16 de jul de 2014

O que você aprende com o novo embate entre Lula e FHC

Lula
Clap, clap, clap.

Aplaudo de pé uma frase de Lula de hoje: “Não leio FHC”.

É um aplauso apartidário e apolítico. Quero com isso dizer o seguinte: aplaudiria também FHC se ele dissesse que não lê Lula.

Lula disse o que disse quando jornalistas lhe perguntaram o que achara de um artigo de FHC em que este acusava Lula de tergiversar quando o assunto é o Mensalão.

A sabedoria da resposta reside no seguinte: você não deve ler quem aborrece você.

Já escrevi sobre isso. Falei do “BIM”, o Brasileiro Indignado com a Mídia. É alguém de esquerda, homem ou mulher, e que gasta o seu dia lendo os blogueiros da Veja, ouvindo os comentaristas da CBN e vendo, à noite, os telejornais da Globo.

No dia seguinte a esse massacre jornalístico, ele posta sua raiva nas redes sociais.

Não se dá conta de que está alimentando o inimigo com seu consumo indigesto de notícias, e fazendo mal a si próprio.

Reinaldo Azevedo sempre tripudia sobre os “petralhas” que o lêem. (Azevedo parece mais orgulhoso por ter criado a palavra “petralha” do que Balzac por ter criado A Comédia Humana.)

Vejo alguns BINS alegarem que é importante conhecer o pensamento dos adversários. Ora, há maneiras menos penosas de fazer isso.

Há uma triagem natural que faz com que os textos ou vídeos importantes cheguem a você na internet.

Eu, por exemplo. Não tive que ouvir Jabor todo dia para, em determinado momento, saber que ele, na CBN, avisou em maio que o Brasil daria um vexame mundial na organização da Copa.

Penso em Gandhi, e vejo nele uma ação que deveria inspirar o BIM. Num determinado momento de sua vida, Gandhi comandou um boicote de produtos dos imperialistas ingleses.

Talvez um boicote funcionasse melhor do que posts irados nas redes sociais, e o desgaste físico e emocional dos indignados seria bem menor.

Lula faz isso. Boicota os artigos de FHC. Não é a primeira vez que o vejo agir assim. Ele já contou que, num certo momento de sua gestão, parou de acompanhar a mídia, ou enlouqueceria.

É o chamado manual de sobrevivência.

Na minha carreira jornalística, deixei um dia de ler a Folha, que me fazia mal por sua arrogância e negativismo. Também deixei de ver o Jornal Nacional, por achar maçante e obcecado com más notícias.

Minha carreira não sofreu prejuízo nenhum com tais decisões. O tempo ganho ao não ler a Folha e não ver o JN acabou dedicado a coisas mais proveitosas para minha ascensão pessoal e profissional.

Eventuais — raras — coisas importantes da Folha ou JN sempre acabaram chegando até mim.

Não ler o que enraivece você é um ato filosófico.

Aplaudi Lula, e aplaudirei FHC se um dia ele disser: “Não leio o Lula”.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Os documentos da sonegação!


Com alguns dias de atraso, mas conforme o prometido pela fonte, recebemos as primeiras páginas da íntegra do processo administrativo da Receita Federal contra a Rede Globo.

As páginas vazadas abaixo constituem o “núcleo” de todo o processo. É o relatório-resumo da Receita Federal sobre o processo em questão. O relatório explica didaticamente como foi a “intrincada engenharia desenvolvida pelas empresas do sistema Globo” para “esconder o real intuito da operação, que seria a aquisição, pela TV Globo, dos direito de transmitir a Copa do Mundo de 2002, o que seria tributado pelo imposto de renda”.

Ainda segundo a Receita, houve “em essência, um disfarce para o verdadeiro negócio realizado, que foi a aquisição do direito de transmissão dos jogos da Copa, em vez da compra das quotas da empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas”.

A engenharia da Globo envolveu 11 empresas, constituídas em diferentes paraísos fiscais. Com exceção da suíça ISMM, empresa responsável por vender licenças de transmissão da Copa para fora da Europa, todas, pertencem, secretamente ou não, ao sistema Globo.

- Empire, Ilhas Virgens Britânicas.

- GEE Eventos, Brasil.

- Globinter, Antilhas Holandesas.

- Globopar, Brasil.

- Globo Overseas Investment B/V, Holanda.

- Globo Radio, Ilhas Cayman.

- ISMM Investments AG, ?.

- Globosat, Brasil

- Porto Esperança, ?.

- Power Company, Uruguai.

- TV Globo.

É um relatório duro para a Globo. Os auditores concluem que a empresa “participou, como já se demonstrou, de toda a engenharia praticada com o fito de simular e sonegar”.

Nossa fonte informa que há muitos outros documentos importantes a serem vazados, inclusive com assinaturas dos irmãos Marinho.

Em sua coluna de hoje, Ilimar Franco dá a uma nota que, à luz dessas revelações, criam uma situação irônica, perigosamente irônica, para a Globo.

“Será que é isso mesmo? – Muitos são os que atribuem a derrota do Brasil na Copa à direção dos clubes e das Federações. O craque alemão Schweinsteiger dedicou o título ao presidente do Bayern Munch, Uli Hoeness. O Bayern tem sete jogadores na seleção. E Uli está na cadeia, condenado a três anos e meio de prisão por evasão fiscal de 27,2 milhões de Euros.”

A Receita identificou que a Globo enviou ao exterior, de maio de 2001 a junho de 2002, um total de R$ 549,4 milhões, com o fito de comprar os direitos de transmissão da Copa de 2002, realizada no Japão e na Coreia.

Recentemente, a ONG Tax Justice divulgou que o Brasil é o país que mais sonega impostos no mundo. Anualmente, são quase US$ 300 bilhões sonegados, o que dá mais de R$ 600 bilhões, ou 13,4% do PIB.

Apenas a sonegação nos EUA apresenta um valor absoluto maior, mas como seu PIB está muito acima do brasileiro, a sonegação norte-americana corresponde a somente 2,3% do PIB.

BnckoxTIEAEcuyb

Segundo uma pesquisa da Fiesp, a corrupção faz o Estado brasileiro perder de R$ 50 a 84 bilhões por ano, correspondendo a 1 ou 2% do PIB.

