1 de jun de 2014

Ignorância e preconceito

Enquanto os partidos políticos de oposição no Brasil pouco têm a dizer aos seus possíveis eleitores, o trabalho sujo de desconstrução das realizações dos governos do PT é realizado pelo conjunto de jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão, que com poucas exceções, se pôs a campo no sentido de diariamente despejar uma série de informações e comentários negativos que o telespectador, o ouvinte e o leitor dificilmente têm condições de confirmar, ou desmentir, o que está sendo difundido.

Mesmo que, para a maioria das pessoas, exista sempre a possibilidade de comparar como era sua vida antes e depois da chegada do PT ao Governo Federal, a insistência na apresentação de problemas, que obviamente ainda persistem, acaba levando os segmentos menos politizados da população a aceitar como verdade aquilo que a mídia divulga.

Uma simples leitura nas páginas reservadas à opinião dos leitores nos jornais e sites de notícias, mostra um predomínio de comentários que repetem aquilo que a mídia pretende ensinar: os políticos são todos iguais; existe uma corrupção generalizada nas instituições públicas; é preciso colocar mais pessoas nas cadeias; até quem sabe, aquilo que a imprensa não diz, mas deixa antever nas entrelinhas, que na época dos militares a vida era melhor.

Um bom exemplo disso, pôde ser lido esta semana nas páginas de Zero Hora. Um dos seus principais articulistas, que, diga-se de passagem, tem um texto de excelente qualidade, David Coimbra, a propósito de comparar esquerda e direita no espectro político brasileiro, acaba igualando o regime militar com os doze anos dos governos petistas.

Deixando de lado (embora essa tenha sido a marca do regime dos generais) o fato de que durante os 20 anos de ditadura, os mais comezinhos aspectos da democracia burguesa formal não foram respeitados e mais do que tudo, os seus opositores eram presos, torturados e mortos, o que sobrou do período ditatorial foi um país quebrado economicamente.

O articulista compara o Plano Nacional de Desenvolvimento de 1975, do general Geisel, com o PAC dos governos de Lula e Dilma. O primeiro fracassou, porque era baseado na tomada de financiamentos externos e levou o Brasil à moratória em 1982.

O segundo, gerou o crescimento acelerado da economia nacional, porque independe de tomada de dinheiro, sempre volúvel, nos mercados externos, e mais do que tudo, tem permitido o crescimento das populações mais pobres do País.

Um dado que a ditadura militar e depois os governos neoliberais do PSDB jamais puderam apresentar, é a capacidade de geração de empregos que faz do Brasil, hoje, um país onde existe praticamente o pleno emprego, ao contrário das economias européias, por exemplo, onde o desemprego não baixa dos dois dígitos.

Outra comparação pouco séria do cronista foi entre os programas habitacionais da ditadura e o atual. Enquanto o BNH, que ele cita em seu texto, voltava-se basicamente para a classe média, capaz de obter os financiamentos administrados pelos bancos, o atual, supervisionado pela Caixa, atinge as populações de baixa renda.

Durante muitos anos as prestações cobradas pelo chamado Sistema Financeiro de Habitação foram inferiores aos aluguéis do mercado dos imóveis financiados pelo próprio sistema. Esta distorção levou muitos investidores das faixas médias e de altas rendas a constituírem um verdadeiro patrimônio imobiliário, especulativo e lucrativo, por meio de financiamentos baratos do SFH.

Importantes recursos do SHF, fortemente subsidiados, foram aplicados na aquisição de imóveis nas praias do Brasil inteiro, enquanto a população mais pobre continuava vivendo em favelas nas grandes cidades.

Outro exemplo de como a realidade pode ser distorcida e os preconceitos sociais apresentados como estilo de vida, pode ser encontrado na edição dominical de Zero Hora. No seu novo formato, o jornal abriu espaço para uma série de pessoas de fora da área jornalística, o que seria um fato louvável, se estes novos articulistas não comungassem — quase sempre — dos mesmos valores e preconceitos dos profissionais do jornal.

Um deles é a diretora de cinema publicitário Flávia Moraes, que ganhou quase uma página inteira no jornal para criticar o chamado “politicamente correto”. Como no caso de David Coimbra, seu texto é de boa qualidade e, em princípio, sua proposta de por a nu a hipocrisia existente em muito dos procedimentos que formam este conceito é bem aceitável, mas, na medida que desenvolve suas frases, ela acaba indo além do politicamente incorreto para chegar ao mais puro preconceito e alienação.

Veja a sua primeira frase: “para começo de conversa, a expressão politicamente correto, no Brasil é quase uma piada de mau gosto. Político e correto definitivamente não combinam por aqui”

Em que político ela estaria pensando? Certamente não é num Olívio Dutra, num Leonel Brizola ou num Getúlio Vargas, para citar apenas políticos de épocas distintas, que sempre se distinguiram pelos seus compromissos com a retidão de princípios e a honestidade.

O preconceito aparece com nitidez quando ela lamenta que sua cidade de veraneio (ela não diz o nome, mas fica óbvio que é Gramado) tenha se transformado num parque temático onde “os moradores são induzidos a engolir um Natal barulhento durante quase três meses sem reclamar”. Mesmo que possamos concordar que a festa realmente tem muito de pieguice, ela deveria levar em conta que são os turistas que permitem os altos investimentos que são feitos na infra-estrutura da cidade.

Tudo isso, porém, seria acessório se não ficasse evidente nas entrelinhas que o que ela lamenta é que a alta burguesia que sempre fez de Gramado seu refúgio, precisa hoje dividir os encantos da cidade com milhares de turistas vindos das regiões mais pobres do País para conhecer as atrações da Serra Gaúcha.

Isso, ela pode colocar na conta do Lula e da Dilma, que melhorando as condições de vida de milhões de brasileiros, permitiram que eles possam viajar em suas férias por todo o país, inclusive de avião. Numa outra parte do seu texto, ela critica a falta de educação de algumas pessoas nosaeroportos, certamente também incomodada com a presença dessa gente estranha nos lugares antes reservado as elites econômicas.

Alienação, preconceito e para finalizar, ignorância sobre o que aconteceu com os brasileiros mais pobres na última década. A frase “quem ainda pode desconfiar do programa que transferiu milhões de brasileiros da miséria absoluta para a quase miséria absoluta? Quem com algum valor moral e cívico pode achar ruim, mesmo quando parece ser um plano maquiavélico de permanência no poder, fantasiado nesse caso não de Papai Noel, mas de paladino da inclusão social?”, além da ironia aparente, revela o desconhecimento e o significado para estes milhões (praticamente 30 milhões de pessoas) que passaram a comer todos os dias e viver com esperanças de melhores dias para eles e suas famílias.

Em outubro, apesar de todo o esforço da mídia, os brasileiros reafirmarão mais uma vez que pretendem avançar e não regredir à uma época que só deixou saudades para uma minoria privilegiada e seus servidores.

Marino Boeira — Formado em História pela UFRGS. Jornalista e publicitário. Ex-professor de disciplinas da área de Comunicação na PUCRS e Unisinos. Publicou três livros de ficção: De Quatro, com outros três autores, Raul, Crime na Madrugada e Tudo que você NÃO deve fazer para ganhar dinheiro na propaganda. É um dos participantes dos livros de memória: Nós e a Legalidade, Salimen, uma história escrita em cores e Porto Alegre é assim.

No Imagem Política
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É preciso fazer uma cesariana para extirpar o excesso de bolo fecal da Veja

E daí que mesmo com mil e quatrocentos trabalhos para fazer, ainda abro a Internet hoje e me deparo com dezenas de links para a coluna do Rodrigo Constantino na Veja, em que ele critica a pesquisa "Nascer no Brasil" da Fiocruz e divaga em delírios persecutórios contra o "comunismo" da instituição. Ao menos devo reconhecer que ele começa bem a coluna declarando que não entende nada do assunto "parto normal versus cesárea". Porém o restante da matéria é completamente disparatado, como vocês podem conferir no link abaixo, que não é da Veja, porque me recuso a dar ibope para essa revista:



Não gosto de atacar pessoas, prefiro o debate (e o embate) de ideias. Mas agora acredito que o colunista da Veja enlouqueceu de vez. Deveria se limitar a falar sobre o que (pretensamente) entende e não seria difícil, há tanto o que se criticar atualmente no Brasil em termos de Economia e Política, para que enveredar no assunto "parto", do qual evidentemente ele não entende bulhufas?

RC, se você quer falar mal do governo do PT, há muitos outros assuntos que pode discutir, mas atacar a pesquisa muito bem feita e reconhecida internacionalmente da FIOCRUZ não foi bacana, cara. Quais são as falhas metodológicas da pesquisa, você consegue apontá-las? A vontade que me dá é sugerir uma cesariana para retirar o excesso de bolo fecal de sua cabeça, mas sabe? Meu libertarianismo me impede de atentar contra a liberdade individual, a liberdade de expressão, e contra o seu direito — inamovível — de despejar achismos sem fundamento a torto e a direito.

É muito fácil afirmar que existe uma "falta de critérios científicos" na pesquisa da FIOCRUZ, sem indicar quais são os problemas e usando como fonte única de crítica a fala de UM representante da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro, sociedade que lamentavelmente apenas tem se destacado nos últimos anos pelo corporativismo, contra outras profissões e ainda defendendo abertamente a cesariana, na contramão de todas as evidências científicas correntemente disponíveis. Por favor, indique os vieses do estudo, os problemas do seu desenho e de sua concepção, fale da análise estatística, coteje com a literatura vigente.

Não sei se você ou o representante da Associação já leram, mas há uma publicação bem recente da "comunistíssima" revista "Birth" corroborando que não há qualquer vantagem em termos de melhora dos desfechos maternos e perinatais quando a taxa de cesárea ultrapassa os 10%-15% preconizados pela OMS.

Searching for the Optimal Rate of Medically Necessary Cesarean Delivery

Outra publicação da "comunista" Organização Mundial de Saúde já demonstrou que cesarianas sem indicação médica definida estão associadas com aumento do risco de complicações adversas em curto prazo, incluindo hemorragia, infecção, necessidade de hemotransfusão, internação em UTI e morte materna:

Caesarean section without medical indications is associated with an increased risk of adverse short-term maternal outcomes: the 2004-2008 WHO Global Survey on Maternal and Perinatal Health

Mais ainda, que história é essa de "comunismo" na FIOCRUZ e de privilégios do movimento feminista? Eu não vejo um! Desde que me entendo por mulher venho assumindo as bandeiras do movimento feminista e em nenhum momento vi essas benesses conferidas pelos órgãos governamentais. Ao contrário, seguimos lutando por questões há muito tempo resolvidas em outros países, como a licença-maternidade de (pelo menos) seis meses, a legalização do aborto, contra a violência de gênero e em prol de uma assistência humanizada durante todo o ciclo grávido-puerperal.

Em um país com 56% de cesarianas, quase 90% nos hospitais da rede privada, como falar que ONG feministas são mais ouvidas em relação ao parto do que as associações científicas de Ginecologia e Obstetrícia? Se ocupamos nosso espaço nas discussões promovidas pela área técnica da Saúde da Mulher no Ministério da Saúde, também existe espaço para as associações e para os conselhos de Medicina, enquanto na prática continuamos acompanhando a escalada vertiginosa das taxas de cesárea, caracterizando o famoso "paradoxo perinatal brasileiro", porque continuamos com uma razão de mortalidade materna (RMM) elevada, com milhares de brasileiras morrendo em decorrência de hipertensão, hemorragia, infecção pós-parto e complicações do aborto inseguro. Em vez de deblaterar contra a pesquisa da FIOCRUZ, por que não estabelecer um diálogo e somar esforços para resolver esses problemas gravíssimos?

