8 de jul de 2014

Plínio de Arruda Sampaio morre aos 83 anos em SP

Plínio de Arruda Sampaio, 83, ao lado da mulher Marieta e do filho Francisco 
Foto: Rosanne D'Agostino/G1
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Ângelo Calmon de Sá finalmente condenado à prisão

A Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1) condenou nesta terça-feira (8), por unanimidade, o ex-dono do Banco Econômico, Ângelo Calmon de Sá, e o ex-vice presidente da instituição, José Roberto de Azevedo, a pelo menos sete anos de prisão, em regime semiaberto, por crimes contra o sistema financeiro. A Justiça ainda vai calcular a pena final, que pode chegar a oito anos e dois meses.

Os condenados poderão recorrer em liberdade ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). De acordo com a denúncia do Ministério Público, entre maio e junho de 1995, o Banco Econômico fez empréstimos fradulentos e remessas ilegais de dinheiro para o exterior, tendo movimentado mais de R$ 98 bilhões em operações apontadas como ilegais.

Os advogados dos réus não compareceram à sessão para apresentar defesa.

O TRF1 analisou nesta terça recurso do Ministério Público e do Banco Central contra uma decisão da primeira instância da Justiça que havia absolvido os dois ex-dirigentes do banco.

No julgamento desta terça, Ângelo Calmon de Sá foi condenado por gestão fraudulenta, mas foi liberado da punição por dois outros crimes, que prescreveram devido ao fato de o réu ter mais de 70 anos.

O ex-vice-presidente do banco, José Roberto de Azevedo também foi punido por gestão fraudulenta e ainda teve outras duas condenações por evasão de divisas e operações irregulares de câmbio.

O relator do caso no TRF1, desembargador Ney Bello, afirmou que houve "gestão temerária" por parte da direção do Banco Econômico. Segundo ele, os empréstimos fradulentos causaram a falência do banco, o que gerou uma crise econômica na década de 1990.

"[O crime] acarretou dano para um volume considerável de pessoas e para o sistema como um todo", afirmou o desembargador.

O voto de Ney Bello foi seguido pelos demais juízes, e a pena chegou a ser aumentada em d anos depois que os integrantes da 3ª Turma concordaram com a proposta da desembargadora Mônica Sifuentes, que fixou a pena base em 7 anos. Inicialmente, o relator do caso havia estabelecia pena de 5 anos.

"O Banco Econômico atuou no mercado financeiro promovendo empréstimos vedados de mais de R$ 98 bilhões, causou significativo impacto financeiro no mercado, com consequências funestas para a economia em geral e para aqueles que acreditaram no sistema e na credibilidade deste banco", disse Monica Sifuentes.

Os ex-dirigentes do Banco Econômico também foram condenados a pagar cerca de R$ 600 mil de multa cada um, em valores ainda não corrigidos.

Ajuda de FHC

Na época em que os ex-dirigentes do banco foram denunciados, a instituição estava em dificuldades econômicas e recebia ajuda do Banco Central, por meio do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimetno do Sistema Financeiro Nacional (Proer), criado no governo tucano de FHC. Ainda em 1995, o banco sofreu intervanção do Banco Central e entrou em liquidação judicial no ano seguinte.
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Les Rebelles Du Foot / Os Rebeldes do Futebol

Documentário — França, 2012, 92 min. — Direção: Gilles Perez, Gilles Rof

Inspirador!

Documentário fabuloso e extremamente bem produzido narrado por Eric Cantona sobre os jogadores que fizeram mais do que partidas de futebol, eles se arriscaram contra regimes violentos para fazer de suas pátrias um lugar mais justo, lutaram pela liberdade de peitos abertos quando o diálogo não existia e quando a opressão dominava.

Comentários de Fut Pop Clube:

Produção francesa de Gilles Perez e Gilles Rof muito bem ancorada pelo (ex?) bad boy Eric Cantona. Ele costura as histórias de cinco rebeldes escolhidos: Didier Drogba, colaborando para a paz na sua Costa do Marfim; o argelino Rachid Mekhloufi, que trocou o sucesso no Saint-Étienne pela causa (e time!) da Frente de Libertação Nacional no seu país, quando dominado pela França; o chileno Carlos Caszely, ex-atacante do Colo Colo, Levante, Espanyol e seleção chilena, que teve a coragem de se recusar a apertar a mão de Pinochet, quando o ditador estava no poder; o bósnio Pedrag Pasic, que encarou as consequências da guerra em Sarajevo, e encerrando o programa, o doutor Sócrates e a democracia corintiana. Emocionante!



No Docverdade
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Manifesto Olavette




Das trevas veio a luz, da luz veio o saber,
E do saber nasceu aquele que vai ser,
O grande salvador desse nosso país,
Ameaçado por um plano mesquinho e infeliz.

Sobre essa nossa terra andam vários traidores,
Infiltrados no governo, na mídia e em todos os setores,
Soldados de uma guerra que já aconteceu,
E matou trilhões, mas ninguém percebeu.

O grande irmão MEC, doutrinando a escola,
O Bolsa-qualquer-coisa comprando voto com esmola,
O plano demoníaco que está pra acontecer,
E vai pintar de vermelho o novo amanhecer.

Será que ninguém vê que isso foi desmascarado?
O mestre nos previu e nos deixou informados,
Não tenho evidência, e ele também não,
Mas fingimos ter certeza e gritamos de montão.

Em todos os lugares isso está acontecendo,
Na copa, no McDonalds e até no Flamengo,
A cor que traz a morte, e mata só de olhar,
O vermelho sanguinário que está a conspirar.

