22 de jun de 2014

Exército israelense invade escritórios da RT e mídias árabes na Cisjordânia


Durante uma operação militar na Cisjordânia, o exército israelense invadiu o prédio de Palmedia em Ramalah, destruindo escritórios de mídias árabes, incluindo o escritório de RT (Rússia Today).

O ataque militar de Israel contra a sede da empresa Palmedia, que oferece seus serviços de satélite para muitas empresas, inclusive para o canal RT em árabe, teve lugar no sábado em torno de 01:30 hora local.

De acordo com o correspondente de RT em Ramallah, Yafa Staty, os militares derrubaram as portas do edifício, destruindo os escritórios e confiscado dados de arquivos.



“Essas ações dos militares provocaram a perda de sinal de internet e de arquivos de vídeos e outros materiais foram completamente destruídos. “A mobília e os computadores ficaram completamente destruídos”, disse o correspondente, acrescentando que os computadores e discos rígidos foram apreendidos “de uma forma bárbara”.

O canal RT considera o ataque israelense injustificado, porque, além de tudo, a empresa Palmedia não oferece os seus serviços ao canal palestino Al Aqsa, que utiliza os serviços de Transmedia e está localizado em outro prédio. Palmedia é um grande fornecedor do Oriente Médio e oferece os seus serviços a mídias conhecidas a nível mundial como Al Manar, Al Maydeen, França 24 e antes ao canal árabe da BBC. RT considera inadmissível o assalto ao seu escritório em Ramallah, que foi realizado sob uma falsa acusação de cooperação de Palmedia com o movimento Hamas.

Israel está realizando prisões arbitrárias na Cisjordânia contra os cidadãos palestinos. O cerco de 10 dias deixou um saldo de 5.700 detentos. A ofensiva das tropas israelenses é a maior desde o início da segunda Intifada, que teve lugar entre 2000 e 2005.
Leia Mais ►

Projeto CP

O primeiro passo foi o Plano Real, que estabilizou a economia. O segundo foi o Bolsa Família, que tirou milhões de brasileiros da miséria. Falta, ainda, o terceiro passo, um passo ousado e criativo, para enfim transformarmos esta vergonha numa nação. Dou aqui a ideia, de graça, em nome do bem comum: Copa Permanente.

É isso mesmo. Dia 13 de julho, depois da final, o Mundial não acaba. Os jogadores e torcedores não voltam pra casa. As bandeiras não são tiradas das janelas. As pinturas no asfalto não são lavadas pela chuva. Os carros não perdem seus gorros de capô nem seus tapa orelhas de retrovisor. Começa tudo de novo. E de novo. E pra sempre.

O que a Austrália tem? Cangurus. O que a Suíça tem? Chocolates. O que o Brasil terá? Uma Copa Permanente. Todos os dias, todos os meses, todos os anos, "since 2014", quem vier pra cá poderá assistir a jogos incríveis como os da última semana, poderá cantar de peruca colorida no metrô, poderá se embebedar com Skol morna na rua Aspicuelta e xavecar uma holandesa que está ficando com um marfinense que está dividindo um apartamento com 11 portugueses que conhecem um uruguaio que jura que consegue três ingressos pro jogo da próxima terça. E os povos virão até nós como os muçulmanos vão a Meca, os cristãos a Roma, os japoneses ao caraoquê.

"Ah, fanfarrão!", grita o leitor Black Block, indignado, como se eu propusesse apenas circo para as massas. Permita-me discordar. Qual o grande impulso para o progresso, em nosso país? O clamor das ruas? (Não, esse é o impulso para a Tropa de Choque.) O grande impulso para o progresso, entre nós, é a vergonha dos gringos. Faz dez anos que nossos aeroportos estão um caos: quando foram reformados? Quando os gringos iriam chegar. Com a Copa Permanente teremos também gringos permanentes e precisaremos, enfim, criar boas escolas públicas, hospitais, ampliar o metrô -e transformar a Vila Madalena num calçadão balada 24 horas.

"Ei, Antonio, vai tomar no **!", grita o leitor Yellow Block. Não estamos prontos, ele diz, tirando fotos do lixo nas ruas e postando nas redes sociais: #imaginanacopapermanente. A promessa de um camarote VIP e de umas biritas de graça, contudo, deverá acalmar esses neoindignados, garantindo o apoio do empresariado e a maioria necessária para aprovar a Copa Permanente, no Congresso.

Vamos lá, pessoal. Façamos abaixo-assinados, manifestações, macumbas. Façamos do Brasil o país mais divertido da Terra e, de quebra, resolvamos os problemas que nos perseguem há mais de 500 anos. Sem contar que, aprovada a CP, se algo porventura der errado nos próximos jogos -toc, toc, toc-, soltaremos um simples suspiro e nos resignaremos: "Pena, agora só daqui a quatro semanas." 

Antonio Prata
No fAlha
Leia Mais ►

Barrigas e não-notícias na Operação Anti-Copa

Da “barriga” do cão Caramelo em 2011 até a atual que envolveu o experiente jornalista Mário Sérgio Conti e um sósia do técnico Felipão entrevistado como fosse o verdadeiro, revela como jornalistas da grande mídia transformam-se em metralhadoras giratórias sob a pressão do papel assumido de oposição política: atira-se primeiro para pensar depois. Mas nesse momento a pressão só aumenta com o hipotético cenário negativo para um ano eleitoral: de que não só a Copa seja um sucesso de organização como, pior, a seleção brasileira seja campeã. Pela dificuldade em montar bombas semióticas nesse momento (o ritmo dos jogos e dos debates televisivos tem isolado protestos e incidentes de organização), a grande mídia passou a mobilizar seu braço armado: os colunistas, sob o apoio das não-notícias na Operação Anti-Copa.

Para quem acompanha de perto as transformações da linguagem midiática, a tragédia dos mortos nas enchentes e deslizamentos de terra nas serras fluminenses em 2011 marcou o início das coberturas jornalísticas politicamente comprometidas com o papel de oposição ao governo federal.

Depois de uma disputa eleitoral polarizada no ano anterior entre Dilma e Serra onde se misturou política com religião, bolinhas de papel, intolerância e preconceito, a grande mídia iniciou naquele ano um processo de coberturas jornalísticas cuja pressão oposicionista que partia das reuniões de pauta explodia nos repórteres que deveriam nas reportagens, enquetes, entrevistas ou depoimentos buscar ansiosamente qualquer índice ou evidência da incompetência gerencial do governo.

Um dos reflexos dessa ansiedade é a construção de personagens nas narrativas jornalísticas, estratégia discursiva onde se busca a legitimação de uma pauta por meio de um personagem elaborado muitas vezes com signos retóricos e ficcionais. Na corda bamba entre a ficção e a realidade, algumas vezes o jornalista despenca e surgem as vexatórias “barrigas” — gíria jornalística para designar uma grave bobeada de um jornalista que pensa estar publicando um “furo” quando não passa de engano ou má fé do próprio repórter.

Na cobertura da tragédia na serra fluminense em 2011 surgiu a “barriga” do suposto episódio do cão chamado “Caramelo”: diversos veículos se sensibilizaram com a suposta história do cão Caramelo que guardava o túmulo da dona morta pelos deslizamentos de terra. A foto era comovente com um cão vira-lata triste ao lado de uma cruz improvisada com tábuas de caixote. Porém, um detalhe: o cão não era o Caramelo, mas de um voluntário que trabalhava no cemitério local.

A tragédia e a fidelidade do cão da família seriam a cereja emotiva de uma cobertura jornalística cujo tom era acusatório a um governo que supostamente investia mais dinheiro público no socorro do que na prevenção de catástrofes.

O braço armado dos colunistas

Atualmente a velocidade da captação, edição e publicação que as novas tecnologias proporcionam se aliam com as fortes pressões nas redações da grande mídia para que pautas pré-estabelecidas sejam sustentadas e confirmadas. Essas pressões acabam explodindo no trabalho dos repórteres, alguns ansiosos em manter seus empregos ou alimentando ambições de ascensão profissional rápida.

