5 de jul de 2014

Do complexo de vira-lata à síndrome de hiena raivosa e à motivação pelo coice


A presidente Dilma Rousseff está enganada: não foi o complexo de vira-lata que levou parte do Brasil a dizer que a Copa do Mundo seria um fracasso dentro e fora do campo. Foi a síndrome de hiena raivosa, a hiena política, a hiena lacerdinha, a hiena desejosa de ver o circo pegar fogo para faturar eleitoralmente. A hiena preconceituosa não queria admitir que o Brasil dos seus adversários políticos pudesse fazer um evento desse porte com êxito. A hiena desvairada ria nos cantos pensando nos aeroportos parados, nas manifestações terminando em grandes conflitos, nos estrangeiros sendo saqueados, no caos.

Nada disso aconteceu.

Os grandes dramas acontecem em campo. O uruguaio Suárez foi banido da Copa por ter dado uma folclórica mordida. Fred não recebeu nem cartão amarelo por ter trapaceado simulando um pênalti inexistente que ajudou o Brasil a ganhar da Croácia. Neymar está banido da Copa por um joelhaço bandido de um adversário que nem advertido foi. Teria sido muito melhor se o colombiano tivesse dado uma boa dentada no ombro do Neymar. A dentada não tira de campo.

E agora? A Fifa vai punir o colombiano com base nas imagens do lance?

As hienas varridas garantiam que o Brasil não passaria da Colômbia.

Esta não é a Copa das vitórias fáceis e belas, mas a Copa das vitórias difíceis, épicas, com sufoco. Mesmo os chamados pequenos viraram grandes e não se entregam facilmente. Nenhuma das grandes seleções passou das oitavas para as quartas sem sofrer. O Brasil chorou, mordeu, pegou, lutou e ganhou. No caminho, todo tipo de obstáculo. Na trajetória de um mito é preciso que se multipliquem as dificuldades. O próximo passo será duríssimo: enfrentar a Alemanha sem Neymar.

As forças costumam se redobrar nessas situações. O Brasil está na parada. Já fez melhor que em 2006 e 2010. Dos 32 países que vieram à Copa, 28 estarão fora neste sábado. O Brasil está entre os quatro que continuam na luta. Os métodos do sargento Felipão são duvidosos, sem qualquer inovação tática, mas funcionam por linhas tortas. Em três Copas, ele foi três  vezes à semifinal. É grosso, mas sempre vai longe. Não é a terapia do joelhaço que usa, mas a motivação pelo coice.

Quanto mais coices recebe, mais coices dá e mais avança na competição.

Felipão vai enterrar todos os psicólogos do esporte. Acerta pelo erro.
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Candidatura Aécio Neves, um incesto entre fratricidas?


Com apoios problemáticos e sob a má influência de Serra, Aécio inicia a fase oficial da campanha para a presidência da República com o PSDB isolado e dividido.

Definidas as chapas que concorrerão às eleições de 2014, é possível ver-se melhor o quadro político atual. Nele, o PT nacional formou um gigantesco bloco partidário de apoio, o PSB não conseguiu projeção nacional com sua união ao Rede, que começa a fazer água, e o PSDB, o principal partido da oposição, está velho, dividido e isolado.

Com respeito ao PSDB, sintomático disso é sua chapa "café com leite" para as eleições presidenciais de outubro de 2014 — Aécio e Aloysio — é um mau sinal para o partido.

No nosso modelo político, a existência de uma chapa formada por um único partido quase sempre é uma demonstração de fraqueza. Mais ainda, conhecendo-se a relação entre os PSDBs mineiro e paulista, sua união nestas eleições soa quase um incesto entre fratricidas.

O que os levaria a tal pecado?

Não, não é uma tentativa de finalmente unir o partido. É antes mais um fruto envenenado de sua divisão de sempre.

Só e mal acompanhado.

É certo que o PSDB não atraiu grandes nomes para o seu lado: Paulinho — ”discurso calibrado” da Força e o seu Solidariedade. Paulinho pode ser da Força, mas não há garantias que a Força seja de Paulinho, já que sindicalistas dessa central de trabalhadores apoiam Dilma. Trouxe também o PTB — ”suguem mais um pouco” — mas só trouxe a parte de Roberto Jefferson. Aécio segue a tradição fernandina de permitir que a arrogância lhe saque bobagens da boca. E, por fim, recebeu o apoio do DEM de sempre.

Não é lá muita coisa, mas ao menos o DEM poderia compor ainda que simbolicamente, o papel que lhe resta, uma coligação. Mas não, vai PSDB com PSDB.

E a razão disso é a divisão interna. E essa divisão tem um nome: José Serra.

Um incesto entre fratricidas?

A ausência de Serra seria um grande apoio ao PSDB, mas mais uma vez ele forçou a sua presença em uma eleição. Se eleito senador, seu foco muda imediatamente para 2018. E José Serra não perdoa, nem perde as esperanças, já está fazendo o que pode para minar Aécio e Alckmin.

Com sua candidatura ao senado, impediu uma coligação estadual paulista com o PSD e obrigou Alckmin a buscar apoio no PSB, ampliando para São Paulo os problemas que Aécio e Eduardo Campos já cultivavam em Minas.

Alckmin foi obrigado a dividir o palanque com um adversário de Aécio que dificilmente apoiará este em um ainda hipotético segundo turno. Aliás, se Dilma e Alckmin vencerem, Aécio e Alckmin passam a ser adversários diretos dentro do PSDB. Como Aécio não passou até agora dos 20% de intenção de voto, ideias podem estar surgindo na mente de um Alckmin precavido.

José Serra é um paradoxo, não se explica, após três derrotas seguidas, como tenha ainda tanta força dentro do PSDB.  Aloysio Nunes parece ser a pessoa interposta por José Serra na chapa de Aécio dada a inviabilidade de ser ele próprio o candidato a vice. Se é que um dia Serra desejou realmente ser vice de Aécio. Essa pretensão manifestada sempre teve mais jeito de bode na sala.

Mas Aloysio é um nome que deveria ser evitado. O vídeo em que ele ofende e agride o blogueiro Rodrigo de Grassi já seria o suficiente para inviabilizá-lo. Mas é muito pior, Aloysio é um nome facilmente associável ao escândalo do propinoduto Metro-Siemens, quando não pelas acusações de pessoas envolvidas ou mesmo indiciadas pela Polícia Federal, por simplesmente ter retirado seu nome  da CPI que investigaria o caso.



Não é uma exclusividade de Aloysio, o PSBD sai em Minas de Pimenta da Veiga e seus inexplicados 300 mil reais valerianos e em São Paulo com  José Aníbal, na vice de Serra, e Andrea Matarazzo de coordenador. Ambos investigados no mesmo escândalo que Aloysio Nunes.

Nunca o PSDB necessitou tanto da lentidão da Justiça e do manto da invisibilidade da grande imprensa.

Mas, de qualquer modo, Aloysio Nunes é uma bomba-relógio com seu temperamento e com suas ligações perigosas. Aécio comprou um problema que não era seu. Logo, que Aécio o tenha aceitado como vice só demonstra o quanto o PSDB não tem nomes alternativos de peso, e ainda está influenciado e dividido por Serra.