Mas calma, meus amigos, não comecem a chorar.
Mestre Olavo tá aí e o esquadrão vai nos salvar,
Olavo, Constantino, Azevedo e o escambau,
A liga dos coxinhas, que vai salvar geral.

O plano da esquerda é dominar a pátria,
Reviver o mestre Stálin, aquele que mais mata,
Mas não vamos deixar, essa merda acontecer,
Vamos postar hashtag: #ForaPT

Pode parecer insano mas eu digo, é real,
Há um plano illuminati, que vai dominar geral,
Começou com a Pepsi, e os fetos abortados,
E depois o mito do combustível foi criado.

Mas aí você pergunta: “Como posso confiar
em um cara que, sinceramente, nunca ouvi falar?”
Aí eu te respondo, meu amigo, veja os vídeos,
Ele é o grande gênio que refuta os antigos.

Newton, Einstein, Darwin, Galileu,
O mestre refutou, e dos 4 ele venceu,,
Ele não sabe de física, ou de qualquer ciência,
Mas finge que filosofa e o resto ele dispensa.

Já provei com uma carta que a Terra tá no centro,
Por meio da filosofia derrubei o movimento,
Newton tava errado, não explico, só reclamo,
Falo mal do seu diploma, saí da escola no 5º ano.

Galileu foi charlatão, mas astrólogos não são,
Heliocentrismo não tem prova. Por quê? Porque não.
Relatividade é lixo, tudo estranho, não provado,
Darwinismo tem Design Inteligente em todo lado.

Não sei quanto vale o Pi, mas de uma coisa eu sei,
George Cantor tá errado, de falso eu o acusei.
Aquecimento Global? Nem vem, isso é lorota.
Não importa o quanto tá derretendo aquela calota.

Foi trabalho de 2 hackers, invadiram a universidade,
E agora todo mundo acredita nessa fraude.
Pra finalizar, caso esteja duvidando,
Você é apenas um fanático e eu sou o soberano.
______________________________
Olavettes do mundo, uni-vos!

No SQN
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Fifa ameaçou processar editora de livro que denunciou máfia de ingressos

Livro do inglês Andrew Jennings, publicado em maio no Brasil, tem denúncias que levaram a prisão de executivo da Match
Os executivos da editora Panda Books tiveram um motivo especial para celebrar a prisão de Raymond Whelan, CEO da Match, empresa que detém exclusividade para venda de camarotes e pacotes corporativos em eventos da Fifa. A operação que levou a Polícia Civil ao executivo na última segunda-feira foi deflagrada após denúncias contidas no livro "Um jogo cada vez mais sujo", escrito pelo jornalista inglês Andrew Jennings e lançado no Brasil pela empresa. Há menos de três meses, os responsáveis pela publicação receberam ameaças por causa da obra.

Pensando em aproveitar o furor causado pela proximidade da Copa, a Panda Books agendou o lançamento de "Um jogo cada vez mais sujo" para 5 de maio deste ano. No dia 22 de abril, a empresa enviou um trecho para o jornalista Juca Kfouri, como estratégia de divulgação. O excerto escolhido foi o capítulo 7, que fala sobre a existência de uma máfia de desvio e revenda de ingressos.

"Ele publicou no blog assim que viu o teor e percebeu a bomba que era. No dia seguinte, recebemos uma notificação extrajudicial do escritório de advocacia do Francisco Mussnich dizendo que a Fifa soube do teor do livro e que nós seríamos processados. Foi uma coisa forte, que faria qualquer pessoa com menos segurança deixar de publicar o livro. Eram umas dez páginas com um milhão de ameaças, dizendo que todo o regulamento de ingressos estava publicado no site e que aquilo tudo no livro era mentira. Mandaram também para o Juca e pediram que ele se retratasse. Recebemos por e-mail, e depois por correio", relatou o jornalista Marcelo Duarte, um dos sócios da Panda Books.

O escritório de advocacia da Match em Londres enviou à editora um e-mail com teor semelhante. As ameaças motivaram uma reunião entre os sócios da empresa. "Nós perguntamos: 'E agora?'. Sabíamos que viria chumbo pesado. Conversamos então com o Andrew e dissemos que estávamos ameaçadíssimos. Ele mesmo escreveu para o advogado da Match dizendo que queria ficar na frente dos irmãos Byrom [donos da empresa], falar coisas para eles e mostrar documentos. Fazia cinco anos que ele vinha tentando um encontro com eles, e eles negando. Depois desse contra-ataque eles sumiram", disse Duarte.

Foi o próprio Duarte que teve a ideia de traduzir a obra de Jennings para o português. Em 2010, quando esteve na África do Sul para acompanhar a Copa do Mundo, o brasileiro viu em uma livraria o livro "Jogo sujo", escrito pelo inglês.

"Escrevi para o Andrew perguntando se ele tinha um agente, e ele mesmo negociava as coisas. Era um livro que já havia sido traduzido para vários idiomas, mas não para o português. Compramos os direitos e publicamos aqui", contou Duarte. Jennings esteve no Brasil para um seminário sobre jornalismo investigativo, e isso ajudou a alavancar a obra, que vendeu mais de 30 mil exemplares no Brasil.

No fim de 2013, Jennings escreveu para a editora no Brasil e avisou que estava trabalhando em um novo livro. A editora queria lançar a obra antes da Copa, e para isso o jornalista teve de mandar os capítulos separadamente.

"Ao ler os originais eu tomei um susto com o capítulo sete, com bastidores da venda de ingressos. Eu sou um dos brasileiros que tentaram comprar ingressos para a Copa e vi como funcionam as coisas", disse Duarte. "Só consegui comprar na segunda fase de vendas porque o meu filho ficou tentando de madrugada. E aquela coisa que a gente sonhava, de abertura e encerramento...", completou.

