21 de jun de 2014

Lula e Dilma na Convenção do PT


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Mário Sérgio Conti: "Pensei realmente que era o Scolari"

 Esse sujeito é um 'jênio"! 

Mário Sérgio Conti e Wladimir Palomo, sósia de Felipão
Após a polêmica envolvendo a entrevista com um sósia de Luiz Felipe Scolari, o jornalista Mario Sergio Conti admitiu, em entrevista por e-mail a Zero Hora, que realmente confundiu o ator com o técnico da Seleção Brasileira. O colunista de O Globo e da Folha de S.Paulo/UOL e apresentador da Globonews conversou com o sósia Wladimir Palomo em um voo do Rio de Janeiro para São Paulo.

— Foi uma brincadeira ou o senhor realmente confundiu o sósia de Felipão com o próprio técnico?

— Pensei realmente que era o Scolari. Nunca estive com Felipão. Sequer vi entrevistas dele na televisão; só nas partidas, ao lado do campo. Achei todas as respostas dele sensatas.

— Vocês conversaram sobre Neymar, empate com o México, aeroportos, vaias a Dilma... Quanto tempo durou essa conversa? Em nenhum momento, o senhor desconfiou?

— Cerca de meia hora. O tempo do voo do Rio a São Paulo. Não desconfiei em nenhum momento que não fosse ele. Lera em algum lugar que a seleção estava de folga.

— O texto publicado pelo O Globo (que foi atualizado quase 30 min depois da publicação) termina com a história do cartão de visitas do sósia. Essa informação constava na primeira versão ou foi acrescentada depois?

— A informação constava do texto enviado originalmente. Nada foi alterado nele. Quando perguntei se toparia ser entrevistado na televisão, ele disse que sim, mas que estava muito ocupado naqueles dias. Aí me deu o cartão e rimos. Imaginei que era uma piada dele: entreviste esse sósia meu...

— O que o senhor tem a dizer aos seus leitores?

— Perdão pela confusão. Felizmente, ela não prejudica ninguém. Não afetará a Bolsa, a Copa ou as eleições.

Entrevista: Wladimir Palomo

Trabalhando como sósia de Felipão há cerca de um ano, Wladimir Palomo (com W, e não V como foi publicado por Folha e O Globo), que interpreta o técnico da Seleção no humorístico Zorra Total, parecia nervoso com a repercussão de sua conversa com o colunista Mário Sérgio Conti. Em entrevista por telefone, ele garantiu que "não teve maldade".

— Foi o senhor que deu uma entrevista ao colunista Mario Sergio Conti?

— Sim, estávamos dentro do avião, sentei ao lado dele. Foi uma conversa com um pessoa comum, como eu converso com você. Cinco a dez minutinhos no voo, só isso. E outra coisa: nem sabia que ele era jornalista. Só na hora de ir embora, eu perguntei quem ele era, e ele disse que era repórter.

— O senhor entregou um cartão para ele?

— Entreguei um cartão onde diz que eu faço eventos como sósia do Felipão. Eu sou aquele rapaz que trabalha no Zorra Total.

— O senhor acha que ele se confundiu ou que ele sabia que se tratava de um sósia?

— Provavelmente ele deveria saber. Tinha um monte de gente tirando foto com o sósia do Felipão e com o sósia do Neymar.

— Foi uma brincadeira ou ele estava levando o senhor a sério?

— Eu acho que foi uma brincadeira o tempo inteiro. Ou então ele se confundiu. Você acha que o Felipão ia ficar andando sozinho em um avião no dia da Copa?

— Entramos em contato com o Mário Sérgio Conti e ele afirma que se confundiu mesmo. O senhor acha que a sua imitação está tão boa assim?

— Eu não imito, sou eu mesmo. Não imito nada.
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A identidade falsa que o SNI forjou para Curió

“Identidade falsa que a Rede Globo forneceu ao torturador Sebastião Curió – do livro “Mata!”, de Leonencio Nossa.”

Wikipedia: “(…) A guerra suja deixava de ser uma ação ostensiva para cair na clandestinidade, comandada diretamente pelo Centro de Informações do Exército, o CIE. Aparece na história, então, um personagem que se tornaria célebre na região: Sebastião Curió. Major à época, Sebastião Rodrigues de Moura, com curso de especialização no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), do Comando Militar da Amazônia, ex-lutador de boxe, foi enviado ao Araguaia com o codinome de Marco Antonio Luchini, um engenheiro florestal dos quadros do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para montar uma operação de inteligência e aniquilar os últimos focos da guerrilha. (…)”

Palmério Dória

PS do Viomundo: Leonêncio Nossa é jornalista, autor do livro Mata, da Companhia das Letras. A editora esclarece: “O autor teve acesso exclusivo ao lendário arquivo pessoal do major Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió, um dos protagonistas da repressão da ditadura militar à guerrilha. O autor revela pela primeira vez detalhes das torturas e assassinatos que vitimaram dezenas de pessoas na década de 1970 na região do Araguaia, entre militantes do PC do B e simpatizantes locais”.

PS2: O autor esclarece que a identidade de Curió foi forjada pelo Serviço Nacional de Informações, o SNI, não fornecida pela TV Globo, conforme especularam internautas nas redes sociais.
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Lula entrou em campo


Ele voltou como cabo eleitoral, e é um dos trunfos, mas não o único, para a reeleição da presidenta Dilma Rousseff

Mais cedo do que a oposição esperava e certamente temia, Lula voltou ao jogo da competição presidencial na condição de “cabo eleitoral”, anunciada inicialmente ao Partido dos Trabalhadores, e confirmada na longa entrevista a CartaCapital (ed. 802), quando sepultou de vez o movimento “Volta Lula”:

“Sou cabo eleitoral da companheira Dilma Rousseff para o segundo mandato à Presidência (...) bem formada ideologicamente e muito leal. Nunca iria disputar sua candidatura”.

Lula fechou o ciclo dos petistas que insistiam no retorno dele à disputa direta para presidente e, também, dos oposicionistas que estimulavam, ardilosamente, o movimento pró-Lula, com a finalidade de enfraquecer a candidata, em momento de queda nas pesquisas. Valiam-se ainda dos dados dessas sondagens, onde fica exposta a paixão do eleitor pelo metalúrgico que invadiu o clube restrito dos ex-mandatários brasileiros.

Desce o pano.