Razão de Mortalidade Materna no Brasil 2012-2013
Causas de morte materna no Brasil 2012-2013

Não dá para rotular nem partidarizar esse debate, sabia? Não é de esquerda querer ter parto normal, não é de direita querer cesárea. Há uma boa parte da Direita Conservadora nos EUA a favor do parto normal, assim como a Direita Liberal é em geral favorável ao aborto legalizado, pelo prisma da liberdade individual. Nem tudo faz parte de uma conspiração gayzista-comunista (inventada por vocês, aliás) para dominar o mundo. Nós, mulheres, queremos sim HUMANIZAR o mundo, queremos respeito, lutamos por nossa liberdade e pelo pleno direito a tomar decisões sobre os nossos corpos, o que inclui a decisão de se, quando, como, onde e com quem ter os nossos filhos. Como alguém que se diz liberal, você deveria ao menos considerar que NÃO QUEREMOS A TUTELA DO ESTADO e do patriarcado. O PARTO É NOSSO.

Pode continuar expelindo por via oral o excesso de dejetos fisiológicos que lhe enchem o cérebro, mas pelo amor de deus, ao menos estude antes de colocar tudo isso por escrito para a gente ler, inclusive eu, que participei da pesquisa "Nascer no Brasil" e que de natureba tenho muito pouco ou quase nada, e só posso dizer:
ESTUDA, RODRIGO, ESTUDA!

Melania Amorim
No Blog do Mário
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JB quer a sua opinião sobre JB


Incrível a desfaçatez de Joaquim Barbosa. Ele só pode estar imaginando que ninguém conheça os documentos que ele sozinho ocultou no ainda sigiloso 2474.

O Conselho Nacional de Justiça - CNJ ainda é presidido por ele, Joaquim Barbosa, e o CNJ oficialmente está solicitando opiniões de tod@s sobre ele, com a seguinte pergunta: Na sua opinião, qual o maior destaque na atuação do ministro Joaquim Barbosa?

O blog Megacidadania sugere que façamos um mutirão cívico de comentários por lá no endereço oficial do CNJ onde está a solicitação oficial inusitada.

Aqui mesmo no blog temos os documentos que ele ocultou das defesas e dos demais ministros impedindo a ampla defesa, e o que é pior, impedindo os demais ministros de julgarem com base em laudos, perícias e documentos ardilosamente ocultados.

Para facilitar, quem deseje utilizar estes documentos nos comentários lá no portal do CNJ, seguem os links:











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Além das sugestões dos links acima, aqui mesmo no blog temos diversas outras postagens de outros blogs a disposição de tod@s.

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Agora lascou: Roseana e Ricardo Murad vão ser investigados por desvio de dinheiro

A forma como recursos foram desviados da Secretaria de Estado da Saúde, de 2009 até 2013, que podem chegar a mais de R$ 100 milhões, será minuciosamente investigada pelo Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União e Controladoria Geral da União. Ontem, o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão firmou parceria com o TCU para fornecer as informações necessárias.

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal iniciaram investigações preliminares sobre as ações da pasta da Saúde, notadamente sobre a aplicação do dinheiro na construção de hospitais de 20 e 50 leitos pelo programa Saúde É Vida. Estima-se que já foram gastos perto de R$ 3 bilhões durante todo esse período e dos 72 hospitais prometidos apenas 34 foram entregues.

Na sede da Fiema, o presidente do TCU, ministro Augusto Nardes solicitou ao TCE a parceria, e que os documentos estejam à disposição dos técnicos do seu órgão e da CGU. As primeiras investigações irão começar pelos contratos de obras e convênios feitos pela Secretaria de Saúde, dirigida pelo cunhado da governadora, o deputado licenciado Ricardo Murad.

O papel do TCE é de fundamental importância para desmontar toda a rede de corrupção que sangrou o dinheiro público através de contratos fraudulentos e licitações viciadas e dirigidas.

O blog do Luis Cardoso tomou conhecimento de quem existem até gravações de conversas entre gente graúda da Saúde estadual e empresários do Rio de Janeiro e São Paulo sobre o valor da propina a ser recebida de empresas que prestam serviços ou que vendem equipamento para a pasta comandada por Ricardo Murad. A coisa é feia e exala podridão.

Inauguração do Hospital Geral de Timbiras
Inauguração do Hospital Geral de Timbiras
Em 2011, a jornalista Cláudia Dantas Siqueira, da revista IstoÉ esteve no Maranhão para elaborar uma reportagem bomba que mostrou como funcionou a corrupção com o dinheiro público.

Veja abaixo a matéria da IstoÉ:

Quem percorre o interior do Maranhão se surpreende com a quantidade de esqueletos de grandes obras abandonadas e expostas ao tempo. Várias delas estão em municípios humildes como Marajá do Sena, Matinha e São João do Paraíso. São hospitais públicos inacabados do programa Saúde é Vida, principal bandeira da campanha de reeleição de Roseana Sarney (PMDB). Com apenas 12% do cronograma cumprido desde que foi lançado há dois anos, o projeto já tem um custo superior a R$ 418 milhões e corre o risco de virar mais um imenso monumento à corrupção. Relatório da Procuradoria de Contas maranhense, obtido com exclusividade por ISTOÉ, acusa o governo de fraudar o processo licitatório, pede a devolução de parte dos repasses e a aplicação de multa ao secretário de Saúde, Ricardo Murad, cunhado da governadora. A investigação dos procuradores Jairo Cavalcanti Vieira e Paulo Henrique Araújo, a partir de representação do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Maranhão, revela um cipoal de irregularidades e mostra como o governo beneficiou empreiteiras que depois abasteceram o caixa de campanha do PMDB com mais de R$ 2 milhões.

Os problemas começaram no segundo semestre de 2009, quando o governo de Roseana resolveu lançar o Saúde é Vida. Mesmo sem previsão orçamentária, a governadora conseguiu incluir o programa no Plano Plurianual e entregou sua execução ao cunhado. Murad, alegando urgência, contratou sem licitação a empresa Proenge Engenharia Ltda. para a elaboração dos projetos básico e executivo. Os procuradores descobriram que, na verdade, o projeto básico já tinha sido elaborado por técnicos da própria Secretaria de Saúde. A mesma Proenge venceu, logo depois, um dos lotes da concorrência 301/2009 para a construção de 64 hospitais de 20 leitos. O edital da obra indicava que as empreiteiras vencedoras deveriam elaborar o projeto executivo dos hospitais. Ou seja, a empreiteira acabou recebendo duas vezes para prestar o mesmo serviço. No total, a Proenge recebeu R$ 14,5 milhões. Para os procuradores do TCE maranhense, que questionam o caráter emergencial da contratação, “os valores pagos à empresa Proenge constituem lesão ao erário e devem ser objeto de ressarcimento”. Eles calcularam em R$ 3,6 milhões o total que deve ser devolvido.

As ilegalidades não param aí. A construção dos hospitais de 20 leitos foi dividida em seis lotes, mas três deles simplesmente não entraram na licitação. Foram entregues a três empreiteiras diferentes: Lastro Engenharia, Dimensão Engenharia e JNS Canaã, que receberam quase R$ 64 milhões em repasses e nem sequer construíram um hospital. A JNS Canaã é um caso ainda mais nebuloso. Os procuradores afirmam que a empreiteira, filial do grupo JNS, teve seu ato constitutivo arquivado na Junta Comercial do Maranhão em 24 de novembro de 2009, dias antes de fechar contrato com o governo. A primeira ordem bancária em nome da JNS saiu apenas quatro meses depois, em 16 de abril de 2010. Sozinha, a empresa recebeu R$ 9 milhões, não concluiu nenhum dos 11 hospitais e teve seu contrato rescindido por Murad. Antes, porém, a mesma JNS doou R$ 700 mil para a campanha de Roseana, por meio de duas transferências bancárias, uma de R$ 450 mil para a direção estadual do PMDB e outra de R$ 300 mil para o Comitê Financeiro, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.

A Dimensão Engenharia e Construção Ltda., outra das contratadas sem licitação, foi ainda mais generosa ao injetar R$ 900 mil no caixa do partido durante a eleição. A Lastro Engenharia, por sua vez, repassou aos cofres peemedebistas mais R$ 300 mil. A empresa conseguiu dois contratos com dispensa de licitação: a reforma do Hospital Pam-Diamante, em São Luís, e a construção de hospitais de 20 leitos. Além disso, foi uma das vencedoras da disputa (licitação número 302/2009) para erguer unidades de saúde com 50 leitos. Esses contratos foram aditivados em 25% (o limite legal previsto pela legislação). Ao todo, a empreiteira faturou R$ 58 milhões. O uso do limite para elevar o valor dos contratos foi utilizado também por outra construtora, a Ires Engenharia, o que alertou os procuradores do TCE. “Chama a atenção o fato de o valor acrescido aos contratos coincidir até nos centavos com o valor limítrofe previsto em lei. A impressão que se tem é que ou o valor originariamente contratado foi equivocado ou os aditivos foram firmados sem critério estritamente técnico”, escreveram no relatório.

Hospital Pan Diamante em São Luís nunca foi entregue
Hospital Pan Diamante em São Luís nunca foi entregue
Para o deputado Domingos Dutra (PT), os problemas no programa Saúde é Vida vão além do anotado pelos procuradores. Um levantamento das ordens bancárias de 2010 mostra uma série de repasses redondos que, segundo Dutra, “indicariam a prática de caixa 2 para abastecer a campanha de Roseana.” A Dimensão Engenharia, por exemplo, recebeu R$ 1 milhão em 19 de julho. Três dias antes, a empreiteira Console apresentou fatura de R$ 2 milhões. No mesmo dia, o governo pagou mais R$ 1 milhão à Geotec e R$ 1,5 milhão à Guterres, que no dia 22 recebeu mais R$ 500 mil. A JNS teve três repasses redondos: R$ 300 mil e R$ 50 mil em 16 de abril e R$ 1,5 milhão em 16 de julho. A Lastro teve um repasse de R$ 1,5 milhão; a Proenge, dois repasses de R$ 600 mil e R$ 300 mil; e a Ires Engenharia, um pagamento de R$ 1 milhão. “Nenhuma empresa emite nota fiscal pela prestação de serviços com números redondos”, afirma Dutra. “Geralmente são valores fracionados, até em centavos, como vemos nas dezenas de outras ordens de pagamento.” O parlamentar encaminhou petição ao Ministério Público Federal e à Controladoria-Geral da União.

Roseana e RIcardo deixam obras paradas em diversas cidades do interior
Roseana e Ricardo deixam obras paradas
em diversas cidades do interior
Além dos indícios de corrupção e do uso das obras para angariar dividendos políticos, o deputado federal Ribamar Alves (PSB) ataca a concepção do Saúde é Vida, que, segundo ele, contraria determinações do próprio Ministério da Saúde sobre a construção de hospitais em cidades com menos de 30 mil habitantes. “Essas prefeituras não têm dinheiro para a manutenção desses hospitais nem médicos suficientes ou demanda”, afirma. Ele estima em R$ 500 mil o custo mensal para a manutenção dessas unidades, valor acima da soma dos repasses do Fundeb, do SUS e do Fundo de Participação dos Municípios. “Sem gente nem dinheiro, esses hospitais vão se transformar em imensos elefantes brancos”, diz Alves. O parlamentar lembra que a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara aprovou requerimento do deputado Osmar Terra (PMDB/RS) para convidar Murad a prestar esclarecimentos sobre o programa e outros problemas na área da saúde. “Ele tem muito o que explicar”, afirma. Procurado por ISTOÉ, o secretário de Saúde do Maranhão não se manifestou até o fechamento da edição.

Do Blog do Luís Cardoso
No Blog do Mário
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Barbara Gancia: Por que Joaquim Barbosa está se aposentando?