Por conta disso, creio que a sociedade civil, que tem se mobilizado de maneira tão enérgica contra a corrupção, deveria entender que, no Brasil, a pior das corrupções tem sido a sonegação.

Inclusive porque há ligação orgânica entre os dois crimes. As grandes empresas sonegam, e usam o dinheiro para pagar caixa 2 de campanhas eleitorais e subornar políticos e burocratas.

Além disso, não se trata apenas de sonegação. Não estamos falando de um zé ruela assalariado que “esquece” de pagar o imposto de renda, ou exagera o preço do dentista para enganar o Leão.

E não adianta apenas “mostrar o Darf”. É preciso esclarecer à opinião pública se houve crimes contra o sistema financeiro, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Além disso, é preciso quebrar o silêncio criminoso da grande imprensa sempre que o assunto é ela mesmo, sobretudo se o personagem é a sua representante mais poderosa, a Globo.

Em se tratando de uma empresa que nasceu através de grandes empréstimos do Banco do Brasil, e que construiu seu império em cima de uma concessão pública, ela deveria ser a primeira a dar o exemplo da importância do pagamentos dos impostos. Afinal, a Globo, que talvez seja a empresa privada que mais recebe verba pública no país, deveria entender que os tributos servem para lhe sustentar.

Enquanto isso, trabalhadores e classe média vivem sufocados pelo peso dos impostos.


No O Cafezinho
Leia Mais ►

As sabatinas de Aécio e Eduardo Campos

Aecio na sabatina
A não ser que uma grande surpresa ocorra, Dilma se reelegerá presidente em outubro, e provavelmente no primeiro turno.

Sua maior arma não é nada ligado a ela diretamente. Nestes seus anos, a economia cresceu pouco, a inflação teve alguns espasmos e o Brasil deixou de ser o menino prodígio que foi, sob Lula, aos olhos do chamado mercado internacional. Não bastasse isso, há um desgaste na própria esquerda, por conta da repressão policial em manifestações de protesto.

O grande trunfo de Dilma está na fraqueza extraordinária de seus principais adversários, Aécio e Eduardo Campos.

Nos Estados Unidos, aconteceu uma coisa semelhante nas últimas eleições presidenciais. Obama levou menos por seus mérito e mais pela ruindade extrema de seu adversário republicano, Mitt Romney.

Em sua apoteose ao contrário, Romney disse que caso se elegesse iria esquecer quase metade dos americanos, exatamente os mais necessitados.

As duas sabatinas recém-promovidas por um grupo de marcas jornalísticas estampam o deserto de ideias que são Aécio e Campos.

Vejamos, primeiro, Aécio. O maior destaque que o UOL conseguiu dar às falas de Aécio foi o compromisso de que ele manteria o Bolsa Família e o Mais Médicos.

Será que ele e equipe não têm uma única ideia de programa social para apresentar aos eleitores?

Pelo visto, não.

E a sociedade clama por fatos novos na área social, coisas que beneficiem os mais pobres e reduzam a desigualdade brutal do país.

Não é apenas a falta de novas propostas que incomoda. Aborrece também a maneira com que Aécio abraça programas que ele execrou antes, e que simplesmente não existiriam se ele tivesse poder para bloqueá-los.

O Bolsa Família era o Bolsa Esmola. E o Mais Médicos era um insulto à classe médica brasileira. Não, mais que isso: a todos nós, brasileiros, vivos e mortos.

Pois de repente o Mais Médicos fica bom, e Aécio garante sua manutenção a cada entrevista mais profunda que dá.

Eu respeitaria a mudança de opinião se ela fosse precedida de um honesto pedido de desculpas. “Amigas e amigos: errei na avaliação do Bolsa Família e do Mais Médicos. Achei que eram ruins coisas que eram boas e podem ser ainda melhores. Perdão.”

Mas não. Mais um pouco e Aécio vai posar como autor das ideias.

Segundo relatos publicados no UOL, a plateia teve um papel importante na sabatina de Aécio.

Boa parte dela era composta de líderes do PSDB. Um deles era Serra, que chegou atrasado. A composição favorável da audiência levou a palmas em dose generosa. E também a comentários entre os presentes como este registrado pelo UOL: “Pena que os entrevistadores são petistas.”

Pausa para rir.

Um dia antes, o sabatinado fora Eduardo Campos. Para ser mais que um figurante de olhos azuis nas eleições, Campos tem que apresentar ideias novas.

Mas de novo: quais?

A frase considerada mais importante pelos editores da sabatina dizia mais ou menos o seguinte: “Dilma vai ser a primeira pessoa, desde a redemocratização, a entregar o país pior do que recebeu.”

É a chamada platitude, chavão, lugar comum. Como não tem tanto tempo assim no programa eleitoral gratuito, Campos tem que se concentrar em suas ideias. Todos sabem — afinal ele é candidato de oposição — que ele tem má opinião sobre Dilma.

Pode e deve ganhar tempo, portanto, sem repetir o que já é de conhecimento universal.

O momento mais revelador da sabatina de Campos veio na forma de um número milionário. Ele disse que iria construir 4 milhões de casas.

Promessas desse gênero remetem a velhas campanhas, em que os candidatos pareciam acreditar poder vencer uma eleição usando um número maior do que o de seus adversários.

Ou não tão velhas assim.

É um clássico, nas eleições de 2010, a promessa de Serra de que não apenas iria manter como dobraria o Bolsa Família.

Já ali Dilma mostraria ter sorte no quesito adversários.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Aécio e a difícil tarefa de esconder e refabricar a realidade


Essa matéria saiu no G1 em 2010, não adianta procurar por que nem em cache se encontra mais.

Foi veiculada na mesma época em que rolou o "Pó pará Governador", a as denúncias veladas, originadas do Kfoury de que "AhÓcio" teria dados uns safanões na sua então namorada, na saída de uma festa de bacanas.

No vídeo abaixo vemos "AÉbio" "em família" num butiquin chique do Leblon.



Aqui a matéria do 247 com a nova tentativa do bebum de mostrar que nada acima é verdade!

