7 de jun de 2014

Latifundiários da mídia, tremei!

Em terras gaúchas, o governo do estado passou a reservar 20% das verbas publicitárias para as mídias locais, regionais e comunitárias. Um começo do que pode se tornar uma política pública nacional.

Os grandes grupos de comunicação atraem recursos públicos
por meio de publicidade governamental. Os governos optam
 por empresas de mídia que concentram as maiores audiências
 Amana Dultra/Flickr
O Rio Grande do Sul sancionou uma nova lei que reserva 20% das verbas publicitárias do Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado para as chamadas mídias locais, regionais e comunitárias. A medida redistribui a aplicação do dinheiro público, antes direcionada, prioritariamente, ao oligopólio midiático.

Se a lei já valesse no ano de 2013, por exemplo, no qual foram gastos cerca de R$ 52 milhões com propaganda oficial pelo Executivo Estadual do Rio Grande do Sul, teríamos R$ 10,4 milhões fomentando o desenvolvimento de pequenas iniciativas em terras gaúchas. Embora a proposta não vá além dos limites do que poderíamos considerar um misto contraditório de “intervencionismo” com “liberalismo clássico” (o Estado alimentando a fé de que o fomento da concorrência é a solução para os nossos males), a desconcentração do poder privado é uma ação importante em um setor que, ao longo de toda sua história, foi dominado pelo oligopólio empresarial e pela exploração comercial.

Os grandes grupos de comunicação no país funcionam como verdadeiros centros de gravidade que parasitam os recursos públicos. Os governos, interessados em autopromoção, injetam dinheiro nas empresas de mídia que concentram as maiores audiências, o maior número de leitores, etc. Assim conseguem mais visibilidade para os seus feitos e colhem os frutos nos períodos eleitorais. O oligopólio se fortalece e aumenta sua capacidade de concentrar público e atrair dinheiro do Estado. Está dado o círculo vicioso.

É preciso vontade política e dispositivos legais que façam com que a propaganda oficial se transforme numa política pública de fomento da pluralidade e da diversidade. A comunicação social, para a maioria dos nossos governos, é pensada como um instrumento de autopromoção, e não um direito que precisa ser garantido a todos e todas. Como resultado, tem-se o giro de uma engrenagem que concentra o poder econômico e ideológico-cultural nas mãos dos mesmos donos da mídia e o poder político nas mãos das mesmas elites regionais e nacionais. A população, em geral, é alijada desse sistema.

O passo dado pelo Rio Grande do Sul é pequeno, mas importante no sentido de democratizar a comunicação e fazer dela um direito garantido. É preciso vincular essa medida a critérios que garantam maior participação da população na formulação das políticas públicas e maior diversidade na distribuição dos meios de comunicação e dos recursos.

Em outros estados do país e no Congresso Nacional propostas parecidas estão tramitando. Vale a pena buscar saber mais e apoiar essas iniciativas para que o impacto abra uma brecha que nos permita imprimir uma dinâmica diferente na história da comunicação do país, até hoje, restrita ao âmbito particular dos interesses das elites político-econômicas.

Bruno Marinoni, repórter do Observatório do Direito à Comunicação, doutor em Sociologia pela UFPE e integrante do Conselho Diretor do Intervozes
No CartaCapital
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Gafe no Jornal Nacional expõe 'luta por sobrevivência', diz professor

Patrícia Poeta bufa no ar com Galvão Bueno; William Bonner parou JN para explicar aquecimento vocal
Após as recentes gafes nos telejornais da Globo, os jornalistas viraram notícia. A bufada de Patrícia Poeta no Jornal Nacional e a caneta de Sandra Annenberg no Jornal Hoje ganharam uma repercussão maior do que o próprio conteúdo jornalístico. Para cientistas da comunicação, os recentes acontecimentos expõem uma "crise de identidade" no telejornalismo. Ao se "humanizar", o jornalismo de TV revela sua "luta pela sobrevivência".

Na segunda (2), Patrícia Poeta apareceu bufando no Jornal Nacional. Telespectadores tiraram sarro e comentaram que a jornalista, que cobre a seleção brasileira ao lado de Galvão Bueno, estava irritada ou estafada.



Na quarta-feira (4), William Bonner interrompeu o telejornal para explicar que ela fazia aquecimento vocal, obrigatório para apresentadores e repórteres, e não percebeu que estava no ar. A conversa de Bonner com Poeta teve mais espaço do que outras reportagens exibidas no mesmo dia.


Na terça (3), Sandra Annenberg deixou a caneta cair no encerramento do Jornal Hoje e não conseguiu evitar uma gargalhada. A reação da apresentadora foi um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.



O professor de telejornalismo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Antonio Brasil, não vê problemas na transformação de jornalistas em personagens, como uma espécie de "humanização" do profissional que antes só emitia informações. O problema, na visão dele, está quando o programa abusa da superficialidade e perde conteúdo, como acontece atualmente e evidencia uma crise de identidade que deverá extinguir o modelo atual de telejornalismo.

"O jornalismo de TV luta desesperadamente para sobreviver. A estratégia de 'humanização' de seus profissionais é uma das atitudes 'desesperadas' para continuar relevante. O fim dos telejornais como conhecemos, com ou sem as gracinhas do William Bonner, é inevitável", argumenta o professor.

Na visão de Eugênio Bucci, docente de jornalismo da USP (Universidade de São Paulo), a quebra de formalidade entre William Bonner e Patrícia Poeta sobre a bufada ao vivo é comparável a um talk show e não compromete a credibilidade do Jornal Nacional.

"Fiquei impressionado positivamente com o traquejo de Bonner e Poeta, saíram da gafe com uma descontração admirável. [Jornalista virar notícia] é uma preocupação correta, mas não é tão séria quando o assunto é futebol. Não digo que eles não deixaram de ser jornalistas, não quebraram o protocolo pelo clima da Copa do Mundo", avalia Bucci.

Para Wagner Belmonte, professor de jornalismo da Fapcom (Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação), a bufada de Patrícia Poeta não é grave em comparação com outras gafes mais pesadas, como a risada de Sandra Annenberg ao ver sua caneta no chão. Em sua opinião, jornalista virar notícia não é humanização, e sim marketing pessoal, e o jornalismo está refém do entretenimento.

"A reação de Sandra Annenberg ao deixar a caneta cair, dando um sorriso, é uma apresentação infantiloide, cheia de caras, bocas, mimos e dengos. Prefiro o padrão da Christiane Pelajo [apresentadora do Jornal da Globo]. Sem sedução, poderia inspirar muitas jornalistas", compara.

