4 de jul de 2014

Tucanos querem privatizar o gás, a água e a energia elétrica em Minas Gerais

Uma Proposta de Emenda Constitucional, a PEC 68, pretende facilitar a venda de empresas públicas que não sejam da administração direta. A manobra, que conta com o apoio de toda a base parlamentar do PSDB, possui endereço certo imediato — a Gasmig —, mas se estende para a venda de subsidiárias da Cemig e da Copasa. Um aceno do senador Aécio Neves para o capital financeiro de retorno à era das privatizações.

Caso aprovada a PEC, a água, a luz e o gás serão privatizados e os preços irão às alturas. Já está em andamento a venda da Gasmig, subsidiária da Cemig, para a empresa espanhola Gas Natural Fenosa (GNF). A negociata já foi, inclusive, notificada aos acionistas e ao mercado financeiro, através de nota à Bolsa de Valores. Embora os termos da sociedade ainda não tenham sido divulgados, estipula-se que a Gasmig terá apenas 30% da holding.

O que impediu até hoje a privatização das estatais em Minas Gerais foi uma emenda constitucional aprovada em 2001, durante o governo Itamar Franco. Esta emenda, que teve como relator o deputado Rogério Correia (PT), exige lei específica para a alienação de ações de empresas públicas, além de 3/5 dos votos dos deputados estaduais e a realização de um referendo popular. A PEC 68 retira a obrigatoriedade dos 3/5 e do referendo no caso de privatização de subsidiárias.

A medida faz parte do modelo neoliberal de governabilidade instaurado em Minas Gerais desde a gestão Aécio Neves. Episódios recentes mostram que, para o PSDB, só é possível trabalhar nos limites da entrega ao sistema privado, como foi feito com o Mineirão e o presídio de Ribeirão das Neves.

A PEC 68 é a confissão de um crime contra o patrimônio público previsto em 2001 por Itamar Franco. Uma ação que só é possível graças à cerca neoliberal erguida em Minas Gerais por Aécio Neves e aliados, que ignoram a ideia de que gás, água e energia sejam bens naturais. Colocam nossos recursos nas mãos de empresas internacionais, como fazem quando colocam nossas terras à disposição das multinacionais mineradoras. Atuam retirando do Estado a obrigação de um serviço público de qualidade. Uma vergonha da política mineira. Na realidade Aécio dá sinais claros ao mercado do que faria com a Petrobrás. Que o povo nos livre deste mal!

Alternativas à privatização da Gasmig

No caso da Gasmig, a privatização está sendo defendida como uma forma de viabilizar a construção do gasoduto Betim-Uberaba, que tem um orçamento de R$2 bilhões e cujas obras devem terminar em 2016. Só que temos, sem pensar muito, várias alternativas.

A primeira: por que a Gasmig não financia a obra com um empréstimo com o BNDES? Essa opção foi até mesmo divulgada pela imprensa, que em janeiro anunciou a possibilidade do empréstimo. O gasoduto Cacimbas-Catu, ligando Linhares (ES) a Pojuca (BA), com 940 quilômetros inaugurados em 2010, teve um financiamento de R$4,5 bilhões do BNDES.

Outra alternativa vem da própria Cemig, a controladora da Gasmig. Afinal, o Estado acaba de pagar à Cemig R$4,21 bilhões para quitar a dívida contratada pelo então Governador Eduardo Azeredo com a empresa e que deveria ser pago em prestações até 2035. O dinheiro antecipado pelo Estado já daria para cobrir o dobro dos custos do gasoduto, de uma só vez.

Outra alternativa seria ainda um sócio do próprio estado. Segundo o Tribunal de Contas do Estado, a Codemig tem receitas anuais de R$750 milhões provenientes da exploração do nióbio de Araxá. Dois anos de receita da Empresa, o tempo que deve levar a construção do gasoduto, seriam suficientes para bancar a maior parte do custo da Gasmig. Certamente, trata-se de um investimento bem mais justificável do que os R$1,4 bilhão gasto na Cidade Administrativa pela Codemig e uma forma de fazer com que a riqueza do Triangulo gerasse crescimento na própria região.

Em outras palavras, a opção privatização é convicção ideológica do PSDB. Ganha com isto a empresa espanhola escolhida e as campanhas a serem abastecidas financeiramente. Perde o Estado e o povo, que certamente arcará com tarifas mais altas de água, luz e gás.

#ImaginaSeFosseAPetrobras

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Café com leite derramado

A chamada "política do café com leite", aprendemos nas aulas de história em tempos idos, foi, grosso modo, um acordo do tipo "permuta", feito na República Velha, para que o poder se alternasse nas mãos de dois dos estados mais ricos e populosos da federação à época: São Paulo (o café) e Minas Gerais (o leite). Num dado momento, o presidente da República seria um paulista; no outro, um mineiro. Ou, se não, em último caso, com a "benção" destes.

Conhecemos as consequências dessa política, pois sabemos das gritantes desigualdades regionais que se perpetuam até os dias que correm pelo país, e sabemos reconhecer, à distância dos tempos, a hegemonia, patrimonialismo e compadrio de uma oligarquia que, até hoje, refestela-se com as sobras e restos do poder e da riqueza acumulada desde aquela época.

Não à toa, note, Minas e São Paulo são estados conservadores — e ricos.

Não à toa, esses dois estados são, há muito, governados pelos PSDB. Donde se poderia deduzir, erroneamente, que nesses dois grandes colégios eleitorais, ainda se vive no tempo da República Velha. É o que parece desejar/pretender alguns. Mas ao que tudo indica já se percebe uma trinca nessa vistosa xícara cheia de café com leite — e indisfarçável bolor. Essa anacrônica mistura já azedou, há muito, e derramou manchando a alva toalha de mesa da Casa-Grande. Vamos às manchas.

Experimenta-se hoje no estado de São Paulo, após o decorrer de praticamente 20 anos de gestão tucana, um escandaloso descalabro administrativo — muito provavelmente, efeito retardado (e deletério) do tão propagandeado "choque de gestão".