:
Presidenciável tucano Aécio Neves tenta conter ataques nas redes sociais com vídeo em que seus familiares falam sobre sua personalidade e seu modo de viver; a esposa Letícia destaca o "caráter e a honestidade"; a mãe, Inês Maria, fala do "respeito pelas pessoas" e o espírito conciliador; a filha Gabriela lembra do pai que a levava ao Mineirão e a irmã Andrea ressalta que Aécio, ao contrário de muitos, não tem controle sobre seu destino; assista



No Amoral Nato
Leia Mais ►

O Brasil não precisa e não deve ser Alemanha

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A Copa que ainda não terminou no imaginário do brasileiro já teve seu fim futebolístico. A campeã Alemanha de repente se tornou símbolo de tudo que dá certo. Não só de um país que jogou por sete jogos o melhor futebol das seleções presentes no evento, mas de organização, de simpatia, de educação, de política. De repente, o #naovaiterCopa e o #imaginanaCopa se tornou algo como #OBrasilprecisaserAlemanha.

A Alemanha é um país repleto de qualidades. Produziu filósofos fantásticos, músicos sofisticados, cientistas brilhantes e já deu uma bela contribuição à história da humanidade. Mas a Alemanha também já produziu Hitler, por conta de um sistema político ultrapassado.E ainda hoje o discurso xenófobo encontra eco bastante razoável no país. Há um livro não tão recente, mas que merecia ser lido por alguns que entraram na onda do precisamos ser Alemanha. Chama-se Cabeça de Turco, de Günter Wallraff.

Berlim de fato é uma das cidades mais pulsantes do mundo e o time alemão não deu show só dentro de campo. Teve atitudes louváveis também fora de campo. Mas os exageros e as generalizações precisam ser debatidas.

A Alemanha foi campeã depois de 24 anos e neste período de escassez disputou um título em casa e também não chegou à final. Nem de finais da Eurocopa ela participou nas últimas edições. O Brasil neste período ganhou os título de 94 e 2002 (contra a Alemanha) e disputou a final de 98, tendo perdido num jogo de time desestabilizado pela crise emocional de Ronaldo. Numa Copa que fez uma campanha muito melhor do que a França antes de chegar à final.

Do ponto de vista político e econômico, nesta última década os avanços brasileiros também não devem nada aos que se realizaram na Alemanha. Lá a situação da maioria do povo era melhor do que hoje há 10, 15 anos. Aqui é ao contrário.

Isso quer dizer que o Brasil é muito melhor do que a Alemanha. Evidente que não. Isso significa que a gente precisa extirpar da alma nacional essa mania de querer achar sempre um lugar para colocar como referência de nossos sonhos.

O Brasil tem imensos problemas, mas é um país que pode construir seu caminho sem importar modelos. Tanto na qualificação da sua democracia, quanto no futebol. Parabéns para a Alemanha pela conquista da Copa, mas a gente vai ter que reencontrar nosso caminho no futebol a partir das nossas características. E nos caminhos da política e do desenvolvimento social a gente não deve nada a eles nos últimos tempos.

Leia Mais ►

Retrato com retoques

Depois de culpar Lula-Dilma por todos anunciados fiascos da Copa, oposição diz que brasileiros anonimos garantiram o sucesso. Pode?

É bom reconhecer que há poucas coisas perfeitas na vida. Uma delas é abraçar as crias depois de uma longa ausência. Outra, é almoçar na casa da mãe. Ou desfrutar da companhia de amigos verdadeiros.

Após estas considerações, cabe analisar os números finais da Copa do Mundo. Leia a opinião de 2209 visitantes estrangeiros ouvidos pelo DataFolha:

92% dos visitantes elogiaram o conforto e a segurança

76% aprovaram o transporte até os estadios

95% disseram que a recepção foi boa ou ótima.

83% elogiaram a organização

Mesmo lembrando que a Copa não foi um evento sem problemas, há outras notícias boas.

Alvo de muitos fantasmas usados para atemorizar visitantes, o Rio de Janeiro recebeu 900 000 turistas contra 90 000 previstos. Eles deixaram 4 bilhões de reais na cidade, contra 1 bi de previsão.

Obrigados a encontrar um discurso para enfrentar uma situação inesperada, nossos profetas do pessimismo completaram um ano de atividade ininterrupta, desde os protestos de junho de 2013, com sorrisos amarelos.

Passada a fase da autocrítica, é preciso explicar o que aconteceu, o por quê. Na falta de explicação melhor, a moda agora é dizer que o sucesso da Copa se deve aos “brasileiros.” Assim, no genérico. Os 200 milhões de brasileiros garantiram a Copa das Copas porque são simpáticos e acolhedores. Descobrimos essas virtudes anteontem?

Vamos combinar: a finalidade desse discurso é fingir que não havia oposição a Copa, movimento que se expressou num esforço permanente para impedir os jogos e criar um ambiente de desordem, sufoco e desmoralização Apelos ao boicote eram ouvidos nos melhores jantares, nas melhores famílias. Inclusive em inglês com legendas.

A Copa ocorreu contra a vontade dessas pessoas. Foi fruto do esforço da grande maioria da população, que não só queria assistir aos jogos e participar de um evento que marca a cultura de nossa época. Estava decidida, acima de tudo, a defender imagem de seu país.

Foram os adversários da Copa que ransformaram o Mundial numa luta política — e perderam.

Como predadores sem escrúpulo, que mudam de pele conforme a paisagem, em determinadas situações a Copa era combatida com argumentos à direita. Em outros lugares, à esquerda. O importante é que não ocorresse. Se ocorresse, teria de ser um fiasco.

Não duvide: para boa parte dessas pessoas, o desempenho fraco da Seleção nos gramados serviu de consolo — e não de tristeza. Elas não suportariam uma boa atuação. Temiam uma classificação melhor — a tal ponto que não perdiam uma oportunidade para dizer que os juizes beneficiavam o Brasil, esquecendo das inúmeras vezes em que nosso time foi prejudicado.

Se Aécio Neves não tivesse deixado tantas demonstrações escritas de seu apoio a Felipe Scolari, o esforço para transformar Dilma Rousseff em assistente técnica da derrota teria sido ainda mais descarado.