Paulo Pacheco

* * *

Bonner tem comportamento infantil ao justificar bufada de Poeta

O Jornal Nacional (Globo) brindou o público, na última quarta-feira (4), com uma performance insólita. Na abertura do telejornal, logo após a escalada de notícias, o apresentador William Bonner chamou a atenção do expectador com a frase inesperada: “Antes de começar, Patrícia, eu quero dizer uma coisa que não deu tempo de dizer ontem...”.

Pronto. Quem estava em casa se preparou para uma bomba. Mas o que aconteceu foi uma longa brincadeira envolvendo o âncora do JN, Patrícia Poeta e Galvão Bueno. Durante longuíssimos dois minutos e 14 segundos, tempo muito superior à média do que é dedicado às notícias, a trinca ficou discutindo uns ruídos estranhos que Patrícia fez no ar, dois dias antes.

Descobrimos, no desenrolar da conversa supostamente divertida, que a bufada feita pela jornalista tinha sido “um exercício fonoaudiólogico”, seja lá o que isso quer dizer. Talvez algo destinado a “esquentar as cordas vocais”, coisa que também aprendemos. Bonner estava na bancada do JN, enquanto Patrícia e Bueno estavam no frio da Granja Comary, sede dos treinamentos da seleção brasileira, ao vivo. Justamente por causa desse frio, na verdade em torno de dez graus Celsius, a apresentadora precisava desse agora famoso “exercício fonoaudiólogico”, como ela disse. Bonner chegou a explicar: a tal extravagância era recomendada pela fonoaudióloga Débora Feijó, que atende ao elenco da Globo.

Aumentando o constrangimento, Bonner comentou que também faz os exercícios, mas, no carro, a caminho da emissora, ou, na redação, de modo que o público não fica sabendo. Mas, convenhamos, que importância tem isso? Em um país de tantas mazelas e emergências, em um mundo marcado por disputas e conflitos, que diferença faz descobrirmos a natureza dos ruídos estranhos produzidos pelos apresentadores de notícias?

O episódio parece ter algo a ver com o que os especialistas em comunicação costumam chamar de “infantilização do jornalismo” na televisão. Na edição da última quarta-feira, Bonner adentrou essa categoria, descrita pelos acadêmicos.

Aliás, recordar é viver. A dupla de apresentadores do JN protagonizou outros eventos semelhantes. Um ano antes, o âncora apareceu empurrando um funcionário da emissora que tentava arrumar o microfone dele, justo no momento da transmissão ao vivo. Bonner fez questão de lembrar: “Entrei para a história empurrando um profissional”. Como se isso fosse “histórico”.

Patrícia Poeta já corrigiu erros de informação do parceiro no ar. E levou um troco desagradável: ao final de uma das edições do telejornal, quando passavam os créditos de encerramento, Patrícia se levantou e levou uma bronca do colega. Um expectador, bastante gozador, fez uma dublagem hilária dessa cena e postou no YouTube. Com uma voz idêntica à de Bonner, é possível ouvir: “Não, não, não, ainda não acabou essa porra, senta aí, caralho...”.



Carlos Amorim
No Notícias da TV
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Cacique do PMDB 'almoça' Aécio no Rio

Em boca-livre oferecida pelo presidente do diretório estadual, Jorge Picciani, o tucano estava no cardápio

Picciani tem um projeto político próprio, mas é local,
não é nacional
O presidente do diretório estadual do PMDB do Rio de Janeiro, Jorge Picciani, fechou uma churrascaria no bairro nobre da Barra da Tijuca, e ofereceu uma boca-livre em almoço de apoio a Aécio Neves (PSDB-MG). Mas o prato servido para ser almoçado foi o próprio tucano – metaforicamente, é claro.

Para entender a antropofagia política, é necessário compreender o intrincado quadro eleitoral no Rio de Janeiro para além de 2014, indo até as eleições municipais de 2016.

O PMDB está dividido. O grupo de Picciani está apoiando Aécio. O governador Luiz Fernando Pezão, o prefeito da capital, Eduardo Paes, e o ex-governador Sérgio Cabral estão com a reeleição da presidenta Dilma Rousseff.

Dilma tem o apoio de outros três pré-candidatos: Lindberg Farias (PT), Garotinho (PR) e Marcelo Crivella (PRB). Aécio não tem apoio de nenhum pré-candidato a governador do Rio.

Voltando ao PMDB, Picciani tem um projeto político próprio, mas é local, não é nacional. Quer fazer seu filho, o deputado federal Leonardo Picciani, candidato a prefeito pelo PMDB em 2016. Trava uma disputa interna com o grupo do prefeito Eduardo Paes, que planeja fazer seu sucessor o deputado federal Pedro Paulo (PMDB).

A dissidência é consentida ou até estimulada de forma velada pelo governador e ex-governador, para retaliar a candidatura de Lindberg. É esse o argumento usado em público para a dissidência. Mas há outro motivo do interesse de Pezão e Cabral e todo o PMDB nesta dissidência: capturar o tempo de TV do PSDB no Rio, já que os tucanos não têm candidato próprio e não se empolgam em apoiar Cesar Maia (DEM).

Aécio aproveitou o palanque armado e explorou o fato político criado, mas mostrou desconforto e desconfiança ao não citar o nome de Pezão (que obviamente não estava presente). E ressalvou que há a pendência de resolver a coligação proporcional negociada entre PSDB, PPS e DEM do Rio para resolver como iria participar da campanha do PMDB.

A desconfiança tem motivo. Depois de entregar o tempo de TV do PSDB fluminense ao PMDB é grande a chance de minguar o apoio desta dissidência a Aécio.

Leonardo Picciani e Pedro Paulo travarão uma disputa interna para ver quem sai mais bem votado. Leonardo não vai querer ficar de fora das inaugurações de Pezão e de Eduardo Paes, muitas delas obras do PAC em parceria com o governo federal. Buscará votos onde eles estiverem mais fáceis e mais abundantes, deixando a candidatura presidencial em segundo plano.

Também é duvidoso que Picciani arraste um contingente grande das bases do PMDB para fazer campanha para Aécio. Isso obrigaria Dilma a sair de uma posição de neutralidade e colar sua campanha em quem esteja trabalhando pela eleição dela de fato.

Para piorar, Picciani mais espanta do que atrai os chamados votos de opinião, e isso pode tirar votos de Aécio entre eleitores da elite.

