12 de jul de 2014

Nos Estados Unidos, ligas não aceitam monopólio nas transmissões

O time do interior é campeão nacional. Nos Estados Unidos, nenhuma surpresa
Cento e dez milhões de telespectadores. Este foi o público da última final do campeonato de futebol americano, o Super Bowl, no dia 2 de fevereiro deste ano.

Com um público desta envergadura, não é à toa que o futebol americano fique com o filé mignon, ou melhor, com o caviar do bolo publicitário, não apenas dos eventos esportivos mas dos eventos que a televisão dos Estados Unidos transmite ao vivo. Para se ter uma ideia, cada comercial de trinta segundos, nos intervalos da partida, custou cerca de 4 milhões de dólares. Claro, a exposição é garantida.

O público faz questão de assistir ao jogo na hora em que ele está acontecendo. Ninguém vai gravar a partida para ver mais tarde, porque se torna impossível não saber o resultado antes de tocar a gravação. A grande emoção é acompanhar lance a lance. Torcer. Vibrar e ficar arrasado, junto com todos os outros torcedores espalhados pelo país, unidos diante da telinha.

Os patrocinadores e os donos dos times sabem que a final do futebol americano é o único evento que comanda essa audiência e tem tudo para continuar comandando.

Mas, ao contrário de outros paises, nos Estados Unidos o esporte é organizado para dar lucro. No caso do futebol americano, um trator, máquina de fazer dinheiro. Como eles chegaram lá é o que interessa.

Uma lei federal, assinada no começo dos anos 60, garantiu aos times a possibilidade de agregar a venda dos direitos de transmissão dos jogos, sempre em leilão. Nunca ficam nas mãos de uma única emissora.

A NFL, National Football League, que reúne os 32 times profissionais do país, divide a temporada em pacotes diferentes, para explorar melhor o produto.

Funciona da seguinte maneira: o campeonato nacional tem duas ligas, com dezesseis times cada. O campeão de uma joga com o campeão da outra na grande final. Só aí, já são três pacotes de transmissões para vender. O campeonato da chamada Conferência Nacional, o da Conferência Americana e a final, o Super Bowl.

O último contrato que a NFL fechou com as tevês vigora até 2022 e vai render cerca de 5 bilhões de dólares por ano aos clubes.

As redes CBS, FOX e NBC entraram no racha da tevê aberta.

A CBS transmite os jogos de uma conferência, a FOX os da outra e a NBC ficou com a partida que abre a temporada, numa quinta-feira à noite, um jogo durante o feriado de Ação de Graças, quando o país para e todo mundo vê televisão, e a melhor partida do domingo à noite enquanto a temporada está em andamento, durante quatro meses.

A NFL já faz planos para elevar a arrecadação com a venda de direitos, ingressos e merchandising para 25 bilhões de dólares até 2027.

Ninguém ficou escandalizado com o plano mais recente que veio à tona.

A liga inventou, há dois anos, um novo pacote. Os jogos de quinta-feira à noite, que não faziam parte do calendário das transmissões esportivas.

Eles foram promovidos, primeiro, como exclusividade da NFL Network: a liga de futebol americano tem sua própria rede de TV. Este ano, o pacote já foi vendido à CBS por U$ 250 milhões. São apenas oito jogos.

Quem inventou essa história de ter rede de teve própria foi a liga de basquete dos Estados Unidos, a NBA, National Basketball Association.

Em 2008 a liga licenciou os direitos digitais do basquete para a Turner Sports. A empresa passou a administrar o site NBA.com e a NBA TV.

A audiência das duas plataformas cresceu rapidamente.

Hoje, a NBA TV entra em 60 milhões de domicílios do país.

Agora, a liga está em plena negociação do próximo pacote de direitos de transmissão, que vence em dois anos, e já pensa em trazer de volta, para dentro da NBA, os direitos digitais.

Existem conversas em andamento com o YouTube, com quem a NBA já lançou um canal para a liga do verão e a chamada liga D.

Antenada nas mudanças do mercado esportivo, a NBA está pensando em mudar a rodada de quinta-feira para outro dia da semana, para não bater de frente com a nova transmissão da NFL. Ninguém quer competir com o futebol americano.

Hoje, a NBA fatura U$ 7,5 bilhões com os contratos de transmissão dos jogos de basquete.

Dinheiro que é dividido igualmente entre os 30 times profissionais do país.

Aliás, a preocupação em nivelar os clubes é grande, em todas as ligas. Não é que aqui exista alguma preocupação com a igualdade de condições. Nada disso. Questão de marketing.

Existe a compreensão de que o campeonato só é bom, só vai atrair muitos torcedores e telespectadores, se houver disputa acirrada, entre times equilibrados. Uma partida de futebol que termina em 7 a 1, vamos combinar, não tem muita graça.

O que fazem as ligas de beisebol, futebol americano e basquete para garantir a emoção dos jogos, hoje, e a qualidade no futuro?

Adotaram o salário teto e o chamado imposto do luxo.

Os times trabalham com um limite de gastos, um teto para o conjunto dos salários dos jogadores. Não é baixo. Os atletas ganham um bocado. No caso da NBA, o volume máximo de salário que cada time pode pagar ao seu conjunto de jogadores é de 63 milhões de dólares por ano. Claro que os grandes nomes tem renda complementada por patrocínios específicos. Kobe Bryant, por exemplo, com os patrocínios fatura U$ 30 milhões por ano.

Se fosse em salário, seria quase metade de tudo o que os Los Angeles Lakers podem investir na remuneração de seu elenco completo.

Se um time quer gastar os tubos para contratar um craque, sabe que vai ter de segurar o salário do resto da turma. Não vai ter fôlego para comprar os 3 ou 4 melhores jogadores do país.

Dessa forma, em princípio, todo clube tem a oportunidade de comprar o passe de um peso-pesado, seja o Moto Clube ou o Corinthians daqui.

Quem passa do limite paga à liga o chamado imposto de luxo sobre cada dólar ultrapassado. O imposto aumenta exponencialmente para os times que ferem a regra consecutivamente.

Um clube que não dá pelota para o imposto é o multibilionário New York Yankees, o Real Madrid do beisebol. Desde que o imposto foi criado, em 2003, o clube ultrapassou o limite todos os anos. Recentemente, foi obrigado a pagar 28 milhões de dólares em imposto sobre o luxo.

Isso não significa domínio dos Yankees, já que mesmo clubes de mercados muito menores, com dinheiro garantido pela venda coletiva dos direitos de transmissão, podem formar times campeões.

Nos últimos dez anos, os Yankees, baseados numa cidade de cerca de 9 milhões de habitantes, com um região metropolitana de mais de 20 milhões, foram campeões nacionais uma vez, em 2009; enquanto isso, os St. Louis Cardinals, da Louisiana, de uma cidade de 350 mil habitantes numa região metropolitana de cerca de 3 milhões de pessoas, ganharam o título nacional duas vezes, em 2006 e 2011.

