24 de jun de 2014

A imprensa que insufla o ódio

A Copa do Mundo dá à imprensa brasileira uma oportunidade histórica para se reconciliar com o bom jornalismo. Não apenas pelo fato de, até esta altura, tudo estar acontecendo com um alto nível de qualidade, mas também porque a grandeza do evento permite observar a diferença entre o que os estrangeiros pensam do Brasil e o que os brasileiros são levados a pensar de si mesmos. Trata-se, portanto, de um laboratório para a própria imprensa refletir sobre a imagem do país que ela projeta sobre a sociedade.

Correm nas redes sociais, por exemplo, manifestações de personalidades que se surpreendem com o bom funcionamento dos aeroportos, lembrando que o noticiário vinha prevendo, desde o início do ano, que os viajantes iriam enfrentar um verdadeiro caos em terra e no ar. Os grandes agrupamentos de torcedores não têm causado problemas, com exceção de desentendimentos pontuais sem maiores consequências, como a briga entre argelinos que deixou um ferido com uma garrafada.

Porém, enquanto o jornalismo esportivo se mantém na linha regulamentar entre o otimismo com a seleção nacional e a análise crítica, fiel à linguagem ao mesmo tempo engajada e distanciada da crônica futebolística, certos protagonistas do jornalismo político invadem o campo de jogo com seu discurso chulo. É o caso dos colunistas citados pelo comentarista esportivo José Trajano, da emissora ESPN, que, ao comentar os xingamentos dirigidos à presidente da República na arena do Corinthians durante a cerimônia de abertura da Copa, se referiu ao clima de ódio insuflado pela crônica política.

O entrevero teve repercussão nos jornais do fim de semana, alimentando um debate sobre quem deu origem e quem alimenta o discurso do ódio que parece contaminar a parte de cima do edifício social do Brasil. Sábado, domingo e na segunda-feira (23/6), representantes do estrato mais conservador da mídia têm se revezado em tirar da própria imprensa a responsabilidade por transformar o debate político em campo minado. Mas não há como fugir à evidência de que o jornalismo cedeu lugar ao panfletarismo sectário.

O ovo da serpente

O esforço é bem organizado, mas não há como dissimular o fato de que as expressões contundentes e os adjetivos desrespeitosos que têm marcado os argumentos de um lado e de outro na conflagrada cena ideológica são uma marca de meia dúzia de jornalistas instalados pelas empresas hegemônicas da mídia em posições de destaque. Aliás, pode-se afirmar que alguns jornalistas decadentes, cujas carreiras se encaminhavam melancolicamente para o mausoléu do ostracismo, ganharam uma sobrevida e uma maquiagem contemporânea exclusivamente para atuar nessa tropa de choque da incivilidade.

Não se pode negar que há um pantanal de ódio na sociedade brasileira, e essa predisposição para a irracionalidade no campo político se concentra nas camadas mais privilegiadas em termos de educação e renda. Onde se esperava que se houvesse desenvolvido um nível mais elevado de consciência social e capacidade de tolerância para a diversidade de opiniões é justamente onde vicejam sentimentos como a intolerância, o desprezo pela nacionalidade e o complexo de vira-latas. Os colunistas citados por Trajano são, claramente, autores do discurso que caracteriza essa espécie de lumpesinato de alta renda, onde viceja o ovo da serpente.

Afirmamos que a Copa oferece à mídia tradicional a oportunidade para se reconciliar com o jornalismo porque a complexidade do jogo de futebol, com suas surpreendentes reviravoltas e a imensa gama de possibilidades, deveria servir como metáfora para os outros temas da vida social.

Se, como sabemos, a imprensa atua no sentido de dar aos fatos uma certa organização, que de alguma maneira permite ao indivíduo formular um entendimento do mundo, a adoção do discurso raivoso e unilateral produziu uma ruptura entre o que chamamos de imprensa e o jornalismo.

A bola impõe uma linguagem vigorosa, mas sem asperezas, e as regras preveem que as caneladas sejam devidamente punidas. Na política, ao contrário, a imprensa prefere estimular a agressão, porque não consegue ganhar o jogo dentro das regras.

Se os jornais parecem mais equilibrados, nestes dias de intensas emoções futebolísticas, é porque as empresas de comunicação precisam justificar os altos investimentos dos anunciantes.

Luciano Martins Costa
No OI
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A manipulação escancarada do Jornal Nacional

Geração de empregos formais no governo Dilma supera marca de 5 milhões


A versão de Bonner



O fato

O Cadastro-Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mede geração de postos de trabalho com carteira assinada no País, registrou criação de 58.836 vagas em maio, valor que representa crescimento 0,14% em relação ao estoque do mês anterior. O número é o saldo entre 1,849 milhão de admissões e 1,790 milhão de desligamentos em maio.

Com o resultado de maio, a geração de empregos formais no governo Dilma Rousseff superou a marca de 5 milhões. “No período de janeiro de 2011 a maio de 2014, ocorreu um crescimento de 11,47% na geração de postos formais de trabalho alcançando 5.052.710 empregos criados, uma média mensal de geração de 123.237 postos de trabalho com carteira assinada”, informou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O Caged revela também que no acumulado do ano (janeiro a maio) houve expansão de 1,34% no nível de emprego, equivalente ao acréscimo de 543.231 postos de trabalho. Se considerados os últimos 12 meses, o aumento foi de 867.423 postos de trabalho, correspondendo à elevação de 2,15%. Com relação a maio do ano passado, no entanto, saldo de maio significa queda de 18,3%.

Trajetória positiva no cenário mundial
Os dados foram apresentados pelo ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, que destacou a média de empregos gerados mensalmente no Brasil.

“Nós atingimos cinco milhões de empregos no atual governo e vamos continuar gerando novos postos de trabalho. Mantivemos uma ótima média mensal de 123 mil empregos. Mesmo com a falta de empregos no mundo, o Brasil continua sua trajetória positiva de geração de postos de trabalho”, ressaltou.

A geração de 5.052.710 no período de 2011 a 2014 demonstrado pelo Caged foi resultado originado da expansão generalizada dos vários setores de atividades econômicas, com destaque para os setores de Serviços (+2.554.078 postos), seguido do Comércio (+1.140.983 postos), da Construção Civil (+580.023 postos) e da Indústria de Transformação (+510.544 postos).

Em nível geográfico o destaque foi para o estado de São Paulo que respondeu pela criação de 1.349.271 postos de trabalho, o que representou cerca de 27% do saldo líquido do Brasil.

Números de maio

No mês de maio, foram gerados 58.836 empregos formais, um crescimento de 0,14% em relação ao estoque do mês anterior. O aumento mantém a trajetória de expansão, com um total de 1.849.591 admissões no mês e os desligamentos atingindo 1.790.755, o que resultou no resultado positivo no mês, sendo o segundo e o maior montante registrado para o período, respectivamente, o que denota a capacidade da economia de manter o número de contratações em patamar expressivo a despeito do número de desligamentos.

O mercado formal apresentou expansão do emprego em seis setores da economia, tendo quatro deles demonstrado melhor desempenho em relação aos dados de maio de 2013.