Desde as primeiras notícias sobre o livro, Duarte tem feito um clipping sobre a obra e enviado para Jennings as principais manchetes. Na segunda-feira, ao saber que Whelan havia sido preso, o inglês respondeu por e-mail: "Esse é o maior. Ray sabe de tudo. Espero que ele fique em [Complexo Penitenciário de] Bangu por cinco ou dez anos ou que aceite falar as coisas".

Whelan foi identificado em operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro como elo entre a Fifa e uma quadrilha que desviava e comercializava ingressos. Na terça-feira da semana passada, 11 pessoas já haviam sido presas por causa disso, incluindo o franco-argelino Lamine Fofana, apontado inicialmente como o líder do grupo.

"Quando a gente descobre que era tudo verdade, comemora por ver que foi uma coisa que chegou à Match, que é o ponto. O Andrew diz que a Match não faz nada sem aval da Fifa. Ele diz que se for parar nesse cara é que as investigações escolheram um laranja. É impossível que a Fifa não saiba. Tudo isso está escrito no livro, e agora está vindo à tona", comemorou Duarte.

No Uol
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E o hexa virou hepta


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Venezuela: Caracas, falência total

É difícil encontrar no mundo um meio urbano que tenha retrocedido tanto na última década. Passando de ser um local de prosperidade e esperança a uma cidade de desemprego e pobreza, na qual as pessoas fogem em massa à procura de uma vida melhor que aqui veem negada. Neste caso não adianta dissimular ou tentar ocultar a realidade por maiores ou menores simpatias políticas.

Trata-se de dados objetivos, de fria realidade impossível de mascarar.

O desemprego é uma das chaves. Os dados oficiais assinalam um desemprego de 18,1%. Mas as autoridades reconhecem que a percentagem está completamente maquilhada e que alcança na realidade os 50%. Metade da população não tem emprego. Muitos carecem por completo de rendimentos. Um enorme drama social comparável ao dos países mais empobrecidos do planeta.

A situação da administração pública é simplesmente caótica. Tanto que pode ser dito, sem medo a se enganar, que a urbe se encontra em situação de verdadeira falência, incapaz de assumir as dívidas nem de desenvolver suas obrigações em infraestruturas ou em funcionamento dos serviços públicos essenciais, deixando desabrigados os seus habitantes.

Êxodo

O êxodo populacional foi uma constante nos últimos anos, o que tem significado que dezenas de milhares de casas, centenas de edifícios tenham ficado devolutos, mortos. Uma cidade fantasma começa a se configurar sobre as ruínas da que já foi urbe dinâmica, viva, orgulho de seus habitantes e do conjunto do país, que atraia pessoas do resto de cidades e estados.

Os especialistas discordam a respeito de qual seja a dívida real da cidade. 20.000 milhões de euros para alguns. Outros levam-na até os 30.000. Uma dívida que arrasou com o público mas também com numerosas empresas privadas que nem cobraram nem cobrarão e que despediram milhares de pessoas.

O problemas multiplicam-se. A atmosfera fica a cada vez mais irrespirável. A conflitualidade social é inclusive baixa, para a gravidade das circunstâncias que atravessa a maioria da população, que em poucos anos viu cair a pique os seus parâmetros de qualidade de vida.

O desastre vai in crescendo de mês a mês. Dia-a-dia. Agora, destacam as numerosas vítimas dos cortes de água. Milhares de pessoas que por não poder fazer frente aos pagamentos, ficam sem esse elemento substancial para a vida -para fazer de comer, para lavar-se, para limpar sua roupa e seus próprios lares- que é contar com água corrente em suas casas.

Pessoas, famílias, colégios ou instituições, com atraso há mais de dois meses no pagamento do recibo da água, veem como se lhes corta o serviço em uma mostra de absoluta falta de humanidade.

Calcula-se que 30.000 lares ficarão sem água este verão. Tanto que ativistas sociais, completamente desesperados pelo que está ocorrendo, decidiram pedir a ajuda de Nações Unidas.

Todo o que lhes conto é verdade. Salvo um detalhe. Não é Caracas a cidade afetada. É Detroit, nos Estados Unidos. Se fosse Caracas, a notícia abriria telejornais e seria eixo dos debates radiofónicos e as tertúlias televisivas. O jornalismo, a informação, também, se encontram em estado ruinoso, em falência total, há muito tempo. E não só em Detroit.

Enrique Bethencourt
No Diário Liberdade
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Chefão da mídia é preso... na Inglaterra

Se ocorresse no Brasil ou na Venezuela seria a maior gritaria. Mas foi no Reino Unido, uma monarquia liderada pela “chavista” Rainha Elizabeth II e governada pelos “esquerdistas” do Partido Conservador de David Cameron. Na sexta-feira passada (4), a Justiça britânica finalmente concluiu o processo sobre o escândalo das escutas telefônicas ilegais e subornos de autoridades patrocinados pelo império midiático de Rupert Murdoch. O jornalista Andy Coulson, ex-editor-chefe do tabloide "News of the World", foi condenado a 18 meses de prisão. No mesmo dia, ele foi conduzido do tribunal para um presídio de segurança máxima, de onde será transferido para uma penitenciária de “presos considerados não perigosos”.

