16 de jun de 2014

Sensacional! Augusto de Campos à Folha (que não publicou): VIVA DILMA. VAIA AOS VIPS.

O povo brasileiro tem algo espetacular, quando a direita extrapola em tudo em sua canalhice a reação é sempre bela, poética, decente, orgulha-nos. Foi a reação da blogosfera, das redes sociais em sua melhor categoria, a reação da catadora dona Maria Sueli, a reação do jornalista esportivo Trajano, a reação do cantor Chico César e agora a reação do poeta Augusto de Campos.

Viva Augusto de Campos que envelhece jovem, lúcido, ético e cada vez mais afiado.



Carta de Augusto de Campos à Folha de S.Paulo.
“Prezados Senhores.

Esse jornal utilizou, em 14 de junho de 2014, com grande destaque, o poema VIVA VAIA, de minha autoria, como ilustração de matéria ambígua sobre os insultos recebidos pela presidente Dilma, na partida inicial da seleção.

Utilizou-o, sem minha autorização e sem pagar direitos autorais: sem me dar a mínima satisfação.

Poupo-me de comentar a insólita atitude da FOLHA, a quem eu poderia processar, se quisesse, pelo uso indevido de texto de minha autoria.

A matéria publicada, composta de três artigos e do meu poema, cercado de legendas sensacionalistas, deixa dúvidas sobre a validade dos xingamentos da torcida, ainda que majoritariamente os condene, e por tabela me envolve nessa forjada querela.

A brutalidade da conduta de alguns torcedores, que configura até crime de injúria, mereceria pronta e incisiva condenação e não dubitativa cobertura, abonada por um poema meu publicado fora de contexto.

Os xingamentos, procedentes da área vip, onde se situa gente abastada e conservadora, evidenciam apenas o boçalidade e a truculência que é o reverso da medalha do nosso futebol, assim como a inferioridade civilizatória do brasileiro em relação aos outros povos.

Escreveu, certa vez, Fernando Pessoa: «a estupidez achou sempre o que quis». Como se viu, até os candidatos de oposição tiveram a desfaçatez de se rejubilarem com os palavrões espúrios. Pois eu lhes digo. VIVA DILMA. VAIA AOS VIPS.”

Augusto de Campos.

No MariaFro
Leia Mais ►

Nicolelis critica a mídia e a FIFA por ignorarem o chute com o exoesqueleto

Miguel Nicolelis dedicou 17 meses de trabalho para entrar pra a história da ciência mundial. O cientista brasileiro permitiu que um paraplégico andasse na abertura da Copa do Mundo, renovou a esperança de milhões de pessoas pelo mundo, mas nem assim recebeu o devido respeito da imprensa brasileira e da FIFA.

“A FIFA deveria responder pela edição das imagens que impediu que a demonstração fosse transmitida na integra”, publicou ele hoje em seu Twitter. “...nenhuma resposta será dada aos manipuladores oficiais de informação e 'colonistas' científicos da Falha de SP e do Estadinho. A intenção desses veículos de sabotar o nosso trabalho ficou clara ao longo dos últimos 17 meses”. Segundo ele, esses veículos se prestam "à difamação de tudo de bom que é feito no Brasil".

De fato, o trabalho, classificado por ele mesmo como “insano”, foi ignorado pela grande imprensa e esquecido pela FIFA, que dedicou não mais que dois segundos da transmissão da abertura ao momento mais aguardado da cerimônia.




No Muda Mais
Leia Mais ►

Por que, com apenas cinco dias, esta Copa do Mundo caminha para ser a melhor da história


São apenas cinco dias de Copa do Mundo, mas as pessoas já estão sugerindo que este mundial está a caminho de ser um dos maiores de todos os tempos.

É um ponto de vista controverso. Aqueles de uma certa idade, provavelmente, ainda têm o México 1970 em alta conta, enquanto EUA 94 tem muitos fãs. França 98 também teve alguns momentos memoráveis ​​— e quem poderia esquecer Itália 90?

Mas o torneio deste ano no Brasil tem potencial para eclipsar vários deles.

Precoce? Sem dúvida. Injustificável? Absolutamente não. Apresentamos aqui seis razões por que você deve acreditar nisso.

1. GOLS, GOLS, GOLS

Copa - estatísticas

A festa de gols no Brasil foi uma mudança bem-vinda depois de uma fase de grupos terrivelmente estéril na África do Sul há quatro anos, o que tornou-se mais notável quando a França entrou em greve e a então campeã Itália não conseguiu vencer um jogo.

Na verdade, depois de oito jogos, a Copa de 2014 teve mais que o dobro do número de gols que o torneio anterior no mesmo estágio.