Como se vê, Picciani só tem a ganhar se o PSDB apoiar Pezão, principalmente capturando o tempo de TV, mas Aécio não tem a mesma reciprocidade, pois o PMDB nacional e o governador continuarão com Dilma, e ainda pode ser deixado de lado pela dissidência peemedebista do Rio.

Helena Sthephanowitz
No Blog da Helena
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Ricardo Teixeira tem R$ 100 milhões em conta secreta

Valor está depositado em banco de Mônaco, onde o ex-presidente da CBF estaria sendo investigado por lavagem de dinheiro

O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, teria mais de 30 milhões de euros (cerca de R$ 100 milhões) em uma conta secreta em Mônaco. A informação foi revelada pelo jornal eletrônico francês Mediapart, como parte de uma investigação conduzida sobre o banco Pache, uma filial do grupo Credit Mutuel. 

O caso estaria sendo investigado pelas autoridades monegascas por lavagem de dinheiro, num processo conduzido pelo juiz Pierre Kuentz. Em gravações realizadas pela Justiça e obtidas pelo jornal francês, o nome de Teixeira é citado pelo diretor do banco, Jürg Schmid. 

"Eu não quero ter de ficar explicando a situação a todos. Quando se faz barulho interno e externo, nós estaremos na rua", disse Schmid. 

"Nós, no banco Pasche, temos uma situação em que devemos provavelmente aceitar clientes que outros bancos certamente não aceitariam", disse. Ele explicaria de forma mais precisa sua declaração. "Eu tenho um, o grande brasileiro", afirmou.

"Eu sei muito bem que nenhum outro banco de Mônaco queria abrir uma conta dele", disse. "Agora, ninguém o quer porque se trata verdadeiramente de uma fria", estimou. "Mas nos fizemos tudo, já que temos a declaração de imposto e a declaração dos tribunais que dizem que ele não foi condenado", declarou. "Evidentemente, ele é conhecido, mundialmente conhecido", afirmou. "Portanto, existe um risco de reputação". 

O banqueiro chegou a dar explicações sobre a origem do dinheiro. "Sabemos que ele recebeu dinheiro em troca de favores, mas não são políticos", disse. "Decidimos juntos que nós o receberíamos porque ele nos traz 30 milhões de euros e isso não é pouco", declarou Schmid. 

Segundo o jornal, nos últimos meses, Teixeira teria feito diversas viagens até Mônaco. Ele teria passado pelo principado em janeiro, fevereiro, abril e maio de 2014, sempre ficando pelo menos dois ou três dias. De acordo com a publicação, o cartola se hospeda no luxuoso hotel Metropole e a conta é sempre paga pelo banco Pasche. Isso não seria por acaso: o hotel fica a poucos metros do banco.
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O que está por trás do Italeaks

http://www.maurosantayana.com/2014/06/o-que-esta-por-tras-do-italeaks_7.html


Os “hackers” que se identificam como “anonymous”, envolvidos na espionagem contra o Itamaraty, colocaram em circulação, na internet, cerca de 100 mensagens de e-mail, trocadas por diplomatas brasileiros. Elas estão sendo analisadas pela PF e pelo próprio ministério, para determinar sua origem e autenticidade.

O fato de o Itamaraty ter sido escolhido como alvo de espionagem é significativo — e exige rigor na identificação da origem e do propósito dos autores da operação.

Quando estourou o escândalo do Wikileaks, ele se baseou, em boa parte, na divulgação de correspondência diplomática — e-mails e mensagens internas — do Departamento de Estado, o Ministério das Relações Exteriores dos Estados Unidos. Não é segredo também, que, aos norte-americanos, não agradou o fato de as informações sobre o escândalo da espionagem da NSA terem sido divulgadas pelo jornalista inglês Glenn Greenwald, amigo de Edward Snowden, a partir do território brasileiro.

Sempre houve a suspeita de que os Anonymous, que exerceram papel significativo na campanha de desestabilização institucional promovida, a partir da internet, no ano passado, nesta mesma época do ano, estivessem ligados a interesses externos.

As mensagens do Itamaraty escolhidas, até agora, para serem divulgadas, contrariam, coincidentemente, todas elas, posições norte-americanas e o discurso adotado pelos EUA na ONU, na imprensa internacional e em instituições multilaterais, em questões nas quais o Brasil se tem oposto aos Estados Unidos nos últimos anos.

Esse é o caso da rejeição a sanções contra o Irã, da defesa do diálogo, da via diplomática e do direito ao uso da energia nuclear para fins pacíficos; da espionagem do Brasil pela NSA; e da defesa de Cuba, quanto à sua classificação pelos Estados Unidos, como estado terrorista — temas abordados nas mensagens divulgadas.

Se o grupo que está por trás da infiltração, tinha a intenção de colocar o Brasil contra a parede, com a divulgação dos documentos do Itamaraty, tratou-se — pelo menos até agora — de um tiro pela culatra.

Os documentos divulgados por Julian Assange e seus colaboradores no Wikileaks, expuseram ao mundo a arrogância norte-americana; seu desrespeito pelos outros países; por personalidades; pelas regras diplomáticas. Os documentos denunciaram também nefasta e rasteira manipulação das relações internacionais, a fim de preservar atitude hegemônica e imperial com relação ao resto do mundo.

Os e-mails do Itamaraty provam — ao menos pelo que foi divulgado até agora — que somos, no âmbito diplomático, uma nação equilibrada, coerente, e democrática, empenhada na defesa da paz, do multilateralismo e — salvo por expresso mandato da ONU — do princípio de não intervenção, em estrita obediência ao nosso texto constitucional.
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A histeria em torno do decreto que institui a Política Nacional de Participação Social

Os mecanismos de participação e controle social no Brasil parecem assombrar boa parte das bancadas de parlamentares na Câmara dos Deputados.

A revolta tem origem no decreto publicado na semana passada pelo executivo que institui a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS), que criam nove canais de comunicação visando regularizar a relação do governo com a sociedade civil. Segundo a proposta, os integrantes de futuros conselhos populares não serão remunerados.

Estimulados pela mídia, juristas e ex-ministros atacaram a iniciativa da presidente Dilma chamando a proposta de “bolivariana”, “ditatorial” etc. Mas a proposta é muito mais um desdobramento das Conferências sobre Transparência e Controle Social de 2012 do que um desejo solitário de Dilma.