A decisão da Justiça britânica é histórica e abala o poder das ditaduras midiáticas em todo o mundo. O tabloide sensacionalista, com 168 anos de existência, já havia sido extinto em 2011 em decorrência do escândalo. O próprio Rupert Murdoch, o seu filho e outros chefões do império foram levados ao banco de réus. A maior punição sobrou somente para Andy Coulson, que foi editor-chefe do “News of the Word” de 2003 a 2007. A prisão desgasta ainda mais a imagem do primeiro-ministro David Cameron. Em 2010, o jornalista foi contratado como assessor de imprensa do premiê após ter trabalhado para ele no Partido Conservador. Coulson só deixou o cargo no ano seguinte, depois da revelação do escândalo.

O texto da sentença da Justiça não dá brecha a dúvidas. Afirma que o jornalista “sabia disso [das escutas ilegais] e estimulou quando deveria ter parado... É clara a evidência de que havia concordância com grampos telefônicos enquanto Andy Coulson era editor”. Além o ex-chefão, outros três jornalistas, subordinados a ele, foram condenados. Neville Thurlbeck e Greg Miskiw pegaram seis meses de prisão e James Weatherup teve uma pena de 200 horas de serviços comunitários. O detetive particular Glenn Mulcaire também deverá prestar serviços comunitários por seu envolvimento no caso. Já a antecessora de Coulson, Rebekah Brooks — braço direito de Rupert Murdoch —, foi estranhamente absolvida.

A histórica decisão da Justiça britânica deveria servir de exemplo para os barões da mídia brasileira, que também costumam desrespeitar as leis e a Constituição, colocando-se acima do Estado de Direito. Como argumenta o blog de José Dirceu, fuzilado num julgamento midiático, no Brasil “a mídia reina absoluta, sem lei nem autoridade que coíbam seus abusos, sem temer a nada nem a ninguém. É o verdadeiro império dos barões da mídia, dominada por meia dúzia de família que detém o monopólio da comunicação, da informação — e da manipulação”. O blog lembra o caso da invasão da privacidade do ex-ministro, em 2012, quando um repórter da revista Veja utilizou imagens internas de um hotel de Brasília.

“Passados mais de dois anos daquela barbaridade, um verdadeiro crime, não aconteceu nada”, critica o blog. “E coisas estranhas e inexplicáveis aconteceram com o processo que corria em Brasília contra o repórter da Veja. O delegado Edson Medina de Oliveira, que presidiu o inquérito e indiciou o repórter Gustavo Ribeiro, recomendando ainda ao Ministério Público Distrital que seguisse com o processo na Justiça, foi afastado da 5ª DP-DF sem qualquer explicação. Em 19 de dezembro de 2012, o promotor Bruno Osmar Freitas pediu o arquivamento do caso”. Pouco tempo depois, descobriu-se que as imagens ilegais foram negociadas entre o mafioso Carlinhos Cachoeira e o diretor da revista, Policarpo Junior!

Se este “verdadeiro crime” tivesse ocorrido no Reino Unido, possivelmente o repórter e o diretor da Veja seriam processados. Já no Brasil, “não aconteceu nada”, o que mostra “a dificuldade para se levar ao devido termo um processo contra um veículo de comunicação, mesmo que fique comprovado que ele cometeu uma transgressão à lei, mesmo que inquéritos tenham sido instaurados e que os fatos tenham sido devidamente documentados. Já na Inglaterra, oito meses depois de iniciado o julgamento de um dos implicados no crime de invasão de privacidade e suborno a funcionários da máquina estatal, se tem a primeira condenação. Na Inglaterra o escândalo resultou numa lei de regulação da mídia. Já aqui...”.

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Das vitórias do Brasil neste mundial, a maior delas é o pontapé na bunda da Fifa

Valcke e Blatter
Se o Brasil saiu vitorioso nesta Copa do Mundo, a Fifa é uma derrotada, uma velha desmoralizada metida a dar lições.

Há uma justiça poética nisso. Nos últimos anos, o secretário-geral Jerôme Valcke e o presidente Joseph Blatter se dedicaram a bater na organização do torneio de uma maneira calhorda e oportunista, sabendo que teriam ampla cobertura.

Valcke chegou a dizer que os brasileiros precisavam de um “pontapé na bunda” e que os preparativos estavam em “estado crítico”.

Para ele, o Brasil não era “a Alemanha”. Mudou de opinião recentemente. Blatter, entre outras caneladas, afirmou que “é o país com mais atrasos desde que estou na Fifa e foi o que teve mais tempo, sete anos, para se preparar”.

São observações que deixam patente a suposta superioridade da federação ao se referir a um país atrasado, povoado por vagabundos que não saem da praia e governado por ladrões incompetentes.

A empáfia deu lugar à resignação, depois à mudança de discurso e à vergonha. Pode levar ainda à cadeia.

A empresa Match Services, parceira da Fifa, está sendo investigada pela venda ilegal de ingressos. É algo que de que se ouve falar há muito tempo, mas que só foi exposto desta maneira no Brasil. O diretor da Match foi preso no Copacabana Palace (solto no dia seguinte). A operação foi elogiada pela Scotland Yard.

Entre os bilhetes apreendidos, aparece um com o nome de Humberto Mario Grondona, filho mais velho do vice da Fifa, Julio Grondona. A Match teria ligação com um sobrinho de Blatter.

Em áreas sob sua responsabilidade, como a segurança, a entidade falhou. Houve duas invasões de torcedores, chilenos e argentinos, no Maracanã; gente sem tíquete conseguiu entrar em algumas partidas; registraram-se casos de roubos e furtos. No campo, houve a orientação para os árbitros não darem cartão, com os resultados que conhecemos.

O Brasil está dando um pontapé no traseiro de um sócio picareta. Não é pouca coisa. De todas as viradas de jogo de um mundial espetacular, talvez esta seja a mais importante.