Como sabe até o mais incauto, alienado e distraído cidadão paulista, a saúde da população está em desumana situação de miséria; a educação pública é uma vergonha, um horror! No que diz respeito à segurança pública, o cidadão vive hoje uma nunca antes experimentada e tamanha sensação de abandono e insegurança; uma situação de verdadeiro descalabro, brutal, disseminada e avassaladora violência.

Chegou-se ao paroxismo de, por inépcia dos governantes, faltar água no estado de SP neste ano!

Tudo isso, de modo óbvio e providencial, acobertado por uma cúmplice e silente mídia "amiga". Realidade semelhante repete-se em Minas Gerais.

A situação em São Paulo é tão gritante e escancaradamente crítica que até mesmo parte dos empedernidos conservadores, hegemônicos por essas plagas, não aguentam mais a situação e já reivindicam/desejam uma mudança. Mas, por óbvio, contanto que seja uma mudança confortavelmente acomodada no campo da centro-direita — haja vista o novo consórcio conservador que já se insinua no pardacento horizonte dos paulistas, formado pela união entre Skaf, Kassab, Batochio et caterva.

Ou seja: a situação está tão ruim no estado de São Paulo, mais tão ruim, que os próprios conservadores estão buscando uma solução alternativa ao PSDB — mas também, claro, ao PT.

E o ex-presidente da Fiesp, que foi, vale lembrar, um dos líderes do movimento que culminou com o fim da CPMF, parece ser o "café" [Puro? Expresso? Uma coisa é certa: sem leite] providencial para reaquecer a indústria e a alma de uma São Paulo antes pujante e desenvolvimentista, hoje em franca ruína e decadência.

Mas este "detalhe", digamos assim [o de ter ajudado a acabar com um imposto que arrecadava, de modo compulsório, intempestivo, bilhões de reais para a saúde e, de quebra, ainda ajudava a fiscalizar a circulação do dinheiro no país, impedindo, em grande parte, a "lavagem" ou os crimes financeiros], para o pensamento conservador, está longe de ser um demérito — ao contrário, soa como maviosa melodia e/ou providência.

Falar mal de impostos soa como música, sobretudo aos ouvidos daqueles mesmos que reclamam da falta de saúde, educação, segurança e investimentos públicos. Soa como agradável mantra àqueles que querem um Estado anão, de joelhos, diante de uma gigante burguesia transnacional. Sim, pois os empresários paulistas, os "nacionais", quase que na sua totalidade já faliram ou transferiram seus negócios para outras plagas — onde nem o mais intrépido bandeirante ousou alcançar.

Cada um, como até os surdos sabem, escolhe a música que melhor agrada aos seus ouvidos.

Eu, por outro lado, aprecio muito o canto dos pássaros.

Mas, já se sabe, em céus infestados por gaviões, águias, abutres e inúmeros helicópteros, passarinho pia baixinho, quase inaudível.

Lula Miranda
No 247
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As relações entre a Cowan, a Delta e a Prefeitura de BH


Reportagem do jornal O Tempo revela movimentos pouco explicados entre a Prefeitura de Belo Horizonte e a construtora Cowan — responsável pelo viaduto que desabou na Via dom Pedro I.

Em abril de 2012, “O Globo” informou que a Prefeitura assinou contrato para obra antes mesmo que o Consórcio Integração — formado pela Delta e pela Cowan — tivesse se formado.

O consórcio só foi incluído no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica três meses após a assinatura do contrato.

Em função da denúncia, o Ministério Público de Minas Gerais instaurou inquérito e encaminhou ofício a todas as promotorias do Estado para levantar outros contratos entre prefeituras mineiras e a Delta — indiciada como integrante do esquema Carlinhos Cachoeira.

Quando explodiu o escândalo, a Prefeitura decidiu emitir nota de empenho separada, para impedir que a Cowan fosse prejudicada pelo bloqueio de contas da parceira.

O fundador da Cowan, Walduck Wanderley — morto em 2004 —, sempre foi visto como um empresário excêntrico. Na verdade, dos personagens mais ridículos do mundo empresarial brasileiro, perfil do empreiteiro típico dos anos 50.

Em 1997 orgulhava-se de ter gastos pessoais da ordem de 200 mil dólares por mês. Seu prazer maior era desfilar sua Mercedes S-200 a 20 km por hora pela avenida Afonso Pena (http://tinyurl.com/kbczsqv) a principal de Belo Horizonte. Justificativa: “Não basta ter dinheiro. É preciso ter e mostrar que se tem”.

Vangloriava-se de ter 25 veículos, dos quais 10 Mercedes. E ter mais de trinta namoradas. Não escondia seu estilo de financiar campanhas políticas e da importância de ter amigos em cargos relevantes.

Com sua morte o grupo foi assumido pelo irmão mais novo, Saulo Wanderley, que expandiu os trabalhos da Cowan para a área de saneamento e de petróleo.

Segundo informa O Tempo, com base em dados do Portal da Transparência do Paço de BH, o contrato da obra do viaduto que desabou na tarde da quinta-feira (3) é da ordem de R$ 159.214.292,89. O projeto, voltado para a Copa do Mundo, envolve recursos do governo federal.

Durante a investigação, o MPE descobriu documentos do Tribunal de Contas do Estado que sugerem que o projeto esteja superfaturado em até 350%.

No mesmo dia em que ocorreu a tragédia que vitimou duas pessoas na capital mineira, a Cowan foi anunciada, em São Paulo, como uma das empresas que integram o consórcio vencedor da licitação do monotrilho ABC (Linha 18-Bronze).

Após meses de imbróglio jurídico em torno do certame, o governo do Estado conseguiu concluir a disputa. A obra, que ligará a região do ABC Paulista à Capital, conta com recursos estaduais e da União, via PAC.

No GGN
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A alteridade cínica da grande mídia (2)

Em pelo menos três ocasiões distintas, nos últimos cinco meses, registrei, neste Observatório da Imprensa, a obstinação da grande mídia brasileira em torno de uma pauta negativa.