Uma copa elogiada, por baixo, por mais de 80% dos visitantes estrangeiros, não é um carnaval que cái do céu, nem um reveillon na avenida Paulista. Envolve uma ação ariticulada em 12 cidades e dezenas de obras de infraestrutura que, sabe-se hoje, estavam muito mais avançadas do que se anunciou — mais uma vez, para tentar afastar a população da Copa, criar desanimo e desconfiança.

O elogio aos “brasileiros,” neste genérico, também é uma tentativa bisonha de encobrir o papel do Estado brasileiro neste sucesso. Governantes e prefeitos que assumiram suas responsabilidades, muitos deles filiados a oposição, foram sacrificados na hora do reconhecimento.

E aí está a imagem retocada da imagem que fica para a história.

Depois de culpar antecipadamente Lula-Dilma por um fiasco que anunciavam como inevitável, tenta-se fingir que eles não deram a menor contribuição para os aplausos da plateia. Pode?

Paulo Moreira Leite
Leia Mais ►

Cientistas confirmam mudanças no campo magnético da Terra

Baseado em dados da constelação de satélites Swarm, cientistas da agência espacial europeia confirmaram mudanças importantes no campo magnético da Terra, entre elas o possível enfraquecimento da Anomalia Magnética que atua sobre o Brasil.


Medições feitas nos últimos seis meses confirmam uma tendência de enfraquecimento global, com quedas mais significativas no hemisfério ocidental do planeta, embora um aumento na intensidade tenha sido observado acima do oceano Índico desde janeiro de 2013.

Além das medições de intensidade, os dados coletados também confirmam os estudos recentes que revelam o deslocamento do polo norte magnético em direção à Sibéria.

Todas as anomalias verificadas foram detectadas a partir das linhas de força provenientes do núcleo da Terra, correspondente a 90% do total coletado. De acordo com a ESA, os outros 10% serão analisados ainda em 2014 e foram originados no manto, crosta, oceanos e magnetosfera terrestre.

Anomalia Magnética do Atlântico Sul

Um dos gráficos que mais chama a atenção é aquele observado no topo do artigo, onde se nota um enfraquecimento natural mais pronunciado nas linhas de fluxo magnético acima de toda a América do Sul, mas ligeiramente mais pronunciado no Sudeste e Centro-Oeste Brasileiros.

Esta região de enfraquecimento é conhecido pelos pesquisadores como Anomalia Magnética do Atlântico Sul, ou AMAS.

Essa anomalia ocorre devido à uma espécie de depressão ou achatamento nas linhas no campo magnético da Terra acima desta região e tem como causa o desalinhamento entre o centro do campo magnético e o centro geográfico do planeta, deslocados entre si por cerca de 460 km no sentido sul-norte.

Esta anomalia foi descoberta em 1958 e sofre alterações ao longo do tempo, principalmente devido ao deslocamento dos polos magnéticos aliada ao enfraquecimento do campo de modo global.

Devido ao campo magnético ser mais fraco, partículas oriundas do cinturão de Van Allen se aproximam mais da alta atmosfera desta região, fazendo com que os níveis de radiação cósmica em grandes altitudes sejam mais altos nesta zona.

Embora os efeitos na superfície sejam praticamente desprezíveis, a AMAS afeta fortemente satélites e outras espaçonaves que orbitam algumas centenas de quilômetros de altitude.

Satélites que cruzam periodicamente a AMAS ficam expostos durante vários minutos à fortes doses de radiações e necessitam de proteção especial. A Estação Espacial Internacional, por exemplo, é dotada de um escudo especialmente desenvolvido para bloquear as radiações.

Estudos

De acordo com Rune Floberghagen, gerente da ESA para a missão Swarm, os dados registrados pelos satélites deverão proporcionar uma nova visão sobre muitos processos naturais que ocorrem em nosso planeta, desde aqueles que tem origem nas profundezas da Terra até os eventos desencadeadas pela atividade solar.

Além disso, no entender do pesquisador, as informações obtidas deverão trazer uma melhor compreensão dos motivos que estão causando o enfraquecimento do campo magnético terrestre e as possíveis consequências que isso terá no futuro.

Arte: O gráfico mostra a intensidade do campo magnético da Terra como registrado pelo satélite europeu SWARM. As áreas vermelhas representam locais onde o campo magnético é mais forte, enquanto as áreas azuis retratam diminuição na intensidade. Crédito: ESA/DTU Space, Apolo11.com.

Leia Mais ►

Nota Pública: Repúdio à militarização da Política e à policização da Justiça


A Associação Juízes para a Democracia (AJD), entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem por finalidade estatutária o respeito absoluto e incondicional aos valores próprios do Estado Democrático de Direito, diante da recente intensificação da repressão estatal às mobilizações populares, repudia a prisão de manifestantes antecedente à prática de fato pelo qual possam ser responsabilizados, a prisão de advogados que lhes assistem, de educadores por posicionamento filosófico-ideológico, de jornalistas-documentaristas de manifestações, a detenção de pessoas a pretexto de testemunharem a execução da ordem judicial de prisão e a exposição de pessoas presas temporariamente.

A prisão temporária sem individualização de condutas e sem explicitação dos fatos que a legitima viola a lei na qual se fundamenta. A custódia com base em eventos futuros e incertos denota cerceamento da liberdade antecedente a prática de qualquer ilícito, viola os princípios constitucionais de liberdade de expressão e reunião e coloca o poder judiciário em situação de subalternidade e auxílio à arbitrariedade policial, quando seu papel é o de garantidor de direitos.

A prisão indiscriminada de advogados, sob o fundamento de associação criminosa aos seus clientes, viola prerrogativa de atividade essencial para a justiça. Ainda que advogados tenham sido sequestrados e torturados durante a ditadura empresarial-militar de 1964 não se tem registro de que algum tribunal, mesmo manietado pelo regime, tenha tido a ousadia de decretar prisões em razão de exercício profissional. Dispõe a Constituição da República em seu art. 133 que o advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações. No âmbito de sua atividade profissional, ainda que no seu ministério privado, o advogado presta serviço público e exerce função social.

O judiciário não pode ser instrumentalizado para a supressão de direitos da sociedade. Pelo contrário, à atividade jurisdicional é constitucionalmente atribuída independência perante os demais poderes do Estado para assegurar os direitos democráticos dos cidadãos.

