10 de jul de 2014

Surfar com vexame é pior que perder de 7x1


Se o país quer tirar lições com o vexame, a primeira coisa a fazer é separá-lo da política

A derrota humilhante do Brasil abriu uma verdadeira caixa de pandora.

No meio do jogo, voltaram os insultos a Dilma, como se ela fosse uma zagueira que falhara em vários gols e, nas redes sociais, explodiu o regozijo oportunista de quem torcia contra desde o começo.

Pelo whatsupp circulou uma grotesca montagem com a cara da presidenta associada a símbolos nazistas. Quem foi contrário à Copa, tratou de espalhar as notícias de ônibus queimados e confusões nas ruas. E até o "bolsa família dos preguiçosos" entrou na conta do Mineiraço.

Misturar a política com o futebol e surfar no vexame é pior, bem pior, que tomar de 7 a 1 dentro de casa.

Desde o começo, se constatou que a seleção não vinha fazendo uma Copa memorável, mas a imprensa que apostava no catastrofismo na realização do evento, e a torcida que esbanjava arrogância nos estádios nunca esteve muito melhor.

Contra todas as previsões, a Copa deu certo. Em termos de futebol, aliás, é tão alto o nível, que de fato não temos time para ganhá-la.

É certo que o ufanismo desmedido sempre cria ilusões que em algum momento se despedaçam. A derrota para a Alemanha era a crônica de uma morte anunciada — embora nem o mais cético dos analistas podia prever o vexame, construído em cinco minutos de apagão.

O governo que pretendia lucrar com as vitórias e a oposição que faz da derrota uma plataforma para virar o jogo, todavia, cometem grande equívoco.

Há vinte anos que nossas eleições coincidem com as Copas. E os resultados do futebol nunca interferiram nas urnas.

Em 1994, o Brasil virou tetracampeão e o candidato do governo ganhou. Mas ele ganhou de novo em 1998, quando o Brasil perdeu a final também de forma vergonhosa. Em 2002, a seleção foi pentacampeã e o candidato do governo perdeu; mas foi ganhar nos anos de 2006 e 2010 com campanhas pífias, bem piores do que a atual.

Pelé já foi severamente criticado por dizer que o povo não sabia votar. Quem acha que o futebol muda eleição, deve concordar com esse desatino.

Se o país, apaixonado por futebol, quer mesmo tirar lições com o vexame, a primeira coisa a fazer é separá-lo da política.

O Brasil já não tem sido o grande celeiro de craques que durante muito tempo o distinguiu no cenário mundial, mas na geração de cartolas a coisa consegue andar bem pior. Escolhas que deveriam ser exclusivamente técnicas têm sido submetidas aos critérios do grupismo; o faturamento passou a ser o condimento mais importante nas preparações da seleção; interesses de mercado, de vaidade nas federações e das televisões falam muito mais alto do que o próprio jogo.

Apostar na política para falar do futebol só põe água no moinho.

Se tem algo que pode nos redimir nesse campo, é justamente o fato de ter sido nossa polícia a descortinar que o comércio paralelo de ingressos é patrocinado pela própria FIFA — o que há muito já se suspeitava. A necessidade de construir estádios com imensas áreas VIPs, que permitem revender ingressos a valores exorbitantes, começa a ser mais facilmente explicada.

Mas ao futebol o que é do futebol.

A seleção perdeu o jogo e fez mesmo uma exibição grotesca. Irreconhecível para quem chegou, depois de duas Copas frustradas, de novo a uma semifinal.

Mas daí a pular do muito orgulho e muito amor para a vergonha nacional, e dizer que isso prova todo o desastre do governo, do país e do povo que não é trabalhador, chega a ser bem pior que o esquema tático do Felipão…

Marcelo Semer
No Sem Juízo
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Eleição é eleição e Copa é Copa, nada têm a ver


Mal acabou o jogo na terça-feira, com o placar mostrando inacreditáveis 7 a 1 para a Alemanha, alguns coleguinhas da imprensa se apressaram em mostrar serviço no afã de analisar como o desastre da seleção brasileira no Mineirazo vai repercutir na campanha eleitoral e derrubar a recandidatura da presidente Dilma Rousseff.

Foram, como de costume, mais realistas do que o rei. No dia seguinte, terça-feira, líderes tucanos trataram de acalmar a tropa amiga, avisando que não é bem assim. O ex-governador José Serra, por exemplo, agora candidato do PSDB ao Senado, alertou os aliados mais afobados a ter calma nesta hora.

"Eu não sei qual é a tradução política disso. Vamos ver nos próximos dias e semanas. Não vou fazer hipóteses, porque, fatalmente, serão confundidas com desejos", alertou, com muita propriedade, o veterano político de tantas campanhas eleitorais, repetindo o que escrevi no post pós-jogo, sob o título "Só com o tempo poderemos entender esta humilhação".

Na mesma linha, o sempre ponderado governador tucano Geraldo Alckmin, candidato favorito à reeleição, lembrou que uma coisa não tem nada a ver com outra: "Aliás, se você verificar, a última Copa que o Brasil ganhou foi em 2002, era o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e o PSDB perdeu a eleição. Então, não tem essa relação. Mas todos estamos tristes, porque esperávamos um resultado melhor".

Ainda na véspera da partida fatídica, o ex-presidente FHC, ao criticar "algumas pessoas" que estavam misturando futebol com política, previu que o Brasil poderia ganhar a Copa e Dilma perder a eleição. Tinha toda razão, mas a recíproca, deve-se admitir agora, também é verdadeira.

O Brasil não vai mais ser hexa, a Copa de 2014 termina domingo, no Maracanã, disputada entre Alemanha e Argentina, e na próxima semana começa para valer a campanha eleitoral.

Claro que o bom ou o mau humor dos torcedores e o alto ou baixo astral dos eleitores tem influência na hora de decidir o voto, mas o futebol não é responsável por isso. Em qualquer país e qualquer época, com ou sem Copa, determinante na hora do voto é o estado da economia nacional, ou seja, o bolso dos eleitores.

Que a economia brasileira anda capengante este ano, o que prejudica quem está no governo e ajuda a oposição, todos nós sabemos, não é preciso ser um grande analista político. Não basta, porém, mostrar as dificuldades enfrentadas pelo governo e os erros cometidos. É preciso apresentar propostas novas e concretas sobre o que e como fazer para segurar a inflação e fazer o PIB voltar a crescer, sem subir os juros, simples assim.

Se o governo ficar só mostrando as maravilhas que fez e a oposição esculhambar com tudo, vamos ficar num Fla-Flu estéril, que em nada ajuda o país. Eleição é sempre uma renovação de esperanças e o eleitor quer é saber o que os candidatos têm a dizer sobre os caminhos para o futuro.

