9 de jun de 2014

Copa: Os protestos legítimos e a farsa dos oportunistas

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O futebol nos tempos do Condor — I


Em dezembro de 2012, a ESPN Brasil exibiu o documentário Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor, com direção de Lúcio de Castro. Em quatro episódios, nele foram tratadas as relações do esporte com as ditaduras de Argentina, Brasil, Chile e Uruguai — países cujos governos articularam a Operação Condor, à qual alude o título da série. Aqui está disponível o episódio referente à Argentina.

A série ganhou o Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo, outorgado pela Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI), na categoria “Cobertura noticiosa”. Mostra como as ditaduras militares na América do Sul que integraram a Operação Condor — a “multinacional do terror” criada para exterminar a oposição de esquerda aos governos ditatoriais — estiveram presentes no futebol.

Realização da ESPN Brasil. Reportagem, roteiro e produção: Lúcio de Castro. Imagens: Luís Ribeiro e Rosemberg Farias. Edição: Fábio Calamari e Alê Vallim. Narração: Luís Alberto Volpe. Arte: Stela Spironelli. Chamadas: Rodrigo Takigawa.



Assista também:
O futebol nos tempos do Condor — II;
O futebol nos tempos do Condor — III;
O futebol nos tempos do Condor — IV
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Menor do que entrou: o pragmatismo de Marina no caso da aliança do PSB com Alckmin em São Paulo

Eles
Um dos mantras preferidos de Marina Silva é a distinção que ela gosta de fazer entre pragmatismo e programatismo. Trocando em miúdos, Marina atribui ao binômio PSDB/PT e sua política de alianças todos os males do país. Ela e o PSB estariam unidos por razões moralmente superiores — programáticas.

Marina, porém, deu uma lição de pragmatismo em Belo Horizonte. Depois de idas e vindas e de uma crise causada pelo apoio do PSB a Geraldo Alckmin em São Paulo, ela afirmou que não abandonará a candidatura de Campos. Apenas não subirá no palanque com Alckmin (um gesto pelo qual Alckmin deve estar dando graças a Deus).

“Não estamos discutindo a chapa. A chapa e o programa estão compatíveis com o que foi a nossa discussão no dia 5″ [de outubro, data do acordo com Campos], disse numa coletiva. “Espero que o PSB de São Paulo possa rever a sua posição. Eu e o Eduardo estamos manejando essas diversas situações. Obviamente que não queremos a velha polarização”.

Campos não decola, mas é injusto atribuir a culpa integral a Marina — embora ela decididamente não ajude. Ele, por razões óbvias, não empolga e não decola. Se fosse para sair por princípio, Marina já o teria feito quando Bornhausen, Inocêncio de Oliveira etc caterva subiram no barco.

Ela não pode declarar que não sabia da vocação governista do PSB. Não vale fingir surpresa agora. Sua aliança com Eduardo Campos é pragmatismo puro. Além do mais, Marina não vai sair porque não tem para onde ir — nem para a Rede Sustentabilidade, enquanto não consegue seu registro na Justiça Eleitoral.

É também um atestado de fracasso. Nove meses depois de topar ser vice, Marina não trouxe um voto a mais de seu capital de, em tese, 20 milhões. O grande acontecimento da corrida eleitoral se revelou um flop. Suas ideias de “renovação da política” caem no blablablá diante da realidade.

Campos tem tudo para voltar a Pernambuco do mesmo tamanho. Marina já está menor do que entrou.

Kiko Nogueira
No DCM
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SP: o espírito de 32 em 2014

A alta finança hoje é a cafeicultura do século XXI. Vencê-la implica desmontar sua dominância sobre o desenvolvimento. E romper limites impostos à democracia.

O PSDB governa o Estado de São Paulo há 20 anos.

Mário Covas foi eleito governador em 1994, seis anos depois de criada a sigla que completa 26 anos de existência neste 25 de junho.

Geraldo Alckmin, o plantonista atual do bunker concorre à reeleição em outubro, depois de ter participado diretamente de quatro das cinco gestões tucanas no estado.

Alckmin foi vice de Covas em 1994 e 1998.

Em 2001 assumiu o governo com a morte de Covas.

Emendou o terceiro ciclo à frente do estado em 2002, eleito governador.

Feito que repetiria em 2010.

Está na sua quarta passagem pelo poder, que encerra pleiteando a reeleição para um 5º mandato em outubro.

No interregno de 2006 a 2010, quando não esteve diretamente no comando do governo, Alckmin assumiu a secretaria de Desenvolvimento do estado na gestão Serra.

Duas décadas no poder e 44% de intenções de voto para o pleito estadual de 2014, (a se dar crédito ao Datafolha do último sábado), não é algo que se possa menosprezar.

O desconhecimento em relação aos demais candidatos pesa significativamente a favor de Alckmin.

Padilha (PT) é um nome novo na política.

O fato de estar há tanto tempo no rodízio dá ao tucano uma aura de ‘normalidade’ em tempos de sobressalto e inquietação.

O sentimento, porém, possivelmente fosse o oposto, se o dispositivo midiático conservador não tornasse difuso aquilo que é estrutural.

Ou seja, as duas décadas de autodeclarada proficiência administrativa do PSDB em São Paulo não se traduziram em bem-estar social efetivo para o conjunto dos paulistas.

Na realidade, elas refletem mais a conveniência da plutocracia brasileira, que fez do estado sua linha Maginot, do que a consagração de uma obra democrática.

Em parte, é o que explica a renitente presença desse insípido, mas fiel gerente do comodato do dinheiro grosso no poder estadual.

Nenhum outro quadro dirigente do PSDB de São Paulo esteve tão presente no ciclo de escândalos da Alstom, marca registrada do caixa 2 tucano na gestão do metrô paulista, quanto Geraldo Alckmin.

A julgar pelos relatos do próprio oligopólio associado às encomendas do metrô, o intercurso entre o cofre das empresas e o caixa pessoal e coletivo do tucanato começou em 1998, quando ele era vice de Covas.

E não parou mais de fluir.

Entre 1998 e 2001 sabe-se, graças às investigações realizadas pelo Ministério Público da Suíça, que pelo menos 34 milhões de francos franceses foram pagos em subornos a autoridades tucanas, na lubrificação de contratos do metrô.

Com a morte de Covas, em 2001, Alckmin assumiu o comando desse comodato. E se manteve à frente dele até 2006.

Seria injusto atribuir-lhe a exclusiva liderança do processo.

No período de negociação de alguns dos grandes contratos de transporte e energia o então genro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, David Zylbersztajn, dirigia a pasta de energia da gestão Covas e Alckmin (deixou o cargo em janeiro de 1998 para assumir a direção geral da Agência Nacional do Petróleo).

O serrista Mauro Arce comandava a de Transportes. Andrea Matarazzo bordejava o circuito.

Assim por diante.

Nada disso retira de Alckmin o que é de Alckmin.

Um contrato de R$ 223,5 milhões com a Alston, para a compra de 12 trens, foi assinado em 28 de dezembro de 2005.

Sem licitação.

Alckmin era o governador.

Um total de 139 contratos assinados entre a Alstom e o Governo do Estado de São Paulo nos últimos anos (governos Serra e Alckmin), no valor de US$ 4,6 bilhões, está sob suspeita.

As investigações na justiça paulista se arrastam, em que pese o esforço solitário do ministério público suíço.

Sempre discreto, semi-invisível tanto quanto a obra, Alckmin é um dente da engrenagem que move os interesses comuns do dinheiro e do PSDB no grande diretório do capitalismo brasileiro em que se transformou o aparato estatal bandeirante.

A dissociação entre esse aparato e o interesse público pode ser medida pelo hiato entre as promessas do tucano na campanha vitoriosa de 2010 e o saldo efetivo deste final de mandato.

Alckmin entregou então aos paulistas um compromisso sortido, cravejado de números suculentos.

Entre eles, o de construir 150 mil moradias, promover um salto no transporte público e na saúde, construir 12 piscinões em São Paulo etc.