O ex-presidente Lula entrou de novo em cena, com mais determinação, após a convenção do PSDB, que homologou a candidatura de Aécio Neves à Presidência. Neto de Tancredo, ex-governador de Minas Gerais e, atualmente, senador da República Aécio, como tem feito, endureceu o discurso contra o PT.  Afirmou que um tsunami varreria os petistas do Planalto, onde, ao contrário de São Paulo, governado há 20 anos pelos tucanos, haveria água suficiente para atender a todos os sonhos.

FHC, tucano-mor, compareceu ao evento. O ex-presidente, como se sabe, finge que acredita em eleições puras, incluindo a reeleição dele próprio, embalada pela compra de votos no Congresso para a aprovação da necessária  emenda constitucional. A partir daí, passou a envergar o surrado fardão da ética. O País, segundo ele, não quer mais “os corruptos, os ladrões que ficam empulhando” o Estado.

Não era preciso mais. Foi o suficiente para Lula dar as respostas que julgou convenientes. Ele entrou em campo e mudou as regras do jogo. Tirou o governo do córner, acuado por dificuldades econômicas, a pressão da mídia e a queda de Dilma nas pesquisas de intenções de votos. Surgiu, então, a possibilidade de realização do segundo turno.

Um segundo trunfo da presidenta é a extensa agenda de programas do governo construída ao longo de quase quatro anos. Eis alguns: Pronatec, Pro-Uni, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos.

Essa agenda terá papel importante no horário da propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio. Esse é o terceiro trunfo de Dilma. Em princípio, ela terá perto de 12 minutos de programa. Isso significa a metade do horário eleitoral ainda a ser oficialmente definido e dividido com outros candidatos. Oficiosamente, os dois maiores adversários da presidenta (Aécio Neves e Eduardo Campos) terão pouco mais de quatro minutos e pouco menos de dois minutos, respectivamente.

O tempo é pequeno. Longo, porém, para o discurso dos dois. Além do palavrório vazio, não se conhece o programa de governo da oposição.

Isso faz a diferença.

Maurício Dias
No CartaCapital
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O tamanho do PT


O partido perdeu apoio nos últimos anos, mas continua a ser de longe a principal, quando não a única, legenda reconhecida pela maioria da população

Na mais recente pesquisa CartaCapital/Vox Populi, realizada no início de junho, a identificação partidária com o PT ficou em 16%. Número modesto para um partido que, não faz muito tempo, chegou a alcançar o dobro.

O resultado é semelhante àquele de outras pesquisas das últimas semanas, amplamente festejado pelos “analistas” da mídia conservadora. Parecem estar contentes com o sucesso da estratégia de desconstrução da imagem do PT, à qual os veículos de comunicação têm se dedicado, com afinco, há tempos.

Ninguém duvide. Sempre foi essa a intenção subjacente à campanha para transformar o escândalo do “mensalão” no maior de nossa história e a caracterizar como criminosas algumas das mais importantes lideranças do partido. Queriam enfraquecê-lo eleitoralmente, já na eleição de 2012 e, em especial, nesta sucessão presidencial. Quem acreditou na cantilena de que desejavam a “regeneração moral” da política brasileira deve também imaginar que as cegonhas trazem os bebês. No intuito de atingir a imagem do PT, é verdade, acabaram por instituir um cenário de terra arrasada. Não apenas o PT perdeu eleitores, mas todos os demais partidos. Quando se compara a pesquisa de agora com aquelas de antes do carnaval midiático em torno do julgamento do “mensalão”, verifica-se que a soma de quem dizia identificar-se com qualquer outra legenda passou de 21%, em abril de 2012, para 13%, uma redução para perto da metade. Há dois anos, 48% dos entrevistados tinham alguma identidade partidária. Hoje, caíram para 26%.

Quem mais perdeu foi o PT, por ser aquele que mais tinha a perder. O PMDB e o PSDB eram pequenos e assim permaneceram. Os restantes 30 e tantos partidos dividiam 10% do eleitorado e agora se contentam com 6%. O tamanho efetivo do PT não é, porém, adequadamente estimado pela proporção da população que se diz identificada com ele. Quando se pergunta aos eleitores se têm “simpatia” ou “antipatia” pelo PT, verifica-se que a base social do partido é maior.

São “simpatizantes” 32% dos entrevistados na pesquisa mais recente. Inversamente, 21% seriam antagonistas (ou “antipatizantes”). Os 47% restantes não são nem uma coisa nem outra. Nem a favor do PT nem contrários. É uma demonstração da força da sua imagem. Manter contingentes tão expressivos de eleitores identificados ou simpáticos, depois de passar pelo que passou de 2012 para cá, é sinal de enraizamento e solidez.

Em resumo: ainda que tenha perdido tamanho, o PT continua a ser, de longe, o maior e, provavelmente, o único partido reconhecido pela maioria da população. Com um terço de simpatizantes e somente um quinto de antagonistas, sua base de apoio na sociedade é superior à de qualquer adversário ou combinação de legendas oposicionistas. Assim, ao contrário do que afirmam os “analistas” da mídia conservadora, o PT não é um problema para a campanha à reeleição de Dilma Rousseff, mas uma sustentação.

Note-se: os números atuais da identificação com o PT não são muito diferentes daqueles que a legenda tinha nas suas três eleições vitoriosas. Em junho de 2002, diziam-se identificados com o partido 15% dos entrevistados. Em julho de 2006, o porcentual era de 17%. Somente em junho de 2010, quando Lula batia todos os recordes de popularidade, a identificação foi a 21% (dados sempre do Vox Populi). O que estava em alta há quatro anos era a “simpatia” pelo partido, que alcançava a marca de 60%. Número significativo, mas de impacto eleitoral discutível, pois não levou Dilma Rousseff a obter votação nesse patamar.

O que tivemos em 2010 e até cresceu em 2011 foi uma ilusória generalização do petismo, como se uma vasta maioria do País houvesse se rendido ao sucesso de Lula e ao bom começo do governo Dilma, provocando o quase desaparecimento das oposições. Mas se revelou uma percepção enganosa na eleição de 2010 e ficou ainda mais evidente de 2012 em diante.