No futebol americano, os dois ganhadores mais recentes do Super Bowl — Baltimore Ravens e Seattle Seahawks —, são de duas cidades relativamente pequenas, com 600 mil habitantes, de extremos opostos do país. É como se o Figueirense fosse campeão brasileiro de futebol em um ano e o Clube do Remo no ano seguinte. Nos últimos dez anos, oito clubes diferentes ganharam o título supremo do futebol americano.

No basquete, o time de Nova York está na fila do título nacional há 40 anos. Nem por isso correu o risco de morrer.

Na NBA, os clubes não faturam somente com a venda da transmissão nacional de seus jogos. Cada time negocia, também, com as tevês locais.

Os Lakers, por exemplo, fecharam em 2011 o contrato mais caro da história da NBA. Fizeram um acordo de 20 anos com a Time Warner Cable, que prevê o lançamento de dois canais regionais de esportes, um em inglês e outro em espanhol, no valor de U$ 4 bilhões.

No ano passado, os trinta times da NBA faturaram juntos, com esses contratos regionais, U$ 628 milhões, que correspondem a 33% de toda a receita da liga com as diferentes mídias, de U$ 1,9 bilhão. A maior fatia, de 53%, veio dos direitos de transmissão nacionais.

O que isso significa? Que além de ter uma exposição nacional, atraindo os patrocinadores mais endinheirados, os clubes tem ampla divulgação regional, junto a seus próprios torcedores. Se apenas uma fração deles comprar ingressos, é casa cheia.

Seria, mal comparando, como se o ABC de Natal tivesse garantia de algumas partidas transmitidas para todo o Brasil, mais exposição completa em seu próprio mercado, em emissoras diferentes. Com isso, conseguiria encher a Arena das Dunas, arrumar um patrocinador regional e outro nacional para sua camiseta e, o mais importante, ter um time competitivo para enfrentar equipes de estados maiores e mais ricos.

Na temporada 2012-13 de basquete da NBA, enquanto quatro clubes gastaram mais que faturaram, os outros 26 tiveram lucro. Um cenário bem diferente daquele que se vê no Brasil, onde mesmo clubes de grandes torcidas vivem endividados e frequentemente caem para a segunda divisão.

PS do Viomundo:  No Brasil não é a Globo que serve ao esporte, mas o esporte que serve à Globo. Alguns clubes, sim, recebem uma bolada da emissora, os de maior torcida e audiência. Os outros que se virem. É o esporte pré-capitalista, em que os peixes pequenos vão ficando pelo caminho. Para se ter uma ideia, é só listar o grande número de clubes de futebol literalmente extintos no Brasil nas últimas décadas.

Heloísa Villela
No Viomundo
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Aécio defende Marin e a CBF das ameaças bolchevistas para que a boa gestão continue

Marin e Aécio no Mineirão.
A sensibilidade esportiva do candidato dos homens bons
é exemplo para os demais
Já prevendo as ameaças comunistas contra as augusta direção da CBF, entidade sem fins lucrativos, Aécio Neves não tardou a apoiar os dirigentes do futebol brasileiro, para fortalecê-los frente às investidas maldosas daqueles que acusam indevidamente tão nobres e impolutos homens de transformarem o esporte preferido dos brasileiros em algo lamentável. Tudo mentira, eles, os bolchevistas, querem somente apagar o brilho da entidade, que colhe somente bons resultados nos campos que interessam aos homens de bem, atrapalhando o devido reconhecimento do trabalho bem feito pela sociedade nacional.

Dois homens bons.
Que o sucesso do segundo respingue no primeiro, para que este faça
um governo tão brilhante e correto, com o verdadeiro padrão de
 moralidade honestidade que a coisa pública merece
A búlgara usurpadora do PT quer intervir onde não deve, o que para nós não é novidade, haja visto o desastre que é a intervenção estatal na área do petróleo, que tanto prejuízo traz a nação, mexendo em um timaço que está sempre ganhando, querendo prejudicar não só a organização futebolística, como também a emissora da revolução, legítima detentora de todos os direitos, presentes e futuros, das transmissões futebolísticas do país. Lamentável.

Dois pares de Ases.
Unidos e coesos, vencerão todos e tudo pelo bem da Pátria
e do Futebol brasileiro
Não há nada a temer, nada mudará, pois contamos que todo apoio do candidato dos homens bons para garantir que a boa gestão futebolística continue com sua sucessão de glórias. Alvíssaras!
Aécio e Huck (futuro Ministro do Bem Estar Social?)
ligados na seleção
lutrei
A seleção continuará de portas abertas para a emissora
da revolução,  interrompendo o treino sempre que solicitada
para gravar seus programas

Aécio é 45.

No Professor Hariovaldo
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Veja sugere aos leitores que deem pontapé em Dilma


Ao promover sua capa "Vai sobrar para ela?" desta semana no Facebook, sobre o que acontecerá com a presidente Dilma Rousseff após a Copa, os marqueteiros de Veja perguntam: "Alguém arrisca um chute?"; a metáfora foi compreendida pelos leitores da revista; Daiany Bitencourt, por exemplo, responde: "eu queria arriscar um chute na cara dela!"; é assim que a revista manipula os instintos primitivos do seu público; embora todos os presidenciáveis tenham torcido pela seleção e divulgado imagens a respeito disso, Veja trabalha para que os 7 a 1 sofridos contra a Alemanha sejam debitados na conta de Dilma.

No 247
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Abril está definhando. Veja respira!


A Editora Abril, que publica a asquerosa revista Veja, está definhando. Nesta sexta-feira (11), o grupo herdado pelos três filhos de Roberto Civita confirmou que vai transferir dez dos seus títulos — Aventuras na História, Bons Fluidos, Manequim, Máxima, Minha Casa, Minha Novela, Recreio, Sou+Eu, Vida Simples e Viva Mais — para a Editora Caras. Segundo o comunicado oficial, os jornalistas destas redações migrarão aos poucos, até dezembro deste ano, para a nova empresa – mas há quem desconfie que muitos deles serão demitidos neste processo “gradativo”. 

Pelo acordo firmado, a Editora Caras será responsável pela produção de conteúdo e venda de anúncios das revistas. Já os serviços de assinatura, gráfica e distribuição continuarão sendo prestados pelo Grupo Abril. Dos dez títulos transferidos, três têm tiragem superior a 100 mil exemplares por edição: Manequim, Minha Casa e Máxima, segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC). Mas, como aponta o jornal Valor, “a média de circulação das revistas tem caído nos últimos meses. A transferência das revistas faz parte dos planos do Grupo Abril de reestruturar as suas operações para tornar sua estrutura mais enxuta e eficiente e mais concentrada nas áreas de educação e logística”.