Quatro anos depois, sobrou o quê?

Em janeiro de 2014 Alckmin comunicou que mudara de ideia em relação aos piscinões.

Desistiu, alega, a partir de cálculos hidrológicos que indicariam a suficiência de uma ‘otimização’ das instalações existentes.

Dos 12 piscinões prometidos, três foram feitos, outros dois estão em obras.

A meta de oferecer 150 mil moradias às faixas de renda mais pobres ostenta frustração igualmente grave.

Em 2013, a construção de unidades populares pelo governo estadual registrou queda de 80% na capital.

Isso num ano em que explodiram as ocupações de edificações públicas e privadas pelos sem-teto na cidade.

Das 150 mil unidades previstas, seu governo entregou até agora 55.483 moradias.

Estamos falando da prioridade habitacional do PSDB no estado mais rico da federação, que tem um déficit de 1,11 milhão de moradias — o maior do Brasil em termos absolutos.

Mesmo no confronto com seus pares, o desempenho de Alckmin é derrisório.

Em 1998, por exemplo, o então governador Covas (PSDB) construiu, no ano, o equivalente próximo da marca que Alckmin atingirá ao longo de toda a sua quarta passagem pelo Estado (52.167 unidades).

Na área da saúde é sugestivo dizer que São Paulo receberá um dos maiores contingentes do Programa Mais Médicos: 1.279 profissionais vão atender a 7,2 milhões de moradores desassistidos do estado.

O corolário do modo Alckmin de governar é o atual uso do ‘volume morto’ do sistema Cantareira — último recurso antes do racionamento oficial, presente na vida cotidiana de vários bairros da capital.

São Paulo vive a estiagem mais severa desde 1930. Ademais da exacerbação climática, porém, há o efeito cumulativo da contradição estrutural entre a lógica do poder bandeirante e as questões do interesse coletivo.

O abastecimento de São Paulo se apoia no mesmo fluxo de mananciais interligados ao final da década de 70, meados dos anos 80.

A população de São Paulo dobrou no período.

Nas últimas duas décadas, a curva demográfica conviveu com administrações que não se anteciparam ao colapso implantando a infraestrutura capaz de evitá-lo.

O flanco do abastecimento de água foi escancarado pela estiagem.

Outros, de gravidade equivalente, caso da mobilidade urbana simbolizada na expansão de um metrô que se arrasta como lesma, ou do déficit habitacional, para não citar o desempenho constrangedor da rede estadual de ensino, inscrevem as marcas da ineficiência no cotidiano sofrido da sociedade.

São Paulo tem 3% do território brasileiro, 22% da população e 33% do PIB nacional.

Há 84 anos, no bojo de uma crise capitalista de 1929, que esfarelou os preços das matérias-primas e destroçou a inserção brasileira no mercado mundial, o poder da oligarquia paulista foi afrontado por Vargas.

A política centralizadora e industrializante de Getúlio sacudiu o chão das oligarquias estaduais, especialmente o da mais sólida dentre elas, em São Paulo.

O governo Vargas reconheceria oficialmente os sindicatos dos operários, legalizaria o Partido Comunista e adotaria uma política de direitos trabalhistas e valorização do salário mínimo.

O amparo à cafeicultura, com a política de compra e queima de estoques, combinou-se com o manejo discricionário do câmbio, de forma a capturar um pedaço da receita exportadora, como se fora um imposto sobre as vendas do setor.

Iniciativas como essa alteraram o circuito do dinheiro no sistema econômico.

O 'quanto, como e onde aplicar' deixou de ser prerrogativa exclusiva das elites paulistas e assemelhadas.

A sublevação de São Paulo em 1932 refletia o desacordo conservador travestido de ideais liberais.

Não foi a única.

Sempre que um governante tentou sobrepor os interesses gerais do país à lógica do dinheiro graúdo concentrado em São Paulo, a elite local reagiu.

São Paulo perdeu importância produtiva nas últimas décadas, mas se mantém como o bunker financeiro do capitalismo brasileiro.

A alta finança é o cafeicultura atual.

O que significa, paradoxalmente, deter um poder de fogo em relação à esfera federal e ao resto da economia muito superior ao registrado no ciclo do café e mesmo no auge do estado como ‘a fábrica’ do país.

Para a plutocracia paulista e parte da classe média ter um governante do PSDB à frente do aparelho de Estado não é uma questão da democracia, mas de fortificação desse privilégio.

Apesar do levante de 1932 — esmagado em três meses — Vargas sustentou uma política de compromisso com os grupos cafeicultores, garantindo-lhes uma taxa de retorno em plena crise mundial.

Mutatis mutandis, os governos do PT fizeram o mesmo ao garantir ao setor industrial paulista, e à banca aqui centralizada, uma demanda aquecida por bens de consumo e crédito, em pleno colapso da ordem neoliberal no mundo.

A exemplo do que ocorre hoje, nem por isso a oligarquia de São Paulo deixou de conspirar contra Vargas e contra a lógica de desenvolvimento que ele personificou.

Trinta e dois anos depois de 1932, ela conseguiria finalmente, em março de 1964, atingir seu objetivo: abortar as fundações de uma democracia social no país.

Em 1964, os vapores constitucionalistas de 32 revelariam sua frágil convicção liberal.

Sobreveio em seu lugar uma ditadura feroz, que derrubou um governo legitimamente exercido por um Presidente reformista e democrático.

Essa mesma lógica explica por que — ainda que menospreze o 'caipira' Alckmin — essa elite hoje cerra fileiras na sua reeleição.

Poupando-o do que efetivamente significa em termos de mediocridade administrativa.

E esbanjando complacência diante de seus vínculos incontornáveis com a malversação tucana dos fundos públicos em São Paulo.

Quem já sobrepôs a baioneta ao voto para defender interesses de classe não vê dificuldade alguma em dar a esse rebaixado funcionário um quinto ciclo à frente do comodato de negócios que se incrustou no poder público estadual.

Vencer esse arranjo de forças encastoado em São Paulo vai além das urnas.

Requer, simultaneamente, desmontá-lo na dimensão superior do seu poder.

Vale dizer, na dominância financeira sobre o desenvolvimento brasileiro.

E nos limites estreitos que ele impõe ao exercício da democracia e ao fluxo da informação na sociedade.

Essa dimensão do poder paulista será enfrentada no escrutínio presidencial de outubro.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Um punhado de contradições

Quando o jornalismo se desvia de seus princípios, sendo instrumentalizado como recurso para outros fins que não a criação de conhecimento, entra-se numa zona cinzenta onde se torna difícil vislumbrar a realidade.

Um dos sinais dessa circunstância, na qual a busca da objetividade perdeu espaço para a perseguição de objetivos políticos ou econômicos, é a eclosão de contradições aqui e ali, que vão minando a confiança por parte daquela fração do público ainda capacitada a interpretar o noticiário. Por exemplo, quando um jornal passa meses insistindo que o país vive imerso na inflação e na carestia, e de repente precisa afirmar que a inflação, afinal, não é assim tão grave, um texto é suficiente para invalidar todos os discursos anteriores.

Ou quando outro jornal, diante de manifestações violentas, exige uma ação mais rigorosa da polícia e, no dia seguinte, se vê obrigado a dar um passo atrás, porque o rigor preconizado acabou gerando mais violência, agora contra seus próprios repórteres, o que fazer da verdade anterior?

Situações como essas podem ser observadas na imprensa brasileira quase diariamente, e refletem um aspecto determinante da prática que pode ser chamada de “jornalismo de campanha”. Como numa guerra, a atividade da imprensa hegemônica do Brasil tem sido marcada pela obsessão em tirar do poder o grupo político que chegou ao Planalto em 2002, pela via democrática das eleições.