Kiko Nogueira
No DCM
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Tio de Ronaldo Caiado entra na 'lista suja' do trabalho escravo

Ronaldo Caiado
O pecuarista Antônio Ramos Caiado Filho, tio do deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO), está entre os 91 incluídos pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na atualização semestral da relação de empregadores flagrados com trabalho escravo, a chamada “lista suja”.  Ele foi considerado responsável por submeter quatro pessoas a condições degradantes e a jornadas exaustivas na produção de carvão em sua fazenda em Nova Crixás, cidade localizada a 400 quilômetros de Goiânia e um dos redutos eleitorais da família. Os resgatados afirmaram que foram obrigados a cumprir jornadas de até 19 horas seguidas, “das 2h às 21h”, nas palavras de um dos trabalhadores.

Os carvoeiros trabalhavam no local há cerca de um ano quando equipe de fiscais do MTE, procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) e agentes da Polícia Rodoviária Federal chegaram ao local, em abril de 2013. Os trabalhadores produziam carvão vegetal em 12 fornos, sem qualquer equipamento de proteção individual como máscaras ou luvas. Eles trabalhavam vestindo chinelos e bermudas, sujeitos a contato direto com o pó e a fumaça resultantes da queima do carvão.

Os trabalhadores também moravam no local, mas seus alojamentos estavam em condições precárias. A fiscalização apurou que eram barracos construídos “com placas de cimento e telha de amianto” próximos às carvoarias, “situação que somada ao forte calor da região (36º C) e à falta de ventilação dos locais, deixava quase insuportável a permanência dos trabalhadores”, de acordo com o relatório produzido. Além disso, as camas eram improvisadas e os colchões fornecidos estavam “imundos”. Os auditores fiscais também verificaram que as jornadas de trabalho iam muito além do regular. Uma das vítimas afirmou que trabalhava "das 2h às 21h e ainda acordava algumas vezes durante a noite para ‘corrigir os fornos".

Na fazenda em que os trabalhadores foram resgatados são criadas 2.500 cabeças de boi ao longo de 6.400 hectares ­— o equivalente a 15 mil campos de futebol. O pecuarista nega ter responsabilidade sobre as condições a que os carvoeiros foram submetidos. Ele afirma que a área havia sido cedida em regime de comodato a um terceiro, e que sequer foi ao local em que a produção de carvão acontecia. Afirma ainda que a madeira é resultante de árvores que pegaram fogo na fazenda e que foram vendidas por 10 mil reais para o carvoeiro, que escravizou o grupo para processar o material.

De acordo com o relatório de fiscalização, porém, “não há nenhum indício de que tal contrato fora firmado contemporaneamente à pactuação”, e que, além disso, ele não poderia ser considerado legal, porque não havia licença ambiental para a extração de madeira na área. A fiscalização concluiu ainda que o acordo “mais se assemelha à figura jurídica da parceria extrativista, em razão da existência de partilha de produtos e lucros da atividade desenvolvida”, já que o pecuarista também tirou proveito econômico da situação. Segundo os auditores, o produtor de carvão também removia árvores da fazenda de Antônio para transformar em carvão e, consequentemente, aumentar a área do pasto.

Na Justiça

O tio do deputado defende que a fiscalização tem cunho político. “Querem criar caso comigo, prejudicar talvez o Ronaldo (Caiado)… Não sei a origem dessa história”, diz o fazendeiro, que nega que lucrou com a escravidão de pessoas em sua fazenda. “É tudo mentira. Não vão provar nunca, se quiserem me responsabilizar por isso, vão responder.”

Após o flagrante, os advogados de Antônio entraram com processo na Justiça do Trabalho contra a Superintendência do Trabalho e Emprego de Goiás (SRTE-GO) e tentaram, via liminar, impedir que Antônio fosse incluído na “lista suja”, a exemplo do que fizeram a OAS e o grupo GEP. O pedido, no entanto, não foi aceito pelo juiz do caso. Ao entrar na relação, Antônio e os demais empregadores ficam impossibilitados de receber financiamentos públicos e de diversos bancos privados, além de não conseguir fazer negócios com as empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.

Família Caiado

Emival Caiado
É o segundo caso de trabalho escravo envolvendo a família do parlamentar. Em 2010, 26 trabalhadores foram resgatados em fazenda de propriedade de Emival Ramos Caiado, primo do deputado e irmão de Antônio. O parlamentar, que cumpre sua quinta legislatura, foi um dos 29 deputados que votaram contra a PEC do Trabalho Escravo em 2012, e tem se pronunciado em favor da mudança da definição de escravidão contemporânea na lei brasileira. Hoje, este crime está previsto no Artigo 149 do Código Penal, que inclui a caracterização de escravidão por condições degradantes e jornadas exaustivas.

Deputados e senadores da Frente Parlamentar da Agropecuária, a chamada Bancada Ruralista, da qual Ronaldo Caiado faz parte, têm defendido uma nova definição mais restrita, que contemple apenas ameaças físicas e medidas diretas de cerceamento de liberdade. A pressão por mudanças na definição levou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) a se posicionar, em novembro de 2013, a favor do conceito atual.

A aprovação da PEC do Trabalho Escravo, promulgada como Emenda Constitucional 81, é considerada uma ameaça pelos ruralistas porque a medida prevê a expropriação de propriedades onde for flagrado o trabalho escravo. Ronaldo Caiado, além de integrante da Bancada Ruralista, é um dos fundadores e ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR), entidade criada com o objetivo de garantir e proteger a propriedade privada no campo.

