6 de jul de 2014

Avanços trabalhistas no governo Dilma

Antônio Augusto de Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), é considerado um dos maiores especialistas em questões trabalhistas no Brasil. Em artigo recente, publicado no site da entidade, ele listou as mudanças na área promovidas por Lula e Dilma. Para surpresa de muitos, ele concluiu que houve mais avanços na gestão atual. Diferentemente do reinado neoliberal de FHC, marcado pela regressão do trabalho — com explosão do desemprego, queda de renda, informalidade e desmonte da CLT —, os governos Lula e Dilma estacaram o retrocesso e garantiram importantes conquistas, mas a presidenta coleciona mais vitórias legais concretas.

“Embora não tenha recebido pessoalmente o movimento sindical com a mesma frequência do seu antecessor, a presidenta Dilma contribuiu fortemente para a melhoria da qualidade de vida do trabalhador brasileiro nos últimos três anos e cinco meses. Os avanços em sua gestão são inquestionáveis. As iniciativas políticas e opções governamentais nos campos econômico e político, apesar da crise internacional, priorizaram a geração de emprego e renda do trabalhador, a partir do fortalecimento do mercado interno, da recuperação do Estado como indutor do desenvolvimento e das legislações trabalhista e previdenciária”, destaca o dirigente do Diap, que enfatiza os avanços:

“Nos temas gerais, as políticas públicas contribuíram para a redução da pobreza, para o aumento do emprego e da renda, para o crescimento de oportunidades educacionais e para recuperação da autoestima dos trabalhadores, que voltaram a sonhar com a ascensão social. Em relação aos direitos trabalhistas, sindicais e previdenciários os avanços são igualmente inegáveis. De janeiro de 2011 a maio de 2014, foram transformadas em normas jurídicas pelo menos quatorze proposições, seja recuperando direitos suprimidos nos governos anteriores ao do presidente Lula, seja acrescentando novos, enquanto no governo Lula foram aprovadas nove normas legais”.

A lista elaborada pelo Diap é inquestionável e surpreendente.

Conquistas no governo Lula 
1) Lei 10.666/03, que dispõe sobre a concessão da aposentadoria especial aos cooperados de cooperativa de trabalho ou de produção e cria o Fator Acidentário de Prevenção (FAP); 

2) Lei 11.430/06, que garante, além do reajuste, aumento real dos benefícios previdenciários pagos pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) em 2006;

3) Lei 11.603/07, que altera a Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000, regulamentando o trabalho aos domingos para os comerciários; 

4) Lei 11.648/08, que dispõe sobre o reconhecimento formal e a legalização das centrais sindicais, uma conquista histórica do sindicalismo; 

5) Lei 11.738/08, que institui o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica; 

6) Lei 11.770/08, que cria o Programa Empresa Cidadã, destinado à prorrogação da licença maternidade de quatro para seis meses mediante concessão de incentivo fiscal às empresas que aderirem ao programa e ampliarem o benefício e altera a Lei 8.212, de 254 de julho de 1991; 

7) Lei 12.353/10, que assegura a participação dos empregados nos conselhos de administração das empresas públicas e sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas e demais empresas que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; 

8) Lei 11.948/09, que veda empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a empresas que tenham a prática de assédio moral; 

9) Emenda Constitucional 47/05, que dispõe sobre o sistema especial de inclusão previdenciária para atender a trabalhadores de baixa renda e àqueles sem renda própria que se dediquem exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde que pertencentes a famílias de baixa renda, garantindo-lhes acesso a benefícios de valor igual a um salário-mínimo.

Avanços no governo Dilma
1) Lei 12.551/11, que reconhece o Teletrabalho, ou trabalho a distância;

2) Lei 12.513/11, que amplia a formação profissional do trabalhador por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec);

3) Lei 12.506/11, que amplia o aviso prévio de trinta para até noventa dias;

4) Lei 12.469/11, que determina a correção anual da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física até 2014, e a MP 644, que atualizou o valor para 2015;

5) Lei 12.440/11, que cria a Certidão Negativa de Débito Trabalhista;

6) Lei 12.382/11, que institui a política de aumento real para o salário mínimo até 2015;

7) Lei 12.470/11, que institui o sistema de inclusão previdenciária para os trabalhadores de baixa renda;

8) Lei 12.761/12, que institui o Programa de Cultura do Trabalhador e cria o Vale-Cultura;

9) Lei 12.740/12, que institui o adicional de periculosidade para os vigilantes;

10) Lei 12.832/13, que isenta do imposto de renda até o limite de R$ 6 mil reais a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados;

11) Lei 12.865/13, que permite aos taxistas transferir para seus dependentes a outorga da licença;

12) Emenda à Constituição 72, que estende aos empregados domésticos os mesmos direitos dos trabalhadores urbanos;

13) Lei Complementar 142/13, que trata da aposentadoria da pessoa com deficiência;

14) Emenda à Constituição 81/14, que expropria propriedade urbanas e rurais nas quais sejam encontrados trabalho escravo ou análogo ou o cultivo de maconha;

A batalha da eleição presidencial
É certo que a presidenta Dilma Rousseff não soube capitalizar estes avanços — seja pelos graves problemas da sua área de comunicação na gestão da ministra Helena Chagas, da Secom, seja pela sua inabilidade no trato com o movimento sindical. Ela dialogou pouco com as centrais e adotou uma postura tecnocrática, distante. É certo também que os avanços ficaram muito aquém das demandas do sindicalismo. Bandeiras prioritárias, como a da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e a do fim do fator previdenciário, não tiveram a devida atenção do governo e frustraram as expectativas do movimento sindical. Mesmo assim, não dá para desconhecer os importantes avanços neste período.

Nada, porém, foi dado de graça. Todas estas leis — sejam as que atendem demandas específicas de categorias, como as que beneficiam os vigilantes ou os taxistas, sejam as de caráter mais classista, em especial a histórica conquista da PEC das trabalhadoras domésticas ou a PEC contra o trabalho escravo — foram fruto da intensa pressão do sindicalismo brasileiro. Ele soube combinar luta — com o aumento das greves e protestos nos últimos quatro anos — e capacidade de negociação. Ele agiu com firmeza e inteligência, evitando dois extremos perigosos — seja o da passividade bovina diante de um governo mais sensível às demandas trabalhistas, seja o do radicalismo estéril, que faz o jogo dos inimigos.

Mais fortalecido e respeitado, o sindicalismo brasileiro está agora diante de uma batalha decisiva. As eleições de outubro definirão os rumos do país. Qualquer novo avanço trabalhista depende da questão política, da correlação de forças que nasça do pleito de 2014. Não dá para se omitir nesta batalha estratégica. O sindicalismo não pode ficar preso às questões economicistas e corporativas. Ele deve jogar um papel protagonista na campanha eleitoral, interferindo ativamente na disputa política e apostando tudo na politização dos trabalhadores. O fundamental agora é evitar o retrocesso, que hoje está representado pelas candidaturas de Aécio Neves, o neoliberal tucano, e do dissidente Eduardo Campos.