Como não há justificativa possível para um golpe como o que foi patrocinado e insuflado pela imprensa em 1964, trata-se de minar a confiança do eleitor com a construção de um cenário catastrofista. O objetivo é implantar a insegurança nas classes médias, sempre mais vulneráveis a crises, porque seus integrantes, empenhados em consolidar o bem-estar conquistado a duras penas, tornam-se suscetíveis a variações bruscas em suas rotinas.

Porém, quando a campanha do pessimismo passa do ponto e começa a ameaçar os interesses do negócio jornal, o discurso muda subitamente.

Escolhendo o pior

Observe-se, por exemplo, como o noticiário sobre a inflação traz uma mistura deliberada de análises que ignoram variações sazonais de preços e a volatilidade característica de países cuja economia depende muito do mercado interno de consumo. Registre-se, também, como uma campanha explícita pelo aumento da taxa oficial de juros ou do câmbio acaba produzindo uma situação incômoda para as empresas, e de repente o discurso muda de direção.

Circunstâncias como essas podem ser encontradas reiteradamente nos arquivos da imprensa. Mas, ainda que o leitor possa apenas vasculhar jornais de dois ou três dias atrás, vai identificar essas variações até mesmo nos editoriais. Veja-se, por exemplo, o que publicou o Estado de S. Paulo no último fim de semana: no sábado (7/6), para contestar os metroviários que deflagraram uma greve na capital paulista, o diário afirma que a reivindicação de 16,5% de aumento salarial é escandalosa, porque a inflação ficou em 5,2% nos 12 meses encerrados em abril — a data-base dos metroviários.

Então, o leitor atento corre a procurar a manchete na qual o Estado teria informado o público de que a inflação havia caído em abril — e vai ficar muito frustrado, porque, naquela ocasião, o jornal escondeu essa informação em meio a previsões alarmistas.

Ora, se a informação é boa como argumento contra os grevistas, também deveria ter sido destaque no noticiário — ou não interessa arrefecer a campanha de terror sobre uma suposta carestia? No dia seguinte ao desse editorial, domingo (8/6), o tema inflação volta à página de opiniões do jornal, sob o título: “Inflação ainda ameaça”.

Vai o leitor prestigiar o editorialista e se depara com um texto no qual se afirma que também a inflação de maio foi mais baixa do que o esperado pelos analistas — subiu 0,46%, “bem menos que em abril”. Note-se: desta vez, o editorial evitou a análise ano a ano, e optou por comparar dois meses seguidos.

Evidentemente, esses números, isoladamente, pouco falam sobre o que irá acontecer no futuro próximo, porque, numa sociedade onde um grande contingente de indivíduos amplia seu potencial de consumo, ocorrem movimentos bruscos de preços conforme a demanda massiva. Mas pode-se apostar que, se houver duas alternativas, a imprensa vai escolher a projeção mais pessimista.

Luciano Martins Costa
No OI
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Às vésperas da Copa do Mundo, ONU elogia força do esporte para aproximar povos e comunidades

Ban Ki-moon ao lado do representante do Brasil junto às Nações Unidas, Antonio Patriota.
Foto: ONU/Paulo Filgueiras
Faltando poucos dias para o início da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convidou nessa segunda-feira (9) os 32 embaixadores dos países que vão participar do evento a trocarem os ternos pelas camisetas de suas seleções. Além de mostrar o entusiamo pelo campeonato, o chefe da ONU quis ressaltar, através dessa ação simbólica, os “melhores valores do esporte: o trabalho em equipe, o “fair play”, o jogo limpo e o respeito mútuo”.

“O esporte possui a capacidade única de unir os povos e mostrar a todos o que temos em comum. Não há melhor prova desse fato que o ato que realizamos hoje. Em qual outro encontro na ONU os embaixadores deixariam seus ternos de lado para vestir as camisas de suas seleções?”, perguntou o chefe da ONU.

Em uma entrevista à Rádio ONU, o representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, Antonio Patriota, falou sobre sua iniciativa de reunir os outros representantes, o secretário-geral e o presidente da Assembleia Geral, John Ashe, para tirar uma foto histórica.

“Fizemos uma demonstração de confraternização em torno do esporte; o esporte que nós concebemos como instrumento promotor da paz, do desenvolvimento, da saúde, da educação, muito voltado para a juventude também. Acredito que com essa pequena demonstração de união em torno do esporte, os embaixadores aqui nas Nações Unidas estarão também dando um abraço ao Brasil num momento em que o País se organiza para sediar a Copa do Mundo”, disse Patriota.

O evento também contou com a presença de várias crianças de escolas de Nova York, muitas vestidas com os uniformes dos diversos times que participarão da competição. Para ouvir a entrevista completa do embaixador Patriota, clique abaixo.



Também nesta segunda-feira (9), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) lançou oficialmente a campanha “Proteja o Gol” durante um evento em Salvador, uma das cidades-sede do campeonato. O diretor executivo da agência da ONU, Michel Sidibé, disse que o UNAIDS quer aproveitar a paixão e solidariedade da Copa do Mundo para envolver a todos nos esforços de garantir que jovens de todo o mundo se protejam contra o HIV e tenham acesso aos serviços disponíveis para o seu tratamento.

No ONUBR
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De Zurda


Maradona e Victor Hugo Morales juntos em um programa sobre a Copa do Mundo

Diego Armando Maradona chegou neste fim de semana ao Brasil para trabalhar na Copa do Mundo. O ex-craque argentino vai comandar o programa "De Zurda" (De Esquerda), junto com o jornalista uruguaio Victor Hugo Morales.

Produzido pelo canal venezuelano Telesur, e musicalizado pelo duas vezes ganhador do Oscar de melhor trilha sonora, o argentino Gustavo Santaolalla (Babel e Brokeback Mountain), De Zurda será exibido na Argentina pela TV Pública.

Para a apresentação do programa, Santaolalla compôs a música De Zurda, lançada em um clipe com a participação de Gustavo Cordera, Julieta Venegas e Chocquibtown.


No Argentina etc
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A Copa das Copas

Quando a Copa volta ao Brasil depois de 64 anos é como se o futebol estivesse de volta para a sua casa.

A partir desta quinta-feira, os olhos e os corações do mundo estarão voltados para o Brasil. Trinta e duas seleções, representando o melhor do futebol mundial, estarão disputando a Copa do Mundo, a competição que de quatro em quatro anos transforma a todos nós em torcedores.

É o momento da grande festa internacional do esporte. É também o momento de celebrarmos, graças ao futebol, os valores da competição leal e da convivência pacífica entre os povos. É a oportunidade de revigoramos os valores humanistas de Pierre de Coubertin. Os valores da paz, da concórdia e da tolerância.

A “Copa das Copas”, como carinhosamente a batizamos, será também a Copa pela paz e contra o racismo, a Copa pela inclusão e contra todas as formas de preconceito, a Copa da tolerância, da diversidade, do diálogo, do entendimento e da sustentabilidade.

Organizar a Copa das Copas é motivo de orgulho para os brasileiros. Fora e dentro de campo, estaremos unidos e dedicados a oferecer um grande espetáculo. Durante um mês, os visitantes que estiverem em nosso país poderão constatar que o Brasil vive hoje uma democracia madura e pujante.

O país promoveu, nos últimos doze anos, um dos mais exitosos processos de distribuição de renda, aumento do nível de emprego e inclusão social do mundo. Reduzimos a desigualdade em níveis impressionantes, elevando, em uma década, à classe média 42 milhões de pessoas e retirando da miséria 36 milhões de brasileiros.

Somos também um país que, embora tenha passado há poucas décadas por uma ditadura, tem hoje uma democracia vibrante. Desfrutamos da mais absoluta liberdade e convivemos harmonicamente com manifestações populares e reivindicações, as quais nos ajudam a aperfeiçoar cada vez mais nossas instituições democráticas.

Em todas as 12 cidades-sedes da Copa, os visitantes poderão conviver com um povo alegre, generoso e hospitaleiro. Somos o país da música, das belezas naturais, da diversidade cultural, da harmonia étnica e religiosa, do respeito ao meio ambiente.