A Copa do Brasil está com uma média de três gols e meio por jogo — um número que foi não foi alcançado desde 1958, na Suécia, quando o atacante francês Just Fontaine conseguiu marcar 13 gols, sete a mais do que Pelé.

Isto faz da Copa no Brasil a mais prolífica da era moderna. Itália 1990 continua a ser a que teve a mais baixa média, com reles 2,21 gols por jogo.

2.RESULTADOS

Já houve um jogo melhor na primeira fase do que Holanda e Espanha? A vitória acachapante da Holanda não deve diminuir o fato de que este foi um clássico, cheio de momentos maravilhosos, sendo um dos mais emblemáticos o mergulho de cabeça de Robin van Persie. A pura emoção de assistir Arjen Robben fez desta uma noite deslumbrante do futebol.

Copa - Costa Rica

E o que dizer das zebras? Na noite de sábado, vimos a Costa Rica causar um choque enorme no grupo da Inglaterra, ao derrotar o Uruguai por 3 a 1 com mais um desempenho emocionante. Joel Campbell foi a estrela do show, em um resultado que enviou ondas sísmicas por meio de um torneio já incrível.

3. NENHUM EMPATE OU JOGOS TRUNCADOS

Nem um único jogo terminou em empate ainda no Brasil; a África do Sul 2010 começou com um. Uma mudança cultural na direção de táticas de ataque — e sublimes contra-ataques — fez deste um início inesquecível, com equipes que procuram ganhar os três pontos desde o início, em vez de tentar agarrar um.

DROGBA

Não estamos dizendo que as equipes não podem, ou não devem, se defender. Mas não estamos reclamando. Não é só o futebol ofensivo e número de gols, porém — é o fato de que os jogos são emocionantes e movimentados.

4. OS GRANDES NOMES NÃO ESTÃO DECEPCIONANDO

Basta olhar para a lista dos goleadores em três dias: Robben, Van Persie e Neymar têm dois cada um e Alexis Sanchez marcou um gol e deu uma assistência para o Chile. Andrea Pirlo brilhou contra a Inglaterra e Mario Balotelli foi o homem do jogo.

Mesmo o tímido Lionel Messi está mandando ver: ele não havia marcado numa Copa do Mundo desde um placar de 6 a 0 em 2006, mas fez um golaço contra a Bósnia que você poderia jurar que ele estava vestido com uma camisa do Barcelona.

copa - robben

Eles estão respondendo bem no palco. Ninguém personificou essa característica melhor do que Neymar, que respondeu a toda a pressão sobre seus ombros com  a vitória por 3 a 1 do Brasil sobre a Croácia no dia de abertura.

5. É NO BRASIL

copa - futebol de praia

Esqueça os campos das escolas públicas na Inglaterra, o Brasil é o lar espiritual do futebol. Com cenários do Pão de Açúcar do Rio e da floresta amazônica, este torneio vai no ritmo da batida estereotipada do samba que infecta um país gigante e glorioso.  Se você não consegue vibrar com uma Copa do Mundo no Brasil — seja chefe, jogador ou torcedor — você precisa verificar seu pulso.

6. PORQUE TODO O MUNDO ESTÁ DIZENDO QUE É

Já foi decidido.

copa - torcida

No Yahoo

* * *

Leia Mais ►

Tuma Jr precisa aprender o que é imunidade diplomática


http://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia
Romeu Tuma falou besteira. Tá bem, não é novidade, mas não dá pra deixarmos críticas infundadas passarem assim. Ontem à tarde, o ex-deputado tuitou uma foto de Dilma próxima de Dési Bouterse, presidente do Suriname, condenado à prisão por tráfico pelo governo holandês. Segundo ele, a Polícia Federal deveria prender Bouterse. Não, Tuma Jr, não é assim que o mundo funciona.

Quem pode te explicar é o próprio Ministro das Relações Exteriores dos Países Baixos, Frans Timmermans: “A sentença do Sr. Bouterse permanece valendo, mas não pode ser aplicada já que ele é presidente”. Sim, Tuma Jr, o mundo real funciona assim. O direito público internacional prevê a imunidade diplomática, o que significa que chefes de governo em serviço, como o presidente de um país, não podem ser extraditados, como ordena a punição dada pela Holanda.

Já a presença de Bouterse próximo à Dilma na abertura da Copa do Mundo é compreensível. Ele é mais um dos nove chefes de Estado que vieram para a cerimônia. Grande parte deles, sul-americanos, como Michelle Bachelet (Chile), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Horacio Cartes (Paraguai). É natural que o presidente do vizinho Suriname tenha vindo prestigiar um evento dessa grandiosidade.