Temos menos de três meses até as eleições não só para discutir soluções para a economia, mas também uma reforma política ampla, geral e irrestrita, como foi a anistia, sem o que, nada mudará, qualquer que seja o candidato eleito. Com o atual sistema político-partidário-eleitoral, que está falido faz tempo, o Brasil é simplesmente ingovernável, assim como é inútil trocar o técnico da seleção sem promover uma reforma estrutural profunda na organização do futebol brasileiro.

Ricardo Kotscho
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Os seis minutos

A primeira coisa a fazer, já que o Thiago Silva não poderia jogar, era apresentar o David Luiz ao Dante. Os dois conversariam, talvez num jantarzinho, trocariam confidências e fotos das crianças e combinariam como jogar contra os alemães.

Aparentemente, isso não aconteceu. Quando David Luiz e Dante finalmente se conheceram, se apertaram as mãos ("muito prazer", "muito prazer", "precisamos nos encontrar!"), já estava cinco a zero para a Alemanha.

Outra coisa: houve uma confusão nas convocações. O Felipão chamou o Fred do ano passado, um dos melhores jogadores da Copa das Federações, e quem apareceu foi o Fred deste ano, claramente um impostor.

Ninguém na comissão técnica se lembrou de checar sua documentação. E o Felipão não poderia saber que tinha convocado o Fred errado.

Faltaram 3

Outro azar: a partida ter terminado em 7 a 1. Até o 7 a 1 foi um desastre, um vexame, um escândalo — tudo que saiu nos jornais. Mas ainda estava dentro dos limites do concebível.

Era cruel, era difícil de engolir, mas era um escore até com precedentes, inclusive na história das Copas.

Mas se os alemães tivessem feito mais três gols, apenas mais três, entraríamos no terreno do fantástico, do inimaginável, da galhofa cósmica.

A única reação possível a um 10 x 1 seria uma grande gargalhada, que nos salvaria do desespero terminal.

Nada mais teria sentido no mundo, portanto nada mais nos afligiria e todos estariam perdoados, inclusive o Felipão e a CBF, absolvidos pelo ridículo. Mas não tivemos nem a bênção de perder de 10.

Desconto

Proponho o seguinte consolo: vamos descontar aqueles seis minutos em que o alemães fizeram quatro gols como uma invasão do sobrenatural. Uma espécie de catatonia coletiva, de origem desconhecida, que paralisou todo o nosso time.

Os quatro gols marcados durante os seis minutos de inconsciência só de um lado, portanto, não valeram.

O escore real, livre de qualquer intervenção extra futebol, foi 3 x 1. Um escore respeitável, com o qual todos poderemos viver.

Final

E Argentina e Alemanha farão a grande final, no domingo. Todos torcendo pela América contra a Europa, nossos irmãos continentais contra os nossos algozes, nossos colonizados contra os senhores do mundo etc. A esta altura, só nos resta a hipocrisia.

Luís Fernando Veríssimo
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A Copa e as eleições

Logo depois nosso gaúcho estava rindo
Muito se vai especular, na política, sobre os efeitos da paulada que o Brasil levou da Alemanha.

Os comentários mais apocalípticos partirão, ou já estão partindo, dos interessados numa brusca mudança no quadro existente hoje.

Sob essa ótica, a derrota vai levar os brasileiros a descontar em Dilma, em outubro, a raiva que os sufoca.

O cientista social Roberto da Matta (filiado ao PSDB, nota deste blog) foi um dos primeiros a seguir essa trilha. Numa entrevista à BBC, ele disse que o fracasso na Copa levaria os brasileiros a “pensar nos problemas do país”, como a inflação e o baixo crescimento.

Pensar nos problemas do país significaria, numa palavra, não votar em Dilma.

“A Alemanha salvou o Brasil do PT”, escreveu o candidato nanico Levy Fidelix no Twitter.

É o clássico triunfo da esperança. E, também, uma brutal subestimação do brasileiro, por imaginá-lo tão suscetível a um evento esportivo, ainda que estejamos falando de Copa do Mundo.

A reação típica aos 7 a 1 está num torcedor cuja foto de imenso desalento no Mineirão viralizou como símbolo da dor nacional.

Vestido como um tradicional gaúcho, bigode do Barão do Rio Branco, olhos baixos, ele aparecia agarrado a uma réplica da Copa.

Era Clóvis Fernandes*, integrante de um grupo chamado Gaúchos na Copa. Desde 1990 ele segue a seleção em todas as Copas, e se autoproclama “12º jogador”.

Num certo momento, ele percebeu que segurar uma cópia da taça atraía a atenção dos fotógrafos — e isso ficou espetacularmente provado no Mineirão.

Não durou muito a estupefação arrasada de Clóvis. Ainda no Mineirão, em outra foto ele aparecia já sorrindo, ao entregar a réplica a uma jovem torcedora alemã.

Numa página do Facebook, a foto da entrega foi postada, com a seguinte legenda: “Leve [a taça] até o final. (…) Vocês merecem. Gluckwunsche.” (Parabéns, em alemão.)

A tristeza imensa no esporte tem vida invariavelmente breve, bem como seu oposto, a euforia triunfal.

Imaginemos que o Brasil fosse campeão mundial pela sexta vez, neste domingo. Um ou dois dias depois, o sentimento de festa eterna já teria minguado — e os problemas da vida real voltariam a ocupar o lugar de sempre na mente das pessoas.

Trabalho, saúde, família, contas a pagar — é a vida como ela é, todos os dias, e não durante o intervalo efêmero de uma Copa.

Dilma tem, hoje, um amplo favoritismo, mas muitas coisas podem acontecer, naturalmente.

O que não ocorrerá é uma mudança de panorama devida à Copa. Mais uma vez: nosso gaúcho bigodudo — Clóvis, não Felipão — é um excelente exemplo da fugacidade das emoções futebolísticas, boas ou más.

Qualquer que seja o resultado das urnas, ele não será fruto de nada ligado à tarde em que a Alemanha esmagou o Brasil.

Paulo Nogueira
No DCM

* Saiba mais sobre Clóvis Fernandes — Gaúcho tucano da copa
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Malandragem? Fale por você, senador Álvaro Dias

Este texto apócrifo (ver imagem abaixo) espalhado nas redes pelo reacionário Álvaro Dias, senador tucano pelo Paraná, talvez tenha sido o texto mais sem noção escrito nos últimos tempos. Mas Pablo Villaça matou a charada: este texto apócrifo (os covardes nunca assinam seus textos) estava escrito há muito tempo, desde antes da Copa. É o texto da turma do “a copa vai ser um caos, não vai funcionar os aeroportos” e blá. blá, blá. Por isso as mesmas palavras-chaves foram usadas na abertura do Jornal Nacional e na CBN.


Texto preconceituoso, datado, com a visão das elites vira-latas sobre o povo brasileiro. A mesma visão que Álvaro Dias espalha cotidianamente na rede e que disse com todas as letras na TV Cultura, antes pública, e hoje cooptada pelo que tem de mais reacionário no país.