De fato, o futebol nasceu na Inglaterra. Nós gostamos de pensar que foi no Brasil que fez sua moradia. Foi aqui que nasceram Pelé, Garrincha, Didi e tantos craques que encantaram milhões de pessoas pelo mundo. Quando a Copa volta ao Brasil depois de 64 anos é como se o futebol estivesse de volta para a sua casa.

Somos o País do Futebol pelo glorioso histórico de cinco campeonatos e pela paixão que cada brasileiro dedica ao seu clube, aos seus ídolos e à sua seleção. O amor do nosso povo por esse esporte já se tornou uma das características de nossa identidade nacional. Para nós o futebol é uma celebração da vida.

Em nome de 201 milhões de brasileiras e brasileiros, estendo as boas-vindas aos torcedores de Portugal e a todos os visitantes que vierem ao Brasil compartilhar conosco a “Copa das Copas”.

Dilma Rousseff
Presidente da República Federativa do Brasil
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Documentário homenageia bicentenário anarquista Miguel Bakunin

Em comemoração ao nascimento do filósofo libertário russo, que defendia o anarquismo como caminho para a revolução na sociedade, foi produzido documentário "Bakunin, anarquista, 200 anos”. O objetivo é relembrar a trajetória e a contribuição das ideias do anarquismo revolucionário na atualidade.

Com o conceito libertário social e a afirmativa de que o Estado é inimigo, Bakunin inspirou e ainda inspira gerações que vislumbram uma sociedade liberta e transformadora. Com ideias e discurso contundentes, Bakunin se tornou referencia mundial para o movimento anarquista.

No documentário, a história do filósofo é contada de forma didática e uma mesa redonda é apresentada para debater a aplicação dos conceitos anarquistas na sociedade contemporânea. Depoimentos destacam algumas premissas do líder anarquista, como a necessidade de haver escolas e mais educação para se fazer uma revolução na sociedade, transformando os indivíduos, os tornando mais conscientes e questionadores.

A obra destaca que o pensador anarquista ainda é uma figura fundamental no Movimento Trabalhista no mundo. Seus conceitos ganham notória aplicabilidade mesmo depois de 200 anos do seu nascimento. São traçados paralelos do movimento anarquista à época das atividades de Bankunin com os movimentos trabalhistas e libertadores da Europa atual, principalmente na Espanha.

Interessante lembrar que o revolucionário nasceu em uma família nobre da Rússia, ligada ao czarismo, e mesmo em berço de ouro, contrariando as expectativas de seus pais, declarou-se socialista e posteriormente ao anarquista. O documentário mostra a revolução social que ainda pode ser feita tendo como base alguns conceitos de Bakunin.


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Pontapé inicial da Copa - Entrevista com Miguel Nicolelis, coordenador do Projeto Andar de Novo


O cientista brasileiro Miguel Nicolelis fala sobre o Projeto Andar de Novo (Walk Again Project), que fará com que, usando um exoesqueleto, uma pessoa paraplégica possa dar o pontapé inicial da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014.

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Juca Kfouri defendia Copa no Brasil quando o PT não estava no governo

“O velho argumento de que é melhor construir escolas e hospitais é falso”: Por José Carlos Amaral Kfouri


No SQN
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O pastelão político do assessor de Campos que disse que haveria Coca para Aécio

Bahé, à esquerda, com amigos na passagem do ano
É com certeza uma das histórias mais cômicas — e reveladoras — da campanha de 2014.

Digamos assim: um pastelão político.

Primeiro, foi uma postagem no seu Facebook em que o coordenador de mídias sociais de Eduardo Campos, Marcos Bahe, escreveu o seguinte, conforme registrou ontem à noite mesmo o DCM: “Vai ter Coca, Aécio.”

Era uma alusão à cocaína, é claro. O disfarce pouco sutil da cacetada era o nascimento dos filhos de Aécio, embora pouca gente comemore a chegada de crianças com Coca Cola. A partir dos três ou quatro anos, talvez.

Mas Bahe tinha pressa para veicular sua postagem. Não dá para imaginá-lo guardando a piada infame por alguns anos.

O final da história é previsível: Bahe foi demitido. Mas a comédia permaneceu: ele disse que tinha escrito aquilo para um grupo restrito de amigos, e por engano suas palavras ganharam o público.

Acrescentou hashtags hilariantes: #vacilo, #destavezfuieu e #sorry.

Note que não houve um pedido de desculpas específico nem a Eduardo Campos e nem, muito menos, a Aécio Neves.

Uma possível aliança que começara em sorrisos e troca de afagos explodira espetacularmente numa mistura de Coca e cocaína.

A parte mais divertida da comédia, para mim, veio do site da Veja, na seção Radar, de Lauro Jardim.

Pessoalmente, me fez rir intensamente na noite de domingo. Aqui, o texto. Sugiro que você vá direto aos comentários.
Clique aqui para ir à página

Lauro registrou o texto de Bahe. Era, em si, um fato engraçado: em plena Veja, adepta fanática de Aécio, a questão da cocaína era levada ao público.

Mas o melhor veio dos leitores. Duas ou três vezes li os comentários para renovar minhas risadas.

O melhor comentário que li dizia o seguinte: “Cheira, mas faz.”

Clap, clap, clap.

Outro dizia: “Este filho de Francisco é petista.” Um foi mais direto neste ponto: “O filho do Chico Buarque está perdido com essa assessoria.”

Um outro decretava: “Olhos azuis: sinônimo de pessoas traiçoeiras.”

Sobrou para o jornalista do Radar também.

“Eu acho Lauro Jardim petista.”

A influência de Reinaldo Azevedo nos leitores da Veja estava evidente. Dezenas de comentários usavam a expressão “petralhas”, que Azevedo se orgulha de haver criado como se se tratasse da Comédia Humana de Balzac, ou de Em Busca do Tempo Perdido de Proust.

Parece esperar um Prêmio Pulitzer, ou quem sabe um Nobel de Literatura, pela forma obsessiva como reivindica a expressão “petralha”.

Um outro leitor fez uma análise: “Campos é o genérico do PT. Ainda sonho com Jair Bolsonaro, contudo querer ganhar voto na base da desqualificação do adversário é petralhice.”

Aí se vê que, hoje, Reinaldo Azevedo, Bolsonaro e a Veja se misturam na cabeça dos leitores da revista.

Um outro leitor pontificou: “O uso de drogas pode levar ao nascimento de filhos defeituosos, com problemas! É interessante que o marqueteiro do Campos analise bem isso.”

Pausa aqui.

Escrevi outro dia sobre política de comentários nos sites. Um site não é nem mais nem menos do que os leitores que atrai e que nele expressam suas opiniões.

Se um dia os anunciantes do site se detiverem para ver a quem chegam seus anúncios, provavelmente levarão um susto.

Os melhores sites do mundo moderam os comentários para evitar que sociopatas os inundem com suas mensagens de ódio. O NY Times tem uma equipe dedicada a fazer isso. No DCM, eliminamos comentários de quem propaga sua sociopatia delirante.

Mas a Veja se tornou um dos redutos prediletos do que há de mais baixo entre quem comenta em sites. Como notou Caetano Veloso, Reinaldo Azevedo parece se orgulhar dos malucos que o aplaudem a cada pancada nos petralhas, no Apedeuta etc etc.

Entre todos os comentários da nota de Lauro Jardim um dizia tudo: “É melhor cheirar do que feder”.

Sim, é claro, os petralhas, segundo ensinou a Veja a seus leitores ao longo destes anos, fedem.

Eu tinha dito que era uma prova de completa desconexão com a realidade o PSDB indicar um candidato com a fama — merecida ou não — de consumir cocaína.

Não era, sob o ângulo do PSDB, uma questão moralista — mas política, essencialmente política.

A conta fatalmente viria. O Roda Vida — em que o assunto consumiu doze intermináveis minutos — foi apenas o primeiro sinal disso.

O segundo veio ontem.

