2 de jun de 2014

A Copa das Copas


"Vamos fazer juntos o máximo para que esta seja a melhor Copa da história", apelou a presidente, na apresentação oficial da taça da Copa do Mundo, em Brasília, onde também pediu uma Copa sem racismo; "Façamos da Copa um momento histórico em favor da diversidade", disse; Dilma Rousseff voltou a destacar as obras de infraestrutura para o Mundial, garantiu que "estamos preparados para oferecer um maravilhoso espetáculo" e mostrou seu otimismo pela seleção; "Para nós, brasileiros, é impossível deixar de sonhar que a seleção brasileira é que vai levantar a taça"; presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que evento "vai dar ao Brasil uma oportunidade extra de se promover em todo o planeta".

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Patrícia Poeta demonstra a satisfação de trabalhar ao lado de Galvão Bueno — SQN

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O ministro Berzoini e a regulação da mídia

Ricardo Berzoini
Participei de um encontro do ministro Ricardo Berzoini com blogueiros, na noite de sexta-feira, em São Paulo.

O local foi o apartamento de Renato Rovai, da revista Fórum, na Vila Madalena. É um apartamento agradável, bonito, numa das áreas mais interessantes de São Paulo.

Rovai tinha providenciado frios e pães variados para a turma, além de bons vinhos para enfrentar o frio do inverno paulistano. “Eis a esquerda caviar”, brinquei ao chegar.

Pausa: enquanto o mundo discute o livro de Tomas Pikkety sobre a desigualdade, no Brasil a direita consome, avidamente, “A Esquerda Caviar”, a obra pedestre de Rodrigo Constantino, um dos expoentes do reacionarismo for dummies.

Berzoini é o responsável pela articulação política do governo, um cargo especialmente importante depois das dificuldades enfrentadas por Dilma com rebeldes do PMDB.

Rovai tenta organizar a conversa, coisa nada fácil quando você tem um grupo de jornalistas ávidos por fazer perguntas. “É o Augusto Nunes do bem”, penso. Adicionalmente, a atenção de Rovai é reclamada por Luca, seu filho de quatro meses.

Luca se juntou à turma depois que seus gritos foram registrados por uma máquina que estava no quarto. “Olha aí os protestos”, brincou Berzoini, o único entre os presentes com paletó e gravata.

A coisa mais importante no encontro, em minha avaliação, é o gesto em si. É uma espécie de continuação da entrevista que Lula concedeu, recentemente, a blogueiros.

O que isso representa: o reconhecimento do governo da importância da internet para o pluralismo da mídia brasileira.

A mídia tradicional brasileira é, a rigor, uma orquestra com uma nota só. É toda ela conservadora, ainda que em diferentes medidas. A Veja é a publicação mais abertamente de direita e a Folha a mais disfarçadamente.

No conjunto, como escrevi algumas vezes, a mídia é a voz do 1%.

Nunca, em todos estes anos pós-ditadura, a mídia fez uma campanha contra o maior mal do Brasil — a desigualdade social. Isto mostra seu espírito, seus interesses e seu foco.

Reflito comigo quando Dilma irá conceder uma entrevista aos blogueiros. Será também um passo importante no reconhecimento da internet como fonte de pluralismo no panorama do jornalismo brasileiro.

A conversa com Berzoini abrange variados assuntos. Um deles é o Palmeiras, seu time. Berzoini comenta que nunca viu um Palmeiras tão ruim, e eu sou obrigado a concordar, como corintiano isento.

Joaquim Barbosa é também alvo de breves considerações. “Tem futuro na política?”, pergunto. Berzoini diz que ele não tem exatamente um temperamento propício à política, com seu autoritarismo e imensa dificuldade em aceitar opiniões diferentes.

“Mas se ele declarar apoio a algum candidato, isso terá algum impacto”, admite ele.

O assunto que mais mobiliza as pessoas no apartamento de Rovai é a mídia. Mais especificamente, a regulação da mídia.

Berzoini é francamente a favor.

Venho tratando disso com frequência no DCM, por entender que qualquer sociedade avançada tem que regular sua mídia, pelo bem dos cidadãos.

O modelo atual é bom apenas para as grandes empresas de mídia. Elas têm imensas vantagens e privilégios — de isenção de impostos para a compra de papel até uma absurda reserva de mercado — e pouquíssimos deveres.

Não têm nem que garantir direito de resposta quando assassinam uma reputação injustamente.

Na Inglaterra, décadas atrás, o estadista Stanley Baldwin fez uma declaração que entrou para a antologia britânica das frases memoráveis. Ele estava sendo perseguido pelos jornais de barões da mídia como Lorde Beaverbrook e Lorde Rothermere,  aos quais acusou de desfrutar de “poder sem responsabilidade, prerrogativa, ao longo dos tempos, das meretrizes”.

Foi uma guinada na maneira como os britânicos enxergavam e tratavam seus barões da mídia, e não surpreende que Baldwin ainda hoje seja lembrado por aquelas palavras.

Baldwin, na capa da Time em 1927: "poder sem responsabilidade é prerrogativa, ao longo dos tempos, das meretrizes"
Baldwin, na capa da Time em 1927: “Poder sem responsabilidade
é prerrogativa, ao longo dos tempos, das meretrizes”

De certa forma, vivemos no Brasil uma situação pré-Baldwin.

Berzoini faz questão de lembrar que sua posição a favor da regulação não significa que o tema vá ser incorporado por Dilma em sua campanha para a reeleição.

Até aqui, Dilma nada disse, e existem registros de frases pretéritas dela na linha que afirma que o controle remoto resolve o problema.

(Dias atrás, Eduardo Campos disse isso. Só faltou dizer: “Cansado do Jornal Nacional? Ora, mude para a Globonews. Não quer ouvir Reinaldo Azevedo na Jovem Pan? Ouça Jabor na CBN.”)