PERGUNTA: Por que Joaquim Barbosa está se aposentando?

RESPOSTA: Pelo acumulado de equívocos escandalosos. Desde 2007, venho afirmando (para ninguém ouvir) em minha coluna que o tempo iria provar que a Ação Penal 470 foi conduzida de maneira intencionalmente perversa, autoritária e populista, e que o processo como um todo é um acúmulo de sentenças estapafúrdias que não irão se sustentar no tempo.

Joaquim Barbosa está saindo porque seu modo de fazer "justiçamento" caseiro, seu amadorismo que desdenha a letra da Lei, sua atuação voltada para a plateia (em desrespeito ao cargo para o qual foi eleito), que tanto agrada aos "linchadores do processo penal", expirou a data de validade.

Leia a coluna de Janio de Freitas de hoje.

Barbara Gancia
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Bomba! O relatorio de 2014 da empresa de Joaquim Barbosa!

Folha e Correio Braziliense deram a notícia, após semanas correndo na blogosfera. O Globo escondeu.
Os brasileiros que se limitam a se informar pela grande mídia ainda não sabem que Joaquim Barbosa, presidente do STF, comprou um apartamento em Miami usando uma “corporation”, aberta em seu nome. E que usou um apartamento funcional como endereço sede da empresa.

No ano passado, essa denúncia correu nas redes sociais, a partir de blogs, inclusive no Cafezinho, um dos primeiros a divulgar os documentos de Barbosa em cartórios de Miami. O Globo não deu nada. Hoje o Globo diz que Barbosa renunciou porque recebeu um telefonema no qual uma voz diz a ele “que sua hora está chegando”.

Nada disso. Barbosa renunciou porque fez uma besteira atrás da outra. A mídia tentou blindar ao máximo, mas felizmente temos a blogosfera.

Pois bem, temos uma novidade. Mesmo depois de tantas denúncias, Barbosa não atualizou o endereço da Assas JB Corporation. O relatório de 2014 mostra que o endereço do apartamento funcional continua lá, firme e forte.

Antes, uma interpretação amiga poderia até considerar que Barbosa usou o endereço de um apartamento funcional como sede de sua “empresa” criada em Miami por um descuido. Agora não há mais essa desculpa. Barbosa foi negligente e continua sendo. Agora é quase um desafio à lei. Ele pode tudo.

Confira neste link, o relatório anual da Assas JB Corp para 2014, divulgado ao final de abril.

Detalhe, ele ainda é presidente do STF e ministro. O uso de um apartamento funcional para fins empresariais ainda é ilegal, portanto.

No O Cafezinho
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O jornalista que inventou a manchete: o gênio atormentado de Joseph Pulitzer

Pulitzer, retratado pelo grande pintor John Singer
Sargent em 1909, dois anos antes de sua morte
Ao longo da história, qual foi o jornalista mais inovador?

Uma resposta boa para essa pergunta é Joseph Pulitzer, alemão de origem que fez história nos Estados Unidos no final do século 19 com seu jornal World.

Foi Pulitzer quem rompeu com a tradição de publicar as notícias na ordem cronológica. Ele estabeleceu a hierarquia no noticiário. Estava inventada a manchete, assim, bem como a primeira página. Era um jornalista brilhante, ambicioso, e inevitavelmente acabou tendo seu próprio jornal. Sua lógica como empreendedor no jornalismo era irretocável: “Circulação significa anúncio, anúncio significa dinheiro, dinheiro significa independência.”

Essa independência não era estendida para os jornalistas que trabalhavam para ele. Pulitzer disse a um deles: “Acima de tudo, você é pago para veicular minhas idéias, meus anseios, meu julgamento.” Se aquele funcionário fosse talentoso como ele próprio, Pulitzer lembrou, já teria “seu próprio jornal”. Nunca um barão da imprensa foi tão claro, como Pulitzer, em relação a quem manda na redação.

Sua visão de jornalismo é ainda hoje perfeita. “Para se tornar influente, um jornal tem que ter convicções, tem que algumas vezes corajosamente ir contra a opinião do público do qual ele depende”, afirmou.

Era um idealista, um liberal, um homem quase de esquerda. “Acima do conhecimento, acima das notícias, acima da inteligência, o coração e a alma do jornal reside em sua coragem, em sua integridade, sua humanidade, sua simpatia pelos oprimidos, sua independência, sua devoção ao bem estar público, sua ansiedade em servir à sociedade”, escreveu.

Tinha uma frase que me me tem sido particularmente cara na carreira: “Jornalista não tem amigo.” Como a “Deusa Cega da Justiça”, afirmava Pulitzer, ele ficava ao largo das inevitáveis influências que amizades com poderosos trazem. “O World, por isso, é absolutamente imparcial e independente.”

Era um intelectual, um leitor voraz. Certa vez reconverteu Shakespeare do alemão  para o inglês apenas para ver a qualidade da tradução alemã. Lia Platão e Aristóteles em grego. Quando problemas nos olhos o deixaram cego, empregou secretárias para que lessem para ele. Tinha um prazer particular em ouvir histórias eróticas em alemão.

Seu catálogo de inovações inclui a fundação de uma escola de jornalismo na Universidade de Colúmbia, na qual o principal ensinamento deveria ser “ética”, e a criação de um prêmio jornalístico que se tornaria o mais importante do mundo, e que hoje conserva vivo o sobrenome do seu mentor.

Não bastasse tudo, Pulitzer inventou indiretamente ainda o formato dos tablóides. Pouco antes de 1900, ele contratou um jovem jornalista que vinha sacudindo a imprensa inglesa  para cuidar de uma única edição: a da virada do século. Foi dado ao inglês, Alfred Harmsworth, poder total nessa edição. Ele decidiu reduzir o formato do jornal para algo mais aproximado de um livro. Surgia o tablóide. (Harmsworth faria posteriormente história no jornalismo inglês.)

Ele só não conseguiu uma coisa: ser feliz.  Foi essêncialmente um gênio atormentado. Epicuro escreveu que felicidade é saúde, é ausência de dor – e a cegueira foi apenas um dos males de Pulitzer. Não suportava barulho em seus últimos anos. Nos hotéis em que ficava, nenhum quarto no andar do seu era ocupado para a obtenção de silêncio.

Jamais chegou “perto da felicidade”, segundo o relato de seu filho Joseph.

Se você quer aprender a viver, esqueça Pulitzer. Mas se quer aprender jornalismo estude-o com profundidade.

Paulo Nogueira
No DCM
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O Globo tem medo da democracia


Na quinta-feira (26), a presidenta Dilma Rousseff assinou decreto que torna obrigatória a realização de consultas públicas para ouvir a sociedade sobre temas decisivos para os rumos do país. A medida, que faz parte da intitulada “Política Nacional de Participação Social (PNPS)”, é um passo importante para ampliar os mecanismos de democracia participativa no Brasil. De imediato, a oposição direitista rechaçou a iniciativa. Coube, porém, ao jornal O Globo — o mesmo que apoiou o golpe militar e a sanguinária ditadura — a crítica mais raivosa à medida democratizante. Em editorial publicado neste sábado, o diário afirma, na maior caradura, que o “decreto agride a democracia representativa”.

O decreto prevê várias formas de participação política da sociedade: conselhos, conferências, audiências, ouvidorias, fóruns, mesas de diálogo, comissões especiais, ambientes virtuais e consultas públicas. Ele fixa que todos os “órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta” realizem consultas visando “consolidar a participação social como método de governo” e aprimorar “a relação do governo com a sociedade”. Pelo decreto, caberá à Secretaria-Geral da Presidência da República orientar a implantação da PNPS. Ele garante que todo cidadão poderá participar desses formatos de diálogos, “além de movimentos sociais, institucionalizados e não institucionalizados”.

Temendo a participação popular, o líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho, já anunciou que irá acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o decreto. Para o representante da direita oligárquica, o projeto do governo “é um eufemismo para o aparelhamento ideológico por meio de movimentos sociais, filiados ao PT e sindicalistas ligados ao governo... É uma invasão à esfera de competência do parlamento brasileiro e uma afronta à ordem constitucional do País”. No mesmo rumo, o deputado Ronaldo Caiado, o famoso ruralista do DEM, esbravejou que "o PT age no sentido de criar um sistema paralelo de poder como Hugo Chávez fez na Venezuela".

Dos demos não se poderia esperar outra reação. Originários da Arena, o partido da ditadura, eles sempre rejeitaram qualquer mecanismo de participação popular. Como expressão da velha oligarquia, que explora trabalho escravo e contrata jagunços, o DEM nem precisa disfarçar sua postura autoritária, meio fascistóide. Já no caso do jornal O Globo, o editorial hidrófobo serve novamente para tirar a sua máscara. Ao satanizar o decreto número 8.243, que cria a PNPS, o diário da famiglia Marinho tenta se travestir de defensor da democracia representativa — logo ele que apoiou o golpe de 1964, a cassação de deputados e o fechamento do Congresso Nacional durante a ditadura militar.

“A democracia representativa, com a escolha dos representantes da sociedade pelo voto direto, bem como a independência entre os Poderes, é alvo prioritário do autoritarismo. A desmontagem do regime representativo costuma começar pela criação de mecanismos de ‘democracia direta’, para reduzir o peso do Congresso na condução do país”, afirma no maior cinismo. Para ele, o objetivo do decreto “é subtrair espaço do Legislativo por meio de comissões, conselhos, ouvidorias, mesas de diálogo, conferências nacionais, várias novas instâncias a serem criadas junto à administração direta e até estatais, sempre em nome da participação social” e equivale a “um golpe de Estado na base da canetada”.

“O sentido autoritário do decreto denuncia a sua origem. Ele sai dos mesmos laboratórios petistas que engendraram a ‘assembleia constituinte exclusiva’ a fim de fazer a reforma política — atalho para se mudar a Constituição ao bel-prazer de minorias militantes —, surge das mesmas cabeças que tentaram controlar o conteúdo da produção audiovisual do país via Ancinav, bem como patrulhar os jornalistas profissionais por meio de um conselho paraestatal. Tem a mesma origem dos idealizadores da ‘regulação da mídia’... O assunto precisa ser discutido com urgência no Congresso e levado ao Supremo pelo Ministério Público e/ou instituições da sociedade”, alerta o jornalão.

Só pela reação desesperada de O Globo já dá para afirmar que o decreto que cria o PNPS representa um avanço para a democracia brasileira e merece urgente apoio das forças progressistas.

Altamiro Borges
No Blog do Miro
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Presidenta Dilma Rousseff inaugura BRT Transcarioca no Rio de Janeiro


Primeira fase da obra foi inaugurada neste domingo pela presidenta Dilma Rousseff

O BRT TransCarioca, que tem 39 km e corta 27 bairros do Rio de Janeiro, teve a primeira fase inaugurada neste domingo (1°.06), na Estação Viaduto Silas de Oliveira, em Madureira. A obra faz parte da Matriz de Responsabilidades da Copa do Mundo e conta com R$ 1,18 bilhão de investimento federal, além de R$ 524 milhões em contrapartida municipal. Ao todo, são 45 estações e cinco terminais.

Segundo a presidenta Dilma Rousseff, que participou da inauguração junto com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o BRT da TransCarioca é um legado deixado pela preparação para a Copa do Mundo, mas é para a população. "A transcarioca é um orgulho para o nosso país. É o padrão que nosso povo merece, e temos o compromisso, e mostramos hoje aqui, que é possível fazer transporte público de massa com qualidade", afirmou. "O subúrbio se tornou visível e temos de olhar com cuidado para as avenidas, para as casas, porque de fato o coração do Rio de Janeiro está aqui", completou.