Capitaneado pelo DEM, mais nove partidos pretendem revogar o projeto. São eles: PPS, PSDB, PR, PSD, SOLIDARIEDADE, PRB, PV, PROS e PSB.

Afinal, o que temem os parlamentares? O decreto “rasgaria a Constituição”,  uma vez que a representatividade popular se dá por meio das eleições e são eles os representantes da população uma vez que os votos recebidos lhes outorgam tal condição.

O ministro Gilmar Mendes, ao corroborar essa tese, afirmou que “o grande afetado em termos de legitimidade de imediato é o Congresso”. Outra declaração igualmente caricata é a do ex-ministro da Justiça Miguel Reale, de que a presidente “ganha diálogo com os movimentos sociais”.

Está aí a oportunidade para que outras frentes políticas, seja qual for sua orientação, façam o mesmo: ganhem diálogos com seus movimentos e incentivem ou oportunizem que suas militâncias saiam da clandestinidade interna. Em muitos casos esses “ativistas” são puras invencionices partidárias.

No verdadeiro front deste embate está implícito o temor que as elites têm em abrir espaços para discutir com a população; é como se o andar de baixo necessitasse dessa concessão. Ignoram, escarneiam e abusam de mandatos parlamentares para manter a distância entre as classes sociais.

O francês Èmile Durkeim abordou em sua tese “De la Division Du Travail Social” que a existência de uma sociedade só é possível através de um determinado grau de consenso de seus indivíduos. Não por acaso é exatamente na França que vem um dos maiores exemplos deste conceito: Angers.

Conheci a cidade de Angers nos início dos anos 90. Com 150 mil habitantes, a cidade dispõe de um dos mais importantes mecanismos de controle e participação social que se tem notícia.

Possui mais de 1500 ONG’s que trabalham para aprimorar o processo de controle social sobre políticas públicas e prestação de contas naquilo que se convencionou chamar de gestão compartilhada.

Mas para essa gente que conspira contra o decreto da presidente a França é um dos melhores destinos para se passar as férias. E, infelizmente, apenas isso.

Mário Luiz Cortes
No DCM
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Economist: hegemonia da Globo não tem comparação no mundo!


Essa matéria da Economist faz algumas comparações arrepiantes entre o tamanho da Globo no Brasil e o tamanho das principais TVs norte-americanas.

Arrepiante por duas razões: 1) eu, que escrevo há anos sobre mídia, nunca tive acesso a essa informação; 2) agora temos noção melhor do papel nocivo da Globo na democracia brasileira.

A parte da reportagem que mais me interessou, como eu disse acima, foi a comparação entre Brasil e EUA, feita nos dois primeiros parágrafos. Eu mesmo traduzo:

Quando a Copa do Mundo começar no dia 12 de junho, dezenas de milhões de brasileiros irão assistir às festas na TV Globo, o principal canal aberto da televisão do país. Mas para a Globo será apenas mais um dia de grande audiência. Não menos que 91 milhões de pessoas, pouco menos da metade da população, passa pelo canal durante o dia: o tipo de audiência que, nos EUA, acontece apenas uma vez ao ano, e apenas para o canal que ganha o direito, naquele ano, de exibir o Super Bowl, o jogo dos campeões do futebol americano.

A Globo é certamente a empresa mais poderosa do Brasil, dado o seu alcance em tantos lares. O seu concorrente mais próximo, a Record, tem uma audiência de apenas 13%. O canal de TV mais popular dos Estados Unidos, a CBS, tem apenas 12% da audiência durante o horário nobre, e seus principais concorrentes oscilam em torno de 8%.

(…)

Em outro trecho da matéria, comenta-se o poder da Globo de moldar comportamentos no Brasil. “Seus programas também moldam a cultura nacional”. Não é assustador que esse poder fique concentrado em mãos de uma só empresa, de uma empresa que, por sua vez, consolidou-se na ditadura e que uma postura fortemente partidária e ideologizada?

A revista comenta que, em outros países latino-americanos, como na Argentina e no México, os governos estão combatendo o excesso de poder da mídia, mas o “governo brasileiro é mais dócil em relação aos proprietários de mídia”.

Repare que a Economist faz qualquer reparo “antibolivariano”, tanto que ela toma o cuidado de citar um governo de esquerda (Argentina) e um de direita (México).

E aí, Dilma, agora entende porque precisamos de uma lei para dar fim a esse monopólio? A hegemonia da Globo já está causando estranheza internacional!

O mundo está olhando mais para nosso país e uma das coisas que o tem surpreendido negativamente é a concentração midiática, que é uma faceta de nosso atraso cultural e político.

Afinal, queremos ou não ser um país democrático?

Miguel do Rosário
No Tijolaço
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Avanza manifestación antimonarquía en España


Una multitud de personas se movilizó contra la monarquía este sábado en Madrid (capital española). Los marquistas piden que se realice un referendo que permita a los españoles decidir entre la monarquía o la república.

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Eleitor à deriva

A maioria dos brasileiros está satisfeita, mas por que os números das pesquisas ameaçam a reeleição de Dilma?
A Presidenta Dilma Rousseff durante declaração a imprensa na VII Cúpula Brasil-União Europeia Roberto Stuckert Filho/PR
E a mídia e os intérpretes das sondagens de intenção de voto contornaram de mansinho uma explicação da recente pesquisa Ibope. Ela pode ajudar a decifrar o comportamento dos eleitores nesse momento. A quatro meses da disputa presidencial a intenção eleitoral do entrevistado abre um contraste de difícil interpretação.

Ao responder à pergunta — “como se sente com relação à vida que vem levando hoje?” — uma ampla maioria dos entrevistados respondeu de forma categórica estar muito satisfeita (9%) ou satisfeita (71%) em oposição a uma minoria (17%) de insatisfeitos ou muito insatisfeitos (3%).

Qual a explicação? A satisfação e a insatisfação, maior ou menor de uns e outros, não existem apenas pelo prazer ou pelo desgosto de viver. Há fatores circunstanciais como o amor e o desemprego, fundamentais à vida. Embora não sejam os únicos.

Independentemente do nível de escolaridade e a renda familiar, os eleitores aparecem em igual sintonia. Segundo a pesquisa, o grupo daqueles que se declaram satisfeitos varia de 67%, com os entrevistados da 5ª à 8ª série do ensino fundamental, a 75% de satisfação entre os integrantes do ensino superior.