Berzoini diz que, para que a regulação da mídia se concretize, é importante que a sociedade se mobilize.

Concordo e não concordo, ao mesmo tempo, apoiado no exemplo da Inglaterra.

Sim, é verdade que a sociedade se mobilizou para exigir uma nova regulação na mídia inglesa depois que um tabloide de Murdoch invadiu a caixa postal de uma adolescente sequestrada (e assassinada).

Foi tal a fúria da opinião pública que em uma semana o tabloide estava fechado, e é fato que desde então o poder de Murdoch simplesmente desapareceu no mundo político e econômico da Inglaterra.

Mas no Brasil uma mobilização daquela natureza é impossível — pela manipulação promovida ao longo de décadas pelas grandes empresas de mídia na opinião pública com seu monopólio da voz.

A opinião pública inglesa é forjada por diferentes vozes — Murdoch e seu conservadorismo não estão sozinhos. Para ficar em alguns exemplos, você tem o Guardian, à esquerda. Tem a BBC, ao centro.

Disso resulta uma opinião pública que, ao contrário do Brasil, não é manipulada por um grupo específico.

No Brasil como ele é, é utópico imaginar uma mobilização ao estilo que levou a Inglaterra a rediscutir as regras para a mídia.

Vai ser necessário um ato de vontade do Executivo. E aí, para entender o quadro, você tira os olhos da Inglaterra e passa para a Argentina de Cristina Kirchner.

Por entender que o monopólio do Clarín era um horror para a sociedade, Cristina decidiu enfrentá-lo. As consequências foram as previsíveis. Cristina foi perseguida encarniçadamente pela força multimídia do grupo Clarín.

Mas não se intimidou, não recuou, não se acovardou. A seu modo, agiu como Stanley Baldwin — e, como ele, entrou para a história.

Paulo Nogueira
No DCM
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Ministro do STJ mantém quebra de sigilo de Robson Marinho

Ele
Arnaldo Esteves Lima rechaça reclamação de conselheiro do TCE/SP e de outros 11 investigados do caso Alstom

O ministro Arnaldo Esteves Lima, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), manteve ordem de quebra dos sigilos bancário e fiscal do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo, Robson Marinho, e de outros alvos da investigação do caso Alstom suposto esquema de pagamento de propinas na área de energia do governo paulista, entre 1998 e 2002.

O sigilo de Marinho e de mais 11 investigados foi quebrado em 2010 por decisão da juíza Maria Gabriela Spaolonzi, da 13.ª Vara da Fazenda Pública da Capital, em ação cautelar de exibição movida pelo Ministério Público do Estado.

Contra o afastamento do sigilo fiscal e de contas bancárias de Marinho, seus advogados ingressaram com pedido de liminar em reclamação no STJ sob o argumento de que o conselheiro do TCE detém foro privilegiado perante aquela Corte. A defesa dos demais investigados tomou o mesmo procedimento perante o STJ.

Os advogados de Marinho pediram concessão da medida liminar não somente para sustar a eficácia das tutelas antecipadas concedidas pela juíza Maria Gabriela Spaolonzi como também para suspender o andamento de duas outras ações cautelares, uma delas relativa a sequestro de bens do conselheiro inclusive valores depositados na Suíça que estão bloqueados por ordem da Justiça de Genebra.

Há 10 dias, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, braço do Ministério Público Estadual que investiga improbidade, ingressou com medida cautelar na 13.ª Vara da Fazenda em que pede o imediato afastamento de Marinho de suas funções na Corte de contas. A Justiça deu prazo de 72 horas para o conselheiro se manifestar, a partir de sua citação.

Na reclamação ao STJ, a defesa sustenta que a juíza da 13.ª Vara da Fazenda é “incompetente (para o caso), uma vez que, por se tratar o reclamante (Robson Marinho) de membro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, cabe a este Superior Tribunal de Justiça o processamento e julgamento de ação civil pública por improbidade administrativa”.

Mas o ministro Arnaldo Esteves Lima rechaçou a pretensão da defesa de Marinho. “As liminares têm como objetivo assegurar o resultado útil do processo. É que o lapso temporal de processamento da ação pode causar prejuízo de difícil reparação ou irreparável à parte interessada (Ministério Público do Estado), considerando a possibilidade de êxito na demanda, o que não ocorre na espécie.”

Esteves Lima assinalou que em decisão de 16 de setembro de 2013, ao julgar o agravo regimental 12.514/MT, o ministro relator Ari Pargendler e seus pares votaram à unanimidade “que as ações por improbidade administrativa devem ser processadas e julgadas pelas instâncias ordinárias, ainda que propostas contra agente político detentor de foro por prerrogativa de função”.

O ministro do STJ destacou, ainda que o Plenário do Supremo Tribunal Federal já advertiu que “tratando-se de ação civil por improbidade administrativa (Lei 8.429/92), mostra-se irrelevante, para efeito de definição da competência originária dos Tribunais, que se cuide de ocupante de cargo público ou de titular de mandato eletivo ainda no exercício das respectivas funções, pois a ação civil em questão deverá ser ajuizada perante magistrado de primeiro grau”.

O STF entende que “inexiste foro por prerrogativa de função nas ações de improbidade administrativa”.

Fausto Macedo
No Estadão
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Rappa puxa vaia a Dilma e ganha contrato da Natura, de Leal


Em Ribeirão Preto, depois de chamar legado da Copa do Mundo de "muito escroto", cantor Falcão, do grupo O Rappa, ouve público xingar presidente Dilma Rousseff; "O desabafo é de vocês, é nosso, é de todo mundo", apoiou ele; dois dias depois, a empresa de cosméticos Natura, do empresário Guilherme Leal, anuncia os mesmos Falcão e O Rappa sob contrato para show de lançamento de perfumes; Leal, como se sabe, foi o principal doador financeiro e vice na chapa de Marina Silva à Presidência, em 2010, contra Dilma; oposicionismo turbinado.