Esta linguagem empresarial, toda empolada, esconde a grave crise que afeta o império da famiglia Civita. Outros títulos já foram extintos e vários profissionais foram sumariamente demitidos. No final de 2013, a Abril também se desfez da MTV, transferida ao grupo Spring. O boato que circulou no “mercado editorial” é que o grupo concentraria suas energias na Abril Educação, o braço empresarial de ensino e livros didáticos — que controla as editoras Ática e Scipione e é dona do Anglo e das escolas de idiomas Wise up. Em junho último, porém, 20% das suas ações foram vendidas ao grupo Tarpon, gestora de fundos da Gerdau, Cyrela e Marisa, entre outras empresas. O negócio rendeu R$ 600 milhões aos filhos de Bob Civita.

Ao que parece, os herdeiros não estão muito interessados na manutenção do império familiar. Talvez queiram curtir suas fortunas. Eles inclusive apareceram no ranking de bilionários da revista Forbes. Estão desanimados com a violenta crise da mídia impressa, que afeta jornais e revistas no mundo inteiro, e descontentes com os rumos do país. Daí o ódio visceral estampado semanalmente nas capas da revista Veja. Uma vitória nas eleições de outubro de Aécio Neves, o cambaleante presidencial do PSDB, talvez refizesse os planos da famiglia, que sempre contou com uma ajudinha dos tucanos em São Paulo – com generosos anúncios publicitários e a aquisição de encalhes das suas revistas.

Neste caso, a famiglia inclusive já contaria com um importante interlocutor no Palácio do Planalto. O jornalista Otávio Cabral, editor-executivo da revista Veja, foi nomeado em junho para a coordenação da campanha do PSDB. Autor do livro “Dirceu, a Biografia”, que já foi ridicularizado por suas falsidades e erros grosseiros contra o ex-ministro do presidente Lula, o jagunço da Veja tornou-se um dos responsáveis pela comunicação pela campanha de Aécio Neves. Só mesmo uma vitória eleitoral para reanimar os filhos ricaços e mimados de Bob Civita. Do contrário, a Abril seguirá definhando. Sobrará, respirando por aparelhos, a panfletária revista Veja por razões meramente políticas!

Altamiro Borges
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O vexame do Brasil foi estatisticamente significante?


O estatístico americano Nate Silver criou um modelo preditor que estimou em 65% a probabilidade do Brasil ter ganhado o jogo contra a Alemanha. Foi este resultado que postei no facebook ontem, no intuito de aumentar nosso otimismo horas antes do pontapé inicial. Para criar o modelo, Nate Silver utilizou o banco de dados ELO, que possui informações de confrontos entre seleções desde o século XIX, aliado ao fato de que Brasil estava jogando em casa. Tal como discutimos na última postagem deste blog (pensamento probabilístico), não teria sido muito surpresa o Brasil perder aquele jogo, pois restava 35% de probabilidade da Alemanha sair vitoriosa. A surpresa mesmo veio do vexatório 7 x 1 sofrido pelo Brasil. E por este motivo pergunto se este absurdo resultado foi estatisticamente significante. 

O resultado final do placar sugere que a Seleção Alemã é imensamente superior à Brasileira. Mas a Alemanha é tão melhor assim que o Brasil ou este placar foi por acaso? De acordo com o modelo de Nate Silver, a Alemanha ganharia do Brasil por 6 gols de diferença em apenas 1 de 900 jogos, indicando que a probabilidade deste resultado era de 0.11% (valor de P = 0.0011). 

O que significa valor de P? Significa a probabilidade da diferença observada aparecer, caso a hipótese nula (Brasil = Alemanha) seja verdadeira. Ou seja, se os dois times fossem mais ou menos equivalentes (como mostra o histórico representado pelo modelo preditor), qual a probabilidade aleatória (azar) deste resultado extremo se fazer presente? 

Em sua entrevista ontem, Felipão deu sua versão do ocorrido, falando algo assim: “O time vinha bem, atacando, quando aos 21 minutos [na verdade foi 11 minutos] veio o primeiro gol de escanteio, causando um apagão no Brasil, permitindo que a Alemanha fizesse mais 4 gols em 10 minutos. Depois de 5 gols de diferença, fica difícil reverter o resultado." Observem que sua explicação tem uma conotação de acaso, um azar que durou 10 minutos, causando um desastre impossível de reverter. Parreira, por sua vez, disse que a taça “escapou”, usando mais uma palavra de apologia ao acaso.

Escrevo esta postagem enquanto assisto ao monótono 0 x 0 de Argentina e Holanda. Acaba de entrar um repórter da ESPN dizendo que Felipão e Parreira deram outra entrevista hoje, na qual  disseram que fariam tudo igual se tivessem uma segunda vez. Continuam sugerindo que foi tudo por acaso.

A função primordial da ciência é diferenciar acaso de causa, escolher uma entre estas duas possibilidades: azar do Brazil ou superioridade imensa da Alemanha. Vamos então ao teste de hipótese estatística: se os dois times tivessem qualidade semelhante (hipótese nula), a probabilidade deste resultado ocorrer seria tão baixa (0.11%) que acabamos por concluir que os times são diferentes. Rejeitamos a hipótese nula do acaso e ficamos com a hipótese alternativa da causa: a Alemanha é muito melhor que o Brasil. 

Estatisticamente, perder da Alemanha poderia ser aceito como azar se fosse por 1 ou 2 gols de diferença, pois esta probabilidade seria em torno de 35% (P = 0.35). O P de uma derrota normal não era estatisticamente significante (> 0.05). Neste caso sim, Felipão poderia ter atribuído sua derrota ao azar. Mas com um P = 0.011, é desafiar a inteligência do brasileiro. 

Confirmado que a relação foi causal, precisamos discutir qual foi a causa. Ao escolher sua explicação para o ocorrido, Felipão contou uma história tão inverossímil, que demonstrou sua total ignorância sobre probabilidade. Estou querendo demais de sua inteligência? Nem tanto, segundo a ESPN, os técnicos europeus dos dias atuais trabalham com estatística o tempo inteiro. Por que o técnico da Holanda val Gaal trocou os goleiros para a disputa de pênaltis? Não foi simplesmente pela altura de Krul, havia dados estatísticos de que ele pegava muito mais pênaltis. Vocês observaram que o técnico da Holanda anota tudo durante o jogo? Sem estatística não há salvação.

A ausência de inteligência estatística (ou de qualquer inteligência) por parte do técnico foi a causa do ocorrido. A verdade é que Felipão foi um técnico sem nenhuma capacidade estratégica e que pouco trabalhou. Todos viram, o Brasil não treinava, não havia nenhuma tática adaptada a cada jogo, a escalação era sempre ruim. 

Mas um resultado evidente como este precisa de uma causa mais especifica do que a minha explicação. Com a palavra, o brilhante Tostão:

"A entrada de Bernard foi uma decisão desastrosa, prepotente, porque mesmo se Neymar estivesse presente, o Brasil teria que reforçar o meio-campo, principal qualidade da Alemanha."