Em termos absolutos, os setores responsáveis pelo desempenho positivo no mês foram a Agricultura (+44.105 postos ou +2,79%, ante saldo de +33.285 postos em maio de 2013); o setor de Serviços (+38.814 postos ou + 0,23%, ante 21.154 postos em maio de 2013); e a Construção Civil (+2.692 postos ou +0,08%, ante uma redução de 1.877 postos no mesmo mês do ano anterior).

A Indústria de Transformação, com o declínio de 28.533 postos (-0,34%), foi o setor que mais contribuiu para o desempenho mais modesto no mês de maio.

Estados

Os dados por recorte geográfico mostram que em quase todas as regiões brasileiras ocorreu elevação no nível de emprego, com destaque para a região Sudeste com geração de 51.136 postos; a Centro-Oeste, que gerou 7.765 postos e a região Norte com criação de 4.327 postos de trabalho.

Entre os estados, 17 elevaram o nível de emprego, com destaque para o estado do Pará, com geração de +5.204 postos ou +0,66%, apresentando saldo recorde para o período dentre todas os estados, decorrente do desempenho positivo em quase todos os setores com destaque para a Construção Civil que gerou 4.846 postos; Minas Gerais com geração de 22.925 postos ou +0,53% e São Paulo que criou no mês 13.201 postos ou +0,10%.
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Maior legado da Copa no Brasil é a força do povo


Faz duas semanas, deixei um país em guerra, afundado nas mais apocalípticas previsões, e desembarquei agora noutro, na volta, bem diferente, sem ter saído do Brasil. Durante meses, fomos submetidos a um massacre midiático sem precedentes, anunciando o caos na Copa do Fim do Mundo.

Fomos retratados como um povo de vagabundos, incompetentes, imprestáveis, corruptos, incapazes de organizar um evento deste porte. Sim, eu sei, não devemos confundir governo com Nação. Eles também sabem, mas, no afã de desgastar o governo da presidente Dilma Rousseff, acabaram esculhambando a nossa imagem no mundo todo, confundindo Jesus com Genésio, jogando sempre no popular quanto pior, melhor.

Estádios e aeroportos não ficariam prontos ou desabariam, o acesso aos jogos seria inviável, ninguém se sentiria seguro nas cidades-sede ocupadas por vândalos e marginais. Apenas três dias após o início da Copa, o New York Times, aquele jornalão americano que não pode ser chamado de petista chapa-branca, tirou um sarro da nossa mídia ao reproduzir as previsões negativas que ela fazia nas manchetes até a véspera. Certamente, muitos torcedores-turistas que para cá viriam ficaram com medo e desistiram. Quem vai pagar por este prejuízo provocado pelo terrorismo midiático?

Agora, que tudo é festa, e o mundo celebra a mais bela Copa do Mundo das últimos décadas, com tudo funcionando e nenhuma desgraça até o momento em que escrevo, só querem faturar com o sucesso alheio e nos ameaçam com o tal do "legado". Depois de jogar contra o tempo todo, querem dizer que, após a última partida, nada restará de bom para os brasileiros aproveitarem o investimento feito. Como assim? Vai ser tudo implodido?

A canalhice não tem limites, como se fossemos todos idiotas sem memória e já tenhamos esquecido tudo o que eles falaram e escreveram desde que o Brasil foi escolhido, em 2007, para sediar o Mundial da Fifa. Pois aconteceu tudo ao contrário do que previam e ninguém veio a público até agora para pedir desculpas.

Como vivem em outro mundo, distantes da vida real do dia a dia do brasileiro, jornalistas donos da verdade e do saber não contaram com a incrível capacidade deste povo de superar dificuldades, dar a volta por cima, na raça e no improviso, para cumprir a palavra empenhada.

Para alcançar seus mal disfarçados objetivos políticos e eleitorais, após três derrotas seguidas, os antigos "formadores de opinião" abrigados no Instituto Millenium resolveram partir para o vale tudo, e quebraram a cara.

Qualquer que seja o resultado final dentro do campo, esta gente sombria e triste já perdeu, e a força do povo brasileiro ganhou mais uma vez. Este é maior legado da Copa, a grande confraternização mundial que tomou conta das ruas, resgatando a nossa autoestima, a alegria e a cordialidade, em lugar das "manifestações pacíficas" esperadas pelos black blocs da mídia para alimentar o baixo astral e melar a festa. Pois tem muito gringo por aí que já não quer mais nem voltar para seu país. Poderiam trocar com os nativos que não gostam daqui.

Que tal?

Em tempo: a 18 dias do início da Copa, escrevi um texto de ficção para a revista Brasileiros que está nas bancas, com o título "Deu zebra: ganhamos e o Brasil fez bonito". Repito: trata-se de um exercício de ficção sobre um possível epílogo do Mundial.

Para acessar:


Ricardo Kotscho
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O sobrevivente dos Andes


Outro ângulo



Mordidas

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Peninha e a "bosta do Nordeste" — Assista: A emenda saiu pior do que soneto

Maitê Proença diz: contexto do programa em canal da Globo permite chamar Nordeste de "aquela bosta".

#NãoTemCopaNaGlobo #CalaBocaGalvaoeMaitê



A emenda saiu pior do que soneto. Um comentarista do programa "Extra-ordinários" no canal Sportv das Organizações Globo, em um debate, chamou o Nordeste de "aquela bosta". Diante de protestos contra preconceito e esteriótipos, ele, em vez de pedir desculpas, se defendeu com arrogância, piorando as coisas.

Disse que estava "cagando" (o linguajar dito na TV foi exatamente esse) para os internautas que protestaram, a quem chamou de "idiotas", "bando de babacas".

Emendou com arrogância querendo dar "carteirada" de intelectual no telespectador, dizendo que para discutir com ele sobre o Nordeste, tinha que ler os 15 livros de Câmara Cascudo que ele diz ter lido. Depois, quase balbuciando em meio à intervenções de outro comentarista que procurava colocar panos quentes, disse que estava era "brincando", como se reforçar esteriótipos, preconceitos e alimentar ódios fossem brincadeiras aceitáveis.

Para piorar, a apresentadora Maitê Proença (*) disse que "essa gente é de uma leviandade..." (referindo-se a quem se sentiu ofendido, sobretudo nordestinos, mas também todos os brasileiros que amam o Nordeste), e concluiu "... o cara tem que entender que o contexto desse programa permite esse tipo de coisa".

Deixa eu ver se entendi. O contexto do programa permite chamar o Nordeste de "aquela bosta" numa boa? E leviano é quem se sente ofendido? E quem é chamado de "bosta" é que deveria pedir desculpas ao programa da poderosa TV GloboSat?

É por isso que não dá para assistir qualquer canal que seja das Organizações Globo. Nem jogo da Copa. Só contratam e só convidam quem detona o Brasil, o Nordeste, o povo brasileiro, nossa cultura, nossa gente. Para eles chique é só Nova York, Paris, etc.

E os patrocinadores, hein? Quando um executivo da Philips destratou o Piauí durante o movimento "Cansei", houve um boicote geral, com ninguém comprando produtos da empresa. Será que a Claro, o Itaú, o McDonalds, a Ipiranga, a Kia e Budweiser (mesmo fabricante da Skol, Brahma e Antarctica) querem ir pelo mesmo caminho?

(*) Maitê Proença tem um histórico recente de anti-petista raivosa. Nas eleições de 2010, para apoiar José Serra (PSDB), ela cunhou a frase “machos selvagens nos salvem de Dilma”, apelando para homens machistas não votarem em mulher.