E quando isso não é suficiente, a grande mídia lança mão do seu braço armado: os colunistas que irão a fórceps misturar informação com opinião.

A barriga cometida pelo experiente jornalista e colunista da Folha e O Globo Mário Sérgio Conti só pode ser analisada dentro desse contexto de ano eleitoral onde se apostavam todas as fichas na “bala de prata” eleitoral de uma Copa que seria caótica, uma vitrine quebrada por black blocs, com apagões energéticos, aeroportos lotados e aviões caindo.

As bombas semióticas, detonadas desde as grandes manifestações do ano passado, não estão sendo montadas durante a Copa com a mesma facilidade — problemas são relatados de forma isolada e manifestações anti-Copa se perdem no ritmo das reprises dos gols e as intermináveis mesas de debates.

Só resta a cobertura colocar em xeque a própria razão de tudo: a seleção brasileira, afinal se for campeã, será um evento fora da curva de um País que supostamente estaria à beira do abismo econômico.

Aqui e ali começam a serem montadas bombas semióticas que procuram criar na percepção pública de que haveria algo errado com a delegação brasileira: algo na organização, no espírito de equipe...

Por exemplo, a ardilosa matéria do IG Esportes “Chefe da Delegação Brasileira é Detestado entre os Jogadores” — veja imagem acima. A manchete e o primeiro parágrafo levam o leitor a acreditar que há uma crise hierárquica e de comando entre os jogadores e Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba. Só ao longo da matéria, percebemos que os desafetos estão no Bom Senso Futebol Clube (movimento criado por atletas para rediscutir o calendário do futebol e criar o fair play financeiro), mais precisamente os jogadores Alex e Deivid do Coritiba em um incidente que envolveu o time e o presidente no campeonato brasileiro após uma derrota.

É a não-notícia: um fato antigo requentado para criar uma falsa notícia por associação metonímica — mesmo sabendo-se que nenhum jogador da seleção participa do Bom Senso FC, leitores desatentos acharão que há um estopim de crise na seleção brasileira.

A ansiedade das metralhadoras giratórias

A ansiedade dos jornalistas os leva a se transformarem em verdadeiras metralhadoras giratórias, disparando primeiro para pensar depois. O caso da “barriga” com os sósias de Felipão e do Neymar entrevistados por um experiente jornalista que os tomou como verdadeiros parece comprovar isso. Mário Sérgio Conti viu naquelas supostas estrelas da seleção perdidas em um avião de carreira entre Rio e São Paulo em pleno momento da concentração da Copa do Mundo mais que um furo, mas o germe da suspeita: há algo de errado na seleção, que fez o técnico e sua principal estrela ir para São Paulo enquanto o resto da delegação está em Fortaleza.
Colunista encontra Felipão e Neymar em um
avião: o que eles faziam longe da concentração?

Como colunista, Conti é um dos braços armados da grande mídia cujas matérias atravessam toda a linha de produção jornalística como pré-aprovadas pela confiança, experiência e salvo conduto ideológico. A pressão de uma possível Copa do Mundo bem sucedida e, o que é pior, com a seleção brasileira campeã é o pior cenário em um ano eleitoral onde a grande mídia assumiu o papel ativo de oposição política. E a pressão parece agora atingir também os colunistas, a pièce de résistance da Operação Anti-Copa.

Mais não-notícias

Em postagem anterior dizíamos que essa Copa seria a da não-notícia. E até aqui parece que estávamos certos.

A grande mídia começa a adotar duas posições opostas diante da organização bem sucedida da Copa no Brasil. Primeiro, começa a explicitar um detalhe que é conhecido em qualquer Copa do Mundo: a organização do evento é da FIFA e não do governo do país. Essa não-notícia é agora revelada em debates para tentar descolar do governo federal o sucesso do evento, quando antes a estratégia era a oposta: o possível fracasso seria unicamente do governo federal.

A outra é a de tentar criar estopins de crises organizacionais entre governo e FIFA como transformar eventos isolados (torcedores que entraram com rojões na Arena Pantanal e chilenos que invadiram o Maracanã sem ingressos) em crise aberta entre FIFA e governo. Expressões como “caixa preta da segurança” para designar o Maracanã e o jornal Estadão que aposta numa imagem mais endêmica onde “confusões aproximam Copa do Mundo das Libertadores”.

É a velha tática metonímica das bombas semióticas, análoga à forma como as TVs cobriram os ataques do PCC em São Paulo em 2006: o mesmo ônibus incendiando era mostrado diversas vezes em diferentes ângulos a cada entrada ao vivo. O efeito metonímico era o de contágio, como se vários ônibus estivessem incendiando em pontos diferentes simultaneamente.

Em seguida, mais não-notícias: cambistas no entorno dos estádios (um verdadeiro esforço do jornalismo investigativo...) e, por último e não menos importante, a sombra da ilegalidade e das suspeitas de manipulação nos resultados dos jogos da seleção brasileira — a grande teoria conspiratórias nas redes sociais de que o governo estaria comprando o título com o dinheiro do pré-sal: “FIFA monitora Camarões por suspeita de manipulação de jogos”.

A grande mídia coloca essa declaração da FIFA em textos ambíguos, genéricos, como se a FIFA suspeitasse de algo impreciso e nebuloso, quando temos uma investigação bem direta e que envolve todos os campeonatos de futebol: esquemas para corromper times e jogadores para beneficiar casas de apostas em todo o mundo.

Textos imprecisos que nem mesmo obedecem a regra básica de jornalismo da pirâmide invertida. Assim como no exemplo acima da matéria do IG Esportes que conduz o leitor ao erro de imaginar o germe de uma crise interna na delegação brasileira, da mesma forma o texto do Terra na Copa fornece munição para as conspirações de que os resultados dos jogos da seleção na Copa seriam “comprados”.

Wilson Roberto Vieira Ferreira
No Cinema Secreto: Cinegnose
Leia Mais ►

O jornalista, o sósia e os jornais

Vamos discutir isso a sério: um jornalista experiente como o Mário Sérgio Conti, colunista da Folha de S.Paulo e do Globo, realiza uma entrevista com o Luiz Felipe Scolari. Os dois jornais publicam na quarta-feira (18/6) a entrevista em seus sites. Só que o Felipão não é o Felipão, é um sósia dele.

Aí os jornais publicam um desmentido (ou um “erramos”) e tiram o texto original do ar.

A história cai na rede e provoca uma série de comentários contraditórios e especulações.

Uma jornalista recupera o texto no cache do Google e sugere que pode ter havido um erro de quem fez o título, considerando o final da entrevista, em que Conti convida o suposto Felipão para o seu programa na GloboNews e o sósia lhe entrega um cartão, identificando-se como “Vladimir Palomo — sósia de Felipão — eventos”.

Em suma, os redatores (da Folha e do Globo) teriam se empolgado e tomado por verdade o que era fake.

Outra jornalista diz que o texto era claramente uma ironia. Faz sentido?

1. O texto inteiro é redigido como se fosse verdade. No final, o sósia se revela. Seria então uma autoironia: o jornalista entrevista um sósia achando que é o Felipão e no final revela que foi enganado. Mesmo? E qual a graça disso?

Muito mais provável seria considerar que o jornalista pensava estar entrevistando de fato o técnico da seleção e, finalmente, recebendo o cartão, teria verificado o engano. Mas isso simplesmente derrubaria a matéria.

Ou então — como sugeriram alguns, antes de saber do desfecho da história — que o jornalista tivesse pensado que o (supostamente verdadeiro) Felipão lhe entregara um cartão com o nome do sósia para fazer uma brincadeira, como a de sugerir que convidasse um sósia a seu programa de entrevistas, já que no momento estava muito ocupado com a Copa.