Achar que uma candidatura possa decolar em tais circunstâncias — e sem que haja ideias poderosas a empurrá-la — é, em si, mais uma piada.

Paulo Nogueira
No DCM
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Uma reflexão de Lula sobre presente, passado e futuro


Porto Alegre - Na intervenção que fez, sexta-feira (7), no Encontro Estadual do PT gaúcho, o ex-presidente Lula chamou a atenção para um possível problema que talvez esteja prejudicando a percepção de setores mais jovens da sociedade sobre o presente do país e o sentido do governo Dilma. Desde que Lula assumiu a presidência da República, já se passaram quase doze anos. Quem tem dezesseis ou dezessete anos hoje, era uma criança na época e não conheceu como era o Brasil antes do PT chegar ao governo, assinalou Lula.

Há um problema de conhecimento e de memória também acerca do período pré-2002. Algo parecido ocorreu com a experiência de 16 anos de governo do PT em Porto Alegre. Na eleição em que José Fogaça acabou saindo vencedor, interrompendo a série de 16 anos, esse problema apareceu em muitas pesquisas qualitativas e nas conversas nas ruas: para muita gente, o termo de comparação do quarto governo petista eram os próprios governos petistas anteriores e não uma série histórica mais longa.

A relação entre memória e sentimentos presentes na esfera da política é algo terrivelmente complexo e enigmático. Mas algumas coisas podem ser percebidas: a combinação entre a ausência de uma memória mais longa e contextualizada sobre um determinado período histórico, e uma tentativa de desconstrução do presente como algo que pertence a essa história, pode desconstituir a memória como um todo, dissociando presente e passado. O culto da instantaneidade alimentado pelas novas tecnologias da comunicação e da informação e vitaminado diariamente nas chamadas redes sociais é um terreno fértil para essa dissociação. Se a exigência do novo, da pronta resposta, da reação sem reflexão, torna velho o que era notícia ontem, o que dizer do que era notícia há alguns anos, ou, pior ainda, uma década?

Um comercial sobre a Copa do Mundo, de uma empresa do setor de alimentação, mostra crianças pedindo aos jogadores da seleção brasileira que joguem para elas, pois, ao contrário dos seus pais, nunca ganharam uma Copa. A situação referida por Lula é similar a essa, guardadas as devidas proporções. Para além da história do que foi feito ao longo dos últimos doze anos, a presidenta Dilma Rousseff enfrenta o desafio do #jogapramim, pois as novas gerações não conheceram o mundo no qual seus pais viveram. Para satisfazer essa exigência, um governo nestas condições precisa fazer pelo menos duas coisas: satisfazer minimamente o #jogapramim, ou seja, governar bem e ter bons resultados; além disso, precisa ter uma narrativa que ligue os pontos que unem passado, presente e futuro.

Uma das principais virtudes políticas de Lula é a consciência da importância dessa narrativa, o que ele vem procurando construir em suas falas mais recentes, em suas andanças pelo Brasil e pelo mundo. Lula reconhece que deveria ter avançado mais nas políticas de democratização da comunicação em seu governo e aponta esse tema como prioritário, juntamente com a Reforma Política, para os próximos anos. A construção dessa narrativa deveria também ser uma tarefa do PT, como principal partido da coalizão que governa o país há quase doze anos. Mas, como já aconteceu tantas vezes na história, o partido foi cedendo seus melhores quadros para o aparelho de Estado e perdendo capacidade de reflexão e elaboração teórica. Mas, constatado o problema, nunca é tarde demais para começar a enfrentá-lo, como Lula vem insistindo.

Em uma entrevista concedida ao Sul21, em julho de 2013, Flávio Koutzii abordou esse tema, chamando a atenção para algumas escolhas erradas no governo federal que resultaram numa “incapacidade de disputar suas próprias políticas e símbolos no espaço dominante da comunicação”. Koutzii disse, na ocasião:

“Houve uma omissão a respeito. Não se trata de uma falha, mas de uma escolha, uma escolha de não enfrentar os monopólios da mídia. Isso tem a ver com o fato de que o tom, a ênfase e o próprio código valorativo do que efetivamente se fez tiveram uma grande diminuição de potência, porque nem o governo transformou isso em bandeiras. O governo anunciou o que fez, é verdade. Mas isso está no meio de todos os demais anúncios. O governo raramente disputou isso como a vitória de uma política, o que no Brasil é considerado um pecado e daria umas cem edições da Folha de São Paulo e umas cinco mil edições da Veja”.

Lula brincou os jornalistas, sexta, ao iniciar sua fala no Encontro Estadual do PT que definiu as candidaturas do partido para as eleições deste ano. Ao saudar os profissionais da comunicação que cobriam o evento, afirmou: “prometo que hoje não vou falar mal da imprensa”. Minutos depois, o ex-presidente denunciava uma brutal campanha de desinformação e ocultamento na mídia em relação às realizações do governo: tenho a impressão de que o povo brasileiro não sabe 30% do que a Dilma está fazendo. Pois é. É bem possível mesmo e esse elemento é um dos principais obstáculos para se construir uma narrativa com início, meio e fim que articule passado, presente e futuro.

Marco Aurélio Weissheimer
No Carta Maior
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Lula em Porto Alegre


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O Faustão está certo. Nossa Copa é em outubro


No domingo retrasado Faustão resolveu abertamente fazer campanha contra a Presidenta Dilma Rousseff. Fazendo o jogo de sua emissora (a mesma do Merval, das cobrinhas do Jô, dos mais de 1 bilhão corrigidos que deve de impostos como sonegadora, da Globo Overseas e das milhares de tentativas de golpe), o apresentador disse que “nossa Copa é em outubro”.

Sim, a nossa Copa é em outubro. Essa outra é a da Fifa, essa corporação internacional que, junto com a Globo, tem muito a explicar como são vendidos os direitos de transmissão. Ricardo Teixeira é ele todo uma caixa-preta. Por isso é que Faustão tem toda razão: a nossa Copa é em outubro. O time é o mesmo, liderado pelo projeto que há mais de 10 anos vem mudando a vida dos mais pobres no Brasil. O que o Fausto Silva precisa saber é que sua emissora não pode mais mexer decisivamente na convocação desse time. Nos tempos de FHC, a emissora mais bem relacionada com o poder, dava pitacos aqui e acolá, negociando aqui e acolá o monopólio, que ilegal segundo a Constituição de 1988. O time agora é outro, liderado pelo povo brasileiro, pelas associações de base, pelos movimentos sociais, estudantis, sindicais, etc.

Faustão está certíssimo: a nossa Copa é em outubro. O problema é que ele, como a Globo, não consegue fazer autorreflexão do quanto vem perdendo. Não só a audiência tem caído, mas pesquisas de opinião recentes já revelam o que até a Blá Blá rina já sabia: a Globo não consegue mais manipular a opinião pública como gostaria. Não adiantou reunir algumas loiras, algumas poucas milhares de pessoas numa avenida de São Paulo, não adiantou fazer novelinha criminal com o Domínio de Fato. Não adiantou. A Globo, dos irmãos bilionários, está perdendo, pouco a pouco. O próximo passo já foi decidido pelo maior líder de massas da história brasileira, o ex-presidente Lula. O próximo passo é colocar a regulamentação da mídia no programa da reeleição de Dilma. O projeto está pronto e causa medo fatal nos irmãos Marinho. Basta um sinal vermelho e um tal Franklin Martins, que conhece bem cada detalhe do oligopólio de comunicação que domina a informação no Brasil, para articular no congresso sua aprovação. Não é só aprovação. Trata-se de regulamentar o disposto na constituição. O monopólio é crime, assim definido pela Constituição Federal de 1988.

Se estivéssemos num país em que o Ministério Público e o judiciário fossem sérios, a concessão da Globo já teria sido cancelada. Como pode — nos perguntamos diuturnamente — um apresentador de programa de uma TV aberta, que presta serviço num sistema de concessão, fazer campanha escancaradamente como fez o apresentador Fausto Silva? Onde está o Ministério Publico que brigou para investigar ao invés de fiscalizar e fazer intervenções?