E Serra é como o pássaro cuco, mata seus irmãos no ninho.

Logo, para Aécio, seria melhor estar só que mal acompanhado por Serra. Batalhou por isso e a presença de Aloysio na chapa é a prova de que não conseguiu tal feito. Mais uma vez, não foi desta vez que um candidato do PSDB à presidência conseguiu unir o partido.

Sérgio Saraiva
No GGN
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Pepe Mujica, uma história de amor

Primavera de 1973. Ela não se chamava Ana, mas era assim que todos a conheciam. Ana, a guerrilheira, detida em uma prisão militar feminina, construída especialmente para mulheres tupamaras, em algum lugar desconhecido no interior do Uruguai, com uma carta na mão, que era de Emiliano, ou Ulpiano, ou seja lá qual fosse o seu verdadeiro nome.

Em junho daquele ano, o fim do MLN-T (Movimento de Liberação Nacional, também conhecido como Tupamaros), foi um dos episódios que marcou o início da ditadura uruguaia, e levou centenas de jovens revolucionários à prisão, quinze deles como reféns de guerra. Ulpiano era um deles. Se os tupamaros ainda livres voltassem a atuar, ele seria fuzilado.

Lucía Topolanski
Ana, a guerrilheira
Um torturador chuta as grades da cela enquanto ri jocosamente e relembra as últimas humilhações, de diferentes tipos, que a fez sofrer. Ana continua lendo a carta. Ele insiste:

— Você é a nossa preferida, bebê. Vai ficar aqui por milhares de anos.

A raiva a faz apertar o papel em suas mãos até quase rasgá-lo:

— Olha, daqui a doze anos eu vou sair daqui e viver a minha vida. Você viverá com o fantasma dessas perversões, atormentando até o dia da sua morte.

Enquanto ele aumentava o volume das gargalhadas, Ana buscava algo onde escrever uma resposta. Precisava contar sua verdade, que seu nome não era Ana, que era filha de uma família de classe média de Pocitos, bairro nobre de Montevidéu. Tinha uma irmã gêmea, tinha uma família enorme, sofria pelas saudades e pelo medo, mas não medo da morte, era o único medo que não tinha, pois lhe bastava a certeza de sair dali e para se encontrar com ele.

Dias depois, seu advogado lhe forneceu papel, caneta e a grande coincidência de suas vidas. Ele era casado com a advogada de Ulpiano. Os dois nada podiam fazer pelos dois guerrilheiros. Livrá-los da prisão em meio a uma ditadura era impensável. Mas puderam ser um casal de carteiros, trabalhando por um amor que lutava para sobreviver.

Dois prisioneiros vivendo um típico amor tupamaro. O MLN surgiu em meados dos Anos 60, fundado por um grupo de estudantes socialistas que queriam fazer a revolução no Uruguai. Diferente das guerrilhas urbanas de outros países, os tupamaros começaram a atuar antes de instalada a ditadura. A vida na clandestinidade impedia que houvesse relações fora da organização e saber o verdadeiro nome da pessoa amada. O amor deles nasceu quando ela se chamava Ana e ele Ulpiano, e não importava a verdade.

Amor que nasceu com um passo para fora da prisão. Ela, uma estudante de arquitetura com talento para a falsificação de documentos, lhe fazia uma identidade falsa, e assim se conheceram. Ana tinha um namorado que também era do MLN, se chamava Blanco Katrás, que meses depois seria capturado junto com ela. Ana só passou alguns meses na cadeia, mas Blanco seria executado pela polícia uruguaia. “Não era o primeiro namorado que eu perdia naquelas condições, e naquela altura, já tinha visto muitos outros companheiros morrerem. Não há tempo pra sentir pena quando você precisa salvar a própria pele”, pensava Ana, libertada em 1972, antes de encontrar refúgio no mesmo porão em que estava escondido Ulpiano — na época, um dos homens mais procurados do país.

Pepe Mujica
Ulpiano, o mais procurado
A caça aos tupamaros no Uruguai passou a ser mais intensa nos Anos 70, com a ajuda dos Estados Unidos. Os tupamaros sequestraram e assassinaram um agente do FBI, em agosto de 1970 (Dan Mitrione, que anos antes esteve no Brasil, ensinando técnicas de tortura aos militares). Ulpiano era acusado de fazer parte dessa operação — que é narrada pelo filme Estado de Sítio, de Costa Gravas.

Ninguém sabe se foi aí, no ocaso do movimento tupamaro, quando viviam de porão em porão pelos bairros do centro velho de Montevidéu, que começou a história de amor de Ana e Ulpiano. “Eles passaram a andar juntos na época mais dura, quando nem sempre havia um teto. Às vezes, era preciso dormir em pântanos fora do perímetro urbano da cidade. Ninguém sabe se a relação, digamos, física, começou nessa época, mas com certeza o carinho mútuo sim”, relata Henry Engler, um ex-tupamaro, amigo pessoal de Ulpiano.

O pouco que se sabe sobre o começo da relação é que eles se tornaram imprescindíveis um para o outro nesses últimos meses do MLN, antes do fim definitivo da organização, em junho de 1973. Ambos foram presos. Ana foi levada a uma prisão de mulheres. Ulpiano virou refém, ficava numa solitária, sob ameaça de morte se algum ex-companheiro voltasse a atuar.

Tentaram trocar correspondências entre si para sobreviver, com a ajuda dos advogados-carteiros. Ela se confessou, disse que se chamava Lucía, Lucía Topolansky, e que sonhava em sair dali e encontrá-lo. Ele respondeu com sua própria revelação: “meu nome é José Alberto Mujica”.

A carta-desabafo de Pepe Mujica, ex-Ulpiano, era a mais bela carta de amor de todos os tempos, segundo as companheiras de presídio de Lucía — “era toda sentimentalona, como todas as coisas do Pepe”, segundo María Elia Topolansky, irmã gêmea de Lucía, também ex-tupamara. Passou por todas as mãos e fez sucesso até entre os carcereiros — “naqueles anos, cada carta que chegava era para todas”, conta Lucía, sobre a falta de ciúmes com o bilhete.

Diz a lenda que a ternura das palavras de Mujica amoleceu as restrições que havia para correspondência entre presos, e assim eles puderam trocar mais cartas que os demais casais tupamaros separados entre prisões.

Essa situação durou exatamente os doze anos que Lucía deu de prazo ao seu torturador, até que seu amor renasceu como na primeira vez, com um passo para fora da prisão. No dia 14 de março de 1985, ela e a irmã gêmea saíram da cadeira e foram para a enorme casa da família — no mesmo dia em que Pepe foi libertado, depois de onze anos na solitária, “conversando com os ratos e agarrado na esperança” segundo ele mesmo. “No dia seguinte, Lucía foi embora, foi morar com o Pepe, e nunca mais voltou”, conta María Elia Topolansky.