2. Se era uma ironia, por que Conti pediria desculpas, através da nota que tanto O Globo quanto a Folha publicaram?

E o leitor?

O caso acabou esclarecido no fim da tarde de quinta-feira, quando a Zero Hora, de Porto Alegre, publicou entrevista com o jornalista e o sósia entrevistado por ele (ver “Mário Sérgio Conti: ‘Pensei realmente que era o Scolari’”). Logo depois, apareceria matéria no site da Folha e, pouco mais tarde, também no do Globo, nas quais o jornalista reconhecia o erro.

O mais relevante, entretanto, é a maneira como os jornais trataram o episódio: inicialmente, com um sucinto pedido de desculpas e a eliminação do link para o texto original, só ressuscitado depois da repercussão que o caso ganhou nas redes sociais.

Não vivem dizendo que o leitor deve tirar suas próprias conclusões? A que conclusões o leitor pode chegar (mesmo a essa de que teria sido uma ironia mal compreendida), se não tem acesso ao texto?

Sylvia Debossan Moretzsohn, jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de Repórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)
No OI
Leia Mais ►

Torcedores experientes: Copa brasileira é a melhor da história


Com a experiência de quem acompanhou oito copas do mundo de futebol, o irlandês Daniel Sheahan, 55 anos, não pestaneja: "A atual Copa do Mundo está sendo a melhor de todas". A opinião é compartilhada por diversos turistas que também participaram de outras edições do torneio. "Não que tudo esteja perfeito. Em todas as copas às quais fui houve algum tipo de problema, como preços altos, dificuldades com transporte ou roubos. Mas isso faz parte de um evento deste porte", disse à Agência Brasil o irlandês, que já teve sua mochila roubada em duas edições do torneio.

"Isso aconteceu nas copas da França, quando duas pessoas pegaram minha mochila e fugiram em uma moto, e nos Estados Unidos, quando em um momento de distração levaram minha mochila", disse ele. "No caso da França, meu amigo passou pelo mesmo problema. Ao que parece era uma quadrilha de motoqueiros especializados nesse tipo de roubo", acrescentou.

Fã do futebol brasileiro, o irlandês sempre priorizou assistir aos jogos do Brasil. Mas nem sempre foi possível devido à concorrência. "Esta Copa realmente tem muitas coisas especiais. Se compará-la à da África do Sul é até covardia. O barulho das vuvuzelas era insuportável e estragava o clima do estádio. Para piorar, de todas elas saía muita saliva, o que era bastante preocupante, porque a incidência de doenças como tuberculose é muito grande naquele país".

Por aqui, explica, os brasileiros buscam se divertir sem incomodar os outros. "Nota-se claramente uma grande vontade de tornar tudo especial. Isso não aconteceu na Copa da Alemanha porque, apesar de muito educados, os alemães costumam ser frios na relação com turistas". Além das quatro copas citadas – Estados Unidos (1994), França (1998), Alemanha (2006) e África do Sul (2010) – e da atual, Sheahan diz que foi às copas da Espanha (1982), do México (1986) e da Itália (1990).

Impressão similar tem o equatoriano José Bastidas, 31 anos. "Não é apenas a vontade dos brasileiros em ajudar aos turistas. Aqui há muito mais festas e uma comunicação mais fácil, até pela semelhança com outras línguas. É mais fácil entendermos e sermos entendidos pelos brasileiros", disse ele.

A Copa de 2014 é a quarta do suíço Domenique Brenner, de 40 anos. "Na comparação com 1998, 2006 e 2010, esta é a melhor, porque está sendo disputada no melhor lugar e com as melhores pessoas", disse ele. "A organização do evento é sempre bastante similar, porque envolve a mesma estrutura, que é a estrutura da Fifa". A maior crítica é em relação aos caixas rápido dos bancos no Brasil, usados por ele para evitar idas a casas de câmbio. "Muitas dessas máquinas não aceitam cartões internacionais", queixa-se.

Brenner e outros suíços entrevistados pela Agência Brasil reclamam do preço dos restaurantes nas cidades-sede e das bebidas nos estádios. "Apesar de muito bons, os restaurantes são muito caros. Principalmente as churrascarias", disse Brenner. Já Denis Rapin, 47 anos, avalia que nem tudo é tão caro, levando em consideração o fato de que se trata de uma Copa do Mundo. Ele viaja com um grupo de 20 pessoas.

Para Rapin, os preços cobrados na cidade não são tão altos quanto imaginava. "Quem cobra caro aqui é a Fifa. Principalmente a cerveja nos estádios", disse. "Esta é a minha primeira Copa do Mundo, mas não será a última. Esses dias têm sido muito agradáveis. A receptividade e a amabilidade dos brasileiros realmente impressiona. Todos muito amigáveis, desde o taxista até os profissionais da área de turismo. Em Brasília [onde assistiu à partida entre Suíça e Equador] senti falta de bares mais festivos. Acho que o que falta aqui são bares típicos especializados em cachaça".

Viajando há sete meses pela América do Sul, Andre Urech, 34 anos, está no Brasil pela primeira vez e assiste sua segunda Copa. A primeira foi na África do Sul. "Está tudo tão bom que já decidimos: voltaremos o quanto antes ao Brasil. Simplesmente estamos amando as pessoas daqui", disse ele, ao lado da companheira de viagem Ramona Rüegg, que também foi à Copa de 2010. Ela faz coro: "A atmosfera aqui é muito melhor, e as pessoas muito mais amigáveis".

Os dois elogiam a organização do evento, apesar da dificuldade com o transporte público. "Demorou cerca de 30 minutos para pegarmos um ônibus, e o táxi está muito caro", disse. "Mas tudo faz parte do clima e do sentimento que envolve uma Copa do Mundo", completa. A exemplo de outros suíços que assistiram ao jogo contra o Equador, o casal reclama principalmente da dificuldade para comprar cerveja. "A fila é muito grande e faz a gente perder muito tempo do jogo. Mas isso também aconteceu na África", disse Urech.

Dirigente do Barcelona de Guayaquil, no Equador, Carlos Rodrigues também avalia esta como a melhor Copa de todos os tempos: "É muito superior, tanto dentro como fora de campo".

"Uma coisa que me chama a atenção é o fato de ela [Copa] estar sendo totalmente diferente do que vinha sendo mostrado pela imprensa. O Brasil é 100% no que se refere a receber turistas. Tudo é perfeito: a hospitalidade, a estrutura... Além disso, há muito amor e alegria no ar. Viemos para cá justamente para desfrutar desse clima de Copa", disse.

O publicitário colombiano Héctor Greco, 33 anos, também foi surpreendido positivamente pela Copa brasileira. "Eu esperava muito menos. O que mais me surpreendeu foi a troca de cultura entre os países, em um clima de competitividade, sem brigas. É uma oportunidade única de conhecer o mundo em um só lugar".

Ele lamenta as grandes distâncias que têm de ser percorridas para acompanhar os jogos. "As passagens de avião são caras, é difícil ir de ônibus e, infelizmente, não há uma cultura de transporte de passageiros por meio de trens no Brasil". A hospedagem também está muito cara, diz o publicitário: "Pagamos R$ 21 mil para alugar, por um mês, um apartamento no Rio de Janeiro".

O cirurgião plástico e cônsul honorário do Equador em Campinas (SP), Oswaldo Vallejo, 56 anos, já gastou, entre passagens, hospedagens e ingressos para os jogos, mais de R$ 18 mil para ter sua primeira experiência em Copa do Mundo. "Conheço pouco Brasília, porque cheguei há apenas um dia. Mas o deslocamento do hotel até o estádio foi bastante fácil, pela proximidade. Essa realmente representa uma grande vantagem para a cidade", disse ele em meio a elogios em relação à divulgação, às placas e aos voluntários "proativos e sempre tentando ajudar até mesmo nas situações em que não precisamos".