A reeleição de Dilma Rousseff é a única alternativa real que permite o avanço dos trabalhadores na luta por seus interesses imediatos e futuros!

Altamiro Borges
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Em 4 anos, Aécio fica 303% mais rico e Dilma, 64%


Os principais candidatos à Presidência da República neste ano, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), registraram aumento patrimonial de, respectivamente, 64% e 303%, desde 2010. Eduardo Campos (PSB), que aparece em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, aumentou seu patrimônio em 5% nos últimos quatro anos.

Aécio ficou R$ 1.873.938,23 mais rico desde 2010, quando disputou uma vaga de senador por Minas Gerais. Naquele ano, ele informou à Justiça Eleitoral possuir um patrimônio que corrigido pela inflação atual equivaleria a R$ 617.938,42. Neste ano, o valor ficou em R$ 2.491.876,65.

O bem mais valioso do tucano, segundo a declaração de bens, são 88 mil cotas da Rádio Arco Íris Ltda, que valem R$ 700 mil. O mais barato são ações dos Diários Associados que valem R$ 0,09. Em nota, o PSDB explicou que o patrimônio de Aécio cresceu por causa da herança deixada por seu pai, Aécio Ferreira da Cunha, falecido em outubro de 2010.

Já Dilma ficou R$ 684.348,17 mais rica desde 2010. Quando se candidatou pela primeira vez, ela declarou um patrimônio de R$ 1.066.347,47. Agora, o valor aumentou para R$ 1.750.695,64. A posse mais cara da petista é um terreno em Porto Alegre avaliado em R$ 337.983,00. O item mais barato da lista é uma conta no Banrisul com saldo de R$ 1.212,23.

Eduardo Campos declarou à Justiça Eleitoral, em 2014, um patrimônio de R$ 546.799,50. Em 2010, quando disputou o cargo de governador de Pernambuco, ele afirmou que seus bens valiam R$ 520.626,04.

A declaração de bens deve, obrigatoriamente, ser apresentada à Justiça Eleitoral por quem deseja disputar um cargo eletivo. Após ser entregue, torna-se um documento público.

No Estadão comatoso
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Apresentadora de TV da Venezuela faz sucesso dando notícias de topless

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O drama dos haitianos que chegam ao Vale do Itajaí

O idioma do culto da Igreja Assembleia de Deus domingo de manhã é o crioulo, a língua materna dos haitianos. Um público formado exclusivamente por peles morenas e negras participa da celebração. Não seria motivo de espanto, não fosse pela maciça adesão. Da pregação do pastor aos cantos, só se ouve a língua estrangeira. A sensação é a de estar num país distante, sem entender uma única palavra. Curioso se dar conta de que tudo isso ocorre no maior bairro de Blumenau e sede do distrito industrial da cidade, a Itoupava Central. É ali, bem perto da Vila Itoupava, sempre lembrada pelas tradições germânicas e a grande concentração de descendentes alemães, que se multiplicam os haitianos em busca de um recomeço e oportunidades no município.

O fluxo migratório de haitianos para o Brasil ganha força desde 2010, com as consequências de um terremoto que causou a morte de 300 mil pessoas no país mais pobre da América. A atuação das tropas brasileiras no Haiti aliada às notícias de bonança econômica transformaram o país em rota de refugiados. Uma das empresas responsáveis por trazer os haitianos para Blumenau é a Nathor, considerada a maior fabricante de bicicletas infantis da América Latina. A fábrica na Itoupava Central reúne 230 empregados, dos quais 45 são trabalhadores haitianos. A empresa já trouxe três grupos de 20 haitianos cada para trabalhar na cidade. A primeira vez a assistente de Recursos Humanos Bruna Lopes foi até o Acre recrutá-los. “A seleção foi feita num galpão gigante onde tinham cerca de 800 haitianos. Enquanto eu entrevistava em média cinco numa sala, os outros arremessavam documentos, implorando por um trabalho. Foi uma experiência muito forte”, relembra.

Na Nathor, os haitianos são contratados pela CLT, como no caso dos brasileiros. A empresa garante não haver discriminação. A alta rotatividade levou a empresa a buscar os trabalhadores no Norte do país. Segundo a assessora de RH, os pontos mais favoráveis dos haitianos são a fidelidade e o comprometimento. Eles não costumam faltar e também valorizam a oportunidade. Mas as dificuldades também acompanham os migrantes, especialmente no quesito comunicação. No início, o total desconhecimento do idioma português implicava em transtornos para atividades corriqueiras, como abrir uma conta bancária ou fazer exame admissional. Além da língua, eles reclamam principalmente do frio. Muitos não tinham roupas adequadas para as baixas temperaturas.

Joel Dece, 39, Jean Paul, 26 e Jean Rosier, 32, fazem parte do primeiro grupo de haitianos que chegou à empresa, em junho do ano passado. Eles enfrentaram três dias de viagem, de ônibus. As passagens foram pagas pela empresa. Com um português arranhado e vestidos com as cores do Brasil em dia de jogo da seleção na Copa do Mundo, os trabalhadores da seção de Montagem da Nathor transparecem a paixão pelo país que os recebeu. A auxiliar de cozinha da empresa, Mariza da Cruz, sentiu a mudança: “Eles comem principalmente arroz. Só não gostam de carne de porco”, conta. O principal meio de transporte dos haitianos em Blumenau é a bicicleta. O pedreiro Emanuel Faustim, 37, conduzia uma caminhonete no Haiti. Aqui, a magrela é seu transporte oficial. “E o carro dos haitianos no Brasil”, brinca. Ele mora com a mulher Alicia, numa quitinete na Itoupava central. Os imprevistos marcam a rotina do casal. A pia do banheiro vira tanque de lavar roupas, na casa alugada.

Magali Moser
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Papa revela pedido de brasileiro por “neutralidade” na Copa

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O baile fiscal dos empreiteiros?


Alguns esclarecimentos importantes. O viaduto Guararapes, que desabou sobre a Avenida Pedro I, constava no cronograma de obras da Copa. Ele comportaria uma das linhas de BRT que conduziriam, dentro outros destinos, ao Mineirão.

O secretário de Obras de Belo Horizonte, Lauro Nogueira Terror, insiste porém em afirmar que “não era obra da Copa”. A prefeitura age na mesma linha, ao divulgar um comunicado que assume a responsabilidade pela falha na fiscalização e observa que “não havia data estipulada para a entrega das obras e nem obrigatoriedade para a entrega ser antes da Copa do Mundo, apenas um cronograma referencial contido na licitação”.

De qualquer forma, este não é um ponto prioritário. O mais importante é apontar responsabilidades, para que tais erros não se repitam.

A mídia tenta eximir a empreiteira, jogando sempre toda a culpa em cima do governo.

O Globo faz editorial para falar da “incompetência do poder público”. Ora, a obra de uma empreiteira privada desaba e a culpa é apenas do poder público?

O mesmo jornal também mencionou doações da empreiteira responsável pela obra a partidos e políticos. Só que, estranhamente, não se aprofundou no assunto, provavelmente por ter identificado que a Cowan é acintosamente pró-tucana.