A AJD pugna pela liberdade de expressão e reunião, repudia prisões antecedente a fatos que as justifique, bem como prisões sem individualização de conduta ou destituída de provas, e conclama pela garantia dos valores constitucionais, cuja asseguramento é papel do judiciário.
André Augusto Salvador Bezerra

Presidente do Conselho Executivo da Associação Juízes para a Democracia
Leia Mais ►

Rodrigo Constantino lamenta a falta de machos

Rodrigo Constantino, colunista da Veja, publicou um artigo (que me recuso a linkar) no qual protesta, veemente, contra o fim da figura do "macho", que estaria sendo substituída pela de homens sensíveis — que, de acordo com ele, jamais seriam capazes de satisfazer uma mulher de fato. Este, aliás, é só o começo de um texto inacreditavelmente tolo, machista e míope.

Aliás, depois de comentá-lo brevemente, postei uma série de tweets que compilo abaixo para atender aos pedidos de alguns leitores que solicitaram que eu os reunisse em algum lugar de fácil consulta.

Para começo de conversa, o conceito de "macho" defendido por Constantino é anacrônico e defasado como sua visão política; pertence a um século de afirmação da virilidade através da brutalidade e da secura. O sujeito afirma, por exemplo, que as mulheres não apreciam homens sensíveis; eu, por outro lado, não acredito que elas apreciem que um homem tente falar por elas.

Mas estas posições de Constantino não me espantam, já que ele é o pacote completo da neodireita que defende interesses neoliberais das grandes empresas, detesta minorias e vomita desinformação e preconceito. Aliás, ele está na revista certa, tem os leitores que merece e apoia o candidato ideal à sua visão de mundo torta. É um sub-Rush Limbaugh.

Esta direita de Constantino, Mainardi, Azevedo, Olavo de Carvalho, Pondé e Aécio Neves é inspirada no Tea Party norte-americano: protestam sempre contra intervenção estatal, querem "Estado mínimo", mas ao mesmo tempo exigem que este limite os interesses das minorias, desde casamento homossexual a direitos das mulheres.

É a direita que prega que o mercado se regule (ou seja: que não haja regulação nenhuma) e que o Estado beneficie os ricos — fórmula que levou à crise de 2008. É a direita que quer privatizar tudo para que as empresas particulares lucrem até com os recursos naturais do país, tirando, no processo, a possibilidade de que o Estado tenha verba para dar suporte a quem precisa.

Se você for negro, gay, mulher ou pobre, querem que se cale, que pare com esse negócio de "exigir direitos". Mas se for branco, homem e rico, o Estado tem OBRIGAÇÃO de te ajudar: menos impostos, mais direitos e zero de regulação.

O problema é que o homem branco rico é minoria e seu voto, para seu desespero, conta tanto quanto o da mulher negra gay e pobre. Para contornarem isso, os que detêm poder usam a mídia para criar um retrato de caos e desestabilidade para tentar levar o povo a votar contra os próprios interesses e em prol daqueles que já têm tudo.

Exemplo nos Estados Unidos que Constantino tanto ama: há duas semanas, a Suprema Corte dos EUA determinou que as EMPRESAS (vejam só) têm direito a manifestar CREDO RELIGIOSO. O objetivo: permitir que as corporações neguem planos de saúde às funcionárias que, mais caros, incluam direito a métodos contraceptivos.

Sim, os Estados Unidos agora inventaram o conceito de CORPORAÇÕES COM CREDO. E é por isso que figuras como Constantino lambem o saco dos EUA: porque lá as empresas têm mais direitos que os cidadãos.

É isso que querem pro Brasil. Vender tudo, colocar todas as nossas riquezas nas mãos de empresários. Petróleo, água, energia, tudo.

E usam a imprensa para convencer o cidadão comum a botar no poder quem permita que façam isso.

É uma estratégia antiga, óbvia e que, antes da Internet, funcionava na maioria das vezes, já que detinham quase exclusivamente a informação.

Não mais.

Pablo Villaça
No SQN
Leia Mais ►

A polêmica da comemoração alemã

Velho continente, velha mania de superioridade

Primeiro foi aquela capa da Der Spiegel, jogando uma bola incandescente sobre a cidade maravilhosa. Com uma análise depreciativa a respeito do Brasil.

Agora, o vídeo com a comemoração da seleção em que alguns jogadores nos imitam como se fôssemos macacos.

Não entendo alemão, por isso não sei o se o que o texto do Flávio Aguiar diz é verdadeiro ou falso, mas eu acredito neste gaúcho de conheço de largas leituras desde os tempos da Letras na UFRGS, não só pelos anos de estrada que tem, mas também a respeito do seu conhecimento da Alemanha, pois lá vive e trabalha.

E pelo que Flávio Aguiar já publicou, não foi apenas um momento de descontração, inebriados pela vitória. O dia a dia por lá, em Berlim, tem sido mais ou menos isso. O desprezo pelo Brasil que acolheu tantos alemães. Aliás, algo muito parecido com o que se passava na Itália de Sílvio Berlusconi. O desprezo pelos brasileiros tidos e havidos como vagabundos que iam para a Itália buscar cidadania para roubar dos italianos emprego e renda.

Se se dessem ao respeito e pensassem porque tantos europeus aportaram no Brasil, e em que condições, talvez fizessem um mea culpa. O país que abrigou os filhos que eles trataram como bastardos e que agora os reconhece como macacos, deu-nos a oportunidade de “fazer a América”.

santiago2Dizem que houve algo parecido na Argentina, com torcedores revoltados com a derrota da seleção chamaram brasileiros de macacos. Mas, pelo que li no feice, teria sido apenas com a torcida. Não se tem notícia de que algo parecido tenha sido dito por jogadores.

Depois dos desmentidos a respeito da sede em Santa Cruz Cabrália, ao lado de Porto Seguro, na Bahia, agora os alemães aprontaram mais esta. 