No Amigos do Presidente Lula
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Loco Abreu vai à loucura com gol da classificação heroica do Uruguai

'Os caras são f... PQP'



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2014, o ano em que Galvão saiu de férias para não voltar

Eles
Você está vendo o jogo do Brasil com Camarões acompanhado de amigos. Tudo nos conformes, fora uma ou outra escorregada ufanista do locutor do canal pago.

Até que alguém — o mineiro TT — tem a ideia de colocar na Globo. “Vamos ver o Galvão para dar umas risadas”, é a sugestão. Um ou outro protesto na sala, a vitória já garantida, a atenção diluída, a cerveja. Ok, por que não?

Voltar ao Galvão é uma viagem no tempo. É como ver fotos do Natal de 86. Mas, se alguém esperava nostalgia, o que vem é a imagem daquele tio de terceiro grau inconveniente. Ao mesmo tempo, o alívio de que esse monopólio nos mundiais terminou.

Nas duas últimas Copas, a Globo perdeu quase metade da audiência. A abertura da Alemanha 2006 bateu 65,7 pontos. Na África do Sul, em 2010, caiu para 45,2 pontos. Brasil e Croácia marcou 37,5 pontos.

O mundo mudou, mas Galvão e Globo não. No terreno do folclore, continuam lá o bullying em Casagrande e Arnaldo e as gafes. Neymar foi chamado de Romário e um oriental na plateia pode ser “nissei, ele pode ser sansei. Ele pode nem ser brasileiro”. Houve leitura labial, também.

Junto com a histeria — e você precisa ser muito ingênuo para esperar o contrário —, o que temos é a velha arrogância combinada com uma incapacidade de adaptação aos dias de hoje. O que você faz quando não precisam mais de você?

No momento do gol de Fred (“Don Fredón”), o tira-teima da Fifa colocou o atacante em impedimento. Estava errado, embora a transmissão, diga-se, esteja sendo um show, superior, tecnicamente, a tudo o se apresentou por aqui.

Galvão ficou inconformado num grau absurdo. “A própria Fifa já admitiu que não funciona”, disse. Não era só patriotada. Começou uma diatribe sobre como a Globo não é autorizada a mostrar imagens durante a partida. “Não podemos mostrar durante a transmissão por questões contratuais”, afirmou. Eles não perdiam por esperar.

Fred não estava impedido, mas o chilique desproporcional de Galvão era uma espécie de aviso: “Eu já sabia!”, ele poderia ter dito. “Quem mandou a Fifa não ter o padrão Globo?” Faltava sacudir no ar o crachá, gritando “não é assim que se faz, não é assim que se faz, seus trouxas incompetentes!”.

Em 2010, havia 7,5 telespectadores das TVs abertas para cada um das por assinatura. Quatro anos depois, a proporção está em 6,8 por um. Vai diminuir.

Uma foto dos atletas na concentração sintonizados na Band teria deixado a direção da emissora chateada com a CBF. Tudo conspira contra. Ele já anunciou que 2014 é sua última Copa. É o Sarney da TV, a prova de que o Natal de 86 foi triste e de que dias melhores virão.

Kiko Nogueira
No DCM
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Dilma sanciona o PNE e a luta agora é para implantar as políticas


Lei que sociedade exigiu, e Congresso finalmente votou, combina compromisso com qualidade com abertura à inovação. Mas a batalha decisiva está na implantação das políticas

Se a educação sozinha não pode mudar a sociedade,
tampouco sem ela a sociedade muda.
Paulo Freire

Aprovou-se o Plano Nacional de Educação (PNE) depois de três anos e cinco meses de tramitação. Até onde nossa vista alcança, foi um projeto que recebeu intensa incidência política, fazendo história. Recebeu cerca de três mil emendas logo em sua primeira parada na Comissão Especial instalada na Câmara dos Deputados para sua análise.

Todas as organizações da sociedade civil voltadas ao tema da educação estiveram presentes e atuantes. Destaque para a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que brilhantemente conseguiu garantir em uma das metas o Custo Aluno-Qualidade, indicador que fará com que a União faça a complementação do Custo Aluno nos locais que não conseguirem atingir o valor mínimo. Destaque ainda para as organizações estudantis como UBES—União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e UNE—União Nacional dos Estudantes que lotaram os plenários e fizeram muito barulho bom de se ouvir.

Esta intensa mobilização, garantindo um processo de negociação com a participação de todos os agentes políticos e de todas as forças da sociedade responsabiliza, também, todos e todas com a aplicação e com o controle social do Plano, cada um com o seu papel. A nós, como sociedade, cabe fiscalizar, monitorar, incidir para que a sua implementação ocorra de forma a promover a educação como direito humano. É comum ouvirmos que mais dinheiro não garante uma boa gestão. Claro que não, mas é preciso mais dinheiro sim, e muito, pois em inúmeros lugares desse país gigante ainda estamos na idade da pedra lascada.

Em recente processo de formação do projeto Onda—Adolescentes em Movimento Pelos Direitos, desenvolvido pelo Inesc em escolas públicas, utilizando metodologia de pesquisa para que os estudantes ouvissem a comunidade escolar da qual participam, trabalhamos o tema educação de qualidade e o que motiva a sua não realização, como o número expressivo de adolescentes que abandonam a escola no ensino médio, ou antes mesmo de acessá-lo.

A impressão geral, coletada pela pesquisa, é que as escolas são pouco atraentes e, em geral, não ouvem o seu público. E apesar de acharem a escola pouco sedutora, a boa surpresa é que gostam dessa instituição, especialmente das públicas, por as julgarem mais democráticas que as privadas. No entanto, gostariam de vê-las equipadas a contento e voltadas para um mundo próximo daquele onde vivem e de acordo com o momento que o vivenciam.

Outra questão constatada, que reforça a impressão de que parlamentares estão distantes da sociedade, é que motivos fortes da evasão escolar ancoram-se nas desigualdades de gênero, de orientação sexual e de raça. E apesar disso, retiraram do PNE a possibilidade de se enfatizar o enfrentamento a essas desigualdades e amadurecer o processo educacional como acolhedor de todas as diferenças. Infelizmente vivemos um momento de grande obscurantismo e retrocessos conservadores.

Contudo, mesmo com percalços e perdas ao longo da estrada, o balanço é positivo e este é o melhor Plano Nacional de Educação que já tivemos. Além de nos municiar de elementos para recrudescermos a velha batalha por educação de qualidade. E as aves agourentas podem dizer que isso é chavão, que os movimentos voltados à educação dizem ser esta política uma panaceia, mas verdade seja dita, é isso mesmo, educação de qualidade não resolve tudo, mas muda tudo. Muda a forma de as pessoas verem o mundo, dá a elas liberdade e independência de pensamento, promove-as.


E o PNE trata de reestruturação das redes municipais e estaduais, o que implica na qualificação dos profissionais de educação e melhora salarial, equalizando seus salários com o dos profissionais com o mesmo nível de formação. Espera-se que a União faça valer o artigo 211 da Constituição e não fuja à responsabilidade de garantir padrões mínimos de qualidade. No entanto, os municípios e estados da mesma forma devem priorizar a educação, visto que a vida real acontece no solo das cidades e não na abstrata “União”.