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PSDB ganha no 3.º turno. Por causa do Maluf

Perdeu o primeiro turno? Perdeu o segundo turno? Tem sempre a Justiça…


Saiu na fAlha (cuidado com o mau hálito que provém do fel):


Em decisão liminar, o TRE de São Paulo acolheu denuncia da Procuradoria Eleitoral do Estado contra as caravanas “Horizonte Paulista” do Alexandre Padilha, que vem aí de jaleco branco.

Foi uma decisão provisória do tipo “perigo de gol”.

Da qual, é claro, o PT de São Paulo vai recorrer e, certamente, ganhar, pois se trata de um absurdo: impedir um encontro com lideranças regionais, um bate-papo numa escola, numa associação, num sindicato.

Na verdade, Padilha já rodou o Estado todo, só falta a região de São José dos Campos.

E, no ABC, de prefeitos petistas, a caravana vai se revestir da característica de um café com broa de milho.

Ou pinga, se fizer muito frio.

A menos que a Procuradoria determine que Padilha fique trancado em casa.

O que é bem possível, diante da conhecida tática conservadora, tucana: ganhar a eleição no terceiro turno, como exigiu da Ministra Laurita do STJ, mandar tirar do ar aquele notável vídeo do PT que ensandeceu a Direita.

Por que esse terceiro turno tucano, agora ?
Por coincidência, dias antes da extravagante decisão do TRE de São Paulo, um emissário tucano de grossas penas esteve na casa de Paulo Maluf até a madrugada.

Foi convencê-lo a não apoiar Padilha.

O PP de São Paulo tem 1′18” de tempo de horário eleitoral gratuito.

O emissário saiu de lá convencido de que Maluf ia recuar.

Ia aderir ao Alckmin.

Quando, no PiG, Maluf voltaria a ser como nos tempos do FHC: tão casto e puro quanto o Cerra.

Mas, Maluf não recuou.

Quando os tucanos viram que Maluf tinha aderido ao PT, a Padilha, foram fazer as contas.

Neste momento, com o apoio do PC do B e do PP, Padilha terá 40” a mais que Alckmin no horário eleitoral.

Mesmo que o DEMO e o Pauzinho do Dantas estejam com o Alckmin.

Isso nunca aconteceu numa eleição em São Paulo.

O candidato do PT ter mais tempo que o tucano.

Padilha vai ter muito tempo para Lula, Dilma, Dilma, Lula…

Para muita Cantareira.

Pinheirinho.

Para muito FHC – clique aqui para ver o que o Padilha vai usar na campanha: tá com saudade dos fantasmas, olha só como era no Governo do FHC.

O Padilha também vai usar, na ida e na volta: olha só o que o Príncipe da Privataria fez com a transposição do rio São Francisco, promessa de suas duas campanhas.

Assim como a Dilma terá o triplo do tempo da oposição, o horário eleitoral em São Paulo pode ser fatal para os tucanos.

Parte do jogo agora está nas mãos puras e transparentes do Kassab, que controla o PSD.

Mais impuras serão se ele aderir à Dilma e ao Padilha.

A campanha, de fato, começa no dia 15 deste mês de junho, daqui a 13 dias, quando Lula e Dilma vierem a São Paulo tornar oficial a candidatura de Padilha.

Que comparecerá à cerimônia vestido de jaleco branco e um boné do Mais Médicos.

Em tempo: o amigo navegante sabe como funciona o 3.o turno, não ? É assim. Eles perdem no primeiro turno. Ou no segundo turno.Todas as tentativas de Golpe com a Globo deram errado. Aí, vão para a Justiça ganhar no Terceiro Turno. Pode ser no TSE, nos TREs, no Supremo… Tanto faz. Desde que um trabalhista não chegue ao poder.

Paulo Henrique Amorim
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Joaquim Barbosa, guerreiro de Ogum


Coube ao Globo, em duas matérias ontológicas, “explicar” a aposentadoria de Joaquim Barbosa, o personagem que ajudou a criar e cuja história precisava de um desfecho menos decepcionante.

A primeira é uma tentativa de vitimizar JB. Aplicando a técnica do jornalismo declaratório, mas sem dar crédito a quem teria criado a teoria (vale lembrar a reportagem sobre o contínuo do advogado que falou com alguém que ouviu de uma pessoa que Marcelo Freixo alguma coisa), a saída de Barbosa foi “precipitada pelas ameaças que ele vem sofrendo”.

“Ele estava cansado, quer viver a vida. Estava muito patrulhado, se sentia agredido com palavras, com provocações. Me disse: ‘Tô precisando viver’”, teria dito um amigo, cuja impressão virou fato.

A conclusão é que Barbosa teria vazado por medo. Se o presidente do STF prefere sair correndo diante de “ameaças” no Facebook, o que seria de você diante dessas circunstâncias? Para que serve o sistema judiciário? Ao tentar transformar Barbosa numa vítima, a história o retrata como um covarde. Mas a coisa não termina aí.

De acordo com o Globo, Joaquim Barbosa foi embora porque é filho de Ogum. “A mitologia dos orixás conta que Ogum ajudou na criação do mundo com instrumentos de ferro, que abriram caminhos e viabilizaram a agricultura. Como recompensa, lhe foi oferecida a coroa de Ifé”, diz um artigo. “Ogum recusou o reino. Em vez de ter súditos, preferia caçar e guerrear. Foi, então, viver sozinho, a caminhar pelas estradas”.