Depois de enfrentarem mais de 8 mil quilômetros de viagem em ônibus, vindos de Quito, no Equador, o administrador Paul Tamayo e os engenheiros Alvaro Granda e Edgar Baculima optaram por acampar na Universidade de Brasília. Tudo, para assistir à estreia do Equador na Copa, mas o "perrengue" não diminuiu o entusiasmo: "O Brasil é muito bonito, assim como as pessoas", diz Tamayo. Perguntado sobre os preços na capital, Granda responde: "De preços não falamos. Viajar até aqui foi bastante duro, mas com a vontade de ver o Equador jogar, tudo fica mais fácil".

Quem também viajou muito para viver uma experiência de Copa foi o australiano Victor Vu, de 28 anos, na esperança de ver algum país asiático ou africano vencer a competição. "Torço principalmente para a Costa do Marfim por causa do [atacante] Drogba, de quem sou fã. Mas o que realmente me motivou a vir foi a boa reputação que o Brasil tem lá do outro lado do mundo, especialmente no que se refere a festas", disse.

Apesar de seu país não ter se classificado para a Copa, Jan Kolin, da República Checa, quis vir ao Brasil para vê-la "no país mais bem sucedido" no mundo do futebol. "Desde criança eu sonhava em ver uma Copa. Quando soube que esta seria no Brasil, decidi tornar o sonho uma realidade", disse. Ele relata problemas de comunicação, já que poucos falam inglês.

Os peruanos Marcial Olano, 55 anos, e Herman Chaves, 45, também não precisaram que sua seleção viesse participar dos jogos para decidir curtir a Copa no Brasil. "Queremos que um país sul-americano ganhe, porque somos povos irmãos integrando uma mesma torcida", disse Olano. Chaves veio para realizar o sonho do filho Jared Chaves, 13 anos. "Não esperávamos tanta organização. Isso em muito nos surpreendeu. Está melhor do que havíamos sonhado. Não passamos por nenhum tipo de problema, temos sido bem atendidos e a organização das cidades e da Fifa está muito boa. Por isso já planejamos ir à Copa da Rússia [em 2018] para, se tudo der certo, torcermos pela seleção de nosso país [Peru]", acrescentou.

Pela primeira vez no Brasil, os engenheiros Andres Navaez e Elizabeth Montenegro, equatorianos, também se dizem apaixonados por futebol. Por isso já foram às copas da África do Sul e da Alemanha. Segundo ele, Brasília carece de um atendimento mais eficiente aos turistas. "Falta informações até mesmo no Centro de Convenções, de onde retiramos nossos ingressos. Lá não souberam nos informar sequer onde fica o atendimento aos turistas", diz Elizabeth. "A sorte é que espanhol e português são línguas parecidas", diz Navaez.

O suiço Lionel Holzaer, 30 anos, diz não ser fã de futebol. "Mas adoro festas e adoro viajar", completa. Segundo ele, o Brasil tem "boas condições" para receber os turistas. "Minha maior dificuldade tem sido com o idioma". Dona de uma lanchonete na Torre de TV, chamada GO Minas, Elza Alve Lobo não fala inglês. Mas usa de muita simpatia para compensar essa limitação, além de ter preparado um cardápio em português, inglês, francês e espanhol. "Faço questão de conversar ou tentar conversar com todos. O clima é de muito entusiasmo, muita alegria".

Pedro Peduzzi e Mariana Tokárnia
No Agência Brasil
Leia Mais ►

Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com...

A torcida brasileira nos estádios te representa?




Torcidas são parte fundamental de grandes eventos esportivos. Basta lembrar a “ola”, que ganhou o mundo na Copa do México e hoje se reproduz em festas juninas.

A torcida brasileira nos estádios desta Copa ficará marcada, principalmente, pelo hino nacional a capella, por um espetáculo de grosseria coxa na estreia do torneio e por imitar a galera mexicana no xingamento ao goleiro adversário no tiro de meta (coisa que os juventinos fazem com muito mais classe na Rua Javari).

A “elite branca” — o achado é do insuspeito Cláudio Lembo — não sabe se comportar mal no campo. É similar às torcidas de firma do vôlei. De certa forma, é também um reflexo de um time nacional que não empolga.

Agora, dentre todos os sintomas de anemia, há um mais deletério e mais difícil de corrigir ao longo dos séculos: a popularização, no planeta, do cântico “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”.

É uma das melodias mais açucaradas, no mau sentido, da história. Uma pieguice que já havia sido adaptada por todas as organizadas do país, mas que agora terminou de ser coroada.

O verso é de Nelson Biasoli, do interior de São Paulo, e estava na música “Grito de Guerra”, registrada em 1979. Ele contou que a origem é de 1949, quando seu colégio de Ribeirão Preto enfrentou os alemães nas olimpíadas estudantis.

Por um desses mistérios insondáveis, o refrão ressurgiu das trevas em meados dos anos 2000 e se fixou como uma praga. Podia ser uma moda passageira, mas pegou. É o “Ai, Se Eu Te Pego” do futebol, o “Como Uma Deusa” dos gramados.

Compare com a contundência, a virilidade e a pulsação de “Aqui Tem um Bando de Louco”. “Louco” no singular, registre-se. A autoria foi diluída na Gaviões da Fiel. Surgiu no momento em que o Corinthians foi rebaixado. Carrega revolta, dor e redenção. É punk, contra a cafonice de rock progressivo do “Eu sou brasileiro etc”.

Não surgiu um novo grito de guerra da torcida brasileira nas arenas e, aparentemente, não surgirá. É o tipo de coisa que aparece espontaneamente, nas ruas, e que definitivamente não tem o padrão Fifa.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Vitória do Lou Costello

Bud Abbott e Lou Costello eram uma dupla famosa de cômicos americanos. De vez em quando, ainda aparecem filmes deles na TV. Bud Abbott era o mais alto, Costello o baixinho. E o técnico do México é igual a Lou Costello. Não é? Isso não tem nada a ver com o jogo de ontem, a não ser pelo que ficará na biografia do Felipão: numa certa tarde quente em Fortaleza, o time dele foi amarrado por um time treinado pelo Lou Costello.

A certa altura do jogo, o David Luiz perdeu a paciência e foi ser o meio-campista que ninguém no nosso meio-campo conseguia ser. Carregou a bola para o campo adversário, fez o lançamento e continuou avançando para ser uma opção na conclusão da jogada. A gente entendia que os atacantes brasileiros desaparecessem em campo, bem marcados que estavam pelos comandados de Lou Costello.

Difícil de entender era o desaparecimento de um meio-campo inteiro, incapaz de preparar uma jogada sequer ou de se somar ao ataque. Luiz Gustavo ainda tinha a desculpa de ser volante de contenção, nome mais bonito para o velho cabeça de área, e ter de ficar no seu lugar. Mas quantas vezes durante a partida se ouviu os nomes de Paulinho e Ramires?

Está certo, o responsável direto pelo empate foi o goleiro mexicano Ochoa. Mas quem fechou o seu time e ganhou o jogo por zero a zero foi o Lou Costello.

Blefes

A Bélgica estava quase se juntando a Uruguai, derrotado pela Costa Rica, e Portugal, humilhado pela Alemanha, como maiores blefes da Copa, mas acabou derrotando a Argélia e escapando do vexame. O primeiro tempo da Bélgica, ontem, deixou todo o mundo perplexo. Onde estava o time que, segundo muitos, seria a grande sensação? No segundo tempo, os belgas se deram conta de que estavam desmentindo tudo que se dizia deles e tomaram jeito. Literalmente, se deram o respeito. De qualquer maneira, a decepção com a Bélgica nos ensinou, mais uma vez, a não confiar em times muito badalados antes de começarem a jogar. Blefe, como se sabe, vem do inglês "bluf" e é um termo do pôquer. Você blefa quando dá a entender que tem um jogo que não tem. Todo blefe, para ser bem-sucedido, depende de não ser desmascarado. No futebol, os blefes não funcionam como no pôquer. No campo, você precisa mostrar as cartas.