A expectativa é de que, quando totalmente finalizado, o BRT leve a uma economia de tempo de 66% no trajeto entre o Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, e o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão). E, com a nova opção de transporte público, deverão ser retirados da rua cerca de 500 ônibus das ruas. A partir deste domingo, entram em operação 22 estações e três terminais.


Presidenta Dilma inaugurou nova área de embarque do Galeão

A presidenta Dilma Rousseff realizou, neste domingo (1), no Rio de Janeiro, visita inaugural à nova área de embarque do Terminal de Passageiros 2 do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão. Com a conclusão deste terminal, o aeroporto terá sua capacidade ampliada em 13 milhões de passageiros/ano, passando para 30,4 milhões de passageiros/ano.

O novo espaço possui 11.109 m² de área e conta com a nova entrada para o embarque internacional, além de duas novas ilhas de check-in com 32 balcões de atendimento, equipados com um novo sistema de esteiras de bagagem com endereçamento automático dos pertences e a inspeção de 100% do material em cinco níveis de segurança. O novo embarque internacional conta ainda com seis pórticos com raio X para bagagem de mão, além de um raio X exclusivo para as mercadorias das lojas localizadas dentro do embarque e outro para bagagens especiais.



Dilma destaca importância do acesso à casa própria digna

Dilma participou da entrega de unidades habitacionais a famílias de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR 

A presidenta Dilma Rousseff enalteceu a mudança de realidade para os moradores na comunidade em Manguinhos, no Rio de Janeiro, na entrega pelo PAC 2 de 564 unidades habitacionais do Conjunto Residencial Nova CCPL, neste domingo (1). Ela classificou como um absurdo as condições precárias em que as pessoas viviam há 12 anos, e afirmou que agora elas têm acesso ao direito da casa própria.

“O governo federal botou a mão no próprio bolso, e fez um programa de habitação popular chamado Minha Casa, Minha Vida. Esse programa é um programa que sucedeu outros programas que haviam do governo federal e deram origem a esses imóveis aqui, casas e apartamentos, que era o PAC. Mas hoje, esse programa do PAC se chama Minha Casa, Minha Vida. E aí quero dizer para vocês que é muito importante o acesso a casa própria digna, e aqui, o que nós estamos vendo? Casa própria digna”, analisou.

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Os oráculos da pilantragem

http://www.maurosantayana.com/2014/05/os-oraculos-da-pilantragem.html

 

A Comissão Europeia acusou, formalmente, na semana passada, os bancos HSBC, Crédit Agricole e JP Morgan, de promover acordos, por debaixo do pano, para manipular a taxa interbancária EURIBOR — que afeta diretamente o custo dos empréstimos para os tomadores.

Do golpe, participavam também o Barclays, o Societé Generále, o Royal Bank of Scotland, e o Deutsche Bank, já condenados, pelo mesmo crime, em dezembro, a pagar multa de mais de um bilhão de euros.

O Deutsche, maior banco da Alemanha, teve de ser capitalizado em 8 bilhões de euros, esta semana, para para não quebrar. O Banco Espírito Santo, de Portugal, também a ponto de quebra, foi acusado, pela KPMG, de graves irregularidades em suas contas. E o Crédit Suisse foi condenado a pagar 2.6 bilhões de dólares à justiça dos EUA, por favorecimento ao desvio de divisas e à sonegação de impostos.

Para Bertold Brecht, era melhor fundar um banco que assaltá-lo. E Bernard Shaw lembrava que não há diferença entre o pecado de um ladrão e as virtudes de um banqueiro.

O mundo muda. Hoje, uma diferença de menos de 2% separa o peso das seis maiores economias emergentes das seis maiores economias “desenvolvidas” e as reservas em mãos do primeiro grupo quase triplicam as do segundo.

Mas, no Brasil, continuamos ouvindo, como se fossem oráculos, a opinião dos banqueiros estrangeiros, que só estão em nosso país para organizar a espoliação sistemática de nossas riquezas e do nosso mercado.

Lá fora, a opinião pública chama essa gente de banksters (foto) unindo em uma só palavra o termo bankers (banqueiro) e gangsters (bandidos).

Aqui, o que diz um representante deles — que estão quebrando ou são acusados de crimes em seus países de origem — é sagrado.

Independente de quem estiver no poder no governo, o Brasil, se quiser continuar atraindo dinheiro externo, precisa estabelecer instrumentos próprios de defesa da imagem do país lá fora, criando, como se está projetando fazer com os BRICS, agências próprias de qualificação, bancos de fomento, fundos de reserva, etc.

Até mesmo porque a credibilidade das principais agências de qualificação que existem hoje está tão baixa, no exterior, quanto a dos bancos, aos quais tantas vezes se aliam e protegem, para enganar e pilhar países e correntistas.

É preciso que aprendamos a não dar ouvidos aos enganosos oráculos da pilantragem.

Assim como no Brasil, na China os maiores bancos são estatais, e a dependência de capital externo no mercado financeiro é — até por uma questão estratégica — marginal e quase irrelevante.

A diferença que existe entre nós e eles — prestes a se transformar na maior economia do planeta — é que, no Brasil, a opinião de instituições externas, acusadas de envolvimento em duvidosos episódios e nas últimas crises internacionais, orienta e pauta as ações do governo, e vai para a primeira página dos jornais.

Em lugares como Pequim e Xangai, o país, os empreendedores e os consumidores, estão se lixando, redondamente, para a opinião dos bancos ocidentais.
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Os gigolôs de índio: ONG de antropólogo que atiçou índios contra Taça da Copa recebe recurso dos EUA e da UE


Há cerca de um mês o antropólogo Hanyo Barreto "sugeriu" ser uma oportunidade o fato de a Taça da Copa do Mundo estar exposta no estacionamento do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, justo no período em que os índios estariam mobilizados na capital (veja aqui). Na terça-feira (27) um grupo de índios tentou invadir o estádio e foi impedido pela Polícia Militar do Distrito Federal. Fotos do confronto estão correndo o mundo. Henyo Barreto trabalha para uma ONG que recebe dinheiro da União Europeia, dos Estados Unidos, da Embaixada Britânica, além das indefectíveis fundações.

Numa rápida olhada nos relatórios disponíveis no site da ONG nota-se de cara que o último disponível é o de 2005. Há cinco anos a ONG de Henyo Barreto não divulga em seu site suas prestações de conta. Mas em 2009, o IEB recebeu R$ 3 milhões do Governo dos Estados Unidos através do USAID e outros R$ 700 mil da Comunidade Europeia, além de R$ 700 mil da Gordon & Betty Moore Foundation e quase R$ 1,5 milhões cujos doadores não são especificados.


Quando mais os índios apanham e sofrem, mais dinheiro essa turma leva. "Gigolar" índio virou business para uma certa antropologia.

No Questão Indígena
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Joaquim saindo

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“Só se eu matar ele”: Galvão e Pelé na Copa de 94, um clássico dos mundiais

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Padrão Fifa — Como o Catar comprou a Copa


Novas denúncias revelam pagamentos milionários a cartolas para garantir votos na eleição da Fifa

GENEBRA - Cartolas do Catar teriam pago pelo menos US$ 5 milhões para comprar votos para que o país fosse escolhido como sede da Copa de 2022. Documentos revelados pelo jornal britânicos, Sunday Times, apontam como um dos principais agentes do futebol do Catar, Mohamed Bin Hammam, atou em diversas regiões do mundo para comprar apoio. A nova revelação fez com que autoridades europeias já peçam o cancelamento da Copa no país árabe.

Bin Hammam era um dos principais aliados do presidente da Fifa, Joseph Blatter. Mas caiu em desgraça com o suíço depois que, em 2011, resolveu se candidatar à presidente da Fifa, inclusive com o apoio de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF.

Bin Hammam acabou expulso da Fifa depois que foi provado que ele distribuiu dinheiro para ganhar votos para a eleição de 2011.

Agora, a imprensa britânica revela que Bin Hammam também esteve por trás do pagamento de propinas, principalmente na África. A assessoria de imprensa do Catar rejeita a acusação e alerta que Bin Hammam jamais teve qualquer papel na candidatura.

A decisão de dar a Copa para o Catar foi tomada pelos 24 membros do Comitê Executivo da Fifa, em dezembro de 2010. Mas a propina foi distribuída para um número maior de cartolas, justamente para que influenciassem na decisão de quem votaria. No caso da África, quatro cartolas votaram na eleição.

Bin Hammam usou mais de dez fundos para fazer dezenas de pagamentos de até US$ 200 mil para presidentes de 30 federações de futebol da África.

Outros US$ 800 mil foram pagos para o presidente da federação de futebol da Costa do Marfim, Jacques Anouma, para “pressionar pela campanha do Catar”. Anouma é membro do Comitê Executivo da Fifa e votou naquela eleição. Outros dois cartolas que votaram receberam outros US$ 400 mil

Os documentos também revelam que Bin Hammam pagou 305 mil euros para cobrir outros gastos de um ex-membro do Comitê Executivo da Fifa, Reynald Temarii. O beneficiário desse dinheiro acabou jamais podendo votar, já que foi pego antes da eleição prometendo votos em troca de dinheiro.

Em março de 2014, o jornal inglês Daily Telegraph indicou que Bin Hammam havia pago quase US$ 2 milhões para outro ex-vice-presidente da Fifa, Jack Warner, de Trinidad e Tobago. O dinheiro foi depositado dias antes da votação.

Agora, o Sunday Times revela que Bin Hammam pagou por advogados para Warner, com o objetivo de retardar sua expulsão da Fifa e que, portanto, pudesse votar na escolha da sede de 2022. A meta era impedir que seu lugar na Fifa ficasse vago, o que permitiria que fosse substituído por David Chung, que apoiaria a candidatura da Austrália.

No total, Warner teria recebido US$ 1,6 milhão de Bin Hammam. O acordo era claro: de um lado, o caribenho ajudaria Bin Hammam a ser eleito como presidente da Fifa em 2011, enquanto Warner votaria pelo Catar para 2022. Os documentos revelam depósitos pelo cartola árabe de US$ 450 mil na conta de Warner logo antes da votação em 2011.

Pressão

Diante das novas revelações, a Fifa é uma vez mais colocada em uma situação de dramático mal-estar. A entidade aguarda o resultado de uma investigação que está sendo realizada pelo americano Michael Garcia. Na semana que vem, Garcia viaja até o Golfo para tentar obter maiores informações.

Mas autoridades europeias já insistem que, diante das revelações deste fim de semana, não há como a Fifa manter o Catar como sede e uma nova concorrência deve ser aberta.  Há uma semana, Blatter admitiu que a escolha do Catar “foi um erro”. Em 2011, um email do secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, apontava que o Catar havia “comprado” a Copa.

Este blog revelou que as suspeitas não se limitam à África. Todos os votos sul-americanos foram para o Catar em 2010, inclusive de Teixeira, na época presidente da CBF. Em uma viagem ao Brasil, o então emir do Catar distribuiu relógios de ouro aos cartolas, numa reunião no Rio de Janeiro.


No Blogs Jamil Chade
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O país dos coronéis e a nova democracia social

O Brasil é um país com várias camadas arqueológicas. Tem o país dos novos mercados, das novas tecnologias, de uma sociedade civil pujante, de novos movimentos nascendo ao largo das velhas instituições, de novos direitos sociais sendo reconhecidos pela sociedade e pelo Supremo Tribunal Federal, novas políticas sociais amparando de minorias raciais a pessoas com deficiência.

Ao mesmo tempo, é o país anacrônico, com manchas de trabalho escravo mas, principalmente, com um ranço insuperável, fruto da herança coronelística da Velha República, da visão de compadrio do "homem cordial", que não aceita nenhuma forma de mediação dos poderes que não passe pelo seu poder de arbítrio.

