17 de jun de 2014

Quem escolhe como seremos vistos pelo mundo e o que está sendo mostrado do Brasil lá fora


Um jornalista estrangeiro, correspondente de uma agência de notícias aqui no Brasil, assinou um artigo como Lawrence Charles no RioOnWatch.org. (É possível que se trate de um pseudônimo.) Sua reflexão sobre como as notícias são vendidas e compradas, encomendadas e publicadas, em seu trabalho de cobrir o Brasil e a Copa, joga muita luz sobre o funcionamento da mídia, inclusive a internacional. Seu artigo, The World Cup of Lazy Journalism , ou “A Copa do Mundo do Jornalismo Preguiçoso”, expõe as diferenças entre o que ele está enxergando aqui no front e o que está sendo demandado para publicação por seus editores — e que resulta no material efetivamente veiculado lá fora, em escala global.

Escreve ele: “Quando eu respondi a meus editores que nada de relevante estava sendo incendiado [o pedido de pauta era uma busca por ‘ônibus incendiados’, por conta de uma greve dos motoristas], mas que eu poderia produzir perfis detalhados dos motoristas em greve, parei de receber e-mails. Se não tem carnificina, não tem matéria.

“Como eu só sou pago se alguém compra a pauta que proponho, pensei em escrever de volta para a agência vendendo termos como ‘violência na favela’ ou ‘polícia disparou/matou’”. A verdade é que há coisas terríveis acontecendo em algumas das centenas de favelas no Rio e houve protestos necessários e há a ameaça de muitos mais. Mas, ao lado disso, há também muitas, várias histórias que podem e devem ser contadas. Por exemplo, a favela Asa Branca é o lugar mais feliz que eu encontrei no Rio — e três décadas de notável avanço arquitetônico estão agora sendo ameaçadas pela expansão imobiliárias. (…) E na favela da Maré, onde houve uma ocupação recente, há comunidades inspiradas organizando debates importantes sobre segurança pública.”

São matérias que pouco saem por aqui. E que pouco saem lá fora também, infelizmente.

(Em tempo: o RioOnWach.org é um veículo criado em 2010 pela Catalytic Communities, CatComm, uma organização americana sem fins lucrativos e presente no Rio na forma de uma ONG. A sigla Rio On Watch se traduz em Rio Olympics Neighborhood Watch e o programa busca fazer ecoar mundialmente as vozes das favelas cariocas no percurso de construção das Olimpíadas de 2016.)

O Brasil carece de um bom trabalho de RP

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Equipe da ITV inglesa comenta o jogo Suiça X Equador diretamente da praia
Parte do que dizem de nós não está sob nosso controle. Mas é possível trabalhar a imagem do país no nível da influência e da reputação. Como fazem pessoas e marcas. O Brasil é uma marca. Que nós, os donos dela, temos tratado muito mal. Imagine o dono de um produto que vibra mais quando falam mal do seu produto do que quando falam bem dele. Esses somos nós.

Essa Copa já está representando uma inversão brutal das expectativas do mundo em relação ao país. E isso é muito alvissareiro. O influxo de dinheiro do turismo é o único objetivo de um país ao sediar um megaevento. Não só pensando nos turistas que vem para o evento, mas nos turistas que passam a considerar o país como um destino desejado depois do evento. Essa matéria do The Herald Sun, jornal australiano, é um bom exemplo do que a Copa pode fazer pelo Brasil em termos de visibilidade positiva: Beer, barbies and sport — Porto Alegre ensures Aussies feel right at home as Socceroos play…., ou “Cerveja, churrasco e esporte — Porto Alegre garante que os australianos se sintam em casa enquanto nosso jogadores entram em campo…” Aproximadamente 15 000 australianos invadiram Porto Alegre para o jogo contra a Holanda, nesta quarta feira. Nem eu mesmo saberia vender tão bem Porto Alegre. (Em especial, quando se referem ao Grêmio como o segundo maior time da cidade…)

É a Economia, estúpido

Beira-rio de Porto Alegre
Beira-rio de Porto Alegre
O Los Angeles Times chama a atenção para o momentum da arquitetura brasileira: Beyond the World Cup stadiums, architecture in Brazil returns to glory, ou “Além dos estádios da Copa do Mundo, a arquitetura no Brasil retorna a sua glória”. Quanto vale isso sendo lido e gerando curiosidade na Califórnia, o estado mais rico do país que tem a maior economia do mundo? Às vezes faz falta pensarmos um pouco mais como empreendedores. Olhando um pouquinho mais para a economia e um pouquinho menos para a política.