Em janeiro, referindo-me à tradicionalíssima oração católica “Salve Rainha” escrevi:

Um visitante estrangeiro que desembarque no Brasil e que tome como referência as notícias diariamente veiculadas na grande mídia brasileira se convencerá de que o “vale de lágrimas” da interpretação cristã do Salmo 84 é aqui, hoje e agora. No enquadramento padrão do jornalismo praticado entre nós, até mesmo as notícias eventualmente “boas” são acompanhadas de comentários irônicos e jocosos insinuando que alguma coisa deu ou dará errado, mantendo-se o “clima geral” de que estamos vivendo numa permanente e irrecorrível sequência de sofrimento e purgação de pecados. (...). Por óbvio, o “vale de lágrimas” não é a única característica do jornalismo brasileiro que omite e/ou enfatiza seletivamente aquilo que atende mais ou menos aos seus interesses, implícitos e/ou explícitos. (...) Não haveria nada de positivo eventualmente acontecendo e merecedor de ser noticiado neste pedaço do planeta “descoberto” por Cabral? No jornalismo do “vale de lágrimas” que vem sendo praticado pela grande mídia, salvar o Brasil, só com ajuda divina. Vamos todos rezar o “Salve Rainha” [ver “O ‘vale de lágrimas’ é aqui“].

Em fevereiro, discutindo a questão da violência urbana, registrei uma orientação da TV Globo que, embora posteriormente desmentida, confirmou-se na cobertura jornalística oferecida. Afirmei naquela ocasião:

A Rede Globo de Televisão recomendou a seus jornalistas, inclusive os que trabalham em suas 122 (cento e vinte e duas) emissoras afiliadas, “que a Copa e a seleção brasileira são uma paixão nacional, mas que irregularidades deverão ser denunciadas e ‘pautas positivas’ deverão ser evitadas, a não ser que ‘surjam naturalmente’. Reportagens que mostram como a Copa está beneficiando grupos de pessoas, como os comerciantes vizinhos a estádios, já não estão sendo produzidas para o Jornal Nacional” (ver aqui, e aqui a resposta da Globo). (...) O que me traz de volta ao tema é, especificamente, a alteridade cínica do jornalismo do vale de lágrimas na cobertura da violência urbana. Esse tipo de jornalismo “faz de conta” de que a mídia não tem qualquer responsabilidade em relação ao que ocorre na sociedade brasileira. Ela seria apenas uma observadora privilegiada cumprindo o seu papel de tornar pública a violência e cobrar mais policiamento dos governos local e federal – como se a solução da violência fosse um problema apenas de mais ou menos policiamento [ver “A alteridade cínica da grande mídia“].

E, finalmente, em maio, analisei, como exemplo concreto, matéria de capa do portal UOL, assinada por Aiuri Rebello, com o título: “Brasília inaugura seu único legado de mobilidade para a Copa no escuro”. Comentei:

Trata-se aqui da incansável e sistemática pauta negativa que tem orientado a quase totalidade da cobertura jornalística da grande mídia nos últimos meses (...). A matéria do UOL, contudo, destaca os seguintes pontos: 1. “a única [obra] de mobilidade urbana prevista em Brasília para sair a tempo da Copa; 2. “não há iluminação instalada em um raio de pelo menos 50 metros no entorno da rotatória, o que dificulta a vida de motoristas e pedestres por ali”; 3. “não há uma calçada ou qualquer ponto de travessia próximo para pedestres, como faixa ou passarela”; 4. “não há nenhuma sinalização viária ou placa de qualquer espécie, tanto na rotatória quanto no túnel e suas imediações para indicar os caminhos certos aos motoristas”; e 5. “em agosto do ano passado, o UOL Esporte mostrou que centenas de árvores e plantas nativas do Cerrado e tombadas pelo governo foram desnatadas (sic) durante a obra.” [Observação: no dicionário Aurélio, “desnatar” significa “tirar a nata a (o leite)”.] Ser “a única” obra de mobilidade urbana altera o valor intrínseco dela? Na verdade, a obra inaugurada se integra a outras do Expresso DF Sul em fase de testes, no mesmo espaço. Problemas de iluminação e de sinalização, na obra e em seu entorno, sim, existem e, pelo que se vê, tenta-se resolvê-los após a inauguração. Por outro lado, como sou usuário frequente do acesso do Plano Piloto ao aeroporto, posso garantir que (1) não há fluxo de pedestres na região do túnel inaugurado e (2) não havia como fazer obras no local sem a retirada de “árvores e plantas nativas do Cerrado”. O GDF garante que as 67 árvores [e não “centenas”] da espécie sibipiruna deslocadas para as obras do Expresso DF Sul foram replantadas pela Novacap com sucesso e que foram ainda plantadas 400 mudas de ipês (cores branca, roxa e amarela), 250 palmeiras e 47 flamboyants. Tenho chamado essa prática de pauta negativa de “jornalismo do vale de lágrimas”. Afinal, há algum limite para a pauta negativa? [ver “Há limite para a pauta negativa?“]

Do #nãovaiterCopa à Copa das Copas

Como inúmeros outros observadores, ao longo dos últimos meses, registrei a pauta negativa unânime da grande mídia, não só em relação aos preparativos para a Copa, mas também ao cotidiano da vida dos brasileiros, nos seus mais distintos aspectos.

Luciano Martins Costa constatou com propriedade, neste Observatório, poucos dias antes do início da Copa do Mundo que “se o leitor ou leitora afeto à visão crítica dos acontecimentos fizer uma visita ao noticiário dos últimos doze meses, vai observar que o estado de espírito negativo que contamina o Brasil não decorre de um efeito colateral do noticiário: é o propósito central da atividade da imprensa hegemônica. (...) A leitura dos jornais nesse período indica claramente o desenvolvimento de uma campanha com objetivo de destruir a autoestima dos brasileiros” [ver “Imprensa e jornalismo, nada a ver“].

Pois bem.

Chegou a Copa do Mundo. Eis que o #imaginanaCopa e o #nãovaitercopa foram superados por um evento alegre e festivo, celebrado nas ruas do país e nas “arenas” das 12 cidades-sede por milhões de brasileiros e estrangeiros de todas as regiões do planeta.