Procurado pela Repórter Brasil, o deputado informou, por meio de sua assessoria, que não tem relação com o caso e não iria se posicionar sobre o assunto.

Stefano Wrobleski
No Repórter Brasil

No MST
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O desafio de levantar o entusiasmo empresarial


Um dos jornalões publica reportagem afirmando que Dilma Rousseff teria rompido com determinado empresário por conta de uma intriga palaciana, e estaria rompido com os empresários em geral, por falta de reconhecimento e de gratidão pelos apoios que deu à economia real — com desonerações de folha, isenções de IPI, linhas favorecidas de financiamento do BNDES etc.

Hoje em dia, o Padrão Fifa de Cobertura Jornalística obriga a se colocar em dúvida qualquer informação com viés político.

* * *

Se fosse verdadeira a informação, Dilma estaria errada de levar relações políticas e empresariais para o campo pessoal.

Mas, provavelmente, oito anos de exercício do poder como Ministra,  quase quatro anos como Presidente, já ensinaram a Dilma que — ao contrário da guerrilha — o cimento não são as lealdades pessoais, mas o jogo de interesses recíprocos.

Se a presidente, de próprio punho, assina uma portaria isentando determinado setor do pagamento do IPI, a gratidão estará garantida enquanto a caneta continuar necessária.

Por isso mesmo, a maneira de conquistar empresários não é através de favores pessoais ou setoriais, de mimos. É envolvendo-os em um projeto consistente e de longo prazo, em cima de ideias claras e valores explícitos.

* * *

Ao longo de seu governo, Dilma lançou uma série de medidas beneficiando a economia real, algumas bastante relevantes:

1. O PSI (Programa de Sustentação do Investimento), financiando a compra de caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e bens de capital;

2.  Reintegra, sistema permitindo a devolução de impostos pagos na produção pelos exportadores;  

3. preferência nas compras públicas para pequenas e micro empresas nacionais;

4. redução de IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados);

5. o conteúdo nacional nas plataformas da Petrobras;

6. os editais da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), garantindo financiamento e investimento em diversos setores estratégicos da economia, especialmente na saúde e defesa.

7. dois planos de safra excepcionais.

* * *

Qual a razão, então, para tanto mal estar empresarial?

A primeira, são as dúvidas sobre a condução da política econômica. As trapalhadas de Guido Mantega, Ministro, e de Arno Agustin, Secretário do Tesouro, calaram fundo no estado de ânimo empresarial. Não por eles, propriamente, mas por terem se tornado o símbolo maior da teimosia da Presidente. A teimosia gerou atrasos no programa de concessões, problemas com o novo modelo elétrico. A saída de ambos seria um sinal de mudança de estilo.

* * *

A segunda, a dispersão de incentivos e estímulos sem um norte claro.

O atual momento da economia brasileira e mundial exige uma definição de prioridades, uma clareza sobre o papel que a indústria brasileira buscará no mundo globalizado, nas cadeias internacionais e uma visão sistêmica de como avançar.

Trata-se do grande desafio do próximo mandato, seja de quem for. E a arma para a cooptação dos empresários não serão benefícios pontuais e programas, mesmo que relevantes, apenas, mas conceitos claros, ideias-força. E um(a) presidente que saiba levantar a auto-estima nacional e envolver todo o país na guerra da competitividade e do desenvolvimento sem perder o foco social.

Luís Nassif
No GGN
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Ingressos custam até 337% mais no Facebook

Grupos fechados de interessados em adquirir entradas para os jogos finais da Copa são palcos de aumento dos preços, como o rapaz que ofereceu o apartamento no Rio por um bilhete para a decisão no Maracanã

Ingressos recebem valores muito superiores em grupos do Facebook.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Ainda é possível comprar ingressos para as três partidas finais da Copa do Mundo deste ano, mas por valores muito superiores aos padrões que a FIFA estabeleceu desde que iniciou a venda de bilhetes, no ano passado. Até as oitavas de final do torneio, a entidade ainda disponibilizava algumas cargas de entradas em seu site durante as madrugadas, conforme mostrou Brasileiros. Como estes ingressos praticamente se esgotaram, os que continuam no mercado estão nas mãos de cambistas ou pessoas comuns que os adquiriram nestas janelas e agora estão revendendo em grupos no Facebook por preço que chegam a 337% do preço original.

Na madrugada desta terça-feira (7), o administrador de uma das maiores comunidades de troca de ingressos na rede social — que tinha a presença de cerca de 23 mil pessoas — decidiu cancela-lo. Em sua mensagem final, disse que a situação “ficou sem controle. Onde era apenas uma troca de ingressos ou venda por preço de custo se tornou um negócio profissional, onde cambistas se escondem e prejudicam gente de bem”. Um dia antes de sua mensagem, uma rapaz sem fotos pessoais em seu perfil ofereceu entradas de “categoria 2″ para o jogo entre Brasil e Alemanha, nesta terça, em Belo Horizonte, por R$ 3850,00 reais ou R$ 7700 reais por dois bilhetes. No site da FIFA, este mesmo ingresso valia R$ 880 reais quando estava disponível. O acréscimo foi de R$ 2.970 reais ou 337% do valor. 