A mesma aproximação ocorre no mundo dos insatisfeitos e dos muito insatisfeitos. A renda familiar e o nível de ensino praticamente não os distingue na resposta. Juntos, formam uma média de 3% de eleitores. Ou seja, entre a base e o topo da pirâmide social há respostas iguais.

Há, porém, um abismo brutal no comportamento desses dois grupos na cabine eleitoral. O voto os separa.

 
Que relação existirá entre a manifestação de satisfação ou insatisfação e a resposta à pergunta sobre a aprovação ou a desaprovação “da maneira como Dilma vem administrando o País?”

A pirâmide dividida em classes dá resposta a isso. No topo dela há uma desaprovação de 56%, contra 38% de aprovação. Na base, a desaprovação cai para 26% e a aprovação dá um salto e alcança 69%. Na renda familiar, esse afastamento se repete. Do alto da pirâmide 59% contemplam a administração de Dilma e a desaprovam. Na base, a aprovação é de 60%. Ou seja, reação de igual intensidade em sentido inverso, sentenciaria Newton, aplicando uma lei de física à regra eleitoral.

Um desfecho importante para esse contraste vem da pergunta sobre o interesse pelas eleições manifestado agora. Há 41% dos que se consideram com “muito interesse” e “interesse médio”. Surpreende a manifestação de “pouco interesse” e “nenhum interesse”: 57%.

Os eleitores potenciais de Dilma, os mais pobres, avaliados pela escolaridade e pela renda, ainda se mantêm, em grande número, distantes do processo eleitoral. Portanto, a oposição deve ser comedida ao comemorar uma eleição de dois turnos.

Maurício Dias
No CartaCapital
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Na Venezuela está em marcha uma guerra de quarta geração que atenta contra os interesses populares‏

 Vídeos imperdíveis 


Dois personagens, um militar de carreira que é chefe operacional das forças armadas e outro um médico psiquiatra que ocupa um cargo político (prefeito de um município), os dois vinculados a um país que realiza uma revolução democrática e popular que constrói o socialismo, denominada “Revolução Bolivariana” (Venezuela) e que por serem palestrantes em um evento de caráter internacional (Conjura Mediática contra Venezuela) decidiram enviar mensagem de alerta a todos os povos do mundo em especial aos situados na América Latina e desses à aqueles que estão na América do Sul.

A mensagem diz respeito a como está se desenvolvendo e avançando uma guerra de caráter especial que atenta contra os interesses dos povos e que é denominada de guerra de quarta geração, guerra assimétrica, guerra de desestabilização que está sendo promovida por países poderosos e hegemônicos juntamente com aliados internos visando conquistas econômicas imediatas (posse de riquezas e bens, subordinação dos povos a seus interesses hegemônicos).

O primeiro personagem citado é o Major General Vladimir Padrino López chefe do Comando Estratégico Operacional da Força Armada Nacional Bolivariana da Venezuela (CEOFANB), o segundo é o Sr. Jorge Rodríguez, prefeito do município Libertador, situado na região metropolitana de Caracas que é sede dos principais órgãos de governo.

Os vídeos de suas palestras estão citados logo abaixo e explicitam didaticamente como esse movimento desestabilizador foi contido na Venezuela (por enquanto) e quais os cuidados que se devem tomar para que não avancem, não progridam para etapas mais cruentas e atinjam seus maléficos objetivos.

Portanto, alerta!

O que está ocorrendo na Venezuela pode ser reproduzido em outros países e seus sinais já são evidentes. E não será preciso ser especialista para dar o diagnóstico, bastando ter bom senso e manter os olhos bem abertos.

Jacob David Blinder

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FHC espanta; Barbosa é a salvação!

A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (6) trouxe um dado bastante preocupante para Aécio Neves, o cambaleante candidato do PSDB — que a Folha tucana preferiu esconder bem escondidinho. Ela confirma que o ex-presidente FHC, tão bajulado pela mídia privada e maior apoiador do senador mineiro, assusta os eleitores. Apenas 12% dos entrevistados afirmam que votariam num candidato sugerido pelo guru dos tucanos. Pior ainda: 57% garantem que não votariam em alguém apoiado por FHC, o que o torna o político campeão no quesito de rejeição. Será que agora Aécio vai sumir com o seu padrinho, como já fizeram José Serra e Geraldo Alckmin nas três últimas eleições presidenciais?

No critério do político mais influente, Lula segue imbatível. Meio a contragosto, a Folha registrou sua força, mesmo evitando dar à notícia o título da matéria. “O ex-presidente Lula, o principal cabo eleitoral pela reeleição da presidente Dilma Rousseff, continua liderando o ranking de influência. Hoje, 36% dizem que ‘com certeza’ votariam em alguém apoiado pelo petista (taxa ligeiramente maior que o atual desempenho de Dilma em intenções de voto, 34%). Outros 24% afirmam que ‘talvez’ votassem em alguém indicado por Lula”. A novidade do “Datafalha” é que Joaquim Barbosa, ainda presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), aparece como o segundo voto mais influente da eleição de outubro.

Esperançosa, a Folha oposicionista não escondeu sua alegria. “Se quiser, Joaquim Barbosa poderá ter papel de grande peso nas eleições deste ano. Mesmo sem ser candidato. O levantamento do Datafolha mostra que o magistrado seria a segunda personalidade mais influente da eleição, atrás apenas do ex-presidente Lula. Estimulados pelo instituto, 26% dos eleitores afirmam que ‘com certeza’ votariam num candidato indicado por Barbosa. Além disso, outros 26% dizem que ‘talvez’ pudessem votar em alguém apoiado por ele... Desde a redemocratização do país, em 1985, é difícil lembrar outra personalidade do Poder Judiciário que tenha alcançado qualquer projeção política comparável à de Barbosa”.

Na semana passada, o atual presidente do STF anunciou — para a tristeza dos direitistas — que iria renunciar ao seu cargo e que pretendia tirar uns meses de descanso no seu luxuoso apartamento em Miami (EUA). A pesquisa Datafolha talvez altere seus planos. Astro principal do midiático julgamento do “mensalão do PT”, ele talvez seja a única salvação para velhos e novos oposicionistas. Segunda a Folha, “os principais adversários de Dilma já demonstraram interesse em atrair Barbosa”. Ele não pode ser candidato, já que o prazo de filiação partidária, condição obrigatória para disputar as eleições, expirou. Mas pode voltar a ocupar os holofotes midiáticos no apoio a algum oposicionista. Aécio e Campos estão ansiosos!