Em maio do ano passado, o filho de Saulo, o Saulo Wanderley Filho, deu uma festa de gala em sua casa que, à luz do que vemos hoje, poderia se constituir no baile fiscal dessa relação promíscua entre empreiteiras e governos.

O baile fiscal foi o último baile organizado pela monarquia, antes da proclamação da república.

No contrato público que rege as obras do PAC Mobilidade, não há dúvidas sobre de quem é a responsabilidade sobre a obra: da prefeitura.

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Agora, vamos às especulações políticas.

A empresa ganhadora, Cowan, tem relações íntimas com os tucanos mineiros. Para começar, as únicas doações que ela fez para políticos, e não para diretórios, foram para tucanos e democratas. Em Minas, ela escolheu a dedo a quem doar:  Rodrigo Batista de Castro, deputado federal pelo PSDB, e filho do poderoso Danilo de Castro, secretário de Estado do governo de Minas Gerais.  O quadro abaixo é do TSE, com dados da eleição de 2010.

O outro beneficiado em Minas é Gustavo Correa, deputado estadual pelo DEM, que, em 2007, viria a ser nomeado pelo então governador, Aécio Neves, secretario de esportes e juventude do governo estadual.

A Cowen fez ainda uma doação também para Samuel Moreira, um mineiro de Governador Valadares que acabou construindo sua vida em São Paulo e hoje é o presidente da Assembléia Legislativa do estado.

Sobre as doações da mesma empresa em 2012, reproduzo um trecho de matéria do jornal mineiro O Tempo:

“Já em 2012, ano de eleições municipais no Brasil, a Cowan doou, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, R$ 2,82 milhões para os diretórios nacionais de três partidos: PCdoB, PMDB e PSDB. O comitê comunista foi o destino de R$ 500 mil da construtora, mesmo valor depositado para o diretório nacional do PSDB.

A conta do PMDB ficou bem mais recheada: o partido recebeu, ao todo, R$ 1,8 milhões da construtora. Neste mesmo ano, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) usou o jatinho da construtora para participar da campanha de Lúdio Cabral (PT) à Prefeitura de Cuiabá.”

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O restante do post vem em forma de colunismo social. Selecionei criteriosamente algumas fotos que podem nos ajudar a entender como opera a alta sociedade belorizontina. A maioria delas são do aniversário de 40 anos de Saulo Wanderley Filho.

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Saulo Wanderley Filho, presidente da Cowan, dança com Latino, em sua festa de aniversário.
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Festa de luxo montada em sua mansão.
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Empresários Alberto Freitas Ramos e Saulo Wanderley com o governador em exercício Alberto Pinto Coelho (PP).
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Saulo Wanderley Filho e mulher na companhia de um colunista famoso de BH.
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Saulo Wanderley, presidente do Conselho da Cowen (que herdou do irmão, falecido em 2004), abraçando o ex-governador Antonio Anastasia.
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Congraçamento entre Marcio Lacerda, prefeito de BH, Saulo Wanderley, e os ex-ministros tucanos Arlindo Porto e Paulo Paiva.
Danilo de Castro, secretario de Estado do governo de MG, é o segundo, da esq para direita. Na extrema direita está Saulo Wanderley.  Tuti amici
Danilo de Castro, secretario de Estado do governo de MG, é o segundo, da esquerda para direita. Na extrema direita está Saulo Wanderley. Tuti amici.
No O Cafezinho
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Folha resgata passado guerrilheiro de Aloysio Nunes

Não sei se mídia tucana vai chamá-lo de guerrilheiro, como fez com a Dilma, a qual teve uma ficha falsa publicada por essa mesma Folha. E os pitbulls da Veja? Estou curioso para ver o que vão escrever a respeito.

Aloysio Nunes em foto de 1984
Na noite de 9 de agosto de 1968, Aloysio Nunes Ferreira dividia insone uma cama de casal com outras três pessoas, num pequeno apartamento próximo à praça Roosevelt, na capital paulista. Preparava-se para o assalto que se tornou uma das mais célebres ações de guerrilha durante a ditadura no Brasil.

"Às vezes eu lembro da sensação, da incerteza", contou. "E se não der certo? E se eu for preso? E, se preso, for torturado? E se, torturado, eu falar? Sabe... Era um pavor. Muito medo. Me lembro disso, mas de ter dormido, não."

O relato — feito pelo hoje senador tucano à Folha, dias depois de ter sido escolhido candidato a vice-presidente da República na chapa de Aécio Neves (PSDB-MG) — é sobre a noite que antecedeu o assalto ao trem pagador Santos-Jundiaí, em 10 de agosto.

Aloysio, na época com 23 anos, integrava a ALN (Ação Libertadora Nacional), organização liderada por Carlos Marighella. A função do tucano foi dirigir o veículo — um Fusca roubado — usado na fuga dos parceiros. 

Na guerrilha, Aloysio teve muitos nomes. Notabilizou-se por "Mateus", mas usou outros, como "Lucas". "Eram sempre evangelistas", lembra. Abriu exceção aos codinomes bíblicos quando escreveu para a "Voz Operária", publicação do Partido Comunista Brasileiro (PCB), e assinou "Nicanor Fagundes".

"Nicanor pela música do Chico Buarque ["Onde andará Nicanor?, diz o primeiro verso da canção] e Fagundes porque daí ficava NF [iniciais de Nunes Ferreira]".
Aloysio nunca escondeu sua relação com a guerrilha. Iniciou a militância no PCB quando estudante de direito da USP. Dentro do partidão, seguiu a ala de Marighella, que via como "herói", e partiu para a luta armada.

Do lado de Dilma

Na disputa presidencial de 2010, foi contra a exploração eleitoral da atuação da então candidata Dilma Rousseff (PT) na organização VAR-Palmares, também de guerrilha.

"Fui mais longe do que ela. Mas isso não me impede de hoje ter uma visão absolutamente crítica, não só da tática, mas da concepção desses movimentos", avalia. "Atacávamos a ditadura por uma via que não era democrática."

No regime militar, Dilma guardou armas e dinheiro para a VAR-Palmares, mas não há registro de que participou de assaltos e ações armadas.

A revisão de Aloysio sobre sua atuação na guerrilha não é recente. Ironicamente, o próprio Marighella desencadeou esse processo ao providenciar a ida dele para Paris, em 1968. Com documentos falsos, embarcou com a missão de divulgar a guerrilha do Brasil na Europa.

Passou a acompanhar o partido comunista francês e diz ter visto ali que a saída estava na "revolução com as massas" e não com as armas.

Na França, emplacou textos de Marighella na revista do filósofo francês Jean-Paul Sartre. "Aloysio tinha essa visão de guardar cartas do Marighella. A gente se preocupava, porque aquilo era fogo puro, dinamite [se fossem descobertas]", lembra a socióloga Ana Corbisier.

Era ela quem traduzia para o francês os textos de Marighella. Amiga de infância do senador, foi quem o abrigou no pequeno apartamento na véspera do assalto ao trem.