O PNE aborda de questões importantes e menos priorizadas pelos sistemas que é a Educação de Jovens e Adultos e o enfrentamento ao analfabetismo. É preciso políticas transformadoras desta realidade de profunda violação de direitos, que são os inúmeros analfabetos funcionais e totais que temos. As pessoas precisam ser promovidas e libertadas da pedra lascada.
A ampliação da oferta de creches públicas é, também, uma política da maior importância e deve sempre estar na área da educação, para que faça parte do processo educacional e não seja apenas uma oferenda assistencialista. Esperamos que desta vez a oferta seja mais coerente com a demanda que é enorme, especialmente, nos bairros periféricos das grandes cidades.

E vamos ao nosso papel de sociedade, a participação em todas as instâncias. Apesar de alguns críticos dizerem que temos conselhos demais, nosso nível de participação ainda está muito aquém do necessário, precisamos que a comunidade escolar de fato seja comunidade, que os pais estejam presentes no cotidiano de seus filhos e filhas e, que além de fiscalizar se as metas estão sendo atingidas, contribuamos para a democratização das escolas. Pelo fim das instituições totais e a favor do compartilhamento.

Cleomar Manhas
No Blogue Do Souza

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Serra escapa do “trensalão tucano”

No terreno da política, José Serra anda meio isolado. Tentou ser novamente o candidato dos tucanos à sucessão presidencial e dançou. Sondou a possibilidade de ser vice do mineiro Aécio Neves e foi descartado. Especulou com a hipótese de ser candidato ao Senado, mas não agradou muito aos seus pares. Já no campo da Justiça, o ex-governador paulista mantém a sua forte influência. Na semana passada, Serra escapou mais uma vez das apurações do chamado “trensalão tucano”, o bilionário esquema de propina que envolve poderosas multinacionais e todos os governos do PSDB em São Paulo. A Procuradoria-Geral da Justiça simplesmente anunciou que decidiu arquivar as investigações contra o tucano.

Segundo reportagem de Fausto Macedo, no Estadão, a cúpula do Ministério Público Estadual de São Paulo considerou que José Serra não teve qualquer participação na montagem do cartel metroferroviário para vencer uma concorrência da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). “’Passados mais de cinco anos desde a instauração do inquérito civil pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social não foram até o momento identificados indícios de envolvimento do ex-governador José Serra na prática de atos de improbidade administrativa’, cravou, em despacho de sete páginas, o procurador-geral Márcio Fernando Elias Rosa”.

Diante desta estranha conclusão, Elias Rosa considerou “ilógico o prosseguimento” das investigações contra o tucano, “ressalvada a hipótese de surgimento de novas provas que situem os fatos na órbita de apreciação do Procurador-Geral de Justiça”. A denúncia contra José Serra chegou às mãos do procurador-geral em fevereiro de 2014 a partir de uma representação da Promotoria de Defesa do Patrimônio que apontou indícios da participação do tucano no conluio que, segundo a multinacional alemã Siemens, predominou em São Paulo entre 1998 e 2008. Um dos diretores da empresa na época, Nelson Marchetti, afirmou textualmente ter ser reunido com o então governador Serra numa feira na Holanda, 2008.

Elias Rosa, porém, considerou insuficientes o relato do ex-diretor da Siemens e as outras provas apresentadas e decidiu arquivar o processo. “Não se cogitou, sequer em tese, a participação do governador em atos de corrupção”, argumentou o procurador-geral da Justiça. Com isto, José Serra segue livre e solto. Nunca foi investigado pelas graves denúncias sobre o esquema criminoso nas privatizações das estatais na era FHC, fartamente documentadas no livro “A privataria tucana”, do premiado jornalista Amaury Ribeiro Jr., e também não será investigado sobre as denúncias do “trensalão”. Ele pode até ser candidato a deputado federal pelo PSDB, se a sigla assim permitir.

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A aposentadoria de Sarney

Símbolos da ditadura sobreviveram na democracia
Sarney é daqueles políticos que só saem da política no caixão.

Por isso é surpreendente que ele tenha anunciado sua aposentadoria, ainda que aos 84 anos.

Sarney, mais que qualquer outro nome, simboliza o mundo político que é um enorme obstáculo ao desenvolvimento social brasileiro. Enriqueceu espetacularmente no poder no Maranhão, ao passo que a sociedade maranhanse se arrastava numa miséria intolerável.

É também um ícone da fragilidade da transição da ditadura para a democracia no Brasil. Mesmo tendo apoiado os generais e todos os seus horrores, manteve-se sempre no poder.

Ele lembra, neste sentido, a Globo.

Nas redemocratizações ao longo da história mundo afora, aliados da ditadura costumam pagar por seu apoio na forma de ostracismo ou mesmo de sentenças na cadeia.

A Sarney, para enorme infortúnio dos maranhenses, não foi apresentada conta alguma.

Sua pobreza de espírito pode ser verificada num depoimento que ele deu para um projeto de memória de Roberto Marinho, feito pela Globo.

Ele afirmou que uma das coisas que o faziam gostar de RM era a “influência” dele. Gente sábia admira alguém pela inteligência, pela generosidade, pela intrepidez. Sarney admirava RM porque este mandava no Brasil.

Ele contou, em seu depoimento, que sempre que ia ao Rio visitava Roberto Marinho, em busca de aconselhamentos.

Com este espírito, Sarney governou o Brasil como vice de Tancredo Neves depois que este morreu antes de ser empossado.

O Brasil, sob Sarney, não chegou a romper com a ditadura, e isso foi uma pena. E o Brasil, depois do presidente por acaso, não chegou a romper com Sarney, o que também foi uma pena.

Com suas alianças, baseadas na exploração espúria do povo pobre maranhense, ele se manteve no topo mesmo quando o PT ascendeu.

A aliança do PT com Sarney é um dos capítulos mais melancólicos da história petista, e ajuda a entender por que tantos jovens idealistas não enxergam no PT um partido diferente dos outros.

Sarney abandonar a política é, em sim, naturalmente, uma boa notícia.

Mas nada vai mudar se uma reforma política vigorosa não for feita de tal forma que fiquem bloqueados novos Sarneys sempre prontos a se locupletar à custa do povo sofrido brasileiro.

Paulo Nogueira
No DCM
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Imagina nas oitavas

Aquele bordão de antes, "imagina na Copa", pode ser atualizado. Imagina nas oitavas. Vamos pegar o Chile, menos mal, mas o time que ganhou de Camarões, ontem, não deixa ninguém tranquilo. Até entrar o Fernandinho, continuávamos a jogar sem meio-campo. Os próprios jogadores da defesa não confiaram nos companheiros do meio e passaram o primeiro tempo fazendo lançamentos longos para o ataque, por cima deles. Felizmente, Neymar estava iluminado.

A esta altura do campeonato, já dá para fazer uma seleção da Copa, que é a maneira que comentaristas e palpiteiros — ou seja, a maioria da população brasileira — têm de realizar seu sonho de ser técnico e escalar times, mesmo times imaginários. Numa Copa do Mundo, que reúne os melhores jogadores do planeta, nossa tarefa é ainda mais difícil. Alguns jogadores são indiscutíveis e estão, supõe-se, em todas as listas. Como não concordar que Ochoa, do México, foi o melhor goleiro até agora e que Thiago Silva era o único brasileiro que merecia ser escalado até a atuação do Neymar, ontem? Blind, lateral-esquerdo da Holanda, seria outra unanimidade. Daí para a frente a coisa complica e cada entendido, ou pseudoentendido, tem seu time e suas dúvidas.