Diante desse fato incontornável, a grande mídia do “vale de lágrimas” passou a praticar um malabarismo digno das Olimpíadas que acontecerão no Rio, em 2016.

A alteridade cínica se repete

O campeão da pauta negativa, o Jornal Nacional da TV Globo, na edição de quinta-feira (26/6), por intermédio de seu editor-chefe e âncora, atribuiu o “ar de preocupação generalizada” em relação à realização da Copa do Mundo no Brasil “especialmente” às críticas “ácidas” da imprensa estrangeira. Disse ele:

Durante meses, os atrasos e os problemas de organização da Copa do Mundo foram assunto de muitas reportagens no Brasil e no exterior. Existia no ar uma preocupação generalizada com as consequências dos atrasos, das obras não concluídas. E os jornais estrangeiros eram especialmente ácidos nas críticas. Mas o fato é que, aos poucos, desde o início desse Mundial, isso tem mudado.

E a correspondente da TV Globo em New York, Elaine Blast, completa:

Muitos problemas que antes eram previstos para a Copa do Mundo no Brasil não se confirmaram. Aos poucos, o tom crítico da imprensa internacional foi mudando, com reportagens que também retratam o clima festivo desse Mundial [cf. texto e vídeo disponíveis aqui].

Será que a cobertura negativa da grande mídia brasileira – do JN, em particular – não serviu de referência para as críticas “ácidas” que “os jornais estrangeiros” fizeram ao país?

Será que os 22 mil jornalistas estrangeiros, de mais de 60 países, credenciados para cobrir in loco a Copa do Mundo (18.800 diretamente pela FIFA e 3.300 pelo governo brasileiro, o maior contingente de todas as Copas) não teriam constatado, eles próprios, que a realidade do país não era exatamente aquela que a mídia brasileira mostrava?

Será que a TV Globo insiste em trabalhar com a suposição de que a sua audiência (ou a maioria dela) é tola, desmemoriada [ver Laurindo Leal Filho, “De Bonner para Homer“] e não se recordará da obstinação pela pauta negativa que marcou a cobertura da emissora e de suas afiliadas até o início da Copa do Mundo?

Vale lembrar o refrão do sucesso de Paul Simon na década de 1970: “Who do you think you’re fooling?” (“Love me like a rock”, 1973).

Não é sem razão que essa alteridade cínica, repetida e conveniente, tem provocado, já há algum tempo, a queda contínua de credibilidade da grande mídia brasileira.

Venício A. de Lima, jornalista e sociólogo, professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado), pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (Cerbras) da UFMG e organizador de Para Garantir o Direito à Comunicação – A lei argentina, o relatório Leveson e o HGL da União Europeia, Perseu Abramo/Maurício Grabois, 2014; entre outros livros 
No OI
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Os grupos de mídia não estão à altura do país


A Copa do Mundo desnudou um dos maiores e mais relevantes problemas do país: o déficit de informação.

Talvez tenha sido o maior desastre jornalístico da história, mais do que o episódio das Cartas de Bernardes, o Plano Cohen ou a manipulação inicial sobre o movimento da diretas. Isso porque revelou métodos anti-jornalísticos não apenas para o público mais politizado e bem informado, mas em cima de um tema nacional  — o futebol. E no momento em que as redes sociais já haviam acabado com a exclusividade que a mídia detinha na disseminação de notícias.

O episódio abriu uma enorme brecha na credibilidade dos grupos de mídia, em cima de pontos centrais:
  1. A não confiabilidade das informações.
  2. O fato dos grupos colocarem seus objetivos políticos acima do próprio interesse do país.
A informação correta é elemento central não apenas para a democracia como para o mercado.

Milhares de comerciantes, hotéis, pontos turísticos foram prejudicados pela redução do fluxo internacional provocada pelo terrorismo praticado pelos grupos de mídia em cima de informações falsas.

* * *

E, fora da Copa, quais os critérios de análise de políticas públicas?

A política econômica é a de maior visibilidade devido aos indicadores existentes: PIB, contas externas, investimentos públicos e privados, emprego, questões fiscais etc. E nesse item o governo Dilma vai mal.

* * *

Mas o governo Dilma não é apenas isso.

Há uma frente social importante, com o Bolsa Família, Brasil Sem Miséria, Luz Para Todos, Brasil Sorriso, Pronatec etc. Nesse campo, as informações são escondidas.

* * *

E nos investimentos públicos? Tome-se o caso do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). É um programa bem sucedido ou não?

Há duas fontes de informação: os grupos de mídia e o governo.

Do lado dos grupos de mídia, a fiscalização do PAC segue a receita padrão Copa do Mundo. Se uma obra está 90% completa, a reportagem é sobre os 10% que faltam. Como o PAC engloba centenas de obras, basta selecionar algumas que não deram certo para passar ao leitor a sensação de que nada deu certo.

Ontem caiu um viaduto em Belo Horizonte. A obra era de responsabilidade da Prefeitura. As manchetes online dos grupos de mídia debitavam a queda ao PAC. Dá para confiar?

* * *

Do lado do governo, é o oposto. Basta selecionar uma dúzia de obras que deram certo, para supor que o conjunto deu certo.

Depois, esse caos de informação é potencializado pelas disputas nas redes sociais.

* * *

O próprio PAC tem um balanço bem feito, financeiro e físico. Mas não  há um balanço qualitativo nem o peso das obras em relação às necessidades totais do país.

Por exemplo, o PAC divulga todas as obras rodoviárias que estão sendo feito ou já foram completadas. O que significam dentro da malha total brasileira? São significativas ou atendem a apenas um percentual ínfimo das necessidades?

O mesmo em relação as obras ferroviárias, à transposição das águas do rio São Francisco, às hidrovias.

* * *

Em suma, tem-se um país moderno e um país anacrônico. Gestão pública consegue avanços mas grupos de mídia, até agora, não conseguiram atravessar o Rubicão da modernidade.