Hoje, os dois militam em campos opostos. Ana ficou pouco em Paris e partiu para Cuba. Tornou-se amiga do ex-ministro José Dirceu, exilado na ilha na época.

Filiada ao PT, diz ter sido "uma pena" que Aloysio, de volta ao Brasil, tenha se filiado ao MDB, embrião do PMDB. Depois migrou para o PSDB.

Opção

No partido, aproximou-se daquele que viria a ser um dos amigos mais próximos, José Serra. A primeira vez que viu Serra, ele era presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) e fazia um discurso pela mobilização anti-golpe no Comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964.

Depois, os dois se encontraram em Paris, na década de 1970, quando jantaram com um amigo em comum. Serra só lembra de Aloysio já no Brasil. "Tenho com ele grande afinidade eletiva. Quando nos conhecemos, depois do exílio, foi como se fôssemos amigos desde criancinha. Isso facilitou a aproximação política, que se desdobraria por décadas, naturalmente com flutuações", afirmou.

Em sua gestão no governo de São Paulo (2007-2010), Serra fez de Aloysio chefe da Casa Civil e o homem mais poderoso de seu círculo.

Cabia a ele negociar com prefeitos e deputados, além do acompanhar as principais metas do governo. Durante a eleição de 2010, quando Serra saiu candidato à Presidência, surgiram acusações de que um homem próximo a Aloysio, conhecido como Paulo Preto, havia desviado dinheiro da campanha.

Nada ficou comprovado. Aloysio sai em defesa do engenheiro, a quem chama pelo nome: Paulo Vieira de Souza, ex-dirigente da Dersa.

"O Paulo já era rico antes de entrar no governo e a acusação era absurda", afirma.

O cacife acumulado durante a gestão Serra e a capilaridade de seus contatos com políticos no Estado o colocaram entre os cotados para a vaga de vice na chapa de Aécio. A aproximação do mineiro, com quem Serra disputou protagonismo no PSDB por anos, levou às "flutuações" mencionadas pelo ex-governador.

"A trajetória do Aloysio foi marcada pela defesa da democracia. Como ele mesmo diz, é um jovem idealista. Não poderia estar em melhor companhia", disse Aécio.

Do fAlha
No Blog de Um Sem Mídia
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O Brasil ganhou a Copa

Lula a inventou e Dilma a realizou com inesperado êxito, a promover o Brasil no mundo

O êxito do País já supera os êxitos em campo
No início de 2012, esta coluna propunha que avaliássemos de dois pontos de vista as possíveis consequências da Copa de 2014 na eleição presidencial. Para ficar no jargão futebolístico, o primeiro teria a ver com o que aconteceria dentro das quatro linhas, se a Seleção Brasileira terminaria campeã ou não. O segundo seria extracampo, referindo-se a tudo o que poderia ocorrer antes e depois que a bola rolasse.

Há quem pense, do alto de pretensa superioridade intelectual, que o típico eleitor brasileiro vota com o predomínio das partes menos nobres do organismo. Que vota com a barriga, o bolso ou o coração, nunca com o cérebro. Que é levado para cá e para lá por emoções superficiais.

São os que acham, desde 1994, que o desempenho da Seleção nas Copas do Mundo impacta o resultado das eleições presidenciais coincidentes. Têm até um teorema: “Se a Seleção ganha a Copa, vence o governo; se perde, quem lucra é a oposição”. Nada o demonstra, mas os bem-pensantes gostam de repeti-lo, aproveitando o ensejo para lamentar a incultura e o primitivismo do eleitor comum.

Já fizemos cinco eleições em ano de Copa do Mundo. O conjunto não é grande, mas é suficiente para deixar claro que os dois fenômenos não guardam relação de mútua determinação. Quem, por exemplo, achar que Fernando Henrique Cardoso venceu a eleição de 1994 porque o povo estava feliz com o sucesso na Copa nos Estados Unidos deve morar em Marte. Não percebeu que o Plano Real elegeria qualquer um.

Em 1998, o mesmo FHC voltou a vencer. Só que a Seleção Brasileira havia recém-tropeçado nos gramados franceses. A decepção no futebol não fez com que o oposicionismo crescesse.

Em 2002, a equipe nacional venceu a Copa e José Serra, o candidato do governo, foi derrotado. Mais uma vez, uma coisa não levou a outra. Como na reeleição de Lula em 2006, quando a fraca performance da Seleção na Alemanha não levou as pessoas a desistir de votar no governo. Como em 2010, em que um cenário parecido se repetiu: a Seleção foi mal, mas a candidatura que representava a continuidade foi bem. Dilma Rousseff ganhou, apesar do fracasso no futebol nas canchas sul-africanas.

Trocando em miúdos: em nenhuma dessas cinco eleições o tal teorema se sustenta. Em matéria de bobagens a respeito da política brasileira, a hipotética relação entre Copa e eleição é das maiores.

Mas não é apenas nos gramados que esta Copa acontece. Existe outra, esta sim, significativa e que poderia ter sérias repercussões na eleição. Ela ocorre fora dos gramados e é a Copa que o Brasil já ganhou.

Nos últimos anos, as pesquisas, especialmente qualitativas, mostraram o temor das pessoas de que a Copa no Brasil viesse a ser um vexame aos olhos do mundo. A desconfiança de que a infraestrutura do torneio funcionasse, a incerteza de que tudo ficasse pronto à hora, o medo de que houvesse uma falência múltipla de aeroportos, comunicações e transportes urbanos se somaram ao receio do aumento da violência e, quem sabe, de epidemias.

A isso agregava-se a convicção de que as famosas “manifestações” voltariam, com seu séquito de quebra-quebras, sangue e brigas com a polícia. A Copa tinha tudo para ser péssima. Mesmo se, no campo, o futebol brasileiro até fosse bem.

De onde teria saído uma expectativa tão negativa? Por que era tão generalizado o sentimento de que a Copa talvez viesse a ser motivo de vergonha para o País?

Com o mesmo afã com que pinta a economia como à beira do precipício, a política como um covil de ladrões e a administração pública como falida, nossa imprensa conservadora esmerou-se na caracterização desta Copa como exemplo máximo de incompetência, descalabro e falsas promessas. Levou o pessimismo da população às alturas e alimentou a imprensa internacional com seu negativismo.

Só que nada do que previa (ou desejava que ocorresse) se confirmou. A vasta maioria do povo chega à reta final do torneio orgulhosa e convencida de que, independentemente do campeão, a Copa foi um sucesso.

Honra a quem merece. Se Lula e Dilma seriam impiedosamente crucificados como os responsáveis pelo fracasso, devem ser homenageados como os grandes artífices do êxito. Ele, que “inventou” a Copa no Brasil, e ela, que tomou as providências para que acontecesse, merecem o reconhecimento dos que estão hoje satisfeitos. Incluindo os turistas estrangeiros, que se revelam encantados com a experiência de visitar o Brasil.

Isso não significa que, quando terminar a Copa no gramado, Dilma poderá ser considerada a vencedora da eleição de outubro. Mas que o resultado da Copa extracampo foi uma vitória para ela, disso não há dúvidas. Nem que seja apenas por ter ultrapassado com garbo algo que poderia ter se tornado um grave problema.