Ao que parece a Copa é em outubro, mas o jogo já começou. O PiG e seus comentaristas com currículo construído nas trincheiras políticas do golpe e do autoritarismo, como é o caso do nobre jornalista Alexandre García, já começou a série de bombardeios. A principal missão deles é proteger e blindar o PSDB e todos aqueles que representam um projeto de Brasil atrasado, focado na financerização da economia e não em seu desenvolvimento. A meta deles é juros altos e desemprego. Menos gente consumindo, mais desnacionalização da economia brasileira, privataria dos bens públicos que ainda restam e a defesa ampla e irrestrita dos morcegos por trás da figura de Daniel Dantas.

Como o jogo já começou, mas Faustão insiste em dizer que nossa Copa será em outubro, só queremos lembrar que, nessa campanha, eles já perderam. Perderam em 2002, quando a esperança venceu o medo, em 2006 quando o futuro venceu o passado, voltaram a perder em 2010 quando a coragem venceu a inércia e vão perder em 2014 quando a verdade vai vencer a mentira. A mentira de quem financiou uma ditadura militar sangrenta e se diz protetor das liberdades individuais. A mentira de quem continua adulterando e omitindo informações para proteger os oligopólios que fazem do Brasil um país das elites mais atrasadas do mundo, como dizia Darcy Ribeiro. A Copa é em outubro, mas o time já está escalado desde 2002. Quem escalou foi o povo brasileiro.


Gabriel Nascimento, membro da União da Juventude Socialista e mestrando em Linguística Aplicada pela UnB
No CAf

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Tino Marcos desmoraliza Faustão ao vivo




No SQN
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A política em rede – como se dão os debates e conflitos políticos na internet

Exemplo de posts divulgados pela TV Revolta, à esquerda, e pela sua sátira, a TV Relaxa
Com liberdade e possibilidade de compartilhar conteúdos como nunca antes na história, cidadãos, políticos e jornalistas tentam se adaptar à internet e às redes sociais.

É comum ouvir comentários a respeito da influência da internet na sociedade, na relação entre as pessoas e na política. Dizer que ela mudou nossa forma de agir, paquerar, viajar, sair etc., já virou clichê. O campo político, obviamente, não é uma exceção: não faltam discussões, debates, ataques, críticas e boatos direcionados a partidos, políticos ou ideologias. Mas sendo um fenômeno recente na história da humanidade, a internet, especialmente as redes sociais, desperta mais perguntas do que certezas: ela contribui para o debate democrático ou apenas alimenta o ódio entre os grupos? Traz mais informação ou desinformação? Até onde pode ir sua influência no resultado de uma eleição? Para tentar responder a essas perguntas, é necessário entender quando e como tudo começou.

O primeiro caso de sucesso: Obama e a rede em 2008

Não é preciso ser um especialista em marketing político para, pelo menos, já ter ouvido falar sobre a importância da internet na primeira campanha vitoriosa de Barack Obama. Não foi o primeiro caso de uso bem sucedido da rede numa campanha eleitoral, mas com certeza foi aquele que chamou a atenção do mundo para o tema. “Ele traçou uma estratégia que se tornou referência o fez virar um case unânime”, conta André Rossi, diretor de comunicação da Veto, agência especializada em política digital. “Era uma tática muito interessante de doação partidária, onde as pessoas podiam doar por vários mecanismos muito simples, e ganhavam alguns benefícios como participar da escolha do candidato a vice-presidente do Partido Democrata”.

Além disso, a facilidade de comunicação gerada pela internet possibilitou a criação de mini-comitês nos bairros das cidades americanas. “Havia a possibilidade de conversar com pessoas dos bairros e estabelecer cabos eleitorais”, explica André. Essa tática aumentava o poder de penetração da imagem e das ideias de Obama em cada comunidade, pois fazia de pessoas comuns verdadeiros cabos eleitorais.

André não acredita, entretanto, que a vitória de Obama possa ser colocada totalmente na conta de sua atuação na rede: “Não acredito que tenha sido decisiva; foi um dos fatores. O momento político dos EUA ‘pedia’ um candidato como ele”. Mesmo assim, foi o momento em que o mundo da política passou a olhar para a internet e as redes sociais com mais atenção. Com a explosão do Facebook, pouco depois, essa tendência tornou-se uma necessidade, parte integrante da estratégia de comunicação de políticos, partidos, empresas e veículos de mídia.

Boatos e estratégias na eleição de 2010

Dois anos após a vitória do Partido Democrata, foi a vez de o Brasil descobrir a influência da rede numa eleição presidencial. “Foi em 2010 que o país percebeu que a Internet é uma área importante do marketing e que ela é capaz de conseguir angariar votos e pautar o que será discutido na ordem pública”, afirma Ricardo Miranda Azarite, consultor em marketing político. No entanto, esse acontecimento não foi apenas positivo, pois “também descobriu-se que a internet, até então tida como ‘terra dos sonhos’ graças à ‘romantização’ da campanha de Obama em 2008, também poderia ser usada de maneira não tão ética assim”.

Dois casos famosos ilustram o que Ricardo afirma. Um deles foi o “ataque” com uma bolinha de papel a José Serra. “Foi algo que surgiu de um fato e ganhou proporções grandes na rede”, diz André Rossi, que cita a desconfiança de o caso ter sido forjado ou, pelo menos, amplificado pelos noticiários, principalmente o Jornal Nacional. O outro foi o boato espalhado pela internet e pelo Orkut, naquele momento a rede social mais popular no Brasil, de que a então candidata Dilma Rousseff era uma defensora do aborto. Dilma teve de fazer declarações públicas  negando a especulação e reuniu-se com grupos religiosos para deixar claro que não tentaria a legalização do aborto caso fosse eleita. André critica o aspecto moral da discussão no final do primeiro turno: “O caso do aborto surgiu de uma maneira que não trouxe nada para o debate. A agenda política ficou em segundo plano”.

Mas, segundo os especialistas, o que realmente marcou a eleição de 2010 foi a atuação de Marina Silva na rede.

A estratégia consistia em tentar compensar a desvantagem da candidata do Partido Verde na propaganda de televisão — ela tinha 83 segundos contra 12 minutos e Dilma Rousseff e 9 minutos de José Serra — usando a internet e as redes sociais. Segundo André Rossi, Marina usava o pouco tempo na TV para retransmitir a audiência para as redes, indicando que os eleitores poderiam conhecer mais sobre suas propostas no meio virtual. Nele, sua imagem e suas ideias estavam buscando a atenção do público de diversas formas, por meio de site oficial, blog, perfil no Twitter, comunidade no Orkut, página no Facebook, canal no YouTube, fotos no Flickr, um social game chamado “O Mundo”, além de um sistema de arrecadação online de recursos e, obviamente, o monitoramento constante do nome da candidata na internet.

Segundo Caio Túlio Costa, um dos coordenadores da campanha, Marina Silva não era muito íntima da internet, e assim procurou aproximar-se de seu público. Ela teve seu “batismo digital” ao participar da Campus Party 2010 com a intenção de expandir seus conhecimentos sobre tecnologias e redes e mostrar-se interessada no assunto. Em seu artigo O papel da internet na conquista dos votos de Marina Silva, Caio Túlio afirma que essa estratégia foi determinante para que Marina se firmasse como a terceira via nas eleições e forçasse um segundo turno ao obter quase 20 milhões de votos. Assim, o jogo da política brasileira uniu-se definitivamente ao ambiente virtual. Para o bem e para o mal.

Informação e desinformação; debate e guerra

Depois desses acontecimentos e da expansão da internet no Brasil, ocorrida nos últimos três anos, é de se esperar que as redes sociais ganhem cada vez mais força no debate público e no confronto de ideias. Em época de campanha eleitoral, essa movimentação se acirra de tal forma que é comum ouvir jornalistas se referindo ao fenômeno como “guerra”. Mas, desta vez, a batalha se dá majoritariamente no Facebook, entre cidadãos comuns, mais ou menos moderados, que se aliam a um partido político ou se unem para combater aquele que representa a pior opção na eleição.