Uma parcela da sociedade brasileira sempre rejeitou o PT, com maior ou menor intensidade. A novidade, nesta eleição, é o fato de uma parte hoje se expressar com desembaraço e violência, ecoando o que ouve dos porta-vozes do reacionarismo na mídia conservadora, no Judiciário e no empresariado. Isso não muda, contudo, o tamanho real do partido, o contingente de quem pode criticá-lo, mas se sente adequadamente representado por ele. Para Dilma Rousseff, é um ponto de partida fundamental, algo que nenhum de seus oponentes possui e adoraria ter.

Marcos Coimbra
No CartaCapital
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Voto e criminalização

Campanha permanente para criminalizar a política teve um efeito óbvio: diminuiu a disposição de ir às urnas

Diz a lenda que, ao mastigar animais aprisionados em suas mandíbulas, os crocodilos costumam verter lágrimas pelos olhos.

Não sei se é verdade.

Mas, ao registrar a falta de interesse do cidadão comum, em especial da juventude, pela política, grandes meios de comunicação e pregadores de ar sisudo e discurso moralista adoram exibir uma reação sentimental — e lacrimejar como esses répteis gigantescos, o mais próximo parente dos dinossauros sobre a face da Terra.

As lágrimas lendárias dos crocodilos pretendem sugerir que eles não tem a menor responsabilidade pelo sofrimento de suas presas – e até sofrem por seu destinos. O mesmo ocorre com o desinteresse pela política.

Os números são reais: 26% de nossos eleitores dizem não ter nenhum interesse pela política; 29% dizem que tem pouco interesse.

Outro dado relevante: só 25% dos jovens entre 16 e 17 anos, para quem o voto não é obrigatório, estão registrados para votar. Em 2006, o número era 39%.

O aspecto especialmente curioso desses números é outro. Diz respeito aos benefícios reais que a política, sob regime democrático, tem feito ao país nos últimos anos.

Do ponto de vista da maioria dos brasileiros, dificilmente será possível encontrar um período da história em que grandes parcelas da população puderam obter melhorias tão importantes em sua existência — através do voto e de seus representantes eleitos. Esqueçamos, por um momento, que estamos num ano de eleição presidencial, onde cada menção positiva é vista como suspeita. Vamos falar de fatos objetivos.

Alvo de crítica universal pelo perfil desigual de sua distribuição de renda, hoje o Brasil é objeto permanente de elogios — pelos esforços realizados para combater essa situação, seja através do Bolsa Família, da lei do salário mínimo, de programas quje beneficiam a população pobre e negra. O governo mantem um programa de habitação popular cujos méritos são reconhecidos pelos adversários mais duros. Os pobres nunca tiveram acesso tão amplo ao ensino superior como agora. Os juros estão salgadíssimos mas o crédito popular nunca foi tão amplo, permitindo a expansão do consumo num padrão impensável há uma década. O paraíso de uma sociedade igualitária está longe, muito longe, e talvez nunca seja alcançado. A saúde pública segue um drama. A educação também. Mas é preciso ser desonesto para negar que ocorreram melhorias surpreendente, num prazo relativamente curto.

Num país que passou duas décadas ouvindo elogios nostálgios ao crescimento econômico obtido durante o regime militar, os números dos últimos anos lavaram a alma de quem tem amor pela democracia. Não por acaso, um Ibope de 2010 mostrava que, pela primeira vez em muitos anos, a maioria dos brasileiros considerava que a eleição era uma forma eficiente de defender seus interesses.

Mesmo assim, em 2014 o desencanto com a atividade política está aí, nas conversas de muitas pessoas.

Por que?

Vamos combinar: deixando de lado nostalgias impressionistas, nunca se demonstrou que os políticos de hoje são moralmente piores que os “de antigamente”. Não há escandalômetro confiável a respeito de nossa vida pública. Em nenhum momento de sua história os gastos públicos receberam controles tão apertados. As investigações e punições atingiram um nível de rigor tão intenso que chegam a se tornar um obstáculo a investimentos produtivos.

Nesta situação, a explicação não se encontra na atividade política, em si, mas na forma como ela é vista e apresentada aos brasileiros, na ideologia que encobre cada narrativa, cada episódio, cada história. As pessoas estão convencidas de que a política nunca esteve tão contaminada por práticas condenáveis.

Isso não acontece por acaso. Esta não foi, apenas, uma década onde a população colheu benvindos benefícios e melhorias, inseparáveis do exercício do voto e da liberdade.

Também foi aquela em que, por motivos difíceis de aceitar mas fáceis de compreender, o país assistiu a uma campanha permanente de ataque e criminalização aos políticos e ao regime democrático. É possível encontrar panfletos da conservadora UDN que denunciavam a “crise moral” do país na campanha presidencial de 1950. É sempre bom lembrar que o golpe de 64 teve como lema declarado o combate a subversão e a corrupção. Mas a partir de 2006 o país entrou num curso único em sua história para desmoralizar a atividade política, enfraquecer os políticos e criminalizar a democracia. Não por acaso, o interesse dos jovens sofre uma queda importante neste período. Contra 39% registrados para votar em 2006, apenas 32% fazem o mesmo em 2010. Uma queda superior a 20%.

Numa imensa dificuldade para retornar ao poder através do voto, a oposição contou com auxílio assumido dos meios de comunicaçao para investir a fundo no atalho da judicialização. Pouco importava se, no meio do caminho, fosse necessário fazer uns poucos mortos e feridos entre aliados de segunda linha, que teriam de ser sacrificados, cuidando-se para que fosse da forma menos dolorida possível.

O essencial era recuperar o poder de mando. Atingir o núcleo político responsável pelas mudanças, concentrado no Partido dos Trabalhadores, mesmo que elas estivessem longe de promover qualquer alteração grandiosa. Era preciso quebrar essa força organizada, construída de forma lenta e desigual desde a luta pelo fim da ditadura militar. Em vários países, essa intervenção se fez pela cooptação de lideranças que abandonaram seus compromissos de origem. No Brasil, isso não aconteceu, apesar de recuos importantes em relação a diversas bandeiras históricas, além de alianças e parcerias especialmente problemáticas no ofício de governar.

Mas, já que não foi possível cooptar a maioria dos quadros mais importantes para atuar a favor dos antigos inimigos, tornou-se necessário colocar uma parcela dos líderes e dirigentes fora de combate, desmoralizada, atrás das grades, na cadeia, sendo tratados sem o menor respeito por direitos elementares, retratados em tom odioso como bandoleiros, inescrupulosos, mercenários — no ato final de um circo com coro, orquestra, horário nobre na TV — entre as novelas — e animais muito selvagens, caninos sempre à mostra e apetite insaciável, sem comparação com os próprios crocodilos lacrimejantes.