O Senador que malandramente adulterou uma charge do cartunista Bira Dantas para dizer exatamente o contrário que a imagem original comunicava e que foi desmascarado pelo chargista nas redes, tem a cara de pau de chamar o povo brasileiro de malandro.

Texto que trata o povo brasileiro com desdém, texto que poderia ter sido escrito por qualquer racista do século XIX, ainda mais porque faz a comparação mais estereotipada entre arianos (os alemães) “superiores” e os mestiços (o povo brasileiro) “malandros”. Um texto lamentável, como é lamentável o modo de fazer política de um partido cada dia mais reacionário e sem projeto político que reduz seu discurso e sua prática a atacar os avanços sociais do país.

Pablo Villaça, mineiro, cineasta, blogueiro, torcedor, que ontem estava mais inspirado do que de costume e num único post em sua página recebeu mais de 100 mil curtidas, fora compartilhado por mais de 40 mil pessoas, comentado por outras cinco mil pessoas, afora as respostas internas aos comentários com um alcance de quase 4 milhões de pessoas no referido post, teve paciência para dissecar a lógica perversa deste texto preconceituoso. É esse o texto que trago para cá que nos ajuda a compreender o oportunismo barato de Álvaro Dias e de sua trupe.



Por Pablo Villaça em seu Facebook

08/07/2014

Vamos lá: último postzinho sobre o jogo e suas absurdas repercussões — e tentando falar de forma clara. Em primeiro lugar, a reação de muitos aqui no Facebook não foi de todo surpreendente, já que o perfil neste espaço tende a ser mais conservador do que no Twitter, por exemplo. Observo isso todos os dias: comentários idênticos feitos lá e aqui são recebidos com apoio no Twitter e repúdio no Facebook e vice-versa.

Não, o que me espanta, de fato, é perceber um salto tão súbito na atitude de tanta gente. Pessoas que às 17h cantavam o hino e diziam ser brasileiras “com muito orgulho e muito amor”, que se mostravam orgulhosas da organização da Copa (que mostrou ao mundo inteiro nossa capacidade de sediar um evento deste porte), que balançavam bandeiras e celebravam o país e que, menos de DUAS HORAS DEPOIS surgiam queimando estas mesmas bandeiras enquanto afirmavam que era por vergonha da Educação, da Saúde, etc, etc.

O viralatismo surgiu com força em um texto medíocre, com toda pinta de ter sido escrito há muito tempo e estar apenas à espera de uma derrota, no qual o autor anônimo (e que foi compartilhado por um senador tucano) dizia que havíamos testemunhado a derrota da “malandragem” diante da “competência”. E que isto deveria ser uma lição para um país no qual a “malandragem” impera tanto que não é nem preciso “estudar para ser presidente”.

Vamos separar as coisas: a SELEÇÃO brasileira perdeu. E feio. De forma vergonhosa. Houve, sim, despreparo. Até certa negligência. Mas estes meninos não são vilões — e nem mesmo Felipão ou Parreira são. Fracassaram. E envergonharam o país, mas não são vilões. Não merecem “repúdio”. E, acreditem, já estão se penalizando mais do que podemos imaginar. Dormirão hoje (se dormirem) com dor no peito e terão pesadelos — dos quais não acordarão pela manhã, que trará a consciência de que, sim, tudo aquilo aconteceu. Dito isso, compreendo a dor e a revolta COMO TORCEDOR.

Mas como “brasileiro”? Ora, que revolta súbita é esta pela “Educação” que esperou convenientemente uma derrota da seleção para se manifestar? E é sério que querem usar como exemplo a Alemanha — onde o índice de analfabetismo é DEZ PORCENTO e, portanto, bem maior que o do Brasil? (Até entendo: aprender aquela língua deve ser terrível!)

Ora, o Brasil acabou de aprovar uma medida para investir nada menos do que DEZ POR CENTO do nosso PIB apenas em Educação! Apenas QUATRO outros países no mundo inteiro investem tanto — e nenhum tão grande quanto o Brasil.

E fora dos campos, o Brasil VENCEU a Copa. A imprensa internacional é unânime em dizer que esta é a melhor de toda a História — e as matérias não se limitam a falar dos jogos, mas da infra-estrutura, dos estádios, dos aeroportos que funcionaram (uma média de atrasos de 7,5% quando até 15% são considerados aceitáveis pela aviação em todo o mundo), da hospitalidade desse povo maravilhoso que se apaixonou pelas visitantes e inspirou a paixão destes.

A Copa foi tão bem sucedida que o próprio Aécio Neves, candidato da oposição, manifestou receio de que ela ajudasse a presidente nas eleições — e é justamente por isso que não fiquei surpreso ao perceber que Alvaro Dias, senador tucano, compartilhou o tal texto sobre nossa “malandragem”.

“MALANDRAGEM”? Fale por você, senador.

O Brasil não é perfeito e o governo federal tampouco. Mas não se esqueça de que o tal cara que foi eleito presidente “sem ter estudado” deixou o posto como o governante com a maior aprovação da História desse país. E que sua substituta gozava de igual aprovação até as manifestações de junho passado, que foram disparadas por um aumento nas passagens de ônibus que — vale lembrar — contavam com um SUBSÍDIO do governo federal para que não fossem tão elevadas e que mesmo assim, por ganância das empresas, foram reajustadas.

Mas paro por aqui, pois sei que, nos dias de hoje, ninguém lê texto extenso ou que contenha dados que possam ser confirmados no Google. O texto que ganha compartilhamentos no Facebook e no Whatsapp é aquele curtinho, com ofensas e acusações sem prova e uma frase de efeito que, mesmo reduzindo o próprio leitor ao posto de “malandro”, é passado adiante pelo choque artificial que provoca.

Assim, publico este texto para mim mesmo. Como um lembrete de que, vergonhosos 7 a 1 à parte, essa Copa FOI DO CARALHO. AINDA ESTÁ SENDO.

E é um imenso motivo de orgulho para todos os brasileiros diante de todo o mundo. Mesmo para aqueles que, num impulso tolo e inexplicável, decidiram queimar a bandeira da pátria que lhe trouxe esse presente da Copa.

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Torcedor mostra bunda na Band


Logo após a partida entre Argentina e Holanda, na quarta (9), o Jornal da Band fez um link ao vivo, direto de um bar no Rio de Janeiro, para mostrar a torcida holandesa. Enquanto um jornalista falava sobre a festa, um homem tirou as calças e mostrou o bumbum.

O repórter não percebeu a cena, mas logo que a transmissão voltou para o estúdio, os âncoras não puderam segurar o riso. Ricardo Boechat comentou o caso na mesma hora.

Assista! A cena acontece a partir do minuto 0:39.



No Tempo
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Para Sayad, crescimento será lento e arrocho não é saída para governo

Medidas de arrocho devem ser descartadas em 2015, independentemente do resultado eleitoral. As mudanças necessárias não são macroeconômicas, mas de regulação. O crescimento será lento. O regime de metas precisaria sofrer ajustes, e um aumento de combustíveis deveria ser feito.