Desde 2010, quando Bouterse assumiu e passou a dispor da imunidade, ele já frequentou alguns países, sem — obviamente — nunca ter sido preso. Foi, por exemplo, aos Estados Unidos, participar de uma assembleia da ONU. Esteve também na África do Sul, para o funeral de Nelson Mandela. Nesta viagem houve, inclusive, uma discussão sobre a possibilidade de ele ser preso. A conclusão, é claro, foi de que os Países Baixos não poderiam requisitar sua prisão e extradição, uma vez que ele é imune, como afirmou Timmermans.

Portanto, Romeu Tuma Jr, não há nada de "Grave!!!" no fato de ele não ter sido preso pela PF. Grave seria descumprir a legislação internacional. 

Se fosse assim do jeito que Tuma Jr pensa e quer, então ele deveria ter rastreado as ligações e dado ordem de prisão ao amigo e contrabandista Paulo Li durante um dos inúmeros telefonemas recebidos dele quando era secretario nacional de Justiça.

Dési Bouterse foi condenado em julho de 1999, in absentia, nos Países Baixos por traficar 474 kg de cocaína.

No Muda Mais
Leia Mais ►

Como o ‘Senhor X’ descreveu a compra de votos para que FHC pudesse se reeleger

FHC comemora a emenda da reeleição, em 1997
Quando me lembro de algumas coisas que disse, sinto inveja dos mudos, escreveu Sêneca, o grande estoico.

Pensei nisso quando li agora a resposta de FHC a Lula sobre a conhecida compra de votos no Congresso em 1996 para que ele, FHC, pudesse ser reeleito.

FHC, como o legítimo udenista que se tornou ao abraçar o moralismo cínico e calculado consagrado por Carlos Lacerda, acusou Lula de ter “vestido a carapuça”. Na convenção que consagrou a candidatura de Aécio, FHC afirmou que já era hora de o país se livrar dos “corruptos”. Lula evocou, então, a compra de votos.

“Falsidade”, disse FHC sobre as acusações.

Quem acredita nisso, como disse Wellington, acredita em tudo. Um dos envolvidos, o então deputado do Acre Narciso Mendes, contou na ocasião o episódio à Folha, que o tratou como “Senhor X”. Mendes, hoje com 67 anos, recebeu 200 000 reais em 1996, como muitos de seus colegas. Em dinheiro de hoje, é cerca de 530 000 reais.

Abaixo, um trecho de uma reportagem da Folha naqueles dias:

“O dinheiro (…) só foi entregue aos parlamentares na manhã do dia da votação do primeiro turno da emenda da reeleição, 28 de janeiro, uma terça-feira. 

A entrega dos 200 000 reais em dinheiro, para cada deputado, foi feita mediante a devolução dos cheques pré-datados — que foram rasgados (…).

A troca dos cheques por dinheiro ocorreu em um local combinado em Brasília. Cada deputado se apresentou, rasgou seu cheque na hora e recebeu o pagamento em dinheiro dentro de uma sacola.”

Todo mundo sabia quem era o “Senhor X”, mas isso não estimulou nenhuma empresa de mídia a ir atrás de uma história simplesmente sensacional de corrupção.

O motivo é que FHC era amigo.

Todo mundo sabia que o Senhor X era ele
Todo mundo sabia que o Senhor X era ele
Quase que na mesma época, ele apareceu numa foto ao lado de Roberto Marinho para comemorar a inauguração de uma gráfica com a qual RM imaginava que fosse imprimir mais de 1 milhão de exemplares do Globo.

A despeito da fortuna pessoal de Roberto Marinho e do dinheiro que jorrava torrencialmente em direção à Globo, a gráfica foi financiada com recursos públicos do BNDES.

Pelas mamatas dadas às companhias jornalísticas, FHC foi recompensado pelo silêncio delas no caso do “Senhor X”.

Narciso Mendes aparece num livro recente do jornalista Palmério Dória. Nele, Mendes repete o que é amplamente sabido: todo mundo sabia que ele era o “Senhor X”. Mas ninguém foi atrás da história.

O máximo que FHC pode dizer, hoje, é que não sabia que havia malas de dinheiro comprando sua reeleição. Mas, uma vez mais, Wellington tem que ser lembrado: quem acredita nisso acredita em tudo.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Marco Civil da Internet vira modelo na Europa


O Marco Civil da Internet, aprovado no dia 22 de abril, fez do Brasil um exemplo internacional de liberdade na rede.

Além de termos sediado a conferência NETMundial, sobre governança na internet, agora, o Parlamento italiano quer usar a nossa lei como molde para criar uma legislação unificada para a União Europeia.

O relator do projeto, deputado Alessandro Molon (PT/RJ), vai debater nossa legislação com os italianos, que pretendem fazer uma proposta de legislação de internet para o parlamento da União Europeia.

O texto do Marco Civil da Internet é tão completo e importante porque foi construído com ampla participação popular. A legislação aprovada trata dos direitos dos internautas, é a garantia de liberdade e privacidade nas redes e se torna uma uma referência mundial em temas como neutralidade da rede e privacidade na web.