Pirlo, da Itália, tem lugar certo no meu meio-campo, mas quem seriam os outros? O alemão Tony Kroos, que não erra passe, o ubíquo Matuidi, da França, que joga no campo todo, o americano Bradley, o chileno Sánchez? Você não pode deixar de escalar um ataque com Van Persie, da Holanda, Benzema, da França, e Neymar, mas e o alemão Müller, o belga Hazard e, meu Deus, Robben, talvez o melhor deles todos? Ainda bem que nosso time dos sonhos jamais entrará em campo e nossas escalações permanecerão, para sempre, hipotéticas. À prova de más escolhas.

O craque de verdade pode ser apenas pontual: basta fazer uma jogada de craque no jogo todo para preservar sua reputação. Cristiano Ronaldo, que passa todo o tempo se olhando no telão, certamente não gostou do que viu na partida contra os EUA. Estava péssimo. Mas fez uma só jogada de craque, o centro para o gol de empate de Portugal, para se redimir e continuar se admirando. Messi também só precisou dar um chute sensacional e marcar o gol da Argentina contra o Irã para justificar sua presença em campo. O craque é assim: não precisa ser craque sempre. Só na hora certa.

Luís Fernando Veríssimo
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Uma torcida e muitas vozes pela democratização da mídia

A imprensa comercial foi rápida ao destacar os atrasos nos estádios e aeroportos, mas deixou de lado as imposições da Fifa e os lucros do próprio setor midiático

Torcedor brasileiro usa corneta em bar de Porto Alegre
durante o jogo contra o México, em 17 de junho  
Lucas Uebel / AFP
O futebol é uma paixão nacional. E o exercício da nossa liberdade de expressão também precisa ser. Infelizmente, a intensa campanha midiática em torno do Mundial no Brasil tem dado pouco espaço a setores que apresentam, legitimamente, críticas à organização e realização da Copa do Mundo em nosso país. A grande mídia brasileira foi rápida ao destacar os atrasos na construção dos estádios e aeroportos – se aproveitando disso para atacar o governo federal —, mas deixou de lado problemas resultantes das imposições da Fifa ao país e dos lucros estratosféricos que o próprio setor midiático terá com a Copa.

A realidade é que, mais que um grande evento esportivo, a Copa do Mundo tornou-se um gigantesco espetáculo midiático. Mas alguns fatos ficaram longe do centro do noticiário nacional:

* Acesso à informação sobre os impactos da Lei Geral da Copa: a Lei 12.663/13 estabelece uma série de exigências para a realização do Mundial no Brasil — entre elas, o direito da Fifa e aos grupos por ela indicados terem exclusividade de vender produtos nas chamadas Áreas de Restrição Comercial, que agregam tudo o que existe em um perímetro até 2 km em volta dos locais oficiais de competição. Pesquisa feita pela StreetNet Internacional, que reúne organizações de vendedores informais de diversos países, mostra que faltam informações para a população em geral sobre as condições estabelecidas pela Fifa através da Lei. Em um caso como a Copa, a informação deveria ser primordial para participarmos efetivamente como cidadãos/ãs sobre o que estão fazendo em nosso país e o que deixarão para nós como legado deste grande evento.

* O monopólio da TV Globo sobre os direitos de transmissão do evento: o negócio para a transmissão da Copa de 2014 foi fechado há oito anos, no final de 2006. A Globo não informou o valor pago à Fifa para conquistar esse direito. Mas a parceria é antiga: desde 1970 as duas poderosas fazem acordos entre si. Para a detentora dos direitos, também não importa se o valor a ser pago é cada vez mais alto. O retorno é garantido. Só com o que é pago pelos patrocinadores, a Globo embolsou cerca de R$ 1,44 bilhão. O preço de tabela por cota de patrocínio era de cerca de R$ 180 milhões. Adicione à conta o que o grupo ganha com a retransmissão dos jogos para outros veículos. Tal medida reforça a concentração de poder midiático deste conglomerado das comunicações, na contramão de toda a luta pela democratização da comunicação no país, transformando a principal festa do futebol mundial num grande comércio de venda de marcas e produtos e excluindo as redes públicas de comunicação de todos os países de poderem oferecer este produto em suas mídias aos seus respectivos povos.

* Os serviços agregados aos direitos de transmissão dos jogos: o investimento na compra dos direitos de transmissão também volta para a empresa de mídia com uma mãozinha generosa do poder público. Um exemplo foi a festa que antecedeu o sorteio das eliminatórias da Copa, em 2011, no Rio de Janeiro. Prefeitura e Governo do Rio pagaram R$ 30 milhões para a Globo comandar o evento. Entre recursos públicos e privados, o faturamento originado por toda a divulgação da Copa chega a um valor inestimável, já que não há transparência em sua divulgação.

* Repressão às rádios comunitárias: enquanto os grandes grupos de comunicação lucram com a Copa, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) anuncia, como já mostrou este blog, que, durante todo o Mundial, seu aparato de fiscalização — e repressão — às emissoras comunitárias estará reforçado. Em comunicado oficial enviado às organizações que trabalham com a comunicação comunitária, a agência anunciou que vai reforçar a fiscalização para “garantir a viabilidade das comunicações para a Copa do Mundo de 2014”.

Diante desses fatos, é fundamental a defesa do acesso à informação e do exercício da liberdade de expressão dos mais diferentes setores da população. Desde os protestos na Copa das Confederações, diferentes coletivos de mídia, ao fazer a cobertura dos atos, viabilizar a transmissão ao vivo de protestos e apresentar imagens que desmontaram falácias policiais, provocaram um importante debate importante sobre a produção e difusão de informação e conteúdos audiovisuais no país. Ao mesmo tempo, a mídia hegemônica foi, ela mesma, justamente em função do histórico de manipulação da informação que tem em nosso país, alvo de protestos em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

Tudo isso deixou muito clara a necessidade dos diferentes movimentos sociais, organizações da sociedade civil, coletivos e ativistas debaterem a sério o tema das comunicações e lutarem pela democratização da mídia no país. Na Copa e durante outros importantes momentos da história do nosso país, o oligopólio dos meios de comunicação invisibiliza e tenta calar as lutas populares. Mais uma vez, em relação ao direito à comunicação, é a população que está perdendo a partida. E virar este jogo é um desafio de depende de cada um/a de nós.

Intervozes
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Mensaje de Fidel a Diego Armando Maradona

El Comandante en Jefe de la Revolución Cubana Fidel Castro Ruz envió un mensaje al Pibe de Oro Diego Armando Maradona, con motivo de su exitoso programa De Zurda, en la cadena Telesur, junto al reconocido periodista Víctor Hugo Morales.

En el mensaje transmite un saludo Lionel Messi, a quien cataloga como ” formidable atleta que da gloria al noble pueblo de Argentina”.

En la emisión de esta noche de De Zurda Victor Hugo leyó la misiva, y Maradona respondió: “Gracias maestro. Cada vez que se lo nombra es como un segundo padre para mí. Me cuidó siempre y me apañó. Solo tengo agradecimientos para él”.