A gente se vende mal

Revista Nature
Revista Nature
Além do maravilhoso projeto do exoesqueleto “Walk Again”, do Miguel Nicolelis, palmeirense roxo, que ainda vai ganhar um Nobel por isso (anote), e que acabou de ganhar uma capa da revista Nature, a bíblia dos cientistas,  há outras duas enormes invenções brasileiras, que estamos vendendo muito mal, como nos só, mas que podiam, por si só, nos guindar do viralatismo: (1) o spray que marca o lugar das faltas e das barreiras no gramado. Uma solução simples e inteligente para o batedor não aproximar a bola do gol e também para a barreira não andar em direção a bola, tirando o ângulo do batedor. A gente usa isso desde 2000. Para o mundo, está nascendo agora.  E (2) a placa eletrônica que os árbitros reservas levantam para orientar a substituição dos atletas.

Spray
Spray
Cinco momentos cinematográficos da Copa

E nem estou me referindo a presença secreta e relâmpago de Hugh Jackman em Cuiabá para assistir ao jogo Chile vs Austrália, no último dia 12.

Falo de quatro momentos Tarantino e um Werner Herzog da Copa:

1. Turistas mexicanos reagem a assalto e dão um couro no meliante em Natal.

2. Otaviano Costa arremessa um coco em punguista na orla do Rio e evita assalto.

3. Pai tira filho Black Bloc pela orelha de uma manifestação em São Paulo e lhe dá uma bronca na frente dos amigos e das câmeras.

4. Dias antes da Copa, Gaviões da Fiel impedem manifestantes de chegar perto do Itaquerão para protestar. E ninguém encarou os manos.

e

5. Ingleses vestidos de Cruzados socializam com manauares vestidos de índios sob um calor de 36 graus.

O jogo do Brasil e a volta do torcedor canalha

Brazil's Neymar controls the ball

O viralatismo tem uma versão futebolística — o torcedor canalha, síntese cunhada por André Fontenelle num artigo clássico publicado na revista Placar, da Abril, em 2000.  Esse tipo de torcedor apoia o time somente quando tudo vai bem. E parte rapidamente para as vaias assim que a primeira dificuldade se apresenta. Não é, ainda bem, o que se viu presencialmente no Castelão — a torcida cearense é tida com uma das melhores do país quando quem está em campo é a Seleção. Já nas redes sociais, basta um empate para ver gente pedindo a cabeça de Fred, de Oscar, de Paulinho. Talvez por ignorância sobre futebol e sobre competições. Talvez por canalhice pura e simples. Enfim, é como se estivéssemos sempre com a faca na mão, escondida às costas, só esperando a primeira oportunidade para usá-la.

É preciso separar bem o que é jogar mal do que enfrentar um adversário duro numa partida difícil. Tirante os primeiros 15 minutos do segundo tempo, em que não tocamos na bola, porque perdemos o meio campo com a saída de Ramires e não ganhamos a ofensividade esperada com a entrada de Bernard, o Brasil jogou bem. A zaga esteve perfeita. Júlio Cesar se mostrou mais seguro, o que é importante. Dani Alves e Marcelo apoiaram melhor e marcaram muito melhor do que nas últimas partidas. E Neymar continua confiante, indo para cima, chamando o jogo. Além disso, Luis Gustavo continua com sua enorme regularidade. Ramires entrou bem e só saiu por uma opção tática. Paulinho está jogando abaixo, é fato. Oscar não brilhou mas desempenhou uma função tática importantíssima. Fred ficou isolado contra três zagueiros e quase não recebeu a bola. E Bernard não mostrou estatura. (Sem trocadilho.) Jogamos melhor do que contra a Croácia. Só que do outro lado teve um time muito aplicado e um goleiro que operou quatro milagres. Vamos com calma. Não esperemos goleada em todas as rodadas. Repito: o Brasil criou quatro chances claras de gol contra uma retranca muito bem azeitada, que provavelmente passará em segundo lugar e representará problemas para quem a enfrentar nas Oitavas.