Um estudo divulgado ontem pela comScore mostra que o Brasil ocupa o quinto lugar no total de usuários do planeta. São 68, 1 milhões de brasileiros e brasileiras que têm acesso à internet, um aumento de 11% em relação a fevereiro de 2013. Ou seja, além de se preocupar em garantir o direito daqueles que usam a internet, nosso governo tem como prioridade levar conexão a todos, aumentando o fluxo e democratização da informação.

Nossas leis são padrão importação, galera! É o Brasil de cabeça erguida.

No Juntos Somos Fortes
Leia Mais ►

Na Carne da Tua Terra, Palestina

Leia Mais ►

Vamos pra cama, para apoiar a Seleção, comercial de preservativo


Um dia antes da partida, os jogadores de futebol não podem fazer sexo.

Este mês temos a oportunidade de fazer a única coisa que eles não podem fazer pela gente.

Vamos pra cama, Argentina!

Com esta mensagem, a agência BBDO Argentina aproveitou a Copa do Mundo para se inspirar com um insólito pedido de apoio aos torcedores: todos na cama com os preservativos Tulipán. A produção é da Landia.


No Argentina etc
Leia Mais ►

Os esqueletos de Aécio

Aécio são muitos
Sombras permanecem na biografia do tucano; cabe ao eleitor medir a sinceridade de seus depoimentos

Ninguém é obrigado a ser candidato a presidente. Mas quem abraça a causa deve saber que sua vida está sujeita a ser esquadrinhada — Mirian Cordeiro que o diga. O tucano Aécio Neves, agora candidato oficial do PSDB, parece incomodado nesta missão.

Ainda pré-candidato, Aécio começou mal. Decidiu fugir de perguntas incômodas, atacar as críticas como obra de um submundo e acionar a Justiça para tentar limpar uma biografia no mínimo controvertida. Nada a favor dos facínoras que inventam mentiras em redes sociais para desqualificar adversários. Mas daí a ignorar questionamentos vai uma distância enorme.

A repórter Malu Delgado, da revista "piauí", prestou um belo serviço ao escrever um perfil do tucano. Lá estão prós e contras, alinhados com sobriedade e rigor jornalístico. Cada um que chegue às suas conclusões. Por enquanto, elas soam desfavoráveis ao candidato.

Deixe-se de lado qualquer falso moralismo. É direito do eleitor sabatinar quem se propõe a dirigir o país. A fronteira entre o público e o privado se esmaece, sem que isso signifique a condenação a priori de qualquer um.

Vídeos na internet mostram práticas nada republicanas, como gostam de falar, por parte do então governador de Minas Gerais. Entre outras façanhas em bares e blitze, montou uma tropa de choque midiática para sufocar críticas.

Tanto fez que a guilhotina tucana decapitou sem piedade inúmeros jornalistas em Minas Gerais. Os testemunhos estão à disposição, basta querer ver e ouvir.

Sombras permanecem. A questão das drogas é uma delas, e cabe ao candidato refutá-las ou não; ao eleitor, mensurar a sinceridade dos depoimentos e até que ponto o tema interfere na avaliação do postulante. Aécio tem se embaralhado frequentemente no assunto. Adotou como refúgio a acusação de que tudo não passa de calúnias. Ao vivo, acusou jornalistas reconhecidamente sérios de dar vazão a rumores eletrônicos. Convenceu? Algo a conferir.

Na reportagem citada, destaca-se um mistério. Uma verba de R$ 4,3 bilhões, supostamente destinada à saúde, sumiu dos registros oficiais do Estado. Apesar de contabilizada na propaganda, a quantia inexiste nos livros de quem teria investido o dinheiro.

O caso foi a arquivo sem ter o mérito da questão examinado. A promotora autora da denúncia insiste na ação de improbidade. Na falta de esclarecimentos dos acusados, aguarda-se o veredicto da Justiça.

Esqueletos à parte, na convenção de sábado (14) Aécio teve a chance de ao menos apresentar um programa que justificasse a candidatura. Perda de tempo. O evento faria corar a banda de música da finada UDN. Discursos mirabolantes se esforçaram para preencher o vazio de alternativas.

Ouviram-se insistentemente anátemas contra a corrupção. Ninguém se referiu, contudo, às peripécias do mensalão mineiro e às manobras, também nada republicanas, do correligionário Eduardo Azeredo para escapar de uma condenação.

O distinto público continua sem saber se o salário mínimo vai mudar, se a aposentadoria fica como está, se haverá um tarifaço e quais medidas um governo tucano propõe para melhorar o bem-estar do povo. Ministérios serão cortados, esbraveja o senador. Mas quais? A reeleição, comprada a peso de ouro pelo seu partido na gestão FHC, vai mesmo acabar? A respeito disso tudo, o que ressoa é o eco das tais "medidas impopulares".

