitura obrigatória de executivos não apenas dos Estados Unidos, seu berço — mas de todo o mundo.

Jornalistas de negócios não podiam também passar sem ela. Como editor da Exame, sempre tinha a Forbes em minha mesa.

O melhor diagnóstico veio de Steve Forbes, filho do fundador: “Nosso negócio foi tornado obsoleto pela internet.” Foi Steve que comandou a venda.

Houve vários triunfos da esperança, nos últimos anos, para as revistas tradicionais.

Os editores acharam, em certo momento, que a cobrança de conteúdo na internet compensaria, ao menos em parte, o dinheiro perdido na publicidade e na circulação.

Não deu certo.

Mais recentemente, os editores se animaram com a perspectiva de que os tablets seriam a salvação das revistas na era digital.

Também não deu certo.

Os tablets são usados para o consumo de notícias novas, frescas — e não para a leitura de conteúdo antigo de revistas.

Um estudioso de mídia americano usou, ao comentar o caso da Forbes, uma expressão dura e verdadeira: “Não existe bala de prata para a mídia impressa.”

Segundo fontes, a empresa foi vendida por 475 milhões de dólares, cerca de 1 bilhão de reais.

Mas o mercado duvida que essa cifra seja verdadeira. Há a suspeita de que o número seja bem menor.

Por que comprar um negócio que o próprio dono classifica de “obsoleto”? Há, aí, uma questão simbólica. É a China se apropriando de um ícone americano.

É interessante colocar o assunto à luz do mercado brasileiro.

O quadro é, ao mesmo tempo, igual e diferente. Igual na obsolescência que a internet trouxe às revistas.

Diferente nas alternativas colocadas à frente das empresas proprietárias.

Imagine que algum grupo chinês, para ampliar sua presença no Brasil, tivesse interesse em comprar uma editora de revistas.

Não conseguiria. A reserva de mercado que vigora na mídia impede o controle de acionistas estrangeiros.

É uma ironia.

Durante décadas, as grandes companhias de beneficiaram da reserva. A competição de fora foi afastada.

Mas agora o que era uma vantagem competitiva — na realidade uma mamata, mais um dos tantos privilégios — é um obstáculo.

Onde existe, no Brasil, dinheiro suficiente para a compra de uma grande empresa de mídia? A oferta nacional de potenciais compradores é extraordinariamente rarefeita.

Isso pode obrigar os donos a carregar seu negócio até que ele se extinga.

As companhias brasileiras teriam muito mais chances de fazer negócio se pudessem vender para investidores estrangeiros.

Mas não podem.

É um fato doído para seus donos, e também uma espécie de justiça poética.

Paulo Nogueira
No DCM
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Lição para trainees da TV Globo: análise de um vídeo "fractal"


Sintoma? Ato falho? Autoparódia? Provocação? Talvez seja tudo isso, um verdadeiro vídeo “fractal” (figura geométrica similar a um padrão que se repete em escala maior) feito para promover o Programa de Trainees 2014 da TV Globo. Certamente, a primeira lição para os trainees da emissora poderia ser a de analisar esse vídeo performado por Marcius Melhem e Marcelo Adnet: um general estilizado recruta jovens de 18 anos para o alistamento na “maior emissora de comunicação do... Brazziilll” (o nome do País em sotaque inglês). Sabendo-se das polêmicas origens da TV Globo no período da ditadura militar, podemos encontrar no “teaser” promocional o reflexo da corda bamba em que se encontra atualmente a TV Globo entre ter que ser politicamente de oposição e, ao mesmo tempo, aparentar transparência e modernidade.

O “Banco de Talentos”, site de recrutamento onde a TV Globo forma sua verdadeira reserva de mão de obra cadastrando candidatos a diversos programas corporativos da emissora, publicou uma página do Programa de Trainee Globo 2014. Visualmente a página é interessante e até saudosa: lembra os projetos visuais da extinta MTV Brasil com as fontes de texto irregulares, o grafismo com ares retro e no destaque Marcelo Adnet em cena do vídeo promocional do programa.

Se o gigante se conhece pelo dedo, esse vídeo promocional é uma ótima oportunidade para os jovens candidatos conhecerem o DNA da emissora na qual pretendem trabalhar. O site possui até uma página intitulada “Conhecendo a Rede Globo” onde encontramos um daqueles textos com estilo corporativo eufemístico falando de “missão”, “sonhos” e “líderes”.