Segundo Fábio Malini, professor e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo, responsável pelo estudo Dilma nas redes sociais: o fim da bipolaridade política e o desejo de radicalizar mudanças, “em tempos eleitorais, frequentemente muito passionais, os argumentos são motivados pela emoção partidária, o que faz multiplicar o disse me disse, as meias-verdades, os desacordos, as rusgas entre militantes virtuais. As redes potencializam essas emoções em tempo real, o que parece fazer da rede o lugar onde a verdade não é possível”. No entanto, Fábio explica que “a internet possibilita compreendermos como os lados, antes de argumentos políticos consistentes, optam sempre pela violência, pela guerra, pelo dedo em riste”. Para André Rossi, o confronto se assemelha a uma guerra, pois há “exércitos conflitantes, que lutam por um fim específico. As páginas afins conversam entre elas mesmas e não expandem seu círculo. Falam para um público específico, do seu partido, e assim ficam entrincheiradas virtualmente”.

Esse movimento foi traduzido em forma de um mapa de rede por Max Stabile, pesquisador em democracia eletrônica e coordenador de contas da FSB Digital. Nele, as ligações representam o conteúdo que é compartilhado por curtidores de diferentes páginas. Quanto maiores essas ligações, mais o público delas demonstra interesse pelos mesmos temas e curte ou compartilha os mesmos posts. De cara, é possível perceber a polarização entre os apoiadores do PT e do PSDB, enquanto os do PSB ficam no meio termo. Além disso, fica bastante clara a interação entre as páginas dos partidos e aquelas que os apóiam indiretamente e, supostamente, sem o seu apoio.

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O mapa de rede mostra como acontecem as interações entre fãs de páginas diferentes. As ligações explicitam o clima bipolar e radical do debate no Facebook
Nesse ambiente, páginas com conteúdos políticos ou relacionados a figuras políticas, como a TV Revolta e a Dilma Bolada, apareceram como possíveis catalisadores de votos. O caso da primeira já é relativamente bem conhecido: criada por João Vitor Almeida Lima, intérprete do personagem João Revolta, ela divulga conteúdos críticos a políticos, quase sempre do PT, teve um crescimento exponencial nos últimos meses e rapidamente passou das 3,6 milhões de curtidas. A crítica unilateral recebe críticas por seu radicalismo e pela falta de apuração das informações, divulgadas no afã de espalhar os ataques, justos ou não, aos petistas — o site e-Farsas fez uma matéria mostrando seis casos de notícias falsas divulgadas pela página.

Para Ricardo Azarite, definir a internet e as redes sociais como guerra ou expressão democrática é uma definição superficial e simplista do fenômeno: “Acredito que são unívocos e praticamente mútuos — não há democracia sem guerra ideológica e conflito de opiniões”. De acordo com ele, os perigos são outros: “A desvalidação da liberdade de expressão, com a imensa quantidade de perfis de anônimos ou falsos; os crimes resultantes do compartilhamento e viralização de conteúdo difamatório e calunioso; e a manutenção ou confirmação de preconceitos provenientes da superficialidade do debate”. O melhor a fazer, segundo Ricardo, é criar conteúdos que desmistifiquem os pontos duvidosos, pois “não adianta pensar em como evitar os boatos. Eles sempre existiram e sempre existirão. O esforço que vale ser feito é quebrá-los”.

Fábio Malini acredita, por sua vez, que a tendência é as pessoas compartilharem conteúdo mais por afinidade do que pelos bons argumentos que ele traz. Assim, criam-se grupos de indivíduos afins, que funcionam como uma turma pronta para apoiar um de seus membros que entra em um debate (ou briga) com um rival. Ele também aponta uma solução para este conflito: a ironia. “A ironia é quase um modo de fuga das relações bipolares. É a arma daqueles que estão isolados, mas podem ganhar, com a franqueza, a discussão pública”. Deste modo, aqueles que preferem não escolher um lado definido da disputa eleitoral e ideológica podem ridicularizar os mais radicais, encontrando os pontos falhos e exagerados em seus discursos.

Como era de se esperar, os partidos políticos não estão alheios a essa movimentação. Em reportagem de capa em maio deste ano, a CartaCapital abordou o tema e trouxe dados sobre o investimento que vem sendo feito na internet e nas redes sociais para a eleição presidencial de outubro. Segundo a matéria, o PT investe cerca de 12 milhões de reais no segmento, mesmo valor destinado pelo PSDB. O PSB, apoiado por Marina Silva, fica atrás no que se refere às cifras, mas também demonstra sua preocupação com a rede: são 8,5 milhões de reais investidos.

Esse dinheiro é usado no treinamento de militantes virtuais, no monitoramento de redes sociais e na divulgação de campanhas na rede. Mas o que acontece nos bastidores não é tão claro assim, e as trapaças, como em qualquer outro lugar, também marcam presença. No mês passado, Jeferson Monteiro, criador da página Dilma Bolada, afirmou ter sido procurado por uma agência de publicidade interessada na compra da página pela equipe de Aécio Neves. Jeferson disse ter prosseguido com a negociação “para ver até onde ia a cara de pau desses tucanos”. Depois disso, Pedro Guadalupe, profissional de marketing digital, foi quem fez contato. Ele admite ter negociado com o dono da página satírica, mas nega que o tenha feito em nome do PSDB — Pedro diz ter feito isso justamente para impressionar os tucanos e então conseguir trabalhar na campanha. Sem provas conclusivas até agora, a verdade por trás do episódio não chegou a público.

Um dia antes, a TV Revolta também fez uma acusação. Um texto publicado dizia que o PT estaria fazendo uso de robôs e militantes pagos para atacar a página com acusações de que ela seria financiada por partidos políticos. Havendo ou não esse ataque por parte dos tais robôs, a verdade é que o crescimento da TV Revolta divide a opinião de especialistas — seria esse crescimento orgânico (sem fazer uso da publicidade paga do Facebook) ou seria fruto de um investimento de alguém ou algum grupo com recursos para tal? Vitor Azerite acredita que esse sucesso se deva, de qualquer modo, principalmente à capacidade da página de expressar a insatisfação de muitos cidadãos.

A respeito dos robôs, ou bots, eles “são perfis robôs que possuem a função de replicar automaticamente uma mensagem; se milhares deles replicam uma mensagem de algum indivíduo, este pode ganhar certa visibilidade momentânea”, explica Fábio Malini, que completa: “Os bots são o subproduto virtual da crise da política”. Para Vitor, esses perfis não precisam ser necessariamente falsos, pois esse papel pode ser desempenhado por militantes treinados a replicar conteúdo ao invés de questioná-lo. “É uma estratégia bastante amadora para obtenção de menções na Internet. É o que traz resultados mais fáceis”, completa.

Por mais que todo esse esforço esteja sendo feito, ainda não existe unanimidade quando a pergunta é sobre o quanto a atuação na internet pode mudar o voto de um eleitor. “Não existe nenhum estudo e nenhum dado que comprove isso. A pessoa pode mudar de ideia como pode mudar falando com uma pessoa na rua”, diz André Rossi. Já Ricardo Azarite discorda: “Por mais que a Internet seja onde se confirma opiniões, é comum que o cidadão não tenha opinião formada a respeito de seus candidatos, principalmente para candidatos legislativos. O eleitor, mesmo que indeciso, tem uma pré-determinação ideológica e buscará seu candidato dentro dessa fatia ideológica — e toda e qualquer mídia é essencial para sair-se vencedor”.