Com esse saldo positivo para Dilma das primeiras semanas do torneio, encerra-se a fase do calendário eleitoral que a legislação chama  de pré-campanha. Seus adversários têm pouquíssimo o que festejar. Aécio Neves e Eduardo Campos não estavam bem quando o ano começou e assim permanecem.

Vai depender do desempenho da Seleção se a campanha propriamente dita começará logo ou apenas depois do dia 13 de julho. Não que isso mude muito o quadro, pois o eleitor é perfeitamente capaz de fazer duas coisas ao mesmo tempo, festejar (ou lamentar) o resultado do futebol e resolver como votar na eleição. E a propaganda eleitoral na televisão só se iniciará em 15 de agosto. Quando lá chegarmos, a Copa do Mundo já será uma lembrança.

Tomara que boa.
Marcos Coimbra
No CartaCapital
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Comunista, mãe de menina diz a Luciano Huck: “Não faça uma ‘M’ dessas”

Luciano Huck (à esquerda) e Michelle Fraga (à direita)
O primeiro foi o “grande drama” que você passou ao ter o seu Rolex roubado no dia 27 de dezembro de 2010, lembro bem que você montou um verdadeiro circo — bem a cara do seu programa — quando isso aconteceu. A única diferença nisso tudo é que no seu programa o circo de política assistencialista é muito bem patrocinado por grandes empresas para que você faça todo aquele papel de bom moço.

Temos que concordar. O “Lar Doce Lar” e o “Lata Velha” deixam você cada dia mais rico na mesma proporção que emociona a maioria dos brasileiros. Esse episódio lhe rendeu a situação de vermos sua mulher, Angélica, tendo que dar declarações de que você havia falado aquilo no calor da emoção.

O segundo foi no dia três de dezembro de 2012, quando você foi flagrado dirigindo alcoolizado. O episódio poderia ter ficado por ali, você dando uma declaração de que estava errado, que assumia a culpa, que iria se conscientizar e nunca mais fazer isso, ou até mesmo — do jeito que você tira proveito de tudo — vê-lo em futuras campanhas de prevenção a acidentes no trânsito. Mas, para sua infelicidade, Rafinha Bastos, ele mesmo, um dos comediantes mais polêmicos por tantas vezes ultrapassar o limite da piada, resolveu escrever uma “cartinha” e publicá-la em sua página no Facebook (ver aqui), te dando alguns conselhos. Mais uma vez, Angélica precisou amenizar a situação: “Ele já está consciente do erro que cometeu”. Que papelão, hein?

O terceiro, deu-se em 27 de abril deste ano, quando Daniel Alves resolveu ridicularizar o racismo e você lucrar com isso. Lembro que até entrei na onda e publiquei no Face “somos todos macacos”, fazendo alusão à tese darwinista da criação. Você foi além, em apenas três dias lucrou R$ 20 mil com a venda de camisetas.

Nos três episódios acima, você dentro do seu mundo midiático, não ligou para as besteiras que aprontou, nem tampouco se retratou. Mas agora você se superou e aí precisou sair do seu mundinho e enfrentar a realidade aqui de fora após publicar no seu Instagram uma “convocação” a todas aquelas cariocas, solteiras que queiram um gringo sob medida. Ainda criou um e-mail “namorada para gringo”.

Que problema há nisso? Todos, Luciano, exatamente todos!

Segundo a Unoc (United Nations Office on Drugs and Crime), as mulheres representam 60% das vítimas de tráfico humano, 27% são crianças — na maioria, meninas.

O Brasil vive numa intensa campanha diariamente contra o turismo sexual, contra o abuso sexual de crianças e adolescentes e contra o tráfico de pessoas. Caso seja exigir demais que você domine essas informações, vamos para o dia a dia.

Cada vez mais as mulheres se tornam chefes de família, as nossas meninas estão “invadindo” o mercado de trabalho tido como masculino, as mulheres estão dentro dos campos de futebol, dentro dos tatames e 5.09% dos operários que construíram as nossos estádios para a Copa, são mulheres.

Não sei se você percebeu, mas os contos de fadas sumiram das telas. Parece que houve algo do tipo “a revolta das princesas”. E só pra te atualizar mais um pouquinho, o filme Malévola está levando o público adulto ao cinema para conhecer a verdadeira história de uma mulher que foi usada por um homem e se vingou dele — já que a história que contavam até hoje falava de uma bruxa que ficou magoadinha por não ter sido convidada para o batizado da princesa do castelo.

Mas não se assuste com essa nossa conversa, as nossas meninas continuam querendo namorar, se divertir, conhecer brasileiros, estrangeiros, casar, ter filhos... Então vamos continuar conscientizando-as para que cresçam, estudem, trabalhem, se casem — ou não — entrem no mercado de trabalho, ocupem espaços de poder, mas que elas vivam tudo isso sem risco algum e no curso natural de suas vidas.

E se ainda assim, tudo isso não adiantar, da próxima vez, consulta Angélica antes de fazer uma merda dessa.

Michelle Fraga.
Cidadã brasileira consciente e mãe de menina.
É secretária de Comunicação do PCdoB em Lauro de Freitas, município da Região Metropolitana de Salvador
No Vermelho
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Uma praxe obscena

Já há algum tempo, certamente devido à proximidade do período eleitoral, políticos, jornalistas e colunistas vêm repetindo expressões como “orgia”, “bacanal”, “suruba” e “pornopolítica” para referir-se às últimas conseqüências do toma-lá-dá-cá fisiológico da política brasileira ensejado pela infidelidade partidária.

Em princípio, não haveria aí surpresa alguma, já que infidelidade é marca registrada dessa “coisa” posta no mercado, denominada “classe política”. A questão, porém, é aquilo que um editorial designou como “o estilhaçamento do quadro partidário do país, diante de um eleitorado sem entender como adversários históricos, com desavenças que resvalaram para o plano pessoal, aparecem aos abraços para constituir palanques regionais que nada têm a ver com entendimentos nacionais. Ou vice versa” (O Globo, 26/06/2014).

O problema daquele conjunto variado de expressões é a sua equívoca conotação sexual, que pode acrescentar um tom pitoresco ao texto jornalístico, mas nenhum esclarecimento cívico a propósito da gravidade do pano de fundo fisiológico.

Lugar próprio

O termo “obscenidade” seria mais adequado se houvesse real intenção de evidenciar a falência da representatividade política, que transparece no fenômeno. “Obsceno” em seu sentido radical — aquilo que se mostra à frente (ob) do que aparece (scena) sem qualquer mediação de natureza cognitiva ou moral. E o obsceno não é mesmo o estilhaçamento dos partidos e sim da própria política com um todo.

Talvez não seja absurdo sugerir ao jornalismo político uma pausa nas colunas de gracejos e fofocas sobre o comportamento dos políticos profissionais para dar lugar ao esclarecimento público quanto à temática da morte cívica da política. Talvez não seja também um vão academicismo fazer chegar ao público as ideias de Carl Schmitt, um dos maiores pensadores políticos do século passado que, embora pertencente à “alta” direita alemã, costuma ser lido por muitos luminares da esquerda mundial.