Mas é no vídeo promocional que o futuro trainee pode conhecer a verdadeira Rede Globo, sua origem, história e natureza. De uma forma irônica, quase como um chiste ou ato falho, a emissora deixa escapar nas suas metáforas a origem e vocação histórica. O vídeo é um verdadeiro fractal da TV Globo: figura geométrica não-euclidiana cuja estrutura é similar a um padrão que se repete em uma escala maior.

O vídeo



O vídeo inicia com um general estilizado feito pelo comediante Marcius Melhem fazendo uma alusão às antigas propagandas do Exército brasileiro convocando para o alistamento militar obrigatório: “você que tem 18 anos...” Ao fundo uma enorme bandeira com o logo da TV Globo convertida numa analogia à bandeira nacional. A composição do general estilizado, a bandeira ao fundo e a entonação ironicamente lembram o espírito propagandístico do “Brasil, Ame-o ou Deixe-o” do antigo regime militar brasileiro (1964-1985).

Para quem conhece a história da emissora, sabe que a Globo cresceu sob o apoio do regime militar que ela própria não só apoiou como participou ativamente da desestabilização do governo Goulart (1962-64) que criou condições políticas para o golpe militar em 1964. Tanto que, no ano passado, as Organizações Globo não resistiram às crescentes manifestações (“A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”) e através do Jornal O Globo reconheceu 50 anos depois que o apoio ao Golpe foi um erro.

Que as corporações vejam os processos seletivos pela metáfora militarista do recrutamento isso não é novidade: depois de anos de discursos humanistas nas organizações sobre “capital humano”, “gestão holística” etc., as empresas continuam através dessas metáforas gerenciais militares mostrando que continuam a mesma — hierarquizadas, verticalizadas e autoritárias. Mas no caso desse vídeo do programa global de trainees há algo a mais: um ato falho sobre suas origens? Um provocativo autodistanciamento irônico? Um incontrolável cacoete que lembraria aquele do Dr. Fantástico do filme de Kubrick cujo braço direito involuntariamente se levantava para fazer a saudação nazi?

O fato é que assistindo ao vídeo podemos claramente perceber índices e alusões que confirmariam todas essas hipóteses:

Generais, condecorações e Big Brother

(a) A composição da bandeira nacional/TV Globo, general estilizado em um púlpito remete iconicamente a todo o imaginário cinematográfico e pop dos golpes e ditaduras militares nas chamadas “repúblicas de bananas” da América Latina dos anos 1960-70. Um ato falho revelador das históricas origens da emissora?

(b) A certa altura o general estilizado de Marcius Melhem fala “venha fazer parte da maior empresa de comunicação... (pausa dramática) do Brazilll”, fala o nome do País com um sugestivo sotaque inglês. Nas controvertidas origens da emissora, discute-se o famoso Caso Globo/Time-Life, acordo financeiro e tecnológico com o grupo norte-americano firmado em 1965, à época ilegal pela Constituição brasileira não permitir a participação estrangeira em uma empresa nacional de comunicação.

Acima:
cena do documentário
"Muito Além do Cidadão Kane";
Abaixo: Adnet como
trainee condecorado
Isso sem falar na ingerência logística e ideológica da CIA na criação das condições políticas e ideológicas para o Golpe Militar no qual a TV Globo assumidamente participou. Uma alusão irônica? Provocação? Ato falho? Realmente, a figura de um general estilizado falando “Brasil” com sotaque inglês dá no que pensar...


(c) Marcelo Adnet sendo condecorado pelo general estilizado. Uma irresistível alusão icônica a famosa sequência do censurado documentário inglês Muito Além do Cidadão Kane (Beyond Citizen Kane, 1993) onde mostra imagens do telejornalismo da emissora mostrando Roberto Marinho sendo condecorado em uma cerimônia militar para ilustrar a tese de que a TV Globo crescia fora de qualquer controle público ou político — veja fotos acima e sobre o documentário clique aqui.

Wilson Ferreira
No GGN
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Legisladores chilenos exigen distanciamiento de Israel

El canciller chileno, Heraldo Muñoz, indico quye estudiarán
todas las medidas propuestas por los legisladores
respecto a la ofensiva de Israel contra la Franja de Gaza
Diputados y senadores chilenos de todas las tendencias políticas acudieron este jueves a la cancillería del país para exigir al Ejecutivo una postura más firme y activa respecto a los ataques de Israel contra la Franja de Gaza.