Tostão não é só ex-jogador de futebol e comentarista esportivo, Tostão também é médico. Um médico de inteligência diferenciada, de pensamento estatístico. Em contrate, a prática de nossa medicina às vezes se parece mais com Felipão do que Tostão. Médicos, com a "prepotência" citada por Tostão ao descrever Felipão, às vezes acreditam no que querem acreditar. Interpretamos desfechos casuais como causais quando não pensamos cientificamente. Muitas vezes, utilizamos condutas sem eficácia comprovada (ou ineficazes) e usamos exemplos de desfechos favoráveis como argumentos pró-conduta, desprezando os casos de desfecho desfavorável. Ou desprezamos informações científicas que deveriam nos nortear.  É comum violarmos a estatística em prol de uma interpretação enviesada do mundo clínico a nossa volta. 

Os técnicos da Alemanha, Holanda, Chile são técnicos baseados em evidências. Felipão e Parreira são técnicos baseados em crenças. Crenças provenientes de dogmas (Fred) ou de conflitos de interesse.

Luis Cláudio Correia
Do Medicina Baseada em Evidências
No Blog do Mário
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Dilma cobra reforma no futebol e sugere seguir o modelo alemão


“Temos de fazer uma reforma no futebol brasileiro. Tem que fazer o que a Alemanha fez quando perdeu a Eurocopa em 2000 (quando foi eliminada na primeira fase, sem nenhuma vitória)”. A declaração, em reforço ao debate iniciado esta semana no Brasil quanto a necessidade de reforma do mais popular esporte nacional, é da presidenta Dilma Rousseff. Ela a fez em entrevista na noite desta 6ª feira (ontem) ao canal por assinatura GloboNews, na série de entrevistas com os principais presidenciáveis que a emissora estreou com a presidenta.

Depois de perder a Eurocopa em 2000 os alemães perceberam e refletiram sobre seus erros e investiram maciçamente em seu futebol. Eles modernizaram a estrutura de base, passaram a fiscalizar rigidamente seus clubes e hoje todos os jogadores alemães — exceto Klose — passaram por essa estrutura. Além disso, os estádios, a Liga alemã e a forma de se produzir e consumir o futebol na Alemanha foi modificado.

A presidenta Dilma encareceu a importância de garantir condições de infraestrutura no Brasil semelhantes às existentes na Europa, e da manutenção de craques nos times do país, para evitar que alguns estádios — que a FIFA exigiu que passassem a se chamar arenas — reformados e/ou construídos para a Copa do Mundo que se encerra amanhã se transformem em “elefantes brancos”, sem serventia.

Vaias vieram da elite

Mas a presidenta minimizou o risco disso acontecer porque, em sua avaliação, a presença de craques nos gramados deve atrair público pagante. “Temos todos responsabilidade em criar craques, dar oportunidade a jovens, criar o chamado esporte de base, ter em consideração o fato de que temos todas as condições para encher estádio”, disse.

Na entrevista, a chefe do governo voltou a considerar que as vaias que recebeu no Itaquerão, na abertura da Copa do Mundo dia 12 de junho pp., vieram predominantemente da elite branca. Ela, também, afastou a possibilidade de ser substituída pelo ex-presidente Lula como candidata este ano.

“Quem compareceu aos estádios, isso não podemos deixar de considerar, foi quem tinha poder aquisitivo para pagar o preço dos ingressos da FIFA. E aí predominantemente uma elite branca — em alguns casos, 80%, 90%”, afirmou a presidenta ao ser questionada sobre as vaias na abertura da Copa, em São Paulo. A presidenta informou que entrega, amanhã, no Maracanã, a taça à seleção vencedora da Copa.

A presidenta foi perguntada, também, sobre o movimento ‘Volta, Lula’ , a possibilidade dela desistir da candidatura à reeleição e ser substituída como candidata do PT pelo ex-presidente Lula. “Ninguém vai diminuir a força de minha relação com ele. Essa possibilidade foi descartada desde sempre”, considerou. A presidenta adiantou que os conselhos do ex-presidente “são sempre bem-vindos” e acentuou: “Ter o presidente Lula ao meu lado é uma vantagem.”.

A entrevista de Dilma

A presidenta Dilma Rousseff, do PT, candidata à reeleição, foi entrevistada no programa especial GloboNews Eleições, exibido nesta sexta-feira (11), na GloboNews. Na entrevista, concedida à jornalista Renata Lo Prete, no Palácio da Alvorada, em Brasília, Dilma abordou temas como crescimento econômico, crise internacional, reforma política, realização da Copa no Brasil e criticou o pessimismo na economia.

Dilma é a segunda candidata à Presidência da República entrevistada no programa. O primeiro candidato foi Aécio Neves, do PSDB, cuja entrevista foi ao ar no dia 13 de junho. O próximo será Eduardo Campos, do PSB, que também já confirmou presença no GloboNews Eleições.

Assista abaixo à entrevista completa, dividida em três partes:

Primeiro bloco: "O pessimismo é uma péssima reação à crise".

Segundo bloco: "Um país que passa, desde janeiro deste ano, sistematicamente sendo dito que nós vamos ter um apagão de energia. Eu já disse que nós não vamos ter nem antes, nem durante, nem depois da Copa".

Terceiro bloco: "O que serve para o PT tem que servir para todos os partidos. O que não é possível é só tratar o PT como sendo o PT que criou a corrupção no Brasil".

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Jornalismo enfrenta desafio de robôs que produzem notícias


Dizer sempre a mesma coisa, publicar press-release como notícia, trocar informação por editorial (o mesmo) — isso tudo robô vai fazer melhor.

Escrever a mesma 'colona' todo dia, nos mesmos jornais e programas de tevê — isso também os robôs fazem.

Como diz o Mino: o Brasil é o unico lugar do mundo em que todos os jornais têm a mesma posição (de joelhos).

E onde os jornalistas são piores que os patrões…

Tudo isso permitirá a rapida introdução dos robôs — enquanto essas publicações ainda existirem…

Do El País:

Metade dos empregos atuais poderá ser automatizado nos Estados Unidos em 25 anos, de acordo com um relatório da Universidade de Oxford, publicado em 2013. Uma previsão vertiginosa que cobra ainda mais velocidade no jornalismo, já que a Associated Press começou a usar robôs para produzir notícias automaticamente.

Os robôs são programas de computador que já conquistaram outros setores, como o serviço ao cliente on-line, serviços de varejo ou pessoas que buscam informações. Todavia, seu uso no editorial é o mais recente desafio a ser enfrentado, pelo jornalismo, após a explosão da Internet nos meios de comunicação, mudando definitivamente a distribuição de notícias e diminuindo modelos de negócio baseados em publicidade.

A introdução de robôs, nas redações americanas, começou de forma limitada, porém, de forma constante. O The New York Times, luz no horizonte para grandes publicações, já produz informações esportivas por algoritmos matemáticos que incluem decisões de técnicos de basebol. Na Califórnia, o Los Angeles Times publicou em março o primeiro relatório criado por um robô, relacionado a um terremoto. Mas o grande pioneiro neste campo foi Narrative Ciência, cujo lema é “Descubra as histórias escondidas em seus dados”, que assinou um acordo com a Forbes.