Luís Nassif
No GGN
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Tragédia em BH e a mídia macabra

Atordoada com a pesquisa do Datafolha, que apontou a melhoria do humor dos brasileiros com o sucesso da Copa e seus reflexos positivos na candidatura de Dilma Rousseff, a mídia tucana está à procura de cadáveres. Nesta sexta-feira (4), todos os jornalões deram manchetes garrafais para a tragédia que atingiu Belo Horizonte e resultou na morte de duas pessoas. A mídia macabra evita criticar a empreiteira Cowan, responsável pela construção do viaduto que desabou; também isenta o prefeito da capital mineira, Marcio Lacerda, um aecista convicto que inclusive rompeu com seu partido (PSB) para apoiar o candidato tucano ao governo estadual. Tudo é feito para desgastar a imagem da presidenta!

Os barões da mídia até parece que combinaram suas manchetes espalhafatosas num encontro mórbido. Folha: “Obra inacabada da Copa desaba e mata 1 em BH”; O Globo: "Viaduto de obra da Copa desaba e mata 2 em BH"; Estadão: "Viaduto planejado para Copa cai e mata 2". O tom da cobertura também é idêntico. Todos os jornais enfatizam que a construção faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), com o nítido propósito de culpar o governo federal. Evitam destacar o fato de que a execução das obras do PAC cabe aos estados e municípios. Até a lacônica explicação do prefeito Marcio Lacerda, de que a tragédia foi uma simples “falha de engenheira”, passa batido pelos jornalões. 

A Cowan foi contratada pela prefeitura de Belo Horizonte para duplicar uma avenida e construir três viadutos nas proximidades do estádio do Mineirão. As obras, com um custo de R$ 171 milhões (afora os aditivos), não foram concluídas a tempo para os jogos da Copa. Além do atraso — que não é realçado pela mídia privada, que adora criticar apenas a ineficiência do setor público —, agora ocorreu o desabamento. Para o prefeito, “acidentes como esse infelizmente acontecem... Não sabemos se é falha de projeto ou de construção. Serão feitas todas as perícias, um inquérito policial será aberto e essa análise será feita com cuidado”. Lacerda também garante que a prefeitura fiscalizou a execução da obra.

Em editorial, a Folha tucana não fez qualquer crítica à empreiteira e ao prefeito amigão de Aécio Neves, o cambaleante candidato do PSDB. Num oportunismo explícito, ela preferiu tratar do “humor da Copa” e dos reflexos nas eleições. Para o jornal, a queda do viaduto “não foi, felizmente, tragédia de maiores proporções. Serve para lembrar, ainda assim, o quanto houve de irresponsabilidade e improviso, para nada dizer de corrupção, na organização do Mundial”. Ao tratar da pesquisa Datafolha, que apontou o crescimento de Dilma, a Folha escancara a sua torcida. “Não é improvável que, passada a Copa, a percepção positiva venha a ser confrontada com outras realidades e se dilua no turbilhão da campanha eleitoral”.

Como já apontou Fernando Brito, no excelente blog Tijolaço, a cobertura da triste tragédia em Belo Horizonte só confirma a “politicagem mórbida” da mídia. Ele lembra que “há menos de um mês, caiu uma viga da obra do monotrilho da Linha 17 — Ouro do Metrô paulista, próxima ao Aeroporto de Congonhas, e matou uma pessoa. O monotrilho, que fará a ligação entre o aeroporto de Congonhas e a rede de trens metropolitanos, era, como está noticiado em uma velha matéria do UOL, ‘a única obra de responsabilidade do governo do Estado de São Paulo que consta na Matriz de Responsabilidades da Copa do Mundo’”. A mídia tucana, porém, não fez qualquer escarcéu e rapidamente arquivou esta tragédia! Geraldo Alckmin, candidato à reeleição do PSDB, deve ter agradecido — sabe se lá como!

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As vidas paralelas de Dirceu e Barbosa

JB Superstar
Dois homens que frequentaram nos últimos anos as primeiras páginas iniciaram, nesta semana, uma nova etapa em sua vida.

As fotos falam sozinhas.

É um Joaquim Barbosa reluzente, com ares de estrela de Hollywood, que você vê se despedindo do STF.

Jornalistas se apressaram em tirar selfies ao lado de JB. Seu futuro é previsível. Fora a pensão vitalícia de quase 30 mil reais, a possibilidade de fazer palestras em série com cachês milionários.

Quanto tempo vai demorar até que JB se torne colunista do Globo ou da Folha, comentarista da CBN e da Globonews — todas aquelas coisas, enfim, que alavancam você para a vida de palestrante?

A direita cuida dos seus.

Mas antes de tudo o ócio esplêndido, gasto em parte provavelmente no apartamento de Miami comprado com um expediente para evitar imposto.

A foto do segundo homem é bem diferente. É um Zé Dirceu muito mais magro e claramente abatido que é fotografado a caminho do seu emprego.

Foram sete meses de prisão por um capricho de Joaquim Barbosa, que contrariou uma jurisprudência consagrada para mantê-lo trancafiado.

Sete meses de cadeia deixaram marcas
Sete meses de cadeia deixaram marcas
Neste período de mais de meio ano, enquanto Barbosa fazia coisas como dar um giro pela Europa e ver num camarote a abertura da Copa do Mundo, Dirceu desfrutava o que a mídia chamava de “regalias” da Papuda.

O banheiro, por exemplo, não tem vaso sanitário, apenas um buraco. Mas para a mídia era como se Dirceu estivesse no George 5 de Paris.

Ainda agora é este o tom. Leio no site do Globo que “especialistas dizem que Dirceu debochou” dos brasileiros ao sair da prisão numa Hilux com motorista.

Como ele deveria sair para satisfazer o Globo? Ele deveria ir a pé para o trabalho? Numa perua Brasília 1974? De quatro?

Vou ver quem é o “especialista”. É Bolívar Lamounier, apresentado como “cientista político”, simplesmente. Pobres leitores do Globo. Talvez eles imaginem que Lamounier seja um analista “isento” e não, como é, um antigo militante do PSDB.