"Le estamos pidiendo al gobierno que intervenga ante Naciones Unidas (ONU) para exigir el cumplimiento de las resoluciones, que llame al embajador de Chile en Israel a explicar lo que pasa", señaló el senador socialdemócrata Eugenio Tuma.

Por su parte, el canciller Heraldo Muñoz destacó que el pleno de legisladores le exigió distanciar las relaciones diplomáticas como medida de presión para cesar la violencia contra territorio palestino.

"No podemos seguir manteniendo relaciones con un Estado que viola los derechos humanos y que no cumple ninguna de las resoluciones de Naciones Unidas", explicó el ministro de Relaciones Exteriores.

El plan de peticiones entregado por los parlamentarios fue firmado por integrantes de partidos de la derecha, e incluso del Partido Comunista.

"Aquí está la izquierda, el centro y la derecha pidiendo la paz. Israel no puede estar sobre el derecho internacional y el derecho a la vida de miles y miles de niños que hoy están muriendo en la Franja de Gaza", destacó el legislador de la Unión Demócrata Independiente, Iván Moreira.

De acuerdo con cifras oficiales, la ofensiva sionista contra la Franja de Gaza ha dejado más de 200 muertos y unas mil 500 personas heridas.

No teleSUR
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O horário eleitoral não pode ser o Neymar da Dilma

O tambor rentista continua a manipular o noticiário econômico com o espectro de uma inflação ‘superior ao teto da meta’, enquanto os indicadores de atividade e emprego despencam num cenário de contração do crescimento que embaralha o calendário eleitoral.

O teto da inflação oficial (6,5%) foi superado em 0,3% (6,53%) no mês passado, exclusivamente por um efeito contábil na recomposição da série de 12 meses.

Algo semelhante poderá ocorrer agora em julho, por razões igualmente contábeis.

A variação deste mês substituirá a do seu equivalente em 2013, quando o IPCA subiu apenas 0,03%, favorecido pela corte no preço das passagens de ônibus, após protestos que tomaram as ruas do país.

Na vida real o comportamento corrente dos preços é de recuo quase generalizado.

O efeito da seca sobre os alimentos passou, desarmando o principal vilão irradiador das pressões altistas sobre os demais setores da economia.

No plano internacional, as boas perspectivas de produção e a pasmaceira econômica global esfriam as cotações das commodities. A FAO prevê um horizonte de estabilidade dos preços agrícolas para os próximos dois a três anos, em níveis bem abaixo dos picos especulativos registrados na antessala da crise de 2008.

O efeito do conjunto no Brasil é a deflação nos preços dos alimentos que se irradia para o restante da economia.

Os índices do setor agropecuário ensaiam sua quarta queda em julho.

Na segunda prévia do mês, o IBGE apurou uma diminuição de 2,04% dos preços no atacado.

O declínio chegou aos produtos industriais, que exibem deflação de 0,52%. O custo de vida ao consumidor começa a incorporar a mesma tendência baixista: subiu 0,14% no período — metade da taxa observada na prévia equivalente do mês passado.

A alta persistente na área dos serviços, impulsionada em grande medida pelas diárias dos hotéis e das passagens aéreas (mais 25% e mais 21%, respectivamente, em junho) perde força com o fim da Copa.

Portanto, a justificativa para o Banco Central brasileiro insistir na manutenção do maior juro real do mundo esfarela em praça pública.

O desaparecimento da causa não foi suficiente para inverter a consequência pilotada pelo BC.

Ciosa quando se trata de proteger a rentabilidade rentista, a autoridade monetária brasileira mostra-se negligente quando se trata de acudir uma economia com falta de ar.

Para combater a inflação, o BC elevou as taxas de juros no país durante nove vezes seguidas, desde abril de 2013, quando a Selic estava em 7,25% (era o menor juro real da história).

A série de altas sucessivas, a partir daí, jogou s Selic de volta ao pódio de campeã mundial. Fixada na estratosfera dos 11%, em abril último, assim foi mantida na reunião do Copom desta 4ª feira, indiferente às sirenes de uma economia que escorrega na ribanceira, arrastando junto os preços de toda a economia.

Em junho foram criados 25.363 postos formais de trabalho em todo o Brasil.

O dado representa quase 57% menos do que o observado no mesmo período de 2013 (Caged).