Guillermo Ochoa saves

Talvez não sejamos a melhor seleção da Copa. Mas não deixamos de sê-lo por conta desse empate contra o duro time mexicano. E nem passaremos a ser os maiorais se golearmos Camarões na semana que vem em Brasília.

Adriano Silva
No DCM
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Guia prático de sobrevivência em tempos de raiva

Vivemos tempos de raiva. As pessoas nas ruas, nos bares, em casa, perderam muito a capacidade de argumentação e estão partindo para a ofensiva, da pior maneira. Então, quando você estiver na sua vida tranquila e alguém partir para virulência, não se rebaixe ao mesmo tom, mantenha a calma e siga as dicas do nosso guia.

Tem horas que o pessoal perde a cabeça e acaba caindo nos xingamentos e palavrões, acompanhados de gestos obscenos, só por não concordar com seus pontos de vista. Não é o caso de você achar simpático, nem mesmo perdoar a pessoa. Mas, usar a mesma ignorância na resposta não vai contribuir. O melhor, no caso, é você manter a calma e chamar a pessoa para conversar: Olha, eu não vou argumentar sobre para onde você está me mandando, mas se você quiser conversar sobre algo sério, estou por aqui, tá?

Quando usarem argumentos desconexos para falar sobre algo que você conhece e sabe que a pessoa está equivocada, não precisa desqualificar a pessoa. Você pode, com tranquilidade, expor os dados que você conhece. Informar a pessoa. Alguns fazem isso até sem querer, só por não terem sido bem informados mesmo. A gente sabe que vive tempos em que os meios de comunicação tradicionais pouco informam, por mais contraditório que pareça. Então, faça você esse bom papel.

Não se deixe confundir. Tem gente que acha que tem o direito de desqualificar os outros e agir com preconceito. Então, se em uma situação dessas alguém fala “não é porque você tem dinheiro ou é branco que pode falar o que quer”, a pessoa confunde tudo e diz que você está sendo preconceituoso, impedindo a voz da elite de se manifestar. Tente, calmamente, explicar que sim, a elite pode se manifestar, como todos os cidadãos, mas não pode violar as leis, nem mesmo a do bom senso, para isso.

A pessoa dá uma opinião e simplesmente não aceita ouvir opinião contrária. Ela acha que se você não pensa como ela, é um “ditador”, porque afinal ela tem o direito de ter a opinião dela e você tem que concordar. Sim, nós entendemos que, no caso, quem está tendo uma atitude ditatorial não é você. Mas não adianta argumentar de volta, falando: "ditador é você". Pessoas assim sofrem de falta de autocrítica. Você pode pegar algum outro assunto, de preferência, banal e usar como exemplo da possibilidade das pessoas terem visões diferentes do mundo: "você gosta de melancia, mas eu prefiro laranja. Isso não faz com que você ou eu estejamos errados. Mas eu só gostaria de poder dizer que gosto de algo que você não gosta."

Às vezes as pessoas expõem as ideias mais preconceituosas e atrasadas mesmo sem conhecer você direito, partindo do princípio que todos concordam com aquilo. Você pode, calmamente, dizer apenas que não pensa da mesma forma e colocar o seu ponto de vista, de preferência, com argumentos sólidos e dados informativos, porque essa pessoa pode estar pensando de tal maneira por falta de conhecimento da realidade.

Quando alguém parte para acusações pessoais em discussões sobre a situação social e econômica do país, você pode mostrar que não é produtivo discutir a vida das pessoas que estão á frente da política do país, seus hábitos e suas relações familiares. Para falar da situação do país, devem ser analisadas as ideias, as propostas, as realizações das pessoas e seus projetos profissionais.

Quando a pessoa fala algo que é muito facilmente contestado e você, ou alguém que pensa como você, contra argumenta e encerra o assunto, não precisa tripudiar. A resposta bem dada já encerra o assunto. Humilhar o outro publicamente, apontando o dedo no estilo “olha que idiota”, só faz você se afastar da dignidade que mantém os coerentes acima dos incoerentes.

O líder sul-africano Nelson Mandela, no início de sua luta contra a segregação na África do Sul, defendia que os negros retomassem as rédeas em seu país e expulsassem os brancos invasores colonialistas. No entanto, com o tempo, percebeu que isso o igualava aos racistas preconceituosos e mudou de posição: “compreendemos que a opressão desumaniza o opressor da mesma forma que fere o oprimido”, afirmou em discurso.