Ao voltar-se contra dirigentes do Partido dos Trabalhadores, a criminalização desgastou a legenda que desde seu nascimento acumulou uma posição diferenciada junto a maioria da população, especialmente as camadas subalternas. Distantes da vida partidária tradicional, era no PT que uma parcela sempre significativa — em torno de 30% dos eleitores — sempre viu um compromisso mais firme na luta contra as injustiças e privilégios. Esse desgaste ajudou a formar, também, uma camada maior de indiferentes ao voto e às disputas políticas.

Nesse universo, evitando debates e contradições desfavoráveis, os meios de comunicação suprimiram a cobertura política da política. Num país que deve ter orgulho de seus cientistas sociais, o debate de ideias foi monopolizado pela economia de mercado, sem permitir abertura para visões opostas e contraditórias — que podem refletir interesses opostos e contraditórios, também. Os protagonistas desse tempo não querem mudanças. Quem acusar, condenar, prender — primeiro passo para a glorificação e o exercício do poder de Estado sem necessidade de atrair, conquistar e convencer o povo, em nome de quem emanam todos os poderes da República.

Este é o país onde a vontade de votar diminui, eleição após eleição. Poderia ser diferente?

Paulo Moreira Leite
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Meia-verdade e uma mentirinha

A Bolsa de Valores do Brasil registrou oscilação positiva nos últimos dias desta semana, em parte por conta de especulações sobre uma possível queda no índice de intenções de voto na presidente Dilma Rousseff. Quem acompanha o movimento do mercado através dos portais de investimento sabe que o ânimo dos negociadores pode ser alterado por pesquisas eleitorais: o evento mais significativo deste ano ocorreu no dia 19 de abril, quando o instituto MDA divulgou a consulta encomendada pela Confederação Nacional do Transporte, na qual as chances da presidente teriam caído, naquela ocasião, de 43% para 37% dos eleitores. Naquele período, o fato mereceu manchetes de absolutamente todos os grandes jornais.

De lá para cá, pequenas mudanças ocorridas nas probabilidades eleitorais ganharam destaque no noticiário, principalmente quando registraram um aumento, ainda que leve, das chances de sucesso do principal candidato da oposição, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB). Por isso, chama atenção o comportamento da imprensa na sexta-feira (20/6), quando o Ibope publica o resultado da pesquisa realizada entre os dias 13 e 15, logo após o início da Copa do Mundo.

O leitor procura uma reportagem sobre o assunto nas primeiras páginas e fica frustrado, principalmente porque, na véspera, alguns comentaristas haviam observado um movimento ascendente no mercado de ações, com a expectativa de nova sondagem desfavorável à reeleição de Dilma Rousseff. Mas não há manchetes sobre a pesquisa do Ibope: o único jornal que traz a informação na primeira página é o Estado de S.Paulo, num pequeno texto de apenas seis linhas. A Folha de S. Paulo e o Globo omitiram a informação em suas capas e o jornal carioca praticamente escondeu os índices numa página interna, sem gráficos nem as costumeiras análises.

E o que dizem, afinal, os números do Ibope?

Os números apontam uma recuperação da vantagem da atual presidente, com seus dois principais adversários caindo exatamente 3 pontos porcentuais cada um. Mas o mais interessante — e que a Folha e o Globo omitem — é que o teto potencial de votos na atual presidente da República subiu para 51%, o que indica que o efeito do intenso noticiário negativo pode estar se reduzindo.

Fora do contexto

As análises publicadas pelos jornais apresentam uma meia-verdade e uma mentirinha. A meia-verdade está presente na afirmação da Folha e do Globo, que escolhem destacar uma suposta queda na avaliação positiva do governo. Os analistas sabem que não é boa prática avaliar esse item apenas na resposta direta à questão específica. Como o contexto da pergunta é absolutamente desfavorável à presidente por conta do intenso noticiário negativo, é preciso analisar o número de eleitores que consideram o governo “ruim ou péssimo” — e esse índice não se alterou, permanecendo em 31%.

Sob um clima adverso, é preciso levar em conta que boa parte das respostas que afirmam considerar “regular” ou “razoável” a situação — sempre associada majoritariamente a quem está no poder — é influenciada pelo estado de espírito criado na mídia. Assim, boa parte dos eleitores que apontaram o governo como “regular” está dando uma resposta positiva, mais próxima de “bom” do que de “ruim ou péssimo”. Portanto, essa meia-verdade tem o tamanho de uma grande mentira.

O Estado de S. Paulo, afirma que “Copa não altera cenário presidencial”. Trata-se de uma mentirinha, pois os números indicam, sim, uma mudança na tendência das pesquisas anteriores, porque, como ensinava o mestre Edmundo Eboli Bonini, emérito professor de Estatística recentemente falecido, nenhuma pesquisa deve ignorar o contexto em que é feita a coleta de dados.

Como se sabe, quando o Ibope saiu às ruas, a imagem da presidente da República estava abalada pela vaia e os xingamentos dirigidos a ela por parte da plateia presente ao jogo inaugural da Copa. O que também pode mexer com a população é o contraponto entre a festa do esporte e eventuais ondas de violência.

Então, convém anotar que, no dia da importante partida entre Uruguai e Inglaterra, em São Paulo, as autoridades paulistas deixaram os “Black Bloc” à vontade para promover depredações na cidade. Mas o mais interessante é observar o comportamento da mídia no momento fotografado pelo Ibope: se os jornais escondem uma informação, é porque ela contraria seus interesses.

Uma mentirinha e uma meia-verdade não são suficientes para esconder esse fato.

Luciano Martins Costa
No OI
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fAlha e Aécio se apropriam de lei eleitoral

Ou serão artigos do sósia do "Arrocho Neves"?

Desde quando um Tribunal Regional Eleitoral pode atuar no pleito presidencial? E na propaganda antecipada presidencial pode?

Na dúvida, perguntei ao meu professor de direito eleitoral e ele me respondeu sem pestanejar: ” — Não pode não. Também não poderia dar curso à denúncia anônima. Tá tudo errado!!!”.

Pesquisei rápido no ​G​oogle e vi que o meu mestre tinha absoluta razão!