De janeiro a junho, o Brasil acrescentou 588.671 novos empregos aos cerca de 20 milhões criados desde 2003.

O desempenho do mercado de trabalho brasileiro é infinitamente superior à média mundial, puxada por uma Europa onde 26 milhões de trabalhadores foram demitidos pelo ajuste ortodoxo que o conservadorismo quer replicar aqui.

Mas o resultado deste semestre ficou quase 30% abaixo do seu equivalente no ano passado.

O governo e algumas das principais lideranças do PT parecem convencidos de que a disputa de outubro será vitoriosa ancorando-se a reeleição no balanço das conquistas acumuladas nos últimos anos.

Descarta-se qualquer nova frente de conflitos — entre eles a regulação da mídia ou um corte significativo na ração dos rentistas.

Não sem uma boa dose de razão, imagina-se que o tempo da propaganda eleitoral — o de Dilma é três vezes maior que o de Aécio — funcionará como um detox ao jogral do Brasil aos cacos, diuturnamente martelado no imaginário brasileiro.

A estratégia endossa o bordão futebolístico: não se mexe em time que está ganhando.

A rota de colisão observada na frente econômica coloca em xeque a opção pelo não enfrentamento dos torniquetes impostos ao país pela política monetária.

Se há dúvidas de que uma redução na taxa de juro agora seria suficiente para reavivar o crescimento, os indicadores do nível de atividade, ao contrário, são assertivos em proclamar sua capacidade de desgastar a propaganda do governo na boca da urna.

É uma corrida contra o tempo.

A candidatura Dilma tem números reluzentes para desautorizar a nostalgia em relação ao legado do PSDB em qualquer frente. Um dado resume todos os demais: em dezembro de 2002, 10,5% da população ativa sobravam no mercado de trabalho; hoje a taxa é inferior à metade disso.

O problema é saber até que ponto as conquistas incorporadas à rotina serão suficientes para equilibrar o discernimento do eleitor diante de reveses econômicos em curso.

Dilma terá 11 minutos diários para prova-lo, contra 6 minutos da dupla Aécio & Campos.

Parece confortável. Mas não se pode abstrair desse cálculo os 40 minutos subsequentes, engatados ao horário eleitoral pela escalada corrosiva do JN da Globo.

Carta Maior tem insistido que o antagonismo retórico não basta.

A luta pela reeleição se dá em condições de beligerância que prometem suplantar as de 2002, indo além do cerco estendido pelo coro do ‘mensalão’, em 2006.

É arriscado apostar tudo no horário eleitoral como se fosse uma espécie de Neymar da Dilma.

A insurgência conservadora joga no tudo ou nada para levar a disputa ao segundo turno — com o Datafolha dando a senha de largada ao plantar um ‘empate técnico’ entre Dilma e o tucano, em caso de confronto direto.

É preciso ir além da propaganda.

Significa dizer que um segundo governo Dilma terá que se tornar palpável desde já, na campanha eleitoral, para que tenha nos movimentos sociais um fiador engajado.

A transposição das palavras para os atos requer a largada de um processo de negociações do desenvolvimento, capaz de explicitar — desde já — a nova identidade de um pacto progressista, seu método, prazos, salvaguardas, concessões, metas imediatas e objetivos críveis dos próximos anos.

Trata-se de dar consequência organizativa ao propósito de deslocar a correlação de forças rumo a uma democracia social ancorada em ganhos de produtividade, crescimento, distribuição de renda e melhor qualidade de vida.

Um requisito crucial dessa travessia é a referência de seu negociador.

Ademais da legitimidade própria, é imperativo que guarde inexcedível sintonia com a candidata-presidenta, que não pode exercer esse papel de forma direta e imediata, por força de sua dupla função.

Esse personagem-ponte existe; chama-se Lula; deveria entrar em cena imediatamente.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Jornalixo em Palmas-TO


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Washington libera posse de pequenas quantidades de maconha

Quem for surpreendido com menos de 28 gramas da substância na capital americana terá que pagar multa de US$ 25

Quem for detido pelo consumo da substância em público
pode enfrentar até 60 dias de prisão e multa de US$ 500
A capital americana pôs fim oficialmente nesta quinta-feira à punição por posse de pequenas quantidades de maconha, o que coloca as leis de Washington entre as mais progressistas do país. Desde hoje, as pessoas que forem surpreendidas com menos de 28 gramas da substância na capital americana terão que pagar multa de US$ 25 por uma violação de caráter cívico equiparável a tirar o lixo de forma indevida.