Em lugar de propostas, metáforas mal construídas que começam com brisa, crescem para ventania e acabam em tsunami. Talvez porque Minas não tenha acesso ao mar.

Se quiser seguir em frente, Aécio Neves está muito a dever. Saiu da zona de conforto mineira, em que a imprensa é garroteada impiedosamente para abafar desmandos de gestão. O jogo mudou, e o neto de Tancredo deve providenciar urgentemente garrafas para vender.

Não adianta apostar apenas no erro do adversário. Amante de relógios caros, muitos deles capazes de quitar com seu valor dezenas e dezenas de prestações de aspirantes a uma casa própria, o tucano já deveria ter aprendido que quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Ricardo Melo
No fAlha
Leia Mais ►

'Já fez dois posts me odiando e convocou sua trupe para me xingar', diz Trajano


Jornalista criticou os xingamentos à presidenta Dilma Rousseff (PT) na abertura da Copa e 'deu nome aos bois'; Jean Wyllys também se manifestou duramente sobre as ofensas

São Paulo – Neste sábado (14) à noite, o Twitter do jornalista da ESPN Brasil José Trajano contava: "Só foi dizer que o Reinaldo Azevedo é semeador do ódio que ele já fez dois posts me odiando e convocou sua trupe para me xingar nas redes".

As reações classificadas por Trajano se iniciaram a partir da edição do programa Linha de Passe, da ESPN Brasil, exibido na noite da última quinta-feira (12), quando o jornalista criticou duramente os xingamentos dirigidos por uma parcela elitizada do público presente na Arena Corinthians, em Itaquera, à presidenta Dilma Rousseff (PT), na abertura da Copa do Mundo.  Desde então, o debate ganhou forma e conteúdo que se referem diretamente a grupos que atuam tanto na mídia tradicional quanto aos que espalham comentários de ódio nas redes sociais.

Também foi no Linha de Passe, na sexta-feira (13), dia seguinte à abertura do torneio, que Trajano voltou a tocar no assunto das vaias à presidenta e explicou os motivos de ter fechado a conta que tinha no Facebook.  E deu nome aos "bois". “Eu fechei minha conta do Facebook para não perder amizades, assustado que estava com o pensamento protofascista de seguidores de Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho, Augusto Nunes e outros semelhantes”, comentou o jornalista.

Sobre Reinaldo Azevedo — colunista do site de Veja, do jornal Folha de S. Paulo e apresentador da rádio Jovem Pan —, Trajano classificou como “gente que só semeia o ódio, a inveja”, ao falar da repercussão da análise sobre o tratamento dado a presidenta pela “plateia vip” no estádio.

Em uma avaliação da política editorial adotada pela Veja, José Trajano foi contundente a respeito do rebaixamento do debate político praticado na publicação. “As páginas da Veja estão recheadas de insultos voltados a petistas ou esquerdistas: canalha, ignorante, cretino, idiota, apedeuta, safado, cafajeste... E, na falta de mais termos agressivos, inventam-se neologismos, como petralha, para atacar quem está no polo ideológico oposto”, argumentou, além de questionar “o padrão Veja de discussão política”, o que, na opinião dele, "tomou conta de parte da sociedade brasileira".

Não está sozinho

Entre as muitas pessoas que se manifestaram contra os xingamentos a Dilma Rousseff, várias são personalidades publicas, inclusive algumas que se colocam como adversárias do PT no plano político-partidário.

O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ), no seu perfil no Facebook, publicou texto em que repudia o episódio. “Senti vergonha por conta da vaia e do insulto à presidenta Dilma no jogo de abertura da Copa do Mundo. Sim, a vergonha foi maior porque a gente que puxou a vaia se considera "fina, culta e educada" e vive chamando de "mal-educados, grosseiros e sem-modos" aqueles que não têm a sua cor, a sua renda nem seus privilégios (inclusive o de poder de adquirir o caríssimo ingresso para estar naquela arquibancada)”, ressaltou.

Wyllys fez questão de destacar que não concorda com os gastos realizados na Copa, mas criticou a oposição política que parte para “a baixaria”. “Mal-educada, grosseira e sem-modo é mesmo aquela gente que, pouco acostumada com a civilidade, não tem senso de oportunidade nem sabe fazer oposição política sem resvalar para a baixaria”, pontuou.

“Sim, presidenta Dilma, você tem a minha solidariedade. Sim, coragem grande é poder dizer sim”, finalizou o deputado.