Só isso para explicar as críticas anacrônicas da parte da mídia aos decretos da Presidente da República instituindo a Política Nacional de Participação Social, formalizando diversos conselhos para ampliar a participação social nas políticas públicas.

* * *

O Estadão soltou um editorial em que acusa Dilma de pretender mudar a Constituição. "A participação social numa democracia representativa se dá através dos seus representantes no Congresso, legitimamente eleitos".

É o mesmo jornal que deblatera diariamente contra os arreglos políticos, contra o loteamento de diretorias de estatais para políticos, contras os pactos nefastos do presidencialismo de coalizão, contra os vícios de democracia, que vende o lema de que todo político é ladrão. De repente, o Congresso ganha legitimidade para tudo, até para opinar em políticas que são prerrogativas do Executivo e até para co-participar de governo.

* * *

Por acaso cabe ao Congresso definir formas de implementação do Plano Nacional de Educação, as estratégias para o Bolsa Família, as políticas para micro empresas, as políticas de defesa do consumidor? É evidente que não. Quem define isso é o Executivo, governo eleito diretamente pelo voto popular. E se o governo abre espaço para a participação popular em políticas que afetam diretamente as pessoas, não está aparelhando nada: está abrindo mão do poder absoluto e ouvindo de forma institucionalizada a voz dos clientes dos serviços públicos representantes diretos da sociedade civil.

Confundir esse movimento de abertura para a sociedade com aparelhamento do Estado é má fé.

* * *

A natureza desses conselhos consultivos é a mesma que deveria vigorar nas relações com o setor econômico. A ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) tem várias câmaras setoriais, com a presença de empresários dos diversos setores incumbidos de fornecer subsídios para as políticas setoriais. Acaso foram taxadas de aparelhamento?

As críticas a se fazer é à baixa implementação das conclusões geradas por esses conselhos, não à sua criação.

* * *

O problema do jornal é que, com a criação de conselhos de toda ordem — para a área social, econômica, educacional — o governo passará a ouvir as demandas da sociedade diretamente, e sem a intermediação de uma mídia que há muito tempo perdeu a capacidade de mediar as necessidades da sociedade.

É importante recordar que as pessoas que saíram as ruas em junho do ano passado reagiram contra o anacronismo de todas as instituições, não apenas do Executivo, Legislativo e Judiciário, mas também da mídia.

Que venha a nova democracia social!

Luís Nassif
No GGN
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Claudias Cardinales

Não é que o futebol não tenha lógica. É que a lógica do futebol é itinerante. Muda com o tempo e as circunstâncias. Como o amor no poema do Vinícius, a lógica é eterna enquanto dura — e nunca dura muito, pelo menos no mesmo lugar. Era lógico, com os jogadores que tinha, que o Vasco da Gama fosse o grande clube brasileiro dos anos 50, base de qualquer seleção nacional. Anos mais tarde, a base de qualquer seleção nacional passou a ser, logicamente, jogadores do Santos e do Botafogo, os melhores da sua época. Através dos anos, a lógica favoreceu outros grandes times brasileiros, como o Cruzeiro de Minas e (bons tempos...) o Internacional de Porto Alegre. Times que caíam depois de alcançar a glória não caíam porque a lógica os abandonava arbitrariamente. Caíam porque é da natureza da lógica do futebol ser inconstante. Talvez tenha alguma coisa que ver com o fato de "lógica" ser do gênero feminino.

Por exemplo: a lógica do mundo do futebol nos últimos anos, e até recentemente, destacava dois times tão superiores aos outros que era difícil imaginá-los decadentes. Um pouco como a Claudia Cardinale no esplendor da juventude, tão mais bonita do que qualquer outra atriz do seu tempo que você não podia imaginá-la envelhecendo e tornando-se o que é hoje, uma senhora respeitável e simpática, ótima pessoa, não duvido, mas definitivamente não a Claudia Cardinale.

Tomamos seu envelhecimento como uma traição. O Barcelona de Messi, Xavi e Cia. e o Bayern Munich de Robben, Schweinsteiger e Cia. não estão tendo um bom ano e arriscam-se a, como a Claudia Cardinale, tornarem-se impostores de si mesmos. A lógica do futebol abandonou-os e se concentrou em Lisboa, onde o Real Madri foi buscar a Copa da Uefa na goela do Atlético de Madri, que já se preparava para levá-la para casa, e em Turim, onde um improvável Sevilla derrotou o Benfica na decisão da liga europeia.

A decadência, passageira ou não, do Barcelona e do Bayern Munich deve nos alegrar. A seleção da Espanha é o Barcelona com alguns retoques e a da Alemanha é o Bayern de Munique travestido. Como são duas das quatro favoritas na Copa que se aproxima (as outras duas, na minha opinião, são Argentina e Brasil) é bom que estejam mal. Má notícia é o que está jogando aquele argentino Di Maria do Real Madrid. Como se a Argentina precisasse de ainda mais força no ataque. Trememos.

Luís Fernando Veríssimo
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Salário Mínimo e Renda Máxima

Imagine o poder político e a influência social de executivos com renda mensal de R$ 350 000

Devemos ao professor Claudio Deddeca, da Unicamp, uma informação preciosa sobre a realidade salarial brasileira. Num artigo publicado na Folha de hoje, destinado a discutir o futuro da lei do salário minimo, o professor lembra qual é o nosso salário máximo.

Ele mostra que os 400 executivos das 50 maiores empresas registradas na Bovespa embolsam o valor médio de R$ 4, 2 milhões por ano, fora benefícios como auxlio saúde, carro executivo e assim por diante.

É isso que você leu. Os altos dirigentes do capitalismo brasileiro recebem em torno de R$ 350 000 por mês. Ou R$ 10 000 por dia. Ou R$ 416 por hora, se forem incluidos os momentos período de sono. Ou R$ 6,9 por minuto. Ou 11 centavos por suspiro. Olha só: enquanto um miserável das grandes cidades corre pelo trânsito para erguer o braço no farol fechado e pedir uma moedinha, a turma dos 350 000 só precisa respirar: dez centavos já entraram na conta bancária.

Compare esse rendimento com o mínimo atual, de R$ 724: é 450 vezes maior. Compare com a renda média do trabalhador brasileiro, que é de R$ 1055 para quem tem menos de 24, ou de R$ 1945 dali por diante.

Por cada hora de trabalho, a turma dos 350 000 já fica por cima. Supondo uma jornada de 40 horas semanais, cada 60 minutos no escritório permite receber R$ 2187,50.

Estes exercícios matemáticos ajudam a ter uma ideia da desigualdade brasileira, que vai além da economia, da sociologia e chega aquilo que interessa quando se fala em mudanças. Estamos falando de poder político num grau absoluto — pois um abismo dessa natureza não é obra da lei da oferta e da procura, nem de diplomas em Harvard, pós-graduação em Stanford nem de ideias supostamente geniais num seminário num retiro de monges.

Só se explica a partir de uma posiçao de força, que vai muito além dos muros de uma empresa e só sobrevive se for alimentada e reforçada todos os dias, para impedir mudanças que possam questionar um pouco, às vezes só um pouquinho, esse feudalismo social.

É dali que partem as grandes pressões para impedir toda mudança capaz de questionar essa renda exorbitante, seja pela criação de impostos de acordo com a capacidade de cada um, seja pela criação de políticas públicas favoráveis aos mais pobres. É ali que nasceu o impostômetro, foi ali que se dinamitou a CPMF que poderia reforçar a saúde pública, é de lá que vem os petardos permanentes para impedir a consolidação de um estado de bem-estar social que, como os mais lúcidos reconhecem, ficou definido até na Constituição de 1988.

O que se argumenta é que a lei do salário mínimo atual, que prevê uma recuperação com base na inflação e na produtividade dos dois anos anteriores, já cumpriu seu papel e que seria hora de deixar o mercado fazer sua parte.

(Entenda-se por mercado o mundo dos 350 000/mês.)

É possível questionar este argumento não só pelo valor atual do mínimo, quantia que joga a renda média da população brasileira para um patamar bastante baixo, limitando alternativas de crescimento da economia.

De forma moderada, viável, como mostra o professor, a recuperação do mínimo superou uma elevação de 50% ao longo dos anos, mudança que fez bem ao orçamento não só de trabalhadores, mas reforçou ganhos do grande número de aposentados e pensionistas da Previdência, que em várias cidades do país respondem pelo sustento de boa parte da família, inclusive de netos.

O debate é este.

Como lembra o professor, é impossível discutir seriamente o salário mínimo sem levar em conta o máximo, concorda?

Paulo Moreira Leite
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Afirmações inválidas

Nem o motivo, nem a ocasião apontados para a repentina renúncia de Joaquim Barbosa são válidos.

Disse ele que se decidiu por deixar o Supremo Tribunal Federal "naqueles 22 dias que tirei em janeiro, estive na Grão-Bretanha e na França, aquilo foi decisivo para minha decisão". Como respondia a perguntas sobre o motivo de comunicar a renúncia naquele dia, subentende-se que a ocasião estava escolhida desde janeiro.

Ainda que citar a decisão europeia não incluísse a data, a incogruência permaneceria. Em entrevista de estreia do jornalista Roberto D'Avila na Globonews no fim de março, Joaquim Barbosa admitiu que deixaria o Supremo mas não por ora, com Roberto logo explicitando que isso significava ficar até o fim do mandato de presidente, "até novembro?". E o entrevistado foi sucinto e definido: "Sim".

Janeiro e novembro foram afirmações inválidas. A citação de novembro, em março, invalidou a de janeiro, e a renúncia em maio invalidou as duas. Algum motivo dos últimos dias, ou no máximo semanas, levou Joaquim Barbosa a precipitar suas visitas à presidente da República e aos presidentes do Senado e da Câmara, ainda na manhã da última quinta, para informá-los da renúncia. À tarde comunicada ao plenário do Supremo.

Coincidência ou não, na véspera o advogado José Luis Oliveira Lima encaminhou ao presidente do Supremo o pedido de habeas corpus para seu cliente José Dirceu. De quem o leu, por certo com objetividade, posso transmitir a opinião de que o considerou muito bem feito, como argumentação jurídica e no caso específico, requerido também o seu julgamento pelo plenário.

A tese e as cassações de direito ao trabalho externo, lançadas recentemente por Joaquim Barbosa, já lhe prenunciavam uma sucesão de derrotas no tribunal.  O novo habeas corpus tem que ser julgado em futuro próximo. Com a renúncia, já neste julgamento Joaquim Barbosa estará em condições de dizer que, pendente seu afastamento apenas de formalidades burocráticas, não participará da discussão e da decisão. E pode sair do plenário sem o testemunho da derrota.

Além de comprovadas provocações, Joaquim Barbosa pode ter sofrido ameaças. Não as citou, porém, cabendo a jornalistas invocá-las, sem oferecer fundamentação factual, como causa da precipitação da renúncia.

A serem mesmo o motivo, a renúncia seria uma fuga. E um exemplo desonroso saído do próprio cume do Poder Judiciário para os bravos e dignos procuradores, promotores e juízes, mulheres e homens, que processam e a cada dia condenam criminosos perigosíssimos, porque assim é o dever que assumiram. Os seus condenados não se chamam Dirceu e Kátia, Valdemar e Genoino. Chamam-se Fernandinho Beira-Mar, Nem, Marcola.

Mas fugir de ameaça e ficar pr aí nada mudaria. Convenhamos que ameaças seriam um bom pretexto para morar no exterior, por exemplo no apartamento comprado em Miami. O repouso de quem personificou no Supremo o populismo autoritário. Ou, melhor no seu caso, o autoritarismo populista.