Lucia y Pepe
Ana, quando voltou a ser Lucía Topolanskiy Ulpiano, quando voltou a se chamar Pepe Mujica. O recomeço, vendendo flores no mercado de Montevidéu, enquanto vivem, juntos, a mais linda história de amor do Uruguai.
Desde então, vivem juntos em uma chácara de um bairro de classe baixa, na periferia de Montevidéu. Começaram criando flores e vendendo no mercado municipal, mas sem esquecer os ideais políticos. Pepe se candidatou e se elegeu deputado em 1995. Em 2000, ele passou a ser senador, e Lucía deputada. Em 2005, ela se elegeu senadora, e nesse mesmo momento, trinta anos depois do começo da relação, vinte anos depois de começarem a viver juntos, decidiram formalizar o matrimônio. Cinco anos antes de Pepe assumir como presidente do Uruguai.

 * * *

Ana La Guerrillera

A melhor forma de mergulhar na história de amor de Pepe Mujica e Lucía Topolansky, e também na história dos Tupamaros, é mergulhar na história dela. Por isso os jornalistas e historiadores uruguaios Nelson Caula e Alberto Silva escreveram o livro Ana, La Guerrillera, que traz detalhes de tudo o que se contou neste tópico e muito mais episódios sobre a criação do MLN, a vida na clandestinidade e a disputa política que levou o Uruguai à sua mais recente ditadura.

Victor Farinelli
No Rede LatinAmérica
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Copa frustra o Datafolha, Dilma derrota o “caos” anunciado

Calma lá, Datafolha e analistas apressados
Não foi a Copa que recuperou Dilma nas pesquisas. Não foi Dilma que “pegou carona na aprovação da Copa”. Dilma é a governante e a gestora que tem grande responsabilidade pelo sucesso da Copa das Copas.

É esse sucesso da Copa que derrotou o terrorismo da imprensa e do esquema PSDB/DEM contra Dilma.

Um ano de “chuva ácida”, irresponsável, não resistiu aos 15 dias da primeira fase da Copa! É isso que diz o Datafolha! E é disso que fogem seus analistas.

Erra feio, ou melhor, manipula feio, o senhor Ricardo Mendonça, do jornal “Folha de São Paulo”, ao dizer que a presidenta Dilma pega carona na aprovação do evento.

Primeiro, disseram que os estádios não ficariam prontos e que os atrasos nas obras de mobilidade urbana (aeroportos, metrôs, vias etc) gerariam um caos.

Segundo, falaram que a corrupção iria manchar a imagem do Brasil: até agora, nem no TCU, nem na CGU ou outra sindicância feita, há qualquer laudo conclusivo de superfaturamento em obras sob controle do governo federal. A não ser nas obras de responsabilidade dos governos estaduais e das capitais, onde — de fato — há problemas; como na obra do Mineirão e na contratação, sem processo licitatório e por absurdos 18 milhões de Reais, de um escritório de arquitetura de um amigo de Aécio.

Terceiro, mentiram sobre a retirada de recursos da saúde e da educação para obras dos estádios.

Quarto, venderam o terrorismo da insegurança, da criminalidade e das manifestações. Falharam de novo.

É preciso discutir os legados positivos, as pendências e coisas negativas da Copa. Mas, a Folha de São Paulo e assemelhados não têm autoridade para isso.

Agora, que o povo aprovou, que os turistas estrangeiros e nacionais aprovaram, que a imprensa mundial aprovou, chegam os “profetas do acontecido” com suas análises farsescas.

Não! A Dilma não pegou “carona” no sucesso da Copa!

Dilma Rousseff, ao contrário, é a responsável pelo único atraso ocorrido na Copa: O ATRASO DO CAOS ANUNCIADO, QUE NÃO FICOU PRONTO, NEM FICARÁ!

Ou seja, Dilma Rousseff derrotou o “caos” anunciado e o pessimismo da direita!

Ah, e se a seleção brasileira não for campeã, lembro que não é a presidenta que escala time, monta tática ou bate pênalti.

Vamos lá seleção!

Chico Simões, médico e ex-prefeito de Coronel Fabriciano, Minas Gerais.
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A Copa resgata a cordialidade

O Brasil sempre parou para assistir os jogos de sua seleção de futebol. Esse é um dos cordões que unem a diversidade do país. Os relatos sobre a Copa do Mundo de 1950 falavam em “comoção nacional” após o maracanazo – a derrota para o Uruguai na partida final do Maracanã. Era um desses lugares-comuns que pululavam no texto jornalístico antes que o Jornal do Brasil, sob o comando de Alberto Dines, inaugurasse a moderna imprensa brasileira.

Mas, juntando o bordão celebrizado pelo corintiano Lula da Silva com a frase célebre de Winston Churchill, nunca antes neste país tanta coisa dependeu tanto de tão poucos.

O consenso da imprensa já dizia que, ao entrar em campo na tarde de sexta-feira (4/7), a equipe brasileira não estaria carregando apenas a responsabilidade de vencer a partida contra a Colômbia e se classificar para as semifinais do Mundial. O que estaria em jogo, entre as quatro linhas do gramado, desde a abertura do torneio, é a redescoberta de um perfil sociocultural que andava oculto, soterrado por uma avalanche de notícias negativas e assombrado por explosões de descontentamentos por causas difusas e generalizadas. A Folha de S. Paulo, por exemplo, esperava um “maracanazo social”.

Diante dos fatos que desmentem as profecias catastrofistas de uma Copa caótica e sujeita a distúrbios graves, o brasileiro se demonstra cordial, no sentido que deu à palavra o historiador Sérgio Buarque de Holanda — ou seja, afeito a relações de sociabilidade informal que usa a “lhaneza no trato” como forma de arregimentação.

Mas a palavra “cordial” também remete a decisões tomadas “de coração” e não pela razão — e nos eventos ligados à Copa do Mundo também se manifestam as expressões legítimas de fundo emotivo que movem o brasileiro.

Os jornais e os programas noticiosos que ocupam quase toda a grade da televisão por estes dias estão repletos de exemplos, com cenas e entrevistas de torcedores estrangeiros que identificam essa característica do nosso povo.

Ao expressar sua dificuldade em cumprir os ritos sociais de modelo europeu, o brasileiro surpreende com o afeto expansivo e caloroso, que pode ser percebido na curiosidade genuína com que se aproxima dos visitantes.

O espírito-de-porco

A resistência ao formalismo comprometedor das convenções que regem o relacionamento nas comunidades cosmopolitas, nas quais o coletivo se forma pela demarcação explícita do espaço individual, exige o espelho do outro como referência.

No Brasil, somos tribo, e nossa tendência, como sociedade, é idealizar a possibilidade de uma única e imensa taba. Essa natureza tribal desponta ao longo da Copa do Mundo, produzindo o jogo quase infantil das torcidas que se misturam, nomeando, a cada partida, o adversário comum que deve ser provocado, com os chistes e as gozações cujo objetivo é trazer todos, até mesmo os argentinos, para a comunidade informal e descontraída dos adeptos do futebol.

Ao impor uma agenda em tudo contrária a essa natureza, nos meses que antecederam a abertura da Copa do Mundo, a imprensa hegemônica fez uma aposta arriscada na ruptura dessa teia de vínculos sociais que se forma em todas celebrações por estas terras. Como na música de carnaval, tudo pode acabar em cinzas simbólicas na quarta-feira, ou no dia 14 de julho, a segunda-feira que vem depois da partida final no Maracanã.