No RBA
Leia Mais ►

A metáfora do exoesqueleto

Na sexta-feira (13/6) o Brasil amanheceu com a alma lavada pela vitória de sua equipe de futebol no jogo inaugural da Copa do Mundo. A imprensa reconhece a ocorrência de um gol ilegítimo, nascido do pênalti imaginado pelo árbitro da partida, mas oferece análises ao mesmo tempo ponderadas e apaixonadas sobre o desempenho da seleção nacional.

Paralelamente, há descrições detalhadas sobre o entorno do espetáculo, com tentativas de protestos que não chegaram a prejudicar o movimento dos privilegiados que conseguiram um ingresso ou dos milhões que se reuniram para acompanhar o jogo diante da TV.

Fica claro que, desde o apito inicial, a maioria da população deixou de lado o mau humor fabricado massivamente pela imprensa nos últimos meses e se concentrou no que agora é essencial: sim, havemos Copa. Os pequenos grupos que insistiram em caminhar contra a corrente foram isolados e, em algumas cidades, hostilizados pelos torcedores.

Assim como os ocupantes da área VIP do estádio, que tomaram a iniciativa de vaiar a presidente da República e os representantes da Fifa, os objetores parecem ter se deslocado do conjunto social que se aglomera de olho na bola para algum lugar externo à festa.

A circunstância oferece uma oportunidade para refletir sobre a duplicidade presente nos grandes eventos midiáticos: o dentro e o fora do espetáculo. São muitos os casos de pessoas que, antes da abertura da Copa, gritavam sua rejeição ao sentimento de nacionalidade, com expressões típicas do “viralatismo” ideológico, e que, ao rolar a bola, se transformaram em fanáticos torcedores.

Mas talvez não haja melhor metáfora para essa dicotomia dentro-fora do que a apresentação do ex-atleta paraplégico que deveria exibir pela primeira vez em público o exoesqueleto criado pelo cientista Miguel Nicolelis e sua equipe.

A celebrada experiência conduzida por Nicolelis, que prometia fazer o jovem andar com a ajuda de um complicado aparelho ortopédico movido por ondas cerebrais, passou despercebida pela maioria dos espectadores que, na arena do Corinthians ou diante das telas, acompanhavam a festa de abertura da Copa do Mundo.

Num canto do gramado coberto, o jovem que envergava a armadura eletrônica produziu um discreto movimento com a perna direita, fazendo a bola rolar por uma rampa.

De fora para dentro

Essa cena deveria ser a expressão mais espetaculosa e a consagração pública do projeto que custou, até aqui, cerca de R$ 30 milhões. No contexto do espetáculo, a experiência equivale a quase nada, porque a imagem, por si, nada esclarece. Comparado à expectativa que se criou em torno do experimento, alardeado meses antes pela imprensa, foi um fracasso em termos de comunicação. A falta de explicações sobre como a coisa funciona, na narrativa dos locutores da televisão, esvaziou o interesse do público.

A ideia de fazer pessoas com paralisia recobrarem o controle de seus movimentos por meio de um aparelho que tenta realizar, por fora do corpo, as funções do esqueleto e do sistema nervoso, tem provocado polêmicas no mundo científico. Além disso, o excesso de exposição do coordenador do projeto acabou por transformá-lo em celebridade midiática e, como sabem muito bem os estudiosos da mídia, a condição de celebridade costuma encobrir todas as qualificações anteriores do personagem: o público passa a reconhecer a figura, mas seus méritos anteriores ficam em segundo plano.

Pode-se dizer que, quanto mais famoso fica o cientista, menor será o valor que lhe será dado como cientista. Na TV Globo, a emissora com a maior audiência, o narrador Galvão Bueno tinha um de seus ataques de verborragia quando a cena aconteceu, e se viu alertado pela direção a chamar a imagem de volta para fazer sobre ela um emocionado improviso. E, em vez do grand finale anunciado por meses, aquilo que deveria ser o coroamento de uma suposta conquista científica se perdeu no meio da festa.

O episódio, pinçado pelo observador no meio do extenso e intenso conjunto de notícias e opiniões que acompanham a abertura da Copa do Mundo no Brasil, serve como ilustração da circunstância em que se encontra a mídia tradicional no contexto da sociedade hipermediada.

Desprendida do núcleo da sociedade a que deveria servir, a mídia funciona como um esqueleto exterior ao corpo social, tentando fazer com que o organismo caminhe na direção que ela deseja. A relação da imprensa com o público lembra aqueles programas de auditório, onde assistentes erguem placas para a plateia, dizendo: “palmas”, “gritos”, “gargalhadas”. Agora, “festa”, “vaias”, “inflação”, “proteste”, “vote neste candidato”.

Mas não existe exoesqueleto capaz de fazer a sociedade andar numa mesma direção.

Luciano Martins Costa
No OI
Leia Mais ►

Machismo: e se fosse um pedreiro?