Aprendamos com o grande exemplo de Mandela, que não se vingou quando alcançou o poder em seu país, mas ensinou a todos a acalmarem seus corações e lutarem por uma cultura de paz. Em geral, para todas as situações de raiva que encontramos no dia a dia, o melhor é respirar fundo e ser paz e amor. Lula e Dilma já seguem a dica.

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Conheça a história da compra de votos a favor da emenda da reeleição


O mais importante a respeito desse episódio de 1997 é que nada foi investigado como deveria. Dessa forma, restam apenas os fatos em torno da revelação do fato — trata-se de fato, pois houve provas materiais periciadas a respeito.

Tento evitar escrever sobre assunto tão antigo porque agora é ocioso especular sobre certos detalhes do episódio. Mas como FHC e Lula trocaram chumbo a respeito, é útil fazer aqui, sem juízo de valor, uma cronologia dos acontecimentos:

1) 28 de janeiro de 1997 — a Câmara aprova a emenda constitucional da reeleição: dispositivo passa a permitir que prefeitos, governadores e presidente disputem um segundo mandato consecutivo.

2) 13 de maio de 1997: Folha publica reportagem da compra de votos para aprovação da emenda da reeleição. Manchete no alto da primeira página, em duas linhas: “Deputado conta que votou pela reeleição por R$ 200 mil”:

Folha-13maio1997

3) O que disse FHC, então presidente da República: sempre negou o esquema. Dez anos depois, em sabatina na Folha, em 2007, o tucano não negou que tenha ocorrido a compra de votos. Alegou que a operação não foi comandada pelo governo federal nem pelo PSDB: “O Senado votou [a reeleição] em junho [de 1997] e 80% aprovou. Que compra de voto? (…) Houve compra de votos? Provavelmente. Foi feita pelo governo federal? Não foi. Pelo PSDB: não foi. Por mim, muito menos”.

4) Provas: confissão gravada de 2 deputados federais do Acre que diziam ter votado a favor da emenda da reeleição em troca de R$ 200 mil recebidos em dinheiro. Outros três deputados eram citados de maneira explícita e dezenas de congressistas teriam participado do esquema. Nenhum foi investigado pelo Congresso nem punido.

5) CPI: PT e partidos de oposição tentam aprovar requerimento de CPI. Sem sucesso

6) Operação abafa 1: em 21 de maio de 1997, apenas 8 dias depois de o caso ter sido publicado pela Folha, os dois deputados gravados renunciam ao mandato (Ronivon Santiago e João Maia, ambos eleitos pelo PFL — hoje DEM — do Acre). Eles enviaram ofícios idênticos ao então presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Ambos alegaram “motivos de foro íntimo'”. Em comentário irônico à época, o então deputado federal Delfim Netto disse: “Nunca vi ganhar um boi para entrar e uma boiada para sair”.

Reportagem de 21 de maio de 1997 relata procedimentos utilizados na reportagem sobre a compra de votos.

7) Operação abafa 2: em 22 de maio de 1997, só 9 dias depois de a Folha ter revelado o caso, tomam posse como ministros Eliseu Padilha (Transportes) e Iris Rezende (Justiça). Ambos eram do PMDB, partido que mais ajudou a impedir a instalação da CPI para apurar a compra de votos.

8) Operação abafa 3: apesar da fartura de provas documentais, o então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, não acolhe nenhuma representação que pedia a ele o envio de uma denúncia ao Supremo Tribunal Federal.

Em 27 de junho de 1997, indicado por FHC, Geraldo Brindeiro toma posse para iniciar o seu segundo mandato como procurador-geral da República. Sempre reconduzido por FHC, Brindeiro ficou oito anos na função, de julho de 1995 a junho de 2003.

9) Fim do caso: em junho de 1997, o Senado aprova, em segundo turno, a emenda da reeleição, que é promulgada. No ano seguinte, FHC se candidata a mais um mandato e é reeleito.

A Polícia Federal não investigou? De maneira quase surrealista, sim. O repórter responsável pela reportagem foi intimado a dizer o que sabia a respeito do caso em… 4 de junho de 2001. O inquérito era apenas protocolar. Não deu em absolutamente nada.