Mesmo assim, continua sendo um crime potencialmente punível com penas de prisão a venda da droga e o consumo em público, assim como dirigir um automóvel ou embarcação sob os efeitos da maconha.

No Terra
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João Ubaldo Ribeiro

João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro
* Itaparica, BA, 23 de janeiro de 1941 + Rio de Janeiro, RJ, 18 de julho de 2014



Relembrando  


No momento em que Fernando Henrique Cardoso pleiteia uma vaga na Academia Brasileira de Letras, vem à tona esta bela carta redigida pelo escritor João Ubaldo Ribeiro em 1998.

Não vou mais me alongar, apenas sugiro a leitura.


25 de outubro de 1998

Senhor Presidente,

Antes de mais nada, quero tornar a parabenizá-lo pela sua vitória estrondosa nas urnas. Eu não gostei do resultado, como, aliás, não gosto do senhor, embora afirme isto com respeito. Explicito este meu respeito em dois motivos, por ordem de importância. O primeiro deles é que, como qualquer semelhante nosso, inclusive os milhões de miseráveis que o senhor volta a presidir, o senhor merece intrinsecamente o meu respeito. O segundo motivo é que o senhor incorpora uma instituição basilar de nosso sistema político, que é a Presidência da República, e eu devo respeito a essa instituição e jamais a insultaria, fosse o senhor ou qualquer outro seu ocupante legítimo. Talvez o senhor nem leia o que agora escrevo e, certamente, estará se lixando para um besta de um assim chamado intelectual, mero autor de uns pares de livros e de uns milhares de crônicas que jamais lhe causarão mossa. Mas eu quero dar meu recadinho.

Respeito também o senhor porque sei que meu respeito, ainda que talvez seja relutante privadamente, me é retribuído e não o faria abdicar de alguns compromissos com que, justiça seja feita, o senhor há mantido em sua vida pública – o mais importante dos quais é com a liberdade de expressão e opinião. O senhor, contudo, em quem antes votei, me traiu, assim como traiu muitos outros como eu. Ainda que obscuramente, sou do mesmo ramo profissional que o senhor, pois ensinei ciência política em universidades da Bahia e sei que o senhor é um sociólogo medíocre, cujo livro O Modelo Político Brasileiro me pareceu um amontoado de obviedades que não fizeram, nem fazem, falta ao nosso pensamento sociológico. Mas, como dizia antigo personagem de Jô Soares, eu acreditei.

O senhor entrou para a História não só como nosso presidente, como o primeiro a ser reeleito. Parabéns, outra vez, mas o senhor nos traiu. O senhor era admirado por gente como eu, em função de uma postura ética e política que o levou ao exílio e ao sofrimento em nome de causas em que acreditávamos, ou pelo menos nós pensávamos que o senhor acreditava, da mesma forma que hoje acha mais conveniente professar crença em Deus do que negá-la, como antes. Em determinados momentos de seu governo, o senhor chegou a fazer críticas, às vezes acirradas, a seu próprio governo, como se não fosse o senhor seu mandatário principal. O senhor, que já passou pelo ridículo de sentar-se na cadeira do prefeito de São Paulo, na convicção de que já estava eleito, hoje pensa que é um político competente e, possivelmente, tem Maquiavel na cabeceira da cama. O senhor não é uma coisa nem outra, o buraco é bem mais embaixo. Político competente é Antônio Carlos Magalhães, que manda no Brasil e, como já disse aqui, se ele fosse candidato, votaria nele e lhe continuaria a fazer oposição, mas pelo menos ele seria um presidente bem mais macho que o senhor.

Não gosto do senhor, mas não tenho ódio, é apenas uma divergência histórico-glandular. O senhor assumiu o governo em cima de um plano financeiro que o senhor sabe que não é seu, até porque lhe falta competência até para entendê-lo em sua inteireza e hoje, levado em grande parte por esse plano, nos governa novamente. Como já disse na semana passada, não lhe quero mal, desejo até grande sucesso para o senhor em sua próxima gestão, não, claro, por sua causa, mas por causa do povo brasileiro, pelo qual tenho tanto amor que agora mesmo, enquanto escrevo, estou chorando.