Mas o mais importante já aconteceu: foi o resgate dessa natureza cordial, a chance de um reencontro do brasileiro consigo mesmo. Percebem-se, aqui e ali, resquícios do espírito-de-porco negativista e ranzinza que se incorporou a certa parcela da população, tida como mais educada e supostamente de renda mais elevada.

Os leitores de jornal são, majoritariamente, integrantes desse contingente de brasileiros que não se sentem necessariamente parte da sociedade onde desfrutam de privilégios. Foi para eles que se dirigiram as mensagens rancorosas da imprensa nos últimos meses, e deles fluiu para o ambiente midiatizado a repercussão do dissenso, contrário ao espírito festivo da maioria.

Os onze que entram em campo são o núcleo dessa história, o foco de todos os olhares e o repositório das esperanças de que a festa poderia ser completa. Mas o triunfo no campo de jogo já não é questão de vida ou morte: o Brasil real, aquele que se encanta com a simplicidade da bola, desfila seu orgulho por aí.

Luciano Martins Costa
No OI
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"O sonho de ser campeão não acabou", disse Neymar ao deixar a Granja Comary


O atacante se emocionou e agradeceu o apoio dos companheiros, familiares e torcedores.

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O que está em jogo nas eleições presidenciais de 2014?

Constituir uma força social de massas torna-se imprescindível para colocarmos na agenda nacional as reformas estruturais típicas de um projeto nacional de desenvolvimento

Os inimigos do povo brasileiro, as forças neoliberais e o imperialismo fazem uma movimentação política para restaurar a velha agenda já derrotada nas três últimas eleições presidenciais.

As forças neoliberais pretendem aplicar um programa antipopular e antinacional pautado basicamente no corte de gastos públicos nas áreas sociais, no aumento da taxa de juros para beneficiar os grandes bancos, na retomada do programa de privatizações e na criminalização das lutas populares. E, nesse momento, o representante dessa agenda é o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves.

Para viabilizar esta agenda retrógrada, as forças neoliberais utilizam todas as armas para derrotarem a candidatura da presidenta Dilma Rousseff nas eleições de 2014. A ofensiva dos inimigos do povo passa centralmente pela instrumentalização da imprensa de mercado, liderada pela Rede Globo, pregando o terror econômico e sua suposta volta da inflação ou mesmo vendendo uma imagem de caos em torno da Copa do Mundo para desgastar a presidenta Dilma.

Vale ressaltar que parte dessa estratégia está sendo derrotada. Os atuais índices de inflação não têm comprometido o poder de compra da população brasileira. E a Copa do Mundo tem sido exitosa, derrotando o pessimismo fabricado pelo dispositivo midiático conservador. Nossos inimigos são arrogantes, covardes e incapazes de reavaliar ou fazer autocrítica sobre suas equivocadas projeções.

No momento em que parte da estratégia de nossos inimigos está sendo derrotada, cabe às forças populares intensificarem a propaganda política para revelar às massas populares o que realmente está em jogo nas eleições presidenciais.

De um lado temos a candidatura de Aécio Neves do PSDB, que serve aos interesses do imperialismo estadunidense e do capital financeiro. Do outro, temos a candidatura da presidenta Dilma comprometida com a manutenção e aprofundamento das conquistas populares obtidas nos últimos 12 anos.

Ou seja, revelar que nestes 12 anos de governos Lula e Dilma o salário mínimo teve aumento real de 72%. Que aumentaram os investimentos públicos em educação de 4,8% para 6,4% do PIB. Que 1,5 milhão de jovens tiveram acesso à universidade via ProUni e que as cotas sociais e raciais contribuem para popularizar o acesso à universidade brasileira. E que foram gerados mais de 20 milhões de empregos nesse período.

Além disso, está em curso um promissor processo de relações internacionais Sul-Sul que engloba a integração dos países latino-americanos e suas relações prioritárias com os países africanos.

O Brasil contribui decisivamente na liderança de uma agenda internacional junto com a China, a Índia, a Rússia e a África do Sul que inverte as prioridades no campo da geopolítica mundial que o imperialismo estadunidense não tolera.

Uma vitória eleitoral das forças neoliberais seria um desastre para a América Latina, que abriria espaço para um árduo período de restauração neoliberal.

Certamente, para a presidenta Dilma aprofundar as mudanças via reformas estruturais é imprescindível a refundação do carcomido sistema político brasileiro. E o melhor cenário para propagandearmos e lutarmos pela reforma do sistema político — combinado luta de massas com a luta pela Constituinte — seria num segundo mandato da presidenta Dilma.

Portanto, constituir uma força social de massas torna-se imprescindível para colocarmos na agenda nacional as reformas estruturais típicas de um projeto nacional de desenvolvimento.

Num eventual governo Aécio Neves do PSDB, nossa postura vai ser, inevitavelmente, primeiro defender as conquistas que obtivemos. Mas ainda tem muita água pra rolar na batalha de 2014. Caso o presidenciável Aécio Neves seja abatido no debate, as forças neoliberais e seu velho programa poderão migrar para o seio da candidatura de Eduardo Campos. É uma possibilidade real.

Editorial da edição 592 do Brasil de Fato
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Vou falar com o Piloto! A repugnante elite dos aeroportos (e dos estádios e tudo mais…)


Voltar ao Brasil para mim é sempre um pesadelo logístico. E acreditem, não porque eu tenho medo danado de avião, mas porque tenho que aguentar o comportamento de meus compatriotas nas filas de embarque.

Quem tem que viajar seguido, especialmente passando pelos aeroportos dos Estados Unidos e da Europa, tem uma bela amostra do pior espírito da pior classe média brasileira. Aquela mesma que manda a Presidenta tomar no cú, que chamava rolezinho de arrastão e que acha que pobre negro tem mesmo é que ser espancado e amarrado em poste. Como bem descreveu Marilena Chauí, a classe média violenta, ignorante, fascista e arrogante.

Antes de prosseguir, apenas um lembrete a alguns leitores. Meu espelho me diz que eu sou branca e de classe média. Eu me refiro a um tipo bem específico, mas que infelizmente representa uma grande parte da população brasileira.

Refiro-me àquele grupo que vive pelo consumo e, por ser um consumidor, acredita estender sua lógica da comoditização ao campo da vida coletiva, sendo um ser detentor de direitos e privilégios individuais. Acima do bem e do mal, é claro. Esse ser “cordial” já foi demasiadamente explorado pela sociologia e antropologia: de Sérgio Buarque de Holanda à Roberta da Matta: personalista, patrimonialista, e todos os piores ISMOS que formam uma espécie única burguesa que, no senso estrito do termo, não é burguesa nem liberal, mas algo que mistura uma elite emergente com uma aristocracia falida. Algo que somente só pode acontecer em um país cuja burguesia não fez ainda a revolução burguesa, e é ainda dominado no congresso por uma bancada ruralista. Entre outras coisas bizarras advindas de um passado recente calcado na ditadura, na violência e na tortura, mas todos aplaudiam (e continuam aplaudindo) a seleção brasileira com lágrima nos olhos.