A internet, a televisão e as eleições do futuro

Mesmo diante deste cenário acirrado e por vezes radical, os especialistas em política digital enxergam a relação entre a internet e as redes sociais com a política como algo positivo. “A batalha vai continuar, mas acredito muito na evolução do debate. É algo gradual. Na eleição passada, a rede não tinha a amplitude que tem hoje”, avalia André Rossi. Desta vez, Ricardo Azarite concorda: “O advento das mídias sociais no debate público serviu para balançar a autoridade da TV como formadora de opinião, então acredito que a internet traz um enriquecimento no âmbito da discussão pública”, citando a impossibilidade de, hoje em dia, a televisão mudar o rumo de uma eleição presidencial, como a TV Globo fez em 1989 ao editar o debate televisivo entre Collor e Lula de modo a beneficiar a imagem do primeiro e prejudicar a do segundo.

Mais do que tirar o poder, até pouco tempo monopolista, da televisão, a internet está conseguindo cada vez mais influenciar o agenda setting, ou seja, definir pautas que saiam do mundo virtual para o real. Se antes as redes sociais, blogs e sites repercutiam na rede os acontecimentos da sociedade, atualmente conseguem propor os temas a serem debatidos entre jornalistas, eleitores e candidatos, exigindo dos últimos uma maneira de lidar com as reivindicações e se defender de boatos como a suposta opinião de Dilma a respeito do aborto e o suposto uso de cocaína por Aécio Neves. Ricardo diz que exemplos positivos disso são “as Jornadas de Junho, as revoltas da chamada Primavera Árabe etc. E isso acontece também fora da política, com o mundo empresarial, que ouve, cada vez mais, a voz de seus consumidores nas redes sociais para aprimorar produtos, processos, fluxos, comunicação…”

Se as perguntas do início da matéria ainda não têm respostas certas e não existe verdade definida neste tema, uma conclusão possível é que a internet e as redes sociais são ferramentas de comunicação às quais eleitores e candidatos ainda estão tentando se adaptar. Exageros, boatos, ataques e radicalismos nunca vão deixar de existir no mundo real ou virtual, mas a tendência é que, aos poucos, por meio de uma possibilidade de comunicação nunca antes vista na história, os cidadãos passem a ser menos passivos na defesa de suas ideias, crenças e até preconceitos. Mesmo com todos os problemas e conflitos, se a base da democracia é a liberdade de expressão e interação entre as pessoas, a internet apenas amplifica isso e deixa claro em quais pontos em que já evoluímos e em quais ainda temos muito a melhorar.

Luiz Vendramin Andreassa
No DCM
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Coisas estranhas no Brasil

As eleições acontecerão em outubro, a campanha oficial começa no rádio e na televisão em agosto, mas as pesquisas saltitam a cada quinzena, ou quase. Se o eleitorado parece desinteressado, o empresariado parece, mais que interessado, ansioso, inquieto.

As pesquisas mais recentes, do Datafolha, indicam que Dilma Rousseff retomou seu viés de queda. Isso, claro, é destacado no noticiário. O que ninguém parece lembrar é que seus dois principais adversários, o tucano Aécio Neves e Eduardo Campos, do PSB, também caíram.

Dilma havia recuperado terreno em pesquisas anteriores, e agora tornou a cair. Uma questão nebulosa: se ela retrocede e os outros não avançam — pior: também recuam —, onde foram parar os votos perdidos? Por que nenhum dos dois netos, cujos avôs são a principal garantia de suas trajetórias, é beneficiado?

Tudo indica que a maior surpresa foi o forte aumento dos que declaram que seu voto será nulo ou em branco, e também dos que se declaram indecisos. Nesses quesitos, houve uma reviravolta em comparação às pesquisas anteriores.

Existe um inegável mal-estar generalizado, palpável no ar. Há um crescente pessimismo com a economia. E aí começam a aparecer estranhezas.

Por exemplo: muito se martela a nota de que vivemos debaixo de forte pressão inflacionária. Essa campanha persiste e se alastra, apesar de os índices mostrarem o contrário (desde meados de março a taxa de inflação vem baixando de maneira constante). Ao mesmo tempo, fala-se que aumentou o temor a perder o emprego, apesar dos índices de desemprego continuar baixos.

Há contradições e incongruências entre os próprios entrevistados, tanto nos resultados do Ibope como nos do Datafolha: a aprovação do governo de Dilma equivale à desaprovação. A imensa maioria (na média dos institutos, mais de 70% dos entrevistados) pede mudanças na forma de governar, mas um índice similar diz que sua vida melhorou e que estão satisfeitos. Há uma espécie de batalhão desnorteado, que se queixa de tudo e de qualquer coisa sem dizer exatamente de que se trata. De onde vem esse mal-estar, essa tensa irritação que impregna a atmosfera das grandes cidades brasileiras?

Não são poucos — nem necessariamente paranoicos — os brasileiros que sentem que, a cada semana, aumenta a sensação de que está em marcha um nebuloso, melífluo movimento desestabilizador. O que ninguém consegue é detectar quem está por trás, quem organiza, a que interesses esse movimento responde.

E no entanto, existe um dado que, se não dá resposta a essas questões, certamente dá o que pensar: a influência direta entre a divulgação dos resultados das pesquisas e as oscilações do mercado financeiro, que tem nos grandes meios de comunicação seu esforçado e eficaz porta-voz.

Desde 2002, quando Lula derrotou José Serra, essa sacrossanta entidade chamada mercado não padecia tamanhos ataques de ansiedade pré-eleitoral. A reeleição de Lula, em 2006, e a eleição de Dilma, em 2010, foram engolidas sem maiores esforços. Agora, o clima é outro, bem outro.

Não é sem razão que bancos, agentes, corretores e investidores gastam um bom dinheiro contratando pesquisas eleitorais para uso restrito. São pesquisas paralelas, e o sistema funciona assim: cada vez que um instituto anuncia que estará em campo fazendo entrevistas, instituições financeiras encomendam outra, sigilosa. Desta forma ficam sabendo, com um ou dois ou três dias de antecipação, qual será o resultado a ser anunciado. Como a cada queda (ou avanço) de Dilma ocorre invariavelmente uma alteração na Bolsa de Valores, uma oscilação no câmbio e outra na taxa de juros a futuro, ter uma indicação fiável desses dados significa uma boa oportunidade de especular e ganhar.

O empresariado brasileiro não gosta nem um pouco da política econômica de Dilma Rousseff. Os donos do dinheiro, menos ainda. Mas gostam de ganhar. E adoram especular.

Há algo estranho quando tantas greves se repetem e persistem, e mais ainda quando levadas adiante por minorias sindicais, como aconteceu no transporte público do Rio de Janeiro. A profusão de paralizações não faz mais do que ampliar o mal-estar e a irritação popular. Nota-se claramente que, insuflada pelos grandes meios de comunicação, em especial a televisão, essa irritação popular é direcionada aos políticos em geral e aos governos em particular. E, uma vez mais, Dilma é o alvo preferencial.

Nesse clima estranho, nessa atmosfera um tanto rarefeita, começa a Copa do Mundo. Haverá mobilizações de protesto, greves selvagens e sem norte, haverá de tudo um pouco, até mesmo futebol.

Serão tempos estranhos, e estranha será a caminhada daqui até as urnas de outubro.

Eric Nepomuceno
No Carta Maior
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Um ano de protestos em imagens – Nunca foi pelos 20 centavos

Passe livre, black blocs, manifestações, vandalismo, coquetel molotov, repressão, bomba de gás pimenta, direito de ir e vir.

O vocabulário do brasileiro ampliou-se desde junho do ano passado quando, após o quarto protesto contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, a indignação de centenas de milhares foi para as ruas. Não era mais só pelos 20 centavos.

Saúde, educação, moradia, Copa do Mundo, desmilitarização, igualdade racial. Tudo junto e misturado. Contra e a favor.

O caldo encorpado da população pluripartidária reacendeu os debates. As redes sociais tornaram-se ringue de disputas políticas e ofensas mundanas.

Ao longo do último ano, acompanhei mais de sessenta manifestações dos mais variados propósitos. Algumas das imagens coletadas podem ser vistas nesse especial.






Mauro Donato
No DCM
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