O Brasil já pode ser considerado um blefe também? Calma. Tem volta. Ainda vamos jogar mais do que isto. Só falta providenciar um meio de campo.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Mídia desembarca da teoria do caos na Copa


Neste fim de semana, Estado de S. Paulo, Folha e até Veja reconhecem o erro dos que previram caos durante o Mundial de 2014; na Folha, "prenúncio de que Copa seria o 'fim do mundo' não aguentou 3 dias"; no Estado, "apesar de problemas, Copa vence o caos"; em Veja, a mesma que previa que os estádios ficariam prontos apenas em 2038, "Só alegria até agora"; será que você foi enganado pelos arautos do "Imagina na Copa"?

A mídia familiar brasileira reconhece: seus leitores foram enganados nos meses que antecederam a Copa do Mundo de 2014. Sabe aquele bordão, o Imagina na Copa? Ou a teoria de que os estádios não ficariam prontos e haveria caos nos aeroportos? Era apenas terrorismo midiático, com óbvias intenções políticas.

Não é exatamente isso o que dizem os jornais deste domingo, mas, assim, poderia ser escrita a história de como grandes conglomerados de mídia desembarcaram da teoria do caos na Copa.

No Estado de S. Paulo, a reportagem de Lourival Sant'anna informa que "apesar de problemas, Copa vence o caos". "Está tendo Copa sim e o Brasil não está fazendo tão feio", diz o texto, sem esconder sua má-vontade com o próprio País. "O resultado é surpreendente: nos pontos em que se temiam mais problemas, como os aeroportos, o transporte e a segurança pública, as coisas estão indo relativamente bem".

Na Folha, Nelson de Sá diz que "prenúncio de que Copa seria o 'fim do mundo' não aguentou três dias". A reportagem, no entanto, transfere para a mídia internacional os ataques ao Brasil, como se veículos internacionais não formassem suas opiniões e consensos a partir do que recebem de informação da mídia nativa. "Do início do ano até a abertura da Copa do Mundo, a imagem do Brasil foi alvo de um ataque de histeria da mídia ocidental", é a frase que abre a reportagem da Folha. Mas onde será que a mídia ocidental se informava sobre o Brasil?

Entre os profetas do caos que tiram o time de campo, até Veja, aquela que previa a entrega dos estádios apenas em 2038, deu uma guinada. Na capa deste fim de semana, o título "Só alegria até agora". No entanto, na chamada de capa, a revista adverte que é melhor aproveitar a festa, "pois legado duradouro, esqueça". Ou seja: como se estádios e aeroportos fossem desaparecer depois do Mundial.


A verdade, pura e simples, é que leitores foram enganados. E alguns que se deixaram enganados agora estão arrependidos, como a colunista Mariliz Pereira Jorge, da Folha, que caiu na esparrela do caos, deixou de tirar férias, de comprar ingressos e de aproveitar a #copadascopas. "Chega o ano em que a Copa é no Brasil. Sempre quis uma Copa no Brasil. Vou tirar férias, passar o mês viajando pelo país, assistir a todos os jogos possíveis, fazer festa na rua, me embebedar abraçada com gente desconhecida. Broxei junto com o clima anti-copa e não fiz nada para participar dela. Ela chegou e eu fiquei de fora", disse ela.

No 247
Leia Mais ►

O que as palavras dizem

Os gols têm prioridade, e não digo que seja imerecida. E têm o dom de ser decisivos, para o bem ou para o mal, sem depender do que se faça com eles. Mas as palavras, ainda que deixadas em plano secundário, não se omitem na sua leal função mensageira. Sempre dependentes de que o seu sentido mais rico seja buscado. O que não é prioridade nem quando não há festa de gols, seja por falta de percepção ou por conveniência de não expor os sentidos reais.

Os chefes das Forças Armadas fizeram, por exemplo, uma advertência importante à população, mas se considerou que apenas responderam a uma pergunta da Comissão Nacional da Verdade. Foi, no entanto, como se bradassem aos civis brasileiros: "Cuidado! Os quartéis são perigosos!".

Exército, Marinha e Aeronáutica responderam à comissão que os quarteis não serviram a desvios de sua finalidade legal durante a ditadura. Não só vítimas testemunham sobre torturas ali sofridas. Oficiais e policiais já fizeram confissões tão espontâneas quanto confirmadoras dos crimes de tortura, assassinatos e desaparecimentos praticados em dependências militares.

Se os chefes militares consideram que nessas práticas não houve desvio de finalidade, está implícita a concepção de que tortura, assassinatos e desaparecimentos são uma finalidade do Exército, da Marinha e da Aeronáutica em suas instalações. E salve-se quem puder.

Diretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política, em Washington, Mark Weisbrot deixou uma frase rica de sentido no artigo em que chamou a atenção (ou melhor, tentou fazê-lo) para um problema que atinge também o Brasil. É a contribuição da agência americana de combate às drogas (DEA) à espionagem feita pelos EUA (Folha, 20/6). Diz ele, em adendo à descrença na melhora, no futuro próximo, de relações como afirmada a Dilma Rousseff pelo vice-presidente americano Joe Biden: "Washington espera ver um presidente mais subserviente à política externa dos Estados Unidos".

A frase, no fundo, propõe duas perguntas à reflexão do eleitor brasileiro: entre os candidatos à Presidência, quais tenderiam a atender a tal desejo do poder americano? Como deve ser a relação do Brasil com a política externa dos Estados Unidos?

Por falar nos Estados Unidos, o FMI produziu sugestivo relatório sobre a situação desse país. Diminuiu perto de um terço do crescimento econômico previsto para este ano e, ao incômodo reconhecimento de que a pobreza "se mantém acima de 15%" dos americanos (cerca de 50 milhões), juntou uma recomendação: que seja aumentado o salário mínimo, medida social estimuladora da economia.

O inverso, portanto, do exigido pelo FMI aos países caídos em processo de empobrecimento social e em perda do crescimento econômico. Realidade interna e arrocho do Fundo Monetário de que Espanha, Grécia e Portugal se tornaram infelizes exemplos.

Fecho adequado a isso tudo é uma frase de Dick Cheney, vice-presidente no governo de George Bush e principal indutor da invasão do Iraque pelos Estados Unidos. Suas palavras sobre a violenta luta que explodiu agora no Iraque: "Meus pensamentos e minhas orações estão voltados para os poços de petróleo iraquianos".

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Nazista desesperado na partida de Gana x Alemanha invade o campo e a Fifa não faz nada

Deve ser um golpe duro a um nazista que se considera pertencente à uma raça superior tomar dois gols de um país africano que foi vilipendiado pelo tráfico de escravos, pelo imperialismo e que ainda hoje sofre as consequências do saque europeu durante séculos.

Se não fosse Klose, a Alemanha teria perdido de Gana. Cadê a superioridade dos alemães mesmo?

Cadê a segurança da Fifa mesmo, que impediu a entrada do povo brasileiro com seus preços abusivos e permite este crime?

Será que podemos processá-la por racismo, já que este alemão imbecil expôs para o planeta inteiro sua ideologia criminosa e como vemos na denúncia abaixo ela nada fez para impedir expressões racistas dentro dos estádios?

Já que a FIFA se torna o Estado dentro dos estádios durante a Copa é dela que devemos cobrar por esses crimes.

Veja aqui outras denúncias sobre o fato de a FIFA não impedir expressões racistas dentro dos estádios:

“Cara @ FIFAcom por que vocês nada dizem/fazem quando fãs racistas
como estes exibem-se nos estádios com os rostos pintados de preto?”

Neonazista invadiu jogo Gana X Alemanha em Fortaleza


Apesar da FIFA criar uma campanha contra o racismo na Copa do Mundo de 2014 (Say No to Racism), as coisas parecem que estão fora do lugar nesse quesito. Um simpatizante nazista correu no campo durante o jogo Gana-Alemanha neste sábado, 21 de junho.