Fernando Rodrigues
No fAlha
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O que se perdeu

Os defensores do xingamento dirigido à presidente da República, adeptos do argumento de que apenas foi usada a linguagem das arquibancadas de futebol, formalmente têm razão. Mas o fato fez parte de mais do que os hábitos dos campos de futebol, mais do que um insulto pessoal e mais do que seu alegado sentido político.

Na raiz e na forma daquele fato está a realidade de que os brasileiros não têm educação nenhuma. A que tiveram, e não há dúvida de que a tiveram, perderam toda. Como e por quê, não está identificado nem procurado, o que por si já é prova prova da falta de educação. Mas nada a ver com a educação escolar, que a outra independe desta.

A cafajestice é a regra, sem diferenciação entre as classes econômicas. Na vulgaridade da linguagem, na indumentária "descontraída", na ganância que faz de tudo um modo de usurpar algo do alheio, na boçalidade do trânsito, nos divertimentos escrachados, na total falta de respeito de produtores e comerciantes pelo consumidor, enganado na qualidade e furtado  no valor — em tudo é o reinado do primarismo mental e dos modos da falta de educação.

O baixíssimo nível moral e intelectual do Congresso, o comercialismo dos dirigentes políticos e dos partidos, o negocismo que corrompe as administrações públicas, tudo isso é a própria falta de educação, invasiva e ilimitada. E crescente.

Ao xingamento a Dilma Rousseff seguram-se, como atos políticos, três eventos: a convenção do PSDB para oficializar a candidatura de Aécio Neves à Presidência, a convenção do PT para a candidatura de Alexandre Padilha ao governo paulista, e a primeira aparição política que Eduardo Campos se dignou a conceder ao seu Estado desde que deixou o governo pernambucano. Foram três festivais de grosserias e insultos em nome da política.

Exceto Eduardo Campos, que sugeriu ser o governo federal "um bocado de raposa que já roubou o que tinha que roubar", tudo o que foi noticiado como dito nos atos poderia ser dito com alguma elevação. Aécio Neves, Lula, José Serra, Fernando Henrique, no entanto, não recusaram a regra vigente. A julgar pela conduta deste grupo de candidatos e dirigentes, e pelo que até agora disseram Aécio e Campos, está prenunciada uma campanha pela Presidência com falta absoluta de ideias e o máximo da agressividade mais primária.

A propósito, Eduardo Campos, com a originalidade de que pôde dispor, disse dos xingamentos a Dilma Rousseff que "na vida a gente colhe o que a gente planta". Quando o vaiarem, descobrirá o que plantou com o seu comentário.

Bem entendido

Seria voltar bem mais de um século, se o propósito do vice-presidente Joe Biden, em sua primeira visita hoje a Dilma Rousseff, for mesmo "retomar a relação de confiança" entre Brasil e Estados Unidos. Mas o governo americano e Joe Biden são menos pretenciosos. É claro que ele se refere, aliás explicitamente, à retomada das relações anteriores aos incidentes entre o governo Obama e os de Lula e Dilma.

Ou seja, no dizer de Biden, "relação de confiança" é a que vigorou quando o governo americano violava as comunicações de todo o governo brasileiro, da Petrobras e de outras empresas, e até da própria presidente.

Janio de Freitas
No fAlha
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BBC desmoraliza o Mainardi no ar, ao vivo!


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O que os bonecos de papelão de Aécio Neves dizem sobre o PSDB

“Vamos conversar?”
A convenção do PSDB que sagrou o nome de Aécio Neves candidato à presidência teve o de sempre: discursos exaltados, abraços e juras de amor eterno, Fernando Henrique Cardoso, críticas ao PT, José Serra falando em união, Geraldo Alckmin sorrindo etc etc.

Mas houve pelo menos uma inovação que ficará para a crônica política como um dos símbolos do PSDB: bonecos em tamanho natural de Aécio, feitos de papelão, armados para os militantes tirarem fotos.

Foram colocados num saguão do Expo Center Norte, de acordo com assessores de Aécio que falaram ao jornal Extra, “como recurso para uma brincadeira”. A ideia era “fingir uma foto” e não “tapear as pessoas”.