Schmitt preocupou-se, e muito, com o que significa política. Ele parte de uma pressuposição básica: a diferença entre o “mundo” amigo e o inimigo. A sua dicotomia está próxima da ideia de mundo como um “nós”, uma pluralidade de semelhantes, à qual se pode contrapor uma pluralidade diferente, um “Outro” opositivo – nosso mundo contra o mundo do outro.

Clássica e atual, a hipótese reporta-se etimologicamente ao grego e ao latim, línguas que fazem a diferença entre “inimigo” (polémios, hostis) e “adversário” (ekhtrós, inimicus). Para o politólogo, amigo/inimigo não são metáforas ou símbolos, mas termos a serem tomados em seu sentido concreto como um critério radical de agrupamento dos povos, distintos dos conceitos de “concorrente” ou “adversário”. Frisa ele que a redução do conceito de inimigo ao de concorrente é uma conseqüência do dilema liberal entre espírito (ética) e economia, uma vez que, no domínio do econômico, não há inimigos, mas apenas concorrentes.

Em suma, para Schmitt, trata-se de um antagonismo concreto que se verifica entre um Estado e outro (por exemplo, durante uma guerra) ou no interior de um Estado, quando se produzem conceitos “secundários” de política a exemplo da política partidária, política social etc. Mas, a rigor, só se as representações têm um sentido polêmico — como na guerra ou na revolução, onde se manifesta o agrupamento amigo/inimigo — é que se encontra a essência do político. A possibilidade real de luta deveria estar sempre presente quando se fala de política. Mas neste ponto ele tem um insight particularmente agudo: “Num mundo totalmente moralizado e eticizado talvez apenas restem adversários de discussão”.

Não se pode deixar de ver antecipada nesta observação a realidade da política (em extinção) no espaço da mídia contemporânea. O que seria então um mundo sem política? Nesta linha argumentativa, seria a absoluta indistinção entre posições diversas (matizes da dicotomia amigo/inimigo) no embate pelo controle do Estado. Até mesmo a apreciação estética do fenômeno político pode ser acolhida por intermédio dessa oposição básica. O critério amigo/inimigo transforma qualquer outra contraposição (econômica, religiosa, estética) em antagonismo político.

Quando Alexis de Tocqueville, a propósito dos norte-americanos, afirma que “a religião é a primeira de suas instituições políticas”, está dizendo na verdade que a sua grande motivação para uma causa cívica ou política é a convicção religiosa, presente, à maneira de um pacto social, em sua forte tradição puritana. O político pode estar em qualquer âmbito, já que não tem lugar próprio. É apenas “o grau de intensidade de uma associação ou dissociação entre os homens”, cujos motivos podem variar — tradicionalmente, segundo a diferença representativa dos partidos.

Conselho de candidato

Um dos aspectos mais evidentes da moderna crise da política está precisamente no desaparecimento progressivo dessa diferença, que leva a democracia representativa a não mais representar a suposta soberania popular. Um crítico mordaz da sociedade contemporânea como Jean Baudrillard afirmou mais de uma vez que a classe política é a única a acreditar na representação política, assim como os publicitários seriam os únicos a acreditar na publicidade.

Seria assim uma fração minoritária — mas certamente uma “intelligentsia cultural, tecnicista, racionalista e humanista” — a responsável pelo enquadramento dessas ficções em conceitos universalistas (a “grande política”, por exemplo) que tentam tapar o sol com a peneira, ou seja, tentam esconder a profunda indiferença das massas frente às instituições em decadência do Poder.

Mas isso sempre se soube, são inúmeros os cientistas sociais de todas as latitudes que se esfalfam em compêndios volumosos para demonstrar o fim da democracia representativa. Esta persiste, entretanto, como uma entidade semimorta, porque as alternativas revelam-se pavorosas. É um fenômeno parecido com aquele velho conhecido pelos estrategistas de mercado jornalístico: uma revista, por exemplo, pode não ter mais nenhum sentido editorial, mas pode continuar a ser durante algum tempo um bom suporte publicitário com vistas a um público específico.

Algumas tecnodemocracias ocidentais conseguem mais ou menos ocultar o vazio da representatividade. Noutras isso se torna uma evidência obscena exatamente porque já caíram todos os véus, todos os discursos de mediação institucional. Daí essa espontaneidade onomástica que tem posto em circulação as variedades semânticas da pornografia. Em vez de ideias ou propostas, ainda que mínimas (afinal, joga-se com próxima Presidência da República), propaga-se uma barafunda de coligações, adesões e dobradinhas não mais realmente à sombra de partidos, mas de “chapas” com aumentativos fantasiosos (talvez deflagrados pelo nome “Pezão”) que levam “Aezão” a competir com “Dilmão”.

É possível que as massas eleitorais permaneçam (como no fundo sempre estiveram) indiferentes ao que as almas mais castas vêm chamando de falta de vergonha pública e acabem elegendo — forçadas que são a comparecer às urnas — o que lhes der na telha no último momento. Mas nunca foi tão forte quanto agora a evidência do estilhaçamento do espírito público e da disseminação das mazelas e das mamatas.

Qual foi mesmo o conselho daquele candidato a seus acólitos virtuais? “Suguem, suguem e depois venham para mim!”

Muniz Sodré, jornalista e escritor, professor titular (aposentado) da Universidade Federal do Rio de Janeiro 
No OI
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Cristiana Lobo deixou escapar mais uma vez a sua parcialidade pró-PSDB


Ao relatar quais eram as propostas do PT para o próximo mandato de Dilma, a jornalista FEZ QUESTÃO DE COMENTAR que no item “Solidez Econômica” o governo não detalhou nenhuma proposta (0:36 segundos no vídeo).

Ao comentar as propostas econômicas do PSDB, a jornalista não fez NENHUMA observação sobre o fato de que o partido também não detalhou o programa de governo (2:00 minutos no vídeo).



Existem pontos fundamentais a serem questionados ao PSDB:

1) Se eles acham que a atual inflação, na casa de 6% ao ano está ruim, qual seria o nível ideal para eles? (lembrando que o governo FHC teve uma inflação média de 9,25% ao ano). Se eles acham que o ideal é o patamar dos Estados Unidos, na casa de 2% ao ano, como eles fariam isso? Subindo a SELIC a níveis absurdos e provocando recessão econômica? Arrochando o salário mínimo, o salário dos servidores públicos, os programas sociais e os investimentos públicos em infra-estrutura, como foi feito no governo FHC?

Não seria muito cara de pau propôr o aumento dos investimentos produtivos, sendo que no governo FHC os investimentos eram 14% do PIB, hoje estão na casa de 19%?

Até agora o PSDB só propôs medidas incompatíveis.

Fala em maior rigor fiscal e mais atenção às metas de superávit primário, porém já prometeu a manutenção da política de valorização do salário mínimo, bem como a manutenção dos programas sociais.

Proprôs a redução da inflação sem recessão e congelamento salarial.