A análise é do economista João Sayad, 68. Ministro do governo José Sarney no Plano Cruzado, secretário na gestão Marta Suplicy em São Paulo e na administração estadual tucana, ele se define hoje como um crítico de ortodoxos e heterodoxos: "Sou espírito de porco", afirma.

Nesta entrevista, ele critica a gestão Dilma, o governo Alckmin e o candidato Aécio. Diz que não votará no PT, mas não revela seu voto nem na esfera federal nem na estadual. Classifica os juros brasileiros como uma anomalia mundial e constata que industriais viraram financistas.

Vítima de assalto na capital paulista, Sayad declara estar com medo e avalia que a segurança é o problema número um do país.

Por que o Brasil cresce pouco?

Não tem uma solução óbvia no curto prazo. O remédio tradicional — corte de gastos, aperto da política monetária — não parece ser a solução. Colocar todas as fichas contra a inflação seria diminuir ainda mais o crescimento. A inflação está desagradável, mas não é a situação que gente da minha idade experimentou. Será difícil para Dilma ou qualquer candidato de oposição cumprir uma promessa de recuperação rápida de crescimento.

Muitos dizem que independentemente do resultado da eleição, o ano que vem será de arrocho, cortes. Isso é inevitável?

Não é óbvio que o problema seja arrocho. Uma política de juros muito mais elevados vai sobrevalorizar o câmbio com uma entrada de dinheiro que não acaba mais. Na inflação, sou um crítico sem solução para o regime de metas. O regime de metas liga o juro à inflação e o câmbio ao balanço de pagamentos. Só que o que influencia mais a inflação é o câmbio. E os juros influenciam mais o balanço de pagamentos. Se deveria inverter os remédios.

Essa mudança não é pacifica, nem tem o resultado garantido. Vejo na condução da política macroeconômica um problema mítico, religioso. Defendo o regime de metas, mas com correções, que não deveriam ser anunciadas.

Qual sua visão sobre o futuro?

Tenho uma visão positiva, mas não vai ter taxa de crescimento elevada. Independentemente de quem seja eleito, o crescimento será lento. As mudanças necessárias não são macroeconômicas, são de regulação, regras de administração pública. O direito público precisa ser revisado. Na energia elétrica, foi criada uma instabilidade que precisa ser corrigida. Necessitamos de obras de infraestrutura, ser mais favoráveis a concessões.

Emprego não é uma preocupação hoje. Inflação, câmbio e juros são. Tem uma solução fácil: está com problema na perna, amputa a perna. Seria uma grande recessão, mas essa não seria uma solução. Não há espaço político e a vantagem de trazer a inflação de 6,5% para 4,5% não compensa. Então corta [essa opção], mas precisa fazer ajustes.

Mas essa opção pela recessão foi a defendida por Aécio, não?

Falou e retirou. Ele fez um erro ali, não deveria ter falado. Não estamos em 1985 nem em 1990, quando o Brasil inteiro esperava um salvador, que era o Collor. Um homem da minha idade olha para traz e vê hoje o SUS, a educação. A insatisfação é legítima, mas já fizemos muito. Até agora, nota 7.

O que a Dilma fez de errado?

Sugiro ler a biografia de Getúlio, lembrar de FHC e de Lula. Ali estão as três lições que ela não acompanhou sobre o papel do presidente. Getúlio era ambíguo. Lula, líder dos trabalhadores, fez uma política monetária bem conservadora. FHC, no primeiro mandato, era a pessoa que mais reclamava do cambio valorizado — como se não fosse uma coisa dele.

O presidente tem que estar acima e distante das soluções que propõe. Dilma é mais gestora. Tem um pouco de voluntarismo também.

Qual seria o passo além?

Não sei qual seria o passo que desse resultado no curto prazo. Um grande erro é o preço da gasolina, que está baixo. Comparado com o pico anterior, em termos reais, está 30% atrasado. A Petrobras fatura US$ 400 bilhões por ano. Se corrigisse em 30% seriam mais US$120 bilhões.

Essa solução seria meio mágica. Repartir esse dinheiro com municípios para financiar transporte publico, corredor, metrô, essa tarifa maluca do MPL poderia aguentar mais. É o melhor pedágio urbano do mundo.

E qual seria o impacto dessa alta na inflação?

Esse é o grande problema. Perguntaram para o ministro do planejamento da Índia, do partido que perdeu a eleição, qual foi o maior erro do governo. Ele disse: corrigir o preço da gasolina. Não é uma solução óbvia, mas é tentadora.

É necessário mexer no câmbio?

É o que a indústria fala e o que a agricultura gostaria, mas gera inflação. A política do novo mandato tem que, sem anunciar, fazer uma trajetória para a política cambial que seja compatível com a inflação. E fixar a taxa de juros olhando para a taxa de juros internacional e para o balanço de pagamentos.

O câmbio é a verdadeira âncora da inflação brasileira.

O governo Dilma ensaiou uma política de juro mais baixo e depois recuou. Há um pacto pró-juro alto no Brasil?

Não diria que há um pacto, mas há um hábito. Dilma acertou em reduzir os juros, mas tem custos. No começo era o fim do mundo, acho que hoje já não é. Não acredito que [a queda nos juros] seja a causa da elevação da inflação. Não temos inflação de demanda, mas de custos. [O juro] é alto porque ficou alto.

Por que houve recuo?

Porque a inflação subiu, não por causa dos juros apenas. [Dilma] não precisava ter feito o discurso [contra os juros]. Os juros no Brasil eram e continuam sendo uma anomalia se comparados a outros países. Reduzir os juros era e é uma proposta razoável. Hoje eles são 5% real ao ano. É melhor do que 10%. No momento, não há demanda para reduzir mais os juros. O momento é de repensar a política de metas. Não precisa nem falar.

Basta, para horror dos ortodoxos mais jovens, operar no mercado cambial, manipular o câmbio de forma a que ele tenha um comportamento compatível com a inflação. Ver os juros ligados ao balanço de pagamentos, e o cambio ligado à inflação. Anunciar uma política de mudança no regime de metas de inflação seria um desastre.

Desindustrialização é problema?

É e é complicado. Uma vez dei uma palestra para um mundão de empresários. Era na época do Gustavo Franco, real sobrevalorizado. Um pouco irado, perguntei por que não reclamavam do câmbio. Cadê o clamor da indústria? Não reponderam. Mas, ao olhar para eles, entendi. Eles viraram financistas, deixaram de ser industriais. Primeiro, porque são terceira ou quarta geração de italianos, japoneses, turcos, português que trouxeram a indústria para cá. Segundo, porque se adaptaram.

O sr. já decidiu em quem vai votar?

Não. Não votarei no governo. Oito anos é uma dose significativa e já estamos em 12. Não votaria para ter mais de oito anos de governo FHC nem de PT.