Havia ao menos 5 mil correligionários. Algumas pessoas receberam 25 reais para comparecer, segundo o Estadão. Líderes políticos de São Paulo e de Minas fretaram ônibus.

Aécio, como Serra e FHC, não é chegado a esse tipo de contato pessoal. Um veterano de convenções do PSDB lembra que quem vai a um encontro desses quer cumprimentar a estrela do show, falar com ela, mostrar algum tipo de comprometimento. Ficaram na mão.

Há alguns precedentes. No mais famoso, em 2006, em pré-convenção numa churrascaria do Morumbi em que se decidia entre Alckmin e Serra para disputar a candidatura a presidente,  Serra, FHC, Aécio e Tasso Jereissati, então presidente do partido, abandonaram a festa e foram jantar no restaurante Massimo, no Jardins. Se existissem os bonecões na época, certamente estariam no lugar dos quatro. (Alckmin, aliás, acabaria saindo candidato).

O truque de mágica criado pela equipe de Aécio é sintomático. Nem com a torcida a favor, como era o caso do Center Norte, ele se dispõe a ter um contato mais próximo com algo parecido com povo. Alguém poderia chamar isso de demofobia.

Na véspera, estava num jantar com Andrea Matarazzo, coordenador de sua campanha. Na noite de sua entronização no Center Norte, não se sabe de seu paradeiro, apenas que era um lugar bem longe dali. Antes de ir para o lixo, os bonecos de cartolina viraram, compreensivelmente, uma piada na internet. O próximo passo é colocar um deles para governar.

Kiko Nogueira
No DCM
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Na transmissão global


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Nota sobre coluna de Míriam Leitão


Nesta terça-feira (17), a jornalista Míriam Leitão da TV Globo, do jornal O Globo, da Globonews, da CBN e do portal G1 escreveu em sua coluna que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria, em sua fala de sexta-feira (13), reduzido a importância da educação e do estudo. É importante esclarecer que isso não é verdade e que a jornalista deturpou a fala do ex-presidente com uma interpretação incorreta. A frase de Lula foi: “comeram demais, estudaram demais e perderam a educação”, claramente dizendo que anos de estudo não significam, necessariamente, bons modos e respeito, visto que muitas pessoas com recursos se comportaram de forma desrespeitosa e mal-educada ao xingarem a presidenta na abertura da Copa.

O governo Lula investiu mais em educação do que qualquer gestão anterior. O orçamento do Ministério mais que triplicou: passou de 33 bilhões de reais em 2002 para 104 bilhões de reais em 2013. Lula e seu vice, José Alencar, os dois sem diploma universitário, foram o presidente e o vice-presidente que mais criaram universidades no Brasil: 14 novas universidades. Nos últimos 11 anos, o número de estudantes universitários no Brasil dobrou, subindo de 3,5 milhões em 2003, para mais de 7 milhões em 2013. E o programa Prouni permitiu que 1,5 milhão de jovens sem condições financeiras pudessem estudar e obter um diploma.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula
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Uma elite rastaquera

Os jornais de terça-feira (17/6) derramam elogios ao desenrolar da Copa do Mundo no Brasil. Alguns textos, como o editorial do Globo (ver aqui), ainda procuram destacar certos problemas remanescentes na estrutura que foi construída ou reformada para o evento, acusando o ex-presidente Lula da Silva de megalomania ao imaginar uma Copa maior que todas as anteriores. Mas o conjunto das análises mostra que a imprensa finalmente se rendeu ao espírito esportivo.

Trata-se de uma mudança importante, mas insuficiente para dissimular o viés que acompanha, como uma sombra, quase tudo que se torna notícia por aqui. Prevalece no material publicado o espírito festivo imposto pelos torcedores, que transformam a disputa em alegre confraternização, com irrelevantes e raros episódios de desentendimento, quase todos protagonizados por argentinos que viajaram para as cidades onde sua equipe se apresenta, sem ingressos para os jogos e sem reserva nos hotéis.

Além disso, as partidas têm preenchido com grande profusão de gols e jogadas memoráveis a expectativa que se cria com o confronto dos melhores times nacionais de cada continente. A surpresa, elemento fundamental na apreciação do futebol, tem feito suas aparições, o que aumenta a alegria dos espectadores e produz o tipo de emoção capaz de manter a competição restrita ao campo esportivo.