Não houve segurança para detê-lo e o racista tirou a camisa em campo revelando uma mensagem pró-nazista, segundo informações do Yahoo Sports

Sulley Muntari, jogador de Gana colocou o invasor para fora do gramado evitando mais problemas.

No MariaFrô

* * *

Colunista furioso invade campo e tenta interromper Copa


No SQN
Leia Mais ►

A perseguição a Trajano

Os velhos truques contra Trajano
Colocam, no Facebook, mais um artigo de Reinaldo Azevedo contra Trajano.

É uma perseguição ao mesmo tempo selvagem, pela intenção de quem a faz, e inútil, porque fora dos círculos dos analfabetos políticos ninguém leva a sério Reinaldo Azevedo.

Por isso, Trajano pode receber as agressões com suspiros de tédio, ou simplesmente com estrepitosa indiferença.

O que eu gostaria de sublinhar, aqui, é o método de RA de polemizar. São sempre os mesmos truques, que conheço desde que se manifestou, há alguns anos, sua obsessão por mim.

Sua primeira investida contra mim veio em 2007 quando, num texto na revista Época, critiquei Mainardi e a “marnardização” da Veja.

Ele tomou as dores de Mainardi, sua alma gêmea, e tentou me indispor com a direção da Globo.

Os truques frequentes:

1) Ele desqualifica o alvo dizendo que não o conhece, como se isso significasse alguma coisa que não sua própria ignorância.

Afora a infantilidade do “argumento”, é algo que não se sustenta minimamente. Imagine, por acaso, que Glenn Greenwald decidisse responder a um dos múltiplos ataques de Azevedo a ele.

Jamais, repito, jamais Greenwald utilizaria este expediente primitivo: ele me conhece, e eu não o conheço.

Numa palavra, é uma estupidez.

2) Azevedo se autoglorifica. Eis uma infantilidade doentia. Em sua insegurança patética, nascida do fato de não ter carreira decente até se prestar ao papel de sicário da plutocracia, ele se autoenaltece sem freios.

Diz que é lido por milhões de pessoas, alega uma erudição que nega ao oponente e parece o Leonardo di Caprio em Titanic quando grita: “Sou o Rei do Universo”.

Se alguém verificar a sério a audiência de Azevedo, provavelmente se decepcionará: são as mesmas pessoas que entram a todo instante em seu blog, saúdam o seu “rei” e deixam os comentários idiotas de praxe. (O mais comum é: “na cascuda!”, signifique isso o que significar.

3) Reinaldo Azevedo se vitimiza e bravateia.

Com Trajano, ele prometeu processá-lo até por racismo. E por injúria, difamação etc. Isso tudo no mesmo tempo em que chamava Trajano de babaca, feio, velho e outras coisas de seu infame arsenal.

No prontuário de Reinaldo Azevedo consta “nassífilis”, como ele se referiu a Nassif alguns anos atrás.

E ele, a despeito de todos os insultos que atira contra os outros, deu agora para ameaçar processar por difamação.

4) Ele se declara um cruzado da “imprensa independente”.

Independente de quê? Do governo? Passemos para outra piada. As empresas jornalísticas sempre se abarrotaram de dinheiro público de administrações federais, estaduais e municipais.

Ou por propaganda — durante anos a preços de tabela quando todos os anunciantes privados obtinham descontos enormes — ou por expedientes como o lote de assinaturas da Veja que o governo de São Paulo compra da Abril com dinheiro do contribuinte paulista.

Diversos governos estaduais sempre compraram livros da Editora Globo também com dinheiro público. Em meus anos na editora, tive uma briga memorável com o governador do Amazonas porque ele imaginava que, comprando lotes de livros da Globo, teria em troca cobertura favorável da revista Época.

Isso para não falar dos empréstimos do BNDES, a juros maternos. Gráficas, equipamentos televisivos, tudo isso, essencialmente, é fruto do BNDES.

É pedagógica a foto de Roberto Marinho com FHC na inauguração de uma gráfica da Globo feita, pausa para risadas, para imprimir 1 milhão de Globos.

A despeito da fortuna da família, foi com recursos do contribuinte que a gráfica foi erguida.

Isso para não falar da reserva de mercado que existe para a mídia nacional. Para ganhar o mundo, o australiano Murdoch teve que se arriscar, primeiro na Inglaterra, depois nos Estados Unidos.

Isso se chama capitalismo. Aqui, as famílias conseguiram ser protegidas por uma reserva que governo nenhum ousou desafiar.

5)   Ele diz estar se divertindo nas polêmicas.

Bom, quem acredita nisso acredita em tudo. O que emerge nas polêmicas de Reinaldo Azevedo é um sujeito atormentado, cheio de ódio, complexado, inseguro.

Foi o último citado na lista quádrupla de Trajano, mas mesmo assim sempre que fala nela coloca seu nome em primeiro lugar. É como se tivesse ficado ofendido com a ordem estabelecida por Trajano.

Não sei se Trajano está aflito com a perseguição. Não deveria. Ninguém que não seja um analfabeto político leva a sério Reinaldo Azevedo.

Repito: ninguém.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

A dor do momento

Leia Mais ►

Os 50 anos do golpe: um historiador que virou jogador e Gilberto Gil fã do Chelsea

Gilberto Gil e Caetano Veloso moraram em Londres quando foram exilados na ditadura militar
Arquivo Público Mineiro
O currículo de Joel Rufino dos Santos é extenso. Professor, historiador e escritor. Um dos maiores especialistas em cultura africana no Brasil e um dos intelectuais mais respeitados no meio acadêmico nacional. Negro, é autoridade quando o assunto é a maléfica cultura do racismo que acompanha a história da sociedade brasileira. Escreveu mais de 25 livros sobre, entre eles, a "História política do futebol brasileiro". Além de tudo isso, foi jogador de futebol.

Na Bolívia. Durante um exílio forçado pela ditadura militar. Essa é apenas uma de diversas histórias envolvendo a maior paixão de alguns brasileiros na época em que foram obrigados a saírem do país por um governo autoritário.

Rufino, historiador que virou jogador de futebol
Rufino, historiador que virou jogador de futebol
No dia 31 de março de 1969, Joel Rufino era um estudante de História na USP, com 23 anos. Casado e com um filho, diz não ter captado a gravidade e as mudanças que viriam em sua vida com o Golpe militar que presenciara.

"No golpe, andei pela cidade meio atordoado, como todo mundo. Nós (ele e a mulher) não sabíamos bem para onde ir. No dia seguinte, ainda aquele atordoamento, minha mulher foi para um lugar seguro, voltou para a casa dos seus pais. E eu peregrinei no subúrbio, em casas de conhecidos, esperando o que iria acontecer", diz o historiador, em depoimento ao projeto "Democracia Viva".

Quando o golpe ficou "sério", segundo Joel, ele se exilou primeiro na embaixada boliviana, para posteriormente seguir para La Paz, capital do país. Um companheiro nesta jornada de Joel foi o atual político José Serra. Outros foram os atores Gianfransciso Guarnieri e Juca de Oliveira, que vendiam roupas e gravatas usadas para se sustentar no país estrangeiro. Rufino, apaixonado pelo futebol e bom peladeiro até hoje, arrumou outro meio de se sustentar nas montanhas bolivianas: jogando futebol.

Por 100 dólares por semana, Joel Rufino virou o novo meio campo do Municipal de La Paz, campeão boliviano em 1965.

"Dava apertado para pagar a comida. Eu jogava com a 'oito'. Deixa eu contar um fato para fazer justiça. Tinha um menino nissei que jogava muito, e antes de eu chegar era o titular do time. Eu não conseguiria tirar a vaga dele jogando, mas o técnico era um brasileiro comunista exilado. Daí não precisa falar mais, né? Ele ganhava 1000 dólares por semana e eu 100 dólares, mas quem jogava era eu".