Outro homem, também sem fotografias que o identificasse, chegou a oferecer um contrato de aluguel de dez dias em seu apartamento, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, durante o Carnaval de 2015. Segundo ele, este período custaria R$ 9 mil reais normalmente, valor pelo qual ele acredita que é possível trocar por uma entrada para a decisão do Mundial, no dia 13 de julho, no Maracanã. Há ainda outro exemplo negativo: um jovem de Brasília questionou os membros do grupo se era possível adquirir ingressos para a área destinada aos cadeirantes. “Será que seria desonesto ficar tentando o [ingresso] de cadeirante e achar alguém para eu ir de acompanhante?”, publicou. Em uma das respostas, um rapaz adverte que ele pode ser processado caso seja descoberto. Um dos membros do grupo, o jornalista Guilherme Costa recebeu uma oferta de R$ 18 mil reais em um bilhete para a semifinal que será disputada em São Paulo, nesta quarta-feira. “Poderia ser a categoria ‘Fred’, de dentro do campo, que eu não compraria um ingresso por esse valor”, brinca ele.

Procurada pela reportagem, a FIFA manteve a informação dada na semana retrasada, de que continuará vendendo algumas cotas de ingressos que sobraram pelo seu site oficial, de preferência durante a madrugada. Na noite passada, alguns torcedores conseguiram bilhetes para as partidas desde meio de semana, mas não conseguiram comprar para a partida de decisão de terceiro e quarto lugar, em Brasília, no sábado (12), e a final, no Maracanã, no domingo (13).

No Brasileiros
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Hipóteses

Há duas maneiras de imaginar como a ausência do atacante Neymar pode ajudar o Brasil, hoje, contra a Alemanha, no Mineirão.

Pela glória — Nosso time entra em campo emocionado. A segunda parte do hino, cantada a capela pela torcida, só aumenta a emoção. Estão todos decididos a jogar como nunca antes em suas vidas, jogar pela glória e pela reputação de cada um, mas, principalmente, jogar pelo Neymar.

A mensagem de incentivo que o Neymar mandou antes do jogo lhes encheu o coração e lhes deu ainda mais ânimo.

Todos se superam e entram nas bolas divididas como se estivessem definindo os destinos da pátria. A Alemanha pode ter mais time, mas não tem a ausência do Neymar. A inspiradora falta de Neymar guia os passos e os passes dos nossos jogadores. Que vencem o jogo e dedicam a vitória ao companheiro abatido.

Esta é a hipótese lítero-sentimental. Deu certo em vários filmes americanos, não há por que não dar certo na vida real.

Por compaixão — A segunda hipótese é o time alemão entrar em campo constrangido. Não tem culpa pelo que aconteceu a Neymar, mas quer evitar que algo parecido aconteça de novo.

Em respeito à dor brasileira, jogam não como os alemães grandes, duros e impiedosos que são, mas como moças, simpáticas e solícitas.

Tiram o pé em todas as divididas e pedem perdão a cada esbarrão. O Müller chuta todas para fora, de propósito, e os outros preferem nem entrar na área brasileira, para não haver o risco de sair um gol por distração, e aumentar nosso martírio.

A Alemanha perde o jogo, por compaixão, e nós vamos para a grande final.

Esta é a hipótese Brasil-coitadinho. Não aposte nela.

Mix de sentimentos

A hipótese de uma final Brasil x Argentina provoca um mix de reações, que vão do "que maravilha!" ao "nem me fale!" e incluem a vontade que uma Copa do Mundo sensacional tenha um desfecho à altura e o temor de que se repita a Grande Desilusão de 1950, com argentinos no papel de uruguaios.

O que eu diria? Diria: "Que vengam!" — mas com voz trêmula.

Luís Fernando Veríssimo
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Lula, 9 de Julho e a contrarrevolução

É reconhecida a criatividade de Lula de fazer caracterizações políticas que alargam o imaginário popular para a compreensão política, além de promover importantes quebras de paradigmas na ardilosa conceituação conservadora sobre eventos históricos, quando estes são falsificados de modo grosseiro, invertendo seu real sentido histórico.

Lula surpreende positivamente ao declarar que o que o houve em 1932, quando a oligarquia paulista se lançou em armas contra a Getúlio Vargas, "foi uma contrarrevolução", nada a ver com uma revolução como querem os conservadores . De fato, foi uma rebelião oligárquica contra a industrialização e o avanço das conquistas trabalhistas. Lula questiona, com uma frase, o que toneladas de teses acadêmicas não lograram, fulminando o batismo daquele levante conservador de “revolução”, tal como se tentou crivar o golpe ditatorial de 64, como se revolução fosse.

Em 32, o conservadorismo apelidou de "Revolução" um movimento armado feito para defender os privilégios da oligarquia cafeeira, em conexão submissa aos banqueiros de Londres. Por isso é feriado estadual em São Paulo, cuja capital é , provavelmente, a única a não possuir uma Avenida Getúlio Vargas, como nas demais, em homenagem ao presidente que mais avanços econômicos e sociais promoveu no Brasil. 

Contrariando a ideia de um ”Brasil cordial”, em 1932 houve guerra civil. A desinformação conservadora, até hoje predominante, sonegou aos brasileiros o direito de saber que a classe operária paulista, solidária com Vargas, contribuiu com a sua vitória “abastecendo” as forças militares da direita paulista com granadas e balas contendo apenas areia. Lembremos: em 9 de julho de 1932, Vargas já havia convocado as eleições para o ano seguinte, para as quais foram instituídos o voto secreto e o direito das mulheres de votarem e de serem votadas, direito que a França só alcançou em 1945. Em 32, Vargas já havia iniciado a auditoria da dívida externa brasileira, reduzida à metade.

Nesta guerra civil, em defesa da legalidade, estavam JK, o Gonzagão, o Rei do Baião e um jovem estudante de direito mineiro, mais tarde presidente do Brasil: Tancredo Neves, que em agosto de 54, Ministro da Justiça, propôs a Vargas a resistência armada ao golpe da UDN. Ainda hoje, o embate ideológico de 1932 divide a política brasileira.