Mas o PSDB está aqui no governo de São Paulo há mais tempo, não?

Estou falando do governo federal. No governo estadual, acho que vale a pena. É discutível se 20 anos é muito. No governo federal, a renovação é fundamental.

O sr. falou das identidades entre PT e PSDB. Ambos partidos se envolveram em denúncias de corrupção. Há o mensalão e o caso do metrô em São Paulo. Quando o sr. estava na administração do PSDB em São Paulo, o sr. escreveu um artigo na Folha tratando de corrupção. Por quê?

Quando há um movimento de corrupção, a administração se perde. Vejo nos governos federal, estadual e municipal uma série de programinhas que consomem energia e atenção da máquina. A corrupção pequena não deixa nada e isola a administração dos funcionários.

O que o sr. viu de errado aqui no governo estadual?

Desrespeito a leis trabalhistas que custam caro para o Estado, indiferença quanto a esse desrespeito. Essas coisinhas depois viram uma bola de neve. Há confusão na Justiça. Minha experiência recente com a Justiça é aterradora. Se eu fosse presidente, as prioridades seriam justiça e segurança.

Como atacar o problema da segurança?

Tem um lado crescimento, melhorias das condições sociais, presença do Estado na periferia, CEUs, fábricas de cultura. Mas a periferia é imensa. E tem o lado de polícia. Eu andava muito por aqui [no bairro, na zona Oeste de São Paulo], mas mataram dois num assalto na Alameda Franca e ando com medo. Fui assaltado há uns seis meses com uma faquinha na Rua Piauí, no carro. Ele me pôs a faca [no pescoço] e disse: "O celular ou eu te mato". É horrível. Fiquei com muito medo e não reagi. Ando de vidro fechado, com medo. [Segurança] é o problema número um do Brasil.

Houve melhoria na distribuição de renda?

A remuneração do capital cresce. A distribuição de renda que houve ocorreu dentro do grupo dos trabalhadores, o que é ótimo. Por conta do salário mínimo, principalmente, e do Bolsa Família, diminuiu a desigualdade.

Mas precisa ver o que acontece com o capital. Se considerar o capital, eu não sei, ninguém sabe. Mas olhando para as lojas de luxo, barcos, helicópteros, é capaz que tenha aumentado [a concentração].

Além de dar aulas, o que o sr. tem feito?

Escrevi um livro sobre dinheiro e finanças. É mais sobre o debate a respeito da política macroeconômica e monetária. Sempre haverá dois lados: o conservador e o keynesiano.

E como o sr. se define?

Não estou em nenhum dos dois lados. Não sou ortodoxo de jeito nenhum, mas também não sou hoje um desenvolvimentista. Não se consegue mudar a cultura de nenhuma sociedade do mundo a golpes de voluntarismo. Quando eu fui heterodoxo, era contra os absurdos dos ortodoxos. Eu sou espírito de porco, crítico de ortodoxos e não ortodoxos.

Também num artigo para a Folha, o sr. criticou a decisão do governo Alckmin de não levar adiante a implantação de um polo de cultura na região da Luz. Qual sua visão hoje desse caso?

Temos uma visão pequena de nós mesmos. O teatro da dança, um complexo cultural é um projeto viável, superimportante, que o governo estadual não quer fazer por causa do custeio. Teria três teatros, biblioteca, escola de música. Diz que é uma obra para ricos. Não é. Não vai sair, é uma pena. Fizemos não sei quantos estádios e nenhum centro cultural. Cultura tem uma prioridade baixíssima em qualquer governo. Com o Serra, não.

O sr. se sentiu frustrado ao deixar a secretaria da Cultura do Estado?

Sai frustrado, principalmente por causa desse teatro [que não vai sair]. O Estado de São Paulo é muito rico, não falta dinheiro para investir. Mas o governo não tem essa prioridade para a cultura.

O sr. já decidiu em quem vai voltar para o governo do Estado?

Não, aqui é mais difícil ainda.

Como o sr. avalia hoje a TV Cultura, que o sr. dirigiu?

Ou o governo apoia com um pouco mais, ou fecha. É importante, mas precisa de um pouco mais de dinheiro.

No fAlha
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Vai chover DARF da Globo na Copa

Como a Globo manda na CBF, nada mais natural que jogar o DARF no meio do campo.


O​ Núcleo Barão de Itararé RJ acaba de confirmar que a íntegra do processo “sumido” de dentro da Receita Federal será divulgado a partir deste domingo 13/07.

Apareceu a íntegra original do processo da Receita Federal que estava sumido. Com aproximadamente duas mil páginas ele contém documentos comprovando o envolvimento da própria família Marinho na fraude contra o sistema financeiro além da já conhecida sonegação bilionária.

O Núcleo Barão de Itararé RJ irá nesta sexta-feira, dia 11/07, ao Centro Aberto de Mídia do RJ distribuir informativo à imprensa internacional informando a existência deste explosivo material.

É importante destacar que no recente encontro nacional de blogueiros realizado em SP, mais de 500 participantes aprovaram a campanha MOSTRA O DARF REDE GLOBO

Já foram feitas diversas cópias do material que está sendo distribuído aos principais blogs brasileiros para divulgação ao distinto público a partir do fim da Copa.

No momento em que o tema corrupção é tratado como aspecto central para a eleição de outubro, fica evidente que a divulgação desta monumental documentação, com toda certeza, poderá ser um balizador para se entender como funciona e se sustenta o império Rede Globo e suas relações com a FIFA e o submundo do crime internacional.

TWITTER: @Mostraodarf darf globo

Confirme seu interesse em auxiliar na ampla divulgação pelo e-mail mostraodarfglobo@gmail.com

Os blogs O Cafezinho, Megacidadania, Correio do Brasil e Tijolaço, que integram o Núcleo Barão de Itararé RJ, participam do esforço cívico de levar ao conhecimento do distinto público mais esta importante informação que é sonegada pela velha mídia empresarial.

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O Verdadeiro vexame histórico

A derrota para a Alemanha doeu mas não houve maior vergonha do que a campanha para dizer que não ia ter Copa

Não, não foi a Seleção. A Seleção jogou muito mal, é claro. As fragilidades do time ficaram evidentes desde o início da Copa. Passamos aos trancos e barrancos por times como México, Chile e Colômbia, com Neymar e sem um meio de campo. Ante a Alemanha, um time solidamente estruturado, fruto de muitos anos de trabalho, sucumbimos com uma pane futebolística que nos fez levar cinco gols em vinte minutos.

Foi uma surra homérica. Foi futebolísticamente vergonhoso. Parecia uma reprise da luta entre a cavalaria polonesa e as divisões de panzers na Segunda Guerra Mundial, tamanha a desproporcionalidade das forças e do preparo. Mas esse não foi o grande vexame. Afinal, foi só um jogo de futebol. Um jogo de futebol com um resultado anormal, um jogo de futebol em que só um time jogou, um jogo de futebol que ficará como uma triste e constrangedora memória em todos os brasileiros, mas, enfim, só um jogo de futebol.