Aliás, que coincidência. Escolheram o local onde os conquistadores aportam. Foi lá que os tais de descobridores trocaram espelhinhos por pepitas de ouro…

Pior do que o velho colonialismo são nossos vira-latas, que se ajoelham para qualquer europeu. Nossos racistas aproveitaram o cumprimento da Presidente Dilma aos jogadores da Seleção Alemã para acusa-la de racista. Editaram um vídeo e divulgaram para mostrar que Dilma não teria cumprimentado Boateng, da mesma forma como inventaram a tal de construção de centro pela Alemanha que deixaria de legado… Fizeram um carnaval pela doação de 30 mil euros. Puxa, é menos de um terço de um mês de salário do Mario Götze! Bolsa esmola é isso aí!

Há vários motivos para se torcer pela Alemanha. A começar pela a descendência europeia, um bom futebol. Mas a pior foi porque, dizem, houve planejamento. Porra! Então quer dizer que a Argentina não fez planejamento? A Costa Rica não fez planejamento? Muito me assustaria se alguém disse que Inglaterra, França, Holanda, Espanha e Itália não tivessem feito planejamento. Como diz o ditado, vira-lata que acredita nisso, acredita em tudo!

Depois de todo marketing para cima dos brasileiros, “esbanjando simpatia na praia”, em casa revelam o outro lado. Parece que não estavam na praia, mas no zoológico, interagindo com os macacos brasileiros. Os gaúchos que tanto festejaram os alemães, de repente se veem comparados a macacos.

Quanto estive na Holanda, nos anos 90, os holandeses me contaram uma faceta nada amigável dos alemães. Disseram que os alemães invadiam Amsterdã nos fins de semana para se intoxicarem de bebida, maconha e sexo, que na Holanda era, sob controle, liberado, sujavam calçadas e faziam xixi pela rua. Depois voltavam para a Alemanha e se comportavam como bons pais de família.

Agora, me digam, de que valem tantos prêmios Nobel?! De que serve estudar, ter curso superior se a pessoa não consegue descortinar dos seus estudos uma contextualização, uma comparação histórica.

Nos nos 1700, quando éramos colônia de Portugal, os alemães já podiam ler Kant. Os brasileiros já eram traídos por Joaquim Silvério dos Reis…

Gilmar Crestani
No Ficha Corrida

Que lástima! Jogadores alemães jogam fora patrimônio da Copa

Podem ter tomado muita coisa. Mas o que veio à tona é horrível. É sinal de que a taça não está em boas mãos. Caiu nas velhas mãos do racismo alemão.

Flávio Aguiar

http://p5.focus.de/img/fotos/origs3991304/5184519079-w467-h274-o-q75-p5/foto-show.jpg
Foi triste. Muito triste.
A comemoração era legítima. O orgulho do povo também. A Alemanha conquistara a 4ª Copa do Mundo. Com um desempenho de equipe brilhante. Poderia ter sido melhor, mas foi o melhor. Deu um baile no Brasil e teve uma vitória sofrida contra a Argentina na final.

Ergueram a taça, levaram o caneco pra casa.

Aí desandou. (Veja abaixo o vídeo)

500 mil pessoas estavam em Berlim, para a comemoração. Desde a manhã, as ruas estavam tomadas, sobretudo entre o aeroporto de Tegel e o Portão de Brandenburgo, onde haveria o evento oficial.

Aí a maionese desandou.

Não sei de onde partiu a ideia.

Seis jogadores: Klose, Schürrle, Mustafi, Götze, Weidenfeller e Kroos — entraram na passarela imitando macacos, andando quase de cócoras, e gritando: “assim andam os gauchos”. Depois se erguiam e gritavam: “assim andam os alemães”.

Uma lástima.

Depois vinham outros jogadores: Schweinsteiger, Neuer, Höwedes, Grosskreuz, Draxler, Matthias Günther, imitando uma fila indiana (como os brasileiros entravam em campo) se abaixando.

Uma pena.

Houve até aplausos.

Jogaram fora uma vitória. Esta é a Copa das surpresas.

A Alemanha deu uma lição ao mundo ao criar uma seleção multi-culti.

E agora os jogadores que lideraram e usufruíram desta revolução deram a meia volta no relógio da história e protagonizaram esta cena ridícula e vergonhosa.

Podem ter tomado muita coisa. Mas o que veio à tona é horrível. É sinal de que a taça não está em boas mãos. 

Caiu nas velhas mãos do racismo alemão.

Infelizmente.

A seleção alemã tem que fazer um arrependimento coletivo, e merecer o que ganhou.

* * *

“Gaúchos andam assim”: o mimimi em torno da comemoração da seleção alemã em Berlim



E então há uma onda de indignação por causa da maneira como jogadores alemães comemoraram o título em Berlim.

Recebidos por uma multidão calculada em 500 mil almas, Mario Götze, Miroslav Klose, Toni Kroos, André Schürrle, Shkodran Mustafi e Roman Weidenfeller se puseram a cantar e a dançar, que é o que as pessoas normais costumam fazer quando ganham um tetracampeonato.

Vestidos com camisas especiais, com o número 1 na frente, eles entoaram um grito de guerra. “Somos gaúchos e gaúchos andam assim” — e se curvavam; “Somos alemães e alemães andam assim” — e voltavam a ficar eretos.

Pronto.

Foram xingados de canalhas, racistas — e nazistas, obviamente. Uns falsos. Parte da imprensa alemã não os poupou. A revista Der Spiegel disse que aquilo “não foi nada simpático”.

Mas a maior parte das críticas veio, como era de se esperar, da Argentina. O jornal Olé, famoso por chamar brasileiros de macaquitos não faz muito tempo, registrou a ofensa. Para o jornalista Juan Pablo Méndez, os atletas são “miseráveis”. Ele também pediu providências à AFA (Asociación del Futbol Argentino).

Menos. Bem menos.

Vamos lembrar das pichações malcriadas no Sambódromo. Sem esquecer que a seleção argentina, Messi incluído, cantou o famoso “Decime que Se Siente” (Brasil, decime que se siente/Tener en casa a tu papá/…/A Messi lo vas a ver/La Copa nos va a traer/Maradona es más grande que Pelé). O “papá” da letra não é a figura paterna dos seus sonhos. E daí?

Bem, a tal comemoração dos alemães não é nova e é uma bobagem. Existe há pelo menos dez anos e é frequente na Bundesliga. Postei no fim deste artigo um vídeo de 2007 da torcida do Hamburgo fazendo a mesma provocação com o time do Nuremberg.