Eu ouso lembrar ao senhor, que tanto brilha, ao falar francês ou espanhol (inglês eu falo melhor, pode crer) em suas idas e vindas pelo mundo, à nossa custa, que o senhor é o presidente de um povo miserável, com umas das mais iníquas distribuições de renda do planeta. Ouso lembrar que um dos feitos mais memoráveis de seu governo, que ora se passa para que outro se inicie, foi o socorro, igualmente a nossa custa, a bancos ladrões, cujos responsáveis permanecem e permanecerão impunes. Ouso dizer que o senhor não fez nada que o engrandeça junto aos corações de muitos compatriotas, como eu. Ouso recordar que o senhor, numa demonstração inacreditável de insensibilidade, aconselhou a todos os brasileiros que fizessem check-ups médicos regulares. Ouso rememorar o senhor chamando os aposentados brasileiros de vagabundos. Claro, o senhor foi consagrado nas urnas pelo povo e não serei eu que terei a arrogância de dizer que estou certo e o povo está errado. Como já pedi na semana passada, Deus o assista, presidente. Paradoxal como pareça, eu torço pelo senhor, porque torço pelo povo de famintos, esfarrapados, humilhados, injustiçados e desgraçados, com o qual o senhor, em seu palácio, não convive, mas eu, que inclusive sou nordestino, conheço muito bem. E ouso recear que, depois de novamente empossado, o senhor minta outra vez e traga tantas ou mais desditas à classe média do que seu antecessor que hoje vive em Miami.

Já trocamos duas ou três palavras, quando nos vimos em solenidades da Academia Brasileira de Letras. Se o senhor, ao por acaso estar lá outra vez, dignar-se a me estender a mão, eu a apertarei deferentemente, pois não desacato o presidente de meu país. Mas não é necessário que o senhor passe por esse constrangimento, pois, do mesmo jeito que o senhor pode fingir que não me vê, a mesma coisa posso eu fazer. E, falando na Academia, me ocorre agora que o senhor venha a querer coroar sua carreira de glórias entrando para ela. Sou um pouco mais mocinho do que o senhor e não tenho nenhum poder, a não ser afetivo, sobre meus queridos confrades. Mas, se na ocasião eu tiver algum outro poder, o senhor só entra lá na minha vaga, com direito a meu lugar no mausoléu dos imortais.

João Ubaldo Ribeiro

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João Ubaldo Ribeiro, o baiano mundial

João Ubaldo foi-se. O último grande escritor brasileiro, romancista de vocação, capaz de reunir qualidade literária, reconhecimento internacional, apoio crítico e popularidade — e principalmente o carisma de uma personalidade literária que já não existe mais. Da sua geração, ele foi o melhor. E não há uma nova geração de escritores brasileiros com essa magnitude.

O baiano João Ubaldo deu, de certa forma, continuidade à excelência literária regional de Jorge Amado, que o adotou, desde muito cedo, como pupilo. Não por acaso. Ubaldo esbanjou talento precoce, sólida formação e um humor inigualável. Era capaz de piadas e histórias engraçadas por horas a fio, pontuadas por suas risadas colossais, que se faziam ouvir à distância. E seduzia sua plateia, fossem apenas amigos ou literatos de alto calibre.

Embora tenha estreado na literatura aos 22 anos, o sucesso veio com o instigante romance “Sargento Getúlio”, uma obra madura de um escritor de 34 anos, que lhe valeu o Prêmio Jabuti de autor revelação em 1974. Até hoje é considerado um de seus melhores livros, talvez devido à linguagem irônica que produzia com grande facilidade, talvez pelo retrato de uma “brasilidade” pouco explorada, ou por sua maestria regionalista — ou provavelmente por tudo isso.

Ubaldo foi professor de Ciências Políticas na Alemanha e fez seu mestrado nos EUA. Tinha uma característica notável: boa parte de sua obra foi traduzida para o inglês por ele mesmo, tarefa que lhe tomava um bom tempo e da qual, algumas vezes, reclamava e se dizia arrependido. Como foi o caso de “Viva o Povo Brasileiro”, uma saga brasileira de mais de 400 páginas, linguagem rebuscada e plena de sutilezas.

Sua popularidade, no entanto, foi consolidada com “O Sorriso do Lagarto”, uma história com pitadas fantásticas que acabou virando série da TV Globo. Essa é uma das características de sua prosa: recriava a realidade brasileira com grande intensidade, buscando recursos tanto no realismo como no fantástico, fundindo cenários e personagens. Talvez tenha sido o escritor brasileiro que mais se aproximou da voluptuosidade literária dos grandes nomes do realismo fantástico latino-americano. A eles, Ubaldo não devia nada.