Tampouco foram um vexame a organização e a realização da Copa. Ao contrário, a Copa foi um enorme sucesso. Os estrangeiros que aqui estiveram elogiaram muito o Brasil e a organização do evento. Encantaram-se com a hospitalidade do povo brasileiro e com o clima de festa. Tudo funcionou corretamente, ao contrário do que muitos previram. Os estádios, elogiados pelo uso de energias alternativas, ficaram prontos a tempo. Os novos aeroportos também. Não houve caos aéreo. Não houve insegurança. Não houve apagão, salvo o futebolístico. Foi, com toda justiça, a Copa das copas. De quebra, a polícia brasileira conseguiu o que ninguém, nem a Scotland Yard, havia conseguido: desbaratar a quadrilha da FIFA que manipulava a venda de ingressos. O Brasil está de parabéns.

Porém houve, sim, grandes vexames.

Um grande vexame foi a desavergonhada torcida contra o país e até contra a própria Seleção.

Durante muitos meses, essa torcida de estridentes vira-latas previu o caos e o apocalipse na Copa do Mundo de 2014. Os aeroportos só ficariam prontos em 2038, diziam. As obras de infraestrutura, necessárias ao país e apenas aceleradas pela Copa, também não ficariam prontas. Haveria apagão durante a Copa, juravam eles com fervor. Não haveria segurança, asseguravam eles. Os turistas seriam impiedosamente assaltados aos magotes. As manifestações tomariam conta dos estádios e das ruas, tornando a Copa impossível. Um senador da oposição chegou até a sugerir que o Brasil, por sua incompetência, renunciasse ao direito de sediar a Copa.

O movimento do “não vai ter Copa” impôs seu terrorismo psicológico, a ponto de fazer algo que parecia impossível: inibir a vontade de alguns brasileiros de torcer pela Seleção. De repente, torcer pela Seleção ou pelo sucesso do país na organização da Copa virou algo politicamente incorreto, quase um crime. Muita gente deixou de comprar ingressos, quando havia oferta. Muitos deixaram de fazer o que os brasileiros sempre fizeram em todas as Copas: colocar bandeiras em suas casas e carros, pintar suas ruas etc. Empresários pequenos e médios, temendo o caos anunciado, deixaram de fazer investimentos para aproveitar melhor o fluxo financeiro gerado por esse grande evento. Turistas e torcedores estrangeiros, amedrontados, cancelaram sua vinda.

Parte do Brasil ficou com vergonha de ser Brasil. Esse foi um grande vexame.

A oposição e a mídia conservadora politizaram intensamente a Copa, apostando fervorosamente no seu fracasso e prevendo o caos anunciado que não veio. Mentiram e distorceram à vontade. Goteiras, atrasos e tapumes adquiriram uma relevância jamais vista na história das Copas. Empréstimos do BNDES para a construção dos estádios, que representam somente 0,55% do que foi investido em Educação e Saúde, foram apresentados, sob essa ótica propositalmente distorcida, como uma demonstração de descaso do governo com essas áreas.  As mentiras e as distorções foram tantas que até a imprensa estrangeira, repercutindo a brasileira, passou também a prever o caos, provando que a imagem do país havia sido manchada por essa campanha desavergonhada. Outro grande vexame.

A partir daí vieram outros vexames, como os baixos xingamentos à presidenta transmitidos para o mundo inteiro e avalizados por candidatos da oposição.

Tudo isso foi feito com a indisfarçável intenção de obter dividendos eleitorais. Parvoíce pura e rasteira. Parvoíce e falta de vergonha. Querer que o país fracassasse ante o mundo para obter vantagens eleitorais é algo simplesmente abjeto. Algo verdadeiramente vexaminoso.

Entretanto, com o sucesso evidente da organização da Copa, passaram comicamente a acusar o governo de politizar a Copa, e o “não vai ter Copa” foi substituído por um mal-disfarçado “não vai ter hexa”.

Após a débâcle do Mineirão, as redes sociais se encheram de mensagens mórbidas comemorando o fracasso futebolístico e associando-o ao governo e ao PT, como se a própria Dilma tivesse escalado o time e estivesse em campo. Foi uma espécie de vingança dos vira-latas. Se a organização deu muito certo, então o time tem de dar muito errado. Afinal, vale tudo para impedir a reeleição da presidenta. Até queimar bandeira do Brasil, como alguns vexaminosamente fizeram.

Não vai colar. Não há relação entre resultado esportivo e resultado eleitoral. Em 1998, o Brasil perdeu a Copa, mas FHC não teve dificuldades para se eleger. Em 2002, o Brasil ganhou, numa final contra a Alemanha. No entanto, FHC, que recebeu o time no Planalto, não fez o seu sucessor. Em 2006, o Brasil perdeu. Fez uma Copa bem ruim. Porém, Lula se reelegeu. Em 2010, o Brasil voltou a perder, mas Lula fez a sua sucessora.  Copa não ganha eleição. O que ganha eleição é emprego, salário, distribuição de renda, oportunidades para os historicamente excluídos etc. O resto é morbidez vira-lata e medidas impopulares.

Não, não foi a Seleção. Essa Seleção é bem fraquinha e mal-ajambrada, não há dúvida. Teremos de trabalhar muito, como fizeram os alemães após o fracasso de 1998, para voltar a ter um time à altura da nossa tradição. Contudo, não se pode acusá-los de não tentar e não se empenhar. Nunca jogaram contra. Eles ficaram sinceramente envergonhados por não terem conseguido dar alegria ao povo brasileiro.

Já os vira-latas não se envergonham de apostar no fracasso do país e do time para obter supostas vantagens eleitoreiras. Comprazem-se com a tristeza da derrota. A derrota do Brasil é a vitória deles.

Esse é o verdadeiro grande vexame. Um vexame histórico que a História não perdoará.

Marcelo Zero, formado em Ciências Sociais pela UnB e assessor parlamentar do Partido dos Trabalhadores
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Venício Lima no 'Espaço Público'


O Espaço Público desta semana recebeu o jornalista e sociólogo Venício Lima, um dos mais reconhecidos analistas dos meios de comunicação no país, para falar da cobertura da Copa do Mundo feita pela mídia.

Em pauta está a mudança de opinião da imprensa (jornais, tvs, revistas e blogs), que após prever o fracasso da Copa agora dá outro tratamento à cobertura do mundial.

O programa também discute os mitos e verdades sobre o campeonato e mostra como o Brasil, em meio aos protestos anti-Copa, greves de policiais, metroviários e motoristas de ônibus e suspeitas em relação a entrega dos estádios, está conseguindo realizar o evento.