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Falta de caráter

As transações eleitorais dos últimos dias são um grande passo a mais na imoralidade da política brasileira. As associações das principais candidaturas com partidos secundários e sem mais afinidade do que a conveniência, nunca por semelhança programática ou por um objetivo maior, vinham constituindo a característica do processo eleitoral (e, em seguida, dos próprios governos). Nem esta modalidade degradada de ação política serve mais.

A buscada conveniência passa agora a justificar a aliança com os adversários por tudo e de sempre. Que, no entanto, continuam a ser dados como adversários quando e onde assim convenha. E, onde e quando a aliança com o adversário de sempre possa impor o seu cinismo, pouco importa que aí esteja uma traição explícita aos respectivos partidos e seus candidatos ao Congresso e às Assembleias.

Nesse avanço da falta de escrúpulos, o PT do Rio, por intermédio do candidato Lindbergh Farias, faz um acordo com Eduardo Campos que o compromete no apoio ao candidato do PSB, mas com a função partidária e oficial de apoiar Dilma Rousseff como candidata petista.

O Eduardo Campos e o PSB dessa aliança com o PT do Rio acasalam-se em São Paulo com o PSDB, que não é apenas o adversário fundamental do PT: é o partido do candidato Aécio Neves, que concorre contra Eduardo Campos pela conquista da Presidência e, para isso, com ele disputa o eleitorado de oposição a Dilma Rousseff. Com a aliança paulista, o PSDB joga a favor do seu candidato e a favor do candidato que o enfrenta pelo PSB.

O PMDB do Rio tem compromisso formal de aliança com o PT e, portanto, de apoio a Dilma Rousseff, a ponto de dar o candidato a vice na chapa petista. Mas fecha um acordo com o PSDB de Aécio Neves, em permuta de apoio ao candidato peemedebista ao governo fluminense, Luiz Fernando Pezão.

Candidatos amorfos, candidaturas sem caráter, traição para todos os lados.

Lá e Cá

Sempre atento a aspectos poucos considerados da imprensa estrangeira, Nelson de Sá observou que em três dias já estava revertida a previsão externa de que a Copa seria uma catástrofe para o Brasil. Há um ensinamento nessa reversão: quem não acredita na imprensa internacional, e veio ao Brasil, está vendo bons jogos e se divertindo muito. Como não só de Copa se faz a imprensa internacional, cada um deduza o que quiser.

Mas é também irresistível a pergunta: e quanto à imprensa brasileira e suas expectativas para a realização da Copa?

Fronteiras

A associação internacional Repórteres sem Fronteiras surgiu com propósitos acima de políticas e de ideologias. Nessa linha, realizou importantes trabalhos em defesa de jornalistas e do exercício do jornalismo.

Sua atual atenção recente para a América do Sul tem suscitado algumas curiosidades. Agora mesmo, a respeito de críticas fortes do vice-presidente do PT, Alberto Cantalice, a jornalistas antipetistas, Repórteres Sem Fronteiras refere-se à "tensão entre governo e jornalistas da oposição". Onde e como seria isso?

Alberto Cantalice não integra o governo. Ainda que um só integrante fosse dado como "o governo", o que não é raro no jornalismo brasileiro, Cantalice não atenderia a tal papel. Quando muito, fala por seu partido. O PT, do qual é dirigente, não fala pelo governo. E, salvo indesculpável desatenção minha, nenhum fato atesta "tensão entre governo e jornalistas da oposição".

O nível de liberdade de imprensa no Brasil das últimas décadas não precisa ter nem a mais sutil inveja da liberdade em qualquer país. Temos, sim, repórteres e comentaristas com fronteiras entre si, sejam filosóficas, sejam éticas, sejam outras. Isso atesta a plena liberdade de imprensa. E nos dispensa de fingir que não temos fronteiras.

Janio de Freitas
No fAlha
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Copa: o Brasil ganhou, a mídia perdeu


Já se tem o resultado parcial da Copa: reconhecimento geral — da imprensa nacional e internacional — que é uma Copa bem organizada, com estádios de futebol excepcionais, aeroportos eficientes, sistemas de segurança adequados, logística bem estruturada e a inigualável hospitalidade do povo brasileiro.

Vários jornais (internacionais) já a reconhecem como a maior Copa da história.

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Agora, voltem algumas semanas atrás, pouco antes do início da Copa.

A imagem disseminada pela imprensa nacional — era a de um fracasso retumbante. Por uma mera questão política, lançou-se ao mundo a pior imagem possível do Brasil. O maior evento da história do país, aquele que colocou os olhos do mundo sobre o Brasil, que atraiu para cá o turismo do mundo,  foi manchado por uma propaganda negativa absurda. Em vez das belezas do país, da promoção turística, do engrandecimento da alma brasileira, da capacidade de organização do país, os grupos de mídia nacionais espalharam a imagem de um país dominado pelo crime e pela corrupção, sem capacidade de engenharia para construir estádios — justo o país que construiu duas das maiores hidrelétricas do planeta —, com epidemias grassando por todos os poros.

Um dos jornais chegou a afirmar que haveria atentados na Copa, fruto de uma fantasiosa parceria entre os black blocks e o PCC. Outro informou sobre supostas epidemias de dengue em locais de jogo da Copa.

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O episódio é exemplar para se mostrar a perda de rumo do jornalismo nacional, a incapacidade de separar a disputa política da noção de interesse nacional. E a falta de consideração para com seu principal produto: a notícia.

Primeiro, cria-se o clima do fracasso.

Criado o consenso, abre-se espaço para toda sorte de oportunismos. É o ex-jogador dizendo-se envergonhado da Copa, é a ex-apresentadora de TV dizendo que viajará na Copa para não passar vergonha.

***

Tome-se o caso da suposta corrupção da Copa. O que define a maior ou menor corrupção é a capacidade de organização dos órgãos de controle. O insuspeito Ministério Público Federal (MPF) montou um Grupo de Trabalho para fiscalizar cada ato da Copa, juntamente com o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União. O GT do MPF tornou-se um case, por ter permitido economia de quase meio bilhão de reais.

***

Antes da hora, é fácil afirmar que um estádio não vai ficar pronto, que um aeroporto não dará conta do movimento, que epidemias de dengue (no inverno) atingirão a todos, que os turistas serão assaltados e mortos. Fácil porque são apostas, que não têm como ser conferidas antecipadamente.

Quando o senhor fato se apresenta, todos esses factóides viram pó.

A boa organização da Copa não é uma vitória individual do governo ou da presidente Dilma Rousseff. É de milhares de pessoas, técnicos federais, estaduais e municipais, consultores, membros dos diversos poderes, especialistas em segurança, trânsito, empresas de engenharia, companhias de turismo, hotelaria.

E tudo isso foi jogado no lixo por grupos de mídia, justamente os maiores beneficiários. Eram eles o foco principal de campanhas publicitárias bilionárias, sem terem investido um centavo nas obras. Pelo contrário, jogando diuturnamente contra o sucesso da competição e contra qualquer sentimento de autoestima nacional.

Luís Nassif
No GGN
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A Copa, as eleições e depois

Vai ter Copa e a oposição torce pela derrota do Brasil, o que reforçaria o ambiente negativo do qual se nutrem as candidaturas de Aécio Neves e de Eduardo Campos.