Não se pode dizer que tenha sido um escritor notadamente produtivo. Sua bibliografia não contém mais de dez títulos, alguns obscuros. Mas exerceu seu ofício de escritor de modo exemplar, produzindo crônicas na grande imprensa, participando de antologias e divulgando a qualidade literária brasileira mundo afora. Em 1995, publicou “Um brasileiro em Berlim”, uma pérola na forma de depoimento baseado no ano em que passou na capital alemã a convite de uma instituição local.

Assumidamente alcóolatra, Ubaldo conseguiu largar a bebida nos últimos tempos, o que talvez tenha lhe produzido uma certa melancolia. Casou-se três vezes. E embora estivesse morando no Rio há mais de dez anos, Ubaldo era um típico baiano — na literatura, no modo de falar, na graça sensual de suas ideias malucas. Uma figura. Graças a ele, a bucólica ilha de Itaparica, próxima a Salvador, foi eternizada, já que foi o cenário de muitas de suas narrativas.

Foi um baiano “grandioso” por não se ater às temáticas literárias regionais e produzir uma literatura universal, ainda que com raízes locais. Pôde ser tão popular a ponto de ser tema de escola de samba e, ao mesmo tempo, circunspecto o suficiente para ser eleito para a Academia Brasileira de Letras, o que ocorreu em 1993.

É fácil dizer que a literatura brasileira perdeu um de seus maiores escritores de todos os tempos. O difícil é aceitar que autores de seu quilate provavelmente não surgirão tão cedo.

Roberto Amado
No DCM

* * *

Esta foi a última coluna escrita por João Ubaldo Ribeiro, que seria publicada no dia 20 de julho no O Globo

O correto uso do papel higiênico

O título acima é meio enganoso, porque não posso considerar-me uma autoridade no uso de papel higiênico, nem o leitor encontrará aqui alguma dica imperdível sobre o assunto. Mas é que estive pensando nos tempos que vivemos e me ocorreu que, dentro em breve, por iniciativa do Executivo ou de algum legislador, podemos esperar que sejam baixadas normas para, em banheiros públicos ou domésticos, ter certeza de que estamos levando em conta não só o que é melhor para nós como para a coletividade e o ambiente. Por exemplo, imagino que a escolha da posição do rolo do papel higiênico pode ser regulamentada, depois que um estudo científico comprovar que, se a saída do papel for pelo lado de cima, haverá um desperdício geral de 3.28 por cento, com a consequência de que mais lixo será gerado e mais árvores serão derrubadas para fazer mais papel. E a maneira certa de passar o papel higiênico também precisa ter suas regras, notadamente no caso das damas, segundo aprendi outro dia, num programa de tevê.

Tudo simples, como em todas as medidas que agora vivem tomando, para nos proteger dos muitos perigos que nos rondam, inclusive nossos próprios hábitos e preferências pessoais. Nos banheiros públicos, como os de aeroportos e rodoviárias, instalarão câmeras de monitoramento, com aplicação de multas imediatas aos infratores. Nos banheiros domésticos, enquanto não passa no Congresso um projeto obrigando todo mundo a instalar uma câmera por banheiro, as recém-criadas Brigadas Sanitárias (milhares de novos empregos em todo o Brasil) farão uma fiscalização por escolha aleatória. Nos casos de reincidência em delitos como esfregada ilegal, colocação imprópria do rolo e usos não autorizados, tais como assoar o nariz ou enrolar um pedacinho para limpar o ouvido, os culpados serão encaminhados para um curso de educação sanitária. Nova reincidência, aí, paciência, só cadeia mesmo.

Agora me contam que, não sei se em algum estado ou no país todo, estão planejando proibir que os fabricantes de gulodices para crianças ofereçam brinquedinhos de brinde, porque isso estimula o consumo de várias substâncias pouco sadias e pode levar a obesidade, diabetes e muitos outros males. Justíssimo, mas vejo um defeito. Por que os brasileiros adultos ficam excluídos dessa proteção? O certo será, para quem, insensata e desorientadamente, quiser comprar e consumir alimentos industrializados, apresentar atestado médico do SUS, comprovando que não se trata de diabético ou hipertenso e não tem taxas de colesterol altas. O mesmo aconteceria com restaurantes, botecos e similares. Depois de algum debate, em que alguns radicais terão proposto o Cardápio Único Nacional, a lei estabelecerá que, em todos os menus, constem, em letras vermelhas e destacadas, as necessárias advertências quanto a possíveis efeitos deletérios dos ingredientes, bem como fotos coloridas de gente passando mal, depois de exagerar em comidas excessivamente calóricas ou bebidas indigestas. O que nós fazemos nesse terreno é um absurdo e, se o estado não nos tomar providências, não sei onde vamos parar.