Há pelo menos cinquenta vídeos com a tal música. Mudam os atores, mas a pantomima é igual. Não tem racismo no meio. Os perdedores caminham cabisbaixos, os vencedores não. Perto do modo como, digamos, são paulinos se referem a corintianos no campo — e vice-versa —, é um poema.

Os alemães carregam esse estigma. Qualquer manifestação com mais de meia dúzia de cidadãos pode ser qualificada como um comício nacional-socialista, dependendo da testemunha e especialmente se um deles apontar para um avião com a mão espalmada.

O patriotismo exacerbado, ainda que na celebração de uma conquista de Copa do Mundo, levanta suspeitas imediatas. Chegaram a comparar a agachada do sexteto alemão às caricaturas de judeus no Reich — corcundas e narigudos.

Eles tiraram um sarro dos rivais argentinos, mas quem nunca? Enquanto isso, o “Sou Brasileiro com muito orgulho, com muito amor” está por aí, nos estádios, acabando com o futebol, e ninguém fala nada.


Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Delegado-vidente estreia coluna de horóscopo


ÁRIES (de 20/03 a 20/04)

Você deve priorizar os protestos que envolvem outras pessoas e fortalecer o senso de equipe. Convém ficar atento, pois a equipe de hoje pode ser a quadrilha de amanhã.

TOURO (de 21/04 a 20/05)

Prisão preventiva dos taurinos é a tendência de hoje. Fase importante para escolher caminhos alternativos, de desfazer hoje o feito ainda não-feito de amanhã.

GÊMEOS (de 21/05 a 20/06)

Dia que favorece o entendimento afetivo e também as soluções criativas, querido geminiano. Se for preso durante o protesto, saberá perdoar o policial que forjou flagrante.

CÂNCER (de 21/06 a 21/07)

Dia muito importante para compreender a dinâmica de seu comportamento emocional. Apresente-se na delegacia mais próxima para saber se a raiva vai se tornar crime logo mais.

LEÃO (de 22/07 a 22/08)

A presença da Lua no signo oposto ao seu caracteriza um dia voltado ao conhecimento permitido pelo governo. Momento oportuno para jogar fora jornais de esquerda e livros anarquistas. Dia positivo.

VIRGEM (de 23/08 a 22/09)

Fase importante para o trabalho onde você pode agir com mais inovação e criatividade. Sabe aquele Pinho Sol que estava guardado na dispensa? Ele pode ser usado como prova contra você, já que Saturno na casa 8 deixa a perícia um pouco menos cuidadosa.

LIBRA (de 23/09 a 22/10)

Dia amplamente favorável aos librianos que sabem obedecer às ordens do governo. Nesse período você poderá contar com o apoio das pessoas para realizar os seus objetivos. Não será preso nos próximos dias.

ESCORPIÃO (de 23/10 a 21/11)

Momento importante para compreender o seu comportamento psicológico e emocional, que será responsável pelos atos ilícitos que você, caro leonino, fará no próximo mês. Conte com auxílio terapêutico para se conhecer melhor e mudar suas atitudes.

SAGITÁRIO (de 22/11 a 21/12)

A intuição, inteligência e a capacidade de comunicação ajudam a realizar projetos importantes. É hora de obediência e reflexão: quando um agente policial bater em sua porta, faça o que ele manda.

CAPRICÓRNIO (de 22/12 a 21/01)

Dia que favorece uma conciliação onde antes havia problemas. Momento de agir de forma mais companheira e amigável, capricorniano. Que tal tirar um tempo de suas férias para visitar os amigos na cadeia? Não me parece uma má ideia…

AQUÁRIO (de 21/01 a 18/02)

A Lua está em seu signo em um aspecto complicado com os planetas Vênus e Marte. Dia pouco favorável aos aquarianos que vão às ruas protestar. Policiais corruptos estarão a postos, é tempo de introspecção e cárcere privado.

PEIXES (de 19/02 a 19/03)

Excelente período para compreender as origens do seu comportamento emocional. Use o tempo de reclusão para reavaliar o que fez ou iria fazer de errado.


O Chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Fernando Veloso, é o primeiro delegado oficialmente apto a prever crimes e distúrbios da ordem.

No Rafucko
Leia Mais ►

Lei Pelé: o neoliberalismo no futebol

O neoliberalismo chegou ao futebol através da chamada Lei Pelé. Que pregava a profissionalização do futebol, contra o que chamava de ditadura dos clubes.

Republico este artigo escrito há alguns anos e publicado originalmente na Carta Maior, porque o considero — infelizmente, 7 e mais vezes infelizmente — absolutamente atual. Espero não tenha que publicá-lo 7 vezes mais, não tenha que publicá-lo nunca mais.

Multiplicam-se as reclamações de que o dinheiro passou a mandar no futebol, que os clubes estão falidos, que os jogadores já não têm apego aos clubes, mudam às vezes durante o campeonato, passando para o rival, se contratam meninos ainda para jogar no exterior, uma parte deles fica abandonado, submetidos a todo tipo de irregularidade.

Mas o que aconteceu, o que está na raiz de tudo isso?

O futebol — assim como todos os esportes — não é imune às imensas transformações econômicas, sociais e éticas que as nossas sociedades sofrerem e ainda sofrem. No Brasil, o neoliberalismo chegou ao futebol através da chamada Lei Pelé. Que pregava a “profissionalização” do futebol, contra a ditadura dos clubes, que tinham os jogadores atrelados ao clube como se se tratasse de uma relação feudal, pré-capitalista.

Intensificou-se dura campanha contra os “cartolas”, com acusações — todas provavelmente reais —, de corrupção, concentração de poder, arbitrariedades, etc. Porém, de forma similar ao que se fazia na campanha neoliberal contra o Estado, não era para democratizar aos clubes, ou ao Estado, mas para favorecer o mercado.

A profissionalização foi isto. Supostamente para libertar os jogadores do domínio dos clubes, jogou-os nas mãos dos empresários privados. Não por acaso se deu durante a década de 90, em pleno governo FHC, que preconizou todo o tempo a centralidade do mercado, os defeitos do Estado, a necessidade de mercantilizar tudo, de transformar a sociedade em um lugar em que tudo se compra, tudo se vende, tudo é mercadoria.