Mas a tarefa de analisar o desempenho da imprensa brasileira se complica, mesmo no contexto em que o desejo de celebrar abafa as objeções e os ensaios de protestos — justamente pela obsessão da mídia de vincular todo e qualquer contratempo ao cenário das eleições de outubro.

Têm esse aspecto, por exemplo, as vaias dirigidas contra a presidente Dilma Rousseff por parte de espectadores presentes ao estádio do Corinthians na quinta-feira (12/6). A grosseria, protagonizada justamente nos camarotes que concentravam convidados VIP e onde o ingresso chegava a custar mais de R$ 900, tem uma relação direta com o clima beligerante insuflado nas camadas privilegiadas da população pela própria imprensa.

Um tiro pela culatra

Imagens e relatos postados nas redes sociais mostram jornalistas, entre eles uma colunista de jornal, e celebridades da televisão, gritando o verso bizarro contra a presidente. Importante registrar que, no dia seguinte, todos os jornais destacaram a vaia como se tivesse sido uma manifestação espontânea de todo o estádio.

Nas mesmas edições, candidatos da oposição foram procurados para reforçar a tese de que a manifestação de incivilidade era resultado de uma suposta impopularidade da presidente da República. Somente no fim de semana apareceram os primeiros textos colocando em questão o aspecto básico de que em nenhuma circunstância se poderia tolerar tamanha falta de educação. Manifestações como o do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, condenando esse comportamento, substituíram as declarações oportunistas ligadas às candidaturas do senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-governador Eduardo Campos (PSB).

Nesta terça-feira (17), quando a seleção brasileira volta a campo para enfrentar o time do México, os jornais reproduzem análises de especialistas dando conta de que o resultado das vaias foi um tiro pela culatra: alguns textos afirmam que o ataque pode ter produzido um efeito benéfico na apreciação da presidente da República, porque muitos cidadãos passaram a considerar que ela foi injustiçada.

Considera-se que a Copa vem sendo um sucesso de organização e de emoções, e, afinal, a presidente não entra em campo para chutar a bola.

O que falta à imprensa é certa autocrítica para assumir que, ao abrigar em suas páginas e nas telas certos colunistas que trocam o jornalismo pela panfletagem, está insuflando a irracionalidade e apostando no aumento da virulência com que se debatem as ideias políticas por aqui.

As vaias saíram das bocas de gente com alta escolaridade e nenhuma educação básica. Não exagera quem afirmar que esses indivíduos socialmente desqualificados se consideram a nata da sociedade e são daqueles que costumam engrossar o coro da viralatice que rejeita a identidade nacional.

É nessa elite rastaquera que os jornais depositam suas esperanças?

Luciano Martins Costa
No OI
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Aécio vai mandar prender Danilo Gentili?

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A desmoralização dos pitbulls da grande mídia


Três vezes derrotados nos pleitos presidenciais, por Lula e Dilma e o PT, os setores elitistas albergados na grande mídia ao se verem na iminência do quarto revés eleitoral foram ao desespero.

Diurtunamente lançam vitupérios, achincalhes e deboches contra os avanços do país visando desgastar o governo federal e a imagem do Brasil no exterior. Inimigos que são das políticas sociais, políticas essas que visam efetivamente uma maior integração entre todos os brasileiros pregam seu fim.

Profetas do apocalipse político eles são contra as cotas sociais e raciais; as reservas de vagas para negros nos serviços públicos; as demarcações de terras indígenas; o Bolsa Família, o Prouni e tudo o mais.

Divulgadores de uma democracia sem povo apontaram suas armas agora contra o decreto da presidência da república que amplia a interlocução e a participação da população nos conselhos para melhor direcionamento das políticas públicas.

Personificados em Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Lobão, Gentili, Marcelo Madureira entre outros menos votados, suas pregações nas páginas dos veículos conservadores estimulam setores reacionários e exclusivistas da sociedade brasileira a maldizer os pobres e sua presença cada vez maior nos aeroportos, nos shoppings e nos restaurantes. Seus paroxismos odientos revelaram-se com maior clarividência na Copa do Mundo.