Ainda é cedo para avaliar a chamada lei da palmada, mas tenho certeza de que, protegendo as nossas crianças, ela se tornará um exemplo para o mundo. Pelo que eu sei, se o pai der umas palmadas no filho, pode ser denunciado à polícia e até preso. Mas, antes disso, é intimado a fazer uma consulta ou tratamento psicológico. Se, ainda assim, persistir em seu comportamento delituoso, não só vai preso mesmo, como a criança é entregue aos cuidados de uma instituição que cuidará dela exemplarmente, livre de um pai cruel e de uma mãe cúmplice. Pai na cadeia e mãe proibida de vê-la, educada por profissionais especializados e dedicados, a criança crescerá para tornar-se um cidadão modelo. E a lei certamente se aperfeiçoará com a prática, tornando-se mais abrangente. Para citar uma circunstância em que o aperfeiçoamento é indispensável, lembremos que a tortura física, seja lá em que hedionda forma — chinelada, cascudo, beliscão, puxão de orelha, quiçá um piparote —, muitas vezes não é tão séria quanto a tortura psicológica. Que terríveis sensações não terá a criança, ao ver o pai de cara amarrada ou irritado? E os pais discutindo e até brigando? O egoísmo dos pais, prejudicando a criança dessa maneira desumana, tem que ser coibido, nada de aborrecimentos ou brigas em casa, a criança não tem nada a ver com os problemas dos adultos, polícia neles.

Sei que esta descrição do funcionamento da lei da palmada é exagerada, e o que inventei aí não deve ocorrer na prática. Mas é seu resultado lógico e faz parte do espírito desmiolado, arrogante, pretensioso, inconsequente, desrespeitoso, irresponsável e ignorante com que esse tipo de coisa vem prosperando entre nós, com gente estabelecendo regras para o que nos permitem ver nos balcões das farmácias, policiando o que dizemos em voz alta ou publicamos e podendo punir até uma risada que alguém considere hostil ou desrespeitosa para com alguma categoria social. Não parece estar longe o dia em que a maioria das piadas será clandestina e quem contar piadas vai virar uma espécie de conspirador, reunido com amigos pelos cantos e suspeitando de estranhos. Temos que ser protegidos até da leitura desavisada de livros. Cada livro será acompanhado de um texto especial, uma espécie de bula, que dirá do que devemos gostar e do que devemos discordar e como o livro deverá ser comentado na perspectiva adequada, para não mencionar as ocasiões em que precisará ser reescrito, a fim de garantir o indispensável acesso de pessoas de vocabulário neandertaloide. Por enquanto, não baixaram normas para os relacionamentos sexuais, mas é prudente verificar se o que vocês andam aprontando está correto e não resultará na cassação de seus direitos de cama, precatem-se.
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Quenedy na CBN: 'Arrocho' empatou!

É pra isso que servem o Datafalha e o Globope!


Por volta das 17h00 desta sexta-feria (18), uma repórter entrou na rádio que troca a notícia, a CBN da Globo, e se saiu com uma pérola:



Arrocho Neves empatou, segundo o Datafalha.

O âncora a identificou como Hosian Quenedy.

E se o ansioso blogueiro não se engana, Quenedy faz parte daquele elenco de repórteres de Brasília, como a Natuza Nery, da Fel-lha, que vai longe.

Jamais, porém, chegarão à Cristiana Globo, que, na GloboNews, hoje de manhã, assegurou que o Arrocho telefonou para ela e cantou vitória: a Datafalha não falha! Já ganhei!

O Arrocho e a ilustre interlocutora se sentiam como o Parreira: com a mão na taça!

(Nao é qualquer uma que recebe, assim, de manhã, um telefonema caloroso de um candidato a Presidente!)



É para isso que a Datafalha e o Globo servem!

Para ganhar a eleição na margem de erro.

Viva o Brasil!

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