Altamiro Borges
No Blog do Miro
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As dúvidas sobre o caso da apreensão de pó no helicóptero dos Perrellas

Zezé e Gustavo Perrella
No dia 24 de novembro de 2013, a Polícia Federal apreendeu 445 quilos de pasta de cocaína numa propriedade rural de Afonso Cláudio, no Espírito Santo. A droga vinha de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, a bordo do helicóptero que pertence à família Perrella, do senador Zezé e de seu filho Gustavo, deputado estadual, ambos com carreira política construída sob as asas de Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais.

O caso do Helicoca, apelido carinhoso dado por investigadores e advogados, estourou no Brasil. Há dois meses, o DCM tem se dedicado a apurar a história com reportagens exclusivas do jornalista Joaquim de Carvalho. Na próxima semana, daremos continuidade. Um documentário está sendo produzido.

Eis as dúvidas mais frequentes sobre o caso e suas respostas:

A família Perrella está envolvida?

O helicóptero usado no transporte do entorpecente pertence à família e um dos pilotos era funcionário de uma empresa dos Perrellas, além de ocupar cargo de confiança na Assembleia Legislativa de Minas Gerais por indicação do deputado estadual Gustavo.

O que a polícia diz sobre o envolvimento da família Perrella?

Descartou em poucas semanas, surpreendentemente, com base em mensagens encontradas no celular do piloto Rogério Almeida Antunes, em que ele diz que os Perrellas não sabiam da viagem ao Paraguai.

O uso do helicóptero pode ter sido apenas coincidência?

É difícil acreditar nessa versão quando se sabe que o piloto que planejou a operação de transporte da droga é de São Paulo, tinha cinco helicópteros e trabalhava no Campo de Marte, onde está a maior frota do mundo. Por que traria um de Belo Horizonte? Além disso, um helicóptero não costuma sair da garagem sem o conhecimento do dono. Não estamos falando de um Fiat 147.

Como a polícia chegou ao helicóptero no Espírito Santo?

A versão oficial: o serviço reservado da PM do Espírito Santo levantou suspeitas de tráfico na região.

O que pode ter acontecido de fato?

A PF já sabia do pouso e, por isso, mandou uma equipe para lá. Pode ter sido avisada por alguém ou obteve a informação em escuta telefônica, certamente clandestina.

Quais são os erros do inquérito da Polícia Federal?

A Polícia Federal limitou a investigação à prisão das quatro pessoas flagradas com a coca transportada no helicóptero, além de identificar e indiciar o proprietário do sítio usado para o pouso.

O que a Polícia Federal fez além disso?

Indiciou os cinco envolvidos e mais nada.

A quem pertencia a droga?

Não se sabe. A polícia não aponta. Diz apenas que a cocaína foi carregada em Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

Algum dos presos pode ser o dono da droga?

Dois dos cinco presos podem ter alguma participação na propriedade da droga. Um deles é Robson Ferreira Dias, que a PF descreve como comerciante no Rio, mas que, na verdade, é um empresário que já teve negócios no futebol profissional. O outro é Elio Rodrigues, também empresário. Os três outros foram contratados para serviços operacionais.

Algum dia saberemos de quem era o pó?

Não interessa à Justiça e à polícia que isso seja revelado.

A cocaína apreendida
A cocaína apreendida
Há outros envolvidos?

Sim. Nas mensagens encontradas nos celulares dos presos, há conversas com um certo Giga e um certo Frajola, apelidos de pessoas não identificadas pela Polícia Federal. Eles dão ordem aos traficantes presos. Além disso, o helicóptero pousou num hotel na Grande São Paulo, onde ficaram 50 quilos da droga.

Para onde ia o restante da droga?

Para a Europa, possivelmente Amsterdã, na Holanda.

O que a PF fez em relação ao hotel?

Nada. Nem sequer chamou os proprietários para depor.

O que traficantes presos disseram à Justiça?

Nada. No dia em que iriam prestar depoimento, o juiz mandou soltá-los. 

Por que o juiz mandou soltá-los?

Porque o procurador da República que atuava no caso levantou suspeitas sobre o trabalho da Polícia Federal e se afastou do caso.

Que suspeitas?

O flagrante do helicóptero teria sido uma armação. A polícia já sabia que a aeronave pousaria ali, com base em escutas telefônicas clandestinas.

O que pode acontecer com a investigação?

O caminho mais provável é o arquivamento do Poder Judiciário, sem nenhuma punição.

Kiko Nogueira
No DCM
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A cara de pau da Veja

A Veja antes de nascer pediu pra ser cara de pau e entrou 100 vezes na fila.

Veja o cinismo.

O Metrô de São Paulo está em greve, por falta de acordo entre trabalhadores e seus patrões, o intransigente Governador Geraldo Alckmin, que comanda um governo suspeito (suspeito no Brasil, na Suíça já foi condenado) de roubar bilhões do Metrô.

De quem é a culpa por tudo isso?

Ora do Lula, ele é que vai pra manchete da revista.

Enquanto isso o tucano Robson Marinho, um homem que teve milhões de dólares congelados no exterior roubados do Metrô, que cuida do Tribunal de Contas de São Paulo e avalia se Alckmin é honesto ou não, está em sua ilha de mais de 4 milhões de reais contando dinheiro e rindo com essa manchete absurda da Veja.


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STF manda investigar os deputados Rodrigo Garcia (DEM) e José Aníbal (PSDB) sobre Metrô de São Paulo

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Imprensa e jornalismo: nada a ver

Por mais arriscado que seja fazer diagnósticos em situações de alta complexidade, pode-se afirmar que o motor da sucessão de tumultos que assola o Brasil desde o ano passado é a desinformação.

Já se afirmou aqui que pior do que a mentira é a meia-verdade, e pode-se comprovar essa assertiva com a observação do processo pelo qual a imprensa brasileira tem contribuído para a construção do mau humor coletivo que vai se espalhando de forma avassaladora pela sociedade.

O processo é clássico e seu exemplo maior continua sendo a estratégia de comunicação que Joseph Goebbels desenvolveu na Alemanha nos anos 1930 e que em uma década fez com que a insanidade de um pequeno grupo de ativistas contaminasse o país onde a modernidade havia plantado suas raízes no século anterior.

No entanto, é preciso fazer uma retificação importante no paradigma central da propaganda nazista: a frase segundo a qual "uma mentira contada mil vezes torna-se verdade" ganha certa contemporaneidade se dissermos que "uma meia-verdade repetida duas vezes torna-se verdade".