* * *

Aeroporto do Heathrow, Londres

Normas internacionais estabelecem padrões de tamanho e peso de mala de mão. Chega uma família com malas enormes e a senhora do check-in gentilmente explica que ela não pode embarcar com aquele tamanho todo. Ela explica que existe uma taxa a ser paga para despachar o excesso. A passageira explica que já gastou todo o limite de seu cartão de crédito e que não pode pagar. A funcionária diz, então, que ela terá que deixar as coisas de lado. Começa a lamentação: isso é um absurdo! A funcionária mantém-se calma, dizendo sinto muito, senhora. Depois, vieram os gritos: eu vou para a justiça, neste país as coisas se resolvem na justiça. Não é como no Brasil! Vou recuperar tudo na justiça, todos os meus perfumes. E ela tirava fotos das malas tamanho super plus dizendo que era uma prova para a justiça. Apontava para a minha mala de mão e dizia que a minha era maior (sim, porque não basta ser ignorante, tem que ser igualmente filha da puta). Eu calmamente disse: minha senhora, a minha mala de mão atende a padrões universais permitidos, e voltei a ouvir música. Muitos outros passageiros se comoveram com o assassinato dos perfumes e começaram a gritar: é um absurdo, essa TAP.  Aos berros e cercando a funcionária, eles massacraram-na.

Aeroporto de Lisboa. Conexão.

Um voo para Brasília atrasa. Começa a gritaria e aquela cena típica, na qual cada um grita para um lado, quer ser ouvido, mas ninguém ouve o que o outro tem a dizer. Pessoas bem vestidas novamente cercam a funcionária que está apenas comunicando que o voo atrasou.

- Isso é um A-B-S-U-R-D-O! (como aquela fúria da coxinha de ossobuco…)

– Se fosse no Brasil, a gente entenderia, porque lá nada funciona. Mas na Europa?

– Moça, eu tenho um compromisso imperdível. E vou processar a TAP.

A fila se desorganiza e todo mundo fala ao mesmo tempo com a funcionária. Ninguém age coletivamente, as pessoas apenas começam a dizer que o seu compromisso no Brasil é mais importante do que qualquer outra coisa. Os estrangeiros e os outros brasileiros que não pertencem à elite-coxa ficavam bravos, balançavam a cabeça, mas pareciam entender que era preciso, simplesmente, esperar. Não adiantava dizer que é amigo do rei, porque o avião não chegaria mais cedo por causa disso.

Entro na fila do voo para Porto Alegre e observo meus conterrâneos. Entramos todos numa salinha após o embarque. Quando a elite-coxa viu que entraríamos em um ônibus, e não direto na aeronave, começou mais uma gritaria desorganizada: e não é nem no Brasil! Pessoas visivelmente nervosas falavam sozinhas e faziam seus pequenos protestos anti-Brasil (ainda que o problema acontecesse em Portugal). É por isso que eu vou torcer contra o Brasil hoje, disse uma mulher. Ela continuava: não pode ganhar! Essa gente do bolsa família, cega, ignorante vai se encachaçar e esquecer dos problemas do Brasil. Ela vê um grupo de jovens ao meu lado e nos dirige a palavra de forma soberana: São vocês, jovens, que precisam mudar isso, vocês tem que ir para rua.

Já no ônibus que levava à aeronave, essa senhora ela teve a brilhante ideia de continuar a protestar no busão e começou a gritar “NÓS ESTAMOS INDO PARA UMA DITADURA COMUNISTA E NINGUÉM ESTÁ VENDO. NINGUÉM ESTÁ VENDO”. As sardinhas espremidas se identificaram e, então, cada um falava por si: é verdade, é verdade. Enquanto isso, eu pensava que não demoraria mais do que 40 segundos para eu sair correndo daquele veículo.

A mulher continuou: eu ia para as ruas para lutar contra a ditadura e agora são vocês que têm que ir, porque hoje é pior que a ditadura. É tudo pro pobre! (Eu: poxa deve ser por isso que o pobre não está viajando para a Europa e você está, porque realmente é muito difícil a vida da classe média). As pessoas começaram a falar, como de costume, cada um para um lado

Que se foda a seleção. Esse país é uma merda

Se eu pudesse eu não morava no Brasil.

Nem eu!

Nem eu!

Nem eu!

(Eu: Boa ideia! Isso! Vão embora, mas não voltem!)

Finalmente, a lata de sardinha se abriu e todo mundo começa a correr e a se atropelar para entrar na escada do avião. Um pisa por cima do outro, como se os assentos não fossem marcados. Afinal, trata-se de gente muito phyna.

Meu lugar é o último da fileira de um compartimento do avião. Do meu lado, senta um casal, que reclamou que seus assentos reclinam menos que os dos outros. O avião Estava lotado. Chamam a comissária, e eu: não! chega por hoje! O marido disse: Meu assento blá blá blá e isso e aquilo. E a funcionária gentilmente explica que era apenas impressão, pois o assento reclinava igual aos outros. Daí o passageiro super-prejudicado largou a máxima: Eu vou reclamar com o piloto! Nesse momento, eu pensei que era uma pena eu não ter um Boa Noite Cinderela para aguentar as próximas 12 horas. E o diabo ainda roncava como um porco. Mas isso é outra história.

Aeroporto Salgado Filho, Porto Alegre. 05 de julho de 2014 – precisamente às 18h45min.

Todos perguntam quanto está o jogo do Brasil enquanto aguardam as (muitas) malas. O jogo acaba. O Brasil venceu. Todos começaram a aplaudir, assobiar e a se abraçar. Todos, inclusive a galera da sardinha.

Brasil, ame-o, odeie-o e (finja que) deixe-o.

Rosana Pinheiro-Machado
No Blog do Mário
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Datafolha e as distorções da mídia


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Sobre o artigo do Financial Times que diz que o Brasil já ganhou a Copa


Um artigo do Financial Times circula nestes dias pela internet. O título é: “O Brasil já ganhou a Copa”.

Ao contrário de textos do FT críticos à política econômica do governo, este não é objeto de exaustiva repercussão na mídia e seus comentaristas.

Regra número 1: a mídia repercute apenas notícias negativas, numa seleção minuciosa que não admite exceções.

O artigo do FT sublinhava o que já é de amplo conhecimento: a Copa foi um triunfo.

A extraordinária surpresa se deveu menos aos fatos, em si, e mais à campanha feroz movida pela imprensa.

Num dos momentos apoteóticos dessa campanha, Jabor disse que o Brasil mostraria sua incompetência em organizar um evento de tal magnitude.

Mesmo jornalistas de outra natureza que não a de Jabor se deixaram contaminar pelo sentimento apocalíptico. Poucas semanas antes da estreia do Brasil, depois de visitar o Itaquerão num jogo do Corinthians, Juca Kfouri previu, na ESPN, o caos.

O FT falou naquilo que todos sabem: os brasileiros são um povo encantador. O francês rosna para você. O inglês ignora você. O brasileiro sorri e dá um tapa nas suas costas.

Para os jornalistas estrangeiros, e os turistas, cobrir a Copa nas cidades com praias foi uma experiência única. “A Copa tem que ser sempre no Brasil” foi uma frase várias vezes repetida.

Também para os jogadores estrangeiros o Brasil foi, em geral, uma festa. Viralizou um vídeo em que futebolistas alemães torciam num hotel, ao lado de brasileiros, na disputa de pênaltis entre Brasil e Chile.

O ganho em termos de imagem para o Brasil é inestimável. A “publicidade” gratuita que a mídia internacional deu ao país com seus textos e vídeos não tem preço.