Propôs a a “reindustrialização” do Brasil, sem falar nada sobre o problema do câmbio valorizado. Faz um discurso vazio sobre redução de tributos para a indústria, mas do outro lado diz para o setor financeiro que fará um superávit primário maior, que não poupará esforços no aumento da taxa de juros (SELIC) para combater a inflação.

Até agora o discurso do PSDB não passa de um mar de contradições e promessas impossíveis…

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Preso em escândalo de ingresso diz à polícia onde obtinha entradas

Confira o vídeo divulgado pela polícia do Rio de Janeiro no momento da prisão de Lamine Fofana

O franco-argelino Lamine Fofana revelou à polícia ter conseguido com a Match, empresa ligada ao sobrinho do presidente da Fifa, os ingressos que buscava no Copacabana Palace, na zona sul do Rio, onde está hospedada a cúpula da Federação durante o Mundial do Brasil. No luxuoso hotel, estaria também, se ainda não fugiu do Brasil, o integrante da Fifa apontado pela investigação como o líder do esquema milionário de venda de entradas da Copa do Mundo.

No momento da prisão de Fofana, na terça-feira pela manhã, durante a Operação Jules Rimet, o delegado responsável pela investigação, Fábio Barucke, da 18ª DP (Praça da Bandeira), perguntou ao franco-argelino: "Com quem você pega esses ingressos no Copacabana Palace?". Fofana respondeu: "Match Hospitality". Na quinta-feira, o delegado revelou que também a empresa, única autorizada pela Fifa para venda de pacotes de ingressos e camarotes, está sendo investigada e que, além do membro da Fifa, a polícia também busca um integrante da Match na quadrilha.

No vídeo, obtido pelo Estado, o delegado pergunta a Fofana para que servia o adesivo da Fifa em seu carro, um chevrolet Meriva alugado. "Esse adesivo da Fifa é o quê?", questiona Barucke. "Esse é o passe de estacionamento para jogo", responde em português, com bastante sotaque e misturado a algumas palavras em francês, o franco-argelino. "Quando comprei pela Fifa, veio esse passe de jogo para Rio, Belo Horizonte, Brasília e Rio de novo", completou Fofana, conhecido por suas amizades com dirigentes, jogadores e ex-jogadores.


Barucke questiona Fofana se, com o adesivo no carro, ele conseguiria ter acesso a alguma festa da Fifa. O franco-argelino nega. "E ao Copacabana Palace"? "Não. Eu 'vá' para Copacabana Palace 'solo' para pegar 'el presente' lá, e ingresso para 'mi' família". "Pegar e levar para sua família? Você não vende não, né?", pergunta novamente o delegado. "Não, peguei 'solo' dez", responde Fofana. Na operação, foram apreendidos cerca de 130 ingressos com os integrantes da quadrilha, muitos de camarote;

Esta semana, o diretor de Marketing da Fifa, Thierry Weil, afirmou em nota que "Mohamadou Lamine Fofana nunca foi credenciado para a Copa do Mundo da FIFA e não teve acesso a nenhum carro oficial da Copa do Mundo da FIFA".

A polícia estima que, só no Mundial do Brasil, a quadrilha tinha potencial para lucrar mais de R$ 200 milhões - o promotor Marcos Kac, da 9ª Promotoria de Investigação Penal, que atua em conjunto com a polícia na desarticulação da quadrilha que atuou pelo menos nas últimas quatro Copas do Mundo, estima que o faturamento do grupo com a Copa de 2014 poderia ficar entre R$ 300 e 500 milhões.

No vídeo, o franco-argelino também nega ter escritório em Genebra, na Suíça, mas, segundo o delegado, uma das empresas de Fofana está registrada na cidade suíça, conhecida por seus amplos benefícios fiscais.

Informações conflitantes

A Fifa criticou o comportamento da polícia de revelar detalhes das operações contra cambistas à imprensa e diz que o nome da pessoa que as autoridades estão buscando não trabalha para a entidade e é, na verdade, um cambista que já está preso.

Segundo Thierry Weil, diretor de Marketing da Fifa, a polícia entregou para a Fifa apenas uma parte das informações do processo da operação Jules Rimet, que acabou com a prisão de 11 pessoas e a revelação de que o esquema envolvia gente dentro da Fifa. A polícia passou a buscar esse funcionário. Mas se recusou a dar o nome do envolvido.

A Fifa indicou que o nome da pessoa sendo investigada é "Roger". Mas rejeitou a tese de que a pessoa seja funcionário da entidade. Para a Fifa, essa pessoa ja foi presa pela própria polícia e era um cambista que também atuava dentro do Copacabana Palace, onde

"Há uma discrepância entre o que diz para a imprensa e para nós", declarou. "Se a polícia fala sobre uma investigação que está sendo feita, não sei se é a forma mais correta. Na Europa isso não ocorre", atacou.

Segundo ele, os ingressos apresentados pela polícia para a Fifa são apenas 141, dos quais dez são para jogos de 2010 e 2013.

Tiago Rogero, Jamil Chade
No O Estado de S. Paulo
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Ataque de Constantino à Constituinte mostra que a luta está no caminho certo


O colunista da Veja Rodrigo Constantino, que tem se notabilizado como a ponta de lança de direita truculenta, fez um artigo para “alertar” a sociedade sobre o perigo da campanha de mais de 200 organizações pela convocação de uma Constituinte Exclusiva e Soberana para o Sistema Político.

Constantino, que recebeu o apelido de Menino Maluquinho por suas “ideias arrojadas”, denuncia o “projeto golpista de uma constituinte para instaurar uma ‘democracia direta’”, que seria empunhado por conjunto de organizações comunistas. “O Brasil corre sérios riscos. Nossa democracia está ameaçada. É preciso reagir!”, afirma o paranoico colunista.

As palavras de Constantino comprovam que os movimentos sociais, sindicatos, entidades estudantis e associações estão no caminho certo com a campanha. A linguagem dos tempos da Guerra Fria, usada pelo colunista, engrandece a articulação e atesta que os setores conservadores veem em uma Assembleia Constituinte uma inimiga tão central quanto o comunismo no século 20.

Os chavões e lugares comuns de Constantino contra a campanha demonstram que, apesar de colocar a corrupção com um dos grandes problemas nacionais, não admite uma profunda reforma política que altere as raízes de um modelo corrupto.

Condenar de forma genérica a corrupção sem apresentar uma proposta para enfrentá-la não passa de palavras ao vento, que fazem uma cortina de fumaça sobre interesses político-eleitorais que pretendem derrotar o PT.

A maior parte dos parlamentares que está no Congresso Nacional não admitirá uma profunda reforma do sistema político, uma vez que para se eleger se adaptou às regras vigentes, que desejam que sejam mantidas para garantir a continuidade desses mesmos deputadores e senadores no Parlamento.

Quem coloca a responsabilidade no Congresso de fazer essas mudanças deseja, no fundo, que seja mantido o sistema político ou padece de uma ingenuidade infantil de acreditar que essa estrutura de poder pode se auto-reformar.