O art. 96, inciso III, da Lei das Eleições e, na mesma linha, a jurisprudência remansosa do Tribunal Superior Eleitoral é clara como a luz do Sol.

Entretanto, infelizmente, para o projeto de poder 'piguento' ​​vale-tudo!

Nesse MMA jurídico, a Folha obteve estapafúrdia liminar no TRE carioca para favorecer o candidato tucano Aécio Never e manter deslavada propaganda eleitoral antecipada em seu site.

Pasme: a Folha engabelou o TRE carioca que ​se apropriou d​a competência originária exclusiva e privativa do TSE para fiscalizar a eleição presidencial.

Ou seja: a absurda liminar que favorece Aecim, NEVER poderia ter sido deferida. É nula de pleno direito, pois um TRE não pode apitar a partida presidencial.

É como se um árbitro do campeonato carioca apitasse a final da Copa do Mundo, sem cadastro na FIFA. Diria Arnaldo Cesar Coêlho: ” — esse gol é nulo​,​ Galvão, pois a regra do art. 96, III, da Lei 9504 é clara!”

Fica a dica do meu mestre: basta um mísero recurso ou reclamação ao TSE para derrubar essa aberração jurídico-eleitoral.

Pior: é tanta cara-de-pau que eles até se vangloriam em noticiar essa ilegalidade: clique aqui.

Att.,

Estagiário Jurídico Curioso e Não Remunerado

PS – abaixo a lição de casa:


No Conversa Afiada
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Seu Jorge na festa da Copa dos coxinhas

Ele
No show de horrores da agora famosa festa VIP em que uma multidinha de coxinhas pagou até 1000 reais para ver o jogo da seleção com o México, um personagem chamava a atenção: o cantor Seu Jorge.

Que diabos Seu Jorge estava fazendo ali?

Tudo bem. Sua mulher, Mariana, estava lá. No vídeo, ela avisa de cara que veio “especialmente de Los Angeles, onde a gente mora, pra ver essa bagunça”. Depois reaparece com alguns patuás falando frases completamente sem sentido. Ok. Ele é um dos sócios da casa noturna. Ainda assim.

Volto a perguntar: que diabos seu Jorge estava fazendo ali, tocando para aquela turma barra pesada?

Antes de LA (pronuncie “Él Ei”), o casal morou com as filhas em São Paulo. Numa entrevista, ele contou que certa noite foi a um shopping ver “Ratatouille” e saiu no meio da sessão para fumar um cigarro. Na volta, duas senhoras o viram e chamaram o segurança, achando que se tratava de um assaltante.

Ele armou um quiproquó ameaçando denunciá-las por racismo. Desistiu quando a confusão cresceu. No Rio de Janeiro, cada passeio que dava em sua Lamborghini branca era um acontecimento. Saía nos jornais. “O que o negão está fazendo num carro desses? Quem ele pensa que é?” — era a pergunta impressa no rosto das testemunhas e embutida em cada entrelinha.

Ele não vive em negação. Pelo contrário. O homem que morou nas ruas de Santa Teresa já falou sobre sua experiência traumática na Itália. “Não volto lá nunca mais. O italiano é racista. Eles têm sérios resquícios da colonização que sofreram: não aprenderam a lidar com outras etnias. Me maltrataram muito. Lá, percebi que, por ser negro, não era brasileiro, era da África, da Somália. No Brasil, isso também é forte ainda, viu?”

Você vai me dizer que é o trabalho dele e você não está errado. Que ele estava ali porque queria, ué. “Houve um tempo em que artistas diziam: me dê liberdade ou me dê a morte. Hoje eles dizem: me faça um escravo, apenas me pague o suficiente”, afirmou o escritor Todd Garlington.

Em 1965, os Beatles foram ao palácio de Buckingham receber uma condecoração da rainha, a MBE. “Aceitar a medalha foi me vender”, Lennon afirmaria mais tarde. “Eu sempre odiei essas coisas sociais. Todos os eventos e apresentações. Todos falsos. Você podia enxergar por dentro daquelas pessoas. Eu as desprezava”.

Provavelmente, Seu Jorge não despreza aquelas pessoas, senão não estaria ali. Mas não seria exagero pensar que a maioria delas o desprezaria — ou chamaria o segurança — não fosse ele o cara famoso que estava lá para diverti-las cantando “Burguesinha” enquanto decidem quem vão mandar tomar no c…


Kiko Nogueira
No DCM
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Caras-de-pau!

É impressionante a capacidade camaleônica da RBS. Encamparam e continuam endossando, como fiéis reprodutores dos conteúdos da Rede Globo, o mais canhestro dos ataques contra a realização da Copa. A obviedade vinda das ruas, com cidadãos felizes em compartilharem com as torcidas que aqui aportaram, em oposição ao diuturno ataque às políticas sociais. Até parece que o editorialista da Zero Hora não sabe que a RBS reproduz, todos os dias, sem qualquer objeção, tudo que o Globo faz. E como se também não soubéssemos que a RBS, em a$$oCIAção com Globo, Folha, Estadão & Abril, faz parte do Instituto Millenium.

O mea culpa da RBS é tão verdadeiro quanto a confissão da Globo de que errou ao apoiar a ditadura. Agora perguntem se a Rede Globo, mesmo admitindo que tenha sido um erro apoiar a ditadura, pediu perdão pelo que fez ou devolveu tudo o que roubou com o apoio dos ditadores?  A RBS admite que errou, mas como ela vai indenizar as pessoas que, por conta dos ataques desferidos pelos mafiosos deixaram de ser felizes, o prejuízo que causou aos lojistas que deixaram de investir devido aos constantes ataques desferidos pela RBS contra a Copa? E como se indeniza a felicidade perdida por quem comprou a versão da RBS e deixou de confraternizar porque estaria avalizando um erro do Brasil?

Quem é pior bandido, aquele que leva na mão leve a carteira do turista ou aquela que rouba o direito de ser feliz das porto-alegrenses?!

Ademais, a RBS não me convence que este mea culpa tardio, ditado pelo seu costumeiro oportunismo, não tenha a ver com a sua irrecuperável perda da credibilidade. Mas, como na fábula da rã e do escorpião, é da natureza da RBS atacar o que é bom para depois fincar o ferrão envenenado. Embarcar nesta onda para posar de honesta só convence seus financiadores ideológicos e alguns beócios da manada. A mim, não! A RBS é o que sempre foi e será, um grupo que nasceu com a ditadura, com ela se locupletou e vive, em parceria com seus financiadores ideológicos, de atacar os movimentos sociais.