O técnico de Joel no Municipal de La Paz era um velho conhecido. Vinícius Ruas estudara Educação Física enquanto ele estudou História na mesma faculdade, e fora presidente do Diretório Acadêmico. Na época da eleição, o treinador tinha um slogan peculiar, motivo de seu exílio posterior: "Comunista, porém honesto".

Da Bolívia, onde encerrou sua breve carreira profissional no esporte, Joel Rufino se exilou no Chile. De lá, por amor ao filho que ainda não conhecia e por achar que precisava voltar para a luta no campo da política, voltou ao Brasil ainda durante o regime militar. Foi preso. E torturado. Ficou de 1972 a 1974 na prisão e, quando solto, ingressou na luta armada. Após o fim do regime virou um dos maiores expoentes na luta contra o racismo no país, o que faz até os dias atuais.

Joel Rufino e o político José Serra (à esq. da foto) durante o período de exílio na Bolívia
Joel Rufino e o político José Serra (à esq. da foto) durante o período de exílio na Bolívia
Arquivo Público Mineiro
Gilberto Gil encantou-se pelo Chelsea durante o exílio em Londres

Quando se fala dos artistas que foram exilados durante o período da ditadura militar no Brasil, os nomes de Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso se destacam, tanto pela produção durante este período, quanto pelas histórias que viveram. Todos saíram do país após o AI-5, em 1968, ato institucional que deixou a ditadura ainda mais autoritária.

A relação de Caetano Veloso e Gilberto Gil com o Esporte Clube Bahia já é conhecida. O que poucos sabem é que ambos fizeram um show juntos em julho de 1969, no Teatro Castro Alves, em Salvador. O show, nomeado "Barra 69", precedeu a ida dos cantores para Londres, onde ficariam exilados. Como despedida, na última música, para dar o adeus à Salvador, os cantores, acompanhados pela plateia, cantaram o Hino do Bahia, em um pout pourri que também teve as famosas "Alegria, Alegria", de Caetano, e "Aquele Abraço", de Gil.

Ouça a gravação do show de Gil e Caetano:


E foi em Londres que Gil adquiriu uma improvável paixão. O cantor brasileiro encantou-se pelas cores e cantos da torcida do Chelsea. Na época, um time com torcida fanática, pouco dinheiro e poucos títulos. A primeira residência de Gil e Caetano na cidade foi justamente no bairro de Chelsea.

Caetano e Gil, no Big Ben, em Londres
Caetano e Gil, no Big Ben, em Londres
Arquivo Público Mineiro
Foi em 1969 que, caminhando em dias de jogo pelos arredores do Stamford Bridge, que o cantor baiano se encantou por uma mensagem de apoio dos torcedores aos Blues: "Por cima ou por baixo, mas sempre de azul". A poesia fez o torcedor.

"Sempre via aquelas pessoas indo para o campo do Chelsea, perto de casa, sempre otimistas. Aquele azul foi algo importante. Tanto que hoje no Brasil eu sou Cruzeiro", revelou Gil durante um show em Olinda.

A Copa do Mundo de 1970, constante assunto quando se associa futebol e ditadura, também foi marcante para o cantor. Principalmente o jogo contra a Inglaterra, vencido por 1 a 0, gol de Jairzinho, como afirma no filme "Canções do Exílio: A labareda que lambeu tudo", de Geneton Moraes.

"Não sabia se torcia pelo Brasil ou contra, pois torcendo a favor estava dando força à ditadura. Mas o coração, o amor pela terra foi mais forte e eu e um grupo de exilados torcemos, gritamos, vibramos pelo Brasil, que ganhou da Inglaterra de 1 a 0. Onde eu morava, no bairro Chelsea, onde tem o time de futebol e seu estádio, no outro dia após a vitória do Brasil as ruas amanheceram pichadas com a inscrição "Rivelino revelation", numa alusão ao grande jogador brasileiro Rivelino, que eles, os londrinos, consideraram a grande revelação daquela Copa que foi nossa".


Lenda do basquete e ex-atleta do pentatlo recontama Olimpíada pós-ditadura

Chico Buarque e Garrincha, uma parceria de "exilados"

Outra passagem interessante envolvendo um artista brasileiro exilado durante a Ditadura Militar envolveu dois craques, Chico Buarque, das letras e música; e Garrincha, do futebol e do drible.

Como narra Ruy Castro na biografia que escreveu sobre o craque do Botafogo, o encontro ocorreu na Itália, país em que Chico escolheu para fugir dos horrores e da censura do governo militar. Garrincha não estava exilado, mas, já em fim de carreira, se via expulso, sem espaço no futebol brasileiro. Ganhava uns trocados jogando em alguns times amadores. Para as partidas, Garrincha tinha Chico Buarque de ilustre motorista em seu carro.

Com o tempo, os dois ganharam alguma intimidade e Garrincha chegou a visitar o cantor. Tomavam grappa, bebida alcóolica de origem italiana, e o cantor se disse surpreso com o conhecimento do jogador acerca da música. Preferia, na maioria das vezes, conversar sobre bossa nova do que sobre futebol, conta Ruy Castro, que entrevistou Chico para biografar o "Anjo das Pernas Tortas".

Histórias boas de um tempo nada bom, que, ainda bem, não volta nunca mais. Ao menos, é o que se espera.

Thales Machado e Mariana Rodrigues
No ESPN Brasil
Leia Mais ►

A Copa das Copas — Porto Alegre

Holanda invade Porto Alegre


Banda holandesa Factor 12 e banda da PM de Porto Alegre tocam juntas “Aquarela do Brasil”


A visão feminina sobre a noite de Porto Alegre tomada por estrangeiros FêCris Vasconcellos/Agência RBS
A rua Lima e Silva, na Cidade Baixa, foi um dos destinos mais frequentados pelos torcedores durante a semana

A visão feminina sobre a noite de Porto Alegre tomada por estrangeiros

Aussie eu te pego

Enquanto via a invasão laranja na Borges de Medeiros sentada aqui na redação, fui sendo também eu invadida por uma absurda vontade de ver o mundo lá fora. Logo que tive a oportunidade, fui percorrer as ruas junto com gringos de todas as querências para sentir na pele a vibração daqueles sorrisos e gritos de torcida.

O que se via na rua era um choque de universos um tanto diferentes: de um lado, jovens estrangeiros maravilhados com o tão famoso charme da mulher gaúcha; de outro, garotas encantadas com tanta novidade e tanto homem – vamos combinar e o IBGE comprova, artigo de baixo estoque no mercado do Rio Grande do Sul. Era bonito ver o intercâmbio: os holandeses com suas extravagâncias; os australianos com sua simpatia e os brasileiros com sua vibração. Ora, senhoras e senhores, ao juntar tanta gente embriagada de alegria e cerveja, é claro que a mistura passa do químico para o físico rapidinho. Como nos comportamos no flerte é um reflexo de como nos comportamos na vida e, portanto, há sim muita troca cultural na troca de fluídos. E, por ser uma competição que naturalmente atrai mais turistas homens que mulheres, foram as gurias daqui que aproveitaram mais a enxurrada de boys de lá.

E olha que aproveitaram mesmo. Se jogaram com toda força. Anos do peso do "bom comportamento" exigido pela "boa sociedade gaúcha" jogados no chão junto com camisetas de seleção e casacos verde-amarelos. Sem nenhum esforço, australianos, holandeses, argentinos, chilenos e basicamente quaisquer outros que não conseguissem pronunciar corretamente o ditongo "ão" passaram o rodo na mulherada. Uma desenvoltura no idioma bretão e um esmero no portunhol que deixariam as professoras do cursinho orgulhosas. Numa pequena provocação no Facebook, pedi para as amigas indicarem cantadas para consolar australianos chateados com a derrota contra a Holanda. Qual não foi minha surpresa ao ver que a melhor delas, o trocadilho Aussie eu te pego, que dá título a este texto e faz alusão à maneira como o pessoal lá da terra do canguru chama seu próprio país, foi sugerido por um amigo homem, heterossexual e gaúcho. E esclarecido.