O último foi a agência de notícias Associated Press. Graças a sua colaboração com a empresa Automated Insights, seus robôs escrevem resultados das empresas de capital aberto relacionadas à Bolsa. De acordo com o vice-presidente e editor AP, Lou Ferrara, jornalistas “libertados” desta tarefa de escrever será dedicado a “escrever notícias sobre o que esses números significam e o que dizem as empresas.”

O objetivo da agência, como fora antes para a Narrative Science, ou agora com o Times, é liberar profissionais de uma tarefa tediosa que requer pouca criatividade e pode ser reproduzida por uma máquina com supervisão humana mínima. Robôs serão responsáveis pela publicação do quem, o quê, quando e onde de uma história. Jornalistas vão descobrir como e por quê.

As possibilidades de estes sistemas são “ilimitadas”, diz James Kotecki, porta-voz Automated Insights. A quantidade de dados que podem ser coletados, a partir dos resultados de tendências econômicas, é interminável. O impacto também. “À medida que as organizações crescem e as pessoas vão obter mais e mais matérias, a necessidade de analisar e explicar uma interpretação vai aumentar”, justifica Kotecki, porta-voz da empresa.

O advento desses robôs que realizam parte do trabalho de jornalistas, numa época em que a profissão começa a respirar depois de uma profunda crise econômica no setor, foi recebida com ceticismo. Essa desconfiança de profissionais para esta tecnologia fez Ferrara defender a sua decisão desde o primeiro momento: “Isso vai nos permitir usar os nossos recursos humanos de forma mais criativa durante a temporada de resultados”, afirmou. “Assim, descobriremos tendências e informações exclusivas para publicar ao mesmo tempo que esses dados.”

O trabalho dos jornalistas, a quantidade de textos que produzem durante o dia e os formatos em que se publica, desde artigos de noticias até blogs, mensagem em rede social ou conversa com leitores vem aumentando nos últimos anos pela multiplicação de plataformas na Internet. “Alguns meios têm recebido críticas por não fazer jornalismo com profundidade. Estes programas os liberarão”, diz Arden Manning, porta voz de Yseop, companhia que desenvolve programas que geram conteúdo.

David Sancha, diretor de Xalok, empresa especializada em tecnologia para meios de Miami, concorda com esse argumento para ganhar a confiança dos jornalistas em tais ferramentas. “Eles não são bons ou maus em si mesmos, mas tudo depende do uso a ser dado”, diz ele. “Automatizar algumas tarefas jornalísticas básicas permitem aos editores dedicar seu tempo a funções que requerem interpretação.”

De Yseop, no entanto, reconhecer que você ainda não se pode dizer que os robôs são capazes de trabalhar de forma independente e auto-suficiente. Na área de comércio on-line, por exemplo, os algoritmos podem recomendar produtos depois de uma pergunta de um usuário, mas ainda não aprendi a explicar que razões justificam estas sugestões. “Um dos nossos desafios é ensinar sistemas de computador para aprender a partir de suas próprias práticas ao longo do tempo”, diz Manning.

Outro desafio é a linguagem. As notícias de esportes elaboradas por robôs do Times apenas se convertem em uma lista de resultados e sua interpretação está limitada a um conjunto de estatísticas. Os dados, neste caso, não pretendem substituir o trabalho do jornalista, mas complementá-lo.

Sancha insiste que sempre haverá um editor que deverá se encarregar adicionar o que ele chama de “cor” ao texto de uma crônica esportiva que não pode carecer de ambiente do campo ou das arquibancadas. “É impossível um robô ser capaz de escrever uma crônica, uma reportagem interpretativa ou uma notícia de acontecimento em que o jornalista tenha estado presente, tenha recebido informação direta e pode trazer sua propria experiência.

No CAf
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Freud e o futebol

Nelson Rodrigues, o maior cronista esportivo brasileiro, analisou num artigo nos anos 1950 as panes que se abatiam sobre os jogadores canarinhos em certas ocasiões. É um texto especialmente oportuno nos dias de hoje.

Freud pode funcionar mais que qualquer treinador
Um amigo meu que foi aos Estados Unidos informa que, lá, todo mundo tem o seu psicanalista. O psicanalista tornou-se tão necessário e tão cotidiano como uma namorada. E o sujeito que, por qualquer razão eventual, deixa de vê-lo, de ouvi-lo, de farejá-lo, fica incapacitado para os amores, os negócios e as bandalheiras. Em suma: — antes de um desses atos gravíssimos, como seja o adultério, o desfalque, o homicídio ou o simples e cordial conto-do-vigário, a mulher e o homem praticam a sua psicanálise.

O exemplo dos Estados Unidos leva-me a pensar no Brasil ou, mais exatamente, no futebol brasileiro. De fato, o futebol brasileiro tem tudo, menos o seu psicanalista. Cuida-se da integridade das canelas, mas ninguém se lembra de preservar a saúde interior, o delicadíssimo equilíbrio emocional do jogador. E, no entanto, vamos e venhamos: — já é tempo de atribuir-se ao craque uma alma, que talvez seja precária, talvez perecível, mas que é incontestável.

A torcida, a imprensa e o rádio dão importância a pequeninos e miseráveis acidentes. Por exemplo: — uma reles distensão muscular desencadeia manchetes. Mas nenhum jornal ou locutor jamais se ocuparia de uma dor-de-cotovelo que viesse acometer um jogador e incapacitá-lo para tirar um vago arremesso lateral. Vejam vocês: há uma briosa e diligente equipe médica, que abrange desde uma coriza ordinaríssima até uma tuberculose bilateral. Só não existe um especialista para resguardar a lancinante fragilidade psíquica dos times. Em conseqüência, o jogador brasileiro é sempre um pobre ser em crise.

Para nós, o futebol não se traduz em termos técnicos e táticos, mas puramente emocionais. Basta lembrar o que foi o jogo Brasil x Hungria, que perdemos no Mundial da Suíça. Eu disse “perdemos” e por quê? Pela superioridade técnica dos adversários? Absolutamente. Creio mesmo que, em técnica, brilho, agilidade mental, somos imbatíveis. Eis a verdade: — antes do jogo com os húngaros, estávamos derrotados emocionalmente. Repito: — fomos derrotados por uma dessas tremedeiras obtusas, irracionais e gratuitas. Por que esse medo de bicho, esse pânico selvagem, por quê? Ninguém saberia dizê-lo.

E não era uma pane individual: — era um afogamento coletivo. Naufragaram, ali, os jogadores, os torcedores, o chefe da delegação, a delegação, o técnico, o massagista. Nessas ocasiões, falta o principal. Estão a postos os jogadores, o técnico e o massagista. Mas quem ganha e perde as partidas é a alma. Foi a nossa alma que ruiu face à Hungria, foi a nossa alma que ruiu face ao Uruguai. E aqui pergunto: — que entende de alma um técnico de futebol? Não é um psicólogo, não é um psicanalista, não é nem mesmo um padre. Por exemplo: — no jogo Brasil x Uruguai entendo que um Freud seria muito mais eficaz na boca do túnel do que um Flávio Costa, um Zezé Moreira, um Martim Francisco. Nos Estados Unidos, não há uma Bovary, uma Karênina que não passe, antes do adultério, no psicanalista. Pois bem: — teríamos sido campeões do mundo, naquele momento, se o escrete houvesse freqüentado, previamente, por uns cinco anos, o seu psicanalista.