Os arautos do caos, prevendo e militando insistentemente pelo fracasso do mundial — tendo inclusive como ponta de lança a revista Veja, previsto que os estádios só ficariam prontos depois de 2022, assistem hoje desolados e bufando a extraordinária mobilização popular e o entusiasmo do povo brasileiro pela realização da denominada acertadamente de a Copa das Copas.

O subproduto dos pitbulls do conservadorismo teve seu ápice nos xingamentos torpes e vergonhosos à presidenta Dilma na abertura da copa, na Arena Corinthians. Verdadeiro gol contra, o repúdio imediato de amplas parcelas dos brasileiros e brasileiras ao deprimente espetáculo dos vips demonstra que a imensa maioria da população abominam essa prática.

Desnudam-se os propagadores do ódio. A hora é de renovar as esperanças e acreditar no Brasil!

Alberto Cantalice, vice-presidente nacional do PT e coordenador das Redes Sociais do partido.

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Reinaldo dá piti e ameaça processar Cantalice 

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Inflação perde força e confirma previsão de recuo no segundo trimestre do ano


A inflação brasileira medida pelo Índice Geral de Preços 10 (IGP-10) apresentou forte desaceleração entre maio e junho, com queda de 0,67%, após alta de 0,13% no mês anterior, segundo divulgou nesta segunda-feira (16) a Fundação Getulio Vargas (FGV).

O resultado é 0,80 ponto percentual inferior ao 0,13% registrado em maio e confirma a expectativa do governo, de recuo da inflação no segundo trimestre do ano.

A pesquisa é feita entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência. O IGP-10 é calculado com base em três outros indicadores: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mostra os preços do atacado; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC); e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

A queda da inflação de junho foi puxada pela queda expressiva nos preços ao produtor. O IPP recuou 1,41%, acentuando a redução de 0,22% em maio e acumulando queda de 1,63 ponto percentual em dois meses.

Inflação também ficou menor para o consumidor na segunda semana de junho, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), outro indicador calculado pela FGV. A taxa desacelerou de 0,46% para 0,36%, puxado por uma alta menor nos preços dos alimentos, além de um recuo no preço do etanol.

O movimento de recuo nos preços levou os analistas e investidores do mercado a reduzirem a projeção para a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços Nacional ao Consumidor Amplo (IPCA), em 2014. De acordo com o boletim semanal Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, a previsão do mercado caiu de 6,47% para 6,46%.


No Blog do Planalto
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Campanha judaica no Facebook pede morte de um palestino por hora


Um grupo no Facebook está sugerindo que israelenses "eliminem" um "terrorista palestino" por hora até que sejam encontrados os três estudantes judeus sequestrados na Cisjordânia na última quinta-feira (12).

O nome da página, aparentemente criada por um grupo ultraortodoxo de ultradireita e com conteúdo em hebraico, é "Até que os adolescentes voltem, a cada hora se atira em um terrorista". A página mostra diversas fotos dos jovens, além de imagens de supostos radicais palestinos encapuzados e com mísseis.


Nesta segunda-feira (16), o grupo marcou um evento para que israelenses protestem e rezem pela volta dos adolescentes. Haviam confirmado a presença no evento 228 pessoas.

Eyal Yifrach, 19, Gilad Shaar, 16, e Naftali Frenkel, 16, desapareceram na última quinta-feira (12) enquanto participavam de um seminário judeu. Os jovens podem ter sido raptados quando pegavam carona perto do assentamento de Alon Shvut.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou o grupo radical islâmico Hamas pelo sequestro, citando dados de inteligência israelense, embora três outros grupos tenham assumida a autoria do sequestro.

Mas um porta-voz da organização negou qualquer envolvimento, alegando que os estudantes sumiram em um território controlado por israelenses.

O grupo acusou ainda Israel de tentar sabotar o governo de unidade palestina recém formado pelo Hamas e o Fatah.

No fim de semana, uma operação de busca pelos jovens, iniciada pelo Exército israelense na Cisjordânia, resultou em mais de 80 palestinos presos. Nesta segunda-feira, um palestinos foi morto em Ramallah. A operação recebeu o nome de "Retornem, irmãos".

O líder palestino, Mahmoud Abbas, do Fatah, condenou o sequestro e a repressão israelense.

De acordo com um comunicado, "a liderança palestina condena a série de eventos (...), começando pelo sequestro de três adolescentes israelenses e terminando com uma série de violações por parte de Israel".

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