O que mais me chocou, no entanto, foi a reação a essa festa toda. Criaturas de ambos os gêneros não demonstraram constrangimento algum em chamar as garotas que fizeram festa com os gringos de "vagabunda" para baixo, ainda que exigissem delas mais autocensura. Afinal, que absurdo uma mulher solteira, maior de idade, em perfeito estado de saúde e consciência e dona do seu próprio nariz se jogar para um cara solteiro, maior de idade, em perfeito estado de saúde e consciência e dono do seu próprio nariz, né? Que biscatice querer se divertir sem causar mal a ninguém. Que horror ignorar a opinião alheia! Que afronta à sociedade de família querer ser feliz! O que eu mais vi foi gente usando aquela máxima do preconceito disfarçado "eu não sou machista, mas...". De olhares de desprezo a xingamentos pesados, a vaia do moralismo provinciano manchou os cantos cosmopolitas do amor e do sexo livres.

O machismo está mesmo impregnado na nossa cultura. E vai seguir assim por muitos anos, infelizmente. Homens e mulheres que escrevem e seguem a cartilha da repressão e que acham que mulher de boa família é aquela que "se faz", anda "decentemente" vestida e não usa o próprio corpo para a própria diversão seguem sendo uma maioria avassaladora e agressiva. A quem pensa assim, durante a Copa e a invasão estrangeira, meu recado é o mesmo da maravilhosamente controversa — e, que ironia, cujas músicas cheias de safadeza a boa sociedade gaúcha adora dançar e cantar em respeitáveis festas de família —, Valesca Popozuda: keep calm and deixa de recalque.

FêCris Vasconcellos
No ZH
Leia Mais ►

O discreto ódio de Elio Gaspari

Não, doutor, não é a mesma coisa
O discurso da direita é obtuso, sinuoso, embiocado. Ora mais, ora menos, mas inevitável e necessariamente. Afinal, de que outra forma defender uma injustiça, justificar o indefensável?

Em sua coluna de quarta-feira na Folha de S.Paulo, o jornalista Elio Gaspari resguarda os xingadores da presidente da República — a doutora Dilma, como ele a chama —, já tão repreendidos pela mídia independente. “Argumente-se que o grito foi típico da descortesia dos estádios”, pondera.

A intenção já se define pelo título: “O ódio ao PT e o ódio do PT” (http://naofo.de/g0r). Gaspari, experimentado, não endossa o coro dos desaforados.

Se os protege, é com cautela — e sem apologia, é claro. Põe-se de fora, pretensamente alheio ao ódio manifestado de parte a parte.

Cita comentários de internet e conclui: “Se a rede for usada como posto de observação, os dois ódios equivalem-se e pouco há a fazer”.

Alto lá! Não é o anonimato da rede que deve ser tomado como posto de observação, mas a própria imprensa, a própria Folha.

A imprensa e as declarações de gente pública como Paulinho da Força, Aécio Neves, na linha do “colheu o que plantou”, “mandou para onde tinha que mandar”.

À bem da verdade, o mal não seria propriamente o ódio, mas como ele se manifesta, de quem vem, a quem se dirige e por quê.

Ou o doutor, do alto de sua imparcialidade, acha que odiar o pobre que anda de avião — para usar um exemplo batido, que é também o dele — equivale a odiar o rico que se queixa do aeroporto que virou rodoviária?

Não digo que pertença à elite todo aquele que não gosta do PT. Há até ricos que gostam e outros que, não sendo, dele não gostam justamente por julgarem-no elitista. Mas o leitor da Folha sabe porque ela não gosta do PT.

Na quinta-feira, outra vez no estádio do Corinthians, o jornalista José Trajano, da ESPN, homem de 68 anos, se preparava para entrar ao vivo quando foi chamado de “petista filho da p*” e ameaçado de morte.

A exclamação veio de um torcedor de 30 anos, um e noventa de altura, que avançava sobre as grades que o apartavam da imprensa.

Parêntese. Coisa de um mês atrás, o amigo que presenciou e relatou a referida cena é quem foi a vítima. Repreendeu um desconhecido que atirava um folheto no chão e ouviu de volta: “Vai se f*, seu comunista! Comunista! Você é um petista, seu petista!” (http://bit.ly/TfCGil)

Voltando ao caso do Trajano, seria só uma ocorrência avulsa, embora corriqueira; um desvario como o daquele que hostilizou Joaquim Barbosa. Novo parêntese.

O mesmo sujeito que ultrajou Barbosa foi atacado pelo senador Aloysio Nunes no Congresso Nacional, num episódio que chamou bem menos atenção (http://bit.ly/1lTtyqc).

A’O Globo, o senador ainda avisou: “Só não dei um pescoção porque ele correu mais do que eu!” (http://naofo.de/g0v)

Pois seria só mais uma, não fosse a campanha de ódio contra Trajano promovida por Reinaldo Azevedo, blogueiro e colunista da mesma Folha — aliás, escalado pelo jornal para comentar as “palavras não muito gentis à presidente” — e levada às últimas por sua claque.

Desnecessário reproduzir os impropérios de Azevedo a Trajano, mencionado em nada menos que seis postagens do autor. Quem o conhece pode imaginar.

Não se sabe ao certo o que despertou a ira do blogueiro: se o fato de Trajano reprovar a grosseria contra Dilma, de “pagar pau aos esquerdistas” ou de dizer que Azevedo é semeador de ódio (http://bit.ly/1uMfu7q).

Pelo tamanho da reação, bastava ter se referido a Dilma como presidenta para merecer uma alusão injuriosa.

A verdade é que Gaspari está mais perto do que gostaria de Azevedo; ambos do mesmo lado, em papeis complementares.

Se o doutor ainda não sabe, já é tempo de saber, na origem, conteúdo e forma, o que difere o ódio antipetista da revolta contra a elite e contra quem a representa.

Antonio Machado, jornalista.
No Viomundo
Leia Mais ►

Triste Copa

Esta Copa está uma tristeza, não é mesmo?

Uma tristeza pra quem disse que nem haveria Copa, porque os jogos estão sensacionais, surpreendentes, emocionantes e, com raras exceções, com altíssimo nível técnico.

Uma tristeza para aqueles que esbravejaram o tempo todo porque o sucesso da Copa seria o sucesso do governo, dos corruptos, da ditadura da Fifa, do capitalismo, da burguesia e de "tudo isto que está aí" — superado o triste episódio do xingamento na abertura do Mundial, o povo não está nem aí com o governo, quer mais é bola na rede.

Triste demais para os arautos do fracasso que estão vendo, se não estiverem virando a cara, os estádios lotados de estrangeiros, estrangeiros estes que estão movimentando fortemente a economia das cidades-sedes como nunca ela seria movimentada sem algo desta natureza.

Tristinha para os delinquentes que vestem roupa preta de grife, escondem covardemente a cara na pashmina da mãe e vão destruir concessionárias de carros de luxo, porque, ora, o Brasil não pode ter carro de luxo, falta escola, hospital, transporte — ai, que preguiça...

Insuportavelmente triste para quem odeia futebol, porque está sendo mesmo uma overdose, só dá isso na TV, nas redes, nas conversas, nas ruas, que saco!

Mas estes tristes ainda têm uma esperança: vai que o Brasil é desclassificado logo na próxima fase?

Daí toda esta gente chata terá finalmente motivo pra comemorar...

Enquanto isso, a prudência sugere que, mesmo a esta altura do campeonato, se comece a pensar no que não deu certo, a avaliar o que pode ser melhorado, a fiscalizar os abusos, pensar como punir os excessos eventualmente cometidos pelos envolvidos na realização deste evento, a planejar o melhor uso a ser dado a todas as arenas e, sim, desde já, pensar no Rio-2016.

E que venham as Olimpíadas...

Luiz Caversan
No fAlha
Leia Mais ►