Sim, amigos: — havia um comissário de polícia, que lia muito X-9, muito Gibi. Para tudo o homem fazia o comentário erudito: — “Freud explicaria isso!”. Se um cachorro era atropelado, se uma gata gemia mais alto no telhado, se uma galinha pulava a cerca do vizinho, ele dizia: — “Freud explicaria isso!”. Faço minhas as palavras da autoridade: — só um Freud explicaria a derrota do Brasil frente à Hungria, do Brasil frente ao Uruguai e, em suma, qualquer derrota do homem brasileiro no futebol ou fora dele.

No DCM
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Meios de desinformação

Nossos meios de comunicação, ora por interesses políticos, ora por incompetência, demonstram diariamente que os brasileiros que pretendam estar bem informados devem procurar meios alternativos para conhecer a realidade, tanto do País quanto do exterior.

A longa e imensa cobertura da Copa do Mundo é um bom exemplo onde se uniram interesses políticos e incompetências. Primeiro, foi  a tentativa de mostrar que o Brasil estava despreparado para o evento, que tudo estava atrasado e que nada daria certo. Obviamente, a culpa era sempre atribuída ao Governo. Quando tudo deu certo, os estádios ficaram prontos, os acessos aos locais dos jogos permitiram a circulação tranqüila das pessoas e nenhum tumulto ocorreu , foi preciso, então, falar apenas dos jogos, e aí a incompetência se disse presente.

Embora praticamente todas as emissoras de televisão e rádio, jornais e revistas reservassem seus espaços mais nobres para a cobertura da copa, ninguém teve a coragem de dizer que a nossa seleção estava mal preparada, que o nosso técnico vivia uma realidade de 20 anos atrás e aquelas emoções descontroladas dos jogadores só podiam nos levar à derrota. Só depois do leite derramado é que começaram a aparecer as primeiras críticas, que nessa hora só podiam ter um aspecto de puro oportunismo.

Mesmo com os acontecimentos esportivos preenchendo a pauta de quase todos os meios de comunicação, sempre sobrou espaço para dar uma versão equivocada a determinados acontecimentos para atender interesses de grandes anunciantes ou esconder fatos que poderiam ajudar a imagem de governantes que não são do agrado da grande mídia.

É sabido que a Rede Globo depende de grandes patrocinadores e entre eles existe um forte lobby que defende sempre os interesses de Israel. Mas na sua edição do dia 10 último, o seu principal informativo, o Jornal Nacional, se excedeu na cobertura dos novos conflitos na Faixa de Gaza.  Enquanto a ONU pedia o cessar fogo imediato por parte de Israel e dizia que havia uma emergência humanitária em Gaza, onde mais de 100 pessoas já tinham sido mortas, inclusive mulheres e crianças, o correspondente da Globo na região dava uma versão totalmente a favor do governo de Israel, dizendo que ele apenas se defendia dos ataques palestinos.



Caso não fosse trágico o que acontece com a população civil da Palestina, seria cômica essa versão de quem atacou primeiro. Os palestinos jogam pedras nos soldados israelenses que ocuparam suas terras e estes respondem com lança foguetes.  Agora, estão fazendo mais, usam a alta tecnologia que dispõem, para jogar bombas contra alvos civis em cidades de Gaza, matando indiscriminadamente possíveis membros do Hamas, mas também homens, mulheres e crianças que apenas tiveram o azar de viver numa região cobiçada por Israel..

Enquanto a Globo falsifica a verdade, Zero Hora praticamente esconde uma notícia de extrema importância para as comunidades pobres da Região Metropolitana de Porto Alegre.  Embora o jornal destaque sempre os problemas de saúde no Estado, a informação de que o Governo do Estado está repassando 124 milhões de reais para o Instituto de Cardiologia ampliar sua rede hospitalar em Porto Alegre, Alvorada, Cachoeirinha e Viamão, foi confinada a uma pequena coluna em página interna do jornal.  Serão mais mil leitos inteiramente reservados aos pacientes do SUS, feitos com dinheiro do Tesouro do Estado e parte do orçamento de 12% da saúde.

Notícias boas para a saúde dos gaúchos parecem não interessar muito à nossa mídia. Há uma semana, foi inaugurado o Hospital Geral da Restinga, voltado também para o atendimento de pacientes do SUS, com uma cobertura da imprensa muito pequena,considerada a importância do evento na vida da população mais pobre de Porto Alegre.

Isso não impediu que a Prefeitura pagasse um anúncio de página inteira em Zero Hora comemorando o fato e dando ao leitor a impressão de que foi ela quem bancou o empreendimento.  O investimento de 110 milhões de reais para a construção do hospital foi feito pela União e o Governo do Estado, que também cobriram os 9 milhões necessários à compra de equipamentos. À Prefeitura, caberão apenas 25% do custeio necessário a operacionalização do hospital que será feito pelo Hospital Moinhos de Vento. O Estado bancará os outros 25% e a União, 50%.

Agora que vai começar para valer as campanhas para a Presidência e  o Governo do Estado, devemos estar preparados para mais inverdades e omissões da nossa grande mídia no seu processo de desinformação.

Marino Boeira, Formado em História pela UFRGS. Jornalista e publicitário. Ex-professor de disciplinas da área de Comunicação na PUCRS e Unisinos. Publicou três livros de ficção: De Quatro, com outros três autores, Raul, Crime na Madrugada e Tudo que você NÃO deve fazer para ganhar dinheiro na propaganda. É um dos participantes dos livros de memória: Nós e a Legalidade, Salimen, uma história escrita em cores e Porto Alegre é assim.

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Vladimir Putin reafirma apoio à vaga para o Brasil no Conselho da ONU

Putin também ressaltou que o intercâmbio comercial entre Brasil e Rússia deve ser incrementado, com a diversificação dos laços comerciais
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, que estará no Brasil na próxima semana para participar da reunião de Cúpula do Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), considera o Brasil um dos parceiros-chave da Rússia na América Latina. Ele disse que apoia o Brasil como “um candidato digno e forte” para ocupar um assento permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

— Estou convencido de que esse país potente, crescendo de forma dinâmica, é destinado a desempenhar um papel importante na nova ordem mundial policêntrica que está em formação – disse Putin, em entrevista à agência de notícias russa Itar-Tass. A Rússia é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que tem como objetivo garantir a manutenção da paz e segurança internacional. O Brasil defende a reforma do conselho.