“É guerreiro incansável Joaquim Barbosa. O combate o alimenta”. “Joca”, de acordo com o texto, já havia contado aos mais próximos (?!?) que não ficaria mais tempo no Supremo. “Poderia ganhar mais uma batalha. Ou perder. Preferiu sair de cena. E confirmar o mito do orixá que não esquenta lugar. Ogum segue adiante, para caçar e guerrear em outras bandas. E onde chegar, é certo, demanda haverá”.

Desde o juiz carioca que afirmou, numa sentença, que manifestações religiosas afro-brasileiras não são religiões se prestou um serviço tão caro contra a umbanda e o candomblé.

Enquanto não faz as malas, o CNJ, ainda presidido por JB, continua em campanha. Uma questão foi postada nas redes sociais oficiais da entidade: “Seu mandato como presidente da Corte terminaria em novembro próximo. Na sua opinião, qual o maior destaque na atuação do ministro?”

A personalização da gestão de Joaquim Barbosa está ali, cristalizada. Talvez os autores da enquete não esperassem a intensidade da reação contrária, mas a resposta “a aposentadoria” foi a mais gentil para esse guerreiro de Ogum.

Kiko Nogueira
No DCM
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A Junta de Kiev é claramente um governo NEONAZISTA...

Usam a saudação NAZISTA...
ELES sabem o que são?
 
NÓS sabemos o que eles são?
 
Há “ultraconservadores” no governo de Kiev, mas “eles não são neonazistas”. De acordo com o jornal New York Times, isso não passa de propaganda russa.
 
No entanto, a mídia alternativa reconhece que existe uma “coalizão livre de centro-direita” integrada por dois partidos neonazistas (Svoboda e Pravy Sektor), “mas não é um governo neonazista”. Acontece que tanto o Svoboda quanto o Pravy Sektor (Setor Direita) exibem emblemas NAZISTAS.
 
Trata-se de uma mera coalizão livre? Se um governo exibe emblemas nazistas, não existe aí uma sugestão de que esse governo se comprometeu com a ideologia nazista?
 
A partir do momento em que o regime de Kiev exibe “oficialmente” emblemas nazistas como forma de identificação de entidades de seu aparato de segurança nacional e militar que operam normalmente, assume que é um governo neonazista.
 
Vemos a seguir o emblema NAZISTA da Guarda Nacional  (Національна  гвардія  України) que se define como Reserva das Forças Armadas da Ucrânia. Opera sob a jurisdição do Ministério de Administração Interna. A Guarda Nacional faz parte das “tropas internas da Ucrânia”. Seu símbolo é uma suástica estilizada (veja abaixo).
Usam apliques NAZISTAS estilizados...

O mais importante de tudo é que a Guarda Nacional está sendo diretamente financiada pela administração Obama. Para dizer de outra forma, o governo dos Estados Unidos está apoiando e financiando uma entidade claramente NEONAZISTA.

As imagens abaixo dizem tudo.

O Batalhão de Azov (Батальйон Азов) que exibe o emblema da SS nazista é descrito pela Junta de Kiev como sendo “um batalhão de voluntários para a defesa territorial”. Está sob a jurisdição do Ministério de Assuntos Internos e compõe a Guarda Nacional. Oficialmente baseado em Berdyank, no Mar de Azov, teve como escopo quando de sua formação pela Junta de Kiev, o combate contra a insurgência no leste e sul da Ucrânia. Tudo igualmente financiado pelo governo dos EUA.

Usam emblemas NAZISTAS...

  • Estas milícias que utilizam-se do emblema nazista são patrocinadas pelo Ministério de Assuntos Internos da Ucrânia (Junta de Kiev) equivalente ao Departamento de Segurança Interna dos EUA.
  • Eles se autorreferem como “Combatentes da Liberdade”.
  • Tudo por uma boa causa. “Democracia é o objetivo”.
  • Nas palavras do jornal NYTimes, “Os EUA e a União Europeia encamparam a revolução (na Ucrânia) outro florescimento da democracia, afastando o autoritarismo e a cleptocracia do antigo espaço soviético” (1/3/2014).
  • Nem é preciso dizer que o “patrocínio” da formação do governo neonazista na Ucrânia comprometem a Casa Branca, o Departamento de Estado e o Congresso dos EUA com “tendências fascistas”.
A seguir várias fotos do Batalhão de Azov (neonazista) que se dizem “Combatentes da Liberdade”:

No Redecastorphoto
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Por que Snowden é “o criminoso mais procurado do mundo”

Ele
Nos últimos vários meses, recebemos lições instrutivas sobre a natureza do poder do Estado e as forças que conduzem a política de Estado. E sobre uma questão intimamente relacionada: o sutil e diferenciado conceito de transparência.

A fonte da instrução, é claro, é o grande número de documentos sobre o sistema de vigilância da Agência Nacional de Segurança divulgados pelo corajoso combatente da liberdade Edward Snowden, peritamente resumidos e analisados por seu colaborador Glenn Greenwald em seu novo livro, “Sem Lugar para se Esconder”.

Os documentos revelam um projeto notável de expor ao escrutínio do Estado informação vital sobre cada pessoa que caia nas garras do colosso – em princípio, todas as pessoas ligadas à sociedade eletrônica moderna.

Nada tão ambicioso foi imaginado pelos profetas distópicos de tristes mundos totalitários do futuro.

Não é de pequena importância o fato de o projeto estar sendo executado em um dos países mais livres do mundo, e em radical violação da Carta de Direitos da Constituição dos EUA, que protege os cidadãos de “buscas e revistas irracionais” e garante a privacidade de suas “pessoas, casas, papéis e objetos”.