Não é que o Brasil tenha passado por uma metamorfose súbita na Copa. É que a mídia, já faz um bom tempo, retrata um país que não existe.

É a Banânia, uma terra da qual devemos todos nos envergonhar. Segundo a mídia, somos corruptos, somos infames, somos linchadores, somos violentos, somos canalhas, somos ignorantes.

Falta alguma coisa? Ah, sim: somos feios.

O Brasil monstruoso da mídia não é, evidentemente, uma obra do acaso. O objetivo é convencer os incautos de que, com outra administração, viraremos um paraíso, mais ou menos como o Brasil que a Globo mostrava na ditadura militar.

Ou, tirados os exageros, como o Brasil sob a ótica dos jornalistas, turistas e jogadores estrangeiros que vieram para a Copa.

O país tem desafios monumentais para se tornar uma sociedade avançada, é certo. Os extremos de opulência e miséria ainda são intoleráveis, a despeito da redução da desigualdade verificada nos últimos anos.

Um “choque de igualdade” tem que percorrer o país.

Mas não somos a Banânia da mídia.

Melhor: a Banânia está representada apenas numa área. Na própria imprensa. A mídia brasileira é, em si, a Banânia que, ardilosamente, ela finge que o Brasil é.

Paulo Nogueira
No DCM
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André Forastieri realiza seu sonho

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A burguesia rejeita Dilma?

Sim, o ambiente econômico é grande eleitor, mas é a mídia que se empenha para alimentar o ódio

Segundo a mídia, Dilma "deslulou a governança"
Um possível clima de ódio, nascido de decisões da presidenta, rejeitadas por parte do empresariado, é refletido na mídia.

Em longo e consistente artigo para a revista trimestral Inteligência, em circulação na próxima semana, o historiador João Bettencourt e o jornalista Luiz Cesar Faro tentam decifrar o que identificaram como “indiscreto ódio da burguesia” à presidenta Dilma Rousseff.

O esforço inédito joga luz forte sobre esse “desamor” entre as partes. Os articulistas mergulham fundo nas relações conflitadas entre um lado e o outro e emergem com uma pergunta: “Tem culpa ela?” A resposta é não, dizem os autores do estudo.

Dilma, segundo eles, “deslulou a governança”, embora tenha mantido e aprofundado os ganhos sociais promovidos pelo antecessor. Esta seria a origem, ou uma delas, dessa desavença. Consideram que a burguesia, preconceituosamente, odiaria Dilma “devido ao seu intervencionismo, sua inaptidão ao diálogo e, quiçá, seu simples jeito de ser”.

“A redução na marra das tarifas cobradas pelo suprimento de energia elétrica é emblemática”, apontam Bettencourt e Faro, entre tantos outros exemplos recolhidos ao longo da pesquisa sobre o confronto.

Há, no entanto, fatores que deveriam contrabalançar eventuais desgostos provocados por decisões monocráticas da presidenta. Eis um deles que também figura em rol imenso. Dados recentíssimos da Fipecafi, fundação ligada à Universidade de São Paulo, por exemplo, mostram que, entre 2012 e 2013, os lucros das 500 maiores empresas do País cresceram 39,3 bilhões de dólares. Isso traduz alta de 24% em relação ao ano anterior.

Mas a história desse conflito estaria agora se preparando para desembarcar nas urnas. Dúvida? O ex-ministro Delfim Netto, em variadas ocasiões, tem reafirmado a certeza “de que o ambiente econômico é um grande eleitor”.  “Delfim não chega a concordar com a hipótese de um ‘golpe branco pela economia’, mas afirma que o humor da burguesia conta, sim, nas eleições”, dizem os autores.

Como isso se dá? De acordo com Delfim, forma-se “um clima de hostilidade, um ambiente de negócios que o governo se esforça em negar, mas que existe e que influiu de forma importante para a redução nos investimentos e agora impacta também o consumo”.

Bettencourt e Faro se remetem a uma frase de Lula: “O mau humor do empresariado não está deixando a economia andar”.

Impulsionaria esse mau humor um projetado confronto eleitoral: “Se o PT tem a sua militância e o voto da inclusão social, a burguesia tem o controle absoluto da mídia”, deduzem os analistas. E apontam:

“A cólera burguesa é mais visível estampada nas bancas de jornal e vocalizada nos programas de tevê. Em jornais e revistas analisados nos últimos 573 dias, somente 9% do noticiário econômico foi favorável, mesmo assim ligeiramente, ao governo Dilma — nessa contabilidade não foram levados em consideração os artigos do corpo editorial ou de articulistas convidados”.

Para João Bettencourt e Luiz Cesar Faro não há dúvidas: “A mídia comprou um lado e está sitiando, sim, a presidenta, o PT e o seu entorno. E é no cerne da imprensa que o ódio viceja; porque, se por um lado não são reconhecidos avanços, por outro são exacerbadas as críticas. O oligopólio da mídia não gosta de Dilma, e ponto final”.

Maurício Dias
No CartaCapital
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O escândalo é a falta de indignação


Depois do carnaval diante da mordida de Suarez, observadores silenciam diante da agressão criminosa contra Neymar

O aspecto mais chocante da contusão que deixará Neymar fora da Copa é a falta de indignação.

A joelhada de Zuñiga aos 41 minutos do segundo tempo foi um ato desleal e deliberado. Atacando sua vítima por trás, Zuñiga empurrou a cabeça de Neymar com a mão direita, para que o tronco ficasse encurvado e a espinha dorsal, mais exposta.

Se Neymar tivesse sido atingido algumas vértebras acima, o dano seria muito grave e é bom nem pensar nas consequências para o futuro do jogador. Mesmo assim, uma vértebra foi fraturada — o que dá uma ideia da violência que atingiu Neymar.

Zuñiga não foi expulso. Nem recebeu cartão amarelo.

A agressão, brutal, foi tratada como uma agressão normal de jogo, embora tivesse produzido uma lesão muito mais grave do que a mordida do uruguaio Luis Suárez no ombro do italiano Chiellini.

Olha só: embora tenha sido um ato de uma pessoa psicologicamente perturbada, o que é sempre um atenuante num caso como este, a mordida de Suárez lhe valeu a suspensão por nove partidas da FIFA. Até Chiellini achou um exagero.

A reação diante da violência contra Neymar, o maior jogador brasileiro, a estrela número 2 da Copa depois do argentino Messi, foi a passividade. Essa é a mensagem.

É curioso imaginar por que não se fez um escândalo, nem no momento da agressão nem depois. Ficou tudo na normalidade.

O juiz Carlos Velazco Carballo será punido? E Zuñiga? Nada. A maior crítica que li nos jornais, hoje, foi um comentário dizendo que sua entrada foi “maldosa.” Fraco, hein?

Será que a Comissão de Arbritragem da FIFA irá se manifestar contra Carballo? Quem está pedindo? Quem exige?

Dá para entender o recado enviado aos árbritos das próximas partidas do Brasil, certo?

Essa reação compreensiva — digamos assim — encobre um movimento que não ousa se mostrar por inteiro. Estou falando da torcida contra a Copa.