O que Lamounier tem a dizer sobre Robson Marinho, de seu partido, mantido há tantos anos no Tribunal de Contas do Estado mesmo sob evidências cabais de contas secretas na Suíça?

Então ficamos assim: o Globo quer que alguém bata em Dirceu e vai procurar esta pessoa no PSDB. Diz que ela é “especialista”, para lhe conferir autoridade. Só não avisa seu leitor de que o “especialista” pertence ao PSDB.

Num certo momento, pouco mais de dez anos atrás, as vidas de Joaquim Barbosa e José Dirceu se cruzaram. Estavam em situação diferente da atual.

Barbosa batalhava, sôfrego, por uma vaga no STF, e Dirceu era um ministro poderoso.

Algum tempo depois, no Mensalão, os papeis tinham mudado. Barbosa era Deus e Dirceu o demônio.

Nos últimos meses, em mais um giro da roda, Barbosa era o homem que podia fazer de Dirceu um presidiário em tempo integral, mesmo sob a reprovação de quase todos os seus colegas de STF — e fez.

Agora, Barbosa parte para um futuro que promete trazer dinheiro e status em grandes quantidades. Dirceu é uma incógnita: como a temporada na prisão o afetou?

Como a posteridade tratará dois homens tão diferentes mas que compartilharam uma mesma história de forma tão intensa?

Representam visões tão opostas que um haverá de aparecer como vencedor e o outro como vencido nos livros de história.

Qual o vencedor, qual o vencido?

Façam suas apostas, amigos.

Tenho a minha.

Paulo Nogueira
No DCM
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"Governo federal não tem responsabilidade" por viaduto , diz Ministro

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O ministro das Cidades, Gilberto Occhi, afirmou nesta sexta-feira 4 que o governo federal não é responsável pela execução do projeto do viaduto, chamado de Guararapes, que desabou ontem em Belo Horizonte (MG). Segundo ele, a responsável pelo projeto é o poder municipal, comandado pelo prefeito Márcio Lacerda (PSB).

"O governo federal não tem responsabilidade com o fato ocorrido. A obra do viaduto é de responsabilidade da prefeitura e da construtora", disse o ministro ao portal G1, da Globo. O viaduto era parte da construção do BRT (via de trânsito rápido para ônibus) e era uma das iniciativas para mobilidade urbana visando a Copa do Mundo.

Segundo Occhi, o governo federal liberou R$ 150 milhões para a obra, mas não tem a função de aprovar ou rejeitar os projetos que são apresentados pelas construtoras, e sim a prefeitura. Ele disse agora esperar que a prefeitura "tome as providências junto á construtora para identificar o motivo do acidente".

"Em função disso, o governo federal aguarda a reconstrução, que será com recursos da prefeitura ou da construtora, mas isso só será definido após o laudo da perícia ficar pronto", explicou.


“Manchete da Folha: 'Erramos: A culpa pela queda do viaduto é da prefeitura. Haddad ainda não se manifestou'.” — Ary

Era obra da copa mas a 'licitação' (se é que pode se chamar) e execução foi da 'prefeitura de BH'... e com a 'famigerada delta'... e com denúncias de irregularidades já há tempos! Veja aqui e aqui.
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'Não tem mais bobo no futebol'

A frase que está no título desta coluna tornou-se lugar comum faz tempo, como sabe qualquer um que acompanha futebol ao menos durante Copas.

Quando e por que começou a extinção dos "bobos", as seleções nacionais entre ingênuas e fracas?

Difícil saber quando se difundiu a percepção de que os jogos entre "potências" tradicionais e tradicionais azarões se tornaram regularmente mais difíceis — zebras sempre existiram. Observando as estatísticas de campeonatos internacionais de seleções, parece que os "bobos" começaram a desaparecer na primeira metade dos anos 1990.

Talvez não por acaso, foi também quando a dúzia de times europeus que ora comanda ou lidera o futebol mundial tornou-se negócio grande, de interesse de TVs, depois de conglomerados de mídia, muitas vezes. Grupos de mídia são donos de vários times, de contratos de transmissão, de estádios rentáveis etc. O caso notório de Silvio Berlusconi, sua Mediaset e seu Milan não é extravagância, apesar das aberrações políticas, econômicas, futebolísticas e policiais desse contubérnio.

Na virada dos anos 1980 para os 1990, os times europeus maiores, que já vinham tentando se transformar em "big business", passaram a assinar contratos de transmissão de jogos com valores estratosféricos, dezenas de vezes superiores àqueles típicos até os anos 80.

Difundiam-se então os serviços de TV por assinatura, "TV paga", por cabo ou satélite.

Ou seja, o início do consumo de massa de uma tecnologia de comunicação ampliou as oportunidades de negócio do futebol. Além do mais, o preço de ingressos passou a correr acima da inflação. O licenciamento em massa de produtos relacionados a clubes e jogadores, o marketing organizado, maciço, de dinheiro grosso, também explodiu por essa época.

Assim, aumentou muito o poder econômico dos clubes europeus, na verdade do consórcio clubes-mídia. Jogadores do resto do mundo passaram a ser importados em massa, o que foi ainda facilitado depois de 1995 pode decisões judiciais a respeito do livre trânsito de jogadores (que são enfim trabalhadores) na União Europeia.

Atletas das seleções "bobas" passaram a ser treinados nos melhores campeonatos, com as melhores técnicas. Foram, de certo modo, aculturados, perderam alguns traços do modo de jogar "nacional", enquanto passavam a ser treinados de acordo com métodos científicos. As melhorias econômicas nos países "subdesenvolvido" ajudam a dar cabo do modo tradicional, malabarista e fantasista, de jogar bola.

É verdade que a "globalização" do futebol corria também por outras pistas. A tecnologia permitiu o acompanhamento de campeonatos do outro lado do planeta — não haveria mais surpresas como a Holanda de 1974. Treinadores passaram a circular mais pelo mundo. Técnicos esportivos passaram a se formar em massa em cursos universitários e em outros centros de formação.