Por mais que os advogados do governo tentem, não há como reconciliar esses princípios com o assalto à população revelado nos documentos de Snowden.

Também é bom lembrar que a defesa do direito fundamental à privacidade ajudou a iniciar a Revolução Americana. No século 18, o tirano era o governo britânico, que alegava o direito de se intrometer livremente nas casas e nas vidas pessoais dos colonos americanos. Hoje é o próprio governo dos cidadãos americanos que se arroga essa autoridade.

A Grã-Bretanha mantém a posição que levou os colonos à rebelião, embora em escala mais restrita, conforme as mudanças do poder nos assuntos mundiais. O governo britânico pediu que a ANS “analise e retenha o número de telefone celular e fax, e-mails e endereços IP de qualquer cidadão britânico varrido por sua rede”, relata o jornal “The Guardian”, trabalhando a partir de documentos fornecidos por Snowden.

Os cidadãos britânicos (como outros clientes internacionais) sem dúvida também ficarão felizes ao saber que a ANS habitualmente recebe ou intercepta roteadores, servidores e outros dispositivos de redes de computador exportados dos EUA, de modo que possa implantar instrumentos de vigilância, como relata Greenwald em seu livro.

Enquanto o colosso realiza suas visões, em princípio cada toque no teclado poderia ser enviado para os enormes e crescentes bancos de dados do presidente Obama em Utah.

De outras maneiras, também, o advogado constitucional que está na Casa Branca parece decidido a demolir as fundações de nossas liberdades civis. O princípio da presunção de inocência, que data da Magna Carta, há 800 anos, há muito tempo foi relegado ao esquecimento.

Recentemente, o jornal “The New York Times” relatou a “angústia” de um juiz federal que teve de decidir se permitiria a alimentação à força de um prisioneiro sírio que está em greve de fome em protesto contra sua prisão.

Nenhuma “angústia” foi manifestada sobre o fato de que ele está detido sem julgamento há 12 anos em Guantánamo, uma das muitas vítimas do líder do mundo livre, que reivindica o direito de manter prisioneiros sem acusações e submetê-los a torturas.

Essas denúncias nos levam a inquirir sobre a política de Estado de modo mais geral e os fatores que a conduzem. A versão padronizada recebida é de que o objetivo básico da política é a segurança e a defesa contra inimigos.

A doutrina ao mesmo tempo sugere algumas perguntas: segurança de quem, e defesa contra que inimigos? As respostas são esclarecidas de forma dramática pelas revelações de Snowden.

A política deve garantir a segurança da autoridade do Estado e as concentrações de poder interno, defendendo-as de um inimigo assustador: a população doméstica, que pode se tornar um grande perigo se não for controlada.

Há muito tempo se entende que a informação sobre o inimigo dá uma contribuição crítica para o seu controle. Nesse sentido, Obama tem uma série de antecessores distintos, embora as contribuições dele tenham alcançado níveis inéditos, como soubemos pelo trabalho de Snowden, Greenwald e alguns outros.

Para defender o poder do Estado e o poder econômico privado do inimigo interno, essas duas entidades devem se esconder – mas, em forte contraste, o inimigo deve ser totalmente exposto à autoridade do Estado.

O princípio foi claramente explicado pelo intelectual de políticas Samuel P. Huntington, que nos instruiu que “o poder permanece forte quando ele permanece no escuro; exposto à luz do sol, ele começa a evaporar”.

Huntington acrescentou uma ilustração crucial. Em suas palavras, “você pode ter de vender [intervenção ou outra ação militar] de maneira a criar a impressão enganosa de que é a União Soviética que você está combatendo. É o que os EUA vêm fazendo desde a Doutrina Truman”, no início da Guerra Fria.

A percepção de Huntington do poder e das políticas de Estado foi ao mesmo tempo precisa e presciente. Quando ele escreveu essas palavras, em 1981, o governo Reagan estava lançando sua guerra ao terror – que rapidamente se tornou uma guerra terrorista assassina e brutal, principalmente na América Central, mas estendendo-se muito além, para o sul da África, a Ásia e o Oriente Médio.

A partir daquele dia, para praticar violência e subversão no exterior, ou repressão e violação dos direitos fundamentais em casa, o poder do Estado regularmente tentou dar a falsa impressão de que são os terroristas que estamos combatendo, embora haja outras opções: chefões da droga, líderes religiosos islâmicos loucos que buscam armas nucleares e outros monstros que estariam tentando nos atacar e destruir.

O tempo todo permanece o princípio básico: o poder não deve ser exposto à luz do sol. Edward Snowden tornou-se o criminoso mais procurado do mundo por não compreender essa máxima essencial.

Em suma, deve haver completa transparência da população, mas nenhuma para os poderes que precisam se defender desse temível inimigo interno.

Noam Chomsky
Do truthout
No DCM
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Slavoj Žižek: A utopia de Piketty


Le Capital au XXIe siècle, é um livro essencialmente utópico. Por que? Por conta de sua modéstia. Thomas Piketty percebe a tendência inerente do capitalismo à desigualdade social, de tal forma que a ameaça à democracia parte do interior da própria dinâmica capitalista. Até aí tudo bem, estamos de acordo. Ele vê o único ponto luminoso da história do capitalismo entre as décadas de 30 e de 60, quando essa tendência à desigualdade era controlada, com um Estado mais forte, Welfare State etc. Mas reconhece ainda que as condições para isso foram — e eis a trágica lição do livro — Holocausto, Segunda Guerra Mundial e crise. É como se estivesse implicitamente sugerindo que nossa única solução viria com uma nova guerra mundial, ou algo assim!