Daí a necessidade de uma nova arena congressual, eleita com regras diferentes, para debater de forma democrática as mudanças no sistema político, à luz dos interesses da sociedade, que se manifestaram de forma clara nas mobilizações de junho do ano passado.

Os setores conservadores criticam o jogo político, mas não querem mudar as regras de verdade. As mudanças cosméticas em discussão no Congresso não passam de um jogo de cena para enganar a sociedade, porque não resolvem os problemas do sistema político.

Constantino, como caixa de ressonância dos setores conservadores, nos alerta, na verdade, que só teremos mudanças no país se houver uma Constituinte para o Sistema Política. Aqueles que querem se contrapor à ofensiva conservadora, tem na campanha pela Constituinte o principal instrumento para enfrentar as engrenagens do poder que  impedem as mudanças estruturais no nosso país.

Igor Felippe
No Escrevinhador
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A obra maior das empreiteiras

O fato de ser obra prevista para a Copa interessou mais, na queda do viaduto em Belo Horizonte, do que o desastre e suas consequências. Assim ficou evidenciado nas manchetes das primeiras páginas mais importantes, todas referidas à "obra da Copa", ao "viaduto da Copa", à "obra do Mundial". Uma coisa não tem a ver com a outra. À parte o componente trágico, o que importa é isto: sempre as empreiteiras de obras públicas. Na sucessão interminável, ou a calamidade é moral, de corrupção e assalto aos cofres públicos com fraude, cartel, superpreço e reajustes; ou é física, com a péssima qualidade dos serviços prestados e os desastres também daí decorrentes. Até quando e até onde irá essa liberdade dos grandes empreiteiros, eis um dos grandes mistérios do Brasil.

A queda do viaduto de BH tem dois antecedentes que, se não determinaram, ao menos contribuíram muito para o desfecho tido pela obra. Há exatos cinco meses, foi constatado que a estrutura de um outro viaduto em construção deslocara-se imprevistamente. Obra a cargo da Cowan. Razão, portanto, para que a empreiteira e a prefeitura de Belo Horizonte redobrassem a fiscalização na obra, pela mesma Cowan, do viaduto que veio a ruir. O desastre comprova que não houve tal cuidado.

Para chegar à construção desastrada, a Cowan foi parte de uma operação bem ilustrativa das relações, e suas consequências, entre empreiteiras e poder público. O consórcio formado também pela empreiteira Delta tornou-se ganhador da obra sem que sequer estivesse constituído, figurando nos documentos contratuais, em lugar do seu, o número de cadastro da própria prefeitura de BH. Fraude que, por si só, atesta a união dos dois lados em tudo o que daí decorreu.

Com o escândalo que notabilizou o personagem goiano apelidado de Carlinhos Cachoeira, a Delta saiu do consórcio. Comprovada sua ligação com aquele personagem, o dono da Delta, Fernando Cavendish, fez uma transação mal explicada para afastar da empresa o seu nome e, como complemento, também o nome da empreiteira em certos contratos. Sem que essas retiradas devam ser entendidas, necessariamente, como saída dos negócios e acordos, todos muito lucrativos.

A Cowan é empresa mineira. A quantidade e a facilidade com que obtém contratos em Minas é admirável. Predomínio regional não é, porém, peculiaridade da Cowan. É regra em muitos Estados. Poderia ser por facilidade de custos, mas não. É, claro, por outras facilidades, as mesmas que não restringem as empreiteiras ao seu ambiente doméstico. Não importam as comprovações de fraudes, de superfaturamento e demais tramoias, os escândalos e os desastres, ainda que trágicos. Nada perturba esse domínio da imoralidade e de crimes vários.

Desde quando é assim? Não se sabe. Até quando será assim? Nem se prevê.

Janio de Freitas
No fAlha
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Venezuela: O que o PIG esconde



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Galvão, Huck e o linchamento virtual do colombiano Zúñiga, que deu a entrada em Neymar


A entrada de Zúñiga em Neymar ainda vai render muito calor por muito tempo. O Comitê Disciplinar da Fifa abriu um processo e está analisando vídeos e relatórios da joelhada.

Zúñiga divulgou numa carta aberta: “Quero te enviar uma saudação especial, Neymar. Te admiro, respeito e te considero um dos melhores jogadores do mundo”, disse. “Espero sua recuperação, que volte logo, para que continue animado, vendo o futebol como um esporte cheio de virtudes e qualidades, que, sem dúvidas, sempre pus em práticas ao longo dos meus 12 anos como jogador profissional”.

Sim, a entrada foi dura — numa partida que teve 54 faltas, 31 delas cometidas pela seleção brasileira. Foi o jogo mais faltoso da Copa. Fernandinho, em particular, estava inspirado. Thiago Silva e Júlio César receberam cartão amarelo. Jaime Rodríguez sofreu.

O colombiano foi imprudente, sem dúvida. Mas dificilmente quis rachar Neymar e tirá-lo do mundial. Para Thiago, Zúñiga não é “um cara maldoso”. Felipão afirmou que achava que a entrada “não foi intencional”.

Nada disso impediu Zúñiga de ser linchado nas redes sociais. Recebeu ameaças de morte, foi chamado de “macaco”, “preto sem vergonha”, “preto safado”, “monstro” e “maior vilão da história do futebol”. No Instagram, sua filha de 2 anos foi xingada de p…a, entre outras gentilezas. Sobrou para sua mãe também.

Faz parte, de certa maneira, do pacote de irracionalidade da torcida. O que não faz sentido é o estímulo e o endosso a essa atitude.

Como Sheherazades desportivas, Galvão Bueno e Luciano Huck se puseram a promover uma malhação covarde e demagógica de Camilo Zúñiga. Para Galvão, o colombiano praticou um “atentado”, usando de “maldade pura”.

Sua trupe de convidados, como sempre, foi instada a concordar com ele. Um humorista classificou Zúñiga de “marginal”. Caio Ribeiro, o comentarista mais anódino do Brasil, o Geraldo Alckmin da crônica, cravou que o inimigo “não visou a bola”.

No dia seguinte, tirando a sua casquinha costumeira, Luciano Huck definiu Zúñiga como “carniceiro” e “sem noção”. “Uma agressão, na verdade, que ofuscou a ousadia e alegria do futebol de Neymar Jr. Uma verdadeira sacanagem”, declarou em seu programa. “Não era a cena que gostaríamos de ver jamais. Um carniceiro tira o sangue de um moleque iluminado de 22 anos. Disseram no início que a arbitragem iria ajudar o Brasil. Pelo contrário. A arbitragem para mim está prejudicando o Brasil. Espero que a comissão de arbitragem [da Fifa] entenda a gravidade do lance e puna esse agressor”.

A indignação dos brasileiros é legítima, até o momento em que vira barbárie. Os berros raivosos e oportunistas de Galvão, Huck e seus asseclas, que teriam a obrigação de analisar os fatos com sobriedade para suas audiências, não têm desculpa. São incitadores da violência, espertalhões que estão de mãos dadas com cada maluco que ameaçou espancar uma garotinha de 2 anos.

zuniga filha

Kiko Nogueira
No DCM
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