Vamos supor que você está fazendo seu trabalho, tranquila, como todos os dias. De repente um desconhecido se aproxima e te dá um beijo. Você nunca viu mais gordo. Mas você está exposta e tem que entregar o trabalho naquele minuto, sendo observada por seus chefes e pela sua equipe. Seria possível uma reação agressiva? E se aquilo se voltasse contra você? Talvez denunciar em seguida? Mas como saber quem era aquele homem?

Essa situação lamentável já consta entre a nada modesta lista de pérolas machistas que vimos e veremos nos próximos 30 dias, ao longo da realização da Copa do Mundo aqui no Brasil (em tempo: não que ela não aconteça da mesmíssima forma em outros países). Enquanto estava realizando seu trabalho, em transmissão ao vivo, a repórter Sabina Simonato foi beijada por um torcedor croata anônimo, na calçada da Avenida Paulista — veja aqui o vídeo.



A abordagem dada pela maioria dos veículos que noticiou é a mesma de sempre, sobretudo porque se trata de um europeu branco com alguma grana pra frequentar copas do mundo, de não de um “pedreiro” (pra voltarmos à velha discussão sobre intersecionalidade e preconceito de classe que rola quando falamos sobre assédio nas ruas): risadinhas, todo mundo achando graça. A própria repórter, inclusive, reage com estranhamento mas tenta se manter descontraída.

Algo me diz, porém, que ela não poderia ter tido qualquer reação ali, ao vivo, no ar, sem que aquilo se voltasse contra ela de alguma maneira. Talvez impondo limites ela passasse por “grossa”, “antipática”, “péssima profissional”, entre outros adjetivos frequentemente direcionados às mulheres que resistem o assédio. Talvez sofresse pesada retaliação de seus colegas, da sociedade como um todo, do veículo para o qual trabalha.

O episódio reacende uma questão que tem estado na boca da internet nos últimos meses, e que infelizmente não depende da Copa: até quando seremos desrespeitadas nas ruas por sermos mulheres?

Reparem que a questão aqui não é um beijo de um desconhecido. É um beijo de um desconhecido num contexto específico. Claramente não solicitado, claramente não consensual. O torcedor croata, ao tascar o beijo na repórter, coloca-a em sua posição de mulher — um corpo disponível. É assim que nos sentimos nas ruas, pontos de ônibus, estações de metrô, e até mesmo em festas e bares quando homens aleatórios se acham no direito de interferirem em nosso espaço físico e psicológico. Sabina Simonato não pediu nem concordou com esse beijo, não importa o quão leve tenha nos parecido sua reação.

Quando dizemos que o feminismo ainda é necessário, é por causa de atitudes desse tipo. Alguém já viu algum jornalista homem sofrer assédio sexual assim, ao vivo? Na frequência com que isso acontece com as jornalistas mulheres (só no último ano me lembro de pelo menos dois ou três casos de grande repercussão aqui no Brasil)? O assédio é uma questão de poder, de lembrar às mulheres que somos “apenas” mulheres. Por isso ele é humilhante, indigno, violento — ainda que venha na forma de um beijo com risadinhas.

Marília Moschkovich
Foto: Reprodução/Outras Palavras
No Revista Fórum

* * *

Repórter é beijada em entrada ao vivo pela segunda vez na Copa

Sabina Simonato fazia reportagem na Casa de Portugal para o Bom Dia SP.

Jornalista já havia recebido beijo de torcedor croata na Av. Paulista.

A repórter da TV Globo Sabina Simonato foi beijada em uma entrada ao vivo para o Bom Dia São Paulo nesta segunda-feira (16). Foi a segunda vez que ela recebeu um beijo de torcedores durante uma entrada para a televisão nesta Copa do Mundo. Ela fazia reportagem na Casa de Portugal, tradicional reduto da cultura e da colônia portuguesa na capital paulista, quando recebeu o beijo de um dos participantes.

"Tá aproveitando a história do croata", disse Simonato em referência ao beijo recebido no dia 12 de um torcedor com a camisa da Croácia.

Nesta segunda, a repórter mostrava o clima para o jogo entre Alemanha e Portugal, que acontece às 13h. Ela havia pedido a um torcedor que mostrasse sua dança, uma espécie de "vira-vira". Segundos depois, o torcedor desceu do tablado onde esteva e beijou a repórter.

O beijo anterior recebido por Sabina foi na Avenida Paulista, no dia da abertura da Copa do Mundo. Durante uma entrada ao vivo no SPTV 1ª edição, ela mostrava pessoas com a camisa da Croácia quando um dos torcedores resolveu beijá-la.

"Todo mundo muito simpático", reagiu a jornalista. Veja o vídeo abaixo.