Se o leitor ou leitora afeto à visão crítica dos acontecimentos fizer uma visita ao noticiário dos últimos doze meses, vai observar que o estado de espírito negativo que contamina o Brasil não decorre de um efeito colateral do noticiário: é o propósito central da atividade da imprensa hegemônica.

Certamente, há espaço suficiente nessa afirmação para a suspeita de que o observador pode estar sob influência de teorias conspiratórias, mas a leitura dos jornais nesse período indica claramente o desenvolvimento de uma campanha com objetivo de destruir a autoestima dos brasileiros.

Este observador foi conferir essa hipótese com uma fonte qualificada de um dos maiores jornais brasileiros, assentada em posição de mando na área comercial, e ouviu uma queixa surpreendente: disse o informante que a agenda negativa está prejudicando o próprio jornal, ao produzir um estado de pessimismo que desestimula os anunciantes.

O jornalismo praticado nas redações é nocivo ao negócio jornal.

Não seria a primeira vez que a imprensa, como sistema corporativo, estaria agindo contra seus próprios interesses de longo prazo.

A desinformação como tática

Se a direção dos jornais considera apropriado cultivar uma crise social, com grandes riscos de detonar no rastro dela uma crise econômica, é porque entende que, se a tática for bem sucedida, haverá um ganho para o negócio no futuro próximo, com uma mudança radical no modelo econômico.

Fora dessa possibilidade, resta a alternativa de pensar que a imprensa enlouqueceu.

Ora, atuar de forma nociva contra o modelo que ampliou o mercado interno e deu alento ao mercado publicitário só pode ser entendido como uma forma de suicídio, como apontou o executivo citado acima.

A disputa eleitoral em curso é considerada pela imprensa hegemônica do Brasil como "a mãe de todas as batalhas", porque dela pode brotar o presidente ideal para os padrões das grandes empresas de comunicação.

Mesmo que isso signifique reverter o avanço das conquistas sociais que se iniciaram com a estabilização da moeda, em 1994, e se consolidaram com as políticas oficias de distribuição de renda, os jornais insistem nesse processo.

Ainda no perigoso atalho que corta as complexidades envolvidas nessa questão, pode-se afirmar que a imprensa, como sistema corporativo, já não faz jornalismo.

Faz uma política menor, característica dos lobbies, exatamente igual à prática do "é dando que se recebe", celebrizada pelo falecido deputado Roberto Cardoso Alves e formalmente condenada pela própria imprensa.

Portanto, toda análise que se fizer daqui para a frente precisa deixar claro que, ao se observar a imprensa, não se está necessariamente analisando o jornalismo.

Quando o sistema da comunicação abandona o pressuposto da objetividade para atuar como lobby, mesmo às custas de suas necessidades e interesses de longo prazo, pode-se dizer que houve uma ruptura entre jornalismo e imprensa.

O núcleo tático desse procedimento é a imposição de meias-verdades, que produzem a desinformação geral; a desinformação estimula protestos, crises, decisões equivocadas de investidores, e — o mais grave — descrença no sistema democrático, como aconteceu na Alemanha nazista.

Luciano Martins Costa
No OI
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O jornalixo do Estadão

A meus amigos [aqui do Facebook]:

O jornal “O Estado de S. Paulo” - onde trabalhei durante 10 anos, de 1978 a 1988 e onde ganhei o Prêmio Esso de Jornalismo e vários outros prêmios — publicou em sua edição de quinta-feira, dia 5, uma equivocada e insultuosa reportagem a meu respeito. Como não tenho nada a temer, compartilho aqui com vocês o texto do jornal.

A reportagem usa fatos verdadeiros, que não desminto, mas em contexto malicioso, afirmando que posso estar utilizando minha condição de membro do Fundo de Infra-estrutura do FGTS - FIF-GTS para solicitar favores a empresas para o patrocínio de filme baseado em obra literária minha. Só me faltava essa: pedir migalhas para apoiar projetos milionários, mas de interesse do Brasil. Com um voto entre 12, para referendar escolha já aprovada pelos técnicos de banco estatal, a Caixa Econômica Federal. Não faz muito sentido, mas o jornal — ou seus jornalistas — assim consideram.

Trata-se de rematada tolice.

O alvo aí não sou eu, mas o Comitê de Crédito do FI-FGTS, que está sob bombardeio de empresas contrariadas em seus interesses e possivelmente de políticos de menor envergadura, com suas práticas de sempre.

O filme baseado em meu livro — como é público — está pronto, para estrear em outubro, e, como é praxe, conta com apoio — evidentemente solicitado pelos produtores — de várias empresas privadas e estatais.

O jornal “O Estado de S. Paulo” afirma textualmente que “Emediato procurou este ano as duas maiores construtoras do país para pedir recursos para o filme: a Odebrecht e a Camargo Correa”.

De fato, como previsto na Lei do Audiovisual e autorizado pela Agência Nacional de Cinema – Ancine, os produtores do filme enviaram solicitações de patrocínio a mais de 200 empresas, desde 2007, quando o FI-FGTS o FI nem existia. Entre elas, obviamente, as duas construtoras citadas, o que elas confirmaram. Confirmaram também que não apoiaram o filme.

O jornal afirma ainda que o filme conta com patrocínio do Banco Original, do Grupo JBS, cuja coligada, Eldorado Brasil Celulose, recebeu investimento do FI-FGTS quando eu era membro do Comitê de Crédito, pelo governo. É verdade, mas era membro suplente e quem votou a favor do projeto — que estava há meses aguardando deliberação — foi o membro titular do Comitê.

Outras — às quais os produtores do filme, insisto, solicitaram apoio desde 2007, estão aguardando que a Caixa Econômica Federal encaminhe aos membros do FI seus pedidos de apoio. Quando isso acontecer — se acontecer e eu estiver ainda no colegiado — votarei tecnicamente.

Todas essas informações foram prestadas ao jornal, que as ignorou. Como é de praxe, enviarei protesto ao jornal “O Estado de S. Paulo”, que poderá ignorá-lo ou publicar, discretamente, na seção de Cartas dos Leitores, nem sempre lida pelos que tomaram conhecimento da reportagem.