Putin também ressaltou que o intercâmbio comercial entre Brasil e Rússia deve ser incrementado, com a diversificação dos laços comerciais e o aumento do fornecimento de produtos. Ele citou projetos de investimentos que já estão sendo realizados entre os dois países com participação de empresas nas áreas de energia, maquinário e farmacêutica. “Estou convencido de que a realização de tais projetos pode levar a cooperação econômica e comercial bilateral ao nível mais maduro, que corresponda às capacidades existentes e futuras dos nossos países em desenvolvimento”, disse Putin.

Além do intercâmbio comercial, que nos últimos dez anos aumentou quase três vezes, Putin destacou a integração dos dois países por meio da liberação de vistos e o intercâmbio cultural por meio do programa brasileiro Ciência sem Fronteiras. Segundo ele, em sua visita ao Brasil os governantes dos dois países devem traçar novos projetos conjuntos nas áreas de energia, investimentos, tecnologias inovadoras, agricultura, ciência e tecnologia. “Planejamos assinar um pacote impressionante de documentos em vários setores, inclusive entre os ministérios, empresas estatais e privadas, instituições de pesquisa e ensino”, disse Putin.

Outro assunto abordado durante a entrevista com o presidente russo foi a ciberespionagem, classificada por ele como “um ataque direto à soberania estatal e violação dos direitos humanos”. Ele disse que a Rússia está disposta a elaborar junto com outros países um sistema de medidas para garantir a segurança internacional de informação. “Hoje em dia é de importância especial juntar os esforços de toda a comunidade internacional para garantir segurança igual e indivisível, resolver quaisquer assuntos controversos à base dos princípios do direito internacional e com o papel central coordenador da ONU.”

A reunião da Cúpula do Brics ocorre na próxima terça-feira, em Fortaleza. No dia seguinte, os presidentes dos cinco países se reunirão com os presidentes dos países da América do Sul, em Brasília.

Próxima Copa 

Sede da próxima Copa do Mundo de Futebol, a Rússia terá um regime especial de vistos para os estrangeiros poderem participar do evento. Em entrevista à agência de notícias russa Itar-Tass, o presidente Vladimir Putin disse que já foi consolidada uma lei federal para facilitar a entrada no país. “Não só os participantes oficiais das competições, esportistas, árbitros, técnicos, mas também torcedores poderão vir à Rússia sem vistos. A história de campeonatos de futebol ainda não viu nada desse jeito”, disse.

Segundo Putin, representantes de ministérios e organizações da Rússia estão em contato constante com brasileiros para organizar o evento. “Em geral, tenho certeza de que a Copa do Mundo no Brasil será uma página notável na história do futebol. Desejo aos organizadores brasileiros terminá-la com sucesso, e nós, faremos tudo para que em 2018 o mundo fique feliz com uma festa de futebol inesquecível e hospitalidade verdadeiramente russa”. O presidente russo lembrou que, no início do ano, o país organizou os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de inverno, e o governo está analisando com muita atenção a experiência do Brasil na organização das Olimpíadas em 2016. “Sabemos muito bem como é difícil organizar um evento de grande escala desses”, avalia.

Putin estará no Brasil para participar, na próxima semana, da reunião de Cúpula do Brics (grupo formado por Brasil, pela Rússia, Índia, China e África do Sul). Antes do encontro, o presidente vai acompanhar a partida final da Copa do Mundo, no Maracanã, e também deverá receber a organização do evento do governo brasileiro. Na opinião do presidente russo, as seleções dos países da América Latina mostraram um futebol “forte, espetacular”. Ele lamentou a saída da equipe russa do campeonato, ainda nas oitavas de final, mas disse que o time jogou dignamente.

Além de Putin, outros chefes de Estado assistirão à final da Copa do Mundo, no domingo (13), entre Alemanha e Argentina, ao lado da presidenta Dilma Rousseff e do presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter. Já estão confirmadas as presenças dos presidentes da África do Sul, Jacob Zuma; do Congo, Denis Sassou-Nguesso; da República Democrática do Congo, Joseph Kabila; da Hungria, János Áder; do Haiti, Michel Martelly; e da chanceler alemã, Angela Merkel.

No Correio do Brasil
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STJ suspende processo que apura denúncias no Metrô paulista

Decisão temporária foi tomada pelo ministro Rogério Schiett e determina que só após julgamento de habeas corpus impetrado por um dos réus a tramitação poderá ter continuidade

Apesar de tantas denúncias, as obras do Metrô de São Paulo
nunca foram investigadas por uma CPI
A tramitação do processo que apura denúncias de envolvimento de executivos e empresas em formação de cartel e de fraudes em licitação da Companhia do Metropolitano (Metrô) de São Paulo vai demorar um pouco mais. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu, por decisão monocrática do ministro Rogério Schiett, a tramitação de mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para que sejam recebidas denúncias contra 30 executivos e 12 empresas. Com essa decisão, o mandado de segurança só será analisado depois do julgamento de um pedido de habeas corpus impetrado por um dos denunciados, o executivo Albert Fernando Blum, da Daimler Chrysler.

A decisão foi tomada no final de junho pelo ministro, mas só foi divulgada agora pelo tribunal, após a publicação no Diário da Justiça Eletrônico. A confusão sobre o julgamento do caso teve início em 31 de março passado, quando o juízo de primeiro grau reconheceu a prescrição dos delitos e extinguiu a punibilidade dos denunciados, rejeitando a denúncia.

Inconformado, o Ministério Público interpôs um recurso ao Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo pedindo que o caso não fosse considerado prescrito e entrou com o referido mandado de segurança solicitando o imediato recebimento da denúncia, para que tal prescrição não acontecesse de fato – uma vez que os fatos mencionados no metrô aconteceram entre os anos de 1999 e 2010.

No RBA
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O fim da Fifa

Países como Itália, Inglaterra e Espanha já perderam todos os pudores e incluem, ou estão prestes a considerar, as receitas produzidas pela prostituição, tráfico, ações mafiosas e contrabando no seu Produto Interno Bruto. No Reino Unido, estima-se que o total do dinheiro marginal signifique um crescimento de 37 bilhões de reais no PIB. Imagine se fosse aqui para usar apenas um verbo tão a gosto do complexo de vira-latas de grande parte de nossa mídia e iludidos formadores de opinião.

Mas nem ingleses, italianos e espanhóis têm primazia neste esdrúxulo procedimento. Mesmo sem contabilizar oficialmente as receitas criminosas no seu PIB, de alguma forma é a Suíça, no continente europeu, a primeira nação onde o dinheiro escuso flui como moeda obtida dentro da legalidade. Além de parte de seus bancos historicamente cobrirem de sigilo contas bancárias de originadas no submundo, está em Zurique a sede da Federação Internacional de Futebol.

A Copa do Mundo no Brasil serviu para mostrar que  o país tem capacidade de realizar grandes eventos e promover uma alegre e organizada Babel dos tempos modernos ao receber com carinho e conforto nas ruas, aeroportos e hotéis milhares e milhares de estrangeiros.