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Palavras de mudança


A variedade dos adjetivos foi pequena. Não por escassez vocabular de quem os emitiu nos jornais e nas emissoras, mas porque o acontecimento não suscitava mais do que palavras com força dramática. E todas serviram para conduzir à mesma ideia, também expressa com pequena variedade: é preciso mudar tudo no futebol brasileiro, que seja o fim de uma era, é o momento de iniciar uma ressurreição. A ideia é o que importa, e é boa. Para torná-la real, nada seria mais eficiente do que começar pelos que a propõem.

A imprensa e os jornalistas são muito democráticos: têm a convicção de que tudo e todos são sujeitos à crítica. Desde que não sejam a imprensa e os jornalistas. Apesar disso, é preciso dizer que os mal denominados meios de comunicação têm uma parcela — de difícil mensuração, mas não pequena — nas causas do que está chamado de "humilhação, catástrofe e vergonha". E parcela maior no choque emotivo das pessoas em geral, reação que corresponde à expectativa esperançosa de que estiveram imbuídas.

Jogadores justificam ou não as expectativas boas ou ruins. Não pregam, porém, ânimos ou desânimos coletivos, sejam ou não fundados. Quem pode fazê-lo são outros. E são muitos os que fazem e por diferentes maneiras.

Não cabe dizer que os torcedores são dependentes das induções, porque nos esportes têm a possibilidade do testemunho que lhes falta na política. Mas a verdade é que são cabeças e almas muito sugestionáveis, muito sensíveis ao estímulo a paixões. (Dizem que é uma característica dos povos latinos, mas basta uma olhada na tendência dos americanos para os fanatismos, patrioteiros e outros, e constatar que não temos exclusividade na matéria). E foi isso o que se viu, com origens também perceptíveis.

Antes e depois de iniciada a Copa, o nível médio da franqueza foi muito baixo nos comentários sobre a seleção, em contraste com a crítica, em âmbito privado, de muitos dos mesmos autores profissionais. Ou pelo que transparecia nas entrevistas de seu trabalho público. Os amistosos com timecos, inclusive já às vésperas da Copa, com Sérvia e Panamá, prenunciaram o que viria depois. A contenção das análises naquele antes também se mostrou no depois. Já a escolha de Felipão contrariara a amplíssima preferência por outro treinador, talvez Tite, sem que isso se mostrasse com firmeza na imprensa esportiva. Os fatos mostraram que a preferência era justificada, e fez falta.

Se o tempo de vida em contato com a imprensa e com a opinião pública vale alguma coisa, é a partir dele que concluo pela contribuição da baixa média de franqueza crítica para a ocorrência do desacerto, continuado e progressivo, que levou à "vergonha". E do mesmo modo se faz a minha convicção de que o ambiente ficou livre para que a falta de observações firmes, a tendência nacional ao oba-oba e os interesses comerciais se juntassem na criação do otimismo mentiroso. Logo, também na decepção doída como um luto.

O jornalismo brasileiro está precisando de uma reviravolta mais ou menos como a pedida para o futebol. A na área dos esportes, que poderia ser iniciada com menos obstáculos. Até porque a Olimpíada vem aí.

Ainda sobre a adjetivação da goleada engolida, sua destinação pareceu transbordar do alvo justo — a comissão técnica e os jogadores. Nada de "vergonha" ou "humilhação" nacional. Para os brasileiros, a derrota foi não mais do que estonteante. E não para todos. No curto tempo entre o fim do jogo e a edição dos jornais, segundo certo noticiário, o governo foi capaz até de projetar uma nova "estratégia", que "agora é colar sua imagem apenas à organização". Isso é que é governo veloz, segundo o emitido "sinal de alerta" (na expressão idêntica da Folha e do "Globo") decorrente do "temor" e do "mau humor" que a derrota instalou no Planalto. 

Janio de Freitas
No fAlha
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PSDB ensaia explorar derrota na Copa por Aécio

Contradição: senador já divulgou fotos em estádios e também apoiou realização da Copa no Brasil


A exemplo do que tentou fazer quando a presidenta Dilma Rousseff foi vaiada na abertura da Copa do Mundo, em 12 de junho, no Itaquerão, a campanha do candidato do PSDB à presidência ensaia trazer o futebol para o debate eleitoral e explorar a derrota vexatória da da seleção de Luiz Felipe Scolari e Fred para atingir a candidatura da oponente.

Desde terça-feira, manifestações de lideranças do partido apontam essa possibilidade, incluindo o ex-deputado Francisco Graziano, coordenador do partido para ações nas redes sociais, que disse que Lula e Dilma “se ferraram” e que o “golpe publicitário” (a Copa) preparado pelo PT para as eleições deste ano “não deu certo”. O próprio Aécio escreveu que agora “é necessário mudar a seleção e mudar o país”.

Segundo reportagem de “O Estado de S.Paulo” desta quarta-feira (10), há uma divisão entre os partidários de Aécio: há aqueles que defendem que o assunto da Copa seja deixado de lado. Graziano e demais “pitbulls” advogam relacionar a derrota da seleção ao PT e a DIlma, embora o próprio Aécio tenha explorado sua relação com o futebol ao longo da Copa, por exemplo publicando imagens acompanhando os jogos em seu perfil no Facebook, e também apoiado a candidatura do Brasil a sediar a Copa, quando era governador de Minas Gerais.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, se posiciona contra essa estratégia. Lembrando 2002, quando o Brasil foi campeão mundial e José Serra — governista — foi derrotado por Lula, o tucano apontou, segundo o Brasil 247, que querer misturar as coisas “é um grande equívoco”.

No Entre Fatos
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'Vergonha passageira' não deve afetar sucesso fora dos campos, diz americano

Brasilianista acredita que trauma irá passar rápido
A dramática derrota por 7 x 1 sofrida pela seleção brasileira nesta terça-feira, no jogo contra a Alemanha, será uma "vergonha passageira" e não deve afetar a imagem do país, segundo o brasilianista Peter Hakim, presidente emérito do instituto de análise política Inter-American Dialogue, com sede em Washington.

"Vai passar muito rápido. Não acho que vá ter muito impacto na imagem do Brasil, em sua influência no mundo", diz Hakim.

Para ele, o sucesso da Copa do Mundo até agora — apesar da derrota da seleção brasileira — está apagando a imagem negativa que se formou sobre o Brasil durante os preparativos.

"Antes do início da Copa, houve muitas reportagens negativas sobre os preparativos do Brasil, na imprensa nacional e brasileira. Falavam sobre os fracassos do Brasil em se preparar para a competição de forma eficiente", disse Hakim à BBC Brasil.

O analista observa que as críticas eram de que os trabalhos estavam lentos, que o Brasil não conseguiria deixar tudo pronto a tempo e que a organização estava sendo feito de forma desleixada.

Segundo Hakim, essa imagem mudou após o início da competição, quando tudo correu bem.

"O fato é que os jogos em si correram extremamente bem, os estádios estão bonitos, multidões estão acompanhando, os protestos têm sido limitados. A Copa do Mundo está apagando a imagem do Brasil como de certa forma incompetente nos preparativos", afirma.