Assim, a tecnologia do esporte tornava-se disponível para o mundo inteiro, tanto nos seus aspectos puramente atléticos como nas táticas de jogo e na formação da mentalidade do profissional do esporte.

A "globalização" vai extinguindo os "bobos". E certa graça das diferenças.

Vinicius Torres Freire
No fAlha
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A manchete que vale por mil teses

A quantidade de teorias que poderiam ser escritas com base nesse título da Folha encheriam quatro ou cinco maracanãs…


No O Cafezinho
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Sai Itaúúú. Agora é TU!

Novo grito de guerra!


No CAf
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A bola e as urnas, tudo a ver

O Instituto Datafolha conclui que o ambiente festivo da Copa do Mundo melhora as chances de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Os dados coletados na última pesquisa de intenção de voto, publicados na quinta-feira (3/7), mostram basicamente uma interessante oscilação no humor do eleitorado, mas demonstram principalmente que essa volatilidade do espírito afeta escolhas importantes. Eis aí uma oportunidade de ouro para a imprensa.

Na primeira página da Folha de S.Paulo é apresentado em destaque o gráfico que mostra a intenção de voto para presidente da República, onde Dilma Rousseff (PT) aparece com 38%, Aécio Neves (PSDB) tem 20% e Eduardo Campos (PSB) conta com 9%. Ao lado, três textos curtos acrescentam que 76% das pessoas consultadas desaprovaram os xingamentos à presidente na abertura da Copa do Mundo, 60% afirmaram que a organização do Mundial no Brasil provoca orgulho e 65% disseram que os protestos durante a Copa causaram vergonha.

Num resumo superficial, pode-se dizer que o futebol afeta diretamente a política, e que o brasileiro tende a mostrar mais satisfação com o contexto geral do País quando uma paixão nacional como o jogo da bola oferece motivo para contentamento. As multidões de turistas que se movimentam atrás de suas equipes têm produzido nos brasileiros uma sensação esfuziante de pertencimento, de integração com o resto do mundo, a que a maioria dos cidadãos não tem acesso em suas duras rotinas.

Nas análises dos especialistas citados pelo jornal, afirma-se que a Copa mudou o humor da população, e isso beneficiou a presidente que tenta se reeleger. De modo geral, essa constatação estava presente na pesquisa feita pelo Ibope Inteligência sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria e divulgada no dia 19 de junho.

A coleta de opiniões do Ibope, feita logo após a abertura oficial da Copa, mostrava uma recuperação ainda mais marcante da presidente, com a percepção geral de que o evento seria um sucesso, desmontando as previsões alarmistas divulgadas pela imprensa nos longos meses que antecederam a festa na arena do Corinthians.

Uma chance para a mídia

A Folha chama de “maracanazo social” a perspectiva de conflitos constatada antes do início da Copa do Mundo e, em sua principal análise, observa que não é principalmente o desempenho da seleção nacional, mas a organização da festa, que tem resgatado o “orgulho de ser brasileiro”. Essa reversão de sentimentos, que acua num canto do quintal os que faziam o coro dos vira-latas, não apenas reduz o negativismo na política, mas principalmente altera para melhor as expectativas com relação à economia.

Um dado interessante, também citado pelo analista, dá uma dimensão mais clara do fenômeno provocado pelo esporte: na intenção de voto espontânea, Dilma Rousseff ganha seis pontos porcentuais em relação à pesquisa anterior do Datafolha — e isso a coloca, em termos proporcionais, num patamar de apoio próximo ao que recebia há um ano. Numa eventual disputa em segundo turno, ela venceria com relativa folga qualquer um de seus potenciais adversários.

Mais do que um conjunto de indicadores sobre a perspectiva das urnas, o resultado da pesquisa Datafolha, analisado em conjunto com a consulta feita pelo Ibope Inteligência, oferece elementos instigantes para quem se interessa em estudar o comportamento coletivo sob influência da mídia.

Como a mudança de humor do brasileiro está mais relacionada à capacidade demonstrada de organizar um evento complexo como uma Copa do Mundo do que ao desempenho da seleção nacional de futebol, tem-se claramente a constatação de que essa reversão não estará oscilando muito no futuro próximo, a depender dos resultados no campo de jogo.

Por que se diz que essa circunstância representa uma oportunidade de ouro para a mídia tradicional? Porque os indicadores revelam que o brasileiro se mobiliza mais rapidamente e com mais efetividade no sentido da esperança e do otimismo do que na direção do pessimismo.

A Copa do Mundo oferece à imprensa a chance de se reconciliar com o povo brasileiro não apenas na torcida de futebol, mas principalmente no campo político, onde a mídia tem estimulado rancor e radicalismo nos últimos anos.

Luciano Martins Costa
No OI
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Prefeitura de BH descartou risco de desabamento do viaduto em Fevereiro


Queda de viaduto deixou dois mortos em BH. Em fevereiro, prefeitura garantiu que não havia risco de desabamento

Na matéria abaixo, publicada pelo Estado de Minas em fevereiro do presente ano, a prefeitura de Belo Horizonte descartou o risco de desabamento do viaduto que desmoronou ontem, quinta-feira (3). Na época, houve um deslocamento lateral de 27 centímetros na estrutura do viaduto, o que motivou o fechamento da via. Leia a íntegra:

Sudecap descarta risco de queda do viaduto na Avenida Pedro I
Veja aqui
A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) descartou qualquer risco de queda no viaduto em construção sobre a Avenida Pedro I, na Região da Pampulha, e reafirmou que o trânsito na pista mista será liberado no decorrer desta segunda-feira, no cruzamento com a Rua Montese.

O trecho está fechado desde quinta-feira, mas o trânsito flui pela pista exclusiva de ônibus no sentido Centro/bairro.

Houve um deslocamento lateral de 27 centímetros na estrutura do viaduto, o que motivou o fechamento da via.

Operários escoraram o pontilhão e segundo a Sudecap, a empresa responsável pela obra continua trabalhando para corrigir o problema.