Mas por que digo que ele é utópico? De certa forma ele não está errado. A tentativa de superação do capitalismo no século XX de fato não funcionou. O problema é que ele então acaba implicitamente generalizando isso. Piketty aceita, como um bom keynesiano, que o capitalismo é, ao fim e ao cabo, o único jogo na praça; que todas as alternativas a ele acabaram em fiasco, e que portanto temos de preservá-lo. Ele é quase que uma versão social-democrata do Peter Mandelson, o príncipe escuro de Tony Blair que disse que na economia somos todos thatcheritas, e que tudo que podemos fazer é intervir no nível da distribuição, um pouco mais para a saúde, para a educação e assim por diante.

Thomas Piketty é utópico porque ele simplesmente propõe que o modo de produção permaneça o mesmo: vamos só mudar a distribuição implementando — e não há nada de muito original nessa ideia — impostos radicalmente mais altos.

Aqui começam os problemas. Veja, não digo que não devemos fazer isso, só insisto que fazer apenas isso não é possível. Essa é a utopia dele: que basicamente podemos ter o capitalismo de hoje, que como maquinaria permaneceria basicamente inalterado: “opa opa, quando você lucra bilhões, aqui estou eu, imposto, me dê 80% de sua fatura”. Não acho que isso seja factível. Imagine um governo fazendo isso em nível mundial. E Piketty está ciente que isso deve ser feito globalmente, porque se fizer em um só país, o capital se desloca para outro lugar e assim por diante. Meu ponto é que se você conseguir imaginar uma organização mundial em que a medida proposta por Piketty pode efetivamente ser realizada, então os problemas já estão resolvidos. Então você já tem uma reorganização política total, você já tem um poder global que pode efetivamente controlar o capital. Ou seja: nós já vencemos!

Então acho que nesse sentido Piketty trapaça nas cartas: o verdadeiro problema é o de criar as condições para que sua medida aparentemente modesta seja atualizada. E é por isso que, volto a dizer, não sou contra ele, ótimo, vamos cobrar 80% de imposto dos capitalistas. O que estou dizendo é que se você fosse fazer isso, logo se daria conta de que isso levaria a mudanças subsequentes. Digo que é uma verdadeira utopia — e isso é o que Hegel queria dizer com pensamento abstrato: imaginar que você pode tomar uma medida apenas e nada mais muda. É claro que seria ótimo ter o capitalismo de hoje, com todas suas dinâmicas, e só mudar ele no nível da redistribuição — mas isso é que é utópico. Não se pode fazer isso pois uma mudança na redistribuição afetaria o modo de produção, e consequentemente a própria economia capitalista. Às vezes a utopia não é anti-pragmática. Às vezes ser falsamente modesto, ser um realista, é a maior utopia.

É como — e perdoem-me o paralelo esdrúxulo — um certo simpatizante nazista que disse basicamente: “Ok, Hitler está certo, a comunidade orgânica e tal, mas porque ele não se livra logo desse asqueroso antissemitismo”. E houve uma forte tendência, inclusive dentre os judeus — e isso é realmente uma história curiosa —, houve uma minoria de judeus conservadores que inclusive se dirigiam a Hitler dessa maneira: “Pôxa, concordamos com você, unidade nacional e tal, mas por que você nos odeia tanto, queremos estar com você!” Isso é pensamento utópico. E é aqui que entra o velho conceito marxista de totalidade. Tudo muda se você abordar os fenômenos com a perspectiva da totalidade.

Slavoj Žižek
Extraído da conferência “Towards a Materialist Theory of Subjectivity“, no Birbeck Institute for the Humanities. A tradução é de Artur Renzo, para oBlog da Boitempo.
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Goianos fazem homenagem à Rede Globo na chegada da seleção brasileira


Goianos protestam contra a Rede Globo na chegada da Seleção.
Na noite deste domingo, dia 1º de junho, o povo goiano hostilizou a presença dos profissionais da emissora na chegada da Seleção Brasileira.

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A entrevista com Edward Snowden

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Britânicos ensinaram 'tortura psicológica' a militares brasileiros na ditadura

Depoimento de Paulo Malhães à integrante da Comissão da Verdade revelou participação britânica
Documentos e depoimentos obtidos com exclusividade pela BBC revelam um lado pouco conhecido da ditadura militar brasileira — a de que autoridades da Grã-Bretanha colaboraram com generais brasileiros — inclusive ensinando técnicas "avançadas" de interrogação equivalentes a tortura.

Alvaro Caldas pertencia a um grupo comunista quando foi preso em 1970. Ele passou dois anos preso dentro de um quartel da polícia militar no Rio de Janeiro.

Ele foi submetido a espancamentos, choques e pendurado no "pau de arara" — amarrado de cabeça para baixo por horas.

Ao ser solto, ele desistiu da política e passou a se dedicar ao jornalismo esportivo. Em 1973, voltou a ser preso. Caldas foi levado ao mesmo prédio, mas tudo estava diferente por lá.

"Desta vez, a cela estava limpa e esterilizada, com um cheiro nauseante. O ar condicionado era muito frio. A luz estava permanentemente acesa, então eu não tinha ideia se era dia ou noite. Eles alternavam sons muito altos e depois muito baixos. Eu não conseguia dormir de jeito nenhum."

Alvaro conta que a sensação avassaladora que sentia era medo. De tempos em tempos, alguns oficiais entravam na cela, o encapuzavam e levavam para interrogações. Ele sentia que o objetivo era desestabilizá-lo, fazendo-o confessar algum crime que não havia cometido.

Isso não era tortura física, mas sim uma pressão psicológica intensa.

"Por sorte, só passei uma semana lá. Se tivesse ficado duas semanas ou um mês, teria enlouquecido."

'Sistema inglês'


Esta nova técnica de interrogação ficou conhecida como "sistema inglês". Depoimentos coletados pela Comissão Nacional da Verdade — criada pelo governo para investigar episódios ocorridos durante a Ditadura Militar — explicam o porquê.