Leia Mais ►

Imagina se fosse um governo do PT usando o “volume morto”


Existem boatos de que a água do fundo do reservatório cantareira é carregada de metais pesados e outras substancias nocivas a saúde. Certamente a Globo e a Veja já teriam contratado “especialistas” para fazer terrorismo sobre o assunto e o tema já estaria na boca do povo. O “Jornal Nacional” e a Globo News fariam reportagens diárias de como a falta de investimento público em tratamento de águas levou a maior cidade do país ao caos.

Como o caso é com o PSDB, o tratamento é outro. A notícia sobre os riscos do volume morto ainda são raras, só eventualmente sai algo na grande mídia, como essa reportagem da Folha.

No DesmascarandoGloboFolha
Leia Mais ►

Maria Sueli dos Santos: Uma lição para os coxinhas


Dona Maria Sueli dos Santos, 54 anos, de Vespasiano, região metropolitana de Belo Horizonte, é catadora de material reciclável. Aqui ela expõe os seus argumentos sobre a realização da Copa do Mundo no Brasil, e dá uma lição aos coxinhas do "não vai ter copa" e aqueles do camarote VIP do Itaú.


Leia Mais ►

Hipocrisia Amazônica

Forças que fizeram o possível para bloquear construção de Belo Monte denunciam atraso na obra e falta de energia

Examinada com frieza, a notícia de que Belo Monte deverá sofrer um atraso — quem sabe de um ano — para começar a produzir energia não deve ser vista como denúncia. Pelo contrário, pode ser comemorada. Explico.

Os mais rudimentares estudos sobre a carência de energia num país onde a luz ainda não chegou a 100% das casas e está longe de atender às demais necessidades de uma sociedade do século XXI mostram que os megawatts que Belo Monte irá oferecer já estão fazendo falta.

Agravam nossos problemas de infraestrutura, complicam as mazelas de nossa logística. Se queremos uma sociedade com computadores, metrô, carro elétrico, conforto decente e consumo aceitável, é preciso ter energia, numa escala que vai muito além daquela tomada que liga uma lâmpada. As opções são muitas mas vamos combinar que a hidroelétrica é limpa e relativamente acessível pelo preço e pela geografia do país.

O desagradável é que a turma que, não muito secretamente, passou os últimos anos torcendo por um apagão para prejudicar o governo Dilma, numa repetição do desastre ocorrido no segundo mandato de Fernando Henrique, é a mesma que fez o possível para impedir a construção de uma das três maiores usinas do mundo.

Belo Monte foi rascunhada pela primeira vez há mais de 30 anos. De lá para cá o projeto sofreu tantas modificações e enfrentou tantas pressões — ecológicas, politicas, econômicas — que seria absurdo esperar que as obras cumprissem os prazos definidos quando, enfim, a construção pode ser iniciada.

Mesmo depois disso, reivindicações justíssimas e pleitos absolutamente irracionais foram somados e multiplicados para impedir o avanço das obras.

Alvo de uma permanente campanha de descrédito e denúncia em todo território nacional, os sindicatos em atividade no local das obras foram glorificados toda vez que sua mobilização contribuía para paralisar os trabalhos.

Ações judiciais foram glorificadas. Os direitos das nações indígenas, sempre desprezados, ali são sacralisados.

A pressão internacional incluiu estrelas da TV, de Hollyowood e entidades ligadas aos interesses mais retrógrados das finanças internacionais, que mobilizam um ambientalismo excludente, para travar um investimento necessário para um país que precisa desenvolver-se, gerar empregos e combater a pobreza. São aqueles que dizem — sem sentir vergonha — que o crescimento econômico, o desenvolvimento e a ampliação do mercado interno são incompatíveis com a preservação da natureza. Do alto de suas fortunas, protegidas com ferocidade, planejam uma sociedade onde a maioria da população só tenha direito a migalhas.

Há economistas que condenam o direito do brasileiro consumir bife nas refeições porque o pum do gado afeta a camada de osônio.

Não vamos nos enganar. As vozes que hoje denunciam o atraso nas obras são as mesmas que fizeram o possível para impedir que Belo Monte saisse do papel. Hoje, denunciam os custos e os danos que as usinas termoelétricas — que são mesmo caras e poluentes — provocam na natureza e na conta de luz de cada família, como se não tivessem contribuído com todas as forças para criar uma situação de emergência.

Tenha certeza: quando a usina ficar pronta, vão dizer que Belo Monte gera pouca energia, relativamente. É verdade. Só não vale apagar os registros da história. Foi a pressão ambiental, aceita pelo governo, numa concessão que se julgou politicamente irresistível, que levou a aplicação de uma tecnologia, chamada fio d’água, que só permite gerar 15% da energia potencial.

Deu para entender, não?

Paulo Moreira Leite
Leia Mais ►