De um lado os defensores dos ideais da Revolução de 30, com seu programa de industrialização, desoligarquização do Brasil, expansão dos direitos trabalhistas, política externa baseada na integração latino-americana e independente dos ditames imperiais. De outro, os ainda defensores dos ideais do Movimento de 32, críticos do protagonismo do estado nas políticas públicas, hoje alinhados com FHC , proclamador da necessidade de “acabar com a Era Vargas”. Por isso a importância de debater criticamente esta data, em sintonia com a sinalização feita por Lula.

Beto Almeida
No Blog do Miro
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Desmascarar a Fifa, o maior legado da Copa no Brasil


A prisão no Copacabana Palace de Raymond Whelan, diretor da Match, o braço da Fifa para venda de ingressos, é mais um dos gols que a polícia brasileira faz nesta velha prática da transnacional do futebol e um legado inestimável nesta Copa brasileira.

Se já não bastassem todos os escândalos recentes que mancharam indelevelmente a imagem da Fifa, a implosão de seu esquema de câmbio negro — que, posso afirmar sem nenhuma dúvida, funciona, no mínimo, desde 1998, na França, com ramificações, inclusive, nos “terceirizados” da CBF, que funcionam da mesma maneira —, fere definitivamente a instituição.

Whelan, que tem fortes relações com a cúpula do COL, certamente é apenas mais um testa de ferro dos poderosos e quanto mais fundo a polícia for mais gente graduada encontrará.

Não nos esqueçamos que um sobrinho de Joseph Blatter está ligado, de uma forma ou de outra, à Match.

Se a Fifa se vingará em campo do Brasil com seus apitadores dissimulados e seus apitos amestrados é algo que deveremos observar atentamente já a partir de amanhã.

Como será interessante observar se a rede montada pelo cartola brasileiro docemente exilado pelo mundo afora também será desbaratada.

Aí, será uma goleada, a revanche justa para tantos “pontapés no traseiro brasileiro”.

Importante: a Match estava em contato com o Rio-16 para o projeto de hospitalidade da Olimpíada.

Uma das empresas investigadas pela polícia, a Jet Set Sports, parceira da Match, é também parceira da Tamoyo Turismo, há muitos anos “a agência do olimpismo brasileiro”.

No Pan-2007, no Rio, ainda sob o nome de Byron, não Match como a empresa passou a ser chamada, essa mesma turma prestou seus serviços de hospitalidade.

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FHC e Aécio Neves “passam recibo” sobre a Copa


"Passou recibo" é aquela expressão popular que se usa quando alguém dá uma bela mancada, tenta consertar e a emenda acaba ficando pior do que o soneto. Foi o que aconteceu com o ex-presidente FHC, o grande estadista venerado pela elite brasileira, e seu candidato, o senador mineiro Aécio Neves.

Diante do sucesso da Copa no Brasil, mundialmente reconhecida como a melhor de todos os tempos, os dois cardeais tucanos, que passaram o ano todo abastecendo a mídia amiga com previsões catastrofistas e criticando as ações do governo Dilma na organização do evento, para desgastar a candidatura da presidente à reeleição, resolveram mudar o discurso a partir do final de semana. Está voando pena para todo lado.

Começou com Aécio, logo ele, num evento da colônia japonesa, em São Paulo, ao criticar o uso político da Copa do Mundo:

"Alguns acham que podem confundir Copa do Mundo com eleição. Não, o brasileiro está suficientemente maduro para perceber que são coisas diferentes. Falo isso porque vejo uma tentativa de uma certa apropriação desses eventos para o campo político".

Alguns quem, cara pálida? Qual foi a apropriação? Quem foi que confundiu as coisas? Em qual "apropriação" o candidato justifica suas novas preocupações ao ver que tudo deu certo na organização da Copa? Qual foi até agora a ação governamental implantada para faturar o inegável sucesso do evento?

Sim, o povo brasileiro sabe distinguir futebol de política. Por isso mesmo, pega mal passar este recibo diante da reversão das expectativas funéreas da oposição e da maioria dos órgãos de comunicação do país.

"Pode ser que algumas pessoas estejam usando politicamente a Copa, eu não acho que se deva fazer isso. A Copa é um evento nacional, de todos nós. Tem espaço para fazermos muito gol, comemorarmos e ela perder a eleição", emendou Fernando Henrique Cardoso, usando quase as mesmas palavras do candidato tucano.

Que gracinha!, como diria a Hebe Camargo. Por que não dizer logo quem são estas "algumas pessoas"? Quer dizer que, quando se trata de responsabilizar o governo pelo anunciado fracasso da Copa no Brasil, que até este momento não se consumou, ao contrário, tudo bem, mas quando se trata de correr para o abraço, a vitória é "de todos nós"?

Com bom humor, a presidente Dilma Rousseff só se manifestou sobre a Copa pelo Facebook, ao responder a um internauta que quer mais Copa: "Antes falavam que não ia ter Copa. Agora, muita gente boa quer mais Copa". Na foto que ilustra a mensagem, Dilma mostra o cotovelo.

Desta forma, com sinais invertidos, vai terminando a Copa de 2014 no Brasil e começando a campanha eleitoral. De Porangaba, no interior, onde assisti a um belo desfile de tropeiros no final de semana, a Santo André, no ABC paulista, onde participei nesta segunda-feira de um animado debate sobre a conjuntura nacional, no Sindicato dos Químicos, vi um país em festa, que está enfeitado de verde-amarelo por toda parte.

E vida que segue.

Ricardo Kotscho
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