Nas mais de 20 horas de seu depoimento, o coronel Paulo Malhães – um dos mais temidos torturadores e que morreu poucos dias depois – ganhou destaque nacional ao confessar ter torturado e mutilado diversas vítimas.

Malhães expressou grande admiração pela tortura psicológica que, para ele, era muito mais eficiente do que a força bruta, especialmente quando a tentativa era de transformar militantes de esquerda em agentes infiltrados.

"Naquelas prisões com portas fechadas, você podia mudar a temperatura, a luz, tudo dentro da prisão. A ideia veio da Inglaterra", disse ele.

 
Prédio da PM no Rio. Foto: BBC
Celas no quartel-general da polícia do Rio foram modificadas para abrigar novas técnicas
Ele admitiu, em conversa em privado com a advogada e integrante da Comissão da Verdade do Rio, Nadine Borges, que viajou à Inglaterra para aprender técnicas de interrogação que não deixavam marcas físicas. Borges relatou detalhes de sua conversa com Malhães à BBC.
"A melhor coisa para ele era a tortura psicológica. Ele também esteve em outros lugares, mas disse que a Inglaterra foi o melhor lugar para aprender."
'Melhor escola'
 
O professor Gláucio Soares entrevistou vários generais nos anos 1990. Muitos contaram que enviaram militares à Alemanha, França, Panamá e Estados Unidos para aprender sobre interrogatórios, mas todos elogiaram a Grã-Bretanha como o melhor lugar de aprendizado.

O general Ivan de Souza Mendes teria dito a Soares: "Os americanos também ensinam, mas os ingleses é que são os mestres em ensinar como arrancar confissões sob pressão, por tortura, de todas as formas. A Inglaterra é o modelo de democracia. Eles dão cursos aos seus amigos".
O general Fiuza de Castro disse que os britânicos recomendam deixar os prisioneiros nus antes de interrogá-los, para deixá-los angustiados e deprimidos – um estado que favorece o interrogador.
As técnicas teriam sido criadas nos anos 1960 em territórios britânicos na Ásia e aperfeiçoadas contra militantes na Irlanda do Norte.
O método ficou consagrado em inglês como "Five Techniques", ou "Cinco Técnicas":
  • Manter a pessoa de pé contra uma parede por muitas horas
  • Encapuzar
  • Sujeitar a grandes barulhos
  • Impedir o sono
  • Pouca comida e água
Muitos dizem que essas técnicas equivalem à tortura. Em 1972, elas foram oficialmente proibidas pelo premiê Edward Heath, depois que o público tomou conhecimento que eram usadas contra os militantes irlandeses do IRA.
Mas no Brasil, os métodos de interrogatório psicológico seguiram adiante, atendendo as necessidades dos militares. O péssimo histórico de direitos humanos do Brasil estava começando a atrair publicidade negativa no mundo. Um método que não deixava marcas físicas era considerado perfeito pelos militares para extrair informações.
Desaparecidos
Comissão da Verdade quer saber o que aconteceu com a longa lista de desaparecidos
Aparentemente, não só os militares brasileiros foram à Grã-Bretanha, mas o inverso também aconteceu. O ex-policial Claudio Guerra disse que agentes britânicos deram cursos no quartel-general da polícia militar sobre como seguir pessoas, grampear telefones e usar as celas isoladas.
Guerra disse que viu esses agentes britânicos nas ocasiões em que visitou o quartel-general para recolher corpos de vítimas que sofreram com os métodos antigos.
Correspondências
 
Há mais pistas sobre a relação entre militares britânicos e brasileiros no prédio dos Arquivos Nacionais, na região londrina de Kew.
Em agosto de 1972, o então embaixador britânico no Brasil, David Hunt, escreveu uma carta secreta a uma autoridade com referência aos métodos mais sofisticados usados pelos brasileiros.
Ele escreveu: "Como você sabe, eu acho, eles (os militares brasileiros) foram influenciados por sugestões e conselhos emitidos por nós; mas esta conexão não existe mais... É importante que o conhecimento deste fato fique restrito."
Na véspera de uma visita do então presidente Ernesto Geisel à Grã-Bretanha, em 1976, havia uma referência indireta à uma "reforma da tortura". Uma das cartas fala de "padrões aceitáveis de interrogatório (por exemplo, o que é permitido na Irlanda do Norte)".
 
Um documento intitulado "Tortura no Brasil" classificado como "confidencial" fala da péssima publicidade que o Exército brasileiro estava recebendo mundialmente, e de como foram adotadas novas técnicas baseadas em métodos psicológicos.
"O Primeiro Batalhão do Rio estaria usando agora as novas técnicas, cuja introdução foi descrita por um comandante do Exército como uma página tirada da cartilha britânica."
A correspondência do ministério britânico das Relações Exteriores deixa claro que interesses comerciais eram de suma relevância e que o péssimo histórico de direitos humanos do Brasil era subestimado.
Alan Munro, que foi cônsul geral britânico no Rio nos anos 1970, disse que, pessoalmente, não tinha conhecimento da colaboração dos militares britânicos.
"Se os brasileiros estavam procurando técnicas de interrogatório usadas por autoridades britânicas, o melhor exemplo vinha dos primeiros anos da Irlanda do Norte. Isso teria sido aprendido por inciativa dos brasileiros, e no sentido de reduzir as práticas mais crueis, isso teria sido um passo no caminho certo", diz Munro.
Mas os brasileiros não veem isso como "um passo no caminho certo".
O diretor da Comissão da Verdade do Rio, Wadih Damous, disse que há anos conhece o envolvimento dos Estados Unidos no treinamento de militares do regime brasileiro, e que ficou indignado ao tomar conhecimento do papel dos britânicos.
"É sempre chocante ouvir que uma democracia que é tão importante, tão consolidada, tão velha, colaborou com a ditadura", disse Damous.
A BBC pediu uma declaração oficial ao ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha. Um porta-voz disse que "não pode fazer comentários sobre administrações passadas", mas que qualquer política atual do governo de colaboração internacional cumpre com exigências de direitos humanos estabelecidas dentro do país.
Emily Buchanan  
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Faustão: não vai ter Copa! ​É Dilma vs Globo!