Um "mea culpa" sobre a Copa do Mundo

Chamo a atenção para o editorial da RBS sobre a Copa do Mundo, que circula também no Jornal de Santa Catarina, de Blumenau, e A Notícia, de Joinville, e acredito, em todos os jornais do grupo no Rio Grande do Sul.

É uma baita mea culpa sobre todo o estardalhaço que fizeram:

A vitória do Brasil

O Brasil venceu, antes do final da Copa, o maior de todos os desafios apresentados desde a escolha do país para sediar o Mundial. Está vencida a desconfiança com a capacidade de realização do evento, estimulada durante anos pelas previsões pessimistas que envolveram principalmente a gestão das obras. Já não valem mais nada os anúncios alarmistas, muitos dos quais sustentados categoricamente, sobre estádios que não ficariam prontos, o caos nos aeroportos e os transtornos com o transporte nas 12 cidades que acolhem os jogos. Entramos agora na segunda semana da competição, e alguns riscos e falhas permanecem, como os relacionados com questões pontuais das comunicações e outros detalhes da organização nos estádios. Mas as grandes interrogações estão desde já superadas.

Um balanço parcial do que aconteceu até agora livra o país da ameaça de um fracasso, fomentado pelos que, sob o pretexto de alertar para nossas deficiências, torciam contra o próprio país. O negativismo misturou-se, desde 2007, quando do anúncio da escolha do Brasil, a críticas sensatas sobre a conveniência da realização do Mundial em meio a tantas carências em áreas essenciais. Discordâncias bem fundamentadas apontavam que deveríamos dar prioridade a outras demandas mais urgentes. Os pontos de vista conflitantes se defrontaram até agora, e muitos dos críticos ainda mantêm a certeza de que o governo brasileiro errou ao lutar, com organizações privadas, para que fôssemos sede do Mundial. Nada que não deva ser encarado como natural. O que passou dos limites foi a insistência com que setores contrariados passaram a desqualificar o próprio país, antecipando o fracasso do evento, pelos mais variados motivos.

Não fracassamos, e finalmente o Brasil tem suas virtudes como organizador da Copa reconhecidas pelas delegações e pela imprensa internacional. The New York Times, Wall Street Journal e The Guardian, alguns dos mais respeitados jornais do mundo, passaram a observar que os visitantes convivem hoje apenas com falhas desculpáveis em eventos com essa grandeza. É esta visão do Exterior que, ao final da competição, oferecerá a todos a imagem do Brasil. A avaliação positiva não deve, no entanto, induzir ao engano de que todas as dúvidas suscitadas foram satisfatoriamente respondidas. O setor público ainda deve aos brasileiros informações esclarecedoras sobre a participação de recursos governamentais, para que a transparência passe a fazer parte dos aspectos a serem enfatizados.

Também as previsões sobre possíveis transtornos com greves e protestos de rua não se confirmaram, e o que se vê, ao contrário, são as 12 cidades, sem maiores atropelos em seu dia a dia, orgulhosas como anfitriãs. Confirma-se assim, com a hospitalidade brasileira que os estrangeiros reconhecem e agradecem, uma qualidade que nunca foi posta em dúvida.
Nonato Amorim — GGN
No Ficha Corrida
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Os 10 maiores micos da Copa do Mundo do Brasil

Na Copa do Mundo do Brasil, foram embora pro chuveiro mais cedo aqueles que torceram pelo fracasso do país. Confira alguns micos da elite e da mídia.


A Copa do Mundo do Brasil ainda não passou da primeira fase, mas já são fartas as gafes, foras e barrigadas do mundial, especialmente fora do campo. 

E, curiosamente, elas nada têm a ver com as previsões das “cartomantes do apocalipse” que alardeavam que o país não seria capaz de organizar o evento e receber bem os turistas estrangeiros. Muito pelo contrário. 

Os estádios ficaram prontos, os aeroportos estão funcionando, as manifestações perderam força, os gringos estão encantados com a receptividade brasileira e a imprensa estrangeira já fala em “Copa das Copas”. 

Confira, então, os principais micos do mundial... pelo menos até agora!

1 - O fracasso do #NãoVaiTerCopa
Mesmo com o apoio da direita conservadora, da esquerda radicalizada, da mídia monopolista e dos black blocs, o movimento #NãoVaiTerCopa se revelou uma grande falácia. As categorias de trabalhadores que aproveitam a visibilidade do evento para reivindicar suas pautas históricas de forma pacífica preferiram apostar na hashtag #NaCopaTemLuta, bem menos antipática e alarmista. E os que continuaram a torcer contra o evento e o país, por motivações eleitoreiras ou ideológicas, amargam o fracasso: políticos perdem credibilidade, veículos de imprensa, audiência e o empresariado, dinheiro!

2 – A vênus platinada ladeira abaixo 
Desde os protestos de junho de 2013, a TV Globo vem amargando uma rejeição crescente da população. E se apostava no #NãoVaiTerCopa para enfraquecer o governo, acabou foi vendo sua própria audiência desabar. Uma pesquisa publicada pela coluna Outro Canal, da Folha de S. Paulo, com base em dados do Ibope, mostra que no jogo de abertura da Copa de 2006, na Alemanha, a audiência da Globo foi de 65,7 pontos. No primeiro jogo da Copa de 2010, na África do Sul, caiu para 45,2 pontos. Já na estreia do Brasil na Copa, neste ano, despencou para 37,5 pontos.

3 – #CalaABocaGalvão
Principal ícone da TV Globo, o narrador esportivo Galvão Bueno é o homem mais bem pago da televisão brasileira, com salário mensal de R$ 5 milhões. Mas, tal como o veículo que paga seu salário, está com o prestígio cada vez mais baixo. Criticar suas narrações virou febre entre os fãs do bom futebol. E a própria seleção brasileira optou por assistir os jogos da copa pela concorrente, a TV Band. O movimento #CalaABocaGalvão ganhou ainda mais força! O #ForaGlobo também!