Muito à vontade

Eduardo Campos, na terça 27, depois de reunião em São Paulo com dirigentes do setor farmacêutico: "Acho que a Lei da Anistia foi para todos os lados. O importante agora não é ter uma visão de revanche". "A anistia (...) foi ampla, geral e irrestrita" — (repórter Sérgio Roxo, "O Globo", não contestado).

Eduardo Campos na Folha da sexta 30, a propósito do meu artigo "Muito à vontade": "Defendo que a Justiça avalie e decida soberanamente (...) cada caso relativo a crimes cometidos no período coberto pela Anistia". "Essa foi sempre a minha opinião".

Eduardo Campos termina por dizer que não nos conhecemos e o "procure antes" (antes, parece, de escrever sobre ele). Se houver o caso de informação que dependa da sua confirmação, tentarei fazê-lo, sim. Quando Eduardo Campos fizer afirmações públicas, vou comentá-las sob minha individida responsabilidade, e deixando-o muito à vontade para reiterar-se ou, a seu gosto, desdizer-se.

Janio de Freitas
No fAlha
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PT do Brasil

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Lula em campanha — A entrevista a CartaCapital


Antes de mais nada, impressiona a paixão. Aos 68 anos, Luiz Inácio Lula da Silva não perdeu o vigor com que arengava à multidão reunida no gramado da Vila Euclides no fim dos anos 70. E nos momentos em que sustenta algo capaz de empolgá-lo, ocorrência frequente, aperta com força metalúrgica o pulso do entrevistador mais próximo, como se pretendesse transmitir-lhe fisicamente sua emoção. Assim se deu nesta longa entrevista que o ex-presidente Lula deu a CartaCapital. No caso de Mino, esta foi mais uma das inúmeras, a começar pela primeira, em janeiro de 1978.

O senhor enxerga alguma relação entra a Copa do Mundo e a eleição? Se enxerga, por que e de que maneira?

Eu acho difícil imaginar que a Copa do Mundo possa ter qualquer efeito sobre a preferência por este ou aquele candidato. Por outro lado, se o Brasil perder, acho que teremos um desastre similar àquele de 1950. Temo uma frustração tremenda, e a gente não sabe com que resultado psicológico para o povo. Em 50 jogaram o fracasso nas costas do goleiro Barbosa.

Em primeiro lugar o Barbosa.

O Barbosa carregou por 50 anos a responsabilidade, e morreu muito pobre, com a fama de ter sido quem derrotou o Brasil. É uma vergonha jogar a culpa num jogador. Se o Brasil ganha, a campanha passa a debater o futuro do País e o futebol vai ficar para especialistas como eu.

E as chamadas manifestações?

Ainda há pouco tempo a gente não esperava que pudessem acontecer manifestações. E elas aconteceram sem qualquer radicalização inicial, porque as pessoas reivindicavam saúde padrão Fifa, educação padrão Fifa; poderiam ter reivindicado saúde padrão Interlagos, quando há corrida, ou padrão de tênis, Wimbledon, na hora do tênis. Eu acho que isso é até saudável, o povo elevou seu padrão reivindicatório. E é plenamente aceitável dentro do processo de consolidação democrático que vive o Brasil. Eu acho que, ao realizar a Copa, o governo assumiu o compromisso de garantir o bem-estar e a segurança dos brasileiros e dos torcedores estrangeiros. Quem quiser fazer passeata que faça, quem quiser levantar faixa, que levante, mas é importante saber que, assim como alguém tem o direito de protestar, o cidadão que comprou o ingresso e quer ir ver a Copa tenha a garantia de assistir aos jogos em perfeita paz.

O povo brasileiro amadureceu e nós entendemos que o resultado da Copa será bem menos importante do que foi em 1950. Mesmo que a seleção perca, não haverá tragédia. Deste ponto de vista. Efeitos sobre as eleições podem ocorrer em função das chamadas manifestações.

Eu tenho certeza de que a presidenta Dilma e os governos estaduais estão tomando toda a responsabilidade para garantir a ordem. Com isso podemos ficar tranquilos, é questão de honra para o governo brasileiro. O que está em jogo é também a imagem do Brasil no exterior. De qualquer maneira, acho que não vai ter violência, e, se houver será tão marginal a ponto de ser punida pela própria sociedade. Agora se um sindicato quer fazer uma faixa “abaixo não sei o quê, 10% de aumento”, é seu direito.

Eu me lembro que disse ao ministro José Eduardo Cardozo, quando começou a se aventar a possibilidade de uma lei contra os mascarados: “Olha, gente, nem brincar com lei contra mascarados porque a primeira coisa que iremos prejudicar vai ser o Carnaval, não os mascarados”.

A Constituição e o Código Penal definem claramente o que é ordem e o que é desordem e, portanto, o governo tem mecanismos para evitar qualquer abuso. Recomenda-se senso comum. Nesses dias tentaram até confundir uma frase minha sobre uma linha de metrô até os estádios. Em 1950, no Maracanã cabiam 200 mil pessoas, mais de duas vezes as assistências atuais. É verdade, havia menos carros nas ruas, infinitamente menos carros, mas também não havia metrô.

De todo modo, vale a pena realizar uma Copa?

Discordo daqueles que defendem a Copa no Brasil dizendo que vão entrar 30 bilhões, ou que geraremos novos empregos. O problema não é econômico. A Copa do Mundo vai nos permitir, no maior evento de futebol do mundo, mostrar a cara do Brasil do jeito que ele é. O encontro de civilizações, o resultado dessa miscigenação extraordinária entre europeus, negros e índios que criou o povo brasileiro. Qual é o maior patrimônio que temos para mostrar? A nossa gente.

Em que medida essas manifestações nascem do fato de que houve uma ascensão econômica? Aqueles que melhoraram de vida reivindicam mais saúde, mais educação.

Eu acho que não há apenas uma explicação para o que está acontecendo. Precisamos aprender a falar com o povo, para que entenda o momento histórico.

O jovem hoje com 18 anos tinha 6 anos quando ganhei a primeira eleição, 14 anos quando deixei de ser presidente da República. Se ele tentar se informar pela televisão, ele é analfabeto político. Se tentar se informar pela imprensa escrita, com raríssimas exceções, ele também será um analfabeto político. A tentativa midiática é mostrar tudo pelo negativo.

Agora, se nós tivermos a capacidade de dizer que certamente o pai dele viveu num mundo pior do que o dele, e se começarmos a mostrar como a mudança se deu, tenho certeza de que ele vai compreender que ainda falta muito, mas que em 12 anos, passos adiante foram dados.

O governo não soube se comunicar?

Eu acho. Eu de vez em quando gosto de falar de problema histórico, para a gente entender o que de fato aconteceu neste país. Já disse e repito: Cristóvão Colombo chegou em Santo Domingo, em 1492, e em 1507 ali surgia a primeira faculdade. No Peru, em 1550, na Bolívia, em 1624. O Brasil ganhou a primeira faculdade com dom João VI, mas a primeira universidade somente em 1930. Então você compreende o nosso atraso.

Qual é o nosso orgulho? Primeiro, em 100 anos, o Brasil conseguiu chegar a 3 milhões de estudantes em universidades. Nós, em 12 anos, vamos chegar a 7,5 milhões de estudantes, ou seja, em 12 anos, nós colocamos mais jovens na universidade do que foi conseguido em um século. Escolas técnicas. De 1909 até 2002, foram inauguradas 140. Em 12 anos, nós inauguramos 365. Ou seja, duas vezes e meia o número alcançado em um século.

E daí você consegue imaginar o que significa o Reuni ao elevar o número de alunos por sala de aula, de 12 para 18. Ou o que significa o Ciências Sem fronteiras, o Fies: 18 universidades federais novas. Pergunta o que o Fernando Henrique Cardoso fez? Se você pensar em 146 campi novos, chegará à conclusão de que foi preciso um sem diploma na Presidência da República para colocar a educação como prioridade neste País.

Nós triplicamos o Orçamento da União para a educação. É pouco? É tão pouco que a presidenta Dilma já aprovou a lei permitindo 75% dos royalties para a educação. É tão pouco que a Dilma criou o Ciência Sem Fronteiras para levar 65 mil jovens a estudar no exterior. É tão pouco que ela criou o Pronatec, que já tem 6 milhões de jovens se preparando para exercer uma profissão. Isso tudo estimula essa juventude a querer mais.

Tem de querer mais. Quanto mais ela reivindicar, mais a gente se sente na obrigação de fazer. Quem comia acém passou a comer contrafilé e agora quer filé. E é bom que seja assim, é bom que as pessoas não se nivelem por baixo. Eu sempre fui contra a teoria de que é melhor pingar do que secar. Quanto mais o povo for exigente e reivindicar, forçará o governo a fazer mais. O que é ruim? A hipocrisia.

Nós temos um setor médio da sociedade, que ficou esmagado entre as conquistas sociais da parte mais pobre da população e os ricos, que ganharam dinheiro também. A classe média, em vários setores, proporcionalmente ganhou menos. Toda vez que um pobre ascende um degrau, quem está dez degraus acima acha que perdeu algumas coisas. A Marilena Chauí tem uma tese que eu acho correta: um setor da classe média brasileira que às vezes também é progressista, do ponto de vista social, mas não aprendeu a socializar os espaços públicos e então fica incomodado.

Nós entendemos que o problema é representado pela elite brasileira. Quem se empenha contra a igualdade?

Eu sou o mais crítico do comportamento da elite brasileira ao longo da história. Este país foi o último a acabar com a escravidão, foi o último a ser independente. Só foi ter voto da mulher na Constituição de 34. Tudo por aqui resulta de um acordo, inclusive um acordo contra a ascensão social. Na Guerra dos Guararapes, quando pretos e índios quiseram participar, a elite disse “não, não vai entrar, porque depois que terminar essa guerra vão querer se voltar contra nós”.

Esta é a história política do Brasil. Ocorre, porém, que a ascensão dos pobres levou empresas brasileiras a ganhar como nunca. Não sou eu quem lembra – em 1912, Ford dizia: “Quero pagar um bom salário para meus trabalhadores para que eles possam consumir”. Por exemplo, pobre em shopping dá lucro. Muitas vezes os donos não aceitam num primeiro momento, mas depois percebem que é bom. Tínhamos 36 milhões de brasileiros viajando de avião, agora temos 112 milhões.

Notáveis avanços são inegáveis. Mas como vai ser daqui para a frente?

Eu fazia debates mundo afora, com o Mantega, o Meirelles, às vezes a Dilma. E eu dizia: esses ministros meus, eles falam de macroeconomia, mas o que eles não dizem é que essa macroeconomia só deu certo por causa da minha microeconomia. O que foi a microeconomia? Foi o aumento de salário, foi a compra de alimentos, a agricultura familiar, foi o financiamento, foi o crédito consignado, foi o Bolsa Família. Foi essa microeconomia que deu sustentabilidade à macroeconomia.

Na Constituição de 46, quando o trabalho era o assunto, concluía-se: “Não pode dar 30 dias de férias para o trabalhador, porque o ócio o prejudica”. Chamavam férias de ócio. Agora, as pessoas dizem que o Bolsa Família cria um exército de vagabundos. E o futuro? Numa escada de dez degraus, os pobres só subiram dois, um e meio, ainda falta muito para subir. Por isso eu tenho orgulho da presidenta Dilma, ela sabe que muita gente vai se bater contra ela a sustentar que, para controlar a inflação e fazer o País crescer, é preciso ter um pouco de desemprego, arrocho no salário mínimo, ou seja, que é preciso fazer o que sempre foi feito neste País e que não deu certo.

Então, o que o governo tem de garantir é o aumento da poupança interna, mais investimento do Estado, mais junção entre empresa privada e pública, mais capital externo para investir no setor produtivo. Para tanto, é indispensável dar continuidade à ascensão dos mais pobres. Porque é isso que também vai garantir a ascensão do Brasil no mundo desenvolvido, com alto padrão de qualidade de vida, renda per capita de 20 mil, 30 mil dólares, e até mais. O Brasil não pode parar agora. Está tudo mais difícil, mas temos agora o que a gente não tinha há cinco anos, vamos contar com o pré-sal daqui a pouco.