Sem a Copa, a Globo quebra. Qual é a da Globo? Quebrar a Dilma!​


Saiu no Bol, UOL:

Às vésperas da Copa, Faustão critica incompetência e corrupção no Brasil

Fausto Silva aproveitou a presença do cantor Zeca Pagodinho, o sambista Martinho da Vila e do rapper Marcelo D2 e fez duras críticas a políticos e organizadores da Copa do Mundo, que será realizada entre os dias 12 de junho e 13 de julho no Brasil.

… “País da Copa do Mundo, mas que não conserta enchente, que dá serviço péssimo de saúde, escola de quinta categoria, que não oferece segurança. Esse é o país que quer fazer Copa do Mundo com 17 [12] cidades, mas que não faz nem com 5″, entrou no assunto Fausto Silva, durante o “Domingão”, deste domingo (1).

O apresentador prosseguiu com as críticas, mas pediu uma trégua à população brasileira em relação às manifestações. “O Brasil convidou mais de 600 mil estrangeiros para virem aqui. Nossos problemas temos de resolver entre nós. Passa a Copa do Mundo e depois o pau come de novo para a gente resolver”, desabafou. “Já que vai começar dentro dessa bagunça toda, desses estádios caros, vamos tentar fazer o melhor possível, até porque a minha avó já dizia ‘roupa suja se lava em casa’. Não dá para mostrar para o mundo inteiro que somos o país da corrupção e da incompetência. Muita gente já sabe”, completou Fausto Silva.

(…) “A nossa Copa do Mundo é em outubro, época das Eleições”, decretou.

No Conversa Afiada
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El Rey de Espanha se cala

El monarca asegura que abdicar en su hijo "es el mejor servicio a los españoles"

El rey Juan Carlos I entrega a Rajoy el documento de abdicación.
El rey Juan Carlos ha anunciado hoy su decisión de abdicar del trono tras casi cuatro décadas de reinado y se ha despedido de los españoles reivindicando, especialmente, la transición a la democracia, y pidiendo apoyo para su hijo, el Príncipe, que reinará como Felipe VI.

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Já vai tarde

Alguém poderia citar uma medida da gestão Barbosa que tenha servido ao povo contra os poderosos?

Um desastre. Se considerada à luz dos fatos, essa é a forma de encarar a gestão de Joaquim Barbosa como presidente do Supremo Tribunal Federal.

Para não dar muito na vista, mesmo os que enaltecem esse período destilam críticas laterais ao ministro que vai se aposentar. Tinha temperamento instável, era ríspido com os adversários, não suportava críticas. Fossem esses os problemas da gestão de Barbosa, só teríamos a comemorar.

Mas não é disso que se trata. Sob sua batuta, o Supremo Tribunal Federal cometeu indecências renegadas até por juristas absolutamente insuspeitos de serem de situação ou oposição.

A lista de despautérios é imensa. Algumas: a recusa em adicionar como prova ao processo do mensalão o inquérito 2474, que jogava por terra boa parte das "provas" apresentadas contra os acusados. A admissão, em público, de que ampliou penas artificialmente para prejudicar réus. A aceitação de um julgamento que misturava ao mesmo tempo acusados atingidos pelo chamado foro privilegiado com réus com direito a tramitação em instâncias inferiores ao STF — maiores esclarecimentos com Eduardo Azeredo, do PSDB, símbolo do mensalão mineiro.

A maior das extravagâncias talvez tenha sido a adoção do escândalo jurídico apelidado de domínio do fato.

Primeiro, pela covardia. Se é para condenar alguém pela ação penal 470 porque, se não sabia, deveria saber — traduzindo em miúdos, o sujeito é culpado até que prove sua inocência, o inverso do Direito mais elementar —, o primeiro réu a ser arrolado deveria ser o então presidente Lula. Mas cadê coragem? O Torquemada nacional refugou.

Depois, pelo oportunismo: a transformar-se em jurisprudência, o domínio do fato colocaria na cadeia gente como Silvio Santos (como não sabia que o banco dele tinha um rombo de mais de R$ 4 bilhões?), Fernando Henrique Cardoso (como ignorava que sua reeleição fora comprada a céu aberto, fato registrado em gravações?), empreiteiros de diversos sobrenomes (que história é essa de desconhecer doações milionárias em troca de favorecimento em licitações?) etc. etc.

Tamanhos absurdos são muito mais importantes que o apego midiático demonstrado por Barbosa. A caravana aérea dos condenados na ação penal 470, a insistência em manter José Dirceu trancafiado, as investidas contra José Genoino "tudo isso é apenas cortina de fumaça".

Ao comunicar seu afastamento, Barbosa afirmou: "Esse assunto está completamente superado. Sai da minha vida a ação penal 470 e espero que saia da vida de vocês. Chega desse assunto".

Nada disso, pelo contrário. A melhor coisa que o STF tem a fazer para resgatar alguma credibilidade é realizar a autópsia desse período em que a noção de Justiça foi trocada pela de justiçamento. A propósito: alguém poderia citar numa tacada só uma única medida do Supremo nestes anos de gestão Barbosa que tenha de fato servido ao povo contra os poderosos?

Ricardo Melo
No fAlha
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