4 – A enquadrada na The Economist 
A revista britânica The Economista, que vem liderando o ranking da imprensa “gringa” que torce contra o sucesso do Brasil, acabou enquadrada por seus leitores. A reportagem "Traffic and tempers", publicada no último dia 10, exaltando os problemas de mobilidade de São Paulo às vésperas de receber o mundial, foi rechaçada por leitores dos EUA, Japão, Holanda, Inglaterra e Argentina, dentre vários outros. Em contraposição aos argumentos da revista, esses leitores relataram problemas muito semelhantes nos seus países e exaltaram as qualidades brasileiras, em especial a hospitalidade do povo. 

5 – O assassinato da semiótica
Guru da direita brasileira, o colunista da revista Veja, Rodrigo Constantino, provocou risos com o texto “O logo vermelho da Copa”, em que acusa o PT de usar a logomarca oficial do mundial da Fifa para fazer propaganda subliminar do comunismo. Virou chacota, claro. O correspondente do Los Angeles Times, Vincent Bevins, postou em seu Twitter: “Oh Deus. Colunista brasileiro defendendo que o vermelho 2014 na logo da Copa do Mundo é obviamente uma propaganda socialista”.  Seus leitores se divertiram usando a mesma lógica para apontar outros pretensos ícones comunistas, como a Coca-Cola (lol)!

6 – A entrevista com o “falso” Felipão
Ex-diretor da Veja e repórter experiente, Mário Sérgio Conti achou que tivesse tirado a sorte grande ao encontrar o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, em um voo comercial, após o empate com o México. Escreveu uma matéria e a vendeu para os jornais Folha de S. Paulo e O Globo, que a publicaram com destaque. O entrevistado, porém, era o ator Wladimir Palomo, que interpreta Felipão no programa humorístico Zorra Total. No final da conversa, Palomo chegou a passar seu cartão à Conti, onde está escrito: “Wladimir Palomo - sósia de Felipão – eventos”. Mas, tão confiante que estava no seu “furo de reportagem”, o jornalista achou que era uma “brincadeirinha” do técnico... 

7 – A “morte do pai” do jogador marfinense
O jogador da costa do Marfim, Serey Die, caiu no choro quando o hino do seu país soou no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Imediatamente, a imprensa do Brasil e do mundo passou a noticiar que o pai dele havia morrido poucas horas antes. A comoção vias redes sociais foi intensa. O jogador, porém, desmentiu a notícia assim que pode. Seu pai havia morrido, de fato. Mas há dez anos. As lágrimas se deveram a outros fatores. "Também pensei no meu pai, mas é por tudo que vivi e por ter conseguido chegar a uma copa do mundo”, explicou.

8 – “Vai pra casa, Renan!”
Cheio de boas intenções, o estudante Renan Baldi, 16 anos, escolheu uma forma bastante condenável de reivindicar mais saúde e educação para o país: cobriu o rosto e se juntou aos black block paulistas para depredar patrimônio público na estreia do mundial. Foi retirado do meio do protesto pelo pai, que encantou o país ao reafirmar seu amor pelo filho, mas condenar sua postura violenta e antidemocrática. A hashtag #VaiPraCasaRenan fez história nas redes sociais!

9 – O fiasco do “padrão Fifa”
Pelos menos 40 voluntários da Copa em Brasília passaram mal após consumir as refeições servidas pela Fifa, no sábado (14), um dia antes do estádio Mané Garrincha estrear no mundial com a partida entre Suíça e Equador. Depois disso, não apareceu mais nenhum manifestante desavisado para pedir saúde e educação “padrão Fifa” no país!

10 – Sou “coxinha” e passo recibo!
Enquanto o Brasil e o mundo criticavam a falta de educação da “elite branca” que xingou a presidenta Dilma no Itaquerão, a empresária Isabela Raposeiras decidiu protestar pela causa oposta: publicou no seu facebook um post contra o preconceito e à discriminação dirigidos ao que ela chamou de “minoria de brasileiros que descente da elite branco-europeia”. “Não sentirei vergonha pelas minhas conquistas, pelo meu status social, pela minha pele branca”, afirmou.  Virou, automaticamente, a musa da “elite coxinha”.

Najla Passos
No Carta Maior
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Ao vivo: PT realiza convenção nacional

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Cinco derrotas e um lance decisivo

Da ampliação da democracia depende a sorte das famílias assalariadas, a repartição da renda e a cota de sacrifícios em um novo ciclo de crescimento.

Muitas vezes, a janela mais panorâmica de uma época não se materializa no indispensável esforço conceitual para descortinar a sua essência, mas em um evento simbólico catalisador.

O passo seguinte da história brasileira carece ainda dessa síntese que contenha as linhas de passagem para um novo ciclo de desenvolvimento.

A simplificação analítica, o simplismo ideológico são incompatíveis com essa sinapse entre o velho e o novo, projetando-se mais por aquilo que dissipam do que pelo que agregam.

Nenhum polo do espectro político está imune a essas armadilhas. Mas até pela supremacia do seu poder emissor é o conservadorismo que tem liderado o atropelo da tentativa e erro nesse embate.

Durante meses, por exemplo, o imperativo ‘não vai ter Copa’ —  e tudo aquilo que ele encerra de denuncismo derrotista — reinou soberano na mídia como uma metáfora esperta do ‘não vai ter Dilma’.

Quando os fatos desmentiram a pretensa equiparação do Brasil a um Titanic — a Copa, independente da seleção, é um sucesso de público, de infraestrutura e de qualidade esportiva — partiu-se para algo mais explícito.

O camarote vip do Itaú — o banco central do conservadorismo — entrou em cena para mostrar os sentimentos profundos da elite em relação ao país.

Repercutiu, mas não pegou.

Embora o martelete midiático tenha disseminado a bandeira do antipetismo bélico, a ponto de hoje contagiar setores populares, como admite — e sobretudo adverte — o ministro Gilberto Carvalho, o fato é que esse trunfo conservador não reúne a energia necessária para inaugurar uma nova época.

A grosseria dos finos exala, antes, seu despreparo para as tarefas do futuro.

Não quaisquer tarefas.

O país se depara com uma transição de ciclo econômico marcada por uma correlação de forças instável, desprovida de aderência institucional, ademais de submetida à determinação de um capitalismo global avesso a outro ordenamento que não o vale tudo dos mercados.

Um desaforo tosco é o que de mais eloquente as ‘classes altas’ tem a dizer sobre a sua capacitação para lidar com esse supermercado de encruzilhadas históricas.