Temos um agronegócio muito exuberante, muito produtivo e competitivo: é possível mobilizar essa capacidade para estimular a indústria de equipamentos agrícolas?

Nós já temos uma indústria de equipamentos agrícolas muito boa. Quando na Presidência, cansei de discutir com empresários que feiras de agronegócio nós precisamos é fazer na Argentina, no México, Nigéria, Angola, Índia. Temos de mostrar nossa capacidade nos outros mercados. Esta é uma área na qual o Brasil está pronto, não só porque tem conhecimento tecnológico, mas também porque tem capacidade de área agricultável, terra, sol e água. Sem a vergonha de dizer que exportamos commodities. Hoje, a commodity tem preço. O que nós precisamos é produzir não só o alimento, mas a indústria de alimentos, não só a soja, mas o óleo de soja.

Permita-nos insistir: como vencer as resistências da elite, atiçada pela mídia?

No movimento sindical, em 1969, comecei a negociar com a Fiesp, certamente a elite era muito mais retrógrada do que hoje. Eu lembro quando nós constituímos a primeira grande comissão de fábrica na Volkswagen nos anos 80, nós fomos pedir a Antônio Ermírio de Moraes a criação de uma comissão de fábricas na sua indústria química de São Miguel Paulista, e significava trabalhador querendo mandar na empresa dele.

Hoje tem uma classe empresarial, mais jovem, que já compreende a importância da negociação coletiva. Mesmo assim, permanecem setores retrógrados. Ainda temos coronel que mata gente por este Brasil afora por briga de terra. Nesses dias a Nissan americana não queria deixar seu pessoal sindicalizar-se por lá mesmo e eu tive de mandar uma carta para o presidente da empresa. Mas voltemos à mídia.

A mídia nutre essa elite.

Eu certamente não sou especialista nesta questão da mídia e nunca tive muita simpatia dos seus donos. Toda vez que tentei conversar com eles, cuidei de explicar que ao governo não interessa uma mídia chapa-branca, como foram no governo Fernando Henrique Cardoso. Eu não quero isso, não quero que tratem o PT como trataram a turma do Collor nos dois primeiros anos do seu mandato.

Agora, também é inaceitável a falta de respeito com Dilma. Se querem falar mal, façam-no no editorial do jornal. Na hora da cobertura do fato, publiquem o fato como ele é. Nunca liguei para o dono de mídia pedindo para fazer essa ou aquela matéria, mas o respeito há de ter, tanto mais por parte da comunicação, que é concessão do Estado. Respeito à instituição, e acho que eles saíram de um momento em que lambiam as botas da ditadura e evoluíram para o pensamento único a favor de FHC, e contra o meu governo e contra o da Dilma, e contra a presidenta com agressividade ainda maior.

E em termos de informação?

Quando eu cito os números da educação, por exemplo, é porque nunca foram divulgados por esta mídia. É como se houvesse a obrigação de omitir, sem perceber que com isso se desrespeita o próprio público, que lê, ouve ou assiste. Nem o recente Ibope eles divulgaram. Nem comentaram a inauguração da Rodovia Norte-Sul, que passaram três anos criticando. Há uma predisposição ao negativismo, e isso contribui para uma desinformação da sociedade brasileira. E uma questão é ideológica, se fosse econômica, eles deveriam ir todo dia à igreja acender uma vela para mim, porque muitos estão quebrados e se salvaram no meu governo. Eu estou com a alma tão leve, eu até acho normal o que eles fazem. Vem esse metalúrgico, que a gente supunha destinado a um fracasso total, e é um sucesso. Vem essa mulher aí, que a gente achava um poste, e ela não é um poste. E essa mulher vai se eleger outra vez.

Na verdade, o que está esmaecendo no Brasil e no mundo é o espírito crítico.

Porque interessa a uma parte da elite brasileira a negação da política. O que vem depois é sempre pior, quando você nega a política. A ditadura brasileira foi a negação da política. O que é muito grave, porque, se você atravessa um momento sem nenhuma referência, sem ninguém em condições de controlar a situação, o próprio Estado vai à deriva.

Insistimos novamente: o governo não se comunica?

Vocês estão certos, não se comunica, eu tenho falado para o Guido Mantega, para a Dilma: vendo como está o mundo hoje, a cada dois meses o governo tem de fazer igual uma empresa com seus acionistas, que têm fundos de pensão. Ou seja, você tem de fazer viagens e convencer o fundo de que a sua empresa é rentável e vale a pena investir. Então, a cada dois meses o governo brasileiro tem de ir a Nova York, não para falar com aposentados brasileiros, mas com o investidor.

Já falei co m o Itamaraty, com Bradesco, Santander, todos se dispõem a articular os maiores debates brasileiros para mostrar ao mundo realizações e potencialidades. A Petrobras tem de viajar a cada 30 dias para onde tem investidor. Não podemos ficar por conta de um jornalista inglês que copiou matéria de um jornalista que vive no Rio de Janeiro e fica procurando matéria em jornal para se inspirar.

O Brasil precisa reconhecer enquanto vira a sétima economia mundial com viés de ser a quinta, que lá fora já não se fala bem da gente. José Luis Fiori escreveu um artigo comparando Brasil e México para acabar com o complexo de vira-lata de quem fala que o Brasil está pior que o México. O que o México tem melhor que o Brasil? Eu quero que o México fique cada dia mais rico, mas a comparação com o Brasil é inadequada, porque o Brasil é maior que o México em tudo.

Dias atrás, estava aqui com meu amigo Gerdau e perguntei: como está o setor siderúrgico? E ele: não está muito bem. Perguntei: quanto é que você está ganhando no Brasil? Somente aqui, respondeu. Perguntem para o Josué Gomes da Silva, da Coteminas, onde ganha dinheiro? No Brasil. O mercado interno brasileiro é uma bênção de Deus que a elite não sabia existir, eles nunca imaginaram que podíamos ultrapassar os 35 milhões de consumidores.

CC: Que chances há de mudar essa falha do governo?

Não é fácil, eu sei o que foram meu primeiro e segundo mandatos. Tenho dito com a Dilma que não tem de dar ouvidos a quem fala que gastamos muito com publicidade. Eu acho que, se foi anunciado um programa hoje, e no segundo dia não houve repercussão, vai em rede nacional. O governo tem de dizer o que a mídia não divulgou, porque se não disser, o silêncio se fecha sobre o fato. Dois dias de tolerância, e coloca um ministro em rede nacional, não precisa ir a presidenta todo dia. Mas não fiquemos nisso.

O Marco Regulatório tem de ser compreendido. Não é censura, queremos é fazer valer a Constituição de 88, tanto mais quando entram em cena Facebook e companhia, eu nem sei o nome de tudo. Existe Marco Regulatório de 1962. O Franklin Martins foi feliz ao observar: “Em 62, a gente tinha mais televizinhos do que televisores”.

Eu lembro que menino ia à casa do vizinho ver televisão, a gente só podia sentar no chão, o sofá era do dono da casa e ele ainda pisava no dedo da gente. Para assistir luta livre, tinha de gastar dinheiro no bar, o dono cobrava. Hoje acontece essa revolução tecnológica e você não quer discutir sua regulamentação? Então, o Marco Regulatório e a reforma política são dois temas de ponta que o PT tem de assumir. Temos de convocar uma Constituinte própria para fazer uma reforma política.

O que seria esta Constituinte própria?

Não se destinaria a elaborar uma nova Constituição, e sim discutir a reforma política, exclusivamente. O Congresso tem de aprovar a ideia do plebiscito, e na convocação você diz o que é. E aí, não faltam recursos jurídicos para adotar a nomenclatura adequada. É insuportável governar com o Congresso tomado por tantos partidos. É preciso ter critério para organizar um partido, tem de haver cláusula de barreira.

Este problema não resulta do fato de que os partidos brasileiros nunca foram o intermediário necessário entre a nação e o governo?

O Brasil não tem tradição de partido nacional, a tradição são tribos locais, com caciques regionais. Depois do PCB, o PT tornou-se o único partido nacional, cuja atuação partidária a direção decidia. Mas o PT erra quando começa a entrar na mesmice dos outros partidos. Erra quando usa a mesma prática dos outros partidos. Eu não quero voltar às origens, briguei a vida inteira para ser classe média e agora vou voltar a brigar. O PT, tem que saber, criar esse partido não foi fácil. Lembro de alguém que vendeu uma cabrita, que dava leite para amamentar o filho, para legalizar o PT. E até hoje há gente que anda três, quatro dais de canoa para participar de uma convenção. A gente não pode permitir que meia dúzia de pessoas deformem esse partido, ele é muito grande. É um partido que o próprio povo dirige. Não é uma coisa simples, nós temos de valorizar isso. Já disse na convenção do PT: quero ajudar o PT a voltar ao seu leito natural. Se tem uma coisa que o PT tem de se notabilizar é voltar à sua tradição política. É isso que dá autoridade moral e força para a gente.

Não é fácil manter a coerência na hora da coalisão…

Não é vergonha você repartir administração com outros partidos, sempre que pastas sejam definidas na base da afinidade. A reforma política é a briga que nós temos de ter hoje. Não acho que tenha de ser da Dilma. Ela é candidata, acho que a briga tem de ser de todo o partido. O Rui Falcão tem sido de grande valia nessa luta. Agora vou fazer campanha pelo Nordeste, essa é a contribuição que me cabe no momento. E, se eu fosse o governo, ficaria ouvindo todo programa de rádio, de televisão, e o que não for verdade, pedir direito de resposta. Utilizar a internet e não ficar chorando “a Globo não me dá espaço”. A gente tem outros instrumentos para dizer o que quer. Estou muito disposto, física e psicologicamente, para rodar o Brasil.

A campanha, assumir os palanques…

Assumir os palanques. Estarei com Dilma onde ela achar conveniente estar. Preciso tomar muito cuidado, porque haverá na base aliada interesses de que eu não vá, porque a Dilma não pode ir, ela é candidata e da base aliada, mas eu tenho compromisso com o meu partido. Eu sei que isso vai ser um problema, a gente vai ter de conversar e negociar muito.

Estou feliz, sabe por quê? Eu sempre achei que quem deixa a presidência fica pensando: como eu estarei daqui a algum tempo? Porque as pessoas vão esquecendo, você vai perdendo importância. Eu lembro que em 2002, 2006, ninguém queria o FHC no palanque. Nem Serra colocou. Em 2010, Serra me apresentou como amigo dele e não colocou o FHC. Então, eu me sinto feliz, eu estou bem, eu ainda tenho consciência de que sou uma pessoa importante na política brasileira, e como tal direi que Dilma é a pessoa mais talhada para cuidar do Brasil.

E essa história que a imprensa criou do “Volta Lula”?

O “Volta Lula” começou já na época que eu era presidente, quando pediam o terceiro mandato. Eu, graças a Deus, aprendi a ter responsabilidade muito cedo. E aprendi que, ao aceitar o terceiro mandato, por me achar insubstituível, poderia permitir que outros também achassem, com a possibilidade de alguém, algum dia, tentar o quarto. Não é prudente brincar com a democracia. Cumpri meus dois mandatos, saí cercado pelo carinho do povo. Se, em algum momento, tiver de voltar, posso daqui a 4 anos. Mas não é a minha prioridade. Estarei então com 72 e acho que tem de ser gente mais jovem, com mais vigor físico e capacidade de administração. Mas em política a gente não pode dizer que não, nem sim. Nunca me passou pela cabeça voltar.