Só posso lamentar que o grande jornal onde passei 10 anos maravilhosos de minha vida profissional faça isso com quem — como eu — não tem nada a temer. Só quem não conhece o tema e não me conhece pode imaginar que eu votaria a favor de um projeto qualquer em troca de tão singelo benefício. Quem estuda e combate a corrupção — essa praga que flagela nosso país e nossos costumes — sabe muito bem como são os procedimentos para se obter fortunas de conglomerados econômicos. Isso não é feito às claras — como buscando patrocínios legais para obras de arte — mas na calada da noite e nos porões dos paraísos fiscais.

Como a imprensa é livre em nosso país, o jornal tem o direito de escrever o que quiser, resultado de boa ou má apuração dos fatos. Mas tinha também a obrigação moral de registrar meus esclarecimentos, mesmo duvidando deles.

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Dilma lamenta morte de Fernandão


Pelo Twitter, a presidenta Dilma Rousseff lamentou a morte do ex jogador Fernandão, ídolo do Internacional, em acidente de helicóptero, na madrugada deste sábado (7).

O ex-jogador, chamado pelo clube de “eterno capitão”, foi essencial nas conquistas do título da Libertadores e do Mundial de Clubes, ambos em 2006.



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Aécio precisa esclarecer de público medidas impopulares que já garante reservadamente

O candidato do PSDB à Presidência da República, senador Aécio Neves (MG) precisa e deve — acredita-se que pode e tem condições, também — explicar à nação, em detalhes, o que são as medidas impopulares que ele tem prometido adotar em almoços e jantares, em encontros fechados, reservados com empresários.

Não é que haja em algum segmento da população, em algum setor da atividade nacional certeza quanto a sua vitória, muito pelo contrário, mas o Brasil não pode entrar numa campanha eleitoral com um dos candidatos e justo o situado em 2º lugar na disputa com uma caixa preta, prometendo medidas impopulares que todos sabemos provocarão brutal recessão, desemprego, recuo nos salários e na renda, sem oferecer detalhes sobre elas, ou só os fornecendo em círculos fechados, àqueles que vão se beneficiar de tais medidas.

Ontem já alinhamos aqui uma série de perguntas que os candidatos ao Planalto têm de debater e responder na campanha eleitoral deste ano. Temos mais algumas. Mas estas, dirigidas mais especificamente ao candidato Aécio Neves, que vai adotar as medidas impopulares e trazer a recessão braba, porque a grande pergunta que continua sem resposta é a sobre estas medidas impopulares de Aécio.

Esclarecimentos já

Responder muito além do que diz até agora, que vai conter os gastos públicos e os investimentos, reduzir ministérios aleatoriamente, aumentar superávits, cortar o crédito dos bancos públicos, privatizar mais, promover arrocho salarial, restringir consumo, cuidar da segurança como não cuidou em Minas… e por ai vai.

Então, Aécio precisa esclarecer, e já: vai acabar com a correção anual dos salários e benefícios da Previdência Social? Vai flexibilizar as relações trabalhistas, liquidando os direitos sociais? Vai cortar gastos e aumentar o superávit? Vai restringir o crédito e por fim ao crédito subsidiado do BNDES?

Qual será em seu governo o papel dos Estados e dos bancos públicos? E qual será sua política externa? Como espera fazer a economia crescer com uma política recessiva que traz desemprego e queda da renda a exemplo da adotada Europa?

No Blog do Zé
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Mudando de assunto

Velha piada. Homem chega de viagem um dia antes do previsto e encontra a mulher na cama com outro homem. A mulher grita: "O que você está fazendo em casa hoje? Era pra você só voltar amanhã!". Homem: "E o que você está fazendo na cama com outro homem?". Mulher: "NÃO MUDA DE ASSUNTO!".

Nada mais chato do que analisar piadas, mas esta comporta várias deduções e interpretações, algumas, inclusive, pertinentes ao momento que estamos vivendo, de expectativa nervosa pré-Copa. Ninguém sabe o que acontecerá na Copa, dentro e fora do campo. Para dizer a verdade, a dúvida já começa com a estreia do Brasil contra a Croácia.

O que é a Croácia? O que joga a Croácia? São açougueiros e fiscais da receita que se reúnem nos fins de semana para beber cerveja e tentar jogar futebol ou jogam um futebol moderno, têm vários bons profissionais jogando em times do restante da Europa e podem surpreender? A Croácia vai ser fácil ou vai ser um terror?

Na piada, não mudar de assunto é essencial para evitar uma crise do casamento, talvez até um crime passional. A mulher flagrada tem razão, não mudar de assunto é melhor para todo mundo. No nosso caso, não mudar de assunto é nem pensar que a estreia contra a Croácia possa ser algo diferente de um passeio de primavera.

Mudar de assunto seria, por exemplo, lembrar que, nas Copas, sempre aparece um time fantasma, no qual ninguém acredita, e espanta a todos. No México, em 1986, esse time foi o da Dinamarca. De repente, apareceu a Dinamarca jogando o futebol do futuro. Ganhando de seis de um de seus adversários na primeira fase (não me lembro quem eram os coitados, acho que os uruguaios) e impondo uma certeza: ali estava o provável campeão mundial.

Seus jogadores não eram humanos, eram robôs loiros. E imbatíveis. No seu jogo seguinte, a Dinamarca perdeu de cinco de, sei lá, a Espanha, ou coisa parecida. O mito durou três dias. Mas quem nos assegura que a Croácia não será o que a Dinamarca quase foi em 86? Melhor nem pensar nisso. Melhor não mudar de assunto.

O que acontecerá durante a Copa fora do campo também é uma incógnita. E incógnita, como se sabe, é uma coisa enrolada no chão que tanto pode ser uma corda quanto uma cobra. Só vai se descobrir na hora.

Luís Fernando Veríssimo
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O Complexo de Vira-Latas


Uma produção Cabrueira Filmes e Sem Cortes Filmes

O termo Complexo de Vira-Latas denomina um sentimento característico de determinadas classes da sociedade brasileira. Esse sentimento, marcado por derrotismo, pessimismo e má informação, está muito ligado à negação do que somos como brasileiros. O documentário O Complexo de Vira-Latas explica esse sentimento, discute o tema e faz um breve panorama social e político da realidade brasileira.

Direção
Leandro Caproni

Roteiro
Leandro Caproni
Priscila Chibante

Produção
Diego Silva
Bruno Silveira
Nathália Bomfim
Priscila Chibante
Bruno Aranha

Leitura da Crônica
Wallace Soares

Uma produção Cabrueira Filmes e Sem Cortes Filmes
semcortesfilmes@gmail.com
https://www.facebook.com/SemCortesFilmes
https://www.facebook.com/leandrocaproni

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