Acontece que existe uma contradição antagônica entre a mudança desejada pelo povo e a mudança desejada pelas elites.

Por isto, a oposição não pode assumir abertamente seu programa: seria a derrota antecipada.

Sem poder falar do futuro nem do passado neoliberal, o que lhes resta é criticar “tudo isto que está aí”, combinando a denúncia de problemas reais, a manipulação midiática e a sabotagem ativa, para criar um ambiente de crise, deterioração e caos.

A oposição, o grande empresariado e (não esqueçamos dele) o imperialismo tentam pegar carona no desejo de mudanças manifesto por amplos setores da população.

A mudança que eles desejam se traduz na adoção de outro programa de governo, na derrota do PT e de Dilma: uma mudança para pior.

Já as mudanças desejadas pelo povo se traduzem em mais Estado, mais desenvolvimento, mais políticas públicas, mais emprego, mais salário, mais democracia.

A oposição de direita conta com duas candidaturas presidenciais: a candidatura Aécio Neves e a candidatura Eduardo Campos.

Claro que haverá empresários apoiando e votando em Dilma. Mas enquanto classe, o grande capital estará financiando, apoiando, votando e torcendo pela oposição.

O grande capital não faz isto por ser “ingrato”, nem por ser “desinformado”, mas por interesse de classe.

Cada vez que Dilma reitera que não foi eleita para reduzir salários nem para gerar desemprego, ela manifesta opções incompatíveis com a genética do grande empresariado brasileiro, secularmente acostumado ao crescimento com ampliação da desigualdade, com dependência externa e com democracia restrita.

Para enfrentar o consórcio entre a oposição de direita, o grande empresariado, o oligopólio da mídia e a quinta coluna que atua dentro do governo, precisamos de uma política de alianças, de uma estratégia e de um programa organizados em torno de uma ideia muito simples: fazer um segundo mandato Dilma superior ao atual, um segundo mandato orientado pelo espírito das reformas de base.

Falando em termos muito simples, trata-se de impugnar tudo aquilo que Vaccarezza representa. E recuperar tudo aquilo que Olívio Dutra expressa.

Editorial do Página 13
Valter Pomar
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20 anos, vítima da máquina de assassinar reputações de Veja

Maria Clara

Maria Clara Bubna, 20 anos, é estudante do 1° período de Direito na UERJ e integra o Coletivo de Mulheres da sua Universidade.

Ela era — até ele pedir exoneração — aluna do Professor Bernardo Santoro,autor de uma postagem de conteúdo debochado e pra lá de machista feita, publicamente, em seu facebook, e repudiado, recentemente, e com toda a razão, pelo Coletivos de Mulheres da UFRJ, outra Universidade na qual Bernardo leciona.


Depois disso, Bubna passou a ser perseguida pelo professor – embora ele insista em afirmar o contrário, mesmo estando ele hierarquicamente, acima da aluna, em sua relação dento da Universidade — que atribui, equivocadamente, a autoria do repúdio à Bubna e seu Coletivo, embora o Repúdio tenha sido redigido por outro Coletivo Feminista, de outra Universidade (???).

A estudante ficou um tanto surpresa e assustada com o rumo que o assunto tomou e a repercussão que teve, mas resolveu quebrar seu silêncio e contar sua versão da história em seu depoimento intitulado “Sobre o Silêncio ou Manifesto pela Voz”, que reproduzo, na íntegra, logo abaixo.


E parabéns, de verdade a ti, Maria Clara Bubna, que optou por não ficar calada, apesar de, como tu mesma disseste no teu manisfesto, seres “o elo mais fraco desta relação”, por seres aluna, por seres mulher, por seres ainda muito jovem.

Segue o Manifesto de Maria Clara Bubna:
SOBRE O SILÊNCIO OU MANIFESTO PELA VOZ

Por muitos dias, eu optei por permanecer calada. Talvez numa tentativa de parecer madura (como se o silêncio fosse reflexo de maturidade) ou evitando que mais feridas fossem abertas, eu escolhi, nesse último mês, por vivenciar o inferno em que fui colocada com declarações breves e abstratas e conversas pessoais cautelosas. Mas se tem uma coisa que eu descobri nesse mês é que a maior dor que poderiam me causar era o meu silenciamento, o meu apagamento por ser mulher, jovem, “elo fraco” de toda relação de poder. Eu decidi portanto recuperar minha voz. Esse texto é um apelo a não só o meu direito de resposta, mas o meu direito a existir e me manter de pé enquanto mulher.

Eu nunca vi necessidade de esconder meus posicionamentos. Seja sobre o meu feminismo ou minhas preferências políticas, sempre fui muito firme e verdadeira com o que acredito. Mantive sempre a consciência de que minha voz era importante e que, junto com muitas outras vozes, seriamos fortes. Exatamente por isso, nunca vi necessidade de me esconder. Decidi fazer Direito baseada nessa minha ideia de que a união de vozes e forças poderia mudar a quantidade brutal de situações hediondas que o sistema apresenta.

Dentro da Faculdade de Direito da UERJ, acabei encontrando um professor que possui postura claramente liberal. Ele também nunca fez questão de esconder suas preferências políticas, mesmo no exercício de sua função. Apesar de ser meu primeiro ano na faculdade, passei alguns muitos anos no colégio durante os ensinos fundamental e médio e tive professores militares, conservadores, cristãos ferrenhos. Embates aconteciam, mas nunca ninguém se sentiu ofendido ou depreciado pelas suas preferências ideológicas. O debate, quando feito de maneira saudável, pode sim ser enriquecedor. Para minha surpresa, isso não aconteceu no ambiente universitário.

Ouvindo Bernardo Santoro se referir aos médicos cubanos como “escravos cubanos”, a Marx como “velho barbudo do mal”; explicar o conceito de demanda dizendo que ele era um “exímio ordenhador pois produzia muito leitinho” (sic) e que o “nazismo era um movimento de esquerda”, decidi por me afastar das aulas e tentar acompanhar o conteúdo por livros, gravações, grupos de estudo… Já ciente do meu posicionamento político e percebendo minha ausência, o professor chegou a indagar algumas vezes, durante suas aulas: “onde está a aluna marxista?”.

No dia 15 de maio deste ano, Bernardo postou em sua página do Facebook, de maneira pública, um post sobre o feminismo. Usando o argumento de que se tratava de uma “brincadeira”, o docente escarneceu da luta feminista e das mulheres de maneira grosseira e agressiva. A publicação alcançou muitas visualizações, inclusive de grupos e coletivos feministas que a consideraram particularmente grave, em se tratando de um professor, como foi o caso do Coletivo de Mulheres da UFRJ, universidade em que Bernardo também leciona. A partir do episódio, o Coletivo de Mulheres da UFRJ escreveu uma nota de repúdio à publicação do professor, publicada no dia 27 de maio na página do próprio Coletivo, chegando rapidamente ao seu conhecimento.

Foi o estopim. Fazendo suposições, o professor começou a me acusar pela redação da nota de repúdio e a justificou como fruto de sua “relação conflituosa” comigo, se mostrando incapaz de perceber quão problemático é escarnecer, de maneira pública, de um movimento de luta como o feminismo.

Fui então ameaçada de processo. Primeiro com indiretas por comentários, onde meu nome não era citado. Alguns dias se passaram com uma tensão se formando, tanto no meio virtual quanto nos corredores da minha faculdade. Já se tornava difícil andar sem ser questionada sobre o assunto.