Em todo caso, minha relação com a Dilma é muito forte, e de muito respeito e admiração pelo caráter dela. Bem formada ideologicamente e muito leal. Nunca iria disputar sua candidatura. Não faltou quem quisesse minha volta, mas quando o Rui Falcão botou em votação, deixei claro: “Quero que saibam, sou candidato a cabo eleitoral da companheira Dilma Rousseff para o segundo mandato à Presidência da República”.

E quanto aos adversários?

Conheço o Eduardo Campos, é meu amigo, gosto dele profundamente. Conheço o Aécio, ele não tem a mesma firmeza ideológica do Eduardo, tem outro compromisso, é um representante mais afinado com a elite. Mas a Dilma é a mais preparada. Fico triste que não conseguimos construir algo capaz de manter o Eduardo Campos junto da gente. Mas era destino.

E a Marina?

Eu gosto muito da Marina, como figura humana. Foi minha companheira no PT por 30 anos, tenho por ela um carinho muito grande, mas acho que, de vez em quando, comete equívocos na análise política dela, meio messiânica. Imaginei-a candidata e agora entra de vice. Nisso não consigo entender a Marina. Mas não confundo relação de amizade com a minha decisão política. Tenho amizade com o Aécio mais formal do que com o Eduardo e sua família.

Dilma ganha no primeiro turno?

A ganhar no primeiro turno por 51% a 49% prefiro ganhar no segundo turno, com 65% a 35%. Reeleição é sempre muito difícil, mas no segundo turno você pode consolidar um processo de alianças com a coalisão e você é eleito com mais desenvoltura, e também permite fazer um debate mais profundo. No primeiro turno todo mundo fala a mesma coisa, promete tudo para o povo. Eu acho que a Dilma está tranquila. Se em 2002 a esperança venceu o medo, acho que agora a esperança e a certeza do que pode ser feito pode vencer o ódio.

A campanha será sangrenta?

Pelas características dos candidatos, acho que não. De resto, o resultado de uma campanha não define apenas vencedor e derrotados, é o grau de politização da sociedade, é o gosto pela política, é perceber que durante a campanha os candidatos aprenderam alguma coisa e deram um salto de qualidade. Quando disputei com o Serra, nós tivemos uma campanha mais civilizada do que com o Alckmin. Ele se apresenta como cidadão refinado, mas foi de extrema agressividade.

Qual seria o adversário mais provável para o segundo turno?

Eu acho que, em um segundo turno, será tucano. O PSDB tem base partidária mais organizada, governam São Paulo, Paraná, alguns estados importantes no Nordeste, e tem mais tradição de palanque. Já o PSB tem pouco palanque estadual, a campanha do Eduardo vai ser mais difícil do que em 1989.

E o Padilha, candidato petista em São Paulo?

O Padilha é um daqueles fenômenos. Eu disse outro dia em Sorocaba ao Padilha: “Depois de quem o precedeu, Arruda Sampaio, Suplicy, Dirceu, Marta, Genoino, Mercadante, você é o melhor candidato de todos nós, o mais alegre, o mais simpático, sua capacidade de comunicação com o povo é fantástica, unificou o partido”.

Mas é uma campanha difícil. Primeiro, porque os tucanos têm uma base sólida em São Paulo, e há conservadorismo no estado e isso dá quase uma garantia. Não sei se Paulo Skaff vai ser candidato, há dois anos que faz campanha não como candidato, mas como presidente da Fiesp. Agora o desafio para o PT é ter os votos que o partido tem habitualmente na cidade, todas as eleições.

Fale da central de boatos a respeito do seu filho Fábio.

Ao mesmo tempo que sou defensor intransigente da liberdade que temos na internet, acho que somos vítimas dessa liberdade, porque o cidadão entra no seu quarto, seu escritório, e fala a besteira que quiser. Há muito tempo vêm denúncias, outro dia mostraram a sede da Esalq e disseram que era a casa do meu filho, outro dia ele era dono da Friboi, um dia desses ele estava fazendo negócios, inventaram que ele tem um jato.

Conseguimos detectar o paradeiro de dez pessoas, uma era do Instituto Fernando Henrique Cardoso, filho do ex-ministro Graziano. Os envolvidos foram acionados, um veio prestar depoimento, disse: “Mas eu sou eleitor do Lula, eu só citei, não sabia se era verdade, mas coloquei”. Muitos pedem desculpas. O Graziano veio aqui também.

Quando, muito tempo atrás, eu fui contra a invasão do Afeganistão pela então URSS, diziam que eu era da CIA, depois eu era visto pela direita como o cara do Partidão. Isso me permitiu continuar percorrendo o caminho do meio. Mas vale acentuar que nós chegamos à excrescência da excrescência do comportamento humano. Um dia desses eu vejo O Que Sei de Lula, um livro. O autor não conviveu comigo um único segundo para escrever a orelha do livro. Fico pensando: o que faço com um cidadão desse? Acabo percebendo que o melhor é a desmoralização pela mentira. O Romeu Tuma Jr. não merece o comportamento do pai dele. O pai dele foi um cidadão digno. Quando a minha mãe estava para morrer, ele, meu carcereiro, me deixava sair da cadeia às 2 da manhã para visitá-la. Então, quando um cidadão conta uma mentira dessa, o que fazer? Processar? Acho que falta um pouco de senso de responsabilidade no comportamento das pessoas. De verdade, falta reconstruir a estrutura social da família. Quando eu era pequeno, tinha vontade de comer uma maçã embrulhada em papel azul, e ficava diante da barraca olhando e olhando, e sabe por que eu não pegava e não saía correndo? Para não envergonhar a minha mãe. Ela era a minha referência de comportamento.

Mas uma política social que conseguisse alcançar certo grau de igualdade, isso não recriaria automaticamente valores perdidos?

Há todo um conjunto de fatores viáveis, não concordo com diminuir a idade penal e colocar mais polícia na rua para coibir a violência. Isso não vai funcionar. Eu acho que, se houver mais gente na escola e mais gente trabalhando, vamos caminhar no rumo certo.

Seria correto dizer que há uma concepção errada da polícia num Estado democrático. Trata-se de instituição absolutamente necessária, mas muito maltratada, porque ela não é para reprimir, é para prevenir. Será que não vivemos uma crise institucional dos poderes que haveriam de constituir um Estado moderno?

Quando a gente fala em reforma, precisamos reformar também o Poder Judiciário. É tudo muito lento. Mas a Justiça pede por uma reforma, porque é justo exigir mais competência, é preciso ter mais estrutura para chegar a um cargo na Justiça. Quanto à polícia, tenho uma observação.

A nossa polícia sabe que em muitos casos o crime organizado está mais preparado do que ela. Todo ser humano tem medo. Há casos em que o policial tira a farda para ninguém saber que ele é policial. Ele vai trabalhar com um pouco de medo, e o medo faz você mais violento. Se você aborda o suspeito, já de revólver em punho, caso este reaja, você puxa o gatilho.

Como é que você resolve isso? Nós cometemos um erro na Constituição, que foi dar muita autonomia aos estados para que sua polícia se desvincule com muita autonomia da PM. Dá a impressão de que os estados saberiam lidar com a criminalidade, mas na prática muitos estados ficam reféns da própria polícia. Primeiro, seria preciso que os policiais se formassem por cursos de inteligência, assim como se formam em tiro ao alvo e arte marcial. Segundo, é preciso pagar melhor. Acho que, no caso da organização da polícia, o problema está na Constituição de 1988. Nas Forças Armadas, nós liberamos 7 mil, 8 mil fardados por ano, que poderiam ser chamados diretamente para a polícia. Mas não, têm de prestar concurso. É preciso rediscutir a respeito. Sem deixar de partir do pressuposto de que nenhum governador quer abrir mão do controle da polícia. Decisivo seria definir o papel de cada um. Porque, quando um governador prende um bandido, ele gosta de aparecer na televisão, mas, quanod ele não prende, o governo federal é o culpado. Essa ponderação explica-se a outros campos. A educação. Quem é que cuida? O governo federal, estadual ou prefeitura? E no ensino técnico? Saúde? Nós precisamos definir tudo isso.

Temos de repactuar os entes federados. Construir um pacto federativo, não só a partir da discussão financeira, mas também de acordo com a responsabilidade de cada um. Penso que no segundo mandato a Dilma terá de fazer coisas novas, é importante promover debates que ainda não foram feitos. Só se fala em política tributária. Eu tentei implementar duas vezes, ninguém quis. Dilma tem de fazer um esforço muito grande para destravar este país.

Até que ponto o senhor pode influenciar Dilma na escolha dos futuros ministros?

Eu não quero influenciar a Dilma. Faço política por uma transferência de confiança. Eu confio na Dilma. Se for eleita, vai fazer suas escolhas, vou torcer para dar certo. Se achar que ela está errada, vou dar uns palpites. Se em algum momento ela resolver discutir comigo alguns nomes, eu também não terei dúvidas em ajudá-la.

Digamos que a presidente não queira ouvir ninguém, quem quer que seja.

Não existe isso.

Admitamos uma sugestão não solicitada: “Este cara é muito bom”.

Vamos supor que a Dilma seja eleita e eu resolva indicar o Belluzzo. E ela falasse “não”. O que iria acontecer? Ia ficar um arranhãozinho na nossa relação de amizade. Daí eu preferir não indicar. É mais saudável, nem eu nem ela teremos decepções. Agora, se o partido vier discutir comigo quais nomes vai indicar, eu direi o que acho a respeito. Com ela, não. A não ser que a escolha me pareça absurda e então não hesitarei: “Este é problema”.

Como analisar o avanço na relação dos BRICS?

Neste mundo globalizado a gente tem de procurar parceiros. Acabou o tempo em que o mundo pobre esperava tudo da Europa e dos Estados Unidos. Então, eu penso que o Brasil tem de fortalecer as suas relações. Eu sou da tese de que a gente tem de criar um colchão de proteção do Brasil em suas relações externas, do ponto de vista estratégico, do ponto de vista da segurança, econômico, do ponto de vista estratégico do desenvolvimento científico-tecnológico. Porque quem já tem não quer repartir com a gente.

Por isso o Brasil há de fortalecer cada vez mais sua participação, sobretudo na América do Sul. E ter aqui, na América do Sul, algo muito forte na área do comércio e da interação das nossas empresas. Ter empresas fortes e bancos de desenvolvimento fortes. O BNDES tem de arcar com um papel mais importante e a gente tem de construir o Banco Sul. Acho que temos de fazer o mesmo com a África, porque agora, no século XXI, a África dará um salto de qualidade. E com os BRICS, precisamos tomar decisões políticas.

Nós somos uma espécie de pêndulo do planeta, então não podemos ficar dependendo do dólar para fazer negócio. Temos de construir, e não esperar que o mundo construído no século XIX, no começo do século XX, venha nos salvar. Nós podemos fazer a diferença. Eu acho que esse acordo da Rússia com a China, esse negócio do gás, foi um tapa de pelica na cara da Aliança do Atlântico.

Acho que os BRICS devem funcionar como uma espécie de segurrança na relação de cinco economias importantes. Por que eu falo isso? O Mercosul, quando cheguei à Presidência, não valia nada. A Alca é que estava na moda. Nós não implantamos a Alca e o Mercosul passou de 10 bilhões para 49 bilhões de fluxo de comércio exterior. A América do Sul não valia nada, o Brasil não conversava com ninguém, ninguém conversava com o Brasil.

Não é de interesse da elite que esses dados apareçam.

O Brasil é o primeiro produtor, e primeiro exportador, de carne processada, suco de laranja, tabaco, o segundo de soja. Tudo que você imaginar, o Brasil está entre os cinco do mundo. Vamos gostar deste País!

Mino Carta | Luiz Gonzaga Belluzzo
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