Após a conclusão dos estudos, ainda nesta semana, a obra será normalizada.

Na manhã desta segunda, os operários trabalham na parte do viaduto onde não há problemas de estrutura. O trânsito fui lentamente, porém sem grandes retenções no dois sentidos da Pedro I.

No Pragmatismo Político
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Tiririca é melhor que o Aécio

O que o parlamentar Aécio fez para beneficiar Minas?


O Conversa Afiada reproduz post do Poços 10, sugestão do amigo navegante Lucas:

Tiririca tem mais propostas que Aécio. E agora?

Enquanto Aécio Neves Luta contra o vento, o Deputado Tiririca segue apresentando projetos importantes.

por MarceloMarrakett

Realmente acho que o PSDB não tem propostas reais para governar o país. Em discurso no 5º Prêmio Top Etanol, Aécio afirmou que o setor é vítima da incapacidade do governo federal na condução da política macroeconômica.

“O setor de etanol, construído ao longo de 40 anos pelo esforço, dedicação e pela pesquisa de inúmeros brasileiros, foi abandonado pelo atual governo, que optou ir na contramão do mundo, que busca energia alternativas, não poluentes e renováveis. O setor vive um impasse e precisa de uma resposta”, afirmou Aécio Neves.

Não sei em que país esse senhor vive, porém acho que ele deveria buscar informações antes de proferir caquinhas a céu aberto.

Por solicitação da Presidência da República foi elaborado um documento sobre o setor do Etanol, O governo federal está implementando uma estratégia, concertada com o setor privado, a academia e o setor civil, objetivando estimular, de forma competitiva e sustentável, a economia da bioenergia no Brasil. Quem quiser saber mais sobre o assunto Click no Link http://www.cdes.gov.br/documento/492122/bndes-etanol-como-vetor-de-desenvolvimento-desafios-e-oportunidades-.html e o arquivo será salvo em seu computador.

Já o deputado e palhaço Tiririca (PR-SP) que não sabia o que um deputado fazia… preocupado com seus companheiros circenses, quer que moradores de trailers também possam ser beneficiados pelo Minha Casa, Minha Vida – programa habitacional do governo federal para a população de baixa renda, para financiar residências itinerantes.

O projeto foi aprovado na semana passada pela Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU) e agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Como tem caráter terminativo, o tema, se receber o aval da CCJ, será encaminhado diretamente ao Senado.

Parabéns Tiririca!
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Coletiva com Aécio



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Pesquisa expõe o vexame da imprensa vira-latas


Não vejo base estatística em análises do tipo E a Copa ajuda Dilma... ou Com Copa do Mundo humor do pais melhora e Dilma cresce. Os candidatos permanecem na mesma faixa de intenções de voto desde abril, como aponta o Zé Roberto Toledo no Estadão. Diante desse Datafolha, a imprensa hegemônica deveria olhar para o espelho, não para as eleições.

A ampla aprovação da Copa e o orgulho de sediá-la no Brasil melhoram o humor geral do país, o que pode, sim, favorecer a campanha da presidenta Dilma, mas ainda não se trata de ativo realizado. Pela primeira vez em muito tempo melhoram as expectativas sobre inflação, emprego e desempenho da economia, mas é uma melhora tímida, se comparada aos novos indicadores sobre Copa.

O que o Datafolha traz de novo é a derrota espetacular da imprensa vira-lata diante dos fatos.

É isso que os jornais e a TV tentam esconder desesperadamente. Primeiro, tentaram atribuir as previsões catastróficas à imprensa estrangeira. Falso: a mídia estrangeira comeu na mão imprensa hegemônica local, como acontece em qualquer cobertura global, seja de esportes, guerras ou eleições.

O passo seguinte é tentar botar a culpa no povo. Ontem, no Jornal Nacional, havia uma matéria sobre “o aumento do otimismo” durante a Copa. Dizia que o verde-amarelo quase não se via no início da Copa e foi tomando conta do visual ao longo da competição. “A gente não estava acreditando”, confessa uma ingênua entrevistada.

Quem jamais acreditou e torceu contra a Copa foi a imprensa vira-latas. E a sociedade brasileira foi conduzida à descrença, ao mau-humor e à crítica sem fundamento, reproduzindo os bordões e os dados falsos que via na TV e lia nos jornais (aqui vai um pequeno pacote de catástrofes que não se realizaram).

Bastaram três dias de Copa, com os estádios, os aeroportos, o transporte, a segurança e o turismo funcionando, para desmanchar a realidade virtual do “imagina na Copa”. Os fatos falaram mais alto.

Raramente se vê um choque de realidade como esse. Raramente a imprensa hegemônica de um país se vê confrontada tão cruamente com um erro monumental, de sua exclusiva responsabilidade. É desse erro gigantesco, impossível de esconder, que ela tem de prestar contas ao seu público: o Brasil não passou vergonha.

A mídia internacional percebeu o engano e rapidamente se corrigiu. Transmite ao mundo uma imagem realista do país (com exceção dos espanhóis e de uma parte dos ingleses — que passaram a amaldiçoar o Brasil pelo fiasco de suas seleções. Mas essa dor passa com o tempo).

Nossa pobre imprensa vira-latas não tem estatura para fazer autocrítica, porque nunca teve vergonha manipular a notícia. Vai continuar torturando os fatos, como fez no julgamento do mensalão e faz cotidianamente na cobertura política e econômica — a ponto de perder a razão (e muitas vezes ela a tem) por absoluta carência de credibilidade.

É cedo para afirmar qual será o efeito da Copa do Mundo sobre as eleições. Está claro, porém, que a imprensa vira-latas sofreu sua mais fragorosa derrota, desde que minha saudosa avó me ensinou a ler jornais, na altura Copa do Chile, 1962.

O tempo dirá qual foi o tamanho do estrago da operação- não-vai-ter-copa sobre o poder da mídia hegemônica no Brasil. Será proporcional à incapacidade de autocrítica dos seus proprietários e “formuladores”. Seguramente, a democracia vai sair ganhando.

Ricardo Amaral
No GGN
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