Derrotados fora de campo, quando se comprovou que a Copa era um sucesso nacional e internacional, e que a maioria dos meios de comunicação havia embarcado numa Escola Base em nível federal, testemunhada por 200 milhões de brasileiros, essa turma foi obrigada a guardar as energias negativas para o que acontece nos gramados.

Não vamos negar: a possibilidade, real, do Brasil sair campeão deixa essa turma em pânico.

Seu movimento mental é semelhante ao discurso de Carlos Lacerda contra Juscelino Kubisctheck nas eleições de 1955, quando ele dizia: JK não pode candidatar-se; se sair candidato, não pode vencer; se vencer, não será empossado. Na Copa de 2014, o raciocínio é o mesmo. Não podia haver Copa. Como ela aconteceu, deve ser ruim. E se não foi ruim, o Brasil não pode vencer.

Por isso ficaram muito indignados com o penalti (duvidoso, no mínimo) em cima de Fred no jogo do VTNC contra a Croácia. Mostraram-se generosos quando a Holanda foi beneficiada num lance parecido. Acharam normal. O silêncio diante da omissão absurda de Carballo é parte dessa postura.

Nas rodadas finais do Mundial, a turma do “Não vai ter Copa” aposta suas últimas esperanças numa derrota da Seleção.

Exibe sorrisos amarelos a cada vitória dos meninos. Ontem, quando ficou garantido que, na pior das hipóteses, a Seleção Brasileira terá direito a disputar uma medalha de bronze, o que ninguém espera mas está longe de ser aquele fiasco anunciado, a ausência de Neymar tornou-se a esperança silenciosa desse pessoal que, nos últimos dias, tentava inutilmente jogar nas costas da “Copa” e do “PAC” a tragédia numa obra de infraestrutura de Belo Horizonte, licitada e administrada pela prefeitura de um aliado da oposição.

A joelhada de Zuñiga foi um ato canalha. Mas o jogo fora do campo é muito pior e desleal, vamos combinar.

Paulo Moreira Leite
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Desastre do viaduto teve falha da prefeitura de BH


Governo municipal nega responsabilidade pelo acidente que deixou duas pessoas mortas na Avenida Pedro I, na capital mineira, quinta-feira 3, mas admite erro na fiscalização; causa do desabamento do viaduto Guararapes ainda é desconhecida; primeiras análises, porém, apontam para um afundamento de seis metros do pilar principal; "Acidentes como este acontecem", minimizou o prefeito Márcio Lacerda (PSB), no dia da tragédia; ontem, o secretário municipal de Obras, Lauro Nogueira, reconheceu: "A prefeitura tem responsabilidade, assim como a construtora e os técnicos contratados para a fiscalização"

A prefeitura de Belo Horizonte pouco reconhece, mas a queda do viaduto Guararapes, na Avenida Pedro I, na última quinta-feira 3, aconteceu em parte por falhas do executivo municipal. "Acidentes como este acontecem", minimizou o prefeito Márcio Lacerda (PSB), no dia da tragédia, que deixou duas pessoas mortas.

Ontem, os secretários municipais de Saúde, Fabiano Pimenta, e de Obras e Infraestrutura, José Lauro Nogueira, concederam entrevista coletiva à imprensa e, pela primeira vez, houve a admissão de responsabilidade. "A prefeitura tem responsabilidade, assim como a construtora e os técnicos contratados para a fiscalização", disse Nogueira.

A causa do desabamento ainda é desconhecida, mas as primeiras análises apontam para um afundamento de seis metros do pilar principal, após a retirada das escoras. Operários que trabalhavam na obra afirmaram que a construção seguia a toque de caixa. Por outro lado, o secretário de Obras informou que o viaduto não era uma obra para a Copa do Mundo e, por isso, não havia pressa para concluí-la.

A Polícia Civil irá apurar a queda do viaduto. Um inquérito sobre o caso está em andamento na 3ª Delegacia Regional de Venda Nova. Leia abaixo nota publicada pela prefeitura de BH na noite desta sexta-feira 4, uma síntese dos posicionamentos dos dois secretários, dados durante a entrevista coletiva.

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Porque escolhemos Dilma Rousseff

Queiram ou não, Aécio Neves e Eduardo Campos serão tragados pelo apoio da mídia nativa e da chamada elite. Ou seja, da reação

A presidenta não esmoreceu na luta contra a desigualdade
Começa oficialmente a campanha eleitoral e CartaCapital define desde já a sua preferência em relação às candidaturas à Presidência da República: escolhemos a presidenta Dilma Rousseff para a reeleição.

Este é o momento certo para as definições, ainda mais porque falta chão a ser percorrido e o comprometimento imediato evita equívocos. Em contrapartida, estamos preparados para o costumeiro desempenho da mídia nativa, a alegar isenção e equidistância enquanto confirma o automatismo da escolha de sempre contra qualquer risco de mudança. Qual seria, antes de mais nada, o começo da obra de demolição da casa-grande e da senzala.

O apoio de CartaCapital à candidatura de Dilma Rousseff decorre exatamente da percepção de que o risco de uns é a esperança de outros. Algo novo se deu em 12 anos de um governo fustigado diária e ferozmente pelos porta-vozes da casa-grande, no combate que desfechou contra o monstruoso desequilíbrio social, a tolher o Brasil da conquista da maioridade.

CartaCapital respeita Aécio Neves e Eduardo Campos, personagens de relevo da política nacional. Permite-se observar, porém, que ambos estão destinados inexoravelmente a representar, mesmo à sua própria revelia, a pior direita, a reação na sua acepção mais trágica. A direita nas nossas latitudes transcende os padrões da contemporaneidade, é medieval. Aécio Neves e Eduardo Campos serão tragados pelo apoio da mídia e de uma pretensa elite, retrógrada e ignorante.

A operação funcionou a contento a bem da desejada imobilidade nas eleições de 1989, 1994 e 1998. A partir de 2002 foi como se o eleitorado tivesse entendido que o desequilíbrio social precipita a polarização cada vez mais nítida e, possivelmente, acirrada. Por este caminho, desde a primeira vitória de Lula, os pleitos ganham importância crescente na perspectiva do futuro.

CartaCapital não poupou críticas aos governos nascidos do contubérnio do PT com o PMDB. No caso do primeiro mandato de Dilma Rousseff, vale acentuar que a presidenta sofreu as consequências de uma crise econômica global, sem falar das injunções, até hoje inescapáveis, da governabilidade à brasileira, a forçar alianças incômodas, quando não daninhas. Feita a ressalva, o governo foi incompetente em termos de comunicação e, por causa de uma concepção às vezes precipitada da função presidencial, ineficaz no relacionamento com o Legislativo.

A equipe ministerial de Dilma, numerosa em excesso, apresenta lacunas mais evidentes do que aquela de Lula. Tirante alguns ministros de inegável valor, como Celso Amorim e Gilberto Carvalho, outros mostraram não merecer seus cargos com atuações desastradas ou nulas. A própria Copa, embora resulte em uma inesperada e extraordinária promoção do Brasil, foi precedida por graves falhas de organização e decisões obscuras e injustificadas (por que, por exemplo, 12 estádios?), de sorte a alimentar o pessimismo mais ou menos generalizado.