O analista afirma que, caso as previsões fossem corretas, o Brasil corria o risco de ser visto como um país de terceira classe em termos de capacidade de organização de infraestrutura.

"Mas isso já passou, a maioria está falando sobre como os jogos foram bem. O Brasil não será visto como bem-sucedido com sua seleção, mas será reconhecido como um país que cumpriu o que se esperava dele", acredita.
Eleições

Para o analista, o desempenho do Brasil no campeonato não deve ter impacto nas eleições.

Hakim afirma que os brasileiros "são espertos o suficiente" para garantir que o resultado em uma partida de futebol não afete o resultado de uma eleição.

"O futebol desperta paixões enormes (no Brasil), mas isso não significa que vá afetar a maneira como as pessoas votam."

Alessandra Corrêa
No BBC Brasil
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Gol da Alemanha

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Os EUA e Hitler

http://www.maurosantayana.com/


Um dos aspectos mais fascinantes da história, é que, por mais que se tente escondê-la, matá-la, enterrá-la, ela acaba, como um cadáver recém exumado que reabrisse as pálpebras para olhar quem o contempla, revelando, implacável e profundamente, seus segredos.

Um dos capítulos menos conhecidos, ao menos para o grande público, da história da primeira metade do Século XX, é o envolvimento de importantes nomes da elite e de grandes empresas norte-americanas com o hitlerismo, e com os crimes nazistas, incluindo a destruição e o genocídio de milhões de homens, mulheres e crianças, classificados pelos alemães como “sub-humanos” e “não-arianos”.

Segundo documentos descobertos em 2004, o avô do Presidente Geoge W. Bush, o senador — e banqueiro — Prescott Bush (1895-1972), não apenas colaborou com colaboradores do regime nazista, antes e depois da chegada de Hitler ao poder — até o ano de 1942, quando os ativos da companhia que dirigia foram tomados pelo governo norte-americano, com base em lei que proibia negociar com o inimigo - mas também que suas ligações com o magnata alemão Franz Thyssen, a quem representava nos EUA, foram fundamentais para a ascensão política e a consolidação da fortuna de sua família.

As ligações de Prescott Bush com Thyssen, e, por extensão, com o regime nazista, teriam, possivelmente, permanecido ocultas, se os Bush não tivessem sido processados em milhões de dólares, mais tarde, por danos morais e físicos, por dois ex-trabalhadores escravos do campo de extermínio de Auchwitz, que em seu cativeiro trabalharam para empresas alemãs, de alguma forma ligadas ao avô do ex-presidente dos EUA.

São conhecidas as ligações de Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, com o antisemitismo, a ponto do inventor do Ford T ter sido condecorado por Hitler.

Mas talvez uma das histórias mais impressionantes do envolvimento de grandes ícones norte-americanos com o nazismo, seja a da IBM, a emblemática International Business Machines, que esteve ligada à Alemanha desde o início.

A IBM foi fundada por um filho de alemães, Hermann Holerith, que, trabalhando para o American Census Bureau, o escritório de estatisticas dos Estados Unidos, desenvolveu um sistema de cartões perfurados e de classificadoras mecânicas para o recenseamento populacional norte-americano, no final do século XIX.

Nascida com o nome de Tabulating Machine Company, a IBM foi fundamental para a contagem, identificação e classificação, com base em características familiares e “raciais” da população alemã e da Europa ocupada pelos nazistas.

Para isso, ela desenvolveu, sob medida, um sistema que permitiu separar e matar, rapidamente cerca de 9 milhões de vítimas, não apenas judias, mas ciganas, homossexuais, Testemunhas de Jeová, comunistas, socialistas, etc e etc. Todas identificadas, da prisão à morte, por um número tatuado no antebraço, e por um cartão perfurado com as informações relativas a cada prisioneiro.

A história, de Hermann Hollerith a Thomas J. Watson, o homem que levantou, de fato, a IBM, e a transformou em uma das mais poderosas empresas do século XX, pode ser lida, em português, no livro “A IBM e o Holocausto”, de Edwin Black, da Editora Campus.
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Busquem explicações dentro do campo


Quando escrevi, em um comentário no post abaixo, para que não buscassem explicações fora do campo, muita gente não entendeu. Vamos lá.

1- Muitos tentaram explicar o placar dilatado pelo nível de gerenciamento do futebol alemão. Se for por aí, pelo placar, Alemanha e Gana, que empataram em 2x2, estão no mesmo patamar de gestão.

2- Que o futebol é mal administrado, sabemos desde 1954, quando Flávio Costa afirmou que a maior paixão do brasileiro só tinha evoluído do túnel pra fora. Mesmo assim, com o que há de pior nas federações e confederações, encantamos o mundo em 1958/62/70/ 82, e ganhamos em 1994 e 2002. Isso não nega a urgência de reformulação, mas está longe de explicar a goleada de ontem.

3- Os que, por cálculo político, acham que a derrota trará dividendos à oposição vivem em Marte. Esta foi a Copa das Copas que, contrariando os prognósticos de articulistas da grande mídia, TV Globo em especial, arrancou elogios da imprensa internacional e encantou a todos os que vieram ao Brasil pela primeira vez. Aeroportos funcionando perfeitamente, estádios bem construídos, jogos de alto nível técnico e a nossa hospitalidade contribuíram para o clima de magia vivido nos últimos dias. Ninguém aqui ignora que nossa sociedade ainda é muito desigual, mas isso não anula a confraternização de povos vista em praias, ruas e estádios.

4- O surrado argumento de que o desempenho em campo reflete a sociedade brasileira é derrubado com uma simples pergunta: éramos melhores quando apresentávamos um futebol mágico? Vivíamos dias felizes na Copa de 70?

5- Parte do sucesso dos alemães se deve a uma bem traçada estratégia de RP. Li isso também. A escolha da camisa (com cores que estão na bandeira alemã) levaria a uma identificação imediata da torcida do Flamengo com a seleção germânica. Acreditar nisso é passar um atestado de idiotia no torcedor brasileiro, na sua capacidade de discernimento. Claro que o flamenguista, como qualquer torcedor, é brincalhão, gosta de tirar onda, mas sabe diferenciar as coisas. Ademais, cabe lembrar que Vitória, Sport e outros clubes têm camisas rubro-negras. E, cá entre nós, um bom RP aconselharia a administrar o jogo a partir do terceiro gol e não promover o massacre de 7x1.

6- A Copa termina domingo. Pode ser que a Alemanha, com o resultado obtido ontem, embale e ganhe a Copa. Ou não. Eu sei que os tempos são outros, mas em 1950, o Brasil venceu a Suécia por 7x1, a Espanha (com quem os uruguaios haviam empatado) por 6x1 e todos sabem qual foi o desfecho. Por isso o futebol é mágico, imprevisível e trágico. Repito: busquem explicações dentro do campo. É nele que os deuses estão.

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Sobre o viaduto da Copa, Aécio explica!

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