Mas o evento contribuiu para muito mais do que a demonstração ao mundo de uma admirável festa esportiva. Foi aqui, depois de quatro Copas, que a polícia do Rio de Janeiro e o Ministério Público desfecharam um golpe duríssimo na quadrilha internacional que vendia ingressos desviados da própria Fifa. Fato que, por si só, escancara a competência de agentes policiais brasileiros e que deve agora transferir o sentimento de viralatice para as forças de segurança da França, Coréia/Japão, Alemanha e África do Sul, sedes dos últimos mundiais, onde a bandalheira também correu mais solta do que a bola.

A polícia do Rio pilhou o bando e levou às cordas os maiorais da Fifa, entre eles seu presidente Sepp Blatter. Afinal é um homem chamado Phillippe um dos mentores de todo o esquema fraudulento, como diz o especializado jornalista inglês Andrew Jennings. E quem é Phillippe? Simplesmente sobrinho de Blatter e sócio da empresa Match, vendedora exclusiva de todos os três milhões de ingressos no Brasil.

As ligações entre a Fifa e a Match são tão intestinas que esta última, recentemente, recebeu da instituição dirigida por Blatter um empréstimo de 10 milhões de dólares para dar andamento ao processo de negociação dos ingressos. E quanto de juros a Fifa cobrou? Zero, isso mesmo, zero. E qual era a data do pagamento destes 10 milhões? Janeiro de 2015, quando o butim estivesse encerrado.

Blatter mostra indignação. Quem acredita nela é capaz de acreditar em tudo. Ele é o manda-chuva da entidade que preside, desde 2001, mas já dava as cartas em 1998, como secretário-geral.

A Copa chega ao seu final com todos os méritos para o Brasil fora de campo e humilhação no gramado. Exatamente de maneira inversa das apostas feitas pela imprensa: sucesso em campo e fracasso fora dele. Mas o grande legado que o Brasil deixa ao mundo em especial a americanos e ingleses, que jamais nutriram confiança em Blatter e seus malfeitores, é o desbaratamento desta quadrilha que expõe a todos os continentes que o chamado padrão Fifa não passa de um miasma. E como fede.

No JB
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PSDB e a Copa: eles não sabem o que dizem

O PSDB continua confuso sobre o que faz e diz. Agora o tema é a Copa do Mundo no Brasil. Ao analisarmos as principais declarações dos tucanos sobre o mundial, é possível perceber como eles mudam de ideia bem facilmente. Reconhecemos que não deve ser fácil para a oposição lidar com o sucesso retumbante da #copadascopas, nacional e internacionalmente.   

Antes do início do torneio, os tucanos se mobilizaram para associar a imagem de Dilma à Copa por acreditarem — como pesssimistas de plantão — que o evento seria um fiasco. Ao perceber o sucesso retumbante do torneio,  o PSDB buscou rapidamente tentar descolar sua realização da imagem do governo e de Dilma. Aécio declarou mais de uma vez que governo federal estaria fazendo "uso político da Copa". Nas palavras do candidato: "O brasileiro está suficientemente maduro e consciente para perceber que são coisas absolutamente diferentes. Eu falo isso porque eu vejo uma certa tentativa de apropriação desses eventos para o campo político".

Como coerência jamais foi o forte tucano, assim que o Brasil sofreu a derrota para a Alemanha nas semifinais do torneio, Aécio declarou que "Dilma pagará pela eliminação do Brasil". Como assim, candidato? O senhor não era contra a apropriação política do evento? 


Essa conduta confusa acerca dos temas importantes para o Brasil é recorrentes também na fala de outros políticos do PSDB. Comecemos pelo coordenador da campanha digital de Aécio, Xico Graziano. Conforme o Muda Mais mostrou aqui, Graziano fez uso político da Copa para atacar Dilma pelo twitter assim que a seleção perdeu para a Alemanha, assim como o senador tucano Álvaro Dias fez em seu facebook


Aécio, Álvaro e Graziano poderiam conversar mais com seu companheiro de partído, o líder do PSDB mineiro Marcus Pestana, que declarou: "sempre achei que não há relação entre a política e o resultado esportivo. Isso parte de uma visão equivocada que infantiliza o povo brasileiro”. Muito bem, Pestana. Agora, não somos os únicos a sugerir que os tucanos ensaiem melhor seu discurso. 

Para coroar sua falta de coerência, Aécio fez mais uma postagem contraditória em si mesma em sua página do facebook hoje (11/07). Adivinha quem está fazendo uso político da derrota do Brasil no gramado? Aécio diz que não é hora de oportunismo, ao mesmo tempo em que cunha o termo "futebras". Quem está sendo oportunista ao utilizar a derrota em campo do Brasil politicamente, Aécio?


O que fica nítido nisso tudo é que os tucanos falam que não, mas estão politizando — e muito — a derrota do Brasil na Copa. Mais uma vez,  o governo continua sendo propositivo, tendo o que mostrar. Então, vamos relembrar aos políticos do PSDB que o governo federal foi responsável por planejar e executar o maior evento mundial que o Brasil já sediou, e o fez com maestria, recebendo uma série de elogios no mundo por ter feito a #CopaDasCopas. E repetimos: a gente tem o que mostrar — em geração de empregos, saúde, educação, mobilidade urbana, e muito mais — e a gente sabe o que diz.  

No Muda Mais
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Somos Todos Palestinos!!!


No Blog do Bourdoukan
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Efeito Luciano Huck

Mulheres brasileira são 'desclassificadas' pela imprensa dos EUA

Elas estariam fazendo 'a festa' com estrangeiros — estão atrás do 'dinheiro dos gringos' — 'são disponíveis' 


O estereótipo de que a mulher brasileira é uma BUND@ totalmente em disponibilidade para os gringos, acaba de ser reforçado pelo Jornal americano New York Post. Você pode assistir em vídeo, logo aí abaixo, a notícia sobre essa péssima "fama", e que imbecilidades como a praticada pelo apresentador Luciano Huck só reforçam.

Que surpresa não é mesmo? Estão reclamando do que?

Ora, se aqui no Brasil, o apresentador da TV Globo se deu aos desplante de criar um quadro no seu programa, onde ele incentivava jovens brasileiras a escreverem para lá, visando conseguir um "Gringo na Medida", como querer que no exterior, essa imagem de vulgaridade da mulher brasileira não seja reproduzida ou reforçada?

Eu gostaria muito de saber o que o governo brasileiro fez em relação a esse comportamento reprovável e até criminoso do senhor Luciano Huck, ou será que por ele trabalhar na Globo está acima das Leis do país?



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Uma babaca

Site da seleção alemã retira clipe com música de Tieta depois de reclamação de Paula Lavigne


Que a seleção da Alemanha está adorando o Brasil, todos sabem desde o começo. Que eles fizeram um clipe demonstrando todo o afeto com o país com o fundo da música Tieta, de Caetano Veloso, nós também já sabemos. Mas, segundo a coluna de Ancelmo Gois, no jornal O Globo, quem não gostou nada da atitude dos alemães foi a empresária Paula Lavigne, que disse que a música foi usada sem autorização. Nesta quarta-feira (09), o site da seleção que hospedava o clipe retirou ele do ar.

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