Não é o único senão.

Nas últimas horas ruiu também a simbologia conservadora da retidão heroica e antipetista, atribuída à figura de Joaquim Barbosa.

Na última 3ª feira, o presidente do STF jogou a toalha respingada de ressentimentos, ao abandonar a execução da AP 470.

Não sem antes grunhir, em alemão, o menosprezo pelas questões mais gerais da construção da cidadania no país.

‘Es ist mir ganz egal', sentenciou sobre as cotas reclamadas por negros e índios no Judiciário.

'Para mim é indiferente; não estou nem aí’.

Esse, o herói dos savonarolas de biografia inflamável.

Seria apenas o epitáfio de um bonapartismo destemperado, não fosse, sobretudo, a versão germânica da indiferença social.

A mesma inscrita no jogral dos que se avocam à parte e acima daquilo que distingue uma nação de um ajuntamento humano: a pactuação democrática de valores e projetos que selam um destino compartilhado.

O particularismo black bloc enfrenta agora seu novo revés no terreno da inflação.

Seja pela eficácia destrutiva da maior taxa de juro do planeta (em termos nominais o juro brasileiro só perde para o da Nigéria), seja pelo espraiamento das anomalias climáticas no mercado de alimentos, o fato é que os principais índices de inflação desabam.

E com eles a bandeira ‘popular’ de Aécio e assemelhados.

Mas há uma variável ainda mais adversa ao conservadorismo no plano da economia política.

O fato de o país viver um quadro de pleno emprego dá ao campo progressista um trunfo inestimável na negociação de um novo ciclo de crescimento.

Uma coisa é negociar com trabalhadores espremidos em filas de desempregados vendendo-se a qualquer preço. Outra, fazê-lo em um mercado em que a demanda por mão-de-obra cresceu mais que a população economicamente ativa nos últimos anos.

O conjunto fragiliza um certo fatalismo com devotos dos dois lados da polaridade política, que encara as eleições como uma formalidade incapaz de alterar o calendário do arrocho, com o qual o país teria um encontro marcado após as eleições.

Tudo se passa, desse ponto de vista, como se houvesse uma concertación não escrita à moda chilena que tornaria irrelevante o titular da Presidência, diante dos limites impostos pela subordinação do Estado aos imperativos dos mercados local e global.

É essa, um pouco, a aposta da candidatura Campos, que se oferece à praça e à banca como a cola ambivalente capaz de dissolver os dois lados da disputa em um tertius eficiente e confiável.

O fato de ter fracassado até agora não implica o êxito efetivo do campo progressista em se libertar da indiferenciação que rebaixa o papel da democracia na definição do futuro.

Os desafios desse percurso não podem ser subestimados.

De modo muito grosseiro, trata-se de modular um estirão de ganhos de produtividade (daí a importância de se fortalecer seu principal núcleo irradiador, a indústria, ademais da infraestrutura e da educação) que financie novos degraus de acesso à cidadania plena.

A força e o consentimento necessários para conduzir esse ciclo — em uma chave que não seja a do arrocho — requisitam um salto de discernimento e organização social que assegure o mais amplo debate sobre metas, prazos, compromissos, concessões, conquistas e salvaguardas.

Não se trata, portanto, apenas de sobreviver à convalescência do modelo neoliberal.

O que está em jogo é erguer linhas de passagem para um futuro alternativo à lógica do cada um por si, derivada de determinações históricas devastadoras que se irradiam da supremacia global das finanças desreguladas, para todas as dimensões da vida, da economia e da sociabilidade em nosso tempo.

A dificuldade de se iniciar esse salto advém, em primeiro lugar, da inexistência de um espaço democrático de debate em que os interesses da sociedade deixem de figurar apenas como um acorde dissonante no monólogo da restauração neoliberal.

Cada um por si, e os mercados por cima de todos, ou a árdua construção de um democracia social negociada?

É em torno dessa disjuntiva que se abre a janela mais panorâmica da encruzilhada brasileira nos dias que correm.

Da ampliação da democracia participativa depende o futuro dos direitos trabalhistas, a sorte das famílias assalariadas, a repartição da renda e a cota de sacrifícios entre as classes sociais na definição de um novo ciclo de crescimento.

É essa moldura histórica que magnifica a importância da Política Nacional de Participação Social anunciada agora pelo governo.

Para que contemple as grandes escolhas do nosso tempo, porém, é crucial que o governo não se satisfaça em tê-la apenas como um aceno de participação ou um ornamento da democracia.

Os desafios são imensos. Maior, porém, é a responsabilidade do discernimento que sabe onde estão as respostas e tem o dever de validá-las.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Susana Vieira alerta para golpe comunista

A atriz Susana Vieira postou uma foto comendo criancinha como forma de alertar seus seguidores para o Golpe Comunista que o PT pretende dar no Brasil em 2014.

“ACORDA BRASIL!!!” escreveu a atriz, em foto com filtro Nashville.

Fica o alerta…

No Rafucko
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Mário Sérgio Conti entrevista Maradona


Kiko Nogueira
No DCM
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Assista 'Coração Valente', jingle de Dilma para a eleição de 2014


Neste sábado, na convenção do PT, será apresentado aos delegados do partido um clipe com o jingle da campanha da presidenta Dilma Rousseff, produzido pela agência de João Santana. Fórum obteve o trabalho em primeira mão. É melhor você assistir do que ler os pitacos deste blogueiro, mas na minha avaliação fica claro que Santana está sintonizado com as demandas do momento.

A história democrática e de luta da presidenta é valorizada e seu compromisso com os mais pobres também. E tudo isso embalado pela coragem, valentia e força tanto da presidenta como do povo brasileiro. Não à toa o título do jingle é Coração Valente.

Mas o trecho mais interessante é o que dialoga com o setor social que está crítico ao governo, mas que não está rompido. “O que tá bom, vai continuar. O que não tá a gente vai melhorar”, diz. Fica claro que está dada a largada na campanha de Dilma. Ela vai ser a candidata da mudança segura. De um governo que sabe que a população quer mais e que vai apresentar o que já fez, mas apontando para o futuro. Se Dilma não tivesse o que mostrar, essa estratégia teria tudo para não dar certo. Mas não é o caso. A presidenta tem muito o que apresentar, até porque boa parte das coisas boas realizadas no Brasil foram escondidas pela mídia tradicional.



Renato Rovai
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