Os jogadores foram transformados em simples mercadorias, nas mãos dos empresários, que reinam soberanos, assim como o mercado e as grandes empresas fazem no conjunto da sociedade. Enquanto os clubes, da mesma forma que o Estado, ao invés de serem democratizados, são sucateados. Interessa aos empresários privados que os clubes sejam fracos, estejam falidos, serão mais frágeis ainda diante do poder do seu dinheiro. Assim como ao chamado mercado interessa que o Estado seja mínimo, seja fraco, para que ceda cada vez mais a seus interesses.

Os clubes podem ser democratizados — de que o exemplo da democracia corintiana é claro. O jogo dos empresários não é democratizável, nem passível de ser controlado socialmente, vale quem paga mais, que tem mais dinheiro. Assim como o Estado pode ser democratizado — e as políticas de orçamento participativo são o melhor exemplo disso.

Com o reino do mercado, não há Estado, não há democracia, não há interesses coletivos. Triunfa o mercado e seu principio maior — o do dinheiro. Com o reino dos empresários privados, não há clubes, há times, que ocasionalmente são montados para disputar um campeonato, enquanto os empresários não vendem os jogadores. Os campeonatos servem apenas como vitrine para exibir as mercadorias dos empresários.

Em um tempo em que tantas identidades entraram em crise, nem sequer os clubes de futebol conseguem resistir, diante da privatização que a lei Pelé significou, fazendo da camisa dos jogadores um lugar em que mal cabe — quando cabe — o distintivo, de tal forma tudo é comercializado. Ou se fortalecem os clubes, democratizando-os, destacando sua dimensão publica e não de empresas privadas a serviço da comercialização dos jogadores, ou a quebra generalizada que atinge o mercado capitalista não poupará os clubes. Que irão à falência, diante do enriquecimento ilimitado dos empresários privados.

Emir Sader
Leia Mais ►

A imprensa veste a carapuça

A imprensa brasileira, representada pelos veículos mais influentes, ou seja, os jornais e revistas de circulação nacional e maior tiragem e os programas noticiosos de maior audiência na televisão e no rádio, completa o balanço da Copa do Mundo, encerrada no último domingo (13/7).

Como não podia deixar de ser, um dos eixos que marcam as análises é a inevitável comparação entre o sucesso do evento e o clima de pessimismo que a própria imprensa havia criado antes de seu início.

Alguns dos comentários publicados nesta terça-feira (15/7) têm como referência o balanço público do torneio feito pela presidente Dilma Rousseff com parte do ministério. Foi, claramente, um lance de oportunismo político, como quase toda iniciativa de candidatos em período eleitoral. A diferença entre essa aparição da presidente, ao lado de seus ministros, e manifestações anteriores da chefe do governo, é que ela se dá em clima festivo.

Os jornais tratam com abordagens distintas a exibição tática da candidata à reeleição, que foi vaiada e ofendida por parte dos torcedores presentes à arena do Corinthians na abertura da Copa e por um pequeno grupo após a final, no Maracanã, quando entregou a taça aos vencedores.

Cada um à sua maneira, os principais diários do País agasalham a observação, reiterada pela presidente e alguns de seus ministros, de que a imprensa hegemônica insuflou na sociedade um intenso pessimismo quanto à capacidade do Brasil de organizar um acontecimento desse porte.

O Estado de S. Paulo coloca na reportagem sobre o balanço da Copa o selo “Eleições 2014”, numa tentativa de limitar as declarações ao contexto da campanha presidencial.

A Folha de S. Paulo faz um registro burocrático da manifestação do governo, no caderno especial sobre a Copa, contrapondo às declarações oficiais uma avaliação de obras de infraestrutura inacabadas, algumas das quais haviam sido prometidas como parte do projeto do Mundial.

O Globo assume a carapuça e traz na primeira página uma foto da risonha presidente, ao lado de dois ministros, com o título: “De que se riem?”

Focinheira para vira-latas

É bem possível que os editores do Globo saibam que a pergunta, associada à imagem de governantes risonhos, tem como referência um poema do uruguaio Mario Benedetti, que falava de ministros da ditadura militar naquele país.

No caso, os representantes do governo riem do Globo e de outros veículos de comunicação, que lhes deram a oportunidade de tripudiar publicamente sobre a onda de pessimismo que acabou desmoralizada pelo sucesso da Copa do Mundo.

Uma pesquisa apressada feita pelo Instituto Datafolha indica que 83% dos estrangeiros que estiveram no Brasil entre os dias 12 de junho e 13 de julho afirmaram que a organização da Copa foi ótima ou boa; 92% elogiaram o conforto dos estádios e 82% declararam terem se sentido seguros andando pelas ruas das cidades brasileiras.

Os visitantes consultados representam 60 países, e a maioria deles tinha uma expectativa desfavorável ao desembarcar por aqui, porque as notícias reproduzidas pela imprensa internacional eram majoritariamente negativas.

Na consulta, recebem notas positivas alguns dos quesitos mais criticados pela mídia nos meses anteriores ao evento, como a estrutura oferecida aos visitantes, o transporte, a segurança pessoal e até a qualidade do meio ambiente nas cidades visitadas.

Interessante também observar que as maiores notas foram dadas ao modo como os brasileiros receberam os turistas: quase todos declararam que os anfitriões foram simpáticos (98%) e receptivos (95%) e 84% consideraram os brasileiros honestos. As piores notas foram para os preços de hospedagem, alimentação e transporte aéreo.

Embora apanhe um universo reduzido do total de visitantes, pois o Brasil recebeu mais de um milhão de turistas de 202 países durante a Copa, a pesquisa contraria os brasileiros que adoram detestar tudo que é nacional e idealizam tudo que é estrangeiro: nada menos do que 69% dos visitantes disseram que morariam no Brasil.

Dois registros curtos: o filho do atacante Klose ficou com a bola que um torcedor entregou para ser autografada e dois torcedores alemães foram presos quando embarcavam de volta ao seu país, por terem furtado uma pequena estátua que estava exposta no aeroporto de São Paulo, em Cumbica.

Espera-se que os fatos sirvam de focinheira para os vira-latas.

Luciano Martins Costa
No OI
Leia Mais ►