Veio então, dias depois, uma mensagem privada do próprio Bernardo. A mensagem me surpreendeu por não só contar com o aviso sobre o “processo criminal por difamação” que o professor abriria contra mim, mas por um pedido do mesmo para que nos encontrássemos na secretaria da faculdade para que eu me desligasse da minha turma, pois o professor não tinha interesse em continuar dando aula para alguém que processaria.

Nesse ponto, meu emocional já não era dos melhores. Já não conseguia me concentrar nas aulas, chorava com uma certa frequência quando pensava em ir pra faculdade e essa mensagem do professor serviu para me desestabilizar mais ainda. Procurei o Centro Acadêmico da minha faculdade com muitas dúvidas sobre como agir. Foi decidido então levar o assunto até o Conselho Departamental que aconteceria dali alguns dias.

No Conselho, mesmo com os repetidos informes de que não se tratava de um tribunal de exceção, Bernardo agiu como se fosse um julgamento. Preparou uma verdadeira defesa que foi lida de maneira teatral por mais de quarenta minutos. Conversas e posts privados meus foram expostos numa tentativa de deslegitimar minha postura. Publicações minhas sobre a militância feminista e textos sobre minhas preferências políticas foram lidos pelo professor, manipulando o conteúdo e me expondo de maneira covarde e cruel. Dizendo-se perseguido por mim, uma aluna do primeiro período, Bernardo esqueceu-se que dentro do vínculo aluno/professor há uma clara relação de poder onde o aluno é obviamente o elo mais fraco. Eu, enquanto aluna, mulher, jovem, não possuo instrumentos para perseguir um professor.

O Conselho, por fim, decidiu pela abertura de uma sindicância para apurar a postura antipedagógica de Bernardo. Não aceitando a abertura da sindicância, o professor, durante o próprio Conselho, comunicou que iria se exonerar e deixou a sala.

Foi repetido incansavelmente que a questão para a abertura da sindicância não era ideológica, mas sim sobre a postura dele como docente. Bernardo, ao que parece, não entendeu.

No dia seguinte, saiu uma reportagem no jornal O Globo sobre a questão. O professor declara que eu sempre fui uma “influência negativa para a turma”. Alguns dias depois, a cereja do bolo: seu amigo pessoal, Rodrigo Constantino, publicou, em seu blog na Revista Veja, uma reportagem onde eu era completamente difamada e exposta sem nenhum aviso prévio sobre a citação do meu nome. A reportagem por si só já era deprimente, mas o que ela gerou foi ainda mais violento.

Comecei a receber mensagens ameaçadoras que passavam desde xingamentos como “vadia caluniadora” até ameaças de “estupro corretivo”. Meu e-mail pessoal foi hackeado e meu perfil do facebook suspenso.

A situação atual parece estável, mas só parece. Ontem, no meu novo perfil do facebook, recebi mais uma mensagem de um homem desconhecido dizendo que eu deveria ser estuprada. Não, eu não deveria. Nem eu nem nenhuma outra mulher do planeta deveria ser estuprada, seja lá qual for o contexto. Nada nesse mundo justifica um estupro ou serve de motivação para tal.

Decidi quebrar o silêncio, romper com essa postura conformista e empoderar minha voz. É preciso que as pessoas tenham noção da tensão social que vivemos onde as relações de opressão estão cada vez mais escancaradas e violentas.

Em todo esse desenrolar, eu me vi em muitos momentos me odiando. Me odiando por ser mulher, me odiando por um dia ter dado valor à minha voz. Me vi procurando esconderijos, me arrependendo de ter entrado na faculdade de Direito, de ter acreditado na minha força. Me detestei, senti asco de mim. Mas eu não sou assim. Eu sou mulher. Já nasci sentindo sobre mim o peso da opressão, do machismo, do medo frequente de ser violada e violentada. Eu sou forte, está na minha essência ter força. E é com essa força que eu escrevo esse texto.

Estejamos fortes e unidos. A situação não tende a ficar mais mansa ou fácil. Nós precisamos estar juntos. É essa união que vai criar rede de amor e uma barreira contra essas investidas violentas dos fascistas que nos cercam. Foi essa rede de amor e apoio que me manteve sã durante esse mês e é essa rede que vai nos manter vivos quando o sistema ruir. Porque esse sistema está, definitivamente, fadado ao fracasso.

Abrace e empodere sua voz.

Maria Clara Bubna
Rio de Janeiro, junho de 2014.
Do CromossomoX
No GGN
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Invasor nega relação com nazismo

Invasor de Alemanha vs. Gana nega qualquer relação com o nazismo. Segundo interpretações iniciais de sites africanos e europeus, a inscrição "HHSSCC" seria uma mensagem de apologia ao nazismo


Detido após invadir o gramado da Arena Castelão, durante o confronto Alemanha x Gana, o polonês Leszek Ludomir, de 30 anos, rechaçou em sua página no Facebook ter qualquer ligação com o neonazismo. Ele foi acusado graças a uma suposta referência ao exército do governo nazista na forma do “SS” pintado em seu peito – segundo sites africanos, a inscrição “HHSSCC”, revelada quando ele tirou a camisa, seria uma mensagem pró-nazismo.

Retirado do gramado pela segurança, depois de apertar a mão e dar um abraço em Muntari, meia da seleção de Gana e do Milan, o invasor foi levado à delegacia do estádio e detido. Às autoridades, Ludomir, que trabalha como bartender em seu país, revelou que de Fortaleza iria para Manaus, onde Estados Unidos e Portugal se enfrentam neste domingo, na Arena da Amazônia. De lá seguiria para Brasília — nesta segunda-feira, Brasil e Camarões jogam no Mané Garrincha — e São Paulo — a próxima partida na Arena Corinthians acontece na quinta-feira, entre Coreia do Sul e Bélgica —, e só então voltaria para a Europa.

Após ser liberado, postou uma mensagem em sua página no Facebook explicando que divulgou um telefone (48 é o DDI da Polônia) e um endereço de e-mail no corpo porque está recebendo doações para conseguir comprar ingressos para outros jogos, além de ajudar no seu retorno para casa. Segundo ele, parte da pintura não seria “SS”, mas sim “44″ – o que fica nítido na pintura que está nas costas.

“É um endereço gratuito.

“Okay, é fácil.

“HH porque você não pode confundir com BB.

“E 44 porque com 22 você pode errar achando que é 55.

“Simples, e não tem nada de nazismo.”

A controvérsia resultou na criação de um “crowdfunding” para custear o torcedor: a página “Help Leszek Ludomir get tickets to another games!” (“Ajude Leszek Ludomir a conseguir bilhetes para outros jogos”) também pede doações para a passagem de volta para a Polônia. Ele aproveitou para prometer novas aparições se conseguir ingressos.

— Estou livre agora, então vamos mudar o foco da campanha. Faça doações se você quer ver mais ação nos outros jogos – disse Ludomir em sua página no Facebook.

A invasão na Arena Castelão não foi a primeira do polonês. Em marco de 2013, durante a Copa do Mundo de salto de esqui, realizada em Planica, na Eslovênia, Ludomir foi detido após invadir nu uma das pistas da competição.

No Pragmatismo Político
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