Críticas cabem, e tanto mais ao PT, que no poder portou-se como todos os demais partidos. Certo é que o empenho social do governo de Lula não arrefeceu com Dilma, e até avançou. Por isso, a esperança se estabelece é deste lado. Queiram, ou não, Aécio e Eduardo terão o pronto, maciço, às vezes delirante sustentáculo da reação, dos barões midiáticos e dos seus sabujos, e este custa caro.

Mino Carta
No CartaCapital
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Copa: Botaram fogo na Globo e na Veja

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Oportunista, Globo agora aposta na #copadascopas


Com o Brasil nas semifinais depois de uma atuação épica de David Luiz e uma agressão covarde a Neymar, o time dos que acreditam no sucesso da Copa e da seleção brasileira passa a ter neoconvertidos; agora, é a vez das Organizações Globo, que vinham retratando um quadro bem diferente antes do Mundial; em maio de 2013, a revista Época perguntava "por que tudo atrasa no Brasil"; em janeiro deste ano, a bola era uma bomba-relógio com previsões sobre protestos e obras inacabadas; depois, na estreia da seleção um sorumbático "Não vai ser fácil" e previsão de uso político do Mundial, caso as coisas dessem certo; agora, diante do sucesso do torneio, Globo tenta sentar na janelinha da festa com uma capa dourada, seis estrelas na camisa e o slogan "Eu acredito!"; melhor bater na madeira...

No 247

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Ali Kamel vence em casa com mãozinha do juiz

O site Consultor Jurídico (Conjur) publicou nesta sexta-feira, 4, mais um press release distribuído pelos advogados da Rede Globo, informando sobre o processo judicial movido por Ali Kamel, diretor da emissora, contra o responsável por este Cloaca News. O texto, republicado acriticamente pelos veículos da máfia midiática brasileira, noticiou a decisão de um grupo de desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro de confirmar a sentença proferida por uma juíza da 25ª Vara Cível carioca, que condenou este blogueiro a indenizar o alto funcionário da corporação em dezenas de milhares de reais.

No melhor estilo Joaquim Barbosa, os magistrados da primeira e segunda instâncias do Rio de Janeiro ignoraram os fatos, deram de costas às provas e aceitaram, como cordeiros, as alegações inverídicas — mentirosas mesmo — apresentadas pelos rábulas escalados pela Globo para tentar intimidar e calar este blogueiro.

A ação movida por Ali Kamel e seus 40 advogados partiu de uma premissa escandalosamente falsa – que este Cloaca News “espalhou o boato de que o diretor de Jornalismo da TV Globo protagonizou um filme pornô”, nos anos 80.

A VERDADE – No dia 16/8/2009, este blog publicou um vídeo com excertos da obra cinematográfica Solar das Taras Proibidas, de 1984. Nos minutos iniciais da película, dedicados à apresentação do grandioso elenco, o nome do ator Ali Kamel encabeça o cast masculino do filme. Como se pode observar na postagem, não há alusão alguma ao funcionário da TV Globo, homônimo do artista. E, como se vê nos créditos iniciais da obra, o nome do ator é o nome do ator.

A bizarrice, no entanto, está na primeira sentença condenatória, que levou em consideração uma ficha catalográfica do site Cinemateca Brasileira, em que o ator Ali Kamel é apresentado, erroneamente, como Alex Kamel. Este dado – falso, como demonstrado pelo filme em si – foi apresentado pelos 40 advogados da Globo apenas na tréplica aos argumentos da defesa, não sendo oferecido ao réu o direito de rebater e desmascarar a falsidade.

Agora, ao ratificar bovinamente a aloprada sentença de primeiro grau, a chamada egrégia corte fluminense dá sinais de que existem, sim, magistrados caseiros. Pode isso, Arnaldo?

No Cloaca News
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Imagina na Copa


Kayser
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Neymar dá joelhada na Folha


Na partida contra a Colômbia, Neymar levou uma joelhada covarde nas costas e saiu chorando do estádio direto para um hospital em Fortaleza — não pode nem festejar com seus companheiros a vitória do Brasil por 2 a 1 e ficará fora dos próximos jogos da seleção. Na véspera da partida, ele já havia sofrido outra joelhada. Numa singela contribuição à recuperação da alardeada crise psicológica da seleção, a Folha levantou suspeita sobre o seu pai, mas sem apresentar provas concretas. Ele foi acusado de integrar a máfia da venda ilegal de ingressos da Copa. Se não pode reagir à joelhada do colombiano, contra a Folha o jogador Neymar deu o troco, segundo relato do Portal Imprensa:

“Na tarde desta quinta-feira (3), o atacante da seleção brasileira Neymar Jr. usou a sua conta no Instagram para criticar reportagem da Folha de S.Paulo, que cita seu pai e empresário, Neymar da Silva, como um dos integrantes da máfia da venda de ingressos da Copa do Mundo. ‘Jornalista mal informado e irresponsável... Até quando? Chega né. Mostra o seu potencial e vende jornal de outra forma, falando verdades’, disse o jogador”. Ainda de acordo com a reportagem de Vanessa Gonçalves e Lucas Carvalho, a Folha sentiu a joelhada e recuou de imediato:

“Na manchete em seu site, o jornal disse: ‘Polícia apura elo entre ex-atleta e máfia de ingressos. Dunga e Júnior Baiano devem ser ouvidos; pai de Neymar também é investigado’. No entanto, logo depois da reclamação de Neymar nas redes sociais, o texto foi substituído no portal por outra matéria com o mesmo tema: ‘Funcionário da Fifa é suspeito de participar de máfia de ingressos. Polícia ainda não confirmou envolvimento’”. Ainda segundo a matéria, a empresa do pai de Neymar foi procurada na quarta-feira (2) pelo repórter Eduardo Ohata, da Folha, que solicitou informações sobre a sua suposta participação no esquema ilegal de compra e venda de ingressos dos jogos da Copa do Mundo.

“Entretanto, a empresa diz que os e-mails enviados pelo jornalista eram confusos. Inicialmente, Ohata dizia que ‘eles estavam sendo acusados de participação nessa história’, mas em outra mensagem o repórter teria mudado a versão, afirmando que o jogador e seu pai seriam 'convocados' pelo delegado do inquérito como testemunhas em razão dos nomes deles terem sido supostamente citados por alguém que desconhecemos". A empresa rechaçou, ainda, a possível acusação contra Neymar e seu pai e ainda criticou a leviandade da Folha. “Estamos cansados de ter nossos nomes envolvidos em fofocas e mentiras que não se sustentam, mas ajudam a vender jornal”.

A denúncia sobre a máfia da venda de ingressos está sendo apurada pela Polícia Federal e deve ser rigorosa. Todos os envolvidos precisam ser punidos exemplarmente. O próprio “padrão Fifa”, tão bajulado pela mídia colonizada, está na berlinda, já que há fortes indícios do envolvimento de pessoas ligadas à entidade internacional do futebol — famosa por outros escândalos de corrupção. O que não dá, porém, é para acusar levianamente qualquer pessoa. No caso da joelhada desleal do jogador colombiano, o craque Neymar não tem o que fazer. Resta apenas tratar da sua recuperação, torcendo por seus companheiros fora do campo. Já no caso da Folha, até valia pensar num processo!

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